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1 Fundamentos da Educação Os Fundamentos teóricos da Educação Profa. Dra. Maria Luzia Silva Mariano • Unidade de Ensino: 4 • Competência da Unidade: Compreender que a educação possui características que foram construídas ao longo do tempo. • Resumo: Nesta unidade serão utilizados os conceitos apresentados ao longo das demais unidades para entender a educação como um meio de emancipação do homem, já propondo uma reflexão sobre os desafios que a realidade apresenta ao educador. • Palavras-chave: Filosofia; Sociologia; Emancipação; Liberdade. • Título da Teleaula: Os Fundamentos teóricos da educação. • Teleaula nº: 4 Contextualização • Emancipação: Possibilidades que a sociedade tem de fazer com que o homem se liberte de uma força opressora criada por ele mesmo, pelo seu modo de viver em sociedade; • Emancipação demanda diagnóstico da realidade; • A emancipação precisa acontecer para acabar com a opressão, que se refere a uma força concreta que, por ser coletiva e assumida socialmente antes do próprio indivíduo, parece ser dotada de verdade. Contextualização • Barbárie: ideia de uma situação na qual pessoas, ao invés de prosseguirem um caminho de evolução do pensamento, na consideração do outro como importante e que deveria ser considerado em suas ações, consideram apenas seus interesses como dignos de defesa e, assim, tomam como guias uma agressividade e um ódio primitivos característicos de um contexto pré-civilizatório. Teoria Crítica • Apenas se pode pensar a educação atrelada a um contexto, considerando outros elementos que constituem a realidade histórica e social; • Teoria Crítica: lança seu olhar sobre a realidade pensando sobre aquilo que ela é em contraposição àquilo que ela pode ser (Tenta-se enxergar possibilidades, potências que as coisas trazem em si mesmas); • Olhar para o modo como a sociedade está organizada e fazer sua crítica, apontando para aquilo que impede a realização de novas possibilidades; 1 2 3 4 5 6 2 • Condições Emancipatórias: possibilidades que a sociedade tem de fazer com que o homem se liberte de uma força opressora criada por ele mesmo, pelo seu modo de viver em sociedade; • Opressão: refere-se a uma força concreta que, por ser coletiva e assumida socialmente antes do próprio indivíduo, parece ser dotada de verdade; • Marx: A emancipação deveria vir do trabalho e das relações constituídas a partir deste âmbito; • • Pensadores de Frankfurt: o questionamento sobre a possibilidade de que a dominação social adviesse de outras relações (raças, sexo, etc.) não apenas as de classes socioeconômicas; • Conjuntamente, deveria ser elaborada uma nova ideia de democracia, a partir dos novos paradigmas; Poderia a educação desbarbarizar o homem? • Tomando-se como “barbárie” a ideia de uma situação na qual pessoas, ao invés de prosseguirem um caminho de evolução do pensamento, na consideração do outro como importante e que deveria ser considerado em suas ações, consideram apenas seus interesses como dignos de defesa e, assim, tomam como guias uma agressividade e um ódio primitivos característicos de um contexto pré-civilizatório. Poderia a educação desbarbarizar o homem? • A educação deve criar novas possibilidades a ele, para que haja condições de lidar com a própria liberdade; • A educação deve ser processo de inclusão do indivíduo no grupo, a partir de interesses que sejam coletivos e que levem à humanização, ao contrário da barbárie; • Isto significa que a educação deve ser liberta do caráter manipulador das forças políticas; • Emancipação: o objetivo é fazer que o homem esteja liberto de um conjunto situacional que o leva a um único entendimento da realidade; • O homem emancipado é aquele que faz uso de suas capacidades e qualidades, sendo legislador de si próprio. “A emancipação não é possível em termos gerais. Só há emancipação do indivíduo na medida em que é nele que se concentra o conflito entre autonomia da razão e as forças obscuras e inconscientes que invadem essa mesma razão.” (MATOS, 2005, p. 52). Educação, capital cultural e dominação 7 8 9 10 11 12 3 Pierre Bourdieu Nasceu em 1 de agosto de 1930 na França; Faleceu em 23 de janeiro de 2002 na França; Sistema educacional: um dos temas de destaque da sua obra; O interesse possivelmente foi despertado ainda no seu período de inserção no mundo universitário, sendo um desafio pessoal que ele tenha experienciado devido a sua origem humilde; Fo nt e: h tt ps :/ /p t.w ik ip ed ia .o rg /w ik i/ Pi er re _B ou rd ie u Ac es so e m : 1 7 m io . 2 02 1. • Os valores vigentes de uma sociedade são sempre os valores da classe dominante em determinado campo; • Existem pessoas sem cultura? • Alguns saberes, advindos do seu contexto cultural, não criariam dividendos valorizados no ambiente escolar; • Os campos acabam restritos, pois grande parcela da população não tem condições de participar dos bens culturais disponíveis na sociedade capitalista; Conceitos Fundamentais • O habitus seria, para Bourdieu, as estruturas sociais da subjetividade, formadas a partir das condições do nascimento (habitus primário) e ao longo da vida adulta (habitus secundário) dos sujeitos; • Seria, portanto, os valores e relações introjetadas pelos indivíduos, geralmente, de maneira inconsciente; • Assim, de maneira coletivizada e individualizada, o habitus compõe uma dimensão corporal, uma social, uma ideológica e a simbólica; Conceitos Fundamentais • O habitus dos diferentes segmentos sociais direcionava os processos de dominação vivenciados na sociedade capitalista; • Bourdieu reconheceu que este era gerador de um capital cultural específico capaz de arbitrar a vida dos sujeitos, garantindo-lhes legitimidade nos campos; Tipos de Capital Capital Econômico Propriedades de bens materiais (tecnologia, terra e trabalho) Capital Social Círculo de relações que você possui e estabelece a longo da vida Capital Cultural Vinculado aos saberes e gostos dos indivíduos Capital Simbólico Espaço em que as relações de força na sociedade lutam pela imposição de uma visão de mundo Tipo social de herança e patrimônio familiar Habitus, Trajetória social e destino social Conceito de Capital • Desses espaços, com as particularidades específicas dos capitais apresentados, emergiriam complexas relações de poder e, por conseguinte, distintas formas de dominação nas sociedades; • Para Bourdieu, a sociedade de classes não se impunha apenas pelos domínios econômicos; • O autor analisou os aspectos culturais que auxiliavam a sustentação dos privilégios de alguns poucos e dos processos de dominação e “resignação” de cada sujeito dos grupos em que nasceram; 13 14 15 16 17 18 4 Dominação e desigualdade • Diante dessa leitura a respeito da dominação e da desigualdade como consequência de processos culturais específicos de cada classe social, Bourdieu passará a investigar as principais instituições produtoras e reprodutoras de habitus que circunscrevem os indivíduos as faixas da pirâmide social; • Escola e família: grandes agentes socializadores responsáveis pelo gosto cultural como produto e fruto de um processo educativo, e não fruto de uma sensibilidade inata dos agentes sociais; A escola e a não neutralidade • Bourdieu Faz críticas e reflexões a respeito da educação na sociedade; • A educação é um instrumento e, como tal, pode servir para diferentes finalidades; • Não existe a escola neutra: como instituição com responsabilidade de “apenas” transmitir conhecimentos que sejam necessários para que os indivíduos tenham condições de se realizar social e humanamente; • Escola “neutra” seria na verdade uma instituição que serviria aos anseios do sistema e, em consequência, estaria alheia ao contexto social; Dominação e desigualdade • Bourdieu olhou para o sistema escolar de maneira bastante crítica, ao reconhecer nele um instrumento da classe dominante desejosa em manter a sua posição social; • Assim, ele reconhece na escola esse poder simbólico, quevem transfigurado de uma autoridade pedagógica. A Reprodução - 1970 • A escola como instituição social é uma fonte de violência simbólica, cuja consequência é a reprodução da cultura dominante e a ampliação das relações de força de certos grupos sociais existentes dentro da própria sociedade para se manterem nas camadas mais privilegiadas a partir daquilo que se pode chamar da reprodução das desigualdades sociais e culturais; A Reprodução - 1970 • Violência Simbólica: “todo poder que chega a impor significações e a impô- las como legítimas, dissimulando as relações de força, isto é propriamente simbólica, a essas relações de força” (BOURDIEU; PASSERON, 1975, p. 19) • A reflexão foi feita acerca da manutenção da ordem através da relação pedagógica escola-família na formação de sujeitos que, dificilmente, movem-se de sua posição na pirâmide social, porque o rendimento escolar tende a ser espelho do habitus primário, ou seja, aquele promovido pela família do educando; 19 20 21 22 23 24 5 Exemplo de Poder Simbólico • Na relação professor – aluno: Diploma do professor; • Para além de sua dimensão técnica que se encerra na própria materialidade de um papel impresso com letras e números, ele representa (e aí está sua dimensão simbólica) um saber acumulado em uma instituição de ensino que chancela o discurso do professor e o coloca como o detentor de uma força legitimada socialmente; • O papel, em si mesmo, não é capaz de aferir o conhecimento de ninguém; • Habitus: há um processo de interiorização/ incorporação da estrutura pelo indivíduo, que ocorre por meio do pensamento racional; • Escola: pode acabar legitimando o projeto de desigualdade social; é um dos lugares nos quais a força da estrutura sobre o indivíduo se mostra dotada de grande poder; A educação, na teoria de Bourdieu, perde o papel que lhe fora atribuído de instância transformadora e democratizadora das sociedades e passa a ser vista como uma das principais instituições por meio da qual se mantêm e se legitimam os privilégios sociais. Trata-se, portanto, de uma inversão total de perspectiva. (NOGUEIRA, 2014, p.14). • Bourdieu entende que há uma estrutura de dominação e as ações individuais acabam por reproduzir tal estrutura – a produção simbólica (arte, religião, manifestações culturais, dança, literatura etc.) cumpre claramente este papel: instituem aquilo que pode ser considerado “superior” e classificam tudo mais; • A participação em tais meios “superiores” possibilita ao homem assumir uma nova posição social (há vantagens sociais e recompensas), por meio da aquisição cultural que ele conquista: eis o capital cultural. • O indivíduo tem heranças, nas diferentes classes sociais, são diferentes as heranças deixadas para os indivíduos, pois enquanto uns têm acesso à chamada “cultura legítima”, tantos outros se verão à margem dela; A escola: • Deveria trabalhar de acordo com a realidade dos indivíduos, partindo do que eles trazem de conhecimentos. Porém, mostra-se propagadora dos valores sociais vigentes, ensina aquilo que é valor para a classe dominante. A educação para o Século XXI Edgar Morin (1921) – É um antropólogo, sociólogo e filósofo francês; Teoria da Complexidade; “O retalhamento das disciplinas torna impossível apreender ‘o que é tecido junto’, isto é, o complexo, segundo o sentido original do termo.” (MORIN, 2003a, p. 14); A escola não apenas ensina um conteúdo, mas ensina o modo como o mundo deve ser visto; 25 26 27 28 29 30 6 • A realidade é complexa: não se trata de compreender apenas as partes, mas o tipo de relação que acontece entre elas – e esta mesma relação se transforma, sendo diferente para cada conjunto de objetos relacionados; • Há a necessidade de que o homem enxergue o mundo de um outro modo, em um emaranhado de relações que se influenciam mutuamente; • A complexidade enxerga a realidade como um tecido, emaranhado de fios, dos quais não se pode mover um sem que os demais se movam; nada pode ser compreendido de modo isolado; • Motivo pelo qual não é possível conceber o ensino dividido em áreas do conhecimento; • É necessário pensar em uma educação holística, de modo a entender a realidade como um todo; É necessário que o homem enxergue o mundo de um outro modo, em um emaranhado de relações que se influenciam mutuamente; A escola deve reaprender a ensinar; O homem acaba preso por ideias e situações que ele não criou, mas que acabam se perpetuando; O maior desafio da educação é a libertação; SP – A formação para a atualidade Qual escola é esta, tão necessária ao homem do século XXI? • É uma escola plural, rica em manifestações humanas, • Uma escola aberta ao mostrar-se do mundo, que ensina a enfrentar as necessidades e incertezas que ocorrem no caminho; • Acima de tudo, é uma escola que permitirá um novo pensamento, sobre o qual será possível um novo estar do homem junto ao mundo; • O pensamento que une substituirá a causalidade linear e unidirecional por uma causalidade em círculo e multirreferencial, corrigirá a rigidez da lógica clássica pelo diálogo capaz de conceber noções ao mesmo tempo complementares e antagonistas, e completará o conhecimento da integração das partes em um todo, pelo reconhecimento da integração do todo no interior das partes. (MORIN, 2003a, p. 92-93). 31 32 33 34 35 36 7 Recapitulando Recapitulando • Teoria Crítica: lança seu olhar sobre a realidade pensando sobre aquilo que ela é em contraposição àquilo que ela pode ser; • Marx: A emancipação deveria vir do trabalho e das relações constituídas a partir deste âmbito; • Pensadores de Frankfurt: o questionamento sobre a possibilidade de que a dominação social adviesse de outras relações (raças, sexo, etc.) não apenas as de classes socioeconômicas; Recapitulando • A escola não é um espaço neutro dentro da sociedade; • Bourdieu – Capital Cultural: Alguns saberes, advindos do seu contexto cultural, não criariam dividendos valorizados no ambiente escolar; • Complexidade da Realidade: não se trata de compreender apenas as partes, mas o tipo de relação que acontece entre elas – e esta mesma relação se transforma, sendo diferente para cada conjunto de objetos relacionados; 37 38 39 40