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UNIDADE 01 Introdução ao Direito Individual do Trabalho Pós Graduação Direito do Trabalho, Processo do Trabalho e Prática Trabalhista 2 SUMÁRIO INTRODUÇÃO 03 01. DIREITO DO TRABALHO: CONCEITO E DIVISÃO 04 02. HISTÓRIA DO DIREITO DO TRABALHO NO MUNDO E NO BRASIL 05 03. FONTES DO DIREITO DO TRABALHO 13 04. PRINCÍPIOS INFORMADORES DO DIREITO DO TRABALHO 17 05. RELAÇÃO DE TRABALHO. NATUREZA JURÍDICA: TEORIAS CONTRATUALISTAS E ANTI-CONTRATUALISTAS. RELAÇÃO DE EMPREGO CARACTERÍSTICAS 33 06. TIPOS ESPECIAIS DE CONTRATOS DE TRABALHO E EMPREGO. OUTRAS RELAÇÕES DE TRABALHO 35 07. TIPOS ESPECIAIS DE CONTRATOS DE TRABALHO E EMPREGO COM PROTEÇÃO ESPECÍFICA: APRENDIZ, TRABALHO DA MULHER. LICENÇA GESTANTE. SALÁRIO MATERNIDADE. PROTEÇÃO CONTRA A DISCRIMINAÇÃO 86 08. EMPREGADOR 109 09. TERCEIRIZAÇÃO 123 10. TRABALHO TEMPORÁRIO 158 3 INTRODUÇÃO Olá, sejam bem-vindos ao Instituto i9. Sou Professor Pedro Henrique Abreu Benatto. É um curso à distância e, muitas vezes, não teremos um contato próximo, então, nós temos as redes sociais para comunicação, caso o aluno tenha alguma dúvida e queira entrar em contato. Nós vamos começar o nosso curso de Pós-graduação Direito do Trabalho destacando que a primeira forma de trabalho foi a denominada escravidão, época na qual os escravos, pessoas que executavam os trabalhos não gozavam de nenhum direito. Enfatizaremos o surgimento do Direito do Trabalho no Mundo, bem como discorreremos nas fontes do Direito do Trabalho e nos princípios norteadores, relação de trabalho, bem como os tipos especiais de contratos de trabalho e emprego. No capítulo sexto estudaremos os tipos especiais de contratos de trabalho e emprego e outras relações de trabalho, já no capítulo sétimo levantaremos os tipos especiais de contrato de trabalho e emprego da proteção da mulher. Estudaremos o que é empregador, terceirização e por fim, trabalho temporário. Com a reforma trabalhista (lei nº 13.467/2017) vários dispositivos de direito material do trabalho foram alterados na CLT. Importa mencionar que as regras de direito material do trabalho são aplicadas sob o sistema da lei regente no tempo. Isto quer dizer que, quanto ao direito material, vamos conviver com dois diplomas legislativos no tempo. o primeiro, a CLT antiga, que vai vigorar para os direitos trabalhistas violados até 10/11/2017 e o segundo, a CLT nova, que passou a vigorar no dia 11/11/12017 para os direitos trabalhistas a partir de então. Trouxemos no final da apostila algumas resoluções de questões para firmar os estudos. Desejamos a vocês ótimos estudos e lembrem-se que o sucesso de vocês é o nosso sucesso! 4 01. DIREITO DO TRABALHO: CONCEITO E DIVISÃO. 01.1. Conceito – Amauri Mascaro Nascimento – é o ramo da ciência do direito que tem por objeto as normas, as instituições jurídicas e os princípios que disciplinam as relações de trabalho subordinado, determinam os seus sujeitos e as organizações destinadas à proteção desse trabalho em sua estrutura e atividade. (definição mista). 01.2. Divisão do Direito do Trabalho: O Direito do Trabalho assim se divide: a) introdução ao direito do trabalho; b) direito internacional do trabalho; c) direito individual do trabalho; d) direito coletivo do trabalho ou direito sindical; e) direito público do trabalho: direito processual do trabalho, direito administrativo do trabalho e direito penal do trabalho. Muito se discute se o Direito do Trabalho é ramo do Direito Público ou do Direito Privado. De um lado encontram-se os doutrinadores que sustentam ser o Direito do Trabalho ramo do Direito Privado, eis que oriundo do contrato de prestação de serviços do Código Civil. Por outro lado, alguns doutrinadores sustentam se tratar de ramo do Direito Público, na medida em que o grau de intervenção do Estado é tão significativo que as partes não podem livremente contratar. 5 02. HISTÓRIA DO DIREITO DO TRABALHO NO MUNDO E NO BRASIL. O homem sempre trabalhou, mas o Direito do Trabalho é um fenômeno típico da sociedade surgida após a Revolução Industrial. As formas de trabalho anteriores ao nascimento da sociedade industrial podem ser assim resumidas: 02.1. Escravidão: a primeira forma de trabalho foi a escravidão; o escravo não era considerado sujeito de direito, mas objeto (coisa) do direito de propriedade de outrem (dominus). A escravidão, embora fosse regra na Antigüidade, nunca efetivamente deixou de existir em nosso mundo, bastando ver-se que até os dias atuais a escravidão vigora, como forma aceita, em países africanos e asiáticos. 02.2. Servidão: num segundo momento da história, mas precisamente na Idade Média, surge o sistema de trabalho denominado servidão; esta é uma das características da sociedade feudal, fundada na agricultura e na pecuária e na qual o senhor feudal, na qualidade de possuidor da terra, impunha sistema de trabalho em que o indivíduo, sem ter a condição jurídica de escravo, na realidade não dispunha de sua liberdade, ficando sujeito a severas restrições em troca de uma parcela ínfima da produção capaz de garantir-lhe subsistência e de proteção familiar. A servidão começou a desaparecer no final da Idade Média. 02.3. Corporações de Ofício: - paralelamente à servidão, surgiram as corporações de ofício ou “Associações de Artes e Misteres”. A necessidade de fugir dos campos, onde o poder dos nobres era quase absoluto ia permitindo aos poucos a concentração de massas de população nas cidades; a identidade de profissão, como forma de aproximação entre os homens, obrigava-os a se unir em corporações ou associações, que possuíam suas próprias leis profissionais. Nessa organização, a figura que concentrava o poder, não só profissional, mas também pessoal sobre o trabalhador, era o mestre, proprietário das oficinas. Os mestres tinham sob suas ordens, em rígido 6 sistema de disciplina, os aprendizes e os companheiros, os primeiros menores que eram entregues aos mestres em troca de ensino metódico do ofício ou profissão, e os segundos trabalhadores que produziam em troca de salário, proteção em caso de doença e possibilidade participação do monopólio da profissão. As corporações de ofício foram suprimidas, na Europa, a partir da Revolução Francesa, vez que a igualdade, inclusive de ofício, apregoada por esta era incompatível com o monopólio e o rigor disciplinar das corporações de ofício. 02.4. Locação: a locação de serviço também era uma das formas de trabalho verificadas na sociedade pré-industrial. Desdobrava-se em: 02.4.1. Locatio Operarum: configurando-se um contrato através do qual uma pessoa se obriga a prestar serviços (promessa de atividade) durante certo tempo a outra mediante remuneração. 02.4.2. Locatio Operis Faciendi: configurando-se um contrato pelo qual alguém se obriga a executar determinada obra (promessa de resultado) a outra pessoa mediante remuneração. Observação: A locatio operarum é apontada como precedente da relação de emprego moderna, objeto do Direito do Trabalho. Essas figuras são encontradas nos artigos 593 a 609 do Novo Código Civil Brasileiro. Hoje, a regulamentação do Direito Civil só é válida para prestação de serviços autônomos, pois a prestação de serviços sob subordinação passou a ser objeto do Direito do Trabalho. 7 02.5. O Surgimento do Direito do Trabalho no Mundo: O Direito do Trabalho nasce com a sociedade industrial e o trabalho assalariado. A revolução tecnológica consubstanciada na invenção das máquinas (máquina de tear, máquina a vapor, etc.) possibilitou que o serviço feito antes por vários trabalhadores, de forma artesanal, fosse feito por poucos deles, causando grande desemprego. Houve, então, o aviltamento dos salários e amenos 100% (cem por cento). 51 § 3º O percentual de elevação da multa de que trata o § 2º deste artigo poderá ser reduzido se o tempo de serviço for reconhecido voluntariamente pelo empregador, com a efetivação das anotações pertinentes e o recolhimento das contribuições previdenciárias devidas. § 4º (VETADO)." Art. 2º O Poder Executivo pode promover campanha publicitária para esclarecer a população sobre o teor do disposto nesta Lei. Art. 3º Esta Lei entra em vigor após decorridos 120 (cento e vinte) dias de sua publicação oficial. Brasília, 8 de abril de 2014; 193º da Independência e 126º da República. DILMA ROUSSEFF 6.3 Trabalho do Aprendiz. Segundo preconiza o artigo 428, caput, da Consolidação das Leis do Trabalho, contrato de aprendizagem é o contrato de trabalho especial, ajustado por escrito e por prazo determinado, em que o empregador se compromete a assegurar ao maior de 14 (quatorze) e menor de 24 (vinte e quatro) anos, inscrito em programa de aprendizagem formação técnico-profissional metódica, compatível com o seu desenvolvimento físico, moral e psicológico, e o aprendiz, a executar com zelo e diligência, as tarefas necessárias a essa formação. Portanto, o aprendiz é empregado nos termos da Consolidação das Leis do Trabalho. Entretanto, referido contrato tem fins simultâneos de labor e de ensino. Mais à frente, quando tratarmos dos contratos de trabalho com proteção especial, tornaremos a tratar do contrato de trabalho do aprendiz. 52 6.4 Empregado Público. Para uma parcela significativa da doutrina o termo servidor público é gênero que comporta duas espécies, a saber: empregado público e funcionário público. O funcionário público é o trabalhador que ingressa no serviço público mediante concurso público de provas ou de provas e títulos e cujo regime de prestação dos serviços é o do Estatuto (regime de direito administrativo). Por isso referido trabalhador é chamado de estatutário. De outra parte, o empregado público é o trabalhador que ingresso no serviço público mediante concurso público de provas ou de provas e títulos e cujo regime de prestação dos serviços é o da Consolidação das Leis do Trabalho (regime contratual). Por isso referido trabalhador é chamado de celetista. Quem escolhe o regime de contratação (estatuto ou Consolidação das Leis do Trabalho) é o poder legislativo de cada ente público. O empregado público detém os mesmos direitos trabalhistas dos empregados em geral, excetuado o direito de celebração de acordo coletivo de trabalho ou de convenção coletiva de trabalho, bem como também não tem direito ao ajuizamento de dissídio coletivo. Houve por bem o Tribunal Superior do Trabalho em editar a Súmula 390 que trata da extensão da estabilidade do artigo 41 da Carta Magna de 1988 aos servidores públicos celetistas, cujo teor é o seguinte: 53 Súmula 390 – ESTABILIDADE – ART. 41 DA CF/1988 – CELETISTA – ADMINISTRAÇÃO DIRETA, AUTÁRQUICA OU FUNDACIONAL – APLICABILIDADE – EMPREGADO DE EMPRESA PÚBLICA E SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA – INAPLICÁVEL. I – O servidor público celetista da administração direta, autárquica ou fundacional é beneficiário da estabilidade prevista no art. 41 da CF/1988. II – Ao empregado de empresa pública ou de sociedade de economia mista, ainda que admitido mediante aprovação em concurso público, não é garantida a estabilidade prevista no art. 41 da CF/1988. Preconiza a citada Súmula, no item I, que se se tratar de servidor público celetista da administração direta, autárquica ou fundacional pública este é beneficiário da estabilidade do artigo 41 da Constituição Federal de 1988, não obstante também seja detentor do direito do FGTS. Vale dizer: o desligamento do servidor público concursado e que foi admitido pelo regime celetista fica vinculado à motivação do ato administrativo. De outra parte, o item II da mesma Súmula preleciona que se se tratar de servidor público celetista pertencente a empresa pública ou a sociedade de economia mista, é possível o desligamento sem qualquer motivação, ainda que concursado, fazendo jus o empregado à indenização na forma da lei. 1ª Observação: o STF, em julgamento de março de 2013 entendeu, da mesma forma que se encontra previsto no item II da Súmula 390 do TST, que os empregados de empresas públicas e de sociedades de economia mista não gozam da estabilidade prevista no artigo 41 da CF/88. Contudo, por maioria de votos, os ministros da Suprema Corte entenderam que há necessidade de motivação do despedimento destes, uma vez que o ingresso se faz por concurso público de provas ou de provas e títulos. Entretanto, a 54 motivação a que se refere o STF não implica na obrigatoriedade da instauração de processo administrativo disciplinar. 2ª Observação: Dispensa de empregados de empresas públicas e sociedades de economia mista: STF reafirma que Correios podem demitir servidor sem abrir processo administrativo. Vejamos a notícia abaixo: Jota – Por Matheus Teixeira e Luiz Orlando Carneiro O Supremo Tribunal Federal (STF) reafirmou, nesta quarta-feira (10/10), que a Empresa de Correios e Telégrafos (ECT) tem liberdade para demitir seus empregados celetistas e deve apenas expor a motivação para efetivar a medida. Os magistrados restringiram a decisão aos Correios e aprovaram a seguinte tese a ser aplicada pelas instâncias inferiores. “A ECT tem o dever jurídico de motivar em ato formal a demissão de seus empregados”. A discussão ocorreu nos embargos de declaração da estatal contra decisão de 2013 de desprover parcialmente recurso extraordinário, com repercussão geral reconhecida, que confirmou entendimento do Tribunal Superior do Trabalho (TST) no sentido de ser inválida dispensa de funcionário com ausência de motivação. Assim, o STF reafirmou entendimento de que celetistas da empresa, apesar de terem passado em concurso, não têm estabilidade, uma vez que não é necessário instaurar processo administrativo disciplinar e possibilidade de contraditório do funcionário para dispensá-lo. Basta, fixou o plenário, que os Correios motivem expressamente a demissão, seja por queda de arrecadação, rearranjo interno de cargos ou qualquer razão. 55 “O ato é discricionário e leva em conta conveniência e oportunidade, mas para evitar perseguição política a empresa deve expor uma motivação para demitir”, explicou o ministro Alexandre de Moraes. Desta forma, o STF decidiu que não incide ao caso o Artigo 41 da Constituição, que lista as situações em que servidores públicos podem ser demitidos, como condenação com trânsito em julgado ou mediante PAD. Durante parte do julgamento, os ministros discutiram se ampliavam o entendimento do caso a todas empresas públicas de economia mista. Ao final, porém, a maioria concordou que seria mais adequado fixar uma tese minimalista que possa ser aplicada somente a funcionários celetistas da ECT. Caso as outras empresas queiram se beneficiar do mesmo entendimento, terão de recorrer à Corte, afirmaram os ministros. 6.5 Trabalho dos Portadores de Deficiência. O legislador preocupou-se em inserir o trabalhador portador de deficiência no mercado de trabalho. Com efeito, num período de grave crise do emprego, evidente a maior dificuldade desses trabalhadores em obter colocação no mercado de trabalho. É o que se denomina de ação afirmativa por parte do legislador. Nessa esteira de raciocínio, o artigo 93 da Lei nº 8.213/1991 (Lei de Benefícios da Previdência Social) criou uma cota para trabalhadores que tenham alguma deficiência física, mental ou sensorial. 56 Referida cota também pode ser preenchida por aqueles trabalhadores que se acidentaram ou que adquiriram doença profissional ou do trabalhoe que foram reabilitados pela Previdência Social. Referida cota deve ser observada pelos empregadores que devem admitir empregados com essas peculiaridades nos moldes da Consolidação das Leis do Trabalho. O Decreto nº 3298/99 estabelece o que vem a ser deficiência para fins de cumprimento da cota. A cota a que faz menção a o artigo 93 da Lei nº 8213/1991 é a seguinte: -empresas com 100 a 200 empregados – 2% -empresas com 201 a 500 empregados – 3% -empresas com 501 a 1000 empregados – 4% -empresas com mais de 1000 empregados – 5% 6.6 Trabalho Intermitente. Com a Lei nº 13.467/2017 foi regulamentado o denominado trabalho intermitente nos artigos 443, caput, 443, parágrafo 3º, 452-A e seus parágrafos 1º a 9º, a saber: Art. 443. O contrato individual de trabalho poderá ser acordado tácita ou expressamente, verbalmente ou por escrito, por prazo determinado ou indeterminado, ou para prestação de trabalho intermitente. § 1º - Considera-se como de prazo determinado o contrato de trabalho cuja vigência dependa de termo prefixado ou da execução de serviços 57 especificados ou ainda da realização de certo acontecimento suscetível de previsão aproximada. ... § 3o Considera-se como intermitente o contrato de trabalho no qual a prestação de serviços, com subordinação, não é contínua, ocorrendo com alternância de períodos de prestação de serviços e de inatividade, determinados em horas, dias ou meses, independentemente do tipo de atividade do empregado e do empregador, exceto para os aeronautas, regidos por legislação própria. Art. 452-A. O contrato de trabalho intermitente deve ser celebrado por escrito e deve conter especificamente o valor da hora de trabalho, que não pode ser inferior ao valor horário do salário mínimo ou àquele devido aos demais empregados do estabelecimento que exerçam a mesma função em contrato intermitente ou não. § 1o O empregador convocará, por qualquer meio de comunicação eficaz, para a prestação de serviços, informando qual será a jornada, com, pelo menos, três dias corridos de antecedência. § 2o Recebida a convocação, o empregado terá o prazo de um dia útil para responder ao chamado, presumindo-se, no silêncio, a recusa. § 3o A recusa da oferta não descaracteriza a subordinação para fins do contrato de trabalho intermitente. § 4o Aceita a oferta para o comparecimento ao trabalho, a parte que descumprir, sem justo motivo, pagará à outra parte, no prazo de trinta dias, multa de 50% (cinquenta por cento) da remuneração que seria devida, permitida a compensação em igual prazo. 58 § 5o O período de inatividade não será considerado tempo à disposição do empregador, podendo o trabalhador prestar serviços a outros contratantes. § 6o Ao final de cada período de prestação de serviço, o empregado receberá o pagamento imediato das seguintes parcelas: I - remuneração; II - férias proporcionais com acréscimo de um terço; III - décimo terceiro salário proporcional; IV - repouso semanal remunerado; e V - adicionais legais. § 7o O recibo de pagamento deverá conter a discriminação dos valores pagos relativos a cada uma das parcelas referidas no § 6o deste artigo. § 8o O empregador efetuará o recolhimento da contribuição previdenciária e o depósito do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, na forma da lei, com base nos valores pagos no período mensal e fornecerá ao empregado comprovante do cumprimento dessas obrigações. § 9o A cada doze meses, o empregado adquire direito a usufruir, nos doze meses subsequentes, um mês de férias, período no qual não poderá ser convocado para prestar serviços pelo mesmo empregador. 1ª Observação: O contrato de trabalho, a nosso ver, não deveria ser emprego, eis que existente a figura do trabalhador eventual. Todavia, não foi essa a posição adotada pelo legislador ordinário. 59 2ª Observação: O legislador somente excepcionou o trabalho intermitente no caso de empregado aeronauta. 3ª Observação: A maior crítica que se faz ao trabalho intermitente é no sentido de que o empregado não sabe no início do mês qual será a sua remuneração ao final deste, na medida em que pode ser contratado por horas, dias ou meses, em especial quando for contratado por horas. 4ª Observação: O contrato de trabalho intermitente deverá necessariamente ser celebrado por escrito, ainda que previsto em convenção coletiva de trabalho ou acordo coletivo de trabalho. É, portanto, da essência do ato. 5ª Observação: O modo de convocação pelo empregador deve ser feito por qualquer meio de comunicação eficaz e deverá ocorrer com 3 dias corridos de antecedência e com a informação da jornada. 6ª Observação: O prazo para o empregado responder se aceita a convocação é de um dia útil. No silêncio interpretará o empregador que houve recusa. A recusa não implica em ausência de subordinação, sobretudo porque o empregado poderá prestar serviços para outros empregadores sob a mesma modalidade. 7ª Observação: O empregado faz jus ao recebimento das seguintes verbas trabalhistas na data acordada entre as partes: remuneração, férias com o terço constitucional, 13º salário, descanso semanal remunerado e adicionais legais. 8ª Observação: A cada doze meses de trabalho o empregado fará jus ao gozo de férias de 30 dias, as quais poderão ser fracionadas em até 3 períodos. Lembre-se que nada 60 será pago ao empregado quando do gozo das férias, eis que tal já terá sido pago após o final de cada prestação dos serviços. 9ª Observação: primeira decisão judicial sobre contrato intermitente: TRT-MG anula contrato intermitente do Magazine Luiza 13 de dezembro de 2018, 17h06 Por Gabriela Coelho Ao entender que a modalidade de contratação intermitente não deve ser utilizada para atividades rotineiras e contínuas dentro de uma empresa, o Tribunal Regional do Trabalho de Minas Gerais considerou nulo um contrato intermitente de um trabalhador do Magazine Luiza. Esta é a primeira decisão em segunda instância contra o trabalho intermitente no país. O colegiado também condenou a empresa a pagar as diferenças salariais e verbas rescisórias como se o empregado fosse um trabalhador com contrato CLT regular. No voto, o relator, desembargador José Eduardo Chaves Júnior entendeu que o trabalho em regime intermitente é lícito de acordo com a nova legislação. Entretanto, segundo o relator, deve ser feito somente em caráter excepcional, ante a precarização dos direitos do trabalhador, e para atender demanda intermitente em pequenas empresas. “Sobretudo, não podendo ser utilizado para suprir demanda de atividade permanente, contínua ou regular. Não é cabível ainda a utilização de contrato intermitente para atender posto de trabalho efetivo dentro da empresa. No caso, como se trata de uma companhia aberta de capital 61 autorizado, cujo objeto social inclui o comércio varejista e atacadista, em geral”, disse. O relator afirmou ainda que a redação o artigo 443 da CLT, que considera trabalho intermitente independentemente do tipo de atividade do empregado e do empregador, na realidade se refere à função exercida pelo trabalhador e não ao caráter da atividade em si. O contrato intermitente foi introduzido com a reforma trabalhista, em novembro do ano passado. Nessa modalidade, o trabalhador tem a carteira assinada, mas não jornada de trabalho definida. Ele só recebe durante o período que efetivamente trabalha, quando convocado pela empresa. Clique aqui para ler o acórdão. 0010454-06.2018.5.03.0097 (ROPS) 6.7 Contratação do Trabalhador Rural Por Pequeno Prazo. A Lei nº 11.718/2008 de 20/06/2008 acrescentou o artigo 14-A à Lei nº 5.889/73 de 08/06/1973 prevê que o produtor rural pessoa física poderárealizar contratação de trabalhador rural por pequeno prazo para o exercício de atividades de natureza temporária. Referida contratação poderá ocorrer se, dentro de um ano, a contratação de trabalhador rural por pequeno prazo não superar 2 meses. Se violada tal regra o contrato de trabalho se transformará em prazo avença por prazo indeterminado. O contrato de trabalho rural por pequeno prazo deverá ser formalizado mediante a inclusão do trabalhador na GFIP - Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social da seguinte forma: 62 a) mediante a anotação na CTPS – Carteira de Trabalho e Previdência Social em Livro ou Ficha Registro de Empregados, ou b) mediante contrato escrito, em 2 vias, uma para cada parte, onde conste, no mínimo: b1) expressa autorização em acordo coletivo ou convenção coletiva; b2) identificação do produtor rural e do imóvel rural onde o trabalho será realizado e indicação da respectiva matrícula; b3) identificação do trabalhador, com indicação do respectivo NIT - Número de Inscrição do Trabalhador. 6.8. Outras Relações de Trabalho: 6.8.1. Trabalho Autônomo. O trabalho autônomo difere do contrato de trabalho, pois nessa forma de prestação dos serviços inexiste o requisito da subordinação. É o denominado trabalhador por conta própria. É o trabalhador sem patrão. Segundo a Lei nº 8.212/91, artigo 12, inciso V, alínea “h” (Lei de Custeio da Previdência Social) trabalhador autônomo é “a pessoa física que exerce, por conta própria, atividade econômica de natureza urbana, com fins lucrativos ou não”. Reforma Trabalhista: 63 Houve por bem o legislador ordinário inserir o artigo 442-B, na CLT, com a redação dada pela Lei nº 13.467/2017, a saber: Art. 442-B. A contratação do autônomo, cumpridas por este todas as formalidades legais, com ou sem exclusividade, de forma contínua ou não, afasta a qualidade de empregado prevista no art. 3o desta Consolidação. Observação: Pensamos que o dispositivo legal supracitado em nada altera, na substância, o que já era contido na CLT. Ou seja, se é efetivamente um trabalhador autônomo, jamais poderia ser empregado. O artigo 9º, da CLT, deve receber interpretação sistemática em conjunto com esse dispositivo legal. Nesse sentido, se fraudada a condição de empregado pelo tomador dos serviços para enquadrá-lo como autônomo por certo que receberá o repúdio do Poder Judiciário. De lembrar que as formalidades legais de uma contratação autônoma nunca foram relevantes ante o princípio da primazia da realidade. 6.9 Trabalho Cooperado. O trabalho cooperado é aquele no qual o trabalhador se associa a uma determinada cooperativa (sócio-cooperado) com o intuito de fazer parte da mesma na condição de prestador e beneficiário dos seus serviços de forma simultânea. Lei nº 5.764/71, artigo 90 (Estatuto do Cooperativismo) estabelece que não há vínculo empregatício entre o cooperado e a cooperativa de trabalho. Todavia, com o advento da Lei nº 8.949/1994 que inseriu o parágrafo único ao artigo 442 da Consolidação das Leis do Trabalho, muitas são as fraudes perpetradas por um sem número de empregadores com o intuito de descumprir normas trabalhistas. Referido dispositivo legal preconiza a impossibilidade da existência de vínculo empregatício entre trabalhador cooperado e a cooperativa de trabalho e nem entre o trabalhador cooperado e a empresa tomadora dos seus serviços. 64 O cooperativismo, inclusive o de trabalho, implica na observância de alguns princípios que o regem. Entre outros podemos trazer à baila o princípio da livre adesão do trabalhador à cooperativa (affectio societatis), bem como o princípio da dupla qualidade que se aplica no verdadeiro cooperativismo, qual seja, a condição de prestador de serviços e, ao mesmo tempo, de beneficiário desses serviços. Aliado a esses princípios temos também o princípio do direito de voto nas assembleias e o princípio da distribuição de sobras líquidas. De outra parte, é evidente que entre outros princípios, vigora o princípio do contrato realidade no direito laboral, assim entendido como a primazia da situação fática sobre o instrumento escrito adotado. Reforça esse entendimento o disposto no artigo 9º da Consolidação das Leis do Trabalho no sentido de que “serão nulos de pleno direito os atos praticados com o objetivo de desvirtuar, impedir ou fraudar a aplicação dos preceitos contidos na presente Consolidação”. Portanto, é de se concluir que o trabalho verdadeiramente cooperado é aquele que proporciona alternativa de trabalho e renda e não de emprego e salário. Houve por bem o legislador ordinário em aprovar a Lei nº 12.690/2012 que regulamenta as cooperativas de trabalho. Referido diploma legal consagrou quatro importantes alterações, a saber: a) excluiu alguns de tipos de cooperativas da proteção dessa mesma lei – artigo 1º, parágrafo único: 65 I – as cooperativas de assistência à saúde na forma da legislação de saúde complementar; II – as cooperativas que atuam no setor de transporte regulamentado pelo poder público e que detenham, por si ou por seus sócios, a qualquer título, os meios de trabalho; III – as cooperativas de profissionais liberais cujos sócios exerçam as atividades em seus próprios estabelecimentos; IV – as cooperativas de médicos cujos honorários sejam pagos por procedimento. b) vedou a utilização de cooperativas de trabalho com o intuito de intermediar mão de obra subordinada. c) poderá ser constituída com número mínimo de sete sócios. d) contemplou aos cooperados vinculados às demais cooperativas os seguintes direitos que deverão ser aprovados em Assembleia Geral: I – retiradas não inferiores ao piso da categoria profissional e, na ausência deste, não inferiores ao salário mínimo, calculadas de forma proporcional às horas trabalhadas ou às atividades desenvolvidas. II – duração do trabalho normal não superior a 8 (oito) horas diárias e 44 (quarenta e quatro) horas semanais, exceto quanto a atividade, por sua natureza, demandar a prestação de trabalho por meio de plantões ou escalas, facultada a compensação de horários. III – repouso semanal remunerado, preferencialmente aos domingos. IV – repouso anual remunerado. V – retirada para o trabalho noturno superior à do diurno. VI – adicional sobre a retirada para as atividades insalubres ou perigosas. 66 VII – seguro de acidente do trabalho. 6.10 Trabalho Avulso. Até o advento da Lei nº 12.023/2008 de 27/08/2009, a nosso ver, respeitando entendimentos em contrário, o trabalho avulso era aquele exercido apenas e tão- somente nos portos brasileiros. Com efeito, os trabalhadores não têm vínculo empregatício, embora o legislador constituinte tenha igualado os direitos dos trabalhadores com vínculo empregatício aos direitos dos trabalhadores avulsos (artigo 7º, inciso XXXIV, da Constituição Federal de 1988). A Lei nº 8.630/1993 que regulava a matéria foi expressamente revogada pela Lei nº 12.815/2013 de 05/06/2013. Segundo o artigo 40 da Lei nº 12.815/2013 são trabalhos avulsos a capatazia, estiva, conferência de carga, conserto de carga, bloco e vigilância de embarcações, nos portos organizados, e poderão ser realizados por trabalhadores portuários com vínculo empregatício por prazo determinado e por trabalhadores portuários avulsos. A contratação dos trabalhadores avulsos deve ser feita por meio do denominado OGMO – Órgão Gestor de Mão-de-Obra, conforme dispõe o artigo 32 do diploma legal retromencionado. Ainda, segundo o mesmo artigo 32 da Lei nº 12.815/2013, o OGMO – Órgão Gestor de Mão-de-Obra deve ser constituído e organizado pelos operadores portuários com o intuito de: 67a) administrar o fornecimento de mão-de-obra do trabalhador portuário e do trabalhador portuário avulso; b) manter, com exclusividade, o cadastro do trabalhador portuário e o registro do trabalhador portuário avulso; c) treinar e habilitar profissionalmente o trabalhador portuário, inscrevendo-o no cadastro; d) selecionar e registrar o trabalhador portuário avulso; e) estabelecer o número de vagas, a forma e a periodicidade para acesso ao registro do trabalhador portuário avulso; f) expedir os documentos de identificação do trabalhador portuário; g) arrecadar e repassar aos beneficiários os valores devidos pelos operadores portuários relativos à remuneração do trabalhador portuário avulso e aos correspondentes encargos fiscais, sociais e previdenciários. Antes da Lei nº 8.630/1993, agora revogada pela Lei nº 12.815/2013, quem fazia a escala dos trabalhadores portuários era o sindicato da categoria profissional. Embora, como já dito, o legislador constituinte tenha igualado trabalhadores empregados a trabalhadores avulsos no tocante dos direitos trabalhistas pode-se dizer com segurança que o trabalhador avulso difere, na essência, do trabalhador empregado. Isto porque não obstante o trabalhador preste serviços com habitualidade não o faz para o mesmo tomador dos serviços. Portanto, ausente o requisito da habitualidade como previsto no artigo 3º, da Consolidação das Leis do Trabalho. Também no tocante aos direitos trabalhistas propriamente ditos há diferença entre empregados e trabalhadores avulsos. Não obstante o legislador constituinte tenha conferido igualdade de direitos entre uns e outros (artigo 7º, inciso XXXIV, da 68 Constituição Federal de 1988), certo é que tal deve guardar pertinência com as peculiaridades da prestação dos serviços. Exemplo disso é o aviso prévio ao qual o trabalhador avulso não faz jus tendo em vista que o instituto somente é aplicável aos contratos de trabalho de prazo indeterminado. Com o advento da Lei nº 12.023/2009 de 27/08/2009 é possível a contratação de trabalhadores avulsos nas áreas urbanas ou rurais, sem vínculo empregatício, mediante intermediação obrigatória do sindicato da categoria, por meio de Acordo Coletivo de Trabalho ou de Convenção Coletiva de Trabalho para execução das atividades. 6.11 Trabalho Eventual. Muito se confunde o trabalho avulso com o trabalho eventual. Todavia, ambos divergem em especial quanto ao tomador dos serviços. Por eventual entenda-se aquele prestador de serviços esporádicos para um determinado tomador dos serviços. Exemplo clássico apontado pela doutrina é o do denominado “chapa” que presta serviços para empresas de transportes de cargas. Amauri Mascaro também cita o bóia fria que presta serviços na área rural. O “chapa” é aquele trabalhador contratado para eventual necessidade de trabalho de cargo e descarga. Virou praxe esse trabalhador aguardar do lado de fora da empresa possível chamada para prestar esse serviço naquele, mediante pagamento previamente ajustado e satisfeito pelo tomador ao final do dia de labor. Alardeia com muita propriedade Maurício Godinho Delgado que a caracterização do trabalho eventual ocorre da seguinte forma: a) descontinuidade da prestação do trabalho, entendida como a não-permanência em uma organização com ânimo definitivo; 69 b) não-fixação jurídica a uma única fonte de trabalho, com pluralidade variável de tomadores de serviços; c) curta duração do trabalho prestado; d) natureza do trabalho concernente a evento certo, determinado e episódico quanto à regular dinâmica do empreendimento do tomador dos serviços; e) em consequência, a natureza do trabalho não seria também correspondente ao padrão dos fins normais do empreendimento. Portanto, inexiste a habitualidade na prestação dos serviços em relação ao mesmo tomador dos serviços. 6.12 Trabalho Voluntário. O serviço voluntário, nos termos do artigo 1º, da Lei nº 9.608/1998, com a redação dada pela Lei nº 13.297/2016, é “a atividade não remunerada, prestada por pessoa física à entidade pública de qualquer natureza, ou à instituição privada de fins não lucrativos, que tenha objetivos cívicos, culturais, educacionais, científicos, recreativos ou de assistência à pessoa.” Dispõe o parágrafo único do mesmo artigo; “O serviço voluntário não gera vínculo empregatício, nem obrigação de natureza trabalhista, previdenciária ou afim.” É o que se pode chamar de trabalho de benemerência. O requisito faltante em relação ao empregado é a onerosidade. 70 Não obstante a ausência do requisito da onerosidade o legislador ordinário prevê no artigo 3º do mesmo diploma legal a possibilidade do prestador do serviço ser ressarcido das despesas que tiver no desempenho de suas atividades voluntárias. 6.13 Estagiário. O estagiário não é empregado. O estágio é uma forma de proporcionar ao estudante conhecimento profissional sobre o curso que o mesmo desenvolve. Vale dizer: para a caracterização do trabalho nessa condição deve estagiário estar estudando em curso regular. O estagiário poderá prestar serviços nessa condição desde que esteja regularmente matriculado em cursos de educação superior, de educação profissional, de ensino médio, da educação especial e dos anos finais do ensino fundamental, na modalidade profissional da educação de jovens e adultos (artigo 1º, caput, da Lei nº 11.788/2008). O estágio deve ser formalizado por meio de Termo de Compromisso (artigo 7º, inciso I, da Lei nº 11.788/2008). Também é requisito para formalização do estágio que este seja intermediado e supervisionado pela entidade educacional. A não observância desse requisito implica no reconhecimento do vínculo empregatício e a entidade tomadora dos serviços do pseudo-estagiário, excetuada a hipótese do tomador dos serviços ser ente público, por conta do que dispõe o artigo 37, inciso II, da Constituição Federal de 1988. Diferentemente da Lei nº 6.494/77 que foi revogada pela Lei nº 11.788/2008, esta última conferiu alguns direitos aos estagiários como, por exemplo, a indenização do custeio do transporte, a alimentação, a saúde, o recesso remunerado após um ano de 71 prestação dos serviços e o direito de filiar-se como contribuinte facultativo junto à Previdência Social. 6.14 Trabalho dos Pastores nas Igrejas Evangélicas. O trabalho dos pastores não pode ser enquadrado como empregado nos moldes da Consolidação das Leis do Trabalho. Referido trabalho está intimamente ligado à vocação religiosa dos mesmos, o que torna incompatível o exercício do seu mister na condição de empregado. Contudo, em sede de recurso de revista, a 7ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho assim decidiu: TRABALHO RELIGIOSO – PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PARA IGREJA – RELAÇÃO DE EMPREGO CARACTERIZADA – AFASTAMENTO DA CONDIÇÃO DE PASTOR – SUBORDINAÇÃO, EXIGÊNCIA DE CUMPRIMENTO DE METAS E SALÁRIO – LIVRE CONVENCIMENTO DO JUÍZO – ART. 131 DO CPC – REEXAME DE FATOS E PROVAS VEDADO PELA SÚMULA 126 DO TST. 1. A lei nº 9.608/98 contemplou o denominado trabalho voluntário, entre os quais pode ser enquadrado o trabalho religioso, que é prestado sem a busca de remuneração, em função de uma dedicação abnegada em prol de uma comunidade, que muitas vezes nem sequer teria condições de retribuir economicamente esse serviço, precisamente pelas finalidades não lucrativas que possui. 2. No entanto, na hipótese, o Regional, após a análise dos depoimentos pessoais, do preposto e das testemunhas obreiras e patronais, manteve 72 o reconhecimento de vínculo empregatício entre o Autor e a Igreja Universal do Reino de Deus, pois concluiu que o Obreiro não era simplesmente um pastor, encarregado de pregar, mas um prestador de serviçosà igreja, com subordinação e metas de arrecadação de donativos a serem cumpridas, mediante pagamento de salário. 3. Assim, verifica-se que a Corte a quo apreciou livremente a prova inserta nos autos, atendendo aos fatos e circunstâncias constantes nos autos, e indicou os motivos que lhe formaram o convencimento, na forma preconizada no art. 131 do CPC. 4. Nesses termos, tendo a decisão regional sido proferida em harmonia com as provas produzidas, tanto pelo Autor, quanto pela Reclamada, decidir em sentido contrário implicaria o reexame dos fatos e provas, providências que, no entanto, é inadmissível nesta Instância Extraordinária, a teor da Súmula 126 do TST. Recurso de revista não conhecido. Processo: RR – 19800-83.2008.5.01.0065 – Data de julgamento: 08/02/2012, Relator Ministro: Ives Gandra Martins Filho, 7ª Turma, Data de Publicação: DEJT 10/02/2012. 6.15 Trabalho do Presidiário. Não há nenhuma regulamentação do trabalho do presidiário na Consolidação das Leis do Trabalho. Referida lacuna necessita com urgência em ser preenchida. Dizemos isto porque muitas empresas têm transferido toda a sua produção para dentro dos presídios, a baixíssimo custo, na medida em que tais trabalhadores estão excluídos da proteção legal. 73 O único dispositivo legal acerca da matéria encontra-se insculpido no artigo 28 da Lei de Execução Penal – LEP no sentido de que a cada três dias trabalhados o preso abate um dia de sua pena (remição penal). Temos notícia da propositura de ação civil pública pelo Ministério Público do Trabalho em face da direção de presídio com o intuito de garantir direitos trabalhistas mínimos aos presidiários. Observação: sobre o trabalho de ex-detentos vejamos a novidade trazida pelo Decreto nº 9.450/2018, in verbis: Institui a Política Nacional de Trabalho no âmbito do Sistema Prisional, voltada à ampliação e qualificação da oferta de vagas de trabalho, ao empreendedorismo e à formação profissional das pessoas presas e egressas do sistema prisional, e regulamenta o § 5º do art. 40 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, que regulamenta o disposto no inciso XXI do caput do art. 37 da Constituição e institui normas para licitações e contratos da administração pública firmados pelo Poder Executivo federal. A PRESIDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, no exercício do cargo de PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso das atribuições que lhe confere o art. 84, caput, incisos IV e VI, alínea a, da Constituição, e tendo em vista o disposto na Lei nº 7.210, de 11 de julho de 1984, e no art. 40, § 5º, da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, DECRETA: Art. 1º Fica instituída a Política Nacional de Trabalho no âmbito do Sistema Prisional - Pnat para permitir a inserção das pessoas privadas de liberdade e egressas do sistema prisional no mundo do trabalho e na geração de renda. 74 § 1º A Pnat destina-se aos presos provisórios, às pessoas privadas de liberdade em cumprimento de pena no regime fechado, semiaberto e aberto e às pessoas egressas do sistema prisional. § 2º A Pnat será implementada pela União em regime de cooperação com Estados, Distrito Federal e Municípios. § 3º Para a execução da Pnat, poderão ser firmados convênios ou instrumentos de cooperação técnica da União com o Poder Judiciário, Ministério Público, organismos internacionais, federações sindicais, sindicatos, organizações da sociedade civil e outras entidades e empresas privadas. § 4º Será promovida a articulação e a integração da Pnat com políticas, programas e projetos similares e congêneres da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 5º Considera-se egresso, para os efeitos deste Decreto, a pessoa que se encontre nas hipóteses elencadas no art. 26 da Lei nº 7.210, de 11 de julho de 1984. Art. 2º São princípios da Pnat: I - a dignidade da pessoa humana; II - a ressocialização; III - o respeito às diversidades étnico-raciais, religiosas, em razão de gênero e orientação sexual, origem, opinião política, para com as pessoas com deficiência, entre outras; e IV - a humanização da pena. Art. 3º São diretrizes da Pnat: I - estabelecer mecanismos que favoreçam a reinserção social das pessoas presas em regime fechado, semiaberto e aberto, e egressas do sistema prisional; II - adotar estratégias de articulação com órgãos públicos, entidades privadas e com organismos internacionais e estrangeiros para a implantação desta Política; 75 III - ampliar as alternativas de absorção econômica das pessoas presas em regime fechado, semiaberto e aberto, e egressas do sistema prisional; IV - estimular a oferta de vagas de trabalho para pessoas presas em regime fechado, semiaberto e aberto e egressas do sistema prisional; V - integrar os órgãos responsáveis pelo fomento ao trabalho e pela execução penal com as entidades responsáveis pela oferta de vagas de trabalho; e VI - uniformizar modelo de edital de chamamento visando a formação de parcerias para construção de espaços de trabalho em unidades prisionais por entes privados e públicos. Art. 4º São objetivos da Pnat: I - proporcionar, às pessoas privadas de liberdade e egressas do sistema prisional, a ressocialização, por meio da sua incorporação no mercado de trabalho, e a reinserção no meio social; II - promover a qualificação das pessoas privadas de liberdade e egressas do sistema prisional, visando sua independência profissional por meio do empreendedorismo; III - promover a articulação de entidades governamentais e não governamentais, nas esferas federal, estadual, distrital e municipal, visando garantir efetividade aos programas de integração social e de inserção de pessoas privadas de liberdade e egressas do sistema prisional e cumpridoras de pena restritiva de direitos ou medida cautelar; IV - ampliar a oferta de vagas de trabalho no sistema prisional, pelo poder público e pela iniciativa privada; V - incentivar a elaboração de planos estaduais sobre trabalho no sistema prisional, abrangendo diagnósticos, metas e estratégias de qualificação profissional e oferta de vagas de trabalho no sistema prisional; VI - promover a sensibilização e conscientização da sociedade e dos órgãos públicos para a importância do trabalho como ferramenta para a 76 reintegração social das pessoas em privação de liberdade e egressas do sistema prisional; VII - assegurar os espaços físicos adequados às atividades laborais e de formação profissional e sua integração às demais atividades dos estabelecimentos penais; VIII - viabilizar as condições para o aprimoramento da metodologia e do fluxo interno e externo de oferta de vagas de trabalho no sistema prisional; IX - fomentar a responsabilidade social empresarial; X - estimular a capacitação continuada dos servidores que atuam no sistema prisional quanto às especificidades e à importância da atividade laborativa no sistema prisional; e Art. 5º Na contratação de serviços, inclusive os de engenharia, com valor anual acima de R$ 330.000,00 (trezentos e trinta mil reais), os órgãos e entidades da administração pública federal direta, autárquica e fundacional deverão exigir da contratada o emprego de mão de obra formada por pessoas presas ou egressos do sistema prisional, nos termos disposto no § 5º do art. 40 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. § 1º O disposto no caput será previsto: I - no edital, como requisito de habilitação jurídica, consistente na apresentação de declaração do licitante de que, caso seja vencedor, contratará pessoas presas ou egressos nos termos deste Decreto, acompanhada de declaração emitida pelo órgão responsável pela execução penal de que dispõe de pessoas presas aptas à execução de trabalho externo; e II - no edital e na minuta de contrato, como obrigação da contratada de empregarcomo mão de obra pessoas presas ou egressos do sistema prisional e de observar o disposto neste Decreto. § 2º Na hipótese de ser admitido o emprego de mão de obra de pessoa presa em regime fechado, o edital e a minuta do contrato deverão prever as seguintes cautelas a serem observadas pela contratada, em atendimento ao disposto nos art. 35 e art. 36 da Lei nº 7.210, de 1984: 77 I - apresentação de prévia autorização do Juízo da Execução; II - comprovação de aptidão, disciplina e responsabilidade da pessoa presa; III - comprovação do cumprimento mínimo de um sexto da pena; e IV - observância do limite máximo de dez por cento do número de presos na prestação do serviço. § 3º Na fiscalização da execução do contrato, cabe à administração pública contratante: I - informar à contratada e oficiar a vara de execuções penais sobre qualquer incidente ou prática de infração por parte dos empregados, para que adotem as providências cabíveis à luz da legislação penal; e II - aplicar as penalidades à contratada quando verificada infração a qualquer regra prevista neste Decreto. § 4º A administração pública poderá deixar de aplicar o disposto neste artigo quando, justificadamente, a contratação de pessoa presa ou egressa do sistema prisional se mostrar inviável. Art. 6º Para efeito do disposto no art. 5º, a empresa deverá contratar, para cada contrato que firmar, pessoas presas, em cumprimento de pena em regime fechado, semiaberto ou aberto, ou egressas do sistema prisional, nas seguintes proporções: I - três por cento das vagas, quando a execução do contrato demandar duzentos ou menos funcionários; II - quatro por cento das vagas, quando a execução do contrato demandar duzentos e um a quinhentos funcionários; III - cinco por cento das vagas, quando a execução do contrato demandar quinhentos e um a mil funcionários; ou IV - seis por cento das vagas, quando a execução do contrato demandar mais de mil empregados. 78 § 1º A efetiva contratação do percentual indicado nos incisos I a IV do caput será exigida da proponente vencedora quando da assinatura do contrato. § 2º A contratada deverá apresentar mensalmente ao juiz da execução, com cópia para o fiscal do contrato ou para o responsável indicado pela contratante, relação nominal dos empregados, ou outro documento que comprove o cumprimento dos limites previstos no caput. § 3º Havendo demissão, a contratada deverá proceder sua comunicação ao fiscal do contrato ou responsável indicado pela contratante em até cinco dias. § 4º Após a demissão ou outro fato que impeça o comparecimento da mão de obra, a contratada deverá, em até sessenta dias, providenciar o preenchimento da vaga em aberto para fins de cumprimento dos limites previstos no caput. § 5º A prorrogação de contratos de prestação de serviços com fornecimento de mão de obra no âmbito da administração pública federal, cuja empresa tenha se beneficiado do disposto no art. 5º, apenas poderá ser realizada mediante comprovação de manutenção da contratação do número de pessoas egressas do sistema prisional. § 6º Em caso de subcontratação de obra ou serviço, desde que admitida no edital e no contrato, a subcontratada deverá cumprir os limites previstos no art. 7º. § 7º A não observância das regras previstas neste artigo durante o período de execução contratual acarreta quebra de cláusula contratual e possibilita a rescisão por iniciativa da administração pública federal, além das sanções previstas na Lei nº 8.666, de 1993. Art. 7º À contratada caberá providenciar às pessoas presas e ao egressos contratados: I - transporte; II - alimentação; III - uniforme idêntico ao utilizado pelos demais terceirizados; 79 IV - equipamentos de proteção, caso a atividade exija; V - inscrição do preso em regime semiaberto, na qualidade de segurado facultativo, e o pagamento da respectiva contribuição ao Regime Geral de Previdência Social; e VI - remuneração, nos termos da legislação pertinente. Art. 8º O Ministério da Segurança Pública estimulará a apresentação, pelos Estados e Distrito Federal, a cada dois anos, de Plano Estadual da Política Nacional de Trabalho no âmbito do Sistema Prisional, conforme as diretrizes e os objetivos dispostos neste Decreto, em articulação da secretaria responsável pela administração prisional com aquela responsável pelas políticas de trabalho e educação. § 1º O Ministério da Segurança Pública analisará os planos referidos no caput e definirá o apoio técnico e financeiro a partir das ações pactuadas com cada ente federativo. § 2º O plano que se refere o caput conterá: I - diagnósticos das unidades prisionais com atividades laborativas, identificando as oficinas de trabalho de gestão prisional ou realizadas por convênios ou parcerias; II - diagnósticos das demandas de qualificação profissional nos estabelecimentos penais; III - estratégias e metas para sua implementação; e IV - atribuições e responsabilidades de cada órgão do ente federativo, identificando normativos existentes, procedimentos de rotina, gestão de pessoas e sistemas de informação. Art. 9º O Ministério dos Direitos Humanos, por meio da Secretaria Nacional de Cidadania, e o Ministério da Segurança Pública, por meio do Departamento Penitenciário Nacional: I - fomentarão, junto às administrações prisionais estaduais, a contratação de pessoas presas para prestação de serviços terceirizados nas unidades prisionais, exceto a segurança; 80 II - instaurarão mecanismo de ouvidoria para assistência aos presos e egressos; e III - promoverão a ampla divulgação da Pnat, objetivando a conscientização da sociedade brasileira, juntamente com o Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão. Art. 10. Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação. Brasília, 24 de julho de 2018; 197º da Independência e 130º da República. CÁRMEN LÚCIA ANTUNES ROCHA 6.16 Trabalho dos Policiais Militares e dos Guardas Civis Metropolitanos. Os Tribunais Trabalhistas têm sido provocados a se manifestar sobre o trabalho dos policiais militares e dos guardas civis metropolitanos que é prestado fora do horário e escala desses órgãos. É o denominado “bico”. O Tribunal Superior do Trabalho houve por bem aprovar a Súmula 386 que trata exclusivamente dos policiais militares, mas que também se aplica aos guardas civis metropolitanos. Por aquele verbete fica consagrado o direito ao reconhecimento do vínculo empregatício desses profissionais, se estiverem presentes todos os requisitos do contrato de trabalho. Dispõe a Súmula 386 do TST o seguinte: POLICIAL MILITAR – RECONHECIMENTO DE VÍNCULO EMPREGATÍCIO COM EMPRESA PRIVADA. Preenchidos os requisitos do art. 3º da CLT, é legítimo o reconhecimento de relação de emprego entre policial militar e empresa privada, 81 independentemente do eventual cabimento de penalidade disciplinar prevista no Estatuto do Policial Militar. 6.17 Trabalho dos corretores de seguros. Dispõe o artigo 17, alínea “b”, da Lei nº 4.594/64 que: Artigo 17. É vedado aos corretores e aos prepostos: a) aceitarem ou exercerem empregos de pessoa jurídica de direito público, inclusive de entidade paraestatal; b) serem sócios, administradores, procuradores, despachantes ou empregados de empresa de seguros. Parágrafo único. O impedimento previsto neste artigo é extensivo aos sócios e diretores de empresa de corretagem. Mesmo levando-se em consideração esse dispositivo legal a jurisprudência é dividida acerca do reconhecimento do vínculo empregatício ou não dos corretores de seguro. Parte dos julgadores entende possível o reconhecimento do vínculo empregatício, se estiverem presentes todos os requisitos do contrato de trabalho, enquanto outra parte dos julgadores entendeimpossível o reconhecimento do vínculo empregatício por expressa vedação legal. 6.18 Trabalho nas eleições. Dispõe o artigo 100 da Lei nº 9.504/97 que: Art. 100. A contratação de pessoal para prestação de serviços nas campanhas eleitorais não gera vínculo empregatício com o candidato ou partido contratantes. 82 Portanto, ainda que presentes os requisitos do contrato de trabalho não hão falar-se em reconhecimento do vínculo empregatício com o partido político por expressa vedação legal. 6.19 Contrato de Trabalho Entre Cônjuges. Délio Maranhão faz o seguinte questionamento: pode a mulher ser empregada do marido ou vice-versa? Responde o ilustre doutrinador que se o regime de bens é o da comunhão total não seria possível, eis que inviável que um se torne credor do outro. De outra parte, o doutrinador aponta situação inteiramente diversa consistente num cônjuge ser empregado de um estabelecimento de uma sociedade comercial do qual o outro seja sócio. Tal situação seria perfeitamente possível. 6.20 Contrato de Trabalho Entre Pai e Filho. Délio Maranhão também aponta que em não havendo fraude na transferência de patrimônio ao descendente, pode o filho ser empregado do pai. Para o citado doutrinador não há nenhum óbice do pai ser empregado do filho. 6.21 Contrato de Trabalho e Mandato. No contrato de trabalho há subordinação do empregado ao patrão, enquanto que no mandato há prestação de contas do mandatário ao mandante. Assim, o mandatário não pode ser empregado, pois no dizer de Délio Maranhão, um exclui o outro. 83 6.22 Contrato de parceria ou seu desvirtuamento. Dispõe a Lei nº 13.352/2016 que: LEI Nº 13.352, DE 27 DE OUTUBRO DE 2016. Art. 1o A Lei no 12.592, de 18 de janeiro de 2012, passa a vigorar acrescida dos seguintes arts. 1o-A, 1o-B, 1o-C e 1o-D: “Art. 1o-A Os salões de beleza poderão celebrar contratos de parceria, por escrito, nos termos definidos nesta Lei, com os profissionais que desempenham as atividades de Cabeleireiro, Barbeiro, Esteticista, Manicure, Pedicure, Depilador e Maquiador. § 1o Os estabelecimentos e os profissionais de que trata o caput, ao atuarem nos termos desta Lei, serão denominados salão-parceiro e profissional-parceiro, respectivamente, para todos os efeitos jurídicos. § 2o O salão-parceiro será responsável pela centralização dos pagamentos e recebimentos decorrentes das atividades de prestação de serviços de beleza realizadas pelo profissional-parceiro na forma da parceria prevista no caput. § 3o O salão-parceiro realizará a retenção de sua cota-parte percentual, fixada no contrato de parceria, bem como dos valores de recolhimento de tributos e contribuições sociais e previdenciárias devidos pelo profissional- parceiro incidentes sobre a cota-parte que a este couber na parceria. § 4o A cota-parte retida pelo salão-parceiro ocorrerá a título de atividade de aluguel de bens móveis e de utensílios para o desempenho das atividades de serviços de beleza e/ou a título de serviços de gestão, de apoio administrativo, de escritório, de cobrança e de recebimentos de valores transitórios recebidos de clientes das atividades de serviços de 84 beleza, e a cota-parte destinada ao profissional-parceiro ocorrerá a título de atividades de prestação de serviços de beleza. § 5o A cota-parte destinada ao profissional-parceiro não será considerada para o cômputo da receita bruta do salão-parceiro ainda que adotado sistema de emissão de nota fiscal unificada ao consumidor. § 6o O profissional-parceiro não poderá assumir as responsabilidades e obrigações decorrentes da administração da pessoa jurídica do salão- parceiro, de ordem contábil, fiscal, trabalhista e previdenciária incidentes, ou quaisquer outras relativas ao funcionamento do negócio. § 7o Os profissionais-parceiros poderão ser qualificados, perante as autoridades fazendárias, como pequenos empresários, microempresários ou microempreendedores individuais. § 8o O contrato de parceria de que trata esta Lei será firmado entre as partes, mediante ato escrito, homologado pelo sindicato da categoria profissional e laboral e, na ausência desses, pelo órgão local competente do Ministério do Trabalho e Emprego, perante duas testemunhas. § 9o O profissional-parceiro, mesmo que inscrito como pessoa jurídica, será assistido pelo seu sindicato de categoria profissional e, na ausência deste, pelo órgão local competente do Ministério do Trabalho e Emprego. § 10. São cláusulas obrigatórias do contrato de parceria, de que trata esta Lei, as que estabeleçam: I - percentual das retenções pelo salão-parceiro dos valores recebidos por cada serviço prestado pelo profissional-parceiro; II - obrigação, por parte do salão-parceiro, de retenção e de recolhimento dos tributos e contribuições sociais e previdenciárias devidos pelo profissional-parceiro em decorrência da atividade deste na parceria; 85 III - condições e periodicidade do pagamento do profissional-parceiro, por tipo de serviço oferecido; IV - direitos do profissional-parceiro quanto ao uso de bens materiais necessários ao desempenho das atividades profissionais, bem como sobre o acesso e circulação nas dependências do estabelecimento; V - possibilidade de rescisão unilateral do contrato, no caso de não subsistir interesse na sua continuidade, mediante aviso prévio de, no mínimo, trinta dias; VI - responsabilidades de ambas as partes com a manutenção e higiene de materiais e equipamentos, das condições de funcionamento do negócio e do bom atendimento dos clientes; VII - obrigação, por parte do profissional-parceiro, de manutenção da regularidade de sua inscrição perante as autoridades fazendárias. § 11. O profissional-parceiro não terá relação de emprego ou de sociedade com o salão-parceiro enquanto perdurar a relação de parceria tratada nesta Lei.” “Art. 1o-B Cabem ao salão-parceiro a preservação e a manutenção das adequadas condições de trabalho do profissional-parceiro, especialmente quanto aos seus equipamentos e instalações, possibilitando as condições adequadas ao cumprimento das normas de segurança e saúde estabelecidas no art. 4o desta Lei.” “Art. 1o-C Configurar-se-á vínculo empregatício entre a pessoa jurídica do salão-parceiro e o profissional-parceiro quando: I - não existir contrato de parceria formalizado na forma descrita nesta Lei; e 86 II – o profissional-parceiro desempenhar funções diferentes das descritas no contrato de parceria.” “Art. 1o-D O processo de fiscalização, de autuação e de imposição de multas reger-se-á pelo disposto no Título VII da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, aprovada pelo Decreto-Lei no 5.452, de 1o de maio de 1943.” Art. 2o Esta Lei entra em vigor após decorridos noventa dias de sua publicação oficial. Brasília, 27 de outubro de 2016; 195o da Independência e 128o da República. 7. TIPOS ESPECIAIS DE CONTRATOS DE TRABALHO E EMPREGO COM PROTEÇÃO ESPECÍFICA: APRENDIZ, TRABALHO DA MULHER. LICENÇA GESTANTE. SALÁRIO MATERNIDADE. PROTEÇÃO CONTRA A DISCRIMINAÇÃO. 7.1. Trabalho da Mulher. 7.1.1. Referência no Direito Positivo: A Constituição Federal contém preceitos relativos ao trabalho da mulher: “Art. 5º ... I - homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição. ... 87 Art. 7º São direitos dos trabalhadores, além de outros... XXX – proibição de diferença de salários, de exercício de funções e de critérios de admissão por motivo de sexo, idade, cor ou estado civil.” Também a Consolidação das Leis do Trabalho trata do assunto nos artigos 372 a 401. 7.1.2. Fundamentos da Proteção Especial: “A natureza não fez homens e mulheres iguais”.Por isto, em todos os ordenamentos jurídicos o trabalho da mulher conta com regras particulares, relativas a condições mínimas de trabalho, diferentes e mais vantajosas daquelas estabelecidas em relação aos homens. Isto em razão da maternidade, da amamentação, da criação dos filhos e de outras condições físicas peculiares ao sexo feminino. 7.1.3. Capacidade Para Contratar Trabalho: Havia na CLT um artigo que autorizava o marido a requisitar a rescisão do contrato de trabalho se suscetível de causar ameaça aos vínculos da família ou perigo manifesto. Este artigo da Consolidação das Leis do Trabalho era reflexo da posição do Código Civil, que até 1962 considerava a mulher relativamente incapaz. O Estatuto da Mulher Casada (Lei nº 4.121/62) tornou a mulher plenamente capaz. O artigo 446 da Consolidação das Leis do Trabalho, por sua vez, foi revogado expressamente pela Lei nº 7.855/89, mas já estava superado antes disso pela Constituição Federal de 1988, que igualou homens e mulheres em direitos e obrigações. 88 7.1.4. Princípio da Igualdade Salarial. Homens e mulheres são iguais, ou seja, o ordenamento jurídico impede a discriminação salarial da mulher. Para igual trabalho, igual salário. 7.1.5. A Mulher e o Trabalho Noturno, em Subterrâneos, Mineração, Pedreiras, Obras de Construção Civil, Atividades Insalubres e Perigosas: Atualmente não há qualquer restrição legal ao trabalho da mulher nas atividades citadas. Havia na Consolidação das Leis do Trabalho artigos de lei que vedavam esse tipo de trabalho para a mulher, mas tais artigos foram revogados pela Lei nº 7.855/90. 7.1.6. A Mulher e as Horas Extraordinárias: De acordo com a Consolidação das Leis do Trabalho, artigo 376, somente em casos excepcionais, por motivo de força maior, poderia a duração do trabalho da mulher elevar-se além do limite legal ou convencionado, até o máximo de 12 horas. Todavia, o art. 376 foi expressamente revogado em 2001 pela Lei nº 10.244/2001. Hoje não há mais diferenças no regime de horas extraordinárias entre homens e mulheres. Em caso de prorrogação normal da jornada deveria a trabalhadora usufruir intervalo de, no mínimo, 15 minutos, antes do início da jornada extraordinária de trabalho (artigo 384 da CLT). Observação: atualmente os empregados do sexo masculino têm postulado na Justiça do Trabalho 15 minutos como horas extras e reflexos por analogia ao contido no artigo 384 89 da Consolidação das Leis do Trabalho, sob o argumento de que homens e mulheres são iguais perante a lei, nos termos do artigo 5º, caput, da Constituição Federal de 1988. A matéria ainda gera polêmica nos meios judiciários não havendo posicionamento uniforme dos Tribunais do Trabalho. Sobre o tema veja-se a notícia abaixo: STF, 27 de novembro de 2014 Intervalo de 15 minutos para mulheres antes de hora extra é compatível com a Constituição. Por maioria, o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) negou provimento ao Recurso Extraordinário (RE) 658312, com repercussão geral reconhecida, e firmou a tese de que o artigo 384 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) foi recepcionado pela Constituição da República de 1988. O dispositivo, que faz parte do capítulo que trata da proteção do trabalho da mulher, prevê intervalo de no mínimo 15 minutos para as trabalhadoras em caso de prorrogação do horário normal, antes do início do período extraordinário. O RE foi interposto pela A. Angeloni & Cia. Ltda. contra decisão do Tribunal Superior do Trabalho (TST) que manteve condenação ao pagamento, a uma empregada, desses 15 minutos, com adicional de 50%. A jurisprudência do TST está pacificada no sentido da validade do intervalo. A argumentação da empresa era a de que o entendimento da Justiça do Trabalho contraria dispositivos constitucionais que concretizam a igualdade entre homens e mulheres (artigos 5º, inciso I, e 7º, inciso XXX) e, consequentemente, fere o princípio da isonomia, pois não se poderia admitir tratamento diferenciado apenas em razão do sexo, sob pena de se estimular a discriminação no trabalho. No julgamento, realizado nesta quinta-feira, a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) e a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) atuaram na 90 condição de amici curiae, seguindo a mesma linha de fundamentação da empresa. Relator. O ministro Dias Toffoli, relator do RE, lembrou que o artigo 384 faz parte da redação original da CLT, de 1943. “Quando foi sancionada a CLT, vigorava a Constituição de 1937, que se limitou, como na Constituição de 1946, a garantir a cláusula geral de igualdade, expressa na fórmula ‘todos são iguais perante a lei’”, afirmou. “Nem a inserção dessa cláusula em todas as nossas Constituições, nem a inserção de cláusula específica de igualdade entre gênero na Carta de 1934 impediram, como é sabido, a plena igualdade entre os sexos no mundo dos fatos”. Por isso, observou o ministro, a Constituição de 1988 estabeleceu cláusula específica de igualdade de gênero e, ao mesmo tempo, admitiu a possibilidade de tratamento diferenciado, levando em conta a “histórica exclusão da mulher do mercado de trabalho”; a existência de “um componente orgânico, biológico, inclusive pela menor resistência física da mulher”; e um componente social, pelo fato de ser comum a chamada dupla jornada – o acúmulo de atividades pela mulher no lar e no trabalho – “que, de fato, é uma realidade e, portanto, deve ser levado em consideração na interpretação da norma”, afirmou. O voto do relator ressaltou que as disposições constitucionais e infraconstitucionais não impedem que ocorram tratamentos diferenciados, desde que existentes elementos legítimos para tal e que as garantias sejam proporcionais às diferenças ou definidas por algumas conjunturas sociais. E, nesse sentido, avaliou que o artigo 384 da CLT “trata de aspectos de evidente desigualdade de forma proporcional”. Ele citou o prazo menor para aposentadoria, a cota de 30% para mulheres nas eleições e a Lei Maria da Penha como exemplos de tratamento diferenciado legítimo. Toffoli afastou ainda os argumentos de que a manutenção do intervalo 91 prejudicaria o acesso da mulher ao mercado de trabalho. “Não parece existir fundamento sociológico ou mesmo comprovação por dados estatísticos a amparar essa tese”, afirmou. “Não há notícia da existência de levantamento técnico ou científico a demonstrar que o empregador prefira contratar homens, em vez de mulheres, em virtude dessa obrigação”. Seguiram o voto do relator os ministros Gilmar Mendes, Celso de Mello, Rosa Weber e Cármen Lúcia. Divergência. Divergiram do relator, e ficaram vencidos, os ministros Luiz Fux e Marco Aurélio. Para Fux, o dispositivo viola o princípio da igualdade, e, por isso, só poderia ser admitido nas atividades que demandem esforço físico. “Aqui há efetivamente distinção entre homens e mulheres”, afirmou. “Não sendo o caso, é uma proteção deficiente e uma violação da isonomia consagrar uma regra que dá tratamento diferenciado a homens e mulheres, que são iguais perante a lei”. No mesmo sentido, o ministro Marco Aurélio afirmou que o artigo 384 “é gerador de algo que a Carta afasta, que é a discriminação no mercado de trabalho”. Os dois ministros votaram no sentido de dar provimento ao recurso para reconhecer a inconstitucionalidade do artigo 384. Observação: O julgamento acima foi tornado nulo pelo STF por vício processual. Outro julgamento já teve início na Suprema Corte, mas ainda não foi concluído. Reforma Trabalhista: Com o advento da Lei nº 13.467/2017 o artigo 384 da CLT foi expressamente revogado. 7.1.7. A vedação da revista vexatória em mulheres. A Lei nº 13.271/2016 assim dispõe: 92 Artigo 1º: “As empresasprivadas, os órgãos e entidades da administração pública, direta e indireta, ficam proibidos de adotar qualquer prática de revista íntima de suas funcionárias e de clientes do sexo feminino. Artigo 2º - Pelo não cumprimento do art. 1º, ficam os infratores sujeitos a: I – multa de R$ 20.000,00 (vinte mil reais) ao empregador, revertidos aos órgãos de proteção dos direitos da mulher; II – multa em dobro do valor estipulado no inciso I, em caso de reincidência, independentemente da indenização por danos morais e materiais e sanções de ordem penal. Observação: com a devida vênia e respeito entendemos que a Lei em epígrafe revela- se totalmente desnecessária tendo em vista que o ordenamento jurídico pátrio já veda esse tipo de conduta do patrão, inclusive em relação aos trabalhadores do sexo masculino. 7.1.8. A Proteção à Maternidade: 7.1.8.1. Licença-Maternidade: Encontra-se prevista na Constituição Federal, mais precisamente no artigo 7º, XVIII. É de 120 dias, sem prejuízo do salário. A Emenda Constitucional nº 20, de 16/12/98, estabeleceu o limite máximo do valor dos benefícios do regime da previdência social em R$ 1.200,00, reajustável. Com base nisso, surgiu a questão de saber se a licença- maternidade, que é um benefício previdenciário, também obedeceria esse teto, inclusive para as mulheres que ganhassem mais. O Supremo Tribunal Federal. (ADI 1946- 5, do PSB – Partido Socialista Brasileiro), julgando a questão decidiu que a licença- gestante deve ser igual ao salário completo da mulher, não ficando sujeito ao referido teto. 7.1.8.2. Direito de Mudar de Função: 93 Se houver razões médicas, mudar de função no período de gestação (artigo 392, parágrafo 4º, inciso I, da Consolidação das Leis do Trabalho). 7.1.8.3. Direito de Rescindir o Contrato de Trabalho: Se prejudicial a gestação, a mulher poderá rescindir o contrato de trabalho, sem aviso prévio (artigo 394 da Consolidação das Leis do Trabalho). 7.1.8.4. A Lei nº 13.287/2016 aprovou o artigo 394-A que assim dispõe: Artigo 394-A – A empregada gestante ou lactante será afastada, enquanto durar a gestação e a lactação, de quaisquer atividades, operações ou locais insalubres, devendo exercer suas atividades em local salubre. Reforma Trabalhista: O artigo 394-A tem nova redação com o advento da Lei nº 13.467/2017, in verbis: Art. 394-A. Sem prejuízo de sua remuneração, nesta incluído o valor do adicional de insalubridade, a empregada deverá ser afastada de: I - atividades consideradas insalubres em grau máximo, enquanto durar a gestação; 94 II - atividades consideradas insalubres em grau médio ou mínimo, quando apresentar atestado de saúde, emitido por médico de confiança da mulher, que recomende o afastamento durante a gestação; III - atividades consideradas insalubres em qualquer grau, quando apresentar atestado de saúde, emitido por médico de confiança da mulher, que recomende o afastamento durante a lactação. § 1o ...................................................................... § 2o Cabe à empresa pagar o adicional de insalubridade à gestante ou à lactante, efetivando-se a compensação, observado o disposto no art. 248 da Constituição Federal, por ocasião do recolhimento das contribuições incidentes sobre a folha de salários e demais rendimentos pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço. § 3o Quando não for possível que a gestante ou a lactante afastada nos termos do caput deste artigo exerça suas atividades em local salubre na empresa, a hipótese será considerada como gravidez de risco e ensejará a percepção de salário-maternidade, nos termos da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, durante todo o período de afastamento. Observação: Em 29/05/2019 o STF julgou a ADI – Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 5938 e decidiu, por 10 votos a 1, que os incisos II e III do artigo 394-A da CLT, são inconstitucionais. 7.1.8.5. Intervalos de Amamentação: A mãe tem direito a dois intervalos diários de meia hora cada um para amamentação do filho, até que complete 6 meses de idade (artigo 396 da Consolidação das Leis do Trabalho). Dilatação desse período – quando o exigir a saúde do filho (artigo 396, parágrafo único, da Consolidação das Leis do Trabalho). 95 Observação: Como na maioria das empresas não há creche instalada o cumprimento do dispositivo legal acima é difícil. Esses dois tempos de 30 minutos somados até a idade de 6 meses da criança implica no total aproximado de 15 dias. Por conta disso, muitas empresas têm estendido a licença maternidade de 120 por mais 15 dias para atender a esse comando legal. 7.1.8.6. Licença em Caso de Aborto Não Criminoso: Período de 2 (duas) semanas, conforme artigo 395 da Consolidação das Leis do Trabalho. 7.1.8.7. Direito a Creche: Estabelecimentos com mais de 30 empregadas com mais de 16 anos devem ter creche no local de serviço (artigo 389, parágrafo 1º, da Consolidação das Leis do Trabalho). Hoje esta exigência pode ser substituída pelo pagamento de um valor em dinheiro (artigo 389, parágrafo 2º, da Consolidação das Leis do Trabalho). 7.1.8.8. Estabilidade da Gestante: Está prevista no ADCT Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, mais precisamente no artigo 10, II, da Constituição Federal de 1988 que: “fica vedada a dispensa arbitrária ou sem justa causa: ...b) da empregada gestante, desde a confirmação da gravidez até cinco meses após o parto.” Não há a necessidade de a empregada provar que o empregador sabia da gravidez ao 96 demiti-la, para que fique com os direitos decorrentes da estabilidade. A gravidez é um fato objetivo, do qual decorre a estabilidade, independentemente da ciência do empregador. Nesse sentido a Súmula 244 do Tribunal Superior do Trabalho, a saber: Súmula 244 – GESTANTE – ESTABILIDADE PROVISÓRIA. I – O desconhecimento do estado gravídico pelo empregador não afasta o direito ao pagamento da indenização decorrente da estabilidade (art. 10, II, “b” do ADCT). II – A garantia de emprego à gestante só autoriza a reintegração se esta se der durante o período de estabilidade. Do contrário, a garantia restringe-se aos salários e demais direitos correspondentes ao período de estabilidade. III – A empregada gestante tem direito à estabilidade provisória prevista no art. 10, inciso II, alínea b, do ADCT, mesmo na hipótese de admissão mediante contrato por tempo determinado. 1ª Observação: a partir da lei nº 11.324/2006 a trabalhadora doméstica também faz jus à estabilidade provisória desde a concepção até cinco meses após o parto. 2ª Observação: a partir da Lei nº 11.770/2008 que criou o Programa Empresa Cidadã é possível a gestante que trabalha nas empresas em geral poderão ter sua licença maternidade prorrogada por mais 60 dias prevista no artigo 7º, inciso XVIII, da Constituição Federal de 1988. Tal prorrogação depende da pessoa jurídica aderir ao referido Programa, desde que a empregada a requeira até o final do primeiro mês após o parto e concedida imediatamente após a fruição da licença maternidade de 120 dias. No período de prorrogação da licença maternidade a empregada terá direito à sua remuneração integral, mas não poderá exercer atividade remunerada e a criança não poderá ser mantida em creche ou organização similar. Se descumprida esta regra a 97 empregada perderá o direito à prorrogação. 3ª Observação: Decisão do STF de 10/10/2018 acerca do item I da Súmula 244 do TST: DISPENSA ARBITRÁRIA STF DECIDE QUE ESTABILIDADE COMEÇA NA CONFIRMAÇÃO DA GRAVIDEZ Por oito votos a um, o Plenário do Supremo Tribunal Federal reconheceu, na sessão desta quarta-feira (10/10), que mulheres grávidas devem ter estabilidadea partir da confirmação da gravidez, e não somente após a comunicação ao empregador. 96 processos semelhantes aguardavam decisão da Corte. Os ministros mantiveram entendimento da Súmula 244 do Tribunal Superior do Trabalho em relação à Constituição Federal, em que é “vedada a dispensa arbitrária ou sem justa causa da empregada gestante, desde a confirmação da gravidez até cinco meses após o parto”. A decisão se baseou em recurso que discute se o patrão que demitiu uma mulher sem saber que ela estava grávida deveria pagar indenização. O relator, ministro Marco Aurélio, votou para que a mulher não tivesse direito à indenização. “Na minha avaliação, como o empregador não tinha a confirmação da gravidez, não ficou caracterizada a demissão imotivada que é vedada pela Constituição a mulheres grávidas”, disse. A divergência foi aberta pelo ministro Alexandre de Moraes ao destacar que a proteção constitucional à maternidade é mais importante do que o "requisito formal". “O prazo é da confirmação da gravidez e de até cinco meses após o parto, ou seja, um período em que se garante uma estabilidade econômica. Comprovadamente pela medicina, pela ciência são os meses mais importantes de proximidade da mãe com o filho”, disse o ministro. 98 O entendimento foi seguido pelos ministros Edson Fachin, Rosa Weber, Luís Roberto Barroso, Luiz Fux, Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes e o presidente, Dias Toffoli. RE 629053 4ª Observação: A Lei nº 12.812/2013 de 16/05/2013 inseriu o artigo 391-A na Consolidação das Leis do Trabalho, cujo teor é o seguinte: Art. 391-A – A confirmação do estado de gravidez advindo no curso do contrato de trabalho, ainda que durante o prazo do aviso prévio trabalhado ou indenizado, garante à empregada gestante a estabilidade provisória prevista na alínea b do inciso II do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. Portanto, quando a empregada realiza o exame de ultrassom para verificar o número de semanas do feto, se ao retroagir esse número contado do dia do exame e recair durante o período do aviso prévio, seja trabalhado ou indenizado, a mesma terá direito de estabilidade provisória de cinco meses após o parto. 5ª Observação: Direito à estabilidade provisória no caso de gestante em contrato de aprendizagem: PRECEDENTES DO TST Fim do contrato não afasta direito à estabilidade de aprendiz gestantE – 13/08/2018. A empregada gestante tem direito à estabilidade provisória mesmo na hipótese de admissão mediante contrato por tempo determinado, inclusive se for de aprendizagem. 99 TST reconheceu o direito à estabilidade provisória a uma aprendiz que estava grávida quando foi dispensada na data estabelecida para o fim do contrato. Esse foi o entendimento aplicado pela 5ª Turma do Superior Tribunal do Trabalho ao reconhecer o direito à estabilidade provisória de uma aprendiz que estava grávida quando foi dispensada na data estabelecida para o fim do contrato de dois anos. O pedido de estabilidade havia sido julgado procedente pelo juízo da 14ª Vara do Trabalho de São Paulo, mas o Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região afastou o direito. Para o TRT-2, o fato de o contrato de aprendizagem ser por prazo determinado inibiria a aplicação da garantia prevista no artigo 10, inciso II, alínea "b", do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT). Em recurso, a trabalhadora, com base no item III da Súmula 244 do TST, sustentou que a garantia à estabilidade também se aplica ao contrato de aprendizagem, por ser uma modalidade de contrato por tempo determinado. O relator do recurso, ministro João Batista Brito Pereira, explicou que o TST adotou entendimento de que a empregada gestante tem direito à estabilidade provisória prevista no ADCT, “mesmo na hipótese de admissão mediante contrato por tempo determinado, inclusive em se tratando de contrato de aprendizagem”. Esse posicionamento tem sido confirmado por precedentes de diversas turmas do tribunal. Com esses fundamentos, a 5ª Turma deu provimento ao recurso para restabelecer a sentença quanto ao tema relativo à estabilidade da gestante. RR-1000028- 05.2016.5.02.0714 6ª Observação: Auxiliar de limpeza obtém estabilidade da gestante mesmo em parto de natimorto. 09/07/2019 Uma auxiliar de limpeza do The Hostel Paulista Ltda. conseguiu ter direito à estabilidade assegurada à gestante mesmo com a perda da criança no 100 segundo mês de gravidez. A empresa argumentou que a estabilidade só caberia em caso de nascimento com vida, mas a Segunda Turma do Tribunal Superior do Trabalho explicou que a garantia provisória de emprego prevista na Constituição da República não faz ressalva ao natimorto. Estabilidade – gestante De acordo com o processo, a auxiliar trabalhou por dois meses com contrato de experiência, sendo dispensada em dezembro de 2015. Embora ela tenha tido conhecimento da gravidez um mês depois da rescisão, o fato, segundo a empresa, não lhe foi comunicado. Em março de 2016, com dois meses de gestação, a auxiliar perdeu a criança em aborto espontâneo. Em outubro do mesmo ano, ela entrou com reclamação trabalhista contra o ex-empregador para pedir indenização correspondente aos salários do período de estabilidade, desde o início da gravidez até cinco meses após o parto. O The Hostel questionou o direito à estabilidade de cinco meses, por não ter havido parto do bebê, “que já se encontrava sem vida antes do aborto”. Segundo a defesa, embora a estabilidade provisória seja assegurada a partir da concepção, seria essencial que a gestação chegasse ao seu termo com o nascimento da criança. O juízo da 23ª Vara do Trabalho de São Paulo (SP) e o Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região indeferiram o pedido da auxiliar. Na interpretação do TRT, o direito à indenização substitutiva do período de estabilidade só deveria ser concedido da data da dispensa da auxiliar até a data do óbito do feto, e não até cinco meses após o aborto. TST A relatora do recurso de revista da auxiliar, ministra Delaíde Miranda Arantes, adotou, no voto dela, o disposto no artigo 10, inciso II, alínea “b”, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT), que impede a dispensa arbitrária ou sem justa causa da empregada gestante desde a confirmação da gravidez até cinco meses após o parto. 101 Segundo a ministra, ao prever a estabilidade desde a confirmação da gravidez até cinco meses após o parto, o artigo não faz qualquer ressalva ao natimorto. “Logo, é forçoso concluir que a garantia provisória de emprego prevista no referido dispositivo não está condicionada ao nascimento com vida”. A decisão foi unânime. (RR/CF) Processo: RR-1001880-03.2016.5.02.0023 7ª Observação: Trabalhadora temporária não tem direito à estabilidade de gestante: TESE FIRMADA TST veta estabilidade de temporária que engravida e divide advogados 25 de novembro de 2019, 13h50 Por Rafa Santos Mulher que trabalha em regime temporário não tem direito a estabilidade no emprego mesmo se engravidar durante o contrato O Pleno do Tribunal Superior do Trabalho decidiu que é inaplicável ao regime de trabalho temporário definido nos termos da Lei 6.019/1974 a garantia de estabilidade provisória à empregada gestante. No caso em questão, uma trabalhadora contratada pela empresa DP Locação e Agenciamento de Mão de Obra Ltda., para prestar serviço temporário à Cremer S.A., de Blumenau (SC). 102 A empregada apresentou reclamação trabalhista após ter sido dispensada enquanto estava grávida, alegando que teria direito a estabilidade no emprego. O argumento da trabalhadora era que, conforme o previsto no artigo 10, inciso II do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) de 1988, ela teria direitodepreciação das condições de trabalho. Aos poucos, com o aumento da produção industrial em larga escala, foram aparecendo pequenos aglomerados industriais, que reuniam grande número de trabalhadores em péssimas condições de vida; a reunião desses trabalhadores descontentes gerou o surgimento de grandes movimentos de protesto, muitas vezes violentos, por melhores condições de vida. Tais protestos paralisavam a produção e causavam grandes transtornos sociais, o que fez com que o Estado, que até então não intervinha nessas relações de trabalho assalariado, passou a discipliná-las, garantindo condições mínimas de dignidade nas fábricas. Assim nasceu o Direito do Trabalho. As causas do nascimento da nossa matéria podem assim ser resumidas: a) causas econômicas: a causa econômica do surgimento do Direito do Trabalho é, como visto, o conjunto de fatores denominados de Revolução Industrial (século XVIII): desenvolvimento tecnológico que gerou produção industrial em larga escala de bens de consumo, em fábricas. b) causas políticas: como causa política do surgimento do Direito do Trabalho temos a transformação do Estado de abstencionista para intervencionista. Como visto, o excesso de oferta de mão-de-obra (desemprego) causada pela invenção das máquinas fez com que o tomador de serviços, proprietário dos meios de produção (patrão), pudesse admitir quem quisesse, nas condições que quisesse, cometendo, pois, abusos e impondo condições desumanas para o trabalho nas fábricas, tais como jornadas de 12, 14, 16 horas diárias de trabalho, salários ínfimos e exploração de trabalho de mulheres e menores. Com a revolta dos trabalhadores manifestada em movimentos grevistas o 8 Estado deixou de ser um Estado liberal, que tudo permitia, pois presumia que as partes, trabalhador e patrão, eram formalmente iguais e podiam livremente negociar o conteúdo do contrato de trabalho, para ser um Estado intervencionista, que reconhecia a desigualdade de forças entre os sujeitos da relação de trabalho assalariado e coibia os abusos cometidos pela parte economicamente soberana (empregador), dando garantias mínimas a parte mais fraca (empregado). c) causas jurídicas: - o exercício do direito de associação e reivindicação por parte dos trabalhadores atingidos pelas péssimas condições de trabalho nas fábricas (excessivas jornadas de trabalho, salários infames, falta de proteção diante de acidentes de trabalho, etc.), que exigiram um Direito que os protegesse é apontado como causa jurídica. d) a idéia de justiça social e o marxismo: motivada pela deterioração das condições de vida dos trabalhadores surgiram doutrinas que influenciaram a criação do Direito do Trabalho: a doutrina social da igreja católica, representada pela Encíclica Rerum Novarum (“coisas novas”) de 1891, até hoje presente em nosso meio, e a doutrina marxista, que pugnou pela união dos trabalhadores e convivência pacífica com os empregadores. 02.6. Fatos Históricos Que Demonstram a Criação e a Evolução do Direito do Trabalho: 02.6.1 - As primeiras leis trabalhistas eram ordinárias: a) Na Inglaterra - Lei de Peel - estabelecia jornada máxima de 12 horas para os menores que trabalhavam nas fábricas – 1802. b) Na França: proibia trabalho de menores de oito anos – 1814. 9 c) Na Alemanha, as leis sociais de Bismark – 1833. d) Na Itália as leis de proteção ao trabalho da mulher e do menor – 1886. 02.6.2 - constitucionalismo social: a partir do término da primeira grande guerra iniciou- se a inclusão de leis trabalhistas nas Constituições de alguns países, o que ficou conhecido como constitucionalismo social, de que são exemplos: a) Constituição do México – 1917. Foi a primeira constituição do mundo a tratar de direitos trabalhistas - seu artigo 123 disciplinava a jornada diária de 8 horas, a jornada máxima noturna de 7 horas, a proibição de trabalho aos menores de 12 anos, descanso semanal, direito a salário mínimo, proteção a maternidade, direito de sindicalização e de greve, etc. b) Constituição de Weimar (Alemanha), 1919. Foi a segunda Constituição a abordar os direitos trabalhistas: previa participação dos trabalhadores nas empresas, criação de um direito unitário do trabalho, sistema de seguros sociais, representação dos trabalhadores nas empresas, liberdade de associação e união para defesa de melhores condições de trabalho, etc. 02.6.3 - o Tratado de Versailles – 1919: criação da OIT - Organização Internacional do Trabalho, para proteger as relações entre empregados e empregadores no plano internacional, expedindo convenções e recomendações nesse sentido. 02.6.4 - a Carta Del Lavoro: documento criado na Itália fascista, de 1927, fundamento dos sistemas corporativistas, que tem como base a intervenção do Estado na ordem econômica, o controle total sobre os entes de direito coletivo do trabalho e, em contrapartida, a dação de direitos aos trabalhadores por força de lei. O corporativismo pode ser expresso na seguinte frase: “tudo dentro do Estado, nada fora do Estado, nada contra o Estado”. A greve é tida como crime. O nosso imposto sindical (exercício de 10 função de tributação, delegada do poder público, por parte dos sindicatos) é apontado como resquício da influência corporativista no nosso Direito. 02.7. Evolução do Direito do Trabalho no Brasil: A formação e o desenvolvimento do Direito do Trabalho no Brasil foram resultado da influência de fatores externos e internos: 02.7.1 - influências externas: a crescente evolução legislativa do Direito do Trabalho em muitos países levou o Brasil a elaborar leis trabalhistas. A criação de leis trabalhistas no Brasil também foi resultado de sua adesão ao Tratado de Versailles e assunção do compromisso de observância de normas laborais mínimas (ingresso na OIT – Organização Internacional do Trabalho). 02.7.2 - influências internas: são apontados como causas do Direito do Trabalho em nosso país os seguintes fatos: o movimento operário organizado por imigrantes com inspirações anarquistas, em fins de 1800 e início de 1900; o surto industrial resultante do fim da primeira guerra mundial, com a elevação do número de fábricas e de operários; e a política trabalhista de Getúlio Vargas (1930). 02.7.3 - principais marcos: a) em nosso meio foram aprovadas leis ordinárias esparsas que tratavam de trabalho de menores (1891), da organização de sindicatos rurais (1903) e urbanos (1907), de férias, etc. 11 b) em 1930 foi criado o Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio, que passou a expedir decretos sobre profissões, trabalho de mulheres (1932), salário mínimo (1936), Justiça do Trabalho (1939); c) por influência do constitucionalismo social, a Constituição Federal brasileira de 1934 tratou pela primeira vez de Direito do Trabalho, garantindo: liberdade sindical, isonomia salarial, salário mínimo, jornada de oito horas de trabalho, proteção do trabalho das mulheres e menores, repouso semanal, férias anuais remuneradas (artigo 121). Observação: A Constituições de 1824 (império) e 1891 (república) não falaram diretamente de Direito do Trabalho: a 1824 limitou-se a abolir as corporações de ofício, criando a liberdade de exercício de ofícios e profissões, não devendo ser esquecido que a essa época ainda existia, como regime geral de trabalho em nosso país, a escravidão, somente abolida em 1888. A Constituição Federal de 1891 somente garantiu liberdade de associação em caráter genérico. d) a Constituição de 1937 de cunho eminentemente corporativista, inspirado na Carta Del Lavoro. Foi criado nessa época o imposto sindical e uma série de outras regras, como forma do Estado intervir e controlar a atividade das entidades de classe (sindicatos) e também o poder normativo da Justiça doa estabilidade. A reclamação foi julgada improcedente nas instâncias inferiores e foi confirmada pela 1ª Turma do TST, antes de ir ao pleno. Tese vencedora e efeito vinculante Ao analisar o caso, o ministro Vieira de Mello Filho, relator do caso, julgou procedente a reclamação da trabalhadora. Segundo o magistrado, o “limite temporal do contrato cede em face do bem jurídico maior assegurado pelo instituto da estabilidade — a vida da criança”. O voto vencedor, no entanto, foi o da ministra Maria Cristina Peduzzi, que divergiu do relator para indeferir a estabilidade. Segundo ela, no contrato de experiência, existe a expectativa legítima por um contrato por prazo indeterminado. “No contrato temporário, ocorre hipótese diversa — não há perspectiva de indeterminação de prazo”, explicou. A decisão tem efeito vinculante, conforme o artigo 947, parágrafo 3º, do Código de Processo Civil, e pode ser aplicada em processos que ainda não transitaram em julgado. Repercussão A decisão do TST gerou opiniões divergentes entre os especialistas ouvidos 103 pela ConJur. Para o advogado trabalhista Livio Enescu, a decisão vai na contramão do modelo social democrata fundado no estado de Direito. “Acho um absurdo não ter direito à estabilidade provisória à empregada gestante no contrato temporário. Ninguém quer ser um empregado temporário, todos anseiam por um contrato por prazo indeterminado com todos os direitos possíveis. Se a trabalhadora aceitou a condição, isso se deu por vulnerabilidade, pois a relação trabalhista é assimétrica. Se no curso do contrato se deu a gravidez, essa deverá dar direito à estabilidade provisória. Para mim prevalece a Constituição Federal contra a dispensa arbitrária ou sem justa causa”, argumenta. A advogada especialista em relações de trabalho e emprego Cristina Buchignani diverge. “Entendo que a garantia provisória de emprego adquirida no curso dos contratos a prazo determinado deve se limitar ao respectivo termo final previamente ajustado, de maneira geral. Nesse sentido, a decisão relativa à inaplicabilidade da garantia provisória de emprego a que faz jus a empregada gestante, nos contratos de trabalho temporário estipulados com fundamento na Lei nº 6019/74, é correta e deveria ser estendida a todos os contratos a termo, na medida em que a correspondente celebração encontra justificativa legal para a prévia determinação do período de vigência, não se justificando entendimento em sentido contrário, que privilegie tão somente o atendimento à “necessidade transitória de pessoal permanente ou à demanda complementar de serviço” inerentes ao trabalho temporário.” O especialista em Direito do Trabalho Ricardo Calcini também acredita que a decisão do TST foi positiva. “A essência do trabalho temporário sempre foi contrária ao dos contratos nos termos da CLT. Esse tipo de contratação sempre foi condicionada a condições excepcionais hoje descritas na lei”, explica. 104 “O que o TST decidiu [semana passada] está em conformidade com a própria origem desse tipo de instituto. Por isso, mesmo que você tenha qualquer tipo de estabilidade por parte do empregado, ela não se aplica a esse tipo de contratação. Não se pode simplesmente converter o contrato temporário em um normal a partir de uma necessidade específica de um trabalhador”, diz. A advogada trabalhista Mariana Machado também diz acreditar ser importante distinguir o contrato de experiência da firmado na modalidade temporária. “No primeiro, você tem uma real expectativa de continuidade do trabalho. Já no contrato temporário a expectativa é terminar no prazo determinado”, diz. “É importante também levar em conta o caráter de impessoalidade da contratação temporária. Se o objeto da empresa prestadora de serviço é contratar pessoas por prazo, como garantir que uma pessoa fique esse tempo todo vinculado a ela?”, questiona. Por fim, a advogada Carolina Sautchuk P. Paiva diz acreditar que a decisão do TST foi equivocada. "A estabilidade da gestante está determinada em nossa Constituição Federal no artigo 10, I do ADCT, sendo que não há qualquer menção à espécie de contrato de trabalho. O TST, com esta decisão, está ferindo o princípio de separação de poderes, uma vez que a própria Constituição traz que tal questão deveria ser discutida em sede de lei complementar, o que não ocorreu até o momento", argumenta. Ela também pondera que o "contrato temporário já é por si precário e que a decisão do TST precariza ainda mais direito das mulheres no mundo do trabalho". 5639-31.2013.5.12.0051 105 7.1.8.9. Convenção Internacional da OIT – Organização Internacional do Trabalho ratificada pelo Brasil: -o Brasil ratificou a Convenção Internacional nº 103 da Organização Internacional do Trabalho que trata do amparo à maternidade. 7.1.8.10. Adoção ou Guarda Judicial: De acordo com o artigo 392-A, da Consolidação das Leis do Trabalho, com a nova redação dada pela Lei nº 12.873/2013, é direito da trabalhadora ao salário maternidade em caso de adoção ou guarda judicial de criança ou de adolescente. O parágrafo 5º do citado artigo, também dado pela Lei nº 12.873/2013, preconiza que a adoção ou guarda judicial ensejará a concessão de licença maternidade a apenas um dos adotantes ou guardiães, empregado ou empregada. O artigo 392-B da Consolidação das Leis do Trabalho, com redação também dada pela Lei nº 12.873/2013, preleciona que em caso de morte da genitora, é assegurado ao cônjuge ou companheiro empregado o gozo de licença por todo o período da licença- maternidade ou pelo tempo restante a que teria direito a mãe, exceto no caso de falecimento do filho ou de seu abandono. Por fim, o artigo 392-C da Consolidação das Leis do Trabalho, com redação também dada pela Lei nº 12.873/2013, prevê que aplica-se, no que couber, o disposto no artigo 392- A ao empregado que adotar ou obtiver guarda judicial para fins de adoção. Observação: A Lei Complementar, como já dito anteriormente, nº 146 de 25/06/2014 dispõe o seguinte: 106 Art. 1º - O direito prescrito na alínea “b”, do inciso II, do art. 10 do ADCT – Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, nos casos em que ocorrer o falecimento da genitora, será assegurado a quem detiver a guarda do seu filho. 7.1.8.11. Exigência de Atestado de Gravidez ou Esterilização: Além de ato discriminatório que enseja multa administrativa é crime punido com detenção de 1 a 2 anos, de acordo com a Lei nº 9.029/95. Havendo dispensa por tais motivos há direito de reintegração no emprego com os salários do período de afastamento, ou indenização em dobro. 7.1.8.12. Proibição de trabalho extenuante: É proibido o emprego de força muscular pela mulher superior a 20 quilos para trabalhos contínuos e 25 quilos para trabalhos ocasionais (artigo 390, caput, da Consolidação das Leis do Trabalho). 7.1.9. Nova legislação protetiva da advogada gestante. Veja-se o conteúdo da Lei nº 13.363 de 25/11/2016: LEI Nº 13.363, DE 25 DE NOVEMBRO DE 2016. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Art. 1o - Esta Lei altera a Lei no 8.906, de 4 de julho de 1994, e a Lei no 13.105, de 16 de março de 2015 (Código de Processo Civil), para estipular 107 direitos e garantias para a advogada gestante, lactante, adotante ou que der à luz e para o advogado que se tornar pai. Art. 2o - A Lei no 8.906, de 4 de julho de 1994, passa a vigorar acrescida do seguinte art. 7o -A: “Art. 7o-A. São direitos da advogada: I - gestante: a) entrada em tribunais sem ser submetida a detectores de metais e aparelhos de raios X; b) reserva de vaga em garagens dos fóruns dos tribunais; II - lactante, adotante ou queder à luz, acesso a creche, onde houver, ou a local adequado ao atendimento das necessidades do bebê; III - gestante, lactante, adotante ou que der à luz, preferência na ordem das sustentações orais e das audiências a serem realizadas a cada dia, mediante comprovação de sua condição; IV - adotante ou que der à luz, suspensão de prazos processuais quando for a única patrona da causa, desde que haja notificação por escrito ao cliente. § 1o Os direitos previstos à advogada gestante ou lactante aplicam-se enquanto perdurar, respectivamente, o estado gravídico ou o período de amamentação. § 2o Os direitos assegurados nos incisos II e III deste artigo à advogada adotante ou que der à luz serão concedidos pelo prazo previsto no art. 392 do Decreto-Lei no 5.452, de 1o de maio de 1943 (Consolidação das Leis do Trabalho). 108 § 3o - O direito assegurado no inciso IV deste artigo à advogada adotante ou que der à luz será concedido pelo prazo previsto no § 6o do art. 313 da Lei no 13.105, de 16 de março de 2015 (Código de Processo Civil).” Art. 3o - O art. 313 da Lei no 13.105, de 16 de março de 2015 (Código de Processo Civil), passa a vigorar com as seguintes alterações: “Art. 313. ................................................................. ......................................................................................... IX - pelo parto ou pela concessão de adoção, quando a advogada responsável pelo processo constituir a única patrona da causa; X - quando o advogado responsável pelo processo constituir o único patrono da causa e tornar-se pai. ........................................................................................ § 6o No caso do inciso IX, o período de suspensão será de 30 (trinta) dias, contado a partir da data do parto ou da concessão da adoção, mediante apresentação de certidão de nascimento ou documento similar que comprove a realização do parto, ou de termo judicial que tenha concedido a adoção, desde que haja notificação ao cliente. § 7o No caso do inciso X, o período de suspensão será de 8 (oito) dias, contado a partir da data do parto ou da concessão da adoção, mediante apresentação de certidão de nascimento ou documento similar que comprove a realização do parto, ou de termo judicial que tenha concedido a adoção, desde que haja notificação ao cliente.” (NR) Art. 4o - Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. Brasília, 25 de novembro de 2016; 195o da Independência e 128o da República. 109 8. Empregador 8.1.1. Conceito: Preleciona o artigo 2º, caput, da Consolidação das Leis do Trabalho que se considera empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviços. 8.1.2. Equiparados a empregadores: Por força do artigo 2º, parágrafo 1º, da Consolidação das Leis do Trabalho, estão equiparados ao empregador, para os efeitos exclusivos da relação de emprego, os profissionais liberais, as instituições de beneficência, as associações sem fins lucrativos, que admitirem trabalhadores como empregados. 8.1.3. Tipos de empregadores: a) empregadores urbanos: o conceito do empregador urbano é aquele previsto no artigo 2º, caput, da Consolidação das Leis do Trabalho. Considera-se empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviços. b) empregadores rurais: nos termos do artigo 3º da Lei nº 5.889/73 empregador rural é a pessoa física ou jurídica, proprietária ou não, que explore atividade agroeconômica, em caráter permanente ou temporário, diretamente ou através de prepostos e com auxílio de empregados. 110 c) empregadores domésticos: preconiza o artigo 3º, inciso II, do Decreto nº 71.885/73 que regulamentou a Lei nº 5.859/72 preleciona que empregador doméstico a pessoa ou família que admita a seu serviço empregado doméstico. d) empregadores públicos: empregador público é o ente público que admite empregado público, espécie do gênero servidor público, por meio do regime jurídico celetista. Importante mencionar que é o Poder Legislativo de cada ente federativo que escolhe qual o regime de ingresso dos servidores públicos (por meio de estatuto ou por meio da Consolidação das Leis do Trabalho), via aprovação de lei formal. Os empregadores públicos devem observar os direitos trabalhistas previstos na Consolidação das Leis do Trabalho. Contudo, os entes públicos da administração direta, autárquica ou fundacional não estão obrigados a cumprir quaisquer direitos previstos em convenção coletiva de trabalho, acordo coletivo de trabalho ou dissídio coletivo de natureza econômica, ante os princípios da legalidade e orçamentário. 8.1.4. Responsabilidade do sócio e do administrador: Em regra, quem arca com as dívidas do empreendimento é a pessoa jurídica. Contudo, quando o patrimônio existente não é suficiente para o pagamento das dívidas é possível descobrir o manto da pessoa jurídica para atingir o patrimônio da pessoa física do sócio ou administrador. É o que a doutrina chama de desconsideração da pessoa jurídica ou despersonalização da pessoa jurídica. 111 A hipótese em questão está prevista no artigo 135, inciso VII do Código Tributário Nacional, no artigo 28 do Código de Defesa do Consumidor e, mais recentemente, foi inserida no Código Civil, no artigo 50. 8.1.5. Grupo econômico. Responsabilidade solidária. Empregador único. Considerações sobre a Súmula 129 do Tribunal Superior do Trabalho: Dispõe o artigo 2º, parágrafo 2º da Consolidação das Leis do Trabalho: Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas. Sobre esse dispositivo legal Amauri Mascaro Nascimento nos traz seu conceito acerca de grupo econômico como uma forma de concentração econômica entre empresas que mantém a personalidade jurídica, mas, não obstante, se unem mediante direção econômica unitária para cooperação empresarial numa estratégia de expansão. Na responsabilidade solidária é possível ao credor cobrar a dívida em relação a qualquer empresa do grupo econômico. Ou seja, pode o credor buscar a satisfação do seu direito de qualquer uma das empresas que compõe o grupo econômico, sem qualquer benefício de ordem em relação a elas. 112 Acerca do grupo de empresas ser ou não considerado como empregador único, Amauri Mascaro Nascimento aponta duas teorias na doutrina, a saber: a teoria da solidariedade passiva e a teoria da solidariedade ativa. Ensina-nos o renomado doutrinador que solidariedade passiva nega a condição de empregador único sendo que haveria apenas mera responsabilidade comum entre empresas e nada mais. De outra parte, a solidariedade ativa sustenta a tese do empregador único, ainda que prestem serviços para todas ou para algumas empresas do grupo econômico. Amauri Mascaro Nascimento sustenta a tese no sentido de que o grupo de empresas, nos termos da lei, não é empregador único, na medida em que cada empresa possui personalidade jurídica própria. Contudo, o ilustre doutrinador faz menção ao contido na Súmula 129 do Tribunal Superior do Trabalho, in verbis: Súmula 129 – CONTRATO DE TRABALHO – GRUPO ECONÔMICO. A prestação de serviços a mais de uma empresa do mesmo grupo econômico, durante a mesma jornada de trabalho, não caracteriza a coexistência de mais de um contrato detrabalho, salvo ajuste em contrário. Na prática sabemos que nenhum empregador pactua com o empregado admitido vários contratos de trabalho simultâneos. Vale dizer: a nosso ver prevalece a tese no sentido de que, em regra, o grupo econômico caracteriza-se como empregador único. 113 Por outro lado importa salientar que eventual responsabilidade das demais empresas do grupo econômico não mais necessita de que essas estejam no pólo passivo da ação trabalhista e sejam condenadas solidariamente nos termos do artigo 2º, parágrafo 2º, da Consolidação das Leis do Trabalho. Isto porque o Tribunal Superior do Trabalho houve por bem cancelar a Súmula 205 que exigia a inclusão das empresas do grupo econômico no pólo passivo da ação trabalhista para que pudessem responder solidariamente o que, a nosso ver, não fazia mesmo o menor sentido. Com efeito, já dissemos que os sócios ou administradores podem responder por dívidas trabalhistas de suas empresas, sem que constem no pólo passivo do feito. Por que, então, haveria necessidade de constar outras empresas do grupo econômico no pólo passivo para que pudessem ser responsabilizadas? 8.1.5.1. Conceito de grupo econômico para efeitos trabalhistas: É a reunião de várias empresas que obedecem a uma unidade de comando. O grupo de empresas deve ter natureza econômica (industrial, comercial ou rural). Pode ser: a) grupo de fato: não existe formalmente constituído, mas comporta-se como grupo. b) grupo de direito: é o que está legalmente constituído, mediante convenção, obedecendo a lei de sociedades anônimas (artigo 265 da Lei nº 6.404/76). c) também o Código Civil (artigo 1097) dispõe sobre sociedades coligadas, assim considerando aquelas que, em suas relações de capital, são controladas, filiadas ou de simples participação, assim conceituadas: 114 c1) sociedade controlada: (artigo 1098 do Código Civil) é a sociedade de cujo capital outra sociedade possua a maioria dos votos nas deliberações dos quotistas ou da assembléia geral e o poder de eleger a maioria dos administradores, ou se sociedade por ações, aquela cujas ações sejam por outra, a controladora, controladas. c2) sociedade filiada: (artigo 1099 do Código Civil) é a sociedade de cujo capital outra sociedade participe em 10% (dez por cento) ou mais, do capital da outra, sem controlá- la. c3) sociedade de simples participação: (artigo 1100 do Código Civil) é a sociedade de cujo capital outra sociedade possua menos de 10% (dez por cento) de capital com direito a voto. Observação: em Direito do Trabalho a definição não deve ser rígida, como em direito comercial. Deve abranger todos os tipos de grupo econômico, por coordenação ou por subordinação, controle entre pessoas jurídicas ou através de pessoas físicas. Reforma Trabalhista: Ao artigo 2º, da CLT, foi acrescentado o parágrafo 3º, que trata de grupo econômico, in verbis: § 3o Não caracteriza grupo econômico a mera identidade de sócios, sendo necessárias, para a configuração do grupo, a demonstração do interesse integrado, a efetiva comunhão de interesses e a atuação conjunta das empresas dele integrantes. 115 A nosso ver o dispositivo legal supramencionado permite que a jurisprudência interprete a norma utilizando-se especialmente de equidade, com o fim de reconhecer a existência de grupo econômico sem o rigor pretendido pelo legislador. Lei da Declaração de Direitos de Liberdade Econômica Com o advento da Lei nº 13.874/2019 de 20/09/2019 foi aprovado o artigo 49-A, a nova redação ao artigo 50 e aprovado o parágrafo 7º do artigo 980-A, do Código Civil, cujo conteúdo é o seguinte: Art. 49-A. A pessoa jurídica não se confunde com os seus sócios, associados, instituidores ou administradores. Parágrafo único. A autonomia patrimonial das pessoas jurídicas é um instrumento lícito de alocação e segregação de riscos, estabelecido pela lei com a finalidade de estimular empreendimentos, para a geração de empregos, tributo, renda e inovação em benefício de todos.” “Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade ou pela confusão patrimonial, pode o juiz, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, desconsiderá-la para que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares de administradores ou de sócios da pessoa jurídica beneficiados direta ou indiretamente pelo abuso. § 1º Para os fins do disposto neste artigo, desvio de finalidade é a utilização da pessoa jurídica com o propósito de lesar credores e para a prática de atos ilícitos de qualquer natureza. 116 § 2º Entende-se por confusão patrimonial a ausência de separação de fato entre os patrimônios, caracterizada por: I - cumprimento repetitivo pela sociedade de obrigações do sócio ou do administrador ou vice-versa; II - transferência de ativos ou de passivos sem efetivas contraprestações, exceto os de valor proporcionalmente insignificante; e III - outros atos de descumprimento da autonomia patrimonial. § 3º O disposto no caput e nos §§ 1º e 2º deste artigo também se aplica à extensão das obrigações de sócios ou de administradores à pessoa jurídica. § 4º A mera existência de grupo econômico sem a presença dos requisitos de que trata o caput deste artigo não autoriza a desconsideração da personalidade da pessoa jurídica. § 5º Não constitui desvio de finalidade a mera expansão ou a alteração da finalidade original da atividade econômica específica da pessoa jurídica. Art. 980-A. ............................................................................................................... ................................................................................................................ .................... § 7º Somente o patrimônio social da empresa responderá pelas dívidas da empresa individual de responsabilidade limitada, hipótese em que não se confundirá, em qualquer situação, com o patrimônio do titular que a constitui, ressalvados os casos de fraude. 117 8.1.6. Sucessão de empregadores: Délio Maranhão lembra que é preciso deixar fora de dúvida é que a sucessão, no Direito do Trabalho, como no direito comum, supõe uma substituição de sujeitos de uma relação jurídica, e que, não sendo a empresa ou o estabelecimento sujeitos de direito, não há falar em sucessão de empresas, mas de empregadores. Alie-se a isso o fato de que os direitos dos trabalhadores não podem ser afetados por mudanças na estrutura jurídica da empresa. Nesse sentido, dispõem os artigos 10 e 448 da Consolidação das Leis do Trabalho: Artigo 10 – Qualquer alteração na estrutura jurídica da empresa não afetará os direitos adquiridos por seus empregados. Artigo 448 – A mudança na propriedade ou na estrutura jurídica da empresa não afetará os contratos de trabalho dos respectivos empregados. Nessa esteira de raciocínio Délio Maranhão sustenta que são necessários dois requisitos para caracterização da sucessão de empregadores, a saber: a) que um estabelecimento, como unidade econômico-jurídica, passe de um para outro titular; b) que a prestação de serviço pelos empregadores não sofra solução de continuidade. 118 Esclarece o excelente jurista que o arrendamento também se caracteriza como sucessão de empregadores. Nem sempre a passagem de um estabelecimento de um para outro titular implica em extinção do cedente. Exemplo disso é o das empresas de ônibus da Capital de São Paulo, cujos trabalhadores passaram de um dia para o outro a trabalhar para a nova empresa que obteve a concessão da linha de ônibus, embora, não raro, a sucessora negue essa condição em Juízo.Reforma Trabalhista: O artigo 448-A, da CLT, foi inserido pela Lei nº 13.467/2017 e contempla o seguinte teor: Art. 448-A. Caracterizada a sucessão empresarial ou de empregadores prevista nos arts. 10 e 448 desta Consolidação, as obrigações trabalhistas, inclusive as contraídas à época em que os empregados trabalhavam para a empresa sucedida, são de responsabilidade do sucessor. Parágrafo único. A empresa sucedida responderá solidariamente com a sucessora quando ficar comprovada fraude na transferência. O caput do dispositivo legal acima nos parece que destituído de mudança significativa, na medida em que, por óbvio, é o sucessor quem responde pelas obrigações do sucedido. Por outro lado, o contido no parágrafo único nos traz grande preocupação, na medida em que, a nosso ver, a sucessão empresarial não é reconhecida apenas e tão somente 119 no caso de fraude na transferência de uma unidade econômica de um titular para o outro. 8.1.6.1. Casos especiais de sucessão: a) alienação de um estabelecimento: a doutrina e a jurisprudência admitem sucessão, mesmo quando há a alienação de apenas um dos estabelecimentos da empresa (filial, agência, etc.). b) concessão de serviço público: também na hipótese de concessão de serviços públicos, admite-se, em algumas hipóteses, a sucessão, mesmo não tendo o sucessor recebido o negócio diretamente do sucedido (recebe-o do Estado). Fundamento: o instituto da sucessão de empresas funda-se no princípio da continuidade do contrato de emprego. O empregador é a empresa e não seus titulares, o que significa que a vinculação jurídica do empregado é com a empresa e não como seus proprietários. c) cartórios extrajudiciais – a questão é polêmica na jurisprudência, mas entendemos que a aprovação num concurso público de provas ou de provas e títulos para titular de cartório não pode induzir à conclusão de que “um negócio” estaria sendo transferido de um titular para outro. Portanto, sustentamos a inexistência de sucessão empresarial, embora a jurisprudência majoritária do TST seja em sentido contrário. d) contrato de arrendamento – embora não se trate de contrato de venda e compra e sim de arrendamento pode sim ficar configurada a sucessão empresarial, especialmente se o referido contrato foi utilizado para mascarar eventual venda e compra. 120 8.1.7. Consórcio de empregadores rurais. Possibilidade de utilização de consórcio de empregadores na área urbana: Durante um bom período houve no meio rural contratação fraudulenta de trabalhadores rurais por intermédio de falsas cooperativas de trabalho. A alegação do empresariado rural era que não havia trabalho para o empregado durante todo o ano civil, ante a sazonalidade das culturas no meio rural. Parece-nos frágil tal alegação, eis que podem os empregadores rurais contratar trabalhadores por meio de contrato de safra (contrato a termo) nos termos do artigo 14 da Lei nº 5.889/73. Contudo, necessária se faz a busca incansável pela pacificação das relações capital/trabalho quer na área rural, quer na área urbana. Nessa esteira de raciocínio, com o intuito de diminuir sensivelmente as citadas fraudes o Ministério do Trabalho e Emprego houve por bem aprovar uma Portaria Ministerial criando o que se denomina de Consórcio de Empregadores Rurais. 8.1.8. Consórcio de Empresas: Conceito - De Plácido e Silva conceitua consórcio como a associação de interesse promovida por várias empresas, que juridicamente se conservam independentes. 121 Sustenta o doutrinador consórcio de empresas é uma das muitas modalidades de cooperação econômica, em virtude da qual as empresas associadas regulam entre si a maneira de executar as suas operações, alienando, por ela, parte de sua autonomia econômica, pois que ficam, neste particular, sob a dependência da direção do consórcio. Segundo o doutrinador consórcio de empresas não se confunde com: a) truste – pois neste não há perda de autonomia econômica. b) cartel – ante o seu caráter de monopólio, característica esta não existente no consórcio. Embora tenha o consórcio de empresas que se utilizar de matrícula CNPJ este não detém personalidade jurídica. 8.1.9. Poder diretivo do empregador: Natureza Jurídica: segundo Amauri Mascaro Nascimento há mais de uma explicação para a natureza jurídica do poder diretivo do empregador, a saber: a) direito potestativo do empregador – significando que contra o seu exercício nada se poderá opor, com em todo direito potestativo. Este é o direito que é exercitado por alguém sem possibilidade de objeção por parte daqueles que são alcançados. b) direito-função – uma vez que aumenta gradativamente a participação dos trabalhadores nas decisões da empresa, limitando-se assim a amplitude do poder patronal de direção, a ponto de se transformar em conjunto de deveres do empregador para com seus empregados. Direito-função é a imposição do exercício de uma função pela norma jurídica a alguém, com o que o titular do direito passa a ter obrigações. 122 Do poder diretivo decorre: a) poder de organização – direito do empregador de organizar a atividade empresarial no tocante ao capital e ao trabalho. b) poder de controle – direito do empregador de fiscalizar as atividades profissionais dos seus empregados. Ex: monitoramento por meio de câmeras de vídeo, monitoramento por meio de gravações, monitoramento do e-mail corporativo, revista não vexatória, organização (e não controle) da ida de empregados ao banheiro, controle do uso de telefone celular pessoal. c) poder disciplinar – direito do empregador de impor sanções disciplinares aos seus empregados. 123 9. TERCEIRIZAÇÃO 9.1. Histórico – por Rubens Ferreira de Castro A terceirização encontra sua origem na II Guerra Mundial, quando os Estados Unidos aliaram-se a países europeus para combater as forças nazistas e também o Japão. As indústrias de armamento não conseguiam abastecer o mercado, necessitando suprir o aumento excessivo da demanda e aprimorar o produto e as técnicas de produção. Essa necessidade demonstrou que a concentração da indústria deveria voltar-se para a produção e as atividades de suporte deveriam ser transferidas para terceiros, o que, sem dúvida, gerou um maior número de empregos na época. É certo que anteriormente à II Guerra existiam atividades prestadas por terceiros, porém não poderíamos conceituá-las como terceirização, pois somente a partir deste marco histórico é que temos a terceirização interferindo na sociedade e na economia, autorizando seu estudo pelo Direito Social, valendo lembrar que mesmo este também sofre grande aprimoramento a partir de então. No Brasil a terceirização encontra seus primeiros sinais de existência nos Decretos-Leis nº 1.212 e nº 1.216 de 1966 (que autorizam a prestação de serviços de segurança bancária por empresas interpostas na relação de trabalho); no Decreto nº 62.756 de 1968 (que regulamenta o funcionamento de agências de colocação ou intermediação da mão-de-obra); no Decreto nº 1.034 de 1969 (que determina medidas de segurança para o funcionamento de empresas de segurança bancária). No entanto, encontramos sinais de terceirização no artigo 455 da Consolidação das Leis do Trabalho – ou seja, autorização legal de interposição de empresa na contratação de 124 pessoas -, que data de 1943, pois este dispositivo estabelece a responsabilidade do empreiteiro principal pelas obrigações contraídas e inadimplidas pelo subempreiteiro na contratação de pessoas para execução do contrato de subempreitada. - A Lei nº 6.019/74 que regulamenta o trabalho temporário. - A Lei nº 7.102/83 e Decreto nº 89.056/83 que regulamenta a exploração de serviços de vigilânciae transporte de valores no setor financeiro. - As Leis nº 8.863/94 e nº 9.017/95 – que alteraram a Lei nº 7.102/83 – estendeu a autorização para funcionamento e contratação de serviços de vigilância, incluindo a vigilância patrimonial, de pessoas físicas e transporte de qualquer outro tipo de carga, além da vigilância de valores. - O Decreto-Lei nº 200/67 que trata da terceirização na Administração Pública. - As Súmulas 256 (cancelada) e 331 do Tribunal Superior do Trabalho. 9.2. Conceito: Para Rubens Ferreira de Castro - é termo utilizado para designar uma moderna técnica de administração de empresas que visa ao fomento da competitividade empresarial através da distribuição de atividades acessórias a empresas especializadas nessas atividades, a fim de que possam concentrar-se no planejamento, na organização, no controle, na coordenação e na direção da atividade principal. 125 Para Luiz Carlos Amorim Robortella – é um termo que se incrustou definitivamente ao processo econômico, indicando a existência de um terceiro que, com competência, especialidade e qualidade, em condições de parceria, presta serviços ou produz bens para a empresa contratante. Para Carlos Alberto Ramos Soares de Queiroz – é uma técnica administrativa que possibilita o estabelecimento de um processo gerenciado de transferência, a terceiros, das atividades acessórias e de apoio ao escopo das empresas que é a sua atividade-fim, permitindo a esta concentrar-se no seu negócio, ou seja, no objetivo final. Para Mozart Victor Russomano – é o fornecimento de mão-de-obra por empresas especializadas, para atendimento de determinados setores da empresa tomadora. Para Sérgio Pinto Martins – é a possibilidade de contratar terceiro para a realização de atividades que não constituem o objeto principal da empresa. Para Livio Giosa – é um processo de gestão pelo qual se repassam algumas atividades para terceiros, com os quais se estabelece uma relação de parceria, ficando a empresa concentrada apenas em tarefas essencialmente ligadas ao negócio em que atua. Observação: todos os conceitos doutrinários acima estão voltados apenas e tão somente para a terceirização da atividade-meio do empreendimento, conceitos esses que não levam em consideração a possibilidade de terceirização da atividade-fim do empreendimento como disposto na Lei nº 13.467/2017 (reforma trabalhista) e nem o julgamento conjunto da ADPF 324 e do RE 958.252 pelo STF. 126 9.3. Nova Técnica de Administração ou Mera Redução de Custos. Os doutrinadores divergem sobre os efeitos da terceirização. Alguns acham que a terceirização traz consigo a redução de custos, a eliminação de postos de trabalho, manutenção de reduzido quadro de empregados, economia com contratação e treinamento, com encargos sociais, etc. Os doutrinadores que divergem dessa teoria sob o argumento de que a empresa prestadora dos serviços também terá tais encargos e os repassará ao custo final do serviço. A outra corrente sustenta tratar-se de um avanço das técnicas de administração possibilitando que: -um maior número de empresas em funcionamento, com evidente distribuição de capital para um maior número de pessoas; -redução de procedimentos administrativos internos, com equivalente redução de custos indiretos; -melhora da qualidade dos serviços, decorrente da especialização, com efetiva redução do custo do produto final; -simplificação da organização, com direcionamento dos recursos humanos e materiais para o aperfeiçoamento da atividade principal, quer produtos, quer serviços. 127 9.4. Natureza Jurídica: É contratual, consistindo no acordo de vontade celebrado entre duas empresas, de um lado a contratante, denominada tomadora, e de outro lado a contratada, denominada prestadora, pelo qual uma prestará serviços especializados de forma continuada à outra, em caráter de parceria. A jurisprudência trabalhista admitia TRÊS possibilidades de terceirização lícita: 1. Serviço de vigilância - Lei 7.102/83: é necessário diferenciar vigilante de vigia. Vigilante é profissional de categoria profissional diferenciada (especializada que pode ser terceirizada). Vigia é o mais simples, semiespecializado. 2. Serviço de Limpeza; 3. Terceirização de atividades meio: atividade fim seria aquela relacionada ao objeto social da empresa; atividades meio seriam aquelas de apoio, importantes, porém não essenciais. Portanto, há menção a outro requisito para configuração da terceirização lícita: “desde que inexistente pessoalidade e subordinação direta”. Esse requisito vale para as três hipóteses supramencionadas. 9.4.1 Mudança Legislativa: 128 Com o advento da reforma trabalhista (Lei 13.467/2017), esse item deve ser alterado. Com o advento da Lei 13.429/2017 (que alterou artigos da Lei 6.019/1974, que versava sobre o trabalho temporário), houve certa dúvida em relação à possibilidade (ou não) de terceirização da atividade fim da empresa. Essa dúvida foi sanada com o advento da reforma trabalhista, que prevê expressamente a possibilidade de terceirização de atividade fim da empresa, com a inserção do art. 4º-A na Lei 6.019/1974: Art. 4º - A. Considera-se prestação de serviços a terceiros a transferência feita pela contratante da execução de quaisquer de suas atividades, inclusive sua atividade principal, à pessoa jurídica de direito privado prestadora de serviços que possua capacidade econômica compatível com a sua execução. Importante observar, que os requisitos da ausência de pessoalidade e de subordinação ainda permanecem como essenciais à terceirização lícita. Do contrário haverá terceirização fraudulenta, sendo caracterizado o vínculo de emprego entre o trabalhador terceirizado e a empresa tomadora dos serviços, com a responsabilidade solidária entre as empresas. Com a inovação quanto à terceirização, é necessário que as empresas tomadoras de serviços adotem critérios na contratação da empresa prestadora de serviços, acompanhando inclusive a evolução do vínculo laboral daqueles empregados envolvidos na prestação de serviços, com a devida observância aos direitos trabalhistas, para enfim, evitar aborrecimentos futuros, pois a empresas tomadoras repassam às empresas prestadoras de serviços os valores relativos aos salários, benefícios, encargos sociais, 1/12 avos de férias acrescidos do terço constitucional, 13 salários etc, e muitos acabam não sendo repassados aos seus empregados, causando por consequência ações trabalhistas e previdenciárias, as quais as tomadoras de serviços acabam sendo condenadas subsidiariamente com as empresas contratantes dos serviços terceirizados 129 a pagarem novamente todas as verbas que já haviam sido repassadas às empresas terceirizadas durante o contrato, exemplo clássico os condomínios. É fundamental que a empresa tomadora adote critérios rigorosos para escolha das empresas terceirizadas, exigindo a apresentação de “dossiê” contendo diversos documentos e certidões negativas, buscando referências da mesma perante outros tomadores de serviços. 9.4.2 Possibilidade de Quarterização A nova legislação prevê a Quarteirização. A empresa prestadora de serviços a terceiros pode transferir uma atividade a outra empresa denominada quarteirizada. Antes da Lei 13.429/2017, pairava na doutrina certa discussão sobre a possibilidade ou não da quarteirização, no entanto, após 2017, essa dúvida foi sanada pela inserção do art. 4º-A §1º na Lei 6019/1974 (acrescentado pela Lei 13.429/2017). Já para Pedro Henrique Abreu Benatto,1 “pois pouco importa quem irá realizar o serviço, mas sim o que importa é o serviço propriamente dito” 9.5. Limitação à Prestação de Serviços: A terceirização limita-seapenas e tão-somente à prestação dos serviços, excluída a possibilidade de se terceirizar a produção de bens. 1 BENATTO, Pedro Henrique Abreu. Direito do Trabalho aplicado – 2. Ed. – São Paulo: Editora Ridieel, 2023, pg. 77 130 O mesmo ocorre em relação às atividades contidas na Súmula 331 do Tribunal Superior do Trabalho. Exemplo é o serviço de cujas atividades são de digitalização de documentos, muito utilizado por parte dos bancos. 9.6. Súmula 331 do Tribunal Superior do Trabalho: Dispõe a Súmula 331 do Tribunal Superior do Trabalho: CONTRATAÇÃO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS – LEGALIDADE – INCISO IV ALTERADO PELA RESOLUÇÃO 96/2000, DJ 18.9.2000. I – A contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, formando-se o vínculo diretamente com o tomador dos serviços, salvo no caso de trabalho temporário (Lei nº 6.019, de 3.1.1974). II – A contratação irregular de trabalhador, mediante empresa interposta, não gera vínculo de emprego com os órgãos da administração pública direta, indireta ou fundacional (art. 37, II, da CF/88). III – Não forma vínculo de emprego com o tomador a contratação de serviços de vigilância (Lei nº 7.102, de 20.6.1983) e de conservação e limpeza, bem como a de serviços especializados ligados à atividade-meio do tomador, desde que inexistente a pessoalidade e a subordinação direta. IV – O inadimplemento das obrigações trabalhistas, por parte do empregador, implica a responsabilidade subsidiária do tomador dos 131 serviços, quanto àquelas obrigações, desde que hajam participado da relação processual e constem também do título executivo judicial. V – Os entes integrantes da administração pública direta e indireta respondem subsidiariamente, nas mesmas condições do item IV, caso evidenciada a sua conduta culposa no cumprimento das obrigações da Lei n. 8.666/93, especialmente na fiscalização do cumprimento das obrigações contratuais e legais da prestadora de serviço como empregadora. A aludida responsabilidade não decorre de mero inadimplemento das obrigações trabalhistas assumidas pela empresa regularmente contratada. VI – A responsabilidade subsidiária do tomador de serviços abrange todas as verbas decorrentes da condenação referentes ao período da prestação laboral. 9.7. Jurisprudência da empresa SPTRANS: Orientação Jurisprudencial Transitória nº 66 da SDI-I do TST – Seção de Dissídios Individuais I Transitórias do Tribunal Superior do Trabalho dispõe que: A atividade da SPTRANS de gerenciamento e fiscalização dos serviços prestados pelas concessionárias de transporte público, atividade descentralizada da Administração Pública, não se confunde com a terceirização de mão de obra, não se configurando a responsabilidade subsidiária. 9.8. Terceirização na Administração Pública: 132 Nem toda a atividade do serviço público pode ser terceirizada. A Lei nº 5.645/70 já dispunha em seu artigo 3º, parágrafo único, que as atividades relacionadas com transporte, conservação, custódia, operação de elevadores, limpeza e outras assemelhadas, serão de preferência, objeto de execução indireta, mediante contrato. A Lei nº 8.666/93, em seu artigo 6º, inciso II, dispõe que é possível a contratação de serviços pela Administração Pública, definindo-os como toda atividade destinada a obter determinada utilidade de interesse para a Administração, tais como demolição, conserto, instalação, montagem, operação, conservação, reparação, adaptação, manutenção, transporte, locação de bens, publicidade, seguro ou trabalhos técnicos profissionais. Observação: o rol previsto no artigo 6º, inciso II, da Lei nº 8.666/93 é meramente exemplificativo. 9.9. Jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho Sobre o Disposto no Artigo 71, Parágrafo 1º, da Lei nº 8.666/93: No final do ano de 2010 o Supremo Tribunal Federal houve por bem julgar a Ação Declaratória de Constitucionalidade nº 16 tendo considerado que o artigo 71 e seu parágrafo 1º, da Lei nº 8.666/1993 é constitucional. No acórdão a Suprema Corte deixou registrado que o Tribunal Superior do Trabalho deve melhor investigar se o ente público cuidou de fiscalizar o cumprimento do contrato ou não. Se fiscalizou o contrato não há falar-se em responsabilidade subsidiária do ente público. 133 No Recurso Extraordinário nº 760.931 foi firmada a seguinte tese jurídica no Tema 246 de Repercussão Geral: O inadimplemento dos encargos trabalhistas dos empregados do contratado não transfere automaticamente ao Poder Público contratante a responsabilidade pelo seu pagamento, seja em caráter solidário ou subsidiário, nos termos do art. 71, § 1º, da Lei nº 8.666/93. Com efeito, em nenhum momento no venerando acórdão da Ação Declaratória de Consrtitucionalidade nº 16 foi feita menção à total irresponsabilidade do ente público no caso de inadimplemento da empresa de terceirização, mas, sim, que, como regra, não se há falar em responsabilidade subsidiária, no caso de constatada a efetiva comprovação da fiscalização do contrato por esse mesmo ente público, o que não é o caso dos autos. Isto porque existente a responsabilidade in vigilando do contrato de terceirização por parte do ente público tomador dos serviços terceirizados no caso de sua total omissão em acompanhar a execução do contrato, pelo que deve ser responsabilizado subsidiariamente, como previsto na Súmula 331 do C. TST Assim, pensamos que, após essa decisão do Supremo Tribunal Federal, devam os juízes e Tribunais do Trabalho fixar o ônus da prova para o ente público no tocante à fiscalização do contrato. Se não provado que o ente público fiscalizou o contrato deve ser responsabilizado na forma subsidiária. 9.10. Decisão da SDI-I do TST sobre ônus da prova no caso da necessidade de fiscalização do contrato de terceirização com ente público. 134 Administração pública deve provar que fiscalizou contrato de terceirização 12 de dezembro de 2019, 12h49 Por Tadeu Rover Cabe ao ente público provar que houve fiscalização de contrato de terceirização. Não comprovando, o ente público será responsável subsidiariamente pelas verbas trabalhistas não cumpridas. A decisão, por maioria, é da Subseção 1 Especializada em Dissídios Individuais (SDI-1) do Tribunal Superior do Trabalho. Segundo o colegiado, embora não haja a responsabilidade automática da administração pública, em casos de inadimplência de empresas terceirizadas no pagamento de verbas trabalhistas, caberá à administração comprovar que houve fiscalização do cumprimento dessas obrigações. Prevaleceu no julgamento o voto do relator, ministro Cláudio Brandão. O professor de Direito do Trabalho Ricardo Calcini destaca que a decisão é importante, uma vez que o Supremo Tribunal Federal, ao decidir sobre a terceirização na administração pública, não definiu nada a respeito do tema prova e quanto a quem pertence o ônus de provar. "O ônus de prova, no caso, pela fiscalização e detecção de irregularidades cometidas pela empresa terceirizada, apta a configurar a culpa 'in vigilando', é da própria tomadora dos serviços (Administração Pública), por força da aplicação do princípio da aptidão do ônus da prova que, atualmente, está positivado tanto no Novo CPC de 2015 (artigo 373, §1º), quanto na Lei da Reforma Trabalhista (artigo 818, 1º)", explica Calcini. Até então, afirma o professor, milhares de processos estavam sendo julgados em desfavor dos trabalhadores com a imputação do ônus de prova contra o empregado terceirizado. "Doravante, com a decisão da SDI-1 do TST, que uniformiza a jurisprudência trabalhista no âmbito da própria Corte e que serve de paradigma para todos os demais Tribunais Regionais do 135 Trabalho, compete à AdministraçãoPública a prova da fiscalização do correto adimplemento dos créditos trabalhistas devidos a esses trabalhadores". Para Raquel Bartholo, do Cezar Britto & Advogados Associados, a decisão do TST concretiza os princípios de direito material e processual que regulam a matéria. "Como muito bem ressaltou o Ministro José Roberto Freire Pimenta, a adoção de entendimento diverso implicaria, em verdade, a impossibilidade de responsabilização da administração pública, pois ao empregado a produção de prova negativa (ausência de fiscalização do contrato) seria se não impossível, extremamente difícil". E-RR 925-07.2016.5.05.0281 9.11. Decreto nº 9.507/2018 de 21/09/2018 editado pelo Poder Executivo Federal acerca da terceirização na Administração Pública: Dispõe sobre a execução indireta, mediante contratação, de serviços da administração pública federal direta, autárquica e fundacional e das empresas públicas e das sociedades de economia mista controladas pela União. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso das atribuições que lhe confere o art. 84, caput, inciso IV e VI, alínea “a”, da Constituição, e tendo em vista o disposto no § 7º do art. 10 do Decreto-Lei nº 200, de 25 de fevereiro de 1967, e na Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, DECRETA: CAPÍTULO I DISPOSIÇÕES PRELIMINARES Âmbito de aplicação e objeto 136 Art. 1º Este Decreto dispõe sobre a execução indireta, mediante contratação, de serviços da administração pública federal direta, autárquica e fundacional e das empresas públicas e das sociedades de economia mista controladas pela União. Art. 2º Ato do Ministro de Estado do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão estabelecerá os serviços que serão preferencialmente objeto de execução indireta mediante contratação. CAPÍTULO II DAS VEDAÇÕES Administração pública federal direta, autárquica e fundacional Art. 3º Não serão objeto de execução indireta na administração pública federal direta, autárquica e fundacional, os serviços: I - que envolvam a tomada de decisão ou posicionamento institucional nas áreas de planejamento, coordenação, supervisão e controle; II - que sejam considerados estratégicos para o órgão ou a entidade, cuja terceirização possa colocar em risco o controle de processos e de conhecimentos e tecnologias; III - que estejam relacionados ao poder de polícia, de regulação, de outorga de serviços públicos e de aplicação de sanção; e IV - que sejam inerentes às categorias funcionais abrangidas pelo plano de cargos do órgão ou da entidade, exceto disposição legal em contrário ou quando se tratar de cargo extinto, total ou parcialmente, no âmbito do quadro geral de pessoal. § 1º Os serviços auxiliares, instrumentais ou acessórios de que tratam os incisos do caput poderão ser executados de forma indireta, vedada a transferência de responsabilidade para a realização de atos administrativos ou a tomada de decisão para o contratado. § 2º Os serviços auxiliares, instrumentais ou acessórios de fiscalização e consentimento relacionados ao exercício do poder de polícia não serão objeto de execução indireta. Empresas públicas e sociedades de economia mista controladas pela União Art. 4º Nas empresas públicas e nas sociedades de economia mista controladas pela União, não serão objeto de execução indireta os serviços 137 que demandem a utilização, pela contratada, de profissionais com atribuições inerentes às dos cargos integrantes de seus Planos de Cargos e Salários, exceto se contrariar os princípios administrativos da eficiência, da economicidade e da razoabilidade, tais como na ocorrência de, ao menos, uma das seguintes hipóteses: I - caráter temporário do serviço; II - incremento temporário do volume de serviços; III - atualização de tecnologia ou especialização de serviço, quando for mais atual e segura, que reduzem o custo ou for menos prejudicial ao meio ambiente; ou IV - impossibilidade de competir no mercado concorrencial em que se insere. § 1º As situações de exceção a que se referem os incisos I e II do caput poderão estar relacionadas às especificidades da localidade ou à necessidade de maior abrangência territorial. § 2º Os empregados da contratada com atribuições semelhantes ou não com as atribuições da contratante atuarão somente no desenvolvimento dos serviços contratados. § 3º Não se aplica a vedação do caput quando se tratar de cargo extinto ou em processo de extinção. § 4º O Conselho de Administração ou órgão equivalente das empresas públicas e das sociedades de economia mista controladas pela União estabelecerá o conjunto de atividades que serão passíveis de execução indireta, mediante contratação de serviços. Vedação de caráter geral Art. 5º É vedada a contratação, por órgão ou entidade de que trata o art. 1º, de pessoa jurídica na qual haja administrador ou sócio com poder de direção que tenham relação de parentesco com: I - detentor de cargo em comissão ou função de confiança que atue na área responsável pela demanda ou pela contratação; ou II - autoridade hierarquicamente superior no âmbito de cada órgão ou entidade. CAPÍTULO III DO INSTRUMENTO CONVOCATÓRIO E DO CONTRATO 138 Regras gerais Art. 6º Para a execução indireta de serviços, no âmbito dos órgãos e das entidades de que trata o art. 1º, as contratações deverão ser precedidas de planejamento e o objeto será definido de forma precisa no instrumento convocatório, no projeto básico ou no termo de referência e no contrato como exclusivamente de prestação de serviços. Parágrafo único. Os instrumentos convocatórios e os contratos de que trata o caput poderão prever padrões de aceitabilidade e nível de desempenho para aferição da qualidade esperada na prestação dos serviços, com previsão de adequação de pagamento em decorrência do resultado. Art. 7º É vedada a inclusão de disposições nos instrumentos convocatórios que permitam: I - a indexação de preços por índices gerais, nas hipóteses de alocação de mão de obra; II - a caracterização do objeto como fornecimento de mão de obra; III - a previsão de reembolso de salários pela contratante; e IV - a pessoalidade e a subordinação direta dos empregados da contratada aos gestores da contratante. Disposições contratuais obrigatórias Art. 8º Os contratos de que trata este decreto conterão cláusulas que: I - exijam da contratada declaração de responsabilidade exclusiva sobre a quitação dos encargos trabalhistas e sociais decorrentes do contrato; II - exijam a indicação de preposto da contratada para representá-la na execução do contrato; III - estabeleçam que o pagamento mensal pela contratante ocorrerá após a comprovação do pagamento das obrigações trabalhistas, previdenciárias e para com o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço - FGTS pela contratada relativas aos empregados que tenham participado da execução dos serviços contratados; IV - estabeleçam a possibilidade de rescisão do contrato por ato unilateral e escrito do contratante e a aplicação das penalidades cabíveis, na hipótese de não pagamento dos salários e das verbas trabalhistas, e pelo não recolhimento das contribuições sociais, previdenciárias e para com o FGTS; 139 V - prevejam, com vistas à garantia do cumprimento das obrigações trabalhistas nas contratações de serviços continuados com dedicação exclusiva de mão de obra: a) que os valores destinados ao pagamento de férias, décimo terceiro salário, ausências legais e verbas rescisórias dos empregados da contratada que participarem da execução dos serviços contratados serão efetuados pela contratante à contratada somente na ocorrência do fato gerador; ou b) que os valores destinados ao pagamento das férias, décimo terceiro salário e verbas rescisórias dos empregados da contratada que participarem da execução dos serviços contratadosserão depositados pela contratante em conta vinculada específica, aberta em nome da contratada, e com movimentação autorizada pela contratante; VI - exijam a prestação de garantia, inclusive para pagamento de obrigações de natureza trabalhista, previdenciária e para com o FGTS, em valor correspondente a cinco por cento do valor do contrato, limitada ao equivalente a dois meses do custo da folha de pagamento dos empregados da contratada que venham a participar da execução dos serviços contratados, com prazo de validade de até noventa dias, contado da data de encerramento do contrato; e VII - prevejam a verificação pela contratante, do cumprimento das obrigações trabalhistas, previdenciárias e para com o FGTS, em relação aos empregados da contratada que participarem da execução dos serviços contratados, em especial, quanto: a) ao pagamento de salários, adicionais, horas extras, repouso semanal remunerado e décimo terceiro salário; b) à concessão de férias remuneradas e ao pagamento do respectivo adicional; c) à concessão do auxílio-transporte, auxílio-alimentação e auxílio-saúde, quando for devido; d) aos depósitos do FGTS; e e) ao pagamento de obrigações trabalhistas e previdenciárias dos empregados dispensados até a data da extinção do contrato. § 1º Na hipótese de não ser apresentada a documentação comprobatória do cumprimento das obrigações trabalhistas, previdenciárias e para com o FGTS de que trata o inciso VII do caput deste artigo, a contratante comunicará o fato à contratada e reterá o pagamento da fatura mensal, em valor proporcional ao inadimplemento, até que a situação esteja regularizada. 140 § 2º Na hipótese prevista no § 1º e em não havendo quitação das obrigações por parte da contratada, no prazo de até quinze dias, a contratante poderá efetuar o pagamento das obrigações diretamente aos empregados da contratada que tenham participado da execução dos serviços contratados. § 3º O sindicato representante da categoria do trabalhador deve ser notificado pela contratante para acompanhar o pagamento das verbas referidas nos § 1º e § 2º. § 4º O pagamento das obrigações de que trata o § 2º, caso ocorra, não configura vínculo empregatício ou implica a assunção de responsabilidade por quaisquer obrigações dele decorrentes entre a contratante e os empregados da contratada. Art. 9º Os contratos de prestação de serviços continuados que envolvam disponibilização de pessoal da contratada de forma prolongada ou contínua para consecução do objeto contratual exigirão: I - apresentação pela contratada do quantitativo de empregados vinculados à execução do objeto do contrato de prestação de serviços, a lista de identificação destes empregados e respectivos salários; II - o cumprimento das obrigações estabelecidas em acordo, convenção, dissídio coletivo de trabalho ou equivalentes das categorias abrangidas pelo contrato; e III - a relação de benefícios a serem concedidos pela contratada a seus empregados, que conterá, no mínimo, o auxílio-transporte e o auxílio- alimentação, quando esses forem concedidos pela contratante. Parágrafo único. A administração pública não se vincula às disposições estabelecidas em acordos, dissídios ou convenções coletivas de trabalho que tratem de: I - pagamento de participação dos trabalhadores nos lucros ou nos resultados da empresa contratada; II - matéria não trabalhista, ou que estabeleçam direitos não previstos em lei, tais como valores ou índices obrigatórios de encargos sociais ou previdenciários; e III - preços para os insumos relacionados ao exercício da atividade. Gestão e fiscalização da execução dos contratos Art. 10. A gestão e a fiscalização da execução dos contratos compreendem o conjunto de ações que objetivam: 141 I - aferir o cumprimento dos resultados estabelecidos pela contratada; II - verificar a regularidade das obrigações previdenciárias, fiscais e trabalhistas; e III - prestar apoio à instrução processual e ao encaminhamento da documentação pertinente para a formalização dos procedimentos relativos a repactuação, reajuste, alteração, reequilíbrio, prorrogação, pagamento, aplicação de sanções, extinção dos contratos, entre outras, com vistas a assegurar o cumprimento das cláusulas do contrato a solução de problemas relacionados ao objeto. Art. 11. A gestão e a fiscalização de que trata o art. 10 competem ao gestor da execução dos contratos, auxiliado pela fiscalização técnica, administrativa, setorial e pelo público usuário e, se necessário, poderá ter o auxílio de terceiro ou de empresa especializada, desde que justificada a necessidade de assistência especializada. CAPÍTULO IV DA REPACTUAÇÃO E REAJUSTE Repactuação Art. 12. Será admitida a repactuação de preços dos serviços continuados sob regime de mão de obra exclusiva, com vistas à adequação ao preço de mercado, desde que: I - seja observado o interregno mínimo de um ano das datas dos orçamentos para os quais a proposta se referir; e II - seja demonstrada de forma analítica a variação dos componentes dos custos do contrato, devidamente justificada. Reajuste Art. 13. O reajuste em sentido estrito, espécie de reajuste nos contratos de serviço continuado sem dedicação exclusiva de mão de obra, consiste na aplicação de índice de correção monetária estabelecido no contrato, que retratará a variação efetiva do custo de produção, admitida a adoção de índices específicos ou setoriais. 142 § 1º É admitida a estipulação de reajuste em sentido estrito nos contratos de prazo de duração igual ou superior a um ano, desde que não haja regime de dedicação exclusiva de mão de obra. § 2º Nas hipóteses em que o valor dos contratos de serviços continuados seja preponderantemente formado pelos custos dos insumos, poderá ser adotado o reajuste de que trata este artigo. CAPÍTULO V DISPOSIÇÕES FINAIS Orientações gerais Art. 14. As empresas públicas e as sociedades de economia mista controladas pela União adotarão os mesmos parâmetros das sociedades privadas naquilo que não contrariar seu regime jurídico e o disposto neste Decreto. Art. 15. O Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão expedirá normas complementares ao cumprimento do disposto neste Decreto. Disposições transitórias Art. 16. Os contratos celebrados até a data de entrada em vigor deste Decreto, com fundamento no Decreto nº 2.271, de 7 de julho de 1997, ou os efetuados por empresas públicas, sociedades de economia mista controladas direta ou indiretamente pela União, poderão ser prorrogados, na forma do § 2º do art. 57 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, e observada, no que couber, a Lei nº 13.303, de 30 de junho de 2016, desde que devidamente ajustados ao disposto neste Decreto. Revogação Art. 17. Fica revogado o Decreto nº 2.271, de 1997. Vigência Art. 18. Este Decreto entra em vigor cento e vinte dias após a data de sua publicação. Brasília, 21 de setembro de 2018; 197º da Independência e 130º da República. MICHEL TEMER 143 9.12. Responsabilidade da Empresa Tomadora dos Serviços – Fundamentação Legal: Na responsabilidade solidária pressupõe-se a condenação de dois ou mais réus e pode o autor cobrar seu crédito do devedor em melhor situação econômico-financeira. A responsabilidade solidária decorre da lei ou da vontade das partes (artigo 265 do Novo Código Civil), bem como nas hipóteses de fraude. Por outro lado, a responsabilidade subsidiária pressupõe a condenação de um réu (responsável principal) e de um responsável secundário (responsável subsidiário). Comporta, portanto, benefício de ordem em favor do responsável subsidiário. Também respondem antes do devedor subsidiário os sócios do devedor principal. No caso de terceirização lícita ainda remanesce a responsabilidade subsidiária daempresa tomadora dos serviços. Revela-se frágil o argumento de que não existe dispositivo legal para a condenação subsidiária das empresas tomadoras de serviços terceirizados que sustentam estarem tal condenação amparada apenas e tão-somente na Súmula 331 do Tribunal Superior do Trabalho. Em verdade, dois dispositivos previstos no Novo Código Civil, de aplicação subsidiária no direito do trabalho por força do artigo 8º da Consolidação das Leis do Trabalho, amparam a condenação subsidiária das empresas tomadoras de serviços terceirizados, a saber: 144 Artigo 186 – Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito. Artigo 927 – Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo. Parágrafo único – Haverá obrigação de reparar o dano, independentemente de culpa, nos casos especificados em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos de outrem. Portanto, a responsabilidade das empresas tomadoras de serviços terceirizados está escorada nos dispositivos legais retromencionados em razão da responsabilidade in eligendo (necessidade de escolha de empresa idônea) e na responsabilidade in vigilando (necessidade de fiscalização regular do contrato). Cláusula contratual inserida no contrato de prestação de serviços celebrado entre empresa tomadora dos serviços e empresa prestadora dos serviços somente tem validade entre as partes e não no processo do trabalho. Também não há falar-se na alegação de inconstitucionalidade da Súmula 331 do Tribunal Superior do Trabalho, eis que referida ação somente tem cabimento para lei ou ato normativo. 145 9.13 – Subordinação Estrutural Reticular: Há situações, contudo, que os Tribunais do Trabalho têm reconhecido o que se denomina de Subordinação Estrutural Reticular. Tal pode ocorrer nos casos que a terceirização aparenta legalidade, mas, ao contrário, trata-se terceirização ilícita. Nesse sentido veja-se a notícia abaixo sobre o tema que indica um determinado aresto: A 1ª Turma do TRT-MG, em julgamento recente, reformou sentença que havia negado ao reclamante a condição de bancário e o reconhecimento do vínculo de emprego com o banco tomador de serviços, ao fundamento de que o segundo reclamado e real empregador do reclamante não é instituição financeira e as atividades desempenhadas não seriam típicas de bancário. Por isso, no entender do juiz de 1º Grau, não se poderia declarar a nulidade de intermediação de mão de obra, já que o contrato de prestação de serviços mantido entre os réus mostrou- se regular e lícito. Invocando outra decisão de caso semelhante contra os mesmos réus, em que a Turma julgadora reconheceu o vínculo com o tomador de serviços, o relator do recurso, juiz convocado José Eduardo de Resende Chaves Júnior, esclareceu que o reclamante, contratado pela empresa fornecedora de mão-de-obra, prestou serviços com exclusividade para o banco reclamado, desenvolvendo atividades diretamente ligadas à atividade-fim da instituição bancária. Nesses casos, nos termos da Súmula nº 331 do TST, a contratação por empresa interposta é ilegal, formando-se o vínculo diretamente com o tomador dos serviços, já que não se trata de trabalho temporário. "O reclamante executava serviços tipicamente bancários para o primeiro reclamado, não obstante não ser a segunda reclamada do ramo financeiro. É que processava, manipulava, digitava e autenticava documentos do primeiro reclamado. Ademais, efetuava depósitos, 146 inclusive em cheques, e autorização de débito de seus clientes" - ressalta o relator, lembrando que até o espaço físico onde trabalhava o reclamante era o mesmo que abrigava as duas reclamadas. Acrescenta ainda que o fato de não ser credenciado junto à câmara de compensação, não retira do reclamante o direito de ser enquadrado como bancário: "É público e notório que, nas agências bancárias, é diminuto o número de empregados. Em face disso, eles executam parte do serviço, o restante é produzido por empregados terceirizados" - completa. Para o relator, esse procedimento caracteriza fraude ao contrato de trabalho, atraindo a aplicação do artigo 9º da CLT, já que se trata de terceirização ilícita. Isso seria um expediente utilizado pelos bancos para fugir das obrigações trabalhistas e previdenciárias e obter mão-de-obra barata. "Consequentemente, ineficaz é o Contrato de Prestação de Serviços, firmado pelos reclamados, por ser ilegítima a intermediação"- conclui. Com base em ensinamentos do jurista e ministro do TST, Maurício Godinho Delgado, o relator frisa que, nesses casos, não cabe discussão sobre a idoneidade da empresa que terceiriza os serviços, pois o que está em questão não é apenas a responsabilidade trabalhista, mas o próprio vínculo empregatício. No caso, o banco reclamado era o empregador oculto ou dissimulado e a empresa prestadora de mão-de-obra, a empregadora aparente. O relator esclarece ainda que, quanto à subordinação jurídica, o reclamante, indiretamente, recebia ordens do primeiro reclamado, já que os supervisores do banco ditavam as diretrizes aos supervisores da segunda reclamada para que estes as repassassem ao pessoal terceirizado. Assim, no desempenho de suas tarefas bancárias, o reclamante estava submetido à chamada subordinação estrutural ou integrativa: "Na função de bancário, o autor exercia função perfeita e 147 essencialmente inserida nas atividades empresariais do primeiro reclamado. E uma vez inserido neste contexto essencial da atividade produtiva da empresa pós-industrial e flexível, não há mais necessidade de ordem direta do empregador, que passa a ordenar apenas a produção" - explica. Trata-se de uma nova forma de organização produtiva, em cuja raiz encontra-se a empresa-rede, que se irradia por meio de um processo de expansão e fragmentação, trazendo em sua esteira uma nova espécie de subordinação, a "reticular". Assim sendo, frisa o relator, a questão da licitude da terceirização não altera o desfecho do caso, já que se torna até dispensável a prova da subordinação direta do trabalhador ao empreendimento bancário, pois esta desponta sob nova forma, reticular, como fruto da própria inserção do trabalhador na organização produtiva da empresa rede. Ainda que não receba ordens diretas da empresa à qual presta serviços, na prática, o trabalhador fica submetido à sua dinâmica de organização e funcionamento: "O poder de organização dos fatores da produção é, sobretudo, poder, e inclusive poder empregatício de ordenação do fator-trabalho. E a todo poder corresponde uma antítese necessária de subordinação, já que não existe poder, enquanto tal, sem uma contrapartida de sujeição. Daí que é decorrência lógica concluir que o poder empregatício da empresa financeira subsiste, ainda que aparentemente obstado pela interposição de empresa prestadora de serviço"- destaca. Dessa forma, como nas relações de trabalho a realidade vivida pelas partes se sobrepõe aos contratos assinados, é possível, segundo esclarece o relator, reconhecer a subordinação direta em casos como este. Como os outros requisitos da relação de emprego também ficaram demonstrados (pessoalidade, não eventualidade e remuneração), a Turma deu provimento ao recurso para declarar a condição de bancário do reclamante e reconhecer o vínculo de emprego com o banco 148 reclamado, anulando tanto o contrato firmado entre o reclamante e a empresa prestadora de serviços terceirizados quanto o de prestação de serviços celebrado pelos reclamados. Assim, o processo deverá retornar à Vara de origem para o julgamentodos pedidos formulados pelo reclamante. (RO nº 01251-2007-110-03-00-5) 9.14. Diferença entre contrato de facção e contrato de terceirização. Terceirização é transferência de atividade, no caso, de atividade-meio em relação ao objeto do tomador dos serviços. De outra parte, facção, do francês “façon” (feitio, criação, invenção, aparência, maneira de fazer, amanho, mão-de-obra), também significa trabalho com a matéria-prima fornecida pelo cliente “à sa” (à sua maneira, a seu modo). “Façonier” é a pessoa que trabalha, opera com a matéria-prima fornecida pelo cliente. Basicamente, pode-se definir o contrato de facção, conforme Lilia Leonor Abreu o faz, como “o ajuste que tem por objeto a entrega de produtos acabados a serem elaborados no âmbito da empresa de facção e por seus empregados, que lá executam suas tarefas sem nenhum tipo de ingerência por parte da contratante.” Para Sandra Márcia Wanbier, o contrato de facção visa o “fornecimento de produtos confeccionados.” Pode-se ilustrar o contrato de facção como o estabelecido entre duas empresas independentes, “A” e “B”, incumbindo-se “A” de fornecer matéria-prima à “B”, que, por sua vez, se obriga a confeccionar/industrializar os produtos comercializados por “A”, a quem incumbe o controle de qualidade e, consequentemente, o direito de refugar. Podem também estabelecer a exclusividade ou preferência - o que, a princípio, se não recomenda, face aos rigores e aos azares da competição/concorrência exigente e da economia vacilante -, bem como demais outras cláusulas que lhe convierem, excluindo sempre a ingerência ou comando de uma sobre a outra, seja de que espécie for. 149 Em síntese, o contrato de facção é contrato atípico, interempresarial, bilateral, de prestação continuada, oneroso, comutativo, consensual, de prazo determinado ou indeterminado, podendo ou não conter cláusula de exclusividade. Ademais tal contrato de facção pode ser lícito (se respeitados os direitos trabalhistas) ou ilícito (se não respeitados os direitos trabalhistas). 9.15. Diferença entre contrato de cessão comercial (franquia) e contrato de terceirização. Como já dito aqui, terceirização é transferência de atividade, no caso, de atividade-meio em relação ao objeto do tomador dos serviços. Por outro lado, contrato de cessão comercial, o que se pode verificar entre franqueador e franqueado é mera cessão comercial da marca e não contrato de transferência de atividade-meio. 9.16. O contrato de transporte (cross docking) e terceirização. O contrato de transporte, também conhecido como cross docking, não se confunde com terceirização. Nesse sentido veja-se o aresto abaixo: RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA Ementa: Contrato de transporte: “cross docking”. Inaplicabilidade da Súmula n. 331, item IV, do C. TST. Afastamento da responsabilidade subsidiária da 3ª reclamada, BRF S.A. O transporte e a distribuição dos produtos da terceira 150 reclamada demanda serviço especializado e, por isso, descentralizado. O cross docking trata-se de um conceito de operação logística, mais ligado à logística (distribuição e transporte). Bom que se registre que os contratos de distribuição e de transporte estão previstos na lei civil. Assim, a hipótese não se amolda à Súmula n. 331, do C. TST, que trata da terceirização de serviços. Trata-se de situação peculiar, em que o empregado, na verdade, não prestava serviço para a terceira recorrente (cujo objeto social é a exploração de alimentos, em geral), mas tão somente para a empresa prestadora de serviço, a qual deveria, por dever contratual, transportar e distribuir os produtos para a segunda reclamada, pouco importando quem fosse o motorista ou o ajudante do veículo escolhido. TRT 15ª Reg. (Campinas/SP) RO-0000507-50.2013.515.0005 – (Ac. N. 28509/2016-PATR, 1ª C.) – Relª. Olga Aida Joaquim Gomieri. DEJT/TRT 15ª Reg. n. 2075/16, 29.9.2016, p. 2.806. 9.17. Jurisprudência sobre outra hipótese que não se trata de terceirização. Clube não é responsável por dívida trabalhista de restaurante em sua área – 01/04/2013 A Sexta Turma do Tribunal Superior do Trabalho manteve decisão que afastou a responsabilidade subsidiária do Clube dos Empregados da Petrobrás (CEPE) em Salvador (BA) por obrigações trabalhistas assumidas por um restaurante que funcionava em uma de suas áreas internas. Como se tratava de contrato regular de locação, e não de terceirização de serviços, a Turma concluiu não ser possível responsabilizar o locador pelas obrigações assumidas pelo locatário. (RR-131000-49.2009.5.05.0033) 151 9.18. A conversão do Projeto de Lei nº 4302/98 na Lei nº 13.429/2017 de 31/03/2017. O Congresso Nacional aprovou o Projeto de Lei nº 4302/98 e o converteu na Lei nº 13.429/2017. Esse Projeto de Lei teve tramitação inicial no Senado Federal e depois na Câmara dos Deputados. Por meio dessa Lei foram aprovados os seguintes dispositivos, os quais foram acrescentados na Lei nº 6.019/74: “Art. 4º-A. Empresa prestadora de serviços a terceiros é a pessoa jurídica de direito privado destinada a prestar à contratante serviços determinados e específicos. § 1o A empresa prestadora de serviços contrata, remunera e dirige o trabalho realizado por seus trabalhadores, ou subcontrata outras empresas para realização desses serviços. § 2o Não se configura vínculo empregatício entre os trabalhadores, ou sócios das empresas prestadoras de serviços, qualquer que seja o seu ramo, e a empresa contratante.” “Art. 4º-B. São requisitos para o funcionamento da empresa de prestação de serviços a terceiros: I - prova de inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ); II - registro na Junta Comercial; III - capital social compatível com o número de empregados, observando- se os seguintes parâmetros: a) empresas com até dez empregados - capital mínimo de R$ 10.000,00 (dez mil reais); 152 b) empresas com mais de dez e até vinte empregados - capital mínimo de R$ 25.000,00 (vinte e cinco mil reais); c) empresas com mais de vinte e até cinquenta empregados - capital mínimo de R$ 45.000,00 (quarenta e cinco mil reais); d) empresas com mais de cinquenta e até cem empregados - capital mínimo de R$ 100.000,00 (cem mil reais); e e) empresas com mais de cem empregados - capital mínimo de R$ 250.00 ,00 (duzentos e cinquenta mil reais).” “Art. 5º-A. Contratante é a pessoa física ou jurídica que celebra contrato com empresa de prestação de serviços determinados e específicos. § 1o É vedada à contratante a utilização dos trabalhadores em atividades distintas daquelas que foram objeto do contrato com a empresa prestadora de serviços. § 2o Os serviços contratados poderão ser executados nas instalações físicas da empresa contratante ou em outro local, de comum acordo entre as partes. § 3o É responsabilidade da contratante garantir as condições de segurança, higiene e salubridade dos trabalhadores, quando o trabalho for realizado em suas dependências ou local previamente convencionado em contrato. § 4o A contratante poderá estender ao trabalhador da empresa de prestação de serviços o mesmo atendimento médico, ambulatorial e de refeição destinado aos seus empregados, existente nas dependências da contratante, ou local por ela designado. 153 § 5o A empresa contratante é subsidiariamente responsável pelas obrigações trabalhistas referentes ao período em que ocorrer a prestação de serviços, e o recolhimento das contribuições previdenciárias observará o disposto no art. 31 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991.” “Art. 5º-B. O contrato de prestação de serviços conterá: I - qualificação das partes; II - especificação do serviço a ser prestado;Trabalho. e) o Decreto-Lei nº 5.452/43, de 01/05/1943, editou a Consolidação das Leis do Trabalho juntando em um só diploma legal as várias normas esparsas sobre direitos trabalhistas até então existentes. A Consolidação das Leis do Trabalho não é um “código” porque através dela não se criou Direito novo, mas apenas se reuniu legislação esparsa já existente. Embora não tenha sido a primeira lei de Direito do Trabalho em nosso país, lembrando-se, por exemplo, que já existia uma norma para tratar do trabalhado de industriários e comerciários, de 1935 (Lei nº 62/35), a Consolidação das Leis do Trabalho foi a primeira lei geral, aplicável a todos os empregados, sem distinção entre a natureza do trabalho técnico, manual ou intelectual. 12 f) a Constituição de 1946 rompeu com o corporativismo do texto constitucional anterior; fez previsão do direito a participação dos trabalhadores nos lucros (artigo 157, IV), repouso semanal remunerado (artigo 157, IV), estabilidade (artigo 157, XII), direito de greve (artigo 158) e outros; g) outras leis ordinárias importantes na evolução do Direito do Trabalho: Lei nº 605/49 (repouso semanal remunerado), Lei nº 3.207/57 (empregados vendedores, viajantes e pracistas), Lei nº 4.090/62 (décimo terceiro salário), Lei nº 4.266/63 (salário-família, etc.), Lei nº 5.859/72 (empregados domésticos), Lei nº 6.019/74 (trabalhador temporário), Lei nº 13.467/2017 (Reforma Trabalhista), etc. h) a Constituição Federal de 1967 - manteve direitos trabalhistas estabelecidos nas Constituições anteriores (artigo 158, alterado para 165 pela Emenda Constitucional nº 01/1969); i) a Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 representa um marco na consolidação do direito do trabalho em nível constitucional - neste texto foi adotado um modelo prescritivo, não sintético, de regulamentação constitucional trabalhista, com a inclusão de grande rol de direitos trabalhistas, em dimensão ampla até então inexistente. Assim, foram criados direitos novos no texto constitucional e foram constitucionalizados direitos trabalhistas antes só previstos na legislação ordinária. Na Constituição Federal de 1988 há regras gerais de Direito Constitucional aplicáveis no âmbito do Direito do Trabalho, como por exemplo, a garantia de respeito ao ato jurídico perfeito, ao direito adquirido e a coisa julgada, aplicação imediata de direitos e garantias fundamentais (artigo 5º) e há normas específicas de direito do trabalho, individual e coletivo, concentradas, respectivamente, nos artigos 7º a 11º do Texto Constitucional. 13 03. FONTES DO DIREITO DO TRABALHO. As fontes do direito do trabalho são: 03.1. Fontes materiais: são os fatos reais, de ordem social, econômica ou psicológica, que influenciaram na criação da norma. Dependem da investigação das causas sociais que ditaram a criação da norma, o que é objeto da Sociologia Jurídica. 03.2. Fontes formais: são as formas de exteriorização do Direito consubstanciadas nas regras jurídicas: Constituição, leis, costumes, etc. Classificam-se em: 03.2.1. Fontes formais heterônomas: são normas impostas por agente externo que não participa da relação de emprego. Normalmente são aprovadas pelo Estado: Constituição, leis, decretos, sentença normativa, etc.). 03.2.2. Fontes formais autônomas: são as normas elaboradas pelos próprios agentes interessados. Ex: acordo coletivo de trabalho, convenção coletiva de trabalho, costume. 14 03.3. O Pluralismo Jurídico do Direito do Trabalho: O Direito do Trabalho é exemplo da teoria pluralista do Direito (plurinormatividade), que defende a idéia de que o Estado não é a única fonte produtora de normas. Isso significa que, a par das normas estatais, há também as normas elaboradas por outros centros de poder, quais sejam as normas jurídicas trabalhistas elaboradas no âmbito das categorias econômicas e profissionais e das empresas (ex: acordos e convenções coletivas de trabalho, regulamento de empresas, etc.). 03.4. Quadro das Principais Fontes Formais do Direito do Trabalho a) Constituição Federal. b) leis (Consolidação das Leis do Trabalho e leis esparsas): é competência privativa da União em legislar sobre Direito do Trabalho. Também o Código civil é fonte de aplicação subsidiária ao direito do trabalho no caso de omissão e compatibilidade. Reforma Trabalhista: Na redação anterior do artigo 8º da CLT havia expressa menção ao parágrafo único que consagrava a aplicação subsidiária do direito comum, no caso do direito civil, em caso de omissão da CLT. O referido parágrafo único foi transformado em parágrafo 1º. Isto porque ao referido artigo foi inserido o parágrafo 2º do artigo 8º, da CLT, com a redação dada pela Lei nº 13.467/2017, in verbis: Art. 8º - As autoridades administrativas e a Justiça do Trabalho, na falta de disposições legais ou contratuais, decidirão, conforme o caso, pela jurisprudência, por analogia, por equidade e outros princípios e normas gerais de direito, principalmente do direito do trabalho, e, ainda, de acordo com os usos e costumes, o direito comparado, mas sempre de maneira que nenhum interesse de classe ou particular prevaleça sobre o interesse público. 15 § 1º O direito comum será fonte subsidiária do direito do trabalho. § 2o Súmulas e outros enunciados de jurisprudência editados pelo Tribunal Superior do Trabalho e pelos Tribunais Regionais do Trabalho não poderão restringir direitos legalmente previstos nem criar obrigações que não estejam previstas em lei. § 3o No exame de convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho, a Justiça do Trabalho analisará exclusivamente a conformidade dos elementos essenciais do negócio jurídico, respeitado o disposto no art. 104 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil), e balizará sua atuação pelo princípio da intervenção mínima na autonomia da vontade coletiva. 1ª Observação: O parágrafo 2º acima citado, a nosso ver, revela manifesta inconstitucionalidade na medida em que não permite ao juiz do trabalho interpretar as normas aprovadas pelo Poder Legislativo. 2ª Observação: O parágrafo 3º acima citado também é, a nosso ver, de grande preocupação, na medida em que não permite ao juiz verificar eventual inconstitucionalidade do conteúdo da cláusula de convenção coletiva de trabalho ou de acordo coletivo de trabalho se os requisitos formais de elaboração da norma estiverem presentes sem qualquer vício. c) usos e costumes. d) normas provenientes do Poder Executivo: medidas provisórias, decretos regulamentadores (ex: Lei Complementar nº 150/2015 que regulamenta o trabalho doméstico, Portarias ex: Portaria nº 3.214/78 - meio ambiente do trabalho). e) sentenças normativas - os tribunais do trabalho (Tribunais Regionais do Trabalho e Tribunal Superior do Trabalho) possuem capacidade de criar normas fixando condições de trabalho para as categorias econômicas (patrões) e profissionais (empregados) envolvidas em Dissídio Coletivo – artigo 114, parágrafo 2º da Constituição Federal de 1988. Esses documentos têm “corpo de sentença e alma de lei”, porque formalmente são 16 sentenças, mas contém normas gerais de conduta para as categorias envolvidas, assim como as leis. f) acordo coletivo de trabalho – firmado entre uma ou mais empresas e o sindicato dos empregados. g) convenção coletiva de trabalho – firmada entre sindicatos de empregadores e sindicatos de empregados. h) regulamento de empresa. i) contrato de trabalho. Observação: a jurisprudência e a doutrina, embora não vinculem o juiz, também são fontes formais do direito. 03.5. Hierarquia das Normas Trabalhistas: A Constituição Federal é a norma de hierarquia máxima e as demais normas também seguem a hierarquia de DireitoIII - prazo para realização do serviço, quando for o caso; IV - valor.” “Art. 19-A. O descumprimento do disposto nesta Lei sujeita a empresa infratora ao pagamento de multa. Parágrafo único. A fiscalização, a autuação e o processo de imposição das multas reger-se-ão pelo Título VII da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), aprovada pelo Decreto-Lei nº 5.452, de 1o de maio de 1943.” “Art. 19-B. O disposto nesta Lei não se aplica às empresas de vigilância e transporte de valores, permanecendo as respectivas relações de trabalho reguladas por legislação especial, e subsidiariamente pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), aprovada pelo Decreto-Lei no 5.452, de 1o de maio de 1943.” “Art. 19-C. Os contratos em vigência, se as partes assim acordarem, poderão ser adequados aos termos desta Lei.” 1ª Observação: Com efeito, a expressão “serviços determinados e específicos”, inserido no caput do artigo 4º-A, pode dar margem a interpretações distintas, mas, a nosso ver, é nessa expressão que o legislador quis dizer que poderão ser terceirizados serviços tanto da atividade-meio como da atividade-fim do empreendimento. 154 2ª Observação: No parágrafo 1º do artigo 4º-A, a nosso ver, o legislador quis consagrar a possibilidade de “quarteirização” ao contemplar a possibilidade da empresa prestadora de serviços subcontratar outra empresa para a realização dos serviços. 3ª Observação: No parágrafo 2º do artigo 4º-A o legislador deixa bem claro que não poderá o empregado da empresa terceirizada, ou os sócios desta, postular o reconhecimento do vínculo empregatício com a empresa contratante de serviços terceirizados. Pensamos que se o tomador dos serviços der ordens diretas aos empregados terceirizados será possível sim o reconhecimento do vínculo entre ambos. 4ª Observação: no parágrafo 4º do artigo 5º-A o legislador estabeleceu verdadeira faculdade conferida à empresa contratante de estender ao trabalhador terceirizado a prestação de serviços de atendimento médico, ambulatorial e de refeição destinados aos empregados desta última. 5ª Observação: O parágrafo 5º do artigo 5º-A ratificou o contido na Súmula 331 do Tribunal Superior do Trabalho para possibilitar o reconhecimento da responsabilidade subsidiária da empresa contratante de serviços terceirizados. 6ª Observação: No artigo 19-B o legislador excluiu a aplicação da presente lei às empresas de vigilância e transporte de valores que continuam reguladas pela Lei nº 7.102/83. Reforma Trabalhista: Tantos foram os questionamentos apresentados com o advento da Lei nº 13.429/2017 que o Poder Legislativo aproveitou a reforma trabalhista para fazer algumas alterações na Lei retromencionada. 155 Assim, foram parcialmente alterados os artigos que tratam de terceirização, os quais foram inseridos na Lei nº 6.019/74, pela Lei nº 13.467/2017, mais precisamente os artigos 4º-A, 4º-C, 5º-A, 5º-C e 5º-D, a saber: Art. 4o A. Considera-se prestação de serviços a terceiros a transferência feita pela contratante da execução de quaisquer de suas atividades, inclusive sua atividade principal, à pessoa jurídica de direito privado prestadora de serviços que possua capacidade econômica compatível com a sua execução. Art. 4o- C. São asseguradas aos empregados da empresa prestadora de serviços a que se refere o art. 4o-A desta Lei, quando e enquanto os serviços, que podem ser de qualquer uma das atividades da contratante, forem executados nas dependências da tomadora, as mesmas condições: I - relativas a: a) alimentação garantida aos empregados da contratante, quando oferecida em refeitórios; b) direito de utilizar os serviços de transporte; c) atendimento médico ou ambulatorial existente nas dependências da contratante ou local por ela designado; d) treinamento adequado, fornecido pela contratada, quando a atividade o exigir. II - sanitárias, de medidas de proteção à saúde e de segurança no trabalho e de instalações adequadas à prestação do serviço. 156 § 1o Contratante e contratada poderão estabelecer, se assim entenderem, que os empregados da contratada farão jus a salário equivalente ao pago aos empregados da contratante, além de outros direitos não previstos neste artigo. § 2o Nos contratos que impliquem mobilização de empregados da contratada em número igual ou superior a 20% (vinte por cento) dos empregados da contratante, esta poderá disponibilizar aos empregados da contratada os serviços de alimentação e atendimento ambulatorial em outros locais apropriados e com igual padrão de atendimento, com vistas a manter o pleno funcionamento dos serviços existentes. Art. 5o A Contratante é a pessoa física ou jurídica que celebra contrato com empresa de prestação de serviços relacionados a quaisquer de suas atividades, inclusive sua atividade principal. Art. 5o C. Não pode figurar como contratada, nos termos do art. 4o-A desta Lei, a pessoa jurídica cujos titulares ou sócios tenham, nos últimos dezoito meses, prestado serviços à contratante na qualidade de empregado ou trabalhador sem vínculo empregatício, exceto se os referidos titulares ou sócios forem aposentados. Art. 5o D. O empregado que for demitido não poderá prestar serviços para esta mesma empresa na qualidade de empregado de empresa prestadora de serviços antes do decurso de prazo de dezoito meses, contados a partir da demissão do empregado. 1ª Observação: Com a alteração da Lei nº 13.429/2017 pela Lei nº 13.467/2017 fica clara a possibilidade de terceirizar tanto a atividade meio como a atividade fim do empreendimento. 157 2ª Observação: No caso de terceirização de atividade fim com subordinação direta entendemos que é possível o reconhecimento do vínculo empregatício com a empresa tomadora dos serviços. 3ª Observação: Tendo em vista a possibilidade de reconhecimento do vínculo empregatício como aduzido na 2ª observação pensamos que a Súmula 331 do TST deva ser alterada e não cancelada. 4ª Observação: A nosso ver as consequências nefastas da terceirização da atividade fim são as seguintes: a) queda da massa salarial no mercado; b) queda da arrecadação do FGTS – Fundo de Garantia do Tempo de Serviço; c) queda da arrecadação das contribuições previdenciárias do INSS – Instituto Nacional do Seguro Social; d) aumento do número de acidentes do trabalho, o que é fato histórico na atividade meio; e) desestruturação do sistema sindical brasileiro; f) desestruturação do sistema produtivo nas empresas; g) maior número de ajuizamento de ações trabalhistas, quer para postular a responsabilidade subsidiária da empresa tomadora dos serviços, quer para postular o reconhecimento de possível fraude. 5ª Observação: Por 7 votos a 4 o Plenário do Supremo Tribunal Federal decidiu, em sede da ADPF – Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental, e em sede do Recurso Extraordinário nº 958.252 que é possível terceirizar não só a atividade meio como também a atividade fim do empreendimento. 158 10 Trabalho Temporário. A Lei nº 6.019/74 sofreu importantes alterações com o advento da Lei nº 13.429/2017 de 31/03/2017. Preleciona o artigo 2º, caput, da Lei nº 13.429/2017 que trabalho temporário é aquele prestado por pessoa física contratada por uma empresa de trabalho temporário que coloca à disposição de uma empresa tomadora de serviços, para atender à necessidade de substituição transitória de pessoal permanente ou à demanda complementar de serviços. O parágrafo 1º, do artigo 2º, dessa Lei, consagra que é proibida a contratação de trabalho temporário para a substituição de trabalhadores em greve, salvo nos casos previstos em lei. Observação: Os casos previstos em lei de que fala o dispositivo legal acima são aqueles previstos no artigo 9º daLei nº 7.783/89 (manutenção de equipes de empregados com o propósito de assegurar os serviços cuja paralisação resulte em prejuízo irreparável, pela deterioração irreversível de bens, máquinas e equipamentos, bem como a manutenção daqueles essenciais à retomada das atividades da empresa quando da cessação do movimento) e no artigo 14 da Lei 7.783/89 (abuso do direito de greve quando deflagrado movimento paredista ou a manutenção da paralisação após a celebração de acordo, convenção ou decisão da Justiça do Trabalho). O parágrafo 2º, do artigo 2º, dessa Lei, considera complementar a demanda de serviços que seja oriunda de fatores imprevisíveis ou, quando decorrente de fatores previsíveis, tenha natureza intermitente, periódica ou sazonal. 159 Observação: O parágrafo acima citado coloca uma “pá de cal” na divergência doutrinária e jurisprudencial a fim de considerar legal a contratação de trabalhador temporário, por exemplo, no período que antecede a Páscoa e no período que antecede o Natal considerando tais períodos previsíveis, mas de natureza sazonal. De acordo com o artigo 9º dessa Lei o contrato celebrado pela empresa de trabalho temporário e a tomadora de serviços deve ser feito ficando à disposição da autoridade fiscalizadora no estabelecimento desta última e constará: a) qualificação das partes; b) motivo justificador da demanda de trabalho temporário; c) prazo da prestação dos serviços; d) valor da prestação dos serviços; e) disposições sobre a segurança e a saúde do trabalhador, independentemente do local de realização do trabalho. O parágrafo 1º, do artigo 9º, dessa Lei, consagra a responsabilidade da empresa contratante para garantir as condições de segurança, higiene e salubridade dos trabalhadores, quando o trabalho for realizado em suas dependências ou em local por ela designado. Observação: Preocupou-se o legislador ordinário em obrigar a empresa contratante de serviços temporários a propiciar um meio ambiente de trabalho sadio ao trabalhador temporário, à semelhança da obrigação que tem em fazê-lo em relação aos seus próprios empregados. 160 O parágrafo 2º do artigo 9º, dessa Lei, consagra que a contratante estenderá ao trabalhador da empresa de trabalho temporário o mesmo atendimento médico, ambulatorial e de refeição destinado aos seus empregados, existente nas dependências da contratante, ou local por ela designado. Observação: a expressão “estenderá” nos parece, s.m.j., que deva ser interpretada como “deverá”; ou seja, é obrigação da empresa contratante dos serviços temporários observar o referido dispositivo legal. O parágrafo 3º, do artigo 9º, dessa Lei, consagra que a contratação de trabalho temporário é possível que tal seja feito tanto na atividade-meio como na atividade-fim da empresa tomadora dos serviços. Observação: Esse dispositivo legal contempla algo que implicitamente já estava previsto nesse tipo de contratação no sentido de que às vezes haverá necessidade de substituição de pessoal regular ou acréscimo extraordinário de serviço também na atividade-fim do empreendimento. O artigo 10, caput, dessa Lei deixa claro que, qualquer que seja o ramo da empresa tomadora dos serviços, não existe vínculo de emprego entre ela e os trabalhadores contratados pelas empresas de trabalho temporário. Observação: Pelo dispositivo legal acima nos parece, s.m.j., que não será possível invocar nulidade da contratação temporária com pedido de reconhecimento do vínculo empregatício entre o trabalhador temporário e a empresa tomadora dos serviços temporários. 161 Mas a pergunta que fica é: E se for hipótese de contratação de trabalhador temporário fora das hipóteses previstas no artigo 2º dessa mesma Lei nº 13.429/2017 (necessidade transitória de pessoal permanente ou de demanda complementar de serviços)? Nos parece que a impossibilidade de reconhecimento do vínculo empregatício entre o trabalhador temporário e a empresa tomadora dos serviços somente tem cabimento se a contratação estiver enquadrada numa das hipóteses acima citadas. Do contrário, se a contratação não se enquadrar numa dessas duas hipóteses será possível o reconhecimento do vínculo empregatício com a tomadora dos serviços. O parágrafo 1º, do artigo 10, dessa Lei, dispõe que o prazo de contratação temporária é de 180 (cento e oitenta) dias, consecutivos ou não. O parágrafo 2º, do artigo 10, dessa Lei, contempla a possibilidade de prorrogação do prazo de contratação do trabalho temporário por mais 90 (noventa) dias, consecutivos ou não, desde que comprovação a manutenção das condições que geraram a contratação sob essa modalidade. Desse modo, já era possível a contratação por seis meses (tempo normal acrescido de uma prorrogação) no caso de acréscimo extraordinário de serviço e por nove meses (tempo normal acrescido de mais duas prorrogações no caso de substituição de pessoal regular. De todo o modo, a nosso ver, a legislação não avançou em favor dos trabalhadores na medida em que tal dispositivo – ao contrário, aumentou o prazo dessa contratação - posto que em ambas as hipóteses legais é possível que a contratação ocorra por nove meses precarizando o tempo agora elastecido do alegado “trabalho temporário”. 162 O parágrafo 4º, do artigo 10, dessa Lei, preconiza que não se aplica ao trabalhador temporário, contratado pela tomadora dos serviços, o contrato de experiência previsto no parágrafo único do artigo 445 da Consolidação das Leis do Trabalho. Observação: Com o dispositivo legal acima foi colocada uma “pá de cal” acerca da controvérsia doutrinária e jurisprudencial quanto a ser possível ou não a contratação por experiência nos moldes da CLT seguida de uma contratação temporária da Lei nº 6.019/74. Portanto, agora isso é vedado à empresa tomadora dos serviços temporários. O parágrafo 5º, do artigo 10, dessa Lei, dispõe que o trabalhador temporário que cumprir o período estipulado de 180 (cento e oitenta) dias e o período de 90 (noventa) dias de contratação temporária somente poderá ser colocado à disposição da mesma tomadora de serviços em novo contrato temporário, após 90 (noventa) dias do término do contrato anterior. O parágrafo 6º, do artigo 10, dessa Lei, preleciona que a contratação anterior ao prazo previsto no parágrafo 5º acima caracteriza vínculo empregatício com a tomadora. Observação: Nos parece, s.m.j., que o intertempo de 90 (noventa) dias é muito diminuto para considerar eventual fraude na contratação do trabalhador como temporário quando deveria ter sido diretamente contratado pela empresa tomadora dos serviços. Todavia, foi a vontade do legislador. No tocante à não observância do intertempo de 90 (noventa) dias entre os término da contratação temporário de 180 (cento e oitenta) dias acrescido de outros 90 (noventa) dias, por óbvio que o legislador, tendo dito que se não observado implica no reconhecimento do vínculo empregatício, induz à conclusão inafastável de que considera isso fraude ao direito do trabalhador. 163 Entretanto, esse reconhecimento do vínculo empregatício ocorreria a partir da primeira contratação feita até então regularmente de 270 (duzentos e setenta) dias, e não da contratação posterior feita com menos de 90 (noventa) dias. Por fim, o parágrafo 7º, do artigo 10, dessa Lei, dispõe que a contratante é subsidiariamente responsável pelas obrigações trabalhistas referentes ao período em que o ocorrer o trabalho temporário, e o recolhimento das contribuições previdenciárias. Observação: trata-se o dispositivo legal acima, pois, de inovação legal, na medida em que na redação original o legislador silenciou sobre tal responsabilidade, embora os Tribunais Trabalhistas já consideravam que a hipótese eramesmo de responsabilidade subsidiária. Saliente-se, por oportuno, que o artigo 16 da Lei nº 6.019/74 permanece inalterado, razão pela qual quando se tratar de falência da empresa de trabalho temporário a responsabilidade da empresa tomadora dos serviços será solidária tanto pelas dívidas trabalhistas como pelas dívidas previdenciárias. De lembrar, contudo, que essa responsabilidade solidária implica na declaração formal de quebra da empresa de trabalho temporário e não apenas de sua mera inatividade comercial. O artigo 12 da citada Lei contempla os direitos estendidos aos trabalhadores temporários, a saber: 164 a) remuneração equivalente à percebida pelos empregados da mesma categoria da empresa tomadora ou cliente, calculados à base horária, garantida, em qualquer hipótese, a percepção do salário mínimo regional; b) jornada de oito horas, remuneradas as horas extraordinárias não excedentes de duas, com acréscimo de 20% (vinte por cento); c) férias proporcionais, nos termos do artigo 25 da Lei n. 5.017, de 13 de setembro de 1966; d) repouso semanal remunerado; e) adicional por trabalho noturno; f) indenização por dispensa sem justa causa ou término normal do contrato correspondente a 1/12 (um doze avos) do pagamento recebido; g) seguro contra acidente do trabalho; h) proteção previdenciária nos termos do disposto na Lei Orgânica da Previdência Social, com as alterações introduzidas pela Lei n. 5.890, de 08 de junho de 1973 (art. 5º, item III, letra “c” do Decreto n. 72.771, de 06 de setembro de 1.973). Com o advento da Constituição Federal de 1988 o adicional mínimo de horas extras é de 50% (cinquenta por cento). A doutrina diverge acerca da possibilidade de acumulação da indenização prevista na alínea “f” acima com a indenização do FGTS. 165 Livros: Redes Sociais: Pedro Benatto - ph_benattoComum, mas em Direito do Trabalho há uma peculiaridade: quando há confronto de normas trabalhistas, prevalecerá a norma mais favorável ao empregado. Isto ocorre porque as normas estatais garantem sempre um mínimo de garantia para os empregados, de forma que as fontes autônomas (acordo ou convenção, coletiva, costume, contrato de emprego, regulamento de empresa) podem adicionar garantias àquelas já previstas na Constituição e nas Leis. Isso faz com que o intérprete, no caso concreto, procure, entre as várias normas que dispõem sobre uma mesma matéria, aquela que garante maiores vantagens ao empregado: esta é que será, naquele caso, a norma de maior hierarquia. Não vai, contudo, ser aplicada a norma mais favorável em duas hipóteses: existindo lei proibitiva (quando o Estado proíbe as partes de negociarem a matéria tratada na lei, nem para o mais, nem para o menos), ou existindo norma coletiva baseada em autorização 17 CONSTITUIÇÃO FEDERAL LEIS ATOS DO PODER PÚBLICO SENTENÇA NORMATIVAS ACORDOS E CONVENÇOES COLETIVAS COSTUMES expressa para flexibilização com vistas à diminuição de direitos (artigo 7º, incisos VI, XIII e XIV, da Constituição Federal de 1988). 04. PRINCÍPIOS INFORMADORES DO DIREITO DO TRABALHO. 04.1. Conceito de Princípio: Princípios são proposições básicas fundamentais, típicas, que condicionam todas as estruturas subsequentes da ciência em foco. São os mandamentos nucleares do sistema, ou seja, o seu alicerce. 04.2. Os Princípios São Divididos em: 04.2.1. Princípios gerais de Direito: são os princípios comuns ao Direito em Geral, aplicável em todos os seus ramos. Ex: princípio da dignidade da pessoa humana, princípio da igualdade, princípio da proibição do enriquecimento sem causa, princípio da proibição do abuso de direito, etc. 04.2.2. Princípios de Direito do Trabalho: são as proposições básicas fundamentais próprias do Direito do Trabalho, visto como um ramo específico do Direito. Podem ser 18 subdivididos em: 04.2.2.1. Princípio próprio de todo o Direito do Trabalho. 04.2.2.2. Princípios setoriais: referem-se a apenas um setor do Direito do Trabalho. Ex: princípio da liberdade de organização sindical. 04.3. Função dos Princípios: Os princípios servem de critério para a exata compreensão das normas de Direito do Trabalho, de forma a permitir que estas componham um sistema harmônico e integrado. Também servem de inspiração e orientação para o legislador (e os demais agentes capazes de criar normas jurídicas trabalhistas) na tarefa de criação de novas regras jurídicas laborais. Os princípios do Direito do Trabalho desempenham, pois, as seguintes funções: 04.3.1. Função informadora – os princípios servem de inspiração ao legislador e de fundamento para a criação de novas normas de Direito do Trabalho. 04.3.2. Função normativa: atua como fonte supletiva de Direito, nas hipóteses de lacuna ou omissões da lei. 04.3.3. Função interpretativa: os princípios servem de critério orientador para os intérpretes e aplicadores da lei. 04.4. Princípios constitucionais atrelados ao direito do trabalho: 04.4.1. princípio da dignidade da pessoa humana; Observação: O Brasil ratificou as seguintes Convenções Internacionais da OIT – Organização Internacional do Trabalho, a saber: 19 a) nº 29 que trata da abolição do trabalho forçado; b) nº 105 que trata da abolição do trabalho forçado. 04.4.2. princípio da valorização social do trabalho; 04.4.3. princípio da função social da propriedade; 04.4.4. princípio do pleno emprego. 04.5. Os Princípios do Direito do Trabalho São: 04.5.1. Princípio da proteção: As regras de Direito do Trabalho surgiram para proporcionar superioridade jurídica ao empregado, como forma de compensar sua natural inferioridade em face da superioridade econômica do empregador. São normas que visam, portanto, o equilíbrio, a igualdade real, entre os dois sujeitos da relação jurídica de emprego. Dessa forma, o Direito do Trabalho tem como idéia básica o chamado “princípio da proteção”, que se desmembra em três subprincípios: 1º subprincípio: Princípio do in dubio pro operario: se houver duas ou mais interpretações de uma norma deve o operador do direito optar pela interpretação mais favorável ao empregado. 2º subprincípio: Princípio da aplicação da norma mais favorável ao trabalhador: princípio que rege a solução de problemas de aplicação do direito no caso concreto, diante da pluralidade de fontes de normas (hierarquia das normas). 3º subprincípio: Princípio da aplicação da condição mais benéfica: princípio que se regula a solução de problemas de aplicação de normas no tempo: devem ser resguardadas as vantagens que o trabalhador tem nos casos de alterações prejudiciais das condições de trabalho; é expressão, no Direito do Trabalho, do princípio do direito adquirido, do direito comum, nos termos do artigo 5º, inciso XXXVI, da Constituição Federal de 1988. 20 04.5.2. Princípio da primazia da realidade (contrato-realidade): em Direito do Trabalho a verdade real tem prioridade sobre a verdade formal; nesse sentido prevalecem os fatos declinados em juízo, em detrimento dos documentos escritos. O referido princípio está consagrado no artigo 9º, da CLT, in verbis: Art. 9º - Serão nulos de pleno direito os atos praticados com o objetivo de desvirtuar, impedir ou fraudar a aplicação dos preceitos contidos na presente Consolidação. 04.5.3. Princípio da irrenunciabilidade dos direitos: o empregado, em princípio, não tem poder de abrir mão dos direitos que lhe são conferidos pelas normas jurídicas, sendo eles, portanto, irrenunciáveis, nos termos do artigo 9º da Consolidação das Leis do Trabalho. Referido princípio tem sido mitigado ante o fenômeno da flexibilização. 04.5.3.1. A flexibilização dos direitos trabalhistas Conceito – Amauri Mascaro Nascimento – É o afastamento da rigidez de algumas leis para permitir, diante de situações que a exijam, maior dispositividade das partes para alterar ou reduzir as condições de trabalho. Arnaldo Süssekind - sustenta existir diferença entre Desregulamentação e Flexibilização, a saber: a) desregulamentação: retirada total da proteção estatal ao trabalhador permitindo a autonomia privada, individual ou coletiva. b) flexibilização: pressupõe intervenção estatal, ainda que básica, com normas gerais abaixo das quais não se pode conceber a vida do trabalhador com dignidade. 21 Arnaldo Süssekind - A transformação da economia e a flexibilização: Revolução tecnológica – informática e a robótica, o que acarreta desemprego estrutural. Globalização econômica – internacionalização dos mercados. Necessidade de redução de custos – concorrência entre os países. Desregulamentação da economia em algumas regiões do planeta – governos fortes e sindicatos fracos com parcial ou total supressão de direitos trabalhistas. Desemprego Estrutural: com a finalidade de reduzir o desemprego estrutural tem-se fomentado a utilização da flexibilização dos direitos trabalhistas. Exemplos de flexibilização das leis trabalhistas: a) Lei nº 5.107/66 que trata do FGTS como opção à estabilidade decenal. b) Lei nº 6.019/74 que trata do trabalho temporário. c) Constituição Federal de 1988, artigo 7º, inciso VI, que trata da redução salarial como regra e da redutibilidade como exceção, desde que feita por meio de acordo coletivo de trabalho ou convenção coletiva de trabalho. d) Lei nº 10.101/2000 que trata da participação dos lucros desvinculada do salário. e) Lei nº 9.601/98 que trata da contratação por prazo determinado para admissão de pessoal acima do quadro fixo da empresa, mediante acordo coletivo de trabalho ou convenção coletiva de trabalho. f) O labor das mulheres emjornada noturna, extraordinária, em ambiente insalubre ou periculoso. g) Reajustes salariais mediante negociação coletiva e não de forma automática. h) Lei nº 9.608/98 que trata do trabalho voluntário. 22 i) Medida Provisória 2.164-41/2001 que trata do trabalho a tempo parcial. j) Medida Provisória 2.164-41/2001 que trata do Banco de Horas. k) Medida Provisória 2.164-41/2001 que trata da suspensão do contrato de trabalho por período de dois a cinco meses para participação do empregado em curso ou programa de qualificação profissional oferecido pelo empregador, com duração equivalente à suspensão contratual, mediante previsão em acordo coletivo de trabalho ou convenção coletiva de trabalho e aquiescência formal do empregado. l) Lei nº 11.718/2008 que trata da contratação de pequeno prazo de natureza temporária na área rural. m) Lei nº 13.189/2015 que trata da possibilidade de redução de salário e de jornada até o limite de 30% (lay-off). Nesse caso, 50% do valor da redução até o limite de 65% do valor da parcela do seguro desemprego será paga pelo FAT – Fundo de Amparo do Trabalhador. 04.5.3.2. Renúncia e Transação. Importa, agora, estudar a diferença entre o conceito de renúncia e o conceito de transação. Renúncia - é o ato jurídico voluntário e unilateral do empregado, no qual este desiste de um direito ou de alguma coisa. A renúncia pode ser: a) antecipada – nula de pleno direito em matéria trabalhista. 23 b) na vigência do contrato – desde que não traga prejuízos diretos ou indiretos ao empregado. c) após o término do contrato – está condicionada a liberdade de opção do empregado. Transação – é um ato bilateral, em virtude do qual, mediante concessões recíprocas, as partes interessadas extinguem obrigações litigiosas ou duvidosas. Reforma Trabalhista: O grande chamariz da reforma trabalhista, que foi aprovada pela Lei nº 13.467/2017, foi a aprovação de dispositivo legal que trata da prevalência do negociado com o sindicato sobre o legislado, o que só faz reforçar o menor rigor do princípio da irrenunciabilidade dos direitos trabalhistas. Também foi aprovado dispositivo legal que trata das matérias, as quais não é permitida a negociação coletiva. São os dispositivos dos artigos 611-A e 611-B, a saber: Art. 611-A. A convenção coletiva e o acordo coletivo de trabalho têm prevalência sobre a lei quando, entre outros, dispuserem sobre: I - pacto quanto à jornada de trabalho, observados os limites constitucionais; II - banco de horas anual; III - intervalo intrajornada, respeitado o limite mínimo de trinta minutos para jornadas superiores a seis horas; IV - adesão ao Programa Seguro-Emprego (PSE), de que trata a Lei no 13.189, de 19 de novembro de 2015; 24 V - plano de cargos, salários e funções compatíveis com a condição pessoal do empregado, bem como identificação dos cargos que se enquadram como funções de confiança; VI - regulamento empresarial; VII - representante dos trabalhadores no local de trabalho; VIII - teletrabalho, regime de sobreaviso, e trabalho intermitente; IX - remuneração por produtividade, incluídas as gorjetas percebidas pelo empregado, e remuneração por desempenho individual; X - modalidade de registro de jornada de trabalho; XI - troca do dia de feriado; XII - enquadramento do grau de insalubridade; XIII – prorrogação de jornada em ambientes insalubres, sem licença prévia das autoridades competentes do Ministério do Trabalho; XIV - prêmios de incentivo em bens ou serviços, eventualmente concedidos em programas de incentivo; XV - participação nos lucros ou resultados da empresa. § 1o No exame da convenção coletiva ou do acordo coletivo de trabalho, a Justiça do Trabalho observará o disposto no § 3o do art. 8o desta Consolidação. § 2o A inexistência de expressa indicação de contrapartidas recíprocas em convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho não ensejará sua nulidade por não caracterizar um vício do negócio jurídico. 25 § 3o Se for pactuada cláusula que reduza o salário ou a jornada, a convenção coletiva ou o acordo coletivo de trabalho deverão prever a proteção dos empregados contra dispensa imotivada durante o prazo de vigência do instrumento coletivo. § 4o Na hipótese de procedência de ação anulatória de cláusula de convenção coletiva ou de acordo coletivo de trabalho, quando houver a cláusula compensatória, esta deverá ser igualmente anulada, sem repetição do indébito. § 5º Os sindicatos subscritores de convenção coletiva ou de acordo coletivo de trabalho deverão participar, como litisconsortes necessários, em ação individual ou coletiva, que tenha como objeto a anulação de cláusulas desses instrumentos. Art. 611-B. Constituem objeto ilícito de convenção coletiva ou de acordo coletivo de trabalho, exclusivamente, a supressão ou a redução dos seguintes direitos: I - normas de identificação profissional, inclusive as anotações na Carteira de Trabalho e Previdência Social; II - seguro-desemprego, em caso de desemprego involuntário; III - valor dos depósitos mensais e da indenização rescisória do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS); IV - salário mínimo; V - valor nominal do décimo terceiro salário; VI - remuneração do trabalho noturno superior à do diurno; VII - proteção do salário na forma da lei, constituindo crime sua retenção dolosa; 26 VIII - salário-família; IX - repouso semanal remunerado; X - remuneração do serviço extraordinário superior, no mínimo, em 50% (cinquenta por cento) à do normal; XI - número de dias de férias devidas ao empregado; XII - gozo de férias anuais remuneradas com, pelo menos, um terço a mais do que o salário normal; XIII - licença-maternidade com a duração mínima de cento e vinte dias; XIV - licença-paternidade nos termos fixados em lei; XV - proteção do mercado de trabalho da mulher, mediante incentivos específicos, nos termos da lei; XVI - aviso prévio proporcional ao tempo de serviço, sendo no mínimo de trinta dias, nos termos da lei; XVII - normas de saúde, higiene e segurança do trabalho previstas em lei ou em normas regulamentadoras do Ministério do Trabalho; XVIII - adicional de remuneração para as atividades penosas, insalubres ou perigosas; XIX - aposentadoria; XX - seguro contra acidentes de trabalho, a cargo do empregador; XXI - ação, quanto aos créditos resultantes das relações de trabalho, com prazo prescricional de cinco anos para os trabalhadores urbanos e rurais, até o limite de dois anos após a extinção do contrato de trabalho; 27 XXII - proibição de qualquer discriminação no tocante a salário e critérios de admissão do trabalhador com deficiência; XXIII - proibição de trabalho noturno, perigoso ou insalubre a menores de dezoito anos e de qualquer trabalho a menores de dezesseis anos, salvo na condição de aprendiz, a partir de quatorze anos; XXIV - medidas de proteção legal de crianças e adolescentes; XXV - igualdade de direitos entre o trabalhador com vínculo empregatício permanente e o trabalhador avulso; XXVI - liberdade de associação profissional ou sindical do trabalhador, inclusive o direito de não sofrer, sem sua expressa e prévia anuência, qualquer cobrança ou desconto salarial estabelecidos em convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho; XXVII - direito de greve, competindo aos trabalhadores decidir sobre a oportunidade de exercê-lo e sobre os interesses que devam por meio dele defender; XXVIII - definição legal sobre os serviços ou atividades essenciais e disposições legais sobre o atendimento das necessidades inadiáveis da comunidade em caso de greve; XXIX - tributos e outros créditos de terceiros;XXX - as disposições previstas nos arts. 373-A, 390, 392, 392-A, 394, 394-A, 395, 396 e 400 desta Consolidação. Parágrafo único. Regras sobre duração do trabalho e intervalos não são consideradas como normas de saúde, higiene e segurança do trabalho para os fins do disposto neste artigo. 28 Observação: Em nosso entendimento esses dispositivos legais serão objeto de muita discussão perante o Poder Judiciário Trabalhista, em especial o artigo 611-A e o parágrafo único do artigo 612-B. 04.5.4. Princípio da continuidade da relação de emprego: presume-se que o contrato de trabalho terá validade por tempo indeterminado, ou seja, que haverá a continuidade da relação de emprego no tempo. O contrário, ou seja, os contratos por prazo determinado dependem de prova escrita e da existência de condições especiais que justifiquem a transitoriedade do vínculo. Nesse sentido a Súmula 212 do TST, a saber: DESPEDIMENTO. ÔNUS DA PROVA. O ônus de provar o término do contrato de trabalho, quando negados a prestação de serviço e o despedimento, é do empregador, pois o princípio da continuidade da relação de emprego constitui presunção favorável ao empregado. 04.5.5. Princípio da integralidade do salário: o salário é impenhorável, salvo para pagamento de pensão alimentícia decorrente de decisão judicial (artigo 833, inciso IV, parágrafo 2º, do Novo Código de Processo Civil). 04.5.6. Princípio da intangibilidade do salário: a legislação trabalhista veda ao empregador que faça descontos abusivos no salário do empregado. Nos termos do artigo 462 da Consolidação das Leis do Trabalho somente é possível efetuar descontos nos salários dos empregados, desde que previstos em lei ou instrumento coletivo de trabalho. O Tribunal Superior do Trabalho houve por bem aprovar a Súmula 342 que além dos descontos previsto em lei ou instrumento coletivo de trabalho é possível o desconto do salário do empregado, desde que por este prévia e expressamente autorizado por escrito, de plano de assistência odontológica, médico-hospitalar, de 29 seguro, de previdência privada, de entidade cooperativa, cultural ou recreativo- associativa de seus empregados. Importante ressaltar que o Brasil ratificou a Convenção Internacional nº 95 da OIT – Organização Internacional do Trabalho que trata da proteção do salário. 04.5.7. Princípio da não discriminação: é vedada a diferenciação salarial, de exercício de funções e de critério de admissão por motivo de sexo, idade, cor ou estado civil (artigo 7º, inciso XXX, da Constituição Federal de 1988), proibição de qualquer discriminação no tocante a salário e critérios de admissão do trabalhador portador de deficiência (artigo 7º, inciso XXXI, da Constituição Federal de 1988) e proibição de distinção entre trabalho manual, técnico e intelectual ou entre os profissionais respectivos (artigo 7º, inciso XXXII, da Constituição Federal de 1988). 1ª Observação: a Lei nº 11.644/2008 inseriu o artigo 442-A na Consolidação das Leis do Trabalho que trata da impossibilidade de exigência pelo empregador, na contratação de empregado candidato a emprego, experiência prévia por tempo superior a seis meses no mesmo tipo de atividade. 2ª Observação: Discriminação por uso de tatuagem 18/08/2016 Tatuagens não podem excluir candidatos em concursos, diz STF. Supremo Tribunal Federal diz que exclusão é uma forma de discriminação. Decisão foi provocada pelo julgamento do caso de um bombeiro de SP. O Supremo Tribunal Federal tomou uma decisão que atinge todos concursos públicos. Nenhum candidato poderá ser reprovado porque tem uma tatuagem. Essa decisão foi provocada pelo julgamento do caso de um bombeiro de São Paulo. 30 Faz oito anos que o Henrique Carvalho da Silveira esperava pela decisão que o Supremo Tribunal Federal anunciou na tarde desta quinta-feira (18), em Brasília. Editais não podem conter restrição a pessoas com tatuagem. Henrique queria ser bombeiro da Polícia Militar de São Paulo. O edital do concurso da PM dizia que são permitidas as tatuagens não aparentes quando o policial estivesse com uniforme. O Henrique tem uma tatuagem na perna e não achou que isso seria um problema, mas foi. Ele passou em todos os exames. Até chegar ao exame médico. Henrique foi para a Justiça, ganhou em primeira instância e trabalhou como bombeiro. O Estado de São Paulo recorreu e o caso foi parar no Supremo Tribunal Federal. Por sete votos a um, o Supremo Tribunal Federal decidiu que concursos públicos não podem excluir candidatos que tenham tatuagem porque é uma forma de discriminação. O ministro Luiz Fux, relator da ação, afirmou que tatuagem não é sinal de inaptidão profissional e que as tatuagens de Henrique não afetam a honra pessoal, o pudor ou o decoro exigido dos militares para o exercício do cargo. "As minhas notas, meu comportamento na escola, isso não fez diferença", fala Henrique. O Supremo faz uma ressalva: tatuagens obscenas que preguem ideologias terroristas ou de violência, criminalidade, discriminação de raça, credo, sexo ou origem podem ser um obstáculo ao acesso a uma função pública. “Todos os casos no Brasil valerão a partir dessa decisão, ou seja, qualquer concurso público de militar ou não, não poderá restringir o candidatos por ele possuir tatuagem", afirma o advogado Vicente de Paulo Massaro. 3ª Observação: o Brasil ratificou as seguintes Convenções Internacionais aprovadas pela OIT – Organização Internacional do Trabalho em matéria de não discriminação: 31 a) nº 19 que trata da igualdade de tratamento entre estrangeiros e nacionais em acidentes do trabalho; b) nº 100 que trata do pagamento de salário igual para trabalho de igual valor entre o homem e a mulher; c) nº 111 que trata da discriminação em matéria de emprego e ocupação; d) nº 118 que trata da igualdade de tratamento entre nacionais e estrangeiros em previdência social; e) nº 159 que trata da reabilitação profissional e emprego de pessoas deficientes. 04.5.8. Princípio da irredutibilidade do salário: o salário não pode ser reduzido; não significa dizer que a correção do salário é automática pelos índices inflacionários. Significa dizer que a irredutibilidade é nominal e não real. 04.5.9. Princípio da inalterabilidade das condições contratuais: as alterações contratuais somente podem ocorrer no curso do contrato por mútuo consentimento e, ainda assim, desde que não resultem, direta ou indiretamente, prejuízos ao empregado, consoante o previsto no artigo 468, caput, da Consolidação das Leis do Trabalho. Observação: Art. 468, § 1º Não se considera alteração unilateral a determinação do empregador para que o respectivo empregado reverta ao cargo efetivo, anteriormente ocupado, deixando o exercício de função de confiança. 04.5.10. Princípio da liberdade sindical: ninguém é obrigado a filiar-se a qualquer sindicato. 04.5.11. Convenção Internacional da OIT – Organização Internacional do Trabalho ratificada pelo Brasil: -o Brasil ratificou a Convenção Internacional nº 98 da OIT – Organização Internacional do Trabalho que trata do direito de sindicalização e de negociação coletiva. 04.6. Princípios Contratuais Oriundos do Direito Civil Aplicáveis ao Contrato de Emprego: 32 Existem alguns princípios que são específicos para o Direito Individual do Trabalho, ou mais precisamente, para o seu principal instituto: o contrato de emprego - vínculo jurídico que une o empregado e o empregador. Esses princípios foram criados para serem aplicados aos contratos de Direito Civil, mas também se aplicam ao contrato de emprego, com algumas limitações. São eles: 04.6.1. Princípio da autonomia da vontade: em Direito do Trabalho esse princípio vem expresso no artigo 444 da Consolidação das Leis do Trabalho. A autonomia da vontadeem Direito do Trabalho funciona de forma suplementar de criação de normas em comparação com as regras estatais, ao contrário do que ocorre com o Direito Civil. Isso quer dizer que em Direito do Trabalho o conteúdo do contrato de emprego é constituído majoritariamente por regras imperativas, sobre as quais as partes não podem negociar, existindo apenas um pequeno espaço para que a vontade das partes se manifeste: em princípio, as partes podem como manifestação da autonomia da vontade, criar condições mais favoráveis do que aquelas previstas em lei e, excepcionalmente, nos casos de autorizados na Constituição Federal de 1988, negociarem para reduzir vantagens (artigo 7º - redução de salários, compensação ou redução de jornada de trabalho). 04.6.2. Princípio da força obrigatória dos contratos: Quando for permitido às partes da relação de emprego criar condições de trabalho, essa manifestação de vontade terá força de lei entre os contratantes: os contratos devem ser cumpridos pelas partes nos termos em que foram ajustados (pacta sunt servanda), salvo condições especiais (a ocorrência de fatos imprevisíveis que acarretem grande desequilíbrio entre os contratantes pode autorizar em casos especiais o descumprimento dos acordos - a chamada teoria da imprevisão ou cláusula rebus sic stantibus). Isso que dizer que, se o empregador, no contrato de emprego, ou no acordo ou convenção coletiva, ou no regulamento de empresa, der ao empregado determinada vantagem ao empregado que não era obrigatória por lei (por exemplo, abono assiduidade), terá que cumpri-la integralmente, da forma como foi pactuada. 33 04.6.3. Princípio da exceção do contrato não cumprido: nenhum dos contratantes pode exigir o implemento da obrigação da outra parte sem cumprir a sua. Exemplo: o artigo 459 da Consolidação das Leis do Trabalho diz que o empregado recebe salários até o 5º dia útil seguinte ao mês trabalhado. O empregado não pode exigir o salário (contraprestação devido pelo empregador) antes de cumprir a obrigação pactuada (executar os serviços). 5. RELAÇÃO DE TRABALHO. NATUREZA JURÍDICA: TEORIAS CONTRATUALISTAS E ANTI- CONTRATUALISTAS. RELAÇÃO DE EMPREGO. CARACTERÍSTICAS. 5.1. Teorias Segundo Amauri Mascaro Nascimento: 5.1.1. Direito Público: para alguns doutrinadores é ramo do direito público tamanho é o grau de intervenção do Estado nas relações jurídicas trabalhistas ao editar normas cogentes. 5.1.2. Direito Privado: para outros doutrinadores é ramo do direito privado tendo em vista que o contrato de trabalho é oriundo do contrato de prestação de serviços do Direito Civil. Reforma Trabalhista: Em reforço à tese contratualista do contrato de trabalho houve por bem o legislador inserir o parágrafo único ao artigo 444, da CLT, com a redação dada pela Lei nº 13.467/2017. Vejamos como ficou o conteúdo do referido dispositivo legal na íntegra: 34 Art. 444 - As relações contratuais de trabalho podem ser objeto de livre estipulação das partes interessadas em tudo quanto não contravenha às disposições de proteção ao trabalho, aos contratos coletivos que lhes sejam aplicáveis e às decisões das autoridades competentes. Parágrafo único. A livre estipulação a que se refere o caput deste artigo aplica-se às hipóteses previstas no art. 611-A desta Consolidação, com a mesma eficácia legal e preponderância sobre os instrumentos coletivos, no caso de empregado portador de diploma de nível superior e que perceba salário mensal igual ou superior a duas vezes o limite máximo dos benefícios do Regime Geral de Previdência Social. Observação: Preocupa-nos o parágrafo único em comento na medida em que permite que o empregado, apenas pelo fato de ser portador de diploma de nível superior e que perceba salário mensal igual ou superior a duas vezes o limite máximo dos benefícios do Regime Geral de Previdência Social possa contratar qualquer com o empregador de forma ilimitada. Com efeito, nos parece equivocado separar o hipossuficiente do hipersuficiente pelo grau de instrução e pelo salário. 5.1.3. Direito Misto: para os doutrinadores que sustentam que no direito do trabalho existem tanto normas de direito privado, como de direito público. 5.1.4. Direito Unitário: para os doutrinadores que sustentam a fusão entre o direito público e o direito privado. 5.2. Relação de Emprego. Requisitos. Em verdade o termo “relação de trabalho” é gênero do qual é uma das espécies a “relação de emprego”. Relação de emprego é o trabalho regido nos moldes da Consolidação das Leis do Trabalho. Em suma: é o contrato de trabalho. Os requisitos do 35 contrato de trabalho são os seguintes: subordinação jurídica, habitualidade, onerosidade, pessoa física e pessoalidade. Para alguns doutrinadores a alteridade, que nada mais é do que o risco do empreendimento que fica a cargo do empregador, também é requisito da relação de emprego. 6. TIPOS ESPECIAIS DE CONTRATOS DE TRABALHO E EMPREGO. OUTRAS RELAÇÕES DE TRABALHO. 6.1. Tipos Especiais de Contratos de Trabalho e Emprego. 6.1.1. Trabalho Rural. Segundo o artigo 2º da Lei nº 5.889/1973 empregado rural é toda pessoa física que, em propriedade rural ou prédio rústico, presta serviços de natureza não eventual a empregador rural, sob a dependência deste e mediante salário. 36 Referido diploma legal traz algumas diferenças em relação aos empregados urbanos. São exemplos disso: a) contrato de safra – é modalidade de contrato de trabalho por prazo determinado, embora não se conheça previamente a data do término da safra. b) jornada noturna na lavoura – das 21:00 horas às 5:00 horas da manhã do dia seguinte. c) jornada noturna na pecuária – das 20:00 horas às 4:00 horas da manhã do dia seguinte. d) adicional noturno – 25% sobre a remuneração normal. e) intervalo intrajornada – observância dos usos e costumes da região. O Decreto regulamentador da Lei fala em gozo de intervalo intrajornada mínimo de uma hora, observados os usos e costumes da região. f) percentual de desconto a título de moradia – 20% sobre o salário mínimo. g) percentual de desconto a título de alimentação – 25% sobre o salário mínimo. h) desocupação de imóvel no caso de rescisão contratual – prazo de 30 dias. i) aviso prévio de desligamento promovido pelo empregador – o empregado faz jus a um dia por semana sem prejuízo do salário integral para procurar outro emprego. Está no Decreto regulamentador da Lei. j) propriedade rural com mais de 50 famílias de trabalhadores de qualquer natureza é obrigada a possuir e conservar em funcionamento escola primária, inteiramente gratuita, para os filhos destes, com tantas classes quantos sejam os grupos de 40 crianças em idade escolar. 37 6.2. Trabalho Doméstico. A Lei nº 5.859/1972 foi expressamente revogada pela Lei Complementar nº 150/2015. Dispõe o artigo 1º da Lei nº 5.859/1972 empregado doméstico é aquele que presta serviços de natureza contínua e de finalidade não lucrativa à pessoa ou à família no âmbito residencial destas. O legislador constituinte estendeu aos trabalhadores domésticos apenas parte dos direitos trabalhistas dos empregados em geral (artigo 7º, parágrafo único da Constituição Federal de 1988). A Lei nº 10.208/2001 facultou a inclusão dos trabalhadores domésticos no regime do FGTS. Vale dizer: não está obrigado a empregador doméstico a depositar mensalmente o FGTS. Todavia, se o fizer por uma única vez, tal benefício não poderá ser suprimido. Em sendo beneficiário do FGTS o trabalhador doméstico também fará jus ao seguro desemprego, na hipótese de desemprego involuntário e sem justa causa. Mais recentemente, a Lei nº 11.324/2006 estendeu aos trabalhadores domésticos o direito às férias de trintadias com o terço constitucional, bem como a estabilidade provisória de cinco meses após o parto. Com o advento da Emenda Constitucional nº 72/2013 de 02/04/2013, que na data de sua promulgação dependia de regulamentação parcial, outros direitos trabalhistas foram estendidos aos trabalhadores domésticos, a saber: 38 Direitos trabalhistas dos domésticos que não dependeram de regulamentação: -salário mínimo. -irredutibilidade salarial. -garantia de salário mínimo aos que recebem remuneração variável. -13º salário. -proteção ao salário na forma da lei, constituindo crime sua retenção dolosa. -jornada de 8 horas diárias e 44 horas semanais. -repouso semanal remunerado. -horas extras com acréscimo de, no mínimo, 50%. -férias com o terço constitucional. -licença maternidade de 120 dias. -licença paternidade. -aviso prévio proporcional ao tempo de serviço sendo de, no mínimo, 30 dias. -redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas de saúde, higiene e segurança. -aposentadoria. -reconhecimento das convenções e acordos coletivos de trabalho. -proibição de diferença de salários, de exercício de funções e de critério de admissão por motivo de sexo, idade, cor ou estado civil. -proibição de qualquer discriminação no tocante a salário e critérios de admissão do trabalhador portador de deficiência. -proibição do trabalho noturno, perigoso ou insalubre a menores de 18 anos e de qualquer trabalho a menores de 16 anos, salvo na condição de aprendiz, a partir dos 14 anos. 39 Direitos trabalhistas dos domésticos que dependeram de regulamentação: -relação de emprego protegida contra despedida arbitrária ou sem justa causa, nos termos de lei complementar, que preverá indenização compensatória, dentre outros direitos. -seguro desemprego, em caso de desemprego involuntário. -FGTS. -remuneração do trabalho noturno superior à do diurno. -salário família pago em razão do dependente do trabalhador de baixa renda nos termos da lei. -assistência gratuita aos filhos e dependentes desde o nascimento até 6 anos de idade em creches e pré-escolas. -seguro contra acidentes de trabalho, a cargo do empregador, sem excluir a indenização a que este está obrigado, quando incorrer em dolo ou culpa. Observação: com a Emenda Constitucional nº 72/2013 o intuito do legislador constituinte derivado não é outro senão o de igualar os direitos dos trabalhadores domésticos em relação aos direitos trabalhistas dos demais empregados das empresas. Com o advento da Lei Complementar nº 150/2015 foram regulamentos os direitos dos trabalhadores domésticos que estavam previstos na Emenda Constitucional nº 72/2013 e que dependiam de regulamentação. Assim, dispõe a Lei Complementar nº 150/2015: 40 1) para ser trabalhador doméstico com registro em CTPS há que ser o trabalho desenvolvido por três ou mais dias da semana para a mesma família ou pessoa física; se o trabalho for por até duas vezes na semana para a mesma família ou pessoa trata-se de diarista. 2) duração normal da jornada – 8 horas diárias e 44 horas semanais. 3) adicional de horas extras – 50% 4) divisor para o cálculo das horas extras – 220, exceto se a jornada de trabalho for inferior a 44 horas semanais. 5) possibilidade de acordo individual escrito de compensação de horas entre empregado e empregador. 6) banco de horas. 7) intervalos para repouso, horas não trabalhadas, feriados e domingos livres, ainda que o empregado more no local de trabalho, não serão computados como horário de trabalho. 8) possibilidade de contratação a tempo parcial – até 25 horas semanais. 9) mesmo na contratação a tempo parcial é possível realizar horas extras desde que não ultrapasse o limite máximo de seis horas semanais. 41 10) as férias do trabalhador doméstico a tempo parcial são por tempo inferior àqueles empregados que com jornada de 44 horas semanais, nos mesmos moldes do artigo 130- A da CLT. 11) possibilidade de contratação por prazo determinado no caso de contrato de experiência e no caso de atendimento de necessidades familiares de natureza transitória e para substituição temporária de empregado doméstico com contrato de trabalho interrompido ou suspenso. 12) no caso de contrato de trabalho por prazo determinado por qualquer das partes aplicar-se-á o disposto no artigo 479 da CLT. 13) contrato de experiência com tempo máximo de 90 dias, permitida uma prorrogação, desde que não ultrapasse esse tempo. 14) se o contrato de trabalho ultrapassar 90 dias fica automaticamente convertido em contrato de trabalho por prazo indeterminado. 15) possibilidade de fixação de jornada de trabalho na escala 12x36. 16) quando o trabalhador doméstico que acompanhar o empregador em viagens será tempo de horas efetivamente trabalhadas podendo ser compensadas em outro dia aquelas suplementares laboradas em determinado dia. 17) a remuneração-hora do serviço em viagem deve ser paga com 25% de acréscimo. 42 18) a remuneração-hora de 25% poderá ser convertida em banco de horas. 19) obrigatoriedade de registro em CTPS. 20) intervalo intrajornada de uma a duas por dias, admitindo-se, mediante prévio acordo escrito entre empregado e empregador a redução para 30 minutos diários. 21) no caso do trabalhador doméstico residir no imóvel do empregador o período de intervalo intrajornada poderá ser desmembrado em dois períodos, desde que cada um deles tenha, no mínimo, uma hora, até o limite de 4 horas ao dia. 22) o trabalho noturno é exercido das 22:00 horas às 5:00 horas da manhã do dia seguinte. 23) a noturna é de 52 minutos e 30 segundos. 24) adicional noturno – 20%. 25) jornada mista – se aplica o adicional noturno quando esta ultrapassar as 22:00 horas. 26) intervalo interjornada – mínimo de 11 horas consecutivas. 27) descanso semanal remunerado – 24 horas, preferencialmente aos domingos, além do descanso semanal remunerado em feriados. 43 28) férias 30 dias com acréscimo de 1/3, exceto se se tratar de trabalho a tempo parcial. 29) férias proporcionais – fração superior a 14 dias. 30) conversão de 10 dias em abono pecuniário de férias – é possível – faculdade do empregado e não do empregador. 31) requerimento de férias – 30 dias antes do término do período aquisitivo. 32) se o empregado residir no imóvel é lícita sua permanência neste durante as férias. 33) férias – período aquisitivo – após 12 meses de trabalho. 34) vedação de descontos pelo fornecimento de alimentação, vestuário, higiene ou moradia, bem como despesas com transporte, hospedagem e alimentação em caso de acompanhamento em viagem. 35) descontos permitidos – adiantamento salarial e, mediante acordo escrito entre as partes, plano de assistência médico-hospitalar e odontológica, de seguro e de previdência privada não podendo a dedução ultrapassar 20% do salário. 36) desconto por moradia – é possível desde que se refira a local diverso da residência em que ocorrer a prestação do serviço e desde que essa possibilidade tenha sido expressamente acordada entre as partes. 44 37) alimentação, vestuário, higiene e moradia fornecidos pelo empregador não têm natureza salarial e nem se incorporam à remuneração para quaisquer efeitos. 38) o fornecimento de moradia ao empregado doméstico na própria residência ou em moradia anexa de qualquer natureza não gera ao empregado qualquer direito de posse ou de propriedade sobre a referida moradia. 39) 13º salário. 40) vale transporte. 41) o vale transporte pode ser substituído, a critério do empregador, pela concessão, mediante recibo, dos valores para a aquisiçãodas passagens necessárias ao custeio das despesas decorrentes do deslocamento residência-trabalho e vice-versa. 42) previdência social. 43) FGTS de 8% sobre a remuneração. 44) FGTS depende de regulamentação pelo Conselho Curador e pelo agente operador. 45) depósito da indenização de 3,2% sobre o FGTS para fins de indenização. 46) quando se tratar de dispensa por justa causa ou a pedido, de término do contrato de trabalho por prazo determinado, de aposentadoria e de falecimento do empregado 45 doméstico, os valores depositados da indenização mensal poderão ser movimentados pelo empregador. 47) quando se tratar de culpa recíproca, metade dos valores depositados a título de indenização será movimentada pelo empregado e a outra metade pelo empregador. 48) aviso prévio por parte do empregado e por parte do empregador. 49) tempo do aviso prévio – 30 dias ao empregado que conte com até um ano de trabalho para o mesmo empregador. 50) aviso prévio proporcional ao tempo de serviço – 3 dias para cada ano de trabalho para o mesmo empregador, até o máximo de 60 dias, perfazendo o total de 90 dias. 51) falta de aviso prévio pelo empregador – direito do empregado aos salários do respectivo período. 52) falta de aviso prévio pelo empregado – direito do empregador de descontar os salários do respectivo período. 53) as horas extras devem integrar o aviso prévio indenizado. 54) rescisão contratual promovida pelo empregador – direito do empregado optar entre a redução de duas horas diárias ou sete dias corridos. 46 55) licença gestante de 120 dias. 56) estabilidade da gestante – tem direito ainda que a concepção tenha ocorrido no período do aviso prévio trabalhado ou indenizado. 57) dispensa sem justa causa do empregado doméstico – direito ao seguro desemprego, na forma da Lei nº 7.998/90. 58) seguro desemprego – 3 parcelas de um salário mínimo cada uma. 59) cancelamento do seguro desemprego: a) pela recusa, por parte do trabalhador desempregado, de outro emprego condizente com sua qualificação registrada ou declarada e com sua remuneração anterior. b) se comprovada a falsidade na prestação das informações necessárias à habilitação. c) por comprovação de fraude visando a percepção indevida do benefício do seguro desemprego. d) por morte do segurado. 60) justa causa cometida pelo empregado: a) submissão a maus tratos de idoso, de enfermo, de pessoa com deficiência ou de criança sob cuidado direto ou indireto do empregado. b) prática de ato de improbidade. c) incontinência de conduta ou mau procedimento. d) condenação criminal do empregado transitada em julgado, caso não tenha havido suspensão da execução da pena. e) desídia no desempenho das respectivas funções. 47 f) embriaguez habitual ou em serviço. g) ato de indisciplina ou de insubordinação. h) abandono de emprego, assim considerada a ausência injustificada ao serviço por, pelo menos, 30 (trinta) dias corridos. i) ato lesivo à honra ou à boa fama ou ofensas físicas praticadas em serviço contra qualquer pessoa, salvo em caso de legítima defesa, própria ou de outrem. j) ato lesivo à honra ou à boa fama ou ofensas físicas praticadas em serviço contra o empregador doméstico ou sua família, salvo em caso de legítima defesa, própria ou de outrem. k) prática constante de jogos de azar. 61) justa causa cometida pelo empregador: a) o empregador exigir serviços superiores às forças do empregado doméstico, defesos por lei, contrários aos bons costumes ou alheios ao contrato. b) o empregado doméstico for tratado pelo empregador ou por sua família com rigor excessivo ou de forma degradante. c) o empregado doméstico correr perigo manifesto de mal considerável. d) o empregador não cumprir as obrigações do contrato. e) o empregador ou sua família praticar, contra o empregado doméstico ou pessoas de sua família, ato lesivo à honra e à boa fama. f) o empregador ou sua família ofender o empregado doméstico ou sua família fisicamente, salvo em caso de legítima defesa, própria ou de outrem. g) o empregador praticar qualquer das formas de violência doméstica ou familiar contra mulheres de que trata o artigo 5º da Lei nº 11.340/2006 de 07/08/2006 (Lei Maria da Penha). 48 62) seguro desemprego – exigências: a) CTPS com anotação do contrato de trabalho de modo a comprovar o vínculo empregatício, como empregado doméstico, durante pelo menos 15 (quinze) meses nos últimos 24 (vinte e quatro) meses. b) TRCT. c) declaração de que não está em gozo de benefício de prestação continuada da Previdência Social, exceto auxílio acidente e pensão por morte. d) declaração de que não possui renda própria de qualquer natureza suficiente à sua manutenção e de sua família. 63) prazo para requerimento do seguro desemprego - de 07 (sete) a 90 (noventa) dias contados da data da dispensa. 64) novo seguro desemprego – somente poderá ser requerido após o cumprimento de novo período aquisitivo, cuja duração será definida pelo CODEFAT. 65) Simples Doméstico – regime unificado do pagamento de tributos. 66) Simples Doméstico abrange: a) 8% a 11% de contribuição previdenciária a cargo do segurado empregado doméstico. b) 8% a título de cota patronal previdenciária a cardo do empregador doméstico. c) 0,8% de contribuição social para financiamento do seguro contra acidentes do trabalho. 49 d) 8% a título de FGTS. e) 3,2% a título de indenização da multa sobre o FGTS. f) imposto de renda. 67) Lei nº 8.213/91 – artigo 19 – estende aos empregados domésticos o conceito de acidente típico de trabalho. 68) auxílio doença ao empregado doméstico – será considerado pelo empregador doméstico como licenciado. 69) salário-família – estendido ao empregado doméstico. 70) requisitos para recebimento do salário família – apresentação de certidão de nascimento do filho. 71) cotas do salário família serão pagas pelo empregador doméstico e compensadas quando do recolhimento das contribuições. 72) guarda de documentos pelo empregador doméstico – 10 anos. 73) fiscalização – será feita pelo auditor-fiscal do trabalho mediante agendamento e de entendimento prévios entre a fiscalização e o empregador. 74) função precípua da fiscalização – será orientadora. 50 75) Revogado o inciso I do artigo 3º da Lei nº 8.009/90 de 29/03/1990 (Lei do Bem de Família que previa a possibilidade de penhora de único imóvel residencial no caso de dívida de trabalho doméstico) e a Lei nº 5.859/1972 (Lei do trabalho doméstico, eis que compilada toda a legislação nesta Lei Complementar). Ainda sobre os trabalhadores domésticos veja-se o contido na Lei nº 12.964/2014 dispõe o seguinte: PODER EXECUTIVO - LEI Nº 12.964 DE 08.04.2014 D.O.U.: 09.04.2014 Altera a Lei nº 5.859, de 11 de dezembro de 1972, para dispor sobre multa por infração à legislação do trabalho doméstico, e dá outras providências. A PRESIDENTA DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Art. 1º A Lei nº 5.859, de 11 de dezembro de 1972, passa a vigorar acrescida do seguinte art. 6º-E: "Artigo 6º-E. As multas e os valores fixados para as infrações previstas na Consolidação das Leis do Trabalho - CLT, aprovada pelo Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943, aplicam-se, no que couber, às infrações ao disposto nesta Lei. § 1º A gravidade será aferida considerando-se o tempo de serviço do empregado, a idade, o número de empregados e o tipo da infração. § 2º A multa pela falta de anotação da data de admissão e da remuneração do empregado doméstico na Carteira de Trabalho e Previdência Social será elevada em pelo