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Sumário TITULO- MODELO DE APOSTILA .......................................................... 0 PRODUTOS E FLUXOS DE LOGÍSTICA APOSTILA file://///192.168.0.2/V/Pedagogico/GESTÃO/GESTÃO%20DA%20PRODUÇÃO%20E%20LOGÍSTICA%20COM%20HABILITAÇÃO%20EM%20DOCÊNCIA%20NO%20ENSINO%20SUPERIOR/PRODUTOS%20E%20FLUXOS%20DE%20LOGÍSTICA/PRODUTOS%20E%20FLUXOS%20DE%20LOGÍSTICA.docx%23_Toc126929042 1 1 Sumário NOSSA HISTÓRIA .................................................................................. 3 História da Logística ................................................................................ 4 O QUE É LOGÍSTICA .............................................................................. 8 1º fase - Atuação Segmentada........................................................... 12 2º fase - Atuação Rígida ........................................................................ 12 3º fase - Integração Flexível .................................................................. 12 4º fase - Integração Estratégica ............................................................. 13 TIPOS DE MODAIS ............................................................................... 16 Ferroviário .......................................................................................... 17 Rodoviário .......................................................................................... 17 Aéreo .................................................................................................. 18 Aquático (Marítimo, Fluvial e Lacustre) .............................................. 18 Dutoviário ........................................................................................... 19 CARACTERÍSTICAS QUE DIFERENCIAM OS MODAIS DE TRANSPORTE ................................................................................................. 19 Velocidade ......................................................................................... 20 Confiabilidade .................................................................................... 20 Capacidade de Movimentação .............................................................. 21 Disponibilidade ................................................................................... 22 Frequência ......................................................................................... 22 Processos Logísticos ............................................................................. 23 Logística Reversa .................................................................................. 24 Logística reversa e o ciclo de vida dos produtos ................................ 25 Logística reversa e a Cadeia de Suprimentos .................................... 25 Logística Reversa Como desafio Estratégico ..................................... 26 GESTÃO DE ESTOQUES ..................................................................... 26 Classificação dos Estoques ................................................................... 27 Armazenagem e Controle de Materiais.................................................. 29 2 2 Necessidade de Espaço Físico .......................................................... 30 Localização e Tamanho do Depósito ..................................................... 31 Estudos de leiaute ................................................................................. 31 Cuidados na armazenagem ................................................................... 32 REFERÊNCIAS ..................................................................................... 34 3 3 NOSSA HISTÓRIA A nossa história inicia-se com a ideia visionária e da realização do sonho de um grupo de empresários na busca de atender à crescente demanda de cursos de Graduação e Pós-Graduação. E assim foi criado o Instituto, como uma entidade capaz de oferecer serviços educacionais em nível superior. O Instituto tem como objetivo formar cidadão nas diferentes áreas de conhecimento, aptos para a inserção em diversos setores profissionais e para a participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e assim, colaborar na sua formação continuada. Também promover a divulgação de conhecimentos científicos, técnicos e culturais, que constituem patrimônio da humanidade, transmitindo e propagando os saberes através do ensino, utilizando-se de publicações e/ou outras normas de comunicação. Tem como missão oferecer qualidade de ensino, conhecimento e cultura, de forma confiável e eficiente, para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base profissional e ética, primando sempre pela inovação tecnológica, excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. E dessa forma, conquistar o espaço de uma das instituições modelo no país na oferta de cursos de qualidade 4 4 História da Logística Segundo a lenda grega, a Guerra de Tróia começou porque Páris, um dos cinquenta filhos do rei Príamo, de Tróia, raptou a bela Helena, mulher de Menelau, rei de Esparta. Os gregos enviaram um exército para trazê-la de volta e cercaram Tróia durante dez anos; a guerra acaba com o ardil do cavalo de madeira. Os historiadores de hoje encaram o conflito como sendo talvez o último de uma série de guerras comerciais travadas entre os gregos micênicos, do continente, e os troianos, que controlavam o comércio da lã, dos cereais e de outros produtos vindos do Mar Negro através do estreito de Dardanelos. Foi para quebrar esse domínio econômico que os governantes de muitas cidades gregas juntaram seus recursos militares e iniciaram a campanha do outro lado do mar. Os gregos de Homero fazem lembrar os corsários vikings de dois mil anos depois, percorrendo os mares, atacando e pilhando, mas raramente organizando expedições na mesma escala da Guerra de Tróia. Uma rampa encontrada por Schiliemann foi erradamente identificada como o local por onde os troianos teriam arrastado o cavalo por dentro da cidade. Na verdade, o episódio do cavalo é um dos poucos elementos do relato do cerco de Tróia feito por Homero que não poderá ser provado por nenhum achado arqueológico. A Ilíada, de Homero, acaba com a morte de Heitor e os jogos fúnebres em sua honra, muito antes do saque de Tróia, e assim não há qualquer menção ao cavalo. Mas, na Odisséia, o outro poema épico de Homero, o herói Ulisses descreve-o com alguns pormenores. Um relato mais completo chega-nos através de Virgílio, no séc. I a.C., quase 1200 anos após o acontecimento. Os críticos que rejeitam a verdade literal do episódio interpretam diversamente as narrativas clássicas. Para uns, o cavalo seria uma espécie de torres de assédio militar ou aríete (Um aríete é uma antiga máquina de guerra constituída por um forte tronco de freixo ou árvore de madeira resistente, com uma testa de ferro ou de bronze a que se dava em geral a forma da cabeça de carneiro. Os aríetes eram utilizados para romper portas e muralhas). No entanto, 5 5 embora tenha havido cercos na Idade do Bronze, não há provas do uso de engenhos para tais fins. Segundo outros, o fato de Homero se referir aos navios como "cavalos do mar" poderia significar que o "cavalo de madeira" representava a frota grega. Uma explicação possível é a de que o cavalo que os troianos levaram para dentro da cidade foi à forma encontrada por Homero de simbolizar o modo como os troianos contribuíram para a própria destruição. Os egípcios contavam uma história acerca de soldados que se haviam infiltrado numa cidade dentro de sacos, e os habitantes dessa cidade pensaram que se tratava de presentes: a lenda docavalo de Tróia pode ter nascido desse relato. Ao longo da história, as guerras têm sido ganhas ou perdidas também em função do poder e da capacidade logística. Na Segunda Guerra Mundial, a logística teve um papel vital. Entretanto, somente após a Segunda Guerra Mundial é que as empresas industriais começaram a se utilizar o gerenciamento logístico para obter a vantagem competitiva. O clima nesta época era favorável para a implantação de novas práticas administrativas. As atividades logísticas sempre foram administradas pelas empresas. Mas o aperfeiçoamento gerencial da atividade logística surgiu com o agrupamento das atividades relativas ao fluxo de matérias primas, de produtos e serviços para que fossem administradas de forma conjunta. A prática da logística empresarial é bastante recente no Brasil e só começou a ser difundida no início da década de 1990, mas se acelerou a partir de 1994 com a estabilização da economia decorrente do Plano Real. O ambiente altamente inflacionário, combinado com uma economia fechada e com baixo nível de competição, levou as empresas a negligenciarem o uso da administração logística, gerando um hiato significativo em relação às melhores práticas internacionais. A Logística Empresarial associa estudo e administração dos fluxos de bens e serviços e da informação associada que os põe em movimento. Caso fosse viável produzir todos os bens e serviços no ponto onde eles são consumidos, a logística seria pouco importante. Uma região tende a especializar- se na produção daquilo que tiver vantagem econômica para fazê-lo. Isto cria um 6 6 diferencial de tempo e espaço entre matérias primas e produção e entre produção e consumo. Vencer o tempo e a distância na movimentação de materiais de forma eficiente e eficaz é a tarefa do profissional de logística. O Japão, um país com poucos recursos naturais conseguiu através de uma sólida organização logística, ser um grande importador de matérias primas e alimentos e um grande exportador de produtos, competindo em todas as partes do mundo. Na economia mundial, sistemas logísticos eficientes formam bases para o comércio e a manutenção de um alto padrão de vida nos países desenvolvidos. A missão da logística é colocar as mercadorias ou os serviços certos no lugar certo, na hora certa e na condição desejada pelo cliente, ao menor custo. O desenvolvimento histórico da logística empresarial desmembra- se em cinco etapas. A primeira, no início do século XX, teve na economia agrária sua principal sustentação. A principal preocupação era com o transporte para o escoamento da produção agrícola. A segunda, estendendo-se de 1940 até o início da década de 1960, sofreu grande influência militar. Nesse momento, o pensamento logístico estava mais voltado para as questões de transporte e armazenamento. A terceira etapa vai do início da década de 60 até o início da década de 70. Nesse período é que se presencia tanto no ensino quanto na prática da Logística, de um gerenciamento centralizado das atividades de transporte de suprimentos e distribuição, armazenagem, controle de estoques e manuseio de materiais. Esta centralização na administração das atividades logísticas tinha como objetivo a redução do custo total. Um evento chave para o desenvolvimento da logística empresarial foi um estudo conduzido para determinar o papel que o transporte aéreo poderia desempenhar na distribuição física. Esse estudo mostrava que o alto custo do transporte aéreo não necessariamente deteria o uso deste serviço, mas que a chave de sua aceitação deveria ser o seu menor custo total, decorrente da soma das taxas do frete aéreo e do menor custo devido à diminuição dos estoques, conseguido pela maior 7 7 velocidade da movimentação por via aérea. As compensações de custos ao longo dos fluxos logísticos nos dão uma visão da importância do custo total. A quarta, que vai do início da década de 70 até meados da década de 80, corresponde ao “foco no cliente”, com ênfase para a redução de custos. A quinta, que vai de meados de 80 até a presente data, tem ênfase na estratégia, onde se procura colocar a logística como elemento diferenciador. Neste momento, surge o conceito de Supply Chain Management (SCM- Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos), cujo pano de fundo é o avanço da tecnologia da informação. A visão sistêmica da Logística Empresarial está contida na figura 1, onde também podemos visualizar a sua abrangência. O grande desafio da logística está em compatibilizar o custo logístico com o pleno atendimento ao nível de serviço estabelecido. A definição de administração logística pelo Council of Logistics Management é: “O processo de planejamento, implementação e controle do fluxo e armazenamento eficiente e econômico de matérias primas, materiais semiacabados e produtos acabados, bem com as informações a eles relativas, desde o ponto de origem até o ponto de consumo, com o propósito de atender às exigências dos clientes”. Traduzindo este conceito numa linguagem mais simplificada, podemos entender que a logística se propõe a planejar (elaborar o projeto logístico de todo o sistema de abastecimento e escoamento da empresa até o cliente), implementar (implantar o projeto logístico) e gerenciar o projeto, utilizando um eficiente sistema de informações, com o objetivo maior de atender às necessidades dos clientes. Os custos logísticos são fatores fundamentais para o desenvolvimento do intercâmbio e mercadorias entre regiões de um país ou entre países. O comércio entre regiões diferentes será determinado pelas diferenças de custos de produção, que podem compensar os custos logísticos de transporte entre elas. A logística empresarial é composta pelo abastecimento físico, a distribuição física, o sistema de entrada de pedidos e pelo sistema de informações. 8 8 Figura 1: Macro Fluxo. O QUE É LOGÍSTICA Primeiramente, vejamos os conceitos dos principais teóricos da área: Segundo Ballou (1998), a logística empresarial estuda como a administração pode prover melhor nível de rentabilidade nos serviços de distribuição aos clientes e consumidores, através de planejamento, organização e controle efetivo para as atividades de movimentação e armazenagem que visam facilitar o fluxo de produtos. Logística é o processo de planejar, implementar e controlar os fluxos de produtos ou serviços, de informações e financeiro, desde a obtenção das matérias-primas, passando pela fabricação e satisfazendo os clientes em suas necessidades de tipo, tempo e lugar, através da distribuição adequada, com custos, recursos e tempos mínimos (NUNES, 2001, p. 56). A logística se constitui num sistema de distribuição global, formado pelo interrrelacionamento dos diversos segmentos ou setores que a compõem. Compreende a embalagem e a armazenagem, o manuseio, a movimentação e o transporte de um modo geral, a estocagem em trânsito e todo o transporte necessário, a recepção, o acondicionamento e a manipulação final, isto é, até o local de utilização do produto pelo cliente. (MOURA, 1998, p. 51). 9 9 Há muitas definições para conceituar a logística, mas por hora entendemos que a Logística é a ciência que em seu processo planeja, implementa e controla os processos, os estoques, o transporte, as pessoas e que é uma excelente maneira de administração, ela é responsável pelo sucesso das empresas e pelo aumento da lucratividade. Quando se fala em Logística, se fala de um poderoso processo de otimização de suma importância que é indispensável nas organizações de hoje e do amanhã, a princípio ela só está sendo utilizada por empresas que querem ter sucesso, porém nada impede que nós possamos utiliza-la em nossodia a dia, melhorando assim nossa vida e a nossa rotina, mas por hora, vamos focar nas empresas. Antigamente as empresas estavam limitadas a mentalidade de sua época, sendo assim, eram raríssimas as chamadas multinacionais devido à dificuldade de entregar produtos em outros países, porém, quando a segunda guerra mundial acabou, foi a hora exata das empresas da época evoluírem seu pensamento e partir para um próximo nível, o mercado internacional. Figura 2: Fluxo logístico. 10 10 Ao final da segunda guerra mundial, os países envolvidos que ganharam e perderam estavam arrasados, desestruturados e em estado de calamidade, isso porque eles tinham investido muitos recursos na guerra e agora estavam todos endividados, mas, uma nação soube muito bem se aproveitar da situação para fazer negócios, sim a nação dos estados unidos da américa. Aqui vê se de forma bem abrangente como os EUA usaram a Logística ao seu favor para se tornar a nação mais poderosa do mundo, vendendo produtos e serviços em grande escala para a Europa e para as demais nações envolvidas nas grandes guerras, sem falar dos empréstimos com juros absurdos cujo o qual o Brasil também se endividou, desse modo os Americanos dominaram o mercado e ditaram as regras de consumo desse turbulento período negro da história de nosso mundo. Momento da história O que aconteceu no ambiente das organizações. Visão organizacional (Ênfase). Foco da Logística 1950 – 1960 Busca por escala de produção (volume) surge o conceito de lote econômico de fabricação e de compras (LEF e LEC). Redução de custos constantes. Gerenciamento dos inventários (preocupação com estoques). 1960 – 1870 Necessidade de incremento nas vendas surgem os primeiros mercados (mudanças radicais no varejo). Busca de diferenciação pelo serviço ao cliente. Distribuição física (visando criar utilidade espacial). 1970 – 1980 Primeira ‘’ crise do petróleo’’ (1973) movimento de investimento de capitais. Necessidade de obter lucros para remunerar os Capitais. Processo produtivo visando reduzir os tempos de ciclo e minimizando estoques em processo. 11 11 1980 – 1990 Competição acirrada provocada pelo crescimento de participação das empresas japonesas no mercado mundial. Busca na melhoria dos processos produtivos visando certificação da qualidade. Integração dos processos de compras e produção e Distribuição. 1990 – 2000 Incremento da globalização dos mercados Competição baseada em rapidez de Processo de gerenciamento (visando criar terceirização outsourcing questões ambientais. resposta. utilidade temporal). 2000 – Crise no processo de globalização formulação de alianças na cadeia produtiva ampliação de conceitos de responsabilidade. Preocupação com presença local (instalação física próximo aos principais mercados) rapidez de resposta. Processos flexíveis e ágeis. Implantação de sistemas logísticos de resposta rápida. Assim, a logística está presente nas empresas e no nosso dia a dia, se olharmos com atenção, veremos que cada produto ou serviço que compramos possui ou pode ser melhorado com técnicas de otimização. Vivemos em uma época em que a competitividade das empresas atingiu um nível tal que, não é apenas quem chega primeiro que vence o mercado de consumo, mas aqueles que dão um suporte para o cliente na venda e no pós-venda. Essa por sua vez garante que o cliente fico o máximo satisfeito possível, dando assim um feedback positivo e uma garantia de confiança, maior ao cliente final. Em suma, Logística é todo o processo de planejamento, implementação, controle, movimentação, fluxo de informações, gerenciamento de materiais e pessoas etc. 12 12 Nota se que cada vez mais as empresas estão buscando profissionais formadas nessa área para que possam fazer um trabalho diferenciado em todas as áreas, tornando assim a empresa mais preparada para a guerra empresarial que existe nos bastidores do sucesso. No Brasil podemos observar quatro fases bem distintas. Estas veremos abaixo de forma bem sucinta, pontuando suas características principais. 1º fase - Atuação Segmentada Origem na segunda guerra mundial, não havia sofisticados sistemas de comunicação e informática, o estoque era elemento chave para o balanceamento da cadeia de suprimentos (eram geradas grandes quantidades, com frequentes revisões), não havia preocupação com estoques e sim com lotes econômicos para transporte, redução de custo: Guerra de Fretes de cada empresa. 2º fase - Atuação Rígida Iniciou-se na década 70, com a utilização do MRP e MRP II. Os processos produtivos tornaram-se mais flexíveis, com maior variedade Marketing de Produto. Crise do Petróleo o que encareceu a movimentação + Mão de Obra, fazendo-se necessário a racionalização da cadeia de suprimentos, diminuição de custos e aumento da eficiência, Iniciou-se o emprego da multimodalidade no transporte de mercadorias e a introdução da informática. 3º fase - Integração Flexível Início nos anos 80, com os recursos tecnológicos permitindo a integração dinâmica e flexível entre os componentes da cadeia de abastecimento, mas somente em dois níveis, par a par, ou seja, dentro da empresa entre cliente e fornecedor. Utilização do EDI (eletronic data interchance) para intercâmbio eletrônico de dados. Inaugurando um canal que permitia ajustes no processo de fabricação e maior preocupação com a satisfação do cliente. Busca permanente na redução de estoque como elemento de redução de custos. 13 13 4º fase - Integração Estratégica Busca da diferenciação - integração de forma abrangente e cobrindo toda a cadeia de suprimentos. O tratamento das questões logísticas passa a ser estratégico, de fundamental importância para a competitividade. Surgimento de empresas virtuais, utilização da internet e TI. SCM (Supply Chain Management). Segundo Novaes (2004) o sistema logístico, mesmo o mais primitivo, agrega valor de lugar ao produto. O valor de lugar depende, obviamente, do transporte do produto, da fábrica ao depósito, deste à loja, e desta ao consumidor final. Por essa razão, as atividades logísticas nas empresas foram por muito tempo confundidas com transporte e armazenagem. Logística é o processo de planejar, implementar e controlar de maneira eficiente o fluxo e a armazenagem de produtos, bem como os serviços e informações associados, cobrindo desde o ponto de origem até o ponto de consumo, com o objetivo de atender aos requisitos do consumidor. (NOVAES, 2004, p. 35). Na base do moderno conceito de Logística integrada está o entendimento de que a Logística deve ser vista como um instrumento de marketing, uma ferramenta gerencial, capaz de agregar valor por meio dos serviços prestados (FLEURY; WANKE; FIGUEIREDO, 2000). Desta forma, pode-se perceber que toda atividade logística executada pela empresa agrega valor aos seus produtos e serviços. “A Logística começa pelo estudo e a planificação do projeto ou do processo a ser implementado. Uma vez planejado e devidamente aprovado, passa-se à fase de implementação e operação” (NOVAES, 2004, p. 36). A logística é um verdadeiro paradoxo. É, ao mesmo tempo, uma das atividades econômicas mais antigas e um dos conceitos gerenciais mais modernos. No momento em que o homem abandonou a economia extrativista, e deu início às atividades produtivas organizadas, com produção especializada e 14 14 troca de excedentes, surgiram três das mais importantes funções logísticas: estoque, armazenagem e transporte (FLEURY; WANKE; FIGUEIREDO, 2000). No início, a logísticaera confundida com o transporte e a armazenagem de produtos. Hoje, ela pode ser considerada como o ponto nevrálgico da cadeia produtiva integrada, atuando em estreita consonância com o moderno gerenciamento da cadeia de suprimentos (NOVAES, 2004). De maneira similar Dornier (apud LEITE, 2005) logística é a gestão de fluxos entre funções de negócios. Tradicionalmente, as empresas incluíam a simples entrada de matérias-primas ou os fluxos de saída de produtos acabados em sua definição de logística, hoje, no entanto, essa definição expandiu-se e inclui todas as formas de movimentos de produtos e informações. O termo logística evoluiu ao longo do tempo, deixando de ser um simples enfoque operacional para um conceito de gerenciamento da cadeia de abastecimento, sendo hoje considerado um dos elementos fundamentais na estratégia competitiva das empresas. O que vem fazendo da Logística um dos conceitos gerenciais mais modernos são dois conjuntos de mudanças, o primeiro de ordem econômica, e o segundo de ordem tecnológica. As mudanças econômicas criam exigências competitivas, enquanto as mudanças tecnológicas tornam possível o gerenciamento eficiente e eficaz de operações logísticas cada dia mais complexas e demandante (FLEURY, WANKE; FIGUEIREDO, 2000, p. 27). A logística moderna enquanto ao âmbito econômico, cria exigências competitivas, enquanto ao âmbito tecnológico, faz com que seja possível o gerenciamento eficaz e eficiente de operações logísticas cada dia mais complexas. Bowersox e Closs (2001), em concordância com Novaes (2004), descrevem que, antes da década de 50, não havia conceito formal ou se quer teoria sobre logística integrada. Nessa época, a função hoje aceita como logística eram geralmente consideradas como operações de apoio ou de suporte a um centro de custos. Anteriormente logística era considerada como uma atividade essencial, mas que só gerava custos para as empresas. O conceito de logística empresarial 15 15 é bastante recente no Brasil. Segundo Fleury, Wanke e Figueiredo (2000) descrevem que o processo de difusão teve início, de forma ainda fraca, no início dos anos 90, com o processo de abertura comercial, mas se acelerou somente a partir de 1994, com a estabilização econômica. Percebe-se a partir de então, o desenrolar de um processo revolucionário, tanto em termos de práticas empresariais quanto de eficiência, de qualidade e de disponibilidade de infraestruturas de transporte e de comunicações. Leite (2003) conceitua a logística como um processo de planejar, executar, implementar e controlar os fluxos de produtos, de sua origem ao ponto de consumo, com eficiência, atendendo as necessidades dos consumidores. Existem diversas formas de descrever a logísticas, muitos autores já o fizerem em varias oportunidades. Mas independente da forma que a logística for descrita, ela demonstra essencialmente o mesmo princípio: o gerenciamento do fluxo de bens e de serviços do ponto de origem ao de consumo e, em alguns casos, novamente ao ponto de origem (logística reversa). De outra forma, Leite (2003) define a logística empresarial como sendo uma área de crescente interesse com foco principal no fluxo da cadeia produtiva direta que vão das matérias-primas primarias ao consumidor final, desenvolvendo um ambiente de alta concorrência e gerando a concepção de estratégias em todos os setores da organização. A logística empresarial desenvolveu um ambiente de alta concorrência onde às empresas dão um foco principal no fluxo da cadeia produtiva direta para que ela consiga conciliar os desejos e as necessidades de seus consumidores, obtendo o menor custo possível, em prazo adequado, com o intuito de super as expectativas e interesses de seus clientes e fornecedores. Com esse pressuposto, Ballou (2007) ressalta que a logística empresarial procura fornecer aos profissionais uma visão sobre a administração do fluxo de bens e serviços em empresas voltadas ou não para o lucro. Além disso, a logística moderna procura eliminar do processo o que não tem valor, o que acarreta somente em custo e perda de tempo para o cliente. Fazendo necessário o gerenciamento do fluxo de materiais do ponto de aquisição até o consumo, 16 16 atendendo satisfatoriamente o cliente final com produto de alto nível de qualidade e com custos adequados (NOVAES, 2004). Para melhor atender os clientes, às empresas procuram otimizar seus recursos, pois se de um lado deseja-se o aumento de eficiência e a melhoria da qualidade de realização dos produtos e serviços para conquistar uma vantagem competitiva, do outro lado a competição no mercado obriga uma redução contínua de custos. Segundo Bowersox e Closs (2001), logística incluem todas as atividades de movimentação de produtos e a transferência de informações entre os participantes de uma cadeia de suprimento. A logística é responsável pela movimentação e armazenagem de produtos, transporte e manutenção de estoques. Antes do surgimento deste conceito, as empresas possuíam estoques elevados, baixas capacidade de distribuição, consequentemente nem todos os clientes eram atendidos de forma rápida e eficaz (BALLOU, 2007). A logística é uma ferramenta que foi desenvolvida para facilitar as empresas a armazenar e distribuir seus bens e serviços de forma a atender melhor seus clientes. TIPOS DE MODAIS De acordo com Ballou (2007), existem cinco tipos de modais de transportes básicos: o ferroviário, o rodoviário, o aéreo, o aquático e o duto viário. Decisões sobre transportes envolvem seleção de modais, o volume de cada embarque, as rotas e a programação. São decisões sobre as quais pesam fatores como a proximidade, ou distância, entre os armazéns, os clientes e as fábricas. Diversas são as variáveis que entram nesse processo decisório. Cada modal possui características diferentes que determinam sua adequação ao transporte de cargas específicas. Nem todos os tipos de transportes são adequados para todos os tipos de cargas, pois suas características físicas podem limitar as alternativas de transportes. 17 17 Ferroviário Transporte ferroviário é aquele efetuado por vagões, puxados por locomotivas, sobre trilhos e com trajetos devidamente delineados, ou seja, não têm flexibilidade quanto a percursos e estão presos a caminhos únicos, o que pode provocar atrasos na entrega das mercadorias em caso de obstrução da ferrovia. O transporte ferroviário não é tão ágil quanto o rodoviário no acesso às cargas, já que as mesmas devem, em geral, ser levadas até ele. O Brasil tem aproximadamente 30.000 km de ferrovias (contra 150.000 km de rodovias), o que é muito pouco para um país com as nossas dimensões territoriais (BALLOU, 2007). Segundo Alvarenga e Novaes (2000), a utilização do modal ferroviário no Brasil iniciou-se para o deslocamento de grandes massas de produtos homogêneos em distâncias relativamente extensas. Minérios (ferro, maganês), carvão mineral, derivados de petróleo, cereais, em grão, soja, milho entre outros. É diante deste contexto que Bowersox e Closs (2001), afirmam que a capacidade de se transportar de modo eficaz e eficiente em grandes toneladas de produtos por longas distâncias, constitui a principal razão para se utilizar este tipo de modal de transporte. A redução dos custos diante da substituição do vapor por óleo diesel onerou o custo por tonelada-quilômetro das ferrovias. No entanto as operações ferroviárias acarretam altos custos fixos, devido aos equipamentos caros, acesso as suas vias, custos relativos a pátios de manobra e aos terminais. Rodoviário De acordo com Alvarenga e Novaes (2000), o transporte rodoviário é o mais expressivo transporte de cargas do Brasil, atingindo praticamente todos os pontos do territórionacional. Sua expansão foi evidenciada em meados da década de 50 com a implantação da indústria automobilística, além da pavimentação das principais rodovias, que possibilitou sua expansão fazendo com que o transporte rodoviário se tornasse principal modal utilizado no Brasil. Conforme Bowersox e Closs (2001), as características das transportadoras rodoviárias, favorecem as atividades de produção e distribuição. 18 18 Devido sua flexibilidade elas conquistaram praticamente todo o transporte de carga realizado de atacadistas ou de depósitos para varejistas. Os custos do transporte rodoviário não são baixos, especialmente devido ao alto preço dos pedágios e a rede rodoviária brasileira se encontrarem em grande parte deteriorada, ocasionando custos de manutenção da frota além de aumentar o tempo de viagem e entrega da mercadoria (ALVARENGA; NOVAES, 2000). Aéreo Este tipo de modal consiste no transporte realizado por empresas de navegação aérea, por meio de aeronaves de diversos tipos e tamanhos, podendo ocorrer dento do território nacional ou internacionalmente, podendo ser empregado para praticamente todas as cargas, limitando-se, no entanto diante de quantidade e especificação. Através do modal aéreo pode-se atingir qualquer ponto do planeta, sendo esta opção interessante para cargas de alto valor ou de alta perecibilidade, ou amostras; que necessitem chegar rapidamente ao seu destino (BALLOU, 2007). No entanto Alvarenga e Novaes (2000) evidenciam que, o transporte aéreo é significativamente mais elevado que os demais modais, visto que suas taxas sejam superiores em duas vezes se comparado ao transporte rodoviário e dezesseis vezes a mais que o ferroviário. Aquático (Marítimo, Fluvial e Lacustre) Conforme Bowersox e Closs (2001), as vias marítimas e fluviais são o meio de transporte mais antigo. O transporte marítimo é dividido em: • Navegação de longo curso: ligando países próximos ou distantes (navegação internacional); • Navegação de cabotagem: conexão entre os portos de um mesmo país (navegação nacional). Navegação fluvial ou de cabotagem é aquela que ocorre dentro do próprio país ou continente, sendo praticada através de rios. A navegação lacustre ocorre por meio de lagos e tem a característica de ligar cidades e países circunvizinhos. Consiste em um tipo de transporte bastante restrito visto serem poucos os lagos navegáveis. Tanto a navegação fluvial, marítima e lacustre, podem transportar 19 19 qualquer tipo carga, podendo ainda utilizar-se de navios de todos os tipos e tamanhos, desde que a via navegável os comporte (BALLOU, 2007). Alvarenga e Novaes (2000), afirmam que o custo deste tipo de transporte é muito variável, visto que diversos fatores podem influenciar o preço final deste modal, como condições adversas de tempo, valor cobrado por estiva, conferentes, tempo de espera da carga no porto, o que acaba não atraindo o transporte de cargas de valor mais elevado como, eletrodomésticos, produtos eletrônicos, manufaturados em geral entre outros. Dutoviário De acordo com Bowersox e Closs (2001), o transporte por meio de dutos ainda é muito limitado, sendo praticamente utilizados para transportar petróleo e gás natural, produtos químicos manufaturados, materiais secos e pulverizados a granel, como cimento e farinha em suspensão aquosa, além do esgoto e água das cidades. Uma característica das duto vias é que os dutos operam 24 horas por dia, sete dias da semana, com restrições de funcionamento apenas durante mudança do produto transportado e manutenção. No entanto os dutos apresentam o maior custo fixo e menor custo variável entre todos os tipos de transporte. O alto custo fixo é proveniente ao direito do acesso, da construção e da necessidade de controle das estações, além da capacidade de bombeamento. Outra desvantagem ocorre devido à falta de flexibilidade e limitação de produtos transportados por este modal. Ballou (2007), ainda ressalta que a movimentação dos produtos via duto é muito lenta não passando de três a quatro milhas por hora, dependendo do produto. Porém os danos e perdas são reduzidos e o número de riscos que podem afetar uma operação dutoviária é limitada. CARACTERÍSTICAS QUE DIFERENCIAM OS MODAIS DE TRANSPORTE De acordo com Filho (2009, p.143), Os sistemas de transporte apresentam algumas características que podem ser consideradas essenciais para a escolha da forma como se pretende transportar mercadorias ou pessoas 20 20 e que são diferentes para cada um dos modais. Com base no autor, as características são: velocidade, consistência, capacidade de movimentação, disponibilidade e frequência. Seus aspectos serão apresentados detalhadamente na sequência. Velocidade Em relação à velocidade, o modal mais rápido é o transporte aéreo, porém isso deve ser considerado apenas para longas distâncias. Outra característica importante é o fator “custo” que nesse tipo de modal é o mais elevado de todos. A velocidade do modal de transporte está relacionada ao tempo disponível para a entrega dos bens nos prazos combinados e a distância pela qual esses bens serão transportados. Assim, para produtos perecíveis (flores, alimentos, etc.), e para mercadorias que exigem muita rapidez na sua entrega, o modal aéreo pode ser o mais indicado. Figura 3: Comparação entre os modais em função da velocidade. Confiabilidade A confiabilidade é a capacidade de realizar entregas consistentemente, nos prazos acordados como satisfatórios para as partes envolvidas (cliente x fornecedor), a questão da confiabilidade dos transportes é completamente diferente da questão da velocidade. Segundo Filho (2009, p. 145), o modal de menor confiabilidade é o transporte aéreo, pois é extremamente dependente das 21 21 condições climáticas, enquanto que o dutoviário funciona 24/7, ou seja, 24h por dia, 7 dias por semana, independente das condições meteorológicas existentes. Figura 4: Comparação entre os modais em função da Confiabilidade. Capacidade de Movimentação A capacidade de movimentação implica: a capacidade de carregar maiores ou menores volumes em cada um dos modais, considerando-se um único veículo. Assim, os veículos com maior capacidade de movimentação são os disponíveis no modal aquaviários (navios), enquanto que a menor capacidade de carga é apresentada pelo modal dutoviário. Modal ferroviário é o segundo em capacidade de movimentação, em virtude da possibilidade de se montarem composições de cargas, ou seja, em função da quantidade de vagões puxados pela locomotiva. 22 22 Figura 5: Comparação entre os modais em função da Capacidade de movimentação. Disponibilidade A disponibilidade está relacionada à existência de veículos em quantidade suficiente e no momento em que são necessários pelo embarcador. No Brasil o modal com maior quantidade disponível é o rodoviário, seguido do modal ferroviário pelo número de vagões existentes. De acordo com Filho (2009 p. 148), no caso dos dutos, é calculado pela rede de dutos instalada (número de quilômetros existentes) e disponível para utilização por diferentes empresas. Figura 6: Comparação entre os modais em função da disponibilidade. Frequência Em virtude do fato de que os dutos podem funcionar 24 horas por dia, 30 dias por mês, este é o modal com maior frequência de todos, seguido pelo modal rodoviário. Figura 7: Comparação entre os modais em função da frequência. 23 23 Como podemos verificar cada modal apresenta características próprias que os diferenciam uns dos outros. Portanto, para escolha do modal adequado para cada mercadoria,é preciso conhecer bem o sistema logístico da empresa, as mercadorias que se pretende transportar, as condições necessárias, assim como, a área geografia que pretende atuar, para analise adequada sobre velocidade, confiabilidade, capacidade de movimentação, disponibilidade e frequência dos modais. Processos Logísticos Os processos logísticos serão apresentados de acordo com a seguinte classificação: • Processos com ênfase administrativa – há predominância, seja em custos, quantidade de pessoal envolvido e tempo despendido em atividades de planejamento, análise, organização, coordenação e controle, isto é, em atividades administrativas. Vamos incluir os processos de serviço ao cliente, administração de estoques, processamento de pedidos e gestão do fluxo e manutenção de informações, compras, cooperação com a produção/operações e decisão de localização de instalações. • Processos com ênfase operacional – há predominância, seja em custos, infraestrutura, quantidade de pessoal envolvido e tempo despendido em operações junto ao fluxo de materiais da rede logística (Cadeia de Suprimentos). Estão inclusos os processos de transportes, armazenagem, manuseio de materiais e embalagem protetora. • Processos com ênfase nas atividades pós-venda – os processos aqui inclusos referem-se à administração e à operacionalização dos fluxos logísticos após a venda e entrega dos produtos, sendo que muitos deles estão relacionados ao conceito de Logística Reversa. Os processos são: suporte de peças de reposição e serviços; reaproveitamento e remoção de refugos e a administração das devoluções. 24 24 Logística Reversa A Logística Reversa engloba um conjunto de atividades gerenciadas pela empresa determinadas a operacionalizar o destino de embalagens, materiais e produtos (vencidos, defeituosos, defasados, etc.) já utilizados pelo mercado com o objetivo de recolhê-los para reaproveitá-los ou direcioná-los a um destino que não cause impacto à sociedade e ao meio ambiente. Com o avanço da legislação ambiental, de códigos de defesa do consumidor, bem como das certificações de qualidade de classe mundial, as empresas também começam a desenvolver estruturas que comportem ações nesse âmbito, com o intuito de se adequarem a esse novo cenário de desenvolvimento sustentável. Vale e Souza (2014), afirmam que o desenvolvimento sustentável, em sua expressão mais difundida, é um novo tipo de desenvolvimento capaz de manter o processo humano, não apenas em alguns lugares e por alguns anos, mas em todo o planeta e até um futuro longínquo, e que essa definição altera radicalmente a tomada de decisões pelos agentes de desenvolvimento (governantes, empresários, trabalhadores etc.). A logística reversa tem se tornado cada vez mais importante na sociedade e no mercado competitivo. De acordo com Leite (2003, p. 16) a logística reversa trata-se de: “Área da logística empresarial que planeja, opera e controla o fluxo e as informações logísticas correspondentes, do retorno dos bens de pós-venda e pós-consumo ao ciclo de negócios ou ao ciclo produtivo, por meio dos canais de distribuição reversos, agregando-lhes valor de diversas naturezas: econômico, ecológico, de imagem corporativa, entre outros.” LEITE (2003, p. 16) Conforme a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS, lei n: 12.305/2010), a logística reversa é entendida como: 25 25 “Instrumento de desenvolvimento econômico e social caracterizado por um conjunto de ações, procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para reaproveitamento, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou outra destinação final ambientalmente adequada. ” (PNRS) lei n: 12.305/2010. De acordo com Vale e Souza (2014), a logística empresarial se tem valido de técnicas e filosofias empresarias, que visam o aumento da velocidade de respostas e de serviços aos clientes por meio da velocidade do fluxo logístico e da redução dos custos em suas operações, tais como qualidade total, tecnologia da informação, dentre outros. A logística reversa é uma ferramenta estratégica que visa auxiliar as empresas na preservação do meio ambiente, contribuirá para o desenvolvimento econômico e social, além de agregar valor à imagem corporativa. Logística reversa e o ciclo de vida dos produtos Para Vale e Souza (2014), o ciclo de vida de um produto é importante para evitar a adoção de soluções que sejam eficientes em uma determinada fase, mas que possam ser prejudiciais em outra, e a logística reversa, em especial contempla importantes etapas do ciclo de vida, como reparo e reuso reciclagem de matérias e componentes, recuperação e destinação final. Logística reversa e a Cadeia de Suprimentos Nem os bens físicos em si, nem tampouco seus valores são totalmente consumidos após alcançarem o cliente. A fim de capturar esse valor, é necessário um alargamento da perspectiva de cadeia de suprimentos, de modo a incluir novos processos que fazem parte da logística reversa e vários ciclos de tratamento interrelacionado, ligado por interfaces especificas do mercado (ROGERS; TIBBENLEMBKE. 1999). 26 26 Logística Reversa Como desafio Estratégico Para Valle e Souza (2014) as estratégias de sucesso empresarial se defrontam com um novo desafio: a logística reversa como forma de agregação de valor ao negócio e a sociedade. São grandes as exigências que recaem sobre o comportamento dos executivos, porque não se trata somente de olhar a LR como simples extensão do escopo do processo logístico. Mas sim olhar e focalizar a LR, como oportunidade de desenvolvimento de competências, renovação das estratégias e dos valores corporativos. Roberson e Copacino (1994) constroem a argumentação em que a logística contribui para o equilíbrio dinâmico da estratégia corporativa, porque é capaz de conectar funções-chave da organização e, com isso, de promover a aproximação entre a visão global da ação organizacional e as especificidades dos processos que compõem a empresa. GESTÃO DE ESTOQUES Além das questões relacionadas ao nível de serviço, o fluxo de informações na cadeia de suprimentos também influencia diretamente a gestão de estoques global e em cada elo da cadeia, podendo gerar custos adicionais para a empresa ou vantagens competitivas, dependendo do nível de cooperação e troca de informações ao longo da cadeia de suprimentos. Bowersox e Closs (2001) consideram que o gerenciamento de estoques é o processo pelo qual são obedecidas as políticas da empresa e da cadeia de valor com relação aos estoques. A abordagem reativa usa as demandas dos clientes para deslocar os produtos por meio dos canais de distribuição. A abordagem de planejamento projeta a movimentação e o destino dos produtos por meio dos canais de distribuição, em conformidade com a demanda projetada e disponibilidade de produtos. Uma terceira abordagem é uma combinação das duas primeiras, resultando em uma filosofia de gerenciamento de estoques que responde aos ambientes de mercado e dos produtos. 27 27 Bowersox e Closs (2001) afirmam também que o gerenciamento de estoque desempenha papel preponderante no conjunto de esforços da operação logística para atingir os objetivos de serviço estabelecidos e que a falta de metodologias mais sofisticadas para a apuração dos custos de manter estoques torna difícil avaliar o “trade-off” entre níveis de serviço, eficiência das operações e níveis de estoque. Dessa forma, a maioria das empresas mantém estoque médio que excede suas necessidades normais. A despeito dessa realidade, Bowersox e Closs (2001) destacam que ainda existem muitas oportunidades paramelhorar a “produtividade” do estoque. Essas oportunidades derivam da capacidade que as cadeias de suprimento integradas têm com o intercâmbio de informações e do esforço gerencial para reduzir incertezas nas demandas e tempos do ciclo de processamento. Além das questões óbvias de custos, a manutenção de altos níveis de estoque pode mascarar diversas questões, tais como problemas de produtividade, treinamento, qualidade, tempo de entrega dos fornecedores, entre outros. Ballou (2001) cita as seguintes razões contra a manutenção de estoques: absorvem capital que poderia ser destinado a usos melhores como aumentar a produtividade ou a competitividade; podem mascarar problemas de qualidade e de operações; não incentivam o planejamento e decisões integradas entre os diversos elos da cadeia. Classificação dos Estoques O estoque de matéria-prima diz respeito aos produtos que serão insumos para a produção dos produtos finais. Assim, a organização tem as matérias- primas, as peças e as embalagens que serão usadas no processo produtivo. Os estoques em processo de produção, work in progress, ocorrem em indústrias que possuem sua linha de produção em série, na qual uma célula produz um produto semiacabado que entra na produção da segunda célula e assim por diante. Esses produtos semiacabados são denominados de estoques em processo de produção. 28 28 O estoque de produtos acabados refere-se ao produto final da produção de uma organização. Nem sempre o volume produzido está totalmente vendido, gerando, assim, um estoque de produtos acabados. O estoque de peças de reposição pode ser visto como a necessidade de as organizações manterem estoque mínimo de peças de reposição para as suas máquinas a fim de se evitar paradas de produção. O estoque de trabalho refere-se ao que está disponível nos depósitos de distribuição para atender à demanda real que a organização possui e tem de entregar para os seus consumidores. O estoque de ciclo de produção refere-se ao estoque necessário de suprimentos para atender à demanda de produção em razão do lote de produção e do volume de produção que a organização está trabalhando O estoque no canal de distribuição refere-se aos produtos acabados que estão em trânsito para serem entregues aos clientes, estacionados em um armazém ou circulando dentro de um veículo de transporte. Os Estoques de Segurança (ESs) podem ocorrer para suprimentos ou para produtos acabados. No suprimento, normalmente, o Estoque de Segurança (ES) é gerado em razão das incertezas do tempo de entrega dos produtos adquiridos. Essa incerteza pode ser causada por um fornecedor que não seja muito confiável ou por um sistema de transporte pouco confiável. Níveis altos de ES sugerem uma análise da carteira de fornecedores, visando a troca de fornecedores pouco confiáveis para aqueles de alta confiabilidade, mesmo que eles possam ser um pouco mais caros, pois a diferença de preço pode ser justificada pela diminuição do volume de ES. Na mesma linha, você pode analisar o sistema de transporte para suprimento, no qual as organizações de transporte não confiáveis têm custos de fretes mais baixos, mas por causa de sua baixa eficiência podem gerar estoques de segurança. Esse estoque gerado pode, eventualmente, justificar a troca do transportador atual, mais barato, por um transportador mais eficiente que cobre 29 29 frete maior, uma vez que o custo do frete acaba ficando menor do que o custo do ES gerado. O estoque de especulação é gerado com vistas ao aumento do preço de mercado do produto em um horizonte estabelecido para especulação. No Brasil, essa é uma situação de grande deficiência, pois a falta de armazéns faz com que as organizações sejam obrigadas a vender quase a totalidade de sua safra de soja no momento da colheita, quando a oferta é grande e, consequentemente, os preços são mais baixos. Se existissem mais armazéns no Brasil, as organizações poderiam armazenar a soja colhida no período da safra e vendê- la somente no período da entressafra, quando os estoques são menores e, consequentemente, os preços aumentam consideravelmente. O estoque para sazonalidade pode ser definido como o estoque gerado durante o período de baixa demanda para ser consumido no período de alta demanda. Dessa forma, as organizações podem ser dimensionadas para níveis de produção menores e podem manter o quadro de pessoal estável. Por exemplo, a produção de ovos de páscoa, que inicia em agosto/setembro de um ano e gera estoques para serem consumidos no mês de março ou abril do ano seguinte, período da páscoa. O pavor de toda organização e de toda área de logística é ter estoque obsoleto, ou morto. Esse tipo de estoque é considerado perdido, em razão de o produto ter sido roubado, deteriorado ou saído de produção por não conseguir mais colocação no mercado. Armazenagem e Controle de Materiais Armazenagem, manuseio e controle de materiais são considerados componentes essenciais do sistema logístico e seus custos podem representar de 10% a 40% das despesas logísticas de uma organização. Assim, a seleção desses locais de armazenagem tem papel importante no custo dessas atividades. Atualmente, a maioria das organizações está buscando eliminar etapas dentro do processo de distribuição. Com isso, estão buscando também a 30 30 redução de estoques, como você já aprendeu na unidade anterior. Porém, quando não é possível eliminar a estocagem de materiais, a alternativa é buscar a redução dos estoques. Os elevados estoques de matérias-primas, materiais em processo e produtos acabados agregam custos operacionais ao produto e aumentam os custos da organização. Nessa perspectiva por redução dos estoques e dos custos, muitas organizações estão, na prática, utilizando os princípios da filosofia japonesa JIT (just-in-time). De modo resumido, o just-in-time é o ajuste de suprimentos e demanda no tempo e na quantidade certa em que são necessitados. Possibilita, portanto, a redução e até mesmo a eliminação de estoques. Para que o sistema funcione bem, é necessário que se conheça bem a demanda existente por produtos e materiais e que se tenha um quadro confiável de fornecedores. Porém, existem situações que demandam a necessidade de manutenção de grandes estoques, como por exemplo descontos em compras em grandes quantidades e necessidade de importação de materiais que exijam longo tempo de transporte. Necessidade de Espaço Físico O primeiro questionamento que as organizações devem fazer é se existe a necessidade ou não de espaço físico para estocagem de materiais. Na prática, como é difícil estimar com precisão o nível de demanda por produto e garantir um perfeito sistema de aquisição de materiais, existe a necessidade de armazenamento de materiais. Assim, os estoques servem para melhorar a coordenação entre a oferta e a demanda existente na organização. Algumas decisões logísticas devem considerar as variáveis referentes à localização das instalações, como: • quantidade, tamanho e localização das instalações; • designação de pontos de estocagem para os pontos de fornecimento; • designação de demanda para pontos de estocagem ou de fornecimento; • armazenagem pública ou privada. 31 31 Localização e Tamanho do Depósito A partir do momento em que é verificada a necessidade de estocagem de materiais, deve-se tomar a decisão sobre a localização desse ambiente, bem como sobre o seu tamanho. Para ajudar nesse processo de seleção do local do depósito, alguns fatores devem ser analisados. • comportamento do governo local e da comunidade de entorno com relação à implantação do depósito; • custo para preparação do terreno e da construção;• facilidade dos serviços de transporte; • potencial para ampliação • disponibilidade de mão-de-obra próxima; • condições de segurança; • sistema viário. Com relação ao tamanho do edifício, o espaço requerido deverá atender ao nível máximo de estoque para um período específico, conforme avaliação da demanda. Esse armazém ou depósito também pode receber o nome de central de distribuição. Estudos de leiaute Qualquer estudo para alteração de leiaute de uma organização ou depósito deve considerar que a redução de custos também é um objetivo a ser alcançado. Assim, as alterações de leiaute buscam: • redução do desperdício de mão-de-obra encarregada do transporte; • melhoria das condições ergonômicas de trabalho; • melhoria das condições de segurança para realização das atividades; • aumento do volume de produção dentro da área disponível; • melhoria da disposição de equipamentos e • maquinário e de pontos de estocagem. 32 32 Existem algumas ações que podem contribuir para a otimização do espaço físico da organização, como: • traçar os fluxos dos processos mais importantes desenvolvidos na organização; • avaliar a política de abastecimento de materiais e matérias-primas, a fim de tentar reduzir estoques e ganhar espaço nos almoxarifados; • avaliar a política de armazenamento de materiais e bens permanentes, a fim de tentar reduzir estoques e ganhar espaço em outras áreas; • melhorar o aproveitamento vertical dos ambientes, principalmente os destinados à estocagem de materiais; • estudar a locação de depósitos auxiliares para armazenamento de materiais e bens permanentes; • fazer depósitos subterrâneos para combustíveis e demais líquidos, se possível e necessário; avaliar a possibilidade de construção de mezaninos, para melhor aproveitamento do espaço existente; • utilizar estruturas que possam ser reaproveitadas em outros setores da organização ou mesmo, em outras unidades; • evitar desperdícios como obsolescência, roubos, depreciação e extravio, entre outros Cuidados na armazenagem A armazenagem compreende a guarda, conservação, segurança e preservação do material adquirido. Assim, devem-se tomar alguns cuidados: • os materiais devem ser resguardados contra furto ou roubo e protegidos contra a ação dos perigos mecânicos, ameaças climáticas, bem como de animais daninhos; • os materiais estocados há mais tempo devem ser fornecidos em primeiro lugar (PEPS – Primeiro a Entrar, Primeiro a Sair), com a finalidade de evitar o envelhecimento do estoque, os materiais devem ser estocados de modo a possibilitar uma fácil inspeção e um rápido inventário; 33 33 • os materiais que possuem grande movimentação devem ser estocados em lugar de fácil acesso e próximo das áreas de expedição. Materiais que possuem pequena movimentação devem ser estocados em local mais afastado das áreas de expedição; • os materiais jamais devem ser estocados em contato direto com o piso. É preciso utilizar corretamente os acessórios de estocagem para protegê- los; • a disposição dos materiais não deve obstruir o acesso às saídas de emergência, aos equipamentos de prevenção de incêndio ou à circulação de pessoal especializado para o combate de sinistros; • os materiais da mesma classe devem ser concentrados em locais adjacentes, a fim de facilitar a movimentação e o inventário; • os materiais pesados e/ou volumosos devem ser estocados nas partes inferiores das estantes e estrados (pallets), a fim de eliminar os riscos de acidentes e avarias, facilitando a movimentação; • os materiais devem ser conservados nas embalagens originais e somente abertos quando houver necessidade de fornecimento parcelado ou por ocasião da sua utilização; • a disposição dos materiais deve ser feita de modo a manter a face de embalagem (ou etiqueta) voltada para o lado de acesso ao local de armazenagem, contendo a marcação do item de modo a permitir a fácil e rápida leitura da identificação e das demais informações registradas; • quanto ao material a ser empilhado, deve-se atentar para a segurança e altura das pilhas, a fim de não afetar sua qualidade e o seu arejamento; • os corredores de circulação, leiaute e portas de acesso do ambiente deverão ser projetados de forma a garantir a perfeita circulação das pessoas e dos equipamentos de transporte e o adequado armazenamento dos materiais, bem como, o respeito às normas de segurança; • quando se tratar de armazenagem de alimentos, seja para consumo humano ou animal, deverão ser seguidas normas específicas, estabelecidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). O 34 34 mesmo procedimento deve-se ter para medicamentos, produtos tóxicos e inflamáveis. Os cuidados devem ser observados, desde a aquisição até a liberação para uso; • com relação ao aspecto da segurança do trabalho para o transporte e manuseio de cargas devem ser observadas as orientações da Norma Regulamentadora no 11 (NR-11). REFERÊNCIAS AUSTIN, James. Questões-chave para análise de relações de parceria. [2007]. Disponível em: . Acesso em: 9 dez. 2015. AZEVEDO, Jovane Medina. Cadeia de abastecimento no Comércio Eletrônico sob a ótica de redes flexíveis: um método de estruturação. 2002. 289 f. Tese (Doutorado em Engenharia de Produção) – Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2002. Gerenciamento da cadeia de suprimentos/logística empresarial. 5. ed. Porto Alegre: Bookman, 2001. 35 35 BOWERSOX, Donald J.; CLOSS, David J. COOPER, M. Bixby. Logística empresarial: o processo de integração da cadeia de suprimento. 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