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Item 01
	
	
	Três têm sido os aspectos fundamentais considerados nos debates sobre os caminhos da profissão do psicólogo no Brasil: onde a atuação profissional está sendo realizada; o que está sendo feito e com que objetivos; e para quem se dirige aquela intervenção, isto é, qual é seu público-alvo. A partir destes elementos, sabe-se que a literatura acerca da profissão de psicólogo no Brasil comumente classifica uma determinada atuação como tradicional, porque exercida nos espaços clássicos da profissão – a clínica, a escola e o trabalho (Bastos & Gomide, 2010; Bastos, Gondim, & Borges-Andrade, 2010; Botomé, 1979/2010; Yamamoto & Costa, 2010). É comum também que tal atuação classificada como tradicional seja caracterizada historicamente como um trabalho a serviço das elites.
 GONÇALVES, M. A.; PORTUGAL, F. T. Análise histórica da Psicologia Social Comunitária no Brasil. Psicologia e Sociedade, v. 28, n. 3, 2016. pp.562-571.
Considerando o estudo a respeito da Psicologia Social e a profissão do psicólogo no Brasil, analise as asserções a seguir e a relação entre as propostas:
I. A identificação da atuação profissional como serviço voltado e submetido primordialmente aos interesses das elites serviu para alimentar o argumento contrário, a saber: a psicologia não deve mais comprometer-se com as elites, mas voltar-se aos interesses das minorias populares. 
PORQUE
II. Esse caminho de atuação clínica na comunidade configura-se como uma alternativa de trabalho transformador em que os profissionais estejam mais comprometidos com as questões subjetivas dos sujeitos, na realidade na qual se inserem. 
a) As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa da I.
b) As asserções I e II são preposições verdadeiras, mas a II não é justificativa da I.
c) A asserção I é a proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa.
d) A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira.
e) As asserções I e II são proposições falsas.
	Item 02
	
	
	Ao tentar estabelecer o escopo do seu trabalho, o psicólogo comunitário se embaraça entre o que se define como clínica e todas as práticas que, mesmo sem saber exatamente em que consistem, se definem como “não clínicas”. Na tentativa de escapar das práticas tradicionais, caímos no limbo de tudo aquilo que, em tese, não são atuações clínicas. Todavia, estar no limbo e não saber exatamente o que se faz não nos parece ser um problema. É interessante notar que a proposta de novas formas de fazer psicologia seja construída pela negação de uma prática.
 GONÇALVES, M. A.; PORTUGAL, F. T. Análise histórica da Psicologia Social Comunitária no Brasil. Psicologia e Sociedade, v. 28, n. 3, 2016. pp.562-571.
Considerando o trabalho do psicólogo na comunidade, avalie as afirmativas a seguir:
I. A ideia do trabalho do psicólogo comunitário é torná-lo especialista, pois apenas assim estará munido de uma teoria consistente para intervir em contextos comunitários. 
II. A formação maciça em clínica prepara para uma relação transformadora entre o psicólogo/pesquisador e comunidade/intervenção, com isso refletem questões políticas, econômicas e sociais. 
III. Ao examinar o trabalho do psicólogo comunitário, convém verificar que, de fato, suas ações se distanciam disto que é apresentado como psicologia tradicional (em geral, indicado como psicologia clínica ou aquelas que se limitam à dimensão individual). 
É correto apenas o que se afirma em:
a) I e II
b) II e III
c) I, II e III
d) I e III
e) III, apenas
	Item 03
	
	
	Sabemos que, com a transformação das sociedades industriais, a comunidade aparece como inimiga do progresso e do desenvolvimento econômico, sempre em oposição à sociedade. Entendemos, também, as grandes provocações ao tentarmos uma reflexão sobre este conceito. Na atualidade, já avançamos, consideravelmente, nesta análise, ao desafiarmos a homogeneização, a estabilidade, a harmonia e a individualização dos laços sociais (Bauman, 2003; Sawaia, 1999; Zamora, 1999, 2004). Enfatizamos, todavia, a necessidade de compreensão da relevância cultural da ciência para a sociedade em múltiplos contextos e diferentes períodos históricos (Gavroglu, 2008). São bem conhecidas algumas das concepções clássicas de comunidade, referenciadas a Ferdinnand Tönnies (1955), Max Weber (1973) e Georg Simmel (1979), fundadores da sociologia alemã, os primeiros teóricos ocidentais a se debruçarem sobre o conceito de comunidade, sendo Tönnies visto como o "pai" deste conceito. Tönnies (1955) inicia, assim, o debate distinguindo a Gemeinschaft (comunidade) da Gesellschaft (sociedade).
OBERG, L. P. O conceito de comunidade: problematizações a partir da psicologia comunitária. Estudos e Pesquisas em Psicologia, v. 18, n. 2, 2018.
A partir do contexto apresentado, é correto afirmar que o conceito de comunidade indica: 
a) Uma associação que ocorre na linha do ser, apresenta uma participação profunda dos membros do grupo, e as relações primárias são colocadas em comum, como o próprio ser, a própria vida. 
b) Uma associação que ocorre na linha do haver, os membros do grupo colocam em comum algo que possuem, como o dinheiro, a capacidade técnica e os interesses racionais. Esta impõe o anonimato. 
c) Um lugar de conflito, indiferença, e da partilha de interesse entre os membros.
d) Um conceito que sempre esteve presente na Psicologia e demonstrava um papel de destaque na pesquisa e intervenção. 
e) Que os psicólogos visavam a inserção em ambientes mais elitizados e privilegiados, e apenas assim, uma grande parcela da população teria acesso a esse serviço na comunidade. 
	Item 04
	
	
	Ao se falar de conhecimentos e de práticas, tomando como referência as preocupações éticas no fazer psicossocial em comunidade, deve-se considerar duas dimensões interligadas: uma relativa às relações que se travam nessa dinâmica intervenção – investigação; e outra ligada a compreensão que temos da nossa prática e produção de conhecimento no campo das práticas psicossociais comunitárias,
Sobre o trabalho do psicólogo e a relação entre pesquisa e intervenção, é correto afirmar: 
FREITAS, M. F. Q. Desafios éticos na prática em comunidade: (des)encontros entre pesquisa e a intervenção. Pesquisas e Práticas Psicossociais, v. 10, n. 2, São João Del-Rei, 2015.
a) Entre o profissional/investigador e a comunidade se estabelece uma atuação clínica, onde a produção de conhecimento apresenta-se com um caráter mais quantitativo e orientado pela realidade subjetiva. Na intervenção psicossocial, os diferentes sujeitos e a realidade subjetiva são tomados como matriz de ação e problematização. 
b) O pesquisador/profissional é quem decide e delimita os conteúdos e as fronteiras do que deve ser feito e investigado na comunidade. A produção de conhecimento caracteriza-se por ser extensa e descritiva. Já a intervenção psicossocial privilegia os resultados e o produto da ação.
 c) A comunidade nunca pode determinar o foco das atividades, pois a produção de conhecimento caracteriza-se pela atividade do psicólogo comunitário, logo, apenas ele que decide o eixo da intervenção.
d) A intervenção psicossocial focaliza-se no apenas na experiência do sujeito e as questões históricas devem ser excluídas. 
e) A intervenção do psicólogo comunitário necessita de uma relação congruente entre a própria intervenção e a abordagem teórica que o profissional atua, apenas assim será autorizado para exercer uma psicologia comunitária. 
	Item 05
	
	
	O lugar e a tarefa da Psicologia Social Comunitária é dedicar-se à análise e proposição de redes de convivência comunitária na vida cotidiana das pessoas, grupos, movimentos populares e comunidades. O terreno do conflito situa-se na vida cotidiana e nas experiências das pessoas que, em muitas ocasiões, as compartilham ou as divulgam pouco, embora as vivam em grupo e na rede de relações. Detectar isso e o sentido – afetivo,intelectual, profissional e de projetos para ações – que isso tem para as pessoas permite que sejam identificadas as orientações para o agir na vida cotidiana, seja na perspectiva de um projeto individual ou de um coletivo, verificando o quão congruentes entre si e éticas estão as práticas implementadas e as metodologias de intervenção comunitária. 
FREITAS, M. F. Q. Desafios éticos na prática em comunidade: (des)encontros entre pesquisa e a intervenção. Pesquisas e Práticas Psicossociais, v. 10, n. 2, São João Del-Rei, 2015.
Avalie as asserções a seguir e a relação proposta entre elas:
I. A inserção do psicólogo na comunidade pressupõe a existência de uma relação estabelecida entre dois polos. 
PORQUE
II. De um lado está o profissional da psicologia com sua formação e conhecimentos adquiridos, do outro a comunidade com sua dinâmica e características próprias.
a) As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa da I.
b) As asserções I e II são preposições verdadeiras, mas a II não é justificativa da I.
c) A asserção I é a proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa.
d) A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira.
e) As asserções I e II são proposições falsas.
 
	Item 06
	
	
	As referências em Psicologia Social Comunitária costumam mostrar qual é o papel do psicólogo em atuações comunitárias. Vimos que essa definição envolve algumas contradições, pois ora é sua tarefa lidar com questões objetivas e concretas, ora é sua tarefa lidar com questões subjetivas, simbólicas. No entanto, os argumentos que defendem uma especificidade para o psicólogo que intervém em comunidades, em geral, vinculam tal especificidade a sua possibilidade de lidar com a dimensão simbólica, subjetiva, afetos, relações, emoções etc. O psicólogo possui um escopo específico de atuação que se atualiza também no contexto comunitário. Este argumento defende uma especificidade da Psicologia, mesmo quando inserida nas intervenções comunitárias. Ao mesmo tempo, essa ideia parece contradizer a defesa de um domínio específico para o psicólogo comunitário. 
GONÇALVES, M. A.; PORTUGAL, F. T. Análise histórica da Psicologia Social Comunitária no Brasil. Psicologia e Sociedade, v. 28, n. 3, 2016. pp.562-571.
A respeito das características do trabalho do psicólogo comunitário, avalie as afirmativas:
I. É orientado pelas necessidades e demandas coletivas da população que podem refletir na vida particular das pessoas.
II. Trata-se de um trabalho isolado, sem a presença de outros profissionais junto ao psicólogo.
III. Necessita de conhecimento contínuo sobre a dinâmica e a vida comunitária, devendo o profissional está aberto à possibilidade de mudança de estratégias e objetivos, uma vez que as alterações na comunidade podem vir a acontecer.
IV. A análise da comunidade realizada pelo profissional da psicologia precisa ser neutra, pois, desta forma contribuirá para o fazer psicossocial.
Está correto apenas o que se afirma em:
a) I, II e IV
b) II e III
c) III, apenas
d) I e III
e) II e IV
	Item 07
	
	
	O sociólogo Zymunt Bauman (2003) cita hipóteses que formam o “fundamento epistemológico" da experiência de comunidade, como uma história social e individual mais duradoura, mais segura e confiável do que o tempo de uma vida individual. Observa-se segundo este autor, o enfraquecimento da experiência de comunidade no capitalismo, constatando-se o afrouxamento sucessivo dos laços nacionais, regionais, comunitários, da vizinhança e de família. 
CAMPOS, R. H. E. F. (Org). relações comunitárias e relações de dominação. Psicologia social comunitária: da solidariedade à cidadania. Petrópolis: Vozes, 2001. 
Considerando o sociólogo citado acima, avalie as afirmativas a seguir:
I. Sabemos que o “viver em comunidade” se transforma com o advento da informação. Esse autor analisa que a comunidade entre os de dentro da comunidade e o mundo exterior se intensifica a partir deste momento e passa a ter mais peso que as trocas mútuas intensas. 
II. Na breve vida em comunidade, esta apresenta laços pouco duradouros, superficiais e com “vínculos sem consequências” e isso se torna claro na formação de comunidades instantâneas em torno dos líderes: estas encontram-se prontas para o consumo imediato e também são descartáveis depois de usadas. 
III. Neste mundo previsível e sólido, a certeza dos acontecimentos se torna palco de tranquilidade e confiança entre os membros da comunidade.
IV. Bauman, enfatiza a sociedade em rede, analisando as formações em comunidades virtuais, e assim ele faz um deslocamento do conceito de comunidade para o de rede como a forma central de organizar a interação. 
É correto apenas o que se afirma em:
a) I e II
b) II e IV
c) II, apenas
d) I, II e IV
e) IV, apenas
	Item 08
	
	
	Você já deve ter-se dado conta de que uma relação pode ser de mil tipos diferentes. A única coisa que ela, de fato, exige, é que haja vários elementos presentes. Relação nunca se predica de uma só entidade, pois ela sempre implica outros. É questão, agora, de examinar, para cada caso especifico, o tipo de relação existente e, consequentemente, ver de que tipo de grupo se trata. Essa não é, evidentemente, uma tarefa fácil. É necessária uma observação, muita argúcia, muita paciência. Muitas vezes as relações são mais latentes que manifestas. Mais disfarçadas que evidentes. O discurso, muitas vezes, é o contrário da prática. Usem-se, para a tarefa de se detectar as relações, todos os instrumentos de pesquisa que forem necessários: observação, entrevistas, pesquisa participante, questionários, enfim, todo tipo de teste que possa revelar a “vida social”, esta vida que se constrói nas e pelas relações: e se é “vida”, é sempre dinâmica, sempre em transformação. 
 CAMPOS, R. H. E. F. (Org). relações comunitárias e relações de dominação. Psicologia social comunitária: da solidariedade à cidadania. Petrópolis: Vozes, 2001. 
Sobre as relações comunitárias e de dominação, avalie as alternativas:
I. O conceito de dominação é definido como uma relação igualitária entre as pessoas, que através do grupo se enfatizam capacidades e habilidades. Por extensão, dominação é uma relação onde alguém se apropria de determinadas características para obter igualdade perante os outros. 
II. As diferentes formas de dominação se caracterizam pelos aspectos econômicos, políticos, culturais, institucionais, religiosos e profissionais. 
III. Relações comunitárias que constituem uma verdadeira comunidade são relações desiguais, que se dão entre pessoas que possuem diferentes direitos e deveres. 
É correto apenas o que se afirma em:
a) I e II
b) II, apenas
c) II e III
d) I, II e III
e) I, apenas

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