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<p>REVISÃO N1 - HAM IV - PED</p><p>CONSULTA DO ADOLESCENTE</p><p>Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), adolescência compreende o período de vida entre 10</p><p>e 20 anos incompletos.</p><p>Existem três grandes desafios no exercício da medicina do adolescente:</p><p>1. Propiciar tanto ao adolescente típico como ao cronicamente doente o máximo em termos de</p><p>crescimento e desenvolvimento;</p><p>2. Detecção precoce das doenças crônicas da vida adulta, pois isso propiciará o melhor</p><p>enfrentamento;</p><p>3. Responsabilidade por educar os adolescentes e jovens, que serão os adultos de amanhã.</p><p>- Adolescentes a partir dos 12 anos podem ser atendidos sem a presença dos pais ou responsáveis,</p><p>sendo-lhes garantidos o sigilo, a confidencialidade e a execução dos procedimentos diagnósticos e</p><p>terapêuticos necessários.</p><p>- Quebra do sigilo, quando se fizer necessária, deverá ser realizada com o conhecimento dos(as)</p><p>adolescentes.</p><p>- A anamnese pode ser dividida em 3 momentos: entrevista com paciente e familiares juntos, entrevista</p><p>com o paciente a sós e retorno dos responsáveis à consulta</p><p>HELLEN CAROLINE - MED T35 - SÃO LUCAS - PORTO VELHO-RO 2024.1</p><p>- Esta entrevista é feita apenas com o adolescente, pelo menos uma vez por ano ou sempre que houver</p><p>indícios de algum fato estressante recente, ou precipitante da consulta.</p><p>DECLARAÇÃO DE NASCIDO VIVO</p><p>A Declaração de Nascido Vivo (DN) é documento padronizado pelo Ministério da Saúde e de uso</p><p>obrigatório em todo o território nacional para ocorrer o registro civil da criança. Formulários são</p><p>pré-numerados, apresentados em três vias e devem ser preenchidos para todos os nascidos vivos.</p><p>- VIA BRANCA – Conforme o responsável pela emissão da DN, seguirá o fluxo descrito abaixo:</p><p>➔ Estabelecimentos de Saúde que realizam partos, enviar para Supervisão Técnica de Saúde</p><p>de sua região.</p><p>➔ Cartórios de Registro Civil da capital e profissionais cadastrados que prestam assistência</p><p>nos partos domiciliares, encaminhar para Gerência do SINASC.</p><p>- VIA AMARELA – Entregar ao pai ou responsável legal para assentamento do nascimento em</p><p>cartório e obtenção da certidão de nascimento.</p><p>- VIA ROSA – Arquivar no prontuário da gestante ou do recém-nascido.</p><p>HELLEN CAROLINE - MED T35 - SÃO LUCAS - PORTO VELHO-RO 2024.1</p><p>QUEM DEVE PREENCHER A DNV? Pessoa previamente treinada para esse fim: enfermeiro, membro da</p><p>equipe de enfermagem, médico ou profissional da área administrativa.</p><p>QUANDO PREENCHER A DNV? Recomendamos que o preenchimento da DN aconteça, no mínimo,</p><p>após a segunda avaliação do RN realizada pelo neonatologista, que ocorre geralmente 6 horas após o</p><p>nascimento ou, próximo à alta da mãe. Nos casos de óbito prematuro, agilizar o preenchimento para</p><p>facilitar o fluxo de documentos.</p><p>COMO PREENCHER A DNV? A DNV é preenchida em blocos, sendo eles:</p><p>Bloco I. Identificação do recém-nascido</p><p>Bloco II. Local da ocorrência</p><p>Bloco III. Parturiente</p><p>Bloco IV. Responsável legal</p><p>Bloco V. Gestação e parto</p><p>Bloco VI. Anomalia congênita</p><p>Bloco VII. Preenchimento</p><p>Bloco VIII. Cartório</p><p>APGAR</p><p>É um dos métodos mais utilizados para a avaliação imediata do recém-nascido (RN), principalmente, no</p><p>primeiro e no quinto minutos de vida. O teste foi desenvolvido para avaliar 5 sinais objetivos do</p><p>recém-nascido, atribuindo a cada sinal uma pontuação de 0 a 2. Os sinais avaliados são:</p><p>● Coloração da pele;</p><p>● Pulso;</p><p>● Irritabilidade reflexa;</p><p>● Esforço respiratório;</p><p>● Tônus muscular.</p><p>HELLEN CAROLINE - MED T35 - SÃO LUCAS - PORTO VELHO-RO 2024.1</p><p>O somatório da pontuação (no mínimo 0 e no máximo 10) resultará no Escore de Apgar.</p><p>INGESTÃO DE CORPO ESTRANHO</p><p>- Entre 6 meses e 6 anos, pico entre 1-2 anos</p><p>SINTOMAS DA INGESTÃO</p><p>• ESÔFAGO: assintomáticos ou podem apresentar recusa alimentar, disfagia, sialorreia ou sintomas</p><p>respiratórios, incluindo sibilos, estridor ou asfixia. As crianças mais velhas podem localizar a sensação de</p><p>algo preso no pescoço ou na parte inferior do tórax.</p><p>• ESTÔMAGO: objetos que atingem o estômago são tipicamente assintomáticos, a menos que sejam</p><p>grandes o suficiente para causar obstrução da saída gástrica, que pode apresentar vômitos e/ou recusa</p><p>alimentar.</p><p>• INTESTINO: objetos que passam além do piloro e entram nos intestinos geralmente são assintomáticos</p><p>e passam espontaneamente. Ocasionalmente, eles podem ficar retidos no trato gastrointestinal distal,</p><p>onde podem causar complicações tardias.</p><p>HELLEN CAROLINE - MED T35 - SÃO LUCAS - PORTO VELHO-RO 2024.1</p><p>AVALIAÇÃO DIAGNÓSTICA</p><p>- RADIOGRAFIA SIMPLES: Radiografia de cervical, tórax e abdome em ap e perfil está indicada para</p><p>todos os pacientes com suspeita da ingesta de corpo estranho radiopaco.</p><p>- ENDOSCOPIA DIGESTIVA: o exame endoscópico pode ser diagnóstico, nos casos de ingestões de</p><p>corpos estranhos radio transparentes ou não relatadas, e terapêutico, para a retirada do corpo</p><p>estranho. O tempo necessário para realização pode ser dividido em categoria</p><p>● Emergente ( 24 horas).</p><p>- TC DE TÓRAX: esse exame pode ser útil em alguns casos específicos, estando indicado nas seguintes</p><p>situações:</p><p>a) suspeita clínica de ingestão de corpos estranhos radio transparentes.</p><p>b) suspeita de complicações, como perfuração, peritonite e mediastinite.</p><p>c) auxílio no diagnóstico diferencial.</p><p>HELLEN CAROLINE - MED T35 - SÃO LUCAS - PORTO VELHO-RO 2024.1</p><p>CONSTIPAÇÃO</p><p>Constipação intestinal é um distúrbio gastrintestinal frequente em crianças e é a causa mais comum de</p><p>dor abdominal em pacientes levados ao serviço de emergência pediátricos.</p><p>ANAMNESE: A anamnese da constipação intestinal deve incluir informações sobre:</p><p>• Frequência e consistência das fezes;</p><p>• Tipo das fezes (a escala de Bristol é útil);</p><p>HELLEN CAROLINE - MED T35 - SÃO LUCAS - PORTO VELHO-RO 2024.1</p><p>• Comportamento de retenção, dor ou esforço para evacuar;</p><p>• Presença de sangue nas fezes e frequência de incontinência fecal;</p><p>• Presença de dor abdominal;</p><p>• Presença de sintomas urinários associados.</p><p>• Hábitos alimentares</p><p>• Fatores desencadeantes</p><p>EXAME FÍSICO</p><p>- Deve-se realizar inspeção abdominal para avaliar presença ou não de distensão abdominal.</p><p>- Nos pacientes com constipação intestinal funcional, geralmente a presença de massa abdominal</p><p>palpável é mais comumente localizada no quadrante inferior esquerdo e na região suprapúbica.</p><p>- A realização do toque retal é essencial para excluir estenose retal, avaliar o tônus esfincteriano e a</p><p>presença ou não de fezes na ampola retal.</p><p>- Nos pacientes com constipação intestinal funcional e incontinência fecal por retenção, o toque retal</p><p>geralmente detecta ampola retal ampla, preenchida por fezes endurecidas.</p><p>- Avaliar presença de reflexos próprios dos membros.</p><p>HELLEN CAROLINE - MED T35 - SÃO LUCAS - PORTO VELHO-RO 2024.1</p><p>DIARREIA</p><p>A OMS define diarreia como “a mudança do hábito intestinal caracterizada pela ocorrência de eliminação</p><p>de três ou mais evacuações menos consistentes, ou líquidas” por dia. É Classificada em categorias:</p><p>● Aguda: Pode durar até 14 dias e determina perda de grande volume de fluidos.</p><p>● Persistente: Quadro diarreico que se estende por 14 a 30 dias.</p><p>● Crônica: Duração superior a 30 dias.</p><p>● Disenteria: Presença de muco e sangue nas fezes, representando lesão na mucosa intestinal.</p><p>A diarreia aguda pode ter causas infecciosas e não infecciosas. Mundialmente, as causas infecciosas</p><p>apresentam maior prevalência e impacto na saúde das crianças, principalmente nas menores de cinco</p><p>anos. Os quadros de origem infecciosa têm como principais agentes os vírus, as bactérias e os</p><p>protozoários.</p><p>- VIRAIS:</p><p>➔ Rotavírus é a principal causa de diarreia aguda, sendo o agente mais frequente de diarreia grave</p><p>em crianças menores de cinco anos de idade.</p><p>➔ Os norovírus são os principais agentes de surtos epidêmicos de gastroenterites virais transmitidos</p><p>por água ou alimentos.</p><p>➔ Os astrovírus e adenovírus podem aparecer como causa de diarreia viral na infância, porem em</p><p>menor prevalência.</p><p>- PARASITÁRIAS: Os agentes parasitários mais frequentemente envolvidos na etiologia</p><p>da diarreia</p><p>aguda são: Cryptosporidium parvum, Giardia intestinalis, Entamoeba histolytica e Cyclospora</p><p>cayetanensis.</p><p>- BACTERIANAS</p><p>HELLEN CAROLINE - MED T35 - SÃO LUCAS - PORTO VELHO-RO 2024.1</p><p>EXAMES LABORATORIAIS: Os exames laboratoriais não são indicados nos quadros leves, mas podem</p><p>ser úteis nos casos moderados de difícil abordagem ou nos quadros graves. Devem ser</p><p>preferencialmente colhidos após o paciente receber volume de expansão.</p><p>- Ionograma; gasometria; pesquisa de leucócitos, sangue, parasitos e substâncias redutoras nas</p><p>fezes. O diagnóstico das causas etiológicas pode ser realizado por exames parasitológicos de</p><p>fezes, coprocultura e pesquisa de vírus</p><p>AVALIAÇÃO CLÍNICA: A principal causa de desidratação nas crianças, principalmente nos primeiros 2</p><p>anos de vida, consiste em diarreia aguda infecciosa.</p><p>- Umidade das mucosas: Verificar volume de saliva, presença de lagrimas, superfície da língua.</p><p>- Elasticidade e turgor da pele: Verificar velocidade com que a pele retorna para sua posição de origem.</p><p>Para avaliar turgor, faz-se uma prega englobando pele, tecido subcutâneo e músculo e observa-se a</p><p>consistência dos tecidos.</p><p>- Perfusão de extremidades: Comprimir a mão ou o pé da criança por 15 segundos, descomprimir e</p><p>observar quanto tempo a coloração leva para retomar o normal.</p><p>- Pulsos: Verificar ritmo, frequência e amplitude.</p><p>- Diurese: Quantificar debito urinário;</p><p>- Enoftalmia: Redução de líquido no tecido retro ocular.</p><p>- Peso: Correlacionar com a % da desidratação.</p><p>HELLEN CAROLINE - MED T35 - SÃO LUCAS - PORTO VELHO-RO 2024.1</p><p>ICTERICIA NA INFÂNCIA</p><p>A icterícia é um dos sinais mais frequentes no período neonatal e apresenta-se como a coloração</p><p>amarelada da pele, esclera e membranas mucosas, indicando aumento da bilirrubina sérica com acúmulo</p><p>de bilirrubina nos tecidos. A icterícia aparece em cerca de 60% dos recém-nascidos (RN) a termo e 80%</p><p>dos RN pré-termos na primeira semana de vida.</p><p>- Por definição, hiperbilirrubinemia não conjugada consiste na BI => 2 mg/dl, enquanto</p><p>hiperbilirrubinemia conjugada consiste na BD => 1mg/dl.</p><p>ICTERÍCIA FISIOLÓGICA (AUMENTO DA BILIRRUBINA INDIRETA): Decorre da limitação do</p><p>metabolismo da bilirrubina.</p><p>- Produção exagerada</p><p>- Captação e conjugação deficiente</p><p>- Aumento da circulação entero-hepática</p><p>FATORES DE RISCO DE HIPERBILIRRUBINEMIA</p><p>- Icterícia nas primeiras 24 horas de vida</p><p>- Incompatibilidade ABO/Rh</p><p>- IG de 35 a 37 semanas</p><p>- Clampeamento tardio do cordão umbilical</p><p>- Dificuldade de aleitamento materno</p><p>- Irmão com icterícia tratado com fototerapia</p><p>- Mãe diabética</p><p>- Presença de cefalo-hematomas</p><p>- Icterícia com duração superior a 2 semanas</p><p>AVALIAÇÃO LABORATORIAL (SÓ SOLICITA NO CASO DE ZONA ≥ 3 + FATOR DE RISCO)</p><p>• Hemograma com reticulócitos</p><p>• Bilirrubina total e frações</p><p>• Tipagem sanguínea e fator Rh</p><p>• Teste de coombs direto e indireto</p><p>• Hormônios da tireoide e deficiência de G6PD</p><p>• Síndrome colestatica x síndrome hepatocelular (TGO / TGP / Fosfatase alcalina e Gama GT).</p><p>ETIOLOGIA HIPERBILIRRUBINEMIA INDIRETA</p><p>HELLEN CAROLINE - MED T35 - SÃO LUCAS - PORTO VELHO-RO 2024.1</p><p>ITU</p><p>A infecção do trato urinário (ITU) é definida pela presença de um germe patogênico único no sistema</p><p>urinário, associada a processo inflamatório sintomático. Os picos de incidência ocorrem no lactente, na</p><p>segunda infância e na adolescência.</p><p>HELLEN CAROLINE - MED T35 - SÃO LUCAS - PORTO VELHO-RO 2024.1</p><p>EXAME FÍSICO NA ITU</p><p>• EXAME DOS RINS. O exame físico do sistema urinário deve começar pela inspeção do abdome, dos</p><p>flancos e das costas, estando o paciente sentado. Em seguida, deve fazer a palpação e a compressão</p><p>dos ângulos costovertebrais. Posteriormente, efetua-se a percussão com a face interna da mão fechada,</p><p>chamada “punho percussão”. (GIORDANO)</p><p>• EXAME DOS URETERES E BEXIGA. Pela palpação profunda da parede abdominal anterior podem se</p><p>determinar dois pontos dolorosos quando existe infecção ou obstrução dos ureteres. A bexiga vazia não é</p><p>palpável, porém pode haver hipersensibilidade na área suprapúbica ao se fazer a palpação.</p><p>• EXAME GENITURINÁRIO. Descartar possibilidades de má formações que servem como fatores de</p><p>risco para ITU.</p><p>AVALIAÇÃO CLÍNICA ITU</p><p>EXAMES COMPLEMENTARES ITU EAS E UROCULTURA</p><p>• Nos pacientes com controle miccional, o jato médio é o modo ideal de coleta de urina para ambos os</p><p>sexos.</p><p>• Naqueles sem controle miccional, a urina pode ser coletada de três maneiras:</p><p>- Saco coletor</p><p>- Punção suprapúbica (PSP)</p><p>- Sonda vesical</p><p>- Cateterismo vesical</p><p>HELLEN CAROLINE - MED T35 - SÃO LUCAS - PORTO VELHO-RO 2024.1</p><p>INTUSSUSCEPÇÃO EM PEDIATRIA</p><p>A intussuscepção refere-se à invaginação de uma parte do intestino para dentro dela mesma.</p><p>O pico de incidência ocorre entre 3 meses e 2 anos de idade. A maioria dos episódios ocorre em crianças</p><p>saudáveis e bem nutridas. Parece ter leve predominância masculina, com proporção homem : mulher de</p><p>aproximadamente 3:2. A intussuscepção ileocólica envolve a junção ileocecal e é responsável por 90% de</p><p>todos os casos</p><p>DIAGNÓSTICO: A ultrassonografia é o método de escolha para detectar intussuscepção em muitas</p><p>instituições. A sensibilidade e especificidade desta técnica se aproxima de 100%. Para a intussuscepção</p><p>ileocólica, o tipo mais comum, o “sinal alvo” geralmente está no quadrante inferior direito</p><p>HELLEN CAROLINE - MED T35 - SÃO LUCAS - PORTO VELHO-RO 2024.1</p>