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<p>Contexto clínico</p><p>O profissional de avaliação psicológica, que pretende seguir no campo clínico, deve atentar-se para os princípios teóricos que norteiam a sua prática e refletir sobre os métodos e técnicas a serem empregados em sua atuação (ARAÚJO, 2007).</p><p>Arzeno (1995) enfatiza que a partir de um bom diagnóstico estabelecido no campo clínico, tal diagnóstico pode servir para as mais variadas ações, desde a atuação no âmbito jurídico até o campo vocacional, por exemplo. A Figura 1 exemplifica as vantagens de se estabelecer um diagnóstico.</p><p>Figura 1 - Vantagens do estabelecimento de um diagnóstico</p><p>Fonte: Elaborado pelos autores (2021).</p><p>Um diagnóstico é vantajoso a partir do momento em que é possível uma melhor compreensão acerca do fenômeno analisado e suas possíveis causas. Adicionalmente, pode-se verificar se de fato é possível seguir com o tratamento ou intervenção. Ainda, o mesmo favorece a escolha do tipo de técnica e método a ser utilizado durante a intervenção (ARZENO, 1995).</p><p>você sabia?</p><p>Estabelecer um diagnóstico também significa uma proteção profissional no sentido de reforçar ambos os compromissos: éticos e clínicos. Cabe ao profissional estar atento a possíveis desdobramentos a partir do diagnóstico realizado e também fundamentar a sua prática a partir de uma avaliação consistente (ARZENO, 1995).</p><p>A literatura aponta, de maneira geral, três pontos que auxiliam na escolha da técnica para a realização de uma avaliação em contexto clínico (ARAÚJO, 2007), conforme exposto na Figura 2.</p><p>Figura 2 - Quesitos para a escolha de uma técnica de avaliação</p><p>psicológica no contexto clínico segundo Araújo (2007)</p><p>Fonte: Elaborado pelos autores (2021).</p><p>Desde a concepção de homem e de mundo (referencial teórico) os objetivos e fins de uma avaliação são essenciais na seleção das técnicas e métodos a serem empregados (ARAÚJO, 2007). Para outros autores, há algumas outras finalidades no psicodiagnóstico clínico que devem ser enfatizadas. A Figura 3 resume as principais finalidades envolvendo o estabelecimento de uma avaliação no âmbito clínico:</p><p>Figura 3 - Finalidades do estabelecimento de um</p><p>psicodiagnóstico clínico segundo Arzeno (1995)</p><p>Fonte: Elaborado pelos autores (2021).</p><p>Dentre as finalidades de um psicodiagnóstico clínico, Arzeno (1995) destaca o próprio diagnóstico, mas não no sentido de estabelecer um rótulo, entendendo que se trata de um processo dinâmico. O uso de testes padronizados, a análise do vínculo terapêutico em entrevistas iniciais é fundamental para um bom diagnóstico. Para tanto, o diagnóstico pode ser realizado para sanar dúvidas na avaliação ou nas etapas de intervenção, e ainda como resposta a alguma demanda específica (ARZENO, 1995).</p><p>importante:</p><p>Ao profissional cabe salientar, que quanto mais fontes de informação são utilizadas na avaliação, maior a segurança no estabelecimento do diagnóstico na prática clínica.</p><p>Uma segunda possibilidade, quanto à realização de um psicodiagnóstico clínico, pode envolver a própria avaliação do tratamento, de maneira a verificar possíveis avanços terapêuticos ou mesmo o estabelecimento e planejamento de uma alta no processo ou reavaliação para a proposição de uma nova conduta (ARZENO, 1995).</p><p>Nesse sentido, é extremamente importante no contexto clínico a atitude imparcial do profissional psicólogo quanto ao seu trabalho e a intervenção realizada, assumindo o papel de um observador/ “fotógrafo” da situação (ARZENO, 1995). Araújo (2007) enfatiza, todavia, a postura profissional para além da neutralidade e objetividade: os avanços no psicodiagnóstico a partir do momento que cederam lugar a subjetividade e a relação terapêutica permitiram uma compreensão do indivíduo de forma global.</p><p>Figura 4 - Fotógrafo</p><p>Fonte: FreeImages</p><p>O psicodiagnóstico clínico também pode funcionar como um meio de comunicação de maneira a ampliar a consciência do cliente acerca do que foi analisado ou mesmo do que é necessário intervir, sendo uma das formas de auxiliar no engajamento para a resolução do problema disposto. Por fim, o psicodiagnóstico também pode servir como fonte de investigação, cujos objetivos podem ser a construção de instrumentos ou mesmo a avaliação quanto a validade das conclusões/ informações obtidas dentro do processo clínico (ARZENO, 1995).</p><p>importante:</p><p>É válido frisar que o diagnóstico clínico pode ser um meio também para que haja um melhor aceite por parte do cliente, das condições estabelecidas para o tratamento e mesmo uma forma de discutir com os familiares, quando é o caso, sobre o melhor tipo de tratamento a ser estabelecido e as diretrizes da intervenção.</p><p>Um processo de psicodiagnóstico pode ser longo e engloba diferentes etapas. Ocampo (2005) destaca quatro etapas envolvendo o diagnóstico clínico, conforme destacado na figura 5.</p><p>Figura 5 - Etapas envolvendo o diagnóstico segundo Ocampo (2005).</p><p>Fonte: Elaborado pelos autores (2001).</p><p>As etapas do psicodiagnóstico clínico devem envolver desde o contato inicial do avaliador com o cliente até a devolutiva, também por escrito, a respeito do que foi realizado, apresentando a seguinte sequência: 1) entrevista inicial, de maneira a conhecer a demanda e estabelecer os objetivos do trabalho; 2) a aplicação de testes e técnicas projetivas, compreendendo a base de um psicodiagnóstico no âmbito psicodinâmico; 3) a devolutiva oral, a respeito de todas as etapas e resultados obtidos ao longo do processo a serem devolvidos ao cliente ou aos responsáveis (ex. pais, em se tratando de avaliação infantil); 4) Elaboração de um laudo, um documento escrito como retorno da avaliação de maneira a registrar e finalizar o processo.</p><p>Arzeno (1995) detalha as etapas do psicodiagnóstico clínico em sete momentos, a saber:</p><p>1.Solicitação da consulta: tal etapa é referente ao contato inicial do profissional com a demanda.</p><p>2.Entrevista: Etapa em que há a coleta de informações e histórico de vida e clínico do cliente.</p><p>3.Reflexão: Etapa na qual são elaboradas hipóteses iniciais e, é realizado o planejamento da intervenção.</p><p>4.Estratégia diagnóstica: Etapa na qual as técnicas selecionadas são empregadas ao longo do processo.</p><p>5.Análise: integração dos dados frutos do processo de avaliação.</p><p>6.Devolução: Etapa na qual há a entrevista devolutiva a partir do que foi observado e concluído do processo.</p><p>7.Laudo: Elaboração de um documento por escrito devolvido a quem de interesse na avaliação.</p><p>Sobre as etapas iniciais no processo de avaliação clínico, há autores que enfatizam e incluem nesse contato inicial com a demanda, a prática do enquadre (ARAÚJO, 2007; ARZENO, 1995).</p><p>definição:</p><p>Enquadre, de maneira geral, consiste em um contrato terapêutico estabelecido com o cliente de maneira a elucidar os pontos acerca do tratamento e estabelecer os limites de seu trabalho (CATANI, 2013).</p><p>Araújo (2007) destaca alguns tópicos que são úteis no estabelecimento do contrato terapêutico entre terapeuta e cliente e/ou responsáveis, como detalhar os objetivos da intervenção, os principais papéis desempenhados na relação, a duração, local, horário/tempo da avaliação, bem como, quais os honorários e como serão realizados os pagamentos.</p><p>Figura 6 - Pessoa organizando a agenda</p><p>Fonte: FreeImages.</p><p>O enquadre pode ser realizado em outros contextos que não só o clínico. O texto de Catani (2013) aborda o enquadre na abordagem psicanalítica e no contexto hospitalar, discutindo possibilidades e limites dessa etapa. Acesso-o clicando aqui.</p><p>image6.jpeg</p><p>image7.jpeg</p><p>image8.jpeg</p><p>image9.jpeg</p><p>image1.jpeg</p><p>image2.jpeg</p><p>image3.jpeg</p><p>image4.jpeg</p><p>image5.jpeg</p>

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