Prévia do material em texto
DIREITO CONSTITUCIONAL I PROFESSOR: FÁBIO BARBOSA CHAVES/UNICATÓLICA AULA 01 1 UNIDADE CURRICULAR: - DIREITO CONSTITUCIONAL I; - HERMENÊUTICA CONSTITUCIONAL E DIREITOS FUNDAMENTAIS; - MARCOS TEÓRICOS E FILOSÓFICOS DO ESTADO E DA CONSTITUIÇÃO 2 TEMA TEMA 1 - Ciência política: relação com as demais ciências sociais e principais correntes 3 OBJETIVOS - Apresentar a Ciência Política, conceitualmente. - Relacionar a Ciência Política com as demais ciências sociais, especialmente a Teoria do Estado e o Direito. - Apresentar as principais correntes sobre a ciência política. 4 PALAVRAS-CHAVE ESTADO. CIÊNCIA. POLÍTICA. FORMAÇÃO. CONTRATUALISMO. 5 TEXTO-BASE 5. 1 Conceito de Política Política é um substantivo que deriva do adjetivo politikós, advindo do grego, e que se refere ao ambiente urbano polis. Ou seja, corresponde ao que é urbano, produzido a partir de um convívio social ou público. Por esta razão, mesmo que seja trate da atual compreensão do que seja Política, não há como negar a permanente ligação com o significado teorizado por Aristóteles em sua obra Política. A dimensão aristotélica de Política pauta-se em uma simbiose entre o homem e a polis. DIREITO CONSTITUCIONAL I PROFESSOR: FÁBIO BARBOSA CHAVES/UNICATÓLICA O conceito de política e poder, considerando os aspectos publicistas, encontra fundamento nesta concepção grega, já que a polis compreendia a organização social e estatal, da qual necessariamente o homem deveria estar incluído, como elemento indissociável. Por esta razão, a afirmação do filósofo grego de o homem é essencialmente um ser político. Destaca-se a concepção de Política como sendo a atividade através da qual toma-se decisões a partir de meios públicos, contrastando com outras ações efetivadas a partir de decisões motivadas por crenças e critérios pessoais (Deutsch, 1979). A política é o substantivo que representa a ação do encontro, muitas vezes do diferente (pensamento, ponto de vista, interesse, conceção, ideologia, etc.), em prol da vida em sociedade. Em um ambiente público, não há como deixar de relacionar- se com o Poder, pré requisito para concretização de ações necessárias para a permanência de determinada dinâmica social. Sendo assim, é atividade indispensável para a permanência da ordem social. O que não elimina a sua efetivação no âmbito das relações privadas, onde perpassam várias ações que igualmente refletem na harmonia social, mesmo que indiretamente. 5.2 A política como objeto filosófico e como objeto de ciência Como delimitado no tópico anterior, a Política compreende uma ação eminentemente Humana, e por isso demanda ação constante e inserida no meio onde se encontra. Por esta razão, importante entendê-la a partir da concepção de outras ramos de interesse, como a Teoria do Estado, pela Filosofia Política e pela Ciência Política. A teoria do Estado oferece abordagem sobre o poder, a política e o Estado, dentro do campo positivista, a partir de conceitos pré-estabelecidos sobre democracia, estado de direito, elementos de de poder, representatividade, e outros elementos caracterizadores da estrutura estatal. Grande parte das definições são extraídas do texto constitucional de determinado Estado, o que aproxima a Teoria do Estado ao Direito Constitucional. Sobre a Política a partir de sua concepção filosófica, nos dizeres de BITTAR (2016), deve ser abordada a partir de dimensões capazes de dinamizar os respectivos resultados, impedindo uma única significação. Inicialmente, tem-se a filosofia política como busca de critérios claros, traduzidos em ações, que legitimem as condutas do Estado como representação de Poder. Em uma segunda concepção, abordando o sujeito Político, como sendo aquele que pratica os atos dotado de características inconfundíveis que a tornam autônoma das dependências de outras práticas, como as morais ou religiosas, ou de outras ciências. DIREITO CONSTITUCIONAL I PROFESSOR: FÁBIO BARBOSA CHAVES/UNICATÓLICA Em uma terceira concepção, a filosofia política como ciências políticas, tendo método pré-definido, responsável pela análise e discussão da linguagem e os argumentos específicos daqueles que se envolvem em um ambiente político. Enquanto a ciência oferece a segurança (atendendo critérios empíricos), a filosofia encarrega de desestabilizar. Determinados conceitos tidos como certos e irrefutáveis para a ciência, sob o prisma filosóficos são contestados, ou simplesmente relativizados diante de possibilidades não previstas no campo empírico, mas almejadas a partir de considerações na maioria das vezes abstratas. A melhor concepção de Política não deve partir da divisão ou da dicotomia (ou até mesmo tricotomia quando se inclui a teoria de estado), mas a comutação dos diversos aspectos e possibilidades oferecidas por cada campo abordagem. Portanto, a Política pode ser concebida a partir da ciência e da filosofia, abordadas sob a dimensão do dado, da experiência e da vivência, assim como da consideração de elementos subjetivos da natureza humana, da sua relação com o ambiente e das possibilidades variantes que a dinâmica social oferece. A técnica científica corrobora para a robustez dos argumentos, enquanto que a abstração da filosofia potencializa a capacidade transformadora, diante da sua capacidade constante de refundar o sentido e a experiência sobre o mundo em que se vive em determinado momento. 5.3 Objeto da Ciência Política A ciência política se ocupa do estudo da ação política como teoria científica e filosófica, como explanado no item anterior. Desta forma, tem-se na teoria política o objeto da disciplina de Ciência Política. Desde os ensinamentos dos filósofos pré-socráticos, seguido por Aristóteles, grandes teóricos se ocuparam de construir teorias políticas contextualizadas às realidades, considerando referências próprias e apontamentos específicos que aproximaram a Ciência Política aos objetos específicos do saber e experiência humana. Nicolau Maquiavel, ao escrever sua obra mais conhecida, O Príncipe, descreveu o Político como ser autônomo dotado de vontade unidirecionada às relações de poder e a sua posterior manutenção, para as quais dependem ações e estratégias meticulosamente planejadas, sempre em função e para o Poder. Pode-se denominar fator preponderante para a construção do realismo político, origem para a formação da disciplina conhecida como Ciência Política. Karl Marx (1818-1883), igualmente contribuiu para a formação conteudista da Ciência Política, atribuindo o viés DIREITO CONSTITUCIONAL I PROFESSOR: FÁBIO BARBOSA CHAVES/UNICATÓLICA econômico para explicação das alterações que influenciaram na cultura e na política. Para este autor, qualquer abordagem que se faça acerca da Política, independente do contexto ou época, é insuficiente e até mesmo superficial, se não integrar no seu campo argumentativo os determinantes histórico-econômicos. Desta forma, só é possível entender as mudanças políticas se puder estar relacionada com o modelo de distribuição do produto econômico que integra(ou) as relações sociais. (DIAS, 2013) Abordagem mais contextualizada e próxima da teoria política alinhada a praxis moderna, tem-se a teoria exposta por Duverger (Duverger, 1962, p. 10): Há diferentes concepções sobre o objeto de estudo da ciência política. Entre as grandes posições-limite há alguns que defendem que a ciência política é a “ciência do poder”, enquanto para outros é a “ciência do Estado”, havendo diversas posições intermediárias. O que há de comum entre todas as definições de ciência política é a concordância de que o estudo do poder é a questão central da disciplina. [...] Só a definição ampla da Ciência política pode ser aceita: é a ciência do poder sob toda as suas formas. Outras formas de poder são comuns a outrascria ainda os atos jurisdicionais, a que logo faz corresponder a inerente função (judicial) (CUNHA, 2018, p. 182). Independente do que pressupõe os teóricos, há a percepção de que a identificação de finalidades e das funções que integrariam o Poder, haverá que se ter funções voltadas à administração, à construção de normas e aos meios de solução de conflitos percebidos à partir da execução das regras. 5.1.2 Teorias de Kesen e Merkel Ainda na esteira da construção de uma teoria que compreenda a estrutura de Poder de um Estado, os dois autores, representantes da escola de Viena, indicam DIREITO CONSTITUCIONAL I PROFESSOR: FÁBIO BARBOSA CHAVES/UNICATÓLICA 02 (duas) funções, ambas de natureza jurídica: a função de criação e a função de execução do direito. Atenta ao fenómeno, e desprezando um inatingível número, cuidando do real, e não do ideal, limita esta corrente as funções do Estado a duas funções jurídicas, num procedimento a que não será alheia a paradoxal tentação pan- juridista da metáfora do rei Midas que seduzira Kelsen, e está explicitamente presente na Teoria Pura do Direito. Assim, nada sendo alheio ao Direito (mas também porque, como no oiro de Midas, este é oiro artificial, alquímico – e esperemos que não apenas lixo de Énio), assinala-se a função de criação e a função de execução do Direito (CUNHA, 2018, p. 182). Ainda acompanhando a doutrina de Paulo Ferreira da Cunha, os representantes da Escola de Viena, posteriormente, acabam por reconhecer uma certa incompletude, e finalizam por agregar uma terceira função, definida como administrativa, formando, se aproximando com a estrutura aristotélica, posteriormente sedimentada por Montesquieu. 5.1.3 Teoria de Marcello Caetano Fiel à lição de Paulo Ferreira da Cunha, apontamos a Teoria de Marcello Caetano o estabelecimento de uma teoria capaz de apresentar a estrutura de Poder de um Estado a partir de uma estrutura teórica mais unificada. Diante da já tradicional tripartição, apresentada sob contextos e estruturas próprias desde Aristóteles, a defesa de uma ideia integralizada de Poder apresenta- se como, no mínimo, inovadora, merecendo o devido destaque. Ocorre que este autor não só se dispôs a estabelecer a ideia de uma estrutura de poder integrada, mas conferiu à função jurídica influência não tão incomensurável, como pretende Kelsen, mantendo parcela ao campo definido como não-jurídico. Porque é, então, “integral” a teoria de Marcello Caetano? Por duas ordens de razões. Primeiro, porque pretende abarcar a unidade totalizante do Estado na nossa época, quer na sua veste jurídica, quer quando despido de Direito. É, pois, uma visão que supera o âmbito da ciência jurídica para se posicionar (também) na ciência política ou na sociologia política. [...]. Em segundo lugar, pensamos que a aludida integralidade deriva de uma fusão de teorias. Na última formulação da sua doutrina, Kelsen admite funções não jurídicas – tal é a posição que o irá perder. Procurou distanciar-se excessivamente do lugar de fiel seguidor da teoria tripartida e dos poderes tradicionais e, como é tão habitual nas querelas jurídicas (CUNHA, 2018, p. 182). A inserção de um espaço de poder eminentemente político representa mais do que um rompimento à tripartição, mas um reconhecimento de que a composição dos atos praticados em nome do Estado não se resume ao elemento jurídico, como pregou Kelsen, mas reconhece que a política, como expressão dos elementos DIREITO CONSTITUCIONAL I PROFESSOR: FÁBIO BARBOSA CHAVES/UNICATÓLICA sociológicos e culturais, e que representa os predomínios de determinado contexto, permeiam, quando no mínimo, o elemento condizente com os atos de execução. 5.2 Formas de Exercício do Poder do Estado Há que se estabelecer neste momento, dentro de uma ordem sequencial, a constatação de uma formação de poder eminentemente no âmbito social, ou seja, aquele que emerge de forma gradual e até mesmo natural dentro de uma organização comunitária. O Poder Social decorre da formação do próprio contexto social, inicialmente amparado na força da legitimidade outorgada, intrínseca ou explícita, pela comunidade, já viabiliza a construção de uma estrutura de poder, através da qual possibilita o direcionamento e os desígnios que serão responsáveis pelo transcurso dos destinos a serem trilhados. O Poder Político surge à posteriori, como um reconhecimento da necessidade de institucionalização do Poder Social originalmente construído. Desta forma, o seu reconhecimento passa a ser dependente de elementos objetivos, previamente estabelecidos, e que devem ser aferidos pela própria comunidade, direta ou indiretamente. Assim leciona José Brito Filomeno: Poder social é aquele que se observa em qualquer tipo de sociedade, como seu elemento constitutivo formal, e derivado de espírito gregário e da affectio societatis do homem. [...] Poder político aparece com a institucionalização do poder social e com a criação do Estado, que é sociedade política por excelência (FILOMENO, 2019, p. 163) O exercício do Poder, por esta razão, depende do momento evolutivo que se encontra a organização social. O alcance da organização política, que, como mencionado, representa a fase em que o Poder se encontra institucionalizado, exige a delimitação de como este mesmo Poder deverá ser efetivado, passando a exigir a especialização de atribuições. O Estado, como organização social-política, devidamente institucionalizado, deve ser compreendido como um todo, quando se pode apurar os objetivos comuns e primevos, depreendidos a partir da compreensão dos anseios que permeiam os fundamentos da respectiva sociedade. Ocorre que, por menor que seja a estrutura territorial e populacional de determinado Estado, o alcance da fase de Poder institucionalizado, já impõe um grau de complexidade que exige a leitura do Poder do Estado a partir das especificidades relacionadas à cada função. DIREITO CONSTITUCIONAL I PROFESSOR: FÁBIO BARBOSA CHAVES/UNICATÓLICA Trata-se da fase de alocação de funções específicas, definidas pela estrutura de Poder institucionalizada, vistas, em primeiro momento, de forma distintas, mas, que na realidade, foram a engrenagem para o funcionamento da máquina estatal. Da mesma forma, pode-se parecer se tratarem de funções com direcionamentos próprios, mas que representam, no seu conjunto, as partes necessárias para o atendimento dos fundamentos e objetivos comuns eleitos ainda pelo Poder Social. 5.3 As Funções do Estado O Poder do Estado institucionalizado carece de especificações, consequência da complexidade das atribuições direcionadas para a concretização dos objetivos primevos da organização social. Neste desiderato, na estrutura estatal encontra-se partes dotadas de Poder, direcionadas a partir de competências próprias. A estrutura de Poder do Estado, dividida em estruturas de Poder parcial, só se torna possível a partir da direção de Funções próprias para cada uma. Para isso, define-se inicialmente os objetivos para cada estrutura, e com isso, define-se funções gerais e específicas para unidade parcial de Poder. A definição das funções do Estado está alinhada à estrutura de Poder. Desta razão, valemos dos itens anteriores. Não obstante as teorias já explanadas, nos atemos à construção teórica montesquiana, em face do seu predomínio clássico e as adaptações efetuadas ao longo da formação dos Estados modernos. Na lição de Alexandre Sanches Cunha, as funções do Estado se dividem a partir da juridicidade como parâmetro. F u n ç ão jur i ́dica – esta se divide em: a) F u n ç ão legislativa, que consiste precipuamente em criar leis. b) F u n ç ão executiva, que consiste em assegurar o cumprimento das leis. II) F u n ç ões não juri ́dicas, que, por sua vez, dividem- se em: a) F u n ç ão política: destina-se à conservaç ão dasociedade política e à def ini ç ão e prossecuç ão dos interesses gerais da comunidade. b) F un ç ões técnicas: destinam-se à produ ç ão de bens ou à presta ç ão de serv i ç os destinados à sat i sf a ç ão de necessidades coletivas de c a r á ter material ou cultural (CUNHA, 2012, p. 51). Importante notar que o mencionado autor estabelece a divisão de funções a partir da concepção do festejado autor português Marcello Caetano, rompendo com tradicionalismo da escola austríaca, liderada por Kelsen, para DIREITO CONSTITUCIONAL I PROFESSOR: FÁBIO BARBOSA CHAVES/UNICATÓLICA reconhecer que há sim na estrutura do Estado espaço suficiente para ser ocupada por elementos não jurídicos, especialmente no tocante à atividade política. Mas Alexandre Cunha ainda destaca que, dentre a função não jurídica do Estado, tem-se, além da política, as funções técnicas, que podem ser entendidas como sendo as que se destinam mais diretamente ao atendimento dos interesses da comunidade, por meio de ações concretas voltadas às necessidades individuais e coletivas. Porém, deve ser igualmente destacada a divisão jurisdicista entre as funções do Estado, lembrado pelo autor como sendo aquelas voltadas às atividades de criação legislativa e à aquela destinada à garantia do cumprimento deste mesmo regramento. Independente da escola austríaca Kelsinana, bem como a teoria construído pelo Luso professor Marcello Caetano, reconhecendo ou não a juridicidade de todas as funções do Estado, é incontroverso que o Poder do Estado deve ser distribuído dentro dentre setores deste mesmo Poder a partir das especificações de suas funções. A divisão de poderes é característica principal de um Estado, com funções e atribuições devidamente estabelecidas, de forma a garantir o livre cumprimento de suas competências, de forma harmônica e sempre voltado ao cumprimento da vontade do todo. A divisão de poderes, por meio das funções do Estado, não se estabelece por meio de uma relação vertical-hierarquizada, mas de forma horizontal, sem a predominância de qualquer deles, mas baseado no completo equilíbrio, com mecanismos de relação recíproca construídos sempre com a premissa da harmonia. Merece destaque a lição de Reinaldo Dias: Se não existe equi li ́brio teó rico e prá tico entre os órgãos que constituem o Estado, ou se algum prevalece em termos de atribui ç ões no exerci ́cio objetivo do poder do Estado, en t a ̃o não existe Estado de direito (DIAS, 2013, p. 142). Iniciemos com a Função Legislativa do Estado, responsável pela construção do sistema normativo do Estado, e que será responsável tanto pela estruturação do ente estatal, sujeito de direitos e obrigações coletivas e individuais, como pelo estabelecimento de regras capazes de regulamentar as todas as relações públicas e privadas que se efetivarem dentro do seu território, neste caso, caracterizado como jurisdição. DIREITO CONSTITUCIONAL I PROFESSOR: FÁBIO BARBOSA CHAVES/UNICATÓLICA Há a relação entre a função legislativa e a legitimidade para exercício do Poder. Nas sociedades modernas, pautadas pelo regime democrático, esta legitimidade é dirigida à própria comunidade organizada por meio do Estado. Nestas estruturas, qual seja, de Estados demoráticos, a função de legislar é outorgada ao titular absoluto do Poder: o povo. Daí incorre a análise do elemento legitimador para o exercício da função legislativa. A construção normativa do Estado democrático poderá advir diretamente do titular do poder, o Povo; mas também poderá ser construído por terceiros, por meio de instrumentos de legitimação. A representação popular nos Estados democráticos é princípio fundante, e dela decorre o exercício da função legislativa de forma indireta. A construção da estrutura fundamental do Estado decorre desta função, da mesma forma absolutamente todas as relações jurídicas estabelecidas entre particulares e entre estes e o próprio Estado. Dentro da premissa representativa, partindo de uma estrutura de Poder pautada na legitimidade democrática, além da função legislativa, outorgada ao parlamento, deve-se incluir a função fiscalizatória. Disse se tratar uma premissa democrática, porque só assim tem-se a certeza de que as atribuições designadas ao parlamento são aquelas que poderiam ser exercidas pelo próprio titular do Poder do Estado, o povo. Desta feita, se cabe àquele que representa o titular a responsabilidade pela criação de todas as regras dirigentes do Estado e das relações jurídicas estabelecidas sob sua jurisdição, igualmente incorpora a contingência de fiscalizar todos que, em nome do próprio Estado, assim pautam as suas ações. No parlamento todos os agentes, independente do Poder estatal, que atuam em nome do Estado possuem a obrigação de se justificarem no tocante aos atos praticados em nome do ente, sempre quando demandados, seja pela legislação, seja pelo próprio parlamento. A consolidação do regramento normativo construído por meio do exercício da Função Legislativa se dá a partir da sua concretude, garantida por instrumentos igualmente estabelecidos na estrutura normativa. Nas relações jurídicas estabelecidas dentro da estrutura do Estado, ou entre o Estado e a coletividade ou individualidade, convivem direitos e obrigações de forma sinalagmática. DIREITO CONSTITUCIONAL I PROFESSOR: FÁBIO BARBOSA CHAVES/UNICATÓLICA A concretização das obrigações dirigidas ao Estado pelo conjunto normativo estabelecido pela função legislativa é de responsabilidade da Função Executiva. A organização do Estado como estrutura destinada ao cumprimento de suas obrigações coletivas e individuais é de responsabilidade da Função Executiva. As ações de políticas públicas devem ser concretizadas pelo Estado, em conformidade com a regra pré-imposta. Sendo assim, a máquina de efetivação destas obrigações deve ter organização suficiente para conseguir o cumprimento das premissas primevas, mediatas e imediatas do Estado. Para tanto, há necessidade de estrutura material suficiente para o alcance destes fins. A função executiva envolve a utilização de instrumentos patrimoniais, financeiros, humanos, entre outros, para o alcance dos seus desideratos. Administrar este conjunto estrutural, voltado à consecução dos seus fins, integra a Função Executiva, que não pode ser resumida ao cumprimento ou execução das leis. Há o envolvimento de outros critérios no cumprimento de cada ato que integra esta função. O elemento político-discricionário é marca indissolúvel da estrutura do ato administrativo efetivado pela função executiva. Como já destacado, considerando mais uma vez os elementos titularidade e legitimidade, todos os atos praticados no exercício da função executiva se submetem fiscalização, direta e indireta, exercida pela função legislativa. No início deste tópico, bem como em tópicos anteriores, foi sempre destacado que a estrutura de Poder dentro de um Estado acompanha o grau de especificidades e complexidade que se estabelece a partir da institucionalização da respectiva relação social. Pois bem, da mesma forma que esta complexidade passa a exigir a institucionalização e, com isso, a criação de uma estrutura política-jurídica, com a construção de regras responsáveis pela organização do Estado e pela regulamentação das relações jurídicas sob sua jurisdição, carece desta mesma estrutura de Poder estabelecer funções destinadas à solução de conflitos individuais, coletivos e estatais. As regras construídas pela função legislativa são imposições direcionadas à todos que sob a estrutura do Estado optaram por se colocar, inclusive às próprias estruturas do Estado. Nas relações jurídicas tais regras são os meios a serem utilizados para obtenção dos objetivos recíprocos. Ocorre que invariavelmente, DIREITO CONSTITUCIONAL I PROFESSOR: FÁBIO BARBOSA CHAVES/UNICATÓLICAa partir destas relações, extraem-se conflitos de todas as ordens, já que os interesses nem sempre se convergem. A instituição de Funções direcionados à soluções de conflitos a partir destas relações jurídicas, é pressuposto para o funcionamento da engrenagem estatal. O Poder do Estado também deve ser exercido por meio de funções jurisdicionais, ou seja, aquelas direcionadas à solução dos conflitos à partir da aplicação da estrutura normativa vigente. Tem-se a Função Jurisdicional, como mais um elemento estruturante para a consolidação do Poder do Estado, e com isso, viabilizar o funcionamento de não só de sua estrutura fundamente, mas de toda a sua estrutura social. 6 SAIBA MAIS .Você sabia? Que o sistema de freios e contrapesos, responsável pelo equilíbrio entre os Poderes, mesmo cada um sendo autônomo e independente, não se encontram expressamente previstos na Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Na realidade, a carta constitucional brasileira atualmente em vigência estabelece através de vários dispositivos espalhados em seu texto regras específicas aplicadas para cada Poder, de forma a limitar ou condicionar o exercício de suas funções à participação de outro Poder. Ex. A necessária sanção presidencial para a vigência de uma Lei; a nomeação de um Ministro de Tribunal Superior pelo Presidente da República; a competência do Senado Federal para julgar o Presidente da República pela prática do crime de responsabilidade. 7 FINALIZANDO A estrutura de Poder decorre da construção de uma estrutura social. A partir do momento que se estabelece uma organização social, vontades, anseios e desejos são extraídos da própria organização, definindo as justificativas para a sua construção, e os meios necessários para o seu alcance. DIREITO CONSTITUCIONAL I PROFESSOR: FÁBIO BARBOSA CHAVES/UNICATÓLICA Desta forma, tendo objetivos e motes previamente estabelecidos, por meio da legitimidade e representatividade são criadas estruturas de Poder. Inicia-se por meio de um Poder social, e a partir da sua institucionalização, se transforma em Poder Político. À institucionalização do Poder precede a fase de reconhecimento da complexidade das relações que integram a organização social, o que acaba por exigir a definição de funções diversas direcionadas às estruturas sedimentadas. A divisão das funções segue o direcionamento de atribuições diversas, mas complementares, seguindo expertises e regras específicas. Entre as funções do Estado, como integrantes da mesma estrutura de Poder, se encontram funções jurídicas e não jurídicas, aquelas vinculadas à construção de regras e ao cumprimento das mesmas, enquanto que nestas se insere elementos políticos e sociológicos, como balizadores para consecução dos seus fins. Na estrutura de Poder do Estado, tem-se 03 (três) funções: a função legislativa (regulamentadora e fiscalizadora); a função executiva (responsável pelo cumprimento dos objetivos do Estado); a função jurisdicional (responsável por solucionar conflitos decorrentes das relações jurídicas individuais e coletivas). 8 DÚVIDAS FREQUENTES A estrutura de Poder do Estado pode se estabelecer a partir da premissa da concentração? ou necessariamente deve ser formada pelo equilíbrio e a horizontalidade? - Sob a perspectiva do Estado moderno, estruturado em uma estrutura democrática, não se concebe a estrutura que não seja horizontalidade. Mas no próprio Estado brasileiro, por meio de sua primeira constituição, foi montado uma estrutura de Poder pautado no predomínio da função executiva sob as demais. Tal montagem se deu por meio da previsão do Poder moderador. Como pode-se garantir que, ao mesmo tempo, tenha-se a independência e autonomia dos Poderes, e a harmonia e o equilíbrio entre os mesmos? - Cada poder conta com atribuições típicas, o que significa que são exercidas com exclusividade por cada um. Ocorre que não há poder absoluto, e por esta razão, a estrutura normativa DIREITO CONSTITUCIONAL I PROFESSOR: FÁBIO BARBOSA CHAVES/UNICATÓLICA irá prever mecanismos de intervenção ou limitação por meio de atribuições direcionadas aos outros poderes. Trata-se do sistema de freios e contrapesos. 09 QUESTÕES DE SISTEMATIZAÇÃO DA APRENDIZAGEM Questão 1. O que é legitimidade? R.: Legitimidade é a qualidade daquilo que é legítimo, isto é, que é considerado justo e admitido pela legislação. Questão 02: Poder legal é sempre poder legítimo? R.: Não. O poder legal ‑ isto é, instituído por uma lei ‑ somente será legítimo quando for exercido em prol do povo, isto é, visando ao bem comum, de forma consentida Questão 03: Qual a justificativa da existência e da titularidade da soberania do Estado segundo as teorias teocráticas? R.: Segundo as teorias teocráticas, que prevaleceram no final da Idade Média, todo poder tem origem divina, e que Deus concede esse poder ao monarca, Questão 04: Qual a justificativa da existência e da titularidade da soberania do Estado segundo as teorias democráticas? R.: Segundo as teorias democráticas, que surgiram a partir do século XVII, todo poder tem origem no povo, representado pelo Estado, que o exerce em seu nome. Questão 05: Quais as fases de desenvolvimento das teorias democráticas da soberania? R.: Distinguem‑se três fases no desenvolvimento das teorias democráticas da soberania: a) na primeira, o povo, independentemente do Estado, é considerado o titular da soberania; b) na segunda fase, consolidada na época da Revolução Francesa e que vem até a metade do século XIX, a titularidade da soberania é atribuída ao povo, integrado a uma ordem social e jurídica; c) na terceira fase, que se DIREITO CONSTITUCIONAL I PROFESSOR: FÁBIO BARBOSA CHAVES/UNICATÓLICA consolida a partir da segunda metade do século XX, a teoria passa a considerar que o titular da soberania é o Estado, pessoa jurídica interna de Direito Público Questão 06: Qual o mais notável defensor da visão do poder jurídico do Estado? R.: O mais notável defensor da visão do poder jurídico do Estado é Hans Kelsen, para quem o fator jurídico é preponderante não apenas na forma de exercício do poder estatal, mas também nos outros elementos constitutivos essenciais do Estado, que são, além do poder (aqui entendido como autoridade), também o povo e o território. Questão 07: Qual a crítica mais freqüente à concepção kelseniana do poder estatal, como dotado de caráter exclusivamente jurídico? R.: Kelsen postula a existência de uma norma fundamental (Grundnorm) hipotética, cuja juridicidade pode somente ser suposta, mas não provada, por não ter sido criada por ninguém. Dessa norma jurídica fundamental, derivaria toda a ordem jurídica, inclusive o poder coativo do Estado. No entanto, como é necessário referir‑se sempre a uma ordem jurídica anterior, ao se chegar à norma fundamental, não se poderá afirmar que esta já é dotada de autoridade coativa. Daí a crítica feita à teoria: como a norma fundamental não foi estabelecida por ninguém, nem seu caráter exclusivamente jurídico pode ser dado como certo, nem o poder de coação que traz consigo, não poderá servir como base para afirmar que o poder do Estado é exclusivamente jurídico. Questão 08: Como os filósofos do Direito contemporâneos e posteriores a Kelsen explicam a natureza híbrida do poder estatal, isto é, seu caráter político e jurídico? R.: Para os filósofos contemporâneos e posteriores a Kelsen, não haveria poder que não fosse jurídico, embora tenha sempre um pano de fundo político. Deve ser entendido que o poder se apresenta segundo graus de juridicidade, isto é, o direito evolui desde um estado potencial até um estado positivo 10 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS CUNHA, A. Sanches. Coleção saberes do direito ; v. 62 - Teoria geral do Estado, 1ª Edição.Editora Saraiva, 2012 DIREITO CONSTITUCIONAL I PROFESSOR: FÁBIO BARBOSA CHAVES/UNICATÓLICA CUNHA, Paulo F. Teoria geral do Estado e ciência política. Editora Saraiva, 2018. . DIAS, REINALDO. Ciência Política, 2ª edição. Grupo GEN, 2013. FILOMENO, José Brito G. Teoria Geral do Estado e da Constituição. Grupo GEN, 2019. GAMBA, Gorini, João R. Teoria Geral do Estado e Ciência Política. Grupo GEN, 2019. MALUF, Sahid. Teoria Geral do Estado. Editora Saraiva, 2018. TAVARES, A n d r é Ramos. Curso de direito constitucional. São Paulo: Saraiva, 2010 DIREITO CONSTITUCIONAL I PROFESSOR: FÁBIO BARBOSA CHAVES/UNICATÓLICA AULA 05 1 UNIDADE CURRICULAR: - DIREITO CONSTITUCIONAL I; - HERMENÊUTICA CONSTITUCIONAL E DIREITOS FUNDAMENTAIS; - MARCOS TEÓRICOS E FILOSÓFICOS DO ESTADO E DA CONSTITUIÇÃO 2 TEMA TEMA 5 - Elementos da Constituição 3 OBJETIVOS - Demonstrar os elementos orgânicos, limitativos, ideológicos, de estabilidade e formais da Constituição 4 PALAVRAS-CHAVE CONSTITUIÇÃO. ELEMENTOS. FORMA. CONTEÚDO. 5 TEXTO-BASE 5.1 O DIREITO COMO ELEMENTO FORMADOR DA CONSTITUIÇÃO 5.1.1 O Direito Natural São características do Direito Natural: - emanar da própria natureza; - ser independente da vontade do homem; - ser anterior e superior ao Estado; - segundo os antigo romanos, ser de natureza divina Exemplos: Liberdade (direito de ir e vir); livre expressão, vida; igualdade 5.1.2 Direito Positivo É o conjunto de condições para o desenvolvimento do indivíduo e da sociedade, vinculado à vontade humana, e dependente das condições e garantias concedidas pelos Poderes do Estado. DIREITO CONSTITUCIONAL I PROFESSOR: FÁBIO BARBOSA CHAVES/UNICATÓLICA Tem como características: - o Direito escrito; - consubstanciado em atos normativos editados pelo Estado: Leis, Decretos, Regulamentos, Decisões judiciais, Tratados internacionais, etc. Na lição de Afonso Melo Franco, o direito positivo e o direito constitucional forma a seguinte concepção: Nos Estados democráticos, Direito Constitucional positivo é o conjunto de leis, regras, convenções e costumes que regulam a forma do Estado, o regime de governo e os direitos públicos individuais, bem como as suas garantias. Esta simples enunciação do território do Direito Constitucional demonstra que, nos países de Constituição escrita, êle não se confunde com o direito da Constituição, e, embora abranja a êste no seu todo, é muito mais amplo (FRANCO, 2018, p. 25). O direito positivo, segundo a doutrina mais tradicional, ainda refletida na estrutura acadêmica da maioria dos cursos de direito do Brasil, se divide em 02 (dois) grandes áreas: a) O Direito Público • É aquele que regula o Direito do Estado. • O sujeito de Direito Público é o Estado. • O Direito provém do Estado. Exemplo: Direito Constitucional, Direito Administrativo, Direito Penal, Direito Tributário b) O Direito Privado • É aquele que diz respeito aos interesses particulares; • O sujeito do Direito Privado é a pessoa; • Essa pessoa pode ser física ou jurídica. Exemplo: Direito Civil, Direito Empresarial, Direito do Trabalho ➤A POSIÇÃO DO DIREITO CONSTITUCIONAL NO QUADRO GERAL DO DIREITO: • O Direito Constitucional é um ramo do Direito Público • O Direito Constitucional pode se apresentar como direito constitucional geral e direito constitucional especial DIREITO CONSTITUCIONAL GERAL • É a Teoria Geral do Estado. • Apresenta a estrutura teórica da disciplina. DIREITO CONSTITUCIONAL I PROFESSOR: FÁBIO BARBOSA CHAVES/UNICATÓLICA 5.2 AS CONSTITUIÇÕES: CLASSIFICAÇÃO a) Quanto a sua origem: Assim estabelece Alexandre de Moraes em sua classificação: São promulgadas, também denominadas democráticas ou populares, as Constituições que derivam do trabalho de uma Assembleia Nacional Constituinte composta de representantes do povo, eleitos com a finalidade de sua elaboração (exemplo: Constituições brasileiras de 1891, 1934, 1946 e 1988) e constituições outorgadas as elaboradas e estabelecidas sem a participação popular, através de imposição do poder da época (exemplo: Constituições brasileiras de 1824, 1937, 1967 e EC nº 01/1969) (MORAES, 2019, p. 19) a.1) Constituição Democrata / Popular / Promulgadas • Requisitos: - são feitas por representantes do povo; - estes representantes são eleitos para o fim específico de elaborar uma Constituição (Assembleia Constituinte) a.2) Constituições Outorgadas ou Impostas • Requisitos: - processos revolucionários, ditatoriais b) Quanto ao modo de elaboração: Segundo a delimitação feita por Marcelo Novelino, “Este critério leva em conta o modo de surgimento da Constituição” (NOVELINO, 2014, p. 90) b.1) Constituição Dogmática: - Fruto de dogmas e ideias formadas e dominantes em certa época ou em um determinado momento da história. - Ela se forma de uma só vez, por isso será sempre Escrita. b.2) Constituição Costumeira: DIREITO CONSTITUCIONAL I PROFESSOR: FÁBIO BARBOSA CHAVES/UNICATÓLICA - Trata-se daquelas constituições que se formam lentamente ao longo do tempo. - Fruto de um conjunto de costumes, sedimentado ao longo do tempo, que vão fazendo parte da Constituição. Ex. Constituição Inglesa. c) Quanto a Estabilidade: Quanto ao grau de dificuldade de alteração da Constituição, não comparando com outras constituições, mas com o próprio processo legislativo do País que prevê para alteração do texto constitucional. c.1) Constituições Rígidas: - Maior estabilidade ou grau de dificuldade maior para sua alteração, quando comparado ao processo legislativo ordinário e o procedimento para alteração de seu texto. Para caracterização desta modalidade classificatória, deve-se empreender um esforço comparativo entre dois processos legislativos (alteração de um texto legal): o processo de alteração e criação de uma Lei; e o processo de alteração do texto constitucional que se encontra em vigência. Ex. maiores prazos, maiores quoruns, debates, etc. A Constituição da República Federativa do Brasil, promulgada em 1988, prevê regra específica para sua alteração. Deve-se alcançar o quórum mínimo de aprovação de ⅗ do total membros do parlamento; enquanto que para alteração de uma Lei ordinária, exige-se o quórum mínimo de aprovação de maioria relativa (a maioria dos presentes na sessão). c.2) Constituições Flexíveis: Refere-se aquelas onde a maneira de alteração da Constituição e a mesma daquela utilizada para se alterar uma Lei Ordinária. Ex. Constituição Inglesa. O parlamentar possui poder permanente. Neste modelo constitucional, não existe poder constitucional reformador. Da mesma forma que inexiste supremacia formal da Constituição frente às normas infraconstitucionais. Por consequência, deixa de existir o controle de constitucionalidade 5.2 PODER CONSTITUINTE DIREITO CONSTITUCIONAL I PROFESSOR: FÁBIO BARBOSA CHAVES/UNICATÓLICA Importante iniciar este tópico, atento sempre lúcida lição do Professor Pedro Lenza, O poder constituinte originário (também denominado inicial, inaugural, genuíno ou de 1.o grau) é aquele que instaura uma nova ordem jurídica, rompendo por completo com a ordem jurídica precedente. O objetivo fundamental do poder constituinte originário, portanto, é criar um novo Estado, diverso do que vigorava em decorrência da manifestação do poder constituinte precedente (LENZA, 2019, p. 207) 5.2.1 Legitimidade e Titularidade • Legitimidade: Trata-se de requisito de aferição acerca da validade de quem toma a iniciativa e efetivamente atua na elaboração, aprovação e alteração da Constituição. A legitimidade pode ser direta ou indireta. No regime democrático, a legitimidade se concretiza quando se verifica que o representante do povo (titular),é aquele que exerce a atividade constituinte. • Titularidade: Para se aferir o cumprimento do requisito “legitimidade”, deve-se antepor a análise de titularidade. Não basta saber se o legislador constituinte é legítimo, necessário, de antemão, identificar a titularidade do Poder. Somente o titular do poder pode ser representado. E para ser representado, deverá haver a outorga. A outorga do Poder, nos regimes democráticos, se efetiva por meio do voto. 5.2.2 Exercício do Poder Constituinte Trata-se do que se faz no intuito direto de elaboração da Constituição, definindo o seu procedimento, seu conteúdo e sua vigência. Necessário os legisladores dotados de legitimidade, no ato da sua elaboração ou posterior alteração, compreender quais são os seus efeitos perante a comunidade onde se faz cogente. Uma coisa é ser o titular Poder necessário para sua criação/alteração, outra é o exercício deste mesmo Poder. A titularidade pode ser usurpadora. Se a titularidade corresponder ao exercício, há legitimidade; se isso não ocorrer, há a ilegitimidade. DIREITO CONSTITUCIONAL I PROFESSOR: FÁBIO BARBOSA CHAVES/UNICATÓLICA O Poder Constituinte está acima da Constituição, e não é retirado de uma norma pré- existente, mas de um Poder Jurídico. Para a doutrina positivista, o Poder Constituinte é um Poder Jurídico, pois retira sua força de um fator ou vontade social, que implica na construção de uma norma jurídica. Para os jusnaturalistas, o poder constituinte seria um poder de direito, abaixo do direito natural. Prevalece a compreensão do Poder Constituinte à partir da corrente positivista, ou seja, se trata de um poder de fato ou político, e que resulta na construção da norma jurídica. 5.2.3 Espécies a) Poder Constituinte Originário Trata-se do Poder Constituinte necessário para a elaboração de uma NOVA Constituição. Por esta razão, não se encontra vinculado a nenhum sistema político, econômico ou social existente, pois a implementação de uma nova constituição impõe a plena liberdade quanto à escolha do modelo de Estado que se irá configurar após a sua vigência. Suas características são: - Inicial - Autônomo - Incondicionado - Ilimitado A análise destas 04 (quatro) características leva à concluir que se trata de um Poder de fato e de direito. Representa não necessariamente o rompimento com uma estrutura jurídica, mas a liberdade de decisão. Se decidir manter ou apenas reestruturar o modelo de Estado vigente quando da Constituição revogada; ou, se preferir, romper completamente, e estabelecer novos paradigmas e modelos constitucionais para o Estado e para o indivíduo. Se trata de um Poder Inicial, já que antes dele não se admite a vigência de outro texto constitucional. Não há sistema constitucional com vigência prévia, sendo que a legislação infraconstitucional já estabelecida antes da nova Constituição poderá ou DIREITO CONSTITUCIONAL I PROFESSOR: FÁBIO BARBOSA CHAVES/UNICATÓLICA não ser recepcionada, à medida que se verifique a respectiva compatibilidade com as novas regras e diretrizes constitucionais. Não há dependência ou condicionante ao seu texto, ou ao seu procedimento. Como já destacado, as regras, limites e condições impostas à Constituição estavam expostas no texto da Constituição revogada. Desta forma, deixa de representar qualquer força cogente. Por fim, não há limitação imposta ao exercício do Poder Constituinte Originário, pois aquelas que antes existiam estavam expostas no texto da Constituição agora revogada, o que retira por completo a sua validade. Os limites, dependências e condições impostas à nova constituição serão apenas as que foram trazidas pelo próprio Poder Constituinte Originário para a nova Constituição. b) Poder Constituinte Derivado O Poder Constituinte Derivado é aquele que possui como objeto de análise e incidência, a Constituição que se encontra em vigência. Trata-se do processo de manutenção ou permanência de sua força cogente, de sua permeabilidade nos fatores de poder e de sua contemporaneidade. Se divide em: Poder Derivado Reformador; Poder Derivado Revisor; Poder Derivado Decorrente. b.1) Reformador: O Poder Constituinte Derivado Reformador é aquele responsável pela reforma ou alteração da constituição. O Artigo 60, da Constituição da República Federativa do Brasil - CRFB/88 estabelece a legitimidade e o procedimento para que se proceda a alteração do texto constitucional. A alteração do texto constitucional se inicia com a apresentação das autoridades legítimas de uma Proposta de Emenda Constitucional - PEC, perante o Poder Legislativo, que, por sua vez, delibera acerca da sua constitucionalidade formal e material, para depois votar pela aprovação ou rejeição. A existência de regras para alteração do seu texto constitucional, bem como a definição do respectivo procedimento, dependem do Poder Constituinte Originário. Na CRFB/88, há procedimento próprio, com apontamentos específicos que evidenciam a rigidez do seu modelo. DIREITO CONSTITUCIONAL I PROFESSOR: FÁBIO BARBOSA CHAVES/UNICATÓLICA b.2) Revisor: O Poder Constituinte Derivado Revisor é o responsável pela revisão da constituição. A revisão constitucional, ao contrário do reforma, é o procedimento que se efetiva sobre todo o texto constitucional em uma só oportunidade. Não há o desejo de se alterar um só artigo, inciso ou alínea, mas a oportunidade para rever todo o conjunto da Constituição. Este procedimento é previsto a fim de se constatar se, após determinado tempo de vigência, a população, diretamente ou meio de seus representantes, desejam manter o texto aprovado da forma que está, ou se pretende realizar qualquer tipo de alteração ou adaptação. Por meio desta possibilidade, constata-se que o legislador constituinte reconhece a sua falibilidade, viabilizando aos impactados com o texto constitucional a possibilidade de corrigir aquilo que não funcionou. Mais uma vez, tomando como exemplo a CRFB/88, mais especificamente no artigo 3º. do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias - ADCT, o Poder Constituinte originário, ao construir as regras de transição da Constituição de 1988, previu a realização de uma revisão constitucional 05 (cinco) anos após o início da sua vigência. Desta forma, realizou-se no ano de 1993 a revisão constitucional. Dentre os marcos da expressão do Poder Constituinte Derivado Revisor teve-se o Plebiscito para a definição da forma de estado e do sistema de governo que deveria viger no Estado brasileiro. Na oportunidade, os eleitores brasileiros optaram pela Forma Republicana e o Sistema Presidencialista. b.3) Decorrente Poder Constituinte Derivado Decorrente é aquele responsável pela criação das Constituições dos Estados membros. A instituição e previsão desta espécie depende do modelo do Estado. Nos Estados Unitários não há que se falar nesta espécie de Poder Constituinte Derivado; mas nos Estados Federados torna-se imprescindível a sua implementação. O Estado brasileiro, como exemplo de Estado Federativo, vigora o princípio da União indissolúvel dos Estados que integram o seu território, que terão autonomia legislativa. DIREITO CONSTITUCIONAL I PROFESSOR: FÁBIO BARBOSA CHAVES/UNICATÓLICA A forma de se outorgar e reconhecer a autonomia legislativa dos Estados da federação é por meio da existência e vigência dentro dos seus próprios territórios das suas Constituições Estaduais. E esta previsão é possível em face do Poder Constituinte Derivado Decorrente. Não obstante a autonomia descrita, permanecem as Constituições Estaduais, assim como todo o sistema normativo brasileiro infraconstitucional, subordinado aos ditames da Constituição da República. 5.3 LIMITES 5.3.1 - Princípio da Proibição do Retrocesso: Quanto ao Poder Constituinte Originário,como já discriminado, não há que se falar em limites, sendo que suas características são: autonomia e não dependência. Convém, mesmo assim, explanar acerca de uma teoria construída sobretudo pela jurisprudência brasileira, que impõe, em tese, limite ao Poder Constituinte Originário. Trata-se do que se define como “Princípio da Proibição do Retrocesso”. Partindo do pressuposto de que a Constituição não obedece o direito adquirido e outras regras pré- existentes, mesmo assim, estaria, de forma implícita, a proibição de retrocesso. Trata-se de uma consagração das características dos direitos fundamentais. É uma limitação meta-jurídica, fora do direito, que limita o poder constituinte originário, e difere das Cláusulas Pétreas, já que estas limitam o Poder Constituinte derivado. Porém, merece destaque de forma sistemática os limites impostos ao Poder Constituinte Derivado. 5.3.2 Limites ao Poder Constituinte Derivado a) Limitações materiais As limitações materiais excluem determinadas matérias ou conteúdos da possibilidade de abolição, visando assegurar a integridade da constituição, impedindo que eventuais reformas provoquem a destruição de sua unidade fundamental. Na CRFB/88 encontram presentes no artigo 60, parágrafo 4º: cláusulas pétreas. DIREITO CONSTITUCIONAL I PROFESSOR: FÁBIO BARBOSA CHAVES/UNICATÓLICA Não significa dizer que todas as limitações se encontram neste dispositivo. Na realidade, o inciso IV deste parágrafo inclui como cláusulas pétreas os direitos e garantias individuais. Por esta razão, e estando estes direitos incursos em outros dispositivos da CRFB/88, pode-se dizer que há limites materiais ao Poder Constituinte Derivado em diversos dispositivos da Constituição. As cláusulas pétreas representam limitações materiais porque impedem que sejam aprovadas Emendas Constitucionais que tendem a abolir ou até mesmo mitigar os seus preceitos. Sendo possível conseguir este intento apenas por meio do Poder Constituinte Originário. b) Limitações Formais As limitações formais se encontram entre os requisitos e condições que deverão ser atendidos para que seja possível implementar o Poder Constituinte Derivado. Ou seja, trata-se de regras formais ou procedimentais que devem ser perseguidos pelo legislador. O não atendimento de qualquer regra relacionado à forma ou ao procedimento para se implementar uma alteração à Constituição faz com que a nulidade ou vício de constitucionalidade alcance todo o conjunto. b.1) Limitações Formais Subjetivas São as regras formais ou procedimentais relacionadas ao sujeito, qual sejam, aqueles que são considerados legítimos à promover ou à iniciar o procedimento de alteração da Constituição.. Trata-se de uma limitação, já que quando comparados aos sujeitos legítimos à apresentar uma proposta de lei infraconstitucional (art. 61), verifica-se um rol muito mais restrito e seletivo. Ver os legítimos especificados nos dois dispositivos da CRFB/88: CRFB/88 - Art. 60: Proposta de Emenda Constitucional: são legítimos à apresentar CRFB/88 - Art. 61: Projeto de Lei: são legítimos à apresentar DIREITO CONSTITUCIONAL I PROFESSOR: FÁBIO BARBOSA CHAVES/UNICATÓLICA - um terço, no mínimo, dos membros da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal; - Presidente da República; - mais da metade das Assembléias Legislativas das unidades da Federação, manifestando-se, cada uma delas, pela maioria relativa de seus membros. - qualquer membro ou Comissão da Câmara dos Deputados, do Senado Federal ou do Congresso Nacional - ao Presidente da República - ao Supremo Tribunal Federal - aos Tribunais Superiores, - ao Procurador-Geral da República - aos cidadãos, na forma e nos casos previstos nesta Constituição. b.2) Limitações Formais Objetivas São as regras formais ou procedimentais relacionadas às regras objetivas, e que em razão das dificuldades que geram para a implementação da alteração do texto constitucional, implicam em limitações. - Quórum: Para aprovação de uma Proposta de Emenda Constitucional exige-se o quorum qualificado: 3/5 dos membros de cada casa ou 60% do total de integrantes. Ex. Câmara dos Deputados: total de 513 integrantes. Para aprovação de uma PEC, exige-se a aprovação de no mínimo 308 Deputados Federais. Senado Federal: total de 81 integrantes. Para aprovação de uma PEC, exige-se aprovação de no mínimo 49 senadores. - Turnos de Votação: Além do quórum qualificado em cada casa do Poder legislativo, ainda se exige que esta aprovação se dê em 02 (dois) turnos em cada casa. Obs. Não há necessidade de SANÇÃO ou VETO do Presidente da República. Após a aprovação, vai direto para a sua promulgação, que será feita em conjunto pelo mesa da Câmara e do Senado. Não é a mesa do Congresso. - Proibição de nova apresentação de PEC na mesma seção legislativa DIREITO CONSTITUCIONAL I PROFESSOR: FÁBIO BARBOSA CHAVES/UNICATÓLICA Seção legislativa: regra prevista no art. 60, par. 5º.c/c artigo 62, par. 10 da CRFB/88: Inicia-se em 02 de fevereiro e Termina em 17 de julho – 1º. Período Legislativo Reinicia-se em 01 de agosto e Termina em 22 de dezembro – 2º. Período Legislativo 1º. Período legislativo + 2º. Período legislativo = SEÇÃO LEGISLATIVA Quando uma Proposta de Emenda Constitucional é rejeitada, ela só poderá ser reapresentada na próxima sessão legislativa. Poderá ser reexaminado na mesma legislatura, que corresponde à 04 anos. - Limitação ao Poder Constituinte Derivado Revisor A Revisão possui limitação temporal, ou seja, só poderá ser feita após 05 anos (artigo 3º., ADCT), não havendo limitações materiais ou circunstanciais. Para Revisão, limitação formal: maioria absoluta em seção unicameral. Não há deputados em uma casa e senadores em outra casa, mas ambas se unem para um votação conjunta. Obs. Seção conjunta difere de Seção unicameral: já que naquela há a reunião dos membros do Senado e da Câmara para deliberar, mas votam separadamente. Na Seção unicameral há a reunião dos membros do Senado e da Câmara para deliberar, e também votam em conjunto. A seção unicameral ocorre no caso da Revisão Constitucional prevista no artigo 3º. do ADCT. 6 SAIBA MAIS .Você sabia? Entre todos os Poderes da República, o único legítimo à apresentar proposta de Emenda Constitucional, e ao mesmo tempo legítimo à DIREITO CONSTITUCIONAL I PROFESSOR: FÁBIO BARBOSA CHAVES/UNICATÓLICA apresentar um projeto de Lei ordinária ou complementar é o Presidente da República. 7 FINALIZANDO A Constituição representa um marco não só teórico, mas sobretudo fático, responsável pelo rompimento de realidades marcadas pela ausência de limites objetivamente instituídos, e pela sobreposição do Estado, como titular do Poder, à vontade coletiva e individual. A implementação das constituições junto aos Estados modernos fez com que as relações jurídicas estabelecidas entre Estado e cidadão, e entre os próprios cidadãos, fossem balizadas por fundamentos primevos, de força cogente. O próprio sistema jurídico formado à partir de uma constituição passa a ter características respeito à um centro normativo. Desta forma, há a garantia de que as relações jurídicas se estabelecerão em consonância com o mote principal extraído da carta magna. Ao longo da história constitucionalista, notou-se o surgimento de textos constitucionais a partir de diversos contextos, como: processos democráticos participativos, revoluções, guerras, revoltas, ditaduras, totalitarismos, entre outros. Independente da causa, inevitavelmente há em seguida o reconhecimento da necessidade de se sedimentar as características principais do novo Estado que se surge por meio da uma nova Constituição. Não menos importante, tem-se na carta magna a necessidade de sua manutençãoe consonância com as realidades sociais, políticas, econômicas e culturais da comunidade sobre a qual possui vigência. Desta forma, o Poder Constituinte Derivado é manejado a fim de zelar pela manutenção do alcance de todos estes objetivos. Os limites são previamente estabelecidos pelo Poder constituinte originário, para serem respeitados enquanto a respectiva carta magna permanecer em vigência. O Estado brasileiro, não obstante sua curta história constitucional, experimentou o Poder Constituinte Originário por 07 (sete) oportunidades: em 1824; 1891; 1934; 1937; 1946; 1967; 1988. E por diversas vezes, os motivos de sua expressão se diferenciaram. Mesmo assim, não há que se medir o grau de legitimidade ou validade que obtiveram, mesmo diante da variação do tempo de vigência. 8 DÚVIDAS FREQUENTES DIREITO CONSTITUCIONAL I PROFESSOR: FÁBIO BARBOSA CHAVES/UNICATÓLICA -Uma nova constituição surge necessariamente pela vontade popular? R. Não. Há constituições que surgem por processos revolucionários, revoltosos ou ditatoriais. -Uma Constituição em vigência deve contar regras condicionantes para o exercício do Poder Constitucional Originário? R. Não. O Poder Constituinte Originário é inicial e incondicionado. Ou seja, mesmo que as tenham na constituição em vigência, não haverá qualquer obrigação em ser seguida. -Quantas constituições o Estado brasileiro já teve em sua história? R. 07 Constituições: 1824; 1891; 1934; 1937; 1946; 1967; 1988. - Até o presente momento, qual a constituição brasileira com o maior prazo de vigência? R. Constituição de 1824. 09 QUESTÕES DE SISTEMATIZAÇÃO DA APRENDIZAGEM Marque a alternativa correta: Questão 1. Constituição não escrita é aquela que não é reunida em um documento único e solene, sendo composta de costumes, jurisprudência e instrumentos escritos e dispersos, inclusive no tempo. a) Certo b) Errado Questão 02. A norma programática vincula os comportamentos públicos futuros, razão pela qual, no Brasil, todas as normas constitucionais são imperativas e de cumprimento obrigatório. a) Certo b) Errado Questão 03. A Constituição rígida, diferentemente da imutável, que não está sujeita a alterações, pode ser alterada pelo processo legislativo ordinário. a) Certo b) Errado Questão 04. A CF regulamenta diversas matérias que não dizem respeito a princípios e normas gerais de regência, razão por que é classificada como analítica. a) Certo b) Errado DIREITO CONSTITUCIONAL I PROFESSOR: FÁBIO BARBOSA CHAVES/UNICATÓLICA Questão 05. Conforme a teoria normativa do Estado, a constituição do Estado decorre de um contrato voluntário entre os indivíduos e o monarca, que, em troca do exercício do poder, lhes provê segurança. a) Certo b) Errado Questão 06. Como só pode ser modificada por meio de emendas constitucionais, a CF, lei fundamental do Estado brasileiro, é considerada semirrígida. a) Certo b) Errado Questão 07. Consoante a concepção sociológica, a constituição de um país consiste na soma dos fatores reais do poder que o regem, sendo, portanto, real e efetiva. a) Certo b) Errado Questão 08. Em determinado país, como resultado de uma revolução popular, os revolucionários assumiram o poder e declararam revogada a Constituição então em vigor. Esse mesmo grupo estabeleceu uma nova ordem constitucional consistente em norma fundamental elaborada por grupo de juristas escolhido pelo líder dos revolucionários. Com base nessa situação hipotética, julgue o item a seguir. A nova Constituição desse país não pode ser considerada uma legítima manifestação do poder constituinte originário, visto que sua outorga foi feita sem observância a nenhum procedimento de aprovação predeterminado. a) Certo b) Errado Questão 10. O poder constituinte estadual classifica-se como decorrente, em virtude de consistir em uma criação do poder constituinte originário, não gozando de soberania, mas de autonomia a) Certo b) Errado 10 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS CUNHA, A. Sanches. Coleção saberes do direito ; v. 62 - Teoria geral do Estado, 1ª Edição. Editora Saraiva, 2012 DIAS, REINALDO. Ciência Política, 2ª edição. Grupo GEN, 2013. DIREITO CONSTITUCIONAL I PROFESSOR: FÁBIO BARBOSA CHAVES/UNICATÓLICA FRANCO, Afonso Arinos Melo. Curso de Direito Constitucional Brasileiro - Coleção Constitucionalismo Brasileiro, 3ª edição. Grupo GEN, 2018. LENZA, Pedro. Direito constitucional esquematizado. Editora Saraiva, 2019. MORAES, Alexandre de. Direito Constitucional, 35ª edição. Grupo GEN, 2019. NOVELINO, Marcelo. Manual de Direito Constitucional - Volume Único, 9ª edição. Grupo GEN, 2014.. 1 UNIDADE CURRICULAR: 2 TEMA 3 OBJETIVOS 4 PALAVRAS-CHAVE 5 TEXTO-BASE 6 SAIBA MAIS 7 DICA DE LEITURA 8 FINALIZANDO 9 DÚVIDAS FREQUENTES 10 QUESTÕES DE SISTEMATIZAÇÃO DA APRENDIZAGEM 11 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1 UNIDADE CURRICULAR: (1) 2 TEMA (1) 4 PALAVRAS-CHAVE (1) 5 TEXTO-BASE (1) 6 SAIBA MAIS (1) 7 FINALIZANDO 8 DÚVIDAS FREQUENTES 09 QUESTÕES DE SISTEMATIZAÇÃO DA APRENDIZAGEM e) V, V, F, V, V 10 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1 UNIDADE CURRICULAR: (2) 2 TEMA (2) 4 PALAVRAS-CHAVE (2) 5 TEXTO-BASE (2) 6 SAIBA MAIS (2) 7 FINALIZANDO (1) 8 DÚVIDAS FREQUENTES (1) 09 QUESTÕES DE SISTEMATIZAÇÃO DA APRENDIZAGEM (1) 10 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS (1) 1 UNIDADE CURRICULAR: (3) 2 TEMA (3) 4 PALAVRAS-CHAVE (3) 5 TEXTO-BASE (3) 6 SAIBA MAIS (3) 7 FINALIZANDO (2) 8 DÚVIDAS FREQUENTES (2) 09 QUESTÕES DE SISTEMATIZAÇÃO DA APRENDIZAGEM (2) 10 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS (2) 1 UNIDADE CURRICULAR: (4) 2 TEMA (4) 3 OBJETIVOS (1) 4 PALAVRAS-CHAVE (4) 5 TEXTO-BASE (4) 5.2 AS CONSTITUIÇÕES: CLASSIFICAÇÃO 5.2 PODER CONSTITUINTE 5.3 LIMITES 6 SAIBA MAIS (4) 7 FINALIZANDO (3) 8 DÚVIDAS FREQUENTES (3) 09 QUESTÕES DE SISTEMATIZAÇÃO DA APRENDIZAGEM (3) 10 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS (3)ciências sociais, não se cogitando usurpá-las. [...] É constituído pelo conjunto de instituições referentes à autoridade, isto é, ao domínio de certos homens sobre outros homens. Por fim, Reinaldo Dias (2013), fazendo menção à lista elaborada pela UNESCO (Organização para Educação, a Ciência e a Cultura das Nações Unidas), identifica quatro áreas para delimitar o campo de estudo da Ciência Política: a Teoria Política; as Instituições Políticas; os Partidos, grupos e opinião pública; as Relações Internacionais. 5.4 Relação da ciência política com o direito e a teoria geral do estado Após a compreensão e a abrangência atribuídas ao termo Política, enfatizando a sua inserção no âmbito científico, com a introdução de método previamente elaborado para se depurar as características advindas da Política, a partir do seu sujeito e, principalmente, dos objetivos almejados, necessário abordar a Ciência Política em comparação com outras disciplinas igualmente relevantes para compreensão do contexto social, como a Teoria Geral do Estado e o Direito Constitucional. Como sendo responsável pela análise e comprovação de fenômenos constatados a partir da técnica de verificação, a ciência busca estabelecer nexos causais entre ações e consequências, na busca de sistematizar o conhecimento. Quando se está diante do objeto social, qual seja, o viver em sociedade, igualmente a ciência incide DIREITO CONSTITUCIONAL I PROFESSOR: FÁBIO BARBOSA CHAVES/UNICATÓLICA neste contexto, sistematizando e elaborando o conhecimento extraído a partir da observação e da comprovação, para que seja aplicado na análise de realidades sociais. Quando se empreende este mesmo caminho, porém, incidindo as observações e comprovações ao campo de estudo restrito à organização do Estado, tem-se igualmente uma disciplina científica, porém denominada Teoria Geral do Estado. (DALLARI, 2013) Por isso, a compreensão da ciência política e da teoria geral do Estado corresponde a compreensão dos movimentos atuais de crítica e reorganização da estrutura do Estado, sobretudo quando se refere à reavaliação da posição do Estado frente a sociedade e da dinâmica da globalização (CHEVALLIER, 2009) O direito constitucional, como disciplina jurídica central, tem o seu campo de incidência direcionado às normas (regras e princípios) inseridos no texto da Constituição de determinado Estado. Ocorre que este campo de incidência corresponde o conjunto normativo responsável pela organização do Estado e da sua respectiva sociedade. Desta forma, é comum se encontrar inserido no campo desta disciplina jurídica marcos teóricos próprios da ciência política e da Teoria Geral do Estado. Tal constatação não representa nenhum risco de antinomia, confusão ou contradição, mas de integração. O que viabiliza a compatibilização e a complementariedade destes ramos do saber científico é a delimitação de suas hipóteses de incidência: Sociedade (Ciência Política), Estado (Teoria Geral do Estado) e Relações Jurídicas (Direito Constitucional). 6 SAIBA MAIS Entender as relações entre o indivíduo e o Estado é aceitar uma complexidade interdisciplinar: somente se apreende o todo se forem considerados fatores históricos, econômicos, filosóficos e, até mesmo, psicológicos (MORAIS, 2010, p. 9). Indicações para justificar o tema: - Filme: A Onda “Die Welle” (Dennis Gansel) – 2011 DIREITO CONSTITUCIONAL I PROFESSOR: FÁBIO BARBOSA CHAVES/UNICATÓLICA 7 DICA DE LEITURA - Livro: Memórias da Segunda Guerra (Volume I), por Winston Churchill (Autor) 8 FINALIZANDO A política é o atributo inerente à natureza humana, se efetiva em ambiente através do qual se exige interação, inter-relação e, invariavelmente, o estabelecimento de relações de Poder. A sistematização de técnicas incidentes sobre o sujeito político e a sua atividade política compreende a ciência política. A abordagem interdisciplinar, considerando a Teoria Geral do Estado e o Direito Constitucional, viabiliza àquele que se no campo da ciência política entender, desconstruir e construir conhecimentos, a partir de um vasto campo argumentativo, composto por fundamentos teóricos, hipóteses históricas probantes, apresentação de elementos fáticos enquadrados em hipóteses em tese, entre outras possibilidades. 9 DÚVIDAS FREQUENTES - A política só pode ser exercida por aquele que exerce atividade político- partidária? Resposta: A política é um fenômeno decorrente da interação entre a natureza humana e o ambiente social. Não se trata de uma atividade compreendida nas relações político-partidárias, não obstante o agir entre tais agentes compreende, via de regra, atos decorrentes de atividade política. As relações que se estabelecem em um ambiente de convivência social impõe ao indivíduo a interação a fim de que expresse seus anseios, crenças, vontades, de forma compatibilizada com regras expressas ou tácitas vigentes no respectivo ambiente. A política, desta forma, apresenta-se como característica inerente à todo ser humano que se encontra integrado a algum meio social. - Na disciplina de Direito constitucional estuda-se ciência política e teoria geral do estado? https://www.amazon.com.br/s/ref%3Ddp_byline_sr_ebooks_1?ie=UTF8&field-author=Winston%2BChurchill&text=Winston%2BChurchill&sort=relevancerank&search-alias=digital-text DIREITO CONSTITUCIONAL I PROFESSOR: FÁBIO BARBOSA CHAVES/UNICATÓLICA Resposta: Na disciplina de direito constitucional, inserida no curso de direito e alguns cursos na área de ciências sociais, insere-se normas (regras e princípios) constantes no texto constitucional em vigência em determinado local e momento. Dentre tais normas, invariavelmente, encontra-se a estrutura do Estado, com a delimitação dos Poderes, a forma de exercício e as respectivas competências. Desta forma, não há como deixar de ser abordado a Teoria Geral do Estado, porém, a partir daquelas regras já expressamente estabelecidas. Na Teoria Geral do Estado, não necessariamente se estuda normas/regras/princípios a partir de determinada realidade já estabelecida, mas de uma forma ampla, todas as possibilidades organizacionais. O que torna o seu estudo mais amplo, possibilitando a compreensão dos sistemas de organização estatal aplicáveis em diferentes contextos, a depender daquele que o respectivo Estado venha a adotar. 10 QUESTÕES DE SISTEMATIZAÇÃO DA APRENDIZAGEM Questão 01) O processo de globalização do capitalismo ensejou a configuração de um mercado mundial e a existência de atores e centros de poder supranacionais. Essas transformações afetaram o papel do Estado moderno como centro de poder e como protagonista da política internacional. Diante do processo de globalização, mencionado no texto, verifica-se que a) atuação dos Estados nacionais não foi eliminada, mas houve necessidade de redefinição do seu papel frente as suas respectivas sociedades e às relações políticas internacionais. b) a manutenção da soberania no Estado moderno tornou-se dependente de adaptações na orientação política adotada pelos governantes. c) o Estado moderno perdeu a sua soberania, visto que o controle exercido pelo mercado e pelos centros de poder mundiais compromete a autonomia para o desenvolvimento de ações nos âmbitos sociopolítico e econômico. d) o Estado moderno foi revigorado e a sua primazia política nas relações internacionais foi fortalecida, embora tais consequências desse processo fossem imprevisíveis. e) a concepção absoluta de soberania dos Estados nacionais foi flexibilizada, pois os interesses econômicos e políticos internacionais foram colocados acima das questões nacionais. Questão 02) Texto 1 DIREITO CONSTITUCIONAL I PROFESSOR: FÁBIO BARBOSA CHAVES/UNICATÓLICA Ninguém pode atualmente eximir-se da reflexividade que caracteriza o espíritomoderno. Seria absurdo, daqui por diante, confinar-se na ingenuidade e nos limites tranquilizadores de uma tradição fechada sobre si mesma, no momento em que a consciência moderna encontra-se apta a compreender a possibilidade de uma múltipla relatividade de pontos de vista. Também nos habituamos, neste sentido, a responder aos argumentos que nos expõem através de uma reflexão em que nos colocamos deliberadamente na perspectiva do outro. GADAMER, H-G. O problema da consciência histórica. Rio de Janeiro: FGV, 2006 (adaptado). Texto 2 A identidade constitucional surge como algo complexo, fragmentado, parcial e incompleto. Sobretudo no contexto de uma constituição viva, a identidade constitucional é o produto de um processo dinâmico sempre aberto à maior elaboração e à revisão. Do mesmo modo, a matéria constitucional, de qualquer modo que seja definida, parece condenada a permanecer incompleta e sempre suscetível de maior definição e de maior precisão. ROSENFELD, M. A identidade do sujeito constitucional. Belo Horizonte: Mandamentos, 2003 (adaptado). O aparecimento de uma tomada de consciência histórica constitui uma das mais importantes transformações pelas quais passaram as sociedades desde o início da época moderna. Diante disso, conforme se depreende do conteúdo dos textos acima, a atividade hermenêutica também deve ser repensada, podendo-se afirmar que ela assume o papel de teoria do conhecimento jurídico. Considerando os textos apresentados, assinale a opção que descreve a principal função da hermenêutica constitucional e da ciência política a) Adotar a objetividade do método cartesiano, como um método específico de conhecimento e de verdade, restringido a interpretação constitucional ao sentido da norma b) Possibilitar ao intérprete refletir sobre a necessidade de conhecer o texto constitucional, impondo-se a adoção de um critério de interpretação predominante c) Conhecer o texto constitucional mediante a utilização de um método capaz de assegurar o conhecimento objetivamente verdadeiro d) Reconhecer que o texto constitucional comporta uma interpretação restrita, em determinado contexto histórico da sociedade e) Interpretar as diferentes concepções do fenômeno jurídico, a partir da análise crítica das múltiplas leituras da constituição DIREITO CONSTITUCIONAL I PROFESSOR: FÁBIO BARBOSA CHAVES/UNICATÓLICA Questão 03) A pesquisa social é uma forma de conhecimento que se caracteriza pela construção de evidência empírica elaborada a partir da teoria, aplicando regras de procedimento explícitas. Desta definição podemos inferir que em toda pesquisa estão presentes três elementos que se articulam entre si: marco teórico, objetivos e metodologia. Estas etapas se influenciam mutuamente, e na prática de pesquisa se pensam em conjunto. (SAUTU, Ruth et. al. “La construcción del marco teórico en la investigación social”. In: . Manual de metodología: construcción del marco teórico, formulación de los objetivos y elección de la metodología. Colección Campus Virtual. Buenos Aires: CLACSO, 2005. p. 34) A partir dos elementos essenciais de uma pesquisa social, elencados acima, é correto afirmar: a) Os objetivos da pesquisa são formulados a partir dos dados recolhidos pelo pesquisador. b) A integração dos níveis micro e macrossociais numa pesquisa sociológica implica alterações na metodologia. c) A perspectiva teórica adotada é independente da metodologia a ser aplicada. d) A construção da evidência empírica pelo pesquisador dispensa os recursos metodológicos. e) Os custos da pesquisa estão relacionados apenas com os objetivos estabelecidos pelo pesquisador. Questão 04) A política não é necessária, em absoluto – seja no sentido de uma necessidade imperiosa da natureza humana como a fome ou o amor, seja no sentido de uma instituição indispensável do convívio humano. Aliás, ela só começa onde cessa o reino das necessidades materiais e da força física. Como tal, a coisa política existiu sempre e em toda parte tão pouco que, falando em termos históricos, apenas poucas grandes épocas a conheceram e realizaram. Esses poucos e grandes acasos felizes da História são, porém, decisivos; é só neles que se manifesta de cheio o sentido da política e, na verdade, tanto o bem quanto a desgraça da coisa política. Com isso, eles tornam-se determinantes, mas não a ponto de poder ser copiadas as formas de organização que lhes são inerentes, e sim porque certas ideias e conceitos que se tornaram plena realidade para um curto período de tempo, também co-determinem as épocas para as quais seja negada uma experiência plena com a coisa política. DIREITO CONSTITUCIONAL I PROFESSOR: FÁBIO BARBOSA CHAVES/UNICATÓLICA (Adaptado de: ARENDT, Hannah. O que é Política? – fragmentos das obras póstumas compilados por Úrsula Ludz. Tradução de Reinaldo Guarany, 11.ed., Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2013, pp. 50-51) a) Ciência Política b) História Política c) Análise Política d) Filosofia Política e) Sociologia Política Questão 05) A democracia, segundo Aristóteles, deve ser totalmente soberana, mas com duas limitações: não deve ir além dos órgãos de deliberação e julgamento, pois estes são poderes coletivos expressos em uma Constituição (o conjunto do povo é superior a cada um dos indivíduos) e não exigem competência técnica; a segunda limitação é o dever de agir de acordo com as leis. Com base no que foi citado acima, leia atentamente as afirmações abaixo: I. A definição processual de democracia, também chamada procedimental, considera que, além do direito de voto, a seleção dos representantes políticos deve ocorrer a partir de um processo eleitoral livre, ou seja, “competitivo”. II. A soberania popular enquanto ação democrática é um ideal possível em todas as sociedades, pois o poder desde os atenienses é exercido pelo povo. III. A diminuição da participação político partidária fortalece a democracia e a torna cada vez mais eficiente, consensual e legitima. IV. O único modo de tornar possível o exercício da democracia é atribuir cada vez menos ao cidadão o direito de participar direta ou indiretamente na tomada de decisões coletivas. Estão corretas as afirmativas: a) I, apenas b) II e IV, apenas c) I, II e III, apenas d) IV, apenas DIREITO CONSTITUCIONAL I PROFESSOR: FÁBIO BARBOSA CHAVES/UNICATÓLICA 11 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BITTAR, Eduardo C. Teoria do Estado - Filosofia Política e Teoria da Democracia, 5ª edição. Grupo GEN, 2016. [Minha Biblioteca] CHEVALLIER, J. O Estado pós-moderno. Belo Horizonte: Fórum, 2009. DALLARI, D. de A. Elementos de teoria geral do Estado. 32. ed. São Paulo: Saraiva, 2013. DEUTSCH, Karl. Política e governo. Tradu ção de maria José da Costa F él i x matoso miran- da mendes. Bras i ́l i a: unB, 1979. DUVERGER, Maurice. Os partidos políticos. Tradu ção de Cristiano monteiro oiticica. rio de Janeiro: Zahar, 1970. MORAIS, J. L. B. de; STRECK, L. L. Ciência política e teoria do Estado. 7. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2010. DIAS, Reinaldo. Ciência Política, 2ª edição. Grupo GEN, 2013. DIREITO CONSTITUCIONAL I PROFESSOR: FÁBIO BARBOSA CHAVES/UNICATÓLICA AULA 02 1 UNIDADE CURRICULAR: - DIREITO CONSTITUCIONAL I; - HERMENÊUTICA CONSTITUCIONAL E DIREITOS FUNDAMENTAIS; - MARCOS TEÓRICOS E FILOSÓFICOS DO ESTADO E DA CONSTITUIÇÃO 2 TEMA TEMA 2 - Formação do Estado 3 OBJETIVOS - Contextualizar a formação histórica do Estado - Apresentar os fatos históricos que determinaram a formação do Estado Nacional Moderno - Demonstrar a contribuição liberal burguesa para a formação do Estado de Direito 4 PALAVRAS-CHAVE ORIGEM. ESTADO. DIREITO. 5 TEXTO-BASE 5. 1 Formação Histórica do Estado O Estado é uma organização jurídica, portanto,uma abstração, pautada em uma construção racional e consciente, voltada à atender o interesse de um agrupamento de pessoas identificadas por um mesmo interesse. Desta forma, esta organização pretende reunir condições para que este mesmo agrupamento concretize os seus interesses, que, em primeira dimensão, correspondente à própria sobrevivência. Entender-se em comunidade, há muito, foi percebido pelo ser humano como condição de sua perpetuação, frente à realidade onde se encontra inserido. Inicialmente frente à natureza, posteriormente frente à outros agrupamentos de sua própria raça. Como se trata de uma abstração, exige-se a prévia construção de supostas concretizações fáticas, que, caso se efetivem, o Estado possa direcionar a DIREITO CONSTITUCIONAL I PROFESSOR: FÁBIO BARBOSA CHAVES/UNICATÓLICA forma de ação, reação ou inação daquele que se encontra sob a égide desta organização. Desta forma, imprescinde de regras pré-estabelecidas, de caráter cogente, a fim de que aquele determinado agrupamento saiba com antecedência como deverá proceder diante das situações antevistas pela organização. Assim se fez as primeiras organizações sob as quais as comunidades se organizavam. Desde então, a humanidade se compreende como inserida em algum contexto social, normalmente se relacionando em situação dependência, e se submetendo, conscientemente, às limitações decorrentes desta decisão. O nível de desenvolvimento das primeiras civilizações pôde ser medido a partir da capacidade de organização de cada uma. Quanto maior e melhor fossem as condições oferecidas pela comunidade, maior quantitativo conseguia-se reunir, mediante fluxo organizacional suficiente à viabilizar a convivência com o mínimo de segurança e meios de perpetuação. O aumento em quantitativo e em estratificação deu às comunidades uma maior complexidade social. Da mesma forma, de forma gradual, e compatível com a natureza humana, formou-se dentro de cada comunidade divisões hierárquicas, a partir da divisão de atribuições e a diferente valoração que o próprio grupo atribuía a cada uma. Resultando na formação das primeiras classes, sempre se posicionando de forma privilegiada aqueles aos quais foi direcionada pela comunidade a função de comando organizacional. O comando organizacional atribuía ao seu titular, o poder sancionatório, necessário à manutenção da ordem social. A partir da compreensão de que se tratava de conduta necessária à estabelecer limites à liberdade de cada membro da comunidade, a legitimação passou a ser o elemento necessário ao exercício do comando social. Nas primeiras comunidades, a legitimidade fora garantida por aspectos variantes. Destaca-se o critério sanguíneo, através da qual torna-se legítimo pela descendência, e a decorrente da crença religiosa, através da qual a pessoa passa a ser legítima por um direcionamento advindo de fatores sobrenaturais. A teoria da origem natural, também chamada de naturalista, remonta a uma linhagem filosófica, cujo principal representante é Aristóteles. Em seu livro A Política, ele vai apresentar sua teoria de que a sociedade é decorrência natural da natureza gregária do ser humano (GAMBA, 2019, p. 15). Desta forma, formou-se as primeiras grandes civilizações, como a civilização Grega, Egípcia, Romana, Judaica, entre outras, responsáveis pela construção da atual configuração da civilização ocidental. Percebe-se que durante todo o período de formação civilizatória, independente do nível de complexidade, a humanidade sempre teve a consciência da necessidade de que haveria de se abrir mão, voluntariamente, de parcela de sua autonomia para que pudesse sobreviver e se perpetuar. Os limites impostos àqueles DIREITO CONSTITUCIONAL I PROFESSOR: FÁBIO BARBOSA CHAVES/UNICATÓLICA que aderiram à proposta comunitária deveria ser por meio de regras pré- estabelecidas. Desta forma, pode-se afirmar que a relação do que hoje se compreende como sendo Estado e o Direito sempre foi condição para a formação de uma civilização. Nesta relação entre Estado e o Direito, foram estabelecidas correntes doutrinárias com diferentes forma de compreensão. Para melhor representar, passa- se a explorar tais construções. Teoria Monista, por meio da qual há a reunião em uma só organização entre Estado e Direito, se confundindo em uma só realidade. Teoria Dualista, que também pode ser chamada de pluralística, defendendo a separação em duas realidades independentes. Teoria do Paralelismo, que igualmente prega a separação entre Estado e Direito, porém reconhecem uma interdependência entre ambas (MALUF, 2018). 5.2 Principais marcos históricos determinantes para o Estado Moderno de Direito Como demonstrado no item anterior, o Estado nasce a partir da consolidação de uma identificação cultural, seja a partir de desejo natural em agrupar- se, ou por decisão voluntária contratualista, a partir da qual decide-se abrir mão de parcela de sua liberdade em troca de ter a seu favor condições mais viáveis de sobrevivência e perpetuação. No percorrer deste caminho histórico acerca das civilizações, percebe- se que a partir do momento de consolidação de uma organização extra individual, como sendo aquela que representa determinada comunidade, a população integrante passa a se ver plenamente identificada com aquela abstração. Tendo-se a formação do Estado, a representação coletiva passou-se a sobrepor aos preceitos e vontades individuais. Tal fato ocasionou o fortalecimento, político e econômico do Estado (pessoa abstrata), e por consequência, daqueles que se encontravam de alguma forma vinculados à sua vontade direta (casta governamental). A consolidação do processo de legitimação gerou a concentração de riqueza e poder ao Estado (pessoa abstrata), o que lhe concebia cada vez mais meios de impor a sua vontade, agora não mais em razão do argumento coletivo, mas por coerção. O Estado absoluto, marcado pela ausência de limites e de responsabilidade (no sentido de impossibilidade de ser responsabilizado por seus atos), foi a representação das primeiras grandes civilizações. O poderio bélico, o quantitativo humano de sua força de defesa e ataque e suas convicções de supremacia foram as características preponderantes durante o período histórico conhecido como idade antiga. DIREITO CONSTITUCIONAL I PROFESSOR: FÁBIO BARBOSA CHAVES/UNICATÓLICA Esta conjuntura estatal foi fortemente abalada, sobretudo no ocidente europeu, resultando em uma nova configuração social, através da qual as grandes civilizações, representadas por suas grandes cidades, tiveram seus grandes contingentes populacionais se agrupando em diversas regiões, buscando a formação de comunidades menores, sob a proteção de grandes e privilegiados proprietários de terra. Durante o período feudal, a formação estatal, o desenvolvimento civilizatório baseado nos grandes agrupamentos e no fortalecimento de uma estrutura de poder representante da vontade coletiva foi enfraquecida, em consolidação de uma micro estrutura conhecida na idade média como Feudo. Após o transcurso de décadas de permanência daquela estrutura social, quando o cristinanismo se fez presente por meio de outra grande organização construída após a queda dos antigos impérios, a Igreja, o comércio entre as pequenas comunidades (feudos) retomaram o seu desenvolvimento, viabilizando a restauração de agrupamentos posteriormente transformados em núcleos urbanos. O ressurgimento das cidades igualmente tornou premente a reorganização dos Estados, com legitimidade suficiente para, apropriando-se da individualidade coletiva, exercer autoridade interna e representatividade externa. A Igreja, como organização já consolidada durante o período feudal, se unindo à organização estatal, acabou por contribuir com o fortalecimento do Estado, por meio do alinhamento político e ideológicoestabelecendo um modelo social e cultural naquele momento histórico. O comércio, em sintonia com o novo desenvolvimento urbano e as relações intercomunitárias, se fortaleceu, em grande parte, aliado à ciência e tecnologia que viabilizaram mecanismos de expansão territorial das práticas comerciais. Destaca-se o desenvolvimento das técnicas de navegação, possibilitando a exploração de novos territórios antes separados por grandes distâncias territoriais, mas que a navegação marítima tornou possível. Da mesma forma, a estrutura de grandes navios, fazendo com que fosse possível o transporte de maiores quantitativos de pessoas e, principalmente, mercadorias. Ocorre que, se o desenvolvimento das técnicas de navegação e a construção de grandes estruturas de transporte proporcionaram o crescimento comercial de grande parte do Mundo, igualmente proporcionou o fortalecimento bélico de Estados que se uitilizaram destas técnicas para dotar suas forças de defesas e ataques de armamento suficiente à buscar a expansão não só comercial, mas territorial dos seus domínios. As grandes estruturas marítimas, e até mesmo as condições de desenvolvimento comercial terrestre estiveram dependentes dos recursos advindos dos Estados, o que gerou grande vinculação da classe comerciante à presença estatal. Portanto, se a classe comerciante se desenvolveu durante o ressurgimento DIREITO CONSTITUCIONAL I PROFESSOR: FÁBIO BARBOSA CHAVES/UNICATÓLICA urbano da Europa, os Estados mais ainda, face a relação de dependência já estabelecida, e de interferência nas práticas comerciais. O recolhimento de tributos e outros valores exigidos pelo Estado, bem como a ausência de regras pré-estabelecidas que pudessem proporcionar a todos aqueles que se encontravam subjugados ao Estado, passou a representar uma limitação ao crescimento comercial, e um entrave à recém desenvolvida classe burguesa. Como já relatado, se a classe burguesa se desenvolveu por meio da ampliação das fronteiras comerciais, a ciência foi a responsável pela viabilização deste processo. Porém, o processo de desenvolvimento da ciência não se ateve apenas sob a perspectiva do crescimento comercial.] Em decorrência do ressurgimento das grandes cidades e da expansão comercial, as interações sociais viabilizou o restabelecimento ou a continuação de um processo que esteve interrompido durante o período feudal: o racionalismo. Desta forma, outro importante marco histórico que imprescindivelmente deve ser destacado na formação da atual configuração dos Estado modernos, é o Renascimento. Trata-se de um período da história humana marcada pelo antropocentrismo, racionalismo e o individualismo. Desde então, como já destacado, se o comércio se desenvolvia e a burguesia crescia em importância econômica, os novos filósofos e cientistas romperam fronteiras, na matemática, física, química, biologia, e outras áreas. Quando já se reuniram as condições propícias para o fortalecimento econômico da burguesia, o desenvolvimento da ciência e o aumento do poderio político do Estado e a inserção e influência da igreja na sociedade européia, outro marco histórico se fez presente, sobretudo na França, denominado Iluminismo. O Estado absolutista se tornou afronta e contradição não só aos interesses burgueses, mas ao entendimento de que o homem é titular de obrigações perante a sociedade, e por consequência, ao Estado. Porém, igualmente, e simultaneamente, titular de Direitos, aos quais até mesmo o Estado se submete. Unidos a vontade burguesa e os preceitos iluministas tem-se a configuração para implementação de mudanças junto à estrutura estatal, que se implementou, como efeito dominó, no mundo ocidental. Destacou-se os seguintes marcos históricos: Revolução Francesa e Revolução Americana. As duas grandes revoluções que marcaram o início da era contemporânea – a Revolução Americana (1776) e a Revolução Francesa (1789) –, como nos lembra o professor de Filosofia do Direito Celso Lafer, consagraram o direito à resistência e o valorizaram como um ato político legítimo e justo contra um soberano arbitrário. A Declaração de Independência dos EUA afirma que é direito e dever do povo derrubar um governo despótico e substituí-lo por outro. A declaração francesa dos Direitos do Homem e do Cidadão também estabelece a resistência à opressão como um dos direitos naturais do homem. (SILVA, 2014, p. 210) DIREITO CONSTITUCIONAL I PROFESSOR: FÁBIO BARBOSA CHAVES/UNICATÓLICA O Estado moderno, surgido sob a configuração estabelecida pós- revoluções, tem como característica, sobretudo, os preceitos iluministas. Destaca-se o individualismo, por meio do qual consolida-se a valoração dos desejos e anseios pessoais, conferindo direitos atribuídos ao indivíduos, defensíveis até mesmo diante do Estado. Aliado à institucionalização da garantia e liberdade comercial, através da qual cada pessoa poderia ter a segurança de buscar o seu progresso pessoal e econômico, independente da interferência do Estado. O positivismo jurídico tornou-se imprescindível à manutenção desta nova estrutura estatal, conferindo status normativo e constitucional dos preceitos voltados aos direitos individuais (1ª geração). A segurança jurídica, representada pelo apego intransponível ao texto legal, foi a proteção pretendida pela sociedade, sobretudo a classe de comerciantes, para a manutenção do desenvolvimento sem a interferência do Estado. As 02 (duas) grandes guerras suportadas pela humanidade no século XX, tendo como pano de fundo, a industrialização e a acentuação dos interesses mercantis e bélicos-territoriais, resultou no colapso da sociedade individual e capitalista, não cabendo outro caminho senão a retomada do Estado como viabilizador de uma reconstrução das estruturas sociais. A segunda metade do século XX, portanto, foi marcado pela interferência estatal em searas antes regidas por regras individuais e mercantilistas. A busca pelo bem estar Social por meio das ações diretas e indiretas do Estado passa a representar um caminho impossível de não ser percorrido diante daquela conjuntura, onde a sociedade, ao mesmo tempo, buscava se reconstruir, e vivia sob a perspectiva de novos conflitos, desta vez, em face do antagonismo ideológico- econômico protagonizado pelas duas grandes nações: Estados Unidos da América e União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Mais uma vez, o Estado esteve presente como autor e representante ideológico, e principalmente como entes fomentadores. A partir desta prática, acentuou condutas intervencionistas, mais ou menos expressas, a depender do contexto interno ou externo. Com a mitigação deste dualismo ideológico, a humanidade se reencontra como sociedade livre (grande parte), se estabelecendo por meio de regimes democráticos, cada vez mais integrado frente às realidades externas, o que resulta em uma nova configuração estatal. Os Estados fomentam seus vínculos internos, por meio de suas identificações sócio-culturais, porém convivem com a relativização das suas fronteiras. A imigração, a miscigenação, a interdependência econômica, as ingerências políticas, são alguns dos marcos responsáveis pela atual configuração do Estado neste recorte histórico do século XXI. 5.3 Os elementos formadores do Estado DIREITO CONSTITUCIONAL I PROFESSOR: FÁBIO BARBOSA CHAVES/UNICATÓLICA Como já abordado, o Estado é compreendido como uma abstração, fruto da razão humana, como elemento essencial de representação e legitimação da vontade geral. Por meio do qual, viabiliza-se a convivência em sociedade. Tem-se, desta forma, a construção objetiva de elementos de integralização desta abstração: elementos materiais (povo e território); elementos formais (governo soberano e o ordenamento jurídico). População é índice demográfico, ou seja, corresponde à número de pessoas que, em determinadomomento, ocupa um certo espaço territorial devidamente delimitado. Não se afere neste contingente uma necessária vinculação e compartilhamento ideológico, cultural ou histórico. Povo correspondente, igualmente, a um conjunto de pessoas ou contingente populacional situado em determinado espaço territorial delimitado, mas vinculados pelo politicamente e legalmente por regras, princípios, cultura, história, entre outros elementos que o fazem identificados. Enquanto a população do Estado consiste no conjunto de todos os habitantes do seu território, quer com ele mantenham ou não vínculos políticos, além dos necessários vínculos jurídicos, povo, em última análise, é o conjunto de cidadãos. Ou seja, povo é a parcela da população de determinado Estado que com ele mantém vínculos de natureza política, além dos de natureza jurídica. (FILOMENO, 2019, p. 77) A existência de uma parcela de terra (espaço territorial) onde se desenvolve ações voltadas ao atendimento do bem como, identificado pela vontade do contingente populacional que nele se encontram, considera-se Território. Trata-se de um elemento material, como já mencionado, responsável por diferenciar dois conceitos: Estado e Nação. Para se configurar uma nação, se faz prescindível a existência de um território para que sua população nele se estabeleça. O mesmo não pode-se dizer quanto ao Estado, que depende para sua configuração da existência de espaço territorial sobre o qual se encontra o seu povo. Um governo soberano representa autodeterminação frente à comunidade internacional, qualificado pela possibilidade de integração externa mediante a representação de seus interesses de forma livre e autônoma. 6 SAIBA MAIS .Você sabia? DIREITO CONSTITUCIONAL I PROFESSOR: FÁBIO BARBOSA CHAVES/UNICATÓLICA Constituem o território de determinado Estado. (a)Solo é a porção de terras visíveis e delimitadas pelas fronteiras internacionais e pelo mar. (b)Subsolo, como evidente, é a porção de terras que, subjacente ao solo, tem a mesma configuração do solo. No caso do Brasil, por exemplo, ocupa, em relação aos 148.905.400 km2 que constituem a parte da terra firme do globo, mais de 8.500.000 km2, sendo ainda certo que os rios e mares constituem 361.044.600 km2 da Terra. (c)O espaço aéreo de um determinado Estado é a coluna de ar imaginária que acompanha o contorno do território propriamente terrestre, acrescido do mar territorial. (FILOMENO, 2019, p. 77) 7 FINALIZANDO A configuração do Estado com a atual configuração percebida nas principais democracias do Mundo é o resultado de um longo processo de formação, influenciada por diversas ocorrências históricas, com características políticas, econômicas, sociais. Em cada recorte histórico tem-se a estrutura estatal específica. O direito é elemento essencial para caracterização de momento, por vezes atribuindo Poder ao Estado, ou conferindo à sociedade autonomia e independência. A integração internacional, viabilizada pelo desenvolvimento científico e racional, apresenta-se como balizador da configuração territorial entre os Estados. Os interesses econômicos, representados por ações políticas, identificam o momento histórico, e retratam o Estado dentro da comunidade internacional. Por fim, a legitimidade comunitária outorgada às práticas estatais identificam e interligam as caracterísitcas do Estado à sua sociedade. 8 DÚVIDAS FREQUENTES - O declínio do mundo feudal e as relações comerciais aumentaram a necessidade de expandir os mercados consumidores. Este momento histórico representa a ascensão do mercantilismo ou do liberalismo? R. Trata-se do mercantilismo que, após o seu predomínio, propiciou o que se denomina liberalismo (sec. XVIII, XIX). - Os Estados modernos e o liberalismo econômico surgem a partir de que contexto político-econômico? DIREITO CONSTITUCIONAL I PROFESSOR: FÁBIO BARBOSA CHAVES/UNICATÓLICA R. A partir da Ascensão da burguesia industrial no poder, acompanhada de liberalização econômica e descentralização administrativa. - Quais são os elementos formadores do Estado moderno? R. Povo, Território e Soberania - Qual a diferença de Povo e População? R. A existência de vinculação entre a pessoa e o seu território soberano, de natureza legal, cultural e histórico, identificado com outro a partir do objeto comum. 09 QUESTÕES DE SISTEMATIZAÇÃO DA APRENDIZAGEM Questão 1. Segundo António Manuel Hespanha, na sua obra “Pluralismo Jurídico e Direito Democrático”: I. A dogmática jurídica atual (tradicional) baseia-se num modelo de pensamento com origem no conceito de Estado-Nação. II. A partir da Revolução francesa, cada vez mais a Europa se distanciou da ideia que o direito é manifestação da vontade do povo. III. Todas as normas existentes em sociedade podem ser consideradas normas jurídicas na perspectiva de Hespanha. IV. A democracia representativa e seus mecanismos de colher os consensos sociais são suficientes para a fundamentação dos ordenamentos jurídicos contemporâneos. Assinalar a alternativa correta: a) Somente a afirmativa I é correta. b) Somente as afirmativas I e II são corretas. c) Somente as afirmativas I, II, e III são corretas. d) Somente as afirmativas I e IV são corretas. e) As afirmativas I, II, III e IV são corretas Questão 02) Analise as assertivas a seguir, relativas à Teoria Geral do Estado, aos poderes do Estado e suas respectivas funções e à Teoria Geral da Constituição, e marque com V as verdadeiras e com F as falsas; em seguida, marque a opção correta. ( ) Segundo a melhor doutrina, a soberania, em sua concepção contemporânea, constitui um atributo do Estado, manifestando-se, no campo interno, como o poder supremo de que dispõe o Estado para subordinar as demais vontades e excluir a competição de qualquer outro poder similar. DIREITO CONSTITUCIONAL I PROFESSOR: FÁBIO BARBOSA CHAVES/UNICATÓLICA ( ) Em um Estado Parlamentarista, a chefia de governo tem uma relação de dependência com a maioria do Parlamento, havendo, por isso, uma repartição, entre o governo e o Parlamento, da função de estabelecer as decisões políticas fundamentais. ( ) Em sua concepção materialista ou substancial, a Constituição se confundiria com o conteúdo de suas normas, sendo pacífico na doutrina quais seriam as matérias consideradas como de conteúdo constitucional e que deveriam integrar obrigatoriamente o texto positivado. ( ) Um dos objetos do Direito Constitucional Comparado é o estudo das normas jurídicas positivadas nos textos das Constituições de um mesmo Estado, em diferentes momentos históricotemporais. ( ) A idéia de uma Constituição escrita, consagrada após o sucesso da Revolução Francesa, tem entre seus antecedentes históricos os pactos, os forais, as cartas de franquia e os contratos de colonização. a) V, V, V, F, V b) V, V, F, F, V c) F, F, V, V, F d) F, F, F, V, V e) V, V, F, V, V Questão 03) Marque a alternativa incorreta: a) A nação é composta por indivíduos que formam uma coletividade, na qual possuem identidade e interesses comuns. A nação não se confunde com a idéia de povo, mas serve-lhe de substrato, pois nação é uma expressão cultural e histórica que compreende fatores como etnia, língua, religião, costumes, hábitos, valores tradicionais e territorialidade. b) A nacionalidade material é aquela condicionada a característica ou sentimento de identidade, isto é, de pertinência de um indivíduo a uma determinada nação. c) População é apenas o elemento quantitativo total de pessoas em um Estado. d) Nem toda nação é um Estado. e) Na República Federativa do Brasil, a soberania é concedida e pertencente ao Estado, mais precisamente, às autoridades públicas que dirigem e governam a máquina estatal. 10 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS MALUF, Sahid. Teoria Geraldo Estado. Editora Saraiva, 2018. DIREITO CONSTITUCIONAL I PROFESSOR: FÁBIO BARBOSA CHAVES/UNICATÓLICA GAMBA, Gorini, João R. Teoria Geral do Estado e Ciência Política. Grupo GEN, 2019. SILVA, Francisco. Enciclopédia de Guerras e Revoluções - 1919 - 1945 - Vol. II. Grupo GEN, 2014. FILOMENO, José G. Teoria Geral do Estado e da Constituição. Grupo GEN, 2019. DIREITO CONSTITUCIONAL I PROFESSOR: FÁBIO BARBOSA CHAVES/UNICATÓLICA AULA 03 1 UNIDADE CURRICULAR: - DIREITO CONSTITUCIONAL I; - HERMENÊUTICA CONSTITUCIONAL E DIREITOS FUNDAMENTAIS; - MARCOS TEÓRICOS E FILOSÓFICOS DO ESTADO E DA CONSTITUIÇÃO 2 TEMA TEMA 3 - Soberania 3 OBJETIVOS - Conceituar soberania - Apresentar os limites do Poder Soberano no Estado de Direito - Relacionar o exercício da soberania com o Direito Internacional 4 PALAVRAS-CHAVE SOBERANIA. ESTADO DE DIREITO. AUTONOMIA 5 TEXTO-BASE 5.1 Soberania: conceito Como estudado no tema anterior, Soberania corresponde à um dos elementos formadores do Estado, que, sem a qual, não há o reconhecimento de sua existência e autonomia perante a comunidade internacional. O Estado está inserido em uma comunidade internacional, com a qual estabelece relações jurídicas. Da mesma forma, sua população igualmente interage com integrantes de outros Estados, interagindo no âmbito pessoal e, sobretudo, em caráter comercial. A soberania que integra o Estado possibilita que o seu ordenamento jurídico interno seja respeitado por todos os outros Estados igualmente soberanos. Desta forma, a comunidade internacional reconhece que as regras livremente estabelecidas no âmbito de um Estado devem ser obedecidas quando se tratar de relação jurídica estabelecida no âmbito de sua jurisdição. O respeito mútuo entre os Estados soberanos quanto ao ordenamento jurídico de cada um expressa-se através da reciprocidade. Trata-se de uma expressão DIREITO CONSTITUCIONAL I PROFESSOR: FÁBIO BARBOSA CHAVES/UNICATÓLICA normativa internacional, que garante ao Estado a cogência do seu ordenamento interno por aqueles que se encontram inseridos em sua jurisdição, da mesma forma que se compromete à respeitar o ordenamento do outro quando se colocar diante da sua jurisdição. Além da reciprocidade, o pleno entendimento da soberania impõe a compreensão do que seja a jurisdição. Quando se relaciona soberania à comunidade internacional, e o comprometimento de se reconhecer autonomia interna de um Estado, sobretudo quanto ao seu ordenamento jurídico interno, há a necessidade de se delimitar o campo de incidência do seu ordenamento. A jurisdição representa justamente o campo de incidência deste ordenamento. A delimitação de seu campo de incidência é pressuposto para a convivência harmônica entre os Estados, e deve ser estabelecida de forma prévia e clara, a fim de que toda comunidade internacional possa entender os seus próprios limites de atuação. Alessandro Sanches Cunha (2012, p. 63), citando Canotilho, retrata soberania no aspecto conceitual: Eis a r az a ̃o por que encontramos a clá ssica defini ça ̃o de Estado como a organiza ça ̃o da soberania. O professor Canotilho e sm i ú ça o conceito, asseverando que a ‘soberania, em termos gerais e no sentido moderno, traduz-se num poder supremo no plano interno e num poder independente no plano internacional. Se articularmos a dim ensão constitucional interna com a dim ensa ̃o internacional do Estado poderemos recortar os elementos constitutivos deste (1) poder pol i ́t i co de comando, (2) que tem como dest i nat á rios os ci dadãos nacionais (povo = sujeitos do soberano e dest inat á rios da soberania); (3) reunidos num determinado ter ri t ó rio. A soberania no plano interno (soberania interna) traduzir-se-ia no m onop ó lio de edi ça ̃o do direito positivo pelo Estado e no m onop ó lio da coa ça ̃o f i ́sica legi ́t im a para impor a efectividade das suas regula ções e dos seus comandos (Apud, CANOTILHO, 2003, p. 90). O “monopólio” trazido pelo autor, como plano interno de soberania, relaciona à imposição de um sistema normativo internamente, não apenas como mecanismo de disciplina social da sua própria sociedade, mas de um dever de respeito mútuo entre os países conviventes na comunidade internacional. 5.2 Apresentar os limites do Poder Soberano no Estado de Direito O monopólio de jurisdição obtido a partir da aquisição e o reconhecimento da soberania impõe, de forma cogente, a submissão interna à todo o seu ordenamento jurídico. Ocorre que esta conclusão é aplicada à todos os Estados que igualmente são dotados de soberania, e que se inter-relacionam sob vários aspectos. DIREITO CONSTITUCIONAL I PROFESSOR: FÁBIO BARBOSA CHAVES/UNICATÓLICA O dinamismo das relações internacionais, há muito acentuado pela globalização, impõe aos Estados, como condição de sobrevivência política e econômica, a celebração de acordos de interesse mútuo a fim de atender demandas internas de cada um, considerando seus aspectos e vocações intrínsecas. Nem sempre os interesses dos Estados se coadunam, e muitas vezes, se conjugam para o mesmo sentido, inviabilizando a configuração de acordos e acentuando o aspecto conflituoso. É neste cenário que a coexistência de soberania entre os Estados, tendo como parâmetro o monopólio jurisdicional interno (exclusiva admissão de suas próprias regras), diante de um contexto através do qual esses regramos se choquem, surge a necessidade da existência de mecanismos limitadores, de força cogente, a fim de impor regras superiores aos seus próprios ordenamentos. Neste sentido, leciona Sahid Maluf (2019, p. 52): Assim, o poder de soberania exercido pelo Estado encontra fronteiras não só nos direitos da pessoa humana como também nos direitos dos grupos e associações, tanto no domínio interno como na órbita internacional. Notadamente no plano internacional, a soberania é limitada pelos imperativos da coexistência de Estados soberanos, não podendo invadir a esfera de ação das outras soberanias. [...] Assim, no plano internacional limita a soberania o princípio da coexistência pacífica das soberanias. Atualmente, as nações integram uma ordem continental, e, dentro dessa ordem superior, o poder de autodeterminação de cada uma limita--se pelos imperativos da preservação e da sobrevivência das demais soberanias A Europa inserido no contexto geopolítico do século XX retratou um cenário de coexistência dos Estados soberanos, fortalecidos econômica e politicamente após um século marcado pela consolidação do constitucionalismo e do liberalismo econômico. A consolidação de sua riqueza não tardou em conflitar os interesses de suas nações, sobretudo diante dos caminhos políticos trilhados para cada um. A revolução bolchevique do início do século, apresentando uma nova proposta político-filosófica àquela que se havia consolidado, e a crescente crença de prevalência racial junto com a necessidade de expansão dos poderios internos por meio de rediscussão territorial, potencializada pela configuração geográfica do continente, criou um contexto de estabilidade fragilizada. Sendo todos os Estados soberanos, com seus próprios acervos normativos, cada um desejando o mesmo (consolidação político-econômico- territorial), fez com este século, sobretudo naquele continente, fosse marcado por conflitos de todas as ordens, manchando a história com práticas repugnadas por toda humanidade, implodidas junto com as duas grandes guerras ocorridas na primeira metade do século. DIREITO CONSTITUCIONAL I PROFESSOR: FÁBIO BARBOSA CHAVES/UNICATÓLICA A aliança das democracias européias, com o ingresso poderoso dos Estados Unidos e a inclusão da força bélica russa, pôs termo, à duras penas, marcha expansionista nazi-facista, gerando uma nova configuração européia, através dos novos limitesterritoriais e o ressurgimento de soberanias antes depostas pelos derrotados. Finalmente, após os desastres suportados pela humanidade, a comunidade internacional consolidou o entendimento de que o Mundo formado por todos os Estados soberanos deveriam se unir em organizações internacionais, com personalidade jurídica própria (supranacional), dotadas de um ordenamento específico, a fim de que, os Estados a ela vinculados ficassem também submetidos às este regramento. Entre os organismos internacionais representativos dos interesses dos Estados soberanos a partir de suas relações externas (políticas e econômicas), destaca-se a Organização das Nações Unidas, que em sua própria carta constitutiva estabelece os seus princípios sobre os quais se encontra estruturada. Mais uma vez, destaca Sahid Maluf (2018, p. 128) Para fundamentar este aspecto formal, podemos mencionar alguns dispositivos jurídicos de direito internacional, bem como existentes em nossa Constituição. Inicialmente, cabe lembrar que a Carta da ONU de 1945 estabelece em seu artigo 2º, parágrafo 1º, que: “A Organização é baseada no princípio da igualdade soberana de todos os seus membros”. Já a Carta da OEA em seu artigo 3, item “b” estabelece que: “A ordem internacional é constituída essencialmente pelo respeito à personalidade, soberania e independência dos Estados e pelo cumprimento fiel das obrigações emanadas dos tratados e de outras fontes do direito internacional. Internamente, nossa Constituição Federal de 1988 estabelece a soberania como fundamento da República Federativa do Brasil (art. 1º, I) e, conforme já mencionado, o Brasil atua nas suas relações internacionais com independência (art. 4º, I)”. A dinâmica estabelecida pelos organismos internacionais exige a sua constituição por meio de entidade dotada de personalidade jurídica internacional, dotada de regramento próprio, tendo os seus integrantes aderido de forma voluntária. Da mesmo forma que se estabelece internamente, os Estados que manifestam vontade de aderência, por consequência, abre mão de parte de sua autonomia, em favor dos ditames já estabelecidos pela organização. 5.3 A soberania e o Direito Internacional A relação externa entre os Estados soberanos, como exaustivamente explorado, pressupõe a existência prévia de regras estabelecidas pelas partes, por meio de pactos bilaterais, ou através de tratados firmados de forma multilateral, através dos quais as partes signatárias se comprometem ao cumprimento de DIREITO CONSTITUCIONAL I PROFESSOR: FÁBIO BARBOSA CHAVES/UNICATÓLICA determinadas regras, mesmo que imponham restrições mútuas, em prol da viabilidade de uma coexistência na ordem internacional. O conjunto de regras e princípios que regem as relações internacionais estabelecidas entre os Estados soberanos pode-se considerar como sendo o Direito Internacional. Como já destacado, em face da soberania reconhecida a determinado Estado, não há como compelir a adesão ao direito internacional. O direito internacional compõe-se de regras voltadas ao convívio externo entre os Estados quanto aos seus interesses políticos e comerciais. Regramentos direcionados à regência das relações estatais, de cunho político, envolvendo direitos e deveres necessários à integridade do Estado e de sua população, integram um ramo específico do direito internacional: o direito internacional público. Enquanto que as regras e princípios estabelecidos na comunidade internacional, bi ou multilaterais, necessárias à regência das relações comerciais entre os Estados, diretamente ou por meio de seus cidadãos, integra o direito internacional privado. Estar integrado dentro deste sistema normativo externo é pressuposto para a convivência internacional, política e econômica. Verifica-se, como exemplo, alguns países que, por opção ou por descumprimento de regras que compõe o direito internacional, se vêem excluídos desta comunidade, tendo os seus interesses prejudicados. É ofertada a possibilidade de aderência às regras internacionais aos Estados soberanos, aos quais, por terem a garantia de seu monopólio interno normativo, precisam voluntariamente aderir às regras externas a fim de que passem a ser à elas submetidas. 6 SAIBA MAIS .Você sabia? A carta de constituição da Organização das Nações Unidas, constituída em 1945, dispõe no artigo 2º, parágrafo 1º, que: “A Organização é baseada no princípio da igualdade soberana de todos os seus membros”. Da mesma forma, a Organização dos Estados Americanos - OEA, dispõe em sua carta, artigo 3º, alínea “b” que: “A ordem internacional é constituída essencialmente pelo respeito à personalidade, DIREITO CONSTITUCIONAL I PROFESSOR: FÁBIO BARBOSA CHAVES/UNICATÓLICA soberania e independência dos Estados e pelo cumprimento fiel das obrigações emanadas dos tratados e de outras fontes do direito internacional.” Já a Constituição da República Federativa do Brasil, de 1988, estabelece a soberania como fundamento da República Federativa do Brasil (art. 1º, I). 7 FINALIZANDO Autonomia e Soberania são elementos que se aproximam no tocante ao seu significado, quando se analisa o elemento liberdade. Para a teoria geral do Estado, não há como deixar de reconhecer que se tratam de expressões com consequência jurídica distinta. A autonomia pressupõe liberdade de atuação, segundo seus próprios preceitos, como uma autodeterminação. A soberania extrapola os limites da autonomia, à medida que, além da sua liberdade de atuação, emana à comunidade externa o cogente respeito aos seus próprios interesses. Em um regime organizado por meio de Federação, como a brasileira, admite-se aos estados membros autonomia, de forma a garantir autodeterminação quanto à sua gestão interna, ordenamento jurídico e suas relações mútuas. Porém, aos mesmos não comportam a soberania, o que impõe somente à União Federal se inserir na comunidade internacional como representante do Estado brasileiro. 8 DÚVIDAS FREQUENTES - A Soberania é uma faculdade or i g i n á ria, responsável pela liberdade de uma comunidade de reger-se poli ́ticamente, instituindo o seu poder e a sua def ini ção e estrutura jur i ́di ca, não podendo ser limitada por outro poder (CUNHA, 2012). - Se não há possibilidade de se limitar, internamente, a soberania, a que esta autoridade e s t á vinculada? Não se trata de abrir mão ou limitar a soberania de um Estado, mas de compartilhamento, a fim que seja construído um juízo de compatibilização ou convivência em nível globalizado. De pronto, é preciso enfrentar vá rios ‘tabus’ científicos. A soberania não pode ser encarada como elemento perigoso, cujo manuseio pode levar à desgraça de uma na ção. Afinal, a integração ec on ô mica é imprescindível, e para ela DIREITO CONSTITUCIONAL I PROFESSOR: FÁBIO BARBOSA CHAVES/UNICATÓLICA há de convergir a soberana vontade de qualquer Estado. Na reali- dade, o fenô meno da integra ção comuni t á ria dos Estados só foi possível graças ao fato de os Estados concordarem em compartilhar suas soberanias (TAVARES, 2010, p. 1052) 09 QUESTÕES DE SISTEMATIZAÇÃO DA APRENDIZAGEM Questão 1. Quanto aos Elementos do Estado, podemos afirmar, de forma correta, que a) População é uma reunião de indivíduos num determinado locai, submetidos a um poder descentralizado, sendo que o Estado vai controlar essas pessoas, visando, através do Direito, o bem comum. b) a População pode ser classificada como nação, quando os indivíduos que habitam o mesmo território possuem como elementos incomuns a cultura, língua e religião. Possuem nacionalidades, cultura, etnias e religiões diferentes. c) o Território é considerado um Espaço geográfico onde reside determinada população. O Território é o limite de atuação dos poderes do Estado. Nãopoderá haver dois Estados exercendo seu poder num único território, sendo que os indivíduos que habitam um Território estão submetidos a esse poder uno. d) a Soberania é o exercício do poder do Estado, exclusivamente interno. Dessa forma, o Estado deverá ter ampla liberdade para controlar seus recursos, decidir os rumos políticos, econômicos e sociais internamente e não depender de nenhum outro Estado ou órgão internacional. e) a População é uma reunião de indivíduos num determinado local, limitada pelo Território, através dos limites de atuação dos poderes do Estado. O Estado deverá ter ampla liberdade para controlar seus recursos, decidir os rumos políticos, econômicos e sociais, dependendo de forma externa de decisões de órgãos internacionais para exercer sua soberania. Julgue o item a respeito da organização do Estado Questão 02: Na confederação, somente o Estado é detentor de soberania. a) Certo b) Errado Questão 03: A autodeterminação é reflexo da relativa autonomia conferida aos membros da Federação. a) Certo b) Errado Questão 04: DIREITO CONSTITUCIONAL I PROFESSOR: FÁBIO BARBOSA CHAVES/UNICATÓLICA O Contrato Social é inspirado pela paixão da unidade. Unidade de corpo social, subordinação dos interesses particulares à vontade geral, soberania absoluta e indissolúvel da vontade geral, reino da virtude numa nação de cidadãos. [...] Pelo pacto social, segundo Rousseau, cada indivíduo une-se a todos. O contrato é feito com a comunidade. [...] O soberano por nada está obrigado, mas, segundo a teoria de Rousseau, não pode ter interesse contrário aos particulares que o compõem. O soberano é portanto essa vontade geral que é a vontade da comunidade e não dos membros que constituem essa comunidade. [...] O soberano é [...] a vontade geral, de que a lei é a expressão: “A vontade do soberano é o próprio soberano. O soberano quer o interesse geral e, por definição, só pode querer o interesse geral”. (Adaptado de: TOUCHARD, Jean (dirigida por) – O “Contrato Social” e O Soberano. In: História das Ideias Políticas, quarto volume, Lisboa: Publicações Europa-América, 1970, pp. 90-92) Além de absoluta e indissolúvel, a Soberania para Rousseau possui mais duas características: a) ser efêmera e ser impessoal. b) ser seletiva e ser pactuada. c) ser livre e ser a proteção da liberdade. d) ser um dom e ser um atributo. e) ser inalienável e ser infalível 10 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS CUNHA, A. Sanches. Coleção saberes do direito ; v. 62 - Teoria geral do Estado, 1ª Edição. Editora Saraiva, 2012 GAMBA, Gorini, João R. Teoria Geral do Estado e Ciência Política. Grupo GEN, 2019. MALUF, Sahid. Teoria Geral do Estado. Editora Saraiva, 2018. TAVARES, An d r é Ramos. Curso de direito constitucional. São Paulo: Saraiva, 2010 DIREITO CONSTITUCIONAL I PROFESSOR: FÁBIO BARBOSA CHAVES/UNICATÓLICA AULA 04 1 UNIDADE CURRICULAR: - DIREITO CONSTITUCIONAL I; - HERMENÊUTICA CONSTITUCIONAL E DIREITOS FUNDAMENTAIS; - MARCOS TEÓRICOS E FILOSÓFICOS DO ESTADO E DA CONSTITUIÇÃO 2 TEMA TEMA 3 - Poderes do Estado 3 OBJETIVOS - Apresentar as teorias histórias do Poder Estado - Apresentar o exercício do Poder do Estado modernamente - Distinguir as funções do Estado 4 PALAVRAS-CHAVE PODER. FUNÇÕES. ESTADO 5 TEXTO-BASE A prévia definição de atribuições, competências e, por consequência, prerrogativas e privilégios, decorre de uma organização social estabelecida com instrumentos de legitimação. O grau de incidência é diretamente proporcional à complexidade social, o que ocasiona maior ou menor concentração dos já mencionados atributos. Apontar estes atributos à determinada pessoa ou ente, representar atribuir Poder. O seu exercício advém deste direcionamento, que, direta ou indiretamente, deverá ser utilizado em favor da organização social ora representada. Antes de se discutir acerca da concentração ou desconcentração de poder, necessário tratar da legitimação como elemento estruturante de uma organização social. De fato, o Poder decorre de uma legitimação, que ocasionará a delegação dos atributos já mencionados, de forma a possibilitar a prática de atos e a DIREITO CONSTITUCIONAL I PROFESSOR: FÁBIO BARBOSA CHAVES/UNICATÓLICA tomada de decisões de forma primeva, podendo delegar ou não, segundo os instrumentos balizadores. A legitimação se efetiva de várias formas. Mesmo reconhecendo que em alguns modelos sociais não há prévia dependência de manifestação expressa da organização social legitimada, não há como deixar de constatar que, em algum momento, e de alguma forma, a organização social representada se manifestou em favor de determinada autoridade. As autoridades reconhecidas a partir de alguma designação advinda de crenças religiosas ou divindades, mesmo que suas autoridades sejam designadas por estas entidades, para que assim fosse, em algum momento do passado daquela organização social foi declarado não só a crença, mas o procedimento para designação daquele futuro detentor do Poder. Desta forma, mesmo em modelos teocráticos, não há como deixar de reconhecer que a legitimidade social continua sendo requisito imprescindível. Nas monarquias, mesmo antes do constitucionalismo pós-revolução, marcadas pela concentração de Poder, pela ausência de limites e responsabilidades frente à organização social, tendo na linhagem sanguínea o requisito de assunção e transmissibilidade de autoridade, mais uma vez, não há como abstrair o fato de que para o reconhecimento da hereditariedade antes teve que ser declarado de onde se originaria tal descendência, expressão advinda da organização social. Até mesmo nas ditaduras surgidas a partir da ruptura de modelos e estruturas sociais, levando à tomada do Poder em descumprimento das regras previamente estabelecidas, seja por lei, seja pelos costumes, também não haverá como prescindir de uma aquiescência social, explícita ou implícita, pré-existente. Por fim, a forma mais explícita de se expressar a legitimação, é por meio do modelo democrático, com regras objetivas estabelecidas de forma prévia, viabilizando a determinação direta ou indireta da vontade geral, a fim de direcionar e manter o Poder. 5.1 Teorias Históricas do Poder do Estado DIREITO CONSTITUCIONAL I PROFESSOR: FÁBIO BARBOSA CHAVES/UNICATÓLICA Para fundamentar a estrutura de Poder ao longo dos séculos, e implementada historicamente nos Estados, serão retratadas teorias construídas por teóricos, a partir de percepções variantes. Seguindo a lição sempre didática e atual de Paulo Ferreira da Cunha, em sua obra Teoria Geral do Estado e Ciência Política, serão retratadas as teorias de Jellinek e Duguit; Kelsen e Merkel; Marcello Caetano. 5.1.1 Teorias de Jellinek e Duguit A comparação que se faz entre as teorias construídas por estes dois autores partem da seguinte premissa: a finalidade e as funções, em qual direcionamento se estrutura o Estado. Para Jelliek, a direção que se implementa inicia-se pelos fins, a partir do qual estrutura-se as funções. Como fins, contar-se-iam os culturais e os jurídicos; como meios, haveria a considerar dois tipos de normação, a abstrata e a concreta. No respeitante às funções, à normação abstrata de índole cultural ou jurídica corresponderia a função legislativa; a atividade concreta de âmbito cultural encontrar-se-ia a cargo de uma função administrativa; e idêntica concretização, agora no domínio do judicial, seria do foro de uma função judicial (CUNHA, 2018, p. 182). Para outro autor, Duguit, a sequência seria justamente o contrário do que teorizou Jelliek, qual seja: parte-se das funções para se definir os fins: Haveria então atos-regra (legislativos), atos condição e atos subjetivos (administrativos). Ficando de fora o judicial (para a clássica perfeição da tríade), o autor