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<p>ANA CLÁUDIA GONÇALVES CAMPOS</p><p>TIPOS PSICOLÓGICOS E PROFISSÕES: UM ESTUDO</p><p>EXPLORATÓRIO</p><p>UNIVERSIDADE DO VALE DO SAPUCAÍ</p><p>POUSO ALEGRE</p><p>2005</p><p>ANA CLÁUDIA GONÇALVES CAMPOS</p><p>TIPOS PSICOLÓGICOS E PROFISSÕES: UM ESTUDO</p><p>EXPLORATÓRIO</p><p>Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao</p><p>curso de Psicologia da Faculdade de Ciências</p><p>Médicas “Dr José Antônio Garcia Coutinho” da</p><p>Universidade do Vale do Sapucaí, como requisito</p><p>parcial para obtenção do título de psicólogo.</p><p>Orientador: Prof. e Ms. Marcos Antonio Batista</p><p>UNIVERSIDADE DO VALE DO SAPUCAÍ</p><p>POUSO ALEGRE</p><p>2005</p><p>ANA CLÁUDIA GONÇALVES CAMPOS</p><p>TIPOS PSICOLÓGICOS E PROFISSÕES: UM ESTUDO</p><p>EXPLORATÓRIO</p><p>Monografia defendida e aprovada em 18/11/2005 pela banca examinadora constituída</p><p>pelos professores:</p><p>____________________________________________</p><p>Prof. Marcos Antonio Batista</p><p>Orientador</p><p>____________________________________________</p><p>Prof. Alessandro Caldonazzo Gomes</p><p>Examinador</p><p>_____________________________________________</p><p>Profª Sandra Maria S. Sales Oliveira</p><p>Examinadora</p><p>Dedico</p><p>Às minhas filhas, que foram minhas</p><p>companheiras nesta jornada de lutas e vitórias,</p><p>que passaram ao meu lado momentos difíceis</p><p>para que esse sonho pudesse ser realizado.</p><p>AGRADECIMENTOS</p><p>Agradeço a Deus por permitir a realização desse sonho. Agradeço a Ele também</p><p>por ter colocado em meu caminho pessoas especiais, a quem devo esta conquista:</p><p>Meus pais, que me deram todo apoio e segurança; que sacrificaram tanto de suas</p><p>vidas para que eu pudesse continuar a minha.</p><p>Minha família, especialmente minhas irmãs e cunhados, que torceram e oraram por</p><p>mim.</p><p>Minhas filhas, Fernanda, Amanda e Danielle, que por muitas vezes ficaram sem</p><p>minha presença para que eu pudesse me dedicar ao curso; que sentiram minha falta, mas</p><p>me incentivaram para que eu seguisse em frente.</p><p>Ao Luciano, meu namorado, amigo, companheiro, que me dedicou todo o seu</p><p>carinho e cuidado, que foi meu porto seguro nos momentos de angústia e nunca me deixou</p><p>desistir.</p><p>Meus colegas Geovanni, Vera e Sandra, com quem pude contar e dividir meus</p><p>problemas e alegrias.</p><p>Todos os meus colegas, pessoas tão especiais, que me fizeram acreditar na amizade.</p><p>Todos os meus professores, verdadeiros mestres, com quem aprendi não apenas a</p><p>teoria, mas o compromisso e a paixão pela psicologia.</p><p>Ao professor Marcos, que me incentivou e acreditou em minha capacidade; com</p><p>quem aprendi muito, não apenas como profissional, mas através de seu exemplo de vida</p><p>pude crescer principalmente como pessoa.</p><p>Às funcionárias Eleuzes e Luciene, por sua amizade e colaboração.</p><p>“Qualquer caminho é apenas um caminho e não</p><p>constitui insulto algum – para si mesmo ou para</p><p>os outros – abandoná-lo quando assim ordena</p><p>seu coração (...) Olhe cada caminho com cuidado</p><p>e atenção. Tente-o quantas vezes julgar</p><p>necessárias... Então faça a si mesmo e apenas a</p><p>si mesmo uma pergunta: possui esse caminho um</p><p>coração? Em caso afirmativo, o caminho é bom.</p><p>Caso contrário, esse caminho não possui</p><p>importância alguma....”</p><p>Carlos Castañeda</p><p>CAMPOS, Ana Cláudia Gonçalves. Tipos Psicológicos e Profissões: um estudo</p><p>exploratório.2005. Monografia – Curso de Psicologia, Faculdade de Ciências Médicas Dr.</p><p>José Antônio Garcia Coutinho, Universidade do Vale do Sapucaí, Pouso Alegre, 2005.</p><p>RESUMO</p><p>O presente trabalho tem como objetivo um estudo comparativo das características</p><p>psicológicas em universitários e seus respectivos cursos, observando se tais</p><p>características correspondem às habilidades demandadas pela profissão escolhida.</p><p>Participaram da pesquisa 327 universitários com idade entre 22 e 48 anos e de ambos os</p><p>sexos, matriculados em nove dos cursos da UNIVÁS. O instrumento utilizado foi o</p><p>Questionário de Avaliação Tipológica – QUATI. Os dados foram analisados quantitativa e</p><p>qualitativamente; a comparação dos dados foi feita por meio da análise estatística</p><p>descritiva frequencial e os resultados foram apresentados e discutidos por meio de tabelas</p><p>e gráficos. Os dados demonstram que a maioria dos universitários apresenta como atitude</p><p>a extroversão, como função principal o sentimento e como função auxiliar a sensação,</p><p>tendo o sentimento também se destacado como função auxiliar. Estes dados apontam para</p><p>a necessidade de mais profissionais atuando ou intervindo antes do momento da escolha</p><p>profissional, como forma de minimizar as dificuldades e frustrações no transcorrer da</p><p>formação acadêmica e no mercado de trabalho. Esta pesquisa busca também a</p><p>compreensão dos processos envolvidos no momento da escolha da profissão e propõe uma</p><p>reflexão a respeito da importância do papel do psicólogo e da orientação profissional.</p><p>Palavras-chave: Tipos Psicológicos, Escolha Profissional, Orientação Profissional.</p><p>CAMPOS, Ana Cláudia Gonçalves. Psychological Types and Professions: a study</p><p>exploratory.2005. Monografia – Curso de Psicologia, Faculdade de Ciências Médicas Dr.</p><p>José Antônio Garcia Coutinho, Universidade do Vale do Sapucaí, Pouso Alegre, 2005.</p><p>ABSTRACT</p><p>The present work has as objective a comparative study of the psychological</p><p>characteristics in university students and its respective courses, being observed such</p><p>characteristics corresponds to the abilities demanded by the chosen profession. They</p><p>participated of the university research 327 with age between 22 and 48 years and of both</p><p>sexes, registered in nine of the courses of UNIVÁS. The used instrument was Questionário</p><p>de Avaliação Tipológica - QUATI. The data were analyzed quantitative and qualitying; the</p><p>comparison of the data was made by means of the analysis statistical descriptive</p><p>frequencial and the results were presented and discussed by means of tables and graphs.</p><p>The data demonstrate that most of the university students presents as attitude the</p><p>extroversion, as main function the feeling and auxiliary function the sensation, also tends</p><p>the feeling if outstanding as auxiliary function. These data point for the need of more</p><p>professionals acting or intervening before the moment of the professional choice, as form</p><p>of minimizing the difficulties and frustrations in elapsing of the academic formation and in</p><p>the labor market. This research also looks for the understanding of the processes involved</p><p>in the moment of the choice of the profession and it proposes a reflection regarding the</p><p>importance of the psychologist's paper and of the professional orientation.</p><p>Key words: Psychological Types, Choose Professional, Professional Orientation.</p><p>LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS</p><p>BBT Berufsbilder Test – Teste de foto de Profissões</p><p>BPR-5 Bateria de Provas de Raciocínio</p><p>EPQ Eysenck Personality Questionnaire</p><p>LAP Laboratório de Avaliação Psicológica</p><p>LIP Levantamento de Interesses Profissionais</p><p>MBTI Myers – Briggs Type Indicator</p><p>16 PF Questionário de Personalidade</p><p>PRF Personality Research Form</p><p>QUATI Questionário de Avaliação Tipológica</p><p>UNIVÁS Universidade do Vale do Sapucaí</p><p>LISTA DE TABELAS E ILUSTRAÇÕES</p><p>Tabela</p><p>Jones e Holland (1993) feitas a partir</p><p>das correlações entre as seis dimensões de Holland e os Cinco Grande Fatores de</p><p>personalidade. Neste estudo encontrou-se que o fator extroversão e características como</p><p>sociabilidade e generosidade, estão associados aos interesses sociais e empreendedores; o</p><p>fator abertura para experiência e características como curiosidade, criatividade, imaginação</p><p>são associados aos interesses investigativos e sociais; o fator escrupulosidade e</p><p>características como responsabilidade, meticulosidade, associa-se aos interesses</p><p>convencionais. O fator Neuroticismo correlacionou-se negativamente com todos os</p><p>interesses.</p><p>Um outro estudo citado por Primi et al (2002) refere-se à investigação das</p><p>correlações entre o Personality Research Form – PRF, fundamentado na teoria de Murray,</p><p>com as seis dimensões de Holland. Nesta pesquisa Vieira e Ferreira (1997) encontraram</p><p>associações entre necessidade de realização, compreensão, resistência, com o tipo</p><p>Investigador; necessidade de afiliação, apoio, compreensão, com o tipo Social e o tipo</p><p>Artístico; necessidade de dominância, exibição e prazer com o tipo Empreendedor e</p><p>necessidade de ordem e menor autonomia com o tipo Convencional.</p><p>4.2 - O teste de foto de profissões - BBT</p><p>No processo da escolha profissional, além do conhecimento das características de</p><p>personalidade, habilidades e motivações, é necessário que o indivíduo tenha conhecimento</p><p>da realidade objetiva em que vive. Inclui-se a importância do conhecimento e</p><p>reconhecimento das potencialidades individuais efetivas, das características das profissões</p><p>e das transformações do mundo do trabalho, assim como a importância das características</p><p>técnicas das profissões, suas exigências e possibilidades de satisfação pessoal</p><p>(JACQUEMIN, MELO-SILVA e PASIAN, 2000).</p><p>Achtnich (1991) cita que o rendimento profissional depende diretamente da</p><p>satisfação e do interesse dedicados ao trabalho, obtidos por meio do conhecimento das</p><p>inclinações motivacionais individuais. Quando a profissão escolhida não corresponde às</p><p>inclinações, pode gerar uma insatisfação e queda no rendimento. A escolha discordante</p><p>pode provocar doenças e reações psíquicas mórbidas.</p><p>O universo profissional é constituído por diferentes elementos, conforme expõe o</p><p>autor supracitado (1991): a designação precisa da profissão; as atividades exercidas na</p><p>profissão; o material a que as atividades se referem, o objeto profissional; os instrumentos</p><p>utilizados; o local onde as atividades são exercidas e o objetivo visado. Baseado nesses</p><p>pressupostos, propõe a utilização do Teste de Fotos de Profissões - BBT, para o</p><p>conhecimento da inclinação profissional do indivíduo.</p><p>O BBT, segundo Bernardes (2002) trata-se de um teste projetivo, que visa obter um</p><p>entendimento dinâmico da personalidade, para a clarificação dos interesses profissionais.</p><p>Os métodos projetivos possibilitam uma avaliação das áreas patológicas e sadias da</p><p>personalidade, pois retratam o mundo interno do indivíduo e seus mecanismos para lidar</p><p>com os conflitos. O BBT foi formulado por Achtnich (1991) e tem como fundamentação</p><p>teórica a Teoria da Análise do Destino, de Szondi (1970).</p><p>Ainda segundo a mesma autora (2002) a teoria de Szondi propõe que a vida não</p><p>pode ser reduzida a uma sucessão de acontecimentos aleatórios; alguns acontecimentos</p><p>fazem mais sentido do que outros ao longo da vida de um indivíduo, orientando</p><p>decisivamente o seu destino. O destino é escolha, e as formas de escolha são a escolha de</p><p>amor e amizade, escolha de doença, da profissão, e da forma de morte. Szondi propõe</p><p>também um fundamento genético das escolhas do destino: haveria na bagagem genética</p><p>hereditária do ser humano grupos de genes alelos recessivos que seriam produtores de</p><p>doença mental; se um indivíduo adoece de uma doença mental particular é porque leva em</p><p>sua bagagem hereditária uma combinação homozigota, o gene recessivo responsável por</p><p>essa doença. Para Szondi, destino e pulsão estão intimamente ligados, assim como destino</p><p>e genes.</p><p>Sbardelini (2000) salienta que para a questão da escolha profissional, Szondi utiliza</p><p>o termo operotropismo, que seria a possibilidade do investimento das pulsões na atividade</p><p>profissional, como uma oportunidade de satisfação dessas pulsões, o que impede que a</p><p>doença venha a se instalar.</p><p>A mesma autora (2000) cita que é com base nesse conceito de operotropismo que</p><p>Achtnich elaborou o BBT, com o objetivo de analisar as identificações, rejeições e</p><p>ambivalências do sujeito frente às situações profissionais.</p><p>Na concepcão de Szondi, as inclinações representam as necessidades e aspirações</p><p>fundamentais correspondentes a quatro vetores que são: instinto do ego, instinto de</p><p>contato, instinto paroxismal e instinto sexual. Achtnich utilizou os vetores de Szondi para</p><p>conceber oito fatores de inclinação, relacionados às necessidades humanas universais</p><p>(MELO-SILVA e NOCE, 2004).</p><p>Os oito fatores de inclinação postulados por Achtnich (1991) são:</p><p>- Fator W: ternura, sensibilidade, disponibilidade, necessidade de tocar, de prestar</p><p>serviço. Relativo a atividades como massagear, cuidar diretamente de pessoas. Os</p><p>instrumentos de trabalho são o tato, a água, artigos de higiene, cosméticos, tecidos. Os</p><p>locais de trabalho são os que oferecem possibilidade de contatos pessoais como</p><p>institutos de beleza, de massagem, de estética, sauna, creches, pensões, hotéis,</p><p>butiques, ateliês de costura, etc.</p><p>- Fator K: força física, dureza, agressividade. Atividades relacionadas à força física</p><p>como quebrar, cortar, bater, atirar, e outros; e que utilizam materiais resistentes como</p><p>metal, aço, ferro, lata, pedra, vidro, solo duro. Os locais de trabalho são oficinas,</p><p>canteiro de construções, pedreira, estrada, fazenda.</p><p>- Fator S: Sh: aspecto social, interesse pelo outro, cuidar, ajudar, curar. Interesse por</p><p>atividades com dispositivos de salvamento, instituições de proteção, medidas</p><p>preventivas, compreensão, conselho. Os locais de trabalho são os hospitais, asilos,</p><p>igrejas, consultório. Se: energia psíquica, dinamismo, capacidade para se impor,</p><p>coragem, independência. Atuação em atividades que exijam dinamismo, risco, ação,</p><p>independência, autonomia. Caracterizado pela necessidade de mudança, de espaço e</p><p>viagem, além do gosto pelo imprevisto. Trabalho ligado às forças da natureza, como</p><p>fogo, eletricidade, energia nuclear, energia mecânica.</p><p>- Fator Z: necessidade de mostrar, estar em evidência, representar, estética. Atividades</p><p>relacionadas a expor, fotografar, filmar, maquiar, vestir, desenhar, pintar. Interesse pelo</p><p>belo, pelas cores, pelas formas estéticas e por trabalhos dirigidos a um público. Os</p><p>locais de trabalho são os palcos, passarelas, telas, museus, feiras, vitrines, salas de</p><p>exposições, as ruas.</p><p>- Fator V: inteligência, razão, lógica, necessidade e clareza de pensamento, objetividade.</p><p>Atividades relacionadas a observar, ordenar, arquivar, ensinar, dar instruções,</p><p>comandar, medir, calcular, contar, disciplinar. Objetos como calculadora, computador,</p><p>régua, balança. O local de trabalho geralmente é um espaço fechado, como escritório,</p><p>laboratório, ateliê.</p><p>- Fator G: espírito, intuição, imagem criadora. Atividades relacionadas a meditar,</p><p>filosofar, pesquisar, criar, compreender psicologicamente, imaginar. Procura pelo novo</p><p>e ilimitado. Local de trabalho fechado como sala, quarto, laboratório.</p><p>- Fator M: a matéria, o concreto, o terrestre, possessão, poder. Relacionado ao prático, ao</p><p>tangível, ao natural, ao que tem valor, ao dinheiro. Interesse pelo trabalho com terra,</p><p>argila, pintura, sabão, perfumes, coisas antigas.</p><p>- Fator O: oralidade; Or: necessidade de falar, comunicar, discutir, vender, cantar,</p><p>recitar, traduzir, negociar. Trabalho com o público; o local de trabalho deve ser um</p><p>espaço onde se convive com outras pessoas, como a escola, locais de festas, a rua. On:</p><p>necessidade</p><p>de nutrir, alimentar. Venda e preparo de alimentos; hospedagem.</p><p>Jackemin, Melo-Silva e Pasiani (2000) descrevem que o BBT é composto por 96</p><p>fotos, representando pessoas exercendo atividades profissionais. É constituído por duas</p><p>versões, masculina e feminina; a forma feminina possui quatro fotos complementares. As</p><p>imagens são apresentadas em preto e branco e em formato quadrado, e a atividade</p><p>representada na foto é focalizada. O enfoque é dado à atmosfera ocupacional representada</p><p>pelas funções, local de trabalho, instrumentos e objetos utilizados.</p><p>Cada foto do teste, de acordo com os mesmos autores (2000) possui um caráter</p><p>evocativo que articula os pensamentos do sujeito e representa um pareamento de duas</p><p>tendências: o fator primário, que possui o caráter evocador mais forte, representado pela</p><p>atividade mostrada na foto e por uma letra maiúscula; e o fator secundário, que representa</p><p>o objetivo, o instrumento, o objeto e o local da atividade, e vem representado por uma letra</p><p>minúscula. As fotos oferecem um contato direto com uma atmosfera profissional, suas</p><p>funções mais importantes, seu objeto de ação e seu local de trabalho. Sbardelini (2000)</p><p>complementa dizendo que cada fator primário aparece em oito fotos, combinado a cada vez</p><p>com um fator que naquela foto atua como secundário.</p><p>As fotos do teste mostram os profissionais no trabalho. A pessoa identifica-se por</p><p>um momento, com o trabalhador representado e é confrontado pela pergunta se poderia</p><p>efetuar aquele mesmo trabalho, com aqueles instrumentos e materiais e naquele meio</p><p>profissional. Através da identificação com o trabalhador da foto, a estrutura de inclinação</p><p>do sujeito é solicitada (MELO-SILVA e NOCE, 2004).</p><p>O indivíduo escolhe de forma positiva, negativa ou indiferente. Baseado nessa</p><p>classificação, serão realizadas as associações entre o porquê das escolhas, primeiro das</p><p>positivas, logo após das demais, se necessário. A análise das escolhas é feita de forma</p><p>quantitativa e qualitativa e os resultados são avaliados e posteriormente discutidos com o</p><p>sujeito (SBARDELINI, 2000). Melo-Silva e Noce (2004) descrevem que a análise</p><p>quantitativa das escolhas permite a visualização do perfil de interesses do indivíduo e</p><p>como estão organizadas suas necessidades em busca de satisfação. A análise qualitativa</p><p>considera a concepção que o indivíduo possui das diversas atividades profissionais; do</p><p>contato e da possibilidade de cada um em relação às profissões e ao mundo do trabalho.</p><p>Cada fator analisado refere-se não somente às necessidades que procuram satisfação na</p><p>profissão em si, mas também a locais e instrumentos de trabalho relacionados a esta</p><p>atividade.</p><p>O BBT oferece uma sistematização das informações sobre interesses e motivações</p><p>dos indivíduos, de maneira que compõe uma representação desses elementos internos, sem</p><p>um falseamento de racionalizações. Possibilita a análise quantitativa e qualitativa da</p><p>estrutura de inclinação profissional do indivíduo, fornecendo dados importantes para</p><p>avaliar o processo de decisão da escolha profissional (MELO-SILVA E NOCE, 2004).</p><p>4.3 - A tipologia junguiana</p><p>Na classificação dos tipos psíquicos, pode ser considerado como grande exemplo a</p><p>Tipologia de Carl Gustav Jung. Ao longo de dez anos, Jung dedicou-se a um estudo</p><p>detalhado dos tipos abordados na literatura, na mitologia, na filosofia e principalmente na</p><p>psicopatologia. A origem da tipologia junguiana surge como um dos principais frutos do</p><p>desenvolvimento dos estudos sobre inconsciente e das descobertas científicas de Freud e</p><p>Jung (ZACHARIAS, 1995).</p><p>Hall (1986) salienta que Jung fez uma vasta revisão histórica da questão dos tipos</p><p>psicológicos na literatura, na mitologia, na estética e na filosofia, na qual baseou o</p><p>desenvolvimento do sistema tipológico. Tipos Psicológicos foi um dos primeiros livros de</p><p>Jung, sendo publicado em 1921. No modelo tipológico de Jung, existem dois tipos de</p><p>atitude: a extroversão e a introversão, termos que ficaram conhecidos e que são usados</p><p>popular e culturalmente; também existem quatro funções que são chamadas pensamento,</p><p>sentimento, intuição e sensação.</p><p>Para Moraes (2001) a teoria tipológica de Jung, no que diz respeito à introversão e</p><p>à extroversão, talvez seja uma das mais conhecidas, pois dentre as características descritas</p><p>encontram-se as tendências para a escolha da profissão e o ambiente de trabalho.</p><p>Zacharias (1995) cita que a idéia de que é possível classificar as pessoas em</p><p>determinados tipos de atitudes e comportamentos, consta de longa data. Esses sistemas de</p><p>tipologia baseiam-se na observação direta do comportamento humano e em um conjunto</p><p>complexo de representações simbólicas mágico-religiosas-filosóficas. A grande</p><p>contribuição da tipologia junguiana, é a introdução do conceito de energia psíquica e como</p><p>cada pessoa se orienta em relação ao mundo, contribuição esta inovadora frente aos</p><p>sistemas anteriores, em que as classificações eram baseadas na observação de padrões de</p><p>comportamento temperamental ou emocional.</p><p>Inicialmente, Jung elaborou sua teoria tipológica com o fito de explicar a forma</p><p>como a qual ele, Freud, Adler e outros podiam ter concepções tão divergentes a respeito do</p><p>mesmo material clínico. Jung chegou à conclusão de que eles interpretavam os fatos</p><p>relevantes de formas diversas, em função das variações da maneira como esses fatos</p><p>funcionavam graças a tipologia de cada um. Percebeu que Freud era voltado para o objeto</p><p>e Adler era voltado para o sujeito. Freud partia do princípio de que as coisas evoluíam</p><p>segundo as diretrizes do instinto sexual; Adler concedia a primazia ao instinto do poder.</p><p>Assim, tanto Freud quanto Adler, criam um sujeito em relação a um objeto, mas Adler</p><p>enfatiza o sujeito que se afirma e procura manter sua superioridade em relação aos objetos.</p><p>Freud, ao contrário, enfatiza os objetos, que conforme suas características são proveitosos</p><p>ou prejudiciais ao desejo do sujeito. Jung, baseando-se em suas observações, concluiu</p><p>então que há dois tipos de pessoas, uma que se interessa mais pelo objeto e outra que se</p><p>interessa mais por si mesma, chegando ao conceito de extroversão e introversão (HALL,</p><p>1986).</p><p>Os tipos gerais de atitude são distinguidos por seu comportamento peculiar em</p><p>relação ao objeto. O introvertido preocupa-se em retirar a libido do objeto para se prevenir</p><p>contra um superpoder desse objeto. O extrovertido, ao contrário, tem um comportamento</p><p>positivo frente ao objeto, afirmando sua importância na medida em que dirige a ele sua</p><p>atitude subjetiva (JUNG, 1991).</p><p>O conceito de extroversão e introversão é baseado no modo como se processa o</p><p>movimento da energia psíquica em relação ao objeto: na extroversão a libido flui em</p><p>direção ao objeto; na introversão a libido recua frente ao objeto, pois o sujeito sente nele</p><p>algo de ameaçador (SILVEIRA, 1997).</p><p>4.3.1. - A atitude extroversão</p><p>Cada pessoa, de acordo com Jung (1991) se orienta pelos dados que o mundo</p><p>externo lhe fornece. Quando a orientação pelo objeto e pelo dado objetivo é predominante,</p><p>de maneira que as decisões e as ações são determinadas por circunstâncias objetivas e não</p><p>por opiniões subjetivas, fala-se de uma atitude extrovertida. Se esta característica for</p><p>habitual, fala-se do tipo extrovertido:</p><p>Vive de tal modo que o objeto, como fator determinante, desempenha em</p><p>sua consciência papel bem maior do que sua opinião subjetiva (...) Sua</p><p>consciência toda olha para fora porque a determinação importante e</p><p>decisiva sempre lhe vem de fora. ( p. 319)</p><p>O tipo extrovertido está relativamente bem ajustado às circunstâncias dadas, não</p><p>possuindo outras pretensões além das possibilidades dadas objetivamente. Não leva muito</p><p>em consideração a realidade de suas necessidades e precisões subjetivas. O extrovertido</p><p>pode correr o risco de ser atraído para dentro do objeto e perder-se nele completamente,</p><p>originando-se daí perturbações corporais, funcionais ou reais.</p><p>No extrovertido, segundo Zacharias (1995) a energia psíquica está voltada para o</p><p>mundo exterior, dos objetos e dos fenômenos. Ele experimenta o mundo antes de</p><p>compreendê-lo e o discurso é o seu melhor meio de expressão.</p><p>4.3.2 - A atitude introversão</p><p>Conforme descreve Jung (1991) o introvertido comporta-se em relação ao objeto</p><p>como se esse possuísse um poder sobre ele, por isso precisa defender-se . Seu mundo é seu</p><p>interior, seu sujeito. Orienta-se principalmente por fatores subjetivos; a consciência</p><p>introvertida percebe as condições externas mas prefere como decisivas as determinantes</p><p>subjetivas. Enquanto o extrovertido apóia-se naquilo que provém do objeto, o introvertido</p><p>baseia-se geralmente no que a impressão externa constela no sujeito. A subjetividade não</p><p>pode ser considerada simplesmente o eu do sujeito, mas ela é a estrutura psíquica que se</p><p>desenvolve, antes mesmo do desenvolvimento de um eu. A posição de superioridade da</p><p>subjetividade na consciência, significa uma desvalorização do fator objetivo. O objeto</p><p>então toma força mágica, despertando para a desconfiança; para o introvertido o mundo</p><p>apresenta-se como pavoroso e perigoso, por isso se protege atrás de seu mundo interior.</p><p>Para Jung (1991):</p><p>Chamo introversão o voltar-se para dentro da libido. Expressa isso uma</p><p>relação negativa entre sujeito e objeto. O interesse não se dirige para o</p><p>objeto, mas dele se retrai e vai para o sujeito. Quem possui uma atitude</p><p>introvertida pensa, sente e age de modo a deixar transparecer claramente</p><p>que o motivador é o sujeito, enquanto o objeto recebe valor apenas</p><p>secundário. (p 430)</p><p>No introvertido, a libido desloca-se de fora para dentro, fazendo com que foque sua</p><p>atenção para seu mundo interno de impressões, emoções e pensamentos. O indivíduo</p><p>introvertido possui sua energia psíquica voltada para o interior, tendendo a compreender o</p><p>mundo antes de experimentá-lo, o que o leva a uma certa hesitação frente à vida. Possui</p><p>maior facilidade com a escrita e uma vida interior rica em imagens e impressões</p><p>(ZACHARIAS, 1995).</p><p>4.3.3 - As funções</p><p>Para Jung (1991) a função psicológica seria uma forma psíquica de atividade que</p><p>inicialmente, permanece idêntica sob condições diversas. A função é uma das formas de</p><p>manifestação da libido, assim como a força física pode ser considerada uma forma da</p><p>energia física.</p><p>Cloninger (1999) cita que Jung descreveu quatro funções psicológicas que mostram</p><p>os processos cognitivos fundamentais que as pessoas usam, fornecendo uma descrição da</p><p>tipologia da personalidade. Essas funções são denominadas pensamento, sentimento,</p><p>intuição e sensação. Foram divididas em funções racionais e funções irracionais. O</p><p>pensamento e o sentimento são denominados funções racionais, pois através dessas funções</p><p>ordena-se eventos e atitudes. São formas alternativas de se fazer julgamento ou tomar</p><p>decisões. As funções irracionais, sensação e intuição, são consideradas modos</p><p>complementares de obter-se informações sobre o mundo, são formas de perceber.</p><p>De acordo com Jung (1991):</p><p>O pensamento e o sentimento são funções racionais enquanto</p><p>decisivamente influenciados pela reflexão. Realizam sua finalidade</p><p>enquanto concordam plenamente com as leis da razão. As funções</p><p>irracionais, ao contrário, são as que objetivam a mera percepção como a</p><p>intuição e a sensação; devem ser desprovidas, tanto quanto possível do</p><p>racional - que pressupõe a exclusão de tudo que é não-racional – para</p><p>chegar a uma percepção completa de todo o porvir. (p. 437)</p><p>4.3.4. - Função principal e função auxiliar</p><p>Na descrição de Jung (1991) um exame minucioso de cada indivíduo, mostra o fato</p><p>de que ao lado da função mais diferenciada, há sempre uma segunda função de menor</p><p>diferenciação na consciência, portanto secundária e relativamente determinante. Sua</p><p>importância secundária deve-se ao fato de não ser única, exclusiva, indispensável e</p><p>decisiva, mas sim auxiliar e complementar. A função secundária, apesar de sua natureza</p><p>diversa, não é oposta à função principal, mas uma função perceptiva que auxilia a função</p><p>dominante.</p><p>Silveira (1997) enfatiza que todas as pessoas possuem as quatro funções, entretanto</p><p>uma se desenvolve na consciência mais e se diferencia, roubando energia às outras. Cada</p><p>indivíduo utiliza sua função de preferência, que é chamada função principal. Uma segunda</p><p>função, chamada função auxiliar, auxilia a primeira; a terceira não vai além de um</p><p>desenvolvimento rudimentar e a quarta permanece num estado inconsciente, por isso é</p><p>denominada função inferior.</p><p>Com relação às atitudes fundamentais introversão e extroversão, Von Franz (1971)</p><p>cita que podem ser combinadas com as quatro funções, atuando em conjunto. Podem</p><p>também identificar a função dominante, que é a que a pessoa prefere, a que se desenvolve</p><p>mais que as outras; e uma outra secundária, que age em congruência com a função</p><p>principal, chamada função auxiliar. Se a função dominante é uma das funções racionais, a</p><p>função auxiliar será uma das funções irracionais e vice-versa. Ex: Se a função principal é</p><p>sentimento, a função auxiliar poderá ser a sensação ou intuição, e a função inferior será o</p><p>pensamento.</p><p>4.3.5 - A função inferior</p><p>Jung (1991) postula a existência de uma função que seria a que fica para trás no</p><p>processo de diferenciação. As exigências sociais fazem com que as pessoas diferenciem</p><p>algumas funções, ou por condizerem mais com sua natureza, ou porque lhes fornecem</p><p>meios para seu sucesso social. Na maioria das vezes as pessoas identificam-se mais</p><p>plenamente com a função privilegiada e mais desenvolvida; nesse processo evolutivo uma</p><p>ou mais funções são relegadas, sendo chamadas de inferiores, porém, estas funções não</p><p>podem ser consideradas doentias, apenas retardadas em vista da função principal.</p><p>A função inferior representa a parte desprezada e inadaptada da personalidade, mas</p><p>também constrói a conexão com o inconsciente, faz a ponte para o mundo simbólico. Um</p><p>dos aspectos da função inferior é o fato de que ela costuma ser lenta, por isso as pessoas</p><p>têm dificuldade de trabalhar com ela, ao contrário da reação da função superior, que se</p><p>exterioriza rapidamente. Muitas pessoas ocultam a sua função inferior, pois descobrem que</p><p>essa parte de sua personalidade é emocional, suscetível e inadaptada. Exemplificando,</p><p>pode-se dizer que um tipo pensamento, função superior, não consegue expressar ou</p><p>demonstrar sentimento, função inferior, no momento apropriado. Da mesma forma é muito</p><p>difícil para um tipo sentimento usar o pensamento de maneira correta no momento</p><p>apropriado (VON FRANZ, 1971).</p><p>4.3.6 - Funções racionais</p><p>4.3.6.1 - O pensamento</p><p>Cloninger (1999) descreve que as pessoas do tipo pensamento pensam sobre as</p><p>coisas considerando a lógica, razões e princípios. Zacharias (1995) salienta que o tipo</p><p>pensamento está atento à causalidade lógica dos eventos e de seus atos, buscando um</p><p>padrão objetivo da verdade. Baseiam seu julgamento nos padrões universais e coerentes, e</p><p>não nos valores pessoais. São voltados para a razão, mostram-se frios em seu julgamento,</p><p>conseguindo assim uma análise dos fatos isenta de interferências pessoais. Comenta ainda</p><p>que Jung rejeita a suposição de que o pensamento racional é superior à emoção; para ele, a</p><p>maturidade emocional seria o equilíbrio entre o pensamento e o sentimento.</p><p>De acordo com Jung (1991) “o pensamento é aquela função psicológica que, de</p><p>acordo com suas próprias leis, faz a conexão de conteúdos de representação a ele</p><p>fornecidos.” (p. 434)</p><p>4.3.6.2 - O sentimento</p><p>Zacharias (1995) enfatiza que o sentimento não deve ser confundido com afeto ou</p><p>emoção, mas representa a dimensão valorativa, o valor pessoal que o indivíduo atribui às</p><p>coisas. O tipo sentimento toma suas decisões baseados em seus valores pessoais,</p><p>sempre</p><p>levando em conta o que sentem em relação a algo e sua preocupação com o sentimento de</p><p>outras pessoas.</p><p>Para Jung “o sentimento é uma espécie de julgamento, mas que se distingue do</p><p>julgamento intelectual, por não visar ao estabelecimento de relações conceituais, mas a</p><p>uma aceitação ou rejeição subjetivas.”(1991, p. 440)</p><p>4.3.7 - Funções irracionais</p><p>4.3.7.1 - A sensação</p><p>O tipo sensação valoriza os detalhes e conhece o que percebe através dos cinco</p><p>sentidos. É incapaz de entender insinuações, pois essas ultrapassam os detalhes concretos.</p><p>Por ficar preso aos detalhes, pode correr o risco de perder a visão geral dos fatos</p><p>(CLONINGER, 1999). A sensação constata a presença daquilo que cerca o indivíduo e é</p><p>responsável pela sua adaptação à realidade objetiva (SILVEIRA,1997).</p><p>A sensação para Jung (1991) é a função psicológica que proporciona a percepção</p><p>de um estímulo físico. Relaciona-se não apenas com os estímulos externos, ou sensação</p><p>dos sentidos, mas também com as transformações dos órgãos internos, os estímulos</p><p>internos, o sentido do corpo.</p><p>4.3.7.2 - A intuição</p><p>A intuição diz quais são as potencialidades de uma situação,</p><p>tem a qualidade de prever, de antecipar o sentido daquilo que se está percebendo. O tipo</p><p>intuitivo tem grande capacidade de perceber a visão geral de uma situação; tem a</p><p>habilidade de saber o que o outro está vivenciando, pois esse oferece indícios de maneira</p><p>inconsciente que o intuitivo capta com facilidade. A intuição, encontra-se em grau mais</p><p>elevado entre as pessoas criativas e os artistas (CLONINGER,1999). Silveira (1997)</p><p>aponta que a intuição é uma percepção via inconsciente; “é a apreensão da atmosfera onde</p><p>se movem os objetos, de onde vêm e qual o possível curso de seu desenvolvimento.” (p.</p><p>48)</p><p>O termo intuição vem de intueri, que significa olhar para dentro. Jung (1991)</p><p>considera a intuição uma função psicológica básica, por transmitir a percepção por via</p><p>inconsciente. Na intuição, o conteúdo se apresenta como um todo acabado, sem que se</p><p>saiba como este conteúdo veio a existir; é uma espécie de apreensão do instinto, em que o</p><p>conteúdo não é importante.</p><p>Para Zacharias (1995) a estrutura das quatro funções da psique abrange o</p><p>consciente e o inconsciente em relação complementar. A configuração simbólica das</p><p>quatro funções em sistema quaternário aparece de várias maneiras em diversas épocas e</p><p>civilizações, com por exemplo, no livro de Apocalipse, na descrição da Nova Jerusalém</p><p>como uma cidade quadrangular. O sistema quaternário ou cruciforme da tipologia</p><p>junguiana, resgata os conhecimentos antigos e simbólicos em referência aos quatro</p><p>elementos constitutivos da matéria, terra, água, fogo e ar e dos temperamentos já</p><p>descritos, fleumático, sangüíneo, colérico e melancólico.</p><p>4.3.8 – A descrição dos tipos</p><p>Como as quatro funções podem ser extrovertidas ou introvertidas, resultam em oito</p><p>tipos psicológicos básicos: pensamento introvertido, pensamento extrovertido; sentimento</p><p>introvertido, sentimento extrovertido; sensação introvertida, sensação extrovertida;</p><p>intuição introvertida, intuição extrovertida ( ZACHARIAS, 1995).</p><p>O mesmo autor (1995) cita que à descrição dos oito tipos baseados no sistema</p><p>quaternário, posteriormente foram acrescentados outros dados por duas pesquisadoras</p><p>norte – americanas, Izabel Briggs Myers e Katharine C. Myers, que criaram o questionário</p><p>Myers- Briggs Type Indicator - MBTI, definindo dezesseis tipos, incluindo a função</p><p>auxiliar na elaboração dos tipos. Muitas pesquisas que criam correlações entre tipos</p><p>psicológicos e a carreira profissional foram desenvolvidas nos Estados Unidos por Isabel</p><p>Briggs Myers e Katharine C. Briggs, M. H. McCaulley (1987) e outros. No Brasil foram</p><p>realizadas pesquisas com administradores de empresas, gerentes de departamentos, alunos</p><p>de graduação em cursos de comércio exterior e psicologia, também em músicos de</p><p>Orquestra Sinfônica, sendo esta desenvolvida por Nagelschmidt, Zacharias e El Khouri</p><p>(1991). Pode-se citar também a pesquisa Tipos Psicológicos Junguianos e Escolha</p><p>Profissional: uma investigação com policiais militares da cidade de São Paulo, realizada</p><p>por Zacharias (1995). Esta pesquisa apresenta resultados obtidos sobre tipologia, valores e</p><p>atitudes, à luz do levantamento histórico da polícia militar e do desempenho profissional</p><p>do policial e de seus problemas correlatos.</p><p>A descrição básica dos tipos, além de suas características principais, inclui a área</p><p>profissional em que cada tipo possui um melhor desempenho:</p><p>- Extrovertido, função principal sentimento, função auxiliar intuição, função inferior</p><p>pensamento: este tipo tende a voltar sua atenção para as pessoas que o rodeiam, pois</p><p>valoriza muito o contato humano; uma de suas maiores qualidades é a capacidade de</p><p>valorizar a opinião alheia, baseando suas decisões em valores pessoais. Seu maior interesse</p><p>é enxergar as possibilidades que estão além daquilo que presencia; a intuição aguça sua</p><p>curiosidade por idéias novas. Profissionalmente, desempenham-se melhor naquelas áreas</p><p>que criam um clima de cooperação entre as pessoas, em funções como o ensino, trabalho</p><p>pastoral, aconselhamento e área de vendas em geral.</p><p>- Extrovertido, função principal intuição, função auxiliar sentimento, função inferior</p><p>sensação: as pessoas deste perfil demonstram ser inovadoras e entusiastas, vislumbrando</p><p>constantemente novas possibilidades, tendo às vezes até dificuldade em escolher entre</p><p>aquelas que apresentam maior potencial. O sentimento presente revela-se através de um</p><p>verdadeiro envolvimento com as pessoas, dando-lhes grande habilidade em seus contatos</p><p>interpessoais. Sentem-se muito atraídas por profissões onde poderão aconselhar pessoas,</p><p>utilizar capacidade didática, especialmente se tiverem oportunidade de introduzirem coisas</p><p>novas. Poderão ser bem sucedidas no campo das artes em geral, jornalismo, ciência,</p><p>publicidade e propaganda, literatura.</p><p>- Extrovertido, função principal pensamento, função auxiliar intuição, função inferior</p><p>sentimento: gostam de executar coisas; são lógicas, apresentam capacidade crítica objetiva</p><p>e analítica. Pensam as coisas a longo prazo, gostam de fazer planos e programar as</p><p>operações de um projeto. Os problemas tendem a estimulá-las e preferem funções</p><p>executivas, nas quais possam encontrar e implementar soluções inovadoras.</p><p>- Extrovertido, função principal intuição, função auxiliar pensamento, função inferior</p><p>sensação: as pessoas deste tipo são inovadoras, engenhosas, enxergam sempre novas</p><p>possibilidades de fazer as coisas. Possuem imaginação rica e disposição para iniciar um</p><p>novo projeto. São bastante objetivas, tanto no que diz respeito aos seus projetos, quanto às</p><p>pessoas que estão à sua volta. Gostam de carreiras que apresentem novos desafios,</p><p>podendo ser inventoras, jornalistas, cientistas, homens de marketing. Não gostam do</p><p>trabalho rotineiro.</p><p>- Extrovertido, função principal sentimento, função auxiliar sensação, função inferior</p><p>pensamento: essas pessoas irradiam calor humano e simpatia. Valorizam muito o contato</p><p>humano, são amistosas, cheias de tato e harmonia com as outras pessoas. São</p><p>perseverantes, conscenciosas e ordeiras, e esperam que as outras pessoas também o sejam.</p><p>Por estarem principalmente interessadas na realidade percebida através dos órgãos do</p><p>sentido, são práticas e realistas. Preferem ocupações tais como o ensino, o trabalho</p><p>pastoral, área de vendas. Sua capacidade de compaixão, aliada à uma grande preocupação</p><p>com as condições físicas, as atraem para profissões da área de saúde.</p><p>- Extrovertido, função principal sensação, função auxiliar sentimento, função inferior</p><p>intuição: são pessoas amistosas, adaptáveis e realistas. Confiam naquilo que podem</p><p>comprovar através dos órgãos dos sentidos. São capazes de vislumbrar maneiras de se</p><p>chegar a resultados usando regras, sistemas</p><p>existentes de maneira original, vencendo assim</p><p>os obstáculos. Possuem curiosidade ativa a respeito de novos objetos, pessoas, comidas,</p><p>atitudes, enfim, qualquer coisa nova apresentada a seus cinco sentidos. Suas decisões são</p><p>tomadas a partir de valores pessoais, em lugar da análise lógica do pensamento. Na vida</p><p>profissional mostram bom desempenho em carreiras que exigem realismo e oferecem</p><p>oportunidades de ação, como área de vendas, serviços na área da saúde, estilista,</p><p>arquitetura, relações públicas, área de turismo.</p><p>- Extrovertido, função principal pensamento, função auxiliar sensação, função inferior</p><p>sentimento: gostam de analisar projetos e logo partirem para a ação. Como possuem o</p><p>pensamento como função principal, são lógicas, analíticas, críticas. Precisam organizar os</p><p>fatos, situações ou projetos, assim como fazer esforços sistemáticos para que os objetivos</p><p>sejam atingidos dentro dos prazos fixados. Sentem-se atraídas por carreiras no mundo dos</p><p>negócios, da indústria, da produção, da construção, do trabalho administrativo, em que</p><p>possam tomar decisões e dar ordens necessárias para sua execução.</p><p>- Extrovertido, função principal sensação, função auxiliar pensamento, função inferior</p><p>intuição: as pessoas que apresentam este perfil são realistas, amistosas e adaptáveis.</p><p>Confiam principalmente no que podem conhecer através dos sentidos, manifestando esta</p><p>habilidade por meio da capacidade de absorver um grande número de fatos, de um bom</p><p>gosto artístico apurado, do manejo habilidoso de ferramentas e matérias-primas. Tomam</p><p>suas decisões baseadas na lógica e não nos valores pessoais. Na vida pessoal, mostram</p><p>bom desempenho em profissões como engenharia, carreiras policiais, marketing,</p><p>tecnologia no campo da saúde, lazer, construção, serviços ligados à alimentação.</p><p>- Introvertido, função principal intuição, função auxiliar sentimento, função inferior</p><p>sensação: são geralmente pessoas inovadoras no campo das idéias, independentes e</p><p>individualistas. Demonstram grande capacidade de liderança. Sentem-se mais realizadas</p><p>em uma profissão que satisfaça sua necessidade de usar a intuição e seus sentimentos.</p><p>Gostam de lidar com pessoas, por isso sentem-se atraídas pelo magistério e também por</p><p>áreas ligadas à ciência e à pesquisa, se seus interesses forem mais técnicos.</p><p>- Introvertido, função principal sentimento, função auxiliar intuição, função inferior</p><p>pensamento: pessoas desse tipo possuem grande calor humano, porém mantém esse</p><p>sentimento escondido até que conheçam bem as pessoas. Sua visão de mundo é baseada</p><p>em seus ideais e valores pessoais. São geralmente tolerantes, abertas e compreensivas;</p><p>contudo são irredutíveis quando algo ameaça sua lealdade interna. Para estas pessoas, o</p><p>trabalho significa mais que uma recompensa financeira; precisam que seu trabalho</p><p>contribua de alguma forma para o bem dos demais. São atraídas por carreiras e profissões</p><p>relacionadas ao ensino, literatura, aconselhamento, arte, ciência e psicologia.</p><p>- Introvertido, função principal intuição, função auxiliar pensamento, função inferior</p><p>sensação: são pessoas inovadoras e incansáveis, independentes e até mesmo teimosas.</p><p>Valorizam muito a eficiência, tanto a própria como a dos outros. Possuem grande</p><p>concentração e perseverança para alcançar suas metas finais. Este tipo pode ser encontrado</p><p>em campos como a ciência pura, política, filosofia e pesquisa.</p><p>- Introvertido, função principal pensamento, função auxiliar intuição, função inferior</p><p>sentimento: as pessoas desse tipo são analíticas, lógicas e capazes de crítica objetiva;</p><p>prestam mais atenção às idéias do que às pessoas e possuem uma curiosidade intelectual</p><p>imensa. São pessoas reservadas e caladas, mas gostam de falar sobre assuntos que</p><p>conhecem bem. Compreendem as coisas com rapidez e têm facilidade para descobrirem</p><p>soluções novas para os problemas. Apresentam bom desempenho no campo da ciência,</p><p>pesquisa acadêmica, matemática, economia, filosofia e psicologia, porém mais interessadas</p><p>nos aspectos teóricos dessas áreas.</p><p>- Introvertido, função principal sensação, função auxiliar sentimento, função inferior</p><p>intuição: costumam ser extremamente confiáveis e responsáveis. Dão muita importância à</p><p>fidedignidade dos fatos. São perfeccionistas, capazes de trabalhar com afinco, são</p><p>pacientes e levam a cabo seus projetos, pois são perseverantes. Tendem a escolher</p><p>profissões em que combinam sua observação cuidadosa com o interesse pelas pessoas,</p><p>como as profissões da área da saúde, assim como todas as ocupações que oferecem</p><p>serviços e atenções pessoais, como ensino e trabalho de escritório.</p><p>- Introvertido, função principal sentimento, função auxiliar sensação, função inferior</p><p>pensamento: pessoas desse tipo têm a tendência de fazerem julgamento a partir de seus</p><p>valores individuais. São tolerantes, flexíveis, leais; porém podem ser inflexíveis quando</p><p>suas idéias pessoais são ameaçadas. Gostam de aproveitar o momento presente, pois</p><p>possuem sua atenção voltada para a realidade que apreendem através dos órgãos dos</p><p>sentidos; possuem bom gosto, senso estético e grande habilidade manual. Executam</p><p>melhor um trabalho quando estão emocionalmente envolvidas por ele, realizando com</p><p>dedicação suas tarefas.</p><p>- Introvertido, função principal sensação, função auxiliar pensamento, função inferior</p><p>intuição: são pessoas realistas, confiáveis e práticas. Costumam também ser sistemáticas,</p><p>perseverantes, trabalhadoras e consideram cada pormenor de seu trabalho. Tendem a</p><p>escolher profissões em que sua organização é importante e valorizada, como a engenharia</p><p>civil, contabilidade, direito, trabalho em escritório, executivo.</p><p>- Introvertido, função principal pensamento, função auxiliar sensação, função inferior</p><p>sentimento: são geralmente lógicos, efetuando críticas objetivas; preferem organizar fatos e</p><p>dados à situações e pessoas. Possuem tendência à timidez, demonstrando reserva e</p><p>tranqüilidade. Demonstram interesse em saber sobre o funcionamento das coisas, portanto,</p><p>podem desempenhar bem profissões ligadas à área da ciência, como mecânica e</p><p>engenharia.</p><p>Silveira (1997) salienta a importância de que as funções possam se exercer em</p><p>proporções iguais, para que haja distribuição equivalente da carga de energia psíquica,</p><p>porém isso raramente acontece.</p><p>Devido às circunstâncias adversas em geral, para Zacharias (1995) é praticamente</p><p>impossível que alguém desenvolva todas as suas funções ao mesmo tempo. O homem</p><p>aplica-se à diferenciação da função com o qual está mais bem equipado ou que lhe</p><p>assegurará maior sucesso social, identificando-se com sua função mais desenvolvida,</p><p>dando origem assim, aos vários tipos psicológicos.</p><p>O mesmo autor (1995) salienta que o que os sistemas psicológicos definem e</p><p>compreendem do comportamento humano, não corresponde à totalidade, mas à uma</p><p>compreensão mais apropriada do fenômeno psíquico. Assim, a tipologia junguiana pode</p><p>ser um instrumento de grande ajuda para a compreensão da psique, embora Jung alerte que</p><p>qualquer descrição de um tipo, mesmo a mais completa possível, nunca será fiel, embora</p><p>seja aplicável a muitas pessoas. Essas observações no entanto, não chegam a anular o valor</p><p>prático da tipologia no trabalho clínico, em recursos humanos, no aconselhamento</p><p>psicológico, escolar e profissional. O tipo psicológico oferece uma direção, um suporte</p><p>teórico para poder lidar mais adequadamente com tantos elementos psíquicos.</p><p>5 – PROPOSTA DE PESQUISA E RESULTADOS</p><p>5.1 - Método</p><p>5.1.1 – Participantes</p><p>Foram participantes desta pesquisa, universitários de nove cursos da UNIVÁS, com</p><p>faixa etária variada e de ambos os sexos, que concordaram em participar voluntariamente</p><p>da mesma. Atingiu-se um número de 327 sujeitos.</p><p>5.1.2 - Instrumento</p><p>Foi utilizado o teste QUATI – Questionário de Avaliação Tipológica, quarta edição.</p><p>Este teste foi desenvolvido</p><p>no Brasil, no Instituto de Psicologia de Universidade de São</p><p>Paulo, por José Jorge de Morais Zacharias. Trata-se de um questionário dirigido à</p><p>população brasileira e recomendado pelo Conselho Federal de Psicologia. Este</p><p>questionário pretende avaliar a personalidade através das escolhas situacionais que cada</p><p>sujeito faz. Duas respostas são possíveis, devendo o participante escolher entre as duas</p><p>possibilidades de atuação. Os resultados fornecerão a definição de uma atitude consciente e</p><p>as funções mais e menos desenvolvidas, que resultam na tipologia do indivíduo avaliado,</p><p>segundo a psicologia junguiana. Optou-se por este instrumento por possuir boas qualidades</p><p>psicométricas, ser de fácil aplicação, correção e análise, o que permite agilidade, uma vez</p><p>que o fator tempo é um critério fundamental na confecção do Trabalho de Conclusão de</p><p>Curso.</p><p>5.1.3 - Procedimento</p><p>A coleta de dados realizou-se por meio da aplicação do teste QUATI, que ocorreu</p><p>de forma coletiva em participantes da pesquisa nas suas respectivas salas de aula e também</p><p>no Laboratório de Avaliação Psicológica – LAP da UNIVÁS. O teste foi aplicado em</p><p>períodos variados dos cursos de Psicologia, Enfermagem, Medicina, Nutrição, Fisioterapia,</p><p>Farmácia, Biologia, Ciências Contábeis e Matemática.</p><p>Após assinatura do termo pelos participantes, o aplicador deu as consignas aos</p><p>mesmos para o preenchimento do teste.</p><p>5.1.4 - Tratamento dos dados</p><p>Os dados foram analisados qualitativa e quantitativamente, sendo agrupados em</p><p>categorias profissionais e discutidos concomitantemente. A comparação dos dados foi feita</p><p>por meio da análise estatística descritiva frequencial. Os resultados são apresentados e</p><p>discutidos por meio de tabelas e gráficos.</p><p>5.2 – Apresentação dos dados</p><p>As tabelas e figuras a seguir apresentam os dados obtidos na pesquisa realizada</p><p>com os universitários.</p><p>O teste QUATI foi aplicado em alunos de nove cursos da UNIVÁS, num total de</p><p>327 universitários. Dentre estes, 92 do curso de psicologia, o que representa 28,1% dos</p><p>participantes; 45 do curso de enfermagem, representando 13,8%; 38 do curso de medicina,</p><p>representando 11,6%; 35 do curso de nutrição, representando 10,7%; 16 do curso de</p><p>fisioterapia, o que representa 4,9%; 23 do curso de farmácia, ou 7%; 17 do curso de</p><p>biologia, representando 5,2%; 30 participantes são do curso de ciências contábeis, ou 9,2%</p><p>e 31 são do curso de matemática, o que representa 9,5%.</p><p>Figura 2 – Distribuição frequencial de participantes por curso</p><p>Dos 327 participantes, 69 são do sexo masculino, equivalente a 21,1% e 258 do</p><p>sexo feminino, equivalente a 78,9%.</p><p>Figura 3 – Distribuição percentual em relação ao gênero</p><p>92</p><p>45</p><p>3835</p><p>16</p><p>23</p><p>17</p><p>30</p><p>31</p><p>Psicologia</p><p>Enfermagem</p><p>Medicina</p><p>Nutrição</p><p>Fisioterapia</p><p>Farmácia</p><p>Biologia</p><p>Ciências contábeis</p><p>Matemática</p><p>79%</p><p>21%</p><p>Masculino</p><p>Feminino</p><p>A tabela 1 mostra a distribuição dos gêneros nos cursos pesquisados. Na Psicologia</p><p>há um total de 83% de participantes do gênero feminino e 16,3% do gênero masculino; na</p><p>enfermagem, 86,7% feminino e 13,3% masculino; na medicina 63% feminino e 36,8%</p><p>masculino; na nutrição houve participação apenas do gênero feminino, num total de 100%;</p><p>na fisioterapia 87,5% feminino e 12,5% masculino; na farmácia 82,6% feminino e 17,4%</p><p>masculino; na biologia 64,7% feminino e 35,3% masculino; no curso de ciências contábeis</p><p>70% feminino e 30% masculino e na matemática 58,1% são do gênero feminino enquanto</p><p>41,9% são do gênero masculino.</p><p>Tabela 1 – Distribuição frequencial e percentual do gênero por curso</p><p>Masculino</p><p>Feminino</p><p>Psicologia 15 77</p><p>16,3% 83,7%</p><p>Enfermagem 6 39</p><p>13,3% 86,7%</p><p>Medicina 14 24</p><p>36,8% 63,2%</p><p>Nutrição 0 35</p><p>0 100,0%</p><p>Fisioterapia 2 14</p><p>12,5% 87,5%</p><p>Farmácia 4 19</p><p>17,4% 82,6%</p><p>Biologia 6 11</p><p>35,3% 64,7%</p><p>Ciências Contábeis 9 21</p><p>30,0% 70,0%</p><p>Matemática 13 18</p><p>41,9% 58,1%</p><p>Total frequência 69 258</p><p>A figura 4 representa a distribuição da faixa etária. Dos 327 participantes, 186</p><p>estão entre 18 e 22 anos, o que corresponde a 57%; 7 pessoas possuem entre 43 a 47 anos,</p><p>correspondente a 2%.</p><p>Figura 4 – Distribuição percentual da faixa etária</p><p>Em relação à atitude, 214 demonstraram-se extrovertidos, o que corresponde a</p><p>65,4% dos universitários e 113 introvertidos, 34,6%. A função principal que obteve maior</p><p>porcentagem foi sentimento, representando 51,7%, num total de 169 pessoas; o</p><p>pensamento apresenta a menor porcentagem, 7,6% ou 25 pessoas. Na função auxiliar a</p><p>sensação representa 34,3%; o sentimento 32,1%; a intuição 25,1% e o pensamento 8,6%.</p><p>Tabela 2 – Distribuição frequencial e percentual das atitudes e funções no modelo</p><p>junguiano no total de cursos</p><p>Atitude</p><p>Função Principal</p><p>Função Auxiliar</p><p>Extroversão Introversão pens sent sens int pens sent sens int</p><p>214 113 25 169 74 59 28 105 112 82</p><p>65,4 34,6 7,6 51,7 22,6 18,0 8,6 32,1 34,3 25,1</p><p>57%22%</p><p>8%</p><p>9% 2%2% 18a22</p><p>23a27</p><p>28a32</p><p>33a37</p><p>38a42</p><p>43a47</p><p>No curso de psicologia, 62% mostram-se extrovertidos, enquanto 38,2%</p><p>apresentam-se introvertidos. Na função principal, 55,4% revelam-se do tipo sentimento e</p><p>13% sensação; 22,8% intuição e 8,7% pensamento. Na função auxiliar, tem-se que 12%</p><p>são pensamento; 23,9% sentimento; 40,2% sensação e 23,9% intuição.</p><p>No curso de enfermagem, 68,9% mostram-se extrovertidos e 31,1% mostram-se</p><p>introvertidos. Na função principal, 53,3% demonstram ser do tipo sentimento; 22,2%</p><p>intuição; 17,8% sensação e 6,7% pensamento. Na função auxiliar tem-se que 40,2% são</p><p>sensação; 23,9% sentimento; 23,4% intuição e 12% pensamento.</p><p>No curso de medicina, os dados mostram que na atitude, 60,5% apresentam-se</p><p>extrovertidos e 39,5% introvertidos. Na função principal 65,8% apresentam-se sentimento;</p><p>21,1% sensação; 10,5% intuição e 2,6% pensamento. Na função auxiliar, sensação e</p><p>intuição apresentam-se com 34,2%; sentimento com 26,3% e pensamento 5,3%.</p><p>No curso de nutrição, 65,7% apresentam-se extrovertidos e 34,3% introvertidos. Na</p><p>função principal 57,1% demonstram ser sentimento; 25,7% sensação; 14,3% intuição e</p><p>2,6% pensamento. Na função auxiliar 34,3% apresentam-se do tipo sentimento; 31,4%</p><p>intuição; 28,6% sensação e 5,7% pensamento.</p><p>No curso de fisioterapia 68,8% apresentam-se extrovertidos e 31,3% introvertidos.</p><p>Na função principal 43,8% apresentam-se do tipo sentimento; 37,5% sensação; 12,5%</p><p>intuição e 6,3% pensamento. Na função auxiliar 50% apresentam-se sentimento; 31%</p><p>sensação; 18,8% intuição e nenhum pensamento.</p><p>No curso de farmácia tem-se que 73,9% mostram-se extrovertidos e 26,1%</p><p>introvertidos. Na função principal 43,5% demonstram ser sentimento; 39,1% sensação;</p><p>13% intuição e 4,3% pensamento. Na função auxiliar, 43,5% mostram-se sentimento;</p><p>34,8% intuição, 13% sensação e 8,7% pensamento.</p><p>No curso de biologia, 76,5% apresentam-se extrovertidos e 23,5% introvertidos. Na</p><p>função principal 47,5% mostram-se sentimento; 35,3% sensação; 11,8% intuição e 5,9%</p><p>pensamento. Na função auxiliar 35,3% apresentam-se sentimento; 29,4% intuição; 23,5%</p><p>sensação e 11,8% pensamento.</p><p>No curso de ciências contábeis tem-se 60% apresentam-se extrovertidos e 40%</p><p>introvertidos. Na função principal 50% apresentam-se sentimento; 26,7% sensação; 16,7%</p><p>intuição e 6,7% pensamento. Na função auxiliar 40% mostram-se sentimento; 30%</p><p>sensação; 26,7% intuição e 3,3% pensamento.</p><p>No curso de matemática, 67,7% apresentam-se extroversão e 32,3% introversão. Na</p><p>função principal 29% demonstram ser do tipo sensação; pensamento e sentimento</p><p>aparecem com 25,8%; intuição, 19,4%. Na função auxiliar, 32% mostram-se sensação;</p><p>29% sentimento; 19,4% pensamento ou intuição.</p><p>Tabela 3 – Distribuição frequencial e percentual das atitudes e funções no modelo</p><p>junguiano por curso</p><p>Atitude</p><p>Função principal</p><p>Função Auxiliar</p><p>Extr Intr Pens Sent Sens Int Pens Sent Sens Int</p><p>Psicologia</p><p>57</p><p>35</p><p>8</p><p>51</p><p>12</p><p>21</p><p>11</p><p>22</p><p>37</p><p>22</p><p>62,0 38,2 8,7 55,4 13 22,8 12 23,9 40,2 23,9</p><p>Enfermag</p><p>31</p><p>14</p><p>3</p><p>24</p><p>8</p><p>10</p><p>1</p><p>17</p><p>20</p><p>7</p><p>68,9 31,1 6,7 53,3 17,8 22,2 2,2 37,8 44,4 15,6</p><p>Medicina</p><p>23</p><p>15</p><p>1</p><p>25</p><p>8</p><p>4</p><p>2</p><p>10</p><p>13</p><p>13</p><p>60,5 39,5 2,6 65,8 21,1 10,5 5,3 26,3 34,2 34,2</p><p>Nutrição</p><p>23</p><p>12</p><p>1</p><p>20</p><p>9</p><p>5</p><p>2</p><p>12</p><p>10</p><p>11</p><p>65,7 34,3 2,6 57,1 25,7 14,3 5,7 34,3 28,6 31,4</p><p>Fisioterapia</p><p>11</p><p>5</p><p>1</p><p>7</p><p>6</p><p>2</p><p>0</p><p>8</p><p>5</p><p>3</p><p>68,8 31,3 6,3 43,8 37,5 12,5 0 50,0 31,3 18,8</p><p>Farmácia</p><p>17</p><p>6</p><p>1</p><p>10</p><p>9</p><p>3</p><p>2</p><p>10</p><p>3</p><p>8</p><p>73,9 26,1 4,3 43,5 39,1 13,0 8,7 43,5 13,0 34,8</p><p>Biologia</p><p>13</p><p>4</p><p>1</p><p>8</p><p>6</p><p>2</p><p>2</p><p>6</p><p>4</p><p>5</p><p>76,5 23,5 5,9 47,1 35,3 11,8 11,8 35,3 23,5 29,4</p><p>C. Contab</p><p>18</p><p>12</p><p>2</p><p>15</p><p>8</p><p>5</p><p>1</p><p>12</p><p>9</p><p>8</p><p>60,0 40,0 6,7 50,0 26,7 16,7 3,3 40,0 30,0 26,7</p><p>Matemática</p><p>21</p><p>10</p><p>8</p><p>8</p><p>6</p><p>6</p><p>9</p><p>10</p><p>6</p><p>67,5 32,3 25,8 25,8 29,0 19,4 19,4 29,0 32,2 19,4</p><p>5.3 – Análise dos resultados</p><p>De uma maneira geral, os dados se referem ao perfil dos universitários quanto ao</p><p>gênero e à idade. Percebe-se que a grande maioria pertence ao gênero feminino, o que</p><p>confirma a expansão da mulher no mercado de trabalho e também uma mudança no perfil</p><p>das profissões. Como descrevem os autores citados no referencial teórico, até algum tempo</p><p>atrás, existiam profissões que eram preferencialmente masculinas, como por exemplo,</p><p>medicina e contabilidade; atualmente verifica-se o ingresso das mulheres não só nestes,</p><p>como em todos os segmentos da sociedade.</p><p>Constatou-se também que a grande maioria encontra-se entre 18 e 22 anos. Os</p><p>dados demonstram que estes jovens têm procurado uma profissão assim que saem da</p><p>adolescência, buscando na graduação uma qualificação profissional, o que coincide com o</p><p>ingresso na idade adulta e também com a consolidação de sua identidade.</p><p>Do ponto de vista da atitude psicológica, observa-se que a maior parte dos</p><p>universitários demonstram ser extrovertidos, já que a extroversão obteve a maior</p><p>porcentagem em todos os cursos analisados. Na avaliação das funções, a que mais se</p><p>destacou foi o sentimento como função principal e a sensação como auxiliar; o sentimento</p><p>como função auxiliar mostrou-se considerável. A função com a menor porcentagem foi o</p><p>pensamento, o que se esperava a priori, em virtude da maioria de cursos pesquisados serem</p><p>da área da saúde, portanto, cursos que se focam em habilidades voltadas para o</p><p>atendimento e cuidado com as pessoas. O sentimento como função principal apresentou</p><p>maior porcentagem no curso de medicina; a extroversão apresentou maior porcentagem no</p><p>curso de biologia.</p><p>Chama a atenção o fato da atitude extroversão apresentar a maior porcentagem, até</p><p>mesmo naqueles cursos em que a atitude introversão deveria ser a preferencial; também o</p><p>fato da função sentimento se destacar em todos os cursos. Este dado corrobora com a idéia</p><p>do próprio Zacharias (2003) de que a cultura brasileira seja mais voltada à extroversão e ao</p><p>sentimento.</p><p>No curso de psicologia, a função sentimento obteve maior porcentagem como</p><p>função principal; a atitude extroversão e a função auxiliar sensação se destacaram. De</p><p>acordo com o QUATI, estas pessoas valorizam muito o contato humano; demonstram ser</p><p>interessadas principalmente na realidade que é percebida através dos órgãos dos sentidos,</p><p>mostrando-se práticas e realistas e concentrando-se nas características únicas de cada</p><p>experiência. Para Zacharias (2003) a tipologia ideal do psicólogo seria introversão, função</p><p>principal sentimento, função auxiliar intuição, pois essas pessoas geralmente são abertas,</p><p>compreensivas, possuem boa capacidade de expressão e capacidade para perceberem as</p><p>coisas além dos fatos. Porém, esta profissão encontra-se ligada também às outras tipologias</p><p>que apresentam a função sentimento e a intuição, sejam introvertidas ou extrovertidas.</p><p>Refletindo sobre os dados, percebe-se as variações no perfil desta profissão, pois</p><p>atualmente a sociedade oferece mais espaço para a atuação do psicólogo, no sentido de</p><p>atingir mais pessoas e segmentos da população. Há também uma diversificação e</p><p>ampliação da atuação que era exclusivamente clínica; os procedimentos clínicos estão</p><p>sendo inovados e adaptados a novas situações, como nos hospitais, instituições,</p><p>organizações, escolas e na área social.</p><p>No curso de enfermagem, nota-se que o tipo destacado, extroversão, sentimento e</p><p>sensação, corresponde ao da teoria. Este tipo valoriza o contato humano e possui</p><p>compaixão acompanhada de preocupação com as condições físicas, o que o atrai para</p><p>profissões na área da saúde e atividades em que é necessário lidar com os demais. Pode-se</p><p>comparar o perfil tipológico de Zacharias (2003) ao fator Sh do teste BBT de Achtnich</p><p>(1991), que apresenta características como interesse pelo outro, cuidados, e a área de</p><p>atuação abrange hospitais e asilos.</p><p>No curso de medicina, o sentimento apresenta-se como função principal e a</p><p>sensação e intuição como funções auxiliares, na mesma proporção. A atitude extroversão, a</p><p>função sentimento e a sensação, conforme Zacharias (2003) proporcionam a esses</p><p>profissionais a preferência pelo contato humano e a preocupação com as condições físicas,</p><p>buscando a área da saúde. O tipo introversão, sensação e sentimento, de acordo com a</p><p>tabela de profissões do QUATI, também é indicado para as profissões da área da saúde</p><p>como medicina e enfermagem, por serem pacientes com detalhes necessários e sempre</p><p>preocupados como as pessoas estão se sentindo.</p><p>Destacou-se no curso de nutrição a atitude extroversão, o sentimento destacou-se</p><p>como função principal e como auxiliar. Este fato demonstra que quando as outras funções</p><p>apareciam como principais, o sentimento aparecia como função auxiliar. A porcentagem da</p><p>função intuição foi representativa. O tipo extroversão, sentimento e intuição tende a</p><p>enxergar as possibilidades que estão além daquelas que se mostram ou são conhecidas.</p><p>Geralmente se interessam pela leitura e teoria, se destacando em profissões como o ensino,</p><p>o aconselhamento e a área de vendas em geral. Com base nos estudos de Zacharias (2003),</p><p>pode-se inferir que a função sensação deveria ter se mostrado em maior número, pois o</p><p>tipo sensação extrovertido possui habilidades para lidar com o que é apresentado a seus</p><p>cinco sentidos, função esta relevante para as pessoas que trabalham com alimentos.</p><p>No curso de fisioterapia destacou-se a atitude extroversão, a função sentimento,</p><p>como principal e auxiliar; a sensação foi considerável como auxiliar. O tipo sentimento</p><p>extrovertido é atraído para as profissões da área da saúde, pois valorizam o contato</p><p>humano; a sensação faz com que se interessem pelo que é percebido através dos órgãos do</p><p>sentido, nesse caso, o tato, o toque. Porém a atitude introversão seria a mais adequada,</p><p>pois pessoas sentimento introvertido com sensação auxiliar, não se afobam em suas tarefas,</p><p>realizando-as com calma, pois apreciam o momento presente. Nota-se uma relação com o</p><p>tipo W de Achtnich, que possui a necessidade de tocar, massagear, cuidar.</p><p>O curso de farmácia obteve como função principal e também como função auxiliar</p><p>o sentimento; a intuição como função auxiliar foi relevante. A atitude que se destacou foi a</p><p>extroversão. Como demonstram enxergar as possibilidades além do que está presente, estas</p><p>pessoas não apresentam muita habilidade em funções que exijam grande aderência aos</p><p>fatos, necessitando se esforçarem para serem breves e objetivas. Esperava-se, pela teoria,</p><p>que este curso apresentasse mais pessoas com a tipologia introversão, sensação e</p><p>pensamento, pois pessoas deste tipo demonstram</p><p>paciência com procedimentos e</p><p>pormenores e são geralmente interessadas em causa e efeito, observando os princípios</p><p>lógicos. A função intuição é uma função importante ligada à área da pesquisa, caso estes</p><p>universitários decidam trabalhar com investigação empírica.</p><p>No curso de biologia, obteve maior porcentagem a atitude extroversão e a função</p><p>sentimento, como função principal e auxiliar. O tipo sentimento extrovertido, como citado</p><p>anteriormente, valoriza muito o contato humano e tende a desempenhar-se melhor em</p><p>carreiras como o ensino, o trabalho pastoral e de aconselhamento. Para este curso, levando-</p><p>se em consideração a tabela de profissões mais encontradas em cada tipo do QUATI, a</p><p>tipologia ideal seria pensamento e sensação, introvertidos ou extrovertidos, pois observam</p><p>a vida com curiosidade e geralmente estão interessados em causa e efeito.</p><p>No curso de ciências contábeis, surpreende que a função principal e a função</p><p>auxiliar de maior destaque seja o sentimento. A função sensação aparece, porém em menor</p><p>número que a função sentimento. O tipo extrovertido, função principal sentimento, função</p><p>auxiliar sensação, apresenta-se mais voltado para a área da saúde, por valorizar o contato</p><p>humano e apresentar também uma preocupação com as condições físicas. Na descrição do</p><p>QUATI, o tipo ideal para essa profissão seria introversão, sensação e pensamento, pois</p><p>estas pessoas possuem talento para organização e para levar pormenores em consideração;</p><p>além disso são práticas, minuciosas e precisas em relação aos fatos.</p><p>O curso de matemática apresentou, dentre todos, a maior porcentagem da função</p><p>pensamento como função principal, apesar de estar em mesmo número que a função</p><p>sentimento; porém a função principal de destaque foi a sensação. Como função auxiliar</p><p>destacou-se também a sensação; a função pensamento apareceu em menor porcentagem,</p><p>porém considerável se comparado aos outros cursos. A atitude de maior porcentagem foi a</p><p>extroversão. Pessoas do tipo extroversão, pensamento e sensação são geralmente lógicas e</p><p>analíticas, apreciam organizar os fatos, são práticas e realistas. Porém, de acordo com o</p><p>QUATI, o tipo pensamento introvertido com função auxiliar intuição, possui como</p><p>característica principal a precisão, e gosta de resolver problemas através da análise lógica,</p><p>sendo portanto, mais condizente com esta profissão.</p><p>6 - CONCLUSÃO</p><p>A pesquisa realizada demonstra que, apesar da tipologia de muitos universitários</p><p>estarem condizentes com o curso escolhido, ainda é grande o número de pessoas que</p><p>escolhem a profissão sem levar em conta o tipo psicológico. Pode-se considerar o resultado</p><p>preocupante, pois conforme a fundamentação teórica, as profissões exigem habilidades e</p><p>características de personalidade e estas não estão sendo correspondidas pelos jovens no</p><p>momento da escolha da profissão.</p><p>Este fato remete ao que dizem alguns autores, quando apontam para as dificuldades</p><p>que os jovens enfrentam no momento desta escolha, como o fator financeiro, insegurança</p><p>frente ao vestibular, que se torna a cada dia mais concorrido, ameaça do desemprego, o que</p><p>os leva a escolherem uma profissão mais valorizada no mercado, ou a que apresenta mais</p><p>chances de emprego, e não aquela que condiz com suas aptidões, motivações internas e</p><p>inclinações pessoais.</p><p>Considerando o que preconizam os autores citados neste trabalho, se uma pessoa</p><p>possui as habilidades que uma profissão requer, mais chance terá de se adaptar</p><p>satisfatoriamente ao ambiente. Deve existir uma harmonia entre as características pessoais</p><p>e as da profissão desejada para que haja maior satisfação no trabalho; a pessoa que</p><p>desenvolve a profissão encontrando respaldo em seus interesses, realiza um trabalho</p><p>melhor.</p><p>A maior parte da vida das pessoas é ocupada pelo trabalho, por isso torna-se</p><p>fundamental que o indivíduo exerça sua profissão motivado, realizando-se pessoalmente e</p><p>oferecendo um trabalho de qualidade, já que a escolha profissional repercutirá também na</p><p>sociedade. Ressalta-se, portanto, a importância da sensibilização dos jovens que estão no</p><p>momento da escolha profissional, para que busquem conhecer suas habilidades, suas</p><p>preferências, desenvolvendo um olhar mais profundo para seu contexto familiar, cultural e</p><p>individual.</p><p>A discrepância parcial encontrada entre as características psicológicas dos</p><p>universitários e as habilidades esperadas ou exigidas pelos cursos, terá reflexos na atuação</p><p>dos futuros profissionais no mercado de trabalho, trazendo como possível conseqüência, a</p><p>frustração das pessoas que recebem os benefícios do atendimento de suas necessidades,</p><p>prestados por estes profissionais. Assim, também sentir-se-á frustrado o próprio</p><p>profissional, que não perceberá com clareza o que lhe falta para ser mais eficaz, havendo,</p><p>portanto, perdas para a sociedade como um todo.</p><p>Enfim, os dados apontam para uma necessidade da existência de mais profissionais</p><p>atuando ou intervindo antes do momento da escolha profissional, como forma de</p><p>minimizar as dificuldades e frustrações no decorrer da formação escolar e no mercado de</p><p>trabalho.</p><p>Este trabalho busca a compreensão dos processos envolvidos nesse momento tão</p><p>decisivo que é a escolha da profissão, propondo uma reflexão a respeito da importância do</p><p>papel do profissional psicólogo e da orientação profissional, para que auxilie os jovens a</p><p>aprofundarem seu conhecimento pessoal, refletirem suas escolhas, podendo assim,</p><p>ingressarem em sua carreira de maneira mais madura e consciente.</p><p>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</p><p>ALLPORT, G. W. Pattern and Grouth in Personality. 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São Paulo: Vetor, 1995.</p><p>1 – Distribuição frequencial e percentual do gênero por curso</p><p>Tabela 2 – Distribuição frequencial e percentual das atitudes e funções no modelo</p><p>junguiano no total de cursos</p><p>Tabela 3 – Distribuição frequencial e percentual das atitudes e funções no modelo</p><p>junguiano por curso</p><p>Figura 1 – Modelo da tipologia de Eysenck</p><p>Figura 2 – Distribuição frequencial de participantes por curso</p><p>Figura 3 – Distribuição percentual em relação ao gênero</p><p>Figura 4 – Distribuição percentual da faixa etária</p><p>SUMÁRIO</p><p>1 INTRODUÇÃO..........................................................................................11</p><p>2 A ESCOLHA PROFISSIONAL.................................................................16</p><p>2.1 O significado do trabalho............................................................................16</p><p>2.2 As transformações no mundo do trabalho...................................................17</p><p>2.3 Identidade profissional e escolha...............................................................19</p><p>3 A PERSONALIDADE................................................................................25</p><p>3.1 A abordagem dos traços..............................................................................27</p><p>3.1.2 A teoria de traços de Gordon W. Allport....................................................27</p><p>3.1.3 A teoria fatorial de Hans J. Eysenck...........................................................28</p><p>3.1.4 A teoria de traço fatorial-analítica de Raymond Cattell..............................29</p><p>3.2 A abordagem dos tipos................................................................................30</p><p>3.2.1 A tipologia neo-hipocrática.........................................................................31</p><p>3.2.2 Outras teorias tipológicas............................................................................32</p><p>3.2.3 A tipologia de Kretschmer..........................................................................33</p><p>3.2.4 A tipologia de Hans J. Eysenck..................................................................33</p><p>4 TIPOLOGIA E PROFISSÕES...................................................................36</p><p>4.1 O modelo hexagonal de Holland................................................................36</p><p>4.2 O teste de foto de profissões - BBT...........................................................38</p><p>4.3 A tipologia junguiana.................................................................................43</p><p>4.3.1 A atitude extroversão ................................................................................44</p><p>4.3.2 A atitude introversão..................................................................................45</p><p>4.3.3 As funções..................................................................................................46</p><p>4.3.4 Função principal e função auxiliar............................................................46</p><p>4.3.5 Função inferior..........................................................................................47</p><p>4.3.6 Funções racionais......................................................................................48</p><p>4.3.6.1 O pensamento............................................................................................48</p><p>4.3.6.2 O sentimento.............................................................................................48</p><p>4.3.7 Funções irracionais...................................................................................49</p><p>4.3.7.1 A sensação................................................................................................49</p><p>4.3.7.2 A intuição.................................................................................................49</p><p>4.3.8 Descrição dos tipos..................................................................................50</p><p>5 PROPOSTA DE PESQUISA E RESULTADOS....................................56</p><p>5.1 Método.....................................................................................................56</p><p>5.1.1 Participantes.............................................................................................56</p><p>5.1.2 Instrumentos.............................................................................................56</p><p>5.1.3 Procedimentos..........................................................................................56</p><p>5.1.4 Tratamento dos dados...............................................................................57</p><p>5.2 Apresentação dos dados............................................................................57</p><p>5.3 Análise dos resultados...............................................................................63</p><p>6 CONCLUSÃO...........................................................................................67</p><p>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS......................................................69</p><p>1 - INTRODUÇÃO</p><p>Este trabalho surgiu a partir de reflexões referentes à área de orientação</p><p>profissional. Observando a teoria e levando em consideração as exigências do mercado de</p><p>trabalho atual, assim como a ansiedade do jovem frente ao vestibular e à escolha da</p><p>profissão, surgiu o questionamento de como as características de personalidade têm</p><p>influenciado esse momento tão decisivo na vida do ser humano. Pretendeu-se, a partir daí,</p><p>realizar um estudo comparativo das características psicológicas em universitários e seus</p><p>respectivos cursos, observando se tais características correspondem às exigências e</p><p>habilidades demandadas pela profissão escolhida.</p><p>O século XXI trouxe inovações sociais, culturais, econômicas, políticas e</p><p>principalmente tecnológicas. Todas essas inovações em um ambiente dinâmico, esbarram</p><p>com o problema da educação e da capacitação profissional das pessoas. As empresas têm</p><p>investido principalmente em seu pessoal, tanto em educação e desenvolvimento</p><p>profissional como em criatividade e participação efetiva no trabalho. Os recursos humanos,</p><p>o clima e a cultura organizacional são vistos como processos de obtenção da realização</p><p>humana, do comprometimento pessoal e da elevada produtividade. Como a organização e</p><p>os cargos se modificam, diferentes competências e habilidades individuais são necessárias</p><p>a cada situação (CHIAVENATO, 1994).</p><p>Essas mudanças no mercado de trabalho são citadas por vários autores como</p><p>conseqüência das inovações sociais, culturais, econômicas e principalmente do avanço</p><p>tecnológico e científico presentes no mundo atual.</p><p>Andrade, Meira e Vasconcelos (2002) argumentam que o desenvolvimento da</p><p>ciência e da tecnologia vem realizando mudanças no mercado, revolucionando e</p><p>modificando as bases materiais, morais e as aspirações do ser humano. As transformações</p><p>sociais e econômicas presentes no mundo capitalista colocam novos questionamentos e</p><p>incertezas, principalmente no espaço do trabalho.</p><p>Para os autores supracitados (2002) o ser humano passa a conhecer a importância e</p><p>o valor do trabalho desde a infância. A identidade profissional, para a maioria das pessoas</p><p>é uma parte muito importante de sua identidade geral, pois a vida ocupacional é</p><p>considerada um dado fundamental na existência humana. A formação da identidade</p><p>profissional, de acordo com Hissa e Pinheiro (2004) é um processo que tem início desde</p><p>cedo, quando a criança tem conhecimento do trabalho das pessoas que convivem com ela e</p><p>toma contato com o que a rodeia. Os referenciais que aparecem nas várias situações da</p><p>vida conduzem à formação de identificações inerentes ao processo de aquisição da</p><p>identidade.</p><p>Como o trabalho ocupa a maior parte da vida das pessoas e sendo o mesmo de</p><p>responsabilidade individual, a escolha profissional não deixa de ter repercussões sociais,</p><p>pois quando uma pessoa exerce</p><p>motivada a sua profissão, apresenta um serviço de melhor</p><p>qualidade, além de sentir-se mais segura e realizada (ARAÚJO, 2004).</p><p>Primi et al (2002) colocam que as tarefas a serem executadas nas profissões exigem</p><p>um certo nível de habilidades; se uma pessoa possui as habilidades que uma determinada</p><p>tarefa requer, mais chance de se adaptar satisfatoriamente ao ambiente ela terá e maior será</p><p>sua satisfação. As escolhas possuem maior eficácia quando existe uma coordenação</p><p>harmônica entre as características pessoais e as da profissão desejada. Entende-se então,</p><p>que para uma determinada profissão, existem algumas características de personalidade que</p><p>são mais complementares, ou mais adequadas que outras. Há uma maior possibilidade de</p><p>integração e desenvolvimento na carreira de um indivíduo quando as exigências de sua</p><p>profissão encontram respaldo em seus interesses, habilidades e aspectos da personalidade,</p><p>por isso a importância de se conhecer esses aspectos.</p><p>O estudo da personalidade vem sendo desenvolvido ao longo dos anos para uma</p><p>melhor compreensão do ser humano. Muitos pesquisadores desenvolveram teorias no</p><p>intuito de explicar o comportamento, suas semelhanças e diferenças. A formação da</p><p>personalidade sofre influências genéticas, com características como nível de atividade,</p><p>alcance da atenção, adaptabilidade e humor geral. O ambiente é outro fator fundamental na</p><p>formação da personalidade (ATKINSON et al, 1995).</p><p>Cloninger (1999) cita que uma das maneiras propostas para o estudo da</p><p>personalidade foi a utilização de duas abordagens, a saber, a dos traços e a dos tipos.</p><p>Dentro da abordagem dos traços, pode-se citar a importante contribuição de Gordon</p><p>Allport, Raymond Cattel e J. Eysenck. Nestas teorias, a personalidade pode ser</p><p>compreendida por meio de níveis hierárquicos de estruturas que modulam e delimitam o</p><p>comportamento humano (NUNES, 2000).</p><p>Muitas maneiras de descrever as diferenças individuais utilizando a abordagem dos</p><p>tipos foram sugeridas nos estudos tradicionais, pré-científicos da personalidade, como na</p><p>antiga Grécia. A partir do século XIX os modelos se basearam em classificações físicas ou</p><p>na interação de elementos físicos e psíquicos. Zacharias (1995) destaca Cesare Lombroso,</p><p>que criou a Antropologia Criminal e acreditava que o criminoso tinha um tipo físico e</p><p>psíquico especial; cita também De Giovani e Viola, da Escola Constitucionalista, que</p><p>criaram um modelo baseado na classificação física; Ernest Kretschmer, que aproveitou a</p><p>descrição psiquiátrica de Emil Kraepelim, a esquizofrenia e a psicose maníaco depressiva e</p><p>criou uma tipologia Sómato-Psíquica.</p><p>Como classificação dos tipos psíquicos, pode ser considerado como grande</p><p>exemplo a Tipologia de Carl Gustav Jung. Ao longo de dez anos Jung dedicou-se a um</p><p>estudo detalhado dos tipos abordados na literatura, na mitologia, na filosofia e</p><p>principalmente na psicopatologia. A grande contribuição da tipologia junguiana é a</p><p>introdução do conceito de energia psíquica e a atenção como cada pessoa se orienta</p><p>preferencialmente ao mundo. Estas contribuições são inovadoras frente aos sistemas</p><p>anteriores, em que as classificações eram baseadas na observação de padrões de</p><p>comportamento temperamental ou emocional (ZACHARIAS, 1995).</p><p>A Tipologia Junguiana, conforme o mesmo autor (1995) faz uma descrição de</p><p>quatro funções: pensamento, sentimento, intuição e sensação; postula também a existência</p><p>de duas atitudes, extroversão e introversão. A combinação dessas estruturas caracteriza o</p><p>tipo psicológico. O tipo psicológico oferece uma direção, um suporte teórico e uma</p><p>compreensão mais adequada dos elementos psíquicos que atuam no comportamento do</p><p>indivíduo, inclusive no momento da escolha da profissão.</p><p>Outras teorias buscam na dinâmica do indivíduo a compreensão da inclinação</p><p>profissional, como o Modelo Hexagonal de Holland e os oito fatores de inclinação</p><p>propostos por Achtnich (1991) baseados na teoria da Análise do Destino de Szondi (1970),</p><p>presentes no Teste de Fotos de Profissões – BBT.</p><p>A teoria de Holland, segundo Fogliatto e Pérez (1990) tem sido descrita como um</p><p>modelo de congruência entre os interesses e habilidades de uma pessoa e os fatores</p><p>inerentes a seu ambiente. O desenvolvimento dessa tipologia depende de uma série de</p><p>acontecimentos familiares, preferências ocupacionais e interação com um contexto</p><p>ambiental específico.</p><p>No instrumento proposto por Achtnich, o BBT, a atividade profissional</p><p>corresponderia a um processo de socialização das necessidades vitais e dos impulsos. No</p><p>processo humano, essas necessidades transformam-se em interesses profissionais,</p><p>dependendo também das oportunidades e das demandas sócio-culturais do ambiente.</p><p>Vasconcelos (2004) cita que as pessoas, quando possuem a oportunidade de fazer</p><p>suas escolhas espontaneamente e com a possibilidade de refletir sobre si mesmas, possuem</p><p>uma probabilidade menor de se arrependerem dessas escolhas.</p><p>Este trabalho tem como objetivo o estudo das características psicológicas dos</p><p>universitários em seus respectivos cursos, observando se correspondem às exigências e</p><p>habilidades demandadas pela profissão escolhida. De acordo com a teoria estudada, cada</p><p>tipo psicológico apresenta características que correspondem a determinadas profissões.</p><p>Pensou-se em ir a campo a fim de verificar se a teoria é confirmada no empírico.</p><p>Como as organizações e os cargos estão se modificando, novas e diferentes</p><p>habilidades individuais se tornam necessárias a cada situação. Percebe-se então a</p><p>necessidade de pesquisas que verifiquem que tipo de habilidades estão ligadas</p><p>naturalmente a uma tipologia específica. Com base no resultado deste estudo, novas</p><p>propostas poderão surgir para o desenvolvimento de competências, visando a capacitação e</p><p>o desenvolvimento profissional e organizacional.</p><p>Os capítulos a seguir apresentam uma revisão literária dos principais aspectos</p><p>ligados ao tema da pesquisa. O capítulo 2 refere-se à Escolha Profissional, abordando o</p><p>significado do trabalho para o homem, as transformações no mundo do trabalho e a</p><p>identidade profissional. Neste capítulo, alguns autores comentam que a profissão escolhida</p><p>exige um certo nível de habilidades, aptidões e inclinações pessoais, e que os diferentes</p><p>grupos profissionais possuem características de personalidade distintas. O capítulo 3</p><p>aborda a Personalidade e como o seu estudo tem sido realizado; descreve os conceitos de</p><p>traços e tipos para teóricos como Allport, Cattel e Eysenck, e também o desenvolvimento</p><p>das teorias tipológicas através dos tempos. No capítulo 4 serão apresentadas algumas</p><p>teorias que enfocaram as características individuais, especialmente o tipo psicológico,</p><p>relacionando-as às profissões escolhidas pelo indivíduo, como o Modelo Hexagonal de</p><p>Holland, o Teste de Fotos de Profissões – BBT formulado por Achtnich e a Tipologia</p><p>Junguiana, tão relevante para essa pesquisa. O capítulo 5 traz a apresentação da proposta</p><p>de pesquisa, apresentação dos dados e análise dos resultados. O capítulo 6 é destinado à</p><p>conclusão.</p><p>2 – A ESCOLHA PROFISSIONAL</p><p>“Tudo pode ser tirado de uma pessoa, exceto</p><p>uma coisa: a liberdade de escolher sua atitude</p><p>em qualquer circunstância da vida.”</p><p>Victor Frankl</p><p>A vida profissional é considerada fundamental para o ser humano, pois a maior</p><p>parte do tempo de sua existência é dedicada ao trabalho. O momento da escolha</p><p>profissional levanta uma série de questões que merecem ser refletidas, por ser uma das</p><p>mais importantes escolhas que o indivíduo realizará ao longo de sua vida.</p><p>2.1 - O significado do trabalho</p><p>O trabalho, conforme citam Silveira e Calheiros (2004) tem permeado a condição</p><p>humana, inicialmente como meio de sobrevivência. Tem início na Idade Antiga a relação</p><p>escravizador-escravo, e na idade Média a relação senhor-servo.</p><p>Na Idade Moderna, com a</p><p>criação das empresas, começa a surgir o conceito de emprego. As empresas artesanais, que</p><p>possuíam mão-de-obra exclusivamente familiar, começam a crescer e a necessitar de</p><p>aprendizes que em troca do trabalho recebiam moradia e alimentação.</p><p>Para as mesmas autoras (2004) a organização sócio-política, econômica e cultural</p><p>mostra-se diferente em cada período da história, assim como a tecnologia e as relações de</p><p>trabalho acompanham o desenvolvimento do homem em seu percurso histórico. A partir da</p><p>revolução industrial, surge a idéia do emprego como uma relação estável e duradoura</p><p>existente entre quem organiza e quem realiza o trabalho. Com o funcionamento das</p><p>fábricas em que a produção era feita em série e as jornadas de trabalho eram extensas, as</p><p>pessoas passavam a maior parte de seu tempo trabalhando. O trabalho então revestiu-se de</p><p>uma significação especial para o homem, que passou atribuir-lhe outros valores além de</p><p>sua fonte de sobrevivência.</p><p>O homem atribuiu diversos sentidos ao trabalho ao longo do tempo: de</p><p>subsistência, de valorização social, de valor moral, de obrigação, de compensação, de</p><p>frustração, o que contribuiu para que o trabalho tenha um valor enorme na construção do</p><p>sujeito e no sentido de sua vida (SILVEIRA E CALHEIROS, 2004).</p><p>2.2 - As transformações no mundo do trabalho</p><p>O século XXI trouxe inovações sociais, culturais, econômicas, políticas e</p><p>principalmente tecnológicas. Andrade, Meira e Vasconcelos (2002) argumentam que o</p><p>desenvolvimento da ciência e da tecnologia vem operacionalizando mudanças no mercado</p><p>de trabalho, revolucionando e modificando as bases materiais, morais e as aspirações do</p><p>ser humano. As transformações sociais e econômicas presentes no mundo capitalista</p><p>colocam novos questionamentos, trazendo incertezas sobre o futuro da cidadania,</p><p>principalmente nos espaços do trabalho. De acordo com os autores (2002):</p><p>É impossível saber onde se chegará com todos os avanços da ciência</p><p>atrelados ao desenvolvimento da tecnologia e da globalização; mas</p><p>notadamente, os efeitos desses avanços já oferecem sinais de profundas</p><p>modificações na vida das pessoas, das empresas e do mercado de</p><p>trabalho. (p 47)</p><p>Em seus estudos, Lemos (2001) aborda que no capitalismo antigo, o trabalho era</p><p>considerado apenas como uma jornada com vínculo empregatício em tempo integral e</p><p>reconhecida legalmente. Atualmente, o trabalho é visto de uma maneira mais abrangente,</p><p>pois vem assumindo novas formas de ação, novas competências e contextos. Há também</p><p>um grande desenvolvimento das empresas de computadores, biotecnologia,</p><p>telecomunicações, sistema financeiro e outras. A informação substitui máquinas e</p><p>equipamentos, tornando-se a principal fonte de riqueza. Passou-se do eixo produtivo da</p><p>indústria para o setor de serviços, gerando fusões entre empresas tradicionais e de alta</p><p>tecnologia.</p><p>As transformações do mundo do trabalho, ainda segundo a mesma autora (2001)</p><p>alteram e redefinem os significados que as profissões possuíam até então. Profissões</p><p>antigas, que existiram por muitos anos, estão se reorganizando. O emprego tradicional que</p><p>obedece a um plano de carreira individual traçado na empresa, com carga horária definida</p><p>e delimitação das funções, dá lugar ao trabalho em projetos específicos e temporários,</p><p>realizados por equipes multiprofissionais.</p><p>Alteram-se também, de acordo com Bernardes (2002) as relações de trabalho; os</p><p>serviços passam a ser terceirizados, os organogramas são reestruturados. Novas profissões</p><p>surgem, outras são desvalorizadas e extintas, outras passam por alterações em seu perfil</p><p>profissiográfico. Até pouco tempo atrás, as pessoas escolhiam as profissões</p><p>tradicionalmente conhecidas, para obterem segurança e terem seus direitos trabalhistas</p><p>reconhecidos. Atualmente, nem as profissões mais tradicionais estão imunes ao processo</p><p>de transformação da era moderna.</p><p>Araújo (2004) salienta que o processo de trabalho é histórico, mutável, sofrendo</p><p>modificações ao longo da história, e desencadeando mudanças na carreira profissional. Na</p><p>medida em que o trabalho se modifica, provoca mudanças também na vida do ser humano,</p><p>determinando seu comportamento, sua linguagem, seu afeto, seus projetos para o futuro.</p><p>Lemos (2001) comenta que a característica principal das sociedades pós-modernas,</p><p>é a existência de valores muito divergentes e a grande quantidade de opções no mercado de</p><p>trabalho, que exige do indivíduo um posicionamento contínuo. Bernardes (2002)</p><p>corroborando com esta idéia, diz que se por um lado a diversidade de opções faz crescer o</p><p>desejo de liberdade do indivíduo, por outro lado, quando este não é devidamente orientado</p><p>para lidar com as constantes mudanças e as novas exigências decorrentes do mundo do</p><p>trabalho, pode sentir-se ameaçado, causando desequilíbrio profissional e emocional.</p><p>Na sociedade globalizada, em que as transformações ocorrem com muita rapidez,</p><p>jovens sente-se pressionado, tanto pela própria complexidade do mercado de trabalho,</p><p>como pelo avanço da tecnologia. Vê-se frente a uma multiplicidade de profissões, áreas de</p><p>estudo, cursos, ficando muitas vezes confuso diante de tal complexidade (ANDRADE,</p><p>MEIRA e VASCONCELOS, 2002). Nesta mesma concepção, Bernardes (2002) salienta</p><p>que o ritmo acelerado das alterações tem afetado o equilíbrio emocional das pessoas, pois</p><p>as noções básicas de tempo e espaço, valores e volumes de informações recebidas e</p><p>contradições dessas mesmas informações, geram grande instabilidade e desorientação no</p><p>momento de posicionamento e decisão do indivíduo.</p><p>A diversidade de opções e a constante renovação que o mundo pós-moderno</p><p>oferece, torna mais complexo o processo da constituição da identidade do indivíduo. O</p><p>processo de aquisição da identidade é influenciado pela perda das tradições, pelos modelos</p><p>oferecidos pela cultura e também por modelos frágeis e descartáveis que são inseridos</p><p>neste novo contexto (LEMOS, 2001).</p><p>2.3 - Identidade profissional e escolha</p><p>A identidade profissional constitui-se em um dos aspectos da identidade que</p><p>também é construída ao longo da vida. Bohoslavsky (1997, citado por LEMOS, 2001)</p><p>argumenta que este processo ocorre desde a infância, a partir das identificações que a</p><p>criança realiza com os adultos significativos para ela e que desempenham papéis</p><p>profissionais. Essas identificações vão sendo incorporadas à personalidade do indivíduo,</p><p>através do tipo de relação que mantém com o mundo adulto. A partir do que se admira e</p><p>deseja e do que se rejeita, é que poderão surgir as expectativas a respeito de si mesmo e as</p><p>aspirações do modo de ser que se quer alcançar. Lemos (2001) cita que a formação da</p><p>identidade é um momento de síntese, de evolução, em que as identificações perdem seu</p><p>caráter mimético para adquirirem um novo significado, sendo incorporadas ao ego</p><p>tornando-se parte da personalidade do indivíduo.</p><p>A formação da identidade profissional, de acordo com Hissa e Pinheiro (2004) é um</p><p>processo que tem início desde cedo, quando a criança tem conhecimento do trabalho das</p><p>pessoas que convivem com ela e toma contato com o que a rodeia, como televisão, livros,</p><p>internet e começa a imitar ações profissionais nas brincadeiras. Os referenciais que</p><p>aparecem nas várias situações da vida conduzem à formação de identificações inerentes ao</p><p>processo de aquisição da identidade.</p><p>Conforme citação das mesmas autoras (2004) a pessoa desenvolve algumas</p><p>generalizações sobre si mesma no seu percurso de vida, formando uma auto-percepção</p><p>dinâmica que se expressa na forma de interesses, aptidões, aceitações e rejeições. Constrói</p><p>imagens e representações a respeito do mundo do trabalho, comparando-as com suas auto-</p><p>percepções nas situações que implicam tomadas de decisões profissionais, construindo</p><p>assim, modelos para serem ou não adotados. Citam que “a tomada de decisão profissional</p><p>depende da integração</p><p>da visão que tem de si mesmo com a da realidade sociocultural”.</p><p>(p.121)</p><p>A adolescência é a fase em que ocorre o desprendimento da infância e a entrada no</p><p>mundo e papel adultos. Cabe ao jovem assumir uma postura diante da sociedade, devendo</p><p>escolher uma carreira profissional a ser seguida. Ao passo que vai conquistando sua</p><p>própria identidade, sente a necessidade de definir-se, escolhendo sua profissão baseado na</p><p>sua realidade sociocultural e pessoal. As identificações e o desejo de corresponder às</p><p>expectativas dos pais ou pessoas significativas, mais o mercado de trabalho com seu</p><p>grande número de possibilidades, são questões que o jovem tenta atender (ANDRADE,</p><p>MEIRA E VASCONCELOS, 2002).</p><p>Lemos (2001) descreve que a aquisição da identidade profissional envolve duas</p><p>etapas: a primeira seria o momento de crise, quando o adolescente questiona e rompe com</p><p>os modelos familiares; sente-se então atraído por várias possibilidades, realizando escolhas</p><p>sem se comprometer com alguma especificamente. Na segunda etapa, denominada</p><p>engajamento, uma área de realidade profissional é detectada pelo adolescente e</p><p>discriminada entre as demais, havendo um compromisso com a escolha, luta e preservação</p><p>por sua realização.</p><p>Para Ximenes (2004) a aquisição da identidade na adolescência não pode ser</p><p>considerada uma tarefa individual e solitária do adolescente, pois constitui-se num</p><p>processo de interação da família, do contexto cultural em que os papéis e valores são</p><p>definidos, situados na história, na família e na sociedade.</p><p>A identidade vocacional, para Bohoslavsky (2001) coincide com o início do fim da</p><p>adolescência, em que lutam entre si o interesse pela afirmação pessoal e a inserção social</p><p>pois “nenhum adolescente desconhece que o que ele é tem relação com o ambiente em que</p><p>vive, familiar, escolar, amigos, etc.” (p 35)</p><p>O ser humano passa a conhecer a importância e o valor do trabalho desde a</p><p>infância. A identidade profissional, para a maioria das pessoas é uma parte muito</p><p>importante de sua identidade geral. Ter um emprego valorizado socialmente, sucesso</p><p>profissional, ter segurança e estabilidade aumenta a auto-estima e facilita um</p><p>desenvolvimento mais seguro da identidade; ao passo que o contrário pode gerar dúvidas,</p><p>incertezas, sentimentos de revolta, formando uma identidade negativa, pois a vida</p><p>ocupacional é considerada um dado fundamental na existência humana (ANDRADE,</p><p>MEIRA E VASCONCELOS, 2002).</p><p>Silveira e Calheiros (2004) enfatizam que</p><p>O trabalho, ao produzir no homem um sentido de inclusão social, revela</p><p>quanto a sociedade valoriza aquele que está produzindo, principalmente</p><p>com vínculo empregatício, salário fixo e estabilidade, por mais que haja</p><p>uma forte tendência para a economia informal, para o trabalho informal.</p><p>Porém, não estar trabalhando leva o homem a enfrentar um processo de</p><p>desvalorização social. (p 88)</p><p>No que se refere ao ato da escolha, Ximenes (2004) acentua que este reflete o</p><p>desejo, o modo de ser e agir, a perspectiva de um futuro de realizações e conquistas de um</p><p>indivíduo, significando assim o seu projeto de vida. Vários fatores estão implicados neste</p><p>processo, pois escolher implica recorrer trajetórias de construção de saberes, exercitar uma</p><p>crítica e respeitar o esforço coletivo do pensar. A escolha profissional deve ser vista pelo</p><p>aspecto psicológico, assim como pelos aspectos sócio-históricos, reconhecendo que o</p><p>indivíduo é parte atuante de um contexto regido por relações sociais, políticas e</p><p>econômicas.</p><p>Sobre os aspectos da identidade profissional, Bohoslavsky (1977 citado por</p><p>OLIVEIRA, 2004) considera que a identidade adolescente apóia-se na elaboração de lutos</p><p>básicos pelo corpo e formas antigas de relações com os pais. A vivência dessas perdas</p><p>implica na capacidade de separação do outro; escolher algo é também deixar, perder algo</p><p>que se deixa para trás. Apenas por meio da diferenciação eu - não eu é que o jovem pode</p><p>desenvolver sua identidade profissional.</p><p>Para compreender porque uma profissão é escolhida em detrimento de outras,</p><p>Bohoslavsky (1971 citado por LEMOS, 2001) utiliza o conceito kleiniano de reparação,</p><p>em que as carreiras ou profissões são respostas ao ego diante de chamados interiores,</p><p>provavelmente de objetos internos danificados, que pedem, reclamam, impõe, serem</p><p>reparados pelo ego. A carreira escolhida seria então a depositária exterior desse objeto</p><p>interno que necessita ser reparado. A escolha implica também a elaboração de lutos por</p><p>objetos que se deixa, que se perde e dos quais se separa. A elaboração de lutos, assim como</p><p>a reparação, são mecanismos que auxiliam o ego a suportar a culpa frente ao objeto</p><p>danificado. Portanto, a escolha supõe que o ego deve ser capaz de reparar ou elaborar lutos,</p><p>de tolerar dor e aceitar a realidade.</p><p>O mesmo autor (1977 citado por LEMOS, 2001) enfatiza que uma escolha ajustada</p><p>deve ser aquela em que os conflitos possam ser elaborados e resolvidos e não controlados e</p><p>negados. O indivíduo, ao realizar sua escolha, deve mobilizar seus recursos, a organização</p><p>de seu ego, avaliando suas capacidades e características pessoais e confrontá-los com a</p><p>possibilidade de seguir ou não as carreiras pretendidas. Portanto, os aspectos envolvidos na</p><p>escolha da profissão devem ser um entrelaçamento de fatores externos, como o momento</p><p>histórico e cultural e fatores internos, como os processos psíquicos.</p><p>Lobato (2003) vê o trabalho como uma peça fundamental na construção da</p><p>identidade e considera que o homem moderno encontra dificuldade em adaptar-se às</p><p>mudanças do mundo atual. Por conferir ao trabalho o significado de formador de</p><p>identidade e meio de sobrevivência, depara-se com grande angústia quando entra no</p><p>mercado de trabalho.</p><p>Atualmente os jovens vêm apresentando maior dificuldade em escolher uma</p><p>profissão; talvez pela dificuldade de pensarem em si mesmos e pela insegurança das</p><p>mudanças de mercado (OLIVEIRA, 2004). Andrade, Meira e Vasconcelos (2002) apontam</p><p>a complexidade do mercado de trabalho e o avanço da tecnologia como motivos de pressão</p><p>que os jovens encontram ao escolher o caminho a ser seguido. É também preciso</p><p>considerar que os jovens atravessam um período de conturbação relacionado a aspectos</p><p>maturacionais e psicológicos, em que dúvidas trazem confusões e conflitos.</p><p>Outros motivos para a dificuldade da escolha são citados por Oliveira (2004) como</p><p>a ansiedade e insegurança dos pais frente ao momento da escolha profissional dos filhos, o</p><p>que interfere diretamente nesta escolha. O momento da escolha da profissão por um</p><p>adolescente é uma transição, sinalizando o processo de diferenciação do jovem, que</p><p>repercute no contexto familiar. A autonomia do filho aumenta, enquanto entra em declínio</p><p>o poder decisório dos pais, que tentam mantê-lo a qualquer custo. Os rituais de passagem</p><p>na adolescência como por exemplo, o namoro e o primeiro emprego, têm o objetivo de</p><p>marcar a ruptura do jovem com os laços domésticos e a sua saída da vida familiar para a</p><p>comunitária.</p><p>Escolher a profissão, de acordo com Silveira e Calheiros (2004) é motivo de muitas</p><p>dúvidas, insegurança e indecisão. Apontam algumas dificuldades que os jovens enfrentam,</p><p>como escolher a profissão dos pais ou as que possuem maior status. A situação da escolha</p><p>profissional fica ainda mais difícil para as camadas mais pobres que não conseguem</p><p>ingressar nas universidades. Por esse motivo, a real identidade no processo da escolha da</p><p>profissão é afastada, em função do medo da concorrência no vestibular. O fator financeiro</p><p>é sem dúvida um grande empecilho de uma escolha por identidade, pois muitos jovens são</p><p>impossibilitados de cursar universidades particulares, optando por outros caminhos. A</p><p>ameaça de desemprego e a tendência para o mercado informal também têm gerado grandes</p><p>mudanças no momento de escolher a profissão.</p><p>Lemos e Ferreira (2004) apontam que, tentando escolher uma</p><p>profissão, o jovem</p><p>dispõe de informações rápidas. No entanto, não sabe o que fazer com elas, partindo então</p><p>para outra informação descartando a primeira opção. Segue neste percurso até que percebe-</p><p>se bombardeado de informações e perdido. Porém, todo processo de escolha envolve</p><p>possibilidades boas e ruins; deve-se portanto, tolerar o ruim para usufruir do bom, ou seja,</p><p>tolerar as frustrações e abrir mão da fantasia de que se pode tudo, de que se tem todas as</p><p>possibilidades. Para escolher uma profissão é preciso estar ciente que, quando se escolhe</p><p>uma carreira, depara-se com estes dois lados.</p><p>O trabalho ocupa a maior parte da vida das pessoas. Mesmo que a escolha</p><p>profissional seja de responsabilidade individual, não deixa de ter repercussões sociais, pois</p><p>quando uma pessoa exerce motivada a sua profissão, apresenta um serviço de melhor</p><p>qualidade, além de sentir-se mais segura e realizada (ARAÚJO, 2004).</p><p>Para que as pessoas consigam administrar bem suas escolhas, é de suma</p><p>importância o investimento no desenvolvimento de instrumentos que auxiliem na reflexão</p><p>profissional (ANDRADE, MEIRA e VASCONCELOS, 2002). Os vários autores citados</p><p>neste capítulo comentam a importância da orientação profissional, que tem se direcionado</p><p>em busca desses instrumentos, propiciando o desenvolvimento do auto-conhecimento,</p><p>agindo como meio facilitador, dando ao jovem subsídios para que faça a escolha mais</p><p>adequada.</p><p>A prática da avaliação da carreira ajuda um indivíduo a discernir a escolha da</p><p>profissão mais apropriada, à luz das habilidades, dos interesses, dos objetivos, dos valores</p><p>e do temperamento de cada pessoa, assim como dos requerimentos de uma determinada</p><p>ocupação. O trabalho oferece oportunidades para muitas recompensas extrínsecas e</p><p>intrínsecas; além disso, o clima atual de rápidas mudanças nas condições de emprego faz</p><p>com que muitas pessoas considerem suas escolhas de carreira várias vezes em seu período</p><p>de vida. Escolher uma carreira implica, frequentemente, em escolher um estilo geral de</p><p>vida, com seu conjunto característico de valores (ANASTASI e URBINA, 1997).</p><p>Toda profissão, de acordo com Jaquemin, Melo-Silva e Pasian (2000) constitui-se</p><p>por uma estrutura de exigências e também de um potencial de gratificação e satisfação.</p><p>Exige do indivíduo alguns elementos como disponibilidade afetiva, aptidões, motivação,</p><p>interesses, inclinações pessoais. É nesse conjunto que o indivíduo irá desenvolver sua</p><p>identificação e identidade profissional.</p><p>Primi et al (2002) citam que as tarefas a serem executadas nas profissões exigem</p><p>um certo nível de habilidades e reforçam também alguns interesses específicos. Se uma</p><p>pessoa possui as habilidades que uma determinada tarefa requer, mais chance de se adaptar</p><p>satisfatoriamente ao ambiente ela terá; e à medida que se interessa pelo tipo de valor,</p><p>atitudes e estilos reforçados pelo ambiente, maior será sua satisfação. As escolhas possuem</p><p>maior eficácia quando existe uma coordenação harmônica entre as características pessoais</p><p>e as da profissão desejada. Entende-se então, que para uma determinada profissão existem</p><p>algumas características de personalidade que são mais complementares, ou mais adequadas</p><p>que outras.</p><p>Para Bernardes (2002)</p><p>a satisfação no trabalho e na vida depende da amplitude na qual o</p><p>indivíduo encontra emprego para suas capacidades, interesses, traços de</p><p>personalidade e valores; a adequação decorre do tipo de trabalho e da</p><p>forma de vida na qual o indivíduo possa desempenhar o tipo de papel</p><p>para o qual suas experiências de crescimento e exploratórias levam-no a</p><p>considerar como apropriadas. (p.29)</p><p>Há uma maior possibilidade de integração e desenvolvimento na carreira de um</p><p>indivíduo quando as exigências de sua profissão encontram respaldo e em seus interesses,</p><p>habilidades e aspectos da personalidade. Este indivíduo possuirá maior satisfação pessoal</p><p>se encontrar-se inserido em um ambiente adequado a esses interesses e características de</p><p>personalidade (PRIMI et al, 2002).</p><p>3 – A PERSONALIDADE</p><p>“O homem pode até ser estudado como um objeto</p><p>no mundo, mas o próprio mundo nada mais é do</p><p>que um objeto intencional para os homens que o</p><p>constituem e o pensam.”</p><p>Elizabeth T. B. Sbardelini</p><p>O estudo da personalidade vem sendo realizado há muito tempo, no intuito de</p><p>explicar a natureza humana. O comportamento e as atitudes sempre foram alvos de vários</p><p>estudiosos desde a antigüidade e vários sistemas de classificação dessas atitudes</p><p>individuais foram sendo criados com o decorrer dos anos, tentando explicar as diferenças e</p><p>semelhanças que existem entre as pessoas e descrevendo os processos de interação do</p><p>indivíduo com o ambiente.</p><p>Atkinson et al (1995) relatam que a psicologia da personalidade tenta explicar as</p><p>diferenças individuais, descrever e sintetizar os vários processos que influenciam as</p><p>interações do indivíduo com o meio ambiente, como a biologia, o desenvolvimento,</p><p>aprendizagem, motivação, etc. Definem personalidade como sendo um padrão</p><p>característico de pensamento e emoção, que distingue o indivíduo e influencia suas</p><p>interações com o meio, o que inclui variáveis como estabilidade emocional, sociabilidade e</p><p>muitas outras.</p><p>Algumas definições sugerem que a personalidade é a organização ou a</p><p>padronização para as várias respostas distintas do indivíduo; é o que dá ordem e</p><p>congruência a todos os comportamentos distintos que o indivíduo apresenta. Outras</p><p>definições referem-se à personalidade como a parte mais representativa da pessoa, a</p><p>essência do homem, o que o diferencia dos outros, o que ele realmente é (HALL,</p><p>LINDZEY e CAMPBELL, 2000).</p><p>Muito questiona-se também sobre a formação da personalidade e como acontece</p><p>seu desenvolvimento; se a personalidade permanece a mesma durante toda a vida do</p><p>indivíduo ou se sofre transformações. De acordo com Atkinson et al (1995) a formação da</p><p>personalidade sofre influências genéticas, apresentando características como nível de</p><p>atividade, alcance da atenção, adaptabilidade, mudanças no ambiente e humor geral. O</p><p>aparecimento dessas características sugere que elas são determinadas em parte por fatores</p><p>genéticos e são herdadas dos pais. Como muitos traços da personalidade adulta podem ser</p><p>atribuídos a fatores genéticos, foram realizadas pesquisas para saber até que ponto a</p><p>personalidade de um indivíduo muda ou permanece a mesma ao longo da vida. Os</p><p>resultados mostram evidências mistas, a continuidade e descontinuidade do temperamento</p><p>é uma função de interação entre fatores genéticos e do ambiente.</p><p>Ramos (1991) argumenta que a personalidade constitui-se na manutenção da vida</p><p>somática e psíquica de cada indivíduo, no desempenho das funções do corpo físico. Cada</p><p>personalidade ou tipo constitucional é ímpar, pois pode apresentar caracteres somáticos e</p><p>psicológicos semelhantes, mas nunca iguais. Cada indivíduo é um só e nunca uma</p><p>personalidade é exatamente igual à outra. Todas as personalidades, todos os indivíduos são</p><p>resultantes da soma do genótipo, que é a caracterização física e psicológica transmitida</p><p>pelos cromossomos que trazem a hereditariedade dos genitores, ao parátipo, que é toda e</p><p>qualquer influência do meio exterior, do ambiente no qual a personalidade se forma e se</p><p>desenvolve no curso da vida física e psíquica. O parátipo varia desde os elementos mais</p><p>simples e precários da existência humana até os mais complicados fatores da evolução de</p><p>milênios na formação do indivíduo. Para ele,</p><p>todos esses fatores sempre dependentes do estado de cultura de cada</p><p>homem, de cada povo, de cada nação, até chegar ao dia de hoje em que</p><p>essa cultura evoluiu de maneira quase suficiente, porém, infelizmente,</p><p>ainda não com competência e eficiência em razão dos desacertos</p><p>políticos-sociais dos povos, e que, em última análise, influem</p><p>substancialmente na formação da personalidade, na construção física</p><p>e</p><p>psíquica de cada indivíduo (p. 3).</p><p>Frente à diversidade das hipóteses que buscam explicar a personalidade, Cloninger</p><p>(1999) comenta que é muito difícil para os estudiosos escolherem quais os conceitos mais</p><p>úteis para definí-la, pois fica a dúvida entre comparar pessoas ou estudar indivíduos</p><p>separadamente. Muitas teorias da personalidade foram desenvolvidas pelos diversos</p><p>estudiosos e teóricos com o passar do tempo, e uma das maneiras propostas para descrever</p><p>as diferenças individuais foi a classificação das pessoas dentro de um número limitado de</p><p>grupos, utilizando duas abordagens, a dos tipos e a dos traços, que serão descritas a seguir.</p><p>3.1 - A abordagem dos traços</p><p>No que se refere ao conceito de traços, estes são concebidos por Atkinson et al.</p><p>(1995) como dimensões contínuas, presumindo que as pessoas variam simultaneamente em</p><p>diversas dimensões da personalidade, ou escalas. Para uma descrição global da</p><p>personalidade, é necessário conhecer a classificação do indivíduo em diversas escalas e</p><p>quanto de cada traço ele possui. Isso permitirá caracterizar consistências no seu</p><p>comportamento e então prever como ele responderá a determinadas situações.</p><p>Em seus estudos, Nunes (2000) argumenta que a personalidade e sua avaliação</p><p>estão muito ligadas com a linguagem natural e com os principais princípios das Teorias</p><p>dos Traços. Nestas teorias, a personalidade pode ser compreendida por meio de níveis</p><p>hierárquicos de estruturas que modulam e delimitam o comportamento humano. Cita que</p><p>os traços de personalidade são descritos e identificados usualmente pelos descritores de</p><p>traços, que são termos identificados na linguagem natural e representam importantes</p><p>componentes de comportamentos observados em indivíduos e diferentes sociedades.</p><p>3.1.1 - A teoria de traços de Gordon W. Allport</p><p>O conceito de traço é central na teoria de Allport (1961). O autor reconhece a</p><p>existência de muitos fatores que determinam o comportamento, formando uma hierarquia</p><p>do mais específico ao mais genérico. Define traço de personalidade como uma estrutura</p><p>neuropsíquica que tem a capacidade de fazer com que muitos estímulos se tornem</p><p>funcionalmente equivalentes e de iniciar e orientar formas equivalentes de comportamento</p><p>adaptativo e expressivo; “um amplo sistema de tendências para ação semelhante, e que</p><p>existe na pessoa que estudamos.” (p.420)</p><p>Na concepção do mesmo autor (1961) os traços são essencialmente únicos a cada</p><p>indivíduo, mas dentro de uma cultura particular existem traços comuns, que são parte</p><p>dessa cultura, que todos reconhecem e nomeiam. Através dos traços comuns a maioria das</p><p>pessoas de uma certa cultura podem ser efetivamente comparadas, pois, “mortais</p><p>semelhantes, em ambientes semelhantes, devem desenvolver objetivos semelhantes e</p><p>métodos semelhantes para atingí-los.”(p. 423)</p><p>Hall, Lindzey e Campbell (2000) citam que Allport reservou o termo traço para os</p><p>traços comuns, e outro termo, disposição pessoal, foi introduzido para definir o traço</p><p>individual. Os traços, diferentemente das disposições pessoais, não são designados como</p><p>peculiares a um único indivíduo. Isso quer dizer que um traço pode ser compartilhado por</p><p>vários indivíduos, mas está tão dentro do indivíduo quanto uma disposição. Ambos são</p><p>estruturas neuropsíquicas e são capazes de tornar muitos estímulos funcionalmente</p><p>equivalentes e também orientam formas consistentes de comportamento. Embora os traços</p><p>e as disposições existam realmente na pessoa, eles não podem ser observados diretamente,</p><p>precisando ser inferidos a partir do comportamento. Essas inferências são baseadas na</p><p>frequência com que a pessoa exibe um determinado tipo de comportamento em várias</p><p>situações, assim como na intensidade desse comportamento.</p><p>Para Nunes (no prelo) o conceito de traço comum de Allport é muito útil para a</p><p>operacionalização da personalidade, pois os traços comuns são aqueles aspectos da</p><p>personalidade pelos quais a maioria das pessoas de uma cultura podem ser eficientemente</p><p>comparadas.</p><p>3.1.2 - A teoria fatorial de Hans J. Eysenck</p><p>O modelo de Eysenck da personalidade baseia-se em uma descrição hierárquica do</p><p>componente temperamental da personalidade em termos de traços específicos e em três</p><p>dimensões tipológicas gerais de psicoticismo, extroversão e neuroticismo. Propõe que</p><p>essas dimensões estruturam as diferenças individuais de temperamento. A abordagem de</p><p>Eysenck atribui também um substrato biológico responsável pelas diferenças individuais</p><p>em dimensões fundamentais da personalidade. O comportamento é o resultado da posição</p><p>da pessoa nessas dimensões, combinada com as circunstâncias às quais ela está exposta.</p><p>Focaliza a dimensão biológica da personalidade em uma abordagem biossocial, no sentido</p><p>de que o funcionamento do Sistema Nervoso Central predispõe os indivíduos a</p><p>responderem de certa maneira ao ambiente, especificando mecanismos biológicos que</p><p>contribuem para as diferenças observadas nas dimensões descritivas (HALL, LINDZEY e</p><p>CAMPBELL, 2000).</p><p>Nunes (no prelo) enfatiza que a estrutura básica da personalidade de Eysenck</p><p>trabalha, assim como a de Allport, com organizações hierárquicas de coerências</p><p>comportamentais, cognitivas e afetivas. No modelo de Eysenck esses níveis são: resposta</p><p>específica, resposta habitual, o traço e o tipo. Enfatiza, porém, o traço e o tipo, pois a partir</p><p>deles é possível compreender a mecânica do comportamento consistente e congruente.</p><p>Define um traço como um conjunto covariante de comportamentos, surgindo como um</p><p>princípio organizador deduzido da generalidade do comportamento do ser humano.</p><p>Na distinção entre o conceito de traço e tipo, Eysenck define que um traço se refere</p><p>a um conjunto de comportamentos relacionados que ocorrem juntos repetidamente; um</p><p>tipo é um construto de ordem superior, compreendendo um conjunto de traços</p><p>relacionados; é mais geral e inclusivo (HALL, LINDZEY e CAMPBELL, 2000).</p><p>3.1.3 - A teoria de traço fatorial-analítica de Raymond Cattell</p><p>Hall, Lindzey e Campbell (2000) apontam que Cattell define a personalidade como</p><p>aquilo que permite prever o que uma pessoa fará em uma dada situação. Deve-se</p><p>estabelecer leis sobre o que diferentes pessoas farão em todos os tipos de situações</p><p>ambientais sociais e gerais. Vê a personalidade como uma estrutura complexa e</p><p>diferenciada de traços. Para ele, traço é uma estrutura mental, uma inferência feita a partir</p><p>do comportamento observado para explicar a regularidade ou consistência deste</p><p>comportamento.</p><p>Cattell (1950 citado por HALL, LINDZEY E CAMPBELL, 2000) distingue entre</p><p>traços de superfície e traços de origem. Os traços de superfície representam agrupamentos</p><p>de variáveis manifestas que ocorrem juntas; traços de origem representam as variáveis</p><p>subjacentes que podem determinar várias manifestações de superfície. Os traços de origem</p><p>são as influências reais por trás da personalidade, como os fatores fisiológicos,</p><p>temperamentais, graus de interação dinâmica e exposição às instituições sociais.</p><p>Considera-os mais importantes, apesar dos traços de superfície parecerem mais válidos e</p><p>significativos para o observador comum, por serem mais facilmente observáveis.</p><p>Entretanto, os traços de origem são mais úteis para explicar o comportamento, pois</p><p>refletem fatores de hereditários, constitucionais e ambientais.</p><p>Segundo os mesmos autores (2000) Cattell divide também os traços por meio da</p><p>modalidade na qual se expressam: traços dinâmicos, que acionam o indivíduo rumo a uma</p><p>meta, e traços de capacidade, quando têm relação com a efetividade em que o indivíduo</p><p>busca atingir essa meta. Os traços dinâmicos importantes no sistema de Cattell são de três</p><p>tipos: os ergs, que correspondem às pulsões com base biológica; os sentimentos, que</p><p>focalizam um objeto social como a escola ou o país, por exemplo; as atitudes, que são</p><p>traços dinâmicos de superfície, manifestações</p><p>ou combinações específicas de motivos</p><p>subjacentes. Os vários traços dinâmicos estão inter-relacionados em um padrão de</p><p>subsidiação, em que certos elementos são subsidiários a outros, ou servem como meios</p><p>para seus fins. Estes relacionamentos podem ser expressos no que Cattell chamou de</p><p>treliça dinâmica.</p><p>3.2 - A abordagem dos tipos</p><p>Muitos sistemas de tipologia têm sido criados desde a antigüidade. Estes sistemas,</p><p>de acordo com Zacharias (1995) são baseados na observação direta dos comportamento</p><p>humano e num conjunto de representações mágico/religiosas e filosóficas. Cita como</p><p>exemplo o sistema da Astrologia, que foi desenvolvido na Mesopotâmia e entre os caldeus.</p><p>Conforme este sistema, a matéria, inclusive o homem, são formados por quatro elementos:</p><p>a terra, o fogo, o ar e a água. Cada um destes elementos compartilha de três signos do</p><p>zodíaco, que é um cinturão de constelações que se localiza no caminho do sol, da lua e dos</p><p>planetas no céu, observados na terra. As pessoas que nascem sob a influência de um destes</p><p>signos, são influenciadas pelas características próprias do signo e pela natureza do</p><p>elemento correspondente a este signo.</p><p>A antiga medicina grega, desenvolveu uma tipologia fisiológica semelhante ao</p><p>sistema astrológico descrito acima; a classificação das pessoas era também quaternária e</p><p>baseada nas denominações das secreções do corpo. O que caracterizaria o temperamento</p><p>de alguém seria a maior quantidade de um dos humores em circulação no corpo: o sangue,</p><p>fleugma, bilis amarela e bilis negra ( ZACHARIAS, 1995).</p><p>A filosofia grega, de acordo com Lee (1994) estava baseada na doutrina dos quatro</p><p>elementos, que eram relacionados com as quatro faculdades do homem: a moral, que</p><p>corresponde ao fogo; estética e alma, que correspondem à água; intelectual, correspondente</p><p>ao ar; e física, correspondente à terra. Baseado nesta idéia, Hipócrates desenvolveu a</p><p>medicina da Patologia Humoral, considerando o elemento fogo como Bile Amarela, terra</p><p>como Bile Negra, água como Fleugma e ar como Sangue. Posteriormente, Galeno</p><p>correlacionou-os com os quatro humores que deram origem aos quatro temperamentos</p><p>humanos específicos: Colérico, Melancólico, Fleugmático e Sanguíneo. Segundo o autor</p><p>(1994):</p><p>Compreende-se tenham os gregos se convencido da real existência desses</p><p>humores; pois quando há uma contusão o sangue não acorre? A tosse não</p><p>elimina a Fleugma (catarro)? Os colágogos não tornam as fezes escuras</p><p>pela bili negra? E os vômitos não vêm com a bili amarela para tingí-los?</p><p>(p. 13)</p><p>3.2.1 - A tipologia neo-hipocrática</p><p>Lee (1994) descreve a tipologia Neo-Hipocrática, que é composta por quatro</p><p>biotipos: neo-sangüíneo, neo-colérico, neo-melancólico e neo-fleugmático. Os neo-</p><p>sangüíneos são aqueles que têm uma ênfase no elemento ar e possuem uma mente</p><p>demasiadamente ativa, podendo fazer qualquer coisa sem uma reflexão prévia, fugindo às</p><p>vezes da realidade para um mundo de imaginação. Com uma disciplina mental adequada,</p><p>esse tipo pode ser um inovador no mundo do pensamento. O segundo biotipo, o neo-</p><p>colérico, tem ênfase no elemento fogo; indivíduos coléricos possuem grande fé em si</p><p>mesmos, entusiasmo, força sem limite e honestidade. Precisam de liberdade para se</p><p>expressarem de forma natural, tendendo a ser ativos, inquietos, faladores e impulsivos. O</p><p>neo-melancólico possui sintonia com o elemento terra, indicando que estes indivíduos</p><p>estão em contato com os sentidos físicos e a realidade presente do mundo material. Têm</p><p>muita preocupação com a prática em detrimento dos princípios teóricos; podem ter uma</p><p>visão estreita e falta de imaginação, por ficarem presos apenas ao que as coisas aparentam</p><p>ser. O neo-fleugmático está ligado ao elemento água, está em comunicação com seus</p><p>próprios sentimentos, representando a ênfase na emoção profunda, respostas do</p><p>sentimento, paixões compulsivas e medo extraordinário. Pessoas fleumáticas são</p><p>extremamente sensíveis a qualquer experiência.</p><p>Para Zacharias (1995) a teoria de Hipócrates possui uma desvantagem, pois</p><p>apresenta tipos puros, em que os temperamentos são claramente definidos, o que a torna</p><p>genérica e abrangente, já que “podemos dizer seguramente que não existem tipos puros, ou</p><p>seja, uma pessoa sangüínea pode ter momentos de melancolia ou se tornar fleumática em</p><p>determinada situação.” (p. 67)</p><p>3.2.2 - Outras teorias tipológicas</p><p>Entre o período grego e o século XIX, surgiram outros sistemas tipológicos</p><p>baseados em estereótipos sociais, como os tipos descritos por La Bruyère, em que as</p><p>pessoas gordas são afáveis e bem humoradas, enquanto as pessoas magras são mais</p><p>nervosas e contemplativas (ZACHARIAS, 1995).</p><p>Segundo o mesmo autor (1995) no século XX Cesare Lombroso criou a</p><p>Antropologia Criminal, no qual um criminoso nato possuía um tipo físico e psíquico</p><p>especial, identificando esse tipo através de uma análise do formato da caixa craniana,</p><p>principalmente de uma parte que ele denominou de fossa occiptal média, presente nos</p><p>criminosos.</p><p>As teorias modernas estão organizadas em três princípios: na classificação dos tipos</p><p>somáticos, em que a principal característica é a diferença da estrutura somática; na</p><p>classificação dos tipos somato-psíquicos, em que a estrutura somática está em orientação</p><p>dinâmica funcional com estruturas psíquicas correspondentes; e na classificação dos tipos</p><p>psíquicos, que enfatizam a diferença entre estruturas especificamente psíquicas</p><p>(ZACHARIAS,1995).</p><p>Como exemplo da classificação de tipos somáticos o autor supracitado (1995) cita a</p><p>Escola Constitucionalista de Giovanni e Viola, baseada na relação entre o tronco e os</p><p>membros, criando os tipos megalosplânico, característico de indivíduos gordos e baixos;</p><p>normoplânico, correspondente ao indivíduo atlético e microsplânico, que é o indivíduo</p><p>alto e magro. Como exemplo de tipologias somato-psíquicas cita a obra de Gall, que criou</p><p>a frenologia, um estudo das saliências e da forma da superfície craniana para identificar</p><p>traços de personalidade.</p><p>3.2.3 - A tipologia de Kretschmer</p><p>Zacharias (1995) cita que Ernest Kretschmer, partindo de seus trabalhos como</p><p>psiquiatra, desenvolveu uma tipologia com base na compleição física correspondente a</p><p>determinados traços de personalidade. Divide as pessoas em quatro tipos: Pícnico, que é o</p><p>indivíduo baixo e forte, possuindo pernas, peito e ombros arredondados; é sociável, amigo,</p><p>vivaz, prático e realista, e em caso de patologia oscila no ciclo mania-depressão. O</p><p>segundo tipo, o Leptossômico, é o indivíduo de estatura alta, esbelto, pernas e face</p><p>alongadas; são introspectivos e reflexivos, apresentando em caso de patologia, extrema</p><p>introversão e falta de contato com o mundo. O terceiro tipo, o Atlético, é proporcional,</p><p>estando entre o pícnico e o leptossômico. Os Displásicos são o quarto tipo, apresentando</p><p>misturas incompatíveis durante o seu desenvolvimento.</p><p>3.2.4 - A tipologia de Hans J. Eysenck</p><p>Hall, Lindzey e Campbell (2000) descrevendo a evolução histórica da abordagem</p><p>tipológica de Eysenck, citam que os dois tipos mais importantes da personalidade, a</p><p>extroversão e o neuroticismo, foram traçados a partir dos sistemas de temperamento</p><p>descritos por Hipócrates e Galeno. Hipócrates, como já citado neste trabalho, descreveu</p><p>quatro humores: sangue, fleugma, bile negra e bile amarela; a maneira como esses</p><p>elementos se combinavam determinava a saúde e o caráter de um indivíduo.</p><p>Posteriormente, Immanuel Kant elaborou a descrição dos quatro tipos temperamentais,</p><p>organizando-os em termos de dois contrastes fundamentais: o melancólico possui</p><p>sentimentos fracos e o sangüíneo sentimentos fortes, assim como o fleumático possui</p><p>pouca atividade e o colérico intensa atividade. Wundt afirmou que os quatro tipos</p><p>possuíam um status alto ou baixo e duas dimensões de mutabilidade e força das emoções.</p><p>Esse sistema prediz o modelo bidimensional</p><p>de Eysenck, em que as emoções fortes versus</p><p>fracas de Wundt correspondem à dimensão neurótica versus estável de Eysenck; e o eixo</p><p>mutável versus imutável corresponde à dimensão extroversão versus introversão.</p><p>Figura 1 – Modelo da tipologia de Eysenck</p><p>Na concepção dos autores supracitados (2000) a contribuição principal do modelo</p><p>de Eysenck, vem de Carl G. Jung, que propôs um par de atitudes básicas, introversão e</p><p>extroversão, em que o introvertido está orientado para o mundo interno e o extrovertido</p><p>Instável</p><p>Estável</p><p>Introvertido</p><p>Passivo</p><p>Cuidadoso</p><p>Reflexivo</p><p>Pacífico</p><p>Controlado</p><p>Confiável</p><p>Tranquilo</p><p>Calmo</p><p>Extrovertido</p><p>Sociável</p><p>Expansivo</p><p>Conversador</p><p>Responsivo</p><p>Despreocupado</p><p>Animado</p><p>Descuidado</p><p>Líder</p><p>Ativo</p><p>Otimista</p><p>Impulsivo</p><p>Mutável</p><p>Excitável</p><p>Agressivo</p><p>Inquieto</p><p>Quieto</p><p>Insociável</p><p>Reservado</p><p>Pessimista</p><p>Sóbrio</p><p>Rígido</p><p>Ansioso</p><p>Rabujento Melindroso</p><p>Melancólico Colérico</p><p>Fleumático Sangüíneo</p><p>orientado para o mundo externo. Jung ainda inclui um contraste entre neuroticismo e</p><p>normalidade, correspondente ao espaço da personalidade bidimensional de Eysenck, em</p><p>que os eixos principais são introversão-estroversão e neuroticismo-estabilidade.. O</p><p>modelo bidimensional proposto por Eysenck, apresentado na figura 1, integra os modelos</p><p>descritos por Hipócrates, Galeno, Kant, Wundt e Jung.</p><p>Eysenck desenvolveu vários questionários de auto-relato para medir diferenças</p><p>individuais, nas dimensões neuroticismo e extroversão. O Eysenck Personality</p><p>Questionnaire – EPQ (1975), apresenta a descrição dos tipos extrovertidos e introvertidos e</p><p>também dos indivíduos com elevado grau de neuroticismo - N. O introvertido é quieto,</p><p>retraído, introspectivo, prefere os livros às pessoas. É reservado e distante; tende a planejar</p><p>antecipadamente e desconfia do impulso momentâneo. Prefere um modo de vida</p><p>organizado e tem seus sentimentos sob controle, não perdendo a calma facilmente. O</p><p>extrovertido é sociável, gosta de festas, possui muitos amigos e não gosta de ler ou estudar</p><p>sozinho. Gosta de excitação, geralmente confia nas pessoas e age no impulso, assumindo</p><p>os riscos. É otimista, gosta de rir e divertir-se, é despreocupado e por não manter seus</p><p>sentimentos sob controle, perde a calma facilmente. O indivíduo com elevado grau de</p><p>neurotocismo é ansioso, preocupado e deprime-se com freqüência. Sofre de transtornos</p><p>psicossomáticos, tende a dormir mal e reage exageradamente a todos os tipos de estímulos.</p><p>Sua característica principal é uma constante preocupação com coisas que poderiam dar</p><p>errado e reage a isto com uma intensa ansiedade. O indivíduo estável, ao contrário, tende a</p><p>ter respostas emocionais lentas. Para Eysenck, o comportamento observado corresponde a</p><p>uma interação entre características constitucionais e ambiente, oferecendo assim um</p><p>modelo biossocial da personalidade (HALL, LINDZEY E CAMPBELL, 2000).</p><p>Nunes (no prelo) coloca que Eysenck vê como uma das teorias tipológicas mais</p><p>modernas a Tipologia Junguiana, em que cada indivíduo possui os mecanismos de</p><p>introversão e extroversão, porém circunstâncias externas e disposições inatas favorecem</p><p>um mecanismo e restringem o outro. Se esta dominância torna-se crônica, então evidencia-</p><p>se um tipo. Eysenck define tipo como um conjunto de traços correlacionados que formam</p><p>uma constelação, formando o tipo, que é um construto de ordem maior.</p><p>4 - TIPOLOGIA E PROFISSÕES</p><p>“Um ser humano só cumpre seu mais nobre</p><p>dever quando tenta aperfeiçoar os dotes que a</p><p>natureza lhe deu.”</p><p>Herman Hesse</p><p>A escolha profissional é um momento de tomada de decisão que envolve vários</p><p>fatores, dentre eles as características individuais de quem escolhe. Portanto, nota-se a</p><p>importância do conhecimento dos aspectos da personalidade, dos interesses e aptidões de</p><p>cada indivíduo, assim como das habilidades que cada profissão requer, para o</p><p>desenvolvimento de sua vida profissional.</p><p>Primi et al (2002) apontam que é bastante antiga a idéia de que os diferentes</p><p>grupos profissionais possuem perfis de personalidades distintos. Citam que nas últimas</p><p>décadas, vários estudos têm se preocupado em descrever estes perfis, como por exemplo os</p><p>estudos de Thurstone (1934) na esfera das habilidades e a importante contribuição de</p><p>Cattel na esfera da personalidade. A literatura corrente mostra que pesquisas vêm sendo</p><p>desenvolvidas correlacionando personalidade, interesses profissionais e habilidades. Esses</p><p>construtos, combinados à uma interação ótima indivíduo-ambiente, podem sem dúvida</p><p>potencializar o desenvolvimento humano.</p><p>Alguns autores investigaram a interdependência entre interesses, habilidades e</p><p>características de personalidade. Neste capítulo serão apresentadas algumas teorias que</p><p>focaram as características individuais, especialmente o Tipo Psicológico, relacionando-as</p><p>às profissões escolhidas pelos indivíduos.</p><p>4.1 - O modelo hexagonal de Holland</p><p>Para Primi et al (2000) quando se trata das relações entre características de</p><p>personalidade e interesses profissionais, o modelo hexagonal de Holland é muito</p><p>importante, pois integra tipos e personalidade às áreas profissionais que possuem</p><p>atividades motivadoras para os diversos tipos. Neste modelo, a escolha profissional decorre</p><p>de características pessoais associadas aos traços de personalidade. O modelo propõe seis</p><p>tipos básicos:</p><p>- Tipo realista, voltado para realizações concretas e observáveis; prefere máquinas e</p><p>eventos a trabalhar com pessoas. Possui como valor principal as recompensas</p><p>financeiras.</p><p>- Tipo investigador, que é voltado à exploração intelectual. Introvertido e não sociável,</p><p>prefere o pensar ao agir. Possui como valores principais o conhecimento e a</p><p>aprendizagem.</p><p>- Tipo artístico, que é voltado às atividades artísticas, musicais e literárias. É emotivo e</p><p>prefere as atividades expressivas individuais. Valores principais: criatividade estética e</p><p>emoções.</p><p>- Tipo Social, voltado às atividades de ajuda e ensino, assim como de tratamento às</p><p>pessoas. Possui necessidade de atenção e tem como principal valor o bem-estar social.</p><p>- Tipo empreendedor, que prefere as atividades nas quais domina e lidera. Tem tendência</p><p>a ser oralmente agressivo e prefere as atividades menos complicadas, valorizando o</p><p>dinheiro e o status.</p><p>- Tipo Convencional, que prefere atividades estruturadas nas quais pode seguir ordens.</p><p>Evita situações confusas e possui como valor o dinheiro e o poder em ocupações</p><p>sociais.</p><p>Holland, Powell e Fritzsche (1994 citados por PRIMI et al, 2002) propõe que as</p><p>pessoas preferem mais as atividades em que a determinação depende de forças culturais e</p><p>pessoais. Essas tendências motivacionais levam as pessoas a preferirem a companhia de</p><p>outras pessoas com as mesmas características, no que se refere aos interesses e visão de</p><p>mundo. Escolhem, portanto, em sua carreira profissional, ambientes que são congruentes</p><p>com suas orientações pessoais. Bernardes (2002) enfatiza que cada tipo em seu conjunto de</p><p>atributos pessoais, seria um produto de interação entre hereditariedade e forças pessoais e</p><p>culturais, como classe social, os pais, o ambiente físico.</p><p>Holland (1978 citado por MINICUCCI, 1983) afirma que a escolha da profissão é</p><p>uma expressão da personalidade. As pessoas que escolhem uma determinada profissão</p><p>possuem personalidade e histórias semelhantes, no que se refere ao desenvolvimento</p><p>pessoal, satisfação e estabilidade. É preciso que haja congruência entre a personalidade e o</p><p>ambiente de trabalho para haver maior satisfação pessoal.</p><p>Primi et al (2002) em sua publicação Personalidade, Interesses e Habilidades: um</p><p>estudo correlacional da BPR-5, LIP e do 16PF, mostram que vários estudos vêm sendo</p><p>realizados procurando definir quais traços estão associados aos seis tipos de Holland.</p><p>Dentre eles citam as investigações de Gottfredson,</p>

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