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<p>leitura</p><p>FICHA DE</p><p>TÍTULO:</p><p>RESUMO:</p><p>AUTOR:</p><p>Alimentos, Nutrição e Dietoterapia</p><p>KRAUSE</p><p>TÍTULO RESUMO:</p><p>Clínica: Inflamação, Avaliações Física e Funcional</p><p>(Parte 02)</p><p>Ácido Linoleico Ômega 6 e Ácido AlfaLinolênico Ômega 3 (Ácidos Graxos Essenciais)</p><p>A frequência de consumo de peixe está ligada ao menor risco de doenças crônicas, como as do</p><p>coração, de acordo com estudos sobre dietas mediterrâneas, asiáticas e nórdicas. Os óleos de</p><p>peixe e seus compostos bioativos são essenciais para reduzir processos inflamatórios no</p><p>organismo humano. Nutricionistas desempenham papel fundamental na criação de dietas</p><p>personalizadas para equilibrar a produção de eicosanoides anti-inflamatórios.</p><p>Três grupos principais de metabólitos de prostaglandina são formados a partir de ácidos graxos</p><p>essenciais na cascata de eicosanoides: PGE1, PGE2 e PGE3, que têm efeitos anti-inflamatórios</p><p>e pró-inflamatórios. Os nutricionistas podem avaliar e criar intervenções personalizadas para</p><p>equilibrar esses metabólitos e promover o bem-estar do indivíduo. A análise da ingestão de</p><p>gorduras, capacidade de absorção e níveis de hemácias são fundamentais para identificar</p><p>desequilíbrios fisiológicos durante a avaliação nutricional.</p><p>O equilíbrio entre os eicosanoides ômega 3 e ômega 6 regula a inflamaç��o em resposta ao</p><p>ambiente metabólico. As prostaglandinas controlam o tônus vascular, a função plaquetária e a</p><p>fertilidade. Elas também agem como mediadores inflamatórios, moduladores da biologia</p><p>tumoral e reguladores do crescimento celular. Apesar de serem hormônios</p><p>autócrinos/parácrinos, as prostaglandinas não recebem essa denominação por não terem um</p><p>órgão específico de secreção. O ácido eicosapentaenoico do ômega 3 inibe a síntese do ácido</p><p>araquidônico ômega 6, reduzindo a inflamação. Essas descobertas, feitas nos anos 1960,</p><p>impulsionaram pesquisas sobre o uso de óleo de peixe como suplemento anti-inflamatório.</p><p>Uma molécula importante na cascata dos eicosanoides é o ácido docosaexaenoico (DHA) do</p><p>ômega 3, que tem efeitos anti-inflamatórios e colabora com o EPA do ômega 3. Ambos podem</p><p>ser encontrados no óleo de peixe. O DHA é essencial para diversos tecidos do corpo, como olhos</p><p>e cérebro, e ajuda na regulação da inflamação metabólica. O corpo possui sistemas redundantes</p><p>para garantir o fornecimento de moléculas essenciais para o metabolismo.</p><p>Os principais componentes na cascata dos eicosanoides incluem o ácido gama-linolênico (GLA)</p><p>do ômega 6, o ácido di-homo gamalinolênico (DGLA) e o ácido araquidônico (AA), que</p><p>interagem com o EPA e o DHA do ômega 3. A ingestão de ácidos graxos pode alterar as</p><p>respostas fisiológicas e favorecer a síntese de prostaglandinas e leucotrienos anti-inflamatórios,</p><p>ajudando no tratamento da inflamação crônica. Estudos mostram que a combinação de</p><p>tratamentos com ácidos graxos pode suprimir a inflamação em condições como esclerose</p><p>múltipla. A administração simultânea de ácidos graxos ômega 6 e ômega 3 pode ter um efeito</p><p>sinérgico no combate à inflamação.</p><p>Os cinco eicosanoides primários (GLA, DGLA, AA, EPA, DHA) têm papéis essenciais na</p><p>formação das prostaglandinas PGE1, PGE2 e PGE3, controlando doenças inflamatórias.</p><p>Anteriormente, a ingestão de ácidos graxos essenciais determinava as concentrações teciduais,</p><p>mas o aumento do conhecimento sobre o ômega 3 levou muitos nos EUA a adicionar EPA e</p><p>DHA em suas dietas. O excesso desses nutrientes pode desequilibrar a biossíntese do ácido</p><p>araquidônico e GLA, afetando a função metabólica. A avaliação nutricional precisa considerar</p><p>os suplementos de ácidos graxos do paciente, além da dieta, para evitar desequilíbrios. Exames</p><p>laboratoriais podem auxiliar nessa determinação. É essencial manter um equilíbrio nutricional</p><p>para garantir uma função metabólica ideal.</p><p>Grupo da Prostaglandina 1 (PGE1): Antiinflamatório</p><p>Os metabólitos de PGE1 são essenciais para o equilíbrio das prostaglandinas no tratamento da</p><p>inflamação, com ação antiinflamatória no tecido. A PGE1 é crucial para os efeitos benéficos do</p><p>GLA, que se converte em DGLA para controlar a inflamação. Além disso, o GLA reduz a</p><p>inflamação intracelular e na matriz extracelular, como na nefropatia diabética. Estudos</p><p>indicam que o GLA é essencial para a integridade da pele e para tratar outras doenças</p><p>inflamatórias. Além disso, os ácidos graxos podem inibir a proliferação e migração de células</p><p>cancerígenas.</p><p>Grupo da Prostaglandina 2 (PGE2): Próinflamatório Quando em Excesso</p><p>A PGE2 aumenta a inflamação no tecido, resultando em dor, inchaço, febre, vermelhidão e</p><p>constrição de vasos sanguíneos. O ácido araquidônico (AA) aumenta com lesões agudas,</p><p>favorecendo a cicatrização, mas em doenças crônicas pode causar danos ao tecido. O excesso de</p><p>PGE2 em tumores estimula o crescimento de carcinomas. A concentração elevada de AA pode</p><p>ser perigosa, especialmente sem consumo suficiente de ômega 3 para contrabalançar. A maioria</p><p>das populações industrializadas possui altos níveis de AA devido à baixa ingestão de ômega 3. É</p><p>importante reconhecer o papel positivo do AA na estabilidade das membranas celulares e no</p><p>controle da inflamação. O tratamento nutricional deve visar à homeostase saudável, com</p><p>monitoramento para evitar queda excessiva das concentrações de AA.</p><p>Grupo da Prostaglandina 3 (PGE3): Antiinflamatória</p><p>A ação anti-inflamatória é atribuída ao grupo da PGE3, leucotrieno 5 e outras moléculas que</p><p>suprimem AA, GLA e DGLA. Estudos focam em doenças cardiovasculares, mas a supressão de</p><p>GLA é pouco analisada.</p><p>Lipoxigenases (LOX)</p><p>As lipoxigenases (LOX) são intermediários que produzem leucotrienos inflamatórios (PGE2)</p><p>ou anti-inflamatórios (PGE3). LOX-4 e LOX-5 podem modular inflamação e atuar como</p><p>mediadores de sinalização celular. Exemplos práticos incluem a maturação de hemácias e</p><p>melhoria da função brônquica na asma. LOX também participam do metabolismo de beta-</p><p>oxidação de ácidos graxos em membranas. São mais expressas em casos de estresse fisiológico.</p><p>Cicloxigenase (COX)</p><p>Os metabólitos da COX desempenham papel essencial na reprodução e na resposta</p><p>inflamatória, incluindo PGE2, PGE1 e PGE3.</p><p>Mediadores Especializados Pró-resolução (SPM)</p><p>Novos mediadores especializados pró-resolução (SPM) foram identificados recentemente,</p><p>derivados de AGPIs ω3 e ω6. Lipoxinas, resolvinas, protectinas e maresinas são alguns</p><p>exemplos dessas moléculas que podem resolver a inflamação e promover a homeostasia</p><p>metabólica, explicando os efeitos anti-inflamatórios de PGE1, PGE2 e PGE3.</p><p>Redução da inflamação no corpo</p><p>A pesquisa moderna com ácidos graxos essenciais (AGEs) e seus metabólitos tem focado no</p><p>impacto terapêutico no processo inflamatório. Os mediadores primários da inflamação incluem</p><p>histamina, serotonina, citocinas, prostaglandinas, tromboxanos e leucotrienos. A ação anti-</p><p>inflamatória de PGE1 e PGE3 equilibra os sistemas inflamatórios de PGE2, promovendo um</p><p>metabolismo saudável. Os derivados de ômega 6 regulam o processo inflamatório em sinergia</p><p>com EPA, formando moléculas anti-inflamatórias PGE1 ou inflamatórias PGE2. Os derivados</p><p>do ômega 3 formam metabólitos anti-inflamatórios PGE3, suprimindo a formação de</p><p>leucotrienos e PGE1. Enzimas como dessaturases e elongases são essenciais para a conversão</p><p>saudável de AGEs, influenciadas por nutrientes como zinco e vitamina B6. Em casos de</p><p>deficiência, suplementos como GLA podem desviar a conversão para vias anti-inflamatórias.</p><p>Terapias dietéticas com lipídeos e nutracêuticos ajudam a desviar o metabolismo dos</p><p>eicosanoides, promovendo efeitos anti-inflamatórios potentes.</p><p>Intervenções dietéticas e nutricionais precisas podem melhorar o equilíbrio de ácidos graxos,</p><p>especialmente a conversão de GLA em DGLA, melhorando a sensibilidade à insulina e</p><p>formando depósitos nutricionais adequados. Óleos vegetais ricos em GLA são estudados como</p><p>potenciais nutracêuticos. O nutricionista pode avaliar o perfil de ácidos graxos de um indivíduo,</p><p>direcionando intervenções com base em resultados de exames específicos, como a análise de</p><p>ácidos graxos em hemácias.</p><p>O Índice de ômega 3, calculado a partir</p><p>dessas análises, é um indicador prognóstico de doença</p><p>cardiovascular. A administração de lipídeos intravenosos derivados do azeite tem mostrado</p><p>resultados promissores na redução da inflamação através da ativação de vias anti-inflamatórias.</p><p>Portanto, estratégias nutricionais direcionadas podem desempenhar um papel vital na</p><p>modulação do processo inflamatório e na promoção da saúde metabólica.</p><p>Esses parâmetros de avaliação auxiliam nas intervenções lipídicas personalizadas, permitindo a</p><p>manipulação dos níveis de lipídeos para promover uma composição corporal saudável e</p><p>restaurar a resposta imune adequada em todos os sistemas do organismo. O tratamento</p><p>nutricional direcionado, por meio de suplementos dietéticos, alimentos funcionais ou</p><p>fitoterápicos, atua nos sistemas enzimáticos metabólicos, aproveitando a maleabilidade das</p><p>membranas e tecidos. Geralmente, são necessários de dois a 12 meses de tratamento nutricional</p><p>para obter resultados eficazes.</p><p>Enzimas do Citocromo P450</p><p>As enzimas do citocromo P450 são essenciais para a produção de colesterol, esteroides,</p><p>prostaciclinas e tromboxano A2. Além disso, participam da desintoxicação de toxinas no</p><p>organismo. Problemas na integridade estrutural das enzimas, inflamação no fígado,</p><p>desequilíbrio de nutrientes ou variações genéticas do CYP450 podem resultar no acúmulo de</p><p>toxinas no corpo. Essas enzimas são encontradas principalmente no fígado, intestino, rins,</p><p>pulmões e placenta. Novas ferramentas, como exames genéticos, podem ajudar a identificar</p><p>como o metabolismo de uma pessoa responde a intervenções nutricionais. Isso possibilita um</p><p>maior entendimento dos sistemas bioquímicos e genéticos de cada indivíduo, auxiliando em seu</p><p>tratamento clínico.</p><p>Vitamina D</p><p>Na verdade, a vitamina D atua como pró-hormônio em múltiplos papéis, incluindo a modulação</p><p>hormonal e imune, e possui efeitos anti-inflamatórios, antitumorais e promove a apoptose.</p><p>Estudos indicam que a vitamina D pode contribuir para a regulação das respostas imunológicas</p><p>por meio do receptor de vitamina D. A vitamina D é sintetizada na pele pela exposição à</p><p>radiação ultravioleta e também pode ser obtida de fontes dietéticas. Há uma preocupação global</p><p>com baixas concentrações de vitamina D, associadas a diversas doenças crônicas. Recomenda-</p><p>se a realização de exames para medir a concentração de vitamina D e sua suplementação,</p><p>visando aumentar os níveis no sangue. A vitamina D também tem efeitos anti-inflamatórios</p><p>conhecidos e uma relação sinérgica com a vitamina A, devido ao compartilhamento de</p><p>receptores nucleares. É importante realizar exames de retinol e de vitamina D antes da</p><p>suplementação, pois altas ou baixas concentrações de uma podem afetar a função da outra.</p><p>Portanto, é recomendado investigar e monitorar os níveis de vitamina D para manter a saúde e</p><p>prevenir doenças.</p><p>Minerais - Magnésio</p><p>O magnésio é essencial em mais de 300 sistemas enzimáticos no metabolismo, agindo em</p><p>equilíbrio com o cálcio. Ele atua como um "relaxante" parassimpático, em oposição à</p><p>promoção simpática e "contração" do cálcio. Está inversamente relacionado aos níveis</p><p>sanguíneos de proteína C reativa, uma molécula inflamatória. A baixa ingestão de magnésio,</p><p>comum nos EUA, está ligada a diversos problemas de saúde, como hipertensão, síndrome</p><p>metabólica, diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares, osteoporose e cânceres. O magnésio</p><p>depende do ambiente de outros nutrientes essenciais, como cálcio e zinco, presentes em vegetais,</p><p>nozes, sementes e grãos integrais. Estudos recentes mostram a relação entre a deficiência de</p><p>magnésio e a inflamação, especialmente em casos de obesidade. Ter uma dieta rica nesses</p><p>alimentos pode fornecer a quantidade adequada de magnésio, desde que a digestão e absorção</p><p>sejam normais.</p><p>Zinco</p><p>O zinco é essencial para mais de 300 enzimas e está presente em processos inflamatórios. O</p><p>Apêndice 53 lista suas fontes alimentares e é crucial para a sinalização celular no intestino. A</p><p>falta de zinco pode causar atrofia no timo, órgão importante para a imunidade. É necessário</p><p>avaliar o zinco junto com o cobre, pois ambos são essenciais. A deficiência de zinco pode levar à</p><p>perda de paladar, principalmente em idosos. A fosfatase alcalina é sensível ao zinco, então sua</p><p>medida pode indicar uma possível deficiência. A avaliação do zinco atualmente se baseia na</p><p>dieta, mas indicadores como cobre, razão zinco/cobre nas hemácias e exames de minerais no</p><p>cabelo também são importantes. Sinais de deficiência incluem manchas brancas nas unhas,</p><p>perda de apetite, perda de paladar, alopecia e anomalias reprodutivas.</p><p>Metilação</p><p>A metilação é essencial no metabolismo e os nutrientes com fator metil são importantes para</p><p>uma metilação saudável. As vitaminas do complexo B, como ácido fólico, B6, B2 e B12, são</p><p>essenciais nesse processo. Estudos mostram benefícios ao usar essas vitaminas como</p><p>suplementos para tratar inflamações crônicas. Alguns casos de insuficiência de vitaminas podem</p><p>limitar a taxa de metilação. A metilação de DNA está associada a doenças crônicas, como</p><p>câncer, doenças intestinais, função cognitiva e doenças cardiovasculares. Os mecanismos</p><p>envolvidos na metilação são fundamentais para a resposta imune e inflamação, com destaque</p><p>para o papel dos cofatores da vitamina B. Esses fatores regulam a expressão gênica e ajudam a</p><p>proteger contra o dano oxidativo. Genes de metilação, como MTHFR C667T, MTHFR 1298C</p><p>e COMT, são amplamente estudados nos EUA para aplicação clínica. Outros laboratórios</p><p>também realizam análises especializadas nesse campo.</p><p>Flavonoides e Nutrientes Antioxidantes</p><p>Os flavonoides, ou bioflavonoides, são substâncias presentes em frutas e vegetais, com</p><p>propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias que beneficiam o sistema imunológico. Eles</p><p>protegem contra danos causados por radicais livres e ajudam na regulação de processos</p><p>celulares. A curcumina, da cúrcuma, e a quercitina, de frutas cítricas e cebolas, são exemplos de</p><p>flavonoides estudados. A quercitina, em particular, possui ação anti-inflamatória. Alimentos</p><p>ricos em quercitina podem ajudar a controlar reações alérgicas. Esses flavonoides podem ser</p><p>encontrados como suplementos nutricionais para tratamentos específicos, quando necessário.</p><p>Essas substâncias são essenciais para manter a saúde celular e do organismo.</p><p>Alguns Antioxidantes Flavonoides</p><p>Ácido</p><p>Alfa</p><p>Lipoico</p><p>Astaxantina</p><p>Bioflavonoides</p><p>Cítricos</p><p>CoQ10</p><p>Curcumina</p><p>Epigalocatequina 3 Galato (EGCG)</p><p>Glutationa</p><p>Luteína</p><p>Licopeno</p><p>Quercetina</p><p>Reseveratrol</p><p>Zeaxantina</p><p>Vários sistemas antioxidantes protegem contra os radicais livres, principalmente nas</p><p>mitocôndrias. O ascorbato (vitamina C) interage com outros antioxidantes, formando uma</p><p>"rede antioxidante" central. Ele regenera antioxidantes, como a vitamina E, protegendo as</p><p>membranas celulares. Outros membros importantes são a glutationa, o ácido lipoico e a</p><p>coenzima Q-10. Juntos, atuam sinergicamente para combater os radicais livres. Esses</p><p>antioxidantes são essenciais para a saúde e podem ser usados como suplementos em casos</p><p>necessários.</p><p>Ecologia Intestinal e Microbioma</p><p>O sistema gastrointestinal desempenha muitas funções importantes na saúde, incluindo a</p><p>integridade imune. O maior órgão imune do corpo está localizado no sistema gastrointestinal,</p><p>como o tecido associado ao intestino e à mucosa, que contêm componentes do sistema</p><p>imunológico e microrganismos simbióticos. A condição desses tecidos e da ecologia microbiana</p><p>tem grande impacto no estado inflamatório do corpo. Recomenda-se um tratamento clínico</p><p>nutricional que inclua alimentos fermentados, evitando alimentos processados e irritantes para o</p><p>sistema gastrointestinal. O uso de alimentos funcionais, prebióticos, probióticos e suplementos</p><p>pode ser indicado para melhorar a função intestinal e reduzir a inflamação.</p><p>Estilo de Vida</p><p>Doenças crônicas são chamadas de "doenças do estilo de vida" e seu tratamento requer discutir</p><p>fatores ligados ao estilo de vida para melhorar os resultados. Mudanças no estilo de vida, como</p><p>sono, exercícios e parar de fumar, são amplamente</p><p>recomendadas pelas autoridades de saúde</p><p>pública. Recomenda-se também proteção contra exposição a toxinas, gerenciamento do estresse</p><p>e apoio da comunidade, pois impactam significativamente doenças crônicas e inflamação.</p><p>Sono: Ritmo Circadiano</p><p>O CDC considera a insônia um grande desafio de saúde pública nos EUA, com 50 a 70 milhões</p><p>de adultos diagnosticados com distúrbios do sono. A qualidade e a duração do sono, bem como a</p><p>sensação de energia ao acordar, são sinais de um sono adequado. Dormir é uma atividade anti-</p><p>inflamatória importante, segundo especialistas. Hábitos como assistir TV antes de dormir</p><p>podem afetar a produção de melatonina, crucial para o sono. Distúrbios do sono, ronco e</p><p>consumo de estimulantes prejudicam a qualidade do sono. Os efeitos cumulativos do sono ruim</p><p>impactam o metabolismo, humor, estresse emocional e nutrição. Problemas de sono podem</p><p>contribuir para diversas doenças, como hipertensão, cardiopatia, depressão e diabetes,</p><p>aumentando o estresse e inflamação. O sono afeta o equilíbrio do ritmo circadiano e diversos</p><p>sistemas do corpo, podendo causar inflamação crônica e alterações no estado nutricional.</p><p>Atividade Física</p><p>Pesquisas em fisiologia do exercício estão mostrando novas informações sobre o impacto da</p><p>atividade física na inflamação. Exercícios excessivos por longos períodos podem gerar altas</p><p>concentrações de espécies reativas de oxigênio (ROS), causando danos celulares por estresse</p><p>oxidativo. Recomenda-se exercícios intermitentes ao longo do dia, de intensidade moderada.</p><p>Exercícios extenuantes devem ser feitos apenas por indivíduos treinados, para evitar efeitos</p><p>nocivos dos radicais livres. A avaliação nutricional do estado antioxidante pode ajudar a</p><p>identificar o excesso de ROS e orientar quanto à proteção antioxidante na dieta.</p><p>Estresse da Vida</p><p>Alguns profissionais de saúde e pesquisadores afirmam que o estresse prolongado é prejudicial à</p><p>saúde, podendo resultar em envelhecimento precoce e doenças crônicas. O estresse não resolvido</p><p>desencadeia uma resposta do sistema imunológico, liberando citocinas inflamatórias. A</p><p>comparação é feita com a preparação para a "luta ou fuga", onde o organismo libera</p><p>substâncias químicas inflamatórias. Em situações de medo, animais e humanos correm para se</p><p>proteger, enquanto em segurança, descansam para se recuperar. No entanto, com o estresse</p><p>crônico, essa recuperação pode não ocorrer.</p><p>Carga de Toxinas</p><p>As toxinas são substâncias tóxicas no organismo que causam danos ao metabolismo. Desde a</p><p>Segunda Guerra Mundial, mais de 80.000 substâncias sintéticas foram liberadas no ambiente,</p><p>aumentando a exposição da vida vegetal e animal a níveis sem precedentes. Alguns compostos</p><p>conhecidos, como o tabaco, são tóxicos, mas existem também moléculas "novas na natureza",</p><p>como os ácidos graxos trans.</p><p>A dificuldade dos metabolismos de plantas e animais em processar e eliminar toxinas resultou</p><p>no aumento das concentrações teciduais. Por exemplo, estudos do Environmental Working</p><p>Group encontraram mais de 260 substâncias tóxicas em neonatos nos EUA. Outro exemplo são</p><p>os estudos de metais tóxicos, como cádmio e chumbo, que podem causar distúrbios no sistema</p><p>nervoso e doenças cardiovasculares e renais.</p><p>A exposição hermética ao cádmio e arsênico, em baixa concentração, pode afetar a atividade</p><p>enzimática, causando adaptações inadequadas em longo prazo. A falta de ingestão dietética de</p><p>nutrientes vegetais demonstrou estar relacionada aos efeitos inflamatórios das toxinas.</p><p>Portanto, uma ingestão adequada de macro e micronutrientes, junto com nutrientes vegetais,</p><p>pode oferecer proteção contra danos tóxicos no organismo.</p><p>Avaliação e Redução da Inflamação Prolongada nas Doenças Crônicas - A História do</p><p>Paciente</p><p>A avaliação nutricional é crucial para entender a saúde de uma pessoa, começando por ouvir a</p><p>história do paciente e estabelecendo uma relação terapêutica. Este processo, parecido com um</p><p>trabalho de detetive, visa descobrir as causas dos desequilíbrios fisiológicos subjacentes para</p><p>guiar a intervenção. A história do paciente abrange todo o seu histórico de saúde, coletando</p><p>dados relevantes para sua saúde metabólica. Durante a consulta terapêutica, os dados são</p><p>obtidos através da anamnese, prontuários médicos, histórico familiar, observação clínica e</p><p>exames laboratoriais. O preenchimento de um formulário sobre os históricos de saúde das duas</p><p>gerações anteriores antes da consulta é fundamental. Padrões genéticos metabólicos podem ser</p><p>identificados com frequência, o que pode orientar o nutricionista na investigação de possíveis</p><p>mecanismos metabólicos. É importante também considerar o histórico pessoal de saúde, como o</p><p>desenvolvimento gestacional e a amamentação, para melhor compreender a saúde nutricional</p><p>metabólica atual. Por exemplo, bebês que não foram amamentados podem se beneficiar da</p><p>suplementação com probióticos para manter uma microbiota intestinal saudável e reduzir</p><p>incidências de alergias e asma.</p><p>Histórico e Dados Médicos</p><p>O denominador comum da inflamação prolongada está presente em todas as doenças crônicas,</p><p>principalmente na síndrome metabólica, que inclui fatores como resistência à insulina, maior</p><p>percentual de gordura corporal, concentrações elevadas de triglicerídeos, baixos níveis de</p><p>colesterol HDL, hipertensão e hiperglicemia. Biomarcadores como CRP-hs acima de 1,0 mg/dL</p><p>são comumente observados, revelando a desregulação do metabolismo da glicose e suas diversas</p><p>causas associadas à inflamação prolongada.</p><p>Os marcadores bioquímicos são importantes na personalização da carga inflamatória de um</p><p>indivíduo, enquanto a análise genômica preditiva oferece novas ferramentas para avaliação do</p><p>metabolismo, como análise de SNP. Os clínicos integrativos estão adotando essa abordagem</p><p>para identificar intervenções eficazes. Um exemplo é o uso de SNP no câncer de mama, onde o</p><p>gene VDR influencia os riscos de desenvolvimento e prognóstico da doença, destacando a</p><p>importância do monitoramento da vitamina D.</p><p>A vitamina D desempenha um papel fundamental no tratamento da inflamação metabólica, com</p><p>efeitos imunológicos e hormonais. Polimorfismos no gene VDR estão associados a várias</p><p>doenças, incluindo a osteoporose. Combinar a história do paciente com dados antropométricos,</p><p>histórico médico e exame físico nutricional permite ao clínico desenvolver intervenções</p><p>nutricionais específicas para promover a saúde e o bem-estar.</p><p>Expressão da inflamação prolongada específica às principais doenças crônicas</p><p>Cardiopatia/Síndrome Cardiometabólica</p><p>A aterosclerose é uma doença crônica inflamatória relacionada à síndrome metabólica, que</p><p>afeta o sistema cardiovascular e respostas imunológicas no corpo. A formação de placas</p><p>ateroscleróticas nas paredes vasculares está ligada a doenças crônicas como a doença</p><p>cardiovascular e o diabetes, sendo influenciada por fatores como hipertensão, acidente vascular</p><p>cerebral, infecções e estresse. Biomarcadores como lipídeos, homocisteína, CRP-hs,</p><p>mieloperoxidase e ferritina são frequentemente associados à inflamação presente na síndrome</p><p>metabólica e doenças cardiovasculares. Esse processo inflamatório envolve macrófagos, células</p><p>xantomatosas, cálcio e colesterol, podendo até mesmo incluir infecções.</p><p>Câncer</p><p>O câncer é semelhante à síndrome cardiometabólica devido à inflamação prolongada. As mortes</p><p>por câncer resultam do crescimento metastático do tumor e da desnutrição. A sobrevivência das</p><p>metástases de tumores sólidos requer aumento do suprimento sanguíneo através da angiogênese.</p><p>A pesquisa foca em alimentos, ervas e medicamentos que possam inibir a angiogênese. Avaliar a</p><p>condição metabólica e nutricional de pacientes com câncer requer os mesmos fatores da</p><p>síndrome metabólica, além de marcadores específicos da doença.</p><p>Doenças Autoimunes</p><p>Doenças autoimunes como artrite reumatoide, doença celíaca e lúpus compartilham processos</p><p>semelhantes à doença cardiometabólica, com influência genética. Essas doenças apresentam</p><p>marcadores inflamatórios específicos e são agravadas por obesidade, infecções crônicas,</p><p>exposição a antígenos</p><p>e estresse. Suas suscetibilidades genéticas são identificadas.</p><p>Anomalias Endócrinas</p><p>A incidência de anomalias endócrinas, excluindo o câncer, está aumentando na população</p><p>global. A infertilidade tornou-se um desafio para 10% das mulheres em todo o mundo.</p><p>Endometriose, síndrome do ovário policístico e infertilidade inexplicada são as doenças mais</p><p>comuns relacionadas a nível mundial. Estresse oxidativo e inflamação são considerados</p><p>importantes causas de infertilidade feminina. Marcadores cardiometabólicos podem ser</p><p>utilizados para avaliar os riscos de desenvolver doenças crônicas endócrinas. A "dominância</p><p>estrogênica" está associada a problemas inflamatórios, como fibroides uterinos, mamas</p><p>fibrocísticas, hipotireoidismo, tiroidite autoimune, diabetes tipo 1 e 2, e estresse adrenal.</p><p>Doenças do Desenvolvimento Relacionadas à Inflamação</p><p>Doenças do desenvolvimento relacionadas à inflamação se originam no ambiente uterino, com</p><p>destaque para a importância da pré-programação fetal. Mensagens epigenéticas influenciam a</p><p>expressão do genótipo ao longo da vida. O desenvolvimento cerebral e o bem-estar</p><p>comportamental na primeira infância, incluindo autoestima e formação de relações, são</p><p>afetados pela falta de um ambiente saudável. A inflamação crônica pode persistir e impactar a</p><p>vida do indivíduo se fetos e bebês não crescerem em condições adequadas.</p>