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O fígado é um órgão vital do sistema digestivo, responsável por diversas funções, como o metabolismo de carboidratos, lipídios, proteínas, hormônios e vitaminas; a desintoxicação e excreção de metabólitos e substâncias tóxicas; a digestão de gorduras; e a produção da maioria dos fatores de coagulação. Devido à sua grande capacidade de reserva, a insuficiência hepática só ocorre após a perda de 70 a 80% da sua massa funcional ocasionada por vários distúrbios que podem ser causadores de lesão de hepatócitos e colestase, incluindo hipoxia, doenças metabólicas, intoxicação, inflamação, neoplasia, traumatismo mecânico e obstrução de ducto biliar podendo ser extra-hepática ou intra-hepática. Nesta obra, exploraremos detalhadamente a explicação do sistema hepático abordando suas funções, doenças, assim como testes laboratorias por exemplo: para detecção de lesão de hepatócitos, testes para detecção de colestase e testes de função hepática com objetivo de maior compreensão e explicação do sistema. As funções do fígado incluem participação importante em diversas áreas como por exemplos nos metabolismos de carboidratos, lipídios, proteínas, hormônios e vitaminas, além de trabalhar na desintoxicação e na excreção de catabólitos e de outras substâncias tóxicas; na digestão e na produção da maioria dos fatores de coagulação. Pode-se observar que o fígado possui uma grande diversidade podendo ocasionar uma disfunção hepática em diversas anormalidades laboratoriais. Doença hepática A doença hepática é ocasionada por vários distúrbios que causam lesão de hepatócitos e colestase, incluindo hipoxia, doenças metabólicas, intoxicação, inflamação, neoplasia, traumatismo mecânico e obstrução de ducto biliar podendo ser extra-hepática ou intra-hepática. A doença hepática pode ocasionar em uma insuficiência hepática que é a insuficiência em depurar o sangue das substâncias normalmente excretadas pelo fígado e pela falha na síntese das substâncias normalmente produzidas pelo fígado. Os testes para diagnosticar essas doenças incluem mensuração da atividade sérica de enzimas que detectam lesão de hepatócitos, mensuração da atividade sérica de enzimas que detectam colestase e testes que avaliam a função hepática. Testes para detecção de lesão de hepatócitos Para os testes de detecção de lesões de hepatócitos é necessário a mensuração de algumas enzimas séricas como as: Alanina aminotransferase (ALT) que é uma enzima de extravasamento que se apresenta livre no citoplasma, principalmente em hepatócitos de cães e gatos. Ela pode ser utilizada para detectar lesões hepáticas nesses animais e para indicar lesão muscular. Em equinos e ruminantes, sua utilidade é limitada devido à baixa concentração hepática. O aumento da atividade sérica dessa enzima indica uma lesão celular liberando-a para a circulação. Pequenos aumentos da sua atividade não têm relevância, pois o grau da lesão hepática é responsável pelo aumento da atividade da ALT. Há lesões que permitem a passagem da enzima através da membrana sem perda de função celular; por exemplo, hipóxia decorrente de choque. Assim como há lesões, com perda total da função celular nos casos de necrose de hepatócitos, por exemplo, causada pela infecção do vírus da hepatite infecciosa canina. Entre os testes de função hepática é considerado o mais comum e o melhor para detecção da lesão hepática. Aspartato aminotransferase (AST) está presente em maior concentração nos hepatócitos e nas células musculares de todas as espécies por não ser uma enzima hepatoespecífica. Em cães pode-se verificar o aumento da atividade de AST como resultado de uma indução enzimática. Em equinos e ruminantes, sua atividade pode ser determinada como teste de detecção de rotina da lesão de hepatócitos. Sorbitol desidrogenase (SDH) | Iditol desidrogenase (ID) é uma enzima de extravasamento que é encontrada livre no citoplasma, encontra-se presente em alta concentração nos hepatócitos de cães, gatos, equinos e ruminantes, é uma enzima hepatoespecífica. A mensuração da atividade de SDH não é um teste superior ao da ALT na detecção de lesão de hepatócitos de cães e gatos, não sendo comumente utilizada nessas espécies, porém em equinos e ruminantes, a SDH é mais específica na detecção de lesão de hepatócitos do que a AST. Glutamato desidrogenase (GLDH) é uma enzima de extravasamento presente em maior concentração nas mitocôndrias dos hepatócitos, geralmente em região periportal. O aumento de atividade sérica dessa enzima é ótimo para a detecção de doença hepática em cães, já em equinos é boa, mas é menos qualificada em comparação com a GGT. Testes para detecção de colestase São utilizadas duas enzimas do soro sanguíneo para essa detecção, que são as: Fosfatase alcalina (ALP) é uma enzima sintetizada no fígado, nos osteoblastos, no epitélio intestinal e renal, e na placenta. Em cães, a meia-vida da FA intestinal, renal e placentária é de aproximadamente seis minutos; em gatos, é cerca de dois minutos. O aumento da produção e atividade sérica pode ser observado em casos de maior atividade osteoblástica, colestase, indução por drogas como corticoides e fenobarbital, e várias doenças crônicas, incluindo neoplasias. Gamaglutamilitransferase (GGT) é uma enzima de indução produzida por quase todos os tecidos corporais, possui maior concentração no pâncreas e nos rins. Possui a função de aumentar sua atividade sérica imediatamente após ocorrer uma lesão hepática aguda, possivelmente devido à liberação de fragmentos de membrana contendo GGT. Na colestase, há aumento na produção, liberação e consequente elevação da atividade da GGT. Em cães, esse aumento pode ser induzido pela administração de glicocorticoides. Testes de função hepática Esses exames possuem a capacidade de avaliar as concentrações sanguíneas de substâncias que são normalmente processadas pelo fígado e eliminadas pelo sistema biliar. Embora as alterações nesses níveis possam ser causadas por fatores externos, a detecção de anormalidades, juntamente com sinais de lesão hepática, pode indicar doença hepática ou insuficiência significativa. No entanto, em muitos casos, a biópsia hepática é necessária para um diagnóstico preciso. As substâncias afetadas pela eliminação do sistema biliar são: Bilirrubina é formada através de hemácias fagocitadas por macrófagos que são liberadas e transportadas para o fígado por uma proteína. O seu aumento pode ocorrer por vários fatores como doença hemolítica, insuficiência hepática e colestase. Quando o fígado é comprometido a bilirrubina se acumula no sangue ocasionando icterícia das mucosas. Ácidos biliares são produzidos no fígado e excretado pela bile, a avaliação dos níveis de ácidos biliares no sangue é mais sensível para a função hepática do que a bilirrubina, pois aumentará antes do aparecimento da icterícia. Amônia é transformada em ureia através do fígado, quando o fígado é acometido a amônia é acumulada no sangue ocasionando numa lesão no Sistema Nervoso Central, por ser totalmente tóxica ao tecido nervoso, além de indicar uma insuficiência hepática. Albumina é sintetizada pelo fígado, quando há uma redução dos níveis de albumina ocorre a hipoalbuminemia que só é observada quando há perda de 60 a 80% da função hepática. Globulinas, grande parte é sintetizada pelo fígado, com exceção das imunoglobulinas, que são sintetizadas nos tecidos linfoides. A insuficiência hepática pode resultar em menor síntese e, portanto, em menor concentração sérica dessas globulinas. Glicose que são convertidas em glicogênio pelo fígado, na insuficiência hepática, a glicemia pode ser baixa ou alta devido à diminuição da atividade da glicogenólise.A hiperglicemia pós-prandial prolongada pode ocorrer pela redução na absorção hepática de glicose. Ureia é produzida no fígado a partir de amônia, principalmente resultante do catabolismo de proteínas. A redução nos níveis de ureia geralmente coincide com aumentos na concentração de amônia no sangue. Colesterol o fígado é o principal órgão de síntese de colesterol, em algunstipos de insuficiência hepática pode ocorrer à diminuição no sangue Fatores de coagulação sintetizada pelo fígado, é um exame laboratorial para avaliar a via extrínseca da coagulação