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Título do Projeto: Implementação da Sala de Acolhimento e Classificação de Risco na Unidade de Saúde da Família (USF) Disciplina: PMSUS Extensão 3 Discentes: Irapuan Alencar, Lavínia Pimenta, Mariana Coelho e Murilo Pimenta. Docente da disciplina: Thaís Fraga INTRODUÇÃO A Estratégia de Saúde da Família (ESF) é a principal ferramenta de organização da Atenção Básica adotada no Sistema Único de Saúde (SUS), sendo responsável pelas ações de prevenção, promoção e assistência a usuários, família e comunidade. Nesse modelo, a atenção à saúde está associada à noção de vinculação, responsabilização, acesso, atenção integral, maior resolutividade e protagonismo na gestão do cuidado. O Ministério da Saúde tem preconizado o acolhimento como uma ferramenta para horizontalizar o acesso dos usuários na Atenção Básica à Saúde, definindo o fluxo do usuário dentro do sistema de saúde e a responsabilização integral de suas necessidades desde o primeiro contato com o serviço até a atenção resolutiva de seus problemas de saúde. Não apenas por meio das ações ofertadas pelos profissionais, mas também a partir da perspectiva da necessidade de saúde integral do usuário. O acolhimento é uma forma de organização do processo de trabalho da equipe de profissionais que tem centralidade no usuário, possuindo como base a escuta qualificada das necessidades de saúde. Nessa proposta, inverte-se a lógica de organização e funcionamento dos serviços, de forma a atender todas as pessoas que buscam atendimento, a partir da reorganização do processo de trabalho, incluindo a equipe multiprofissional e qualificando as relações entre usuários e profissionais a partir de princípios humanitários de solidariedade e de cidadania. Nesse sentido, é uma estratégia que acontece na relação entre o profissional e o usuário, sendo considerada uma tecnologia leve, pois está relacionada à escuta ativa, ao diálogo, à empatia, ao respeito, ao estabelecimento de relação de confiança e à visão integral do outro, que são fundamentais para a garantia da humanização e qualidade do atendimento. No campo da saúde, percebe-se tradicionalmente a fragmentação dos processos de trabalho e pouca integração das equipes de profissionais, sendo as relações profissionais-usuários, na maioria das vezes, enrijecidas e verticalizadas, e a figura do profissional de saúde é tida como detentora do conhecimento sobre o processo de saúde e adoecimento das comunidades. Corroborando com essa percepção, constataram que os serviços de saúde se estruturam para atender suas próprias necessidades e prioridades, sem preocupação com as necessidades dos usuários. A estratégia de implantação da sistemática do Acolhimento com Classificação de Risco possibilita abrir processos de reflexão e aprendizado institucional de modo a reestruturar as práticas assistenciais e construir novos sentidos e valores, avançando em ações humanizadas e compartilhadas, pois necessariamente é um trabalho coletivo e cooperativo. Possibilita a ampliação da resolutividade ao incorporar critérios de avaliação de riscos, que levam em conta toda a complexidade dos fenômenos saúde/ doença, o grau de sofrimento dos usuários e seus familiares, a priorização da atenção no tempo, diminuindo o número de mortes evitáveis, sequelas e internações. A Classificação de Risco deve ser um instrumento para melhor organizar o fluxo de pacientes que procuram as portas de entrada de urgência/emergência, gerando um atendimento resolutivo e humanizado. RESUMO: O Acolhimento com Classificação de Risco – ACCR - se mostra como um instrumento reorganizador dos processos de trabalho na tentativa de melhorar e consolidar o Sistema Único de Saúde. Vai estabelecer mudanças na forma e no resultado do atendimento do usuário do SUS. Será um instrumento de humanização. OBJETIVOS •Escuta qualificada do cidadão que procura os serviços de saúde da USF; •Classificar, mediante protocolo, as queixas dos usuários que demandam os serviços de urgência/emergência, visando identificar os que necessitam de atendimento médico mediato ou imediato; •Construir os fluxos de atendimento considerando todos os serviços da rede de assistência à saúde; •Funcionar como um instrumento de ordenação e orientação da assistência, sendo um sistema de regulação da demanda dos serviços de urgência/emergência. METODOLOGIA DO ACOLHIMENTO 1. Estruturação da Sala de Acolhimento: Adequação de um espaço físico na USF para criar a Sala de Acolhimento, com mobiliário confortável e ambiente acolhedor. 2. Capacitação da Equipe: Realização de treinamentos e capacitações para os profissionais de saúde da USF, abordando temas como comunicação empática, escuta ativa, acolhimento e orientações básicas de saúde. 3. Divulgação e Sensibilização: Divulgação interna e externa sobre a implementação da Sala de Acolhimento, visando sensibilizar os profissionais de saúde e os usuários sobre a importância desse espaço. 4. Monitoramento e Avaliação: Estabelecimento de indicadores para monitorar o uso e a efetividade da Sala de Acolhimento, realizando avaliações periódicas para identificar pontos de melhoria e ajustes necessários. COMUNICAÇÃO EMPÁTICA X ESCUTA ATIVA X ACOLHIMENTO 1. Comunicação Empática: É a habilidade de se comunicar de forma a compreender e responder aos sentimentos e necessidades do interlocutor. Isso envolve demonstrar empatia, reconhecendo e validando as emoções da outra pessoa, mesmo que você não concorde com elas. 2. Escuta Ativa: Significa ouvir atentamente o que a outra pessoa está dizendo, prestando total atenção às palavras, sentimentos e linguagem corporal dela. Envolve fazer perguntas reflexivas, demonstrar interesse genuíno e fornecer feedback para confirmar o entendimento. 3. Acolhimento: Refere-se a criar um ambiente de segurança e confiança para que as pessoas se sintam confortáveis para expressar seus sentimentos e preocupações. Isso inclui demonstrar compaixão, oferecer apoio emocional e validar as experiências individuais de cada pessoa. EQUIPE Equipe multiprofissional: enfermeiro, auxiliar de enfermagem, serviço social, equipe médica, profissionais da portaria/recepção e estagiários. PROCESSO DE CLASSIFICAÇÃO DE RISCO É a identificação dos pacientes que necessitam de intervenção médica e de cuidados de enfermagem, de acordo com o potencial de risco, agravos à saúde ou grau de sofrimento, usando um processo de escuta qualificada e tomada de decisão baseada em protocolo e aliada à capacidade de julgamento crítico e experiência do enfermeiro. A - Usuário procura o serviço de saúde. B - É acolhido pelos funcionários da portaria/recepção ou estagiários e encaminhado para confecção da ficha de atendimento. C - Logo após é encaminhado ao setor de Classificação de Risco, onde é acolhido pelo auxiliar de enfermagem e enfermeiro que, utilizando informações da escuta qualificada e da tomada de dados vitais, se baseia no protocolo e classifica o usuário. CRITÉRIOS DE CLASSIFICAÇÃO 1- Apresentação usual da doença; 2- Sinais de alerta (choque, palidez cutânea, febre alta, desmaio ou perda da consciência, desorientação, tipo de dor, etc.); 3- Situação – queixa principal; 4- Pontos importantes na avaliação inicial: sinais vitais – Sat. de O2 – escala de dor - escala de Glasgow – doenças preexistentes – idade – dificuldade de comunicação (droga, álcool, retardo mental, etc.); 5- Reavaliar constantemente poderá mudar a classificação. NOTA IMPORTANTE! NÃO É UM INSTRUMENTO DE DIAGNÓSTICO DE DOENÇA. HIERARQUIZA CONFORME A GRAVIDADE DO PACIENTE. DETERMINA PRIORIDADE DE ATENDIMENTO. NÃO PRESSUPÕE EXCLUSÃO E SIM ESTRATIFICAÇÃO. AVALIAÇÃO O PACIENTE (Dados coletados em ficha de atendimento) • Queixa principal • Início – evolução – tempo de doença • Estado físico do paciente • Escala de dor e de Glasgow • Classificação de gravidade • Medicações em uso, doenças preexistentes, alergias e vícios • Dados vitais: pressão arterial, temperatura, saturação de O2 DIFERENÇA DA SALA DE ACOLHIMENTO E TRIAGEM Triagem é uma separação, escolha, seleção, ou seja, um funcionário da unidadeouve a queixa do paciente e seleciona para qual profissional da unidade ele irá encaminhá-lo enquanto que acolhimento é a humanização dos serviços de saúde. Acolher é dar acolhida, admitir, aceitar, dar ouvidos, dar crédito a, agasalhar, receber, atender, admitir. O acolhimento como ato ou efeito de acolher expressa, em suas várias definições, uma ação de aproximação, um “estar com” e um “estar perto de”, ou seja, uma atitude de inclusão. O acolhimento no campo da saúde deve ser entendido, ao mesmo tempo, como diretriz ética/estética/política constitutiva dos modos de se produzir saúde e ferramenta tecnológica de intervenção na qualificação de escuta, construção de vínculo, garantia do acesso com responsabilização e resolutividade nos serviços. O acolhimento é um modo de operar os processos de trabalho em saúde, de forma a atender a todos que procuram os serviços de saúde, ouvindo seus pedidos e assumindo no serviço uma postura capaz de acolher, escutar e dar respostas mais adequadas aos usuários. Ou seja, requer prestar um atendimento com resolutividade e responsabilização, orientando, quando for o caso, o paciente e a família em relação a outros serviços de saúde, para a continuidade da assistência, e estabelecendo articulações com esses serviços, para garantir a eficácia desses encaminhamentos. Elaborado por: