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<p>E-Book</p><p>PRÁTICAS</p><p>PEDAGÓGICAS V</p><p>COMUNIDADES</p><p>PRÁTICAS PEDAGÓDICAS V COMUNIDADES</p><p>2</p><p>SUMÁRIO</p><p>UNIDADE I .................................................................................................................... 4</p><p>CARACTERIZAÇÃO DA PEDAGOGIA SOCIAL ................................................................ 5</p><p>1.1 CONCEITOS DE PEDAGOGIA SOCIAL ................................................................... 5</p><p>1.1.1 As dimensões da Pedagogia Social .................................................................. 7</p><p>1.2 EDUCADOR SOCIAL ........................................................................................... 7</p><p>1.2.1 O Educador Social: Sua função e suas Habilidades Teóricas/Metodológicas .... 7</p><p>1.3 PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO (PPP) .......................................................... 10</p><p>1.3.1 Conhecendo o Projeto Político Pedagógico e seus objetivos .......................... 10</p><p>1.3.2 Da importância do PPP ................................................................................. 10</p><p>1.4 O PAPEL DA PESQUISA-AÇÃO .......................................................................... 11</p><p>1.4.1 O que é Pesquisa-ação? ................................................................................. 11</p><p>1.4.2 A aplicabilidade da Pesquisa-ação ............................................................... 12</p><p>1.4.3 A ludicidade como construtor de conhecimento ........................................... 12</p><p>1.4.4 A relação entre ludicidade e o conhecimento ................................................ 13</p><p>1.5 A IMPORTÂNCIA DA CONSCIÊNCIA DO CORPO E A PERSPECTIVA DO</p><p>DESENVOLVIMENTO ECOLOGICAMENTE SUSTENTÁVEL ..................................... 14</p><p>1.5.1 A consciência do corpo na Pedagogia Social ................................................. 14</p><p>1.5.2 A perspectiva do Desenvolvimento Ecologicamente Sustentável ................... 15</p><p>UNIDADE II .................................................................................................................. 18</p><p>CONCEITO E HISTÓRICO DE COMUNIDADE ................................................................ 19</p><p>2.1 CONCEITOS DE COMUNIDADE .......................................................................... 19</p><p>2.1.2 Comunidade como Fonte Social e Pertencimento ........................................ 20</p><p>2.2 DE QUE FORMA SE DEU O PERCURSO HISTÓRICO DAS COMUNIDADES? .......... 21</p><p>2.2.1 Breve Histórico das Primeiras Comunidades ................................................ 21</p><p>2.2.2 O desenvolvimento das grandes cidades até os dias atuais .......................... 21</p><p>2.3 QUAIS SÃO AS FORMAS DE REPRESENTAÇÕES SOBRE COMUNIDADES? ......... 21</p><p>2.3.1 Os aspectos do conceito de comunidade ...................................................... 22</p><p>2.3.2 As Comunidades Tradicionais ...................................................................... 22</p><p>2.3.3 Qualificação das Comunidades .................................................................... 23</p><p>2.4 CONSTRUINDO VALORES NA ESCOLA E NA COMUNIDADE .............................. 23</p><p>2.4.1 Relação entre Comunidade e Escola ............................................................. 23</p><p>2.4.2 A escola como base de instituição pública e a educação do cidadão ............ 24</p><p>PRÁTICAS PEDAGÓDICAS V COMUNIDADES</p><p>3</p><p>2.5 O RESPEITO E A VALORIZAÇÃO DO SABER CULTURAL DO ALUNO E DA</p><p>COMUNIDADE ...................................................................................................... 25</p><p>2.5.1 O saber cultural de uma comunidade ............................................................ 25</p><p>2.5.2 A educação comunitária .............................................................................. 26</p><p>UNIDADE III ................................................................................................................ 27</p><p>A INTERVENÇÃO PEDAGÓGICA E POLÍTICAS DE ESCOLARIZAÇÃO ........................... 28</p><p>3.1 CONHECER A INTERVENÇÃO PEDAGÓGICA E POLÍTICAS DE ESCOLARIZAÇÃO . 28</p><p>3.2 A APLICAÇÃO DA INTERVENÇÃO PEDAGÓGICA NA ESCOLA ............................ 30</p><p>3.3 A POLÍTICA DE ESCOLARIZAÇÃO .................................................................... 32</p><p>3.4 O PAPEL DA POLÍTICA DE ESCOLARIZAÇÃO .................................................... 34</p><p>3.5 A EXECUÇÃO DA POLÍTICA DE ESCOLARIZAÇÃO. ............................................ 35</p><p>UNIDADE IV ................................................................................................................ 39</p><p>O PROCESSO SÓCIO-HISTÓRICO DA COMUNIDADE; AS COMUNIDADES COMO ESPAÇOS</p><p>DE INTERVENÇÃO PEDAGÓGICA E DE POLÍTICA DE ESCOLARIZAÇÃO ...................... 40</p><p>4.1 PROCESSO SÓCIO-HISTÓRICO DA COMUNIDADE.............................................. 40</p><p>4.2 O RECONHECIMENTO DO PROCESSO SÓCIO-HISTÓRICO DA COMUNIDADE ...... 46</p><p>4.2.1 Dos Problemas Na Educação ........................................................................ 48</p><p>4.2.2 Exclusão Social ........................................................................................... 49</p><p>4.2.3 Racismo ...................................................................................................... 49</p><p>4.2.4 Intolerância Religiosa .................................................................................. 50</p><p>4.3 AS COMUNIDADES COMO ESPAÇOS DE INTERVENÇÃO PEDAGÓGICA .............. 50</p><p>4.4 AS POLÍTICAS DE ESCOLARIZAÇÃO PARA AS COMUNIDADES ......................... 54</p><p>4.5 A IMPORTÂNCIA DAS POLÍTICAS DE ESCOLARIZAÇÃO PARA AS COMUNIDADES</p><p>............................................................................................................................ 58</p><p>REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 61</p><p>PRÁTICAS PEDAGÓDICAS V COMUNIDADES</p><p>4</p><p>UNIDADE I</p><p>PRÁTICAS PEDAGÓGICAS V COMUNIDADES</p><p>5</p><p>CARACTERIZAÇÃO DA PEDAGOGIA SOCIAL</p><p>1.1 CONCEITOS DE PEDAGOGIA SOCIAL</p><p>A pedagogia social, é a ciência que tem como foco a compreensão da</p><p>vulnerabilidade social, inclusão a cidadania, sistematizando ações educativas na</p><p>educação, inclusão e cidadania através de processos de aprendizagens socioeducativas</p><p>e culturais. O conceito de Pedagogia Social, parece ter sido usada pela primeira vez por</p><p>Diesterweg no seu livro Bibliografia para a Formação dos Professores Alemães (1850),</p><p>referindo-se a uma educação popular isso nos meados do XIX, como afirma Tavares</p><p>(2015, p. 17). Tavares</p><p>O Brasil apesar de ter uma economia bem desenvolvida, apresenta um índice de</p><p>pobreza altíssimo, como apontam dados do IBG1, afirmando que um quarto da população</p><p>brasileira vive em extrema pobreza. A extrema pobreza e a exclusão social atualmente</p><p>tem sido temas constantes e requerem muita atenção. Diante disso, existe uma</p><p>resistência dos grupos excluídos que através da música, do carnaval e, de outras formas,</p><p>incorporam suas identidades, transmitem suas manifestações socioculturais,</p><p>potencializando valores culturais perante a sociedade. Para Tavares (2015), ela</p><p>considera que a Pedagogia Social assume o compromisso de:</p><p>A pedagogia social encoraja os grupos marginalizados e as comunidades</p><p>marginalizadas a construir alianças políticas umas com as outras e, dessa</p><p>forma, erradicar a homogeneidade cultural, interpretando e reconstruindo sua</p><p>própria história. Como parte de um esforço planejado de luta anticapitalista, a</p><p>pedagogia social procura estabelecer a igualdade social e econômica em</p><p>contraste com a ideologia conservadora e liberal de oportunidade igual, que</p><p>mascara a distribuição desigual existente de poder e de riqueza (MCLAREN,</p><p>2002, p.106 apud TAVARES, 2015, 26).</p><p>Diante dessas observações sociais, o neoliberalismo é um fator que promove o</p><p>consumismo e a competição entre o público e o privado, gera ganância e leva alienação,</p><p>institucionaliza a violência, gera</p><p>2022, da Secretaria de Estado de Educação de</p><p>Minas Gerais (2022. p.7).</p><p>PRÁTICAS PEDAGÓGICAS V COMUNIDADES</p><p>30</p><p>advogados e etc., na escola tem que ser respeitado as variadas inteligências, é</p><p>necessário dar desenvolvimento aos anseios que muitos buscam, mas que são</p><p>invisibilizados através de uma sociedade que quer definir desejos aos que não tem os</p><p>desejos desta sociedade.</p><p>3.2 A APLICAÇÃO DA INTERVENÇÃO PEDAGÓGICA NA ESCOLA</p><p>A Intervenção Pedagógica exige que haja um planejamento em todas as etapas a</p><p>partir de uma pesquisa- ação e estratégia para que possa ser aplicada e desenvolvida no</p><p>contexto escolar, pois, dessa forma o aluno pode vir a entender o que lhe causa maior</p><p>dificuldade fazendo com que ele possa interagir no conjunto da sala de aula</p><p>Para tanto, a intervenção pedagógica tem o papel de incluir e desenvolver os</p><p>alunos, a interação entre professor-aluno busca o crescimento educacional. Cabe ao</p><p>professor educador buscar a forma mais criativa para mitigar os impactos negativos no</p><p>resultado. É necessário que seja dado grande atenção a criação de um Projeto de</p><p>Intervenção para que se tenha um diagnóstico real e assim possa ser viabilizado a</p><p>implementação do PI. O fato é que em uma intervenção o levantamento bibliográfico nos</p><p>mostra como tema vem sendo discutido, as preocupações mais latentes em relação à</p><p>questão estudada e nos instrumentaliza sobre como devemos organizar essa ação.</p><p>Dessa forma, ao processo da intervenção pedagógica traz como definição a</p><p>intercessão de profissionais como educadores e pedagogos na maneira como os alunos</p><p>demonstram seu aprendizado. Quando existem dificuldades para compreender</p><p>determinado conteúdo, a intervenção pedagógica vem com o objetivo de auxiliar nas</p><p>atividades, ferramentas digitais, experimentos etc., para que o aluno seja capaz de</p><p>entender o assunto. Pois, o não entendimento em alguns pontos determinará uma</p><p>reflexão errônea no futuro e afetará em sobremaneira o entendimento do aprendizado</p><p>no conjunto do trabalho pedagógico.</p><p>Existem situações mais delicadas, na qual o professor detecta que o aluno não</p><p>consegue desenvolver o básico, ou mesmo ter dificuldade em algum tipo de esporte.</p><p>Neste contexto cabe ao professor desenvolver, técnicas mais inclusivas para que</p><p>propicie uma forma livre de pensar do aluno que tenha dificuldade de entendimento.</p><p>Estas aplicações, sempre deverão ser revistas, pois os casos que serão atendidos</p><p>através do processo da intervenção pedagógica, não são estáticos, considerando-se que</p><p>esta é uma relação com seres humanos e como tais, as modificações sempre serão</p><p>diferenciadas e haverá uma dinâmica constante. Como já descrito antes é importante a</p><p>criação do Projeto de Intervenção e consequentemente um planejamento estratégico</p><p>para buscar o objetivo que é o entendimento e a compreensão dos assuntos</p><p>desenvolvidos entre os alunos, tendo sempre em mente que os planejamentos podem</p><p>ser mutáveis em função das observações e percepções que se tenha no decorrer das</p><p>aulas.</p><p>Quando se trata de um projeto didático de intervenção pedagógica a Plataforma</p><p>SAS - Statistical Analysis System. Surgida na Carolina do Norte, Estados Unidos, nos</p><p>apresenta algumas sugestões para uma escola inclusiva:</p><p>PRÁTICAS PEDAG��GICAS V COMUNIDADES</p><p>31</p><p>Em uma escola inclusiva, o projeto didático deve seguir alguns passos para que</p><p>tenha os resultados esperados. Manter o olhar atento, observando e avaliando</p><p>frequentemente os alunos é a melhor forma de avaliar as dificuldades e os</p><p>resultados. Sem estabelecer uma metodologia clara para implantar o projeto</p><p>pedagógico da intervenção pedagógica, corre-se o risco de trabalhar de forma</p><p>equivocada.</p><p>Abaixo, algumas dicas para a introdução da intervenção pedagógica através de</p><p>avaliações:</p><p>1. Avalie como está a compreensão do mesmo assunto nas outras turmas;</p><p>2. Troque percepções com os outros professores;</p><p>3. Identifique aqueles temas que, de certa forma, “todos” os alunos têm</p><p>dificuldade;</p><p>4. Analise o percentual de erros e acerto nas avaliações.</p><p>No entanto, apenas avaliar o aluno não é o bastante. Após esse processo, é</p><p>preciso estabelecer critérios como importância, originalidade e viabilidade em</p><p>incluir outras atividades no contexto escolar.7</p><p>A partir destas avaliações busca-se o entendimento para que aconteça uma</p><p>intervenção pedagógica, e como se diz acima, “apenas avaliar o aluno não é o bastante”.</p><p>Necessário se faz, além da avaliação, buscar identificar o momento da dificuldade para</p><p>que o problema detectado não seja ampliado e nesse instante reúne-se todos os</p><p>envolvidos com o estudante para que seja reduzido os desníveis e consequentemente</p><p>aumentar o desempenho dele, buscando diálogo de forma que o professor seja o</p><p>condutor do desenvolvimento do aluno com o objetivo de ajudar o estudante. Em suas</p><p>concepções Teles Domingos assevera:</p><p>A aplicação dos conteúdos é um momento que requer percepção do educador,</p><p>pois ele direcionará os mesmos a sua prática de repassá-los de forma que</p><p>prenda a atenção dos educandos, mais que isso, que desperte o interesse. O</p><p>educador não pode ficar na inércia, não deve ficar atrelado a práticas</p><p>pedagógicas ultrapassadas, ele tem que, mediante o que sentiu de sua turma,</p><p>desenvolver práticas que atendam aos anseios, às necessidades dos</p><p>educandos, onde de forma racional a sala de aula tenha, por meio desses</p><p>conteúdos, a possibilidade de confrontar com a realidade que vivem. É deixar</p><p>que os educandos reflitam para que possam, verdadeiramente, serem agentes</p><p>do seu processo de aprendizagem. Que a sala de aula não seja um espaço onde</p><p>só ocorram informações. O correto é que aconteçam debates, reflexões,</p><p>exposições de ideias, assim concretizar o aprendizado. (TELES, 2020, p. 24).</p><p>O trabalho de forma democrática e dinâmica torna o educador mais didático, faz</p><p>com que esteja preocupado com o aprendizado, torna-o mais criativo usando a liberdade</p><p>com responsabilidade. Certamente que, Teles (2020, p. 26), não tenha medo de dialogar</p><p>com os educandos e; se assuste quando encontrar uma sala de aula silenciosa, todos</p><p>certinhos e bem acomodados. O aprender exige o relacionar. Para se relacionar é preciso</p><p>7 Projeto de Intervenção Pedagógica. Disponível em: https://blog.saseducacao.com.br/intervencao-</p><p>pedagogica. Acesso em 29 de jun. 2022.</p><p>https://blog.saseducacao.com.br/intervencao-pedagogica</p><p>https://blog.saseducacao.com.br/intervencao-pedagogica</p><p>PRÁTICAS PEDAGÓGICAS V COMUNIDADES</p><p>32</p><p>dialogar, se movimentar, interagir e até gritar. São por meio de exemplos como estes, que</p><p>o diálogo, pode possibilitar uma aprendizagem satisfatória. De acordo com as práticas</p><p>que o educador planeja para obter um resultado esperado, algumas vezes, elas não se</p><p>encontram inseridas no planejamento proposto, ou uma aula dinâmica. Mas, exercer do</p><p>seu dinamismo, ou seja, apresentar algo novo, para dentro de sala de aula, propondo</p><p>atividades que visem uma interação social, onde todos possam se fazer inteiramente</p><p>participativos.</p><p>Os educandos estão mais receptíveis em aprender o novo com uma aula mais</p><p>articulada, onde o processo de mediação e de aquisição se torne viável, atrativa.</p><p>Isso significa que tal processo exige um toque humanizado. Reconheça no seu</p><p>aluno um potencial que não deve ser usado como uma máquina, mas como um</p><p>ser que possa ter seu potencial desenvolvido gradativamente, pois a energia</p><p>mental também é propícia a falhar. Poucas ações por parte de um educando são</p><p>melhores que nenhuma! (TELES, 2020, p. 27).</p><p>Em alguns momentos o aprendizado possa estar fora de um contexto planejado,</p><p>e talvez, articular uma aula mais leve possa favorecer uma aprendizagem dinâmica e</p><p>satisfatória.</p><p>3.3 A POLÍTICA DE ESCOLARIZAÇÃO</p><p>O conceito de escolarização se caracteriza pela garantia de criar condições de</p><p>estudos para quem está em condições de idade escolar. A Constituição Federal de 1988</p><p>diz:</p><p>Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será</p><p>promovida e incentivada com</p><p>a colaboração da sociedade, visando ao pleno</p><p>desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua</p><p>qualificação para o trabalho.</p><p>Art. 206. O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios:</p><p>I – Igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;</p><p>Art. 208. O dever do Estado com a Educação será efetivado mediante a garantia</p><p>de:</p><p>III - atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência,</p><p>preferencialmente na rede regular de ensino;</p><p>IV - atendimento em creche e pré-escola às crianças de 0 a 6 anos de idade.</p><p>Art. 213. Os recursos públicos serão destinados às escolas, podendo ser</p><p>dirigidos a escolas comunitárias, confessionais ou filantrópicas, definidas em</p><p>lei, que:</p><p>I – Comprovem finalidade não lucrativa e apliquem seus excedentes financeiros</p><p>em educação. (BRASIL, 1988).</p><p>PRÁTICAS PEDAGÓGICAS V COMUNIDADES</p><p>33</p><p>De acordo com pesquisas em plataformas digitais, tais fontes nos informam</p><p>segundo o site8 , que se costuma confundir a escolarização com a educação, dessa</p><p>forma, estas definem-se:</p><p>A escolarização está diretamente ligada à escola, instituição pública onde as</p><p>crianças são instruídas. A educação, por outro lado, é a própria instrução ou</p><p>treinamento. De modo geral, aceita-se que a educação básica que permite a</p><p>inserção das crianças na sociedade seja oferecida na escola: daí a importância</p><p>da escolarização. O menor que não frequenta a escola vê, desta forma, seus</p><p>direitos violados e compromete seu futuro. 9</p><p>E, para reforçar tal discurso e ao mesmo tempo saber diferenciar “educação de</p><p>escolarização”, é que, ao apontar as concepções do educador, escritor e filosofo Mario</p><p>Sergio Cortella, (BERTIELI et al., 2015), trazem em suas discussões, conceitos de</p><p>educação e escolarização e sublinham dos mesmos pensamentos do filosofo, educador,</p><p>quando ressaltam que:</p><p>[...], hoje em dia, muitas pessoas ainda confundem o papel da educação com a</p><p>escolarização. Educação é formação, e escolarização é papel da escola, que</p><p>apenas irá complementar a educação vinda de casa, ou seja, a escola é um apoio</p><p>a família e esta ajuda fazendo o processo de escolarização, porém se a família</p><p>não cumprir com seu papel, ficara ainda mais difícil para a escola. (BERTIELI et</p><p>al., 2015).</p><p>A partir da relação estabelecida entre escola e família, a escolarização em seu</p><p>processo de desenvolvimento tem uma etapa essencial e marcante no desenvolvimento</p><p>psíquico do educando. Ao partir para a construção de ideias ordenadas com fatos e</p><p>embasamentos elaborado e da cultura erudita, o educando passa a viver uma nova</p><p>realidade que, segundo Vygotsky (2009 apud LEMOS, 2018, p. 3), “leva invariavelmente ao</p><p>aumento dos tipos de pensamento científico”, isso fará com que haja um crescimento no</p><p>desenvolvimento da criança modificando a sua relação com o aprendizado. Esse</p><p>desenvolvimento que torna a criança a pensar com qualidade no processo de</p><p>escolarização, advém dos conceitos científicos.</p><p>A política de escolarização é um processo de intervenção que pode e deve ser</p><p>praticado em várias áreas socioeducativa, dessa forma trazemos um exemplo do relato</p><p>de (Albuquerque, 2015) em seu artigo, A POLÍTICA DE ESCOLARIZAÇÃO PARA</p><p>ADOLESCENTES PRIVADOS DE LIBERDADE NO DISTRITO FEDERAL, ocorrido no GDF,</p><p>que nos remete a um processo de organização da política educacional no Distrito</p><p>Federal, onde foi criado um Núcleo de Ensino para gerir as atividades escolares no</p><p>interior de uma Unidade de Internação Socioeducativa, para criar condições de uma</p><p>escola pública no interior da UIS:</p><p>Isto porque o ECA garante a escolarização do socio educando privado de</p><p>liberdade (Artigo 123), mas, ao mesmo tempo, proibi qualquer forma de</p><p>identificação, registro ou divulgação da relação entre o adolescente/jovem e o</p><p>cumprimento de medida socioeducativa (Artigo 143 e 247). Assim, não é possível</p><p>8 Conceito de escolarização: Disponível em: . Acesso em 01 de julho de</p><p>2022. l</p><p>9 Idem: verificar no site que está acima disponível</p><p>https://conceito.de/escolarizacao</p><p>https://conceito.de/escolarizacao</p><p>PRÁTICAS PEDAGÓGICAS V COMUNIDADES</p><p>34</p><p>ter uma escola independente e autônoma dentro de uma UIS, uma vez que não</p><p>se pode registrar em nenhum documento escolar a condição de cumprimento</p><p>de medida socioeducativa. (ALBUQUERQUE, 2015, p. 9-10).</p><p>Diante das dificuldades, o Governo do Distrito Federal, para regularizar a situação,</p><p>vinculou as matrículas à Secretaria de Educação, pela política de escolarização, e os</p><p>alunos tornaram-se matriculados regularmente ao sistema da rede pública, tendo a</p><p>participação de (professores, diretor, supervisores etc.) uma escola vinculada à</p><p>secretaria. A política de escolarização tem que participar em todas as frentes para não</p><p>permitir que haja uma quebra do desenvolvimento dos jovens, para que se tenha uma luta</p><p>constante no processo de escolarização, mesmo entendendo que ainda são precárias as</p><p>práticas para o crescimento destas políticas.</p><p>3.4 O PAPEL DA POLÍTICA DE ESCOLARIZAÇÃO</p><p>Historicamente as políticas de escolarização tiveram como foco a constituição de</p><p>uma população direcionada a um novo estado nascente com ideais da política liberal.</p><p>Segundo (SENNETT, 2008, apud SILVA, 2003 p. 5) a contemporaneidade, entretanto,</p><p>desde a emergência das condições do novo capitalismo (SENNETT, 2008), intensificou</p><p>suas ações políticas de escolarização projetando indivíduos capazes “de evoluir numa</p><p>cultura e numa economia globais” (POPKEWITZ, 2000, apud SILVA, 2003 p. 5). Modalidade</p><p>nomeada por Popkewitz, de prática governamental.</p><p>A escolarização maciça ficou enquadrada nesse movimento encaminhado para</p><p>administrar socialmente o crescimento, o desenvolvimento e a evolução da</p><p>sociedade. A escola, como projeto de reforma, devia ocupar-se dos processos</p><p>de socialização a partir dos quais a criança podia chegar a ser o adulto que</p><p>agisse de maneira responsável em novos contextos de governo da</p><p>modernidade. A escola representava noções liberais sobre o indivíduo</p><p>disciplinado que agia responsavelmente e, assim, uniu-se ao trabalho de</p><p>construir a criança que havia de ser civilizada como o novo cidadão, a práticas</p><p>de administração social que faziam uso de uma razão populacional para</p><p>domesticar contingências históricas em forma de política social, administração</p><p>social e razão científica (POPKEWITZ, 2000 apud SILVA, 2003 p. 5).</p><p>Como pode-se perceber, a história das políticas de escolarização nos mostra a</p><p>forma como atuava os regimes governamentais e ainda atuam, buscando direcionar as</p><p>políticas de escolarização em forte interligação com as políticas governamentais. Isto</p><p>leva o educador a refletir e fazer uma busca cuidadosa para compreensão dessas</p><p>estratégias governamental.</p><p>As mudanças no mundo e na sociedade são constantes e dinâmicas, logo, elas são</p><p>refletidas nas necessidades das questões educacionais, isto será refletido no decorrer</p><p>dos tempos. Nesse contexto se apresenta as políticas governamentais refletidas nas</p><p>políticas educacionais, associando a educação a cada momento histórico do país e do</p><p>mundo, dando a interpretaç��o de cada momento político. No Brasil, existe uma busca,</p><p>dos educadores, através do processo pedagógico, para que sejam discutidas as</p><p>temáticas que garantam qualidade na educação, buscando apoiar-se nas legislações e</p><p>diretrizes da educação, com a participação da sociedade, para que se possa desenvolver</p><p>PRÁTICAS PEDAGÓGICAS V COMUNIDADES</p><p>35</p><p>uma política de escolarização sem que a exclusão venha se constituir num inimigo do</p><p>processo inclusivo.</p><p>A influência do capitalismo industrial foi muito intensa sobre a educação durante</p><p>o século XX, pois segundo Hoskin, citado por Veiga-Neto (2005, apud SILVA, 2013),</p><p>“serviu como uma dobradiça entre o poder e o saber”;</p><p>Sob essa lógica disciplinar, marca do capitalismo industrial do referido período,</p><p>as pedagogias eram desencadeadas como estratégias políticas</p><p>operadas sobre</p><p>os tempos e os espaços dos sujeitos e das instituições. Os corpos e os saberes</p><p>eram distribuídos no tempo e no espaço de maneira a manter e a garantir a</p><p>produtividade coletiva [...]. A classificação e a distribuição dos sujeitos</p><p>escolares, de acordo com seu rendimento ou sua conduta, é um conhecido</p><p>exemplo do modo como as pedagogias disciplinares regulavam os espaços.</p><p>(DIAS Da SILVA, 2013, p. 696-704)</p><p>A ideia no capitalismo industrial era ter pessoas com escolaridade, disciplinados</p><p>e produtivos. Consoante as falas de Dias Da Silva (2013), “os saberes dos operários eram</p><p>invisibilizados”.</p><p>A política de escolarização, apesar de ficar atrelada ao governo em função das</p><p>diretrizes que são ditadas pelas políticas governamentais, busca através dos saberes e</p><p>aprendizados, desenvolver em cada estudante competências cognitivas, mesmo</p><p>entendendo que cada ser visa o direcionamento do mercado de trabalho. Na área</p><p>educacional não é fácil construir uma política eficiente que atenda a todos os cidadãos,</p><p>considerando que cada ser tem suas próprias necessidades e o papel da política de</p><p>escolarização é atender, em conjunto com aqueles que envolvem os estudantes, a cada</p><p>diversidade, de forma que, haja uma proximidade da equalização escolar e social.</p><p>Conforme relatado anteriormente as políticas de escolarização estão ligadas as</p><p>políticas educacionais, que são ações do poder público que são regidas pelo Estado</p><p>como instrumento para assegurar a educação para todos, as decisões podem vir do</p><p>Governo federal, assim como estadual ou mesmo municipal, a ideia é eliminar o</p><p>analfabetismo, universalizar o ensino e desenvolver a escolaridade através das</p><p>tecnologias. Nenhuma política pública pode desenvolver políticas educacionais sem que</p><p>haja a participação da sociedade, para o desenvolvimento desse diálogo faz-se</p><p>necessário um trabalho de pesquisa e participação da comunidade escolar, além de</p><p>todos os outros entes envolvidos e isso envolve o setor privado.</p><p>3.5 A EXECUÇÃO DA POLÍTICA DE ESCOLARIZAÇÃO.</p><p>As políticas de escolarização são políticas advindas das políticas públicas,</p><p>políticas essas que se desenvolvem a partir de programas, planos ou mesmo projetos</p><p>comandados por ações governamentais, são ações direcionadas a todos os cidadãos.</p><p>As desigualdades existentes no Brasil necessitam de políticas públicas</p><p>educacionais para que sejam corrigidas as distorções existentes no contexto da</p><p>sociedade de forma que a educação seja um direito de todos. Algumas políticas</p><p>educacionais são implementadas pelo Governo com a finalidade de garantir educação de</p><p>PRÁTICAS PEDAGÓGICAS V COMUNIDADES</p><p>36</p><p>qualidade; ampliar o acesso à escola; combater a evasão escolar; permitir a</p><p>alfabetização de crianças, idosos; jovens e adultos, sendo assim:</p><p>Normalmente, as políticas educacionais têm origem nas leis votadas pelo Poder</p><p>Legislativo nas esferas federal, estadual e municipal, embora membros do</p><p>Poder Executivo também possam propor ações nessa área. Aos cidadãos cabe</p><p>participar dos conselhos de políticas públicas, que são espaços de discussão de</p><p>demandas. Dessa forma, as políticas educacionais podem ser entendidas como</p><p>um meio de construção de valores e conhecimentos que possibilitam o pleno</p><p>desenvolvimento do educando, incluindo sua capacidade de se comunicar,</p><p>compreender o mundo ao seu redor, defender suas ideias e exercer a cidadania.</p><p>Ao estabelecer modelos educacionais concebidos pelos cidadãos e pelo</p><p>governo, essas políticas públicas viabilizam a criação de uma sociedade apta</p><p>para trabalhar, questionar e contribuir com o crescimento da nação — por isso,</p><p>são de extrema importância para o país. 10</p><p>A implementação das políticas públicas educacionais é realizada a partir da</p><p>criação destas políticas pelo Poder Legislativo e enviadas ao Poder Executivo. Os</p><p>representantes dos setores da educação e da sociedade civil são responsáveis por</p><p>elaborar leis educacionais, ou seja, a participação popular contribui em uma democracia</p><p>participativa. As ações implementadas, podem ter fiscalização dos cidadãos,</p><p>acompanhando a execução das políticas educacionais.</p><p>O direito a educação, conforme já citado no subitem 3.3, é obrigação do Estado. O</p><p>Ministério da Educação responde pela condução das políticas educacionais, assim</p><p>como, é responsável para gerir a educação no país a Lei de Diretrizes Básicas da</p><p>Educação Nacional (LDB 9394/96), abrangendo a educação em todo país. A LDB trata</p><p>sobre a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) que diz que todo aluno da educação</p><p>básica tem direito a aprender.</p><p>A LDB também cria o Plano Nacional de Educação (PNE) com finalidade de</p><p>identificar demandas urgentes e elaborar planos com a finalidade de ter um aprendizado</p><p>de qualidade na educação infantil e no ensino superior.</p><p>Outras políticas educacionais são desenvolvidas no Brasil, em caráter federal,</p><p>estadual ou municipal, entre as quais podem ser citadas.</p><p>O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) tornou possível e legal, o direito</p><p>das crianças ao lazer, saúde e à educação sem distinção de raça, classe, sexo ou religião.</p><p>Temos o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) responsável dentro</p><p>do Ministério da Educação pelas políticas educacionais, o qual presta assistência técnica</p><p>e financeira a estados e municípios. O Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da</p><p>Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) que</p><p>distribui recursos para educação nos vinte e seis Estados e no Distrito Federal para</p><p>educação Básica, ajudando nas ofertas de vagas na educação básica. Outros programas</p><p>10 Para termos mais informações e conhecimentos sobre a questão acima citada, o conteúdo, encontra-</p><p>se disponível em:</p><p>a necessidade de que eles precisam</p><p>buscar através da educação uma oportunidade no futuro.</p><p>A implementação da política de escolarização deve buscar:</p><p>Uma maneira eficaz de aumentar o engajamento escolar é a promoção de um</p><p>ambiente acolhedor e interessante para os alunos. Muitas vezes, a falta de</p><p>motivação dos estudantes se dá pelas atividades monótonas ou pela dificuldade</p><p>de acompanhar as aulas.</p><p>Nesse sentido, os educadores podem promover um ambiente participativo,</p><p>realizar aulas de reforço e criar atividades que motivem crianças, jovens e</p><p>adultos. Por exemplo, uma aula de Ciências pode valorizar a construção de</p><p>projetos que unem teoria, criatividade e tecnologia.</p><p>11 Esta referência está disponível em: .</p><p>Acesso em 01 de julho de 2022.</p><p>https://blog.unyleya.edu.br/insights-confiaveis/o-que-sao-as-politicas</p><p>https://blog.unyleya.edu.br/insights-confiaveis/o-que-sao-as-politicas</p><p>PRÁTICAS PEDAGÓGICAS V COMUNIDADES</p><p>38</p><p>Outras disciplinas podem promover atividades como gincanas, debates,</p><p>palestras e programações culturais. O importante é incentivar o aluno a ser o</p><p>protagonista do seu processo de aprendizado.12</p><p>Entende-se que a escola tem um papel importantíssimo na vida dos educandos,</p><p>dessa forma, a escolarização em conjunto com as políticas educacionais deverá</p><p>desenvolver ações de apoio didático e metodológicos para que seja proporcionado um</p><p>aprendizado eficaz e uma gestão escolar forte e segura. Pois, mesmo que a escola</p><p>alcance o pleno desenvolvimento de suas práticas educativas, ainda existe outro</p><p>obstáculo que impede o acesso a ter o direito a uma educação de qualidade, a questão</p><p>social, que para Domingos Teles (2020, p.24), ele a considera como “um monstro que cala</p><p>vozes e sonhos”, quando se reporta ao campo educacional, no sentido de que precisa,</p><p>haver uma estrutura econômica no qual ofereça suporte em investimentos para com a</p><p>valorização dos profissionais, pois, o teto salarial dos professores ainda é baixo.</p><p>12 Idem.</p><p>PRÁTICAS PEDAGÓGICAS V COMUNIDADES</p><p>39</p><p>UNIDADE IV</p><p>PRÁTICAS PEDAGÓGICAS V COMUNIDADES</p><p>40</p><p>O PROCESSO SÓCIO-HISTÓRICO DA COMUNIDADE; AS</p><p>COMUNIDADES COMO ESPAÇOS DE INTERVENÇÃO PEDAGÓGICA E</p><p>DE POLÍTICA DE ESCOLARIZAÇÃO</p><p>4.1 PROCESSO SÓCIO-HISTÓRICO DA COMUNIDADE</p><p>Na Unidade 2, alguns conceitos de comunidade foram relatados, considerando</p><p>como um local, uma cidade, uma aldeia, um bairro ou mesmo um ecossistema. Foi</p><p>colocado os vários conceitos definidos por filósofos, sociólogos, antropólogos e outros</p><p>estudiosos. Dessa forma pode ser lembrado que”, Peruzzo e Volpato (2009), definem o</p><p>conceito de comunidade, “Mas o que não há como negar é que a palavra “comunidade”</p><p>evoca sensações de solidariedade, vida em comum, independentemente de época ou de</p><p>região”. O antropólogo Redfield (1897-1958), envolve o conceito de comunidade com</p><p>pensamento voltado para comunidade agrária. Para Carrara, “A comunidade é a estrutura</p><p>social que o livra tanto da inclinação ao individualismo e da angústia existencial que dele</p><p>decorre como da tendência ao coletivismo em que a massa despersonaliza o indivíduo.”</p><p>A partir destes e muitos outros estudos, foi também observado como se deu o</p><p>desenvolvimento das primeiras comunidades.</p><p>Dentro do contexto dos pressupostos teóricos de Vygotsky (apud Santos;</p><p>Santade, 2012, p. 55), compreende que, “a construção da consciência ocorre por meio</p><p>das relações sociais mediadas por artefatos culturais”. Em sua teoria do</p><p>desenvolvimento, considerou as implicações psicológicas das questões sociais,</p><p>culturais e históricas, e colocou o ser humano como protagonista da própria</p><p>aprendizagem. Temos a considerar que o educando não é um ser em si, ele vive em</p><p>grupos ou mesmo comunidades, sejam familiares, escolar, religioso, esportivo e até de</p><p>amigos. Não ocorrerá ensino aprendizagem se não for levado em consideração todos os</p><p>indivíduos dos variados grupos o envolve ou as comunidades onde ele tem participação,</p><p>é no contexto sociológico que pode ser observado as ocorrências da sociedade que cada</p><p>ser conduzirá para vida escolar.</p><p>Entendendo que não se deve dissociar a escola, assim como as comunidades do</p><p>seio da sociedade, aqui será levado a um conhecimento Sócio-histórico da Educação.</p><p>Iniciaremos o diálogo com clássico da sociologia, a começar por ÉMILE DURKHEIM,</p><p>(Nascido na cidade de Épinal, na França, em 1858 e falecido, em Paris, em 1917, de acordo</p><p>com os conteúdos da pesquisa intitulada Fundamentos Sócio-Históricos da Educação,13</p><p>– Durkheim sempre defendeu o direito a educação, e na igualdade de todos, fossem</p><p>homens ou mulheres, ricos ou pobres, preocupou-se com a Sociologia, que foi</p><p>confundida com a forma científica do socialismo. Juntamente a Durkheim trazemos Max</p><p>Weber (1864 – 1920), mas com visões diferentes a Durkheim, para ele “a ação social é o</p><p>produto das decisões tomadas pelos indivíduos e que dão sentido próprio às suas</p><p>13 Fundamentos Sócio-Históricos da Educação: Disponível em</p><p>Acesso em 11 de julho. 2022.</p><p>http://www.dominiopublico.gov.br/</p><p>PRÁTICAS PEDAGÓGICAS V COMUNIDADES</p><p>41</p><p>ações”14 , quanto a educação ele voltou-se mais para questões religiosas e políticas,</p><p>temos nesse círculo de estudiosos seres como KARL MAX e muitos outros.</p><p>Os processos sócio-históricos são aqueles que trazemos através dos tempos e do</p><p>estudo da história, onde se possa buscar as transformações, onde se exercite a</p><p>cidadania e todo desenvolvimento futuro, que será deixado para o passado,</p><p>considerando-se que é através da história que teremos conhecimento do processo</p><p>sócio-histórico da cidadania e da educação. Para entender melhor, alguns dados serão</p><p>mostrados, baseados nos Fundamentos Sócio-Históricos da Educação, buscando alguns</p><p>elementos históricos, que relata dentro da Educação Colonial o momento Jesuítico, o</p><p>Pombalino e o Joanino.</p><p>A história da Educação brasileira teve seu registro inicial a partir de 1549, segundo</p><p>Finley (1981), em seu livro Mito, memória e história, já afirmava que:</p><p>[...], a história que conhecemos é aquela escrita pelos vencedores. Para o autor,</p><p>somente aquele que venceu, que colonizou um povo, é que tem o direito de</p><p>contar a história desse povo. Assim, a história que conhecemos dos povos</p><p>indígenas aqui residentes, nos foi contada pelo colonizador português, branco.</p><p>E durante muito tempo nós nos contentamos em repeti-la.15</p><p>A chegada dos portugueses mudou em muito a forma como viviam os indígenas,</p><p>e com a vinda dos jesuítas a forma como se deu a educação com esses povos passou a</p><p>ser totalmente diferente do que estavam acostumados, além das modificações em seus</p><p>modos de vida. Os primeiros jesuítas foram trazidos por Tomé de Souza, sob o comando</p><p>de padre Manoel da Nóbrega e este grupo ao chegar na cidade de Salvador - Ba, criou a</p><p>primeira escola elementar, que ensinava aos indígenas a leitura e a escrita, além de</p><p>algumas formações profissionais como técnicas agrícolas e criação de gado. Esse</p><p>modelo de educação durou por 210 anos, quando Marquês de Pombal expulsou os jesuítas</p><p>de Portugal.</p><p>Do Período Pombalino (1760 – 1808)</p><p>Após a expulsão dos jesuítas, ocorre uma mudança brusca na educação, como</p><p>também na sociedade em geral;</p><p>O sistema educacional vigente foi destruído e o que foi posto em prática em</p><p>substituição pouco contribuiu para dar continuidade a um trabalho de</p><p>educação. De 1759 a 1772 houve uma espécie de “vazio educacional”. O alvará de</p><p>28 de junho de 1759, ao mesmo tempo em que suprimia as escolas jesuíticas de</p><p>Portugal e de todas as colônias, criava as aulas régias de Latim, Grego e</p><p>Retórica. Criou também a Diretoria de Estudos, responsável pelo Plano de</p><p>Estudos e inspeção do ensino. Essa Diretoria só passou a funcionar após o</p><p>afastamento de Pombal. A educação passou a ser laica, sob responsabilidade</p><p>do Estado. O Ensino Religioso foi mantido e havia um controle da Inquisição</p><p>sobre os livros.</p><p>Cada aula régia era autônoma e isolada, com professor único e uma não se</p><p>articulava com as outras. Os professores geralmente não tinham preparação</p><p>14 Ver Fundamentos Sócio-Histórico da Educação, página 368.</p><p>15 Idem.</p><p>PRÁTICAS PEDAGÓGICAS V COMUNIDADES</p><p>42</p><p>para a função, já que eram improvisados e mal pagos. Eram nomeados por</p><p>indicação ou sob concordância de bispos e se tornavam "proprietários" vitalícios</p><p>de suas aulas régias. As aulas régias vieram substituir o do ensino de</p><p>humanidades, ministrando aulas línguas modernas, desenho, aritmética,</p><p>geometria e ciências naturais. Os castigos corporais eram permitidos e vistos</p><p>como prática necessária à manutenção da ordem e da disciplina.16</p><p>A educação não era tida como importante, principalmente para as</p><p>mulheres. Neste período a partir de algumas famílias abastadas, chegam as ideias</p><p>iluministas, mesmo sendo proibidas no país. Com a chegada da família imperial no Brasil</p><p>passa a haver novas mudanças.</p><p>Período Joanino (1808 – 1821)</p><p>Neste período inicia-se uma estruturação na sociedade, o que foi sentido na</p><p>educação, mesmo que ainda em situações precárias, as escolas, pois as famílias que</p><p>tinham melhores condições, consideravam que o ensino não era de boa qualidade, dessa</p><p>forma seus filhos eram educados em suas residências, seguindo modelos portugueses</p><p>que buscavam professores particulares, para atendes suas exigências. Isso mostra que</p><p>a educação não tinha importância. Em 1821, a família real retorna a Portugal.</p><p>Período Imperial (1822 – 1888)</p><p>Nesta etapa, a Europa era movimentada por uma revolução cultural. Na qual as</p><p>palavras de ordem, Liberdade, Igualdade e Fraternidade, era a tônica do movimento</p><p>iluminista francês. No Brasil, a educação escolar continuava sem ser prioridade. D. Pedro</p><p>outorga a primeira Constituição brasileira, que em seu artigo 179 determinava Instrução</p><p>primária e gratuita para todos os cidadãos, a partir deste momento, os debates levaram a</p><p>uma melhoria na educação escolar, entretanto a criação do ensino no sistema de</p><p>internato que parecia ser eficaz apresentou uma série de abusos. O ensino era regido de</p><p>forma que existia castigos por partes dos professores que usavam a palmatória e a</p><p>“prisão solitária”. As famílias ricas continuavam com os professores particulares, os</p><p>quais davas as aulas nas residências dos alunos.</p><p>A educação escolarizada brasileira no período imperial revelava a dimensão</p><p>contraditória e conflitante entre a permanência da estrutura social existente e</p><p>a possibilidade de transformação desta através da instrução pública, como</p><p>bandeira para a civilidade, regeneração moral e o progresso social. Em toda a</p><p>sua trajetória, esteve submersa em condições precárias de funcionamento</p><p>provocando um grande atraso. As possíveis causas deste atraso são: 1- a</p><p>carência de um quadro de professores preparados. Esses, na sua maioria, não</p><p>tinham sequer conhecimentos elementares, confirmando assim, o</p><p>analfabetismo na população adulta. Igualmente, trabalhavam em condições</p><p>extremamente desfavoráveis, percebendo parcos salários. 2- as condições</p><p>físicas e/ou materiais das escolas. Além de um número reduzido, suas</p><p>instalações eram inadequadas, não contavam com mobiliário condizente,</p><p>tampouco com material escolar que proporcionasse a prática do ensino e</p><p>16 Fundamentos Sócio-Históricos da Educação: Disponível em</p><p>Acesso em 11 de julho. 2022. Ver página 338.</p><p>http://www.dominiopublico.gov.br/</p><p>PRÁTICAS PEDAGÓGICAS V COMUNIDADES</p><p>43</p><p>aprendizagem dos alunos. 3- falta de uniformidade nos processos educativos</p><p>nos interiores das escolas. 17</p><p>Ao final do Império parecia haver mais interesse pela educação, nascia um modelo</p><p>da escolarização seriada.</p><p>Primeira República (1889 – 1930)</p><p>Apesar de parecer haver ideia de implantar uma escolarização de qualidade, a</p><p>elite se preocupava mais com os ingressos de seus filhos no ensino superior, o ensino</p><p>fundamental ficava entregue ao restante da população. Os anos de 1920 a 1930 foram</p><p>crescentes em discussões sobre Educação e Pedagogia, muitas correntes de ideia</p><p>marcaram os movimentos políticos sociais, nesse período abre-se espaço para discutir</p><p>socialismo, marxismo, anarquismo e outros movimentos.</p><p>Segunda República (1930 – 36)</p><p>A Segunda República tem seu marco com a revolução de 1930, sendo este o marco</p><p>de entrada do movimento capitalista no Brasil, o processo de industrialização através</p><p>dos novos investimentos exige uma mão de obra de qualidade e com algum</p><p>conhecimento, o que fez com que o foco para ajudar nessa situação fosse voltado para</p><p>o ensino escolar. Através de Decreto nascem as propostas para criações das primeiras</p><p>universidades, assim como para o ensino secundário e o fundamental.</p><p>A Reforma dividia o ensino secundário em dois ciclos: um fundamental (5 anos)</p><p>e um complementar (2 anos). Este último visando exclusivamente à formação</p><p>superior. Todas as escolas se equipararam ao Colégio D. Pedro II. O Decreto</p><p>estabelecia também as normas de admissão de professores e de inspeção de</p><p>ensino.</p><p>Apesar das reformas representarem um grande avanço para a educação, houve</p><p>um total descaso em relação à educação fundamental. Este descaso revelou-se</p><p>um empecilho para a real democratização do ensino. A melhoria na formação</p><p>dos professores para o ensino fundamental também não se concretizou. 18</p><p>Diante desse processo, nasce o Movimento Escola Nova, que surgiu na Inglaterra</p><p>em 1889, propunha uma escola adequada a realidade do mundo e constantes</p><p>modificações. Muitos educadores apoiaram a Escola Nova, tendo como oposição a ala</p><p>católica pois queriam a introdução do ensino religioso, pois não concordavam com a</p><p>escola laica, mas 1934 com o advento da nova Constituição a ala católica consegue a</p><p>reintrodução do Ensino Religioso.</p><p>Estado Novo (1937 – 1945)</p><p>Neste período Getúlio Vargas, através de um golpe de Estado, instalou o Estado</p><p>Novo, com uma nova Constituição, era um governo centralizado. Com relação a</p><p>educação colocou o ensino como gratuito em todos os níveis, inclusive com melhoria na</p><p>17 Fundamentos Sócio-Históricos da Educação: Disponível em</p><p>Acesso em 11 de julho. 2022. Ver página 392</p><p>18 Fundamentos Sócio-Históricos da Educação: Disponível em</p><p>Acesso em 11 de julho. 2022. Ver página 393.</p><p>http://www.dominiopublico.gov.br/</p><p>http://www.dominiopublico.gov.br/</p><p>PRÁTICAS PEDAGÓGICAS V COMUNIDADES</p><p>44</p><p>carreira docente e em seus salários. A criação de Decretos Leis entre 1942 e 1946 trazia</p><p>a seguinte reformulação no ensino:</p><p>Também houve a criação do ensino supletivo de 2 anos e a organização do</p><p>ensino em três níveis: cinco ano de ensino primário, quatro anos de curso</p><p>ginasial e três anos de curso colegial (com duas vertentes: clássico ou</p><p>científico). O Curso clássico era composto de matérias de predominância</p><p>humanística e o científico privilegiava a formação nas ciências exatas. O ensino</p><p>colegial se preocupava com a formação geral e cerca de 90% dos alunos</p><p>buscavam o ensino científico.</p><p>O ensino colegial deixou de visar exclusivamente a preparação para o ensino</p><p>superior (o chamado ensino propedêutico) e passou a ter como objetivos:</p><p>1. Proporcionar cultura geral e humanística.</p><p>2. Alimentar uma ideologia política definida em termos de patriotismo e</p><p>nacionalismo de caráter fascista.</p><p>3. Possibilitar a formação de lideranças; além de</p><p>4. Proporcionar condições para ingresso no curso superior</p><p>As Leis orgânicas também regulamentaram o curso de formação de</p><p>professores, propondo a centralização das diretrizes nacionais. A parte de</p><p>formação geral, no entanto, continuaria a ser predominante, com a formação</p><p>específica para o exercício do magistério merecendo menos destaque. Os</p><p>critérios rígidos de avaliação também foram mantidos. Pouco a pouco, as</p><p>Escolas Normais passaram a ser quase</p><p>exclusivamente frequentadas por</p><p>mulheres, reunindo moças de classe média em busca de uma profissão aceita</p><p>pela sociedade, por ser considerada “profissão feminina”.</p><p>A lei, inclusive, recomendava encaminhar as mulheres para os</p><p>estabelecimentos de ensino de exclusiva frequência feminina, em todos os</p><p>níveis.19</p><p>As leis na área de educação para alguns continuava arcaica, mesmo tendo alguns</p><p>avanços, não foi igualitária. O número de escolas foi aumentado, mas sempre foi dado</p><p>um privilégio às áreas urbanas em tudo sobre a educação.</p><p>Nova República (1946 – 1963)</p><p>Em 1946 houve uma nova Constituição e marca o fim do Estado Novo, instalando-</p><p>se uma República Populista. Fortes mudanças ocorrem, economia em pleno</p><p>desenvolvimento, as mudanças culturais também têm seu salto de qualidade. “Na área</p><p>de educação, a nova Constituição dá competência à União para legislar sobre diretrizes e</p><p>bases da educação nacional, além de determinar a obrigatoriedade de se cumprir o ensino</p><p>primário.”20</p><p>19 Fundamentos Sócio-Históricos da Educação: Disponível em</p><p>Acesso em 11 de julho. 2022. Ver página 394-395.</p><p>20 Fundamentos Sócio-Históricos da Educação: Disponível em</p><p>Acesso em 11 de julho. 2022. Ver página 395.</p><p>http://www.dominiopublico.gov.br/</p><p>http://www.dominiopublico.gov.br/</p><p>PRÁTICAS PEDAGÓGICAS V COMUNIDADES</p><p>45</p><p>Os problemas entre Estado e religião continuavam devido a crítica da igreja</p><p>relacionada a não laicidade na constituição e consequentemente na educação. Entre</p><p>muitas discussões envolvendo forças reacionárias representado pela igreja, os</p><p>intelectuais apoiando a Educação Nova, além de movimentos sindicais e estudantis, ou</p><p>seja, um conjunto de comunidades envolvendo-se na questão da educação, sem que</p><p>houvesse uma tomada decisória. Treze longos anos se passaram para que fosse feito um</p><p>arranjo entre igreja e proprietários de escolas privadas e em 1961 promulga-se uma lei</p><p>envelhecida pelo tempo de discussão. A Lei 4.024 de Diretrizes e Bases de Educação.</p><p>Em 1964 foi instaurado o regime militar, eliminando todos os movimentos que o</p><p>regime chamasse de subversivo, com isso a educação, a cultura e muitas outras ações</p><p>foram esvaziadas. Esse período o ensino passou a ser uma mescla entre o ensino</p><p>americano e o brasileiro. “O regime militar causou grandes estragos na educação, com</p><p>prisão e demissão de professores, invasões e fechamento de universidades, estudantes</p><p>foram presos, feridos e, alguns, mortos.”21</p><p>Com a pressão da sociedade houve a queda do regime militar, iniciando a abertura</p><p>política.</p><p>Abertura Política (1986 – atual)</p><p>Com a abertura, em 1988, o país tem uma nova Constituição, passa a discutir uma</p><p>nova LDB, fato que ocorre oito anos Constituição, a Lei9394/96. Uma lei tida por</p><p>autoritária para alguns. Mudanças ocorreram em mais esse processo histórico da</p><p>educação junto a sociedade, assim como nas comunidades que se entrelaçam com a</p><p>educação.</p><p>A partir da LDB, foram elaborados os PCNs – Parâmetros Curriculares Nacionais,</p><p>propostos como referenciais para a renovação e reelaboração da proposta</p><p>curricular, com a função de orientar e garantir a coerência dos investimentos</p><p>no sistema educacional, socializando discussões, pesquisas e recomendações,</p><p>subsidiando a participação de técnicos e professores brasileiros,</p><p>principalmente daqueles que se encontram mais isolados, com menor contato</p><p>com a produção pedagógica atual. (Brasil, 1997.p. 10).22</p><p>No decorrer dos anos foi criado o Sistema Nacional de Avaliação da Educação</p><p>Básica, o ENEM-Exame Nacional de Ensino Médio, a Prova Brasil e o ENADE-Exame</p><p>Nacional de Desempenho de Estudantes, servem para avaliar a qualidade do ensino e</p><p>aprendizagem dos estudantes na rede pública brasileira:</p><p>Todos esses sistemas de avaliação foram criados dentro de um espírito de</p><p>“controle de produtividade, difundido internacionalmente e que visa</p><p>racionalizar o uso de recursos e reverter os quadros negativos da qualidade do</p><p>ensino no país. O grande problema ocorre na execução dessas avaliações, com</p><p>os diversos boicotes ao sistema. Um dos elementos que chama a atenção é o</p><p>21 Fundamentos Sócio-Históricos da Educação: Disponível em</p><p>Acesso em 11 de julho. 2022. Ver página 395.</p><p>22 Fundamentos Sócio-Históricos da Educação: Disponível em</p><p>Acesso em 11 de julho. 2022. Ver página 401.</p><p>http://www.dominiopublico.gov.br/</p><p>http://www.dominiopublico.gov.br/</p><p>PRÁTICAS PEDAGÓGICAS V COMUNIDADES</p><p>46</p><p>fato de que, apesar da realização dessas avaliações tender a se tornar</p><p>obrigatória, o resultado auferido pelo aluno não tem nenhuma significância para</p><p>a obtenção do certificado ou diploma. Servindo apenas para avaliar a qualidade</p><p>dos cursos, o resultado pode ser “falseado” por provas entregues em branco,</p><p>apenas com o cabeçalho preenchido, pois o aluno deve ir fazer a prova, mas não</p><p>tem necessidade de ser aprovado, de obter um resultado positivo.</p><p>As grandes mudanças que vem ocorrendo nos últimos anos, em especial após o</p><p>início do século XXI, vem afetando sobremaneira a educação não apenas no</p><p>Brasil, mas em todo o mundo, com a inclusão de novos temas de discussão.</p><p>Novos tempos, novos estilos de vida, novas tecnologias, exigem mudanças que</p><p>o sistema educacional, com sua estrutura pesada e excessivamente arraigada</p><p>aos padrões clássicos tem dificuldade de acompanhar, como o fenômeno da</p><p>Educação à Distância.23</p><p>Essas mudanças buscam alterar o contexto do processo histórico das</p><p>comunidades e das escolas brasileiras, na fundamentação de como se desenvolver e</p><p>fazer uma intervenção no processo histórico. Cabe a cada ser estar envolvido para que a</p><p>história da educação tenha progressão no sentido de desenvolver e amplificar as mentes</p><p>de cada estudante para que atuem não como elementos de decoração copiadora e sim</p><p>como ser pensante.</p><p>4.2 O RECONHECIMENTO DO PROCESSO SÓCIO-HISTÓRICO DA</p><p>COMUNIDADE</p><p>Ao conhecermos os processos sócio-histórico que se desenvolveram durante</p><p>toda a história do país, pode ver que somos a contribuição de cada elemento que</p><p>compõem o povo brasileiro, no entanto, as diferenças entre os agentes sociais, não</p><p>preparou ninguém para diversidade, dessa forma:</p><p>A escola, ao tentar omitir as desigualdades sob um discurso de anulação das</p><p>diferenças colabora para uma estratificação dos grupos, diferenciando-os</p><p>sobretudo pela dimensão econômica. A “integração” dos diferentes ao sistema</p><p>educacional, enquadrando-os num mesmo padrão, ao invés de incluí-los no</p><p>grupo, torna-o mais conscientes de sua diferença.</p><p>O sistema educacional acaba destruindo a identidade dos indivíduos, fazendo-</p><p>os fundirem-se ao grupo, uniformizando-os. Diversidade étnica ou cultural, de</p><p>gênero ou outra, ao invés de serem vistas como riqueza, são encaradas como</p><p>problemas a serem superados.</p><p>E repete-se o mesmo erro da nossa “unidade nacional” que por séculos vem</p><p>relegando a segundo plano as discussões maiores sobre a estratificação social,</p><p>que criou grupos “superiores “ e “inferiores” no Brasil, culturas “desenvolvidas” e</p><p>“primitivas”, influências “lembradas” na formação do povo (em especial a</p><p>europeia) e “esquecidas” (como a indígena ou a africana); criou cidadãos com</p><p>plenos direitos e cidadãos com plenos deveres, onde o “peso” da cor, da origem,</p><p>do sexo, incidem com maior ou menor importância, contrabalançados pelo</p><p>“peso” do poder econômico e político.24</p><p>23 Idem: ver página 402 do artigo Fundamentos Sócio-Históricos da Educação</p><p>24 Fundamentos Sócio-Históricos da Educação: Disponível em:</p><p>Acesso em 11 de julho. 2022. Ver página 406.</p><p>http://www.dominiopublico.gov.br/</p><p>PRÁTICAS PEDAGÓGICAS V COMUNIDADES</p><p>47</p><p>A velocidade com que ocorrem os acontecimentos, assim como, a grande</p><p>quantidade de informações, faz com que a educação necessite obrigatoriamente ir para</p><p>além da educação formal. Pois, este modelo educacional serve como base ou</p><p>alicerce</p><p>para desenvolvimento de outras vias de aprendizado através da educação informal que,</p><p>ao considerar estes pilares, traz tona esta reflexão:</p><p>O aprender a conhecer pode ser considerado um meio e uma finalidade da vida</p><p>humana. A escola fixou-se neste pilar, buscando fornecer ao indivíduo os</p><p>conhecimentos que lhe permitam compreender o mundo que o cerca, com a</p><p>intenção de viver dignamente neste mundo. Esquece, porém, da finalidade</p><p>desta aprendizagem que é transmitir o prazer de compreender, de conhecer, de</p><p>descobrir. Há uma obrigatoriedade de transmissão de conteúdos e práticas sem</p><p>utilidade para a vida da sociedade da atualidade, que faz com que esse prazer</p><p>em conhecer transforme-se em obrigação em conhecer.25</p><p>Considerando que a aprendizagem deve se dar através do prazer pela pesquisa. “A</p><p>escola do século XXI deve trabalhar para recuperar essa alegria do conhecimento, através</p><p>do despertar da curiosidade intelectual, do estímulo ao sentido crítico e à pesquisa</p><p>individual.”26 O excesso de conteúdo, obrigatoriamente não traz mais conhecimento sem</p><p>o sentido crítico, dessa forma, verifica-se que:</p><p>Poderíamos sintetizar com as palavras de DELORS (1999): Aprender para</p><p>conhecer supõe, antes de tudo, aprender a aprender, exercitando a atenção, a</p><p>memória e o pensamento.</p><p>Do aprender a conhecer decorre o aprender a fazer, o que os torna, em grande</p><p>parte, indissociáveis.</p><p>Aqui, deve-se trabalhar com a aplicabilidade e a aplicação do aprendido. Em</p><p>outras palavras: trabalhar mostrando ao aluno qual a aplicação possível do</p><p>conteúdo na sua vida prática e acompanhando-o na execução dessa</p><p>transposição do teórico para o prático.</p><p>O aprender a fazer, diferente da noção antiga de formar para fazer, ou da</p><p>formação direcionada para a qualificação de mão-de-obra e a repetição de</p><p>práticas rotineiras, evoluiu da noção de qualificação de mão-de obra para a</p><p>noção de competência do profissional.</p><p>Qualificado é aquele indivíduo treinado para uma tarefa material determinada,</p><p>mais ou menos rotineira. Com a substituição das tarefas puramente físicas</p><p>pelas tarefas de produção mais intelectuais, de concepção, de organização, o</p><p>trabalho perde esse caráter material (“desmaterializa-se”, para usar um</p><p>neologismo) e passa a exigir maior competência individual. Nesta nova noção</p><p>de competência, além da formação técnica e profissional (qualificação), são</p><p>valorizados o comportamento social, a aptidão para o trabalho em equipe, a</p><p>capacidade de iniciativa, o gosto pelo risco. Qualidades como capacidade de</p><p>25 Fundamentos Sócio-Históricos da Educação: Disponível em:</p><p>Acesso em 11 de julho. 2022. Ver página 392.</p><p>26 Verificar artigo intitulado “Fundamentos Sócio-Históricos da Educação”, que contribui como um dos</p><p>aportes teóricos para o desenvolvimento deste trabalho. Encontra-se disponível em:</p><p>Acesso em 11 de julho. 2022.</p><p>http://www.dominiopublico.gov.br/</p><p>http://www.dominiopublico.gov.br/</p><p>PRÁTICAS PEDAGÓGICAS V COMUNIDADES</p><p>48</p><p>comunicação, de trabalhar em conjunto, de gerir e resolver conflitos tornam-se</p><p>mais importantes.27 (grifos do autor).</p><p>No reconhecimento do processo sócio-histórico faz-se necessário o indivíduo</p><p>conhecer sua história, saber quem somos ou o que foi imposto a nós através dos</p><p>conteúdos, para que possamos ter uma identidade própria. É nesse sentido, que se torna</p><p>imprescindível a comunidade escolar, executar novas concepções e práticas para ao</p><p>ensino sobre o reconhecimento das singularidades dos grupos inseridos nos processos</p><p>sócio-históricos e culturais, das diversas comunidades existentes no Brasil.</p><p>Observa-se que, a comunidade escolar no percurso de sua historicidade, vai</p><p>buscando aprimorar no que diz respeito ao direito, quanto a educação dita de qualidade,</p><p>desenvolver práticas de ensino e aprendizagem que estimule e possibilite acima de tudo</p><p>o respeito a valorização e, principalmente o reconhecimento identitário, dos agentes</p><p>sociais. Portanto, para pensarmos na construção de uma sociedade mais justa e</p><p>igualitária se faz necessário, atender com cautela, todos os públicos de estudantes,</p><p>grupos étnicos, que para estes, seus direitos educacionais encontram-se garantidos em</p><p>legislações específicas.</p><p>4.2.1 Dos Problemas Na Educação</p><p>A educação brasileira tem engatinhado ao longo dos anos, este é o resultado que</p><p>abarca o processo sócio-histórico das ações governamentais que, precisa</p><p>carinhosamente dar uma atenção especial ao processo de escolarização.</p><p>O quadro na educação precisa de uma administração atuante, a sociedade e a</p><p>comunidade escolar precisam ter mais participação, a escola é um direito de todos e um</p><p>dever do Estado:</p><p>Falta de equidade (igualdade na distribuição de recursos) e de eficiência na</p><p>gestão decorrem principalmente da dificuldade em se praticar o princípio</p><p>federativo e a divisão de responsabilidade previstos na Constituição. Por esse</p><p>princípio, competiria à União a responsabilidade sobre o Ensino Superior. A</p><p>competência do Ensino Médio e Fundamental II caso necessário é do Estado;</p><p>cabendo ao município a Educação Infantil e o Fundamental. Em caso de</p><p>impossibilidade de assegurar os 9 anos do fundamental, ao menos a primeira</p><p>parte deste nível de ensino (1º ao 5º ano) deve ser da responsabilidade do</p><p>município. A confusão entre essas responsabilidades, com a União assumindo</p><p>instituições em todos os níveis, os Estados assumindo Universidades, o</p><p>fundamental completo e a educação infantil e até a existência de universidades</p><p>mantidas por municípios, faz com que não exista uma distribuição racional das</p><p>responsabilidades, uma equidade no financiamento da educação e uma falta de</p><p>eficiência.28</p><p>27 Verificar página 408, do artigo intitulado “Fundamentos Sócio-Históricos da Educação”, que contribui</p><p>como um dos aportes teóricos para o desenvolvimento deste trabalho. Encontra-se disponível em:</p><p>Acesso em 11 de julho. 2022.</p><p>28 Fundamentos Sócio-Históricos da Educação: Disponível em:</p><p>Acesso em 11 de julho. 2022. Ver página, 413.</p><p>http://www.dominiopublico.gov.br/</p><p>http://www.dominiopublico.gov.br/</p><p>PRÁTICAS PEDAGÓGICAS V COMUNIDADES</p><p>49</p><p>A sociedade se mantém desinformada, as escolas continuam com professores</p><p>sem aperfeiçoamento para as necessidades do ensino, vemos que “A escola é o único</p><p>lugar onde o fracasso do paciente é considerado sinal de qualidade”, temos os</p><p>professores que reprovam, assim como, os que permitem a progressão sem que haja</p><p>conhecimento. Temos inclusive os que dizem – o governo finge que paga e eu finjo que</p><p>ensino. Observa-se que as escolas seguem regras políticas de governos e não políticas</p><p>educacionais governamentais, não se observa discussões do Projeto Político</p><p>Pedagógico. A educação, podemos dizer, que não sintoniza com as necessidades da</p><p>sociedade. As inclusões sejam sociais ou digitais ainda está bastante distanciada da</p><p>comunidade, a escolarização precisa ser implementada.</p><p>4.2.2 Exclusão Social</p><p>O Brasil ainda é um país de grandes desigualdades sociais, o que é reconhecido ao</p><p>longo do processo sócio – histórico. A exclusão social não está ligada apenas à pobreza,</p><p>ela está presente em outras formas como a questão religiosa, indígena, raça, cor, sexo e</p><p>todas essas afetam no contexto escolar. A escola para todos de forma sutil e interna,</p><p>tem exclusões.</p><p>Com as mudanças ocorridas no mercado de trabalho, com a globalização da</p><p>economia e a flexibilização do trabalho, a desigualdade social anteriormente</p><p>reproduzida pela escola acaba fazendo com que, hoje, ela seja fator de produção</p><p>de desigualdade social. Uma produção de desigualdade real porque forma um</p><p>aluno sem fornecer-lhe as competências necessárias para viver nesse mundo</p><p>em constante mutação, com o mercado de trabalho mais precário e flexível,</p><p>onde é preciso receber uma educação permanente, uma constante</p><p>atualização.29</p><p>É necessário que o acesso universal,</p><p>realmente aconteça, para que haja uma</p><p>educação com igualdade e não venhamos aqui discutir exclusão social.</p><p>4.2.3 Racismo</p><p>Um dos grandes problemas ainda encontrados no Brasil é o Racismo,</p><p>principalmente por ele ser coberto por uma cortina de fumaça, mesmo tendo lei</p><p>específica de combate ao racismo que considera como crime inafiançável, o passar dos</p><p>anos ainda não desconstruiu o que foi criado em um passado não muito distante. Foi</p><p>através das lutas que os negros alcançaram uma série de conquistas entre essas</p><p>conquistas está a educação dos afrodescendentes.</p><p>É necessária a implantação de uma educação multicultural que ponha em causa</p><p>o que chamamos de pluralismo cultural, ou a simples difusão da ideia da</p><p>coexistência pacífica de várias culturas, implantando um pensamento</p><p>pedagógico e sociológico sério sobre como lidar com a diferença na escola.</p><p>Uma educação multicultural não dirigida essencialmente às minorias étnicas,</p><p>mas preocupada com as diferenças culturais, em termos étnicos, de gênero, de</p><p>cultura, de classe social e de idade. A cultura no sentido mais amplo do termo.</p><p>29 Idem: verificar o artigo Fundamentos Sócio-Históricos da Educação, página 416.</p><p>PRÁTICAS PEDAGÓGICAS V COMUNIDADES</p><p>50</p><p>É a interação, o cruzamento entre estas diferentes culturas, entre as diferentes</p><p>formas de lidar com a diferença, que se revela fundamental para o professor na</p><p>sala de aula. A integração dos diversos grupos culturais é o que pode levar ao</p><p>princípio de tolerância e acabar com as formas de discriminação.30</p><p>Cabe as escolas, através de seus educadores, deixar bem esclarecido entre os</p><p>estudantes que não existem seres superiores ou inferiores, que tudo foi criado por</p><p>alguns seres com finalidades de inferiorização dos seres humanos.</p><p>4.2.4 Intolerância Religiosa</p><p>A Constituição Brasileira trata o país como um Estado laico, onde o cidadão tem o</p><p>direito de ter ou não uma religião e que seja respeitado por todos, no entanto, não é isso</p><p>que acontece no meio social, o Ensino Religioso é previsto nas escolas do ensino</p><p>fundamental, porém, a maioria dos professores, por falta de conhecimento, tratam como</p><p>se fosse da religião cristã. Dessa forma torna excludente aqueles que não tem religião,</p><p>que não são desse seguimento religioso ou mesmo que são ateus.</p><p>4.3 AS COMUNIDADES COMO ESPAÇOS DE INTERVENÇÃO</p><p>PEDAGÓGICA</p><p>Segundo Dias da Silva (2014), pensar na comunidade como espaço de intervenção,</p><p>tem sido uma tendência nas sociedades contemporâneas. É dessa forma, que o autor</p><p>após realizar diversos estudos sobre esta temática, considera que, “são evocadas na</p><p>busca pela comunidade como espaço de educação preventiva, de formação cidadã e de</p><p>intervenção democráticas”.</p><p>Diante disso, a seguridade que gira em torno do campo educacional, através das</p><p>políticas de escolarização, precisam estar cada vez mais atuante, para que seja evitado</p><p>que nenhum sujeito possa ser excluído da comunidade em que se encontra inserido, é</p><p>preciso também ter o cuidado necessário, para saber implementar políticas de</p><p>intervenção pedagógica. Por isso, vale ressaltar que:</p><p>Considerar as comunidades como espaços de intervenção pedagógica</p><p>constitui-se, contemporaneamente, como um dos grandes sentidos das</p><p>políticas de escolarização. Idealizar uma instituição de ensino que não fique</p><p>circunscrita ao espaço delimitado por seus muros, que produza sentido na vida</p><p>dos estudantes e de suas comunidades, apresenta-se como a grande utopia</p><p>pedagógica brasileira no início do século XXI. A organização do trabalho escolar,</p><p>tanto na gestão de seus processos pedagógicos, quanto na seleção dos</p><p>conhecimentos escolares, tem atribuí¬do centralidade à participação</p><p>comunitária. (DIAS da SILVA, 2014, p. 947).</p><p>Os acontecimentos mundiais que envolve as questões econômicas e sociopolítica</p><p>no decorrer dos anos nos leva a considerar os espaços comunitários no conjunto da</p><p>sociedade. Neil Mars (2016, posição, 49), “nos diz que é na comunidade local que a ação</p><p>30 Fundamentos Sócio-Históricos da Educação: Disponível em</p><p>Acesso em 11 de julho. 2022. Ver página 423.</p><p>http://www.dominiopublico.gov.br/</p><p>PRÁTICAS PEDAGÓGICAS V COMUNIDADES</p><p>51</p><p>acontece, apesar das diferentes lógicas que configurarem diferentes formas de apoiar os</p><p>processos de mudança no sentido da territorialização da intervenção.”</p><p>As comunidades são espaços fecundos para o desenvolvimento da educação,</p><p>através das comunidades, pode ser feito uma melhor análise para se desenvolver</p><p>debates sobre questões sociais e culturais. O movimento comunitário através da</p><p>comunicação com atividades educativas, recreativas e lúdicas desenvolve a</p><p>socialização. Dias da Silva (2014, p. 947), nos diz que, “A teorização pedagógica produzida</p><p>nas últimas duas décadas tem sido fértil em novas imagens acerca dos espaços</p><p>educativos. Ideias como cidades educadoras, comunidades de aprendizagem ou mesmo</p><p>pedagogias cidadãs tornaram-se muito comuns nesse cenário”.</p><p>A insegurança pela qual passamos, nos leva a discutir comunidade como forma de</p><p>intervenção na educação, é o espaço democrático para os mais variados programas de</p><p>educação:</p><p>O educar politicamente, proposto pelo pensador, toma como objeto prioritário</p><p>“revelar ao indivíduo a verdade sobre o contexto social em que vive e sua posição</p><p>nele, para que essa verdade exerça todo o poder mobilizador que somente a</p><p>verdade possui” (idem, p. 74). Em nome dessa verdade, o alvo do processo de</p><p>ensino dessa abordagem pedagógica é o povo, pois este precisaria exercer um</p><p>controle mais efetivo sobre o ensino a que seus filhos estão submetidos. Tanto</p><p>para essa parcela da população, quanto para os educadores e administradores</p><p>públicos, o desafio posto está em posicionar o sentido dos processos</p><p>pedagógicos para além da sala de aula, comprometendo-os com posturas</p><p>políticas transformadoras. (DIAS Da SILVA, 2014, p. 953).</p><p>Entende-se que a educação de adultos de Álvaro Vieira Pinto (1982 apud DIAS da</p><p>SILVA, 2014), demarca as condições antropológicas e da história da educação, ele pontua</p><p>a educação como “trabalho social.” Certamente que não é errado pensar dessa forma,</p><p>pois a educação faz parte de um trabalho social, o educador forma membro da</p><p>comunidade e é um trabalhador, em muitas vezes, quando trabalha com adultos ele troca</p><p>de ideias.</p><p>Pensar na comunidade como espaço de intervenção tem se apresentado como</p><p>uma tendência nas sociedades contemporâneas. Diferentes programas nas</p><p>áreas de educação, saúde, meio ambiente e criminalidade, entre outras,</p><p>posicionam as comunidades como campos de intervenção privilegiados,</p><p>sobretudo ao terem como horizonte uma sociedade democrática. (DIAS Da</p><p>SILVA, 2014, p.952).</p><p>As comunidades são espaços em que seus membros buscam entender melhor</p><p>seus problemas, com mais criatividades que as instituições burocráticas. (DIAS Da</p><p>SILVA,2014, p.953) nos relata que “faz-se possível perceber algumas articulações entre</p><p>as comunidades e as novas po¬líticas de seguridade. Políticas de gerenciamento de</p><p>riscos, de perigos ou de medos coletivos, nesta analítica, são entendidas como</p><p>tecnologias de governo.”</p><p>Segundo Paulo Freire (1995 apud DIAS Da SILVA, 2014, p. 953) busca refletir como</p><p>uma prática educativa crítica que se faz história e também política. Freire, sugere um</p><p>compromisso político do educador.</p><p>PRÁTICAS PEDAGÓGICAS V COMUNIDADES</p><p>52</p><p>Agora bem, a impossibilidade total de ser neutros em face do mundo, do futuro</p><p>– que não entendo como um tempo inexorável, um dado, mas como um tempo a</p><p>ser feito através da transformação do presente com que se vão encarnando os</p><p>sonhos – nos coloca necessariamente o direito e o dever de nos posicionar</p><p>como educadores. O dever de não nos omitir. O direito e o dever de viver a</p><p>prática educativa em coerência com a nossa opção política. Daí que, se a nossa</p><p>é uma opção progressista, substantivamente democrática, devemos,</p><p>respeitando o direito que têm os educandos de também optar, para o que</p><p>precisam</p><p>de liberdade, testemunhar-lhes a liberdade com que optamos (ou os</p><p>obstáculos que tivemos para fazê-lo) e jamais tentar sub-repticiamente ou não</p><p>impor-lhes nossa escolha (idem, p. 69-70). (DIAS da SILVA, 2014, p. 954).</p><p>Dessa forma, pode-se perceber que havia um compromisso político de Freire ao</p><p>dirigir-se aos educadores, os quais compartilham as comunidades e nas quais buscam a</p><p>intervenção pedagógica. O educador nesse contexto busca entender que a escola lhe</p><p>pertence, é seu dever enquanto um ser progressista se fazer presente sempre para</p><p>condução da política educacional da escola, como aponta Freire (1995 apud DIAS Da</p><p>SILVA, 2O14, p.955).</p><p>A comunidade escolar é composta por alunos, pais, funcionários, professores, e</p><p>comunitários que tem interesses comuns. São sujeitos que devem ter como objetivo a</p><p>democratização da educação, compartilhando as decisões para que venha a favorecer</p><p>os processos coletivos, e como reconhecimento por uma educação que vislumbre o</p><p>saber adquirido pelo educando. As práticas de intervenção pedagógica são meios que</p><p>aprimoram o reconhecimento e a valorização para com a educação comunitária.</p><p>Guerra (2014, p. 12), tece uma observação ao analisar que:</p><p>[..], haja vista que as escolas comunitárias brasileiras se constituem, na sua</p><p>origem, em espaços escolares para os excluídos, seja pela condição geográfica,</p><p>poder aquisitivo, decadência da escola pública ou pela inadequação no</p><p>atendimento das necessidades e objetivos das camadas populares.</p><p>A partir das observações de Guerra (2014), nasce uma grande reflexão, a</p><p>realização de práticas de intervenção pedagógica entorno do campo das diversidades</p><p>na(s) comunidades, esse é um grande passo a ser tomado. Pois, através dessa prática</p><p>torna-se viável compreendermos as necessidades que carecem mais atenção por parte</p><p>dos governos federal, Estadual e municipal, atender as demandas direcionadas que</p><p>cabem no campo das comunidades escolares, respeitando seus espaços, suas</p><p>tradições, suas identidades.</p><p>Dessa forma, apresentar as comunidades como forma de intervenção</p><p>pedagógica, busca-se entender o enfrentamento dos inúmeros desafios que estas</p><p>principalmente as escolares, enfrentam no seu dia a dia. No bojo dos impactos que a</p><p>sociedade sofre, o acontecimento das mudanças sociais, é necessário que se</p><p>estabeleça uma interconexão entre conhecimento sistematizado e os saberes</p><p>incorporados advindos do meio social dos educandos. Por meio do apoio técnico das</p><p>práticas de intervenção pedagógica executadas nas comunidades escolares. ou pode-</p><p>se também definir como escolas comunitárias.</p><p>PRÁTICAS PEDAGÓGICAS V COMUNIDADES</p><p>53</p><p>Sendo assim, considera-se que após, um processo interventivo nestes espaços,</p><p>constrói a ideia de que, o currículo é a ferramenta inovadora que poderá nortear um</p><p>conhecimento elaborado para dentro das comunidades ou melhor, para o interior das</p><p>escolas comunitárias, consoante a isto:</p><p>[...], os saberes se intercruzam aos desafios e resoluções de problemas,</p><p>próprios da comunidade, com objetivo claro de melhoria da qualidade de vida. O</p><p>que não deixa de ser a luta por emancipação de que a educação com ciência é</p><p>um imperativo na luta pela cidadania, num tempo marcado tanto pelas</p><p>inovações científicas e tecnológicas, quanto pela violência, miséria e injustiça</p><p>social. (GUERRA, 2012, p. 14).</p><p>Considerando as exposições acima apontadas por Guerra (2012), quanto a</p><p>conexão entre saberes, cultura e os desafios que enfrentam as comunidades, essa</p><p>análise apresenta a luta por uma emancipação de uma educação intrínseca a ciência que</p><p>visa, a luta pela cidadania, ou seja, dar visibilidade aos agentes sociais, principalmente</p><p>aqueles fazem parte dos grupos minoritários. Por esta razão cabe ao procedimento</p><p>pedagógico, a emancipação de um currículo, como sinaliza Elizabeth Macedo (2004).</p><p>Ainda que se preocupem em colocar o currículo a favor do processo de</p><p>formação de novas identidades, Moreira & Macedo explicitam a “intenção [de]</p><p>que se reformule o conhecimento escolar de modo a favorecer a afirmação das</p><p>identidades e dos pontos de vista grupos minoritários” (MACEDO, 2004, p. 286-</p><p>287).</p><p>Com essa preocupação em destaque, as comunidades precisam ser vistas como</p><p>um espaço de intervenção, no sentindo também, de que se possa discutir um currículo</p><p>escolar que favoreça práticas voltadas para a afirmação das identidades das</p><p>comunidades e a interculturalidade. Mediante este fato, as comunidades assumem um</p><p>papel importantíssimo na vivência do educando. Salientando que, para se produzir e ter</p><p>acesso à educação de qualidade, não é apenas necessário um currículo, mas ofertar uma</p><p>formação continuada ao professo/educador, essa é outra preocupação que surgi em</p><p>relação as comunidades como intervenção pedagógica.</p><p>A formação profissional de professores deve assegurar, portanto, a aquisição</p><p>de conhecimentos sobre o desenvolvimento humano e a forma como cada</p><p>cultura caracteriza as diferentes faixas etárias. É necessário que os</p><p>professores tenham como instrumentos para conhecer e compreender</p><p>características culturais dos alunos-suas diferenças em função da idade e do</p><p>grupo social a que pertencem, e as diferentes representações sociais e</p><p>culturais que cada comunidade constrói dos diferentes períodos: infância,</p><p>adolescência, juventude e vida adulta – assim como as peculiaridades dos</p><p>portadores de necessidade especiais.31</p><p>Portanto, a busca por conhecer e refletir as teias de relação social entre a escola</p><p>e comunidade. Nesse âmbito também incluem além dos grupos acima mencionados,</p><p>crianças e adolescentes de rua, jovens e adultos sem escolarização, populações de</p><p>31 Ver em: Parte III. Orientações Para a Organização Curricular e de Ações de Formação, página, 88.</p><p>Disponível em:. Acesso em: 18/07/2022.</p><p>PRÁTICAS PEDAGÓGICAS V COMUNIDADES</p><p>54</p><p>assentamentos rurais, comunidades indígenas e de outras etnias32, como os</p><p>afrodescendentes. Dessa forma, o fazer acontecer que está entrelaçado as realidades</p><p>socioeducativas dos educandos e apontam as comunidades como espaço de inclusão</p><p>social e intervenção pedagógica.</p><p>4.4 AS POLÍTICAS DE ESCOLARIZAÇÃO PARA AS COMUNIDADES</p><p>As políticas de escolarização no Brasil, no seu contexto geral, são representadas</p><p>pelas leis que foram implementadas pelos governos e sempre baseados em suas</p><p>políticas, sendo considerado recente. As lutas têm início na década de 30, quando um</p><p>Manifesto em defesa da Escola Nova, onde houvesse uma escola pública laica, com</p><p>responsabilidade do Estado. Segundo Teixeira (1967 apud SANTOS, 2011), a revolução de</p><p>1930 marca um período crítico em que começaram a florescer os primeiros sinais de</p><p>inquietação, denunciadores do processo de integração política do país. Vejamos que:</p><p>Nos fins da década de 20 e 30, parecia, assim, que estávamos preparados para</p><p>a reconstrução de nossas escolas. A consciência dos erros se fazia cada vez</p><p>mais palpitante e o ambiente de preparação revolucionária era propício à</p><p>reorganização. O país iniciou a jornada de 30 com um verdadeiro programa de</p><p>reforma educacional. Nas revoluções, como nas guerras, sabe-se, porém, como</p><p>elas começam, mas não se sabe como acabam. (TEIXEIRA, 1976, p. 26 apud</p><p>SANTOS, 2011, p. 2).</p><p>Uma série de decretos para tentativa de regulamentação para reforma do ensino.</p><p>Com o advento do Estado Novo, o Presidente Getúlio Vargas fecha o Congresso e revoga</p><p>a Constituição de 1934, nesse período nasce uma segunda Reforma e posteriormente</p><p>muitas outras reformas na educação.</p><p>Apesar dos embates, das expectativas positivas e da força dos movimentos</p><p>progressistas, a aprovação da LDB de 1961 causou prejuízos para educação,</p><p>especialmente no que se refere à sua ampliação, pois fortaleceu o setor privado</p><p>e limitou a expansão do ensino público. Fazenda (1984) relata que com base</p><p>nesta Lei a questão da obrigatoriedade escolar do ensino primário</p><p>foi</p><p>oficialmente anulada pelo artigo 30. Aspectos que revelam assim uma vitória do</p><p>lado conservador. Sob a égide da referida Lei, a estrutura do ensino no Brasil</p><p>ganhou a seguinte forma:</p><p>a) Ensino Primário de cinco anos;</p><p>b) Ensino Médio dividido em: Ciclo ginasial com quatro anos e Ciclo Colegial com</p><p>três anos (científico, clássico, técnico ou normal).</p><p>Ainda com base na Lei nº 4.024/61 das Diretrizes e Bases da Educação Nacional,</p><p>foi elaborado em 1962, pelo Conselho Nacional de Educação, o primeiro Plano</p><p>Nacional de Educação, que estabelecia objetivos e metas qualitativas e</p><p>quantitativas para a educação em um período de oito anos. (CURY, 2006 apud</p><p>SANTOS, 2011, p.4).</p><p>Em 1964, acontece o Golpe Militar, no Brasil e no campo educacional,</p><p>As reformas do ensino empreendidas pelo Regime Militar, apesar de</p><p>absorverem alguns elementos do debate anterior, guardavam sinuosos</p><p>32 Ver Parte III: Orientações Para a Organização Curricular e de ações de Formação. página, 90.</p><p>PRÁTICAS PEDAGÓGICAS V COMUNIDADES</p><p>55</p><p>processos de recondução. Tais processos asseguravam que recomendações</p><p>das agências internacionais e relatórios vinculados ao governo norte-</p><p>americano fossem cumpridos. Naquele momento, tratava-se de incorporar</p><p>compromissos assumidos pelo governo brasileiro na “Carta de Punta del Este”</p><p>(1961) e no Plano Decenal de Educação da Aliança para o Progresso, provindos</p><p>dos acordos entre o Ministério da Educação e a Agência de Desenvolvimento</p><p>Internacional MEC–AID. Iniciou-se assim, no Regime Militar, uma ‘confecção’ de</p><p>políticas de caráter desenvolvimentista, articuladas a um processo de</p><p>reorganização do Estado (Shiroma, Morais, Evangelista, 2002 apud SANTOS,</p><p>2011, p.5)</p><p>Mais uma série de leis e pacotes de decretos são publicados como forma de</p><p>garantir um ensino orgânico. O país tornou dependente de organismos internacionais.</p><p>No campo educacional, as reformas do ensino empreendidas pelo Regime</p><p>Militar, apesar de absorverem lguns elementos do debate anterior, guardavam</p><p>sinuosos processos de recondução. Tais processos asseguravam que</p><p>recomendações das agências internacionais e relatórios vinculados ao governo</p><p>norte-americano fossem cumpridos. Naquele momento, tratava-se de</p><p>incorporar compromissos assumidos pelo governo brasileiro na “Carta de Punta</p><p>del Este” (1961) e no Plano Decenal de Educação da Aliança para o Progresso,</p><p>provindos dos acordos entre o Ministério da Educação e a Agência de</p><p>Desenvolvimento Internacional MEC–AID. Iniciou-se assim, no Regime Militar,</p><p>uma ‘confecção’ de políticas de caráter desenvolvimentista, articuladas a um</p><p>processo de reorganização do Estado. (SHIROMA, et, al 2002 apud SANTOS,</p><p>2011, p. 5).</p><p>Com a discussão da abertura política algumas mudanças surgiram, muitos</p><p>educadores na busca pela democratização, em conjunto com outras entidades deu um</p><p>novo direcionamento e novas contribuições para educação conforme aponta Santos</p><p>(2011, p. 6):</p><p>a) Melhoria da qualidade na educação, incluindo-se neste âmbito:</p><p>preocupações com a permanência do educando na escola e com a distorção</p><p>idade-série; merenda escolar, transporte e material didático; redução do</p><p>número de alunos nas salas de aula; melhoria nas instalações das escolas;</p><p>formação adequada aos professores; revisão dos métodos; mudança nos</p><p>conteúdo dos livros didáticos.</p><p>b) Valorização e qualificação dos profissionais da educação, plano de carreira</p><p>nacional.</p><p>c) Democratização da gestão: reivindicava-se a democratização dos órgãos</p><p>públicos de administração educacional; descentralização administrativa e</p><p>pedagógica; gestão participativa dos negócios educacionais; eleição direta e</p><p>secreta para dirigentes de instituições de ensino; construção de comissões</p><p>municipais e estaduais de educação autônomas e amplamente compostas para</p><p>acompanhar a atuação política educativa; colegiados escolares eleitos pela</p><p>comunidade escolar;</p><p>d) Financiamento: defendia-se a ideia de que deveriam existir verbas públicas</p><p>exclusivas para a educação;</p><p>e) Ampliação da escolaridade obrigatória abrangendo creche, pré-escola,</p><p>primeiro e segundo graus.</p><p>PRÁTICAS PEDAGÓGICAS V COMUNIDADES</p><p>56</p><p>Em 1985, ocorre a eleição indireta de Tancredo Neves (faleceu sem assumir) e a</p><p>eleição da oposição. Com isso projetava-se que a política educacional tomasse uma linha</p><p>diferente ao que ocorria na fase da ditadura militar.</p><p>Em 1988, promulga-se a Constituição Cidadã, nela estava depositada a esperança</p><p>de todos os brasileiros com relação a todos os assuntos, principalmente as políticas de</p><p>escolarização, considerando-se que é através da educação que um país desenvolve. A</p><p>partir de 1990 as crescentes expectativas tiveram seus momentos de diminuição,</p><p>talvez pela curta duração do governo turbulento de Collor/Itamar. A seguir Fernando</p><p>Henrique foi eleito e nasce a discussão para elaboração da Lei de Diretrizes e Base da</p><p>Educação de 1996.</p><p>Segundo esta lei, a Educação básica abrange: a) Educação infantil constituída</p><p>pela creche para crianças de zero a três anos e pré-escolas para crianças de</p><p>quatro a seis anos; b) Ensino fundamental constituído por oito anos; c) Ensino</p><p>médio constituído por três séries.</p><p>Na prática, com a aprovação do projeto de Darcy Ribeiro, o governo acabou, por</p><p>assim dizer, ceifando parte da fecundidade dos debates do movimento dos</p><p>educadores, iniciados na década de 1980. Várias bandeiras que foram</p><p>levantadas durante o movimento acabaram distorcidas ou completamente</p><p>descaracterizadas de sua ideia original, como por exemplo: capacitação de</p><p>professores foi traduzida em profissionalização; participação da sociedade civil</p><p>assumiu a forma de articulação com empresários e ONGs; descentralização</p><p>significou desobrigação do Estado; autonomia ganhou contorno de liberdade</p><p>para captação de recurso;</p><p>Toda essa sinuosa reconversão foi necessária ao governo de Fernando</p><p>Henrique, pois naquele contexto, agências financiadoras internacionais (FMI,</p><p>Banco Mundial etc.), já citadas, solicitavam aos países em desenvolvimento que</p><p>reduzissem gastos públicos, privatizassem suas empresas públicas e, nas</p><p>atividades custeadas pelo estado, encontrassem novas formas de recurso</p><p>(GRACINDO e KENSKI, 2001, apud SANTOS, 2011, p. 8).</p><p>Após Fernando Henrique, tivemos o governo Lula, com início em 2003, que</p><p>durante os dois primeiros anos do mandato esteve ligado as ações do governo anterior,</p><p>posteriormente foram implantadas uma série de medidas.</p><p>1) O Programa Universidade para Todos – PROUNI, lançado em 2004, consiste</p><p>em concessão de bolsas de estudo para alunos de graduação em universidades</p><p>privadas. São concedidas bolsas parciais para os estudantes cuja renda</p><p>familiar, por pessoa, seja de até três salários-mínimos, e bolsas integrais para</p><p>aquelas cuja renda familiar é inferior a um salário e meio. Como forma de</p><p>incentivar as universidades a participarem do programa, tem sido oferecida a</p><p>isenção de impostos. As críticas que estão sendo feitas a este programa</p><p>encontram-se vinculadas à redução de expectativas dos jovens das camadas</p><p>mais pobres de terem acesso ao ensino superior público (Pinto, 2009).</p><p>2) O Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das</p><p>Universidades Federais (REUNI), lançado em 2007, objetiva a ampliação de</p><p>vagas nas Universidades e a redução das taxas de evasão nos cursos</p><p>presenciais de graduação. As críticas a este programa têm como base a</p><p>preocupação desta ampliação das vagas estar associada unicamente ao</p><p>PRÁTICAS PEDAGÓGICAS V COMUNIDADES</p><p>57</p><p>aumento do número de alunos por professor, não demandando, contudo, novas</p><p>formas de custeio (Pinto, 2009).</p><p>3) A instituição do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação</p><p>Básica e de Valorização do Magistério – FUNDEB, em vigor desde janeiro de</p><p>2007, encaminha recursos para a toda a Educação Básica, substituindo o</p><p>FUNDEF, que vigorou de 1997 até 2006.</p><p>4) O Plano de Desenvolvimento da Educação – PDE, lançado em 2007,</p><p>diferentemente dos outros programas, constitui-se em uma espécie de</p><p>a prática de extermínios e formação de grupos</p><p>paramilitares de controle de drogas e da sociedade. Morin (2009 apud GUERRA, 2012, p.</p><p>85), sinaliza, que “o neoliberalismo, provocou uma unificação econômica e técnica, mas</p><p>também produziu resistência étnica e nacional se abre a novas vias de desenvolvimento</p><p>para a humanidade.” Neste sentido, para romper essas mazelas que assolam a</p><p>sociedade, a educação libertadora é o caminho determinante para quebra de paradigmas</p><p>que fomentam exclusão social.</p><p>A Pedagogia Social dentro do grande campo da educação, tem o objetivo de</p><p>promover o ensino inclusivo, capaz de romper as possíveis barreiras sociais para o</p><p>aprendizado, Graciani (2014), assevera que a Pedagogia Social, “se origina deste turbilhão</p><p>de fatores por não conceber a existência da democracia sem considerar a cidadania e a</p><p>inclusão social. Sua proposta educativa é comprometida com esta mudança social”.</p><p>1 IBGE: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. “Como superar a extrema pobreza no Brasil”.</p><p>Disponível em:. Acesso em: 09</p><p>de jun. 2022</p><p>https://pontesocial.org.br/post-como-superar-a-extrema-pobreza?B</p><p>PRÁTICAS PEDAGÓGICAS V COMUNIDADES</p><p>6</p><p>A Pedagogia Social caracteriza-se como uma ciência transversal aberta às</p><p>necessidades populares, ela instiga a capacidade de sonhar com uma realidade mais</p><p>humana e mais justa, não é apenas um processo lógico e intelectual, ela procura</p><p>promover a capacidade pessoal como sujeito da própria história, busca suscitar a</p><p>transformação e a ação entre os excluídos, contrapondo-se ao modelo assistencialista,</p><p>objetivando superar a ingenuidade, buscando esperança de uma sociedade mais justa e</p><p>igualitária.</p><p>Essa teoria educacional busca utilizar a prática de uma educação popular, tendo</p><p>como a socio comunitária e a não formal, ou seja, a não escolar. Visando, sobretudo a</p><p>formação cultural como cidadãos aos grupos que são considerados marginalizados,</p><p>como: indígenas, negros, quilombolas, portadores de deficiência mental e física e outros</p><p>mais.</p><p>Santos e Paula (2014), em seu artigo, A Teoria de Paulo Freire como Fundamento</p><p>da Pedagogia Social, à guisa de conclusão, trazem para esta discussão contribuições e</p><p>apontamentos de Paulo Freire grande precursor da Pedagogia no Brasil:</p><p>A obra de Freire e os estudiosos da Pedagogia Social no Brasil inspiram</p><p>processos socioeducativos inovadores. A proposta reafirmada pelo autor, e por</p><p>esses estudiosos a respeito de uma educação problematizadora, converge com</p><p>os desafios concretos no campo social hoje. O legado de Freire está</p><p>intimamente articulado com os movimentos sociais, especialmente nos anos</p><p>de 1960 e 1970. Por isso, levar em consideração determinadas características</p><p>facilita o direcionamento do que queremos focar enquanto uma Pedagogia</p><p>Social originalmente brasileira, [...]. (SANTOS; PAULA, 2014, p. 41).</p><p>De acordo com a pesquisadora de Pedagogia Social Maria Estela Santos Graciani,</p><p>que há muitos anos trabalha com crianças e adolescentes que vivem em condições</p><p>extremas de vulnerabilidade social, defende uma concepção esperançosa e política para</p><p>a educação. Em 2014, nos traz, no contexto de sua obra Pedagogia Social, apresenta as</p><p>seguintes proposições:</p><p>Criar, inicialmente, uma teoria renovada da relação homem-sociedade-cultura,</p><p>com uma ação pedagógica essencialmente libertadora, a partir do exercício em</p><p>todos os níveis e modalidades da prática social;</p><p>Realizar-se no domínio específico da prática social com classes sociais</p><p>populares, a partir de um trabalho político-educacional de libertação popular,</p><p>com o intuito de ser conscientizadora com sujeitos, grupos e movimentos das</p><p>camadas excluídas;</p><p>Concretizar-se como ação educativa com agentes e sujeitos comprometidos,</p><p>na qual se estabelece, por meio da relação dialógica, um sistemático processo</p><p>de intercâmbio de conhecimento e saberes em que a troca de experiências é</p><p>primordial;</p><p>Orientar-se pela Pedagogia libertadora protagônica, baseada</p><p>fundamentalmente na memória histórica, na identidade coletiva, na dinâmica</p><p>cultural, na possibilidade entre a capacidade lógica de compreender os liames</p><p>capitalistas e a valorização da participação comunitária, autoestima,</p><p>autovalorização, autoconfiança e autodeterminação de sujeitos que tentam</p><p>construir uma nova ordem social, econômica e cultural. (GRACIENI, 2014).</p><p>PRÁTICAS PEDAGÓGICAS V COMUNIDADES</p><p>7</p><p>1.1.1 As dimensões da Pedagogia Social</p><p>Em termos gerais, A Pedagogia Social, é uma área dentro da educação que</p><p>objetiva garantir um ensino para todos, respeitando as diferenças e limitações de cada</p><p>aluno, visa o desenvolvimento humano com base no autoconhecimento:</p><p>Dimensões Basilares da Pedagogia Social</p><p>Fonte: Livro de Pedagogia Social, (GRACIENI,2014)</p><p>As Dimensões Basilares tais como: Democrática, Solidária, Participativa e a</p><p>Transformadora, dentro da Pedagogia Social, buscam desenvolvimento que servem de</p><p>base para sustentação do autoconhecimento, da autovalorização, do autoconceito e da</p><p>autoproteção. Essas dimensões referem-se ao desenvolvimento das atividades e</p><p>propiciam a construção coletiva do conhecimento e a elaboração do projeto político</p><p>pedagógico de qualquer programa educacional. Para isso faz-se necessário uma equipe</p><p>interdisciplinar e de flexibilidade pedagógica</p><p>1.2 EDUCADOR SOCIAL</p><p>1.2.1 O Educador Social: Sua função e suas Habilidades</p><p>Teóricas/Metodológicas</p><p>“Ser um educador social é um grande desafio, pois constitui-se em uma tarefa</p><p>artesanal de construir uma ideia, uma obra uma esperança futura, edificar</p><p>saberes aprendidos e cultivados no cotidiano da vida em um movimento</p><p>dinâmico e complexo entre os seres humanos. Toda relação educativa é uma</p><p>relação de e entre pessoas que aprendem a viver os saberes, os valores, os ritos,</p><p>hábitos e costumes de uma determinada época em uma dada sociedade” (Stela</p><p>Graciani).</p><p>Para Graciani (2014), o educador social é um pesquisador, investigador que</p><p>desenvolve sua prática educativa, objetivando intervir nas dificuldades do educando.</p><p>Esse profissional atua visando a promoção e a integração social das pessoas,</p><p>comunidades, que se encontram a margem da sociedade em situação de risco e</p><p>vulnerabilidade. Dessa forma, a Pedagogia Social, exige do produtor de conhecimentos,</p><p>não somente as normas técnicas de produção, mas também, virtudes como a</p><p>solidariedade humana e o compromisso político para com o educando, que significam</p><p>pilares para o fazer necessário.</p><p>Dimensão</p><p>Transformador</p><p>a</p><p>Dimensão</p><p>Solidária</p><p>Dimensão</p><p>Participativ</p><p>a</p><p>Dimensão</p><p>Democrática</p><p>PRÁTICAS PEDAGÓGICAS V COMUNIDADES</p><p>8</p><p>Para o grande precursor da Educação no Brasil Paulo Freire (2003, p. 177), “o</p><p>educador ou educadora como um intelectual tem que intervir. Não pode ser um mero</p><p>facilitador”. Diante dessas observações, os profissionais de educação precisam</p><p>acreditar na capacidade de uma transformação social, tendo como um modelo de</p><p>educação, a humanitária.</p><p>Em artigo intitulado, AS COMPETÊNCIAS PEDAGÓGICAS DO EDUCADOR SOCIAL</p><p>NO PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO HUMANO NA EDUCAÇÃO SOCIAL, os autores</p><p>mostram que o conhecimento é um aporte teórico que apresenta uma abordagem</p><p>altamente profunda sobre o papel do educador social em diversas concepções,</p><p>conceitos e práticas, sobretudo, em suas funções:</p><p>Para exercer a função de educador social com eficiência, [...], é evidente que o</p><p>profissional necessita de formação contextualizada, ampla e multirreferencial</p><p>em questões sociais. O trabalho do educador social é reintegrar indivíduos em</p><p>situações vulneráveis e/ou assistidos socialmente, isso envolve desde crianças</p><p>até idosos. É ele que atua nas diferentes situações vividas por estes indivíduos,</p><p>de modo a estabelecer variações em sua vida social e produtiva [...]. (SANTOS,</p><p>et al, 2017, p. 06).</p><p>Na progressão de suas habilidades teórico-metodológicas espera-se que o</p><p>educador social:</p><p>• Possua uma visão crítica</p><p>programa guarda-chuvas, sob o qual se alinham os demais programas e ações</p><p>do governo para toda a educação (educação infantil, ensino fundamental,</p><p>ensino médio, educação superior e pós-graduação). (SANTOS, 2011, p. 10).</p><p>No desenvolvimento dos trabalhos outras ações foram criadas ou anexadas.</p><p>FUNDEB, Pro-infância, Ensino Fundamental de nove anos, Provinha Brasil,</p><p>Programas de apoio ao Ensino Médio, Luz para todos, Educacenso, Prova Brasil,</p><p>PDE-Escola, Olimpíadas Brasileiras de Matemática das escolas públicas,</p><p>Olimpíadas Brasileiras da Língua Portuguesa escrevendo o futuro, Mais</p><p>Educação, Caminho da Escola, PNATE, Pró-escola, Proinfo, Biblioteca na</p><p>Escola, Saúde na escola, Olhar Brasil, Educação Especial, Brasil alfabetizado,</p><p>PNLA, Proeja, Projovem campo, Brasil profissionalizado, IFET, E-TEC Brasil,</p><p>Catálogo Nacional dos Cursos Técnicos, Catálogo dos Cursos Superiores de</p><p>Tecnologia, Piso Salarial do magistério, Sistema Nacional de Formação de</p><p>Professores, Pripid, UAB, Pró-letramento, Pró-funcionário, Expansão do Ensino</p><p>Superior, dentre outros. (SANTOS, 2011, p. 11).</p><p>Além de todas as ações já citadas no decorrer das décadas, temos a melhoria da</p><p>educação indígena que teve início com os jesuítas e que tem sido trabalhado de maneira</p><p>não eficiente mesmo atualmente, por não conter as especificidades necessárias relativo</p><p>as suas diferenças. As políticas para educação ou escolarização dos quilombolas que</p><p>deveriam ser trabalhadas baseada na Lei 10639/2003, para que haja a valorização da</p><p>cultura afrodescendente, para que estes povos sejam realmente valorizados. Não pode</p><p>ser deixado de lado a educação de Jovens e Adultos.</p><p>[...], em 1990, o Brasil participou, juntamente com outros países, da Conferência</p><p>Mundial realizada em Jontiem, na Tailândia, que contou com patrocinadores,</p><p>como a UNESCO, o Programa das Nações Unidas para o desenvolvimento</p><p>(PNUD), o Fundo das Nações Unidas para Infância (UNICEF) e o Banco Mundial.</p><p>Nessa conferência, foi aprovada a Declaração Mundial sobre a Educação para</p><p>Todos, cujos objetivos, segundo Haddad e Di Pierro (2000), foram publicizar a</p><p>realidade mundial do analfabetismo de pessoas jovens e adultas, anunciar os</p><p>índices insatisfatórios de escolarização na Educação Básica e acelerar o</p><p>“repensar” a educação nos âmbitos internacional e nacional. (TRENTIN, 2021,</p><p>p.4).</p><p>De uma forma ou de outra as políticas educacionais deverão ter atuação da</p><p>sociedade, assim como de todas as comunidades que envolvem o processo de</p><p>escolarização, pois somente com a atuação dos envolvidos haverá mudanças para</p><p>qualidade do ensino, ou mais precisamente um ensino de qualidade.</p><p>PRÁTICAS PEDAGÓGICAS V COMUNIDADES</p><p>58</p><p>4.5 A IMPORTÂNCIA DAS POLÍTICAS DE ESCOLARIZAÇÃO PARA AS</p><p>COMUNIDADES</p><p>As políticas sociais estão no conjunto das políticas públicas educacionais,</p><p>políticas essa que devem ser praticadas nas escolas, pois é onde acontece a</p><p>escolarização, e principalmente quando democraticamente há a participação das</p><p>comunidades que enquanto sociedade civil participa da luta pelo direito a uma educação</p><p>de qualidade.</p><p>A escola é uma instituição cujo papel na sociedade é de responsabilizar-se pela</p><p>educação formal dos cidadãos, se posicionando como um dos agentes em</p><p>condições de contribuir para a transformação destas, sendo dever do Estado</p><p>garantir a estrutura e a qualidade de ensino nas escolas. Sabemos que a</p><p>educação pública é responsabilidade do governo federal, estadual e municipal.</p><p>A política pública é um sistema de ações sociais que compreende um esforço</p><p>da sociedade principalmente das instituições para garantir de forma</p><p>permanente, os direitos de cidadania a todos, fundamentalmente os mais</p><p>necessitados que estão na zona de pobreza e esquecido pelos políticos. Daí a</p><p>necessidade da promoção de políticas públicas adequada seja na saúde ou na</p><p>educação, aéreas estas que devem ter maior atenção.33</p><p>Segundo Ferreira (2014 apud DELGADO; SILVA, 2018, p.68), “não há como construir</p><p>uma sociedade voltada para a cidadania, ética e valores familiares sem que a educação</p><p>possa ser o alicerce que fecunda os pilares da dignidade”. As políticas públicas devem</p><p>buscar a melhor maneira para solução dos grandes problemas na educação.</p><p>Conforme estabelecido na Lei 9394/96 - Lei de Diretrizes e Bases da Educação</p><p>Nacional (LDB): “Art. 2º - A educação, dever da família e do Estado, inspirada nos</p><p>princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno</p><p>desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua</p><p>qualificação para o trabalho.” (DELGADO; SILVA, 2018, p.68).</p><p>A estrutura do sistema educacional brasileiro ainda reserva muitos problemas,</p><p>tanto em seu conteúdo, quanto na própria estrutura, continuamos deslocado da</p><p>sociedade, e a sociedade deslocada das políticas educacionais. Conforme já colocado</p><p>anteriormente a participação das comunidades ainda é muito deficitária, muitos ainda</p><p>não compreenderam que a partir do envolvimento das comunidades haverá maior</p><p>desenvolvimento da escolarização, um misto de educação entre comunidade e escola.</p><p>Conforme Schwartzman (2005) há muitos problemas no ensino básico que</p><p>devem ser analisados e levados em conta pelas políticas públicas educacionais,</p><p>essas questões visam a qualidade da educação, a recuperação de adolescentes</p><p>e adultos jovens que por algum motivo deixaram a escola ou estão atrasados no</p><p>ensino. Para que algumas situações tenham novas configurações, o currículo</p><p>escolar por exemplo, deve ser reformulado com o objetivo de proporcionar um</p><p>melhor atendimento as necessidades dos alunos. Desta forma, a LDB (Leis e</p><p>33 Ver: As Práticas de Políticas Públicas na Educação entre 1990 a 2010, o que são e quais seus objetivos</p><p>tanto para o governo quanto para a sociedade. p. 1. Disponível em:</p><p>PRÁTICAS PEDAGÓGICAS V COMUNIDADES</p><p>59</p><p>Diretrizes e Bases) tem a intenção de preservar o direito da sociedade em fazer</p><p>uso dos benefícios da escola a todos, com respeito as diferenças e limitações e</p><p>que trate o indivíduo como agente de sua própria aprendizagem. (SOUZA, 2013</p><p>apud DELGADO; SILVA, 2018, p. 72).)</p><p>De acordo com os apontamentos dos autores (FERREIRA; SANTOS, 2014, p. 144).</p><p>“Não há como construir uma sociedade efetivamente voltada para a cidadania, a ética e</p><p>valores de família sem que a educação possa ser o alicerce que fecunda os pilares da</p><p>dignidade.”</p><p>Diante destes aspectos tem-se que as Políticas Públicas se voltam para o</p><p>enfrentamento dos problemas existentes no cotidiano das escolas, que</p><p>reduzem a possibilidade de qualidade na educação. No entanto, somente o</p><p>direcionamento destas para a educação não constitui uma forma de</p><p>efetivamente auxiliar crianças e adolescentes a um ensino de melhor qualidade,</p><p>posto que existam outros pontos que também devem ser tratados a partir das</p><p>Políticas Públicas, como os problemas de fome, drogas e a própria violência que</p><p>vem se instalando nas escolas em todo o Brasil (QUADROS, 2008).</p><p>Quando se fala em Políticas Públicas na educação a abordagem trata-se da</p><p>articulação de projetos que envolvem o Estado e a sociedade, na busca pela</p><p>construção de uma educação mais inclusiva e de melhor qualidade, ou seja, que</p><p>resgate a construção da cidadania (GIRON, 2008 apud DELGADO; SILVA, 2018. p</p><p>146).</p><p>Certamente que há um elo entre políticas públicas e qualidade de educação, a</p><p>família necessita ser o primeiro porto seguro para as crianças e na sequência a escola e</p><p>a comunidade enquanto parte da sociedade darão o complemento. Faz-se necessário</p><p>buscar alcançar excelência em qualidade na educação</p><p>Neste sentido, se observam que as transformações vivenciadas no cenário</p><p>educacional, especialmente, nas escolas públicas nas últimas décadas, estão</p><p>diretamente ligadas às mudanças ocorridas nos campos político, social</p><p>econômico e cultural, que originam uma nova situação nas condições de vida da</p><p>sociedade, seja no campo social ou econômico</p><p>( FURGHESTTI, 2012).</p><p>Compreender a necessidade de qualidade na educação e buscar a construção</p><p>desta qualidade somente ocorre quando a escola cumpre com seu papel social</p><p>e educacional, pois, quando a escola não cumpre efetivamente seu papel</p><p>(SAVIANI, 2010 apud FERREIRA; SANTOS, 2014, p.147).</p><p>Entende-se o quanto é difícil e complexo a questão da qualidade da educação</p><p>considerando o espaço que alcança o processo quando se considera todos os atores que</p><p>envolve uma comunidade escolar, desde a construção de uma escola, passando pela</p><p>qualificação de seus educadores e gestores, o corpo de colaboradores e todos os</p><p>envolvidos no contexto da comunidade.</p><p>A qualidade da educação não pode ser discutida baseando-se na privatização da</p><p>educação, tem que discutida baseado em programas que busquem uma relação entre as</p><p>leis que regem a educação pública, os entes que envolvem essa educação,</p><p>principalmente os estudantes. Que haja um processo democrático para que todos</p><p>tenham voz e vez, para que haja a aplicabilidade de todas as ações, em que o processo</p><p>PRÁTICAS PEDAGÓGICAS V COMUNIDADES</p><p>60</p><p>inclusivo possa acontecer em todos as áreas e a comunidade possa sentir a importância</p><p>da política de escolarização no seio da comunidade.</p><p>As políticas de escolarização fazem parte do conjunto de políticas públicas de</p><p>educação ou mesmo políticas que levam os conjuntos de saberes e</p><p>aprendizados para escolas. Toda e qualquer política é originária de planos e</p><p>obviamente que os planos são compostos de metas, estratégias e diretrizes,</p><p>assim são os Plano Nacional de Educação, Plano Estadual de Educação e Plano</p><p>Municipal de Educação, são plano de políticas públicas, essencialmente planos</p><p>de Educação, eles devem estar articulados, precisam estar alinhados. Como</p><p>asseveram (FERREIRA; NOGUEIRA, 2015, p.7).</p><p>PME precisa estar alinhado ao PNE e ao PEE. Considerando que os planos</p><p>municipais de educação poderão ser limitados ou potencializados pelos planos</p><p>estaduais, é recomendável que todos os segmentos da sociedade e das três</p><p>esferas de governo se envolvam na construção dos PEEs da mesma forma que</p><p>se envolveram na construção do PNE e façam o mesmo com relação ao PME no</p><p>seu respectivo município. O PEE precisa refletir uma pactuação entre o governo</p><p>estadual e os governos municipais em cada estado, pois as metas estaduais</p><p>devem ser refletidas em uma combinação de metas municipais em cada</p><p>unidade da federação. A soma das metas estaduais, por sua vez, deve ser</p><p>suficiente para o alcance das metas nacionais. Por esse motivo, o necessário</p><p>encadeamento da construção das metas entre o PNE, PEEs e PMEs.</p><p>PME deve ser do município, e não apenas da rede ou do sistema municipal. O</p><p>Plano Municipal de Educação é de todos que moram no município; portanto,</p><p>todas as necessidades educacionais do cidadão devem estar presentes no</p><p>plano, o que vai muito além das possibilidades de oferta educacional direta da</p><p>prefeitura.</p><p>Intersetorialidade é uma premissa estratégica para dar sentido ao Plano,</p><p>considerando que o projeto de educação de um município não é tarefa apenas</p><p>do órgão gestor da rede de ensino, mas do conjunto de instituições dos</p><p>governos, com a participação ativa da sociedade.</p><p>Por fim, uma premissa indispensável de trabalho é o fato de que o plano de</p><p>educação tem de ter legitimidade para ter sucesso. Planos construídos em</p><p>gabinetes ou por consultores alheios à realidade municipal ou do estado tendem</p><p>ao fracasso, mas um plano submetido ao amplo debate incorpora a riqueza das</p><p>diferentes visões e vivências que a sociedade tem sobre a realidade que deseja</p><p>alterar. (FERREIRA; NOGUEIRA, 2015, p.7).</p><p>A participação de todos torna tudo mais democrático, as pessoas da sociedade,</p><p>das comunidades escolares precisam entender que a educação ou escolarização</p><p>pertence a cada um, não importa se são parlamentares, professores, educadores, ou</p><p>seja, todo e qualquer elemento da sociedade, todos tem que entender que a educação</p><p>pertence a cidadão ou cidadã de qualquer que seja a comunidade. São as ações de cada</p><p>um que tornará o processo de escolarização mais efetivo e eficiente e igualitário.</p><p>PRÁTICAS PEDAGÓGICAS V COMUNIDADES</p><p>61</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>ALBUQUERQUE, Liana Correia Roquete de. A POLÍTICA DE ESCOLARIZAÇÃO</p><p>PARA ADOLESCENTES PRIVADOS DE LIBERDADE NO DISTRITO FEDERAL; Reunião</p><p>Nacional da ANPEd – 04 a 08 de outubro de 2015, UFSC – Florianópolis.</p><p>ARAÚJO, Ulisses F., KLEIN, Ana Maria. Escola e comunidade, juntas, para uma</p><p>cidadania integral. Cadernos Cenpec 2006 n. 2</p><p>As Práticas de Políticas Públicas na Educação entre 1990 a 2010, o que são e quais</p><p>seus objetivos tanto para o governo quanto para a sociedade. p. 1. Disponível em:</p><p>BOYES-WATSON, Carolyn; Kay PRANIS. CONSTRUINDO UMA COMUNIDADE</p><p>ESCOLAR RESTAURATIVA, Círculos em Movimentos – 2015. Disponível em:</p><p>Acesso em: 29/06/ 2022.</p><p>BRASIL. Ministério da Educação Secretaria de Educação Básica: Conselho</p><p>Escolar e o respeito e a valorização do saber e da cultura do estudante e da comunidade.</p><p>Brasília - DF</p><p>Novembro de 2004.</p><p>CARRARA, Ozanan Vicente. A NOÇÃO DE COMUNIDADE EM MARTIN BUBER.</p><p>Revista Filosófica São Boaventura, v. 11, n. 2, jul./dez. 2017.</p><p>CARVALHO, Isabel Cristina. Educação Ambiental Crítica: Nomes e</p><p>endereçamentos da educação. Disponível em:</p><p>Acesso em: 29/06/2022</p><p>Comunidade e Sociedade. Disponível</p><p>em:. Acesso em 16 de jun. 2022.</p><p>Conceito de escolarização: Disponível em: . Acesso em 01 de julho de 2022</p><p>DELGADO, Thaisy Correa Guerra; SILVA, Rita de Cassia. A IMPORTÂNCIA DAS</p><p>POLÍTICAS PÚBLICAS EDUCACIONAIS NO BRASIL. FABE em Revista, Bertioga, Vol.8,</p><p>2018.</p><p>DIAS da SILVA, Roberto Rafael. Comunidades como espaços de intervenção</p><p>pedagógica um estudo da docência no ensino médio. Revista Brasileira de Educação v.</p><p>19 n. 59 out.-dez. 2014.</p><p>¬¬___________________________. Políticas de escolarização e</p><p>governamentalidade nas tramas do capitalismo cognitivo: um diagnóstico preliminar</p><p>Educação e Pesquisa, vol. 39, núm. 3, julio-septiembre, 2013, pp. 689-704 Universidade</p><p>de São Paulo. São Paulo, Brasil.</p><p>PRÁTICAS PEDAGÓGICAS V COMUNIDADES</p><p>62</p><p>Fundamentos Sócio-Históricos da Educação. Disponível em:</p><p>Acesso em 11 de julho. 2022.</p><p>FERREIRA, Cleia Simone; SANTOS, Everton Neves dos. POLÍTICAS PÚBLICAS</p><p>EDUCACIONAIS: APONTAMENTOS SOBRE O DIREITO SOCIAL DA QUALIDADE NA</p><p>EDUCAÇÃO. Revista LABOR nº 11, v.1, 2014 ISSN: 19835000</p><p>FERREIRA, Luiz Antonio Miguel; NOGUEIRA, Flávia Maria de Barros. Impactos das</p><p>políticas educacionais no cotidiano das escolas públicas e o plano nacional de educação.</p><p>v. 3 n. 5 (2015): @rquivo Brasileiro de Educação.</p><p>GIL, Antônio Carlos, 1946- Como elaborar projetos de pesquisa/Antônio Carlos Gil.</p><p>- 4. ed. - São Paulo: Atlas, 200</p><p>GUERRA, Denise Moura. Ciências e Educação Popular Comunitária. Edição</p><p>EDUFBA. 2012</p><p>GRACIANI, Maria Estela Santos. Pedagogia Social. São Paulo: Cortez, 2014.</p><p>HARARI, Yuval Noah, 1976- Sapiens – uma breve história da humanidade / Yuval</p><p>Noah Harari; tradução Janaína Marcoantonio. – 1. ed. – L&PM Editores. Edição do Kindle.</p><p>Porto Alegre, RS: L&PM, 2015.</p><p>IBGE: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. “Como superar a extrema</p><p>pobreza no Brasil”. Disponível em:. Acesso em: 09 de jun. 2022.</p><p>LEMOS, Adriane Guimarães Siqueira. VIGOTSKI E O PROCESSO DE</p><p>ESCOLARIZAÇÃO: PROCESSOS DE ELABORAÇÃO DE CONCEITOS E AQUISIÇÃO DA</p><p>LINGUAGEM ESCRITA. 2018. Disponível em: .</p><p>LDB : Lei de diretrizes e bases da educação</p><p>nacional. – Brasília : Senado Federal,</p><p>Coordenação de Edições Técnicas, 2017.</p><p>MACEDO, Elizabeth. Currículo como espaço – tempo de fronteira cultural. Revista</p><p>Brasileira de Educação v. 11 n. 32 maio/ago. 2006.</p><p>MASSA, Monica de Souza. Ludicidade: da Etimologia da Palavra à Complexidade</p><p>do Conceito, APRENDER - Cad. de Filosofia e Psic. da Educação -Vitória da Conquista.</p><p>Ano IX n. 15 p.111-130- 2015.</p><p>MARS, Neil. 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A</p><p>TEORIA DA ATIVIDADE SÓCIO-HISTÓRICO-CULTURAL: UMA PROPOSTA PARA A PRÁTICA</p><p>DE PRODUÇÃO DE TEXTOS ESCRITOS PELA ARGUMENTAÇÃO. Caderno Seminal Digital</p><p>Ano 18, no 18, V. 18 (Jul-Dez/2012) – ISSN 1806-9142.</p><p>PRÁTICAS PEDAGÓGICAS V COMUNIDADES</p><p>64</p><p>SANTOS, Katia Silva. POLÍTICAS PÚBLICAS EDUCACIONAIS NO BRASIL: TECENDO</p><p>FIOS; 2011. Disponível em:</p><p>https://anpae.org.br/simposio2011/cdrom2011/PDFs/trabalhosCompletos/comunicaco</p><p>esRelatos/0271.pdf</p><p>Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais. Documento Orientador</p><p>Intervenção Pedagógica 2022: Secretaria de Estado de Educação Subsecretaria de</p><p>Desenvolvimento da Educação Básica; Superintendência de Políticas Pedagógicas;</p><p>Diretoria de Ensino Médio.</p><p>TAVARES, A. M. B. N. PEDAGOGIA SOCIAL E JUVENTUDE EM EXCLUSÃO:</p><p>COMPREENSÕES NECESSÁRIAS À FORMAÇÃO DE PROFESSORES HOLOS, vol. 4, 2015,</p><p>pp. 18-32: Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte -</p><p>Natal, Brasil.</p><p>TRENTIN, V. B. Políticas públicas da Educação de Jovens e Adultos e da Educação</p><p>Especial no Brasil: breve contextualização. Jornal de Políticas Educacionais. V. 15, n. 31.</p><p>Agosto de 2021.</p><p>Disponível em: https://blog.unyleya.edu.br/insights-confiaveis/o-que-sao-as-</p><p>politicas</p><p>educacionais/#Importancia_das_politicas_educacionais_para_a_formacao_dos_estud</p><p>antes>. Acesso em 01 de julho de 2022.</p><p>Disponível em:</p><p>e consciente das causas geradoras do processo de</p><p>exclusão do educando: da pauperização, da marginalização e da injustiça</p><p>social;</p><p>• Desenvolva ações conjuntas com a participação de todos os envolvidos no</p><p>processo educativo, quebrando as possíveis relações de poder hierárquico;</p><p>• Proponha uma ação organizada e orgânica entre poder governamental e</p><p>organizações não governamentais, buscando nas forças comunitárias</p><p>populares o apoio e o incremento da ação educativa;</p><p>• Valorize e democratize a cultura e socialize o saber popular, discutindo e</p><p>sistematizando-o a partir das formas de expressão e comunicação das</p><p>camadas populares;</p><p>• Acredite que a construção do conhecimento gestado e elaborado pelo</p><p>conjunto de participantes não somente é um processo de aprendizagem para</p><p>o educando e o educador, mas também da e para a sociedade no seu conjunto;</p><p>• Desterritorialize-se e parta para o encontro com os educandos e com eles</p><p>elabore o novo projeto educativo do cotidiano da aprendizagem, em que ambos</p><p>são protagonistas e atores sociais fundamentais;</p><p>• Tenha consciência do momento de cada educando que vive o mistério e</p><p>plenitude de seus dramas e sonhos introspectivos e a cadenciada energia</p><p>dinâmica implícita na sua corporeidade, sabendo respeitar o momento de sua</p><p>individualidade;</p><p>PRÁTICAS PEDAGÓGICAS V COMUNIDADES</p><p>9</p><p>• Jamais rompa o espaço vital de seus educandos, violentando a sua</p><p>privacidade, os seus momentos únicos e singulares;</p><p>• Tenha paciência histórica, que lhe proporcionará o momento oportuno do</p><p>estalo pedagógico para que as condições férteis de aprendizagem sejam</p><p>paulatinamente constituídas;</p><p>• Identifique o que o educando sabe a partir de sua experiência de vida,</p><p>implementando a prática educativa no que se refere à ampliação e</p><p>sistematização do conhecimento universal;</p><p>• Estabeleça uma relação dialógica como base de sua interação pedagógica,</p><p>pois os direitos de falar e escutar são o que circunstanciam a reciprocidade, a</p><p>relação e o relacionamento entre educador e educando;</p><p>• Desenvolva permanentemente uma análise da ação/reflexão para rever,</p><p>redimensionar, reler e refazer o caminho da ação educativa;</p><p>• Problematize os eixos tematizadores próprios de cada instante ou fase da vida</p><p>para que os educandos descubram, construam e reconstruam conhecimentos</p><p>com autonomia e independência;</p><p>• Tenha clareza que o processo educativo não é linear, mas cheio de conflitos e</p><p>contradições e, por isso, faz-se necessário estar imbricado e envolvido com a</p><p>Pedagogia Social no que se refere a uma visão heurística, holística, totalizadora</p><p>e integradora. (GRACIENI, 2014).</p><p>Ao Educador social cabe a capacidade de mudanças, pois como afirmava Paulo</p><p>Freire, cabe a ele ser um educador libertário, um protagonista de seu tempo. A busca da</p><p>quebra dos paradigmas para que se sinta inserido no cerne das questões daqueles</p><p>indivíduos aos quais ele levará as transformações. Sua proposta metodológica deverá se</p><p>inscrever através do diálogo e atos em que ensina ao mesmo tempo que aprende, basta</p><p>lembrar que Metodologia é a forma com que estuda os métodos através de caminhos</p><p>para o conhecimento.</p><p>Os Métodos de ensino-aprendizagem são os caminhos para tornar as aulas mais</p><p>dinâmicas, são lançados pelo educador como um conjunto de ações de ensino-</p><p>aprendizagem, através de técnicas didáticas para alcançar os objetivos.</p><p>Dessa forma, compete ao Educador Social no contexto de suas ações educativas</p><p>da Pedagogia Social, buscar sempre um processo de criação de conhecimento que</p><p>objetive um movimento, reflexivo, crítico e sistematizador para estimular o educando a</p><p>uma educação transformadora. Consoante as teorias de Graciani (2014), uma relação</p><p>pedagógica democrática aliada ao rigor científico, à seriedade, ao compromisso de</p><p>trabalho e uma didática capaz de resgatar a condição do educando como sujeito do</p><p>conhecimento.</p><p>Por fim, entendemos que mudanças são constantes, dependendo do ponto de</p><p>referência, nada é estático, logo, o educador social não terá um processo linear,</p><p>PRÁTICAS PEDAGÓGICAS V COMUNIDADES</p><p>10</p><p>considerando que os conflitos e as contradições que envolvem a Pedagogia Social fazem</p><p>parte da construção coletiva do conhecimento da sociedade.</p><p>1.3 PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO (PPP)</p><p>1.3.1 Conhecendo o Projeto Político Pedagógico e seus objetivos</p><p>O Projeto Político Pedagógico (PPP), nasce como um instrumento com o objetivo</p><p>de desenvolver o trabalho das instituições escolares. O PPP foi instituído pela Lei de</p><p>Diretrizes Básicas (LDBs), Lei 9394/96 e teve sua obrigatoriedade determinada na</p><p>legislação do Conselho Estadual de Educação/Deliberação 07/2000 (BRASIL, 1996).</p><p>Ao almejar uma educação de qualidade, a Pedagogia Social tem por finalidades a</p><p>concretização de suas metas no que concerne suas propriedades. Dentre estas, está o</p><p>Projeto Político Pedagógico. Conhecido também pela sigla PPP, o Projeto Político</p><p>Pedagógico é um documento, que está estruturado pelos seguintes regimentos; o</p><p>planejamento da escola, compilando seus objetivos, os valores, metodologias de ensino</p><p>e atividades a serem colocadas em prática, estes critérios, compõem metas que</p><p>estabelecem sua composição.</p><p>É por meio dessa bússola, que as escolas definem como redimensionam seus</p><p>materiais e conteúdos programáticos, levando em consideração o contexto</p><p>sociocultural e econômico de onde estão inseridas. Para Graciani (2014), “O projeto</p><p>político-pedagógico da Pedagogia Social se refere a uma Educação que abarca e abrange</p><p>todos os campos essenciais da realidade natural e humana [...], dimensões existenciais,</p><p>tendo como prioridade a vida cotidiana”, a realidade das diferenças que se constitui no</p><p>âmbito social.</p><p>O Projeto Político Pedagógico busca ser dinâmico, em seu corpo deverá conter</p><p>contribuição de todos os envolvidos, para que, como Projeto haja propostas que</p><p>contribuam para comunidade. As instituições de ensino têm em seus pilares, contribuir</p><p>para formar cidadãos, dessa forma esse instrumento é também um instrumento Político</p><p>e, considerando que será através dele que a comunidade dirá como deve ser conduzida</p><p>a instituição em seu processo de educação e aprendizagem, torna-se um documento</p><p>Pedagógico.</p><p>1.3.2 Da importância do PPP</p><p>É extremamente importante a maneira de como desenvolver o projeto político-</p><p>pedagógico. Como? – Objetivando oferecer uma educação integral aos educandos,</p><p>buscando desenvolver uma visão crítica, além de contribuir significativamente para</p><p>comunidade. Contudo, se faz necessário está atento para a realidade em que a</p><p>instituição está inserida, como também é preciso que haja flexibilização, para que possa</p><p>ser adequado no decorrer de sua aplicação. Conforme sugere (GRACIANI, 2014):</p><p>Precisa nascer da realidade vivida pela comunidade;</p><p>Deve favorecer um processo educativo no qual a análise, a interpretação e a</p><p>crítica promovam o confronto entre os vários possíveis pontos de vista dos</p><p>educandos;</p><p>PRÁTICAS PEDAGÓGICAS V COMUNIDADES</p><p>11</p><p>Possibilita a elaboração das atividades de acordo com os anseios, propostas e</p><p>estratégias sugeridas pelos educandos;</p><p>Promove a vivência de diferentes atividades que suscitam a curiosidade pelo</p><p>aprender;</p><p>Organiza a ação educativa no tempo e espaço disponível, levando-se em conta</p><p>as necessidades sentidas;</p><p>Fomenta o trabalho cooperativo entre os educadores, de modo que estes</p><p>assumam o papel de investigadores da realidade circunscrita da comunidade</p><p>onde se insere;</p><p>Provoca a interação e a integração entre educadores, educandos e o objeto do</p><p>conhecimento no bojo do contexto com sentido e significado para todos os</p><p>envolvidos no processo educativo.</p><p>Dessa forma, entende-se que a participação dos envolvidos será a forma correta</p><p>para a formatação do PPP. Entretanto, apesar de ser trabalhoso e complexo, jamais</p><p>deve-se copiar o PPP de outra instituição, assim como não esquecer de fazer atualização</p><p>ao longo do processo letivo, pois sempre haverá mudanças. As opiniões divergentes</p><p>devem</p><p>ser levadas em consideração. Onde a busca pela homogeneidade educativa,</p><p>possa ser desenvolvida de forma crítica e vise chegar à transformações sociais</p><p>significativas.</p><p>1.4 O PAPEL DA PESQUISA-AÇÃO</p><p>1.4.1 O que é Pesquisa-ação?</p><p>Para (THIOLLENT, 1985 apud GIL, 2002, p. 55), é “um tipo de pesquisa com base</p><p>empírica que é concebida e realizada em estreita associação com uma ação ou com a</p><p>resolução de problema coletivo e no qual os pesquisadores e participantes da situação</p><p>ou do problema estão envolvidos de modo cooperativo ou participativo." A partir desse</p><p>pressuposto, este tipo de pesquisa está diretamente ligado a alguma forma de ação ou</p><p>resolução vivenciada diante de alguma realidade. Lembrando que a pesquisa empírica é</p><p>aquela em que há a necessidade da comprovação, onde existe a coleta de dados no</p><p>campo, onde se testa a validade de teorias e hipóteses. No caso da pesquisa-ação, ela é</p><p>de caráter social, educativo ou técnico.</p><p>A pesquisa-ação, não pode ser confundida com a pesquisa participante e com</p><p>pesquisa descritiva, pois nessas duas vertentes, propõe-se a técnica de observação</p><p>participante. Na pesquisa-ação, o pesquisador está diretamente envolvido no contexto</p><p>da pesquisa em conjuntamente com o grupo ou os sujeitos inseridos no processo</p><p>investigativo, como afirma (GIL, 1987, p. 49).</p><p>No âmbito do campo educacional, tem um aspecto emancipador, o educador</p><p>social preza por desenvolver uma prática educativa e, por se preocupar em alcançar seus</p><p>objetivos, necessita efetivar suas atividades com coerência e dinamismo. Desse modo,</p><p>a:</p><p>[...], a pesquisa-ação se apresenta como uma ação estratégica para o processo</p><p>educativo e para o desenvolvimento autônomo e independente de todos os</p><p>PRÁTICAS PEDAGÓGICAS V COMUNIDADES</p><p>12</p><p>participantes, uma vez que há uma contribuição concreta para os problemas</p><p>práticos dos indivíduos, dos grupos, da organização ou da própria comunidade</p><p>onde se desenvolve a pesquisa. (GRACIANI, 2014).</p><p>1.4.2 A aplicabilidade da Pesquisa-ação</p><p>Utilizada como uma técnica em que passa a intervir e observar a comunidade</p><p>escolar, a pesquisa-ação permite revelar por uma ótica político- pedagógica, as</p><p>dificuldades que estão envolto ao cotidiano dos sujeitos envolvidos nesse ambiente.</p><p>(GRACIENI, 2014), também afirma que esta técnica, “consegue explicar com</p><p>profundidade as múltiplas e complexas causas determinantes dos fenômenos sociais</p><p>que interferem na prática social comprometida de educador social e [...], apontar os</p><p>efeitos futuros que implicariam em seu trabalho educativo.”</p><p>Ao consideramos as concepções que estabelecem o método da pesquisa-ação,</p><p>percebe-se que esse viés investigativo, torna-se um fio condutor para a realização de</p><p>procedimentos, no sentido mais aproximado da relação pesquisador e sujeito. O</p><p>educador social se apropria desse procedimento não apenas como técnica educativa,</p><p>mas como prática social. Como mecanismo emancipatório e libertador. Processo de</p><p>construção na produção de novos sabres atrelados as suas raízes históricas, e na busca</p><p>de um pleno desenvolvimento amplo de conhecimento, onde estão ligadas a questões</p><p>econômicas, sociais e políticas. É nesse encaixe de saberes e a presença popular da</p><p>escola, que as camadas populares denunciam a feiura do mundo e anunciam um mundo</p><p>mais bonito, como cita Paulo Freire.</p><p>1.4.3 A ludicidade como construtor de conhecimento</p><p>Para compreender o conceito de ludicidade, procuramos saber o sentido</p><p>etimológico da palavra. Ludicidade tem origem na palavra latina "ludus", que significa</p><p>jogo. Massa (2015), afirma que a palavra ludicidade não se encontra no dicionário da</p><p>língua portuguesa, como também não se encontra em outras idiomas como: como</p><p>inglês, francês, alemão, espanhol ou italiano. Em seu estudo sobre a Ludicidade, a autora</p><p>apresenta diversas interpretações, conceitos e definições quanto esta variante em cada</p><p>contexto histórico:</p><p>Na antiguidade: durante esse período, duas civilizações tinham concepções</p><p>bastantes distintas; a) civilização grega - interpretava o jogo como expressão vital do</p><p>indivíduo e o colocava como participante; b) civilização romana - percebia o jogo como</p><p>espetáculo, sendo que o espectador exercia um papel de extrema significado - como</p><p>uma catarse. Massa (2015, p.117), ainda assevera que, nesse período também grandes</p><p>filósofos dentre os quais; Platão, Aristóteles e Heráclito, além de considerarem,</p><p>expressavam imenso valor quanto essas atividades, sobretudo, para a formação do</p><p>sujeito.</p><p>No período medieval: essas atividades ganham outro significado, passam a ser</p><p>consideradas perigosas e alguns casos vindo a ser proibidas. Nessa época a igreja</p><p>exercia uma forte influência, ou seja, detinha o poder. Eram apenas tolerados os festivais</p><p>religiosos. Interessante destacar também que as manifestações lúdicas eram</p><p>PRÁTICAS PEDAGÓGICAS V COMUNIDADES</p><p>13</p><p>interpretadas como sinônimo de diversão, como algo não sério. Nessa época os</p><p>indivíduos eram tanto, quanto obrigados a se esconderem atrás de máscaras para viver</p><p>o prazer, as festas de carnaval. Entre outras situações nos estudos de (Massa, 2015, p.</p><p>117), festejos e os jogos de azar, aconteciam à margem da sociedade e contribuem para</p><p>o seu isolamento da realidade social.</p><p>Na modernidade: nesse período os movimentos culturais modernos, tendo o</p><p>renascimento, o lúdico era evidenciado, na pintura, escultura e literatura (entre outras</p><p>obras), produzidas através de um trabalho sério no qual está presente uma atitude lúdica.</p><p>A ludicidade é integrada à vida do sujeito e deixa de ser apenas uma “manifestação” para</p><p>ser uma “tendência natural do ser humano”. (MASSA, 2015), aponta outro destaque</p><p>quanto essa técnica que, neste período, um entendimento dos estudos sobre o</p><p>desenvolvimento da aprendizagem infantil em relação ao uso da ludicidade.</p><p>Na revolução industrial: o lúdico nessa fase da história, era associado a utilização</p><p>como instrumento a serviço do desenvolvimento nos polos técnico, industrial e</p><p>científico.</p><p>De acordo com (LOPES, 2004 apud MASSA, 2015, p. 17-18), descreve que, “o</p><p>utilitarismo, privilegiava o homo faber sobre o homo ludens, o que representava um</p><p>retrocesso na valorização da ludicidade, considerando-a inútil por não ser um provedor</p><p>de riqueza.”</p><p>Na contemporaneidade: as visões sobre o jogo e o lúdico se multiplicam dependo</p><p>do cunho científico abordado. Considerando o estudo de cada autor que buscou e busca</p><p>identificar em suas propriedades, a eficaz experiência do “despertar” a criatividade de</p><p>transformar o mundo através dessa ferramenta.</p><p>Trazer esse movimento histórico sobre a ludicidade apresentado por Massa</p><p>(2015), nos leva a reflexão que o lúdico exercia uma simbologia, tanto direto como</p><p>indiretamente no cotidiano das sociedades antigas, é considerado um provedor de</p><p>saberes na atualidade. Os profissionais de educação utilizam a ludicidade como prática</p><p>de aprendizagem para com seus educandos, em séries da educação infantil como</p><p>também em séries iniciais do Ensino Fundamental do ensino básico.</p><p>1.4.4 A relação entre ludicidade e o conhecimento</p><p>Para Graciani (2014), a ludicidade faz com que “o educando afirma-se, constrói-se,</p><p>revê-se no mundo, produz saber e conhecimento em torno do seu universo,</p><p>interpretando como um ato de criação no terreno da ludicidade, reinventando a</p><p>realidade.”</p><p>Para acompanhar a evolução tecnológica, se faz necessário acompanhar os</p><p>movimentos que a sociedade impõe, o desenvolvimento dos meios de comunicação,</p><p>considerado um grande expoente na interação social. O contato com diversas formas de</p><p>linguagem, necessita de um acompanhamento para compreender todas as informações</p><p>e ao mesmo tempo assimilar as informações e interpretar o mundo que se constrói.</p><p>PRÁTICAS PEDAGÓGICAS V COMUNIDADES</p><p>14</p><p>Diante disso, a Arte tem exercido um papel dinâmico, ajudando as pessoas a</p><p>compreender suas realidades e interpretar o mundo em que vivem. No campo</p><p>educacional ela passa a ser utilizada como forma</p><p>de expressão das subjetividades dos</p><p>educandos. Assim sendo, a ludicidade é tomada como potencialidade para o pleno</p><p>desenvolvimento cognitivo e social dos alunos, estes, reproduzem um saber que é</p><p>evidenciado nos desenhos, nas pinturas, e até mesmo nas escritas que sublinham os</p><p>cotidianos da vida.</p><p>Ao brincar o educando produz saberes e conhecimento, por isso os educadores</p><p>da educação sobretudo, os da Educação Infantil utilizam dessa ferramenta como método</p><p>de ensino e aprendizagem. É brincando que as crianças aprendem, criam e recriam e</p><p>constroem suas identidades. É um estado de vivência lúdica, nas definições de</p><p>(LUCKESI, 2002 apud MASSA, 2015, p. 121).</p><p>De acordo ainda com (LOPES, 2004 apud MASSA, 2015, p. 125), a relação</p><p>estabelecida entre ludicidade e aprendizagem é “benéfica na medida que potencializa a</p><p>capacidade dos alunos”. O desenho é considerado uma ferramenta lúdica que ajuda, pois</p><p>a partir dela a criança expressa seus sentimentos, emoções, os anseios, que assim, vão</p><p>contando sua história. Graciani (2014), considera o “desenho é uma expressão do ato</p><p>lúdico que possibilita a sua projeção, o seu desígnio como pessoa, como sonho de ser e</p><p>existir no mundo”. Portanto, a ludicidade abarca uma série de atividades que podem ser</p><p>desenvolvidas por jogos, brincadeiras, atividades artísticas, musicais e contação de</p><p>histórias, nesse ponto o educador tem uma gama de sugestões e a partir delas deve usar</p><p>sua imaginação e criatividade.</p><p>1.5 A IMPORTÂNCIA DA CONSCIÊNCIA DO CORPO E A PERSPECTIVA</p><p>DO DESENVOLVIMENTO ECOLOGICAMENTE SUSTENTÁVEL</p><p>1.5.1 A consciência do corpo na Pedagogia Social</p><p>O corpo estabelece comunicação através de seus movimentos, sejam eles</p><p>internos ou externos. Tomar consciência do corpo é buscar conhecer seu próprio corpo,</p><p>é estabelecer comunicação através de todos os sentidos. O corpo conversa com a mente</p><p>quando se comunica informando sobre seus limites e suas dores.</p><p>Como diz Graciani (2014), “Falar do corpo ou da corporeidade significa repensar o</p><p>projeto antropológico construído desde os gregos, consagrado pelos teólogos</p><p>medievais, confirmados pelos filósofos modernos e aceitos pelos pensadores</p><p>contemporâneos”.</p><p>Em suas reflexões sociológicas, (BOURDIEU, 2002a apud MEDEIROS, 2011, p. 282),</p><p>faz uma análise sobre a gênese do conceito do habitus, referindo-se ao esquema</p><p>corporal, para interpretar os distintos usos do corpo na vida cotidiana, O agente social</p><p>se utiliza dos diversos elementos representativos para se identificar nos diferentes</p><p>grupos sociais. É uma visão simbólica, consoante as suas percepções que Bourdieu</p><p>(2002a), assevera, “a maneira de estar no mundo se deve a um processo de</p><p>pertencimento social. O indivíduo é um coletivo encarnado, um social incorporado.”</p><p>Doravante as concepções do autor, os corpos são educados, conforme o espaço em que</p><p>PRÁTICAS PEDAGÓGICAS V COMUNIDADES</p><p>15</p><p>vivem, determinando e afetando-os no seu modo de ser, falar, pensar, conforme sua</p><p>condição de classe social, diante disso:</p><p>Representação social é a forma como internalizamos e assimilamos as coisas</p><p>com as quais entramos em contato, seja com o corpo – relações concretas,</p><p>vividas –, seja com o pensamento – relações imaginárias –, as quais aprendemos</p><p>a significar ou valorizar. Os corpos são educados, portanto, conforme o espaço</p><p>em que vivem, determinando e afetando-os no seu modo de ser, falar, pensar,</p><p>conforme sua condição de classe social. É diferente, enquanto educador social,</p><p>observar crianças e adolescentes. (GRACIANI, 2014).</p><p>A linguagem do corpo é desconhecida por muitas pessoas, o olhar se volta para</p><p>observar algo errado ou as dores que ele envia para mente. A linguagem do corpo</p><p>expressa o próprio tempo seja nas regras, nos gestos, nas roupas, nos costumes,</p><p>danças, hábitos e rituais. A corporeidade faz com que o ser se projete para o exterior a</p><p>partir de seu próprio corpo. Os espaços são afetados pelos espaços em que vivem, são</p><p>determinantes para com suas comunicações, falas e modos de pensar.</p><p>Ao educador social cabe observar, pois dessa forma saberá desenvolver uma</p><p>comunicação adequada com o educando, evitando olhares que não coadunem com a</p><p>corporeidade, pois estas se estendem além dos limites físicos. É preciso atuar</p><p>pedagogicamente, sejam meninos ou meninas pare evitar preconceitos e opressões,</p><p>pois, os ciclos da vida entre a infância e adolescência apresenta insegurança e rebeldia.</p><p>Para Graciani (2014):</p><p>O corpo na proposta da Pedagogia Social não se configura como objeto de</p><p>intervenção, mas como parte do sujeito que porta cultura, saberes e</p><p>gestualidades construídas na inserção social-história das diferentes</p><p>manifestações populares que devem ser socializadas e difundidas. “São as</p><p>relações que emergem como constituintes dos corpos, são práticas sociais,</p><p>historicamente datadas, que produzem, ao longo da vida, nossos sentimentos,</p><p>nossas preferências, nossas aparências e nossa fisionomia. (GRACIANI, 2014).</p><p>Cabe ao educador social ser consciente para o trabalho com os educandos no</p><p>exercício da cidadania, valorizando a cultura, os valores positivos na sociedade.</p><p>1.5.2 A perspectiva do Desenvolvimento Ecologicamente Sustentável</p><p>A terra carrega nos dias de hoje 7,8 bilhões de seres humanos, com perspectiva</p><p>de crescimento considerando que somos uma nave em que os seres humanos</p><p>desenvolveram tecnologias para que estes seres demorassem mais tempo em conjunto</p><p>com outros, para que pudéssemos ter uma viagem mais longa. No entanto, o sustento</p><p>desses passageiros demanda a necessidade da busca por energia para produção da</p><p>sustentação dessa população.</p><p>A partir dessa reflexão, A perspectiva do Desenvolvimento Ecologicamente</p><p>Sustentável, está literalmente alicerçada nas práticas da educação social. O Brasil busca</p><p>através de suas políticas tanto ambientais e educacionais, adotar métodos educativos</p><p>entre meio ambiente e sustentabilidade. Essa dicotomia, visa ter um olhar voltado para</p><p>a formação humana e política, tirando por meio desse processo a transmissão de</p><p>PRÁTICAS PEDAGÓGICAS V COMUNIDADES</p><p>16</p><p>conhecimentos. Neste momento, ganha centralidade a práxis educativa crítica e</p><p>dialógica, a indissociabilidade teoria – prática na atividade humana, permite por sua vez,</p><p>uma educação libertadora, na qual os indivíduos possam estabelecer uma relação entre</p><p>si e com o mundo. No tocante, ao que se diz respeito ao desenvolvimento</p><p>ecologicamente sustentável, existem quatro fatores que integram e são fundamentais</p><p>para este desenvolvimento, a ambiental, a social, a econômica e a cultural, cada uma</p><p>apresenta uma categoria determinante a igualdade social, nas análises de Graciani</p><p>(2014). Considerando e gerando oportunidades para um processo de aprendizagem, uma</p><p>praxe coletiva, voltada e pensada quanto projeto educativo para obter uma</p><p>transformação social. A libertação dentro desse cenário consiste na desalienação das</p><p>pessoas e a instauração de uma nova ordem pautada no respeito humano.</p><p>Para (CARVALHO, 2016, p. 46), considera que:</p><p>Para uma educação ambiental crítica, a prática educativa é a formação do</p><p>sujeito humano enquanto ser individual e social, historicamente situado. [...] Na</p><p>perspectiva de uma educação ambiental crítica, a formação incide sobre as</p><p>relações indivíduos-sociedade e, neste sentido, indivíduo e coletividade só</p><p>fazem sentido se pensados em relação. As pessoas se constituem em relação</p><p>com o mundo em que vivem com os outros e pelo qual são responsáveis</p><p>juntamente com os outros. Na educação ambiental crítica esta tomada de</p><p>posição de responsabilidade pelo mundo supõe a responsabilidade consigo</p><p>próprio, com os outros e com o ambiente, sem dicotomizar e/ou hierarquizar</p><p>estas dimensões da ação humana. (CARVALHO, 2016, p. 46).</p><p>Os seres humanos desenvolveram um sistema que foi dito que seria uma maneira</p><p>de ajudar os mais necessitados, este sistema tornou-se predatório e não atendeu ao</p><p>discurso inicial. Na verdade, o sistema capitalista desenvolveu-se</p><p>na busca pelo acúmulo</p><p>de riquezas que ao mesmo tempo em que produz bens de serviços, também acumula</p><p>injustiça social aumentando a quantidade de excluídos. Diante do constante aumento,</p><p>iniciou-se uma discussão para busca de encontrar um meio termo para evitar uma</p><p>catástrofe caso o crescimento econômico não diminuísse a depredação ao meio</p><p>ambiente.</p><p>Segundo Romeiro (2012, p. 68), conceito de desenvolvimento sustentável nasce</p><p>nos anos 70, a primeira Conferência da Nações Unidas sobre meio ambiente em</p><p>Estocolmo girava em torno de temas como poluição e esgotamento de recursos</p><p>naturais. Nesse momento havia fortes impasses para frear o desenvolvimento</p><p>econômico, para preservação do meio ambiente, em função do desenvolvimento de</p><p>países asiáticos e até mesmo do Brasil. Argumentos de super utilização do solo, da água</p><p>e outros recursos naturais não foram suficientes, pois a força do crescimento</p><p>econômico se sobrepôs com discursos de apoio aos países pobres.</p><p>Como aponta Romeiro (2012, p. 70), em 1992, vinte anos depois, ocorreu a II</p><p>Conferência da ONU sobre meio ambiente, e mais uma vez ficou demonstrado que o</p><p>desenvolvimento em tecnologia fora usado em benefício daqueles que degradavam o</p><p>meio ambiente e que eram os detentores do capital. Ganha o debate a questão do</p><p>aquecimento global e a redução das emissões de gases e sai ganhando os países ricos,</p><p>PRÁTICAS PEDAGÓGICAS V COMUNIDADES</p><p>17</p><p>pois estes não aceitavam mexer em suas economias, pois a disponibilidade de Recursos</p><p>Naturais pode restringir o crescimento da economia.</p><p>Como podemos ver, de todo desenvolvimento e conhecimento sobre a referida</p><p>questão, continuamos a acumular pobreza nos países pobres e até mesmo nos países</p><p>ricos. As pessoas não buscam uma visão crítica que construa o entendimento diante</p><p>desses fenômenos, para evitar tais problemas. Entendemos que, para se desenvolver</p><p>uma perspectiva do desenvolvimento ecologicamente sustentável, faz-se necessário</p><p>buscar, juntamente com a sociedade civil organizada em parceria com escolas, com os</p><p>educandos e com toda comunidade, práticas educativas que reflitam e atuem com</p><p>comprometimento sério com a natureza, com a justiça e igualdade social.</p><p>Os desequilíbrios das atividades humanas estão na expansão da ocupação do</p><p>espaço e na exploração de bens com alta produção de resíduos, que representam um</p><p>crescimento da poluição, dessa forma, contribuindo para destruição dos ecossistemas.</p><p>O debate sobre a diminuição do crescimento tem se avolumado, mas se depara com a</p><p>discussão de parar o crescimento sem gerar uma crise socioeconômica. Nesse contexto</p><p>o caminho para o desenvolvimento ecologicamente sustentável só se fará possível</p><p>através da Educação desenvolvendo cidadãos e cidadãs participativos, cooperativos</p><p>com mudança de mentalidade no rumo da sustentabilidade seja ambiental, social,</p><p>econômica e cultural. É uma mudança política, com nova forma de distribuir</p><p>conhecimento para que possamos navegar com nossa nave Terra em completa harmonia</p><p>com a natureza, na perspectiva de um desenvolvimento ecologicamente sustentável.</p><p>PRÁTICAS PEDAGÓGICAS V COMUNIDADES</p><p>18</p><p>UNIDADE II</p><p>PRÁTICAS PEDAGÓGICAS V COMUNIDADES</p><p>19</p><p>CONCEITO E HISTÓRICO DE COMUNIDADE</p><p>2.1 CONCEITOS DE COMUNIDADE</p><p>Uma comunidade poderia ser definida como um local, uma cidade, uma aldeia, um</p><p>bairro, assim como um ecossistema e muitas outras coisas que compartilhassem ideias</p><p>e perspectivas comuns, que estivessem em comunhão, que os seres se identifiquem</p><p>com as questões materiais ou até noções abstratas, contanto que sejam comuns aos</p><p>indivíduos.</p><p>Filósofos, sociólogos, antropólogos e muitos outros estudiosos têm buscado</p><p>compreender e definir conceito de “comunidade”. No artigo intitulado, “Conceitos de</p><p>comunidade, local e região: inter-relações e diferença”, Peruzzo e Volpato (2009), definem</p><p>o conceito de comunidade, “Mas o que não há como negar é que a palavra “comunidade”</p><p>evoca sensações de solidariedade, vida em comum, independentemente de época ou de</p><p>região”. Aqui os sentimentos são maiores, mais próximos.</p><p>Para o antropólogo e sociólogo Robert Redfield (1897-1958)2, foi um dos</p><p>estudiosos que se debruçou acerca da temática e, buscou definir um conceito de</p><p>comunidade tendo por base as comunidades agrarias. Suas reflexões contribuíram para</p><p>a entender o que é comunidade nos dias de hoje.</p><p>O conceito de comunidade é um dos pilares no pensamento social e político de</p><p>Martin Buber (1977 apud Carrara, 2017, p. 53), ele o examina em relação a outros conceitos</p><p>próximos e em distinção àqueles que lhe são opostos como sociedade, massas e Estado.</p><p>Em comunidades busca-se construir a partir de novos pensamentos, novas células,</p><p>como um desejo de criar o novo, no contexto da sociedade, dessa forma, podendo</p><p>formar-se novas vontades, que em muitas vezes se contrapõe aos desejos do estado,</p><p>pois a comunidade depende da relação entre seres, que seguem lideranças.</p><p>Considerando que o homem é um ser de natureza dialógica, segundo Carrara</p><p>(2017, p.67), ele tende, natural e espontaneamente, a formar comunidades. Para Carrara,</p><p>“A comunidade é a estrutura social que o livra tanto da inclinação ao individualismo e da</p><p>angústia existencial que dele decorre como da tendência ao coletivismo em que a massa</p><p>despersonaliza o indivíduo.”</p><p>Para tanto, Bauman compreende a comunidade como, uma entidade capaz de</p><p>transformar o conhecimento comunitário em um dado naturalizado. A ideia, o</p><p>pensamento que se busca para alcançar um conceito de comunidade, é expansiva. No</p><p>tocante, Ferdinand Tönnies (1973), esclarece que, a ideia de comunidade utiliza do</p><p>exemplo de família para explicar o que é comunidade, ou seja, baseia-se nas relações</p><p>sociais. Tönnies (1973), considera-se que há características que podem esta</p><p>relacionadas a três gêneros da comunidade como aponta ao autor:</p><p>2Comunidade e Sociedade.</p><p>Disponívelem:.</p><p>Acesso em 16 de jun. 2022.</p><p>PRÁTICAS PEDAGÓGICAS V COMUNIDADES</p><p>20</p><p>[...], a) parentesco; b) vizinhança e c) amizade. O parentesco relaciona-se aos</p><p>laços de sangue e à vida comum em uma mesma casa, mas podem não se limitar</p><p>à proximidade física. Esse sentimento pode existir por si mesmo com o</p><p>afastamento físico, entretanto, as pessoas sempre estarão à procura da</p><p>presença física e real da família, do parentesco. A vizinhança caracteriza-se</p><p>pela vida em comum entre pessoas próximas da qual nasce um sentimento</p><p>mútuo de confiança, de favores etc. Dificilmente isso se mantém sem a</p><p>proximidade física. A amizade está ligada aos laços criados nas condições de</p><p>trabalho ou no modo de pensar. Nasce das preferências entre profissionais de</p><p>uma mesma área ou daqueles que partilham da mesma fé, trabalham pela</p><p>mesma causa e reconhecem-se entre si. (TÖNNIES, 1973 apud PERUZZO,</p><p>VOLPATO, 2009, p. 142).</p><p>2.1.2 Comunidade como Fonte Social e Pertencimento</p><p>Para Bauman (2001), a comunidade é uma fonte social, onde “a vida humana se</p><p>organiza”, considerando as reflexões de Robert Redfield (1897-1958), define a</p><p>comunidade em dois aspectos “pequenez e autossuficiência”, Bauman interpreta da</p><p>seguinte forma:</p><p>A escolha dos atributos feita por Redfield [para retratar a unidade comunitária]</p><p>não é aleatória. ‘Distinção’ significa: a divisão entre ‘nós’ e ‘eles’ é tanto exaustiva</p><p>quanto disjuntiva, não há casos ‘intermediários’ a excluir, (...) não há problema</p><p>nem motivo para confusão – nenhuma ambiguidade cognitiva e, portanto,</p><p>nenhuma ambivalência comportamental. ‘Pequenez’ significa: a comunicação</p><p>entre os de dentro é densa e alcança tudo (...) E ‘autossuficiência’ significa: o</p><p>isolamento em relação a ‘eles’ e quase completo, as ocasiões para rompê-lo são</p><p>poucas e espaçadas. As três características se unem na efetiva proteção dos</p><p>membros da comunidade em relação às ameaças a seus modos habituais (...).</p><p>(BAUMAN, 2003, p.17 – 18 apud SANTOS, 2014, p. 115).</p><p>Diante</p><p>dessa dialógica, outros autores visam e discutem essa variante. A</p><p>comunidade nas concepções de Palácios (2001), apresenta outros elementos que</p><p>caracterizam comunidade como: “comunidade sentimento de pertencimento;</p><p>sentimento de comunidade; permanência (em contraposição à efemeridade);</p><p>territorialidade (real ou simbólica); forma própria de comunicação entre seus membros</p><p>por meio de veículos específicos.” Palácios (2001 apud PERUZZO; VOLPATO, 2009, p. 143).</p><p>Dessa forma, refletindo sobre todos os repertórios destacados aqui quanto o</p><p>conceito de comunidade, Buber (1987), é categórico ao enfatizar a sua idealização por</p><p>esta entidade “A comunidade que imaginamos é somente uma expressão de</p><p>transbordante anseio pela Vida em sua totalidade [...], da e comunidade são os dois lados</p><p>de um mesmo ser. E temos o privilégio de tomar e oferecer a ambos de modo claro: vida</p><p>por anseio à vida, comunidade por anseio à comunidade.” Contudo, um projeto</p><p>materializado de ações praticadas humanamente demandaria o princípio da</p><p>reciprocidade, a mutualidade da, alteridade e totalidade para a construção social e</p><p>político.</p><p>PRÁTICAS PEDAGÓGICAS V COMUNIDADES</p><p>21</p><p>2.2 DE QUE FORMA SE DEU O PERCURSO HISTÓRICO DAS</p><p>COMUNIDADES?</p><p>2.2.1 Breve Histórico das Primeiras Comunidades</p><p>Segundo (HARARI, 2018, posição. 1450), durante 2,5 milhões de anos, os humanos</p><p>se alimentaram coletando plantas e caçando animais que viviam e procriavam sem a sua</p><p>intervenção, eles colhiam figos silvestres e caçavam ovelhas selvagens, sem decidir</p><p>onde as figueiras deveriam criar raízes ou mesmo onde criar um rebanho de ovelhas. O</p><p>Homo sapiens se espalhou do leste da África para o Oriente Médio, chegando a Austrália</p><p>e a América, no entanto sempre coletando plantas silvestre e caçando animais silvestre.</p><p>Entendia não precisar modificar seu modo de vida pois a natureza lhe fornecia alimento</p><p>em abundância sem modificar sua estrutura social ou mesmo suas crenças religiosas ou</p><p>dinâmica política.</p><p>Para (HARARI, 2018, posição. 1461), nos diz ainda que as mudanças ocorrem há</p><p>cerca de 10 mil anos quando os sapiens começam a dedicar suas vidas a algumas</p><p>espécies de plantas e animais e isto ocasionou uma revolução em suas maneiras de</p><p>vidas. Essa junção, em função do modo de coleta e o domínio sobre os animais e vegetais</p><p>tornou os seres humanos mais estáticos e esses povos nômades que eram caçadores e</p><p>coletores, fundaram as primeiras comunidades, pois dessa forma eles entendiam que</p><p>aproveitariam melhor os recursos da natureza, para si. O desenvolvimento dessas</p><p>comunidades-aldeias fez com que nascessem as primeiras cidades, as primeiras</p><p>sociedades, com suas lideranças políticas e leis.</p><p>2.2.2 O desenvolvimento das grandes cidades até os dias atuais</p><p>O desenvolvimento das grandes cidades não eliminou o desenvolvimento de</p><p>comunidades, apenas tornou diferente do que foi seu nascimento. Dentro do contexto</p><p>das grandes cidades ascendem as mais diversas comunidades como: comunidades</p><p>escolares, religiosas, caboclos, quilombolas e etc. Onde todos estes comunitários</p><p>integram uma sociedade e formam um território.</p><p>O sociólogo alemão Ferdinand Tönnies (1855 – 1936), nos traz definições para os</p><p>dias atuais, quando define que “a sociedade é determinada pela sua diversidade e</p><p>dinâmica que ocorre por meio das relações entre os indivíduos que a formam”, os seres</p><p>humanos seguem regras, normas e valores, submetendo-se ao interesse da maioria,</p><p>quando se trata de um estado democrático. Dentro do contexto de sociedade, onde</p><p>existem pessoas com laços mais próximos e neste sentido Tönnies (1855 – 1936), define</p><p>“a comunidade está relacionada a algo mais específico, a grupos sociais mais próximos do</p><p>dia a dia”. Dessa forma, tal como ele, entendemos que a família pode ser considerada uma</p><p>comunidade, a vizinhança também pela proximidade, os movimentos sociais que</p><p>envolvem um bairro.</p><p>2.3 QUAIS SÃO AS FORMAS DE REPRESENTAÇÕES SOBRE</p><p>COMUNIDADES?</p><p>PRÁTICAS PEDAGÓGICAS V COMUNIDADES</p><p>22</p><p>2.3.1 Os aspectos do conceito de comunidade</p><p>Para Robert Redfiel (1897 – 1958), destaca três aspectos capazes de caracterizar a</p><p>comunidade. Para este estudioso, essa organização social se põe ser:</p><p>• Um grupo específico, cujas configurações e limites podem ser facilmente</p><p>apontados. Isso acontece porque cada comunidade possui</p><p>especificidades nos comportamentos, cultura e valores;</p><p>• Trata-se de um grupo social capaz de prover as necessidades de seus</p><p>membros. Desse modo, não há necessidade de que sejam estabelecidas</p><p>relações de dependência com aqueles que não integram a comunidade;</p><p>• É um grupo pequeno. 3</p><p>As considerações de Redfield eram bastante válidas para as comunidades agrária,</p><p>citado anteriormente, no período antes da Revolução Industrial. Na globalização e o</p><p>avanço da tecnologia e dos meios de comunicação nos remetem a um processo de</p><p>comunidades modernas com o advento de comunidades virtuais, como exemplo as redes</p><p>sociais.</p><p>2.3.2 As Comunidades Tradicionais</p><p>Hoje no Brasil, o qual consideramos uma sociedade, com interesses comuns no</p><p>desenvolvimento do país e do bem-estar de todos, podemos identificar variados grupos</p><p>dentro do território, que são chamados de comunidades tradicionais, dentre os quais:</p><p>judeus, ribeirinhos, pescadores, quilombolas, marisqueiros, indígenas e muitos outros.</p><p>No Brasil as comunidades tradicionais, passaram a ter políticas públicas próprias. Em</p><p>2007, foi publicado o Decreto 6040, que criou a Política Nacional de Desenvolvimento</p><p>Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais, onde define que estas comunidades</p><p>são diferenciadas, que tem sua própria organização social, que podem usar os recursos</p><p>naturais de forma sustentável, além da questão religiosa e práticas transmitidas por</p><p>tradição.</p><p>Quando tratamos de comunidades diferenciadamente, lembramos que, a própria</p><p>questão religiosa hoje está contida na Constituição Federal, de 1988, onde trata da</p><p>laicidade em seu Art. 19. “É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos</p><p>Municípios:</p><p>Art. 19. É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:</p><p>I - estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o</p><p>funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de</p><p>dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse</p><p>público. (BRASIL, 1988).</p><p>Dessa forma, podemos observar que a sociedade através de instrumentos legais,</p><p>impõe regras e leis e diferencia as formas de representação entre as comunidades.</p><p>3Comunidade e sociedade. Disponível</p><p>em:. Acesso em 16</p><p>de jun. 2022</p><p>PRÁTICAS PEDAGÓGICAS V COMUNIDADES</p><p>23</p><p>Obviamente que as regras válidas para as comunidades quilombolas, não são as mesmas</p><p>para os pescadores ou mesmos para as questões religiosas, apenas para citar algumas.</p><p>Temos ainda a considerar as intrigas entre os mais variados grupos comunitários</p><p>buscando diferenciações, ou mesmo destaque, quando no relacionamento com o poder</p><p>público. Nesse contexto nasce, cresce e avolumam-se as diferenciações e criam-se</p><p>divergentes conflitos sociais.</p><p>2.3.3 Qualificação das Comunidades</p><p>As comunidades, naturalmente, buscam uma qualificação no contexto da</p><p>sociedade, isto as torna como maior representatividade tornando-se uma organização</p><p>social. Para que isso ocorra seus representantes buscam uma autorização do Poder</p><p>Público. Certamente que aqui tratamos de comunidades de seres humanos. Mas é muito</p><p>importante entender que essa qualificação passa por uma condição de pertencimento</p><p>em cada comunidade, o qual pode ser qualificado como o senso de comunidade.</p><p>O senso de comunidade busca a ideia de que o comunitário não se encontra só,</p><p>ele precisa ser um ser pensante no contexto e pensar nos interesses comuns. McMillan</p><p>e Chavis (1986), em Sense of Community: A Definition and Theory4, relatam que o senso</p><p>de comunidade compõem-se de quatro elementos sendo: Pertencimento</p><p>- É quando</p><p>você sente-se como parte da comunidade, pois é essencial para que as pessoas possam</p><p>entender-se; Influência - Sentindo-se parte da comunidade é importante influenciar e</p><p>ser influenciado, ou seja, ouvir e ser ouvido; Integração - Neste processo a união dos</p><p>membros da comunidade gera satisfação em cada um, isso pode ser através de grupos</p><p>de WhatsApp, ou mesmo em qualquer prática desportiva. Por fim a Conexão emocional -</p><p>Aqui pode ser compartilhado os sentimentos, fazendo com que os elementos possam se</p><p>aproximar tanto em um piquenique, como em momentos difíceis na luta de uma doença.</p><p>Como podemos observar, o senso de comunidade pode e deve ser colocado na</p><p>abordagem da comunidade escolar.</p><p>2.4 CONSTRUINDO VALORES NA ESCOLA E NA COMUNIDADE</p><p>2.4.1 Relação entre Comunidade e Escola</p><p>Assim como, na comunidade é importante o senso comum, também é necessário</p><p>abordar esse assunto no ambiente escolar, pois há a necessidade de que haja a busca de</p><p>uma comunidade escolar em harmonia, que exista um sentimento de empatia de uma</p><p>relação de apoio e entendimento entre as pessoas, entre os professores e gestores,</p><p>temos que lembrar que as crianças e adolescentes, jovens e adultos, passam muito</p><p>tempo juntos e muitos não se sentem bem por não se sentirem integrados. Dessa forma,</p><p>deve ser estimulado o senso de cidadania de integridade entre o grupo. O diálogo é</p><p>importante em todos os momentos, tanto na escola como na comunidade, os</p><p>educadores e lideranças precisam ter firmeza para mostrar que se pode contar com cada</p><p>4 Para mais ver: McMillan, David W. and Chavi, David M. Sense of Community: A Definition and Theory,</p><p>Journal of Community Psychology, Volume 14, January, 1986.</p><p>PRÁTICAS PEDAGÓGICAS V COMUNIDADES</p><p>24</p><p>um deles, são pessoas que não podem ser evasivas, assim como precisam ter muita</p><p>sensibilidade e compreensão diante de cada realidade vivenciada.</p><p>Nas escolas, assim como em todas outras comunidades existe a necessidade do</p><p>Pertencimento, como afirmam (BOYES-WATSON; PRANIS, 2015, p. 20):</p><p>Pertencer significa ser aceito e valorizado. Significa ser visto e apreciado. O</p><p>pertencimento também traz consigo responsabilidade e obrigação: aceitar e</p><p>valorizar os outros que pertencem ao grupo. Às vezes, o pertencimento está</p><p>baseado na ação: nosso trabalho coletivo de algum tipo (o que nós fazemos)</p><p>valorizado. Às vezes, está baseado em nosso ser: nossa identidade coletiva ou</p><p>os valores e a visão compartilhados (quem nós somos) são valorizados. Ambas</p><p>as formas de pertencimento são importantes para o desenvolvimento humano</p><p>saudável.</p><p>É importante o sentimento de pertencimento no aluno, pois entendemos que</p><p>viver juntos pode vir a ser a melhor forma da prevenção contra a violência. Mesmo que</p><p>alguém não queira manifestar-se é preciso que o ser humano, entenda que ele é</p><p>valorizado. Quando o aluno se sente bem no ambiente escolar, ele vai transmitir uma</p><p>emoção positiva, trazendo alegria, tornando-se efetivamente melhor receptor e melhor</p><p>transmissor quando da sua forma de expor com clareza. A alegria é contagiante, logo é</p><p>uma prática saudável, cultivar a harmonia dentro de um ambiente escolar ou familiar.</p><p>Sabe-se que a parceria entre escola e comunidade é um elo que se constrói</p><p>diariamente, essa parceria reflete em práticas que objetive, trabalhar e considerar os</p><p>valores que o leva a formar e tornar cidadãos pensantes, críticos e democráticos.</p><p>Sobretudo, visando a construção de uma sociedade mais humana e igualitária. Para</p><p>Carolyn Boyes-Watson e Kay Pranis (2015), em seus interpretativos estudos sobre</p><p>“Círculos”, destacam a importância de construir e trabalhar os valores a partir de:</p><p>Conversar a respeito de valores antes de discutir as questões difíceis pode</p><p>mudar de forma impressionante a maneira como as pessoas interagem quando</p><p>chega a hora de se envolver nas questões mais desafiadoras [...]. Para construir</p><p>o componente de valores do alicerce do Círculo, os participantes identificam os</p><p>valores que eles sentem que sejam importantes para um processo saudável e</p><p>com bons resultados para todos. (BOYES-WATSON; PRANIS, 2015, p. 27).</p><p>2.4.2 A escola como base de instituição pública e a educação do</p><p>cidadão</p><p>Diante dessa afirmação, que visa transformar, construir e reconstruir o ambiente</p><p>organizacional e a própria sociedade na qual fazemos parte. A escola é essa base como</p><p>instituição pública, é o espaço social criado pela e para sociedade, é por meio dessa</p><p>conjuntura que se pretende educar as futuras gerações. Objetivando construir a</p><p>cidadania, através de ações educativas, valorizando e respeitando a diversidade, a</p><p>identidade de cada grupo, ou de cada comunidade que a escola recebe. No contexto</p><p>desse universo está, a criança, o adolescente, o jovem ou adulto. Essa reflexão tanto</p><p>individual como coletiva, permite compreender positivamente o papel da educação para</p><p>a formação ética dos seres humanos.</p><p>PRÁTICAS PEDAGÓGICAS V COMUNIDADES</p><p>25</p><p>Consoante as contribuições que apresentam Cortina (2003 apud ARAÚJO; KLEIN,</p><p>2006, p. 122), quanto a educação do cidadão, as autoras acentuam:</p><p>[...], entende que a educação do cidadão e da cidadã deve levar em conta a</p><p>dimensão comunitária das pessoas, seu projeto pessoal e também sua</p><p>capacidade de universalização, que deve ser exercida dialogicamente, pois,</p><p>dessa maneira, poderá ajudar na construção do melhor mundo possível,</p><p>demonstrando saber que é responsável pela realidade social. (CORTINA, 2003</p><p>apud ARAÚJO; KLEIN, 2006, p. 122)</p><p>Trabalhar esses valores, é balizar a construção de uma ação tão significativa,</p><p>potencializada através de diálogos, forma substancial e imprescindível, no processo para</p><p>condução do desenvolvimento de práticas educativas que resistem, o enfrentamento</p><p>das exclusões sociais. Então, acreditando nessa estratégia, nessa utopia, que a</p><p>construção de sociedades e escolas inclusivas, abertas às diferenças e à igualdade,</p><p>possa ofertar oportunidades para todas as pessoas, considerando como um objetivo</p><p>prioritário da educação atualmente.</p><p>2.5 O RESPEITO E A VALORIZAÇÃO DO SABER CULTURAL DO ALUNO</p><p>E DA COMUNIDADE</p><p>2.5.1 O saber cultural de uma comunidade</p><p>A cultura e o saber de uma comunidade, são fortes fatores que carregam imenso</p><p>valor simbólico no contexto vivido na comunidade. Estes aspectos transformam-se em</p><p>valores que fazem parte da vida do ser humano, a ponto de constituírem um saber</p><p>cultural, com o qual, ele adentra ao espaço escolar. As crianças, os adolescentes e os</p><p>jovens formam-se na comunidade e incorporam um saber elaborado.</p><p>Para garantir total respeito referente a esta análise, o Programa Nacional de</p><p>Fortalecimento dos Conselhos Escolares (PNFCE); O Conselho e o respeito e a</p><p>valorização do saber e da cultura do estudante e da Comunidade (2004, p. 10), o afirma</p><p>que, “[...], O respeito é a base para a socialização cultural. Fundado no respeito ao saber</p><p>e à cultura do estudante”. É, dessa forma, que se faz importante trazer esta reflexão.</p><p>Pois, compete à escola e principalmente ao educador, conduzir e redimensionar suas</p><p>práticas educativas, no sentido de cultivar as diferenças e criar oportunidades para</p><p>expandir os conhecimentos e ampliar a convivência e a sensibilidade na formação do</p><p>educando, consoante a que se propõe a valorização do saber cultural e da comunidade,</p><p>considera ressaltar:</p><p>[...], a importância da valorização e da integração do saber do estudante e da</p><p>cultura da comunidade e indicam-se pistas para o encontro desse saber e da</p><p>cultura com o saber e a cultura escolar. O encontro dos saberes ocorre na</p><p>relação entre o que se ensina e o que o estudante já sabe. Esse encontro de</p><p>saberes ocorre no respeito mútuo e no confronto da diversidade. Respeitando</p><p>os saberes diferentes, construídos nas diversas relações sociais, e</p><p>confrontando-os, ampliam-se os saberes. (PNFCE, 2004, p. 14)</p><p>PRÁTICAS PEDAGÓGICAS V COMUNIDADES</p><p>26</p><p>Em torno desse processo, para educar é fundamental respeitar e acolher cada</p><p>singularidade, cada elemento</p><p>na qual que se constitui a vida de cada ser humano, ou seja,</p><p>o hábito do seu cotidiano, seus costumes, possibilitam para educar as pessoas. É por</p><p>meio dessas atribuições que se busca a importância da valorização do saber cultural e</p><p>da integração do estudante entorno da comunidade em que ele está inserido. Sendo</p><p>assim, o educador e “a escola cumpra sua função de criar as condições para a</p><p>aprendizagem do estudante, sua prática deve contribuir, antes de tudo, para a</p><p>emancipação das pessoas” segundo (PNFCE, 2004, p. 20).</p><p>2.5.2 A educação comunitária</p><p>Segundo Ulisses F. Araújo e Ana Maria Klein (2006), a educação comunitária</p><p>voltada para cidadania deve enfatizar a importância da interação entre escola e</p><p>comunidade, de forma que os aspectos da vida em sociedade possam ser levados para o</p><p>currículo escolar. Os autores citam a Carta de Barcelona de 1990, que segundo Moacir</p><p>Gadotti (2004 apud ARAÚJO; KLEIN, 2006, p.123) apresenta um documento central dessa</p><p>concepção:</p><p>A Carta das Cidades Educadoras, chamada de Carta de Barcelona (Gadotti,</p><p>2004), de 1990, é um documento central para essa concepção. Em tal</p><p>documento, afirma-se que a cidade educadora é um sistema complexo</p><p>constante evolução, que sempre dará prioridade absoluta ao investimento</p><p>cultural e à formação permanente de sua população. Ela será educadora quando</p><p>reconhecer, exercitar e desenvolver, além de suas funções tradicionais, uma</p><p>função educadora, quando assumir a intenção e responsabilidade cujo objetivo</p><p>seja a formação, promoção e desenvolvimento de todos os seus habitantes,</p><p>começando pelas crianças e pelos jovens. (GADOTTI, 2004 apud ARAÚJO;</p><p>KLEIN, 2006, p. 123)</p><p>Entende-se desta forma que a educação deve ser ampliada para além da</p><p>comunidade escolar, onde a educação comunitária tenha todos como educadores, assim</p><p>como, todos como aprendizes, buscando eliminar as barreiras entre educação formal e</p><p>informal, com a finalidade de que a escola não se encerre em si mesma, mas que seja</p><p>uma integração entre alunos e a comunidade total de onde está inserida).</p><p>PRÁTICAS PEDAGÓGICAS V COMUNIDADES</p><p>27</p><p>UNIDADE III</p><p>PRÁTICAS PEDAGÓGICAS V COMUNIDADES</p><p>28</p><p>A INTERVENÇÃO PEDAGÓGICA E POLÍTICAS DE ESCOLARIZAÇÃO</p><p>3.1 CONHECER A INTERVENÇÃO PEDAGÓGICA E POLÍTICAS DE</p><p>ESCOLARIZAÇÃO</p><p>A intervenção pedagógica é um processo de interferência no ensino</p><p>aprendizagem, onde o educador ou professor busca auxiliar o educando logo que</p><p>percebe ou identifica dificuldades no aluno. Esta é uma forma de desenvolver suas</p><p>habilidades para atuar de forma proativa nas dificuldades de aprendizagens dos</p><p>educandos, buscado minimizar impactos na aprendizagem fazendo com que a educação</p><p>tenha mais qualidade. A intervenção pedagógica não está ligada a um processo de</p><p>correção, ela é um processo que vem justamente para que Pedagogos e Educadores</p><p>possam refletir na maneira como que o aluno interage em sala de aula, e dessa forma</p><p>possam atuar de maneira preventiva para que a interferência ajude a inclusão do</p><p>educando no processo de desenvolvimento.</p><p>A intervenção pedagógica tem o papel de incluir e desenvolver os alunos, a</p><p>interação entre professor-aluno busca o crescimento educacional. Cabe ao professor</p><p>educador buscar a forma mais criativa para mitigar os impactos negativos no resultado.</p><p>Para execução da Intervenção Pedagógica faz-se necessário que haja uma cumplicidade</p><p>e ou compromisso para o desenvolvimento do processo. Quando se intervêm no</p><p>processo de aprendizagem é obrigatório ter ou fazer uma análise da situação para que</p><p>se possa buscar uma ação pedagógica no sentido de alcançar os melhores resultados na</p><p>aprendizagem na aprendizagem dos estudantes. Em intitulado, Documento Orientador de</p><p>Intervenção Pedagógica 2022, da Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais (2022.</p><p>p.7), apresenta algumas propostas que objetivam a tais competências necessárias para</p><p>uma ação de aprendizagem:</p><p>(I) melhorar o desempenho dos estudantes;</p><p>(I) reduzir os desníveis de conhecimento de uma turma e da escola;</p><p>(III) promover o engajamento nas ações propostas; (IV) implementar novas</p><p>estratégias de ensino e</p><p>(V) aproximar a família da escola, no sentido de envolvê-la nas decisões e no</p><p>processo de ensino e aprendizagem dos seus filhos, como forma de garantir</p><p>uma educação qualidade para todos e todas. 5</p><p>Obviamente que estes estudos têm uma razão em função do momento delicado</p><p>ocorrido durante os anos de 2020 e 2021, onde dizem:</p><p>Em razão do período de Pandemia da Covid-19, que enfrentamos em 2020 e</p><p>2021, a ação de Intervenção Pedagógica se tornou ainda mais importante para</p><p>mitigar a defasagem de aprendizagem, o que demandará das escolas o</p><p>5 Ver: Documento Orientador de Intervenção Pedagógica 2022, da Secretaria de Estado de Educação de</p><p>Minas Gerais (2022. p.7).</p><p>PRÁTICAS PEDAGÓGICAS V COMUNIDADES</p><p>29</p><p>desenvolvimento de várias ações articuladas, para a garantia e a promoção de</p><p>aprendizagens significativas aos estudantes.6</p><p>Dessa forma pode ser observado que é necessária uma intercessão entre todos</p><p>os sujeitos que estão no entorno do educando para compreender as dificuldades</p><p>relativas a determinados conteúdos. A conexão entre o educador e o educando precisa</p><p>ser tratada com inteligência. Como relata Domingos Teles (2020):</p><p>Um avião de papel jogado na sala não é a atitude mais perversa do mundo, nem</p><p>perversa é! O que é perverso é o professor colocar o aluno para fora de sala de</p><p>aula porque ele estava impaciente por não ter sua atenção motivada para se</p><p>concentrar na aula, já que, o que é informado não o desperta para uma reflexão,</p><p>para seu interesse, está longe de sua realidade e ele não terá a chance de expor</p><p>seu pensamento bem naquele momento que a carteira maltrata sua coluna, que</p><p>braços e pernas já começam a adormecer por falta de movimento, ou então</p><p>porque ele se remexe com uma impaciência que ao olhar para o professor e</p><p>apenas ver uma boca fazendo um som incompreensível para ele.</p><p>O avião de papel é na verdade uma válvula de escape e se trata de um recado:</p><p>“Ei, estou vivo. Estou aqui! Quero participar também”. O avião de papel é só um</p><p>chamado pedindo atenção. Cabe ao educador transformar esse avião numa</p><p>ferramenta de suporte para seu trabalho com aqueles educandos que, muitas</p><p>vezes, são taxados de desatentos e de crianças com déficit de atenção, que</p><p>pode também ser o caso, mas que não basta só diagnosticar é necessário</p><p>também que o “remédio” seja aplicado. Nossa prática pedagógica bem aplicada</p><p>é esse remédio, é o apoio e a atenção que o educando quer, é o apoio que ele</p><p>necessita para sentir-se um indivíduo que produz. (DOMINGOS TELES,2020, p.</p><p>16).</p><p>Ao educador atento na sala de aula, cada ação de um educando pode e deve ser</p><p>olhada como uma mensagem, o ser humano não se comunica apenas com a voz, ele</p><p>comunica-se com o corpo, com os olhos, com as mãos. E como dialoga Teles Domingos</p><p>(2020, p. 17), “A Escola sempre foi a oportunidade para o ser humano que busca entender</p><p>e viver no mundo”. Na escola o ser humano busca interpretar o mundo, para que se faça</p><p>a transformação na sociedade, uma sociedade que ainda está em crescimento, em</p><p>constante mudanças e aprendizados, levando o reflexo para o interno das escolas</p><p>através das questões ideológicas e tornando a escola responsável por questões que</p><p>cabem às famílias.</p><p>O Educador, assim como todos que estão no entorno da escola e da escolarização,</p><p>cabe buscar o melhor caminho, não pode a escola servir a grupos, ela precisa servir a</p><p>todos sem mediocridade. O Educador precisa se aperfeiçoar, fazer cada vez mais cursos</p><p>de aperfeiçoamento e ajudar a transformação para a existência de uma Escola</p><p>Libertadora.</p><p>A Escola deve preparar o educando para ser consciente de seus direitos, assim</p><p>como de seus deveres, nas salas de aula são encontrados os futuros grandes</p><p>profissionais sejam eles professores, pedreiros, comerciários, médicos, engenheiros,</p><p>6 Ver: Documento Orientador de Intervenção Pedagógica</p>

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