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<p>Página inicial</p><p>Pular para o conteúdo principal Pular para a navegação</p><p>Teoria e Prática</p><p>da</p><p>Psicopedagogia</p><p>Clínica</p><p>Profª. Anelise Donaduzzi</p><p>Renata Miranda de Araújo</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial</p><p>https://getfireshot.com</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p%C3%A1gina-inicial</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p%C3%A1gina-inicial</p><p>Apresentação Geral da Disciplina</p><p>A construção da clínica na história da psicopedagogia. Psicopedagogica clínica ou clínica</p><p>psicopedagógica? Psicopedagogia clínica e metodologias de intervenção. O processo de</p><p>investigação clínica. Etapas e instrumentos do diagnóstico psicopedagógico. Intervenção em</p><p>Psicopedagógica Clínica: o paciente, a família, a escola. Ações terapêuticas e preventivas.</p><p>Estudos de casos. Avaliação psicopedagógica compartilhada. A reavaliação psicopedagógica. O</p><p>olhar e a escuta psicopedagógica. A construção da autoria na atuação psicopedagógica.</p><p>OBJETIVOS DA DISCIPLINA</p><p>Conhecer a história da psicopedagogia clínica;</p><p>Compreender os principais conceitos que fundamentam a prática da psicopedagogia clínica;</p><p>Relacionar os conceitos da psicopedagogia clínica com a sua prática.</p><p>Conhecer as diversas abordagens que fundamentam o diagnóstico psicopedagógico.</p><p>Caracterizar as etapas do diagnóstico psicopedagógico clínico.</p><p>Identificar os principais instrumentos utilizados no diagnóstico psicopedagógico.</p><p>Relacionar as etapas do diagnóstico psicopedagógico, bem como os instrumentos utilizados</p><p>neste processo com o caso apresentado.</p><p>Elaborar o relatório do diagnóstico psicopedagógico a partir da análise dos dados</p><p>apresentados.</p><p>Conhecer as diversas metodologias possíveis de serem utilizadas na intervenção</p><p>psicopedagógica.</p><p>Diferenciar ações terapêuticas de ações preventivas no contexto da psicopedagogia clínica.</p><p>Situar a intervenção psicopedagógica clínica na abordagem com o paciente, a família e a</p><p>escola.</p><p>Analisar as possíveis ações psicopedagógicas a partir de um estudo de caso.</p><p>Construir procedimentos de intervenção psicopedagógica clínica compatíveis com o caso</p><p>apresentado.</p><p>Identificar o perfil, as competências e habilidades necessárias para o exercício do fazer</p><p>psicopedagógico.</p><p>Conceituar o olhar e a escuta psicopedagógica.</p><p>Relacionar a construção da autoria de pensamento com a atuação psicopedagógica clínica.</p><p>Olá, aluno!</p><p>Bem-vindo à disciplina de Teoria e Prática da Psicopedagogia Clínica. Esta disciplina irá</p><p>propor uma reflexão sobre a história da psicopedagogia clínica, abordará as questões</p><p>pertinentes ao diagnóstico avaliativo psicopedagógico, discutiremos sobre a intervenção</p><p>psicopedagógica na perspectiva preventiva e terapêutica.</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial</p><p>https://getfireshot.com</p><p>De tal modo, sugerimos que você permaneça “conectado”, pois o conteúdo aqui</p><p>apresentado sugere uma reflexão sobre a atuação do psicopedagogo e sua formação</p><p>pessoal e acadêmica que é primordial para garantir a qualidade do atendimento.</p><p>Para Scoz (1991), o psicopedagogo clínico, enquanto profissional que atua nas áreas da</p><p>saúde e da educação, deverá se instrumentalizar teoricamente, mas sem deixar de lado a</p><p>sua formação pessoal. Sua formação deverá ter por base sólidos conhecimentos</p><p>científicos, a fim de alcançar um maior nível de qualidade, de seriedade e</p><p>comprometimento em suas ações.</p><p>Prontos para essa jornada de descobertas sobre a psicopedagogia?</p><p>Para seguir com seus estudos acesse no Livro Didático , o qual apresenta três capítulos,</p><p>subdivididos em seções com a intenção de facilitar seu estudo sobre os diversos temas</p><p>trabalhados. Ao longo desses capítulos, você encontrará indicações de textos teóricos,</p><p>artigos científicos, vídeos e as atividades que devem ser feitas durante os momentos de</p><p>estudos, cuja intenção é enriquecer sua aprendizagem.</p><p>Leia, reflita, mergulhe no universo que envolve a compreensão, Desenvolvimento da</p><p>Linguagem e escrita pois estamos inseridos em uma sociedade diversificada,</p><p>heterogênea e que caminha constante.</p><p>E, para ampliar seus conhecimentos, acesse a Biblioteca Virtual. Neste ambiente estão</p><p>disponíveis títulos de e-books, periódicos científicos e informativos, todos em formato</p><p>eletrônico. São publicações de diversos autores, além de um amplo acervo atualizado de</p><p>jornais e revistas nacionais e internacionais. Todo o corpo docente e discente da</p><p>Unicesumar pode acessar o material onde estiver, via smartphone, tablet e/ou outros</p><p>dispositivos eletrônicos.</p><p>Que essa caminhada lhe proporcione um ótimo aprendizado!</p><p>Se surgirem dúvidas, entre em contato com nossos tutores e professores. Estamos juntos</p><p>construindo nossa história!</p><p>Bons estudos!</p><p>Avançar</p><p>UNICESUMAR | UNIVERSO EAD</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial</p><p>https://getfireshot.com</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p%C3%A1gina-inicial/unidade-3</p><p>Página inicial</p><p>Pular para o conteúdo principal Pular para a navegação</p><p>UNIDADE 1</p><p>Olá aluno!</p><p>No Capítulo 1, aprofundaremos o nosso conhecimento sobre a trajetória da</p><p>Psicopedagogia no Brasil, até chegarmos ao momento atual. Discutiremos, também, os</p><p>principais conceitos que se encontram presentes no fazer psicopedagógico. Com certeza,</p><p>teremos um importante caminho de reflexões e discussões pela frente.</p><p>Teoria e Prática da Psicopedagogia Clínica - Etapa</p><p>Você escutou o termo Enfant sauvage?</p><p>São crianças que desde os primeiros anos de vida passaram a viver isoladas da</p><p>humanidade, foram privadas do convívio sociocultural.</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-1</p><p>https://getfireshot.com</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p%C3%A1gina-inicial</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p%C3%A1gina-inicial</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p%C3%A1gina-inicial/unidade-1#h.21ahngofdsar</p><p>https://youtu.be/GxkSTZw-NF4</p><p>Vamos entender mais sobre essas questões do desenvolvimento?</p><p>Leia o Capítulo 1 do livro didático.</p><p>CAPÍTULO 1 - A HISTÓRIA DA</p><p>PSICOPEDAGOGIA CLÍNICA:</p><p>UMA PRÁTICA EM</p><p>CONSTRUÇÃO</p><p>OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM</p><p>A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes</p><p>objetivos de aprendizagem:</p><p>Conhecer a história da psicopedagogia clínica;</p><p>Compreender os principais conceitos que fundamentam a prática da</p><p>psicopedagogia clínica;</p><p>Relacionar os conceitos da psicopedagogia clínica com a sua prática.</p><p>CONTEXTUALIZAÇÃO</p><p>Atualmente, a psicopedagogia é um campo do saber amplamente conhecido e</p><p>divulgado. No contexto escolar, hoje em dia, é muito comum haver uma parceria</p><p>entre a escola e o profissional da psicopedagogia, principalmente no trabalho com</p><p>alunos com dificuldades de aprendizagem. Acredito que você, aluno, já deva ter</p><p>ouvido diversas pessoas se referirem à psicopedagogia, não é mesmo? Mas, nem</p><p>sempre foi assim...</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-1</p><p>https://getfireshot.com</p><p>Podemos dizer que esta área do conhecimento ainda é relativamente nova e seu</p><p>corpo teórico encontra-se em permanente construção. Esse saber não está pronto e</p><p>acabado, uma vez que dialoga constantemente com as outras áreas do</p><p>conhecimento e recebe influência direta delas.</p><p>Afirmamos então, que a psicopedagogia é uma área do conhecimento</p><p>multidisciplinar por receber influência e influenciar outras áreas, tais como a</p><p>psicologia, a psicanálise, a linguística, a sociologia, a pedagogia, a neurologia, entre</p><p>outras.</p><p>Por esta razão, a psicopedagogia, desde os seus primórdios no Brasil, passou por</p><p>várias fases na sua atuação, marcada pelas diferentes concepções que embasaram</p><p>sua prática.</p><p>a aprendizagem?</p><p>Nesta família circula a afetividade, ou só há cobranças?</p><p>Os limites são impostos e como são colocados?</p><p>Qual a forma de punição dada por esta família?</p><p>Neste site, você encontra um roteiro bastante completo</p><p>Conecte-se</p><p>Neste site, você encontra um roteiro bastante completo e</p><p>detalhado de uma anamnese psicopedagógica. Segue o link:</p><p>< http://loanycosta.blogspot.com.br >.</p><p>Disponível aqui</p><p>c) Sessão Lúdica Centrada na Aprendizagem ou “A Hora do Jogo”</p><p>Com toda a certeza, podemos afirmar que observar uma criança brincando é uma</p><p>grande oportunidade para conhecer e compreender seu modo de agir e de pensar.</p><p>Quando uma criança interage com brinquedos, ela expressa a realidade do seu</p><p>mundo interno e a sua relação com o mundo externo através do brincar.</p><p>Brincar é uma forma de expressão, pois através do jogo a criança define seus papéis,</p><p>seu espaço, mostrando suas relações interpessoais. Concordo com Fernández (1991),</p><p>quando afirma que o espaço de aprendizagem e o espaço de jogar/brincar são</p><p>coincidentes, já que a criança utiliza as mesmas estruturas mentais em ambos os</p><p>casos.</p><p>De acordo com Caierão (2013, p. 49):</p><p>A Psicopedagogia, cuja função é mediar o processo de aprendizagem de quem se encontra</p><p>impossibilitado de fazê-lo e resgatar o prazer de aprender, fazendo-se autor do seu próprio</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-2</p><p>https://getfireshot.com</p><p>http://loanycosta.blogspot.com.br/2011/08/historia-de-vida-ou-anamnese.html</p><p>http://loanycosta.blogspot.com.br/</p><p>aprender, encontra na ação do brincar os principais fundamentos para a sua prática</p><p>emancipatória com crianças, pois não há como fazer Psicopedagogia fora da perspectiva lúdica,</p><p>já que a ludicidade implica construção, autoria e prazer.</p><p>A observação lúdica é uma técnica de coleta de dados que auxilia o psicopedagogo a</p><p>investigar os aspectos mais significativos do brincar para a formulação das suas</p><p>hipóteses sobre o quadro de dificuldade de aprendizagem que a criança vem</p><p>enfrentando. Contudo, o profissional precisa saber “ler” as brincadeiras e esse é um</p><p>dos maiores desafios do nosso trabalho.</p><p>Na sessão “A Hora do Jogo”, o psicopedagogo deve observar a criança brincando,</p><p>bem como os instrumentos que ela utiliza para determinado fim. Trata-se de uma</p><p>observação espontânea na qual a motivação por brincar deve ser a maior</p><p>preocupação da criança, do que o fato de se sentir observada . É importante lembrar</p><p>que é a criança quem deve conduzir a brincadeira e, neste caso, o psicopedagogo só</p><p>irá participar quando for solicitado.</p><p>Caierão (2013) nos alerta que a “Hora do Jogo” não é um método, mas sim, uma</p><p>técnica utilizada para diagnosticar o problema de aprendizagem e que o profissional</p><p>deve prestar especial atenção ao processo de construção do simbólico presente</p><p>neste momento.</p><p>O psicopedagogo deve possuir objetivos claros ao realizar uma sessão lúdica ou uma</p><p>sessão “A Hora do Jogo”, durante uma avaliação psicopedagógica. Listarei, a seguir, os</p><p>principais objetivos para a utilização dessa técnica (WEISS, 1994; FERNÁNDEZ, 1991;</p><p>PAIN, 1992):</p><p>Conhecer o universo interno da criança e a forma como se relaciona com o meio</p><p>externo;</p><p>Estabelecer um vínculo positivo com a criança;</p><p>Levantar hipóteses sobre a sua modalidade de aprendizagem;</p><p>Levantar hipóteses sobre sua capacidade de simbolização;</p><p>Auxiliar no diagnóstico de crianças que não respondem a outras formas de</p><p>avaliação;</p><p>Auxiliar na investigação dos processos cognitivos e afetivos – sociais da criança em</p><p>questão.</p><p>Mas, afinal, como o psicopedagogo realiza essa técnica durante a avaliação?</p><p>Em primeiro lugar, o psicopedagogo deve selecionar brinquedos e jogos diversos de</p><p>acordo com o sexo da criança, o seu interesse e o que se quer investigar. Os</p><p>brinquedos são colocados em uma caixa e são oferecidos para que a criança interaja</p><p>com eles. A criança deve sentir liberdade na escolha e na condução das brincadeiras.</p><p>O psicopedagogo deve entrar nas propostas, somente quando for solicitado,</p><p>interferindo o mínimo possível no transcorrer da brincadeira. Lembre-se, é a criança</p><p>quem conduz a situação.</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-2</p><p>https://getfireshot.com</p><p>São exemplos de materiais que podem compor a caixa: quebra-cabeça, dominó, pega</p><p>vareta, outros jogos de regras de acordo com a idade da criança, massinha de</p><p>modelar, folhas e lápis de cor, livrinhos de história, blocos de montar, animais em</p><p>miniaturas, carrinhos e bonecos, entre outros. Mas lembre-se, esta caixa tem que ser</p><p>montada para cada criança, de acordo com as suas particularidades.</p><p>Enquanto a criança brinca, o psicopedagogo deverá estar atento e observar diversos</p><p>pontos. Entre eles:</p><p>A interação da criança frente ao brinquedo;</p><p>O repertório cognitivo, afetivo, motor, funcional e social, utilizados durante o ato</p><p>de brincar;</p><p>O nível e o tipo de linguagem;</p><p>A conduta;</p><p>O uso do brinquedo enquanto função real e/ou função semiótica (ou simbólica);</p><p>A proposta de brincadeiras;</p><p>A centralização de brinquedos regressivos ou superiores a idade da criança;</p><p>O nível de interação com o psicopedagogo (WEISS, 1994; FERNÁNDEZ, 1991; PAIN,</p><p>1992).</p><p>O psicopedagogo deve também observar o modo como essa criança brinca,</p><p>conforme Gomes e Azevedo (2016):</p><p>Usa o material mais ao alcance da mão, não explorando os restantes;</p><p>Explora todo o material e depois se fixa em alguma coisa;</p><p>Escolhe os materiais planejando uma brincadeira;</p><p>Estrutura uma brincadeira com começo, meio e fim, com coerência interna;</p><p>Tem flexibilidade no uso dos objetos, modificando-o conforme a necessidade;</p><p>As brincadeiras são criativas ou são repetições de situações convencionais;</p><p>Começa uma atividade e a interrompe passando a outra, sem nunca concluir a</p><p>primeira;</p><p>Permanece concentrado durante a brincadeira;</p><p>Qual o conteúdo das suas brincadeiras;</p><p>Quais os papéis que desempenha durante o jogo simbólico;</p><p>Resolve as situações problemáticas que surgirem;</p><p>Utilização do corpo durante a brincadeira, aspecto motor.</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-2</p><p>https://getfireshot.com</p><p>E finalmente, o psicopedagogo deve observar como a criança interage com o</p><p>profissional, conforme Gomes e Azevedo (2016):</p><p>Brinca sozinho, concentrado, ignorando o terapeuta;</p><p>Brinca sozinho, mas olhando constantemente para o terapeuta;</p><p>Fica dependendo do terapeuta para brincar, pedindo sempre a sua ajuda;</p><p>Solicita a ajuda somente quando esta é necessária;</p><p>Só escolhe brincadeiras que necessitam da participação do terapeuta como</p><p>parceiro.</p><p>Conecte-se</p><p>Como o tema do brincar na psicopedagogia, ocupa um lugar</p><p>de destaque, é muito importante que você, futuro</p><p>psicopedagogo, se aprofunde neste tema e aprimore os seus</p><p>estudos. Sugiro a leitura de um pequeno artigo que aponta a</p><p>dimensão simbólica e afetiva presente no brincar, bem como a</p><p>sua importância para a aprendizagem. Você encontrará o</p><p>artigo no link:</p><p>< http://www.projetospedagogicosdinamicos.com >.</p><p>Disponível aqui</p><p>Podemos afirmar que não existe nenhuma prática psicopedagógica que não tenha</p><p>relação direta com o brincar, pois qualquer atividade lúdica implica em construção e</p><p>prazer. Sabemos também, que é através do brincar que as crianças se expressam,</p><p>portanto, será também através do brincar que o psicopedagogo estabelecerá um</p><p>vínculo com ela. Você já viu o quanto é rico o brincar de uma criança?</p><p>d) Entrevista Operativa Centrada na Aprendizagem – E.O.C.A.</p><p>A Entrevista Operativa Centrada na Aprendizagem ou EOCA foi desenvolvida pelo</p><p>psicólogo e psicopedagogo argentino Jorge Visca, inspirado na teoria da Psicologia</p><p>Social de Pichon-Rivière, na Psicanálise e no método clínico da Escola de Genebra. De</p><p>acordo com Barbosa (2013, p.69) “[...] o autor relata o surgimento deste Instrumento</p><p>a partir da necessidade de situar seus atendimentos</p><p>a partir do lugar do saber,</p><p>valorizando o sujeito cognoscente”.</p><p>Desta forma, este instrumento possibilita a sondagem da problemática da</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-2</p><p>https://getfireshot.com</p><p>http://www.google.com/url?q=http%3A%2F%2Fwww.projetospedagogicosdinamicos.com%2Fhora_do_jogo.html&sa=D&sntz=1&usg=AOvVaw0Awc-dAxKX3iI8NrAPMenZ</p><p>http://www.google.com/url?q=http%3A%2F%2Fwww.projetospedagogicosdinamicos.com&sa=D&sntz=1&usg=AOvVaw2cQVdJ2c-SYDJ2TWDA_AZR</p><p>aprendizagem e auxilia o profissional a conhecer e construir uma imagem do sujeito</p><p>enquanto aprendente.</p><p>Três aspectos devem ser observados durante a realização da EOCA (BARBOSA, 2013):</p><p>a temática que é tudo aquilo que o sujeito diz e o significado manifesto e</p><p>latente do conteúdo do que é dito;</p><p>a dinâmica que é tudo aquilo que o sujeito faz e que é expresso através do seu</p><p>corpo, dos gestos, da entonação de voz, da maneira de sentar, de manipular os</p><p>objetos, e</p><p>o produto que é tudo aquilo que o sujeito apresenta, que ele deixa registrado,</p><p>que poderá ser uma escrita, um desenho, contas, a leitura, entre outros.</p><p>Objetivos da EOCA:</p><p>Detectar os sintomas das dificuldades apresentadas;</p><p>Formular hipóteses sobre as causas das quais emergem os sintomas;</p><p>Observar seus conhecimentos, atitudes, destrezas, ansiedades, conduta etc;</p><p>Obter dados a respeito do paciente nos aspectos afetivos e cognitivos, a fim de</p><p>formular um sistema de hipóteses e delinear linhas de investigação (CHAMAT,</p><p>2004, p. 72).</p><p>Materiais para a EOCA:</p><p>Os materiais são dispostos sobre uma mesa e apresentados ao paciente.</p><p>Normalmente são utilizados os seguintes materiais:</p><p>Folhas de papel A4, folhas pautadas;</p><p>Lápis novo sem ponta;</p><p>Apontador;</p><p>Caneta esferográfica;</p><p>Massa de modelar;</p><p>Borracha;</p><p>Tesoura e cola;</p><p>Papéis coloridos;</p><p>Régua;</p><p>Revistas e livros;</p><p>Canetas hidrográficas e lápis de cor.</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-2</p><p>https://getfireshot.com</p><p>Técnica:</p><p>A EOCA é uma técnica simples, porém muito rica nos seus resultados. Através dela o</p><p>psicopedagogo consegue reconhecer as possibilidades do sujeito diante do</p><p>conhecimento (VISCA, 1987; SAMPAIO, 2012). Ela deve ser aplicada em apenas uma</p><p>sessão e o material deve estar de acordo com a idade do sujeito, pois pode ser</p><p>utilizada em crianças a partir dos 5 anos até a idade adulta. É interessante deixar o</p><p>material dentro da própria embalagem (lápis de cor, canetinhas, massa de modelar),</p><p>para que o profissional possa observar a autonomia e a iniciativa do paciente.</p><p>Deve-se começar solicitando ao sujeito (consigna) “Gostaria que você me mostrasse o</p><p>que sabe fazer, o que já lhe ensinaram.” “Esse material é para você usar e me mostrar</p><p>o que já aprendeu.” Caso a criança não tome nenhuma iniciativa e fique paralisada</p><p>diante da proposta, o psicopedagogo pode repetir a consigna e acrescentar “Você</p><p>pode desenhar, escrever, fazer alguma coisa de matemática ou qualquer outra coisa</p><p>que lhe venha à cabeça.”</p><p>Roteiro de Observação:</p><p>Roteiro de Observação</p><p>Marque as questões observadas</p><p>Em relação à Temática:</p><p>( ) fala muito durante todo o tempo da sessão</p><p>( ) fala pouco durante todo o tempo da sessão</p><p>( ) verbaliza bem as palavras</p><p>( ) expressa com facilidade</p><p>( ) apresenta dificuldades para se expressar verbalmente</p><p>( ) fala de suas ideias, vontades e desejos</p><p>( ) mostra-se retraído para se expor</p><p>( ) sua fala tem lógica e sequência de fatos</p><p>( ) parece viver num mundo de fantasias</p><p>( ) tem consciência do que é real e do que é imaginário</p><p>( ) conversa com o terapeuta sem constrangimento</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-2</p><p>https://getfireshot.com</p><p>Observação:</p><p>________________________________________________________________</p><p>_____</p><p>________________________________________________________________</p><p>_____</p><p>________________________________________________________________</p><p>_____</p><p>Em relação à Dinâmica:</p><p>( ) o tom de voz é baixo</p><p>( ) o tom de voz é alto</p><p>( ) sabe usar o tom de voz adequadamente</p><p>( ) gesticula muito para falar</p><p>( ) não consegue ficar sentado</p><p>( ) tem atenção e concentração</p><p>( ) anda o tempo todo</p><p>( ) muda de lugar e troca de materiais constantemente</p><p>( ) pensa antes de criar ou montar algo</p><p>( ) apresenta baixa tolerância à frustração</p><p>( ) diante de dificuldades desiste fácil</p><p>( ) tem persistência e paciência</p><p>( ) realiza as atividades com capricho</p><p>( ) possui hábitos de higiene e zelo com os materiais</p><p>( ) sabe usar os materiais disponíveis, conhece a utilidade</p><p>de cada um</p><p>( ) ao pegar os materiais, devolve no lugar depois de usá-los</p><p>( ) não guarda o material que usou</p><p>( ) apresenta iniciativa</p><p>( ) ocupa todo o espaço disponível</p><p>( ) possui boa postura corporal</p><p>( ) deixa cair objetos que pega</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-2</p><p>https://getfireshot.com</p><p>( ) faz brincadeiras simbólicas</p><p>( ) expressa sentimentos nas brincadeiras</p><p>( ) leitura adequada à escolaridade</p><p>( ) interpretação de texto adequada à escolaridade</p><p>( ) faz cálculos</p><p>( ) escrita adequada à escolaridade</p><p>Observação:</p><p>________________________________________________________________</p><p>_____</p><p>________________________________________________________________</p><p>_____</p><p>________________________________________________________________</p><p>_____</p><p>Em relação ao Produto:</p><p>( ) desenha e depois escreve</p><p>( ) escreve primeiro e depois desenha</p><p>( ) apresenta os seus desenhos com forma e compreensão</p><p>( ) não consegue contar ou falar sobre os seus desenhos e</p><p>escrita</p><p>( ) se nega a descrever sua produção para o terapeuta</p><p>( ) sente prazer ao terminar sua atividade e mostrar</p><p>( ) demonstra insatisfação com os seus feitos</p><p>( ) sente-se capaz para executar o que foi proposto</p><p>( ) sente-se incapaz para executar o que foi proposto</p><p>( ) os desenhos estão no nível da idade do entrevistado</p><p>( ) prefere materiais que lhe possibilite construir, montar e</p><p>criar</p><p>( ) fica preso ao papel e lápis</p><p>( ) executa a atividade com tranquilidade</p><p>( ) demonstra agressividade de alguma forma em seus</p><p>desenhos e suas criações ou no comportamento</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-2</p><p>https://getfireshot.com</p><p>( ) é criativo(a)</p><p>Observação:</p><p>________________________________________________________________</p><p>_____</p><p>________________________________________________________________</p><p>_____</p><p>________________________________________________________________</p><p>_____</p><p>Conclusão:</p><p>________________________________________________________________</p><p>_____</p><p>________________________________________________________________</p><p>_____</p><p>________________________________________________________________</p><p>_____</p><p>________________________________________________________________</p><p>_____</p><p>________________________________________________________________</p><p>_____</p><p>Existem muitos aspectos a serem observados durante a realização da EOCA. Este</p><p>roteiro que acaba de ser apresentado, auxilia o psicopedagogo a dirigir o seu olhar</p><p>para os pontos relevantes desta entrevista. É importante que você, futuro</p><p>psicopedagogo, aprofunde os seus estudos sobre esta proposta, antes de utilizá-la.</p><p>Vamos agora ler uma parte do texto Diagnóstico Psicopedagógico: O Desafio de</p><p>Montar um Quebra-cabeça, escrito pela psicopedagoga Simaia Sampaio, para</p><p>conhecer um pouco mais sobre a proposta:</p><p>Conceituando</p><p>DIAGNÓSTICO PSICOPEDAGÓGICO: O DESAFIO DE</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-2</p><p>https://getfireshot.com</p><p>MONTAR UM QUEBRA-CABEÇA</p><p>A realização da EOCA tem a intenção de investigar o modelo</p><p>de aprendizagem do sujeito sendo sua prática baseada na</p><p>psicologia social de Pichón Rivière, nos postulados da</p><p>psicanálise e método clínico da Escola de Genebra (BOSSA,</p><p>2000, p. 44).</p><p>Para Visca, a EOCA deverá ser um instrumento simples,</p><p>porém rico em seus resultados. Consiste em solicitar ao sujeito</p><p>que mostre ao entrevistador o que ele sabe fazer, o que lhe</p><p>ensinaram a fazer e o que aprendeu a fazer, utilizando-se de</p><p>materiais dispostos sobre a mesa, após a seguinte observação</p><p>do entrevistador: “este material é para que você o use se</p><p>precisar para mostrar-me o que te falei que queria saber de</p><p>você” (VISCA, 1987, p. 72).</p><p>O entrevistador poderá apresentar vários materiais tais</p><p>como: folhas de ofício tamanho A4, borracha, caneta, tesoura,</p><p>régua, livros ou revistas, barbantes, cola, lápis, massa de</p><p>modelar, lápis de cor, lápis de cera, quebra-cabeça ou ainda</p><p>outros materiais que julgar necessários.</p><p>O entrevistado tende a comportar-se de diferentes</p><p>maneiras após ouvir a consigna. Alguns imediatamente pegam</p><p>o material e começam a desenhar ou escrever etc. Outros</p><p>começam a falar, outros pedem que lhe digam o que fazer, e</p><p>outros simplesmente ficam paralisados. Neste último caso,</p><p>Visca nos propõe empregar o que ele chamou de modelo de</p><p>alternativa múltipla (1987, p. 73), cuja intenção é desencadear</p><p>respostas por parte do sujeito. Visca nos dá um exemplo de</p><p>como devemos conduzir esta situação: “você pode desenhar,</p><p>escrever, fazer alguma coisa de matemática ou qualquer coisa</p><p>que lhe venha à cabeça...” (1987, p. 73).</p><p>Vejamos o que Sara Paín nos fala sobre esta falta de ação na</p><p>atividade “A hora do jogo” (atividade trabalhada por alguns</p><p>psicólogos ou Psicopedagogos que não se aplica à</p><p>Epistemologia Convergente, porém é interessante citar para</p><p>percebermos a relação do sujeito com o objeto):</p><p>No outro extremo encontramos a criança que não toma</p><p>qualquer contato com os objetos. Às vezes se trata de uma</p><p>evitação fóbica que pode ceder ao estímulo. Outras vezes se</p><p>trata de um desligamento da realidade, uma indiferença sem</p><p>ansiedade, na qual o sujeito se dobra às vezes sobre seu</p><p>próprio corpo e outras vezes permanece numa atividade</p><p>quase catatônica. (1992, p. 53).</p><p>Piaget, em Psicología de la Inteligência, coloca que:</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-2</p><p>https://getfireshot.com</p><p>O indivíduo não atua senão quando experimenta a</p><p>necessidade; ou seja; quando o equilíbrio se acha</p><p>momentaneamente quebrado entre o meio e o organismo, a</p><p>ação tende a reestabelecer este equilíbrio, quer dizer,</p><p>precisamente, a readaptar o organismo... (PIAGET apud VISCA,</p><p>1991, p. 41).</p><p>De acordo com Visca, o que nos interessa observar na EOCA</p><p>são “...seus conhecimentos, atitudes, destrezas, mecanismos</p><p>de defesa, ansiedades, áreas de expressão da conduta, níveis</p><p>de operatividade, mobilidade horizontal e vertical etc (1987, p.</p><p>73).</p><p>É importante também observar três aspectos que</p><p>fornecerão um sistema de hipóteses a serem verificados em</p><p>outros momentos do diagnóstico:</p><p>A temática – é tudo aquilo que o sujeito diz, tendo sempre</p><p>um aspecto manifesto e outro latente;</p><p>A dinâmica – é tudo aquilo que o sujeito faz, ou seja, gestos,</p><p>tons de voz, postura corporal, etc). A forma de pegar os</p><p>materiais, de sentar-se são tão ou mais reveladores do que os</p><p>comentários e o produto.</p><p>O produto – é tudo aquilo que o sujeito deixa no papel.</p><p>(Id. Ibid., 1987, p. 74)</p><p>Visca (1987) observa que o que obtemos nesta primeira</p><p>entrevista é um conjunto de observações que deverão ser</p><p>submetidas a uma verificação mais rigorosa, constituindo o</p><p>próximo passo para o processo diagnóstico.</p><p>É da EOCA que o psicopedagogo extrairá o 1º Sistema de</p><p>hipóteses e definirá sua linha de pesquisa.</p><p>Fonte: Disponível em: < http://www.psicopedagogia.com.br >. Acesso em: 01</p><p>mar. 2016.</p><p>Para finalizar esta etapa, vale ressaltar que a EOCA é um instrumento muito rico e</p><p>que nos dá a possibilidade de conhecer os aspectos operativos e a vinculação do</p><p>sujeito com a aprendizagem. A partir dela, podemos construir várias hipóteses sobre</p><p>o que está interferindo na aprendizagem daquele sujeito. Tais hipóteses poderão ser</p><p>confirmadas ou descartadas ao longo das próximas etapas do diagnóstico avaliativo.</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-2</p><p>https://getfireshot.com</p><p>http://www.google.com/url?q=http%3A%2F%2Fwww.psicopedagogia.com.br%2Fnew1_artigo.%2520asp%3FentrID%3D489%23.VtZI5_krJD8&sa=D&sntz=1&usg=AOvVaw0650ans_Mhv_WTZJ_w8B0D</p><p>e) Diagnóstico Operatório de Piaget (DOP)</p><p>Você, em seus estudos anteriores, já deve ter lido e ouvido falar muito em Jean</p><p>Piaget, não é mesmo? Sem sombra de dúvidas, a teoria deste “epistemólogo” é de</p><p>fundamental importância para a psicopedagogia. Foi a partir dos seus estudos e da</p><p>elaboração da teoria da Epistemologia Genética, que começamos a compreender que</p><p>o conhecimento não está previamente no sujeito, mas sim, que ele se constrói pela</p><p>interação entre o sujeito e o meio (objeto). Sendo assim, ninguém pode aprender</p><p>algo que esteja acima do seu nível de estrutura cognitiva, pois a construção do</p><p>conhecimento é gradual e contínua.</p><p>Pensando nisso, Piaget propõe que o desenvolvimento cognitivo de um sujeito</p><p>aconteça seguindo uma sequência de fases, que possuem determinadas</p><p>características cognitivas. Vamos relembrar estas fases ou os estágios do</p><p>desenvolvimento cognitivo proposto por Piaget?</p><p>1º Estágio – Sensório-Motor (de 0 a 2 anos aproximadamente): é quando se inicia</p><p>o desenvolvimento da inteligência na criança. Nessa fase, as primeiras aprendizagens</p><p>se dão a partir dos reflexos, que vão se transformando em movimentos intencionais.</p><p>Também, para que o conhecimento se construa neste estágio, é necessário que</p><p>aconteça o contato físico com os objetos.</p><p>2º Estágio Pré-Operatório (de 2 a 7 anos aproximadamente) : nesta fase, as</p><p>crianças já possuem estruturas um pouco mais elaboradas e utilizam-se das</p><p>atividades representativas para interagirem com o meio. Esta fase se inicia com a</p><p>construção da função simbólica, que proporciona o desenvolvimento da linguagem,</p><p>da brincadeira simbólica (ou do faz-de-conta) e do desenho. O pensamento da</p><p>criança, neste estágio, ainda não é reversível.</p><p>3º Estágio das Operações Concretas (dos 7 aos 12 anos aproxima-damente) :</p><p>nesta fase, a criança consegue operar através de experiências mentais, sem precisar,</p><p>necessariamente, da presença do objeto concreto. Desta forma, consegue perceber</p><p>as transformações e conservar, alcançando a reversibilidade mental, ou seja, já é</p><p>capaz de fazer uma operação ao contrário, retornando ao seu início.</p><p>4º Estágio Operatório Formal (dos 12 anos até a idade adulta) : a partir desta fase,</p><p>o adolescente já pode compreender situações mais abstratas, pois já é capaz de lidar</p><p>com hipóteses, deduzindo conclusões a partir delas (pensamento hipotético-</p><p>dedutivo). Esta é a etapa mais desenvolvida da inteligência humana.</p><p>Quer saber mais sobre o assunto? Pesquise no livro:</p><p>GOULART, Iris Barbosa. Piaget: experiências básicas para a</p><p>utilização do professor. 29. ed. Florianópolis: Editora Vozes,</p><p>2013.</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-2</p><p>https://getfireshot.com</p><p>Com uma linguagem acessível, a autora apresenta a teoria</p><p>piagetiana de uma forma simples e com exemplos práticos.</p><p>Então, vamos agora ao Diagnóstico Operatório?</p><p>Inicialmente, é importante assinalar que a utilização deste instrumento nos</p><p>possibilita conhecer o funcionamento cognitivo e lógico do sujeito, se existe alguma</p><p>defasagem em relação à sua idade cronológica. De acordo com Sampaio (2012, p. 41):</p><p>Uma criança com dificuldades de aprendizagem poderá ter uma idade cognitiva diferente da</p><p>idade cronológica. Esta criança encontra-se com uma defasagem cognitiva e esta pode ser a</p><p>causa de suas dificuldades de aprendizagem, pois será difícil para a criança entender um</p><p>conteúdo que está acima da sua capacidade cognitiva.</p><p>O Diagnóstico Operatório é composto de várias provas que avaliam a funcionalidade</p><p>cognitiva, a</p><p>forma como o sujeito opera com o conhecimento, bem como quais as</p><p>suas hipóteses sobre determinada situação. Existe uma sequencia lógica para a sua</p><p>utilização, partindo-se da idade do sujeito avaliado. Vamos conhecer as provas que</p><p>compõe o Diagnóstico Operatório?</p><p>Fonte: Sampaio (2012, p. 43, 44).</p><p>Estas provas devem ser selecionadas partindo-se da idade cronológica do sujeito.</p><p>Caso ele não obtenha sucesso nas respostas, deve-se realizar as provas do nível</p><p>anterior à sua idade, e assim sucessivamente, até que ele obtenha sucesso nas</p><p>respostas. Para facilitar a compreensão, apresentarei um quadro com a seleção das</p><p>provas de acordo com a idade do sujeito.</p><p>Quadro 3 – Seleção do tipo de prova de acordo com a idade cronológica</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-2</p><p>https://getfireshot.com</p><p>Fonte: Adaptado de Sampaio (2012).</p><p>Para a avaliação das respostas dadas pelos sujeitos, durante a aplicação das provas,</p><p>tais respostas podem ser divididas em três níveis:</p><p>Nível 1: Não há conservação e o sujeito não atinge o nível operatório nesse</p><p>domínio.</p><p>Nível 2 ou intermediário: As respostas apresentam oscilações ou não são</p><p>completas. Em um momento conserva, em outro não.</p><p>Nível 3: As respostas demonstram que o sujeito adquiriu a noção, sem vacilos.</p><p>Conserva (SAMPAIO, 2012).</p><p>É importante ressaltar que a utilização das provas, não tem caráter de teste de</p><p>inteligência como, erroneamente, alguns profissionais utilizam. Como falamos, o seu</p><p>objetivo é conhecer como o sujeito opera e qual a lógica que ele utiliza.</p><p>Conecte-se</p><p>Vamos conhecer um pouco mais sobre o método clínico de</p><p>investigação proposto por Jean Piaget? Este vídeo nos mostra</p><p>um pouco da teoria piagetiana e discute sobre o método</p><p>utilizado por ele. Acesse: < https://www.youtube.com >.</p><p>Disponível aqui</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-2</p><p>https://getfireshot.com</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=LCe1Av2uw5k</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=LCe1Av2uw5k</p><p>Em todos os seus estudos, Piaget demonstrou que devemos estar sempre muito</p><p>atentos aos “erros” cometidos pelas crianças, pois, é justamente aí, que reside a sua</p><p>lógica. Portanto, quando o psicopedagogo está aplicando o diagnóstico operatório,</p><p>ele deve questionar a criança sobre as suas ações e ouvir atentamente seus</p><p>argumentos para apropriar-se do seu funcionamento cognitivo.</p><p>e) Técnicas Projetivas :</p><p>O desenho é um dos principais instrumentos utilizados na psicopedagogia para</p><p>conhecer a estrutura simbólica e subjetiva do sujeito. Quando uma criança desenha,</p><p>ela está projetando no papel a sua realidade interior: seus conflitos, seus medos,</p><p>seus desejos.</p><p>Segundo Weiss (1994, p. 113), através das técnicas projetivas:</p><p>O que se busca é descobrir como o sujeito usa seus próprios recursos cognitivos a serviço da</p><p>expressão de suas emoções, face aos estímulos apresentados pelo terapeuta. O fundamental é a</p><p>“leitura psicopedagógica” dessas situações e produtos para assim detectar o que está</p><p>empobrecendo a aprendizagem ou produção escolar.</p><p>Podemos dizer que, para a psicopedagogia, estas técnicas têm como objetivo</p><p>investigar os vínculos que o sujeito pode estabelecer em três grandes domínios: o</p><p>escolar, o familiar e consigo mesmo. O princípio básico é de que a maneira do sujeito</p><p>perceber, interpretar e estruturar o material ou a situação, reflete os aspectos</p><p>fundamentais do seu psiquismo (WEISS, 1994).</p><p>Jorge Visca (1995), criador das técnicas projetivas psicopedagógicas, observa e</p><p>recomenda que:</p><p>A interpretação de cada técnica projetiva deve ser realizada em função do sujeito</p><p>em particular;</p><p>Não é necessário aplicar todas as provas, utilizar somente as necessárias em</p><p>função do que se quer observar;</p><p>Não é recomendável aplicar mais do que duas provas projetivas na mesma sessão.</p><p>Cada um dos grandes domínios propostos por Visca (1995) é composto por algumas</p><p>provas específicas, que serão apresentadas logo abaixo:</p><p>Vínculo Escolar:</p><p>Par Educativo;</p><p>Eu com meus companheiros;</p><p>A planta da sala de aula.</p><p>Vínculo Familiar:</p><p>A planta da minha casa;</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-2</p><p>https://getfireshot.com</p><p>Os 4 momentos do dia;</p><p>Família Educativa;</p><p>Família Cinética;</p><p>Família Projetiva.</p><p>Vínculo consigo mesmo:</p><p>O dia do meu aniversário;</p><p>Minhas férias;</p><p>Fazendo aquilo de que mais gosta;</p><p>O desenho em episódios;</p><p>Auto-retrato.</p><p>Vamos conhecer as principais provas projetivas utilizadas durante a avaliação</p><p>psicopedagógica?</p><p>Par Educativo (VISCA, 1995):</p><p>Objetivo: Investigar o vínculo da aprendizagem (com o professor, com a</p><p>instituição, com os objetos e quem aprende).</p><p>Procedimento: pedir ao entrevistado que desenhe duas pessoas: uma que</p><p>ensina e outra que aprende. Ao terminar, solicita-se que indique os nomes,</p><p>idades, título do desenho e conte o que desenhou.</p><p>Os Quatro Momentos do Dia (VISCA, 1995):</p><p>Objetivo: Investigar os vínculos ao longo de uma jornada (verificar os momentos</p><p>escolhidos, pessoas, campo geográfico, objetos e sequência do desenho).</p><p>Procedimento: O entrevistador dobra uma folha em quatro partes iguais e</p><p>pede-se que desenhe quatro momentos de seu dia, desde a hora que acorda</p><p>até a hora que dorme. Pede-se que relate o que está acontecendo em cada</p><p>desenho, solicita-se os detalhes, se forem omitidos. Faz-se as perguntas</p><p>complementares.</p><p>Família Cinética (VISCA, 1995):</p><p>Objetivo: Observar a integração, dinâmica e posição da criança em relação à</p><p>família.</p><p>Procedimento: Entregar uma folha e solicitar que desenhe a sua família fazendo</p><p>algo. Pede-se que indique as idades, nomes, relação de parentesco e que</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-2</p><p>https://getfireshot.com</p><p>comente sobre o que está acontecendo em seu desenho. Perguntas</p><p>complementares.</p><p>Família Projetiva (VISCA, 1995):</p><p>Objetivo: Observar a representação que a criança faz de cada membro de sua</p><p>família.</p><p>Procedimento: Solicitar que o entrevistado desenhe a sua família de uma forma</p><p>diferente, sem a representação por pessoas. Ele deve imaginar as pessoas da</p><p>família representadas de outra maneira, sem ser gente. Que coisas no mundo</p><p>poderiam representar cada membro da sua família? Indagar o significado de</p><p>cada representação e justificativa.</p><p>Auto Retrato (VISCA, 1995):</p><p>Objetivo: Verificar a auto-imagem do sujeito que aprende.</p><p>Procedimento: entregar uma folha e pedir que desenhe a si próprio como se</p><p>fosse uma fotografia. Explorar o desenho através de perguntas.</p><p>E como devemos analisar esses desenhos? Sampaio (2012) nos dá algumas dicas de</p><p>como pode ser feita esta análise e quais aspectos devemos ficar atentos. São eles:</p><p>O tamanho total do desenho;</p><p>O tamanho dos personagens;</p><p>Se o sujeito que desenha está presente nas cenas ou se não se desenha;</p><p>Quem não aparece nos desenhos;</p><p>O distanciamento ou proximidade dos personagens;</p><p>Se usa a borracha de forma exagerada ou nunca usa;</p><p>A posição do desenho na folha.</p><p>Não se esqueça: quem vai dar o significado para o desenho é a própria criança.</p><p>Portanto, escute com atenção o que vai ser dito sobre o desenho e explore todo o</p><p>contexto do que foi desenhado.</p><p>Você quer estudar mais sobre as técnicas projetivas</p><p>psicopedagógicas? Então, não deixe de ler o livro de Jorge</p><p>Visca:</p><p>VISCA, Jorge. Técnicas projetivas psicopedagógicas e pautas</p><p>gráficas para sua interpretação . 5. ed. Buenos Aires: Visca &</p><p>Visca, 2015.</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-2</p><p>https://getfireshot.com</p><p>f) Provas Pedagógicas:</p><p>As provas pedagógicas dependem do nível de escolaridade do aluno, portanto são</p><p>elaboradas para cada caso em específico e constituem-se de situações pedagógicas</p><p>que visam avaliar os pré-requisitos para a aprendizagem atual e se existe alguma</p><p>defasagem pedagógica e de conteúdos</p><p>que justifique a dificuldade apresentada.</p><p>As provas pedagógicas são constituídas de: leitura; interpretação da leitura;</p><p>estruturação de texto; cálculos e situações problemas. Além das provas pedagógicas</p><p>específicas é importante que o psicopedagogo realize uma análise do material</p><p>escolar da criança.</p><p>Segundo Weiss (1994, p. 90):</p><p>É necessário que se pesquise o que o paciente já aprendeu, como articula os diferentes</p><p>conteúdos entre si, como faz uso desses conhecimentos nas diferentes situações escolares e</p><p>sociais, como os usa no processo de assimilação de novos conhecimentos. É importante definir o</p><p>nível pedagógico para se verificar a adequação à série que cursa.</p><p>O fato do psicopedagogo estar investigando os conhecimentos escolares, não</p><p>significa que ele deva reproduzir situações de sala de aula. Muito pelo contrário...</p><p>Essas provas podem ser feitas através de jogos, com a utilização de computador ou</p><p>outros recursos diferentes dos usados na escola.</p><p>De acordo com Weiss (1994); Acampora (2012), os itens mais importantes para que o</p><p>psicopedagogo avalie durante as sessões são:</p><p>Alfabetização: quando a queixa escolar diz respeito a crianças em fase de</p><p>alfabetização, este aspecto deve ser investigado. Devem ser verificadas quais as</p><p>hipóteses a criança utiliza-se para ler e escrever.</p><p>Leitura / compreensão da leitura: deve ser selecionado um material de acordo com</p><p>a idade e a série da criança e deve ser solicitado que ela leia, num primeiro</p><p>momento, realize uma leitura silenciosa. Ao final da leitura, verifica-se se ela</p><p>compreendeu o sentido do texto e se é capaz de sintetizá-lo. Finalmente, a criança</p><p>deve ler uma parte do mesmo texto em voz alta.</p><p>Escrita: solicita-se que a criança escreva uma história, um relato ou algo que seja</p><p>significativo a ela, sempre levando em consideração a sua série e idade. Avalia-se a</p><p>escrita quanto a sua estrutura, organização, ortografia, pontuação e criatividade.</p><p>Matemática: deve-se avaliar o raciocínio matemático, o cálculo, a resolução de</p><p>situações problemas e o cálculo mental. Pode-se colocar desafios mais lúdicos e</p><p>resolução de situações problemas a partir de jogos.</p><p>Também, durante esta etapa do diagnóstico psicopedagógico, é importante analisar</p><p>o material escolar do paciente. Verificar a sua organização, capricho, qualidade da</p><p>letra, resolução das atividades, tarefas, provas etc. Por meio da análise dos cadernos</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-2</p><p>https://getfireshot.com</p><p>e do material escolar, podemos observar a identificação do sujeito com o seu</p><p>instrumento de trabalho e a sua relação vincular com o conhecimento.</p><p>g) Levantamento de Dados do Desempenho Escolar:</p><p>Este levantamento é feito através de conversa com professores (atuais e do ano</p><p>anterior, se necessário) e com a coordenação e direção da escola em que a criança</p><p>estuda. Esta conversa tem por objetivo colher dados e informações sobre o</p><p>desempenho escolar atual e pregresso, bem como do comportamento e interação</p><p>social no ambiente escolar. Normalmente acontece ao final do diagnóstico</p><p>psicopedagógico, mas pode ser feita em qualquer momento, dependendo do caso.</p><p>O psicopedagogo, durante a sua conversa, deverá investigar os seguintes aspectos:</p><p>Quanto aos aspectos sócio-afetivos, quais os pontos favoráveis e quais necessitam</p><p>melhorar no aluno? (relacionamento com a escola, professores, colegas)</p><p>Como é o desempenho do aluno?</p><p>quanto a organização?</p><p>quanto a responsabilidade?</p><p>quanto a atenção?</p><p>quanto a motivação?</p><p>ritmo de trabalho?</p><p>Em quais áreas ou disciplinas apresenta dificuldades?</p><p>Quando estas aparecem?</p><p>Como é o relacionamento entre a família e a escola?</p><p>h) Informe Psicopedagógico:</p><p>Ao final do diagnóstico, o psicopedagogo já deve ter formado uma visão global do</p><p>indivíduo, da sua contextualização na família, na escola e no meio social em que vive.</p><p>Deve ter uma compreensão de seu modelo de aprendizagem, do que já aprendeu, o</p><p>que pode aprender, das suas potencialidades, dos recursos que possui, se os utiliza</p><p>ou não, e quais são seus interesses na busca do conhecimento.</p><p>Já de posse de todas estas informações, o psicopedagogo deverá formular o Informe</p><p>Psicopedagógico que tem como finalidade resumir as conclusões a que se chegou na</p><p>busca de respostas às perguntas iniciais que motivaram o diagnóstico. (WEISS, 1994).</p><p>É muito importante lembrar que o resguardo ético do indivíduo e de sua família deve</p><p>merecer atenção, por isso devemos ter claro que esse informe só deverá ser</p><p>entregue à família e, caso seja solicitado por outros, como a escola e outros</p><p>profissionais, só deverá ser entregue mediante a autorização da família.</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-2</p><p>https://getfireshot.com</p><p>ROTEIRO PARA A ELABORAÇÃO DO INFORME</p><p>PSICOPEDAGÓGICO</p><p>Dados Pessoais</p><p>Motivação da Avaliação – Encaminhamento: é necessário</p><p>se relatar a queixa na visão da família e da escola, quando</p><p>for o caso. Caracterizar o encaminhamento feito para um</p><p>diagnóstico psicopedagógico pela escola, pediatra,</p><p>neurologista, psicólogo e outros.</p><p>Período de Avaliação e número de Sessões: ao definir o</p><p>período de avaliação, delimita-se a época do ano letivo em</p><p>que foi feita, a sua extensão, as interrupções ocorridas e</p><p>suas causas.</p><p>Instrumentos Usados: relata-se o tipo de sessão usada</p><p>(lúdica, familiar, EOCA, dramatização etc.), os diferentes</p><p>testes e seus objetivos, bem como as diferentes entrevistas.</p><p>Analisar os Resultados nas Diferentes Áreas:</p><p>Pedagógica;</p><p>Cognitiva;</p><p>Afetivo-social;</p><p>Psicomotora.</p><p>Síntese dos Resultados – Síntese Diagnóstica : é feito uma</p><p>síntese do que foi analisado no item anterior, sendo uma</p><p>resposta mais direta à questão inicial.</p><p>Prognóstico: relata-se a hipótese de como será a evolução</p><p>do caso.</p><p>Recomendações e Indicações : síntese das orientações</p><p>dadas aos pais e à escola. Caso necessário, também serão</p><p>acrescidos os encaminhamentos e indicações feitas.</p><p>Observações : o acréscimo de alguma questão importante</p><p>que não foi colocada ao longo do informe.</p><p>Fonte: Weiss (1994).</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-2</p><p>https://getfireshot.com</p><p>i) Devolutiva:</p><p>Finalmente chegamos a última etapa do nosso processo de avaliação</p><p>psicopedagógica: a devolução. Segundo Weiss (1994, p. 118) “[...] devolução é a</p><p>comunicação verbal feita ao final de toda a avaliação em que o psicopedagogo relata</p><p>aos pais e ao paciente os resultados obtidos ao longo do diagnóstico”.</p><p>Podemos iniciar a devolutiva, recordando a queixa inicial trazida pelos pais. Após</p><p>esse momento, é importante salientar os aspectos positivos do paciente, aqueles</p><p>aspectos que levam à valorização do que faz melhor e da relação destes pontos com</p><p>a perspectiva de evolução escolar ou seu futuro em geral. É sempre importante</p><p>salientarmos as potencialidades do sujeito.</p><p>Em seguida, precisamos analisar os aspectos que estão realmente causando a</p><p>problemática na aprendizagem e interferindo na produção escolar. Podemos finalizar</p><p>fazendo as recomendações e indicações necessárias, tanto no âmbito familiar,</p><p>quanto escolar. Este é o momento em que passamos as orientações à família.</p><p>A construção de um bom vínculo com os pais e com o paciente é fundamental para a</p><p>aceitação das indicações necessárias. É indicado que a devolução se encerre,</p><p>deixando claro o modelo de aprendizagem do paciente, suas manifestações</p><p>saudáveis e suas dificuldades, bem como as possibilidades de mudanças do aprender</p><p>(WEISS, 1994).</p><p>Finalmente, concluímos todas as etapas do processo do diagnóstico avaliativo. Muita</p><p>coisa, não é mesmo?</p><p>Chegamos ao final de mais uma etapa deste capítulo... Acredito que até este</p><p>momento você já conseguiu perceber o quão complexo é a realização de um</p><p>diagnóstico avaliativo. Costumo dizer que o psicopedagogo tem uma enorme</p><p>responsabilidade em suas mãos, pois o sucesso do</p><p>seu trabalho depende em grande</p><p>parte da correta condução da avaliação. E, de certa forma, o futuro acadêmico do seu</p><p>paciente, também!</p><p>A partir deste momento, apresentarei os principais instrumentos utilizados durante a</p><p>realização do diagnóstico avaliativo. Vamos conhecê-los?</p><p>INSTRUMENTOS UTILIZADOS NO DIAGNÓSTICO PSICOPEDAGÓGICO</p><p>Apesar de ser uma área do conhecimento relativamente recente, a psicopedagogia já</p><p>possui uma gama bastante variada de instrumentos que podem ser utilizados pelo</p><p>psicopedagogo. A maioria deles tem objetivos específicos e avaliam determinado</p><p>aspecto da aprendizagem.</p><p>No momento da elaboração das hipóteses iniciais, o psicopedagogo deverá fazer a</p><p>seleção dos instrumentos, de acordo com o caso, levando em consideração a queixa,</p><p>a idade do paciente, nível de escolaridade e áreas que pretende avaliar. Nunca</p><p>devemos utilizar um grande número de instrumentos, pois o excesso em nada</p><p>contribuirá para o “bom” diagnóstico. Concordando com Weiss (1994, p. 19) quando</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-2</p><p>https://getfireshot.com</p><p>afirma que:</p><p>A maior qualidade e validade do diagnóstico dependerá da relação estabelecida entre terapeuta-</p><p>paciente: empática, de confiabilidade, respeito, engajamento. A relação de confiança estabelecida</p><p>cria condições para o início de qualquer atendimento posterior.</p><p>Outro dado importante, que todo o psicopedagogo deve ter clareza, é que existem</p><p>determinados instrumentos que só podem ser utilizados por psicólogos e outros que</p><p>são da área específica da fonoaudiologia. Portanto, devemos ficar atentos de só</p><p>utilizarmos os instrumentos da psicopedagogia.</p><p>Apresentarei, a seguir, os principais instrumentos que são utilizados durante o</p><p>diagnóstico psicopedagógico. Vamos conhecê-los?</p><p>a) Caixa para a realização do Diagnóstico Operatório de Piaget:</p><p>Esta caixa deverá conter os materiais necessários para a realização das provas do</p><p>Diagnóstico Operatório, conforme foi explicado na sessão anterior. Esse material</p><p>você poderá encontrar pronto ou confeccioná-lo você mesm(o)a.</p><p>Figura 3 – Materiais que compõe a caixa do Diagnóstico Operatório</p><p>Disponível em:</p><p><http://goo.gl/NgbwCv>.</p><p>Acesso em: 29 fev. 2016.</p><p>Conecte-se</p><p>No link abaixo, você encontrará a descrição do material</p><p>necessário para as provas do Diagnóstico Operatório, bem</p><p>como a forma de aplicação destas provas. Vale a pena conferir!</p><p>Acesse: < http://pt.calameo.com >.</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-2</p><p>https://getfireshot.com</p><p>http://www.google.com/url?q=http%3A%2F%2Fpt.calameo.com%2Fread%2F002688260f5cae96fb04d&sa=D&sntz=1&usg=AOvVaw31mq5ub__7XBITaYA1VNJc</p><p>http://www.google.com/url?q=http%3A%2F%2Fpt.calameo.com%2Fread%2F002688260f5cae96fb04d&sa=D&sntz=1&usg=AOvVaw31mq5ub__7XBITaYA1VNJc</p><p>Disponível aqui</p><p>b) Teste de Audibilização:</p><p>Este teste foi desenvolvido pela psicopedagoga Clarissa S. Golbert e está descrito em</p><p>detalhes no seu livro intitulado “A Evolução Psicolinguística e suas Implicações na</p><p>Alfabetização”. De acordo com a autora, a audibilização:</p><p>[...] é o processo pelo qual a cognição auditiva permite a aquisição e o desenvolvimento da</p><p>linguagem e, mais tarde, da leitura e da escrita. [...] consideramos a discriminação fonemática, a</p><p>memória e a conceituação como subprocessos da audibilização (GOLBERT, 1988, p. 19).</p><p>Este teste é composto pelos seguintes itens e sub-itens (GOLBERT, 1988):</p><p>Discriminação fonemática: 24 pares de sílabas para serem distinguidos pela</p><p>criança se são iguais ou diferentes.</p><p>Memória:</p><p>Memória de frases – 6 frases apresentadas que a criança deverá repetir.</p><p>Memória de dígitos – conjunto de dígitos para a criança repetir.</p><p>Memória de relatos – 3,4,5,6 fatos que a criança deve repetir.</p><p>Conceituação:</p><p>Identificação dos absurdos – 6 frases onde os absurdos são indicados pela</p><p>criança.</p><p>Identificação de objetos e situações – identificar um objeto ou situação</p><p>apresentada.</p><p>Definição de palavras – palavras que a criança deverá repetir por gestos, usos,</p><p>descrição etc.</p><p>Organização sintático-semântica: conjunto de três palavras para a criança</p><p>reunir significativamente.</p><p>Avaliação do vocabulário compreensivo: 23 lâminas com 4 desenhos, a</p><p>criança deve dizer qual desenho de cada lâmina melhor se encaixa com a</p><p>palavra dita pelo examinador.</p><p>c) Teste de Desempenho Escolar (TDE):</p><p>O Teste de Desempenho Escolar é um instrumento psicométrico que foi criado pela</p><p>psicóloga Lilian Milnitsky Stein. Ele busca “[...] oferecer uma avaliação das</p><p>capacidades fundamentais para o desempenho escolar, mais especificamente da</p><p>escrita, aritmética e leitura.” (STEIN, 1994, p.01).</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-2</p><p>https://getfireshot.com</p><p>http://www.google.com/url?q=http%3A%2F%2Fpt.calameo.com%2Fread%2F002688260f5cae96fb04d&sa=D&sntz=1&usg=AOvVaw31mq5ub__7XBITaYA1VNJc</p><p>O TDE é composto por 3 subtestes e pode ser aplicado para alunos de 1º ao 7º ano.</p><p>Os aspectos avaliados são:</p><p>Escrita : escrita do nome próprio e de palavras isoladas apresentadas, sob a forma</p><p>de ditado;</p><p>Aritmética : solução oral de problemas e cálculos de operações aritméticas por</p><p>escrito;</p><p>Leitura : reconhecimento de palavras isoladas do contexto.</p><p>d) Instrumento de Avaliação do Repertório Básico para a Alfabetização (IAR):</p><p>Este instrumento avalia o repertório das crianças no que diz respeito aos pré-</p><p>requisitos fundamentais para a aprendizagem da leitura e da escrita e possibilita</p><p>informações que indicarão se a criança está em condições ideais de iniciar a</p><p>alfabetização propriamente dita. Pode ser aplicado em crianças no período de pré-</p><p>alfabetização e alfabetização (de 5 a 7 anos), ou em crianças maiores quando existir</p><p>queixa referente a este aspecto.</p><p>Com a utilização deste instrumento, podemos conhecer como a criança se apropria</p><p>dos seguintes conceitos: esquema corporal, lateralidade, posição, direção, espaço,</p><p>tamanho, quantidade, forma, discriminação visual, discriminação auditiva,</p><p>verbalização de palavras, análise-síntese e coordenação motora fina (LEITE, 1984).</p><p>e) Análise da Produção Escrita de Textos (APET):</p><p>Avaliação do discurso escrito tem a função de verificar o nível de independência,</p><p>domínio e eficácia do aprendente com a palavra escrita. Este material se propõe a</p><p>avaliar o discurso escrito e a análise discursiva em três diferentes situações: um</p><p>questionário referente ao dia a dia do avaliando, uma produção de texto narrativa e</p><p>outra de um texto dissertativo-argumentativo. A APET é uma avaliação qualitativa e</p><p>pode ser utilizada na avaliação de estudantes do 5º ano do Ensino Fundamental até o</p><p>3º ano do Ensino Médio (FORTE; SCARPA; KUBOTA, 2014).</p><p>Além destes instrumentos, vale lembrar que existem muitos outros, cada um com a</p><p>sua especificidade. Portanto, neste momento, o psicopedagogo precisa utilizar-se do</p><p>seu bom senso para selecionar e escolher os instrumentos mais oportunos para</p><p>aquele caso em especial. Caso ele precise utilizar um instrumento de outra área</p><p>(psicologia ou fonoaudiologia), ele deve fazer o encaminhamento para esse</p><p>profissional a fim de complementar a sua avaliação.</p><p>Para finalizar essa sessão, compartilho aqui uma reflexão importante para todo o</p><p>profissional da área da psicopedagogia:</p><p>Portanto, o psicopedagogo, neste momento, precisa fazer uso do seu bom senso e ética no</p><p>sentido de não ultrapassar os limites de sua prática, ou seja, se existirem casos nos quais o</p><p>diagnóstico necessite da ajuda de outros profissionais, o psicopedagogo deverá fazê-lo. Isso</p><p>significa trabalhar de maneira multidisciplinar: discutindo, pesquisando e interagindo com as</p><p>diversas áreas de conhecimento que envolvem o trabalho psicopedagógico (LOPES, 2008, p. 37).</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-2</p><p>https://getfireshot.com</p><p>Bom, vamos agora sintetizar</p><p>nosso conhecimento através de um quadro que</p><p>compreende cada uma das etapas do diagnóstico e os instrumentos utilizados em</p><p>cada uma delas.</p><p>Quadro 5 – Seleção dos instrumentos a serem utilizados em cada etapa</p><p>do Diagnóstico</p><p>Fonte: A autora.</p><p>ESTUDO DE CASO</p><p>Até aqui foram muitas informações, não é mesmo? Você deve estar se perguntando</p><p>agora, como tudo isso funciona na prática. Para que possa ficar mais claro para você,</p><p>apresentamos um caso, retirado do artigo de Haupenthal e Theise (2011), intitulado</p><p>“Quero crescer? Quero ler e escrever? – reflexões psicopedagógicas”. O estudo de</p><p>caso é uma ferramenta muito importante para a formação do psicopedagogo, pois o</p><p>leva a refletir sobre os procedimentos utilizados, as hipóteses levantadas, bem como</p><p>sobre o relacionamento psicopedagogo/paciente.</p><p>Vamos, agora, ao caso?</p><p>ESTUDO DE CASO – Parte I</p><p>Este estudo de caso objetiva a compreensão das causas que geram dificuldades de</p><p>aprendizagem, especificamente relacionadas à lecto-escrita. A criança pesquisada,</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-2</p><p>https://getfireshot.com</p><p>que será chamada de R., tem 9 anos, é aluna da 4ª série do Ensino Fundamental de</p><p>uma escola pública. R. mora com a mãe, o pai e o irmão. A queixa trazida pela família</p><p>foi de dificuldade na leitura e na escrita e falta de concentração.</p><p>Na entrevista para a anamnese, a mãe de R. revelou ter descoberto que estava</p><p>grávida dele, somente quando já estava sofrendo um princípio de aborto. Portanto, R.</p><p>não foi um filho desejado, a mãe afirma que a gravidez “aconteceu” e que quando ela</p><p>descobriu omitiu este fato do pai da criança, pois estavam separados, contudo, o pai</p><p>acabou sabendo da notícia por terceiros.</p><p>Ao saber da gravidez, a mãe afirma que o pai de R. aceitou tranquilamente e a</p><p>apoiou. O restante do período gestacional ela relata ter sido tranquilo. O parto foi</p><p>normal e sem nenhuma complicação, segundo a mãe. Quando R. nasceu, ela, o pai</p><p>de R, e seu primeiro filho, foram morar juntos, e em seguida R. começou a apresentar</p><p>problemas de saúde. Aos 9 meses R. foi operado para a remoção de uma hérnia, no</p><p>entanto, durante o período de espera para a realização da cirurgia, R. tinha uma</p><p>saúde muito debilitada e necessitava de cuidados especiais. A cirurgia correu bem, só</p><p>que a mãe revela ter se traumatizado com este problema de saúde do filho, ela</p><p>afirma ter se tornado “neurótica” e diz que passou a superproteger o filho desde</p><p>aquela época.</p><p>R. tem um irmão de 13 anos, fruto de uma relação anterior da sua mãe. Contudo,</p><p>só aos 9 anos R. ficou sabendo que o seu irmão mais velho não era filho do seu pai.</p><p>Essa revelação aconteceu porque R. perguntou por que o irmão não chamava seu pai</p><p>de pai, então sua mãe lhe disse que era porque ele não era pai do irmão. Em trechos</p><p>da entrevista, a mãe de R. fala que ele tem medo do escuro, medo de temporal,</p><p>medo de ficar doente etc. ela ainda comenta que foi ela quem “colocou” esses medos</p><p>nele. A relação de R. com esse irmão é repleta de brigas, pois a mãe diz que eles</p><p>possuem comportamentos opostos, R. é muito ativo, falante, adora brincar, já o</p><p>irmão é calmo, tímido, quieto.</p><p>R. mamou até os 3 anos de idade, chupou bico só durante os primeiros meses,</p><p>tomou mamadeira até os 7 anos, falou e caminhou com 1 ano de idade, a mãe afirma</p><p>que ele só não caminhou antes, por causa do seu problema de saúde. Sobre o</p><p>controle esfincteriano a mãe relata que R. tinha “nojo” das fraldas sujas e por isso</p><p>parou cedo, por volta dos 2 anos. Aos 9 anos R. ainda dorme com mãe, mora a duas</p><p>quadras da escola e seus pais o levam e buscam, e quando ele vai com a mãe, eles</p><p>vão de mãos dadas até a porta da sala de aula.</p><p>A característica que a mãe mais ressalta no seu filho é a facilidade de fazer</p><p>amizades e se comunicar, no entanto, ela comenta que ele não tolera ser “feito de</p><p>bobo”. Para a mãe, a importância da educação e da escola na vida do seu filho é</p><p>possibilitar que ele tenha um emprego melhor do que ela e seu marido. Para viver</p><p>“melhor”.</p><p>R. é um menino de estatura baixa, franzino, e isso incomoda muito o seu pai que</p><p>acha que o filho “tem problema” porque “não cresce”. A mãe diz que já o levou no</p><p>médico e que isso é normal. R. brinca na escola, preferencialmente com crianças</p><p>menores e na 4ª série, sente-se deslocado, chegando a pedir até para mudar de</p><p>escola. A mãe diz que R. troca muitas letras quando escreve e é desatento, inclusive</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-2</p><p>https://getfireshot.com</p><p>revela que R. também trocava letras na fala até aproximadamente 7 / 8 anos.</p><p>Um dos principais momentos da entrevista foi quando a mãe de R. falou que “tem</p><p>medo que ele cresça” e afirmou ter consciência de que estabeleceu uma “relação de</p><p>dependência com ele”. Outro ponto importante do relato da mãe é quando ela</p><p>desabafa “se eu tivesse dinheiro, ia fazer um tratamento, porque depois que ele ficou</p><p>doente eu mudei, eu não era assim”.</p><p>No momento de encontro com R., objetivando avaliar o seu desenvolvimento na</p><p>leitura e na escrita, apresentamos para ele cinco livros de historinhas diferentes, para</p><p>que ele escolhesse o que mais despertava o seu interesse, R. optou pelo livro</p><p>intitulado “A festa encrencada”. Pedimos para que ele contasse a história para nós, e</p><p>ele prontamente iniciou a leitura do livro. R. demonstra ler com muita facilidade as</p><p>palavras que fazem parte do seu cotidiano, do seu vocabulário. Contudo, apresenta</p><p>certa dificuldade para identificar palavras que ele desconhece, parando muitas vezes</p><p>de ler e pedindo aprovação, olhando e perguntando: “está certo?”.</p><p>Aconteceram alguns fatos que merecem destaque, durante a leitura da historinha.</p><p>Um deles refere-se ao fato de R. estar lendo uma página e já ir folheando a próxima</p><p>página, demonstrando curiosidade e uma ansiedade muito grande em concluir a</p><p>leitura. Outro detalhe diz respeito à leitura da palavra “gruta”, R. não conseguiu ler</p><p>essa palavra, e fez algumas hipóteses. Porém, mais adiante a palavra aparece</p><p>novamente na história, e R. lê com muita facilidade a mesma palavra, que ele antes</p><p>parecia não reconhecer. Também é importante pontuar a dificuldade que R. possui</p><p>de pronunciar a letra “r” , quando essa se encontra no meio das palavras, por</p><p>exemplo, a palavra “dragão” ele lia “dagão”. A última consideração, que nos</p><p>despertou a atenção, foi o fato de, em dado momento da história, R. trocar a palavra</p><p>“enorme”, por um sinônimo, “imenso”, com muita rapidez e destreza.</p><p>Após a R. acabar a leitura do livro, foi feita uma releitura da história para ele e,</p><p>posteriormente, foi solicitado que ele escrevesse o que ele havia compreendido</p><p>sobre aquela história. Ele escreveu um resumo, onde privilegiou o início e o final da</p><p>história. Na escrita, verificaram-se a troca ortográfica da letra “m”, pela letra “n” e</p><p>vice-versa; trocas de tempos verbais e outros erros ortográficos, principalmente</p><p>dúvidas quanto ao uso das letras “s”, “c” ou “ss”. No entanto, o texto apresentou</p><p>estruturação lógica e organização de ideias condizentes com o esperado para um</p><p>aluno de 4ª série.</p><p>Após ler e escrever a história, foi solicitado a R. que ele fizesse um desenho da sua</p><p>família. Ele demonstrou bastante satisfação ao desenhar. R. organizou o desenho da</p><p>seguinte forma: ele, com menor estatura, ao lado do irmão, um pouco mais alto, a</p><p>mãe, mais alta que ele e que o irmão, e o pai, o integrante mais alto da família. R.</p><p>desenhou sua família dentro de uma casa, que ele referiu ser a casa que ele morava</p><p>antes. No desenho da casa, R. fez divisões e desenhou um quarto para os seus pais, e</p><p>um quarto para ele e para o seu irmão.</p><p>As figuras humanas desenhadas por R. revelam que o mesmo, possui uma boa</p><p>construção de noção de corpo. Na sua projeção, também ficam bem claras as</p><p>diferenças de gênero, sendo que a mãe está usando um vestido e tem cabelos</p><p>compridos e R., seu irmão e seu pai,</p><p>vestem camisas e calças e têm cabelos curtos.</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-2</p><p>https://getfireshot.com</p><p>Todas as pessoas desenhadas encontram-se de braços abertos e muito próximas</p><p>umas das outras, as feições dos rostos são muito parecidas.</p><p>R. fez uso da borracha ao desenhar seu rosto, o rosto da mãe e o rosto do pai, os</p><p>braços da mãe e do pai também foram refeitos, assim como seus pés, os pés do</p><p>irmão e da mãe. Observa-se que, R. desenhou um rosto que foi apagado. Não ficando</p><p>claro, a quem este rosto pertenceria. Além disso, ele desenhou seu irmão tão</p><p>próximo de sua mãe, que os desenhos praticamente se sobrepõem.</p><p>Após a realização da entrevista com a mãe (história vital), do momento de</p><p>avaliação da leitura e da escrita e da aplicação da prova projetiva desenho da família,</p><p>estas informações serviram para delimitarmos nossas hipóteses e construirmos o</p><p>diagnóstico.</p><p>Fonte: Disponível em: < http://www.abpp.com.br >. Acesso em: 29 fev. 2016.</p><p>No relato da mãe de R. aparecem vários pontos que merecem destaque e que podem</p><p>estar causando a sua dificuldade de aprendizagem. Você consegue identificá-los?</p><p>Esse relato da anamnese deixa claro a super proteção existente em torno da criança,</p><p>bem como a sua falta de autonomia. É importante salientar também, que a própria</p><p>mãe afirma que tem medo que o filho cresça.</p><p>Imagine que você é o psicopedagogo que está realizando a avaliação psicopedagógica</p><p>de R. Que hipóteses você construiria a partir do que foi exposto acima? E, a partir</p><p>destas hipóteses, que outros instrumentos de diagnóstico você utilizaria?</p><p>A seguir, na segunda parte do Estudo de Caso, apresentaremos os resultados do</p><p>diagnóstico, bem como as conclusões e as orientações psicopedagógicas para o caso.</p><p>Você, aluno, poderá fazer o exercício de estabelecer relações entre a queixa que a</p><p>mãe apresentou na primeira conversa e as informações que serão apresentadas</p><p>abaixo.</p><p>Vamos retornar ao caso:</p><p>ESTUDO DE CASO – Parte II</p><p>Durante a pesquisa para a elaboração de um diagnóstico, que permita</p><p>compreender, as dificuldades de aprendizagem mencionadas pela família e pela</p><p>escola a respeito do desenvolvimento da lecto-escrita do sujeito R., percebe-se que a</p><p>dificuldade de aprendizagem de R. está muito mais relacionada ao seu desejo de não</p><p>mostrar o que sabe, para não perder o papel de bebê que a mãe designou a ele. Há</p><p>um contrato de sobrevivência entre R. e sua mãe, o fato dele não querer crescer, traz</p><p>de certa forma vantagens para ambos.</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-2</p><p>https://getfireshot.com</p><p>http://www.google.com/url?q=http%3A%2F%2Fwww.abpp.com.br%2Fsites%2Fdefault%2Ffiles%2F81-quero-crescer.pdf&sa=D&sntz=1&usg=AOvVaw3OeH6zPL0OY0Pr8tDefca3</p><p>O não-aprender de R. na estrutura familiar que ele se encontra, significa manter o</p><p>lugar que ele ocupa de bebê da casa, que, caso venha a aprender e a crescer estará</p><p>impondo uma reestruturação na organização familiar vigente.</p><p>R. representa um importante papel dentro da sua família, pois, foi ele quem uniu</p><p>seus pais. Já que, durante a entrevista a mãe disse que ela e o pai de R. estavam</p><p>separados, mas assim que souberam que havia “acontecido” a gravidez resolveram</p><p>morar juntos. Nota-se, por diversas vezes na fala da mãe, que foi o nascimento de R.</p><p>que motivou e mantém a sua união. Portanto, o fato dele não poder crescer, pode</p><p>representar uma situação positiva: seus pais permanecem juntos.</p><p>Em dado momento do processo diagnóstico, a mãe verbaliza seu sentimento de</p><p>angústia em relação ao crescimento do filho dizendo que “tem medo que ele cresça”.</p><p>O desejo da mãe, de que R. continue sendo seu bebê, é explicitado em diversos</p><p>momentos da entrevista realizada para aquisição de dados acerca da história vital.</p><p>Ela relata determinados fatos, fundamentais para o entendimento do contrato de</p><p>sobrevivência existente entre os dois. Dentre eles: R. ainda dorme na cama com os</p><p>pais; a mãe incentivou R. a parar de tomar mamadeira, mas depois tentou fazer com</p><p>que ele tomasse novamente; ela leva e busca R. na escola que é bem próxima da sua</p><p>casa; R. tem muitos medos (escuro, doença, temporal, etc.) e muitos deles só</p><p>aparecem na presença da mãe.</p><p>Além disso, R. é “pequenininho” como diz mãe, bem menor em relação às outras</p><p>crianças da sua idade, mas ela justifica afirmando também ser “pequenininha” e diz</p><p>não se preocupar com isso, mas comenta que o pai de R. fica muito preocupado com</p><p>o “tamanho” do filho.</p><p>Sendo assim, R. apenas corresponde à demanda que sua mãe lhe designa, em</p><p>uma díade, onde se estabelece o seguinte acordo: o crescimento do filho não reflete</p><p>o desejo da mãe, para tanto, ele não aprende, não cresce e não desaponta essa mãe.</p><p>Fica bom para todo mundo.</p><p>Com base na construção da hipótese diagnóstica, que se refere ao fato da mãe</p><p>desejar que R. não cresça e este, ocupar esse “papel” de bebê, inclusive fisicamente</p><p>(organicamente). Pode-se, perceber que apesar de R. estar alfabetizado, ele</p><p>apresenta dificuldades de aprendizagem quanto ao fato de expandir seus</p><p>conhecimentos e consequentemente expandir-se como sujeito. Pois, aprender e</p><p>conhecer para R. pode representar entender seu papel na relação de seus pais,</p><p>desapontar a sua mãe, reconhecer o seu desejo em contrapartida ao desejo da mãe.</p><p>Esse revelar-se através do saber, pode significar sofrimento para R., que por isso se</p><p>nega a mostrar o que sabe.</p><p>Na entrevista devolutiva, sugerimos à família as seguintes ações:</p><p>Oportunizar através do lúdico, que R. desempenhe papéis (jogo simbólico)</p><p>condizentes com a sua idade, e até, por vezes, papéis adultos. Favorecendo a</p><p>aquisição da sua independência;</p><p>Estabelecer que R. tenha seu espaço determinado na sua casa, dormindo sozinho,</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-2</p><p>https://getfireshot.com</p><p>cumprindo tarefas, participando das decisões e conversas familiares. Para que,</p><p>desta maneira ele desenvolva responsabilidades, percebendo a sua importância e,</p><p>consequentemente o seu lugar;</p><p>Autorizá-lo a realizar atividades que valorizem seu crescimento. Ex.: você pode ir e</p><p>voltar sozinho da escola, pois você já é “grande” o bastante; você pode “dormir”</p><p>sozinho, porque nada de mal lhe acontecerá; você pode acender o fogão, porque</p><p>você vai cuidar etc. Conversar sobre os medos e as questões que lhe afligem;</p><p>Possibilitar momentos de expressão da linguagem oral e escrita, contextualizados</p><p>pelo desejo de R., por exemplo, jogos de videogame, que, por serem momentos de</p><p>prazer, facilitariam que ele revelasse seus saberes.</p><p>Com base na entrevista e provas projetivas realizadas, chegamos a conclusão de</p><p>que há um contrato de sobrevivência entre R. e sua mãe. Neste contrato R. deve</p><p>manter-se no seu papel de bebezinho da mãe, que admite não desejar que seu filho</p><p>cresça, sendo esta, ao nosso ver, a causa dos sintomas apresentados pela criança.</p><p>Esta família também apresenta segredos, começando pela omissão da mãe sobre a</p><p>gravidez, sendo que o pai foi informado por terceiros. O fato de R. ter descoberto</p><p>apenas aos 9 anos que seu irmão não é filho de seu pai também denota que o</p><p>segredo é presente nesta família, pois esta informação lhe foi omitida por muitos</p><p>anos, o que pode criar em seu imaginário a fantasia de que, já que o irmão não é</p><p>filho deste pai, talvez ele também não o seja.</p><p>Em seu desenho R. faz um rosto e apaga, ficando a marca no papel, nos revelando</p><p>a possibilidade de haver mais um segredo, que talvez ainda não tenha sido revelado.</p><p>Mesmo já estando alfabetizado, R. ainda apresenta dificuldades de lecto-escrita,</p><p>onde quando escreve se esquece de letras no meio das palavras, e quando lê omite</p><p>algumas letras, como o “r”. Em alguns momentos em seu caderno, que tivemos a</p><p>oportunidade de ver, ele escreve algumas palavras pela metade, não fazendo isto no</p><p>texto que produziu sobre a história que propomos.</p><p>Tendo observado o desenho da família realizado por R., concluímos que ele</p><p>apresenta o desejo de se libertar do papel que lhe é imposto pela sua família, pois</p><p>em seu desenho faz um quarto para ele e o irmão separado do quarto dos pais, onde</p><p>a cama de seu irmão fica entre a sua cama e o quarto que desenhou para seus pais.</p><p>No mesmo desenho observamos que R. se coloca distante do pai, e põe seu irmão</p><p>entre ele e sua mãe. Isto contradiz a fala da mãe, que em dado momento da</p><p>entrevista nos informa que muitas vezes quando ela o leva a escola é ele quem pega</p><p>na sua mão para andar na rua. Acreditamos que para que ocorra o crescimento, e</p><p>consequentemente a aprendizagem de uma forma saudável, se faz necessário</p><p>libertar R. do engolfamento da mãe.</p><p>É maravilhoso o olhar que a Psicopedagogia tem sobre o sujeito, vendo-o com uma</p><p>parte de um todo, compreendendo o papel que este ocupa no ambiente familiar,</p><p>podendo assim ajudar não só a este, mas também todo o grupo familiar, como é o</p><p>caso da família de R., onde a estrutura do casamento dos pais se apóia na vida dele,</p><p>foi a gestação dele que uniu este casal, os mantendo juntos até hoje. Uma mudança</p><p>no papel que R. ocupa significaria a desestruturação de todo este movimento</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-2</p><p>https://getfireshot.com</p><p>familiar, mexendo não só com ele, mas com as posições tomadas por todos,</p><p>principalmente a da mãe.</p><p>Fonte: Disponível em: < http://www.abpp.com.br >. Acesso em: 29 fev. 2016.</p><p>E então, aproveitaram o caso? Com este exemplo fica muito fácil percebermos o</p><p>quanto é rico o trabalho do psicopedagogo e quantas facetas vão se abrindo a partir</p><p>de um olhar atento ao caso. Quando afirmamos que o trabalho do psicopedagogo se</p><p>assemelha ao trabalho de um detetive que deve ir juntando as peças para formar um</p><p>grande quebra-cabeça, é justamente a isso que nos referimos... Uma queixa inicial</p><p>aparentemente “comum” de dificuldade de leitura e de escrita e dificuldade de</p><p>concentração carregava consigo tantos outros aspectos, não é mesmo?</p><p>ALGUMAS CONSIDERAÇÕES</p><p>Chegamos ao final de uma etapa muito importante do nosso estudo: o diagnóstico</p><p>psicopedagógico. Foi um grande desafio escrever este capítulo, pois considera-se ser</p><p>o elemento chave para a obtenção de resultados satisfatórios. Tentei aliar a teoria</p><p>com a prática psicopedagógica, tornando-a mais acessível. Espero que vocês tenham</p><p>gostado e aproveitado ao máximo as informações que aqui estão contidas.</p><p>Talvez, tenham surgido dúvidas ao longo da leitura. Porém, é importante que você</p><p>tenha sempre presente o desejo de buscar mais, de saber mais e o prazer em</p><p>aprender. A temática do diagnóstico psicopedagógico, não se esgota aqui. Muito pelo</p><p>contrário! Espero que essas pinceladas iniciais sejam apenas o início de uma grande</p><p>caminhada em busca de aperfeiçoamento e novos conhecimentos sempre!</p><p>Quero deixar aqui registrado, um pensamento do grande educador Rubem Alves e</p><p>que deve estar presente no dia a dia de todos os psicopedagogos:</p><p>“O nascimento do pensamento é igual ao nascimento de uma criança: tudo</p><p>começa com um ato de amor. Uma semente há de ser depositada no ventre</p><p>vazio. E a semente do pensamento é o sonho. Por isso os educadores, antes</p><p>de serem especialistas em ferramentas do saber, deveriam ser especialistas</p><p>em amor: intérpretes de sonhos.”</p><p>Rubem Alves</p><p>Desejo, para todos nós, que depositemos muitas sementes no pensamento das</p><p>nossas crianças!!!!</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-2</p><p>https://getfireshot.com</p><p>http://www.google.com/url?q=http%3A%2F%2Fwww.abpp.com.br%2Fsites%2Fdefault%2Ffiles%2F81-quero-crescer.pdf&sa=D&sntz=1&usg=AOvVaw3OeH6zPL0OY0Pr8tDefca3</p><p>Num primeiro momento, discutiremos sobre as diferentes abordagens teóricas que</p><p>embasam os procedimentos do diagnóstico psicopedagógico. Em seguida, abordaremos</p><p>todas as etapas para a realização desse diagnóstico, desde o primeiro contato telefônico</p><p>até a elaboração do relatório final.</p><p>Confira o vídeo da etapa 2:</p><p>Teoria e Prática da Psicopedagogia Clínica - Etapa</p><p>Para você conhecer melhor a sequência diagnóstica proposta</p><p>por Weiss, utilizada no material de estudos leia o livro:</p><p>WEISS, M. L. L. Psicopedagogia Clínica: uma visão diagnóstica . Porto Alegre: Artes</p><p>Médicas, 1994.</p><p>Lá a autora descreve detalhadamente e com vários exemplos, cada uma das etapas do</p><p>diagnóstico. Vale a pena A LEITURA!</p><p>Para melhor compreensão, sugerimos que você assista o trecho do DVD "Diagnóstico</p><p>Psicopedagógico" - Dra. Nadia Bossa onde trata do contexto familiar, que interfere no</p><p>desenvolvimento do indivíduo.</p><p>Diagnóstico Psicopedagógico</p><p>Neste vídeo é apresentado um trecho de um livro que é referência na área da</p><p>psicopedagogia e da psicologia da aprendizagem que se mantém atualizado e essencial</p><p>aos profissionais que buscam recursos qualificados para o diagnóstico e o tratamento dos</p><p>problemas de aprendizagem.</p><p>Sara Paín, une de forma inovadora a psicanálise, a teoria piagentiana e o materialismo</p><p>histórico, oferecendo subsídios teóricos e práticos para qualificar o trabalho realizado</p><p>com crianças que apresentam dificuldades de aprendizagem. Bom vídeo</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-2</p><p>https://getfireshot.com</p><p>https://youtu.be/dmMQJI-J_l4</p><p>https://youtu.be/KYh2PpXxY6E</p><p>Considerações sobre o que antecede um diagnóstico</p><p>A temática do diagnóstico psicopedagógico não se esgota aqui. Muito pelo contrário!</p><p>Esperamos que essas pinceladas iniciais sejam apenas o início de uma grande</p><p>caminhada em busca de aperfeiçoamento e novos conhecimentos sempre!</p><p>Bons estudos!</p><p>Avançar</p><p>UNICESUMAR | UNIVERSO EAD</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-2</p><p>https://getfireshot.com</p><p>https://youtu.be/7iz628D3G0M</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p%C3%A1gina-inicial/agora-%C3%A9-com-voc%C3%AA</p><p>Página inicial</p><p>Pular para o conteúdo principal Pular para a navegação</p><p>UNIDADE 3</p><p>Olá, Aluno!</p><p>Neste capítulo, abordaremos as questões relacionadas à intervenção psicopedagógica.</p><p>Em primeiro lugar, é extremamente importante que você tenha clareza que ambas as</p><p>ações, estão interligadas, pois a intervenção dependerá do que foi visto no processo de</p><p>avaliação.</p><p>Sendo assim, será apresentada uma breve explanação sobre as principais metodologias</p><p>que possibilitam a intervenção psicopedagógica, dando o suporte teórico necessário e</p><p>caracterizando-as. Para acrescentar em seus conhecimentos sobre estas intervenções</p><p>assista ao vídeo Epistemología Convergente de Jorge Visca. Em seguida, falaremos</p><p>sobre a intervenção psicopedagógica de caráter preventivo e terapêutico, diferenciando-</p><p>as.</p><p>Confira o vídeo da etapa 3:</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-3</p><p>https://getfireshot.com</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p%C3%A1gina-inicial</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p%C3%A1gina-inicial</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p%C3%A1gina-inicial/unidade-3#h.9duk5e1evgi9</p><p>Teoria e Prática da Psicopedagogia Clínica - Etapa</p><p>Capítulo 3 - A INTERVENÇÃO</p><p>PSICOPEDAGÓGICA CLÍNICA:</p><p>RESSIGNIFICANDO O</p><p>APRENDER</p><p>OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM</p><p>A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes</p><p>objetivos de aprendizagem:</p><p>Conhecer as diversas metodologias possíveis de serem utilizadas na intervenção</p><p>psicopedagógica.</p><p>Diferenciar ações terapêuticas de ações preventivas no contexto da</p><p>psicopedagogia clínica.</p><p>Situar a intervenção psicopedagógica clínica na abordagem com o paciente, a</p><p>família e a escola.</p><p>Analisar as possíveis ações psicopedagógicas a partir de um estudo de caso.</p><p>Construir procedimentos de intervenção</p><p>psicopedagógica clínica compatíveis com</p><p>o caso apresentado.</p><p>CONTEXTUALIZAÇÃO</p><p>No capítulo passado, estudamos detalhadamente o fazer psicopedagógico no</p><p>processo de diagnóstico, não é mesmo? Neste capítulo, abordaremos as questões</p><p>relacionadas à intervenção psicopedagógica. Em primeiro lugar, é extremamente</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-3</p><p>https://getfireshot.com</p><p>https://youtu.be/noIf2_UHhpQ</p><p>importante que você tenha clareza que ambas as ações, estão interligadas, pois a</p><p>intervenção dependerá do que foi visto no processo de avaliação.</p><p>Neste sentido, o estudo deste capítulo, possibilitará a você, aluno (a), conhecer a</p><p>práxis psicopedagógica relacionada ao processo de intervenção, destacando a</p><p>amplitude de possibilidades presentes no nosso fazer.</p><p>Para isso, inicialmente, será apresentada uma breve explanação sobre as principais</p><p>metodologias que possibilitam a intervenção psicopedagógica, dando o suporte</p><p>teórico necessário e caracterizando-as. Em seguida, falaremos sobre a intervenção</p><p>psicopedagógica de caráter preventivo e terapêutico, diferenciando-as. Falaremos</p><p>também, sobre a abordagem psicopedagógica no âmbito da família, da escola e com</p><p>o paciente, bem como das principais ações do psicopedagogo em cada uma destas</p><p>instâncias. Depois disso, discutiremos sobre o processo de alta no trabalho</p><p>psicopedagógico e fecharemos o capítulo com um estudo de caso que servirá para</p><p>ilustrar e concretizar tudo o que foi dito anteriormente.</p><p>Espero que esse estudo seja muito proveitoso e que desperte várias reflexões sobre</p><p>a prática do psicopedagogo clínico que possam fazer diferença no futuro, não só no</p><p>futuro profissional, mas também no pessoal. Vamos então, dar início aos nossos</p><p>estudos?</p><p>AS METODOLOGIAS DE INTERVENÇÃO PSICOPEDAGÓGICA</p><p>Para darmos início a esse capítulo precisamos, antes de qualquer coisa, refletir sobre</p><p>o que significa “intervenção psicopedagógica”. A intervenção psicopedagógica é muito</p><p>discutida em todos os cursos de formação em Psicopedagogia, mas muitas vezes, as</p><p>pessoas não têm a verdadeira compreensão do que ela significa. Vamos começar</p><p>com a definição da palavra “ intervenção ”.</p><p>De acordo com o “Dicionário de Psicopedagogia e Psicologia</p><p>Educacional” de Brunner e Zeltner (2000), o termo</p><p>intervenção significa:</p><p>1. Designação geral relativa a interações na área peda-</p><p>gógica, pedagógico-social e terapêutica, visando a</p><p>modificação do comportamento ou características de</p><p>personalidade de indivíduos ou de estruturas, padrões e</p><p>condições socioeconômicas de campos sociais. 2. No</p><p>sentido de teoria da aprendizagem: uma modificação</p><p>planejada de determinados comportamentos geralmente</p><p>com base em resultados da psicologia da aprendizagem.</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-3</p><p>https://getfireshot.com</p><p>Desse conceito, duas palavras são fundamentais para pensarmos na intervenção</p><p>psicopedagógica: interações e modificações. Quando falamos em interações,</p><p>pensamos imediatamente em “troca”. Troca entre sujeitos, troca entre sujeitos e</p><p>objetos. Contudo, estas trocas só acontecem quando existe uma mediação, um</p><p>“colocar-se no meio”, entre os sujeitos ou entre os sujeitos e os objetos.</p><p>Quando pensamos no significado das palavras interação e</p><p>mediação, imediatamente nos lembramos das diversas</p><p>mediações que ocorrem com a criança, desde o seu</p><p>nascimento. Podemos dizer que várias pessoas e até</p><p>instituições “se colocam no meio”, entre a criança e o seu</p><p>mundo físico e mental, propiciando o seu desenvolvimento.</p><p>Dito isso, vamos pensar... Quais seriam as mediações que a</p><p>criança estabelece e que são fundamentais para o seu</p><p>desenvolvimento e aprendizagem?</p><p>Sintetizando, podemos pensar o sentido de interação como mediação entre dois</p><p>sujeitos; ação entre duas ou mais pessoas; um sistema da ajuda mútuo e um</p><p>movimento orientado para a busca de equilíbrio.</p><p>Retornando ao conceito, também aparece a palavra mudança. Todo o sujeito</p><p>encontra-se em contínuo processo de mudança. Uma intervenção só acontece</p><p>quando gera mudanças, quando deixa marcas. Pensando na psicopedagogia,</p><p>qualquer intervenção psicopedagógica deve promover mudanças nos sujeitos</p><p>envolvidos, deixando marcas no seu fazer, agir e pensar.</p><p>Agora vamos falar em intervenção num sentido mais específico: a intervenção</p><p>psicopedagógica clínica.</p><p>Na psicopedagogia, falamos em intervenção como uma interferência que um</p><p>profissional habilitado realiza sobre o processo de desenvolvimento ou</p><p>aprendizagem de um sujeito. Na intervenção, o procedimento adotado interfere</p><p>nesse processo, gerando mudanças.</p><p>No nosso caso, o psicopedagogo intervém quando uma criança apresenta problemas</p><p>na sua aprendizagem. Um dos objetivos da psicopedagogia clínica é a intervenção, a</p><p>fim de “colocar-se no meio”, de fazer mediação entre a criança e o aprender, entre a</p><p>criança e seus objetos de conhecimento, tornando-se assim, um facilitador do</p><p>processo de aprendizagem.</p><p>De acordo com Monereo e Solé (2000), a intervenção psicopedagógica, para ser</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-3</p><p>https://getfireshot.com</p><p>eficaz, deverá levar em consideração as características individuais de cada aluno,</p><p>bem como do meio social em que está inserido e as diversas interações que realiza</p><p>nesse meio.</p><p>Toda a intervenção psicopedagógica tem como objetivo abrir espaços subjetivos e</p><p>objetivos, onde a autoria de pensamento seja possível, espaço onde pode surgir o</p><p>sujeito aprendente, o sujeito desejante de aprender (FERNÁNDEZ, 2001).</p><p>Durante a intervenção psicopedagógica, o profissional deverá ter muito claro os seus</p><p>objetivos, o que ele quer alcançar com aquele sujeito em questão. Podemos dizer</p><p>que os principais objetivos da intervenção são:</p><p>Conseguir uma aprendizagem que seja realização para o sujeito, resgatando seu</p><p>desejo de aprender;</p><p>Conseguir uma aprendizagem independente por parte do sujeito;</p><p>Proporcionar a revalorização do vínculo com a aprendizagem;</p><p>Proporcionar a auto-valorização e a recuperação da auto-estima;</p><p>Proporcionar meios para que o sujeito supere as dificuldades encontradas no</p><p>diagnóstico (FERNÁNDEZ, 2001; PAIN, 1992; VISCA, 1987).</p><p>Nesse sentido, o psicopedagogo poderá fazer uso de vários instrumentos, dos mais</p><p>modernos recursos durante o processo de intervenção, porém, de nada adiantará se</p><p>ele não tiver traçado os objetivos que pretende alcançar naquele trabalho.</p><p>Agora que você já sabe o que significa intervenção e quais são os seus objetivos,</p><p>vamos conhecer as principais metodologias que embasam o trabalho de intervenção</p><p>psicopedagógica.</p><p>AS METODOLOGIAS DE INTERVENÇÃO PSICOPEDAGÓGICA</p><p>Assim como no diagnóstico psicopedagógico, na intervenção também existem</p><p>diferentes teorias que embasam as metodologias que podem ser utilizadas no</p><p>transcorrer deste trabalho. Apresentaremos a seguir, as principais metodologias que</p><p>sustentam o fazer psicopedagógico e abrem caminhos possíveis de serem trilhados.</p><p>a) Metodologia baseada na Epistemologia Convergente:</p><p>A partir da década de 1970, começou a ser divulgada no Brasil a proposta teórica de</p><p>Jorge Visca, denominada de “Epistemologia Convergente”. Esta teoria uniu conceitos</p><p>vindos da Psicanálise, da Epistemologia Genética de Piaget e da Psicologia Social. Esta</p><p>abordagem denomina a intervenção psicopedagógica como “Processo Corretor”</p><p>(VISCA, 1987).</p><p>Segundo Visca (1987), processo significa o movimento pelo qual as coisas se</p><p>transformam e o termo correto significa a ação do correto funcionamento de um</p><p>aparelho ou organismo. Portanto, para ele, “[...]o processo corretor consiste no</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-3</p><p>https://getfireshot.com</p><p>conjunto de operações clínicas através do qual se facilitam o aparecimento e a</p><p>estabilização de condutas.” (VISCA, 1987, p. 87).</p><p>O referencial</p><p>Então, neste capítulo, aprofundaremos o nosso conhecimento sobre a trajetória da</p><p>psicopedagogia no Brasil, até chegarmos ao momento atual. Discutiremos, também,</p><p>os principais conceitos que se encontram presentes no fazer psicopedagógico. Com</p><p>certeza, teremos um importante caminho de reflexões e discussões pela frente.</p><p>Prontos para darmos início a essa jornada?</p><p>A PSICOPEDAGOGIA CLÍNICA E SUA HISTÓRIA</p><p>A maioria das produções científicas que discutem as ações da psicopedagogia, seja</p><p>no âmbito educacional ou clínico, foca a sua análise no processo de aprendizagem</p><p>ou, mais especificamente, na análise dos problemas de aprendizagem. Tal fato está</p><p>intimamente relacionado às próprias origens da psicopedagogia enquanto área do</p><p>conhecimento.</p><p>De acordo com Bossa (2011, p. 20), “a psicopedagogia nasceu de uma necessidade:</p><p>contribuir na busca de soluções para a difícil questão do problema de aprendizagem.”</p><p>Portanto, seu surgimento respondeu, em primeira instância, a necessidade de</p><p>melhor compreender as dificuldades decorrentes do processo de aprendizagem,</p><p>para evitar ou tratar os problemas que por ventura pudessem surgir.</p><p>Num primeiro momento, as ações da psicopedagogia priorizavam, geralmente, a</p><p>dimensão individual e cognitiva no processo de aprendizagem, pois a aprendizagem</p><p>era concebida como um fenômeno que ocorria no interior do sujeito. O papel social,</p><p>da família e das interações entre sujeitos e seu processo de aprendizagem, acabavam</p><p>não sendo levados em consideração ou eram deixados para um segundo plano.</p><p>Para compreendermos melhor, vamos buscar as origens desta discussão...</p><p>A preocupação com o fracasso escolar e, consequentemente, com as dificuldades de</p><p>aprendizagem é relativamente recente. Somente com a chegada da Revolução</p><p>Industrial, houve preocupação com a produtividade e com tudo o que pudesse</p><p>atrapalhar o desempenho dos funcionários e o ritmo de produção.</p><p>Segundo Cordié (1996, p.17), “o fracasso escolar é uma patologia recente. Só pôde</p><p>surgir com a instauração da escolaridade obrigatória no fim do século XIX e tomou</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-1</p><p>https://getfireshot.com</p><p>um lugar considerável nas preocupações de nossos contemporâneos em</p><p>conseqüência de uma mudança radical na sociedade”. Desde então, a escola passa a</p><p>ser valorizada como um instrumento de ascensão e de prestígio social. Entre algumas</p><p>famílias, a possibilidade de uma escolarização com sucesso passou a ser a única</p><p>forma de vislumbrar um futuro promissor. A partir daí e cada vez mais, os alunos</p><p>com algum tipo de dificuldade na escola passaram a ser vistos como os que</p><p>possivelmente poderiam também, fracassar na vida.</p><p>Neste contexto, as dificuldades de aprendizagem se tornam o foco de atenção de</p><p>várias áreas, principalmente da Medicina, que começa a estudar a causa dos</p><p>problemas e suas possíveis correções. A Oftalmologia, a Neurologia, a Psiquiatria</p><p>eram algumas das áreas da Medicina que se ocupavam com esses estudos.</p><p>Já no início do século XX, com a primeira guerra mundial em andamento na época,</p><p>existia a oportunidade de se descobrir, no cérebro dos guerrilheiros atingidos, a</p><p>relação das áreas cerebrais danificadas com as funções que apareciam prejudicadas.</p><p>Tais descobertas acabaram por alavancar maiores pesquisas e publicações na área,</p><p>chamando atenção de vários profissionais, entre eles educadores.</p><p>Neste sentido, podemos destacar os trabalhos de Janine Mery (1985), psicopedagoga</p><p>francesa que apresenta algumas considerações sobre o termo psicopedagogia e</p><p>sobre a origem dessas ideias na Europa. De acordo com a autora, os primeiros</p><p>Centros Psicopedagógicos foram fundados na Europa, a partir da segunda metade do</p><p>século XX, e objetivavam, a partir da integração de conhecimentos pedagógicos,</p><p>psicanalíticos e da medicina, encontrar soluções para os problemas de</p><p>comportamento e de aprendizagem. Desde a sua fundação, estes centros apoiavam-</p><p>se nas áreas médica e pedagógica.</p><p>Mery (1985) adotou o termo “Pedagogia Curativa” para caracterizar uma ação</p><p>terapêutica que considerava aspectos pedagógicos e psicológicos no tratamento de</p><p>crianças com problemas de aprendizagem. Método este, que favorecia a readaptação</p><p>pedagógica do aluno. Segundo ela, tais crianças “experimentam dificuldades ou</p><p>demonstram lentidão em relação aos seus colegas no que diz respeito às aquisições</p><p>escolares” (MERY, 1985, p. 16).</p><p>Conceituando</p><p>O nascimento da Psicopedagogia</p><p>A Psicopedagogia nasceu na Europa, ainda no século XIX.</p><p>Inicialmente, pensaram sobre o problema de aprendizagem:</p><p>os filósofos, os médicos e os educadores. Na literatura</p><p>francesa – encontra-se, entre outros, os trabalhos de Janine</p><p>Mery, psicopedagoga francesa, que apresenta algumas</p><p>considerações sobre o termo Psicopedagogia e sobre a origem</p><p>dessas idéias na Europa, e os trabalhos de George Mauco,</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-1</p><p>https://getfireshot.com</p><p>fundador do primeiro centro médico-psicopedagógico na</p><p>França onde se percebe as primeiras tentativas de articulação</p><p>entre Medicina, Psicologia, Psicanálise e Pedagogia, na solução</p><p>dos problemas de comportamento e de aprendizagem. Janine</p><p>Mery (1985) aponta o século XIX como aquele em que teve</p><p>início o interesse por compreender e atender portadores de</p><p>deficiências sensoriais, debilidade mental e outros problemas</p><p>que comprometessem a aprendizagem. Segundo essa autora,</p><p>no final do século XIX, educadores como Itard, Pereire,</p><p>Pestalozzi e Seguin começaram a se dedicar às crianças que</p><p>apresentavam problemas de aprendizagem em razão de vários</p><p>tipos de distúrbios. Jean Itard mobilizou-se com o caso da</p><p>reeducação de um enfant sauvage , Victor, uma história</p><p>exemplar sob vários aspectos, entre outros pelo choque que</p><p>esse ser real representava aos olhos do ideal romântico</p><p>rousseauniano. Pestalozzi, inspirado nas idéias de Rousseau,</p><p>fundou na Suíça um centro de educação através do trabalho,</p><p>onde usou o método intuitivo e natural, estimulando, em</p><p>especial, a percepção. Educadores como Pereire, Itard e Seguin</p><p>também se preocuparam, principalmente, com a percepção.</p><p>Mery aponta esses educadores como pioneiros no tratamento</p><p>dos problemas de aprendizagem, observando porém, que eles</p><p>se preocupavam mais pelas deficiências sensoriais e pela</p><p>debilidade mental do que propriamente pela desadaptação</p><p>infantil.</p><p>Fonte: extraído de Revista de Psicologia: Interface Educação – “Análise</p><p>Histórica do surgimento da Psicopedagogia no Brasil”.</p><p>Fonte: Disponível em: < http://idonline.emnuvens.com.br >. Acesso em: 10</p><p>abr. 2016.</p><p>Enfant sauvage, termo francês, que significa criança</p><p>selvagem . São crianças que desde os primeiros anos de vida</p><p>passaram a viver isoladas da humanidade. Por algum motivo,</p><p>foram privadas do convívio sócio-cultural apropriado para o</p><p>desenvolvimento intelectual e afetivo.</p><p>Nessa mesma época, nos Estados Unidos, o mesmo movimento acontecia, porém</p><p>enfatizava mais os conhecimentos médicos, dando um caráter organicista à</p><p>preocupação com as dificuldades de aprendizagem.</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-1</p><p>https://getfireshot.com</p><p>http://www.google.com/url?q=http%3A%2F%2Fidonline.emnuvens.com.br%2Fid%2Farticle%2Fdownload%2F234%2F258&sa=D&sntz=1&usg=AOvVaw2TtxHodneyO7Qz8SsXtYCL</p><p>O movimento europeu acabou por originar a Psicopedagogia, enquanto que o</p><p>movimento americano proliferou a crença de que os problemas de aprendizagem</p><p>possuíam causas orgânicas e precisavam de atendimento especializado,</p><p>influenciando parte do movimento da Psicologia Escolar que, até bem pouco tempo,</p><p>determinou a forma de tratamento dada ao fracasso escolar (BOSSA, 2011).</p><p>A corrente europeia influenciou a Argentina, que passou a tratar das pessoas com</p><p>dificuldade de aprendizagem, há mais de 30 anos, realizando um trabalho na</p><p>perspectiva reeducativa. “Trabalhavam-se as funções</p><p>que respalda esta teoria vislumbra o ser humano como ser</p><p>biopsicossocial, isto é, um ser integral no qual todas as suas funções e habilidades</p><p>interagem concomitantemente. Nesse sentido, o ser humano passa a ser visto como</p><p>um todo, como um ser que não pode ser fragmentado.</p><p>Visca (2000) construiu seis modelos ou instrumentos psicopedagógicos para a</p><p>investigação e ação: o esquema evolutivo da aprendizagem, o modelo nosográfico, a</p><p>matriz de pensamento diagnóstica, o processo diagnóstico, a entrevista operativa</p><p>centrada na aprendizagem e o processo corretor. Vejamos cada um deles a seguir:</p><p>O esquema evolutivo da aprendizagem: a Epistemologia Convergente acredita que</p><p>a aprendizagem se dá através de sucessivas etapas de construção da</p><p>aprendizagem, que seria uma perspectiva evolutiva.</p><p>O modelo nosográfico: classifica os estados patológicos da aprendizagem em três</p><p>níveis complementares: o semiológico</p><p>(caracterização dos sintomas objetivos e subjetivos), o patogênico (estruturas e</p><p>mecanismos que provocam a sintomatologia), e o etiológico (causas históricas,</p><p>segundo um princípio construtivista, da configuração dos sucessivos níveis de</p><p>integração).</p><p>A matriz de pensamento diagnóstica: refere-se ao diagnóstico e representa o</p><p>instrumento conceitual que orienta o que se pretende e se busca no processo</p><p>diagnóstico, para uma melhor análise das informações obtidas.</p><p>O processo diagnóstico: seu aspecto focal é o diagnóstico da aprendizagem</p><p>através de instrumentos específicos, conforme já foi visto no capítulo anterior.</p><p>A entrevista operativa centrada na aprendizagem: é um instrumento que centra a</p><p>investigação, no momento do diagnóstico, nas dificuldades de aprendizagem</p><p>assistemáticas e sistemáticas, conforme também já visto.</p><p>O processo corretor: consiste na utilização do método clínico para a especificidade</p><p>de cada sujeito. É importante ressaltar que o objetivo central para esse trabalho</p><p>não é o critério da supressão dos sintomas, critério sintomatológico, mas sim o</p><p>critério estrutural, de supressão dos obstáculos intrapsíquicos, que interferem na</p><p>aprendizagem.</p><p>Se você tem interesse em conhecer melhor a proposta de</p><p>Jorge Visca e da Epistemologia Convergente, sugiro a leitura do</p><p>livro:</p><p>VISCA, Jorge. Clínica Psicopedagógica : epistemologia</p><p>conver- gente. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997.</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-3</p><p>https://getfireshot.com</p><p>Apesar deste livro não possuir uma linguagem fácil, ele</p><p>aborda a teoria na íntegra.</p><p>b) Metodologia baseada na proposição de situações problemas:</p><p>Esta metodologia é baseada na concepção construtivista de Lino de Macedo, que</p><p>sugere que a intervenção possa se dar por meio de proposição de situações-</p><p>problemas, normalmente presentes nos jogos de regras. As situações-problemas não</p><p>são aquelas tradicionalmente apresentadas nas aulas de matemática, mas sim, todas</p><p>as situações que nos fazem desenvolver estratégias próprias.</p><p>De acordo com Lopes (2008, p. 42):</p><p>Macedo fundamenta-se em uma visão construtivista da psicopedagogia e</p><p>portanto, estabelece que o conhecimento é construído gradativamente na</p><p>medida em que o sujeito interage com o seu meio. E é exatamente a partir</p><p>desta interação contínua que o sujeito irá se deparar com situações-problemas</p><p>que irão requerer do mesmo o desenvolvimento de procedimentos e</p><p>estratégias com o objetivo de resolvê-las e ultrapassá-las.</p><p>Sempre que um sujeito se depara com uma situação-problema, ele tende a se</p><p>desestabilizar e entra em desequilíbrio, o que obriga o sujeito a buscar e desenvolver</p><p>estratégias com o objetivo de solucionar o problema proposto. Os jogos de regras</p><p>são ótimos recursos nesse sentido pois, a partir deles, podemos elaborar e propor</p><p>várias situações-problemas.</p><p>É importante que você saiba que situações-problemas são todas as situações que nos</p><p>fazem pensar, que nos fazem tentar achar um caminho para chegar a uma solução.</p><p>Porém, o resultado não é o único aspecto que o psicopedagogo deve ficar atento. Ele</p><p>precisa também, compreender o processo: como o sujeito chegou aquele resultado?</p><p>Que caminhos ele percorreu? Qual a sua lógica? Portanto, é imprescindível que o</p><p>psicopedagogo questione o sujeito e compreenda cada um dos seus passos para</p><p>melhor interferir.</p><p>Vamos agora, tentar resolver uma situação-problema? Mãos à obra...</p><p>Aqui, apresento um desafio para vocês!</p><p>Três jovens de idades diferentes se interessam por atividades também diferentes.</p><p>A partir das informações abaixo, tente descobrir o nome de cada jovem, sua idade</p><p>e a atividade pela qual se interessa mais.</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-3</p><p>https://getfireshot.com</p><p>Dicas:</p><p>Vinicius tem 15 anos.</p><p>O rapaz de 17 anos faz parte de uma banda.</p><p>Nelson gosta de passar sua horas livres lendo.</p><p>Fonte:</p><p>< http://logicandogames.blogspot.co</p><p>m.br > Acesso em: 06 mar. 2016.</p><p>Na utilização de situações problemas, vale lembrar que o profissional deve estar</p><p>sempre atento ao grau de dificuldade do problema, que deve, necessariamente, ser</p><p>adequado ao nível do desenvolvimento cognitivo do sujeito em questão. Se a</p><p>situação for muito fácil para aquele sujeito, ele não desenvolverá novas habilidades,</p><p>porém, em contrapartida, se for muito difícil, poderá causar uma sensação de</p><p>impotência e de fracasso, interferindo no seu emocional.</p><p>c) Metodologia baseada em Projetos de Trabalho:</p><p>A proposta de projetos de trabalho é uma forma de intervenção psicopedagógica que</p><p>inclui fenômenos cognitivos e cria situações que possibilitam o desenvolvimento do</p><p>sujeito como um todo. As competências cognitivas desenvolvidas a partir desse</p><p>trabalho são: observação, atenção, planejamento, memória e avaliação (MUSSALLAM,</p><p>2010).</p><p>Ao trabalhar com Projetos de Trabalho, o psicopedagogo poderá elaborar um</p><p>planejamento eficiente, bem estruturado, que permitirá que ele atue mais</p><p>diretamente sobre as dificuldades encontradas naquele sujeito, sendo capaz de</p><p>transmitir conhecimentos e favorecer aprendizagens de forma prazerosa.</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-3</p><p>https://getfireshot.com</p><p>http://logicandogames.blogspot.com.br/2011/09/desafio-de-logica.html#Desafio</p><p>Os Projetos de Trabalho são desenvolvidos através de algumas etapas. São elas:</p><p>Determinar a temática a ser estudada, partindo-se do interesse do sujeito;</p><p>Definir etapas: planejar e organizar as ações (procedimentos e delimitação do</p><p>tempo);</p><p>Apresentar os resultados;</p><p>Estabelecer critérios de avaliação;</p><p>Avaliar cada etapa do trabalho, realizando os ajustes necessários;</p><p>Fazer o fechamento do projeto propondo uma produção final (MUSSALLAM, 2010).</p><p>Barbosa (2003), uma das principais divulgadoras desse projeto na psicopedagogia,</p><p>afirma que:</p><p>Este projeto de trabalho a ser organizado pode estar relacionado a uma atividade de produção</p><p>concreta ou simbólica e procura permitir com que a pessoa viva, desde seu planejamento até a</p><p>sua execução, o sentimento de capacidade e de criação de alternativas diante dos erros que</p><p>podem surgir neste processo. Além disto abre o espaço também para a busca do ensino, pois</p><p>quando não se sabe e não se consegue criar alternativas, pode-se encontrar naquele que sabe</p><p>um aliado, um mediador entre o saber e o não saber. (BARBOSA, 2003, p. 22).</p><p>A proposta de intervenção psicopedagógica por meio de “Projeto de Trabalho” tem</p><p>como diferencial a possibilidade de uma maior mobilidade do paciente frente a suas</p><p>dificuldades, já que parte dele a organização e construção de algo que seja de seu</p><p>interesse. Nesta proposta, o sujeito é o agente da sua aprendizagem, uma vez que</p><p>cada etapa é construída por ele.</p><p>O Projeto de Trabalho deve ser visto como uma proposta propulsora de</p><p>aprendizagens e de mudanças.</p><p>Em casos de agressividade, a tônica pode ser no controle, para</p><p>gradativamente, ir possibilitando o autocontrole;</p><p>nos casos em que o</p><p>sintoma é a chamada hiperatividade ou déficit de atenção, a tônica é no</p><p>planejamento; o incentivo a autonomia é a intenção do trabalho com</p><p>pessoas dependentes; a função da leitura e escrita e das operações</p><p>mentais, e o seus significados, são enfatizados no caso de dificuldade de</p><p>leitura e escrita e pensamento lógico matemático; e a segurança é a</p><p>principal abordagem nos casos que apresentam medos excessivos</p><p>(BARBOSA, 2003, p. 117).</p><p>Portanto, através da metodologia de Projeto de Trabalho, é possível desenvolver</p><p>várias habilidades e comportamentos que possam estar interferindo em todo o</p><p>processo de aprender. O profissional precisa estar focado em seus objetivos e, a</p><p>partir deles, direcionar o enfoque do trabalho, a fim de alcançar as mudanças</p><p>esperadas.</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-3</p><p>https://getfireshot.com</p><p>Você gostou desta proposta de intervenção psicopedagógica</p><p>por meio de Projetos de Trabalho? Então, sugiro a leitura do</p><p>livro de Laura Monte Serrat Barbosa:</p><p>BARBOSA, Laura Monte Serrat. O projeto de trabalho : uma</p><p>forma de atuação psicopedagógica. Curitiba: Edição</p><p>independente, 2003.</p><p>d) Metodologia baseada no Programa de Enriquecimento Instrumental (PEI):</p><p>O Programa de Enriquecimento Instrumental (PEI) foi desenvolvido pelo Prof. Reuven</p><p>Feuerstein, psicólogo e educador romeno, radicado em Israel, fundador e diretor do</p><p>ICELP - International Center for the Enhancement of Learning Potential (Centro</p><p>Internacional de Desenvolvimento do Potencial de Aprendizagem), na cidade de</p><p>Jerusalém, Israel. Este programa está projetado para desenvolver e estabelecer os</p><p>fundamentos cognitivos da aprendizagem. Feuerstein baseou-se nas teorias de</p><p>Piaget e de Vygotsky para elaborar o PEI.</p><p>De acordo com Ana Maria Martins de Souza (s.d.), no seu artigo “Programa de</p><p>Enriquecimento Instrumental - PEI”, publicado no site do Instituto de</p><p>Desenvolvimento Potencial Humano,</p><p>O PEI baseia-se na teoria da modificabilidade cognitiva estrutural e na experiência de</p><p>aprendizagem mediada, que partem do princípio de que todos podem aprender e de que a</p><p>inteligência pode ser desenvolvida pela mediação, uma vez que ela é dinâmica e modificável. É</p><p>um programa que trabalha habilidades cognitivas por meio de exercícios estruturados e que vão</p><p>trabalhar funções cognitivas específicas; as atividades partem das mais simples para as mais</p><p>complexas, do fácil para o difícil, do concreto ao abstrato (SOUZA, s.d.).</p><p>Para Feuerstein, o conceito de modificabilidade cognitiva é o conceito-chave para a</p><p>sua teoria e equivale ao potencial de aprendizagem. A ideia de modificabilidade,</p><p>como característica humana, aponta os modos de funcionamento da pessoa e deve</p><p>ser distinta da ideia de mudança (SOUZA, s.d.).</p><p>Para essa teoria, a mudança é previsível e está relacionada a diferentes fases de</p><p>desenvolvimento, crescimento e maturação do organismo humano. Em</p><p>contrapartida, a modificabilidade é imprevisível e está relacionada ao querer. É um</p><p>ato que depende da vontade e pode levar a pessoa a desviar-se de caminhos pré-</p><p>determinados em função de fatores familiares, pessoais, sociais e ambientais.</p><p>Na psicopedagogia, a partir da década de 1990, o PEI passou a ser utilizado por</p><p>muitos profissionais, como uma ferramenta possibilitadora de modificações</p><p>estruturais no pensar. Para Macionk (2005, p. 01),</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-3</p><p>https://getfireshot.com</p><p>Com base no pressuposto de que os seres humanos aprendem em diferentes medidas através</p><p>das suas experiências de vida e da exposição aos estímulos do ambiente, a Aprendizagem</p><p>Mediada representa uma modalidade de aprendizagem adicional e complementar. Dado o papel</p><p>central da mediação no desenvolvimento da cognição e da metacognição, assim como dos pré-</p><p>requisitos afetivos e sociais do pensamento eficiente e da aprendizagem autônoma, quanto mais</p><p>o indivíduo é capaz de se beneficiar da interação com o meio através da aprendizagem mediada,</p><p>mais ele será capaz de aprender diretamente das suas experiências de vida e das situações de</p><p>aprendizagem formal e informal.</p><p>O PEI é composto de uma série de 14 instrumentos cuja aplicação se dá por meio da</p><p>mediação de um profissional capacitado e habilitado para tal. Os instrumentos</p><p>buscam o desenvolvimento das funções cognitivas visando maximizar o desempenho</p><p>intelectual e o potencial de aprendizagem dos indivíduos.</p><p>Conecte-se</p><p>O PEI é um programa bastante completo, tanto no aspecto</p><p>teórico, quanto no instrumental. Assista a esse vídeo e</p><p>conheça mais sobre a teoria do Prof. Reuven Feuerstein.</p><p>< https://www.youtube.com >.</p><p>Disponível aqui</p><p>O PEI, portanto, busca desenvolver e aumentar as habilidades necessárias visando a</p><p>conquista do pensamento independente por parte do aprendente. As tarefas</p><p>propostas pelo programa nunca são baseadas na repetição ou na reprodução, que</p><p>são tarefas meramente mecânicas, mas sim, visa alcançar o pensamento crítico e</p><p>autônomo. O sujeito, com o trabalho, começa “aprender a aprender”, pois o mais</p><p>importante não é a resposta da tarefa em si, mas o processo para chegar até ela.</p><p>Além destas metodologias apresentadas e discutidas até aqui, existem algumas</p><p>outras possibilidades. É importante que você, aluno (a), tenha clareza de que não</p><p>existe somente uma única possibilidade e nem a “melhor” metodologia. O que você</p><p>precisa levar em consideração, frente a tal escolha, são as características do sujeito a</p><p>quem vai ser destinada a intervenção psicopedagógica, bem como as suas</p><p>possibilidades de uso e a sua identificação com a metodologia. Vale lembrar que,</p><p>para utilizar uma metodologia, é importante que você a estude com profundidade,</p><p>através de cursos de formação, para ter segurança na aplicação e colher bons</p><p>resultados.</p><p>Neste sentido, concordamos com Weiss (2015, p.15), quando afirma que:</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-3</p><p>https://getfireshot.com</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=ztgCX8G5XLY&list=PLFCVg1KMZy_gf7cwJIRs9iuBE5n4Y7q-V</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=ztgCX8G5XLY&list=PLFCVg1KMZy_gf7cwJIRs9iuBE5n4Y7q-V</p><p>Não há modelo rígido de intervenção, não existem duas intervenções iguais.</p><p>Cada caso é um caso, cada terapeuta tem a sua individualidade, assim como o</p><p>paciente. O chamado “setting terapêutico” é sempre diverso. É importante não</p><p>perder o objetivo da sessão que é sempre a construção da aprendizagem do</p><p>sujeito, qualquer que seja a atividade em realização: brincadeiras, jogos,</p><p>pinturas, dramatizações, passeios, leituras, cálculos, produções diversas. As</p><p>atividades podem ser propostas pelo aprendiz-paciente ou pelo</p><p>psicopedagogo.</p><p>Dando prosseguimento aos nossos estudos apresentaremos, brevemente, alguns</p><p>dos principais instrumentos possibilitadores da intervenção psicopedagógica. Vamos</p><p>lá?</p><p>Caixa de Trabalho: A proposta de sua utilização no processo de intervenção</p><p>psicopedagógica, partiu, inicialmente, da proposta de Jorge Visca. Nela são</p><p>depositados objetos e materiais escolhidos tanto pelo paciente, como pelo</p><p>psicopedagogo e pode ser composta de brinquedos, jogos e materiais que</p><p>representem o mundo interno da criança, suas fantasias e medos frente ao</p><p>mundo. Deve conter também, material básico, como lápis, borracha e papel. Para</p><p>montar a caixa, é preciso considerar alguns aspectos, tais como: estágio de</p><p>pensamento, interesses ou motivações, déficits de aprendizagem, idade e sexo.</p><p>Cada caixa é única e de uso exclusivo daquele sujeito pois, essa caixa, representa o</p><p>seu vínculo com o trabalho psicopedagógico e com a aprendizagem. A caixa pode</p><p>ser confeccionada pelo próprio sujeito.</p><p>Lúdico/Jogos: Os jogos e as brincadeiras estão presentes em diversos momentos</p><p>do trabalho psicopedagógico e são excelentes instrumentos para serem utilizados</p><p>com crianças com dificuldade de aprendizagem. Para Bossa</p><p>(2011, p. 174) “o jogo é</p><p>uma atividade criativa e curativa, pois permite à criança (re) viver ativamente as</p><p>situações dolorosas que viveu passivamente [...]”. Para ela, “do ponto de vista</p><p>cognitivo, significa a via de acesso ao saber [...] pois o saber é a incorporação do</p><p>conhecimento em uma construção pessoal relacionada com o fazer” (BOSSA, 2011,</p><p>p. 175). Existem vários tipos de jogos, e estes devem ser selecionados levando-se</p><p>em consideração o sexo, a idade, os interesses, as estruturas cognitivas e os</p><p>aspectos subjetivos do paciente.</p><p>Caixa de Areia: Este instrumento está embasado na Terapia Sandplay, que foi</p><p>desenvolvida por Dora Kalff em 1954, com base na teoria de Jung e,</p><p>posteriormente, adaptado para o uso na psicopedagogia e entrelaçando-a com a</p><p>teoria Piagetiana. Este instrumento consiste na possibilidade de criar cenários</p><p>utilizando-se de miniaturas de figuras e de uma caixa de areia. De acordo com</p><p>Andion (2013, p. 79) “o psicopedagogo vai interagir com o sujeito e abrir ‘espaços’</p><p>para brincar junto, interferir, dialogar nas ações desse sujeito que pensa, constrói</p><p>e aprende”. Ainda para Andion, (2013, p. 79) “sujeito que brinca de fazer estórias,</p><p>que cria desafios, conflitos e que resolve problemas, Um sujeito-autor, construtor</p><p>de sua aprendizagem afetiva e cognitiva”.</p><p>Informática: A informática vem ocupando cada vez um espaço maior na</p><p>educação. E, na psicopedagogia, não é diferente. Sua utilização como instrumento</p><p>de aprendizagem pode ser um recurso bastante eficaz no trabalho de intervenção</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-3</p><p>https://getfireshot.com</p><p>psicopedagógica nas dificuldades de aprendizagem escolar. No entanto, o uso</p><p>deste instrumento por si só, não garante a eficácia do trabalho. O mais importante</p><p>é que o psicopedagogo não esqueça que a sua mediação é mais importante que a</p><p>ferramenta propriamente dita. Para Bernardi (2010, p. 09), o uso da informática</p><p>deve ser vista como “uma nova ferramenta que auxilie na aprendizagem, estimule</p><p>o conhecimento e a criatividade, e ainda possibilite sempre uma solução possível.</p><p>Isso mantém a criança entusiasmada e concentrada por mais tempo”. Para</p><p>alcançarmos este objetivo, precisamos escolher adequadamente os programas e</p><p>jogos que podem ser utilizados com aquele sujeito, de acordo com as suas</p><p>necessidades.</p><p>Para fechar essa etapa, é importante que você, caro aluno, tenha clareza das várias</p><p>possibilidades existentes para se realizar um trabalho de qualidade na</p><p>psicopedagogia. Qualquer que seja a sua escolha é necessário que haja um</p><p>aperfeiçoamento e estudo a fim de que o profissional sinta-se mais seguro. E nunca</p><p>se esqueça: o psicopedagogo deve manter-se sempre atualizado e a busca por novos</p><p>conhecimentos deve ser uma constante na sua prática profissional.</p><p>Dando continuidade ao nosso estudo, abordaremos a seguir, as ações</p><p>psicopedagógicas com enfoque terapêutico e também preventivo. Discutiremos</p><p>sobre cada uma destas áreas, conceituando-as e diferenciando-as. Vamos ao</p><p>trabalho?</p><p>AÇÔES TERAPÊUTICAS E PREVENTIVAS NA PSICOPEDAGOGIA</p><p>Você já deve ter ouvido falar e até já ter realizado alguns estudos anteriores sobre a</p><p>Psicopedagogia Terapêutica e sobre a Psicopedagogia Preventiva , não é mesmo?</p><p>Mas, você sabe realmente o que estes termos significam e quais ações são</p><p>desenvolvidas em cada uma destas instâncias?</p><p>Para que isto fique claro vamos abordar cada uma delas em separado. Neste</p><p>primeiro momento iremos conceituar e traçar os objetivos da psicopedagogia</p><p>terapêutica, bem como da psicopedagogia preventiva.</p><p>a) Psicopedagogia Terapêutica:</p><p>Quando pensamos em psicopedagogia terapêutica, qual é a primeira ideia que surge</p><p>na sua mente? Acredito que seja a do trabalho psicopedagógico na clínica, não é</p><p>mesmo?</p><p>Isto se deve ao fato de a proposta da psicopedagogia terapêutica estar intimamente</p><p>relacionada ao surgimento da prática psicopedagógica, como já visto no capítulo 1</p><p>deste caderno. Relembrando, inicialmente a prática psicopedagógica apresentava um</p><p>caráter reeducativo e curativo e normalmente aconteciam em espaços clínicos.</p><p>Somente com o passar do tempo, assumiu um enfoque terapêutico.</p><p>Como o próprio nome já diz, o caráter curativo da psicopedagogia dizia respeito à</p><p>concepção do profissional que via a dificuldade de aprendizagem como um problema</p><p>individual a ser eliminado, “curado”. Ainda nessa perspectiva, o sentido da</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-3</p><p>https://getfireshot.com</p><p>psicopedagogia seria “recuperar” o que foi perdido ou o que estava atrasado,</p><p>reintegrando e readaptando o aluno à demanda escolar. Bossa (2011, p. 48),</p><p>esclarece que:</p><p>[...] enfoque terapêutico refere-se à mudança de postura do profissional frente</p><p>ao sujeito da aprendizagem. O não-aprender assume um novo significado,</p><p>deixando de ser compreendido como ‘falta’. Em última instância, essa mudança</p><p>de postura implica uma ampliação do campo de observação do psicopedagogo,</p><p>que passa a buscar a causa dos problemas de aprendizagem não mais apenas</p><p>no sujeito, passando a considerar a variedade de fatores que podem interferir</p><p>no processo de aprendizagem.</p><p>Neste sentido, o enfoque terapêutico pode acontecer em diferentes locais, como na</p><p>escola, no espaço da clínica, em hospitais e está relacionado aos objetivos de</p><p>trabalho do psicopedagogo. Essa ação terapêutica tem como seu principal objetivo a</p><p>superação de uma queixa escolar, de uma dificuldade de aprendizagem, tendo em</p><p>vista que esta já se encontra instalada no sujeito aprendente.</p><p>Conceituando</p><p>A postura terapêutica , citada anteriormente por Bossa</p><p>(2011), pode ser compreendida como sendo o modo próprio</p><p>do psicopedagogo analisar a singularidade do sintoma do não-</p><p>aprender, através da sua habilidade de “escuta clínica”. A</p><p>habilidade de “escuta clínica” refere-se à postura investigadora</p><p>que o psicopedagogo assume ao se deparar com situações de</p><p>fracasso escolar, no qual deve desvendar o que está por trás</p><p>do sintoma de “não-aprender”. Que função cumpre, para esse</p><p>sujeito, o problema de aprendizagem? O que ele quer nos</p><p>dizer com o seu problema? Qual a causa primeira para que tal</p><p>situação tenha se instalado? Estas questões dão rumo para</p><p>que o psicopedagogo possa “escutar” o que não é dito em</p><p>palavras ou o que as palavras querem realmente dizer.</p><p>Voltaremos a falar sobre a “escuta” psicopedagógica no</p><p>próximo capítulo.</p><p>Na ação terapêutica, cabe ao psicopedagogo:</p><p>Intervir, junto ao sujeito com dificuldade de aprendizagem, a partir de uma</p><p>postura investigadora.</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-3</p><p>https://getfireshot.com</p><p>Investigar as causas dos problemas de aprendizagem, partindo-se do sujeito em</p><p>questão.</p><p>Considerar a variedade de fatores internos e externos ao sujeito que está com</p><p>dificuldade, objetivando realizar uma leitura mais ampla da situação.</p><p>Analisar a singularidade do sintoma do não-aprender.</p><p>Propiciar o surgimento de espaços de autoria de pensamento, no qual o sujeito</p><p>possa se reconhecer como autônomo.</p><p>Devolver ao sujeito o prazer de aprender e auxiliá-lo a criar estratégias de resgate</p><p>da própria autonomia.</p><p>Portanto, prezado (a) aluno (a), a psicopedagogia terapêutica está relacionada ao</p><p>objetivo da atuação que o profissional quer alcançar com aquele sujeito que já</p><p>apresenta uma dificuldade de aprendizagem instalada e não com o local de atuação.</p><p>b) Psicopedagogia Preventiva:</p><p>O caráter preventivo da psicopedagogia foi pensado um pouco mais tarde, quando o</p><p>psicopedagogo pôde atuar nos processos educativos.</p><p>O termo prevenção , no vocabulário próprio da</p><p>psicopedagogia, refere-se à atitude do profissional no sentido</p><p>de adequar as condições de aprendizagem de forma que se</p><p>evitem comprometimentos nesse processo (BOSSA, 2011, p.</p><p>52).</p><p>No trabalho preventivo, o psicopedagogo atua diretamente</p><p>nos processos educativos</p><p>com o objetivo de diminuir a frequência dos problemas de aprendizagem,</p><p>prevenindo possíveis situações futuras de fracasso escolar. Seu trabalho recai nas</p><p>questões didáticas e metodológicas, na formação e na orientação de professores.</p><p>Essa forma de atuação visa evitar ou diminuir as possíveis situações de fracasso</p><p>escolar.</p><p>A psicopedagogia preventiva baseia-se principalmente na observação e na análise</p><p>profunda de uma situação concreta, já existente no espaço educacional. Dessa</p><p>forma, o trabalho com enfoque preventivo é de orientar o processo de ensino e</p><p>aprendizagem, visando favorecer a apropriação do conhecimento e buscando a</p><p>melhoria das relações com a aprendizagem e da construção da própria</p><p>aprendizagem (BOSSA, 2011).</p><p>Na sua ação preventiva, cabe ao psicopedagogo:</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-3</p><p>https://getfireshot.com</p><p>Detectar possíveis perturbações no processo de ensino e aprendizagem.</p><p>Participar da dinâmica das relações da comunidade educativa, a fim de favorecer o</p><p>processo de integração e de trocas entre os seus membros.</p><p>Promover orientações metodológicas de acordo com as características dos alunos</p><p>e do seu funcionamento, tanto no grupal quanto no individual.</p><p>Realizar orientações aos professores e pais, tanto na forma individual quanto em</p><p>grupo.</p><p>Possibilitar o aprofundamento ou a ampliação dos significados do processo de</p><p>aprendizagem escolar (BOSSA, 2011).</p><p>Resumindo, na função preventiva o psicopedagogo atua de forma ampla, tanto na</p><p>escola, como na família e na comunidade. Na escola, o psicopedagogo poderá estar</p><p>próximo aos professores, auxiliando-os na busca de soluções para as dificuldades</p><p>encontradas no processo de ensino e aprendizagem. A partir do momento em que o</p><p>professor está mais seguro das suas ações e mais tranquilo para enfrentar os</p><p>desafios que a educação lhe propõe, seu aluno também estará mais feliz no contexto</p><p>escolar. E, em última instância, o objetivo final de todas as ações psicopedagógicas é</p><p>sempre o aluno. Aluno que será uma criança mais flexível, mais autônoma, mais</p><p>motivada e interessada em aprender.</p><p>Nessa altura dos nossos estudos, você já deve ter percebido o quão abrangente é a</p><p>atuação psicopedagógica, não é mesmo? Você pode estar se perguntando como, na</p><p>prática, estas formas de atuação acontecem, se entrelaçam ou se separam. A minha</p><p>experiência mostra que devemos ter sempre muito claro qual é o objetivo que se</p><p>pretende alcançar naquele dado momento, com aquele sujeito em específico. Na</p><p>área da psicopedagogia vale a máxima de que “cada caso é um caso” e não existe</p><p>uma receita, somente estudo...</p><p>Mais uma etapa concluída e, dando continuidade, vamos refletir um pouco sobre</p><p>como se dá a intervenção psicopedagógica com o paciente, com a família e com a</p><p>escola. Vamos lá?</p><p>A INTERVENÇÃO PSICOPEDAGÓGICA CLÍNICA NAS DIFERENTES</p><p>INSTÂNCIAS: O PACIENTE, A FAMÍLIA E A ESCOLA</p><p>Em minha experiência profissional, tenho observado que todo o trabalho de</p><p>intervenção psicopedagógica clínica, com um sujeito em específico, só alcança os</p><p>objetivos na íntegra, quando se estabelece uma parceria entre psicopedagogo, a</p><p>família deste sujeito e a sua escola. Mas, como podemos estabelecer estas parcerias</p><p>e, ao mesmo tempo, proteger o espaço terapêutico do paciente?</p><p>De pouco adianta desenvolvermos um trabalho psicopedagógico com o nosso</p><p>paciente, entre quatro paredes, se fora deste ambiente, a situação se mantiver a</p><p>mesma. Sabemos que, muitas vezes, o entrave para os problemas de aprendizagem</p><p>podem estar na dinâmica familiar e/ou nas relações escolares, criando ou agravando</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-3</p><p>https://getfireshot.com</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p%C3%A1gina-inicial/unidade-3#h.ac5ng2fkzz17</p><p>os problemas de aprendizagem já instalados. Apresentarei, a seguir, em separado</p><p>para ser mais didática, cada uma destas instâncias de intervenção psicopedagógica.</p><p>a) O paciente:</p><p>A relação entre o psicopedagogo e o seu paciente, como toda a relação humana, é</p><p>marcada pela subjetividade. De acordo com Rubinstein (1992, p. 107), “para dar</p><p>sustentação ao trabalho é necessário que se estabeleça, como em qualquer situação</p><p>clínica, um bom vínculo, sem o qual não há condições para o desenvolvimento e a</p><p>criatividade na relação cliente/terapeuta”.</p><p>O paciente precisa sentir-se seguro no espaço psicopedagógico e perceber que o</p><p>psicopedagogo está ali para auxiliá-lo. Esta relação de confiança e cumplicidade é</p><p>fundamental para que o trabalho surta efeitos. Portanto, o espaço oferecido ao</p><p>paciente, deverá ser um espaço sigiloso, onde ele sinta-se à vontade para demonstrar</p><p>suas fraquezas, seus medos e seja lhe dada a possibilidade de errar.</p><p>Ao longo de todo este caderno de estudos, falamos sobre a importância de uma</p><p>interação positiva entre psicopedagogo/paciente. Por isso, não vamos nos</p><p>aprofundar neste assunto e já partiremos para o enfoque com a família.</p><p>b) A família:</p><p>No trabalho com a família é importante que fique claro, desde o início, qual é objetivo</p><p>da intervenção psicopedagógica e verificar se este vai ao encontro da demanda que a</p><p>família possui sobre o atendimento. Quando este ponto fica claro com a família, as</p><p>condições de trabalho são melhores.</p><p>Quando o psicopedagogo conclui o processo de diagnóstico e esclarece a natureza da</p><p>dificuldade trazida pela família, é necessário esclarecer sobre a forma de trabalho</p><p>que será desenvolvida na intervenção. É importante que a família concorde com a</p><p>metodologia utilizada para o caso “[...] a fim de que expectativas diferentes por parte</p><p>da família não interfiram no trabalho. Muitas vezes os pais esperam que se atenda a</p><p>criança através de conteúdos pedagógicos específicos, e será necessário informar</p><p>nossos limites e objetivos no atendimento.” (RUBINSTEIN, 1992, p. 109).</p><p>Incluir os pais no processo de intervenção favorece o acompanhamento do trabalho</p><p>realizado, bem como o sucesso de todo esse trabalho. Sabemos que a família</p><p>também é responsável pela aprendizagem da criança, já que os pais são os primeiros</p><p>ensinantes e os primeiros modelos de aprendizagem dos filhos. Por isso, não</p><p>podemos pensar em um trabalho psicopedagógico, sem a participação da família.</p><p>O contato sistemático com a família é necessário e fundamental, a fim de obter</p><p>informações a respeito da evolução ou entraves no trabalho, orientar sobre alguns</p><p>aspectos que poderão auxiliar na evolução do caso, bem como obter informações</p><p>sobre a percepção que a família possui do sujeito e da sua aprendizagem.</p><p>Para Rubisntein (1992, p.110),</p><p>Às vezes, a dificuldade que a família enfrenta para aceitar o limite do filho, acrescida pela</p><p>ansiedade, impede que possam com objetividade ajudá-lo. Nas sessões de orientação</p><p>psicopedagógica, existe espaço para falar de questões como a lição de casa, o lazer, a</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-3</p><p>https://getfireshot.com</p><p>estimulação, a sociabilidade, a organização da vida diária, as dificuldades nas relações com os</p><p>membros da família, enfim, questões que atingem diretamente o cliente e explicam em parte sua</p><p>problemática.</p><p>Por isso, a criação de uma relação de confiança e parceria com a família é</p><p>fundamental, pois favorece grandes trocas que resultam em um movimento de</p><p>transformação mútua.</p><p>c) A escola:</p><p>Da mesma forma que é necessária uma boa vinculação com a família do paciente, o</p><p>psicopedagogo também precisa estabelecer uma relação positiva e de trocas com a</p><p>escola.</p><p>Nem sempre o encaminhamento para o atendimento psicopedagógico é feito pela</p><p>escola. Porém, mesmo assim o contato com a escola deve acontecer, com o objetivo</p><p>de colher informações sobre a criança e dar indicações e sugestões para que a escola</p><p>possa compreender e melhor ajudar seu aluno. É necessário</p><p>que a escola consiga ver</p><p>o seu aluno com “outros olhos” e compreenda o que realmente está acontecendo.</p><p>Rubinstein (1992, p. 110) afirma que “no decorrer da intervenção, contatos</p><p>sistemáticos com a escola permitirão ao terapeuta psicopedagogo e à instituição</p><p>subsidiarem-se mutuamente de dados que contribuam à ambos no seu trabalho”.</p><p>Outro aspecto importante a ser ressaltado é que, muitas vezes, família e escola não</p><p>conseguem estabelecer uma boa relação de confiança mútua e começam um jogo de</p><p>“achar culpados” para a dificuldade da criança: a família culpabiliza a escola e a escola</p><p>culpabiliza a família. Esta atitude só prejudica o desenvolvimento da criança e,</p><p>algumas vezes, o psicopedagogo precisa intervir e mediar estes desencontros.</p><p>Poderá ser preciso que o psicopedagogo clínico compre-endendo essas relações construa</p><p>encontros entre as partes com a sua presença e obtenha a colaboração da família e da escola</p><p>para o crescimento do seu paciente na aprendizagem escolar (WEISS, 2015, p.118-119).</p><p>O importante é que todo o processo de intervenção seja pautado em sentimentos de</p><p>colaboração e confiança entre os envolvidos. Se todos tiverem um objetivo em</p><p>comum e conseguirem olhar para a mesma direção, o trabalho psicopedagógico dará</p><p>muitos frutos. Caso contrário, me arrisco a dizer que o progresso não será o</p><p>esperado.</p><p>A seguir, dando continuidade aos nossos estudos, faremos algumas reflexões acerca</p><p>do momento de alta e do encerramento do atendimento psicopedagógico.</p><p>Conecte-se</p><p>Para você saber mais sobre a relação família e escola no</p><p>trabalho de intervenção psicopedagógica, leia o artigo indicado</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-3</p><p>https://getfireshot.com</p><p>http://www.google.com/url?q=http%3A%2F%2Fpedagogiaaopedaletra.com%2Frelacao-escola-familia-e-a-intervencao-do-psicopedagogo%2F&sa=D&sntz=1&usg=AOvVaw1U4KlUonqj2UW5sPrroBow</p><p>no link: < http://pedagogiaaopedaletra.com >.</p><p>Disponível aqui</p><p>A REAVALIAÇÃO PSICOPEDAGÓGICA E O PROCESSO DE ALTA</p><p>Você já se perguntou quando acontece a alta em psicopedagogia? Quando o paciente</p><p>está preparado para seguir de forma independente? Convido você, aluno, a discutir</p><p>um pouco sobre este assunto.</p><p>Quando uma família busca o apoio da psicopedagogia, sempre existe uma queixa</p><p>relacionada ao aprender. Esta demanda inicial irá permear todo o processo de</p><p>diagnóstico e de intervenção psicopedagógica, porém não deve ser o único aspecto a</p><p>ser levado em consideração durante o trabalho. As mudanças observadas no</p><p>paciente devem ser muito mais amplas e serem observadas não só nas sessões, mas</p><p>também na escola e na família.</p><p>Ao longo do processo de intervenção psicopedagógica, sempre que o psicopedagogo</p><p>observa mudanças positivas no comportamento e na aprendizagem, as evoluções</p><p>devem ser relatadas e compartilhadas com o paciente, com a sua família e escola.</p><p>Esses progressos observados e assinalados é que irão trilhar a futura alta do sujeito.</p><p>Sobre esse assunto, Weiss (2015, p. 107) afirma que:</p><p>Quando o aprendiz-paciente está recuperando o prazer e o sucesso na vida</p><p>escolar, dá-se o reforço do desejo de aprender mais na escola e fora dela</p><p>também. Este é o sinal de que está caminhando junto o crescimento de sua</p><p>auto-estima. Ele passa a olhar mais à sua volta, a questionar a vida escolar, a</p><p>vida familiar e a social em geral. Está se sentindo o verdadeiro autor de seus</p><p>atos, não se percebe mais como sendo apenas “empurrado”, cumprindo o</p><p>desejo do outro. Muitas vezes, essa mudança de atitude não é bem</p><p>compreendida pelos familiares que esperam apenas mudanças em relação ao</p><p>foco da produção escolar.</p><p>É importante frisar que, algumas vezes, quando a família percebe evoluções e</p><p>mudanças de comportamento por parte do paciente, eles interrompem o trabalho de</p><p>intervenção. Algumas vezes por acreditarem que essas mudanças já são suficientes e</p><p>que não precisa mais do acompanhamento e outras vezes por não desejarem,</p><p>mesmo que inconscientemente, as mudanças de certas atitudes, que implicariam em</p><p>mudanças na própria dinâmica familiar. Ainda, outras vezes a família aponta que o</p><p>sujeito “piorou” e esta piora pode estar relacionada a mudanças que a família não</p><p>compreende. Exemplificando, uma criança que sempre teve uma postura de extrema</p><p>dependência com os pais, necessitando deles para tudo, não conseguindo</p><p>externalizar as suas próprias opiniões e, a partir da intervenção psicopedagógica,</p><p>tornou-se mais independente, assumindo os seus desejos e apontando as suas</p><p>escolhas. Essa mudança, que é extremamente positiva, pode ser vista pela família</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-3</p><p>https://getfireshot.com</p><p>http://www.google.com/url?q=http%3A%2F%2Fpedagogiaaopedaletra.com%2Frelacao-escola-familia-e-a-intervencao-do-psicopedagogo%2F&sa=D&sntz=1&usg=AOvVaw1U4KlUonqj2UW5sPrroBow</p><p>https://www.google.com/url?q=https%3A%2F%2Fpedagogiaaopedaletra.com%2Frelacao-escola-familia-e-a-intervencao-do-psicopedagogo%2F&sa=D&sntz=1&usg=AOvVaw1n1JlwnCCyTZZj7LQMO483</p><p>como um ato de rebeldia e má criação.</p><p>É importante, que ao longo de todo o processo de intervenção psicopedagógica, o</p><p>profissional vá realizando reavaliações sobre determinados aspectos que foram</p><p>verificados como defasados no processo de diagnóstico, para que ele vá verificando</p><p>como se dá a evolução ao longo do tempo. Não existe um momento preciso para se</p><p>fazer esta reavaliação. Ela pode ser feita sempre que o psicopedagogo sentir</p><p>necessidade de verificar as mudanças e traçar novos objetivos terapêuticos.</p><p>Todas as mudanças positivas precisam ser assinaladas, reforçadas para que o</p><p>paciente vá interiorizando a melhora e percebendo que o atendimento caminha</p><p>para terminar. Paralelamente ao ganho no seu processo de busca de novos</p><p>conhecimentos, ele irá perceber a perda futura das sessões com todo o</p><p>acolhimento e as relações que foram aprofundando ao longo do tempo</p><p>(WEISS, 2015, p.109).</p><p>Retomando esse pensamento de Weiss, já acompanhei alguns casos que, quando</p><p>ficaram sabendo e perceberam que a alta estava se aproximando, retrocederam em</p><p>alguns aspectos para manter o acompanhamento psicopeda-gógico. Por isso, é</p><p>importante que o momento de alta seja acordado tanto com a família, quanto com o</p><p>paciente. Estes vão assinalando sobre o momento certo a fazermos tal desligamento.</p><p>Inicialmente, podemos propor um espaçamento maior entre as sessões até que</p><p>aconteça o desligamento efetivo.</p><p>Sempre é importante frisar para a família, para a escola e para o paciente a sua</p><p>trajetória de crescimento, desde o diagnóstico até o presente momento.</p><p>Após a alta, de tempos em tempos ou sempre que se fizer necessário, o</p><p>psicopedagogo e o paciente podem se encontrar para avaliar como está a evolução</p><p>nas situações escolares e dar segurança ao paciente e a sua família sobre a</p><p>disponibilidade do terapeuta para auxiliá-los no que for preciso.</p><p>Vamos agora partir para a parte prática? Apresentarei o estudo de um caso para</p><p>possibilitar a integração de todos os conhecimentos discutidos ao longo deste</p><p>capítulo.</p><p>ESTUDO DE CASO</p><p>O caso a seguir, consta no artigo intitulado DA AVALIAÇÃO À INTERVENÇÃO</p><p>PSICOPEDAGÓGICA: UM ESTUDO DE CASO, de Emily Ann Francisco Blum e outros –</p><p>PUCPR. Vamos ao caso...</p><p>ESTUDO DE CASO</p><p>A clientela foi uma criança, do gênero masculino que, a fim de preservar sua</p><p>identidade, será chamado de Alex, com oito anos e sete meses no início da avaliação,</p><p>cursando o terceiro ano do ensino fundamental em uma escola pública do município</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-3</p><p>https://getfireshot.com</p><p>de Curitiba. Alex foi encaminhado pela escola ao Núcleo de Práticas em Psicologia da</p><p>PUCPR com a queixa de dificuldades de aprendizagem que vinha apresentado na</p><p>leitura e escrita.</p><p>A avaliação psicopedagógica teve a duração de nove sessões, sendo realizadas</p><p>uma vez por</p><p>semana, com duração de 50 minutos cada. Foram utilizados os</p><p>seguintes recursos: Anamnese, EOCA (Entrevista Operativa Centrada na</p><p>Aprendizagem), Técnicas Projetivas, Teste de Inteligência WISC–III, Provas Piagetianas,</p><p>Atividades Pedagógicas (leitura, escrita e operações matemáticas), entrevista com a</p><p>pedagoga da escola, observações e a utilização de jogos no decorrer do processo. Ao</p><p>final da avaliação, foi realizada uma entrevista devolutiva com o responsável do</p><p>paciente, sendo entregue o laudo da avaliação. Posteriormente, foi dado início à</p><p>intervenção psicopedagógica, que está em andamento, sendo realizada uma sessão</p><p>semanal, com duração de 50 minutos. Até o presente momento, foram realizadas</p><p>onze sessões. Nas sessões de intervenção, são realizadas atividades pedagógicas e</p><p>atividades lúdicas.</p><p>Resultados</p><p>Com a avaliação, observou-se que Alex apresentou maior facilidade em atividades</p><p>de execução, que envolvem manipulação, memória visual e análise-síntese. No</p><p>entanto, demonstrou acentuada dificuldade nas atividades verbais que envolvem a</p><p>fala e nas que exigem que ele mostre os conhecimentos já adquiridos, apresentando</p><p>baixa fluência verbal. Demonstrou ter falta de concentração e de interesse, além de</p><p>resistência durante a realização da maioria das atividades, principalmente nas</p><p>verbais. Além disso, respondia e realizava rapidamente a maioria das atividades,</p><p>principalmente as pedagógicas, o que pode indicar sua vontade de encerrá-las o</p><p>quanto antes. Por esse motivo, foi necessário a avaliadora incentivar e lhe explicar</p><p>várias vezes o motivo pelo qual ele estava ali. Durante os jogos, demonstrou ser</p><p>competitivo e não aceitar perdas. Em alguns momentos, quando percebia que estava</p><p>perdendo, tentava atrapalhar o jogo da avaliadora e burlar as regras. Porém, quando</p><p>questionado, aceitava que aquilo não era correto.</p><p>Apresenta escrita alfabética e, na maioria das vezes em que vai escrever, Alex diz a</p><p>palavra em voz alta, fica soletrando e repetindo a palavra enquanto escreve.</p><p>Observa-se também dificuldades referentes à ortografia como a troca de letras que</p><p>apresentam sons semelhantes e omissão de letras. Em relação à leitura, lê a maioria</p><p>das palavras de forma pausada, mas corretamente. Durante a execução de</p><p>operações matemáticas, frequentemente fez uso de apoio de material concreto, seja</p><p>contando nos dedos ou usando folha e lápis para “desenhar” riscos. Apresenta</p><p>dificuldade em reconhecer os sinais matemáticos e alguns números.</p><p>O responsável foi orientado a dar continuidade ao reforço escolar devido às</p><p>dificuldades de leitura, escrita e matemática que apresenta. Além disso,</p><p>recomendou-se ao final da avaliação uma intervenção psicopedagógica, que poderia</p><p>contribuir para melhorar o seu rendimento acadêmico.</p><p>A partir do que foi observado na avaliação psicopedagógica, nas sessões de</p><p>intervenção foram realizadas atividades pedagógicas e lúdicas. Ressalta-se que os</p><p>jogos escolhidos foram utilizados com o objetivo de se trabalhar não apenas a</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-3</p><p>https://getfireshot.com</p><p>motivação de Alex, como também para trabalhar o aspecto pedagógico de forma</p><p>lúdica. Por exemplo, utilizar o jogo de boliche para se trabalhar matemática. Em</p><p>todos os casos em que apresentava alguma dificuldade ou não sabia como fazer, era</p><p>possível intervir da forma mais adequada para a situação, como auxiliar na leitura de</p><p>algumas palavras contidas em uma história. Além disso, também foram trabalhados</p><p>aspectos como o estabelecimento de limites, tolerância à frustração, cumprimento de</p><p>regras e aumento da auto-estima.</p><p>[...]</p><p>Alex demonstrou falta de interesse e resistência em realizar as atividades</p><p>pedagógicas propostas. Contudo, elas são essenciais para conhecer o que a criança já</p><p>aprendeu e como ela age frente a situações que envolvem conhecimentos escolares.</p><p>[...].</p><p>Na intervenção psicopedagógica, é possível ter uma maior flexibilidade,</p><p>trabalhando com aspectos que forem surgindo ao longo da sessão. Nessa segunda</p><p>etapa é necessário ter maior criatividade para poder trabalhar as dificuldades do</p><p>paciente de uma forma lúdica e prazerosa, pois é importante que o paciente tenha</p><p>vontade de aprender. O objetivo é a longo prazo. [...].</p><p>Além disso, é trabalhada a auto-estima do paciente com constantes elogios, pois</p><p>vários autores como Roeser e Eccles (2000 apud STEVENATO et al, 2003) afirmam</p><p>que a criança com dificuldade de aprendizagem tem uma tendência em apresentar</p><p>baixo auto conceito por se sentir inferior às outras crianças da mesma idade. [...].</p><p>Outra característica da intervenção psicopedagógica é atuar nas dificuldades por</p><p>meio das atividades lúdicas. [...] a utilização de jogos em contextos educacionais com</p><p>crianças que apresentam dificuldades poderia ser eficaz em dois sentidos: iria lhes</p><p>garantir o interesse e a motivação, e por outro, estaria atuando com o intuito de</p><p>possibilitar-lhes a construir ou aprimorar seus instrumentos cognitivos, facilitando a</p><p>aprendizagem dos conteúdos.</p><p>Além de se trabalhar a dificuldade que a criança apresenta, na intervenção</p><p>também é possível intervir no comportamento. No processo de Alex, foi importante</p><p>trabalhar com regras e limites, pois na maioria dos atendimentos se fazia necessário</p><p>fazer um acordo para que ele realizasse as atividades que não desejava. Porém, nem</p><p>sempre Alex conseguia cumprir o acordo. [...].</p><p>Considerações finais</p><p>A atuação da psicopedagogia passa por muitos desafios relacionados aos</p><p>atendimentos com crianças que apresentam dificuldade de aprendizagem, pois o</p><p>número de crianças das quais a família e a escola formulam queixas têm crescido</p><p>cada vez mais. Quando não se sabe a causa, são atribuídos diversos rótulos como</p><p>“incapaz” para aprender, “preguiçoso”, “lento”, “distraído”, entre outros, o que pode</p><p>trazer consequências desastrosas tanto para o sujeito como para outros que o</p><p>rodeiam. Por isso, é importante olhar todo o contexto em que ele está inserido. As</p><p>dificuldades para aprender podem aparecer de diferentes maneiras e não existe uma</p><p>única causa que possa desencadear essa dificuldade. Por esse motivo, a avaliação e a</p><p>intervenção sempre diferem para cada caso.</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-3</p><p>https://getfireshot.com</p><p>Fonte: Disponível em: < http://docplayer.com.br >. Acesso em: 13 mar. 2016.</p><p>Então, caro aluno, com esse estudo de caso, foi possível estabelecer uma relação</p><p>entre os achados da avaliação psicopedagógica e o processo de intervenção? Apesar</p><p>de serem momentos distintos, os achados da avaliação devem servir como</p><p>norteadores do fazer psicopedagógico durante a intervenção. Um “erro” que muitos</p><p>psicopedagogos cometem é desvincular esses dois momentos, sem utilizar tais</p><p>achados para verificar os avanços do paciente e compartilhar os resultados positivos</p><p>obtidos.</p><p>Caro aluno, mais uma importante etapa de estudo concluída... Vimos aqui como as</p><p>ações da psicopedagogia se relacionam e se entrelaçam. O nosso fazer nunca pode</p><p>ser baseado no “fazer por fazer”, isto é, nunca deve ser uma prática solta, isolada,</p><p>não fundamentada. Por isso, volto a frisar a importância da formação do</p><p>psicopedagogo, que deve ser uma formação sólida, baseada em muitos estudos,</p><p>leituras e atualizações.</p><p>ALGUMAS CONSIDERAÇÕES</p><p>Chegamos ao final de mais um capítulo! Espero que tenham gostado e compreendido</p><p>sobre os elementos que são importantes para a condução de todo o processo de</p><p>intervenção psicopedagógica. O importante é que você sempre tenha em mente que</p><p>a palavra-chave para todo o processo de intervenção é SUPERAÇÃO.</p><p>Quero lembrar, que o que foi aqui apresentado, são apenas algumas das muitas</p><p>possibilidades existentes na realização de um trabalho de intervenção. Neste</p><p>processo, não só o paciente, mas o psicopedagogo também deve autorizar-se a</p><p>pensar e criar a partir das necessidades de cada caso. Não existe uma</p><p>receita pronta</p><p>e acabada! Como se costuma falar: “cada caso é um caso”!</p><p>Para encerrar, deixo aqui um pensamento de Pablo Picasso...</p><p>“Há pessoas que transformam o sol em uma simples mancha amarela, mas há aquelas</p><p>que fazem de uma simples mancha amarela, o próprio sol.”</p><p>Metodologia baseada na proposição de situações problemas, LINO DE MACEDO fala de</p><p>situação-problema, como forma e recurso de avaliação, desenvolvimento de</p><p>competências e aprendizagem escolar para saber assista ao vídeo.</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-3</p><p>https://getfireshot.com</p><p>http://www.google.com/url?q=http%3A%2F%2Fdocplayer.com.br%2F11913611-Da-avaliacao-a-intervencao-psicopedagogica-um-estudo-de-caso.html&sa=D&sntz=1&usg=AOvVaw3zdfDMDdUV9NaJ7ajREm6Y</p><p>Educação Continuada - Situação Problema (I)</p><p>Metodologia baseada em Projetos de Trabalho o psicopedagogo poderá elaborar um</p><p>planejamento eficiente, bem estruturado, que permitirá que ele atue mais diretamente</p><p>sobre as dificuldades encontradas naquele sujeito, sendo capaz de transmitir</p><p>conhecimentos e favorecer aprendizagens de forma prazerosa.</p><p>Project Based Learning (Aprendizagem Baseada</p><p>Falaremos também sobre a abordagem psicopedagógica no âmbito da família, da escola</p><p>e com o paciente, bem como das principais ações do psicopedagogo em cada uma</p><p>destas instâncias.</p><p>Capítulo 4 - PERFIL,</p><p>COMPETÊNCIAS E</p><p>HABILIDADES DO</p><p>PSICOPEDAGOGO CLÍNICO</p><p>OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM</p><p>A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes</p><p>objetivos de aprendizagem:</p><p>Identificar o perfil, as competências e habilidades necessárias para o exercício do</p><p>fazer psicopedagógico.</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-3</p><p>https://getfireshot.com</p><p>https://youtu.be/3afFx0Xz0Q8</p><p>https://youtu.be/ZmvNYaj3P1U</p><p>Conceituar o olhar e a escuta psicopedagógica.</p><p>Relacionar a construção da autoria de pensamento com a atuação</p><p>psicopedagógica clínica.</p><p>CONTEXTUALIZAÇÃO</p><p>Chegamos, finalmente, ao último capítulo de nosso caderno de estudos. Estudamos,</p><p>até aqui, muitos assuntos relacionados à psicopedagogia clínica: desde a sua história,</p><p>até a prática psicopedagógica clínica, nos processos de avaliação da aprendizagem e</p><p>intervenção. Sei que são muitas informações importantes para serem assimiladas e</p><p>compreendidas, mas acredito que com dedicação aos estudos você, caro aluno (a),</p><p>chegará lá...</p><p>Fecharemos o nosso caderno com o capítulo quatro, que abordará questões</p><p>pertinentes à formação do profissional psicopedagogo clínico. Nessa altura de seus</p><p>estudos, você já deve ter se questionado sobre quais habilidades e competências</p><p>serão necessárias para o exercício da profissão da psicopedagogia, não é mesmo? E</p><p>de que forma você, aluno (a), poderá desenvolver esse perfil? Essas são perguntas</p><p>que tentaremos responder ao longo deste capítulo.</p><p>Nesse sentido, inicialmente, abordaremos as questões referentes ao perfil do</p><p>psicopedagogo clínico, bem como as suas competências e habilidades. Em seguida,</p><p>definiremos o que é a “escuta” e o “olhar” que o psicopedagogo deve ter na sua</p><p>prática profissional. E finalmente, encerraremos este capítulo, discutindo sobre a</p><p>construção da autoria de pensamento na atuação psicopedagógica.</p><p>Espero que o nosso fechamento seja bastante proveitoso e te leve, caro (a) aluno (a),</p><p>a refletir sobre o perfil que você precisa desenvolver para seu futuro profissional, de</p><p>atuação na psicopedagogia clínica.</p><p>AFINAL, QUEM É O PSICOPEDAGOGO CLÍNICO?</p><p>A partir de agora, convido você, aluno (a), a mergulhar um pouco mais nesse universo</p><p>mágico que é a psicopedagogia! Pretendo aqui, brevemente, contar a você um pouco</p><p>sobre o meu percurso profissional até me tornar especialista em psicopedagogia</p><p>clínica e o motivo pelo qual me apaixonei por essa área.</p><p>Desde muito cedo, pensava em atuar com crianças na educação. Mais tarde, cheguei</p><p>a pensar em fazer faculdade de Psicologia ou de Fonoaudiologia... Foi quando eu</p><p>conheci o curso de Educação Especial, oferecido pela Universidade Federal de Santa</p><p>Maria (UFSM), RS. Neste momento, descobri qual faculdade gostaria de cursar.</p><p>Durante os quatro anos de faculdade, me dediquei ao estudo da aprendizagem,</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-3</p><p>https://getfireshot.com</p><p>principalmente em crianças com deficiência ou público-alvo da Educação Especial.</p><p>Na época da minha faculdade, ainda não se falava em psicopedagogia e muito menos</p><p>em inclusão. O trabalho ainda era realizado em classes e escolas especiais.</p><p>Depois de formada, vim morar em Blumenau-SC, onde comecei a trabalhar com</p><p>crianças especiais em salas de recurso. Neste período, conheci outros profissionais e</p><p>comecei a desenvolver um trabalho junto a uma equipe multidisciplinar, ainda na</p><p>área da Educação Especial. Comecei a ler e a conversar com outros profissionais</p><p>sobre a psicopedagogia, para complementar a minha atuação nesta equipe. Busquei</p><p>por cursos de formação na área e, na época, não existia nenhum no estado inteiro de</p><p>Santa Catarina. Minha primeira formação na área da Psicopedagogia foi no ano de</p><p>1995, em São Paulo. Neste período, foi necessário muito estudo, dedicação,</p><p>disposição e motivação para viajar toda a semana para tão longe em busca de novos</p><p>conhecimentos. Mas esse foi só o “ponta-a-pé” inicial... Depois desta formação, foram</p><p>muitos cursos, congressos, especializações e mestrado sempre em busca de</p><p>aperfeiçoamento e novos conhecimentos.</p><p>Nesta época, já atuava como psicopedagoga clínica, junto a uma equipe</p><p>multidisciplinar, além de dar aula na universidade em cursos de graduação e de pós-</p><p>graduação. Posso dizer que, nesses mais de 20 anos como profissional da</p><p>psicopedagogia, não fiquei nem um ano sequer, sem realizar novos cursos e</p><p>aprender um pouco mais... Posso resumir essa atitude de busca pelo conhecimento,</p><p>pelo novo, pelo aperfeiçoamento, em uma só palavra: DESEJO. Desejo pelo saber,</p><p>desejo pela psicopedagogia, desejo por ver o progresso dos pacientes no trabalho</p><p>psicopedagógico. E quanto mais eu aprendo, quanto mais eu estudo, mais</p><p>apaixonada eu fico pelo meu trabalho... Espero que esse meu singelo exemplo possa</p><p>inspirar você, caro (a) aluno (a), a também se tornar “desejoso” pela psicopedagogia.</p><p>O psicopedagogo clínico, enquanto profissional que atua nas áreas da saúde e da</p><p>educação, deverá se instrumentalizar teoricamente, mas sem deixar de lado a sua</p><p>formação pessoal. Sua formação deverá ter por base sólidos conhecimentos</p><p>científicos, a fim de alcançar um maior nível de qualidade, de seriedade e</p><p>comprometimento em suas ações. Além disso, esse profissional deverá ter sempre</p><p>presente a sua grande responsabilidade frente a realidade educacional brasileira</p><p>(SCOZ, 1991).</p><p>E o que queremos dizer quando falamos da importância da formação pessoal do</p><p>psicopedagogo? Podemos afirmar que a melhor ferramenta educativa é a própria</p><p>figura do professor. A lógica, na psicopedagogia, é a mesma!</p><p>Para obtermos um maior proveito no uso de qualquer ferramenta na</p><p>psicopedagogia, precisamos conhecê-la bem, aprender para que serve e conhecer</p><p>também as suas limitações. Quando afirmamos que a melhor ferramenta</p><p>psicopedagógica é o próprio psicopedagogo, estamos dizendo que para realizar a sua</p><p>função, o psicopedagogo deve conhecer-se. Só assim poderá identificar a maneira</p><p>que o seu mundo afetivo, psicológico, ético e criativo pode ser utilizado em prol do</p><p>seu trabalho.</p><p>Sabemos também que todo o ser humano tem as suas limitações. Com o sujeito</p><p>psicopedagogo não é diferente! É importante que esse profissional conheça as suas</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-3</p><p>https://getfireshot.com</p><p>limitações, tanto teóricas quanto pessoais, para que consiga saber até onde pode ir.</p><p>Aprender a conhecer você mesmo, respeitando os seus limites é a chave para você</p><p>se</p><p>aceitar e ajudar os outros.</p><p>De acordo com França (1996, p. 100)</p><p>[...] o psicopedagogo não podendo ser autônomo no atendimento, pois depende de outros</p><p>especialistas, também não pode ser um “cyborg” intelectual que entenda os aspectos</p><p>pedagógicos, psicológicos, neurológicos, fonoaudiológicos, psicolingüísticos e de outras</p><p>exigências da psicopedagogia.</p><p>Quando reconhecemos os limites da nossa atuação, estamos sendo éticos com a</p><p>nossa profissão. Não podemos “abarcar o mundo com as pernas” e nem assumir</p><p>responsabilidades que não competem a nós. Concordo com Garcia (2000, p. 32),</p><p>quando afirma que</p><p>[...] o psicopedagogo, como o imaginamos hoje, é um profissional que pode ter</p><p>sua origem profissional em distintas áreas das chamadas ciências humanas e</p><p>sociais. No entanto, a sua qualificação profissional específica deve levá-lo a uma</p><p>habilitação que possibilite enxergar no educando aquilo que transcende o</p><p>conhecimento das disciplinas pedagógicas. E isto se consegue, ademais, com o</p><p>cultivo de habilidades, que somadas ao conhecimento especializado permitem</p><p>ajudar o outro a elevar-se um degrau em seu processo formativo. Seja no</p><p>diagnóstico ou nas recomendações prescritas, o que diferenciará o bom, do mau</p><p>profissional, será esta apurada acuidade de operar em uma área onde a seriedade</p><p>e a charlatanice convivem em espaços muito próximos.</p><p>Falando-se em ética, é oportuno resgatar os capítulos do Código de Ética elaborado</p><p>pela Associação Brasileira de Psicopedagogia – ABPp que tratam das</p><p>responsabilidades do psicopedagogo.</p><p>Capítulo IV – Das responsabilidades</p><p>Artigo 11</p><p>São deveres do psicopedagogo:</p><p>a) manter-se atualizado quanto aos conhecimentos</p><p>científicos e técnicos que tratem da aprendizagem</p><p>humana;</p><p>b) desenvolver e manter relações profissionais</p><p>pautadas pelo respeito, pela atitude crítica e pela</p><p>cooperação com outros profissionais;</p><p>c) assumir as responsabilidades para as quais esteja</p><p>preparado e nos parâmetros da competência</p><p>psicopedagógica;</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-3</p><p>https://getfireshot.com</p><p>d) colaborar com o progresso da Psicopedagogia;</p><p>e) responsabilizar-se pelas intervenções feitas,</p><p>fornecer definição clara do seu parecer ao cliente e/ou</p><p>aos seus responsáveis por meio de documento</p><p>pertinente;</p><p>f) preservar a identidade do cliente (paciente) nos</p><p>relatos e dis-cussões feitos a título de exemplos e</p><p>estudos de casos;</p><p>g) manter o respeito e a dignidade na relação</p><p>profissional para a harmonia da classe e a manutenção</p><p>do conceito público.</p><p>Capítulo V – Dos instrumentos</p><p>Artigo 12</p><p>São instrumentos da Psicopedagogia aqueles que servem</p><p>ao seu objeto de estudo – a aprendizagem. Sua escolha</p><p>decorrerá de formação profissional e competência técnica,</p><p>sendo vetado o uso de procedimentos, técnicas e recursos não</p><p>reconhecidos como psicopedagógicos.</p><p>Fonte: Disponível em: < http://www.abpp.com.br >. Acesso em: 03 abr. 2016.</p><p>Para finalizar essa seção, vamos retomar a pergunta inicial deste capítulo: “mas</p><p>afinal, quem é o psicopedagogo?”</p><p>Sintetizando, o psicopedagogo é o profissional que deve ser capaz de investir na sua</p><p>formação pessoal, de maneira contínua e significativa, de modo a estar apto a</p><p>também desenvolver um papel profissional inovador, no qual quem ensina deve,</p><p>inicialmente, ter aprendido e vivenciado o que efetivamente vai ensinar. Esse</p><p>profissional deve possibilitar a todos, inclusive a si próprio, a oportunidade de lidar</p><p>com seus próprios processos de aprendizagem (BOSSA, 2011).</p><p>Encerramos assim, esta seção para, em seguida, discutirmos sobre alguns termos tão</p><p>utilizados na psicopedagogia: o olhar e a escuta psicopedagógica. Convido você a</p><p>continuar nosso caminhar...</p><p>O OLHAR E A ESCUTA PSICOPEDAGÓGICA</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-3</p><p>https://getfireshot.com</p><p>http://www.google.com/url?q=http%3A%2F%2Fwww.abpp.com.br%2Fcodigo-de-etica-do-psicopedagogo&sa=D&sntz=1&usg=AOvVaw2nbXKir7-rXuZT62v_Ijpz</p><p>Você já deve, por muitas vezes em seus estudos, ter se deparado com esses termos:</p><p>“olhar” psicopedagógico e “escuta” psicopedagógica. Você já parou para pensar o que</p><p>eles significam? Que concepção está por trás destes conceitos? Faremos, a seguir,</p><p>algumas reflexões.</p><p>Quando pensamos nas ações de olhar e de escutar, a primeira ideia que nos vem à</p><p>mente é que estas ações estão relacionadas aos nossos órgãos dos sentidos (visão e</p><p>audição) e que são canais receptores de informações do meio social. Esta ideia não</p><p>deixa de estar correta, se pensarmos no nosso organismo enquanto aparelho</p><p>biológico. Porém, sabemos que o nosso corpo é muito mais do que isso. E o olhar e a</p><p>escuta também!</p><p>Em primeiro lugar, podemos considerar que para olhar e escutar, além das</p><p>informações recebidas pelos órgãos sensoriais, está a interpretação e o sentido que</p><p>damos às mensagens que recebemos. Nesse sentido, esta interpretação é</p><p>estritamente pessoal e subjetiva. Será que existe uma única forma de “escutar” o que</p><p>aquele paciente quer nos dizer? Como saber se é isso mesmo?</p><p>A psicopedagogia toma emprestado os termos, “olhar e escuta” da psicanálise. Para a</p><p>psicanálise, escutar é diferente de ouvir e a escuta está sempre relacionada ao</p><p>discurso do outro, ao o que o outro quer dizer com as suas palavras e também, ao</p><p>que não é dito. Veremos, neste pequeno texto do psicanalista Marlos Terêncio, a</p><p>diferença entre ouvir e escutar para a psicanálise.</p><p>Um conhecido texto de Rubem Alves, intitulado</p><p>“Escutatória”, aborda de maneira criativa e poética a</p><p>problemática de escutar e falar na experiência humana. Diz o</p><p>escritor, com muito bom humor, que todos procuram por</p><p>cursos de oratória, ou seja, todos querem aprender a falar,</p><p>mas ninguém se interessaria por um curso de “escutatória”,</p><p>isto é, pelo aprendizado da arte de escutar.</p><p>Diriam alguns que ouvir é muito fácil, que árduo é aprender</p><p>a falar, a se expressar, a se comunicar. Sem dúvida que a</p><p>expressão é difícil para muitos — em clínica psicanalítica</p><p>recebemos pacientes com tal dificuldade –, mas saber escutar</p><p>é igualmente trabalhoso e raro.</p><p>Sugiro aqui uma distinção entre ouvir e escutar. Ouvir é</p><p>aquilo que fazemos em nossos relacionamentos cotidianos:</p><p>ouvimos o outro, muito embora, com frequência, estejamos</p><p>apenas esperando por nossa oportunidade para falar.</p><p>Misturamos nossos preconceitos e julgamentos com aquilo</p><p>que ouvimos da boca do próximo e, como resultado,</p><p>compreendemos e acolhemos muito pouco daquilo que ele ou</p><p>ela nos dirige com sua fala. Estamos ávidos por opinar, por</p><p>discordar, por aconselhar.</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-3</p><p>https://getfireshot.com</p><p>A escuta, por sua vez, tem uma qualidade diferente. É aquilo</p><p>que se faz, como diz Rubem Alves, quando há silêncio dentro</p><p>da alma. Quando os pensamentos não fazem ruído excessivo</p><p>em nossa cabeça, aí, sim, podemos escutar o outro. Quando</p><p>abrimos mão de nossos preconceitos, certezas e julgamentos,</p><p>podemos realmente escutar e acolher aquilo que o outro nos</p><p>endereça em sua fala.</p><p>[...]</p><p>O psicanalista também está ciente do problema, pois sabe</p><p>que somente se escuta um paciente na ausência de</p><p>julgamentos e de certezas absolutas a respeito do que ele fala.</p><p>E o paciente, ao sentir-se verdadeiramente escutado,</p><p>consegue, finalmente, dar expressão aos seus pensamentos e</p><p>sentimentos. Nos idos de 1900, foi Freud o primeiro a dar uma</p><p>escuta às pacientes histéricas, que eram vistas como</p><p>dissimuladas pelos médicos da época. Ninguém realmente as</p><p>escutava, seu discurso era menosprezado. E com esse ato</p><p>simples, porém difícil, de escutar, conseguiu Freud</p><p>compreender e mostrar-lhes a dinâmica inconsciente de seus</p><p>sintomas, livrando muitas delas da miséria neurótica.</p><p>Muitos profissionais se propõem a escutar o sofrimento</p><p>alheio, mas é comum que estejam apenas esperando para</p><p>aconselhar, com receitas</p><p>prontas, os seus clientes. A escuta do</p><p>psicanalista é diferente, pois tem o compromisso com a</p><p>singularidade de cada sujeito: cada história de vida é única e,</p><p>assim, também é singular o caminho a ser trilhado pelo</p><p>paciente para a resolução de seus conflitos.</p><p>[...]</p><p>O que escuta, então, o psicanalista? O analista escuta o</p><p>desejo inconsciente — aquilo que, muitas vezes, difere do que,</p><p>conscientemente, queremos. O analista percebe e pontua essa</p><p>divergência, o que é suficiente para abrir ao sujeito uma</p><p>chance de constituir um novo posicionamento em relação a</p><p>sua vida.</p><p>Em um mundo marcado por tantos discursos sobre o</p><p>sofrimento psíquico, cada qual propondo-se como a verdade</p><p>última e o caminho certeiro para a felicidade, há pouco espaço</p><p>para a escuta sincera de cada sujeito em sua singularidade, no</p><p>intuito lhe facultar o encontro de sua própria voz. Essa é a</p><p>proposta de uma escuta psicanalítica.</p><p>Fonte: Disponível em: < http://marlosterencio.psc.br >. Acesso em: 03 abr.</p><p>2016.</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-3</p><p>https://getfireshot.com</p><p>http://www.google.com/url?q=http%3A%2F%2Fmarlosterencio.psc.br%2Fpor-que-uma-escuta-psicanalitica%2F&sa=D&sntz=1&usg=AOvVaw2oLk-OFdadl3aiBQdgKHlV</p><p>Do texto acima, destaco uma frase: “o analista escuta o desejo inconsciente”. Na</p><p>psicopedagogia a lógica é a mesma: o psicopedagogo deve escutar além das palavras</p><p>que são ditas e olhar além das ações e dos gestos que são feitos. O psicopedagogo</p><p>deve conseguir escutar e olhar o que está por trás das palavras e das ações, o que</p><p>aquele sujeito quer nos dizer e nos mostrar.</p><p>E é exatamente o “olhar” e a “escuta” psicopedagógica que nos permitem traçar o</p><p>perfil de uma atitude clínica. Fernandez (1991) questiona-se sobre como ler a</p><p>produção de um paciente, como conseguir uma escuta-olhar psicopedagógicos. Ao</p><p>final das suas reflexões, a autora sintetiza da seguinte maneira “[...] posicionando-se</p><p>em um lugar analítico e assumindo uma atitude clínica, à qual será necessário</p><p>incorporar conhecimentos, teoria e saber, acerca do aprender.” (FERNANDEZ, 1991, p.</p><p>126).</p><p>Mais adiante, Fernandez (1991, p. 131) continua “o escutar e o olhar do terapeuta vai</p><p>permitir ao paciente falar e ser reconhecido, e ao terapeuta compreender a</p><p>mensagem.”. Vale lembrar que essa escuta deve ser livre de preconceitos, de pré-</p><p>julgamentos, sem contaminação com nossos sentimentos pessoais e sempre ser</p><p>contextualizada com a aprendizagem, que é o campo de atuação da psicopedagogia.</p><p>Esta visão mais abrangente que o psicopedagogo deverá ter, não será focada</p><p>somente nas questões cognitivas, nos fracassos. Sempre que o olhar e a escuta</p><p>estiverem presentes em seu trabalho, o foco será o de descobrir e revelar</p><p>possibilidades.</p><p>Para finalizar este capítulo, falaremos na próxima sessão sobre a construção da</p><p>autoria de pensamento na atuação psicopedagógica clínica, do ponto de vista tanto</p><p>do ensinante, quanto do aprendente.</p><p>A CONSTRUÇÃO DA AUTORIA DE PENSAMENTO NA ATUAÇÃO</p><p>PSICOPEDAGÓGICA</p><p>Muitas crianças, adolescentes e até mesmo adultos que vem em busca do trabalho</p><p>psicopedagógico, não conseguem reconhecerem-se como sujeitos autores e</p><p>construtores das suas produções. Não conseguem confiar no que pensam e no que</p><p>produzem e não acreditam no seu potencial.</p><p>Fernández (2001, p. 90) define a autoria “como o processo e o ato de produção de</p><p>sentidos e de reconhecimento de si mesmo como protagonista ou participante de tal</p><p>produção”. Ser autor é reconhecer-se enquanto criador de uma obra, seja ela qual</p><p>for: uma pintura, um desenho, uma escrita, uma construção ou um pensamento.</p><p>A autora destaca que pensar a autoria de pensamento implica pensar na relação</p><p>entre os sujeitos: eu-outro, ensinante-aprendente , ou seja, pensar na inserção do</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-3</p><p>https://getfireshot.com</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p%C3%A1gina-inicial/unidade-3#h.mwrtbvf6n6ny</p><p>sujeito nesta relação, assumindo-se como participante e responsável por suas ações</p><p>e escolhas, demonstrando sua maneira de pensar (FERNÁNDEZ, 2001).</p><p>Ensinante – aprendente : são os sujeitos da</p><p>psicopedagogia, ou seja, os sujeitos da autoria de pensamento.</p><p>Diferencia-se da relação professor-aluno, pela posição que</p><p>cada um ocupa. Na relação professor-aluno, existe uma</p><p>hierarquia entre aquele que transmite um conhecimento e o</p><p>outro que o assimila. A relação ensinante-aprendente não diz</p><p>respeito a papéis sociais, mas sim, ao posicionamento</p><p>subjetivo que cada um ocupa frente ao conhecimento.</p><p>Todos nós somos ensinantes e aprendentes simultaneamente, e transitamos por</p><p>esses lugares ao longo da nossa vida. Uma criança com dificuldade de aprendizagem,</p><p>por exemplo, não deve ver-se somente como aprendente, por julgar que não tem</p><p>nada para ensinar ao outro.</p><p>Ao aprender, o sujeito aprendente, precisa conectar-se com o que já sabe a respeito</p><p>do que lhe está sendo ensinado, pois, remetendo-se a si mesmo, poderá reconhecer</p><p>seu saber e mostrá-lo a quem o ensina. Por sua vez, o ensinante deverá reconhecer e</p><p>valorizar o saber do aprendente para que ambos estejam conectados. É preciso que</p><p>quem estiver ensinando, esteja aberto para conhecer e valorizar o outro como</p><p>possuidor de um saber, reconhecendo-o como sujeito ensinante, já que ele mostra</p><p>ao outro o que sabe. Desta forma, quem ensina também pode aprender e quem</p><p>aprende também pode ensinar. Nesta relação, os lugares não são fixos e</p><p>proporcionam um espaço de trocas favorável ao ensino e à aprendizagem. Com este</p><p>movimento, o sujeito vai se constituindo como um sujeito autor, pois ele consegue</p><p>transitar entre o ser ensinante e o ser aprendente (POPPOVIC, 2004).</p><p>E afinal, quem é esse sujeito autor? Para a psicopedagogia, o sujeito autor é o sujeito</p><p>que constrói a autoria do seu pensamento, que se autoriza a pensar, não somente</p><p>por meio de conteúdos acadêmicos, mas sim, por meio de todas as suas experiências</p><p>de vida: social, familiar, acadêmica. Esse sujeito se autoriza a conduzir a sua própria</p><p>vida, de maneira autônoma, independente. Dessa forma, podemos estabelecer uma</p><p>relação direta entre autoria e autonomia.</p><p>Para Fernández (2001), somente através da autoria e da autonomia de pensamento é</p><p>que o sujeito consegue alcançar a liberdade: liberdade de pensar, de agir, de sonhar,</p><p>de comandar a sua vida..</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-3</p><p>https://getfireshot.com</p><p>Conecte-se</p><p>Indico a leitura do texto “PSICOPEDAGOGIA: OFICINA DE</p><p>JOGOS, UM ESPAÇO PARA A AUTORIA DE PENSAMENTO” de Saj</p><p>Porcacchia, Sonia; Perce Eugenio, Aline Aparecida. Este artigo</p><p>foi apresentado na Universidade de Buenos Aires, em 2011, e</p><p>trata de mostrar como um trabalho com jogos pode propiciar a</p><p>autoria de pensamento. Ao final do texto, as autoras</p><p>apresentam um caso que ilustra suas concepções. O artigo</p><p>está disponível em: < http://www.aacademica.org >.</p><p>Disponível aqui</p><p>Para o psicopedagogo, nada é mais gratificante do que ver o sujeito aprendente</p><p>desafiando-se a pensar, criando e construindo novas relações e conexões. Muitas</p><p>vezes, esse sujeito que chega até nós, impregnado pelo não-saber, inseguro quanto</p><p>ao seu pensar e desacreditado quanto as suas possibilidades, consegue, com o</p><p>trabalho psicopedagógico, ver-se como ensinante-aprendente.</p><p>Para finalizar, compartilho com você, aluno (a), uma poesia escrita por duas</p><p>psicopedagogas sobre a autoria de pensamento. Vale a leitura e a reflexão!</p><p>Ser autor é...</p><p>...viver no eterno agora deixando a luz da vida,</p><p>brilhar em cada passo que dou,</p><p>Deixando minha marca pelos caminhos que vou...</p><p>...buscar no inconsciente a consciência de quem sou,</p><p>...se deixar sonhar para poder criar e recriar,</p><p>...ser livre para se deixar voar...nas asas da imaginação,</p><p>realizando-nos como pessoas únicas que somos,</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-3</p><p>https://getfireshot.com</p><p>http://www.google.com/url?q=http%3A%2F%2Fwww.aacademica.org%2F000-052%2F524.pdf&sa=D&sntz=1&usg=AOvVaw3FbqZ33wd3KEpUcMySWn8g</p><p>https://www.google.com/url?q=https%3A%2F%2Fwww.aacademica.org%2F000-052%2F524.pdf&sa=D&sntz=1&usg=AOvVaw3iGPWXa-xahbMm55U9Z3D0</p><p>na beleza do momento presente, na eterna dança do amor...</p><p>...viver no encantamento da vida,</p><p>Vivida com todas as cores, luzes, sabores e amores,</p><p>...abrindo caminhos para as transformações...</p><p>Ser ecológico,</p><p>Ser que ama,</p><p>Ser que se ama,</p><p>Ser que soma,</p><p>Ser que divide, multiplica.</p><p>Ser que age inter-age;</p><p>Transforma, forma,</p><p>Integra, reintegra,</p><p>Ser-mente, semente.</p><p>Ser autor: ser com amor.</p><p>Ser vida: ser Teia da Vida.</p><p>Fonte: Alves e Bossa (2006, s. p.).</p><p>ALGUMAS CONSIDERAÇÕES</p><p>Prezado (a) aluno (a), concluímos mais um capítulo e com isso encerramos o caderno</p><p>de estudos da disciplina de “Teoria e Prática da Psicopedagogia Clínica”. Foi um longo</p><p>caminho até aqui, não é mesmo? Muitas informações, novos conhecimentos e horas</p><p>de estudo e dedicação. Espero que tenha sido de muito proveito para você!</p><p>Para mim, todas as experiências de escrita, produzem novas reflexões, novas leituras</p><p>e, consequentemente, novos saberes. Realmente, escrever e aprender não é uma</p><p>prática, uma tarefa, algo fácil! Existem momentos que nos geram angustia e</p><p>insegurança. Mas, quando o resultado final é positivo, quando o autor contempla a</p><p>sua obra e sente-se orgulhoso, é porque todo o esforço valeu a pena!!! Este é o</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-3</p><p>https://getfireshot.com</p><p>verdadeiro sentido da autoria de pensamento, processo pelo qual todos nós,</p><p>psicopedagogos, aprendentes e ensinantes, deveremos passar.</p><p>Como despertar e desenvolver no outro, sentimentos e experiências que não estão</p><p>em mim? Como despertar o desejo do aprender no outro, se eu não me reciclo, não</p><p>estudo, não leio? Como ensinar o outro a pensar, se para mim é tão difícil criar e</p><p>tomar decisões? Como auxiliar o outro a se conhecer melhor, se eu não me conheço</p><p>e nem me reconheço por inteiro?</p><p>Portanto, futuro (a) psicopedagogo (a), deixo aqui estas reflexões para que você</p><p>perceba que a formação do psicopedagogo passa tanto pelo conhecimento teórico,</p><p>profissional, quanto pelo pessoal. Essa profissão implica em muita dedicação, mas</p><p>em contrapartida, é muito gratificante!</p><p>Esperamos que esse estudo seja muito proveitoso e que desperte várias reflexões sobre</p><p>a prática do psicopedagogo clínico que possam fazer diferença no futuro, não só no</p><p>futuro profissional, mas também no pessoal. Vamos então?</p><p>Chegamos ao final de mais uma disciplina! Esperamos que tenham gostado e</p><p>compreendido sobre os elementos que são importantes para a condução de todo o</p><p>processo de intervenção psicopedagógica. O importante é que você sempre tenha em</p><p>mente que a palavra-chave para todo o processo de intervenção é SUPERAÇÃO.</p><p>Não esqueça: você não está sozinho! Mesmo a distância estamos aqui para auxiliá-lo!</p><p>Bons estudos!</p><p>Encerramento da Disciplina</p><p>Foi muito bom contar com sua companhia durante nossa jornada do</p><p>conhecimento. Agora, para recordar o conteúdo desta disciplina,</p><p>escute este podcast.</p><p>Disponível aqui</p><p>Avançar</p><p>UNICESUMAR | UNIVERSO EAD</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-3</p><p>https://getfireshot.com</p><p>https://www.google.com/url?q=https%3A%2F%2Fon.soundcloud.com%2FSfvw7&sa=D&sntz=1&usg=AOvVaw3yk-RoxpCPEjT94144r5RL</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p%C3%A1gina-inicial/agora-%C3%A9-com-voc%C3%AA</p><p>Página inicial</p><p>Pular para o conteúdo principal Pular para a navegação</p><p>AGORA É COM VOCÊ</p><p>1 - O objeto de estudo da Psicopedagogia é a aprendizagem humana e os problemas de</p><p>aprendizagem que por ventura surgirem ao longo deste processo.</p><p>Partindo-se dessa concepção, assinale a alternativa correta:</p><p>A) O psicopedagogo deve estudar e se aprofundar somente nos transtornos e</p><p>problemas de aprendizagem.</p><p>B) Em primeiro lugar, o psicopedagogo deve compreender como se dá a</p><p>aprendizagem humana ao longo dos anos.</p><p>C) O psicopedagogo deve direcionar seu olhar para o não-aprender pois aí ele</p><p>encontrará as respostas que busca.</p><p>D) Antes de mais nada, o psicopedagogo deve estudar como prevenir os</p><p>problemas de aprendizagem.</p><p>2 - O diagnóstico abrange uma área de especial preocupação nas ciências que se</p><p>ocupam com a teoria e a prática, na aplicação de métodos diagnósticos. Na psicologia se</p><p>empregam, sobretudo, questionário, observação e aplicação de testes, como o de</p><p>personalidade, de desempenho e de desenvolvimento.</p><p>Sobre o objetivo da realização do diagnóstico nas áreas da saúde, assinale V</p><p>para verdadeiro e F para falso nos itens que seguem:</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/agora-�-com-voc�</p><p>https://getfireshot.com</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p%C3%A1gina-inicial</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p%C3%A1gina-inicial</p><p>( ) Diferenciação entre distúrbios orgânicos e funcionais.</p><p>( ) Intervenção para a eliminação do sintoma.</p><p>( ) Explicação das causas da dificuldade.</p><p>( ) Elaboração de um prognóstico sobre possibilidades de tratamento.</p><p>( ) Previsão de como se dará o processo de alta.</p><p>Assinale a alternativa que apresenta a sequencia correta de respostas:</p><p>A) V – V – V – V – F.</p><p>B) F – F – V – V – F.</p><p>C) V – F – V – V – F.</p><p>D) F – F - V – V – V.</p><p>3 - Este modelo diagnóstico foi proposto por duas importantes psicopedagogas, que até</p><p>hoje são referências na Psicopedagogia do Brasil. Tal modelo baseou-se nos</p><p>pressupostos da psicanálise e da psicologia genética de Piaget. Para esta proposta, a</p><p>aprendizagem é o resultado da utilização dos aspectos orgânicos, cognitivos, afetivos e</p><p>culturais.</p><p>Estamos nos referindo ao modelo proposto por:</p><p>A) Sara Pain e Alícia Fernandez.</p><p>B) Edith Rubinstein e Alícia Fernandez.</p><p>C) Jeanine Mary e Sara Pain.</p><p>D) Edith Rubinstein e Maria Lúcia Weiss.</p><p>4 - Esse instrumento é composto de várias provas que avaliam a funcionalidade cognitiva,</p><p>a forma como o sujeito opera com o conhecimento, bem como quais as suas hipóteses</p><p>sobre determinada situação.</p><p>Assinale a alternativa que apresenta o instrumento que está sendo falado:</p><p>A) Sessão Lúdica Centrada na Aprendizagem.</p><p>B) Técnicas Projetivas Psicopedagógicas.</p><p>C) Diagnóstico Operatório de Piaget – DOP.</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/agora-�-com-voc�</p><p>https://getfireshot.com</p><p>D) Entrevista Operativa Centrada na Aprendizagem – EOCA.</p><p>5 - O processo corretor consiste na utilização de um método clínico para a especificidade</p><p>de cada sujeito. O objetivo central para esse trabalho não é o critério da supressão dos</p><p>sintomas, mas sim o critério estrutural, de supressão dos obstáculos intrapsíquicos, que</p><p>interferem na aprendizagem.</p><p>Esta metodologia utilizada durante a intervenção psicopedagógica, é baseada em…</p><p>A) Projeto de Trabalho.</p><p>B) Proposição de Situações Problemas.</p><p>C) Epistemologia Genética.</p><p>D) Epistemologia Convergente.</p><p>6 - A metodologia baseada .... busca o desenvolvimento das funções cognitivas visando</p><p>maximizar o desempenho intelectual e o potencial de aprendizagem dos indivíduos,</p><p>através da aplicação de uma série de instrumentos.</p><p>Assinale a alternativa que completa corretamente a frase:</p><p>A) Na Proposição de Situações Problemas.</p><p>B) No Projeto de Trabalho.</p><p>C) No Programa de Enriquecimento Instrumental.</p><p>D) Na Epistemologia Convergente.</p><p>7 - A ... pode ser compreendida como sendo o modo próprio do psicopedagogo analisar a</p><p>singularidade do sintoma do não-aprender, através da sua habilidade de “escuta clínica”.</p><p>Assinale a alternativa que completa corretamente</p><p>egoicas, como memória,</p><p>percepção, atenção, motricidade e pensamento, medindo-se os déficits e</p><p>elaborando-se planos de tratamento que objetivavam vencer essas faltas” (BOSSA,</p><p>2011, p. 62-63).</p><p>Nesta mesma época (1956), surge em Buenos Aires, a primeira graduação em</p><p>Psicopedagogia, que também passou por diversas transformações ao longo dos</p><p>anos.</p><p>Na década de 1970, houve a criação dos primeiros Centros de Saúde Mental, na</p><p>cidade de Buenos Aires, na Argentina. Juntamente com outros profissionais, os</p><p>psicopedagogos atuavam fazendo o diagnóstico e o tratamento nos casos de</p><p>problemas de aprendizagem. Neste período, houve uma grande mudança na práxis</p><p>psicopedagógica: os psicopedagogos começaram a incluir o olhar e a escuta clínica da</p><p>psicanálise no seu trabalho, por perceberem que somente um olhar médico e</p><p>pedagógico não dava conta da diversidade de situações envolvidas no trabalho. Com</p><p>isso, então, o perfil do psicopedagogo muda de uma postura reeducativa para</p><p>adquirir um olhar mais abrangente sobre o sujeito e o sintoma do não-aprender</p><p>(BOSSA, 2011).</p><p>No Brasil, a ideia vigente por muito tempo era de que os problemas de aprendizagem</p><p>seriam consequências de fatores orgânicos, tendo como causa principal “[...] uma</p><p>disfunção neurológica não detectável em exame clínico, [...] chamada de disfunção</p><p>cerebral mínima (DCM)” (BOSSA, 2011, p. 76). Tal concepção, organicista e</p><p>patologizante, foi amplamente difundida e utilizada na intenção de rotular todo e</p><p>qualquer aluno que não conseguisse aprender dentro do esperado.</p><p>Foi no final da década de 1970, impulsionado por essa concepção de problemas de</p><p>aprendizagem na escola, que surgiram os primeiros cursos de especialização em</p><p>Psicopedagogia no Brasil. Eles foram pensados e idealizados para complementar a</p><p>formação de psicólogos e educadores interessados em pensar nas alternativas e</p><p>soluções para estes problemas. O primeiro curso surgiu na Clínica Médico-</p><p>Pedagógica de Porto Alegre e tinha a duração de dois anos.</p><p>Podemos dizer que, assim como a literatura francesa influenciou as ideias sobre</p><p>psicopedagogia na Argentina, as ideias presentes neste país, influenciaram o</p><p>surgimento e a construção da psicopedagogia no nosso país. Portanto, o movimento</p><p>da psicopedagogia no Brasil, remete as concepções e práticas trazidas da Argentina.</p><p>Alguns autores e psicopedagogos argentinos marcaram fortemente os ideais teóricos</p><p>e constituíram os primeiros esforços para a divulgação e difusão da psicopedagogia</p><p>no Brasil. Dentre estes autores, podemos citar: Sara Paín, Alícia Fernandez, Jorge</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-1</p><p>https://getfireshot.com</p><p>Visca, entre outros.</p><p>Sugiro a leitura do livro da Nádia Bossa (2011), “ A</p><p>Psicopedagogia no Brasil : contribuições a partir da prática”,</p><p>para que você possa conhecer mais profundamente a história</p><p>do surgimento da psicopedagogia. Este livro aborda várias</p><p>questões importantes para todos os que estão inseridos nesta</p><p>área.</p><p>A seguir veremos uma breve evolução histórica da Psicopedagogia no Brasil:</p><p>Quadro 1 – Psicopedagogia no Brasil</p><p>Fonte: Elaborado pela autora.</p><p>Ao longo destes anos todos, desde que se começou a falar em psicopedagogia no</p><p>Brasil, até os dias de hoje, a forma de conceber o fracasso escolar e os problemas de</p><p>aprendizagem mudaram significativamente: passaram de uma concepção</p><p>organicista, que explicava tais problemas como resultado de condições orgânicas</p><p>para uma abordagem que concebe a aprendizagem como resultado de múltiplos</p><p>fatores, dentre eles, emocional, social, relacional. Neste sentido, o “não aprender”</p><p>assume um novo sentido e deixa de ser compreendido como uma falta.</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-1</p><p>https://getfireshot.com</p><p>Para você pesquisar e se aprofundar sobre o exercício da</p><p>psicopedagogia no Brasil, sobre a luta da classe dos</p><p>psicopedagogos para regularizar a profissão, além de ter</p><p>acesso a vários textos e publicações científicas da área, acesse</p><p>o site da Associação Brasileira de Psicopedagogia:</p><p>< http://www.abpp.com.br/ >. Lá você terá informa-ções muito</p><p>importantes sobre a psicopedagogia.</p><p>A partir do que foi apresentado até agora, podemos concluir que a psicopedagogia</p><p>nasce e se constitui na área clínica. Somente nos últimos 20 anos é que a atuação do</p><p>psicopedagogo se expandiu para outras áreas, como a institucional, empresarial e</p><p>hospitalar. Na próxima seção aprofundaremos os conceitos atrelados a</p><p>psicopedagogia clínica, relacionando-os com a sua prática.</p><p>Com todas essas informações, encerramos a primeira parte deste capítulo. Que tal</p><p>organizarmos todas essas informações em uma linha do tempo?</p><p>PSICOPEDAGOGIA CLÍNICA OU CLÍNICA PSICOPEDAGÓGICA? -</p><p>COMPREENDENDO ALGUNS CONCEITOS</p><p>Conforme vimos na seção anterior, a psicopedagogia é um campo do conhecimento</p><p>relativamente recente no Brasil, apesar de já estar bastante difundida e sua prática já</p><p>ser reconhecida e solicitada. Porém, em função de ser uma ciência “jovem”, ainda</p><p>existem muitas confusões sobre o conceito e o objeto de estudo da psicopedagogia,</p><p>bem como das atribuições do psicopedagogo. Inicialmente, apresentaremos alguns</p><p>conceitos da psicopedagogia como um todo para, em seguida, nos aprofundarmos</p><p>nos aspectos clínicos.</p><p>Entendemos a psicopedagogia como área do conhecimento</p><p>que investiga e intervém na relação do sujeito que aprende e o</p><p>conhecimento a ser apreendido. Esta relação pode configurar-</p><p>se como problemática em razão de seus aspectos</p><p>pedagógicos, cognitivos e/ou afetivos, no âmbito individual e/</p><p>ou social/relacional.</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-1</p><p>https://getfireshot.com</p><p>http://www.google.com/url?q=http%3A%2F%2Fwww.abpp.com.br%2F&sa=D&sntz=1&usg=AOvVaw0cu21IaJVYDqI7TQmiNfSF</p><p>CONCEITUANDO A PSICOPEDAGOGIA</p><p>De acordo com o que o professor Antonio Joaquim Severino escreveu na introdução</p><p>do livro de Bossa (2011, p. 19):</p><p>A Psicopedagogia é tomada como um corpo de conhecimentos, construído</p><p>com vistas a encontrar soluções para os problemas da aprendizagem, em uma</p><p>aplicação que, além da clínica, se quer também preventiva. Área recente,</p><p>multidisciplinar, é eminentemente prática, sem deixar de ser simultaneamente,</p><p>campo de investigação e, ainda, saber científico.</p><p>Para aprofundarmos nossa discussão, vamos desmembrar este conceito em itens</p><p>menores e refletirmos sobre seu significado.</p><p>a) Corpo de conhecimentos : este termo nos remete a pensar que a psicopedagogia</p><p>é uma área de caráter multidisciplinar, constituída pelo saber de várias outras áreas e</p><p>não só da psicologia e da pedagogia, como o seu nome sugere. As principais teorias</p><p>que constituem o corpo de conhecimentos da psicopedagogia são: a psicanálise, a</p><p>psicologia social, a epistemologia, a psicologia genética, a linguística, a pedagogia e a</p><p>neuropsicologia.</p><p>b) Aprendizagem : atualmente, a psicopedagogia trabalha com a concepção de</p><p>aprendizagem segundo a qual participam deste processo o sujeito individual, através</p><p>do seu equipamento biológico, afetivo e intelectual, e a relação deste sujeito com o</p><p>seu meio. As trocas entre o sujeito e o seu meio são influenciadas pelas condições</p><p>socioculturais, e pelas relações familiares, grupais e institucionais.</p><p>c) Problemas de aprendizagem : podemos dizer que os problemas de aprendizagem</p><p>são todos os entraves que dificultam significativamente o processo de aprender,</p><p>determinando um desempenho abaixo do esperado, levando-se em consideração a</p><p>idade e série do aprendente, embora o sujeito tenha a necessária capacidade</p><p>intelectual para tal aprendizado.</p><p>d) Aplicação clínica : o sentido deste termo no contexto da definição de psico-</p><p>pedagogia significa o trabalho de resgate da possibilidade da aprendizagem quando</p><p>já existe um problema instalado. Envolve todas as ações que o psicopedagogo faz</p><p>para diagnosticar</p><p>a frase:</p><p>A) Psicopedagogia preventiva.</p><p>B) Postura terapêutica.</p><p>C) Intervenção psicopedagógica.</p><p>D) Relação transferencial.</p><p>8 - O contato sistemático com a família é necessário a fim de obter informações a respeito</p><p>da evolução ou entraves no trabalho psicopedagógico, orientar sobre alguns aspectos</p><p>que poderão auxiliar na evolução do caso, bem como obter informações sobre a</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/agora-�-com-voc�</p><p>https://getfireshot.com</p><p>percepção que a família possui do sujeito e da sua aprendizagem.</p><p>Diante disso, assinale a alternativa correta sobre a relação psicopedagogo/família:</p><p>A) Estes encontros devem acontecer exclusivamente durante o processo de</p><p>avaliação para a coleta de dados.</p><p>B) Os encontros com a família são restritos aos pais, pois irmãos, avós e outros</p><p>membros não devem participar para não prejudicarem o processo.</p><p>C) A criação de uma relação de confiança e parceria é fundamental para este</p><p>trabalho.</p><p>D) O psicopedagogo deve tomar cuidado para não dar espaço para os pais</p><p>relatarem suas dúvidas a fim de não contaminar-se com a opinião deles.</p><p>9 - O psicopedagogo clínico, enquanto profissional que atua nas áreas da saúde e da</p><p>educação, deve estar sempre preocupado em especializar-se e em instrumentalizar-se a</p><p>fim de aprimorar seus conhecimentos. Mas não deve esquecer jamais de buscar a ....</p><p>Assinale a alternativa que completa corretamente a frase:</p><p>A) Formação pessoal.</p><p>B) Reciclagem de conhecimentos.</p><p>C) Experiência clínica.</p><p>D) Participação em grupos de estudo.</p><p>10 - Ato de produzir e de reconhecer a si mesmo como protagonista, autor ou participante</p><p>de uma determinada produção. Este conceito refere-se a ....</p><p>Assinale a alternativa que complete corretamente a frase:</p><p>A) Vínculo com a aprendizagem.</p><p>B) Autonomia cognitiva.</p><p>C) Modalidade de aprendizagem.</p><p>D) Autoria de pensamento.</p><p>Orientação de resposta</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/agora-�-com-voc�</p><p>https://getfireshot.com</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p%C3%A1gina-inicial/refer%C3%AAncias</p><p>Avançar</p><p>UNICESUMAR | UNIVERSO EAD</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/agora-�-com-voc�</p><p>https://getfireshot.com</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p%C3%A1gina-inicial/refer%C3%AAncias</p><p>Página inicial</p><p>Pular para o conteúdo principal Pular para a navegação</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>ALVES, Maria Dolores Fortes; BOSSA, Nádia. Psicopedagogia: em busca do sujeito autor. s.d.</p><p>Disponível em: . Acesso em: 04 abr. 2016.</p><p>BOSSA, Nádia A. A Psicopedagogia no Brasil: contribuições a partir da prática. Rio de Janeiro: Wak</p><p>Editora, 2011.</p><p>FERNANDEZ, Alicia. A Inteligência Aprisionada: abordagem psicopeda-gógica clínica da criança e</p><p>sua família. Porto Alegre: Artes Médicas, 1991.</p><p>_____. O saber em Jogo: a psicopedagogia propiciando autorias de pensamento. Porto Alegre: Artmed,</p><p>2001.</p><p>FRANÇA, Carlos. Um novato na Psicopedagogia. In: SISTO, Fermino Fernandes; OLIVEIRA, Gislene</p><p>de Campos; FINI, Lucila Diehl Tolaine et al. (orgs). Atuação Psicopedagógica e Aprendizagem Escolar.</p><p>Petrópolis, RJ: Vozes, 1996.</p><p>GARCIA, Walter E. A psicopedagogia face aos desafi os da transdisciplinaridade. In: NOFFS, Neide de</p><p>Aquino; FABRÍCIO, Nívea de Carvalho; SOUZA, Vânia de Carvalho Bueno de. A Psicopedagogia em</p><p>Direção ao Espaço Transdisciplinar. São Paulo: Editora Sterchele, 2000.</p><p>POPPOVIC, Ana Maria. Contribuições da Psicopedagogia a Construção do Professor. Boletim</p><p>Clínico, nº 18, setembro de 2004. Disponível em: . Acesso em: 03 abr. 2016.</p><p>SCOZ, Beatriz Judith Lima. A Identidade do Psicopedagogo: formação e atuação profi ssional. In:</p><p>SCOZ, Beatriz Judith Lima; BARONE, Leda Maria Codeço; CAMPOS, Maria Célia Malta; MENDES,</p><p>Mônica Hoehne (orgs.). Psicopedagogia: contextualização, formação e atuação profi ssional. Porto</p><p>Alegre: Artes Médicas, 1991.</p><p>Avançar</p><p>UNICESUMAR | UNIVERSO EAD</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/refer�ncias</p><p>https://getfireshot.com</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p%C3%A1gina-inicial</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p%C3%A1gina-inicial</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p%C3%A1gina-inicial/editorial</p><p>Página inicial</p><p>Pular para o conteúdo principal Pular para a navegação</p><p>EDITORIAL</p><p>DIREÇÃO UNICESUMAR</p><p>Reitor Wilson de Matos Silva</p><p>Vice-Reitor Wilson de Matos Silva Filho</p><p>Pró-Reitor de Administração Wilson de Matos Silva Filho</p><p>Pró-Reitor Executivo de EAD William Victor Kendrick de Matos Silva</p><p>Pró-Reitor de Ensino de EAD Janes Fidélis Tomelin</p><p>Presidente da Mantenedora Cláudio Ferdinandi</p><p>C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ . Núcleo de Educação a</p><p>Distância.</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/editorial</p><p>https://getfireshot.com</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p%C3%A1gina-inicial</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p%C3%A1gina-inicial</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p%C3%A1gina-inicial/editorial#h.oictnd2mda4l</p><p>TEORIA E PRÁTICA DA PSICOPEDAGOGIA CLÍNICA</p><p>Anelise Donaduzzi; Erika Aparecida Regioli</p><p>Maringá-Pr.: UniCesumar, 2022.</p><p>“Pós-graduação Universo - EaD”.</p><p>1. Educação. 2. Psicopedagogia . 3. Interdisciplinaridade.</p><p>4. EaD. I. Título.</p><p>CDD - 22 ed. 372</p><p>CIP - NBR 12899 - AACR/2</p><p>Pró Reitoria de Ensino EAD Unicesumar</p><p>Head de pós-graduação Victor V. Biazon</p><p>Diretoria de Design Educacional</p><p>Equipe Recursos Educacionais Digitais</p><p>Fotos : Shutterstock</p><p>NEAD - Núcleo de Educação a Distância</p><p>Av. Guedner, 1610, Bloco 4 - Jardim Aclimação - Cep 87050-900</p><p>Maringá - Paraná | unicesumar.edu.br | 0800 600 6360</p><p>Retornar</p><p>UNICESUMAR | UNIVERSO EAD</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/editorial</p><p>https://getfireshot.com</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p%C3%A1gina-inicial</p><p>e intervir com o objetivo de buscar soluções e reverter um quadro</p><p>de dificuldade. Esse termo não significa que o trabalho deva acontecer em um espaço</p><p>clínico, pois a aplicação do trabalho psicopedagógico clínico pode acontecer em</p><p>diversos espaços.</p><p>e) Aplicação preventiva : para a psicopedagogia, o termo prevenção refere-se ao</p><p>trabalho no sentido de adequar as condições de aprendizagem de forma a evitar</p><p>possíveis comprometimentos nesse processo. Portanto, o trabalho com caráter</p><p>preventivo acontece quando não existe um problema de aprendizagem instalado. A</p><p>intervenção do psicopedagogo tem o objetivo de facilitar o processo de</p><p>aprendizagem.</p><p>f) Área prática, sem deixar de ser um campo de investigação e um saber</p><p>científico : a psicopedagogia já nasce como uma necessidade prática, uma vez que</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-1</p><p>https://getfireshot.com</p><p>existe uma demanda para isso. Porém, essa prática jamais pode ser desvinculada de</p><p>um saber teórico que a embase e a sustente. Quando falamos em “práxis</p><p>psicopedagógica” é justamente a isso que nos referimos: a inter-relação entre teoria e</p><p>prática, capaz de gerar novos conhecimentos, abrindo um vasto campo para a</p><p>investigação.</p><p>Agora que o conceito de psicopedagogia já foi aprofundado, vamos continuar</p><p>discutindo os aspectos pertinentes à psicopedagogia clínica.</p><p>OBJETO DE ESTUDO DA PSICOPEDAGOGIA</p><p>Como sabemos o objeto de estudo da psicopedagogia é a aprendizagem humana e,</p><p>consequentemente, os problemas de aprendizagem. Tanto no trabalho</p><p>psicopedagógico clínico, quanto no trabalho preventivo, a compreensão de como se</p><p>dá a aprendizagem nas diversas idades e quais habilidades são necessárias para que</p><p>ela aconteça, é de fundamental importância para ambos os trabalhos. Por isso é</p><p>equivocada a ideia de que o psicopedagogo deve estudar e se aprofundar somente</p><p>nos transtornos e problemas de aprendizagem. Em primeiro lugar, ele deve</p><p>compreender sobre a aprendizagem como um todo.</p><p>De acordo com Bossa (2011, p.33):</p><p>[...] a Psicopedagogia estuda as características da aprendizagem humana: como</p><p>se aprende, como essa aprendizagem varia evolutivamente e está condicionada</p><p>por vários fatores, como se produzem as alterações na aprendizagem, como</p><p>reconhecê-las, tratá-las e preveni-las.</p><p>Conforme foi visto na seção anterior, na sua origem, o trabalho psicopedagógico</p><p>priorizava a reeducação, objetivando vencer as defasagens, pois as dificuldades de</p><p>aprendizagem eram sempre avaliadas em função dos seus déficits. Atualmente, a</p><p>psicopedagogia vê o “não-aprender” como uma resposta a alguns fatores que podem</p><p>não estar bem por estarem em desacordo com o esperado e estes são sempre</p><p>carregados de significados. Tais fatores podem ser de ordem emocional, social,</p><p>afetivo, pedagógico, cognitivo, relacional, entre outros. Portanto, num trabalho de</p><p>investigação psicopedagógica, deve-se priorizar a busca pelas causas da dificuldade e</p><p>não somente voltar o seu olhar para os déficits.</p><p>A Revista Ciência & Vida Psique (Editora Escala, ano 1, n. 2)</p><p>lançou uma edição especial intitulada PSICOPEDAGOGIA: para</p><p>quê? Esta publicação é formada por diversos artigos escritos</p><p>por psicopedagogos renomados que tratam desde o</p><p>nascimento da psicopedagogia até as contribuições mais</p><p>recentes da neurociência para auxiliar na compreensão de</p><p>como se processa a aprendizagem humana. Vale à pena a</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-1</p><p>https://getfireshot.com</p><p>leitura!</p><p>Agora que já temos claro o conceito de psicopedagogia, bem como o seu objeto de</p><p>estudo, vamos nos aprofundar nos conceitos que constituem a psicopedagogia</p><p>clínica.</p><p>Você já deve ter ouvido os termos “psicopedagogia clínica” e</p><p>“clínica psicopedagógica”, não é mesmo? E será que estes</p><p>termos são sinônimos um do outro e querem dizer a mesma</p><p>coisa? Ou será que são expressões com sentido diferente e</p><p>que, por falta de conhecimento, são utilizadas erroneamente?</p><p>A PSICOPEDAGOGIA CLÍNICA E A CLÍNICA PSICOPEDAGÓGICA</p><p>O primeiro ponto importante para deixarmos claro nestas reflexões é que a</p><p>psicopedagogia é uma área única do conhecimento e que abrange algumas</p><p>ramificações, relacionadas aos campos de atuação do psicopedagogo.</p><p>No Brasil, a partir da década de 1990, com a proliferação dos cursos de</p><p>especialização por todo o país, tais cursos começaram a ser oferecidos com a</p><p>nomenclatura de “psicopedagogia clínica”, “psicopedagogia institucional” e, mais</p><p>recentemente, “psicopedagogia hospitalar” e “psicopedagogia empresarial”. Estes</p><p>termos acabaram sendo divulgados e bastante falados, mas, muitas vezes, não se</p><p>tem a verdadeira conotação do que eles querem dizer.</p><p>Podemos afirmar que todos os campos pertencem a uma só psicopedagogia, que</p><p>compartilham dos mesmos conceitos, dos mesmos referenciais teóricos e a mesma</p><p>conduta ética do psicopedagogo.</p><p>A psicopedagogia clínica refere-se a um dos campos de atuação da psicopedagogia.</p><p>Refere-se também a um saber, a postura clínica que o psicopedagogo deve assumir</p><p>frente ao seu paciente, que envolve o olhar e a escuta psicopedagógica clínica. Essa</p><p>postura deve ser assumida pelo psicopedagogo com o seu cliente nos diversos</p><p>campos de atuação e nos diversos espaços que ocupa e não somente no espaço</p><p>clínico. Portanto, podemos dizer que o método utilizado pelo psicopedagogo é o</p><p>método clínico, por ser um método investigativo e de observação da realidade. O</p><p>psicopedagogo o utiliza como instrumento de investigação na coleta de dados para o</p><p>diagnóstico e intervenção nas dificuldades de aprendizagem apresentadas por seus</p><p>clientes.</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-1</p><p>https://getfireshot.com</p><p>O olhar clínico em psicopedagogia é o olhar que tem por objetivo compreender como</p><p>o sujeito aprende, na sua relação com os outros sujeitos, com a cultura, com sua</p><p>história e com os objetos de aprendizagem. Este olhar envolve o sujeito como um</p><p>todo e tenta perceber como faz para evitar ou superar suas dificuldades em relação à</p><p>aprendizagem.</p><p>De acordo com Fernández (2001a), o termo “psicopedagogia clínica” foi utilizado pela</p><p>primeira vez na década de 1970, pela psicopedagoga argentina Blanca Tarnopolsky.</p><p>Esse enfoque passou a reconhecer a existência de fenômenos inconscientes e da</p><p>transferência , ambos os conceitos utilizados pela teoria da psicanálise. Para ela, “[...]</p><p>isso significou um giro de grande importância sobre o questionamento de</p><p>reeducação psicopedagógica que, em geral, está só a serviço da exigência de uma</p><p>adaptação mecanicista” (FERNÁNDEZ, 2001a, p. 49).</p><p>Inconsciente: área do psiquismo que não é acessível à</p><p>consciência do indivíduo. De acordo com a concepção da</p><p>psicanálise, no inconsciente se encontram conteúdos que</p><p>foram reprimidos. O acesso ao inconsciente se abre de</p><p>preferência através de sonhos, atos falhos e sintomas</p><p>neuróticos.</p><p>Transferência : conceito da psicanálise: processo em grande</p><p>parte inconsciente pelo qual se revivem, nas relações atuais,</p><p>afetos e desejos referentes a relações anteriores (sobretudo</p><p>experiências infantis) dirigidas a objetos (sobretudo</p><p>pessoas). A transferência representa, no âmbito da relação</p><p>paciente-terapeuta, um dos meios mais importantes para</p><p>tornar conscientes conflitos inconscientes.</p><p>Fonte: Extraído de Brunner e Zeltner (1994).</p><p>A postura clínica deve fazer parte do psicopedagogo e de suas ferramentas teóricas e</p><p>deve ser utilizada independente de onde ele estiver trabalhando: seja numa escola,</p><p>num consultório, num hospital ou numa faculdade. Entendemos então que, o</p><p>adjetivo “clínica” faz referência a uma postura, a uma ética e a um modo de investigar</p><p>as situações e de intervir.</p><p>Para encerrar esta seção, vamos retomar o questionamento feito anteriormente:</p><p>seria a “psicopedagogia clínica” e a “clínica psicopedagógica” a mesma coisa? A</p><p>resposta é NÃO. Na maioria</p><p>das vezes, estes dois termos são utilizados como</p><p>sinônimos, mas você já compreendeu que a “psicopedagogia clínica” refere-se a uma</p><p>postura ética, a uma forma de conduzir o trabalho psicopedagógico, independente</p><p>do local de atuação. A “clínica psicopedagógica” refere-se a atuação psicopedagógica</p><p>no espaço clínico, no consultório, sendo portanto, o espaço de trabalho do</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-1</p><p>https://getfireshot.com</p><p>psicopedagogo.</p><p>O que entendemos por intervenção psicopedagógica</p><p>clínica</p><p>A intervenção psicopedagógica clínica é muito diferente da</p><p>reeducação, já que esta última tende a corrigir e remediar.</p><p>Assim, muitas crianças são submetidas a métodos</p><p>reeducativos que tentam uma “ortopedia mental” como se</p><p>fosse possível colocar “próteses cognitivas”.</p><p>O fracasso escolar ou problema de aprendizagem deve ser</p><p>sempre um enigma a ser decifrado que não deve ser calado,</p><p>mas escutado. Desse modo, quando o “não sei” aparece como</p><p>principal resposta, podemos perguntar-nos o que é que não</p><p>está permitido saber.</p><p>Nossa escuta não se dirige aos conteúdos não-aprendidos,</p><p>nem aos aprendidos, nem às operações cognitivas não-</p><p>logradas ou logradas, nem aos condicionantes orgânicos, nem</p><p>aos inconscientes, mas às articulações entre essas diferentes</p><p>instâncias.</p><p>Não se situa no aluno, nem no professor, nem na</p><p>sociedade, nem nos meios de comunicação como ensinantes,</p><p>mas nas múltiplas relações entre eles.</p><p>Fonte: Fernández (2001b, p. 38).</p><p>ALGUMAS CONSIDERAÇÕES</p><p>Este primeiro capítulo tem um caráter um pouco mais teórico, mas é de fundamental</p><p>importância para que você possa compreender a prática da psicopedagogia clínica.</p><p>Todos os conceitos que aqui foram apresentados e discutidos estarão presentes ao</p><p>longo desta disciplina e você, aluno, deve ter clareza desse referencial. Ressalto a</p><p>importância da compreensão de determinadas teorias, pois serão elas que</p><p>orientarão a nossa prática futura.</p><p>Como estudante da psicopedagogia, futuro profissional psicopedagogo que</p><p>trabalhará com a aprendizagem, você precisa estar sempre atento e refletir sobre</p><p>como se dá a sua própria aprendizagem. Como foi o seu processo de aprender ao</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-1</p><p>https://getfireshot.com</p><p>longo deste capítulo? Com quais sentimentos você se deparou: angústia, medo,</p><p>insegurança, gratificação, prazer? Quais as estratégias você utilizou para melhor fixar</p><p>tantas informações? Durante o nosso trabalho, é importante que estes</p><p>questionamentos estejam presentes para que você possa se conhecer melhor. Não</p><p>podemos mediar a aprendizagem de outras pessoas se não conseguimos</p><p>compreender a nossa própria. Portanto, fique atento e se observe...</p><p>No próximo capítulo abordaremos o processo do diagnóstico psicopedagógico</p><p>clínico, suas características, as etapas para a realização deste, os instrumentos</p><p>utilizados durante esse processo, bem como as diferentes abordagens que</p><p>fundamentam a investigação psicopedagógica.</p><p>Você percebeu quanto conteúdo interessante já aprendeu até aqui? Vamos adiante!</p><p>Realize os exercícios de fixação. Aproveite ao máximo esse conteúdo, com certeza ele</p><p>proporcionará conhecimentos valiosos para a sua vida acadêmica e profissional.</p><p>Agora que você já realizou a leitura do livro didático, você pode aprofundar seus</p><p>conhecimentos por meio dos os estudos complementares.</p><p>Para saber mais sobre a psicopedagogia assista ao vídeo do vlog Vila simples, que conta</p><p>de uma maneira resumida a trajetória da psicopedagogia e acrescenta autores</p><p>pesquisadores que contribuem com a psicopedagogia.</p><p>Study Vlog: A Origem da Psicopedagogia</p><p>Para contribuir com seu aprendizado não deixe de ler UM ESTUDO DE CASO A PARTIR</p><p>DA ATUAÇÃO PSICOPEDAGÓGICA .</p><p>Estamos só começando!</p><p>Como foi o seu processo de aprender ao longo deste capítulo? Com quais sentimentos</p><p>você se deparou: angústia, medo, insegurança, gratificação, prazer? Quais as estratégias</p><p>você utilizou para melhor fixar tantas informações? Durante o nosso trabalho, é</p><p>importante que estes questionamentos estejam presentes para que você possa se</p><p>conhecer melhor.</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-1</p><p>https://getfireshot.com</p><p>https://youtu.be/MQKxQ0rvxCQ</p><p>https://www.google.com/url?q=https%3A%2F%2Frepositorio.ufpb.br%2Fjspui%2Fbitstream%2F123456789%2F2970%2F1%2FJSF06042015.pdf&sa=D&sntz=1&usg=AOvVaw3yYu_2JFCcRut6P8V5B-7M</p><p>https://www.google.com/url?q=https%3A%2F%2Frepositorio.ufpb.br%2Fjspui%2Fbitstream%2F123456789%2F2970%2F1%2FJSF06042015.pdf&sa=D&sntz=1&usg=AOvVaw3yYu_2JFCcRut6P8V5B-7M</p><p>Não podemos mediar a aprendizagem de outras pessoas se não conseguimos</p><p>compreender a nossa própria. Fique atento e se observe... e vamos para a próxima</p><p>etapa?</p><p>Bons estudos!</p><p>Avançar</p><p>UNICESUMAR | UNIVERSO EAD</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-1</p><p>https://getfireshot.com</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p%C3%A1gina-inicial/agora-%C3%A9-com-voc%C3%AA</p><p>Página inicial</p><p>Pular para o conteúdo principal Pular para a navegação</p><p>UNIDADE 2</p><p>Olá, Aluno!</p><p>Você deve estar lembrado, conforme vimos no capítulo anterior, que a psicopedagogia</p><p>busca encontrar soluções para os problemas de aprendizagem.</p><p>E você já parou para pensar como se dá essa busca?</p><p>No próximo capítulo, abordaremos o processo do diagnóstico psicopedagógico clínico,</p><p>suas características, as etapas para a realização deste, os instrumentos utilizados</p><p>durante esse processo, bem como as diferentes abordagens que fundamentam a</p><p>investigação psicopedagógica.</p><p>Agora, vamos mergulhar no Capítulo 2?</p><p>Capítulo 2 - O PROCESSO DE</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-2</p><p>https://getfireshot.com</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p%C3%A1gina-inicial</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p%C3%A1gina-inicial</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p%C3%A1gina-inicial/unidade-2#h.oar22cscefpi</p><p>INVESTIGAÇÃO CLÍNICA: O</p><p>DIAGNÓSTICO</p><p>PSICOPEDAGÓGICO</p><p>OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM</p><p>A partir da concepção do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes</p><p>objetivos de aprendizagem:</p><p>Conhecer as diversas abordagens que fundamentam o diagnóstico</p><p>psicopedagógico.</p><p>Caracterizar as etapas do diagnóstico psicopedagógico clínico.</p><p>Identificar os principais instrumentos utilizados no diagnóstico psicopedagógico.</p><p>Relacionar as etapas do diagnóstico psicopedagógico, bem como os instrumentos</p><p>utilizados neste processo com o caso apresentado.</p><p>Elaborar o relatório do diagnóstico psicopedagógico a partir da análise dos dados</p><p>apresentados.</p><p>CONTEXTUALIZAÇÃO</p><p>Você deve estar lembrado, conforme vimos no capítulo anterior, que a</p><p>psicopedagogia busca encontrar soluções para os problemas de aprendizagem. E</p><p>você já parou para pensar como se dá essa busca? Que instrumentos o</p><p>psicopedagogo utiliza para tal fim? É justamente este o objetivo principal deste</p><p>capítulo: demonstrar e aprofundar os conhecimentos acerca de todo o processo do</p><p>diagnóstico psicopedagógico.</p><p>Num primeiro momento, iremos discutir sobre as diferentes abordagens teóricas que</p><p>embasam os procedimentos do diagnóstico psicopedagógico. Em seguida,</p><p>abordaremos todas as etapas para a realização desse diagnóstico, desde o primeiro</p><p>contato telefônico até a elaboração do relatório final. Posteriormente,</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-2</p><p>https://getfireshot.com</p><p>apresentaremos todos os instrumentos que poderão ser utilizados em cada uma das</p><p>etapas do diagnóstico. Dando continuidade, iremos conhecer como se elabora o</p><p>relatório do diagnóstico psicopedagógico a partir da análise de todos os dados</p><p>coletados durante esse processo. E, finalmente, apresentaremos um caso, onde o</p><p>passo-a-passo de diagnóstico psicopedagógico estará presente, com objetivo de</p><p>tornar mais concreto todo o conhecimento apresentado até então.</p><p>Acharam muito conteúdo? Com toda certeza... Porém, todo este conteúdo é</p><p>fundamental para a prática psicopedagógica clínica. Nenhuma intervenção</p><p>psicopedagógica pode surtir o resultado desejado, sem que se tenha realizado um</p><p>bom diagnóstico, com uma correta interpretação dos resultados obtidos. Portanto,</p><p>temos sim, muito estudo pela frente. E espero, que quando você, aluno, chegar ao</p><p>final desse capítulo, possa sentir-se seguro para realizar um diagnóstico</p><p>psicopedagógico. Vamos começar?</p><p>AS DIFERENTES ABORDAGENS UTILIZADAS NO PROCESSO DO</p><p>DIAGNÓSTICO PSICOPEDAGÓGICO</p><p>Para introduzir este capítulo, antes de partimos para as diversas abordagens que</p><p>embasam o processo do diagnóstico psicopedagógico, é muito importante que</p><p>tenhamos clareza sobre alguns conceitos. Em primeiro lugar, o que queremos dizer</p><p>quando falamos em diagnóstico? E diagnóstico psicopedagógico? O que significam</p><p>estes termos?</p><p>De acordo com o “Dicionário de psicopedagogia e psicologia</p><p>educacional” , de Brunner e Zeltner (2000, p. 77 e 78),</p><p>diagnóstico é o resultado de exames psicológicos e médicos.</p><p>Após aplicação de métodos diagnósticos, por exemplo,</p><p>questionários e testes, torna-se possível fazer uma avaliação</p><p>sobre a existência e a extensão de um comportamento</p><p>desviante ou de uma enfermidade. Além disso, deve ser</p><p>descoberta, enquanto possível, a causa da perturbação ou da</p><p>enfermidade. Um diagnóstico pode ser expresso, por exemplo,</p><p>da seguinte forma: “Estado depressivo ocasionado pela morte</p><p>do parceiro”. O diagnóstico é a base principal para o</p><p>subsequente aconselhamento ou tratamento.</p><p>Diagnóstico designa também o exame de questões circunscritas na área da medicina,</p><p>psicologia ou pedagogia por meio de métodos diagnósticos. Ao mesmo tempo, o</p><p>diagnóstico abrange uma área especial da psicologia que se ocupa com a teoria e a</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-2</p><p>https://getfireshot.com</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p%C3%A1gina-inicial/unidade-2#h.l11pifx1asvq</p><p>prática da aplicação de métodos diagnósticos. Na psicologia se empregam,</p><p>sobretudo, questionário, observação e aplicação de testes, como o de pessoalidade,</p><p>de desempenho e de desenvolvimento. O diagnóstico se propõe o seguinte, entre</p><p>outras coisas:</p><p>identificação do distúrbio;</p><p>explicação das causas (nosologia);</p><p>verificação das reações das pessoas frente ao distúrbio;</p><p>diferenciações entre distúrbios orgânicos e funcionais;</p><p>elaboração de um prognóstico sobre possibilidades de tratamento e;</p><p>estabelecimento de bases para o aconselhamento ou tratamento.</p><p>DIAGNÓSTICO PSICOPEDAGÓGICO</p><p>A partir do conceito de diagnóstico, será que você consegue inferir o conceito de</p><p>diagnóstico psicopedagógico? Vamos tentar?</p><p>Em primeiro lugar, é importante que você, aluno, tenha muito claro que o termo</p><p>diagnóstico, para a psicopedagogia, não significa que o psicopedagogo está</p><p>habilitado para emitir laudos com diagnósticos fechados. Para nós, da</p><p>psicopedagogia, o diagnóstico refere-se a avaliação diagnóstica que compreenderá o</p><p>levantamento de dados ou hipóteses avaliativas. A partir destas hipóteses, caso haja</p><p>necessidade, o psicopedagogo pode estabelecer parcerias com outros profissionais,</p><p>como neurologistas ou psicólogos, que nos amparam na busca de um melhor</p><p>diagnóstico avaliativo.</p><p>O diagnóstico psicopedagógico pode ser entendido como um processo contínuo, no</p><p>qual é analisada a situação do aprendente dentro do contexto escolar, familiar e</p><p>social. Esta análise deverá estar embasada nos funda-mentos teóricos, e na utilização</p><p>de atividades e instrumentos específicos e terapêuticos. Através do olhar e da escuta</p><p>psicopedagógica, numa postura clínica, o profissional deverá envolver o aprendiz, os</p><p>pais e a escola, e levantar dados sobre como os fatos ocorreram.</p><p>De acordo com Sampaio (2012, p. 17),</p><p>O diagnóstico psicopedagógico clínico tem como objetivo identificar as causas</p><p>dos bloqueios que se apresentam nos sujeitos com dificuldades de</p><p>aprendizagem. Estes bloqueios apresentam-se por meio de sintomas que</p><p>podem se manifestar de diferentes maneiras: baixo rendimento escolar,</p><p>agressividade, falta de concentração, agitação, etc.</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-2</p><p>https://getfireshot.com</p><p>O sintoma é o que pode ser percebido pelo próprio indivíduo</p><p>ou pelos outros (familiares, professores, colegas). Todo o</p><p>sintoma está relacionado ao significado que a problemática da</p><p>dificuldade de aprendizagem tem para o sujeito. Um sintoma é</p><p>um sinal, um indício de que algo não vai bem com aquele</p><p>sujeito, por isso, para compreendermos, precisamos recorrer à</p><p>sua história pessoal. Muitas vezes, um sintoma pode ser da</p><p>ordem do inconsciente.</p><p>Para que você compreenda melhor o que representa um diagnóstico</p><p>psicopedagógico, podemos fazer uma analogia com um trabalho de investigação. O</p><p>psicopedagogo seria um detetive a procura de pistas que o auxiliem na descoberta</p><p>do que está por trás das queixas e dos sintomas presentes no caso.</p><p>Para Weiss (1994) todo o diagnóstico psicopedagógico é uma investigação, uma</p><p>pesquisa sobre o que não vai bem com o sujeito em relação ao que é esperado na</p><p>sua aprendizagem. Ainda para esta autora, a investigação não pretende rotular o</p><p>sujeito, mas sim obter uma compreensão global da sua forma de aprender e do que</p><p>está dificultando este processo.</p><p>Realizar um diagnóstico é como montar um grande quebra-cabeças, pois, à</p><p>medida que se encaixam as peças, vai se descobrindo o que está por trás</p><p>destes sintomas. As peças serão oferecidas pela família, pela escola e pelo</p><p>próprio sujeito, entretanto a maneira de montá-las só depende do</p><p>psicopedagogo e, para que este tenha um bom resultado, precisa levar em</p><p>conta os aspectos objetivos e subjetivos observados nos diversos âmbitos:</p><p>cognitivo, familiar, pedagógico e social (SAMPAIO, 2012, p. 17).</p><p>Fernández (1991), afirma que o diagnóstico deve ter a função de dar suporte ao</p><p>psicopedagogo, para que este faça todos os encaminhamentos necessários, assim</p><p>como uma rede dá o suporte para um equilibrista. Destaca ainda, ser um processo</p><p>que permite ao profissional investigar, levantar hipóteses provisórias que serão ou</p><p>não confirmadas ao longo do processo. Para ela, o diagnóstico está relacionado a</p><p>conhecimentos práticos e teóricos.</p><p>Cabe aqui ressaltar que “o sucesso de um diagnóstico não reside no grande número</p><p>de instrumentos utilizados, mas na competência e sensibilidade do terapeuta em</p><p>explorar a multiplicidade de aspectos revelados em cada situação” (WEISS, 1994,</p><p>p.16).</p><p>Gostaria de lembrá-los que muitos profissionais também utilizam o termo avaliação</p><p>psicopedagógica para referir-se ao diagnóstico psicopedagógico, por considerarem que</p><p>o termo diagnóstico tem uma forte conotação médica, centrado na classificação de</p><p>doenças e que o termo avaliação estaria mais ligado à área educacional. Porém, na</p><p>nossa disciplina, considero que ambos os termos estão corretos e podem ser</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-2</p><p>https://getfireshot.com</p><p>utilizados como sinônimos.</p><p>ABORDAGENS QUE EMBASAM O DIAGNÓSTICO PSICOPEDAGÓGICO</p><p>Retomando ao que já vimos no primeiro capítulo deste caderno de estudo, a</p><p>psicopedagogia é uma área de caráter multidisciplinar, constituída pelo saber de</p><p>várias outras áreas. Este corpo teórico que embasa o fazer psicopedagógico, acabou</p><p>constituindo os diferentes caminhos que possibilitam a realização do diagnóstico</p><p>psicopedagógico. Dito de outra maneira, o profissional psicopedagogo irá optar por</p><p>uma abordagem que indicará o caminho a ser seguido. Tal abordagem</p><p>está</p><p>fundamentada em uma ou outra abordagem teórica que servirá como pano de fundo</p><p>para o seu fazer (BOSSA, 2011).</p><p>No quadro a seguir, apresentarei todas as teorias que fundamentam o fazer</p><p>psicopedagógico:</p><p>Quadro 2 – As teorias que fundamentam a psicopedagogia</p><p>Fonte: Bossa (2011).</p><p>Decorrentes dessa diversidade de campos teóricos, surgiram diferentes</p><p>possibilidades de atuação e “caminhos” a serem trilhados, que embasam a ação</p><p>psicopedagógica, durante o processo diagnóstico ou de avaliação. Os caminhos mais</p><p>conhecidos e utilizados entre os psicopedagogos são propostos por:</p><p>Maria Lúcia Weiss;</p><p>Transtorno da clínica psicológica – segue o modelo médico;</p><p>Epistemologia Convergente - Jorge Visca;</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-2</p><p>https://getfireshot.com</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p%C3%A1gina-inicial/unidade-2#h.piyox5oc95gf</p><p>Edith Rubinstein;</p><p>Sara Pain / Alícia Fernandez.</p><p>Vamos conhecer, a seguir, cada um desses modelos?</p><p>a) Sequência diagnóstica proposta por Weiss (1994):</p><p>Este primeiro modelo, proposto por Maria Lúcia Weiss, é apresentado no livro</p><p>“Psicopedagogia Clínica: uma visão diagnóstica”. Nele, a autora faz um recorte de</p><p>como os aspectos que levam um sujeito ao histórico de fracasso escolar, podem ser</p><p>detectados através do diagnóstico psicopedagógico. Apresentaremos, a seguir, a</p><p>sequência proposta por ela.</p><p>1º Entrevista Familiar Exploratória Situacional (E.F.E.S.) (WEISS, 1994)</p><p>Nessa entrevista o psicopedagogo reúne-se com os pais e com a criança ou</p><p>adolescente para uma sessão conjunta, com duração de 50 minutos</p><p>aproximadamente.</p><p>A E.F.E.S. tem como objetivos a compreensão da queixa nas dimensões</p><p>familiar e escolar, a captação das relações e expectativas familiares centradas</p><p>na aprendizagem escolar, a expectativa em relação à atuação do terapeuta, a</p><p>aceitação e o engajamento do paciente e seus pais no processo diagnóstico e</p><p>o esclarecimento do que é um diagnóstico psicopedagógico (WEISS, 1994, p.</p><p>36).</p><p>Para esta entrevista, é necessário que exista um clima de confiança para que haja</p><p>liberdade de informações e sentimentos. O foco principal é o momento presente. O</p><p>registro fiel do que foi falado também é muito importante, para que o terapeuta, em</p><p>outro momento, possa analisar tudo o que foi dito.</p><p>2º Anamnese (WEISS, 1994)</p><p>Essa entrevista tem o objetivo de colher os dados importantes e significativos sobre a</p><p>história de vida do sujeito. Ela possibilita a integração das dimensões de passado,</p><p>presente e futuro do paciente. Normalmente é realizada com os pais, mas quando</p><p>outra pessoa (avó, babá, madrinha etc) também acompanhou e participou do</p><p>desenvolvimento da criança, é importante que ela se faça presente, sempre que</p><p>possível.</p><p>3º Sessões Lúdicas centradas na aprendizagem (para crianças) (WEISS, 1994)</p><p>Essa sessão tem o objetivo de obter dados sobre os aspectos afetivos para a</p><p>aprendizagem, tais como: exploração do novo, criatividade, vinculação com os</p><p>objetos, modalidade de aprendizagem. Além disso, também favorece a interação e a</p><p>vinculação paciente/terapeuta.</p><p>4º Complementação com provas e testes (WEISS, 1994)</p><p>Este momento compreende várias sessões (de 3 a 4 sessões) que serão destinadas a</p><p>realização de provas e testes específicos para o diagnóstico psicopedagógico. Eles</p><p>serão selecionados de acordo com a necessidade e com as hipóteses levantadas nas</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-2</p><p>https://getfireshot.com</p><p>sessões anteriores.</p><p>5º Síntese Diagnóstica – Prognóstico (WEISS, 1994)</p><p>Este é o momento em que o profissional deve debruçar-se sobre todo o material</p><p>colhido durante as sessões com o paciente e com as entrevistas e analisá-los</p><p>criteriosamente. É o momento em que faz a análise de toda a problemática para, em</p><p>seguida, se chegar às conclusões pertinentes ao caso.</p><p>6º Devolução - Encaminhamentos (WEISS, 1994)</p><p>A devolução é uma comunicação verbal feita ao final de toda a avaliação em que o</p><p>psicopedagogo relata aos pais e ao paciente os resultados obtidos ao longo de todo o</p><p>processo. Esse encontro pode ser realizado em conjunto (pais e paciente) ou em</p><p>momentos separados, de acordo com cada caso em específico. Neste encontro</p><p>também são dadas as orientações necessárias e são feitos os encaminhamentos para</p><p>outros profissionais, quando houver necessidade.</p><p>Conceituando</p><p>Para você conhecer melhor a sequência diagnóstica</p><p>proposta por Weiss, leia o livro:</p><p>WEISS, Maria Lucia L. Psicopedagogia Clínica: uma visão</p><p>diagnóstica. Porto Alegre: Artes Médicas, 1994.</p><p>Lá a autora descreve detalhadamente e com vários</p><p>exemplos, cada uma das etapas do diagnóstico. Vale a pena</p><p>ler!</p><p>b) Sequência Diagnóstica Tradicional – Modelo Médico</p><p>O modelo diagnóstico tradicional, segue o modelo médico, com a sequência de</p><p>passos propostos pela medicina. Este foi um dos primeiros modelos utilizados na</p><p>psicologia clínica e também na psicopedagogia.</p><p>1º Anamnese</p><p>É o momento em que o profissional vai entrar em contato com a situação e conhecer</p><p>a história do sujeito. Participam desta entrevista, os pais e/ou algum responsável que</p><p>conheça a história do paciente e possa repassar as informações importantes.</p><p>2º Testagem e provas pedagógicas</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-2</p><p>https://getfireshot.com</p><p>Este momento acontece em várias sessões com o paciente, individualmente. Tem por</p><p>objetivo conhecer a situação e tentar identificar que áreas estão comprometidas,</p><p>dificultando o aprender. Busca compreender a causa da difi-culdade de</p><p>aprendizagem.</p><p>3º Laudo</p><p>O momento do laudo é o momento em que o profissional elabora a síntese das suas</p><p>conclusões, reunindo todas as informações importantes sobre o caso, para ser</p><p>repassado à família. Esta etapa também abrange o momento do prognóstico, isto é, o</p><p>momento em que o psicopedagogo traça o provável desenvolvimento futuro,</p><p>baseando-se no desempenho verificado a partir dos testes e das provas que foram</p><p>aplicadas durante as sessões de diagnóstico.</p><p>4º Devolução</p><p>A devolução é o momento da verbalização do laudo ao paciente e/ou aos pais. Neste</p><p>momento, são esclarecidas as dúvidas e discutido o prognóstico do caso em questão.</p><p>c) Sequeência Diagnóstica proposta pela Epistemologia Convergente</p><p>O modelo proposto pela Epistemologia Convergente foi, originalmente, pensado por</p><p>Jorge Visca e difundido no Brasil, pelo próprio autor. Hoje, é um dos modelos mais</p><p>utilizados pelos psicopedagogos brasileiros, pois possui uma fundamentação teórica</p><p>bastante consistente. Visca baseou-se nas teorias psicanalítica, piagetiana e da</p><p>psicologia social.</p><p>1º Entrevista Operativa Centrada na Aprendizagem - E.O.C.A. (VISCA, 1987)</p><p>Esta entrevista é utilizada como um instrumento que possibilita a sondagem da</p><p>problemática da aprendizagem e auxilia o profissional a delinear o que mais</p><p>necessita ser investigado. Normalmente se dá em uma única sessão. A partir deste</p><p>momento, o profissional elabora o seu 1º sistema de hipóteses, define as linhas de</p><p>investigação e escolhe os instrumentos que irá utilizar para confirmar, ou não, o seu</p><p>1º sistema de hipóteses.</p><p>2º Testes (VISCA, 1987)</p><p>Neste momento, o psicopedagogo aplica os testes definidos na etapa anterior, da</p><p>E.O.C.A. Não existe uma bateria de testes pré-definidos e fixos, pois estes são</p><p>definidos a partir de cada caso. O profissional pode levar várias sessões para concluir</p><p>esta etapa. Elabora-se, então, o 2º sistema de hipóteses a partir do que foi levantado</p><p>na testagem realizada e definem-se novas linhas de investigação sobre o caso.</p><p>3º Anamnese (VISCA, 1987)</p><p>Este modelo propõe que a anamnese seja uma entrevista aberta, ou seja, não</p><p>dirigida; e situacional, isto é, que leve em consideração os fenômenos do passado e</p><p>do presente. Neste modelo, a anamnese acontece ao final das sessões com o</p><p>paciente para que o profissional não se “contamine” com a história apresentada</p><p>pelos pais e possa ser o mais neutro possível frente ao caso. Neste momento, o</p><p>psicopedagogo irá verificar o 2º sistema de hipóteses e formular o 3º sistema com as</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-2</p><p>https://getfireshot.com</p><p>hipóteses que se mantiveram.</p><p>4º Elaboração do Informe Psicopedagógico (VISCA, 1987)</p><p>É o momento em que se elabora a imagem do sujeito que articula os aspectos da</p><p>aprendizagem com os aspectos estruturais e emocionais que a condicionam. Essa</p><p>imagem é repassada aos pais e a escola e é a partir dela que se inicia o processo</p><p>corretor.</p><p>Conceituando</p><p>Para você conhecer mais sobre a Epistemologia</p><p>Convergente, teoria proposta por Jorge Visca, poderá consultar</p><p>o livro:</p><p>VISCA, Jorge. Clínica Psicopedagógica : epistemologia</p><p>conver- gente. Porto Alegre: Artes Médicas, 1987.</p><p>Neste livro você encontrará a fundamentação teórica e a</p><p>explicação detalhada de cada um dos momentos propostos</p><p>acima.</p><p>d) Sequência Diagnóstica proposta por Rubinstein</p><p>Edith Rubinstein, uma das precursoras da psicopedagogia no Brasil e uma grande</p><p>mestra, também trouxe a sua contribuição sobre o diagnóstico psicopedagógico. Para</p><p>ela, “[...] no diagnóstico psicopedagógico pretende-se diagnosticar as condições de</p><p>aprendizagem do aprendiz.” (RUBINSTEIN, 1999, p. 130).</p><p>1º Entrevista com a Família (RUBINSTEIN, 1999)</p><p>Este modelo propõe que a entrevista com a família se dê em três momentos</p><p>distintos. Estes momentos são:</p><p>Contatos anteriores a consulta – são os primeiros contatos realizados pela família</p><p>e podem ser via telefone, internet ou mensagem.</p><p>Escuta do motivo da consulta – primeiro contato presencial com a família na qual o</p><p>profissional vai escutar o motivo pelo qual estão buscando o trabalho</p><p>psicopedagógico.</p><p>História vital ou anamnese – seria o momento da anamnese propriamente dita,</p><p>onde o profissional irá escutar a história do sujeito.</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-2</p><p>https://getfireshot.com</p><p>2º Entrevista com o sujeito (RUBINSTEIN, 1999)</p><p>Esta segunda etapa é quando acontecem todos os encontros com o paciente,</p><p>normalmente de 6 a 8 encontros. Este modelo propõe que as sessões sejam divididas</p><p>em três fases:</p><p>Escuta do motivo da consulta – acontece quando o psicopedagogo vai escutar do</p><p>próprio paciente o motivo da procura pelo atendimento psicopedagógico.</p><p>Instrumentos escolhidos pelo psicopedagogo com base nas necessidades do</p><p>sujeito – é o momento da aplicação das provas e testes selecionados.</p><p>Devolutiva ao sujeito – momento em que o psicopedagogo irá conversar</p><p>individualmente com o sujeito e apontar suas potencialidades, seu estilo de</p><p>aprendizagem e suas habilidades.</p><p>3º Contato com a escola (RUBINSTEIN, 1999)</p><p>Este é um momento prévio ao finalizar, em que o psicopedagogo entra em contato</p><p>com a escola e escuta os professores do aluno em questão, sobre as suas queixas</p><p>escolares.</p><p>4º Contato com outros profissionais (RUBINSTEIN, 1999)</p><p>Posterior e logo em seguida ao contato com a escola, o psicopedagogo também entra</p><p>em contato, para trocar informações, com os outros profissionais envolvidos no caso</p><p>(psicólogo, fonoaudiólogo, psiquiatra, médico pediatra ou neuropediatra etc).</p><p>5º Devolutiva e encaminhamentos à família (RUBINSTEIN, 1999)</p><p>No último momento, após ter conversado e escutado todos os outros profissionais e</p><p>professores envolvidos no caso, o psicopedagogo conversa com a família para dar a</p><p>devolutiva do que foi avaliado e fazer os encaminhamentos necessários.</p><p>e) Sequência Diagnóstica proposta por Pain / Fernández (1992)</p><p>A sequência diagnóstica proposta, originalmente, por Sara Pain e, mais tarde,</p><p>complementada por Alícia Fernández, baseou-se nos pressupostos da psicanálise e</p><p>da psicologia genética de Piaget. Para esta proposta, a aprendizagem é o resultado da</p><p>utilização dos aspectos orgânicos, cognitivos, afetivos e culturais (PAIN, 1992).</p><p>1º Entrevista de “motivo da consulta” (PAIN, 1992)</p><p>Este primeiro momento é quando o psicopedagogo recebe a queixa que a família traz</p><p>sobre o paciente e explora o que esta queixa significa. O profissional pode pedir que</p><p>a família descreva alguma situação que fique evidenciado o que está sendo exposto.</p><p>Esta entrevista “motivo da consulta” também é feita com o paciente.</p><p>2º Entrevista “História Vital” (PAIN, 1992)</p><p>É o momento em que o psicopedagogo escuta toda a família, inclusive os irmãos,</p><p>sobre a situação “problema de aprendizagem” e investiga a história do paciente.</p><p>Tenta também compreender o lugar do sintoma do não-aprender para este grupo</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-2</p><p>https://getfireshot.com</p><p>familiar.</p><p>3º Sessão “Hora do Jogo” (PAIN, 1992)</p><p>A “hora do jogo” é utilizada para compreender alguns processos que podem ter</p><p>levado ao surgimento de patologias no aprender. Este modelo vê o espaço de</p><p>aprendizagem e o espaço de jogar como coincidentes. Normalmente esse momento</p><p>é realizado em um encontro com o paciente individualmente.</p><p>4º Provas Psicométricas (PAIN, 1992)</p><p>É o momento em que o psicopedagogo irá fazer uso de alguns testes e provas para</p><p>avaliar as questões intelectuais como, por exemplo, a utilização do Diagnóstico</p><p>Operatório de Piaget (D.O.P.). Essas provas oferecem uma visão do sujeito em função</p><p>do rendimento apresentado e do comportamento apresentado.</p><p>5º Provas Projetivas (PAIN, 1992)</p><p>É o momento em que utilizamos o desenho como um instrumento para o diagnóstico</p><p>psicopedagógico com o objetivo de verificar quais as situações que o sujeito projeta</p><p>no seu desenho e quais os conteúdos estão presentes aí. Estas provas tentam</p><p>desvendar como o sujeito se vê enquanto aprendente e qual a relação que</p><p>estabelece com a aprendizagem.</p><p>6º Provas Específicas (PAIN, 1992)</p><p>O momento da utilização das provas específicas tem como objetivo identificar o nível</p><p>de conhecimento que o sujeito possui. Normalmente, são avaliadas as áreas de</p><p>leitura, escrita, cálculo e, quando necessário, algumas provas psicomotoras.</p><p>7º Hipótese Diagnóstica (PAIN, 1992)</p><p>É o momento em que o psicopedagogo reúne todo o material produzido pelo</p><p>paciente e o analisa, bem como realiza a análise das entrevistas e da “hora do jogo”.</p><p>Desta análise, o psicopedagogo levanta hipóteses sobre os motivos da dificuldade e</p><p>busca compreender o sintoma do não-aprender.</p><p>8º Devolução Diagnóstica (PAIN, 1992)</p><p>É o momento em que o psicopedagogo “devolve” à família o que vem a ser a</p><p>dificuldade de aprendizagem do paciente e resgata a queixa inicial trazida na</p><p>primeira entrevista.</p><p>Para que você possa se aprofundar neste modelo</p><p>diagnóstico, sugiro a leitura de dois livros básicos e de leitura</p><p>obrigatória para todo psicopedagogo. São eles:</p><p>PAIN, Sara. Diagnóstico e Tratamento dos Problemas de</p><p>Aprendizagem . Porto Alegre: Artes Médicas, 1992.</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-2</p><p>https://getfireshot.com</p><p>FERNÁNDEZ, Alicia. A Inteligência Aprisionada : abordagem</p><p>psicopedagógica clínica da criança e sua família. Porto Alegre:</p><p>Artes Médicas, 1991.</p><p>Quanta informação, não é mesmo? Que tal organizarmos</p><p>estes novos conhecimentos? Então, mãos à obra...</p><p>De acordo com o que estudamos até agora, você pôde conferir que o profissional da</p><p>área da psicopedagogia dispõe de diferentes possibilidades que nortearão a</p><p>realização do diagnóstico. Mas, vale lembrar que, independente da sua futura</p><p>escolha, aluno, é importante que o seu “fazer psicopedagógico” seja sempre pautado</p><p>numa postura ética para com o sujeito aprendente.</p><p>Na próxima sessão deste capítulo, vamos conhecer e estudar cada uma das etapas</p><p>que compõe a realização do diagnóstico avaliativo. Espero que esse estudo seja</p><p>muito proveitoso!</p><p>ETAPAS DO DIAGNÓSTICO AVALIATIVO</p><p>Você já sabe que a realização de</p><p>um bom diagnóstico é de grande relevância para</p><p>todo o processo de intervenção psicopedagógica, não é mesmo? Já estudou também</p><p>que existem vários caminhos possíveis para a realização deste diagnóstico, e que</p><p>essa escolha depende da postura teórica adotada e da concepção que o profissional</p><p>mais se identifica. É importante aqui ressaltar que as diferenças existentes entre uma</p><p>ou outra abordagem e o modelo de diagnóstico escolhido, não devem alterar o</p><p>resultado da avaliação, porém é preciso que o profissional acredite na linha que</p><p>escolheu e se aprofunde nesta abordagem.</p><p>A partir de agora, detalharemos cada uma das etapas do diagnóstico</p><p>psicopedagógico, para que você, aluno, consiga compreender e aplicar cada uma</p><p>delas.</p><p>a) A queixa</p><p>Como já visto anteriormente, a procura pelo trabalho psicopedagógico acontece</p><p>quando uma família tem como queixa fundamental a dificuldade de um de seus</p><p>membros diante da sua aprendizagem, sendo, portanto, a aprendizagem e suas</p><p>relações a porta de entrada para a compreensão do caso que se apresenta.</p><p>Durante a entrevista, na qual o profissional está explorando a queixa, é importante</p><p>que ele fique atento as diferentes formulações feitas pelos pais, pela escola e pelo</p><p>próprio paciente em sua autovisão, para que sejam analisadas nos seus diferentes</p><p>significados. Nessas frases há diversas pistas que contribuem para o diagnóstico,</p><p>trazendo à tona o significado do sintoma da dificuldade no aprender. É importante</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-2</p><p>https://getfireshot.com</p><p>que você perceba, aluno, que a “queixa” não é apenas uma frase falada no primeiro</p><p>contato, ela precisa ser escutada ao longo das diferentes sessões, sendo</p><p>fundamental refletir sobre o seu significado (WEISS, 1994).</p><p>Durante a conversa para explorar a queixa, o psicopedagogo deve manter o foco no</p><p>paciente e na sua problemática. Uma queixa nunca é isolada, existem todos os</p><p>desdobramentos desta queixa e que devem ser apurados no momento do</p><p>diagnóstico.</p><p>Exemplos de queixas trazidas pelas famílias:</p><p>Ele não faz nada na sala, não fixa em nada, não presta atenção na aula.</p><p>Lê bem, mas não consegue escrever. É ótimo na matemática, mas sempre foi mal</p><p>em português.</p><p>Vai sempre mal na escola, mas eu também era assim e hoje estou muito bem.</p><p>Estou aqui porque a escola mandou.</p><p>Exemplos de queixas trazidas pelo próprio paciente:</p><p>Erro na escrita porque faço muito rápido, não sei fazer devagar. Não gosto de ler</p><p>livro. O que eu gosto mais é da aula de música. Não gosto de dividir, não sei conta</p><p>de dividir.</p><p>Estudo, na hora da prova dá nervoso e eu esqueço. Estou me esforçando. Nas</p><p>matérias não vou nada bem. Não sei se vou conseguir resultado melhor. Não</p><p>gostei da professora, gritava muito.</p><p>Eu não queria aprender a ler e a escrever. Tenho medo de tirar nota baixa, repetir</p><p>ano e perder os amigos. Tive dificuldade no colégio A, não era bom o ensino; aí,</p><p>minha mãe me tirou e pôs em outra escola; aí, o segundo colégio não era bom e</p><p>minha mãe botou em outro; aí, ela não gostou e eu voltei para o primeiro.</p><p>Devemos receber a queixa trazida pelos pais e pedir que estes desenvolvam uma</p><p>descrição sobre o que querem dizer essas palavras, quem as diz, por que o dizem,</p><p>que pensam eles do por quê disto e o que essa dificuldade significa para eles.</p><p>Podemos solicitar que descrevam alguma cena familiar em que fique em evidência a</p><p>queixa, para que o profissional consiga perceber no concreto as situações que</p><p>causam incômodo para a família e para o paciente.</p><p>Para finalizar esse primeiro contato, o psicopedagogo deve investigar com os pais e</p><p>com o próprio paciente o que eles esperam do atendimento psicopedagógico e quais</p><p>as suas fantasias sobre o trabalho pois, é fundamental que o profissional saiba quais</p><p>são as expectativas da família/paciente sobre o seu trabalho.</p><p>b) Anamnese</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-2</p><p>https://getfireshot.com</p><p>A realização de uma anamnese completa é um dos pontos cruciais de um bom</p><p>diagnóstico. Ela objetiva colher dados significativos sobre a história de vida do</p><p>paciente.</p><p>Da análise do seu conteúdo obtemos dados para o levantamento de hipóteses sobre</p><p>a possível origem do caso, bem como sobre os seus desdobramentos. É necessário</p><p>que a mesma seja bem conduzida e registrada. Porém, seu registro não deve inibir</p><p>ou interferir no momento da conversa por isso, orienta-se que durante a sessão, seja</p><p>registrado somente o mais importante para, logo após o término, a conversa ser</p><p>transcrita na íntegra.</p><p>É ela que possibilita a integração das dimensões de passado, presente e futuro do</p><p>paciente, permitindo perceber a construção ou não de sua própria continuidade e</p><p>das diferentes gerações [...]. A visão familiar da história de vida do paciente traz em</p><p>seu bojo seus preconceitos, normas, expectativas, a circulação dos afetos e do</p><p>conhecimento, além do peso das gerações anteriores que é depositado sobre o</p><p>paciente (WEISS, 1994, p.48).</p><p>Para Weiss (1994), durante a realização dos encontros com a família, é importante</p><p>que o psicopedagogo tenha em mente dois grandes eixos que nortearão as</p><p>conversas e possibilitarão uma posterior análise. Em primeiro lugar, deve estar</p><p>presente o eixo horizontal, onde se explora basicamente o momento presente. Este</p><p>eixo permite que se realize a contextualização do problema existente no “aqui e</p><p>agora”. O eixo vertical é o eixo histórico e onde se busca a construção geral do sujeito</p><p>e do seu problema.</p><p>1º Horizontal – A-Histórico – Visão do Presente; “AQUI, AGORA, COMIGO”.</p><p>2º Vertical – Histórico – Visão do Passado, Visão da Construção do Sujeito (WEISS,</p><p>1994, p. 15).</p><p>Figura 1 – Eixo Horizontal e Eixo Vertical</p><p>WEISS (1994, p. 16).</p><p>Devemos ter claro que os dados obtidos na anamnese estarão contaminados pela</p><p>percepção que os pais têm dos fatos e o entrevistador estará construindo uma</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-2</p><p>https://getfireshot.com</p><p>imagem do sujeito sob a ótica dos pais, se este momento acontecer nos primeiros</p><p>encontros. Em função de não se “contaminar” pelo que é dito sobre o sujeito que a</p><p>proposta da Epistemologia Convergente opta por realizar a anamnese depois de</p><p>todos os encontros com o sujeito.</p><p>A entrevista deve ser conduzida pelo psicopedagogo, de forma que possa deixar a</p><p>família a vontade, para que não se sintam como se estivessem respondendo a um</p><p>questionário rígido e formal. O modelo de anamnese que deve ser seguido é o</p><p>modelo de entrevista semi-aberta, onde o entrevistado tem maior liberdade para</p><p>falar. Sob hipótese alguma a anamnese, em atendimento clínico, pode ser feito por</p><p>meio de perguntas e respostas.</p><p>É importante que o psicopedagogo tenha um roteiro em mãos em que possa se</p><p>basear enquanto realiza a entrevista e onde possa ir anotando, à medida que a</p><p>família vai expondo. De acordo com Sampaio (2012, p. 143) “deixá-los falar</p><p>espontaneamente permite ao psicopedagogo avaliar o que eles recordam para falar,</p><p>qual a sequência e a importância dos fatos”.</p><p>Roteiro para anamnese</p><p>Gravidez / Parto;</p><p>Alimentação;</p><p>Primeiras aprendizagens informais;</p><p>Desenvolvimento geral da criança;</p><p>Sono;</p><p>História clínica;</p><p>História escolar;</p><p>Comportamento;</p><p>Independência;</p><p>Rotina;</p><p>Aspectos social/afetivo.</p><p>Fonte: A autora.</p><p>https://sites.google.com/unicesumar.com.br/teoriaeprticadapsicopedagogiac/p�gina-inicial/unidade-2</p><p>https://getfireshot.com</p><p>A partir deste roteiro, o psicopedagogo deverá ficar atento ao que é dito e por quem</p><p>é dito, e investigar os seguintes pontos, conforme Sampaio (2012, p. 145):</p><p>Há consciência da família em relação às dificuldades da criança?</p><p>A família auxilia o desenvolvimento da autonomia?</p><p>Os pais são muito autoritários e causam medo na criança?</p><p>A família participa e incentiva descobertas pela criança?</p><p>Há estímulos em casa relacionados</p>

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