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<p>DOPAMINA E MOTIVACAO</p><p>Para aqueles que optarem pela leitura do artigo, não se surpreendam quando se depararem com a palavra “recompensa”, na definição de mentalidade de crescimento (growth mindset).</p><p>Se estamos falando de motivação, necessariamente estamos falando de recompensa. Sem a antecipação de uma recompensa não haverá liberação de dopamina nas vias dopaminérgicas mesocorticolímbicas e, portanto, não haverá motivação.</p><p>O estado motivacional depende da quantidade de dopamina liberadanas vias mesocorticolímbicas, quanto maior é a antecipação da sensação de ganho com a recompensa, maior será a liberação de dopamina nessa região é, portanto, maior será a motivação.</p><p>Entretanto, caso a recompensa, quando alcançada, não seja equivalente ao esperado, a quantidade de dopamina “extra” ativará um circuito de aversão (o oposto do circuito da recompensa, mas intimamente ligado ao último). Quanto maior a motivação e menor a recompensa, maior será a frustração e, portanto, menor será a motivação quando o indivíduo se depara com uma situação semelhante de antecipação de recompensa, portanto, menor será a liberação de dopamina nessa região da próxima vez.</p><p>Lembrem-se de que a dopamina ativa um estado emocional ligado à motivação, para fazer o corpo despender energia até a recompensa. Isto é, a dopamina serve para nos motivar a procurar por uma recompensa.</p><p>Este é um gráfico que mostra a quantidade de dopamina liberada em função do tempo, no decorrer de uma atividade que será recompensada, quando atingido o objetivo.</p><p>Observem que o nível de liberação de dopamina foi crescendo a medida que a tarefa foi sendo executada. O pico de liberação da dopamina ocorreu logo antes da recompensa. Isso significa que a dopamina não está diretamente relacionada à recompensa em si, mas ao caminho percorrido até a recompensa, desde que haja possibilidade de conquista dessa recompensa.</p><p>Neste caso, podemos concluir duas coisas, inicialmente:</p><p>1. Ganhar algo sem ter o menor esforço não é tão prazeroso quanto conquistar esse mesmo algo, já que o que importa para a motivação e o prazer (consequentemente, a felicidade também) é o caminho; e</p><p>2. Se a meta parece inalcançável, é preciso alocar pequenos objetivos passíveis de serem conquistados ao longo do caminho, para que a dopamina continue sendo liberada e o indivíduo possa se manter motivado a alcançar a meta. É quase como um vídeo game, que tem as fases mais fáceis primeiro, até chegar no chefão.</p><p>Agora, vamos à teoria da coisa. Não é só no ser humano que existe liberação de dopamina para fazer o animal/indivíduo buscar a recompensa, o prazer e a felicidade. Claro que, de todos os seres vivos que possuem essa capacidade, o ser humano é o mais complexo.</p><p>A dopamina é sintetizada em várias regiões do cérebro, para vários fins, por vezes, diferentes. Em uma região, a dopamina é essencial para produzir movimento e um dano nesse local causa a conhecida doença de Parkinson. Em outra região, a dopamina regula a liberação de um hormônio da glândula pituitária. Mas, o sistema dopaminérgico que nos interessa surgiu de uma região antiga e evolutivamente conservada próxima ao tronco encefálico, chamada de área tegmentar ventral (ou, simplesmente, tegmento).</p><p>Um dos principais alvos dos neurônios dopaminérgicos dessa região é o núcleo accumbens. Estamos falando das vias dopaminérgicas mesocorticolímbicas, mais conhecidas como o sistema de recompensa. Vamos entender um pouco sobre a organização dessa circuitaria:</p><p>1. O tegmento envia projeções para o accumbens e algumas outras áreas do sistema límbico, como a amígdala e o hipocampo. Esse circuito é essencial para a consolidação da "memória recompensatória". Esse conjunto é chamado de via dopaminérgica mesolímbica.</p><p>2. O tegmento também dispara sinais para o córtex pré-frontal, que vai ser essencial para a tomada de decisão e as funções executivas, de modo geral. Esse circuito é chamado de via dopaminérgica mesocortical.</p><p>→ Observação: em conjunto, esses dois circuitos formam as vias dopaminérgicas mesocorticolímbicas.</p><p>3. O accumbens também envia projeções para as regiões associadas ao movimento, como o córtex motor, que será essencial para nos fazer movimentar em busca da tal recompensa.</p><p>4. E, por fim, todas as regiões que receberam algum informação do tegmento e/ou do accumbens enviam as informações processadas de volta para eles, alimentando um circuito de feedback.</p><p>4.1. Temos um interesse particular nas projeções da amígdala para o córtex pré-frontal, tendo em vista que as emoções geradas por essa região são excelentes motivadores, como previu nosso amigo B. F. Skinner, psicólogo behaviorista americano.</p><p>Temos algumas considerações a respeito desse tema. Como eu disse anteriormente, em termos gerais, quando falamos de sistema dopaminérgico, estamos falando de recompensa. A antecipação de uma recopensa, que vai gerar algum prazer, alguma felicidade, ativa os neurônios do tegmento, precipitando a liberação de dopamina.</p><p>Nesse sentido, algumas substâncias químicas desencadeiam a ativação desses neurônios dopaminérgicos, como a cocaína, a heroína e o álcool (substâncias altamente viciantes). Isso significa que o vício também está relacionado à dopamina no accumbens e, obviamente, à recompensa.</p><p>Outro ponto importante a ser levantado é que, quando a liberação tegmental de dopamina é bloqueada, os estímulos que geravam motivação e, consequentemente, prazer, vão passar a gerar aversão. Isso ficou conhecido como circuito aversivo (o resultado oposto do circuito de recompensa, mas intimamente ligado a ele).</p><p>Entretanto, não são apenas substâncias químicas que podem liberar dopamina. Atividades como o sexo e esportes radicais também fazem isso. Não é à toa que existem pessoas viciadas em sexo e/ou em esportes radicais. No ser humano, apenas pensar em sexo é sufuciente para produzirmos dopamina. Além disso, a comida também provoca a liberação de dopamina (detalhe, em todas as espécies). É por isso que existe a tal da compulsão alimentar.</p><p>Outra consideração que deve ser feita é que o estresse crônico e a dor consomem dopamina e diminuem a sensibilidade dos neurônios dopaminérgicos à estimulação, produzindo um dos principais sintomas da depressão, conhecido como anedonia (incapacidade de sentir prazer).</p><p>Mas, não pára por aí. Os padrões de liberação de dopamina são mais interessantes quando estão relacionados a interações sociais. Existem estudos que examiram a liberação em casos de jogos econômicos (quando existem pessoas competindo por uma recompensa). O mais interessante é que, por estes estudos, mesmo havendo liberação de dopamina em todos os casos onde havia uma recompensa envolvida, o maior aumenta na produção desse neurotransmissor ocorreu no caso de um indivíduo cooperar com outro. Não é para menos, tendo em vista que o ser humano é um ser social e depende de outros seres humanos para sobreviver.</p><p>Bom, eu poderia passar o dia inteiro pensando em considerações a serem feitas sobre nosso comportamento motivacional gerado pela dopamina. Mas, por hora, vamos ficar apenas com estes.</p><p>Eu lembrei de uma frase que o neurocientista americano Robert Sapolsky falou uma vez:</p><p>Se fôssemos criados por engenheiros, nosso desejo diminuiria à medida que consumíssemos mais coisas. Mas, o que acontece, de forma trágica, é que, quanto mais nós consumimos, mais famintos nós ficamos. Queremos sempre e cada vez mais, de preferência mais rápido e com mais intensidade.</p><p>-Robert Sapolsky</p><p>O que acontece, normalmente, é que vamos nos acostumando com as coisas, vamos perdendo a sensibilidade ao prazer. O que era um prazer inesperado ontem é algo que nos julgamos merecedores hoje e que não será suficiente amanhã. Isso serve para qualquer coisa que envolva algum tipo de recompensa e prazer.</p><p>Isso acontece porque, a medida que liberamos dopamina, a quantidade de receptores para esse neurotransmissor aumenta. Significa que precisamos de mais dopamina para preencher a barriguinha dos novos receptores. Consequentemente, a intensidade do prazer diminui se a quantidade</p><p>de dopamina permanece a mesma. Isso acontece muito com os jovens seres humanos, também conhecidos como adolescentes. Mas, no caso deles, a coisa funciona de forma diferente.</p><p>Ao contrário do que se possa imaginar, a massa cinzenta diminui ao longo da adolescência. Essa diminuição, no entanto, não representa uma perda de neurônios, cujo número, em geral, pouco muda. Ela ocorre devido a uma grande perda de sinapses. Este é um processo conhecido como desbaste neural. As sinapses começam a aumentar durante a gestação e atingem o pico aos 6 meses de vida do bebê. Na adolescência, o quadro muda. Quando criança, você tem muitas sinapses (muito mais do que o necessário). Durante a adolescência, você vai eliminando as sinapses pouco utilizadas e vai mantendo apenas as que são reforçadas com a experiência.</p><p>Sabemos que as regiões corticais em um ser humano só estarão plenamente funcionais depois dos 25 anos de idade. Isso quer dizer que o adolescente ainda possui um cérebro em formação, mais especificamente a regiào pré-frontal, responsável pela tomada de decisões. Por isso as decisões doas adolescentes não são bem as melhores... Além disso, os adolescentes são muito guiados pelo prazer e, como não têm um "grilo falante" para fazê-los pensar duas vezes, quando você vai ver, eles já fizeram.</p><p>“No começo dessa fase, há um grande número de sinapses, mas, quando se inicia a transição para a fase adulta, ocorre uma morte programada de sinapses, que refina as conexões”, diz a neuropsicóloga Cláudia Berlim de Mello, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) . “Essa perda de algumas sinapses – e consolidação de outras – acontece de acordo com o uso”, explica. Ou seja, sinapses usadas com frequência são reforçadas, enquanto as que deixam de ser usadas são perdidas, de modo que as opções feitas nessa fase da vida ajudarão a formar o cérebro do adulto.</p><p>Outra mudança fundamental ocorre no sistema de recompensa. Isso significa que o adolescente precisa de muito mais para sentir prazer. Os adolescentes possuem um terço dos receptores para dopamina. Por isso, precisam de experiências mais intensas, que estimulam mais a liberação da substância, para sentir prazer. Mas, quando ele vem, vem muito intenso. Por isso todas essas experiências adolescentes são muito intensas. Os adolescentes são intensos e essa intensificação é que faz com que os receptores de dopamina aumentem com o passar da idade, diminuindo a intensidade do prazer na vida adulta. O que fazia bater aquela onda, quando você era adolescente, hoje não parece ser mais tão interessante.</p><p>Esse é o principal responsável pela maioria dos comportamentos típicos do adolescente, como a busca de novidades, os excessos (como ouvir música alta) e o comportamento de risco, que também gera euforia e produção de dopamina. Sem falar na nova e mais importante descoberta: o sexo, cujo prazer só é possível porque o sistema de recompensa se torna sensível aos hormônios que promovem o prazer sexual. E tudo isso não é ruim, pois a procura pelo prazer é o que move o adolescente a descobrir coisas novas e a buscar independência.</p><p>Neurociência Comportamental - Uma Breve Introdução</p><p>Vamos falar sobre o surgimento e o desenvolvimento do comportamento à luz da neurociência. Sabemos que o comportamento surge no encéfalo e, na realidade, como eu havia dito anteriormente, em algum dos audios que eu mandei, o encéfalo serve basicamente para fazer nosso corpo se mover, respondendo aos eventos dos ambientes interno e externo. É isso que dá origem ao nosso comportamento.</p><p>Da percepção de sinais de entrada sensoriais e do controle de sinais de saída motores até as funções cognitivas, todos os nossos comportamentos são controlados pelo sistema nervoso. E isso depende de interconexões precisas, formadas por muitos milhões de neurônios durante o desenvolvimento embrionário e pós-natal.</p><p>Entender esse desenvolvimento nos ajuda a compreender o que está por trás de nossos movimentos e de nossas respostas comportamentais, dos nossos sentimentos e dos nossos pensamentos também. Portanto, principalmente para aqueles que trabalham com pessoas, como os coachs, é fundamental entender o processo que rege nosso comportamento, começando lá da base estrutural.</p><p>Querer estudar apenas o comportamento, propriamente dito, é como ver a ponta de um iceberg e não ver o que está por baixa da linha d’água. Aí, o que acontece? Vai bater igual o Titanic e afundar… Por isso, vamos começar uma longa viagem pelas estruturas do comportamento!</p><p>Não sou de contar histórias, mas… se vocês nunca ouviram falar de Santiago Ramón y Cajal, leiam sobre ele. Ele revolucionou a história da neurologia.</p><p>Vamos direto ao ponto… os genes. O desenvolvimento do sistema nervoso depende da expressão de determinados genes em momentos e lugares específicos. Esse padrão espacial e temporal de expressão genetica é regulado tanto por programas moleculares conexão quanto por processos epigenéticos.</p><p>Os fatores que controlam a diferenciação neuronal se originam de fontes celulares dentro do embrião e do ambiente externo. Influências internas incluem moléculas de superfície celular e moléculas secretado os que controlam o destino de células vizinhas, assim como fatores de transcrição que atuam no nível do DNA para controlar a expressão gênica.</p><p>Fatores externos inclui os nutrientes, os estímulos sensoriais e a experiência social, cujos efeitos são mediados por meio de alterações padronizadas da atividade das células nervosas. A interação desses fatores intrínsecos e ambientais é crítica para diferenciação adequada de cada célula nervosa.</p><p>No ser humano, existe uma característica muito importante, que o difere de outros animais. Embora o seres humanos sejam bastante indefesos ao nascimento, sua capacidade de aprendizado, raciocínio, tomada de decisão e pensamento abstrato evolui de forma exponencial. Damos a esta capacidade o nome de neuroplasticidade.</p><p>Então, já podemos citar dois fatores que afetam o comportamento do ser humano: a genética e os fatores ambientais. Ao citar plasticidade neural, estamos incluindo um terceiro fator, a experiência. A experiência é capaz de alterar a estrutura cerebral de uma forma surpreendente.</p><p>Em bebês humanos, aquisição que depende da experiência de capacidades cognitivas é uma característica social, ilustrado pelo fato de que os bebês aprendem melhor a partir da observação de outras pessoas do que de programas de televisão. As interações sociais ajudam no desenvolvimento da linguagem e, à medida que o desenvolvimento progride, isso ajuda a estabelecer interações sociais. Até recentemente, análise desse remodelamento do sistema nervoso, mais tarde independente da experiência, era basicamente domínio da psicologia. Ao longo das últimas décadas, no entanto, neuroanatomistas e neurofisiologistas andaram a passos largos no sentido de compreender as alterações celulares que dão origem a tal remodelamento.</p><p>Se você pensou que o efeito placebo se dava apenas em virtude da ativação do circuito de recompensa, você pode estar meio certo. Descobrimos que a ocitocina, um hormônio produzido pelo hipotálamo, responsável, entre outras coisas, pela boa relação social entre os seres humanos, pode estar envolvida no processo desencadeado por este efeito.</p><p>Quando falamos que os neurotransmissores exercem vários papéis e que eles podem ser bem distintos, estamos falando disso. Por exemplo, a dopamina age nos circuitos que envolvem:</p><p>- o movimento do corpo</p><p>- o movimento específico dos olhos</p><p>- os processos executivos e associativos</p><p>- os processos emocionais e motivacionais.</p><p>Isso significa que a dopamina exerce um papel importante nas habilidades cognitivas, como o pensamento, tomada de decisão, planejamento e ordenação de tarefas. Ela também é importante para o estabelecimento do autocontrole emocional e produção da memória de trabalho. Além disso, Ela é a principal responsável pela motivação, quando nós identificamos algum tipo de recompensa, nem que seja apenas a expectativa dela. Mas também, a dopamina é responsável pela coordenação</p><p>dos nossos movimentos e dos movimentos de nossos olhos.</p><p>A doença de Parkinson (DP), por exemplo, acontece quando neurônios dopaminérgicos presentes na substância negra se degradam. Isso significa que a DP acontece quando falta dopamina nessa região e o córtex motor, que faz parte do primeiro circuito da figura, tenta compensar sua falta, produzindo mais estímulos nervosos. Por isso as mãos de quem sofre essa doença tremem tanto.</p><p>image1.png</p><p>image2.png</p>