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<p>DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO</p><p>TRABALHO BIMESTRAL</p><p>Curitiba, 5 de setembro de 2024</p><p>1) Considere as situações a seguir</p><p>I. Victor é um artista mirim e precisa de autorização judicial para poder participar de uma peça cinematográfica como ator coadjuvante.</p><p>II. A empresa FFX Ltda. foi multada por um auditor fiscal do trabalho e deseja anular judicialmente o auto de infração, alegando vícios e nulidades.</p><p>III. O empregado Regis teve concedido pelo INSS auxílio-doença comum, mas entende que deveria receber auxílio-doença acidentário, daí porque pretende a conversão judicial do benefício.</p><p>IV. Jonilson, advogado, foi contratado por um cliente para o ajuizamento de uma ação de despejo, mas esse cliente não pagou os honorários contratuais que haviam sido acertados.</p><p>Diante da norma de regência acerca da competência, assinale a opção que indica quem deverá ajuizar ação na Justiça do Trabalho para ver seu pleito atendido, e justifique sua resposta com base na lei.</p><p>a) Victor e Jonilson</p><p>b) Regis e a empresa FFX Ltda.</p><p>c) Victor e Regis</p><p>d) Apenas a empresa FFX Ltda.</p><p>Justificativa:</p><p>Apenas a empresa FFX Ltda deverá ajuizar a ação na Justiça do Trabalho, pois é competência da Justiça do Trabalho processar e julgar “as ações relativas às penalidades administrativas impostas aos empregadores pelos órgãos de fiscalização das relações de trabalho”, conforme dispõe o art. 114, inciso VII, da Constituição Federal. Os demais casos não envolvem a competência da Justiça do Trabalho.</p><p>O caso de Victor trata da autorização judicial para trabalho artístico de menor. Esse tipo de autorização está previsto no art. 149, § 2º, do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA – Lei Federal nº 8.069/90), sendo uma questão de tutela de menor no Juizado da Infância e Juventude, cuja competência é da Justiça Comum, porém com competência especializada para lidar com questões relativas a crianças e adolescentes, mais especificamente da Vara da Infância e Juventude.</p><p>Regis pretende a conversão de auxílio-doença comum em acidentário, o que é matéria previdenciária. De acordo com o art. 109, I, da Constituição Federal, a competência para julgar causas relacionadas a benefícios previdenciários é da Justiça Federal, e não da Justiça do Trabalho.</p><p>A cobrança de honorários advocatícios de Jonilson é uma questão de direito civil. Segundo o art. 784, VI, do Código de Processo Civil (CPC), a cobrança de honorários contratuais é uma obrigação civil e, portanto, deve ser ajuizada na Justiça Comum.</p><p>2) Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar, exceto:</p><p>a) Ações relacionadas ao cadastramento no PIS.</p><p>b) Ação possessória ajuizada em decorrência do exercício do direito de greve.</p><p>e) Abusividade do direito de greve de servidores públicos celetistas das autarquias e fundações públicas.</p><p>c) Abusividade do direito de greve de servidores públicos celetistas das sociedades de economia mista e de empresa pública.</p><p>Justificativa:</p><p>RE nº 846854 do tema 544, em que foi firmada a seguinte tese: “A justiça comum, federal ou estadual, é competente para julgar a abusividade de greve de servidores públicos celetistas da Administração pública direta, autarquias e fundações públicas”, ocorrido em 17/02/2018. Assim, a Justiça Comum é sempre competente para julgar causa relacionada ao direito de greve de servidor público da Administração direta, autárquica e fundacional, pouco importando se se trata de celetista ou estatutário.</p><p>3) Em relação à competência da justiça do trabalho, à revelia e às provas no processo do trabalho, julgue o item que se segue se está certo ou errado, e justifique sua resposta com base na lei.</p><p>– A ação de indenização por dano moral decorrente da relação de trabalho proposta por sucessores de trabalhador falecido é de competência da justiça do trabalho.</p><p>Resposta:</p><p>É correto afirmar a justiça do trabalho é competente para processar e julgar ações de indenização por dano moral e material decorrentes da relação de trabalho, inclusive as oriundas de acidente de trabalho e doenças a ele equiparadas, ainda que propostas pelos dependentes ou sucessores do trabalhador falecido, nos termos do artigo 14, inciso VI da Constituição Federal, tendo seu fundamento legal na Súmula nº 392 do TST.</p><p>4) O Ministério Público do Trabalho instaurou inquérito civil no Município de Jundiaí -SP (15ª Região) para apurar lesões coletivas trabalhistas. No curso desse inquérito, verificou -se que a lesão ocorria também na cidade vizinha de Cajamar-SP (2ª Região), localidade onde inclusive se estabelecia a sede da empresa. Qual é o local para ajuizamento da Ação? Justifique sua resposta.</p><p>Resposta:</p><p>De acordo com as regras de competência territorial previstas no artigo 651 da CLT, o foro competente para o ajuizamento da ação trabalhista, em regra, é o local da prestação dos serviços. No caso em tela, a lesão ocorreu tanto em Jundiaí (15ª Região) quanto em Cajamar (2ª Região), sendo que a sede da empresa está situada em Cajamar. Portanto, a ação deve ser proposta na 2ª Região, que abrange a jurisdição de Cajamar-SP, onde se encontra a sede da empresa.</p><p>5) Em uma situação hipotética, Júlio Santos, residente e domiciliado na cidade de Bauru/SP, foi contratado pela empresa Mach Tech Ltda., com sede na cidade de São Paulo, para trabalhar como vendedor viajante, nas cidades de Botucatu/SP, São Manuel/SP, Lençóis Paulista/SP e Agudos/SP. Júlio estava subordinado à filial da empresa Mach Tech Ltda., localizada na cidade de Campinas/SP, reportando -se ao Gerente de Vendas, por meio de relatórios de atividades. Em fevereiro de 2018, Júlio Santos foi dispensado sem justa causa, sem que, no entanto, fossem quitadas as verbas rescisórias a que tinha direito, razão pela qual pretende ajuizar reclamação trabalhista em face da empresa Mach Tech Ltda. A reclamação trabalhista deverá ser ajuizada em qual cidade?</p><p>Resposta:</p><p>A reclamação trabalhista de Júlio Santos deve ser ajuizada na cidade de Campinas/SP.</p><p>Segundo o artigo 651 da CLT, o foro competente para o ajuizamento da ação trabalhista é, em regra, o local da prestação dos serviços. No caso de Júlio Santos, que prestava serviços em várias cidades, como vendedor viajante, o § 1º do artigo 651 da CLT estabelece que, para empregados que laboram fora do local do contrato, a reclamação pode ser ajuizada no local onde o empregado foi contratado ou onde a empresa tenha uma filial à qual o empregado estava subordinado, que, neste caso, é Campinas/SP, onde está localizada a filial da empresa Mach Tech Ltda, cuja local Júlio Santos estava subordinado e enviava seus relatórios de atividades.</p>