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SOI V
SÍNDROME DO MANGUITO ROTADOR
1. Revisar a morfo�siologia do ombro (com enfoque
nas articulações)
2. Sobre a síndrome do manguito rotador,
compreender: fatores de risco, etiopatogenia,
diagnóstico e tratamento
3. Conhecer a legislação sobre saúde ocupacional
-> Revisar a morfo�siologia do ombro
Podemos dividi-las em: ossos, músculos, tendões,
ligamentos, labrum, cartilagem, bursa e cápsula
articular.
Ossos: O ombro é uma articulação entre o úmero e a
glenoide, (art. glenoumeral) existindo outros ossos na
região que são fundamentais para a boa função do
ombro.São eles: Acrômio, clavícula e escápula.
Tendões: No ombro, os mais importantes são os
tendões do manguito rotador, o t. supraespinhal, t.
infraespinhal e t. redondo menor se inserem na
tuberosidade maior, enquanto o t. subescapular na
tuberosidade menor.
Labrum: Também conhecido como lábio glenoidal, é um
tecido que circunda a margem da glenóide, sendo útil
para aumentar a estabilidade do ombro. Age
basicamente de 3 maneiras: Aumenta a área da
glenoide; Cria uma pressão negativa intra-articular
conforme o úmero se distancia da glenoide; Possuem
mecanorreceptores que "avisam" os músculos que o
ombro está deslocando e estes se contraem mantendo
o ombro no lugar.
Cartilagem: É uma capa que recobre os ossos nas
articulações, é branca e sem irregularidades. No ombro
temos a cartilagem que recobre o úmero e a que
recobre a glenoide. O desgaste da cartilagem leva à
artrose.
Bursa: É um tecido que �ca ao redor dos tendões,
servindo para protegê-los, como um papel bolha. Na
presença de in�amação local por sobrecarga ou
trauma podem aumentar de tamanho, sendo
preenchidas por líquido. (Bursite)
Cápsula articular: Funciona como um saco que recobre
toda a articulação, isolando o espaço intra-articular do
extra articular. Com isso mantém o líquido sinovial
dentro da articulação, lubri�cando e nutrindo a
cartilagem.
Cinética do movimento
Os músculos são responsáveis pela nossa força
motora. O ombro apresenta diversos grupos
musculares.
● Manguito rotador: são 4 músculos que estão
bem próximos a articulação, são profundos e
agem principalmente na estabilidade do ombro
e nos movimentos rotacionais.
● M. Supraespinhal: importante na elevação do
membro
● M. Infraespinhal: importante na rotação
externa do membro
● M. Redondo menor: auxilia na rotação externa
do membro
● M. Subescapular: importante na rotação
interna do membro
Ainda que não participe do manguito rotador, a cabeça
longa do bíceps se localiza entre os músculos
subescapular e supra espinhal, dentro da goteira
bicipital. Sua função primária é a estabilização
anterior da cabeça do úmero, evitando a
anteriorização. Já a função secundária da cabeça longa
do bíceps é a depressão da cabeça do úmero, quando o
membro superior está em rotação externa. Por meio
desse mecanismo, ocorre o alívio da compressão entre
o tubérculo maior e a porção ântero inferior do
acrômio.
Biomecânica
A biomecânica do manguito rotador é complexa e
envolve a interação de diversos músculos e
articulações. A principal função dos músculos do
manguito rotador é criar uma força de compressão,
que mantém a cabeça do úmero centrada na cavidade
glenoide. Essa força de compressão é essencial para a
estabilidade da articulação do ombro, especialmente
durante movimentos de grande amplitude
Articulações
Articulação Glenoumeral:
● Tipo: Esferoide (bola e soquete).
● Movimentos: Flexão, extensão, abdução,
adução, rotação medial e lateral, além de
circundação.
● Estabilidade: A estabilidade passiva é fornecida
pelo labrum glenoidal, cápsula articular e
ligamentos glenoumerais, enquanto a
estabilidade ativa é primariamente mantida
pelos músculos do manguito rotador.
Articulação Acromioclavicular:
● Tipo: Sinovial plana.
● Função: Permite movimentos de deslizamento
que facilitam a elevação do braço acima da
cabeça.
● Lesões Comuns: Luxações e artrite
acromioclavicular.
Articulação Esternoclavicular:
● Tipo: Sinovial selar.
● Movimentos: Permite movimentos do ombro
como elevação, depressão, protração, retração
e rotação.
● Estabilidade: Fortemente estabilizada por
ligamentos e a presença do disco articular.
Articulação Escapulotorácica:
● Tipo: Não é uma verdadeira articulação
sinovial, mas uma interface
músculo-esquelética.
● Função: Permite movimentos de elevação,
depressão, protração, retração e rotação da
escápula.
● Importância: Essencial para a mecânica
escapuloumeral adequada, especialmente em
movimentos acima da cabeça.
->Fatores de Risco da síndrome do Manguito
Rotador
Fatores Biomecânicos e Físicos
● Atividades repetitivas acima da cabeça: Sejam
em esportes ou no trabalho, movimentos
repetidos que exigem elevação do braço
aumentam o risco de lesão.
● Desalinhamento postural: A postura incorreta,
como uma inclinação excessiva dos ombros
para frente, pode aumentar a pressão sobre o
manguito rotador.
● Ângulo crítico do ombro aumentado: Um
ângulo maior entre a fossa glenoide e o
acrômio indica maior carga sobre o manguito
rotador.
● Instabilidade articular: Fraqueza muscular e
hipermobilidade da articulação do ombro
podem predispor à lesão.
● Di�culdade de rotação interna: Limitação da
rotação interna do ombro pode aumentar o
estresse sobre o manguito rotador.
Fatores Intrínsecos
● Idade avançada: A degeneração natural dos
tecidos com o envelhecimento aumenta o
risco.
● Variantes anatômicas: Algumas pessoas
possuem características anatômicas que as
predispõem a lesões, como um espaço
subacromial mais estreito.
● Doenças sistêmicas: Condições como diabetes,
obesidade e hiperlipidemia podem aumentar o
risco de tendinopatia.
● Predisposição genética: Estudos sugerem que
a genética pode desempenhar um papel na
susceptibilidade à lesão.
Concomitância com outras condições
● Doença degenerativa da coluna cervical: A
presença de problemas na coluna cervical pode
aumentar o risco de tendinopatia do manguito
rotador, especialmente na região inferior
(C4-T1).
-> Etiopatogenia da síndrome do Manguito Rotador
O manguito rotador é formado por quatro músculos:
subescapular, supraespinal, infraespinal e redondo
menor. A patogênese das lesões do manguito rotador
é muito controversa. Trauma, atrito (degeneração),
hipovascularização e impacto subacromial são os
fatores citados com mais frequência. De maneira
didática, pode-se agrupar as lesões do manguito
rotador conforme o fator desencadeante: extrínseco –
impacto mecânico, defendido por Neer – ou intrínseco
– hipovascularização tendínea, defendida por Uhtho�.
Portanto, o consenso atual entre a maioria dos autores
é que a história natural da lesão degenerativa do
manguito rotador obedece a um padrão que inicia por
alterações de vascularização, evolui para lesão parcial,
geralmente intra-articular, e pode chegar à lesão
completa e total do supraespinal.
Teoria das lesões traumáticas: As lesões traumáticas
recebem atenção especial, embora a maioria dos
pacientes com ruptura completa do manguito não
tenha lembranças de qualquer trauma direto. O
manguito rotador envelhece biologicamente, e grande
parte das lesões ocorre após os 40 anos de vida do
indivíduo.
● O paciente refere que caiu sobre o membro
afetado, que sofreu uma luxação glenoumeral
traumática, que um estiramento abrupto
aconteceu enquanto realizava alguma
atividade com os membros elevados, entre
outras causas. É preciso estar atento aos
casos de ruptura do manguito rotador
associada a luxação glenoumeral traumática,
sobretudo em pacientes com idade superior a
40 anos.
Teoria da hipovascularização de Uhtho�: A anatomia
vascular do manguito rotador constitui um dos fatores
etiológicos do desenvolvimento das lesões nessa
estrutura.
● A hipovascularização da “área crítica de
Codman” é citada por muitos autores como o
ponto inicial da degeneração e da ruptura do
manguito.
● A “área crítica de Codman”, localizada
ligeiramente próxima à inserção do músculo
supraespinhal, é a zona em que a patologia
degenerativa do manguito se inicia.
Essa área é hipovascularizada já que ela se encontracontinuamente comprimida entre o acrômio e o
tubérculo maior. Sabe-se, também, que há mais
abundância de vasos sanguíneos na porção bursal
(superior) do que na articular (inferior).
Entre essas duas estruturas ósseas, situam-se três
elementos, que são comprimidos ou impactados: (1) o
manguito rotador (em particular, o supraespinal); (2)
a cabeça longa do bíceps; e (3) a bolsa subacromial.
A microestrutura da inserção do músculo supra
espinhal é composta por cinco camadas, dispostas de
cima para baixo: (1) porção super�cial do ligamento
coracoumeral; (2) corpo muscular (�bras paralelas);
(3) corpo muscular (�bras com menor orientação); (4)
tecido conjuntivo frouxo; e (5) cápsula articular.
Os tendões que formam o manguito rotador
(subescapular, supraespinal, infraespinal e redondo
menor) inserem-se em um continuum e são
submetidos à compressão (força de cisalhamento)
exercida pelas estruturas ósseas que estão acima
(acrômio) e abaixo (cabeça do úmero), transmitida
transversalmente ao longo das �bras musculares dos
tendões, sobretudo do supraespinal.
A “zona crítica de Codman”, descrita no início do
século passado sem auxílio da microscopia, resistiu ao
tempo e de�ne-se como “a área de inserção do
supraespinal com suprimento sanguíneo inadequado”,
em que o lado da bolsa possui vascularização escassa, e
o lado capsular, uma rica rede de microanastomoses.
A causa da degeneração do manguito rotador
permanece em discussão entre vários autores. A teoria
da degeneração intrínseca defendida por Uhtho� e
colaboradores sugere a ideia de que a musculatura do
manguito tende a degenerar-se com a idade.
Teoria da degeneração extrínseca de Charles Neer: A
teoria da degeneração extrínseca defendida por Neer
observa que o manguito rotador é comprimido pelo
arco coracoacromial e que essa seria a principal causa
da degeneração evolutiva de ruptura parcial para total,
sendo a superfície anteroinferior do acrômio e o
ligamento coracoacromial os principais responsáveis
pela compressão do manguito rotador, da bolsa
subacromial e da cabeça longa do bíceps.
● Demonstrou claramente a relação entre o
fenômeno de impacto e a degeneração do
manguito rotador. Segundo ele, a elevação do
membro superior ocorre, em geral, em �exão,
e não em abdução. O impacto se dá contra a
porção ântero inferior do acrômio, o
ligamento coracoacromial e a articulação
acromioclavicular. Conforme Gerber e
colaboradores, a ponta do processo coracoide
também pode colaborar com o impacto sobre o
músculo subescapular, fenômeno conhecido
como impacto do processo coracoide.
A posição em que o ombro realiza a maioria das
atividades é em �exão ou em elevação, e não em
abdução. Isso determina o fenômeno de impacto
(impingement) do tubérculo maior contra o arco
acromial. A zona de impacto está centrada na “área
crítica” do supraespinal e na cabeça longa do bíceps.
Charles Neer descreveu três estágios progressivos da
síndrome do impacto:
→ Fase I: Edema e hemorragia (in�amação)
reversíveis. Ocorrem, em geral, em pacientes
jovens, devido ao excesso do uso do membro
superior no esporte ou no trabalho. As lesões
por esforços repetitivos são incluídas nessa
fase. O tratamento adequado é o conservador.
O ideal é que sejam realizados o tratamento
da sintomatologia dolorosa e o posterior
reforço muscular (rotadores internos e
externos e cintura escapular), com o objetivo
de aliviar o fenômeno de impacto. O
afastamento da causa da lesão é o fator
essencial para evitar a recidiva.
→ Fase II: Fibrose e tendinite (ruptura parcial)
do manguito rotador. Ocorrem de maneira
crônica e intermitente, em indivíduos jovens
ou adultos. A acromioplastia tem indicação
nessa fase, aliviando os sintomas dolorosos.
Além disso, o tratamento artroscópico
permite avaliar e tratar lesões associadas do
cabo longo do bíceps e da articulação
acromioclavicular, outros locais que originam
dor. É considerada por alguns autores como
cirurgia “pro�lática”. A acromioplastia não
previne a ruptura do manguito, que pode
ocorrer anos mais tarde, já que a evolução
natural da doença ocorre ao longo do tempo.
→ Fase III: Ruptura completa do manguito com
alterações ósseas típicas ao raio X simples
(esclerose óssea, cistos subcondrais,
osteó�tos na porção anterior e na articulação
acromioclavicular e contato da cabeça do
úmero com o acrômio, nos casos de ruptura
maciça)
A lesão inicia, em geral, no tendão supraespinal, nas
porções articular e profunda, e progride da parte
profunda para a super�cial e de anterior para
posterior, atingindo o músculo infraespinal.
A capacidade de manter a estabilidade glenoumeral é
perdida, e ocorre a migração anterior e superior da
cabeça umeral. A partir desse momento, o tendão
longo do bíceps passa a exercer função estabilizadora
da cabeça umeral, tornando-se, aos poucos, espessado
e alargado. Com a progressão da lesão, o tendão do
subescapular é acometido, assim como o ligamento
transverso do úmero, causando luxação medial da
porção longa do bíceps maior instabilidade e
progredindo para degeneração articular, denominada
cu� tear arthropathy (artrose glenoumeral associada
à lesão irreparável do manguito).
Uma vez que ocorre a ruptura do tendão, este retrai e,
aos poucos, acontece a substituição das �bras
musculares por gordura (lipossubstituição ou
in�ltração gordurosa),
Quanto maior o grau de degeneração gordurosa do
tendão, pior o resultado esperado pós-reparação.
Diversos estudos demonstram que, uma vez que ocorre
a lipossubstituição e que o padrão anatômico das �bras
musculares se altera, o processo é irreversível,
mesmo após o reparo da lesão.
Resumo
A �siopatologia da tendinopatia do manguito rotador
envolve diferentes teorias entre fatores
biomecânicos (extrínsecos) e vasculares
(intrínsecos).
Mecanismo Intrínseco: Foca na lesão interna do
tendão devido à sobrecarga, degeneração, ou
microvascularização comprometida, criando uma
"zona crítica" de avascularidade. Isso é exacerbado
por atividades acima da cabeça, como em atletas,
onde a contração excêntrica impõe grande carga no
manguito rotador posterior. A idade e comorbidades,
como diabetes, também contribuem para a
degeneração do tendão.
Mecanismo Extrínseco: Enfatiza forças
compressivas de estruturas circundantes, como o
acrômio e ligamentos, que impactam o manguito
rotador. A instabilidade glenoumeral também pode
levar a compressões secundárias.
Além dessas teorias, novos modelos propõem uma
progressão da tendinopatia em três estágios:
resposta proliferativa, degeneração do tendão e
alteração irreversível, ou sugerem insultos
primários como superestimulação de tenócitos,
ruptura de colágeno e in�amação. A complexidade é
aumentada pela di�culdade de correlacionar
alterações estruturais do tendão com sintomas, já
que a gravidade da dor não corresponde
necessariamente ao grau de dano visto nas imagens.
Mecanismos Etiológicos
Degeneração Tendinosa: Com o envelhecimento, os
tendões do manguito rotador sofrem alterações
degenerativas, incluindo a desorganização das �bras
colágenas, diminuição da vascularização e acúmulo de
substâncias como muco e lipídios. Essas mudanças
tornam os tendões mais suscetíveis a lesões e
rupturas, especialmente em indivíduos acima de 40
anos.
Impingement (Síndrome do Impacto): O impingement
ocorre quando há compressão dos tendões do manguito
rotador entre a cabeça do úmero e o arco acromial
durante movimentos de elevação do braço. Essa
compressão pode ser causada por anomalias
anatômicas, como um acrômio tipo "ganchoso", ou pela
presença de osteó�tos no espaço subacromial.
In�amação: A in�amação dos tendões (tendinite) pode
ser desencadeada por microtraumas repetidos ou por
sobrecarga aguda. A resposta in�amatória resulta em
dor, edema e limitação funcional, contribuindo para a
deterioração adicional dos tendões.
Alterações Biomecânicas: Desequilíbrios musculares
entre os músculos estabilizadores do ombro podem
levar a uma mecânica articular inadequada,
aumentando o risco de lesões. A fraqueza dos
músculos do manguito rotador ou do músculo deltoide
pode resultarem uma distribuição desigual das forças
durante os movimentos do ombro.
Fatores Vasculares: A vascularização dos tendões do
manguito rotador é limitada, especialmente na região
do tendão supraespinhal, tornando-os mais vulneráveis
a isquemia e degeneração. A diminuição do �uxo
sanguíneo pode contribuir para a cicatrização
inadequada após lesões.
Comorbidades: Condições como diabetes me�itus e
doenças autoimunes podem afetar a saúde dos tendões,
exacerbando a degeneração e a in�amação. A presença
de comorbidades pode in�uenciar a resposta ao
tratamento e a recuperação funcional.
-> Sintomas principais
As manifestações clínicas de lesões no manguito
rotador incluem:
● Dor: A dor é proporcional à in�amação e
necrose muscular, não ao tamanho da ruptura.
Durante o dia, a gravidade ajuda a aliviar a dor,
mas à noite, sem o suporte, a dor aumenta. É
mais intensa em lesões parciais ou totais
pequenas, e menos em rupturas totais
maiores. A dor geralmente se localiza no
ombro, irradiando-se para a escápula ou
cotovelo, mas não além do cotovelo; dor
irradiada até a mão pode indicar patologia
cervical.
● Crepitação: Palpável ao redor do acrômio,
indica atrito entre partes moles in�amadas e
o osso, presente em estágios avançados da
lesão (fases II e III de Neer).
● Força muscular: Redução na força de abdução e
rotação externa em lesões totais. Em lesões
parciais ou pequenas, a força pode ser normal.
A atro�a dos músculos supra e infraespinhal
pode levar à pseudoparalisia, onde o paciente
não consegue elevar o braço.
● Contratura (capsulite adesiva): Ocorre em
cerca de 14% dos casos, resultante de
in�amação na cápsula articular e imobilidade
devido à dor.
● Tendinite ou ruptura da cabeça longa do
bíceps: Frequentemente associada ao impacto,
deve-se investigar possível ruptura do
manguito. A avaliação é feita pela palpação da
goteira bicipital e o teste de O’Brien, com a
artroscopia sendo útil para diagnóstico.
-> Diagnóstico
O diagnóstico de tendinopatia do manguito rotador é
tipicamente feito clinicamente com base em um
histórico de dor gradual e atraumática no ombro em
repouso que é piorada por atividades acima da cabeça,
como arremessar. A dor noturna está frequentemente
presente. Resultados positivos de manobras
provocativas, particularmente os testes de
Hawkins-Kennedy, Neer e Jobe (empty can test), são
altamente preditivos. A imagem nem sempre é
necessária, mas o ultrassom musculoesquelético pode
con�rmar o diagnóstico em muitos casos. O
diagnóstico de�nitivo envolve avaliação artroscópica ou
cirúrgica aberta, o que raramente é necessário
Outras manobras importantes e testes:
● Avaliação do Supraespinhal: Este músculo é
crucial para a abdução e estabilização do
ombro. A função inadequada pode resultar de
várias patologias, e testes especí�cos, como o
de força isométrica, arco doloroso ativo, teste
de braço caído, e teste da lata vazia, são
utilizados para avaliar a integridade do tendão.
No entanto, nenhum teste isolado é
totalmente con�ável para diagnóstico,
necessitando de uma abordagem abrangente.
● Avaliação do Infra Espinhal e Subescapular: O
infra espinhal é avaliado principalmente por
testes de rotação externa resistida e o "drop
sign". O subescapular é testado por manobras
como o teste de push-o� (Gerber lift-o�) e o
teste do abraço de urso. A baixa sensibilidade
dos testes para o subescapular sugere a
realização de múltiplos testes para melhorar
a precisão diagnóstica.
● Diagnóstico de Ruptura do Manguito Rotador:
Para determinar a presença de uma ruptura
signi�cativa do manguito rotador, são
recomendados três testes em combinação:
arco doloroso ativo, teste de queda de braço e
fraqueza na rotação externa. Se todos os três
forem positivos, a ruptura é provável; se
forem negativos, é improvável.
● Teste de Atraso Muscular: Este conceito é
utilizado em testes para avaliar a integridade
do manguito rotador, explorando a curva de
comprimento-tensão na geração de força
muscular. Embora promissores, mais estudos
são necessários para validar esses testes
como ferramentas diagnósticas con�áveis.
Exames de Imagem: As radiogra�as simples podem
revelar rupturas maiores do manguito rotador e
migração umeral em casos crônicos. A
ultrassonogra�a musculoesquelética (USM) é precisa
para avaliar lesões tendíneas, especialmente quando
realizada por operadores quali�cados. A ressonância
magnética (RM) é e�caz para diagnosticar rupturas
totais e parciais do manguito rotador, fornecendo
informações cruciais para o planejamento
pré-operatório. A artrogra�a por RM ou TC, embora
menos comum, pode ser útil em casos especí�cos.
Esses métodos de imagem são essenciais para a
avaliação precisa e o manejo adequado das lesões do
manguito rotador. O exame padrão ouro para o
diagnóstico da síndrome do manguito rotador é a
ressonância magnética (RM). Este método de imagem é
altamente sensível e especí�co para a avaliação das
estruturas do ombro, permitindo a visualização
detalhada dos tendões do manguito rotador, bem como
de outras estruturas adjacentes, como a bursa
subacromial e a articulação glenoumeral. Associar o
ultrassom é uma ótima maneira de fazer diagnósticos
das lesões.
Teste de xilocaína (teste de Neer): A injeção de 8 a 10
mL de xilocaína no espaço subacromial proporciona
alívio imediato da dor, negativando os testes
provocativos e o arco doloroso. Esse é o teste de
escolha para a lesão do manguito rotador e demonstra
a e�cácia pré-operatória da acromioplastia como
forma de tratamento
-> Tratamento
Está indicado para casos de in�amação da bursa
(bursite) e do tendão (fase I e início da fase II).
O tratamento da patologia subacromial deve iniciar
com a abordagem conservadora. Observa-se e
critica-se a atitude de cirurgiões afoitos que indicam
procedimento cirúrgico já na primeira consulta.
● Alívio da dor: Uso de anti-in�amatórios não
esteroides (AINEs), quando houver
funcionamento normal das funções hepática,
renal e cardíaca, e também de analgésicos,
substituição de atividades que utilizem o
membro superior acima de 90°, suspensão das
atividades repetitivas, uso de gelo (fase
aguda) e calor (após a fase aguda) e métodos
�sioterapêuticos de calor (ultrassom, laser,
ondas curtas, etc.) são indicados. A acupuntura
pode auxiliar no alívio imediato da dor, mas o
retorno do quadro álgico se dá tão logo seja
descontinuada, caso não seja acompanhada de
outros métodos de reequilíbrio muscular. A
in�ltração de corticoide e xilocaína no espaço
subacromial pode ser usada uma vez, em
média, se o quadro doloroso não diminuir em
10 dias de tratamento.
● Alongamento capsular: Sabe-se que a retração
capsular, mesmo em pequenas proporções,
produz aumento do impacto entre o tubérculo
maior e o acrômio anterior, pela alteração das
forças que elevam o membro superior. A
tendinite e a ruptura parcial do tendão podem
evoluir para capsulite com facilidade. Esse
quadro deve ser prontamente reconhecido e
tratado. O retorno da mobilidade passiva e
ativa completa, com elevação de 180°, rotação
externa de 90° e rotação interna ao nível de
T8, determina, per se, alívio dos sintomas
dolorosos. O programa de reabilitação
entregue ao paciente no consultório tem o
objetivo de demonstrar de forma simples os
principais exercícios que devem ser feitos
para obter bom alongamento capsular. No
entanto, nada substitui o trabalho do
reabilitador bem treinado. Cabe a esse
pro�ssional a responsabilidade pela boa
condução do programa �sioterapêutico.
● Reforço muscular: Exercícios isométricos e de
contra resistência de músculos que estão
localizados abaixo do centro de rotação da
articulação estão indicados após a obtenção de
articulação indolor e com mobilidade articular
completa. Esse grupo de músculos é formado
por rotadores internos e externos e pela
musculatura ao redor da escápula (serrátil
anterior, romboides, levantador da escápula e
grande dorsal). A biomecânica demonstra que
o reforço desses grupos musculares
possibilita que a cabeça do úmero se afaste
dinamicamente do acrômio, aliviando o
fenômeno de compressão. Um dosexercícios
mais importantes para tal objetivo é o popular
“serrote”, em que o paciente imita o ato de
serrar, com peso de 2 a 4 kg na mão. Esse
movimento faz com que a musculatura
escapular trabalhe com melhor tonicidade,
permitindo completa rotação da escápula no
momento da elevação do membro superior, o
que possibilita que o acrômio também se
incline, diminuindo a maior parte do impacto
com o tubérculo maior. O deltoide e todo o
manguito rotador devem, também, ser
reforçados. A cabeça longa do bíceps foi
considerada por muito tempo como
importante depressor da cabeça do úmero, a
ponto de preconizar-se o reforço muscular do
bíceps como forma de tratar a síndrome do
impacto. Hoje se sabe, graças a estudos
biomecânicos avançados, que a cabeça longa do
bíceps exerce considerável função de
estabilidade anterior da articulação
glenoumeral, sendo bastante modesta a sua
contribuição como depressora da cabeça do
úmero.
● Tratamento cirúrgico: acromioplastia é a
raspagem da ponta do acrômio, tornando um
acrômio curvo ou ganchoso em um acrômio
reto
Resumo
O tratamento das lesões do manguito rotador pode ser
classi�cado em conservador e cirúrgico, dependendo da
gravidade da lesão, dos sintomas do paciente e da
resposta ao tratamento inicial. A abordagem deve ser
individualizada, levando em consideração a idade do
paciente, nível de atividade, comorbidades e
expectativas funcionais.
Tratamento Conservador
Repouso e Modi�cação de Atividades:
- Evitar atividades que exacerbam a dor.
- Recomendar pausas em atividades repetitivas ou
sobrecarga do ombro.
Fisioterapia:
- Exercícios de Mobilização: Para manter a amplitude
de movimento (ADM) sem causar dor.
- Fortalecimento Muscular: Focar nos músculos do
manguito rotador e na musculatura escapular.
- Técnicas de Terapia Manual: Para melhorar a
mobilidade articular e reduzir a dor.
Medicação:
- Analgésicos: Paracetamol ou anti-in�amatórios não
esteroides (AINEs) como ibuprofeno ou naproxeno.
- Ibuprofeno: 400-600 mg a cada 6-8 horas,
conforme necessário.
- Naproxeno: 250-500 mg a cada 12 horas,
conforme necessário.
- Corticosteróides: Injeções intra-articulares podem
ser consideradas para alívio da dor e in�amação.
- Corticoide: Methylprednisolone 40 mg em uma única
injeção.
Uso de Órteses:
- Uso de imobilizadores ou faixas para limitar o
movimento do ombro durante a fase aguda.
Modalidades Físicas:
- Aplicação de calor ou frio para controle da dor e
redução da in�amação.
Tratamento Cirúrgico
Quando o tratamento conservador falha após um
período adequado (geralmente 3-6 meses), ou em casos
de lesões completas do manguito rotador, a cirurgia
pode ser indicada. As opções incluem:
Artroscopia do Ombro:
- Desbridamento: Remoção de tecido in�amado ou
degenerado.
- Reparo do Tendão: Reconexão do tendão lesionado ao
osso.
- Liberação Subacromial: Remoção de parte do
acrômio para aliviar a compressão sobre o manguito
rotador.
Reparo Aberto:
- Em casos de lesões extensas ou complexas, pode
ser necessária uma abordagem cirúrgica aberta.
Procedimentos Adicionais:
- Transferência de Tendão: Em lesões irreparáveis,
pode-se considerar a transferência de outros tendões
para restaurar a função.
- Próteses: Em casos avançados de artrite ou
degeneração severa, pode ser considerada a
artroplastia do ombro.
Reabilitação Pós-Cirúrgica
Após a cirurgia, um protocolo de reabilitação é
essencial:
- Imobilização Inicial: O uso de uma tipoia por algumas
semanas.
- Fisioterapia Progressiva: Começando com exercícios
passivos e progredindo para ativos conforme a
cicatrização avança.
- Retorno Gradual às Atividades: Baseado na
recuperação funcional e na avaliação clínica.
-> Leis do trabalhador
A Saúde do Trabalhador é o conjunto de atividades
do campo da saúde coletiva que se destina à
promoção e proteção da saúde dos trabalhadores,
assim como visa à recuperação e reabilitação da
saúde dos trabalhadores submetidos aos riscos e
agravos advindos das condições de trabalho. O
processo saúde-doença dos trabalhadores tem
relação direta com o seu trabalho; e não deve ser
reduzido a uma relação monocausal ou multicausal
presentes no ambiente de trabalho.
A Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990, que
“Dispõe sobre as condições para a promoção,
proteção e recuperação da saúde, a organização e o
funcionamento dos serviços correspondentes e dá
outras providências” – conhecida como Lei
Orgânica da Saúde –, inclui a saúde do trabalhador
no âmbito do SUS.
Além de de�nir saúde do trabalhador, como visto
anteriormente, estabelece sua abrangência:
Art. 6º Estão incluídas ainda no campo de atuação
do Sistema Único de Saúde (SUS):
c) de saúde do trabalhador; § 3º Entende-se por
saúde do trabalhador, para �ns desta lei, um
conjunto de atividades que se destina, através das
ações de vigilância epidemiológica e vigilância
sanitária, à promoção e proteção da saúde dos
trabalhadores, assim como visa à recuperação e
reabilitação da saúde dos trabalhadores
submetidos aos riscos e agravos advindos das
condições de trabalho, abrangendo:
I - Assistência ao trabalhador vítima de acidentes
de trabalho ou portador de doença pro�ssional e do
trabalho;
II - Participação, no âmbito de competência do
Sistema Único de Saúde (SUS), em estudos,
pesquisas, avaliação e controle dos riscos e
agravos potenciais à saúde existentes no processo
de trabalho;
III - participação, no âmbito de competência do
Sistema Único de Saúde (SUS), da normatização,
�scalização e controle das condições de produção,
extração, armazenamento, transporte,
distribuição e manuseio de substâncias, de
produtos, de máquinas e de equipamentos que
apresentam riscos à saúde do trabalhador;
IV - Avaliação do impacto que as tecnologias
provocam à saúde;
V - Informação ao trabalhador e à sua respectiva
entidade sindical e às empresas sobre os riscos de
acidentes de trabalho, doença pro�ssional e do
trabalho, bem como os resultados de �scalizações,
avaliações ambientais e exames de saúde, de
admissão, periódicos e de demissão, respeitados os
preceitos da ética pro�ssional;
VI - Participação na normatização, �scalização e
controle dos serviços de saúde do trabalhador nas
instituições e empresas públicas e privadas;
VII - Revisão periódica da listagem o�cial de
doenças originadas no processo de trabalho, tendo
na sua elaboração a colaboração das entidades
sindicais;
VIII - A garantia ao sindicato dos trabalhadores de
requerer ao órgão competente a interdição de
máquina, de setor de serviço ou de todo ambiente
de trabalho, quando houver exposição a risco
iminente para a vida ou saúde dos trabalhadores.

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