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<p>Brasília-DF.</p><p>Logística do PetróLeo</p><p>Elaboração</p><p>Bruno Rafael Dias de Lucena</p><p>Produção</p><p>Equipe Técnica de Avaliação, Revisão Linguística e Editoração</p><p>Sumário</p><p>APRESENTAÇÃO ................................................................................................................................. 4</p><p>ORGANIZAÇÃO DO CADERNO DE ESTUDOS E PESQUISA .................................................................... 5</p><p>INTRODUÇÃO.................................................................................................................................... 7</p><p>UNIDADE I</p><p>INTRODUÇÃO À LOGÍSTICA E À CADEIA DE SUPRIMENTOS ...................................................................... 9</p><p>CAPÍTULO 1</p><p>EVOLUÇÃO DA LOGÍSTICA ....................................................................................................... 9</p><p>CAPÍTULO 2</p><p>PRIMEIROS CONCEITOS EM LOGÍSTICA E GESTÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS ..................... 13</p><p>CAPÍTULO 3</p><p>ATIVIDADES LOGÍSTICAS.......................................................................................................... 19</p><p>UNIDADE II</p><p>LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO DE PETRÓLEO, GÁS E SEUS DERIVADOS ...................................................... 28</p><p>CAPÍTULO 1</p><p>ATIVIDADE PETROLEIRA NO BRASIL .......................................................................................... 28</p><p>CAPÍTULO 2</p><p>MODAIS DE TRANSPORTE PARA PETRÓLEO, GÁS E SEUS DERIVADOS ........................................ 32</p><p>CAPÍTULO 3</p><p>REDE DE DISTRIBUIÇÃO DA INDÚSTRIA DO PETRÓLEO .............................................................. 38</p><p>UNIDADE III</p><p>GESTÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS ................................................................................................. 40</p><p>CAPÍTULO 1</p><p>CADEIA DE SUPRIMENTOS ....................................................................................................... 40</p><p>CAPÍTULO 2</p><p>MODELAGEM NA CADEIA DE SUPRIMENTOS ........................................................................... 48</p><p>CAPÍTULO 3</p><p>OPERAÇÕES NA CADEIA DE SUPRIMENTOS ............................................................................. 53</p><p>PARA (NÃO) FINALIZAR ..................................................................................................................... 57</p><p>REFERÊNCIAS .................................................................................................................................. 59</p><p>4</p><p>Apresentação</p><p>Caro aluno</p><p>A proposta editorial deste Caderno de Estudos e Pesquisa reúne elementos que se entendem</p><p>necessários para o desenvolvimento do estudo com segurança e qualidade. Caracteriza-se pela</p><p>atualidade, dinâmica e pertinência de seu conteúdo, bem como pela interatividade e modernidade</p><p>de sua estrutura formal, adequadas à metodologia da Educação a Distância – EaD.</p><p>Pretende-se, com este material, levá-lo à reflexão e à compreensão da pluralidade dos conhecimentos</p><p>a serem oferecidos, possibilitando-lhe ampliar conceitos específicos da área e atuar de forma</p><p>competente e conscienciosa, como convém ao profissional que busca a formação continuada para</p><p>vencer os desafios que a evolução científico-tecnológica impõe ao mundo contemporâneo.</p><p>Elaborou-se a presente publicação com a intenção de torná-la subsídio valioso, de modo a facilitar</p><p>sua caminhada na trajetória a ser percorrida tanto na vida pessoal quanto na profissional. Utilize-a</p><p>como instrumento para seu sucesso na carreira.</p><p>Conselho Editorial</p><p>5</p><p>Organização do Caderno</p><p>de Estudos e Pesquisa</p><p>Para facilitar seu estudo, os conteúdos são organizados em unidades, subdivididas em capítulos, de</p><p>forma didática, objetiva e coerente. Eles serão abordados por meio de textos básicos, com questões</p><p>para reflexão, entre outros recursos editoriais que visam a tornar sua leitura mais agradável. Ao</p><p>final, serão indicadas, também, fontes de consulta, para aprofundar os estudos com leituras e</p><p>pesquisas complementares.</p><p>A seguir, uma breve descrição dos ícones utilizados na organização dos Cadernos de Estudos</p><p>e Pesquisa.</p><p>Provocação</p><p>Textos que buscam instigar o aluno a refletir sobre determinado assunto antes</p><p>mesmo de iniciar sua leitura ou após algum trecho pertinente para o autor</p><p>conteudista.</p><p>Para refletir</p><p>Questões inseridas no decorrer do estudo a fim de que o aluno faça uma pausa e reflita</p><p>sobre o conteúdo estudado ou temas que o ajudem em seu raciocínio. É importante</p><p>que ele verifique seus conhecimentos, suas experiências e seus sentimentos. As</p><p>reflexões são o ponto de partida para a construção de suas conclusões.</p><p>Sugestão de estudo complementar</p><p>Sugestões de leituras adicionais, filmes e sites para aprofundamento do estudo,</p><p>discussões em fóruns ou encontros presenciais quando for o caso.</p><p>Praticando</p><p>Sugestão de atividades, no decorrer das leituras, com o objetivo didático de fortalecer</p><p>o processo de aprendizagem do aluno.</p><p>Atenção</p><p>Chamadas para alertar detalhes/tópicos importantes que contribuam para a</p><p>síntese/conclusão do assunto abordado.</p><p>6</p><p>Saiba mais</p><p>Informações complementares para elucidar a construção das sínteses/conclusões</p><p>sobre o assunto abordado.</p><p>Sintetizando</p><p>Trecho que busca resumir informações relevantes do conteúdo, facilitando o</p><p>entendimento pelo aluno sobre trechos mais complexos.</p><p>Exercício de fixação</p><p>Atividades que buscam reforçar a assimilação e fixação dos períodos que o autor/</p><p>conteudista achar mais relevante em relação a aprendizagem de seu módulo (não</p><p>há registro de menção).</p><p>Avaliação Final</p><p>Questionário com 10 questões objetivas, baseadas nos objetivos do curso,</p><p>que visam verificar a aprendizagem do curso (há registro de menção). É a única</p><p>atividade do curso que vale nota, ou seja, é a atividade que o aluno fará para saber</p><p>se pode ou não receber a certificação.</p><p>Para (não) finalizar</p><p>Texto integrador, ao final do módulo, que motiva o aluno a continuar a aprendizagem</p><p>ou estimula ponderações complementares sobre o módulo estudado.</p><p>7</p><p>Introdução</p><p>Os preços finais dos produtos da cadeia de petróleo têm sido influenciados sobremaneira, pelo</p><p>alto custo das atividades logísticas e da pouca opção na seleção dos modais de transporte a serem</p><p>utilizados, por ausência de infraestrutura adequada.</p><p>Neste ambiente, o profissional em gestão de petróleo deve estar apto a lidar com as restrições</p><p>impostas pelo cenário e buscar minimizar os custos logísticos de modo a alcançar vantagens</p><p>competitivas para o seu negócio.</p><p>A área da logística é vasta e complexa, mas que tem sido amplamente divulgada e valorizada nas</p><p>últimas décadas. Quando se trata do mercado de commodities, como o petróleo e os seus derivados,</p><p>que apesar de seu valor luta para obter maiores margens, a melhoria de resultados por meio da boa</p><p>aplicação e conhecimentos logísticos torna-se um grande diferencial.</p><p>Esse curso pretende tratar sobre assuntos técnicos e de grande aplicabilidade para o mercado</p><p>do petróleo e derivados, buscando, também, atualizar o aluno sobre os principais temas que tem</p><p>circulado no âmbito acadêmico e profissional sobre a aplicabilidade e importância da logística no</p><p>mercado do petróleo e derivados.</p><p>Objetivos:</p><p>» Compreender as atividades logísticas como ferramentas de gestão.</p><p>» Compreender o funcionamento da Gestão da Cadeia de Suprimentos.</p><p>» Compreender o desenvolvimento da logística de petróleo, gás e derivados no Brasil.</p><p>» Fornecer os conceitos básicos para as outras disciplinas do MBA em Gestão de</p><p>Petróleo e Gás.</p><p>9</p><p>UNIDADE I</p><p>INTRODUÇÃO À</p><p>LOGÍSTICA E</p><p>À CADEIA DE</p><p>SUPRIMENTOS</p><p>CAPÍTULO 1</p><p>Evolução da Logística</p><p>Os sistemas logísticos dos produtos de uma cadeia de produção são projetados de forma a atender</p><p>os requisitos do cliente nas dimensões de preço, praça e qualidade. Ou seja, todo consumidor deseja</p><p>adquirir os produtos oferecidos a um preço justo, que é uma dimensão subjetiva, no local em que se</p><p>encontra e com as características da qualidade desejada.</p><p>Os sistemas logísticos exercem papel importante nas três dimensões apresentadas, uma vez que</p><p>parte dos combustíveis comercializados no país. Entretanto, essa empresa não é</p><p>exclusivamente distribuidora dos produtos originados na Petrobras, ela está inserida no âmbito do</p><p>mercado aberto e tem por objetivo gerar lucro à companhia.</p><p>A Infraestrutura da Rede de Distribuição de</p><p>Produtos de Petróleo, Gás e Derivados</p><p>Ao se desenvolver uma rede de distribuição, têm-se como objetivo transferir os produtos de seus</p><p>pontos de origem até os pontos de demanda (BALLOU, 2001). Para isso, é necessário determinar</p><p>que tipos de instalações devem ser utilizadas, quantas e onde deveriam ser instaladas.</p><p>É importante também definir quais os produtos a serem transportados e a quais clientes eles devem</p><p>atender. Tendo essas definições, é chegada a hora de definir quais modais de transporte deveriam</p><p>ser utilizados entre os pontos dessa rede (SOARES et al., 2006).</p><p>De acordo com esses autores, a estrutura logística da indústria do petróleo pode ser subdivida</p><p>em dois grandes grupos: o setor upstream e o setor downstream. O primeiro engloba todas as</p><p>atividades de exploração e produção de petróleo, enquanto o segundo trata do refino do petróleo e</p><p>da aquisição, armazenagem, comercialização e distribuição de derivados.</p><p>A estrutura logística da indústria petrolífera do país conta com diversas figuras dentro da cadeia de</p><p>suprimentos. O petróleo pode ser desenvolvido nos pontos de produção ou obtido por meio de</p><p>importação. Independente de sua forma de obtenção, o petróleo é transferido para terminais de</p><p>armazenagem. Esses terminais são o primeiro ponto de estoque da cadeia do petróleo.</p><p>O petróleo armazenado nesses terminais é transportado por dutos e caminhões tanques para os</p><p>seus pontos de consumo, sejam estes refinarias ou bases primárias de distribuição. As bases</p><p>39</p><p>GESTÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS │ UNIDADE II</p><p>primárias de distribuição são as instalações munidas das facilidades necessárias ao recebimento,</p><p>armazenamento, mistura e distribuição de derivados de petróleo, em uma dada área de mercado.</p><p>As bases de distribuição representam os centros de distribuição de combustíveis e assumem o papel</p><p>da armazenagem de produtos das distribuidoras.</p><p>As refinarias são as plantas industriais que processam o petróleo e outros insumos e resultam em</p><p>derivados como gasolina, diesel, querosene de aviação. Atualmente, o Brasil possui 14 refinarias,</p><p>sendo 2 privadas e 12 pertencentes a Petrobras (SOARES et al., 2008). A última construída foi a</p><p>Refinaria Henrique Lage – REVAP, em 1980. Atualmente estão sendo construídas as refinarias</p><p>Abreu e Lima, em Pernambuco, Clara Camarão, no Rio Grande do Norte e o Complexo Petroquímico</p><p>do Rio de Janeiro, na cidade de Itaboraí. Além disso, duas outras estão em fase de planejamento: as</p><p>Refinarias Premium I e II, localizadas, respectivamente, no Maranhão e no Ceará.</p><p>A revitalização do parque nacional de refino é uma iniciativa para garantir o abastecimento nacional,</p><p>entrar no mercado inicial e dar vazão às recentes descobertas de reservas no Brasil.</p><p>As refinarias escoam seus produtos por meio da utilização de dutos ou navios tanques dependendo</p><p>de sua localização. Seus produtos também são utilizados como insumos da petroquímica, que gera</p><p>os polímeros, os termoplásticos, entre outros.</p><p>As bases primárias transferem seus produtos às grandes indústrias ou a bases secundárias. As</p><p>bases secundárias de distribuição são as instalações utilizadas para armazenagem dos produtos</p><p>derivados de petróleo, mas que são utilizadas prioritariamente para o atendimento dos mercados</p><p>consumidores nacionais mais distantes.</p><p>Considerações sobre a Atual Infraestrutura</p><p>Logística de Petróleo e Derivados do Brasil</p><p>A tecnologia e recursos utilizados na indústria do Petróleo no Brasil são similares a qualquer</p><p>país. Sobre a rede de distribuição, segundo Soares et al. (2003), as refinarias brasileiras estão</p><p>concentradas principalmente na Região Sudeste, embora a maioria das refinarias em construção ou</p><p>em planejamento estejam na Região Nordeste.</p><p>Uma importante comparação citada pelos autores é que o número de refinarias instaladas no Brasil</p><p>é muito pequeno em comparação à Europa, com média de 80 refinarias distribuídas pelos países.</p><p>Também na Europa, o modal dutoviário é o meio mais utilizado para o transporte dos produtos, por</p><p>ocasião de seu baixo custo. Mas vimos que os investimentos foram realizados prioritariamente na</p><p>malha rodoviária com objetivo de integrar o Brasil. Esse modal e o ferroviário,com custos unitários</p><p>mais elevados, são os tipos de transporte mais utilizados no Brasil.</p><p>O número de terminais e bases de distribuição no Brasil reflete o pequeno número de refinarias,</p><p>gerando a necessidade de pontos de armazenamento em diversos locais para manter o abastecimento</p><p>da cadeia.</p><p>40</p><p>UNIDADE III</p><p>GESTÃO DA</p><p>CADEIA DE</p><p>SUPRIMENTOS</p><p>CAPÍTULO 1</p><p>Cadeia de Suprimentos</p><p>A cadeia de suprimentos é um conjunto de instalações, facilidades e pontos de consumo conectados</p><p>por rotas de transportes (TAYLOR, 2005). O entendimento de que gerenciar a cadeia de suprimentos</p><p>e não simplesmente cada elo dela, de forma isolada, é mais eficiente e mais barato, mas não é tão</p><p>fácil de conseguir. Por outro lado, esse entendimento propicia ao gestor “pensar fora da caixa”, ou</p><p>seja, abre um grande leque de oportunidades para as suas decisões futuras e sua sobrevivência no</p><p>mercado.</p><p>Neste capítulo serão apresentados os principais conceitos ligados à cadeia de suprimentos e como é</p><p>composta a cadeia de suprimentos de petróleo e gás.</p><p>Cadeia de Suprimentos: Aspectos Essenciais</p><p>Serão chamadas instalações todos os pontos de uma cadeia de suprimentos que tenham por objetivo</p><p>produzir, armazenar ou consumir. Assim, classificamos as instalações como instalações de produção,</p><p>armazenagem ou consumo, de acordo com a sua principal função (TAYLOR, 2005). São exemplo</p><p>dessas instalações: fornecedores de matéria-prima, plantas produtivas, centros de distribuição,</p><p>varejistas, estoque em trânsito, produtos intermediários, produtos acabados entre as instalações e</p><p>consumidores.</p><p>Em uma representação gráfica da cadeia de suprimentos os ícones representam as instalações e</p><p>as flechas representam as rotas de transporte. As rotas de transporte são os meios pelos quais os</p><p>modais de transporte se deslocam, sendo esses: rodovias, ferrovias, rotas marítimas, dutos e rotas</p><p>aéreas. A Figura 12 abaixo representa uma cadeia de suprimentos:</p><p>Figura 12 – Cadeia de Suprimentos do Feijão para Uso Doméstico</p><p>Colheita de Feijão</p><p>Beneficiamento /</p><p>Embalagem</p><p>Armazenagem /</p><p>Distribuição</p><p>Mercados Você</p><p>Fonte: Baseado em Taylor, 2005.</p><p>41</p><p>GESTÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS │ UNIDADE III</p><p>De forma geral, as cadeias de suprimentos englobam todas as atividades desde a extração da matéria-</p><p>prima até a chegada dos produtos acabados ao consumidor, que utilizará o produto em sua forma</p><p>final. É fácil perceber então que quanto maior for a complexidade de um produto mais complexa</p><p>será também a sua cadeia de suprimentos.</p><p>Os estoques são as quantidades de materiais armazenados nas instalações para assegurar a continuidade</p><p>dos processos dentro da cadeia. As instalações de produção possuem três tipos de estoque: o estoque</p><p>de matérias primas, que se refere ao acúmulo de materiais para serem transformados na produção;</p><p>o estoque em processo, que se refere a todos os materiais semiacabados que estão entre dois</p><p>estágios diferentes de processamento; e o estoque de produtos acabados, que é a quantidade de</p><p>produtos prontos para embarque dentro da instalação de produção.</p><p>As instalações de armazenagem podem ser classificadas em depósitos e centros de distribuição.</p><p>Os depósitos são instalações cujo principal objetivo é preservar o produto acabado para posterior</p><p>transferência; já os centros de distribuição possuem processo de preparação de pedidos que</p><p>pode envolver separação de produtos para o atendimento de pedidos, quebrando as unitizações e</p><p>criando novas combinações ou, até mesmo, a montagem de produtos nessa instalação.</p><p>As rotas</p><p>de transporte são utilizadas para deslocar os estoques de uma instalação a outra. É</p><p>importante, no momento de optar por um modal e uma rota, avaliar, além do custo do transporte e</p><p>do volume demandado, a sua flexibilidade. Podemos lembrar que trens e caminhões tanques podem</p><p>separar suas máquinas de seus contenedores, enquanto que pick-ups, aviões e navios não contam</p><p>com essa facilidade. Essa análise nos faz lembrar da importância de avaliar o cenário logístico de</p><p>forma abrangente e não apenas cada necessidade de transporte.</p><p>As rotas de transportes também possuem materiais armazenados, cujo estoque é denominado</p><p>estoque em trânsito. Uma importante característica do estoque em trânsito é que ele não está</p><p>disponível para utilização, uma vez que está se deslocando entre duas instalações da cadeia.</p><p>É importante ter em mente que, quando os produtos estão estocados em vagões ou containeres</p><p>dentro da instalação, esse estoque pode ser considerado ainda como o estoque de produtos acabados,</p><p>pois ainda pode ser utilizado para suprir necessidades mais urgentes.</p><p>Na cadeia do petróleo, as distribuidoras fazem papel de abastecer o mercado com os produtos</p><p>derivados de petróleo. Da mesma forma as concessionárias de gás suprem essa demanda. As</p><p>empresas exploradoras e as refinarias, normalmente, não distribuem diretamente seus produtos</p><p>ao mercado consumidor. Mesmo o transporte de uma instalação de exploração para outra de</p><p>produção, ou o transporte entre duas instalações de produção, é realizado por uma operadora</p><p>– no Brasil, normalmente, a Transpetro, empresa que faz parte do Sistema Petrobras e opera os</p><p>dutos e navios nacionais.</p><p>42</p><p>UNIDADE III │ GESTÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS</p><p>Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos</p><p>O gerenciamento da cadeia de suprimentos tem como principal objetivo estabelecer um fluxo</p><p>organizado e eficiente de matérias-primas e produtos semiacabados ou acabados, desde a extração</p><p>das matérias-primas até o atendimento do mercado consumidor. Evoluiu do gerenciamento do</p><p>transporte, que se preocupava em fornecer o produto no local adequado, passando pelo gerenciamento</p><p>de materiais que buscava forma mais econômica de atender ao mercado com um nível de segurança</p><p>desejado, surgindo a partir daí, a logística com um objetivo mais amplo de controlar todo o fluxo de</p><p>materiais de uma companhia, desde o seu fornecedor até seu cliente.</p><p>O gerenciamento da cadeia de suprimentos, segundo Taylor (2005), se propõe a ser uma disciplina</p><p>que abranja todos os elos dessa cadeia e não apenas os fornecedores e consumidores diretos de uma</p><p>companhia. Além disso, o gerenciamento de suprimentos mantém o foco em três pilares básicos de</p><p>análise: o fluxo da demanda, o fluxo de suprimentos e o fluxo de caixa.</p><p>Sem o gerenciamento da cadeia de suprimentos cada elemento da cadeia se mantém cego aos</p><p>movimentos de seus fornecedores e consumidores indiretos. Um sintoma claro de uma cadeia com</p><p>elos cegos é o efeito chicote (bullwhip effect). Este fenômeno ocorre quando a demanda em uma</p><p>ponta aumenta provisoriamente por uma coincidência de mercado como, por exemplo, o aumento</p><p>de consumo de cervejas por uma alta brusca de temperatura num dado período. Nesse caso, o</p><p>varejo aumenta seus estoques para não perder demanda, causando um aumento de distribuição e</p><p>produção. Essa dinâmica, porém, é sentida, elo por elo, em momentos diferentes. Possivelmente,</p><p>ao se aumentar a produção de cervejas por uma razão como essas, o “surto” do consumo pode ter</p><p>inclusive se esgotado, criando uma diminuição de caixa na cadeia como um todo.</p><p>Toda negociação empresarial é baseada na intenção de lucro máximo; entretanto, a gerência da</p><p>cadeia de suprimentos preocupa-se também com a sustentabilidade da cadeia. É sabido que as</p><p>maiores empresas dentro da cadeia possuem certa influência e poder de barganha sobre as outras;</p><p>entretanto essas empresas possuem também maior responsabilidade em manter o fluxo de caixa da</p><p>cadeia saudável e agir para que todos os elos possam se manter saudáveis financeiramente para a</p><p>sustentabilidade da cadeia como um todo.</p><p>Manter o fluxo de demanda, suprimento e caixa não é tarefa trivial. A demanda assim como o fluxo</p><p>de caixa se movem internamente à cadeia, isto é, a jusante. Já o suprimento move-se à montante</p><p>da cadeia e esses fluxos não ocorrem de forma contínua; normalmente ocorrem por blocos, sejam</p><p>de compras, entregas e pagamentos. Se esses fluxos não encontrarem uma cadência ideal, ou seja,</p><p>se não determinarem com precisão, dentro da cadeia, os períodos de entrega, de pagamentos, os</p><p>tamanhos de lote, entre outros, a cadeia pode sofrer um desequilíbrio que pode chegar até à quebra</p><p>de alguns de seus elos da cadeia menos robustos.</p><p>Alguns conceitos simples da administração são amplamente utilizados: certos elementos da cadeia</p><p>podem preferir fazer a aquisição e/ou a produção de grandes lotes que proporcionam uma economia</p><p>de escala, enquanto outros optam por fazer pequenos pedidos, ter menores custos de manutenção</p><p>de estoques e maior flexibilidade.</p><p>43</p><p>GESTÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS │ UNIDADE III</p><p>Movimentação dos Fluxos de Demanda,</p><p>Suprimentos e Caixa na Cadeia de</p><p>Suprimentos</p><p>Podemos considerar que a cadeia de suprimentos é “puxada” pela demanda dos seus produtos.</p><p>Dessa forma, ao disparar essa demanda por meio da intenção de consumo cada elemento da cadeia</p><p>elabora a sua estratégia para atender a sua parte dentro desta demanda.</p><p>De acordo com Taylor (2005), alguns elementos estarão preparados para atender à demanda de</p><p>imediato, utilizando uma estratégia de fabricação contra previsão de demanda em que terá</p><p>estoques de produtos acabados para o atendimento da demanda e fará sua previsão baseada em uma</p><p>série histórica e tendência de consumo. Outros elos da cadeia utilizarão a estratégia de fabricação</p><p>por encomenda, em que, apenas após o pedido, iniciará o processo de produção. Uma estratégia</p><p>que representa uma situação intermediária entre as anteriormente mostradas é a montagem por</p><p>encomenda, em que partes padronizadas são produzidas e estocadas como produtos semiacabados</p><p>e montadas apenas na ocasião do recebimento do pedido.</p><p>Na indústria do petróleo, o fluxo de suprimentos é, na sua maior parte, contínuo, realizado por meio</p><p>da utilização de dutos e tanques. Já a distribuição dos derivados é geralmente feita por caminhões</p><p>e é um processo que possui muitas ramificações com os postos que asseguram o abastecimento do</p><p>país. A demanda é calculada a partir de um complexo modelo de previsão que utiliza programação</p><p>matemática.</p><p>Atualmente, a estratégia política para manter os elementos da cadeia nacional de petróleo é a</p><p>manutenção do preço dos combustíveis e derivados com certo descolamento do cenário econômico.</p><p>Na ocasião da alta dos preços da principal matéria-prima – o petróleo, o preço dos combustíveis</p><p>mantém um patamar que provoca um período de prejuízo para o negócio do Abastecimento. Porém,</p><p>em cenários mais favoráveis, com o preço do petróleo em baixa o preço para o consumidor continua</p><p>em patamar similar, ocasionando a recuperação das perdas passadas.</p><p>Apenas cadeias com elos principais fortemente capitalizados podem realizar esse tipo de estratégia</p><p>que é útil para assegurar, em parte, a manutenção da demanda pelo produto. No caso da indústria</p><p>do petróleo, além da importância para a manutenção da saúde financeira dos elos mais fracos</p><p>da cadeia, a estratégia pretende garantir a continuidade do desenvolvimento econômico global,</p><p>fortalecendo também a indústria dos veículos automotores, entre outras.</p><p>Cadeia de Suprimentos de Petróleo no Brasil</p><p>Atualmente, o consumo mundial de petróleo é “ilimitado”, na medida em que tudo o que se produz</p><p>é consumido. Uma importante questão é como processar esse petróleo para atender ao mercado de</p><p>todos os derivados e manter o abastecimento local, mas com vistas à maximização do lucro.</p><p>No Brasil, o objetivo da atividade petroleira até recentemente foi, prioritariamente, suprir o mercado</p><p>nacional de derivados. Então,</p><p>o petróleo produzido no Brasil de alta densidade e de baixo valor</p><p>44</p><p>UNIDADE III │ GESTÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS</p><p>comercial era exportado e um petróleo mais leve era importado para ser refinado e comercializado.</p><p>Apenas em 2006, o Brasil atingiu sua autossuficiência econômica, ou seja, o valor do petróleo</p><p>exportado passou a ser equivalente ao valor do petróleo importado.</p><p>A partir desse ano, o Brasil começa a buscar também o mercado de importação uma vez que sua</p><p>cadeia nacional está abastecida. Com a exploração da camada pré-sal, que possui em suas reservas</p><p>petróleo leve e de melhor valor econômico, e com a entrada em operação das 5 novas refinarias</p><p>brasileiras, o Brasil deverá se inserir definitivamente no cenário de exportação, não só de petróleo</p><p>como também de derivados.</p><p>Figura 13 – Cadeia de Suprimentos de Petróleo</p><p>Fonte: Soares et al., 2003.</p><p>No Brasil, atualmente, 14 refinarias estão instaladas, sendo duas de propriedade particular e as</p><p>demais de propriedade da Petrobras. A maior parte dessas instalações de produção encontra-se</p><p>concentrada na Região Sudeste, com 11 refinarias, e em especial em São Paulo, que possui um total</p><p>de 4 refinarias.</p><p>A maior parte da produção nacional de petróleo, cerca de 93%, é offshore (ANP, 2009), ou seja, além</p><p>da costa brasileira, e apenas 7% é produção on-shore. A petroquímica é um importante processo de</p><p>agregação de valor ao petróleo. Esse processo ainda é incipiente no Brasil, mas passará a ser um</p><p>elemento importante na cadeia nacional com a implantação do Complexo Petroquímico do Rio de</p><p>Janeiro, em Itaboraí, e com a ampliação da Petroquímica de Suape, em Pernambuco. Com isso,</p><p>novos canais logísticos deverão ser desenvolvidos e a cadeia do petróleo será ampliada gerando uma</p><p>demanda por novos profissionais e serviços.</p><p>45</p><p>GESTÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS │ UNIDADE III</p><p>A cadeia do petróleo no Brasil está passando por um período de franca expansão em que os serviços</p><p>de diversos profissionais, principalmente na área de planejamento e logística, serão altamente</p><p>demandados.</p><p>Cadeia Produtiva do Pré-Sal e Carteira de</p><p>Projetos</p><p>7/10/2009</p><p>Autora: Carol Salsa – Engenheira civil, pós-graduada em Mecânica dos Solos pela COPPE/UFRJ,</p><p>Gestão Ambiental e Ecologia pela UFMG.</p><p>A exploração do pré-sal é vista como uma ponte para um novo ciclo virtuoso da</p><p>economia nacional. O Projeto Cadeia Produtiva de Petróleo e Gás visa atender a</p><p>alta exigência das grandes empresas petrolíferas quanto às tecnologias, qualidade,</p><p>meio ambiente e segurança no trabalho de seus fornecedores. Pretende-se através</p><p>desse projeto, contemplar micro e pequenas empresas de forma a aumentar a sua</p><p>competitividade, o que deixa em condições de se beneficiarem das oportunidades</p><p>de negócios geradas nesse setor de bens e serviços offshore do País. As descobertas</p><p>do pré-sal foram as maiores novidades do mercado offshore nos últimos anos que</p><p>marcam uma perspectiva de nova fronteira petrolífera.</p><p>As cadeias produtivas resultam da crescente divisão de trabalho e maior</p><p>interdependência entre os agentes econômicos. Por um lado, as cadeias são criadas</p><p>pelo processo de desintegração vertical e especialização técnica e social. Por</p><p>outro lado, as pressões competitivas por maior integração e coordenação entre as</p><p>atividades, ao longo das cadeias, amplia a avaliação entre os agentes. O conceito de</p><p>cadeia produtiva pode ser mais uma ferramenta nos estudos econômicos.</p><p>A experiência acumulada ao longo de décadas explorando em águas profundas</p><p>e ultraprofundas dá à Petrobras condições de desenvolver tecnologias que</p><p>permitam superar os desafios de extrair hidrocarbonetos das novas condições.</p><p>Em 2007, foi criado o Programa Tecnológico para o Desenvolvimento da Produção</p><p>dos Reservatórios do Pré-sal – Prosal, a exemplo dos programas desenvolvidos no</p><p>Centro de Pesquisas – Cenpes, como o Programa de Capacitação Tecnológica em</p><p>Águas Profundas – Procap, criado em 1986.</p><p>De acordo com a diretoria da Petrobras, a carteira de projetos programada pela</p><p>companhia garantirá, nos próximos anos, uma demanda em larga escala de sondas</p><p>de perfuração, unidades de produção, arranjos, submarinos, bombas, dutos, linhas</p><p>flexíveis, além de milhares de outros equipamentos. Serão mais de US$92 milhões</p><p>destinados pelo Plano de Negócios somente às atividades de exploração e produção</p><p>de petróleo no Brasil até 2013, US$111,4 bilhões até 2020, no desenvolvimento da</p><p>produção no pré-sal.</p><p>46</p><p>UNIDADE III │ GESTÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS</p><p>O volume recorde de investimento e encomendas programado pela Petrobras para</p><p>o período 2009-2013 abre nova e promissora frente de negócios para a indústria de</p><p>bens e serviços offshore. Constitui, também, pela magnitude da demanda gerada,</p><p>principalmente nos projetos de desenvolvimento de reservatórios de pré-sal,</p><p>oportunidade única para que a indústria brasileira se consolide de forma competitiva</p><p>e em bases sustentáveis como fornecedora mundial do segmento de petróleo e gás,</p><p>palavras da direção da Petrobras durante entrevista coletiva à imprensa.</p><p>Mais de 8 mil empresas de pequeno porte foram identificadas como fornecedoras</p><p>potenciais ou efetivas do setor petrolífero. Cerca de 6,3 mil delas foram convidadas a</p><p>participar de ações de capacitação, seminários, consultorias e rodada de negócios. Em</p><p>11 estados, 2,3 médias e pequenas empresas foram qualificadas como fornecedoras</p><p>da Petrobras e do setor P&G e 2,9 mil foram de pequeno porte pelo mesmo convênio</p><p>Sebrae/Petrobrás, entre 2004 e 2008. Um total de 352 empresas-âncora, compradoras</p><p>de grande porte do setor P&G e 2,9 mil fornecedoras de pequeno porte participaram</p><p>de 33 rodadas de negócios, realizadas pelo mesmo convênio nos anos 2005 a 2007,</p><p>que totalizaram R$1,5 bilhão.</p><p>Fornecedores da Cadeia Produtiva de Petróleo e Gás – CPPG são os setores de</p><p>metal-mecânico, eletroeletrônico, hidráulico manutenção industrial, projetos de</p><p>engenharia, construção e montagem, refrigeração, químico equipamentos de</p><p>segurança, pintura e outros.</p><p>A padronização dos projetos de produção é uma importante estratégia da Petrobras</p><p>para o desenvolvimento do pré-sal. “Das primeiras plataformas fixas construídas</p><p>em módulos para operar na Região Nordeste aos mais modernos FPSOs (unidades</p><p>flutuantes de produção, armazenamento e transferência de óleo e gás) instalados</p><p>na Bacia de Campos (RJ) como a P-54, que opera no Campo Roncador, a estratégia</p><p>de padronizar projetos tem se revelado bem-sucedida. Avaliações preliminares da</p><p>Petrobras e de seus parceiros indicam que as condições das reservas do pré-sal são</p><p>extremamente favoráveis para a aplicação do conceito de padronização do FPSOs o</p><p>que inclui todo o sistema marítimo de utilidades e acomodações”, adiantou Gabrielli.</p><p>Para assegurar a produção em série e dar agilidade à conversão de plataformas,</p><p>a Petrobras aposta numa solução considerada estratégica dentro do pacote de</p><p>demandas para o pré-sal: trata-se da construção de um amplo canteiro para</p><p>fabricação de cascos em série. Esse canteiro resultará na ampliação do Estaleiro</p><p>do Rio Grande, no Rio Grande do Sul. Nele está sendo construído um dique seco</p><p>capaz de comportar, simultaneamente, até 2 cascos de FPSOs de grande porte ou</p><p>de unidades submersíveis.</p><p>O plano de desenvolvimento das reservas de pré-sal já prevê a construção, nesse</p><p>novo estaleiro, de oito FPSOs padronizados. Além de reduzir a dependência externa</p><p>do Brasil na construção e conversão de plataformas, o uso do estaleiro estimulará</p><p>a competitividade interna, assim como contribuirá para reduzir o preço e o</p><p>47</p><p>GESTÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS │ UNIDADE III</p><p>tempo de construção dos futuros projetos. Só a acumulação de Tupi, na Bacia de</p><p>Santos, tem volumes recuperáveis estimados entre 5 e 8 bilhões de barris de óleo</p><p>equivalente (óleo mais gás). Já a reserva de Lara, também na Bacia de Santos, abriga</p><p>aproximadamente entre 3 e 4 bilhões de barris de óleo equivalente (boe).</p><p>Interessante será acompanhar</p><p>as medidas de preservação e proteção ao meio</p><p>ambiente, plano de contingência, danos e planos de mitigação, análise de</p><p>sustentabilidade do empreendimento e efetiva distribuição de renda oriundas do</p><p>pré-sal contemplando a população brasileira.</p><p>Fonte: <www.ecodebate.com.br>.</p><p>48</p><p>CAPÍTULO 2</p><p>Modelagem na Cadeia de Suprimentos</p><p>Mesmo as cadeias de suprimentos mais simples podem apresentar comportamentos muito complexos.</p><p>Assim, uma forma de entender esses movimentos é utilizando a modelagem. A modelagem representa</p><p>sistemas complexos por meio de modelos simplificados. Esses modelos podem ser mapas mentais,</p><p>bem como modelos matemáticos ou de simulação. Todos eles podem ser utilizados como ferramenta</p><p>para se prever os resultados de movimentos dentro da cadeia de suprimentos.</p><p>Modelagem Conceitual</p><p>O modelo é uma representação simplificada de um sistema real. Várias são as formas de</p><p>apresentá-lo, com esquemas de ícones, textos, equações, softwares entre outras entidades. O</p><p>objetivo de um modelo é facilitar a compreensão da realidade e permitir a inferência de resultados</p><p>a partir da aplicação de cenários e situações e observando nele o resultado.</p><p>O processo de modelagem requer a identificação dos principais elementos do sistema para</p><p>organizá-los de forma a reproduzir da melhor forma o cerne do comportamento do sistema</p><p>representado. Na cadeia de petróleo, softwares de simulação são utilizados para verificar o impacto,</p><p>mediante o uso de um modelo matemático, de uma nova instalação ou de um novo ponto de consumo</p><p>dentro da cadeia. Ou seja, são verificados aspectos como manutenção da sustentabilidade da cadeia,</p><p>geração de valor, canibalização da demanda de instalações já existentes, entre outros para verificar</p><p>a viabilidade do movimento de inclusão, ampliação ou exclusão de elo na cadeia.</p><p>O modelo nos permite responder a várias perguntas, como, por exemplo. A cadeia de suprimentos</p><p>atual teria capacidade para suporta um aumento previsto de 13% no próximo ano? A inclusão de uma</p><p>nova refinaria no nordeste baseada na produção de diesel aumentaria o valor agregado da cadeia?</p><p>É fácil perceber que essas perguntas podem ser respondidas por meio de alteração da cadeia na</p><p>prática. Entretanto, o investimento necessário para isso normalmente é muito alto e as consequências</p><p>podem ser desastrosas.</p><p>Para Taylor (2005), os modelos matemáticos são aqueles que representam os negócios e elementos</p><p>da cadeia em termos de fórmulas e procedimentos de acordo com um determinado conjunto de</p><p>premissas. Os modelos de simulação são aqueles em que entidades bem como suas características</p><p>são representadas computacionalmente. Mediante sua execução é possível observar a interação</p><p>entre essas entidades.</p><p>Os modelos conceituais utilizam diagramas e descrições para representar um sistema e podem ser</p><p>feitos com recursos simples, como papel e caneta, quadros, ou simples editores gráficos. Esse tipo</p><p>de modelo é o mais simples entre os três anteriormente apresentados. Trata-se de uma combinação</p><p>de ícones e textos descritivos.</p><p>49</p><p>GESTÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS │ UNIDADE III</p><p>De acordo com Taylor (2005), o formato do modelo depende em grande parte da experiência de</p><p>seu desenvolvedor. Os mais experientes produzem diagramas detalhados com anotações específicas</p><p>para diminuir as ambiguidades. Os novos utilizadores da modelagem normalmente utilizam muitas</p><p>descrições e cenários que muitas vezes capturam características do sistema real que os diagramas</p><p>formais não conseguiriam.</p><p>Além da precisão, um modelo conceitual deve ter compromisso também com a facilidade de</p><p>comunicação. O perfil do profissional influenciará no formato final do modelo conceitual.</p><p>Profissionais de informática, habituados com modelos de relacionamento de entidades, certamente</p><p>produzirão diagramas mais formais enquanto que gerentes produzirão modelos conceituais mais</p><p>descritivos com explicações informais.</p><p>No caso da modelagem de uma cadeia de suprimentos é importante convocar uma equipe com</p><p>representantes de todos os grupos de elementos envolvidos. A modelagem de uma cadeia de petróleo</p><p>deve envolver a participação de uma equipe de especialistas com representantes das atividades de</p><p>upstream (exploração e produção), downstream (refino), transporte e distribuição.</p><p>O modelo deve ser consensual, refletindo o conhecimento e as expectativas do grupo como um todo.</p><p>Segundo Taylor (2005), apesar da existência de softwares de apoio a essas atividades, o recursos</p><p>que envolvem menos tecnologia são quase sempre mais eficazes.</p><p>Uma estratégia interessante para a validação do modelo é realizar uma simulação das operações</p><p>entre elementos da cadeia, na qual cada integrante assume o papel de uma instalação dentro da</p><p>cadeia e se revezam nas posições. Nessa ocasião, é possível verificar possíveis gaps do modelo</p><p>ou, até mesmo, novas simplificações possíveis. Além disso, a partir do revezamento nos papéis os</p><p>participantes percebem que possuem diferentes entendimentos sobre o funcionamento do negócio</p><p>dentro da cadeia. O importante é que, após a discussão dos pontos conflitantes, uma forma melhor</p><p>de se conduzir os negócios na cadeia seja apresentada.</p><p>Figura 14 – Modelo Conceitual de uma Cadeia de Peças Automotivas</p><p>Fonte: Soares et al., 2008.</p><p>50</p><p>UNIDADE III │ GESTÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS</p><p>O modelo conceitual é rico para o entendimento do funcionamento dos fluxos e das operações</p><p>dentro da cadeia. Por outro lado, são instrumentos fracos quando se tem objetivo de prever os</p><p>movimentos dentro da cadeia.</p><p>Modelagem Matemática</p><p>A modelagem matemática representa as relações nos sistemas por meio de equações matemáticas</p><p>de diversas complexidades. A conhecida curva de custos logísticos apresentada no Gráfico 1 é um</p><p>modelo matemático que foi representado graficamente. A curva de custos de armazenamento, por</p><p>exemplo, representa uma relação linear entre os custos de manutenção de estoques e o número de</p><p>centros de armazenagem. Já a curva de custo total representa uma expressão obtida pela combinação</p><p>das outras três equações obtidas mediante uma operação de adição.</p><p>Taylor (2005) explica que todos os modelos possuem entradas (inputs) e saídas (outputs). No</p><p>modelo anteriormente apresentado, pretende-se obter como saída o custo logístico total a partir do</p><p>número de unidades de armazenamento que funciona como entrada.</p><p>É obvio que dificilmente num sistema real haverá relações diretas entre duas variáveis. É possível</p><p>que tenhamos adotado diversas premissas para chegar a uma relação direta, como não considerar</p><p>incidência de impostos, taxas rodoviárias etc.</p><p>A questão mais importante é que o modelo represente a realidade de modo a se obter o equilíbrio</p><p>entre a precisão desejada, a dificuldade na estimação dos parâmetros e a capacidade de manipulação</p><p>do próprio modelo.</p><p>Para lembrar, os parâmetros de uma equação são aqueles que variam em cada caso apesar de não</p><p>mudar a estrutura da relação entre as variáveis. Por exemplo, na relação linear entre as variáveis x e y</p><p>representada pela equação y = a.x + b, as letras “a” e “b” são os parâmetros da equação.</p><p>O modelo matemático também é útil ainda que não se esteja certo sobre o valor dos parâmetros a</p><p>serem utilizados, pois caso haja pontos observados das variáveis do problema, softwares de ajustes</p><p>de curva podem estimar parâmetros que podem ser refinados, a maior, à medida que novos casos</p><p>forem observados.</p><p>A vantagem principal dos modelos matemáticos em relação aos modelos conceituais é a não</p><p>ocorrência de ambiguidades. Com os parâmetros definidos, os dados de entradas serão inseridos</p><p>e gerarão apenas um resultado como saída, o que é bom quando se tem dificuldade de prever</p><p>certos casos.</p><p>A programação matemática, em especial a linear, é uma importante técnica utilizada na modelagem</p><p>matemática. Tem o objetivo de representar o sistema por meio de relações lineares entre as variáveis,</p><p>bem como suas restrições e otimizar os resultados na direção desejada.</p><p>Modelos poderosos baseados em programação</p><p>linear constituem importantes ferramentas de</p><p>gerenciamento, mesmo aqueles construídos em planilhas eletrônicas domésticas. Por outro lado,</p><p>51</p><p>GESTÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS │ UNIDADE III</p><p>softwares de modelagem específicos, como o AIMMS, permitem criar modelos que incluam</p><p>milhares de parâmetros e variáveis como demanda, custo de transporte, nível de produção, custos</p><p>de materiais, custos de mão de obra, tipo de modal, níveis de serviço exigidos.</p><p>A fraqueza da programação linear é a premissa de que a relação entre as variáveis sempre pode</p><p>ser representada por uma relação linear que nem sempre é verdadeira. Porém, ainda que algumas</p><p>relações sejam representadas simplificadamente por expressões lineares, o modelo poderá ainda</p><p>render bons resultados, dificilmente atingidos por modelos conceituais.</p><p>Modelagem para Simulação</p><p>O modelo preparado para simulações não tenta expressar matematicamente as relações entre os</p><p>elementos do sistema e sim, a partir da determinação de características de cada elemento, reproduzir</p><p>o comportamento do sistema como um todo.</p><p>Essa modelagem é realizada em softwares especializados, em que são programados objetos para</p><p>que funcionem aproximadamente como na realidade por meio de parâmetros estatísticos. Por</p><p>exemplo, se eu sei quanto tempo uma indústria trabalha na produção de cada produto, qual o tempo</p><p>de setup entre os produtos, qual a probabilidade de falhas no sistema, posso informar todos esses</p><p>parâmetros ao modelo e esperar que ele se comporte como a indústria real.</p><p>Esses parâmetros normalmente são informados na forma de distribuições de probabilidade. Para</p><p>isso, é necessário realizar coletas dos dados modelados e ajustar a distribuição de probabilidade em</p><p>softwares específicos.</p><p>O Arena é um dos softwares de simulação mais utilizados, mas existem também softwares</p><p>específicos para a simulação da cadeia de suprimentos como o A-SIM, desenvolvido pelo Centro de</p><p>Tecnologia da Informação Renato Archer.</p><p>Ao se montar o modelo de simulação, a técnica mais utilizada para rodar esse tipo de modelo é</p><p>a simulação de Monte Carlo, em que, para cada parâmetro é sorteado um valor conforme as</p><p>distribuições de probabilidades fornecidas anteriormente. Esse processo é repetido inúmeras vezes</p><p>de modo que se obtém a distribuição de probabilidade do resultado.</p><p>A simulação de Monte Carlo fornece uma análise detalhada de qual será o desempenho de um projeto</p><p>de uma cadeia de suprimentos, de acordo com um conjunto de condições de mercado apresentado.</p><p>Utilizando o conjunto real de condições é possível verificar o comportamento do modelo e validá-lo</p><p>para simular variações com o objetivo de melhorar os resultados.</p><p>A forma de proporcionar essa melhoria de resultados é variar os parâmetros do modelo de forma</p><p>sistemática, de modo a encontrar os parâmetros para se obter o melhor resultado. Por exemplo,</p><p>poder-se-ia montar um modelo para simular o tamanho necessário de um estoque de segurança</p><p>mais econômico para garantir o atendimento de 95% dos pedidos (nível de serviço).</p><p>52</p><p>UNIDADE III │ GESTÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS</p><p>A principal vantagem da simulação é poder reproduzir a ocorrência de eventos virtualmente</p><p>sem, para isso, investir em mudanças que podem levar a resultados negativos. A modelagem por</p><p>simulação é melhor para se observar o comportamento de elementos com alta variabilidade.</p><p>Combinação de Modelos</p><p>Verificar qual o modelo a ser utilizado é uma tarefa pouco trivial. Na verdade, deve-se observar qual</p><p>o tipo de problema a ser resolvido e qual o tipo de soluções que se espera obter (TAYLOR, 2005).</p><p>Segundo Taylor (2005), quando o objetivo da utilização do modelo é compreender o funcionamento</p><p>da cadeia de suprimentos atual e pensar em formas de melhorá-la, a melhor opção deve ser um</p><p>modelo conceitual bem fundamentado. Quando o objetivo é escolher entre opções que têm seu</p><p>comportamento bem descrito por relações matemáticas, o modelo matemático deve ser o escolhido.</p><p>Já no caso de as relações não se apresentarem de forma direta e com grande variabilidade, a melhor</p><p>opção é utilizar a simulação.</p><p>Utilizar mais de um modelo é importante quando não se tem a correta dimensão da solução</p><p>esperada. Por exemplo, um matemático pode ser constituído para verificar uma solução ótima e um</p><p>de simulação para realizar uma avaliação de outros cenários. O conceitual pode sempre ser utilizado</p><p>como ponto de partida para a criação dos demais tipos de modelo.</p><p>Muitas vezes, os times de negócio são resistentes à criação de modelos para estudar sistemas por</p><p>acreditar que a complexidade dessa atividade pode vir a ser improdutiva. Por outro lado, para</p><p>aqueles que se arriscam a utilizar seus conhecimentos para a construção de modelos, ainda que</p><p>não treinados apropriadamente nas técnicas de modelagem, podem encontrar resultados de muito</p><p>valor, pois a característica mais importante para garantir que o modelo descreva bem a realidade é</p><p>o comprometimento e o conhecimento do sistema.</p><p>No caso do sistema ser a cadeia nacional de petróleo, o Sistema Petrobras mantém um poderoso</p><p>sistema chamado PLANINV, que utiliza modelos matemáticos e de simulação para avaliar a entrada</p><p>e saída de novos elementos na cadeia como refinarias, terminais, plantas de álcool, biodiesel,</p><p>termelétricas entre outros e suas interações com os demais elementos da cadeia. É óbvio que muitas</p><p>questões conceituais são também incluídas no modelo como comportamento da demanda, previsão</p><p>de preço do petróleo e necessidades políticas.</p><p>Taylor (2005) afirma, com muita precisão, que a única forma de se obter vantagem competitiva</p><p>sobre os concorrentes é fazer aquilo a que os outros resistem.</p><p>53</p><p>CAPÍTULO 3</p><p>Operações na Cadeia de Suprimentos</p><p>As principais operações no gerenciamento da cadeia de suprimentos são duas. A primeira trata de</p><p>cumprir o compromisso de atender a demanda. Essa operação tem início desde a emissão de pedido</p><p>pelo cliente até o pagamento dos produtos recebidos. Abrange os fluxos de demanda, suprimento e</p><p>caixa para cada elo da cadeia.</p><p>A segunda operação é a manutenção do suprimento, que abrange as atividades de reabastecimento</p><p>dos materiais necessários para a fabricação do produto. É bem similar à operação de atendimento,</p><p>mas do ponto de vista do cliente. As principais decisões associadas a essa operação são quando e</p><p>quanto comprar de modo a garantir um determinado nível de serviço e ser economicamente viável.</p><p>Atendimento da Demanda</p><p>A demanda é informada para cada elo da cadeia por meio da emissão de pedidos dos clientes aos</p><p>fornecedores. As formas como os pedidos são emitidos atualmente são diversas, objetivando as mais</p><p>novas serem sempre cada vez mais rápidas. Já as informações contidas nos pedidos não possuem</p><p>muita variação; algumas delas são: comprador, vendedor, produtos, quantidade, data do pedido e</p><p>data e local de entrega.</p><p>As complexidades das informações dependem do porte das companhias envolvidas e das transações.</p><p>Muitas vezes, várias entidades, dentro de uma mesma companhia, participam de um processo</p><p>de aquisição e precisam ser identificadas separadamente. Os fluxos de demanda, suprimentos e</p><p>caixa também, normalmente, são gerenciados por grupos diferentes dentro das áreas de compras e</p><p>vendas. Muitas vezes, cada uma delas deve ser vista como uma entidade diferente.</p><p>A definição do que pedir está associada a identificadores exclusivos como número de peças e códigos</p><p>de barra. Alguns códigos são padronizados para o setor, mas muitos são padronizados dentro de cada</p><p>empresa, o que exige que em uma transação as empresas transformem seus códigos de produtos.</p><p>Pedidos de produtos personalizados exigem descrições detalhadas quanto às características de</p><p>dimensão, composição, qualidade, entre outras relevantes. Mesmo especificar apenas a quantidade,</p><p>pode ser uma tarefa difícil se as empresas clientes e fornecedores utilizarem diferentes formas de</p><p>dimensionamento do produto, como, por exemplo, fardo e unidade.</p><p>Descrever o local será uma tarefa árdua quando envolver o recebimento</p><p>em pontos diferentes</p><p>com uma combinação diferente de produtos para cada destino. Esses destinos não são diferentes</p><p>apenas nos locais, mas na capacidade de recebimento, horário de funcionamento, entre outras</p><p>características que podem ser próprias de cada instalação.</p><p>Quanto ao recebimento pela empresa, é necessário estar atento uma vez que, atualmente, para elas,</p><p>receber seus pedidos antes do prazo determinado pode ser quase tão ruim quanto o recebimento</p><p>54</p><p>UNIDADE III │ GESTÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS</p><p>atrasado, uma vez que a filosofia do sistema JIT (just-in-time) tem sido incorporada em muitas</p><p>empresas.</p><p>O atendimento dos pedidos muitas vezes depende de uma forte infraestrutura por parte do</p><p>fornecedor, uma vez que muitas vezes serão exigidas operações intermediárias de separações ou</p><p>consolidações em trânsito para o atendimento de várias instalações em um mesmo pedido, tendo</p><p>que, para isso, fazer uso de centros de distribuição intermediários.</p><p>Os pedidos são emitidos normalmente no formato de uma ordem de compra quanto, então é</p><p>anunciada a demanda. Entretanto, esses pedidos são devolvidos pelo fornecedor na forma de uma</p><p>ordem de venda, já incluindo preços e datas de entrega. No caso de aceite pelo cliente, o documento</p><p>passa a firmar um compromisso entre as partes.</p><p>O processamento de pedidos pode ser realizado de diversas formas, por correio, telefone, fax, e-mail,</p><p>páginas da Internet e, mais recentemente, por poderosos softwares de intercâmbio eletrônico de</p><p>dados que estão disponíveis cada vez mais a todo tipo de empresa.</p><p>Um grande desafio para o fornecedor é colocar a informação vinda de todos esses meios para um</p><p>formato único que, no caso de pedidos por telefone, fax e e-mails, normalmente são inseridos no</p><p>sistema de pedidos do fornecedor manualmente.</p><p>Com o pedido inserido no sistema do fornecedor, corre o início de uma sequência de atividades</p><p>que podem ser simples ou extremamente complexas. Essa sequência é bem particular para cada</p><p>empresa, mas, de forma geral, geralmente se inicia pela validação dos pedidos.</p><p>Uma importante atividade dentro do processamento de pedidos é a demarcação de preços, uma vez</p><p>que os preços dos produtos podem ser alterados dependendo da região e de outros fatores, o que</p><p>é muito comum na cadeia do petróleo. Em seguida, devem-se estabelecer os descontos e aplicá-los</p><p>aos pedidos. Essa etapa finaliza com o acréscimo das taxas adicionais de entrega que podem ter a</p><p>ver com impostos, tipo de modal selecionado, prazo para entrega, entre outros.</p><p>A entrega do pedido depende da opção do fornecedor em executar a distribuição ou optar por um</p><p>operador logístico para fazer isso. Nessa segunda opção, o fornecedor precisa apenas embarcar o</p><p>produto e aguardar a confirmação de entrega. A única atenção a ser tomada são as cláusulas de</p><p>segurança quanto à integridade dos produtos e os atrasos na entrega.</p><p>Um importante aspecto da entrega é o da rastreabilidade do pedido, que pode ser realizado por</p><p>meio da leitura de código de barras em cada etapa do processamento do pedido e da entrega.</p><p>Uma vez registrado o embarque, a localização pode ser rastreada por intermédio de sistema de</p><p>posicionamento global.</p><p>O sucesso do sistema de rastreabilidade depende fortemente do nível de automação envolvido nessa</p><p>atividade. Quanto maior for o nível de automação dessa atividade, menores serão os tempos das</p><p>operações e menores as incidência de erros.</p><p>Após a entrega do produto ao cliente, inicia-se a última parte do ciclo de atendimento da demanda</p><p>– o recebimento do pagamento. O primeiro passo dessa etapa é a confirmação do valor da ordem de</p><p>55</p><p>GESTÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS │ UNIDADE III</p><p>venda, que é o valor que o cliente concordou em pagar, que pode ser alterado no caso de ocorrência</p><p>de multas por diferenças no prazo de entregas, no caso de produtos pedidos e não recebidos etc.</p><p>No caso de vários pedidos de um mesmo cliente em um pequeno intervalo de tempo, pode-se optar</p><p>pela emissão de uma única nota fiscal, emitida periodicamente. Para o fornecedor, o ideal é receber</p><p>no menor período de tempo possível; já para os clientes, o desejável é adiar o pagamento quanto</p><p>tempo for possível para que esse capital possa ser utilizado de outras formas. Entretanto, já vimos</p><p>que os interesses das partes envolvidas precisam ser equilibrados, de modo a não prejudicar o</p><p>funcionamento da cadeia como um todo pelo enfraquecimento de elos.</p><p>Manutenção dos Estoques</p><p>Assim que um fornecedor atende ao pedido de um cliente, por razões claras, reduz o nível de seus</p><p>estoques de produtos acabados. Assim, será necessário, a qualquer momento, realizar a manutenção</p><p>dos níveis de estoques.</p><p>Deve-se ter em mente, então, três importantes questões: quando e quanto solicitar na reposição e</p><p>que volume de estoques deve ser mantido para se atender o nível de serviço desejado.</p><p>A resposta a essas perguntas está ligada à política de reabastecimento adotada. Uma possibilidade</p><p>pouco usual é esperar o estoque se esgotar para, aí então, ressuprir. Isso normalmente, é uma</p><p>falha, a menos que haja a possibilidade de tempo de ressuprimento (lead time) igual a zero. Caso os</p><p>seus clientes aceitem receber os seus pedidos num tempo maior que o de ressuprimento mais o de</p><p>processamento, então se torna interessante manter estoque zero.</p><p>Raramente, a opção de estoque zero é disponível por causa do tempo de recebimento exigido pelos</p><p>clientes. Uma estratégia para se beneficiar dessa ideia é agrupar-se em condomínios industriais,</p><p>envolvendo diversos elementos da cadeia. Mas, no geral, apenas os elementos mais fortes da cadeia</p><p>conseguem materializar essa ideia, muitas vezes transferindo os estoques para os elos mais fracos.</p><p>Outras políticas que podem ser realizadas é a da revisão periódica dos estoques e da revisão contínua.</p><p>A primeira exige que o estoque seja contado em intervalos fixos e que os pedidos sejam baseados no</p><p>nível observado nessa revisão.</p><p>Já a política da revisão contínua implica no monitoramento constante do nível de estoque dos</p><p>produtos e, ao chegar a um determinado nível esperado, o pedido de ressuprimento é disparado.</p><p>Tendo sido definido quando pedir, precisa-se definir, então, quanto pedir. Dois parâmetros devem</p><p>ser considerados para se responder a essa questão: o custo de realizar um pedido e o custo de manter</p><p>uma unidade do item no estoque. Esses dois custos costumam empurrar a quantidade de pedidos</p><p>em direções opostas. O aumento das quantidades dentro dos pedidos reduz o custo global de pedir,</p><p>pois menos pedidos são necessários no ano. Entretanto, esse mesmo aumento de quantidades,</p><p>dentro do pedido, empurra para cima o custo de manter estoque já que o capital da empresa será</p><p>imobilizado nele, reduzindo a capacidade de investimentos.</p><p>56</p><p>UNIDADE III │ GESTÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS</p><p>Para se minimizar esses dois custos, podemos utilizar o modelo do lote econômico de compra, que</p><p>é uma formulação matemática para equilibrar esses dois custos.</p><p>Como a demanda, normalmente, é uma entidade variável para garantir o nível de serviço desejado,</p><p>é importante manter um estoque de segurança, que tem por objetivo minimizar o impacto, tanto no</p><p>aumento excessivo da demanda, quanto no atraso no prazo do ressuprimento.</p><p>Os principais aspectos das operações na cadeia de suprimentos foram apresentados neste capítulo.</p><p>Para maior aprofundamento do assunto, recomendamos a leitura de literatura especializada ou o</p><p>aprofundamento na formação logística por meio da realização de cursos de extensão, especializações,</p><p>MBAs ou mestrados profissionais.</p><p>57</p><p>Para (não) Finalizar</p><p>Petróleo e Gás: o Futuro é Agora</p><p>14/10/2009</p><p>A promessa de uma forte geração de empregos no setor de petróleo e gás no Brasil, que mantém</p><p>investimentos elevados a despeito da crise financeira mundial, já está provocando uma intensa</p><p>procura de trabalhadores por cursos de qualificação na área – da aprendizagem para os jovens nos</p><p>níveis técnico e superior.</p><p>A corrida tem como aposta as contratações necessárias para</p><p>suprir as recentes descobertas de</p><p>novos campos de petróleo no país, a exploração da camada pré-sal e, agora, já despertam atenção às</p><p>prospecções de gás no Norte e Noroeste de Minas Gerais.</p><p>Muitas escolas especializadas na área de petróleo e gás são criadas justamente pela necessidade</p><p>de capacitação e pelas crescentes ofertas de empregos. Samuel Pinheiro, diretor da Petrocenter</p><p>– instituição especializada na formação desses profissionais – afirma que este é o momento certo</p><p>para investir na área. E a população ganha oportunidade de entrar para o mercado e aumentar</p><p>vertiginosamente sua renda salarial.</p><p>– Muita gente entra na área de petróleo e gás como operacional e chega à área gerencial com esforço</p><p>próprio, buscando qualificação. Isso quer dizer que temos uma ascensão vertical muito rápida. Em</p><p>cinco anos, o profissional pode crescer muito mais do que no mercado “normal”, que está saturado</p><p>– avalia Samuel Pinheiro, que faz questão de destacar a importância do idioma inglês, já que grande</p><p>parte da diretoria das empresas do setor é composta por estrangeiros.</p><p>Fazendo a diferença durante uma reunião extraordinária do Conselho de Desenvolvimento</p><p>Econômico e Social – CDES sobre o pré-sal, a ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, destacou a</p><p>geração de empregos na área – estimada em 243 mil novos postos de trabalho até 2020 – e falou</p><p>sobre o impulso que isso dará ao desenvolvimento da indústria nacional.</p><p>Ela citou números que mostram a necessidade da aquisição de cerca de 250 guindastes, 280 reatores</p><p>e 1,8 mil tanques de armazenamento.</p><p>– Isso dá a ideia do volume de demanda que o pré-sal vai representar para a indústria de serviços</p><p>– disse a ministra.</p><p>Para o jovem Patrick Barbosa de Carvalho, de apenas 19 anos, o investimento na carreira já está</p><p>dando bastante resultado. Aluno há um ano do Petrocenter, no curso de pintura industrial, ele já</p><p>está empregado na área e muito orgulhoso de sua conquista.</p><p>58</p><p>PARA NÃO FINALIZAR</p><p>– O momento em que resolvi entrar na área de petróleo e gás mudou a minha vida, pois estou</p><p>empregado e trabalhando na pintura dos blocos da Plataforma P56 – contou o jovem, que pretende</p><p>cursar graduação em engenharia mecânica para complementar o ensino e evoluir na profissão.</p><p>Fonte: Jornal do Brasil.</p><p>59</p><p>Referências</p><p>ANP. Dados Estatísticos. Disponível em: <http://www.anp.gov.br>. Acesso em: 20/11/2009.</p><p>BALLOU, R. H. Logística empresarial. São Paulo: Atlas,1993.</p><p>BRITISH PETROLEUM. Amoco statistical review of world energy, 2006.</p><p>BYRNE, P. M.; MARKHAM, W. J. Improving quality and productivity in the logistics</p><p>process, OAK, IL: Council of Logistics Management, 1991.</p><p>CAMPOS, M.; LOON, W. Petróleo e abertura. Jornal do Brasil: 4/2002.</p><p>CARDOSO, L. C. Logística do petróleo: transporte e armazenamento. Rio de Janeiro: Interciência,</p><p>2004.</p><p>EDUCACIONAL. Sem nome. Disponível em: <http://pessoal.educacional.com.br/</p><p>up/4770001/1306260/t1356.asp>. Acesso em: 20/11/2009.</p><p>GURGEL, F. A. Logística industrial. São Paulo: Atlas, 2008.</p><p>MALCOLIN, Norberto Antonio. Manual prático de sitemas de armazenagem. S.L.:</p><p>Metalúrgica Bertolini, 2000.</p><p>MENDONÇA, C. Recursos energéticos disponíveis no Brasil. Disponível em: <http://</p><p>educacao.uol.com.br/geografia/ult1701u62.jhtm>. Acesso em 20/11/2009.</p><p>PETROBRAS. Nossa história. Disponível em: <http://www.petrobras.com.br/pt/</p><p>quem%2Dsomos/nossa%2Dhistoria/>. Acesso em: 20/11/2009.</p><p>SOARES, A. C.; LEAL, J. E.; AZEVEDO, I. R. Diagnóstico da rede de distribuição de derivados</p><p>de petróleo no Brasil e sua representação em um SIG. Anais do XXIII Encontro Nac. de</p><p>Eng. de Produção. Ouro Preto, MG, Brasil, 2003.</p><p>SOARES, R. A.; LIMA, R. S. Gerenciamento da cadeia de suprimentos em fornecedores</p><p>de segunda camada no setor automobilístico brasileiro. Anais do XI Simpósio de</p><p>Administração da Produção, Logística e Operações Internacionais. São Paulo, SP, Brasil, 2008.</p><p>SOUZA, R. História do petróleo no Brasil. Disponível em: <http://www.brasilescola.com/</p><p>brasil/historia-do-petroleo-no-brasil.htm>. Acesso em: 20/11/2009.</p><p>TAYLOR, D. A. Logística na cadeia de suprimentos: Uma perspective gerencial. São Paulo:</p><p>Pearson Addison Wesley, 2005.</p><p>os</p><p>custos logísticos são fortemente impactantes no custo final do produto; da distribuição depende a</p><p>disponibilidade dos produtos nas praças consumidoras e a qualidade desejada pode ser perdida</p><p>pelas intempéries no caminho entre a produção e a entrega do produto ao consumidor final.</p><p>De fato, as grandes companhias hoje possuem altíssimo nível no controle da qualidade de seus</p><p>produtos, mas ainda é difícil controlar o ambiente externo à produção. Mais tarde investigaremos</p><p>com mais de detalhes os elementos envolvidos na obtenção das características de qualidade</p><p>supracitadas.</p><p>Nos próximos tópicos deste Caderno serão tratados assuntos técnicos de forte cunho prático sobre</p><p>os sistemas logísticos da cadeia de petróleo. Muitas das observações apresentadas aqui são de</p><p>autores que trouxeram informação da prática para a literatura, bem como de experiências vividas</p><p>pelo professor.</p><p>O Que é Logística?</p><p>Logística é, segundo Ballou (1993), a parte da administração de empresas que estuda como se obter</p><p>maior rentabilidade com a gestão otimizada das operações de distribuição de produtos aos clientes.</p><p>A Logística tem como uma área importante a Distribuição Física – a transferência de produtos</p><p>do ponto produtor ao ponto consumidor. Entretanto, com o aumento diário da competitividade</p><p>do mercado, todas as atividades de suporte à produção e distribuição de produtos ou serviços são</p><p>consideradas operações logísticas.</p><p>10</p><p>UNIDADE I │ INTRODUÇÃO À LOGÍSTICA E À CADEIA DE SUPRIMENTOS</p><p>Breve Histórico da Logística</p><p>Elementos do que hoje é a ciência logística podem ser observados há muito tempo no nosso cotidiano.</p><p>Desde as guerras bíblicas sabemos que os exércitos se planejavam, organizavam suas rotas, seus</p><p>veículos e equipamentos, além de controlar o consumo de recursos. Assim, as forças armadas até</p><p>hoje são grandes responsáveis pelo desenvolvimento da logística.</p><p>No passado, em virtude da baixa concorrência e disponibilidade de bens de consumo, a classe</p><p>consumidora pagava mais pelo acesso aos produtos, mesmo com um baixo nível de serviço oferecido.</p><p>Nessa ocasião, o produtor podia oferecer o produto com preço capaz de pagar seus custos e atingir</p><p>sua margem desejada.</p><p>Atualmente, o preço dos produtos, na maioria dos casos, é determinado pelas necessidades do</p><p>mercado. Com isso, o produtor precisa ajustar seus processos para fornecer ao consumidor o seu</p><p>produto a custo mínimo e tentar manter sua margem de lucro.</p><p>Imagine uma situação em que você deseja consumir um determinado produto</p><p>exclusivo de um determinado fornecedor, como, por exemplo, um relógio. Quanto</p><p>você pagaria por ele? Certamente não só o seu valor de custo, mas também o</p><p>seu valor afetivo. Em outros tempos, quase todos os produtos industrializados</p><p>poderiam ser considerados produtos exclusivos, pois dificilmente dois produtores</p><p>disputariam o mesmo mercado consumidor. Logo, o valor dos produtos era muito</p><p>alto, independente da qualidade do serviço oferecido.</p><p>Hoje, para quase todo produto de consumo você encontra similares e substitutos.</p><p>Então, outros fatores determinam o preço, como a sua própria predisposição em</p><p>pagar ou a capacidade do concorrente em competir em custos. O consumidor</p><p>normalmente está disposto a pagar o custo de materiais, mão de obra, design, mas</p><p>não o custo de deslocamento, de embalagem, de armazenamento e de outras</p><p>operações auxiliares que não agregam valor ao produto.</p><p>A Logística, para o ambiente empresarial, veio como uma ferramenta com o</p><p>objetivo de otimizar os custos e aumentar a eficiência de processos auxiliares</p><p>da produção.</p><p>Você sabe o que quer dizer o famoso jargão “agregar valor ao produto”?</p><p>Você acha conveniente que o consumidor pague mais por um produto porque no</p><p>seu preço foram incluídas despesas com:</p><p>» O frete de um produto comum (sabonete, DVD’s, celulares de baixo custo</p><p>etc.)?</p><p>» Um design mais arrojado de um móvel?</p><p>» O custo do armazenamento do fornecimento de tijolos?</p><p>11</p><p>INTRODUÇÃO À LOGÍSTICA E À CADEIA DE SUPRIMENTOS │ UNIDADE I</p><p>» A potência adicional de um motor automobilístico?</p><p>» A redução de emissão de gases poluentes de um aparelho de refrigeração?</p><p>» O excesso de segurança em uma embalagem de um produto de baixo</p><p>valor?</p><p>Provavelmente, todos os itens com os quais você não concordou, não agregam valor ao produto e</p><p>são associados a atividades logísticas. O profissional de logística precisa focar na redução de custos</p><p>e na eficiência dessas atividades para tornar os produtos mais competitivos.</p><p>Por Que Estudar Logística?</p><p>Um aspecto importante de se considerar é que, atualmente, todo gestor é cobrado por conhecimentos</p><p>associados à logística já que essa parte da administração possui um conjunto de operações que</p><p>podem ser responsáveis pela viabilidade de manter ou não um produto competitivo no mercado.</p><p>Atualmente, o mercado na área de logística está aquecido no Brasil e no mundo, principalmente</p><p>na área de Petróleo e Gás. A Petrobras, ao apresentar seu novo modelo regulatório de exploração</p><p>e produção para a comunidade do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia</p><p>– Confea, apresentou suas estimativas de investimentos para os anos de 2009 a 2013, em que</p><p>constam os investimentos de US$92 bi para a área de E&P e 46,9 para a área do Abastecimento</p><p>(http://www.agenciapetrobrasdenoticias.com.br). Esses investimentos se referem principalmente</p><p>ao desenvolvimento do petróleo na camada pré-sal e à implantação de cinco novas refinarias no</p><p>Brasil até o ano de 2013.</p><p>Acompanhando esses investimentos, é de se esperar que um forte investimento no setor de logística</p><p>dessas duas áreas de negócios venha a reboque. Afinal, se o petróleo ou o produto refinado não chegar</p><p>ao consumidor nacional ou internacional a preços competitivos de nada valerá o investimento de</p><p>exploração, produção e refino.</p><p>Também a Petrobras, em seu site, aponta o desenvolvimento da fase inicial da implantação de projetos</p><p>do Corredor de Exportação de Álcool, envolvendo a construção de alcooldutos para escoamento de</p><p>etanol para exportação. Este é apontado como um dos principais projetos da Petrobras no Plano de</p><p>Aceleração do Crescimento – PAC, bem como o projeto de Ampliação e Modernização no Transporte</p><p>de Petróleo e Derivados, que visa construir no Brasil 42 navios petroleiros.</p><p>A expectativa, que de certa forma vem se concretizando, é que varias companhias de engenharia,</p><p>suporte e logística se instalem e se estruturem para suportar essa nova fase de crescimento da</p><p>indústria nacional do petróleo.</p><p>12</p><p>UNIDADE I │ INTRODUÇÃO À LOGÍSTICA E À CADEIA DE SUPRIMENTOS</p><p>A Importância da Logística para as Empresas</p><p>Brasileiras</p><p>31 de outubro de 2004</p><p>Autor: Dr. Hélio Meirin <hrmeirim@ig.com.br></p><p>Consultor de Empresas e Professor Universitário</p><p>Atualmente as Empresas Brasileiras vivem um momento extremamente desafiador.</p><p>Este novo cenário é caracterizado pela busca por maior competitividade, maior</p><p>desenvolvimento tecnológico, maior oferta de produtos e serviços adequados às</p><p>expectativas dos Clientes e maior desenvolvimento e motivação de seu capital</p><p>intelectual (seus recursos humanos).</p><p>Para superar esses desafios, algumas Empresas buscam tomar ações voltadas para</p><p>redução de custos de uma forma isolada (por meio da eliminação de posições em seu</p><p>quadro de colaboradores, eliminação do cafezinho, controle de ligações telefônicas</p><p>e outras tão conhecidas). Essas ações às vezes se fazem necessárias; no entanto,</p><p>quando tomadas de forma isolada, não garantem o resultado desejado.</p><p>Por outro lado, temos Empresas que enxergam a Logística como uma estratégia</p><p>competitiva bastante eficaz. Essas Empresas planejam e coordenam suas ações</p><p>gerenciais de uma forma integrada, avaliando todo o processo desde o Fornecimento</p><p>da Matéria-Prima até a certeza de que o Cliente teve suas necessidades e expectativas</p><p>atendidas pelo produto ou serviço entregue.</p><p>O resultado é a superação dos desafios apresentados e consequentemente um</p><p>melhor posicionamento no mercado. Como pontos centrais</p><p>da Logística podemos</p><p>destacar:</p><p>» Visão integrada e sistêmica de todos os processos da Empresa. A ausência</p><p>desse conceito faz com que cada área / departamento da empresa pense e</p><p>trabalhe de forma isolada. Isso gera conflitos internos por poder e faz com</p><p>que os maiores concorrentes de uma empresa estejam dentro dela mesma.</p><p>» Fazer com que as “coisas” (materiais e informações) se movimentem o</p><p>mais rápido possível, conseguindo assim otimizar os investimentos em</p><p>ativos (estoques).</p><p>» Enxergar toda a cadeia de suprimentos como parte importante do seu</p><p>processo. Seus Fornecedores, Colaboradores, Comunidade e Clientes são</p><p>como elos de uma corrente e estão intimamente interligados. Por isso,</p><p>devemos sempre avaliar se suas necessidades e expectativas estão sendo</p><p>plenamente atendidas.</p><p>» O Planejamento (Estratégico, Tático e Operacional) e a constante Avaliação</p><p>de Desempenho, por meio de indicadores, são ferramentas gerenciais</p><p>essenciais para o desenvolvimento de um bom sistema logístico.</p><p>Fonte: <www.administradores.com.br>.</p><p>13</p><p>CAPÍTULO 2</p><p>Primeiros Conceitos em Logística e</p><p>Gestão da Cadeia de Suprimentos</p><p>Atividades Primárias da Logística</p><p>Segundo o Council of Logistics Management (BYRNE, 1991), a Logística é o processo de planejar,</p><p>implementar e controlar um fluxo efetivo e eficiente, além de propiciar armazenamento de bens,</p><p>serviços e informações, desde o seu ponto de origem até os seus pontos de consumo com o objetivo</p><p>de atender as necessidades dos consumidores.</p><p>São algumas das atividades da logística consideradas primárias por comporem grande parte dos</p><p>custos logísticos:</p><p>» Movimentação e Distribuição.</p><p>» Gestão de Estoques.</p><p>» Processamento de Pedidos.</p><p>Movimentação e Distribuição</p><p>A movimentação de materiais se preocupa em definir a melhor forma para executar o deslocamento</p><p>de materiais, produtos semiacabados e acabados dentro dos locais de produção e armazenamento,</p><p>com problemas similares aos estudados na distribuição física, porém de menor complexidade.</p><p>A distribuição física é a parte da Logística que trata das operações associadas ao fluxo de materiais</p><p>e produtos desde o ponto de origem até o seu consumo e é uma das mais importantes atividades</p><p>logísticas.</p><p>Segundo Ballou (1993), a Distribuição Física é responsável por 2/3 dos custos logísticos das</p><p>empresas e os principais problemas associados a essa atividade são as definições de rotas e a seleção</p><p>de modais de transporte e das capacidades associadas a esses modais.</p><p>A distribuição pode agregar valor de localização ao produto, o que dependerá apenas da disponibilidade</p><p>de produtos equivalentes e preços dos concorrentes nos pontos de consumo. Isso quer dizer que</p><p>só pode se afirmar que a distribuição agrega valor de localização ao produto se o consumidor não</p><p>conseguir adquirir produtos concorrentes por preços mais baixos.</p><p>14</p><p>UNIDADE I │ INTRODUÇÃO À LOGÍSTICA E À CADEIA DE SUPRIMENTOS</p><p>Gestão de Estoques</p><p>A gestão de estoques é necessária para tornar mais viável o atendimento das necessidades dos</p><p>consumidores. A demanda precisa de uma resposta rápida que nem sempre pode ser obtida pelo</p><p>processamento imediato (produção Just-in-time) e entrega do pedido. Para esses casos, que</p><p>compõem a maioria, as companhias mantêm estoques entre processos.</p><p>Os estoques têm por objetivo principal absorver impacto nas variações dos processos e da demanda,</p><p>ou seja, em períodos de pico de demanda repentino, como recentemente com o aumento do consumo</p><p>de álcool gel em virtude do surto de gripe A (H1N1), os fornecedores só conseguem absorver o</p><p>impacto na medida da sua capacidade de manter estoques.</p><p>Há algum tempo, a ideia de que manter estoques é desperdício de dinheiro com capital empatado</p><p>vem perdendo força, especialmente em mercados com muitas variações. A questão importante é que</p><p>os estoques devem ser mantidos, mas com muita cautela. Os estoques devem ser geridos de forma</p><p>econômica, com o estabelecimento de meta realisata, comumente chamada de “nível de serviço”,</p><p>para o estabelecimento das necessidades do mercado.</p><p>Para manter estoques de forma racional, a empresa deve optar por uma política de estoques que</p><p>pode conter muita ou pouca ciência em seu conteúdo. Certamente, a política de manter como</p><p>estoque duas vezes o valor da maior demanda já registrada pela companhia seria muito cara e</p><p>pouco efetiva uma vez que a probabilidade do mercado exigir tal quantidade é muito pequena. Mais</p><p>adiante estudaremos as técnicas mais comuns disponíveis para controle de estoques.</p><p>Processamento de Pedidos</p><p>O processamento de pedidos corresponde a todas as operações exceto as de distribuição,</p><p>movimentação e de estoques. Em relação ao custo, é uma atividade de baixo custo, porém é de</p><p>extrema relevância para a eficiência das operações logísticas.</p><p>A atividade de processamento de pedidos envolve recebimento de pedidos, separação de itens do</p><p>estoque, controle de qualidade, embalagem, seleção de modal, programação de entrega, despacho</p><p>de pedidos, atendimento ao consumidor, entre outras.</p><p>O processamento de pedidos é característica muito peculiar de cada tipo de atividade. Na indústria</p><p>do petróleo as atividades mais importantes são recebimento de pedidos, programação de entrega,</p><p>seleção de modal e despacho de pedidos.</p><p>Custos Logísticos</p><p>Os custos logísticos são compostos pelos custos de estoque, transporte e processamento de pedidos.</p><p>Esses custos possuem um comportamento típico que ajuda ao decisor a equilibrar o investimento</p><p>em cada uma das dimensões acima citadas.</p><p>15</p><p>INTRODUÇÃO À LOGÍSTICA E À CADEIA DE SUPRIMENTOS │ UNIDADE I</p><p>É importante perceber que quanto maior o número e a diversidade de locais de armazenagem,</p><p>próximos aos centros consumidores, o custo de transportes tende a diminuir. Por outro lado, os</p><p>custos de armazenagem devem aumentar fortemente, já que haverá custos fixos e indiretos em</p><p>todas as unidades de armazenamento implantadas.</p><p>Os custos de processamento aumentam levemente com o aumento do número de armazéns, pois</p><p>aumento o número de interfaces entre a comercialização e as unidades de armazenamento.</p><p>Vamos ilustrar essas situações:</p><p>Caso 1 – Centro de Armazenagem</p><p>Caso 2 – Vários Centros de Armazenagens</p><p>Na media em que o número de depósitos aumenta, o custo de transporte diminui. Isso por que</p><p>carregamentos mais volumosos podem ser feitos para os armazéns por um custo de frete mais baixo.</p><p>Além disso, a distância a ser percorrida pelos veículos menores, de custo unitário de frete maior, se</p><p>reduz, logo o custo total de transporte também diminuirá.</p><p>Já os custos de armazenamento e de processamento de pedidos apresentam um comportamento</p><p>contrário e vão aumentando na medida em que aumenta o número de centros de armazenagem.</p><p>O gráfico 1, a seguir, mostra o comportamento do custo logístico total conforme o número de</p><p>unidades de armazenamento. Para a decisão do número de pontos de armazenagem, o decisor deve</p><p>tentar equilibrar esses custos de modo a obter o menor custo logístico total.</p><p>16</p><p>UNIDADE I │ INTRODUÇÃO À LOGÍSTICA E À CADEIA DE SUPRIMENTOS</p><p>Gráfico 1 – Comportamento dos custos logísticos de acordo com o número de centros de armazenagem</p><p>Fonte: Baseado em Ballou, 1993.</p><p>Como se pode observar na figura 1, o custo logístico mínimo fica num local intermediário entre</p><p>os custos mínimos de armazenagem e de transporte. Esse conceito é importante pois daí se tira a</p><p>conclusão de que administrar as atividades de estocagem, processamento de pedidos e distribuição</p><p>gera resultados mais eficientes que a administração dessas atividades em separado.</p><p>Na cadeia do petróleo, a logística se preocupa em definir o número de terminais de armazenamento,</p><p>tanques e vias de escoamento (dutos).</p><p>Pré-Sal Exigirá Revolução na Logística da</p><p>Petrobras</p><p>Petrobras fará até Ilha Artifical para Explorar o Pré-Sal</p><p>Autor: Danilo Fariello</p><p>A exploração e produção do pré-sal vão exigir uma revolução logística da Petrobras.</p><p>Os principais campos da empresa, atualmente na Bacia de Campos, estão localizados</p><p>a uma distância entre 120 e 150 quilômetros da costa, e os poços de exploração</p><p>do pré-sal estarão, em geral, a uma distância ente 200 e 300 quilômetros. Por isso,</p><p>serão necessários novos investimentos em infraestrutura para que a operação no</p><p>mar tenha o máximo de autonomia possível.</p><p>“Estamos diante de circunstâncias totalmente diferentes das conhecidas”, diz o</p><p>gerente-geral da unidade de serviços de transporte e armazenagem do setor de</p><p>Exploração e Produção da Petrobras, Ricardo Albuquerque. “Como os campos são</p><p>gigantes e distantes, isso leva a um planejamento distinto daquele já conhecido.”</p><p>Apesar das muitas incertezas, há dados preliminares suficientes para planejar. Já</p><p>está definido, por exemplo, que a estratégia envolverá o modelo de “hub” (termo em</p><p>inglês que significa ponto de conexão) para três itens específicos.</p><p>17</p><p>INTRODUÇÃO À LOGÍSTICA E À CADEIA DE SUPRIMENTOS │ UNIDADE I</p><p>Um é a adaptação do que já ocorre na Bacia de Campos, para a distribuição de óleo</p><p>diesel às unidades marítimas da Petrobras. Atualmente, os navios-tanque ficam</p><p>atracados em zona próxima às diferentes plataformas alimentando, “no varejo”, as</p><p>necessidades de óleo combustível de cada unidade, explica Albuquerque. A ideia do</p><p>“hub” de diesel nasceu dentro da Petrobras especificamente para a Bacia de Campos</p><p>e hoje já são três os navios-tanque na região. A empresa entendeu que a concepção</p><p>de “hub” adotada no caso do óleo diesel será usada no pré-sal de forma ampliada.</p><p>Isso leva aos dois outros itens, que são os fluidos químicos e passageiros.</p><p>Na perfuração e produção dos poços, são necessários fluidos específicos para se</p><p>manter a produtividade dos poços. São elementos que resultam da operação e que</p><p>devem ser processados quimicamente e reinseridos nos poços. Hoje, isso é feito no</p><p>continente, mas a ideia da Petrobras é adaptar um navio-tanque com os elementos</p><p>necessários a essa operação.</p><p>O desafio tecnológico para isso é grande, pois se trata de uma infraestrutura que</p><p>nunca foi levada ao mar. Roberto Ramos, da Associação Brasileira da Indústria</p><p>Química (Abiquim), acha que a solução pode ser a construção de uma plataforma</p><p>fixa para operar os fluidos, porque são necessários equipamentos de compressão</p><p>complexos e torres acima de 60 metros.</p><p>É no sistema de transporte de passageiros, porém, que a Petrobras prepara a grande</p><p>novidade logística para o pré-sal. Hoje, apenas na Bacia de Campos, a empresa</p><p>transporta 10 mil passageiros por mês (ou 20 mil, contando ida e volta). No Sul e</p><p>Sudeste, o transporte chega a quase 60 mil passageiros por mês. A ampliação e</p><p>construção de bases aeroportuárias já estão nos planos. No entanto, para o pré-sal</p><p>está planejado também um ponto de interconexão no meio do mar.</p><p>Para baratear esse transporte, a estratégia é a criação de unidades marítimas</p><p>que servirão como estações intermediárias. Será um meio de caminho aonde</p><p>os passageiros chegam por meio de uma lancha ultrarrápida para, de lá, pegar</p><p>helicópteros de médio porte rumo ao seu destino final. No entanto, esse projeto</p><p>também carrega diversos desafios tecnológicos.</p><p>O primeiro refere-se à manutenção dos helicópteros, explica Albuquerque. É mais</p><p>eficiente fazê-la em terra e à noite. Portanto, eles teriam de ser trazidos de volta</p><p>ao continente diariamente. Na primeira e na última viagem do dia, portanto, seria</p><p>possível que alguns passageiros não tivessem de passar pelo “hub” de transbordo</p><p>marítimo – que poderá ser mais de um, dependendo do ritmo de exploração e da</p><p>distância entre os poços.</p><p>A dificuldade maior é fazer essa viagem agradável ao passageiro, de forma que</p><p>ele mantenha sua capacidade de trabalho ao chegar ao destino final. Para isso,</p><p>a Petrobras encomendou à americana Lockheed Martin um modelo de lancha</p><p>específico para as suas necessidades, com espaço para 150 pessoas. A empresa já</p><p>fornece embarcações similares para empresas que exploram campos no golfo do</p><p>18</p><p>UNIDADE I │ INTRODUÇÃO À LOGÍSTICA E À CADEIA DE SUPRIMENTOS</p><p>México, no território americano. O projeto já vem sendo desenvolvido pela empresa</p><p>para a Petrobras por mais de dois anos, para a Bacia de Campos. Agora terá que ser</p><p>adaptado para o pré-sal.</p><p>Segundo Albuquerque, é relativamente fácil ter uma lancha rápida com pouca</p><p>movimentação, para evitar enjôo dos passageiros, mas a grande dificuldade é montar</p><p>uma estrutura no mar em que, parada, a lancha não balance demais e seja firme</p><p>e grande o suficiente para os helipontos. É necessário ainda, que ela torne rápida</p><p>a mudança de meio de transporte. Essa estrutura flutuante, com nome técnico de</p><p>“gangway”, é chamada pelos funcionários da estatal de “ilha artificial”.</p><p>Um modelo que vem sendo desenvolvido confidencialmente por uma empresa tem</p><p>uma forma similar à de uma rampa, com uma escada articulada – como aquelas de</p><p>caminhões de bombeiros. “São vários modelos de ‘gangways’”, mas todos os existentes</p><p>mostram dificuldades principalmente em dois pontos: segurança e agilidade no</p><p>transbordo”, explica Albuquerque. Por isso, a necessidade de desenvolvimento</p><p>específico. A empresa também planeja que a “ilha artificial” possa servir como escala</p><p>ou mesmo permanência por um tempo de passageiros que trabalhem em diferentes</p><p>plataformas.</p><p>Apesar da inovação, Albuquerque diz que não se tratam de projetos suntuosos</p><p>financeiramente. “A simplicidade é o destaque e a meta é reduzir custos.” No caso</p><p>dos navios-tanque de diesel a solução foi simples e barata, porque foram adaptados</p><p>navios ociosos da Transpetro. A lancha não será mais cara que a média das 165</p><p>embarcações que a Petrobras já possui.</p><p>Valor Econômico – 5/10/2009</p><p>19</p><p>CAPÍTULO 3</p><p>Atividades Logísticas</p><p>Neste capítulo iremos explorar de forma mais detalhada as atividades logísticas já apresentadas</p><p>brevemente no capítulo 2 deste Caderno. As atividades de movimentação e distribuição, gestão</p><p>de estoques e processamento de pedidos podem ser desdobradas em outras operações que serão</p><p>descritas a seguir:</p><p>Movimentação de Materiais</p><p>Como apresentado no capítulo anterior, a atividade de movimentação de materiais corresponde a</p><p>todas as operações necessárias para efetuar o deslocamento de cargas de um ponto a outro em uma</p><p>planta de armazenamento.</p><p>A movimentação de materiais é importante, pois pode tanto gerar benefícios adicionando valor</p><p>de posição às cargas e equipamentos, movimentação ativa, quanto gerar apenas custos não</p><p>reconhecidos pelo mercado consumidor e que serão assumidos pela empresa, movimentação</p><p>parasita (GURGEL, 2008).</p><p>Esta atividade é normalmente considerada perigosa, principalmente quando tratamos de terminais</p><p>de armazenamento de produtos combustíveis. Em um terminal de distribuição, a operação de</p><p>movimentação não se refere à movimentação de produtos, mas sim à movimentação de equipamentos</p><p>e insumos para o processo de armazenamento e distribuição.</p><p>Outros tipos de movimentação comuns nos terminais são as de refugos, embalagens, material de</p><p>obra, manutenção, água, entre outros. O manuseio é o deslocamento de materiais e equipamentos</p><p>pelo esforço exclusivo do operário e, em alguns casos, também pode ocorrer dentro de um terminal.</p><p>Alguns importantes equipamentos de movimentação utilizados na cadeia do petróleo são os</p><p>guindastes e, em menor número, as empilhadeiras.</p><p>Os guindastes são utilizados com o objetivo de movimentar e posicionar, grandes materiais como</p><p>dutos, bombas, compressores, entre outros. Já as empilhadeiras são utilizadas na movimentação de</p><p>produtos vendidos em pequenas embalagens como os lubrificantes. Outros dispositivos podem ser</p><p>utilizados para movimentar o material necessário para que sejam executadas obras ou serviços de</p><p>manutenção dentro de uma planta de distribuição.</p><p>Embalagem</p><p>Conforme citado anteriormente as embalagens somente são utilizadas para os produtos da cadeia</p><p>do petróleo que possam ser comercializados em pequena escala, como aditivos, lubrificantes,</p><p>fertilizantes, agentes redutores de emissão de poluentes</p><p>etc.</p><p>20</p><p>UNIDADE I │ INTRODUÇÃO À LOGÍSTICA E À CADEIA DE SUPRIMENTOS</p><p>O sistema de embalagem interage com todas as atividades ligadas à logística e a muitas ligadas</p><p>ao marketing. É importante perceber que os casos de subembalagem e superembalagem são</p><p>comuns, porém não desejados. As subembalagens são aquelas que não atendem completamente</p><p>aos requisitos de proteção, identificação e informação. Nesse caso, pode-se perder no processo</p><p>de movimentação e armazenagem todo o esforço realizado na linha de produção. Já as</p><p>superembalagens demonstram desperdícios.</p><p>Para não se incorrer no problema das embalagens sub ou superdimensionadas deve-se analisar os</p><p>seguintes critérios:</p><p>» Canal logístico: exame criterioso dos canais de distribuição, instalando</p><p>acelerômetros nas cargas e registrando os pontos do canal em que a solicitação da</p><p>embalagem é máxima.</p><p>» Fragilidade: revisão do projeto do produto, relacionando-se todos os pontos de</p><p>fragilidade de projeto e adotando-se ações corretivas no produto e reforço na</p><p>embalagem.</p><p>» Tecnologia: reprojeto da embalagem, utilizando novas tecnologias sem elevação</p><p>do custo, para se evitar a improdutividade repetitiva, representada pelos custos</p><p>adicionais da embalagem.</p><p>A embalagem é um contendedor que tem por objetivo primário unitizar o produto a ser comercializado,</p><p>ou seja, a embalagem deve conter o produto em quantidade adequada para o consumo final. Porém</p><p>a embalagem dos produtos é composta de camadas que serão detalhadas adiante:</p><p>Embalagem de Contenção</p><p>Embalagem em contato direto com o produto, com compatibilidade entre o produto e o material</p><p>da embalagem. É normalmente utilizado para contenção de produtos líquidos, alimentos,</p><p>medicamentos, entre outros.</p><p>Figura 1 – Embalagem de contenção para lubrificantes</p><p>Fonte: Disponível em: <images.google.com>.</p><p>Embalagem de Apresentação</p><p>É aquela que envolve produtos que não necessitam de contenção ou as próprias embalagens de</p><p>contenção. Nesse tipo de embalagem se apresentam aos usuários as características dos produtos</p><p>nos pontos de venda. As embalagens de apresentação podem conter informações definidas por lei,</p><p>21</p><p>INTRODUÇÃO À LOGÍSTICA E À CADEIA DE SUPRIMENTOS │ UNIDADE I</p><p>certificações, instruções de utilização, informações promocionais, além do nome do produto, é claro.</p><p>No caso dos produtos derivados de petróleo para uso automotivo e os fertilizantes, a embalagem de</p><p>apresentação é a própria embalagem de contenção.</p><p>Figura 2 – Embalagem de apresentação (esquerda) ao lado da embalagem de contenção</p><p>Fonte: Disponível em: <images.google.com>.</p><p>Embalagem de Comercialização</p><p>É a embalagem que contém uma determinada quantidade de embalagens de apresentação.</p><p>Determinar a unitização, pode ser em um conjunto único como, por exemplo, na embalagem</p><p>de uma TV de 29” ou em um conjunto de unidades de bombonas de fertilizantes. Esse tipo de</p><p>embalagem normalmente traz informações sobre os cuidados no seu manuseio para a preservação</p><p>da integridade dos produtos. Para a preservação da integridade dos produtos contidos na unidade</p><p>de comercialização poderão ser utilizados acessórios como calços, cantoneiras etc.</p><p>Figura 3 – Embalagem de Comercialização</p><p>Embalagem de Movimentação</p><p>É o múltiplo da embalagem de comercialização, que pode ser movimentada de forma padronizada</p><p>por equipamentos mecânicos. É a unidade que representa a paletização:</p><p>Figura 4 – Embalagem de Movimentação</p><p>22</p><p>UNIDADE I │ INTRODUÇÃO À LOGÍSTICA E À CADEIA DE SUPRIMENTOS</p><p>Paletização</p><p>A paletização é necessária para a utilização de equipamentos eletromecânicos de movimentação. Os</p><p>paletes são engradados de madeira de tamanho padronizado que permitem o encaixe de palhetas</p><p>para movimentação vertical.</p><p>Encontramos uma definição mais detalhada no Manual Prático de Sistemas de Armazenagem, de</p><p>Norberto A. Marcolin:</p><p>palete (pallet) é uma plataforma disposta horizontalmente para carregamento,</p><p>constituída de vigas ou blocos com uma simples face sobre os apoios, cuja</p><p>altura é compatível com a introdução de garfos de empilhadeira e paleteira</p><p>ou outros sistemas de movimentação. Permite o arranjo e o agrupamento de</p><p>materiais, possibilitando o manuseio, estocagem, movimentação e transporte</p><p>como uma única carga.</p><p>A utilização de paletes facilita muito o transporte das mercadorias, uma vez que as embalagens,</p><p>a unidades e os modais são projetados para o seu uso, o que facilita a gestão da logística e torna</p><p>possível a redução do tempo de movimentação de carga e descarga dos produtos.</p><p>Atualmente, os paletes possuem dimensão de 1,00m x 1,20m x 1,40m, e têm utilização largamente</p><p>difundida, em virtude da adequação ao berço de caminhões de utilização urbana.</p><p>Quando os produtos não permitem a adequação perfeita das unidades aos paletes, deve-se deixar</p><p>pequenos espaços entre as unidades de modo a, equilibrá-los. Por questões de segurança e de</p><p>adequação ao transporte não se deve ultrapassar os limites do palete. O equipamento mais comum</p><p>para a sua movimentação é a empilhadeira; entretanto, a paletadeira manual ainda é utilizada em</p><p>pequenos armazéns.</p><p>Figura 5 – Empilhadeira</p><p>Atualmente, já existem equipamentos que permitem embalar as unidades no palete. A Figura 6, a</p><p>seguir, apresenta um esquema de embalagem do palete com filme em bobina.</p><p>23</p><p>INTRODUÇÃO À LOGÍSTICA E À CADEIA DE SUPRIMENTOS │ UNIDADE I</p><p>Figura 6 – Bobinadeira de filme</p><p>Fonte: Disponível em: <images.google.com>.</p><p>O mecanismo por fitas ainda é o mais utilizado para a imobilização em paletes.</p><p>Figura 7 – Palete imobilizado por fitas</p><p>A utilização de unidades de movimentação proporciona eliminação das improdutividades</p><p>repetitivas que aumentam o custo das empresas, que não é reconhecido pelo consumidor. Já que</p><p>isso ocorre, temos que diminui-lo o quanto possível. As vantagens dos módulos de armazenamento</p><p>da mercadoria são principalmente:</p><p>» Volume: melhor utilização dos espaços verticais do armazém com a liberação de</p><p>área para a produção e elevação da capacidade de armazenamento.</p><p>» Segurança: redução de acidentes com os trabalhadores que atuam na movimentação</p><p>das cargas.</p><p>» Custos: economia de até 40% dos custos de deslocamentos das mercadorias.</p><p>» Velocidade: redução do tempo de deslocamento e aumento da velocidade de</p><p>atendimento aos pedidos.</p><p>» Proteção: melhor qualidade do acondicionamento das mercadorias e redução das</p><p>perdas.</p><p>24</p><p>UNIDADE I │ INTRODUÇÃO À LOGÍSTICA E À CADEIA DE SUPRIMENTOS</p><p>» Controle: simplificação do controle das existências devido à pré-contagem e melhor</p><p>funcionamento do sistema de informação.</p><p>» Destino: entrega do produto ao cliente com aparência de novo.</p><p>» Etiquetagem: facilidade na etiquetagem das unidades de movimentação.</p><p>» Furtos: introdução de dificuldades para a ocorrência de extravio de mercadorias.</p><p>» Endereçamento: possibilidade de introdução do armazenamento com</p><p>endereçamento aleatório.</p><p>» Vertical: aproveitamento dos paletes com aba para o deslocamento com cintas via</p><p>área.</p><p>» Racionalização: melhoria substancial dos custos de transporte, pela redução</p><p>drástica do tempo de carga e descarga dos caminhões.</p><p>» Provimento: facilidade de esvaziamento da cabeceira da linha de montagem,</p><p>possibilitando o aumento da velocidade de produção.</p><p>» Valorização: deslocamento dos funcionários para as atividades produtivas de</p><p>agregação de valor.</p><p>Armazenamento</p><p>O armazenamento na cadeia do petróleo se dá principalmente no acondicionamento de insumos e</p><p>produtos em grandes tanques. Peças de reposição, materiais de segurança, manutenção e produtos</p><p>como lubrificantes e fluidos automotivos são acondicionados em armazéns geralmente endereçados</p><p>para garantir a especificação do produto armazenado.</p><p>Para proceder ao armazenamento desses tipos de itens deve-se utilizar a sua classificação e</p><p>endereçamento previamente realizados e então verificar a melhor forma de movimentação do</p><p>material até seu destino.</p><p>Vários são os equipamentos utilizados para a movimentação desses tipos de itens. Itens unitizados e</p><p>paletizados</p><p>são movimentados geralmente por paleteiras em caso de movimentação apenas horizontal</p><p>e empilhadeiras para o caso de movimentação também vertical. Itens pesados podem ser também</p><p>movimentados por guindastes nos locais de armazenamento.</p><p>Carregamento</p><p>As operações de carregamento são de maior ou menor complexidade dependendo do modal</p><p>escolhido. As operações de carga e descarga de caminhões-tanques são relativamente simples. No</p><p>25</p><p>INTRODUÇÃO À LOGÍSTICA E À CADEIA DE SUPRIMENTOS │ UNIDADE I</p><p>entanto, segundo Cardoso (2004), é necessário que os operadores envolvidos tenham o treinamento</p><p>adequado para atingir os requisitos necessários de segurança pessoal e das instalações.</p><p>Algumas observações são importantes para se executar o carregamento de um caminhão tanque</p><p>com eficiência:</p><p>» O caminhão tanque precisa estar conectado a um aterramento para evitar faíscas</p><p>oriundas da eletricidade estática.</p><p>» O caminhão deve estar em piso plano para aferição do nível de combustível</p><p>carregado.</p><p>» A aferição do volume deve ser realizada na temperatura de 20oC.</p><p>» O carregamento deve ser realizado até que a seta indicadora de nível chegue à</p><p>capacidade nominal do tanque.</p><p>» O descarregamento deve ser realizado até que se constate o completo esvaziamento</p><p>do tanque.</p><p>Para realizar o carregamento de um navio é necessário a elaboração de um plano de carga que é</p><p>elaborado pelo comandante ou imediato do navio, seguindo um modelo estabelecido pelo Sistema</p><p>de Gerenciamento de Segurança e Prevenção de Poluição da Fronape (CARDOSO, 2004), com</p><p>a finalidade de estabelecer todas as instruções que serão dadas aos envolvidos nas operações de</p><p>carregamento (temperatura, segurança, resíduos etc.).</p><p>O carregamento de um vagão tanque é realizado de forma simples e segura, desde que executado</p><p>por pessoal qualificado. As observações para o carregamento de um vagão tanque são bem similares</p><p>às de um caminhão tanque, entretanto é necessário também que se observe a presença de água no</p><p>fundo do tanque.</p><p>Sobre a questão da distribuição verificaremos nos capítulos seguintes vários conceitos associados a</p><p>essa atividade.</p><p>Atividades Logísticas</p><p>21/8/2009</p><p>Autor: Aldo Albieri – Engenheiro eletrônico e consultor de negócios</p><p>No passado, a logística era conhecida como sendo o transporte e armazenagem de</p><p>produtos e estava associada às operações militares onde os comandantes precisavam</p><p>ter sob suas ordens uma equipe que assegurasse a disponibilidade, na hora certa,</p><p>de equipamentos, alimentos, munição e socorro médico nos campos de batalha.</p><p>Na antiga Grécia, os militares com o título de Logistikas eram os responsáveis por</p><p>garantir os recursos e suprimentos para a guerra.</p><p>Mais recentemente, segundo definição do Council of Logistics Management, 1991,</p><p>logística refere-se ao processo de planejamento, implantação e controle eficaz</p><p>do fluxo e da armazenagem de mercadorias, serviços e informações relacionadas,</p><p>26</p><p>UNIDADE I │ INTRODUÇÃO À LOGÍSTICA E À CADEIA DE SUPRIMENTOS</p><p>desde o ponto de origem até o ponto de consumo, com o objetivo de atender às</p><p>necessidades dos clientes.</p><p>Ampliando o conceito e seus próprios objetivos, a logística é responsável em assegurar</p><p>a disponibilidade do produto certo, na quantidade certa, em condições adequadas, no</p><p>local certo, no momento certo, com o preço certo e para o cliente certo.</p><p>É necessário que o processo logístico comece pelo estudo, análise e compreensão do</p><p>projeto ou do processo que precisa ser implantado e dos objetivos a serem atingidos,</p><p>seguidos pelo planejamento e detalhamento das atividades tradicionais da logística</p><p>como: planejamento de demanda, inventário, suprimentos e de produção, manuseio</p><p>de pedidos, ordens de produção e documentos de identificação, processos de</p><p>importação, exportação e de armazenagem, planejamento da distribuição etc.</p><p>As atividades logísticas podem ser classificadas em:</p><p>» Atividades Principais: Transportes, Gerenciamento de estoques,</p><p>Processamento de pedidos, Definição dos níveis de serviço baseados nas</p><p>reações dos clientes.</p><p>» Atividades Secundárias: Armazenagem, Manuseio de materiais e</p><p>embalagem de proteção, Obtenção do necessário, Programação de</p><p>produção, Manutenção de sistemas de informação, dando suporte às</p><p>atividades principais.</p><p>Estima-se que em uma empresa industrial os custos de produção giram em torno de</p><p>53% do total dos custos, enquanto que os custos logísticos estão na ordem de 20%,</p><p>ocupando o segundo lugar no ranking de todos os custos.</p><p>Portanto, gerir esses custos é crucial para a operação, isto é, os custos da existência do</p><p>estoque, da armazenagem, do processamento das encomendas, de transporte etc.</p><p>precisam ser continuamente reavaliados visando à competitividade e sobrevivência</p><p>da empresa.</p><p>A logística Integrada é constituída por três grupos de atividades, representando</p><p>segmentos do processo:</p><p>» Logística de suprimentos: refere-se às atividades de adquirir e receber os</p><p>materiais necessários às operações.</p><p>» Logística interna: refere-se às atividades de armazenar, manusear e</p><p>transformar os materiais envolvidos na operação, exceto o ato de produzir.</p><p>» Logística de distribuição: refere-se às atividades que se iniciam na</p><p>expedição até a entrega do produto ao cliente final.</p><p>Quando esses três grupos de atividades estão operando de forma cooperativa,</p><p>sincronizada, somando resultados e combatendo todo e qualquer desperdício, de</p><p>acordo com o princípio Enxuto (Lean), considera-se que a Logística está integrada. O</p><p>termo enxuto como tradução de Lean surgiu para adjetivar o sistema de produção</p><p>desenvolvido pela Toyota nos anos 1970.</p><p>27</p><p>INTRODUÇÃO À LOGÍSTICA E À CADEIA DE SUPRIMENTOS │ UNIDADE I</p><p>É enxuto porque requer menos esforços e custos para produzir mais, com menor</p><p>custo e melhor qualidade, o que é possível por meio do combate a todo e qualquer</p><p>desperdício. Tudo que não agrega valor é desperdício.</p><p>Com a aplicação dos conceitos Lean aos serviços logísticos criou-se a Logística</p><p>Enxuta. Na mesma linha de pensamento, se todos os departamentos da empresa</p><p>conhecem as atividades logísticas envolvidas e necessárias para o sucesso da</p><p>operação e estiverem trabalhando de forma cooperativa na aplicação dos conceitos</p><p>Lean, podemos conceituar que está ocorrendo a integração da empresa na Logística.</p><p>A busca da competência logística requer mudança na atitude das pessoas</p><p>envolvidas. Porém, com o desenvolvimento tecnológico atual não é mais possível</p><p>imaginar realizar esse trabalho sem o apoio de um sistema de gestão empresarial</p><p>seguro, eficaz e completo como o Omega desenvolvido pela ABC71, possibilitando</p><p>tomadas de decisões de forma eficaz.</p><p>Benefícios da Integração na logística, segundo Waters:</p><p>» Cooperação genuína entre todas as partes da cadeia logística,</p><p>compartilhando informações e recursos, combatendo todo e qualquer</p><p>desperdício.</p><p>» Custos diminuídos, devido a previsões mais exatas, estoques menores,</p><p>menos expedição, economia de escala e eliminação das atividades que</p><p>não criam valor.</p><p>» Melhoria no desempenho, maior produtividade e prioridades racionais.</p><p>» Melhoria no fluxo de produtos, com movimentos mais rápidos e confiáveis.</p><p>» Maior flexibilidade e rapidez de reação às condições de mudança.</p><p>» Procedimentos padronizados, tornando-se rotina e bem praticados, com</p><p>menor duplicidade de esforço e planejamento.</p><p>» Qualidade de confiança e menos inspeções, com programas de Gestão de</p><p>Qualidade integrados.</p><p>Cabe ao gestor conhecer e extrair o pleno potencial do ERP utilizado, visando</p><p>perpetuar de forma lucrativa a instituição no mercado. Podemos afirmar que o uso</p><p>adequado das funcionalidades da solução de gestão, ferramentas valiosas para</p><p>gerenciar o que, quando e quanto comprar ou produzir considerando a capacidade</p><p>atual e planejando a capacidade futura ainda é a melhor estratégia para atingir o</p><p>objetivo citado acima.</p><p>Além disso, é imprescindível o suporte Administrativo e Financeiro fornecido pelo</p><p>sistema de gestão</p><p>como forma de controlar e conferir os resultados em processo.</p><p>Fonte: PC Magazine <http://pcmag.uol.com.br>.</p><p>28</p><p>UNIDADE II</p><p>LOGÍSTICA E</p><p>DISTRIBUIÇÃO DE</p><p>PETRÓLEO, GÁS E</p><p>SEUS DERIVADOS</p><p>CAPÍTULO 1</p><p>Atividade Petroleira no Brasil</p><p>A Indústria de Petróleo engloba o conjunto de atividades relacionadas com a exploração,</p><p>desenvolvimento, produção, refino, processamento, transporte, importação, exportação de petróleo,</p><p>gás natural, outros hidrocarbonetos e seus derivados. Neste capítulo serão discutidos aspectos da</p><p>história da exploração e desenvolvimento do petróleo no Brasil, tendo em vista as questões legais,</p><p>regimentais e de logística.</p><p>Histórico do Petróleo</p><p>O petróleo já era desenvolvido em escala comercial em Baku, no Azerbaijão, para os padrões</p><p>da época, quando Marco Polo viajou pelo norte da Pérsia, em 1271, com o objetivo de suprir</p><p>diversos mercados como o de pavimentação de estradas, calefação de grandes construções,</p><p>aquecimento e iluminação de casas, lubrificantes e até laxativo. A partir do século XIX, novas</p><p>aplicações foram encontradas e o petróleo passou a fazer parte da matriz energética mundial,</p><p>complementando a utilização do carvão juntamente com a utilização da energia hidrelétrica. O</p><p>petróleo em pouco tempo transformou-se na principal forma de energia utilizada no mundo,</p><p>até os dias atuais. Foi nessa época que ocorreu a invenção dos motores de combustão interna</p><p>a gasolina e outros derivados de petróleo e a invenção da lâmpada elétrica. O petróleo passou a</p><p>ser essencial à economia mundial, fator gerador de conflitos entre países e principal agente de</p><p>poluição atmosférica (MENDONÇA, 2009).</p><p>Não há relatos muitos precisos sobre a atividade petroleira no Brasil. Segundo o historiador Rainer</p><p>Souza (2009), o Marquês de Olinda, ainda na época do regime imperial, já havia cedido a José</p><p>Barros de Pimentel o direito de exploração de betume nas margens do Rio Marau, na Bahia.</p><p>Em 1930, foi registrado o primeiro caso de sucesso na exploração de petróleo. O agrônomo</p><p>Manoel Inácio Bastos e pioneiro Oscar Cordeiro, a partir de informações da população local de</p><p>um bairro do subúrbio de Salvador realizaram testes e atestaram a existência de petróleo nesta</p><p>região (SOUZA, 2009).</p><p>29</p><p>GESTÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS │ UNIDADE II</p><p>Ainda na década de 1930, o Brasil passou a nacionalizar seus recursos do subsolo (EDUCACIONAL,</p><p>2009) e, em 1938, foi criado o Conselho Nacional do Petróleo – CNP, com o objetivo de avaliar os</p><p>pedidos de pesquisas e lavras das jazidas de petróleo no Brasil. Uma de suas primeiras ações foi</p><p>determinar que todas as jazidas nacionais de petróleo pertencessem à união.</p><p>De acordo com o relato registrado no site pessoal.educacional.com.br, o interesse pela pesquisa e</p><p>petróleo, no Brasil, começou no século XIX e as primeiras concessões foram registradas em 1958.</p><p>Em 1941, a descoberta de um poço deu origem ao campo de Candeias, o primeiro a permitir o</p><p>desenvolvimento da produção de petróleo no país. Essa descoberta levou o governo brasileiro, por</p><p>intermédio de Getúlio Vargas, a assinar, no ano de 1953, a Lei no 2.004, que instituia o monopólio</p><p>estatal de pesquisa e lavra, refino e transporte do petróleo e seus derivados. Ainda nessse ano foi</p><p>criada a empresa Petróleo Brasileiro S.A., conhecida pela maioria dos brasileiros simplesmente por</p><p>Petrobras.</p><p>Na época de sua criação, a Petrobras produzia cerca de 2700 barris de petróleo por dia, enquanto</p><p>que o consumo nacional chegava a 170000 barris no mesmo período.</p><p>No início da década de 1960, a empresa teve sua atuação ampliada, passando a ser também a única</p><p>a poder exercer as atividades de importação e exportação de petróleo e seus derivados.</p><p>No ano de 1968, a Petrobras iniciou suas atividades de exploração de petróleo em águas profundas.</p><p>O desenvolvimento da indústria petrolífera nacional foi constante e bem-sucedido até que, em 1974,</p><p>foi descoberta a reserva da Bacia de Campos, a maior do país e uma das maiores em águas profundas</p><p>do mundo.</p><p>Durante o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, em 1997, foi aprovada a Lei</p><p>no 9.478, que extinguiu o monopólio estatal do petróleo e permitiu que empresas do setor privado</p><p>competissem com a Petrobras em todos os ramos de negócios de suas atividades. Além disso,</p><p>essa lei criou também a Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis – ANP e o Conselho</p><p>Nacional de Política Energética – CNPE.</p><p>A ANP é o órgão regulador das atividades que integram a indústria do petróleo e gás natural e a dos</p><p>biocombustíveis no Brasil. Essa entidade estabelece regras para a indústria do petróleo, promove</p><p>licitações em nome da União para a exploração, desenvolvimento e produção do petróleo e gás, alem</p><p>de fiscalizar as atividades da indústria regulada.</p><p>Já o CNPE, órgão de assessoramento do Presidente da República, tem como suas principais</p><p>funções: formular políticas e diretrizes de energia com vistas a promover o aproveitamento racional</p><p>dos recursos energéticos, assegurar o abastecimento energético mesmo em locais mais remotos no</p><p>país, atualizar a matriz energética do país e rever os programas das fontes de energia e estabelecer</p><p>diretrizes para importação e exportação de recursos energéticos.</p><p>Em 2006, o Brasil, pela primeira vez, produziu em maior volume do que a demanda nacional</p><p>atingindo sua autossuficiência. Vale lembrar que a maior parte da produção nacional é de petróleo</p><p>30</p><p>UNIDADE II │ GESTÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS</p><p>pesado, que é de menor valor no mercado nacional. As atuais refinarias não conseguem processar</p><p>todo esse petróleo pesado que é vendido e é comprado petróleo leve para o processamento nas</p><p>refinarias. Como o valor obtido com venda do petróleo pesado ultrapassa os gastos com a compra</p><p>do petróleo leve, fica estabelecida a autossuficiência econômica.</p><p>Em 2007, a Petrobras anunciou a descoberta da área de Tupi, na Bacia de Santos, com grande</p><p>concentração de petróleo e gás em áreas de pré-sal. Essa descoberta, segundo a Petrobras, poderá</p><p>aumentar em 50% as reservas de óleo e gás no país. O Brasil deverá ser inserido em um novo cenário</p><p>da indústria mundial do setor. Em 1o de maio de 2009, teve início a produção de petróleo na área</p><p>de Tupi. As jazidas do pré-sal podem mudar o perfil das reservas da Petrobras que, em sua maior</p><p>parte, é de petróleo pesado, reduzindo a importação de óleo leve e gás natural (PETROBRAS, 2009).</p><p>Perfil da Indústria do Petróleo no Brasil</p><p>O Brasil atualmente é a nona maior economia do mundo, com um PIB de US$1,8 trilhões no ano de</p><p>2008. Com um PIB per capita de, aproximadamente, US$9.000, o Brasil ocupa a 88ª posição no</p><p>ranking mundial nesse critério de desenvolvimento econômico e o seu consumo de petróleo é de</p><p>cerca de 1,96 MM barris/dia (ANP, 2009).</p><p>Segundo o site da Agência Nacional de Petróleo – ANP, a cada rodada de licitações para exploração</p><p>de blocos Brasil o número de empresas habilitadas a participar das rodadas de negociação se altera.</p><p>Isso porque, a cada nova rodada se modificam os interesses do mercado e as exigências para o bloco.</p><p>Desde o início do funcionamento da ANP, em 1997, as rodadas de negociação já contaram com até</p><p>42 empresas habilitadas na concorrência.</p><p>O Brasil tem 12,6 MM barris de reservas provadas de petróleo e 331,69 MM m³ de reservas</p><p>provadas de gás natural. Com a descoberta do Pré-Sal estima-se que as reservas provadas cheguem</p><p>a 50 MM de barris, colocando o país em 8o lugar em reservas provadas no mundo (BRITISH</p><p>PETROLEUM, 2006).</p><p>Ainda sobre o aspecto de E&P, a produção atual de petróleo no Brasil é de 1,95 MM barris/dia; de</p><p>gás natural gira em torno de 57,66 MM m³/dia (ANP, 2009). Em de setembro de 2009, a produção</p><p>da Petrobras atingiu um recorde de produção diário de 2,00 MM barris/dia.</p><p>Segundo a ANP (2009), a capacidade nacional do refino e processamento de óleo é de 1,9 MM</p><p>barris/dia e de gás é de 50,9 MM m³/dia, produzindo 291.427 m³/dia de derivados. A demanda por</p><p>derivados no Brasil é de 1,8 MM barris/dia e de gás natural é de 53 MM m³/dia.</p><p>A importação</p><p>líquida (importação – exportação) de óleo, no ano de 2009 (até o mês de setembro),</p><p>foi de aproximadamente -20 M barris/dia, a de gás foi, em média, 24,9 MM m³/dia, enquanto que</p><p>a importação líquida de derivados foi próxima de zero.</p><p>31</p><p>GESTÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS │ UNIDADE II</p><p>A infraestrutura dutoviária do Brasil possui, atualmente, 16.986 km de extensão, segundo a própria</p><p>ANP. Esses dutos são classificados em dois tipos de acordo com o seu objetivo:</p><p>» Os dutos de transferência, que são aqueles utilizados para transferir os fluidos de um</p><p>ponto a outro sem fins comerciais. Normalmente, no Brasil esses dutos pertencem a</p><p>Petrobras S.A.</p><p>» Os dutos de transporte, que além de transferirem os fluidos de um ponto a outro</p><p>são utilizados para permitir a comercialização. Esses dutos, no Brasil, geralmente</p><p>são operados pela Transpetro e podem ser utilizados por quaisquer concessionárias</p><p>mediante o pagamento de taxas de utilização e participação no lastro (parte de</p><p>fluido que fica retido nos dutos).</p><p>32</p><p>CAPÍTULO 2</p><p>Modais de Transporte para Petróleo,</p><p>Gás e seus Derivados</p><p>Na atividade de distribuição petróleo, gás e derivados, os principais modais utilizados são o</p><p>dutoviário, o ferroviário, o hidroviário e o rodoviário. No geral, os produtos a serem movimentados</p><p>entre pontos de produção e refinarias, ou refinarias e distribuidoras utilizam, prioritariamente,</p><p>dutos e ferrovias, já para o transporte ao consumidor final são utilizados os caminhões tanques. Os</p><p>custos de transporte, em geral, são maiores quanto menor for a capacidade do modal.</p><p>Em seguida, serão detalhadas algumas características desse modais. As definições apresentadas</p><p>serão baseadas fortemente na obra de Cardoso (2004), “Logística do Petróleo – Transporte e</p><p>Armazenamento” resenhadas e acrescidas de comentários do autor desse Caderno.</p><p>Modal Dutoviário</p><p>Os dutos são as tubulações utilizadas para o escoamento de grandes quantidades de petróleo, gás,</p><p>derivados e álcool. É a forma mais segura e econômica para se transportar cargas fluidas. A economia</p><p>se dá pela diminuição expressiva do valor do frete.</p><p>Os dutos ligam pontos de produção, armazenamento e consumo, tais como plataformas, refinarias,</p><p>terminais de armazenagem e distribuição, além de polos consumidores. Além dos dutos, o sistema</p><p>depende da instalação de bombas, válvulas e, em alguns casos, de tanques intermediários.</p><p>As bombas têm por finalidade principal conferir velocidade ao deslocamento da carga; já as válvulas</p><p>são equipamentos que permitem controlar a vazão do fluido. Os tanques intermediários são</p><p>instalados muitas vezes como forma de possibilitar a parada de um trecho do duto para manutenção.</p><p>Um importante benefício intangível da utilização do modal dutoviário é o aumento da segurança</p><p>nas estradas, rios etc.</p><p>No Brasil, a utilização dos dutos é livre para a utilização de qualquer companhia que deseje</p><p>transportar seus produtos fluidos; entretanto, além da taxa de utilização dos dutos, existe também</p><p>uma cota de perda que é rateada por todos os seus usuários. O Sistema Petrobras, por meio da</p><p>Transpetro, opera os dutos nacionais e a maior parte dos produtos transportados pertence, de fato,</p><p>à Petrobras S.A.</p><p>Um mesmo duto pode servir para o transporte de diferentes tipos de produtos; isso faz com que se</p><p>gere uma interface entre estes. A interface é a zona de contaminação onde os produtos transportados</p><p>se misturam. Essas áreas costumam gerar produtos de menor qualidade e retirá-los de especificação.</p><p>Cabe, então, à área de programação do escoamento enviar os produtos na ordem em que as interfaces</p><p>tenham menor índice de contaminação possível.</p><p>33</p><p>GESTÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS │ UNIDADE II</p><p>De forma geral, a densidade e viscosidade dos produtos devem ser semelhantes e crescentes</p><p>cronologicamente. Costuma-se utilizar também um fluido como “selo” entre os produtos para se</p><p>detectar com maior facilidade a interface entre os produtos. O óleo diesel é muito utilizado com este</p><p>fim por possuir especificação flexível.</p><p>Figura 8 – Faixa de Dutos</p><p>Fonte: Disponível em: <images.google.com>.</p><p>Modal Ferroviário</p><p>A utilização de ferrovias e seus vagões tanques para o transporte de petróleo, álcool e combustíveis</p><p>é uma alternativa a ser considerada pela grande capacidade de transporte desse modal. Entretanto,</p><p>a malha ferroviária no Brasil é ainda muito escassa e a velocidade de deslocamento dos trens é</p><p>bem inferior a de outros tipos de modais. Para que se tenha uma possibilidade de utilização da</p><p>malha ferroviária, os terminais de armazenamento e distribuição, bem como as refinarias, devem</p><p>ser posicionados desde sua instalação em áreas que permitam a chegada da malha ferroviária.</p><p>Quando o modal ferroviário for uma alternativa concreta, um planejamento antecipado da sua</p><p>utilização permite que um montante significativo seja economizado com as taxas de frete.</p><p>Figura 9 – Réplica de Vagão Tanque</p><p>Fonte: Disponível em: <images.google.com>.</p><p>Modal Hidroviário</p><p>O modal hidroviário é composto pelos transportes náuticos, fluviais e marítimos, e suas vias de</p><p>deslocamento, as hidrovias, pelos rios e mares. O modal hidroviário é utilizado prioritariamente na</p><p>distribuição de produtos na costa ou para importação e exportação de produtos.</p><p>34</p><p>UNIDADE II │ GESTÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS</p><p>Atualmente, um aspecto muito relevante na escolha da localização de uma instalação é o</p><p>posicionamento perto de uma via de escoamento fluvial ou marítimo. Pela grande capacidade dos</p><p>navios atuais, apesar da extrema complexidade das operações náuticas, o deslocamento de grandes</p><p>quantidades de petróleo e derivados por esse modal é sempre significativo, principalmente quando</p><p>voltado para o mercado internacional. Por outro lado, a transferência de pequenos volumes de carga</p><p>torna a utilização do modal hidroviário inviável.</p><p>Um importante tipo de transporte marítimo é o de cabotagem. Este tipo de transporte é aquele</p><p>realizado ao longo da faixa costeira. Hoje, ainda é o que há de mais importante na movimentação</p><p>de cargas no modal hidroviário.</p><p>Atualmente, o número de navios voltados ao mercado nacional de óleo e gás é insuficiente. O</p><p>Sistema Petrobras, em parceria com o Governo Federal, por meio do PAC, deu início à construção</p><p>de 42 novos navios petroleiros. Essa obra é necessária e útil também para a revitalização dos</p><p>estaleiros nacionais, fortalecimento das atividades logísticas, porém torna mais crítica a situação da</p><p>capacidade dos portos nacionais que devem receber tratamento similar com pesados investimentos</p><p>das três esferas de governo.</p><p>Figura 10 – Navio Petroleiro Suezmax</p><p>Fonte: Disponível em: <images.google.com>.</p><p>Os principais tipos de navios utilizados no transporte de óleos e derivados são os navios Suezmax</p><p>(Figura 10), Aframax e Panamax. É fácil perceber que essa classificação é baseada no tipo de percurso</p><p>que o navio terá de percorrer: primeiro está fisicamente preparado para vencer os obstáculos no</p><p>Canal de Suez, o segundo é preparado para percorrer a costa da África, e o último tem a capacidade</p><p>de atravessar, sem problemas, o Canal do Panamá.</p><p>Modal Rodoviário</p><p>O modal rodoviário é o mais comumente utilizado no Brasil. Desde o início, o país investiu</p><p>preponderantemente em estradas para a integração nacional. Assim, a flexibilidade do modal</p><p>rodoviário é maior do que em qualquer outro tipo de modal, possibilitando a chegada das cargas</p><p>aos locais mais remotos do país.</p><p>35</p><p>GESTÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS │ UNIDADE II</p><p>A maior parte da distribuição dos derivados de petróleo no Brasil é feita por modal rodoviário. Os</p><p>caminhões são carregados nos terminais de distribuição e levados a pequenos pontos consumidores</p><p>em praticamente qualquer lugar do país (bombas de abastecimento). Os caminhões tanques,</p><p>atualmente, já podem ser de tanques exclusivos e também de tanques segmentados, que permitem</p><p>o transporte de mais de um produto.</p><p>Hoje, estão em andamento no Brasil 5 projetos de novas refinarias, associados ao advento do pré-sal</p><p>e ao novo marco regulatório,</p><p>além de uma nova planta industrial de fertilizantes que utiliza como</p><p>insumo principal o gás natural. O pacote logístico associado a esses projetos são muito significativos,</p><p>trazendo a perspectiva da construção de novos píeres nos portos, novas hidrovias, novos navios, adição</p><p>de malha ferroviária, novas estradas, além de novas frotas de caminhões tanques.</p><p>Essa demanda força a necessidade de profissionais qualificados para o planejamento e operação da</p><p>estrutura logística do petróleo, gás, álcool e derivados.</p><p>Figura 11 – Caminhão Tanque</p><p>Fonte: Disponível em: <images.google.com>.</p><p>Transporte Intermodal</p><p>Cada meio de transporte oferece uma combinação de vantagens próprias em relação aos aspectos</p><p>de custo, velocidade, disponibilidade e capacidade. Podemos observar que o transporte aéreo é</p><p>caro, rápido, somente é disponível em cidades de maior porte e é útil para o transporte de pequenos</p><p>volumes. Já o transporte marítimo é barato, lento, disponível apenas em cidades portuárias e é</p><p>muito útil para o transporte de volumes grandiosos de produtos. Na utilização de um caminhão, por</p><p>exemplo, é muito mais barato utilizar a modalidade de caminhão cheio do que cargas menores para</p><p>embarcar.</p><p>Quando as entregas são realizadas dentro de espaço geográfico limitado e de percurso simples é</p><p>selecionado apenas um modal de transporte para realizar essa atividade. Por outro lado, quando</p><p>é necessário percorrer longas distâncias para realizar a entrega em um destino determinado é</p><p>comum que se utilize uma combinação de modais de transportes. Essa prática é conhecida como</p><p>transporte intermodal (TAYLOR, 2005).</p><p>36</p><p>UNIDADE II │ GESTÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS</p><p>Por exemplo, a Refinaria do Nordeste está sendo construída próximo ao porto Suape, em Pernambuco.</p><p>Assim, é possível que os combustíveis produzidos devam ser transportados por cabotagem para</p><p>outras regiões do país ou atravessarão o oceano para distribuição. Ao chegar aos portos de destino,</p><p>eles deverão ser entregues aos pontos consumidores por meio de outro modal de transporte, seja</p><p>dutoviário, rodoviário ou ferroviário.</p><p>Usinas buscam alternativas ao modal</p><p>rodoviário</p><p>26/10/2007</p><p>Na falta de dutos e por pouca opção ferroviária, o caminhão garante o escoamento.</p><p>Enquanto não saem do papel os projetos de alcooldutos da Petrobras e das usinas,</p><p>os fabricantes de açúcar e álcool do País buscam no modal ferroviário uma opção</p><p>para reduzir os custos com transporte.</p><p>Na região de Ribeirão Preto, num caso raríssimo, a Usina São Martinho, de Pradópolis,</p><p>filiada à Coopersucar, tem a sorte de receber, dentro de suas instalações, a linha</p><p>férrea da América Latina Logística (ALL). Como consequência, consegue reduzir</p><p>em até 30% o custo do transporte do açúcar e do álcool em comparação com o</p><p>modal rodoviário, que ainda é, de longe, o mais utilizado pelo setor. Em Pradópolis,</p><p>nos vagões da ALL, saem 90% da produção de açúcar e 25% da produção de álcool</p><p>da São Martinho, que, em 2006, atingiram, respectivamente, volumes de 500 mil</p><p>toneladas e 286 milhões de litros.</p><p>O açúcar embarcado em vagões pela Usina São Martinho demora seis dias para chegar</p><p>ao porto de Santos, a 520 quilômetros de distância. Dali, é exportado pela Coopersucar,</p><p>principalmente para os Emirados Árabes. O álcool, no entanto, chega, depois de dois</p><p>dias de viagem, apenas à base de distribuição de Paulínia, a 280 quilômetros, e tem</p><p>como destino somente o mercado doméstico. Segundo a São Martinho, todo o álcool</p><p>para a exportação segue para o porto de Santos exclusivamente via rodoviária, em</p><p>caminhões-tanque cativos, que voltam vazios até a usina.</p><p>Devido às exigências do mercado externo, o álcool não pode conter resíduos de</p><p>hidrocarbonetos, e é por isso que não se usam vagões para exportar o combustível</p><p>nem caminhões que não movimentem outro produto que não o álcool da cana.</p><p>Tanques que movimentaram gasolina ou diesel terão resíduos de hidrocarbonetos</p><p>e não poderão ser usados para transportar álcool cujo destino é o mercado</p><p>externo. “Fizemos até testes de limpeza em vagões, para tentar escoar o álcool</p><p>para exportação via ferroviária, mas não deu certo”, diz Vandualdo Roberto Bigotto,</p><p>gerente de logística da Crystalsev, empresa de Ribeirão Preto que comercializa a</p><p>produção de mais de uma dezena de usinas de São Paulo e Minas Gerais.</p><p>A Crystalsev irá comercializar neste ano 1,5 bilhão de litros de álcool e 2,1 milhões de</p><p>toneladas de açúcar. Para o mercado externo, serão 200 milhões de litros de álcool,</p><p>37</p><p>GESTÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS │ UNIDADE II</p><p>que chegarão aos terminais marítimos pelo modal rodoviário. O açúcar exportado</p><p>pela Crystalsev totaliza 1,4 milhão de toneladas, mas somente 400 mil toneladas, a</p><p>granel, chegarão por trem aos terminais de exportação, via FCA, informa Bigotto.</p><p>“Os vagões que poderiam trabalhar com álcool transportam diesel e gasolina e</p><p>contaminariam com resíduos de hidrocarboneto o álcool”, diz Bigotto. “Temos</p><p>procurado alternativas ao transporte rodoviário, mas o que encontramos são</p><p>dificuldades operacionais. No modal ferroviário, não existe infraestrutura suficiente</p><p>para o transporte de cargas regulares, nem no carregamento, na origem, nem na</p><p>descarga”, afirma o gerente da Crystalsev.</p><p>Um problema, diz Bigotto, é a ausência da possibilidade de transporte ferroviário</p><p>pela bitola estreita, existente nas linhas férreas do interior paulista mas que não dá</p><p>acesso aos terminais de exportação em Santos. A MRS prometeu para o início de</p><p>2008 um terceiro trilho para resolver a questão. Mas a própria empresa informa que</p><p>não transporta álcool nem tem planos de o fazer.</p><p>É unanimidade no setor sucroalcooleiro que a melhor opção para o transporte e</p><p>exportação do álcool são os dutos. A União da Indústria da Cana-de-Açúcar – Unica</p><p>informa que em seis meses deverá concluir estudo com o objetivo de construir</p><p>alcoodutos em parceria com o governo do Estado. A Petrobras, por sua vez,</p><p>informa que, até 2012, junto com parceiros, destinará US$3,4 bilhões à produção,</p><p>armazenamento e ao transporte do combustível. Até lá, a maior parte do transporte</p><p>fica com caminhões.</p><p>Fonte: Gazeta Mercantil – SP – Transportes & Logística.</p><p>Pense como a cadeia de álcool está ligada à cadeia de petróleo e derivados no Brasil.</p><p>Até que ponto é favorável o desenvolvimento da cadeia do álcool combustível para</p><p>não se canibalizar o mercado de derivados? A infraestrutura da cadeia de petróleo</p><p>pode ser utilizada para o melhoramento da cadeia do álcool?</p><p>As respostas a essas questões estão ligadas prioritariamente à sustentabilidade da</p><p>atividade e ao aproveitamento do valor. Talvez o desenvolvimento da atividade</p><p>alcooleira deva ocorrer de forma suave para que todos os recentes recursos de</p><p>petróleo descobertos no Brasil possam gerar o máximo de riqueza possível. Por</p><p>outro lado, o desenvolvimento precisa ocorrer não só na cadeia do álcool como nas</p><p>demais fontes de energia de modo que não sejamos dependentes de um recurso</p><p>esgotável. Assim, a instalação de infraestrutura com capacidade para processar</p><p>outros recursos enérgicos que não só o petróleo deve ser sempre uma alternativa</p><p>considerada.</p><p>38</p><p>CAPÍTULO 3</p><p>Rede de Distribuição da Indústria do</p><p>Petróleo</p><p>Os produtos derivados de petróleo chegam aos consumidores por meio de uma complexa rede de</p><p>distribuição. Essa estrutura de recebimento, armazenamento e distribuição é composta por unidades</p><p>terminais, bases, armazéns e fábricas.</p><p>Para o setor de distribuição da indústria petrolífera, a abertura do mercado ocorrida em 1997</p><p>significou a necessidade de reestruturação em todos os aspectos da logística do setor, com a tendência</p><p>de adaptação ao mercado global, com produtos sendo adquiridos de fornecedores de qualquer parte</p><p>do mundo, contratação de transporte internacional e armazenamento e distribuição interna para o</p><p>consumidor final. (CAMPOS; LOON, 2002)</p><p>A Petrobras Distribuidora é uma subsidiária do Sistema Petrobras responsável pela distribuição</p><p>da maior</p>

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