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Primeira Prova - Conteúdo - Sem negrito

Aula 01 de Direito Constitucional I (Prof. Fábio Barbosa Chaves/Unicatólica) sobre Ciência Política: apresenta conceito de política, relação com Teoria do Estado, Filosofia e Ciência Política, principais correntes, objetivos e referências (Aristóteles, Deutsch, Bittar).

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DIREITO CONSTITUCIONAL I 
PROFESSOR: FÁBIO BARBOSA CHAVES/UNICATÓLICA 
 
AULA 01 
 
 
1 UNIDADE CURRICULAR: 
 
- DIREITO CONSTITUCIONAL I; 
- HERMENÊUTICA CONSTITUCIONAL E DIREITOS FUNDAMENTAIS; 
- MARCOS TEÓRICOS E FILOSÓFICOS DO ESTADO E DA CONSTITUIÇÃO 
 
2 TEMA 
 
TEMA 1 - Ciência política: relação com as demais ciências sociais e principais 
correntes 
 
3 OBJETIVOS 
 
- Apresentar a Ciência Política, conceitualmente. 
- Relacionar a Ciência Política com as demais ciências sociais, especialmente a 
Teoria do Estado e o Direito. 
- Apresentar as principais correntes sobre a ciência política. 
 
4 PALAVRAS-CHAVE 
 
ESTADO. CIÊNCIA. POLÍTICA. FORMAÇÃO. CONTRATUALISMO. 
 
 
5 TEXTO-BASE 
 
5. 1 Conceito de Política 
 
Política é um substantivo que deriva do adjetivo politikós, advindo do grego, e que se 
refere ao ambiente urbano polis. Ou seja, corresponde ao que é urbano, produzido a 
partir de um convívio social ou público. 
 
Por esta razão, mesmo que seja trate da atual compreensão do que seja Política, não 
há como negar a permanente ligação com o significado teorizado por Aristóteles em 
sua obra Política. 
 
A dimensão aristotélica de Política pauta-se em uma simbiose entre o homem e a 
polis. 
DIREITO CONSTITUCIONAL I 
PROFESSOR: FÁBIO BARBOSA CHAVES/UNICATÓLICA 
 
O conceito de política e poder, considerando os aspectos publicistas, encontra 
fundamento nesta concepção grega, já que a polis compreendia a organização social 
e estatal, da qual necessariamente o homem deveria estar incluído, como elemento 
indissociável. Por esta razão, a afirmação do filósofo grego de o homem é 
essencialmente um ser político. 
 
Destaca-se a concepção de Política como sendo a atividade através da qual toma-se 
decisões a partir de meios públicos, contrastando com outras ações efetivadas a partir 
de decisões motivadas por crenças e critérios pessoais (Deutsch, 1979). 
 
A política é o substantivo que representa a ação do encontro, muitas vezes do 
diferente (pensamento, ponto de vista, interesse, conceção, ideologia, etc.), em prol 
da vida em sociedade. Em um ambiente público, não há como deixar de relacionar- 
se com o Poder, pré requisito para concretização de ações necessárias para a 
permanência de determinada dinâmica social. Sendo assim, é atividade indispensável 
para a permanência da ordem social. O que não elimina a sua efetivação no âmbito 
das relações privadas, onde perpassam várias ações que igualmente refletem na 
harmonia social, mesmo que indiretamente. 
 
5.2 A política como objeto filosófico e como objeto de ciência 
 
Como delimitado no tópico anterior, a Política compreende uma ação eminentemente 
Humana, e por isso demanda ação constante e inserida no meio onde se encontra. 
Por esta razão, importante entendê-la a partir da concepção de outras ramos de 
interesse, como a Teoria do Estado, pela Filosofia Política e pela Ciência Política. 
 
A teoria do Estado oferece abordagem sobre o poder, a política e o Estado, dentro 
do campo positivista, a partir de conceitos pré-estabelecidos sobre democracia, 
estado de direito, elementos de de poder, representatividade, e outros elementos 
caracterizadores da estrutura estatal. Grande parte das definições são extraídas do 
texto constitucional de determinado Estado, o que aproxima a Teoria do Estado ao 
Direito Constitucional. 
 
Sobre a Política a partir de sua concepção filosófica, nos dizeres de BITTAR (2016), 
deve ser abordada a partir de dimensões capazes de dinamizar os respectivos resultados, 
impedindo uma única significação. 
 
Inicialmente, tem-se a filosofia política como busca de critérios claros, traduzidos em 
ações, que legitimem as condutas do Estado como representação de Poder. Em uma 
segunda concepção, abordando o sujeito Político, como sendo aquele que pratica os 
atos dotado de características inconfundíveis que a tornam autônoma das 
dependências de outras práticas, como as morais ou religiosas, ou de outras ciências. 
DIREITO CONSTITUCIONAL I 
PROFESSOR: FÁBIO BARBOSA CHAVES/UNICATÓLICA 
 
Em uma terceira concepção, a filosofia política como ciências políticas, tendo método 
pré-definido, responsável pela análise e discussão da linguagem e os argumentos 
específicos daqueles que se envolvem em um ambiente político. 
 
Enquanto a ciência oferece a segurança (atendendo critérios empíricos), a filosofia 
encarrega de desestabilizar. Determinados conceitos tidos como certos e irrefutáveis 
para a ciência, sob o prisma filosóficos são contestados, ou simplesmente 
relativizados diante de possibilidades não previstas no campo empírico, mas 
almejadas a partir de considerações na maioria das vezes abstratas. 
 
A melhor concepção de Política não deve partir da divisão ou da dicotomia (ou até 
mesmo tricotomia quando se inclui a teoria de estado), mas a comutação dos diversos 
aspectos e possibilidades oferecidas por cada campo abordagem. Portanto, a Política 
pode ser concebida a partir da ciência e da filosofia, abordadas sob a dimensão do 
dado, da experiência e da vivência, assim como da consideração de elementos 
subjetivos da natureza humana, da sua relação com o ambiente e das possibilidades 
variantes que a dinâmica social oferece. 
 
A técnica científica corrobora para a robustez dos argumentos, enquanto que a 
abstração da filosofia potencializa a capacidade transformadora, diante da sua 
capacidade constante de refundar o sentido e a experiência sobre o mundo em que 
se vive em determinado momento. 
 
5.3 Objeto da Ciência Política 
 
A ciência política se ocupa do estudo da ação política como teoria científica e 
filosófica, como explanado no item anterior. 
 
Desta forma, tem-se na teoria política o objeto da disciplina de Ciência Política. 
 
Desde os ensinamentos dos filósofos pré-socráticos, seguido por Aristóteles, grandes 
teóricos se ocuparam de construir teorias políticas contextualizadas às realidades, 
considerando referências próprias e apontamentos específicos que aproximaram a 
Ciência Política aos objetos específicos do saber e experiência humana. 
 
Nicolau Maquiavel, ao escrever sua obra mais conhecida, O Príncipe, descreveu o 
Político como ser autônomo dotado de vontade unidirecionada às relações de poder 
e a sua posterior manutenção, para as quais dependem ações e estratégias 
meticulosamente planejadas, sempre em função e para o Poder. Pode-se denominar 
fator preponderante para a construção do realismo político, origem para a formação 
da disciplina conhecida como Ciência Política. Karl Marx (1818-1883), igualmente 
contribuiu para a formação conteudista da Ciência Política, atribuindo o viés 
DIREITO CONSTITUCIONAL I 
PROFESSOR: FÁBIO BARBOSA CHAVES/UNICATÓLICA 
 
econômico para explicação das alterações que influenciaram na cultura e na política. 
Para este autor, qualquer abordagem que se faça acerca da Política, independente 
do contexto ou época, é insuficiente e até mesmo superficial, se não integrar no seu 
campo argumentativo os determinantes histórico-econômicos. Desta forma, só é 
possível entender as mudanças políticas se puder estar relacionada com o modelo 
de distribuição do produto econômico que integra(ou) as relações sociais. (DIAS, 
2013) 
 
Abordagem mais contextualizada e próxima da teoria política alinhada a praxis 
moderna, tem-se a teoria exposta por Duverger (Duverger, 1962, p. 10): 
 
Há diferentes concepções sobre o objeto de estudo da ciência política. Entre as 
grandes posições-limite há alguns que defendem que a ciência política é a “ciência do 
poder”, enquanto para outros é a “ciência do Estado”, havendo diversas posições 
intermediárias. O que há de comum entre todas as definições de ciência política é a 
concordância de que o estudo do poder é a questão central da disciplina. 
[...] 
Só a definição ampla da Ciência política pode ser aceita: é a ciência do poder sob toda 
as suas formas. Outras formas de poder são comuns a outrascria ainda os atos jurisdicionais, a que logo faz corresponder 
a inerente função (judicial) (CUNHA, 2018, p. 182). 
 
Independente do que pressupõe os teóricos, há a percepção de que a 
identificação de finalidades e das funções que integrariam o Poder, haverá que se ter 
funções voltadas à administração, à construção de normas e aos meios de solução 
de conflitos percebidos à partir da execução das regras. 
 
5.1.2 Teorias de Kesen e Merkel 
 
Ainda na esteira da construção de uma teoria que compreenda a estrutura 
de Poder de um Estado, os dois autores, representantes da escola de Viena, indicam 
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02 (duas) funções, ambas de natureza jurídica: a função de criação e a função de 
execução do direito. 
 
Atenta ao fenómeno, e desprezando um inatingível número, cuidando do real, 
e não do ideal, limita esta corrente as funções do Estado a duas funções 
jurídicas, num procedimento a que não será alheia a paradoxal tentação pan- 
juridista da metáfora do rei Midas que seduzira Kelsen, e está explicitamente 
presente na Teoria Pura do Direito. Assim, nada sendo alheio ao Direito (mas 
também porque, como no oiro de Midas, este é oiro artificial, alquímico – e 
esperemos que não apenas lixo de Énio), assinala-se a função de criação e 
a função de execução do Direito (CUNHA, 2018, p. 182). 
 
Ainda acompanhando a doutrina de Paulo Ferreira da Cunha, os 
representantes da Escola de Viena, posteriormente, acabam por reconhecer uma 
certa incompletude, e finalizam por agregar uma terceira função, definida como 
administrativa, formando, se aproximando com a estrutura aristotélica, posteriormente 
sedimentada por Montesquieu. 
 
5.1.3 Teoria de Marcello Caetano 
 
Fiel à lição de Paulo Ferreira da Cunha, apontamos a Teoria de Marcello 
Caetano o estabelecimento de uma teoria capaz de apresentar a estrutura de Poder 
de um Estado a partir de uma estrutura teórica mais unificada. 
Diante da já tradicional tripartição, apresentada sob contextos e estruturas 
próprias desde Aristóteles, a defesa de uma ideia integralizada de Poder apresenta- 
se como, no mínimo, inovadora, merecendo o devido destaque. 
Ocorre que este autor não só se dispôs a estabelecer a ideia de uma 
estrutura de poder integrada, mas conferiu à função jurídica influência não tão 
incomensurável, como pretende Kelsen, mantendo parcela ao campo definido como 
não-jurídico. 
Porque é, então, “integral” a teoria de Marcello Caetano? Por duas ordens de 
razões. Primeiro, porque pretende abarcar a unidade totalizante do Estado 
na nossa época, quer na sua veste jurídica, quer quando despido de Direito. 
É, pois, uma visão que supera o âmbito da ciência jurídica para se posicionar 
(também) na ciência política ou na sociologia política. [...]. Em segundo lugar, 
pensamos que a aludida integralidade deriva de uma fusão de teorias. Na 
última formulação da sua doutrina, Kelsen admite funções não jurídicas – tal 
é a posição que o irá perder. Procurou distanciar-se excessivamente do lugar 
de fiel seguidor da teoria tripartida e dos poderes tradicionais e, como é tão 
habitual nas querelas jurídicas (CUNHA, 2018, p. 182). 
A inserção de um espaço de poder eminentemente político representa mais 
do que um rompimento à tripartição, mas um reconhecimento de que a composição 
dos atos praticados em nome do Estado não se resume ao elemento jurídico, como 
pregou Kelsen, mas reconhece que a política, como expressão dos elementos 
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sociológicos e culturais, e que representa os predomínios de determinado contexto, 
permeiam, quando no mínimo, o elemento condizente com os atos de execução. 
 
5.2 Formas de Exercício do Poder do Estado 
 
Há que se estabelecer neste momento, dentro de uma ordem sequencial, 
a constatação de uma formação de poder eminentemente no âmbito social, ou seja, 
aquele que emerge de forma gradual e até mesmo natural dentro de uma organização 
comunitária. 
O Poder Social decorre da formação do próprio contexto social, 
inicialmente amparado na força da legitimidade outorgada, intrínseca ou explícita, 
pela comunidade, já viabiliza a construção de uma estrutura de poder, através da qual 
possibilita o direcionamento e os desígnios que serão responsáveis pelo transcurso 
dos destinos a serem trilhados. 
O Poder Político surge à posteriori, como um reconhecimento da 
necessidade de institucionalização do Poder Social originalmente construído. Desta 
forma, o seu reconhecimento passa a ser dependente de elementos objetivos, 
previamente estabelecidos, e que devem ser aferidos pela própria comunidade, direta 
ou indiretamente. 
Assim leciona José Brito Filomeno: 
 
Poder social é aquele que se observa em qualquer tipo de sociedade, como 
seu elemento constitutivo formal, e derivado de espírito gregário e da affectio 
societatis do homem. [...] Poder político aparece com a institucionalização do 
poder social e com a criação do Estado, que é sociedade política por 
excelência (FILOMENO, 2019, p. 163) 
 
O exercício do Poder, por esta razão, depende do momento evolutivo que 
se encontra a organização social. O alcance da organização política, que, como 
mencionado, representa a fase em que o Poder se encontra institucionalizado, exige 
a delimitação de como este mesmo Poder deverá ser efetivado, passando a exigir a 
especialização de atribuições. 
O Estado, como organização social-política, devidamente 
institucionalizado, deve ser compreendido como um todo, quando se pode apurar os 
objetivos comuns e primevos, depreendidos a partir da compreensão dos anseios que 
permeiam os fundamentos da respectiva sociedade. 
Ocorre que, por menor que seja a estrutura territorial e populacional de 
determinado Estado, o alcance da fase de Poder institucionalizado, já impõe um grau 
de complexidade que exige a leitura do Poder do Estado a partir das especificidades 
relacionadas à cada função. 
DIREITO CONSTITUCIONAL I 
PROFESSOR: FÁBIO BARBOSA CHAVES/UNICATÓLICA 
 
Trata-se da fase de alocação de funções específicas, definidas pela 
estrutura de Poder institucionalizada, vistas, em primeiro momento, de forma distintas, 
mas, que na realidade, foram a engrenagem para o funcionamento da máquina 
estatal. Da mesma forma, pode-se parecer se tratarem de funções com 
direcionamentos próprios, mas que representam, no seu conjunto, as partes 
necessárias para o atendimento dos fundamentos e objetivos comuns eleitos ainda 
pelo Poder Social. 
 
5.3 As Funções do Estado 
 
O Poder do Estado institucionalizado carece de especificações, 
consequência da complexidade das atribuições direcionadas para a concretização 
dos objetivos primevos da organização social. Neste desiderato, na estrutura estatal 
encontra-se partes dotadas de Poder, direcionadas a partir de competências próprias. 
A estrutura de Poder do Estado, dividida em estruturas de Poder parcial, 
só se torna possível a partir da direção de Funções próprias para cada uma. Para 
isso, define-se inicialmente os objetivos para cada estrutura, e com isso, define-se 
funções gerais e específicas para unidade parcial de Poder. 
A definição das funções do Estado está alinhada à estrutura de Poder. 
Desta razão, valemos dos itens anteriores. Não obstante as teorias já explanadas, 
nos atemos à construção teórica montesquiana, em face do seu predomínio clássico 
e as adaptações efetuadas ao longo da formação dos Estados modernos. 
Na lição de Alexandre Sanches Cunha, as funções do Estado se dividem 
a partir da juridicidade como parâmetro. 
 
F u n ç ão jur i ́dica – esta se divide em: a) F u n ç ão legislativa, que consiste 
precipuamente em criar leis. b) F u n ç ão executiva, que consiste em assegurar 
o cumprimento das leis. II) F u n ç ões não juri ́dicas, que, por sua vez, dividem- 
se em: a) F u n ç ão política: destina-se à conservaç ão dasociedade política e 
à def ini ç ão e prossecuç ão dos interesses gerais da comunidade. b) F un ç ões 
técnicas: destinam-se à produ ç ão de bens ou à presta ç ão de serv i ç os 
destinados à sat i sf a ç ão de necessidades coletivas de c a r á ter material ou 
cultural (CUNHA, 2012, p. 51). 
 
Importante notar que o mencionado autor estabelece a divisão de 
funções a partir da concepção do festejado autor português Marcello Caetano, 
rompendo com tradicionalismo da escola austríaca, liderada por Kelsen, para 
DIREITO CONSTITUCIONAL I 
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reconhecer que há sim na estrutura do Estado espaço suficiente para ser ocupada 
por elementos não jurídicos, especialmente no tocante à atividade política. 
Mas Alexandre Cunha ainda destaca que, dentre a função não jurídica 
do Estado, tem-se, além da política, as funções técnicas, que podem ser entendidas 
como sendo as que se destinam mais diretamente ao atendimento dos interesses da 
comunidade, por meio de ações concretas voltadas às necessidades individuais e 
coletivas. 
Porém, deve ser igualmente destacada a divisão jurisdicista entre as 
funções do Estado, lembrado pelo autor como sendo aquelas voltadas às atividades 
de criação legislativa e à aquela destinada à garantia do cumprimento deste mesmo 
regramento. 
Independente da escola austríaca Kelsinana, bem como a teoria 
construído pelo Luso professor Marcello Caetano, reconhecendo ou não a juridicidade 
de todas as funções do Estado, é incontroverso que o Poder do Estado deve ser 
distribuído dentro dentre setores deste mesmo Poder a partir das especificações de 
suas funções. 
A divisão de poderes é característica principal de um Estado, com 
funções e atribuições devidamente estabelecidas, de forma a garantir o livre 
cumprimento de suas competências, de forma harmônica e sempre voltado ao 
cumprimento da vontade do todo. 
A divisão de poderes, por meio das funções do Estado, não se 
estabelece por meio de uma relação vertical-hierarquizada, mas de forma horizontal, 
sem a predominância de qualquer deles, mas baseado no completo equilíbrio, com 
mecanismos de relação recíproca construídos sempre com a premissa da harmonia. 
Merece destaque a lição de Reinaldo Dias: 
 
 
Se não existe equi li ́brio teó rico e prá tico entre os órgãos que constituem o 
Estado, ou se algum prevalece em termos de atribui ç ões no exerci ́cio objetivo 
do poder do Estado, en t a ̃o não existe Estado de direito (DIAS, 2013, p. 142). 
 
Iniciemos com a Função Legislativa do Estado, responsável pela 
construção do sistema normativo do Estado, e que será responsável tanto pela 
estruturação do ente estatal, sujeito de direitos e obrigações coletivas e individuais, 
como pelo estabelecimento de regras capazes de regulamentar as todas as relações 
públicas e privadas que se efetivarem dentro do seu território, neste caso, 
caracterizado como jurisdição. 
DIREITO CONSTITUCIONAL I 
PROFESSOR: FÁBIO BARBOSA CHAVES/UNICATÓLICA 
 
Há a relação entre a função legislativa e a legitimidade para exercício do 
Poder. Nas sociedades modernas, pautadas pelo regime democrático, esta 
legitimidade é dirigida à própria comunidade organizada por meio do Estado. Nestas 
estruturas, qual seja, de Estados demoráticos, a função de legislar é outorgada ao 
titular absoluto do Poder: o povo. 
Daí incorre a análise do elemento legitimador para o exercício da função 
legislativa. A construção normativa do Estado democrático poderá advir diretamente 
do titular do poder, o Povo; mas também poderá ser construído por terceiros, por meio 
de instrumentos de legitimação. 
A representação popular nos Estados democráticos é princípio fundante, 
e dela decorre o exercício da função legislativa de forma indireta. A construção da 
estrutura fundamental do Estado decorre desta função, da mesma forma 
absolutamente todas as relações jurídicas estabelecidas entre particulares e entre 
estes e o próprio Estado. 
 Dentro da premissa representativa, partindo de uma estrutura de Poder 
pautada na legitimidade democrática, além da função legislativa, outorgada ao 
parlamento, deve-se incluir a função fiscalizatória. 
Disse se tratar uma premissa democrática, porque só assim tem-se a 
certeza de que as atribuições designadas ao parlamento são aquelas que poderiam 
ser exercidas pelo próprio titular do Poder do Estado, o povo. Desta feita, se cabe 
àquele que representa o titular a responsabilidade pela criação de todas as regras 
dirigentes do Estado e das relações jurídicas estabelecidas sob sua jurisdição, 
igualmente incorpora a contingência de fiscalizar todos que, em nome do próprio 
Estado, assim pautam as suas ações. 
No parlamento todos os agentes, independente do Poder estatal, que 
atuam em nome do Estado possuem a obrigação de se justificarem no tocante aos 
atos praticados em nome do ente, sempre quando demandados, seja pela legislação, 
seja pelo próprio parlamento. 
A consolidação do regramento normativo construído por meio do 
exercício da Função Legislativa se dá a partir da sua concretude, garantida por 
instrumentos igualmente estabelecidos na estrutura normativa. Nas relações jurídicas 
estabelecidas dentro da estrutura do Estado, ou entre o Estado e a coletividade ou 
individualidade, convivem direitos e obrigações de forma sinalagmática. 
DIREITO CONSTITUCIONAL I 
PROFESSOR: FÁBIO BARBOSA CHAVES/UNICATÓLICA 
 
A concretização das obrigações dirigidas ao Estado pelo conjunto 
normativo estabelecido pela função legislativa é de responsabilidade da Função 
Executiva. 
A organização do Estado como estrutura destinada ao cumprimento de 
suas obrigações coletivas e individuais é de responsabilidade da Função Executiva. 
As ações de políticas públicas devem ser concretizadas pelo Estado, em 
conformidade com a regra pré-imposta. Sendo assim, a máquina de efetivação destas 
obrigações deve ter organização suficiente para conseguir o cumprimento das 
premissas primevas, mediatas e imediatas do Estado. 
Para tanto, há necessidade de estrutura material suficiente para o 
alcance destes fins. A função executiva envolve a utilização de instrumentos 
patrimoniais, financeiros, humanos, entre outros, para o alcance dos seus 
desideratos. 
Administrar este conjunto estrutural, voltado à consecução dos seus fins, 
integra a Função Executiva, que não pode ser resumida ao cumprimento ou execução 
das leis. Há o envolvimento de outros critérios no cumprimento de cada ato que integra 
esta função. O elemento político-discricionário é marca indissolúvel da estrutura do 
ato administrativo efetivado pela função executiva. 
Como já destacado, considerando mais uma vez os elementos 
titularidade e legitimidade, todos os atos praticados no exercício da função executiva 
se submetem fiscalização, direta e indireta, exercida pela função legislativa. 
No início deste tópico, bem como em tópicos anteriores, foi sempre 
destacado que a estrutura de Poder dentro de um Estado acompanha o grau de 
especificidades e complexidade que se estabelece a partir da institucionalização da 
respectiva relação social. Pois bem, da mesma forma que esta complexidade passa 
a exigir a institucionalização e, com isso, a criação de uma estrutura política-jurídica, 
com a construção de regras responsáveis pela organização do Estado e pela 
regulamentação das relações jurídicas sob sua jurisdição, carece desta mesma 
estrutura de Poder estabelecer funções destinadas à solução de conflitos individuais, 
coletivos e estatais. 
As regras construídas pela função legislativa são imposições 
direcionadas à todos que sob a estrutura do Estado optaram por se colocar, inclusive 
às próprias estruturas do Estado. Nas relações jurídicas tais regras são os meios a 
serem utilizados para obtenção dos objetivos recíprocos. Ocorre que invariavelmente, 
DIREITO CONSTITUCIONAL I 
PROFESSOR: FÁBIO BARBOSA CHAVES/UNICATÓLICAa partir destas relações, extraem-se conflitos de todas as ordens, já que os interesses 
nem sempre se convergem. 
A instituição de Funções direcionados à soluções de conflitos a partir 
destas relações jurídicas, é pressuposto para o funcionamento da engrenagem 
estatal. O Poder do Estado também deve ser exercido por meio de funções 
jurisdicionais, ou seja, aquelas direcionadas à solução dos conflitos à partir da 
aplicação da estrutura normativa vigente. 
Tem-se a Função Jurisdicional, como mais um elemento estruturante 
para a consolidação do Poder do Estado, e com isso, viabilizar o funcionamento de 
não só de sua estrutura fundamente, mas de toda a sua estrutura social. 
 
 
6 SAIBA MAIS 
 
 
 
 
 
.Você sabia? 
Que o sistema de freios e contrapesos, responsável pelo equilíbrio entre 
os Poderes, mesmo cada um sendo autônomo e independente, não se 
encontram expressamente previstos na Constituição da República 
Federativa do Brasil de 1988. 
Na realidade, a carta constitucional brasileira atualmente em vigência 
estabelece através de vários dispositivos espalhados em seu texto regras 
específicas aplicadas para cada Poder, de forma a limitar ou condicionar 
o exercício de suas funções à participação de outro Poder. 
Ex. A necessária sanção presidencial para a vigência de uma Lei; a 
nomeação de um Ministro de Tribunal Superior pelo Presidente da 
República; a competência do Senado Federal para julgar o Presidente da 
República pela prática do crime de responsabilidade. 
 
 
7 FINALIZANDO 
 
 
A estrutura de Poder decorre da construção de uma estrutura social. 
A partir do momento que se estabelece uma organização social, 
vontades, anseios e desejos são extraídos da própria organização, definindo as 
justificativas para a sua construção, e os meios necessários para o seu alcance. 
DIREITO CONSTITUCIONAL I 
PROFESSOR: FÁBIO BARBOSA CHAVES/UNICATÓLICA 
 
Desta forma, tendo objetivos e motes previamente estabelecidos, por 
meio da legitimidade e representatividade são criadas estruturas de Poder. Inicia-se 
por meio de um Poder social, e a partir da sua institucionalização, se transforma em 
Poder Político. 
À institucionalização do Poder precede a fase de reconhecimento da 
complexidade das relações que integram a organização social, o que acaba por exigir 
a definição de funções diversas direcionadas às estruturas sedimentadas. A divisão 
das funções segue o direcionamento de atribuições diversas, mas complementares, 
seguindo expertises e regras específicas. 
Entre as funções do Estado, como integrantes da mesma estrutura de 
Poder, se encontram funções jurídicas e não jurídicas, aquelas vinculadas à 
construção de regras e ao cumprimento das mesmas, enquanto que nestas se insere 
elementos políticos e sociológicos, como balizadores para consecução dos seus fins. 
Na estrutura de Poder do Estado, tem-se 03 (três) funções: a função 
legislativa (regulamentadora e fiscalizadora); a função executiva (responsável pelo 
cumprimento dos objetivos do Estado); a função jurisdicional (responsável por 
solucionar conflitos decorrentes das relações jurídicas individuais e coletivas). 
 
8 DÚVIDAS FREQUENTES 
 
A estrutura de Poder do Estado pode se estabelecer a partir da 
premissa da concentração? ou necessariamente deve ser 
formada pelo equilíbrio e a horizontalidade? 
- Sob a perspectiva do Estado moderno, estruturado em 
uma estrutura democrática, não se concebe a estrutura que não 
seja horizontalidade. Mas no próprio Estado brasileiro, por meio 
de sua primeira constituição, foi montado uma estrutura de 
Poder pautado no predomínio da função executiva sob as 
demais. Tal montagem se deu por meio da previsão do Poder 
moderador. 
 
Como pode-se garantir que, ao mesmo tempo, tenha-se a 
independência e autonomia dos Poderes, e a harmonia e o 
equilíbrio entre os mesmos? 
- Cada poder conta com atribuições típicas, o que significa 
que são exercidas com exclusividade por cada um. Ocorre que 
não há poder absoluto, e por esta razão, a estrutura normativa 
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PROFESSOR: FÁBIO BARBOSA CHAVES/UNICATÓLICA 
 
irá prever mecanismos de intervenção ou limitação por meio de 
atribuições direcionadas aos outros poderes. Trata-se do 
sistema de freios e contrapesos. 
 
 
09 QUESTÕES DE SISTEMATIZAÇÃO DA APRENDIZAGEM 
 
 
Questão 1. O que é legitimidade? 
 
R.: Legitimidade é a qualidade daquilo que é legítimo, isto é, que é considerado justo 
e admitido pela legislação. 
 
 
Questão 02: Poder legal é sempre poder legítimo? 
R.: Não. O poder legal ‑ isto é, instituído por uma lei ‑ somente será legítimo quando 
for exercido em prol do povo, isto é, visando ao bem comum, de forma consentida 
 
 
Questão 03: Qual a justificativa da existência e da titularidade da soberania do Estado 
segundo as teorias teocráticas? 
R.: Segundo as teorias teocráticas, que prevaleceram no final da Idade Média, todo 
poder tem origem divina, e que Deus concede esse poder ao monarca, 
 
 
Questão 04: Qual a justificativa da existência e da titularidade da soberania do Estado 
segundo as teorias democráticas? 
R.: Segundo as teorias democráticas, que surgiram a partir do século XVII, todo poder 
tem origem no povo, representado pelo Estado, que o exerce em seu nome. 
 
 
Questão 05: Quais as fases de desenvolvimento das teorias democráticas da 
soberania? 
R.: Distinguem‑se três fases no desenvolvimento das teorias democráticas da 
soberania: a) na primeira, o povo, independentemente do Estado, é considerado o 
titular da soberania; b) na segunda fase, consolidada na época da Revolução 
Francesa e que vem até a metade do século XIX, a titularidade da soberania é 
atribuída ao povo, integrado a uma ordem social e jurídica; c) na terceira fase, que se 
DIREITO CONSTITUCIONAL I 
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consolida a partir da segunda metade do século XX, a teoria passa a considerar que 
o titular da soberania é o Estado, pessoa jurídica interna de Direito Público 
 
 
 
Questão 06: Qual o mais notável defensor da visão do poder jurídico do Estado? 
 
R.: O mais notável defensor da visão do poder jurídico do Estado é Hans Kelsen, para 
quem o fator jurídico é preponderante não apenas na forma de exercício do poder 
estatal, mas também nos outros elementos constitutivos essenciais do Estado, que 
são, além do poder (aqui entendido como autoridade), também o povo e o território. 
 
 
Questão 07: Qual a crítica mais freqüente à concepção kelseniana do poder estatal, 
como dotado de caráter exclusivamente jurídico? 
R.: Kelsen postula a existência de uma norma fundamental (Grundnorm) hipotética, 
cuja juridicidade pode somente ser suposta, mas não provada, por não ter sido criada 
por ninguém. Dessa norma jurídica fundamental, derivaria toda a ordem jurídica, 
inclusive o poder coativo do Estado. No entanto, como é necessário referir‑se sempre 
a uma ordem jurídica anterior, ao se chegar à norma fundamental, não se poderá 
afirmar que esta já é dotada de autoridade coativa. Daí a crítica feita à teoria: como a 
norma fundamental não foi estabelecida por ninguém, nem seu caráter 
exclusivamente jurídico pode ser dado como certo, nem o poder de coação que traz 
consigo, não poderá servir como base para afirmar que o poder do Estado é 
exclusivamente jurídico. 
 
 
Questão 08: Como os filósofos do Direito contemporâneos e posteriores a Kelsen 
explicam a natureza híbrida do poder estatal, isto é, seu caráter político e jurídico? 
R.: Para os filósofos contemporâneos e posteriores a Kelsen, não haveria poder que 
não fosse jurídico, embora tenha sempre um pano de fundo político. Deve ser 
entendido que o poder se apresenta segundo graus de juridicidade, isto é, o direito 
evolui desde um estado potencial até um estado positivo 
 
 
10 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
 
 
CUNHA, A. Sanches. Coleção saberes do direito ; v. 62 - Teoria geral do Estado, 1ª 
Edição.Editora Saraiva, 2012 
DIREITO CONSTITUCIONAL I 
PROFESSOR: FÁBIO BARBOSA CHAVES/UNICATÓLICA 
 
 
CUNHA, Paulo F. Teoria geral do Estado e ciência política. Editora Saraiva, 2018. 
. 
DIAS, REINALDO. Ciência Política, 2ª edição. Grupo GEN, 2013. 
 
FILOMENO, José Brito G. Teoria Geral do Estado e da Constituição. Grupo GEN, 
2019. 
 
GAMBA, Gorini, João R. Teoria Geral do Estado e Ciência Política. Grupo GEN, 2019. 
 
MALUF, Sahid. Teoria Geral do Estado. Editora Saraiva, 2018. 
 
TAVARES, A n d r é Ramos. Curso de direito constitucional. São Paulo: Saraiva, 2010 
DIREITO CONSTITUCIONAL I 
PROFESSOR: FÁBIO BARBOSA CHAVES/UNICATÓLICA 
 
AULA 05 
 
 
1 UNIDADE CURRICULAR: 
 
- DIREITO CONSTITUCIONAL I; 
- HERMENÊUTICA CONSTITUCIONAL E DIREITOS FUNDAMENTAIS; 
- MARCOS TEÓRICOS E FILOSÓFICOS DO ESTADO E DA CONSTITUIÇÃO 
 
2 TEMA 
 
TEMA 5 - Elementos da Constituição 
 
3 OBJETIVOS 
 
- Demonstrar os elementos orgânicos, limitativos, ideológicos, de estabilidade e 
formais da Constituição 
 
4 PALAVRAS-CHAVE 
 
CONSTITUIÇÃO. ELEMENTOS. FORMA. CONTEÚDO. 
 
 
5 TEXTO-BASE 
 
5.1 O DIREITO COMO ELEMENTO FORMADOR DA CONSTITUIÇÃO 
 
5.1.1 O Direito Natural 
 
São características do Direito Natural: 
 
- emanar da própria natureza; 
- ser independente da vontade do homem; 
- ser anterior e superior ao Estado; 
- segundo os antigo romanos, ser de natureza divina 
 
Exemplos: Liberdade (direito de ir e vir); livre expressão, vida; 
igualdade 
 
5.1.2 Direito Positivo 
 
É o conjunto de condições para o desenvolvimento do indivíduo e da sociedade, vinculado à 
vontade humana, e dependente das condições e garantias concedidas pelos Poderes do 
Estado. 
DIREITO CONSTITUCIONAL I 
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Tem como características: 
 
- o Direito escrito; 
- consubstanciado em atos normativos editados pelo Estado: Leis, Decretos, 
Regulamentos, Decisões judiciais, Tratados internacionais, 
etc. 
 
Na lição de Afonso Melo Franco, o direito positivo e o direito constitucional forma a seguinte 
concepção: 
 
Nos Estados democráticos, Direito Constitucional positivo é o conjunto de 
leis, regras, convenções e costumes que regulam a forma do Estado, o 
regime de governo e os direitos públicos individuais, bem como as suas 
garantias. Esta simples enunciação do território do Direito Constitucional 
demonstra que, nos países de Constituição escrita, êle não se confunde com 
o direito da Constituição, e, embora abranja a êste no seu todo, é muito mais 
amplo (FRANCO, 2018, p. 25). 
 
O direito positivo, segundo a doutrina mais tradicional, ainda refletida na estrutura acadêmica 
da maioria dos cursos de direito do Brasil, se divide em 02 (dois) grandes áreas: 
 
a) O Direito Público 
 
• É aquele que regula o Direito do Estado. 
• O sujeito de Direito Público é o Estado. 
• O Direito provém do Estado. 
 
Exemplo: Direito Constitucional, Direito Administrativo, Direito Penal, Direito Tributário 
 
b) O Direito Privado 
 
• É aquele que diz respeito aos interesses particulares; 
• O sujeito do Direito Privado é a pessoa; 
• Essa pessoa pode ser física ou jurídica. 
 
Exemplo: Direito Civil, Direito Empresarial, Direito do Trabalho 
 
➤A POSIÇÃO DO DIREITO CONSTITUCIONAL NO QUADRO GERAL DO DIREITO: 
 
• O Direito Constitucional é um ramo do Direito Público 
• O Direito Constitucional pode se apresentar como direito constitucional 
geral e direito constitucional especial 
DIREITO CONSTITUCIONAL GERAL 
• É a Teoria Geral do Estado. 
• Apresenta a estrutura teórica da disciplina. 
DIREITO CONSTITUCIONAL I 
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5.2 AS CONSTITUIÇÕES: CLASSIFICAÇÃO 
 
 
a) Quanto a sua origem: 
 
Assim estabelece Alexandre de Moraes em sua classificação: 
 
São promulgadas, também denominadas democráticas ou populares, as 
Constituições que derivam do trabalho de uma Assembleia Nacional 
Constituinte composta de representantes do povo, eleitos com a finalidade 
de sua elaboração (exemplo: Constituições brasileiras de 1891, 1934, 1946 
e 1988) e constituições outorgadas as elaboradas e estabelecidas sem a 
participação popular, através de imposição do poder da época (exemplo: 
Constituições brasileiras de 1824, 1937, 1967 e EC nº 01/1969) (MORAES, 
2019, p. 19) 
 
a.1) Constituição Democrata / Popular / Promulgadas 
 
• Requisitos: 
 
- são feitas por representantes do povo; 
- estes representantes são eleitos para o fim específico de elaborar uma 
Constituição (Assembleia Constituinte) 
 
a.2) Constituições Outorgadas ou Impostas 
 
• Requisitos: 
- processos revolucionários, ditatoriais 
 
b) Quanto ao modo de elaboração: 
 
Segundo a delimitação feita por Marcelo Novelino, “Este critério leva em conta o modo 
de surgimento da Constituição” (NOVELINO, 2014, p. 90) 
 
b.1) Constituição Dogmática: 
 
- Fruto de dogmas e ideias formadas e dominantes em certa época ou em um 
determinado momento da história. 
- Ela se forma de uma só vez, por isso será sempre Escrita. 
 
b.2) Constituição Costumeira: 
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- Trata-se daquelas constituições que se formam lentamente ao longo do tempo. 
- Fruto de um conjunto de costumes, sedimentado ao longo do tempo, que vão 
fazendo parte da Constituição. 
 
Ex. Constituição Inglesa. 
 
 
c) Quanto a Estabilidade: 
 
Quanto ao grau de dificuldade de alteração da Constituição, não comparando com 
outras constituições, mas com o próprio processo legislativo do País que prevê para 
alteração do texto constitucional. 
 
 
c.1) Constituições Rígidas: 
 
 
- Maior estabilidade ou grau de dificuldade maior para sua alteração, quando comparado ao 
processo legislativo ordinário e o procedimento para alteração de seu texto. 
Para caracterização desta modalidade classificatória, deve-se empreender um esforço 
comparativo entre dois processos legislativos (alteração de um texto legal): o processo de 
alteração e criação de uma Lei; e o processo de alteração do texto constitucional que se 
encontra em vigência. 
 
Ex. maiores prazos, maiores quoruns, debates, etc. 
 
A Constituição da República Federativa do Brasil, promulgada em 1988, prevê regra 
específica para sua alteração. Deve-se alcançar o quórum mínimo de aprovação de ⅗ do 
total membros do parlamento; enquanto que para alteração de uma Lei ordinária, exige-se o 
quórum mínimo de aprovação de maioria relativa (a maioria dos presentes na sessão). 
 
c.2) Constituições Flexíveis: 
 
 
Refere-se aquelas onde a maneira de alteração da Constituição e a mesma daquela 
utilizada para se alterar uma Lei Ordinária. 
 
Ex. Constituição Inglesa. O parlamentar possui poder permanente. 
 
Neste modelo constitucional, não existe poder constitucional reformador. Da mesma forma 
que inexiste supremacia formal da Constituição frente às normas infraconstitucionais. Por 
consequência, deixa de existir o controle de constitucionalidade 
 
 
5.2 PODER CONSTITUINTE 
DIREITO CONSTITUCIONAL I 
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Importante iniciar este tópico, atento sempre lúcida lição do Professor Pedro Lenza, 
 
O poder constituinte originário (também denominado inicial, inaugural, 
genuíno ou de 1.o grau) é aquele que instaura uma nova ordem jurídica, 
rompendo por completo com a ordem jurídica precedente. O objetivo 
fundamental do poder constituinte originário, portanto, é criar um novo 
Estado, diverso do que vigorava em decorrência da manifestação do poder 
constituinte precedente (LENZA, 2019, p. 207) 
 
5.2.1 Legitimidade e Titularidade 
 
• Legitimidade: 
 
Trata-se de requisito de aferição acerca da validade de quem toma a iniciativa e 
efetivamente atua na elaboração, aprovação e alteração da Constituição. 
A legitimidade pode ser direta ou indireta. 
No regime democrático, a legitimidade se concretiza quando se verifica que o 
representante do povo (titular),é aquele que exerce a atividade constituinte. 
 
• Titularidade: 
 
Para se aferir o cumprimento do requisito “legitimidade”, deve-se antepor a análise de 
titularidade. Não basta saber se o legislador constituinte é legítimo, necessário, de 
antemão, identificar a titularidade do Poder. 
Somente o titular do poder pode ser representado. E para ser representado, deverá 
haver a outorga. 
A outorga do Poder, nos regimes democráticos, se efetiva por meio do voto. 
 
5.2.2 Exercício do Poder Constituinte 
 
Trata-se do que se faz no intuito direto de elaboração da Constituição, definindo o seu 
procedimento, seu conteúdo e sua vigência. 
 
Necessário os legisladores dotados de legitimidade, no ato da sua elaboração ou 
posterior alteração, compreender quais são os seus efeitos perante a comunidade 
onde se faz cogente. 
 
Uma coisa é ser o titular Poder necessário para sua criação/alteração, outra é o 
exercício deste mesmo Poder. 
 
A titularidade pode ser usurpadora. Se a titularidade corresponder ao exercício, há 
legitimidade; se isso não ocorrer, há a ilegitimidade. 
DIREITO CONSTITUCIONAL I 
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O Poder Constituinte está acima da Constituição, e não é retirado de uma norma pré- 
existente, mas de um Poder Jurídico. 
 
Para a doutrina positivista, o Poder Constituinte é um Poder Jurídico, pois retira sua 
força de um fator ou vontade social, que implica na construção de uma norma jurídica. 
Para os jusnaturalistas, o poder constituinte seria um poder de direito, abaixo do 
direito natural. 
 
Prevalece a compreensão do Poder Constituinte à partir da corrente positivista, ou 
seja, se trata de um poder de fato ou político, e que resulta na construção da norma 
jurídica. 
 
5.2.3 Espécies 
 
a) Poder Constituinte Originário 
 
Trata-se do Poder Constituinte necessário para a elaboração de uma NOVA 
Constituição. 
 
Por esta razão, não se encontra vinculado a nenhum sistema político, econômico ou 
social existente, pois a implementação de uma nova constituição impõe a plena 
liberdade quanto à escolha do modelo de Estado que se irá configurar após a sua 
vigência. 
 
Suas características são: 
 
- Inicial 
- Autônomo 
- Incondicionado 
- Ilimitado 
 
A análise destas 04 (quatro) características leva à concluir que se trata de um Poder 
de fato e de direito. Representa não necessariamente o rompimento com uma 
estrutura jurídica, mas a liberdade de decisão. Se decidir manter ou apenas 
reestruturar o modelo de Estado vigente quando da Constituição revogada; ou, se 
preferir, romper completamente, e estabelecer novos paradigmas e modelos 
constitucionais para o Estado e para o indivíduo. 
 
Se trata de um Poder Inicial, já que antes dele não se admite a vigência de outro texto 
constitucional. Não há sistema constitucional com vigência prévia, sendo que a 
legislação infraconstitucional já estabelecida antes da nova Constituição poderá ou 
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não ser recepcionada, à medida que se verifique a respectiva compatibilidade com as 
novas regras e diretrizes constitucionais. 
 
Não há dependência ou condicionante ao seu texto, ou ao seu procedimento. Como 
já destacado, as regras, limites e condições impostas à Constituição estavam 
expostas no texto da Constituição revogada. Desta forma, deixa de representar 
qualquer força cogente. 
 
Por fim, não há limitação imposta ao exercício do Poder Constituinte Originário, pois 
aquelas que antes existiam estavam expostas no texto da Constituição agora 
revogada, o que retira por completo a sua validade. 
 
Os limites, dependências e condições impostas à nova constituição serão apenas as 
que foram trazidas pelo próprio Poder Constituinte Originário para a nova 
Constituição. 
 
b) Poder Constituinte Derivado 
 
O Poder Constituinte Derivado é aquele que possui como objeto de análise e 
incidência, a Constituição que se encontra em vigência. 
 
Trata-se do processo de manutenção ou permanência de sua força cogente, de sua 
permeabilidade nos fatores de poder e de sua contemporaneidade. 
 
Se divide em: Poder Derivado Reformador; Poder Derivado Revisor; Poder Derivado 
Decorrente. 
 
b.1) Reformador: 
O Poder Constituinte Derivado Reformador é aquele responsável pela reforma ou 
alteração da constituição. 
O Artigo 60, da Constituição da República Federativa do Brasil - CRFB/88 estabelece 
a legitimidade e o procedimento para que se proceda a alteração do texto 
constitucional. 
A alteração do texto constitucional se inicia com a apresentação das autoridades 
legítimas de uma Proposta de Emenda Constitucional - PEC, perante o Poder 
Legislativo, que, por sua vez, delibera acerca da sua constitucionalidade formal e 
material, para depois votar pela aprovação ou rejeição. 
 
A existência de regras para alteração do seu texto constitucional, bem como a 
definição do respectivo procedimento, dependem do Poder Constituinte Originário. Na 
CRFB/88, há procedimento próprio, com apontamentos específicos que evidenciam a 
rigidez do seu modelo. 
DIREITO CONSTITUCIONAL I 
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b.2) Revisor: 
 
O Poder Constituinte Derivado Revisor é o responsável pela revisão da constituição. 
 
A revisão constitucional, ao contrário do reforma, é o procedimento que se efetiva 
sobre todo o texto constitucional em uma só oportunidade. Não há o desejo de se 
alterar um só artigo, inciso ou alínea, mas a oportunidade para rever todo o conjunto 
da Constituição. 
 
Este procedimento é previsto a fim de se constatar se, após determinado tempo de 
vigência, a população, diretamente ou meio de seus representantes, desejam manter 
o texto aprovado da forma que está, ou se pretende realizar qualquer tipo de alteração 
ou adaptação. 
 
Por meio desta possibilidade, constata-se que o legislador constituinte reconhece a 
sua falibilidade, viabilizando aos impactados com o texto constitucional a possibilidade 
de corrigir aquilo que não funcionou. 
 
Mais uma vez, tomando como exemplo a CRFB/88, mais especificamente no artigo 
3º. do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias - ADCT, o Poder Constituinte 
originário, ao construir as regras de transição da Constituição de 1988, previu a 
realização de uma revisão constitucional 05 (cinco) anos após o início da sua vigência. 
Desta forma, realizou-se no ano de 1993 a revisão constitucional. 
 
Dentre os marcos da expressão do Poder Constituinte Derivado Revisor teve-se o 
Plebiscito para a definição da forma de estado e do sistema de governo que deveria 
viger no Estado brasileiro. Na oportunidade, os eleitores brasileiros optaram pela 
Forma Republicana e o Sistema Presidencialista. 
 
b.3) Decorrente 
 
Poder Constituinte Derivado Decorrente é aquele responsável pela criação das 
Constituições dos Estados membros. 
 
A instituição e previsão desta espécie depende do modelo do Estado. Nos Estados 
Unitários não há que se falar nesta espécie de Poder Constituinte Derivado; mas nos 
Estados Federados torna-se imprescindível a sua implementação. 
 
O Estado brasileiro, como exemplo de Estado Federativo, vigora o princípio da União 
indissolúvel dos Estados que integram o seu território, que terão autonomia legislativa. 
DIREITO CONSTITUCIONAL I 
PROFESSOR: FÁBIO BARBOSA CHAVES/UNICATÓLICA 
 
A forma de se outorgar e reconhecer a autonomia legislativa dos Estados da 
federação é por meio da existência e vigência dentro dos seus próprios territórios das 
suas Constituições Estaduais. E esta previsão é possível em face do Poder 
Constituinte Derivado Decorrente. 
 
Não obstante a autonomia descrita, permanecem as Constituições Estaduais, assim 
como todo o sistema normativo brasileiro infraconstitucional, subordinado aos ditames 
da Constituição da República. 
 
5.3 LIMITES 
 
5.3.1 - Princípio da Proibição do Retrocesso: 
 
Quanto ao Poder Constituinte Originário,como já discriminado, não há que se falar 
em limites, sendo que suas características são: autonomia e não dependência. 
 
Convém, mesmo assim, explanar acerca de uma teoria construída sobretudo pela 
jurisprudência brasileira, que impõe, em tese, limite ao Poder Constituinte Originário. 
Trata-se do que se define como “Princípio da Proibição do Retrocesso”. 
 
Partindo do pressuposto de que a Constituição não obedece o direito adquirido e 
outras regras pré- existentes, mesmo assim, estaria, de forma implícita, a proibição 
de retrocesso. Trata-se de uma consagração das características dos direitos 
fundamentais. 
 
É uma limitação meta-jurídica, fora do direito, que limita o poder constituinte originário, 
e difere das Cláusulas Pétreas, já que estas limitam o Poder Constituinte derivado. 
 
Porém, merece destaque de forma sistemática os limites impostos ao Poder 
Constituinte Derivado. 
 
5.3.2 Limites ao Poder Constituinte Derivado 
 
a) Limitações materiais 
 
As limitações materiais excluem determinadas matérias ou conteúdos da 
possibilidade de abolição, visando assegurar a integridade da constituição, impedindo 
que eventuais reformas provoquem a destruição de sua unidade fundamental. 
 
Na CRFB/88 encontram presentes no artigo 60, parágrafo 4º: cláusulas pétreas. 
DIREITO CONSTITUCIONAL I 
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Não significa dizer que todas as limitações se encontram neste dispositivo. Na 
realidade, o inciso IV deste parágrafo inclui como cláusulas pétreas os direitos e 
garantias individuais. Por esta razão, e estando estes direitos incursos em outros 
dispositivos da CRFB/88, pode-se dizer que há limites materiais ao Poder Constituinte 
Derivado em diversos dispositivos da Constituição. 
 
As cláusulas pétreas representam limitações materiais porque impedem que sejam 
aprovadas Emendas Constitucionais que tendem a abolir ou até mesmo mitigar os 
seus preceitos. Sendo possível conseguir este intento apenas por meio do Poder 
Constituinte Originário. 
 
 
b) Limitações Formais 
 
As limitações formais se encontram entre os requisitos e condições que deverão ser 
atendidos para que seja possível implementar o Poder Constituinte Derivado. Ou seja, 
trata-se de regras formais ou procedimentais que devem ser perseguidos pelo 
legislador. 
 
O não atendimento de qualquer regra relacionado à forma ou ao procedimento para 
se implementar uma alteração à Constituição faz com que a nulidade ou vício de 
constitucionalidade alcance todo o conjunto. 
 
b.1) Limitações Formais Subjetivas 
 
São as regras formais ou procedimentais relacionadas ao sujeito, qual sejam, aqueles 
que são considerados legítimos à promover ou à iniciar o procedimento de alteração 
da Constituição.. 
 
Trata-se de uma limitação, já que quando comparados aos sujeitos legítimos à 
apresentar uma proposta de lei infraconstitucional (art. 61), verifica-se um rol muito 
mais restrito e seletivo. 
 
Ver os legítimos especificados nos dois dispositivos da CRFB/88: 
 
 
CRFB/88 - Art. 60: Proposta de 
Emenda Constitucional: são 
legítimos à apresentar 
CRFB/88 - Art. 61: Projeto de Lei: são 
legítimos à apresentar 
DIREITO CONSTITUCIONAL I 
PROFESSOR: FÁBIO BARBOSA CHAVES/UNICATÓLICA 
 
 
- um terço, no mínimo, dos membros da 
Câmara dos Deputados ou do Senado 
Federal; 
 
- Presidente da República; 
 
- mais da metade das Assembléias 
Legislativas das unidades da Federação, 
manifestando-se, cada uma delas, pela 
maioria relativa de seus membros. 
 
- qualquer membro ou Comissão 
da Câmara dos Deputados, do 
Senado Federal ou do Congresso 
Nacional 
- ao Presidente da República 
- ao Supremo Tribunal Federal 
- aos Tribunais Superiores, 
- ao Procurador-Geral da República 
- aos cidadãos, na forma e nos 
casos previstos nesta 
Constituição. 
 
 
b.2) Limitações Formais Objetivas 
 
São as regras formais ou procedimentais relacionadas às regras objetivas, e que em 
razão das dificuldades que geram para a implementação da alteração do texto 
constitucional, implicam em limitações. 
 
- Quórum: 
 
Para aprovação de uma Proposta de Emenda Constitucional exige-se o quorum 
qualificado: 3/5 dos membros de cada casa ou 60% do total de integrantes. 
 
Ex. Câmara dos Deputados: total de 513 integrantes. Para aprovação de uma PEC, 
exige-se a aprovação de no mínimo 308 Deputados Federais. 
Senado Federal: total de 81 integrantes. Para aprovação de uma PEC, exige-se 
aprovação de no mínimo 49 senadores. 
 
- Turnos de Votação: 
 
Além do quórum qualificado em cada casa do Poder legislativo, ainda se exige que 
esta aprovação se dê em 02 (dois) turnos em cada casa. 
 
Obs. Não há necessidade de SANÇÃO ou VETO do Presidente da República. Após 
a aprovação, vai direto para a sua promulgação, que será feita em conjunto pelo mesa 
da Câmara e do Senado. Não é a mesa do Congresso. 
 
- Proibição de nova apresentação de PEC na mesma seção legislativa 
DIREITO CONSTITUCIONAL I 
PROFESSOR: FÁBIO BARBOSA CHAVES/UNICATÓLICA 
 
Seção legislativa: regra prevista no art. 60, par. 5º.c/c artigo 62, par. 10 da 
CRFB/88: 
 
Inicia-se em 02 de fevereiro e Termina em 17 de julho – 1º. Período Legislativo 
Reinicia-se em 01 de agosto e Termina em 22 de dezembro – 2º. Período Legislativo 
 
1º. Período legislativo + 2º. Período legislativo = SEÇÃO LEGISLATIVA 
 
Quando uma Proposta de Emenda Constitucional é rejeitada, ela só poderá ser 
reapresentada na próxima sessão legislativa. 
 
Poderá ser reexaminado na mesma legislatura, que corresponde à 04 anos. 
 
 
- Limitação ao Poder Constituinte Derivado Revisor 
 
A Revisão possui limitação temporal, ou seja, só poderá ser feita após 05 anos (artigo 
3º., ADCT), não havendo limitações materiais ou circunstanciais. 
 
Para Revisão, limitação formal: maioria absoluta em seção unicameral. Não há 
deputados em uma casa e senadores em outra casa, mas ambas se unem para um 
votação conjunta. 
 
 
Obs. Seção conjunta difere de Seção unicameral: já que naquela há a reunião dos 
membros do Senado e da Câmara para deliberar, mas votam separadamente. Na 
Seção unicameral há a reunião dos membros do Senado e da Câmara para deliberar, 
e também votam em conjunto. 
 
A seção unicameral ocorre no caso da Revisão Constitucional prevista no artigo 3º. 
do ADCT. 
 
 
6 SAIBA MAIS 
 
 
 
 
 
.Você sabia? 
 
Entre todos os Poderes da República, o único legítimo à apresentar 
proposta de Emenda Constitucional, e ao mesmo tempo legítimo à 
DIREITO CONSTITUCIONAL I 
PROFESSOR: FÁBIO BARBOSA CHAVES/UNICATÓLICA 
 
apresentar um projeto de Lei ordinária ou complementar é o Presidente 
da República. 
 
 
7 FINALIZANDO 
 
 
A Constituição representa um marco não só teórico, mas sobretudo 
fático, responsável pelo rompimento de realidades marcadas pela ausência de limites 
objetivamente instituídos, e pela sobreposição do Estado, como titular do Poder, à 
vontade coletiva e individual. 
A implementação das constituições junto aos Estados modernos fez com 
que as relações jurídicas estabelecidas entre Estado e cidadão, e entre os próprios 
cidadãos, fossem balizadas por fundamentos primevos, de força cogente. 
O próprio sistema jurídico formado à partir de uma constituição passa a 
ter características respeito à um centro normativo. Desta forma, há a garantia de que 
as relações jurídicas se estabelecerão em consonância com o mote principal extraído 
da carta magna. 
Ao longo da história constitucionalista, notou-se o surgimento de textos 
constitucionais a partir de diversos contextos, como: processos democráticos 
participativos, revoluções, guerras, revoltas, ditaduras, totalitarismos, entre outros. 
Independente da causa, inevitavelmente há em seguida o 
reconhecimento da necessidade de se sedimentar as características principais do 
novo Estado que se surge por meio da uma nova Constituição. 
Não menos importante, tem-se na carta magna a necessidade de sua 
manutençãoe consonância com as realidades sociais, políticas, econômicas e 
culturais da comunidade sobre a qual possui vigência. Desta forma, o Poder 
Constituinte Derivado é manejado a fim de zelar pela manutenção do alcance de todos 
estes objetivos. 
Os limites são previamente estabelecidos pelo Poder constituinte 
originário, para serem respeitados enquanto a respectiva carta magna permanecer 
em vigência. 
O Estado brasileiro, não obstante sua curta história constitucional, 
experimentou o Poder Constituinte Originário por 07 (sete) oportunidades: em 1824; 
1891; 1934; 1937; 1946; 1967; 1988. E por diversas vezes, os motivos de sua 
expressão se diferenciaram. Mesmo assim, não há que se medir o grau de 
legitimidade ou validade que obtiveram, mesmo diante da variação do tempo de 
vigência. 
 
 
8 DÚVIDAS FREQUENTES 
DIREITO CONSTITUCIONAL I 
PROFESSOR: FÁBIO BARBOSA CHAVES/UNICATÓLICA 
 
-Uma nova constituição surge necessariamente pela vontade popular? 
R. Não. Há constituições que surgem por processos revolucionários, 
revoltosos ou ditatoriais. 
-Uma Constituição em vigência deve contar regras condicionantes para 
o exercício do Poder Constitucional Originário? 
R. Não. O Poder Constituinte Originário é inicial e incondicionado. Ou 
seja, mesmo que as tenham na constituição em vigência, não haverá 
qualquer obrigação em ser seguida. 
-Quantas constituições o Estado brasileiro já teve em sua história? 
R. 07 Constituições: 1824; 1891; 1934; 1937; 1946; 1967; 1988. 
- Até o presente momento, qual a constituição brasileira com o 
maior prazo de vigência? 
R. Constituição de 1824. 
 
09 QUESTÕES DE SISTEMATIZAÇÃO DA APRENDIZAGEM 
 
 
Marque a alternativa correta: 
 
Questão 1. Constituição não escrita é aquela que não é reunida em um documento 
único e solene, sendo composta de costumes, jurisprudência e instrumentos escritos 
e dispersos, inclusive no tempo. 
a) Certo 
b) Errado 
Questão 02. A norma programática vincula os comportamentos públicos futuros, 
razão pela qual, no Brasil, todas as normas constitucionais são imperativas e de 
cumprimento obrigatório. 
a) Certo 
b) Errado 
 
Questão 03. A Constituição rígida, diferentemente da imutável, que não está sujeita 
a alterações, pode ser alterada pelo processo legislativo ordinário. 
 
a) Certo 
b) Errado 
 
Questão 04. A CF regulamenta diversas matérias que não dizem respeito a princípios 
e normas gerais de regência, razão por que é classificada como analítica. 
a) Certo 
b) Errado 
DIREITO CONSTITUCIONAL I 
PROFESSOR: FÁBIO BARBOSA CHAVES/UNICATÓLICA 
 
Questão 05. Conforme a teoria normativa do Estado, a constituição do Estado decorre 
de um contrato voluntário entre os indivíduos e o monarca, que, em troca do exercício 
do poder, lhes provê segurança. 
a) Certo 
b) Errado 
 
Questão 06. Como só pode ser modificada por meio de emendas constitucionais, a 
CF, lei fundamental do Estado brasileiro, é considerada semirrígida. 
a) Certo 
b) Errado 
 
Questão 07. Consoante a concepção sociológica, a constituição de um país consiste 
na soma dos fatores reais do poder que o regem, sendo, portanto, real e efetiva. 
a) Certo 
b) Errado 
 
Questão 08. Em determinado país, como resultado de uma revolução popular, os 
revolucionários assumiram o poder e declararam revogada a Constituição então em 
vigor. Esse mesmo grupo estabeleceu uma nova ordem constitucional consistente em 
norma fundamental elaborada por grupo de juristas escolhido pelo líder dos 
revolucionários. 
Com base nessa situação hipotética, julgue o item a seguir. 
A nova Constituição desse país não pode ser considerada uma legítima manifestação 
do poder constituinte originário, visto que sua outorga foi feita sem observância a 
nenhum procedimento de aprovação predeterminado. 
a) Certo 
b) Errado 
 
Questão 10. O poder constituinte estadual classifica-se como decorrente, em virtude de 
consistir em uma criação do poder constituinte originário, não gozando de soberania, 
mas de autonomia 
a) Certo 
b) Errado 
 
10 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
 
CUNHA, A. Sanches. Coleção saberes do direito ; v. 62 - Teoria geral do Estado, 1ª 
Edição. Editora Saraiva, 2012 
 
 
DIAS, REINALDO. Ciência Política, 2ª edição. Grupo GEN, 2013. 
DIREITO CONSTITUCIONAL I 
PROFESSOR: FÁBIO BARBOSA CHAVES/UNICATÓLICA 
 
 
FRANCO, Afonso Arinos Melo. Curso de Direito Constitucional Brasileiro - Coleção 
Constitucionalismo Brasileiro, 3ª edição. Grupo GEN, 2018. 
 
LENZA, Pedro. Direito constitucional esquematizado. Editora Saraiva, 2019. 
MORAES, Alexandre de. Direito Constitucional, 35ª edição. Grupo GEN, 2019. 
NOVELINO, Marcelo. Manual de Direito Constitucional - Volume Único, 9ª edição. 
Grupo GEN, 2014.. 
	1 UNIDADE CURRICULAR:
	2 TEMA
	3 OBJETIVOS
	4 PALAVRAS-CHAVE
	5 TEXTO-BASE
	6 SAIBA MAIS
	7 DICA DE LEITURA
	8 FINALIZANDO
	9 DÚVIDAS FREQUENTES
	10 QUESTÕES DE SISTEMATIZAÇÃO DA APRENDIZAGEM
	11 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
	1 UNIDADE CURRICULAR: (1)
	2 TEMA (1)
	4 PALAVRAS-CHAVE (1)
	5 TEXTO-BASE (1)
	6 SAIBA MAIS (1)
	7 FINALIZANDO
	8 DÚVIDAS FREQUENTES
	09 QUESTÕES DE SISTEMATIZAÇÃO DA APRENDIZAGEM
	e) V, V, F, V, V
	10 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
	1 UNIDADE CURRICULAR: (2)
	2 TEMA (2)
	4 PALAVRAS-CHAVE (2)
	5 TEXTO-BASE (2)
	6 SAIBA MAIS (2)
	7 FINALIZANDO (1)
	8 DÚVIDAS FREQUENTES (1)
	09 QUESTÕES DE SISTEMATIZAÇÃO DA APRENDIZAGEM (1)
	10 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS (1)
	1 UNIDADE CURRICULAR: (3)
	2 TEMA (3)
	4 PALAVRAS-CHAVE (3)
	5 TEXTO-BASE (3)
	6 SAIBA MAIS (3)
	7 FINALIZANDO (2)
	8 DÚVIDAS FREQUENTES (2)
	09 QUESTÕES DE SISTEMATIZAÇÃO DA APRENDIZAGEM (2)
	10 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS (2)
	1 UNIDADE CURRICULAR: (4)
	2 TEMA (4)
	3 OBJETIVOS (1)
	4 PALAVRAS-CHAVE (4)
	5 TEXTO-BASE (4)
	5.2 AS CONSTITUIÇÕES: CLASSIFICAÇÃO
	5.2 PODER CONSTITUINTE
	5.3 LIMITES
	6 SAIBA MAIS (4)
	7 FINALIZANDO (3)
	8 DÚVIDAS FREQUENTES (3)
	09 QUESTÕES DE SISTEMATIZAÇÃO DA APRENDIZAGEM (3)
	10 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS (3)ciências sociais, não se 
cogitando usurpá-las. 
[...] 
É constituído pelo conjunto de instituições referentes à autoridade, isto é, ao domínio 
de certos homens sobre outros homens. 
 
 
Por fim, Reinaldo Dias (2013), fazendo menção à lista elaborada pela UNESCO 
(Organização para Educação, a Ciência e a Cultura das Nações Unidas), identifica 
quatro áreas para delimitar o campo de estudo da Ciência Política: a Teoria Política; 
as Instituições Políticas; os Partidos, grupos e opinião pública; as Relações 
Internacionais. 
 
5.4 Relação da ciência política com o direito e a teoria geral do estado 
 
Após a compreensão e a abrangência atribuídas ao termo Política, enfatizando a sua 
inserção no âmbito científico, com a introdução de método previamente elaborado 
para se depurar as características advindas da Política, a partir do seu sujeito e, 
principalmente, dos objetivos almejados, necessário abordar a Ciência Política em 
comparação com outras disciplinas igualmente relevantes para compreensão do 
contexto social, como a Teoria Geral do Estado e o Direito Constitucional. 
 
Como sendo responsável pela análise e comprovação de fenômenos constatados a 
partir da técnica de verificação, a ciência busca estabelecer nexos causais entre 
ações e consequências, na busca de sistematizar o conhecimento. Quando se está 
diante do objeto social, qual seja, o viver em sociedade, igualmente a ciência incide 
DIREITO CONSTITUCIONAL I 
PROFESSOR: FÁBIO BARBOSA CHAVES/UNICATÓLICA 
 
neste contexto, sistematizando e elaborando o conhecimento extraído a partir da 
observação e da comprovação, para que seja aplicado na análise de realidades 
sociais. 
 
Quando se empreende este mesmo caminho, porém, incidindo as observações e 
comprovações ao campo de estudo restrito à organização do Estado, tem-se 
igualmente uma disciplina científica, porém denominada Teoria Geral do Estado. 
(DALLARI, 2013) 
 
Por isso, a compreensão da ciência política e da teoria geral do Estado corresponde 
a compreensão dos movimentos atuais de crítica e reorganização da estrutura do 
Estado, sobretudo quando se refere à reavaliação da posição do Estado frente a 
sociedade e da dinâmica da globalização (CHEVALLIER, 2009) 
 
O direito constitucional, como disciplina jurídica central, tem o seu campo de 
incidência direcionado às normas (regras e princípios) inseridos no texto da 
Constituição de determinado Estado. Ocorre que este campo de incidência 
corresponde o conjunto normativo responsável pela organização do Estado e da sua 
respectiva sociedade. 
 
Desta forma, é comum se encontrar inserido no campo desta disciplina jurídica 
marcos teóricos próprios da ciência política e da Teoria Geral do Estado. Tal 
constatação não representa nenhum risco de antinomia, confusão ou contradição, 
mas de integração. 
 
O que viabiliza a compatibilização e a complementariedade destes ramos do saber 
científico é a delimitação de suas hipóteses de incidência: Sociedade (Ciência 
Política), Estado (Teoria Geral do Estado) e Relações Jurídicas (Direito 
Constitucional). 
 
6 SAIBA MAIS 
 
 
Entender as relações entre o indivíduo e o Estado é aceitar 
uma complexidade interdisciplinar: somente se apreende o todo se forem 
considerados fatores históricos, econômicos, filosóficos e, até mesmo, 
psicológicos (MORAIS, 2010, p. 9). 
Indicações para justificar o tema: 
- Filme: A Onda “Die Welle” (Dennis Gansel) – 2011 
DIREITO CONSTITUCIONAL I 
PROFESSOR: FÁBIO BARBOSA CHAVES/UNICATÓLICA 
 
 
7 DICA DE LEITURA 
 
- Livro: Memórias da Segunda Guerra (Volume I), por Winston Churchill (Autor) 
 
 
8 FINALIZANDO 
 
A política é o atributo inerente à natureza humana, se efetiva em ambiente através do 
qual se exige interação, inter-relação e, invariavelmente, o estabelecimento de 
relações de Poder. 
 
A sistematização de técnicas incidentes sobre o sujeito político e a sua atividade 
política compreende a ciência política. 
 
A abordagem interdisciplinar, considerando a Teoria Geral do Estado e o Direito 
Constitucional, viabiliza àquele que se no campo da ciência política entender, 
desconstruir e construir conhecimentos, a partir de um vasto campo argumentativo, 
composto por fundamentos teóricos, hipóteses históricas probantes, apresentação de 
elementos fáticos enquadrados em hipóteses em tese, entre outras possibilidades. 
 
9 DÚVIDAS FREQUENTES 
 
- A política só pode ser exercida por aquele que exerce atividade político- 
partidária? 
 
Resposta: A política é um fenômeno decorrente da interação entre a natureza 
humana e o ambiente social. Não se trata de uma atividade compreendida nas 
relações político-partidárias, não obstante o agir entre tais agentes compreende, via 
de regra, atos decorrentes de atividade política. 
 
As relações que se estabelecem em um ambiente de convivência social impõe ao 
indivíduo a interação a fim de que expresse seus anseios, crenças, vontades, de 
forma compatibilizada com regras expressas ou tácitas vigentes no respectivo 
ambiente. 
 
A política, desta forma, apresenta-se como característica inerente à todo ser humano 
que se encontra integrado a algum meio social. 
 
- Na disciplina de Direito constitucional estuda-se ciência política e teoria geral 
do estado? 
https://www.amazon.com.br/s/ref%3Ddp_byline_sr_ebooks_1?ie=UTF8&field-author=Winston%2BChurchill&text=Winston%2BChurchill&sort=relevancerank&search-alias=digital-text
DIREITO CONSTITUCIONAL I 
PROFESSOR: FÁBIO BARBOSA CHAVES/UNICATÓLICA 
 
Resposta: Na disciplina de direito constitucional, inserida no curso de direito e alguns 
cursos na área de ciências sociais, insere-se normas (regras e princípios) constantes 
no texto constitucional em vigência em determinado local e momento. 
 
Dentre tais normas, invariavelmente, encontra-se a estrutura do Estado, com a 
delimitação dos Poderes, a forma de exercício e as respectivas competências. Desta 
forma, não há como deixar de ser abordado a Teoria Geral do Estado, porém, a partir 
daquelas regras já expressamente estabelecidas. 
 
Na Teoria Geral do Estado, não necessariamente se estuda normas/regras/princípios 
a partir de determinada realidade já estabelecida, mas de uma forma ampla, todas as 
possibilidades organizacionais. O que torna o seu estudo mais amplo, possibilitando 
a compreensão dos sistemas de organização estatal aplicáveis em diferentes 
contextos, a depender daquele que o respectivo Estado venha a adotar. 
 
10 QUESTÕES DE SISTEMATIZAÇÃO DA APRENDIZAGEM 
 
Questão 01) O processo de globalização do capitalismo ensejou a configuração de 
um mercado mundial e a existência de atores e centros de poder supranacionais. 
Essas transformações afetaram o papel do Estado moderno como centro de poder e 
como protagonista da política internacional. 
 
Diante do processo de globalização, mencionado no texto, verifica-se que 
 
a) atuação dos Estados nacionais não foi eliminada, mas houve necessidade de 
redefinição do seu papel frente as suas respectivas sociedades e às relações 
políticas internacionais. 
b) a manutenção da soberania no Estado moderno tornou-se dependente de 
adaptações na orientação política adotada pelos governantes. 
c) o Estado moderno perdeu a sua soberania, visto que o controle exercido pelo 
mercado e pelos centros de poder mundiais compromete a autonomia para o 
desenvolvimento de ações nos âmbitos sociopolítico e econômico. 
d) o Estado moderno foi revigorado e a sua primazia política nas relações 
internacionais foi fortalecida, embora tais consequências desse processo fossem 
imprevisíveis. 
e) a concepção absoluta de soberania dos Estados nacionais foi flexibilizada, pois os 
interesses econômicos e políticos internacionais foram colocados acima das questões 
nacionais. 
 
Questão 02) 
 
Texto 1 
DIREITO CONSTITUCIONAL I 
PROFESSOR: FÁBIO BARBOSA CHAVES/UNICATÓLICA 
 
 
Ninguém pode atualmente eximir-se da reflexividade que caracteriza o espíritomoderno. Seria absurdo, daqui por diante, confinar-se na ingenuidade e nos limites 
tranquilizadores de uma tradição fechada sobre si mesma, no momento em que a 
consciência moderna encontra-se apta a compreender a possibilidade de uma 
múltipla relatividade de pontos de vista. Também nos habituamos, neste sentido, a 
responder aos argumentos que nos expõem através de uma reflexão em que nos 
colocamos deliberadamente na perspectiva do outro. 
GADAMER, H-G. O problema da consciência histórica. Rio de Janeiro: FGV, 2006 (adaptado). 
 
 
Texto 2 
 
A identidade constitucional surge como algo complexo, fragmentado, parcial e 
incompleto. Sobretudo no contexto de uma constituição viva, a identidade 
constitucional é o produto de um processo dinâmico sempre aberto à maior 
elaboração e à revisão. Do mesmo modo, a matéria constitucional, de qualquer modo 
que seja definida, parece condenada a permanecer incompleta e sempre suscetível 
de maior definição e de maior precisão. 
ROSENFELD, M. A identidade do sujeito constitucional. Belo Horizonte: 
Mandamentos, 2003 (adaptado). 
 
O aparecimento de uma tomada de consciência histórica constitui uma das mais 
importantes transformações pelas quais passaram as sociedades desde o início da 
época moderna. Diante disso, conforme se depreende do conteúdo dos textos acima, 
a atividade hermenêutica também deve ser repensada, podendo-se afirmar que ela 
assume o papel de teoria do conhecimento jurídico. 
 
Considerando os textos apresentados, assinale a opção que descreve a principal 
função da hermenêutica constitucional e da ciência política 
 
a) Adotar a objetividade do método cartesiano, como um método específico de 
conhecimento e de verdade, restringido a interpretação constitucional ao 
sentido da norma 
b) Possibilitar ao intérprete refletir sobre a necessidade de conhecer o texto 
constitucional, impondo-se a adoção de um critério de interpretação 
predominante 
c) Conhecer o texto constitucional mediante a utilização de um método capaz de 
assegurar o conhecimento objetivamente verdadeiro 
d) Reconhecer que o texto constitucional comporta uma interpretação restrita, em 
determinado contexto histórico da sociedade 
e) Interpretar as diferentes concepções do fenômeno jurídico, a partir da análise 
crítica das múltiplas leituras da constituição 
DIREITO CONSTITUCIONAL I 
PROFESSOR: FÁBIO BARBOSA CHAVES/UNICATÓLICA 
 
 
Questão 03) 
 
A pesquisa social é uma forma de conhecimento que se caracteriza pela construção 
de evidência empírica elaborada a partir da teoria, aplicando regras de procedimento 
explícitas. Desta definição podemos inferir que em toda pesquisa estão presentes três 
elementos que se articulam entre si: marco teórico, objetivos e metodologia. Estas 
etapas se influenciam mutuamente, e na prática de pesquisa se pensam em conjunto. 
(SAUTU, Ruth et. al. “La construcción del marco teórico en la investigación social”. 
In: . Manual de metodología: construcción del marco teórico, formulación de los 
objetivos y elección de la metodología. Colección Campus Virtual. Buenos Aires: 
CLACSO, 2005. p. 34) 
 
A partir dos elementos essenciais de uma pesquisa social, elencados acima, é correto afirmar: 
 
a) Os objetivos da pesquisa são formulados a partir dos dados recolhidos pelo 
pesquisador. 
b) A integração dos níveis micro e macrossociais numa pesquisa sociológica 
implica alterações na metodologia. 
c) A perspectiva teórica adotada é independente da metodologia a ser aplicada. 
d) A construção da evidência empírica pelo pesquisador dispensa os recursos 
metodológicos. 
e) Os custos da pesquisa estão relacionados apenas com os objetivos 
estabelecidos pelo pesquisador. 
 
Questão 04) 
 
A política não é necessária, em absoluto – seja no sentido de uma necessidade 
imperiosa da natureza humana como a fome ou o amor, seja no sentido de uma 
instituição indispensável do convívio humano. Aliás, ela só começa onde cessa o 
reino das necessidades materiais e da força física. Como tal, a coisa política existiu 
sempre e em toda parte tão pouco que, falando em termos históricos, apenas 
poucas grandes épocas a conheceram e realizaram. Esses poucos e grandes 
acasos felizes da História são, porém, decisivos; é só neles que se manifesta de 
cheio o sentido da política e, na verdade, tanto o bem quanto a desgraça da coisa 
política. Com isso, eles tornam-se determinantes, mas não a ponto de poder ser 
copiadas as formas de organização que lhes são inerentes, e sim porque certas 
ideias e conceitos que se tornaram plena realidade para um curto período de tempo, 
também co-determinem as épocas para as quais seja negada uma experiência 
plena com a coisa política. 
DIREITO CONSTITUCIONAL I 
PROFESSOR: FÁBIO BARBOSA CHAVES/UNICATÓLICA 
 
(Adaptado de: ARENDT, Hannah. O que é Política? – fragmentos das obras 
póstumas compilados por Úrsula Ludz. Tradução de Reinaldo Guarany, 11.ed., Rio 
de Janeiro: Bertrand Brasil, 2013, pp. 50-51) 
 
 
a) Ciência Política 
 
b) História Política 
 
c) Análise Política 
 
d) Filosofia Política 
 
e) Sociologia Política 
 
 
Questão 05) 
A democracia, segundo Aristóteles, deve ser totalmente soberana, mas com duas 
limitações: não deve ir além dos órgãos de deliberação e julgamento, pois estes são 
poderes coletivos expressos em uma Constituição (o conjunto do povo é superior a 
cada um dos indivíduos) e não exigem competência técnica; a segunda limitação é o 
dever de agir de acordo com as leis. 
 
Com base no que foi citado acima, leia atentamente as afirmações abaixo: 
 
 
I. A definição processual de democracia, também chamada procedimental, considera 
que, além do direito de voto, a seleção dos representantes políticos deve ocorrer a 
partir de um processo eleitoral livre, ou seja, “competitivo”. II. A soberania popular 
enquanto ação democrática é um ideal possível em todas as sociedades, pois o poder 
desde os atenienses é exercido pelo povo. III. A diminuição da participação político 
partidária fortalece a democracia e a torna cada vez mais eficiente, consensual e 
legitima. IV. O único modo de tornar possível o exercício da democracia é atribuir 
cada vez menos ao cidadão o direito de participar direta ou indiretamente na tomada 
de decisões coletivas. 
 
Estão corretas as afirmativas: 
 
a) I, apenas 
b) II e IV, apenas 
c) I, II e III, apenas 
d) IV, apenas 
DIREITO CONSTITUCIONAL I 
PROFESSOR: FÁBIO BARBOSA CHAVES/UNICATÓLICA 
 
 
 
 
11 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
 
 
BITTAR, Eduardo C. Teoria do Estado - Filosofia Política e Teoria da Democracia, 
5ª edição. Grupo GEN, 2016. [Minha Biblioteca] 
 
CHEVALLIER, J. O Estado pós-moderno. Belo Horizonte: Fórum, 2009. 
 
DALLARI, D. de A. Elementos de teoria geral do Estado. 32. ed. São Paulo: Saraiva, 
2013. 
 
DEUTSCH, Karl. Política e governo. Tradu ção de maria José da Costa F él i x matoso 
miran- da mendes. Bras i ́l i a: unB, 1979. 
 
DUVERGER, Maurice. Os partidos políticos. Tradu ção de Cristiano monteiro oiticica. 
rio de Janeiro: Zahar, 1970. 
 
MORAIS, J. L. B. de; STRECK, L. L. Ciência política e teoria do Estado. 7. ed. Porto 
Alegre: Livraria do Advogado, 2010. 
 
DIAS, Reinaldo. Ciência Política, 2ª edição. Grupo GEN, 2013. 
DIREITO CONSTITUCIONAL I 
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AULA 02 
 
 
1 UNIDADE CURRICULAR: 
 
- DIREITO CONSTITUCIONAL I; 
- HERMENÊUTICA CONSTITUCIONAL E DIREITOS FUNDAMENTAIS; 
- MARCOS TEÓRICOS E FILOSÓFICOS DO ESTADO E DA CONSTITUIÇÃO 
 
2 TEMA 
 
TEMA 2 - Formação do Estado 3 
OBJETIVOS 
- Contextualizar a formação histórica do Estado 
- Apresentar os fatos históricos que determinaram a formação do Estado 
Nacional Moderno 
- Demonstrar a contribuição liberal burguesa para a formação do Estado de 
Direito 
 
4 PALAVRAS-CHAVE 
 
ORIGEM. ESTADO. DIREITO. 
 
 
5 TEXTO-BASE 
 
5. 1 Formação Histórica do Estado 
 
O Estado é uma organização jurídica, portanto,uma abstração, pautada 
em uma construção racional e consciente, voltada à atender o interesse de um 
agrupamento de pessoas identificadas por um mesmo interesse. 
Desta forma, esta organização pretende reunir condições para que este 
mesmo agrupamento concretize os seus interesses, que, em primeira dimensão, 
correspondente à própria sobrevivência. 
Entender-se em comunidade, há muito, foi percebido pelo ser humano 
como condição de sua perpetuação, frente à realidade onde se encontra inserido. 
Inicialmente frente à natureza, posteriormente frente à outros agrupamentos de sua 
própria raça. 
Como se trata de uma abstração, exige-se a prévia construção de 
supostas concretizações fáticas, que, caso se efetivem, o Estado possa direcionar a 
DIREITO CONSTITUCIONAL I 
PROFESSOR: FÁBIO BARBOSA CHAVES/UNICATÓLICA 
 
forma de ação, reação ou inação daquele que se encontra sob a égide desta 
organização. 
Desta forma, imprescinde de regras pré-estabelecidas, de caráter 
cogente, a fim de que aquele determinado agrupamento saiba com antecedência 
como deverá proceder diante das situações antevistas pela organização. 
Assim se fez as primeiras organizações sob as quais as comunidades 
se organizavam. Desde então, a humanidade se compreende como inserida em 
algum contexto social, normalmente se relacionando em situação dependência, e se 
submetendo, conscientemente, às limitações decorrentes desta decisão. 
O nível de desenvolvimento das primeiras civilizações pôde ser medido 
a partir da capacidade de organização de cada uma. Quanto maior e melhor fossem 
as condições oferecidas pela comunidade, maior quantitativo conseguia-se reunir, 
mediante fluxo organizacional suficiente à viabilizar a convivência com o mínimo de 
segurança e meios de perpetuação. 
O aumento em quantitativo e em estratificação deu às comunidades uma 
maior complexidade social. Da mesma forma, de forma gradual, e compatível com a 
natureza humana, formou-se dentro de cada comunidade divisões hierárquicas, a 
partir da divisão de atribuições e a diferente valoração que o próprio grupo atribuía a 
cada uma. Resultando na formação das primeiras classes, sempre se posicionando 
de forma privilegiada aqueles aos quais foi direcionada pela comunidade a função de 
comando organizacional. 
O comando organizacional atribuía ao seu titular, o poder sancionatório, 
necessário à manutenção da ordem social. A partir da compreensão de que se tratava 
de conduta necessária à estabelecer limites à liberdade de cada membro da 
comunidade, a legitimação passou a ser o elemento necessário ao exercício do 
comando social. 
Nas primeiras comunidades, a legitimidade fora garantida por aspectos 
variantes. Destaca-se o critério sanguíneo, através da qual torna-se legítimo pela 
descendência, e a decorrente da crença religiosa, através da qual a pessoa passa a 
ser legítima por um direcionamento advindo de fatores sobrenaturais. 
 
A teoria da origem natural, também chamada de naturalista, remonta a uma linhagem 
filosófica, cujo principal representante é Aristóteles. Em seu livro A Política, ele vai 
apresentar sua teoria de que a sociedade é decorrência natural da natureza gregária 
do ser humano (GAMBA, 2019, p. 15). 
 
Desta forma, formou-se as primeiras grandes civilizações, como a 
civilização Grega, Egípcia, Romana, Judaica, entre outras, responsáveis pela 
construção da atual configuração da civilização ocidental. 
Percebe-se que durante todo o período de formação civilizatória, 
independente do nível de complexidade, a humanidade sempre teve a consciência da 
necessidade de que haveria de se abrir mão, voluntariamente, de parcela de sua 
autonomia para que pudesse sobreviver e se perpetuar. Os limites impostos àqueles 
DIREITO CONSTITUCIONAL I 
PROFESSOR: FÁBIO BARBOSA CHAVES/UNICATÓLICA 
 
que aderiram à proposta comunitária deveria ser por meio de regras pré- 
estabelecidas. Desta forma, pode-se afirmar que a relação do que hoje se 
compreende como sendo Estado e o Direito sempre foi condição para a formação de 
uma civilização. 
Nesta relação entre Estado e o Direito, foram estabelecidas correntes 
doutrinárias com diferentes forma de compreensão. Para melhor representar, passa- 
se a explorar tais construções. 
Teoria Monista, por meio da qual há a reunião em uma só organização 
entre Estado e Direito, se confundindo em uma só realidade. Teoria Dualista, que 
também pode ser chamada de pluralística, defendendo a separação em duas 
realidades independentes. Teoria do Paralelismo, que igualmente prega a separação 
entre Estado e Direito, porém reconhecem uma interdependência entre ambas 
(MALUF, 2018). 
 
 
5.2 Principais marcos históricos determinantes para o Estado Moderno de Direito 
 
Como demonstrado no item anterior, o Estado nasce a partir da 
consolidação de uma identificação cultural, seja a partir de desejo natural em agrupar- 
se, ou por decisão voluntária contratualista, a partir da qual decide-se abrir mão de 
parcela de sua liberdade em troca de ter a seu favor condições mais viáveis de 
sobrevivência e perpetuação. 
No percorrer deste caminho histórico acerca das civilizações, percebe- 
se que a partir do momento de consolidação de uma organização extra individual, 
como sendo aquela que representa determinada comunidade, a população integrante 
passa a se ver plenamente identificada com aquela abstração. 
Tendo-se a formação do Estado, a representação coletiva passou-se a 
sobrepor aos preceitos e vontades individuais. Tal fato ocasionou o fortalecimento, 
político e econômico do Estado (pessoa abstrata), e por consequência, daqueles que 
se encontravam de alguma forma vinculados à sua vontade direta (casta 
governamental). 
A consolidação do processo de legitimação gerou a concentração de 
riqueza e poder ao Estado (pessoa abstrata), o que lhe concebia cada vez mais meios 
de impor a sua vontade, agora não mais em razão do argumento coletivo, mas por 
coerção. 
O Estado absoluto, marcado pela ausência de limites e de 
responsabilidade (no sentido de impossibilidade de ser responsabilizado por seus 
atos), foi a representação das primeiras grandes civilizações. O poderio bélico, o 
quantitativo humano de sua força de defesa e ataque e suas convicções de 
supremacia foram as características preponderantes durante o período histórico 
conhecido como idade antiga. 
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Esta conjuntura estatal foi fortemente abalada, sobretudo no ocidente 
europeu, resultando em uma nova configuração social, através da qual as grandes 
civilizações, representadas por suas grandes cidades, tiveram seus grandes 
contingentes populacionais se agrupando em diversas regiões, buscando a formação 
de comunidades menores, sob a proteção de grandes e privilegiados proprietários de 
terra. 
Durante o período feudal, a formação estatal, o desenvolvimento 
civilizatório baseado nos grandes agrupamentos e no fortalecimento de uma estrutura 
de poder representante da vontade coletiva foi enfraquecida, em consolidação de uma 
micro estrutura conhecida na idade média como Feudo. 
Após o transcurso de décadas de permanência daquela estrutura social, 
quando o cristinanismo se fez presente por meio de outra grande organização 
construída após a queda dos antigos impérios, a Igreja, o comércio entre as pequenas 
comunidades (feudos) retomaram o seu desenvolvimento, viabilizando a restauração 
de agrupamentos posteriormente transformados em núcleos urbanos. 
O ressurgimento das cidades igualmente tornou premente a 
reorganização dos Estados, com legitimidade suficiente para, apropriando-se da 
individualidade coletiva, exercer autoridade interna e representatividade externa. 
A Igreja, como organização já consolidada durante o período feudal, se 
unindo à organização estatal, acabou por contribuir com o fortalecimento do Estado, 
por meio do alinhamento político e ideológicoestabelecendo um modelo social e 
cultural naquele momento histórico. 
O comércio, em sintonia com o novo desenvolvimento urbano e as 
relações intercomunitárias, se fortaleceu, em grande parte, aliado à ciência e 
tecnologia que viabilizaram mecanismos de expansão territorial das práticas 
comerciais. 
Destaca-se o desenvolvimento das técnicas de navegação, 
possibilitando a exploração de novos territórios antes separados por grandes 
distâncias territoriais, mas que a navegação marítima tornou possível. Da mesma 
forma, a estrutura de grandes navios, fazendo com que fosse possível o transporte de 
maiores quantitativos de pessoas e, principalmente, mercadorias. 
Ocorre que, se o desenvolvimento das técnicas de navegação e a 
construção de grandes estruturas de transporte proporcionaram o crescimento 
comercial de grande parte do Mundo, igualmente proporcionou o fortalecimento bélico 
de Estados que se uitilizaram destas técnicas para dotar suas forças de defesas e 
ataques de armamento suficiente à buscar a expansão não só comercial, mas 
territorial dos seus domínios. 
As grandes estruturas marítimas, e até mesmo as condições de 
desenvolvimento comercial terrestre estiveram dependentes dos recursos advindos 
dos Estados, o que gerou grande vinculação da classe comerciante à presença 
estatal. Portanto, se a classe comerciante se desenvolveu durante o ressurgimento 
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urbano da Europa, os Estados mais ainda, face a relação de dependência já 
estabelecida, e de interferência nas práticas comerciais. 
O recolhimento de tributos e outros valores exigidos pelo Estado, bem 
como a ausência de regras pré-estabelecidas que pudessem proporcionar a todos 
aqueles que se encontravam subjugados ao Estado, passou a representar uma 
limitação ao crescimento comercial, e um entrave à recém desenvolvida classe 
burguesa. 
Como já relatado, se a classe burguesa se desenvolveu por meio da 
ampliação das fronteiras comerciais, a ciência foi a responsável pela viabilização 
deste processo. Porém, o processo de desenvolvimento da ciência não se ateve 
apenas sob a perspectiva do crescimento comercial.] 
Em decorrência do ressurgimento das grandes cidades e da expansão 
comercial, as interações sociais viabilizou o restabelecimento ou a continuação de um 
processo que esteve interrompido durante o período feudal: o racionalismo. 
Desta forma, outro importante marco histórico que imprescindivelmente 
deve ser destacado na formação da atual configuração dos Estado modernos, é o 
Renascimento. Trata-se de um período da história humana marcada pelo 
antropocentrismo, racionalismo e o individualismo. 
Desde então, como já destacado, se o comércio se desenvolvia e a 
burguesia crescia em importância econômica, os novos filósofos e cientistas 
romperam fronteiras, na matemática, física, química, biologia, e outras áreas. 
Quando já se reuniram as condições propícias para o fortalecimento 
econômico da burguesia, o desenvolvimento da ciência e o aumento do poderio 
político do Estado e a inserção e influência da igreja na sociedade européia, outro 
marco histórico se fez presente, sobretudo na França, denominado Iluminismo. 
O Estado absolutista se tornou afronta e contradição não só aos 
interesses burgueses, mas ao entendimento de que o homem é titular de obrigações 
perante a sociedade, e por consequência, ao Estado. Porém, igualmente, e 
simultaneamente, titular de Direitos, aos quais até mesmo o Estado se submete. 
Unidos a vontade burguesa e os preceitos iluministas tem-se a 
configuração para implementação de mudanças junto à estrutura estatal, que se 
implementou, como efeito dominó, no mundo ocidental. Destacou-se os seguintes 
marcos históricos: Revolução Francesa e Revolução Americana. 
 
 
As duas grandes revoluções que marcaram o início da era contemporânea – a 
Revolução Americana (1776) e a Revolução Francesa (1789) –, como nos lembra 
o professor de Filosofia do Direito Celso Lafer, consagraram o direito à resistência 
e o valorizaram como um ato político legítimo e justo contra um soberano 
arbitrário. A Declaração de Independência dos EUA afirma que é direito e dever 
do povo derrubar um governo despótico e substituí-lo por outro. A declaração 
francesa dos Direitos do Homem e do Cidadão também estabelece a resistência à 
opressão como um dos direitos naturais do homem. (SILVA, 2014, p. 210) 
DIREITO CONSTITUCIONAL I 
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O Estado moderno, surgido sob a configuração estabelecida pós- 
revoluções, tem como característica, sobretudo, os preceitos iluministas. Destaca-se 
o individualismo, por meio do qual consolida-se a valoração dos desejos e anseios 
pessoais, conferindo direitos atribuídos ao indivíduos, defensíveis até mesmo diante 
do Estado. Aliado à institucionalização da garantia e liberdade comercial, através da 
qual cada pessoa poderia ter a segurança de buscar o seu progresso pessoal e 
econômico, independente da interferência do Estado. 
O positivismo jurídico tornou-se imprescindível à manutenção desta 
nova estrutura estatal, conferindo status normativo e constitucional dos preceitos 
voltados aos direitos individuais (1ª geração). A segurança jurídica, representada pelo 
apego intransponível ao texto legal, foi a proteção pretendida pela sociedade, 
sobretudo a classe de comerciantes, para a manutenção do desenvolvimento sem a 
interferência do Estado. 
As 02 (duas) grandes guerras suportadas pela humanidade no século 
XX, tendo como pano de fundo, a industrialização e a acentuação dos interesses 
mercantis e bélicos-territoriais, resultou no colapso da sociedade individual e 
capitalista, não cabendo outro caminho senão a retomada do Estado como 
viabilizador de uma reconstrução das estruturas sociais. 
A segunda metade do século XX, portanto, foi marcado pela 
interferência estatal em searas antes regidas por regras individuais e mercantilistas. 
A busca pelo bem estar Social por meio das ações diretas e indiretas do Estado passa 
a representar um caminho impossível de não ser percorrido diante daquela 
conjuntura, onde a sociedade, ao mesmo tempo, buscava se reconstruir, e vivia sob 
a perspectiva de novos conflitos, desta vez, em face do antagonismo ideológico- 
econômico protagonizado pelas duas grandes nações: Estados Unidos da América e 
União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. 
Mais uma vez, o Estado esteve presente como autor e representante 
ideológico, e principalmente como entes fomentadores. A partir desta prática, 
acentuou condutas intervencionistas, mais ou menos expressas, a depender do 
contexto interno ou externo. 
Com a mitigação deste dualismo ideológico, a humanidade se 
reencontra como sociedade livre (grande parte), se estabelecendo por meio de 
regimes democráticos, cada vez mais integrado frente às realidades externas, o que 
resulta em uma nova configuração estatal. 
Os Estados fomentam seus vínculos internos, por meio de suas 
identificações sócio-culturais, porém convivem com a relativização das suas 
fronteiras. A imigração, a miscigenação, a interdependência econômica, as 
ingerências políticas, são alguns dos marcos responsáveis pela atual configuração do 
Estado neste recorte histórico do século XXI. 
 
5.3 Os elementos formadores do Estado 
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Como já abordado, o Estado é compreendido como uma abstração, fruto 
da razão humana, como elemento essencial de representação e legitimação da 
vontade geral. Por meio do qual, viabiliza-se a convivência em sociedade. 
Tem-se, desta forma, a construção objetiva de elementos de 
integralização desta abstração: elementos materiais (povo e território); elementos 
formais (governo soberano e o ordenamento jurídico). 
População é índice demográfico, ou seja, corresponde à número de 
pessoas que, em determinadomomento, ocupa um certo espaço territorial 
devidamente delimitado. Não se afere neste contingente uma necessária vinculação 
e compartilhamento ideológico, cultural ou histórico. 
Povo correspondente, igualmente, a um conjunto de pessoas ou 
contingente populacional situado em determinado espaço territorial delimitado, mas 
vinculados pelo politicamente e legalmente por regras, princípios, cultura, história, 
entre outros elementos que o fazem identificados. 
 
Enquanto a população do Estado consiste no conjunto de todos os habitantes do 
seu território, quer com ele mantenham ou não vínculos políticos, além dos 
necessários vínculos jurídicos, povo, em última análise, é o conjunto de cidadãos. 
Ou seja, povo é a parcela da população de determinado Estado que com ele 
mantém vínculos de natureza política, além dos de natureza jurídica. (FILOMENO, 
2019, p. 77) 
 
A existência de uma parcela de terra (espaço territorial) onde se 
desenvolve ações voltadas ao atendimento do bem como, identificado pela vontade 
do contingente populacional que nele se encontram, considera-se Território. 
Trata-se de um elemento material, como já mencionado, responsável 
por diferenciar dois conceitos: Estado e Nação. 
Para se configurar uma nação, se faz prescindível a existência de um 
território para que sua população nele se estabeleça. O mesmo não pode-se dizer 
quanto ao Estado, que depende para sua configuração da existência de espaço 
territorial sobre o qual se encontra o seu povo. 
Um governo soberano representa autodeterminação frente à 
comunidade internacional, qualificado pela possibilidade de integração externa 
mediante a representação de seus interesses de forma livre e autônoma. 
 
 
6 SAIBA MAIS 
 
 
 
 
 
.Você sabia? 
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Constituem o território de determinado Estado. 
 
(a)Solo é a porção de terras visíveis e delimitadas pelas fronteiras 
internacionais e pelo mar. (b)Subsolo, como evidente, é a porção de terras 
que, subjacente ao solo, tem a mesma configuração do solo. No caso do 
Brasil, por exemplo, ocupa, em relação aos 148.905.400 km2 que 
constituem a parte da terra firme do globo, mais de 8.500.000 km2, sendo 
ainda certo que os rios e mares constituem 361.044.600 km2 da Terra. 
(c)O espaço aéreo de um determinado Estado é a coluna de ar imaginária 
que acompanha o contorno do território propriamente terrestre, acrescido 
do mar territorial. (FILOMENO, 2019, p. 77) 
 
 
 
7 FINALIZANDO 
 
A configuração do Estado com a atual configuração percebida nas 
principais democracias do Mundo é o resultado de um longo processo de formação, 
influenciada por diversas ocorrências históricas, com características políticas, 
econômicas, sociais. 
Em cada recorte histórico tem-se a estrutura estatal específica. O direito 
é elemento essencial para caracterização de momento, por vezes atribuindo Poder ao 
Estado, ou conferindo à sociedade autonomia e independência. 
A integração internacional, viabilizada pelo desenvolvimento científico e 
racional, apresenta-se como balizador da configuração territorial entre os Estados. 
Os interesses econômicos, representados por ações políticas, 
identificam o momento histórico, e retratam o Estado dentro da comunidade 
internacional. 
Por fim, a legitimidade comunitária outorgada às práticas estatais 
identificam e interligam as caracterísitcas do Estado à sua sociedade. 
 
 
8 DÚVIDAS FREQUENTES 
 
- O declínio do mundo feudal e as relações comerciais aumentaram a 
necessidade de expandir os mercados consumidores. Este momento 
histórico representa a ascensão do mercantilismo ou do liberalismo? 
R. Trata-se do mercantilismo que, após o seu predomínio, propiciou o que 
se denomina liberalismo (sec. XVIII, XIX). 
 
- Os Estados modernos e o liberalismo econômico surgem a partir de 
que contexto político-econômico? 
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R. A partir da Ascensão da burguesia industrial no poder, acompanhada 
de liberalização econômica e descentralização administrativa. 
 
- Quais são os elementos formadores do Estado moderno? 
R. Povo, Território e Soberania 
 
- Qual a diferença de Povo e População? 
R. A existência de vinculação entre a pessoa e o seu território soberano, 
de natureza legal, cultural e histórico, identificado com outro a partir do 
objeto comum. 
 
 
 
09 QUESTÕES DE SISTEMATIZAÇÃO DA APRENDIZAGEM 
 
 
Questão 1. Segundo António Manuel Hespanha, na sua obra “Pluralismo Jurídico e 
Direito Democrático”: 
I. A dogmática jurídica atual (tradicional) baseia-se num modelo de pensamento com 
origem no conceito de Estado-Nação. 
II. A partir da Revolução francesa, cada vez mais a Europa se distanciou da ideia que 
o direito é manifestação da vontade do povo. 
III. Todas as normas existentes em sociedade podem ser consideradas normas 
jurídicas na perspectiva de Hespanha. 
IV. A democracia representativa e seus mecanismos de colher os consensos sociais 
são suficientes para a fundamentação dos ordenamentos jurídicos contemporâneos. 
Assinalar a alternativa correta: 
a) Somente a afirmativa I é correta. 
b) Somente as afirmativas I e II são corretas. 
c) Somente as afirmativas I, II, e III são corretas. 
d) Somente as afirmativas I e IV são corretas. 
e) As afirmativas I, II, III e IV são corretas 
 
 
Questão 02) Analise as assertivas a seguir, relativas à Teoria Geral do Estado, aos 
poderes do Estado e suas respectivas funções e à Teoria Geral da Constituição, e 
marque com V as verdadeiras e com F as falsas; em seguida, marque a opção correta. 
 
( ) Segundo a melhor doutrina, a soberania, em sua concepção contemporânea, 
constitui um atributo do Estado, manifestando-se, no campo interno, como o poder 
supremo de que dispõe o Estado para subordinar as demais vontades e excluir a 
competição de qualquer outro poder similar. 
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( ) Em um Estado Parlamentarista, a chefia de governo tem uma relação de 
dependência com a maioria do Parlamento, havendo, por isso, uma repartição, entre 
o governo e o Parlamento, da função de estabelecer as decisões políticas 
fundamentais. 
 
( ) Em sua concepção materialista ou substancial, a Constituição se confundiria com 
o conteúdo de suas normas, sendo pacífico na doutrina quais seriam as matérias 
consideradas como de conteúdo constitucional e que deveriam integrar 
obrigatoriamente o texto positivado. 
 
( ) Um dos objetos do Direito Constitucional Comparado é o estudo das normas 
jurídicas positivadas nos textos das Constituições de um mesmo Estado, em 
diferentes momentos históricotemporais. 
 
( ) A idéia de uma Constituição escrita, consagrada após o sucesso da Revolução 
Francesa, tem entre seus antecedentes históricos os pactos, os forais, as cartas de 
franquia e os contratos de colonização. 
 
a) V, V, V, F, V 
b) V, V, F, F, V 
c) F, F, V, V, F 
d) F, F, F, V, V 
e) V, V, F, V, V 
 
 
Questão 03) Marque a alternativa incorreta: 
a) A nação é composta por indivíduos que formam uma coletividade, na qual possuem 
identidade e interesses comuns. A nação não se confunde com a idéia de povo, mas 
serve-lhe de substrato, pois nação é uma expressão cultural e histórica que 
compreende fatores como etnia, língua, religião, costumes, hábitos, valores 
tradicionais e territorialidade. 
b) A nacionalidade material é aquela condicionada a característica ou sentimento de 
identidade, isto é, de pertinência de um indivíduo a uma determinada nação. 
c) População é apenas o elemento quantitativo total de pessoas em um Estado. 
d) Nem toda nação é um Estado. 
e) Na República Federativa do Brasil, a soberania é concedida e pertencente ao 
Estado, mais precisamente, às autoridades públicas que dirigem e governam a 
máquina estatal. 
 
10 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
 
MALUF, Sahid. Teoria Geraldo Estado. Editora Saraiva, 2018. 
DIREITO CONSTITUCIONAL I 
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GAMBA, Gorini, João R. Teoria Geral do Estado e Ciência Política. Grupo GEN, 2019. 
 
SILVA, Francisco. Enciclopédia de Guerras e Revoluções - 1919 - 1945 - Vol. II. 
Grupo GEN, 2014. 
 
FILOMENO, José G. Teoria Geral do Estado e da Constituição. Grupo GEN, 2019. 
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AULA 03 
 
 
1 UNIDADE CURRICULAR: 
 
- DIREITO CONSTITUCIONAL I; 
- HERMENÊUTICA CONSTITUCIONAL E DIREITOS FUNDAMENTAIS; 
- MARCOS TEÓRICOS E FILOSÓFICOS DO ESTADO E DA CONSTITUIÇÃO 
 
2 TEMA 
 
TEMA 3 - Soberania 
3 OBJETIVOS 
- Conceituar soberania 
- Apresentar os limites do Poder Soberano no Estado de Direito 
- Relacionar o exercício da soberania com o Direito Internacional 
 
4 PALAVRAS-CHAVE 
 
SOBERANIA. ESTADO DE DIREITO. AUTONOMIA 
 
 
5 TEXTO-BASE 
 
5.1 Soberania: conceito 
 
Como estudado no tema anterior, Soberania corresponde à um dos 
elementos formadores do Estado, que, sem a qual, não há o reconhecimento de sua 
existência e autonomia perante a comunidade internacional. 
O Estado está inserido em uma comunidade internacional, com a qual 
estabelece relações jurídicas. Da mesma forma, sua população igualmente interage 
com integrantes de outros Estados, interagindo no âmbito pessoal e, sobretudo, em 
caráter comercial. 
A soberania que integra o Estado possibilita que o seu ordenamento 
jurídico interno seja respeitado por todos os outros Estados igualmente soberanos. 
Desta forma, a comunidade internacional reconhece que as regras livremente 
estabelecidas no âmbito de um Estado devem ser obedecidas quando se tratar de 
relação jurídica estabelecida no âmbito de sua jurisdição. 
O respeito mútuo entre os Estados soberanos quanto ao ordenamento 
jurídico de cada um expressa-se através da reciprocidade. Trata-se de uma expressão 
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normativa internacional, que garante ao Estado a cogência do seu ordenamento 
interno por aqueles que se encontram inseridos em sua jurisdição, da mesma forma 
que se compromete à respeitar o ordenamento do outro quando se colocar diante da 
sua jurisdição. 
Além da reciprocidade, o pleno entendimento da soberania impõe a 
compreensão do que seja a jurisdição. Quando se relaciona soberania à comunidade 
internacional, e o comprometimento de se reconhecer autonomia interna de um 
Estado, sobretudo quanto ao seu ordenamento jurídico interno, há a necessidade de 
se delimitar o campo de incidência do seu ordenamento. 
A jurisdição representa justamente o campo de incidência deste 
ordenamento. A delimitação de seu campo de incidência é pressuposto para a 
convivência harmônica entre os Estados, e deve ser estabelecida de forma prévia e 
clara, a fim de que toda comunidade internacional possa entender os seus próprios 
limites de atuação. 
 
Alessandro Sanches Cunha (2012, p. 63), citando Canotilho, retrata 
soberania no aspecto conceitual: 
 
Eis a r az a ̃o por que encontramos a clá ssica defini ça ̃o de Estado como a 
organiza ça ̃o da soberania. O professor Canotilho e sm i ú ça o conceito, 
asseverando que a ‘soberania, em termos gerais e no sentido moderno, 
traduz-se num poder supremo no plano interno e num poder independente 
no plano internacional. Se articularmos a dim ensão constitucional interna 
com a dim ensa ̃o internacional do Estado poderemos recortar os elementos 
constitutivos deste (1) poder pol i ́t i co de comando, (2) que tem como 
dest i nat á rios os ci dadãos nacionais (povo = sujeitos do soberano e 
dest inat á rios da soberania); (3) reunidos num determinado ter ri t ó rio. A 
soberania no plano interno (soberania interna) traduzir-se-ia no m onop ó lio de 
edi ça ̃o do direito positivo pelo Estado e no m onop ó lio da coa ça ̃o f i ́sica 
legi ́t im a para impor a efectividade das suas regula ções e dos seus comandos 
(Apud, CANOTILHO, 2003, p. 90). 
 
O “monopólio” trazido pelo autor, como plano interno de soberania, 
relaciona à imposição de um sistema normativo internamente, não apenas como 
mecanismo de disciplina social da sua própria sociedade, mas de um dever de 
respeito mútuo entre os países conviventes na comunidade internacional. 
 
5.2 Apresentar os limites do Poder Soberano no Estado de Direito 
 
O monopólio de jurisdição obtido a partir da aquisição e o 
reconhecimento da soberania impõe, de forma cogente, a submissão interna à todo o 
seu ordenamento jurídico. Ocorre que esta conclusão é aplicada à todos os Estados 
que igualmente são dotados de soberania, e que se inter-relacionam sob vários 
aspectos. 
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O dinamismo das relações internacionais, há muito acentuado pela 
globalização, impõe aos Estados, como condição de sobrevivência política e 
econômica, a celebração de acordos de interesse mútuo a fim de atender demandas 
internas de cada um, considerando seus aspectos e vocações intrínsecas. 
Nem sempre os interesses dos Estados se coadunam, e muitas vezes, 
se conjugam para o mesmo sentido, inviabilizando a configuração de acordos e 
acentuando o aspecto conflituoso. 
É neste cenário que a coexistência de soberania entre os Estados, tendo 
como parâmetro o monopólio jurisdicional interno (exclusiva admissão de suas 
próprias regras), diante de um contexto através do qual esses regramos se choquem, 
surge a necessidade da existência de mecanismos limitadores, de força cogente, a 
fim de impor regras superiores aos seus próprios ordenamentos. 
Neste sentido, leciona Sahid Maluf (2019, p. 52): 
 
Assim, o poder de soberania exercido pelo Estado encontra fronteiras não só 
nos direitos da pessoa humana como também nos direitos dos grupos e 
associações, tanto no domínio interno como na órbita internacional. 
Notadamente no plano internacional, a soberania é limitada pelos imperativos 
da coexistência de Estados soberanos, não podendo invadir a esfera de ação 
das outras soberanias. 
[...] 
Assim, no plano internacional limita a soberania o princípio da coexistência 
pacífica das soberanias. Atualmente, as nações integram uma ordem 
continental, e, dentro dessa ordem superior, o poder de autodeterminação de 
cada uma limita--se pelos imperativos da preservação e da sobrevivência das 
demais soberanias 
 
A Europa inserido no contexto geopolítico do século XX retratou um 
cenário de coexistência dos Estados soberanos, fortalecidos econômica e 
politicamente após um século marcado pela consolidação do constitucionalismo e do 
liberalismo econômico. A consolidação de sua riqueza não tardou em conflitar os 
interesses de suas nações, sobretudo diante dos caminhos políticos trilhados para 
cada um. 
A revolução bolchevique do início do século, apresentando uma nova 
proposta político-filosófica àquela que se havia consolidado, e a crescente crença de 
prevalência racial junto com a necessidade de expansão dos poderios internos por 
meio de rediscussão territorial, potencializada pela configuração geográfica do 
continente, criou um contexto de estabilidade fragilizada. 
Sendo todos os Estados soberanos, com seus próprios acervos 
normativos, cada um desejando o mesmo (consolidação político-econômico- 
territorial), fez com este século, sobretudo naquele continente, fosse marcado por 
conflitos de todas as ordens, manchando a história com práticas repugnadas por toda 
humanidade, implodidas junto com as duas grandes guerras ocorridas na primeira 
metade do século. 
DIREITO CONSTITUCIONAL I 
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A aliança das democracias européias, com o ingresso poderoso dos 
Estados Unidos e a inclusão da força bélica russa, pôs termo, à duras penas, marcha 
expansionista nazi-facista, gerando uma nova configuração européia, através dos 
novos limitesterritoriais e o ressurgimento de soberanias antes depostas pelos 
derrotados. 
Finalmente, após os desastres suportados pela humanidade, a 
comunidade internacional consolidou o entendimento de que o Mundo formado por 
todos os Estados soberanos deveriam se unir em organizações internacionais, com 
personalidade jurídica própria (supranacional), dotadas de um ordenamento 
específico, a fim de que, os Estados a ela vinculados ficassem também submetidos 
às este regramento. 
Entre os organismos internacionais representativos dos interesses dos 
Estados soberanos a partir de suas relações externas (políticas e econômicas), 
destaca-se a Organização das Nações Unidas, que em sua própria carta constitutiva 
estabelece os seus princípios sobre os quais se encontra estruturada. 
Mais uma vez, destaca Sahid Maluf (2018, p. 128) 
 
Para fundamentar este aspecto formal, podemos mencionar alguns 
dispositivos jurídicos de direito internacional, bem como existentes em nossa 
Constituição. Inicialmente, cabe lembrar que a Carta da ONU de 1945 
estabelece em seu artigo 2º, parágrafo 1º, que: “A Organização é baseada 
no princípio da igualdade soberana de todos os seus membros”. Já a Carta 
da OEA em seu artigo 3, item “b” estabelece que: “A ordem internacional é 
constituída essencialmente pelo respeito à personalidade, soberania e 
independência dos Estados e pelo cumprimento fiel das obrigações 
emanadas dos tratados e de outras fontes do direito internacional. 
Internamente, nossa Constituição Federal de 1988 estabelece a soberania 
como fundamento da República Federativa do Brasil (art. 1º, I) e, conforme 
já mencionado, o Brasil atua nas suas relações internacionais com 
independência (art. 4º, I)”. 
 
A dinâmica estabelecida pelos organismos internacionais exige a sua 
constituição por meio de entidade dotada de personalidade jurídica internacional, 
dotada de regramento próprio, tendo os seus integrantes aderido de forma voluntária. 
Da mesmo forma que se estabelece internamente, os Estados que manifestam 
vontade de aderência, por consequência, abre mão de parte de sua autonomia, em 
favor dos ditames já estabelecidos pela organização. 
 
 
5.3 A soberania e o Direito Internacional 
 
A relação externa entre os Estados soberanos, como exaustivamente 
explorado, pressupõe a existência prévia de regras estabelecidas pelas partes, por 
meio de pactos bilaterais, ou através de tratados firmados de forma multilateral, 
através dos quais as partes signatárias se comprometem ao cumprimento de 
DIREITO CONSTITUCIONAL I 
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determinadas regras, mesmo que imponham restrições mútuas, em prol da viabilidade 
de uma coexistência na ordem internacional. 
O conjunto de regras e princípios que regem as relações internacionais 
estabelecidas entre os Estados soberanos pode-se considerar como sendo o Direito 
Internacional. Como já destacado, em face da soberania reconhecida a determinado 
Estado, não há como compelir a adesão ao direito internacional. 
O direito internacional compõe-se de regras voltadas ao convívio externo 
entre os Estados quanto aos seus interesses políticos e comerciais. 
Regramentos direcionados à regência das relações estatais, de cunho 
político, envolvendo direitos e deveres necessários à integridade do Estado e de sua 
população, integram um ramo específico do direito internacional: o direito 
internacional público. Enquanto que as regras e princípios estabelecidos na 
comunidade internacional, bi ou multilaterais, necessárias à regência das relações 
comerciais entre os Estados, diretamente ou por meio de seus cidadãos, integra o 
direito internacional privado. 
Estar integrado dentro deste sistema normativo externo é pressuposto 
para a convivência internacional, política e econômica. Verifica-se, como exemplo, 
alguns países que, por opção ou por descumprimento de regras que compõe o direito 
internacional, se vêem excluídos desta comunidade, tendo os seus interesses 
prejudicados. 
É ofertada a possibilidade de aderência às regras internacionais aos 
Estados soberanos, aos quais, por terem a garantia de seu monopólio interno 
normativo, precisam voluntariamente aderir às regras externas a fim de que passem 
a ser à elas submetidas. 
 
 
 
6 SAIBA MAIS 
 
 
 
 
 
.Você sabia? 
 
A carta de constituição da Organização das Nações Unidas, 
constituída em 1945, dispõe no artigo 2º, parágrafo 1º, que: “A 
Organização é baseada no princípio da igualdade soberana de todos 
os seus membros”. 
 
Da mesma forma, a Organização dos Estados Americanos - OEA, 
dispõe em sua carta, artigo 3º, alínea “b” que: “A ordem internacional 
é constituída essencialmente pelo respeito à personalidade, 
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soberania e independência dos Estados e pelo cumprimento fiel das 
obrigações emanadas dos tratados e de outras fontes do direito 
internacional.” 
 
Já a Constituição da República Federativa do Brasil, de 1988, 
estabelece a soberania como fundamento da República Federativa 
do Brasil (art. 1º, I). 
 
 
 
7 FINALIZANDO 
 
 
Autonomia e Soberania são elementos que se aproximam no tocante ao 
seu significado, quando se analisa o elemento liberdade. 
Para a teoria geral do Estado, não há como deixar de reconhecer que 
se tratam de expressões com consequência jurídica distinta. A autonomia pressupõe 
liberdade de atuação, segundo seus próprios preceitos, como uma autodeterminação. 
A soberania extrapola os limites da autonomia, à medida que, além da sua liberdade 
de atuação, emana à comunidade externa o cogente respeito aos seus próprios 
interesses. 
Em um regime organizado por meio de Federação, como a brasileira, 
admite-se aos estados membros autonomia, de forma a garantir autodeterminação 
quanto à sua gestão interna, ordenamento jurídico e suas relações mútuas. Porém, 
aos mesmos não comportam a soberania, o que impõe somente à União Federal se 
inserir na comunidade internacional como representante do Estado brasileiro. 
 
 
 
8 DÚVIDAS FREQUENTES 
 
- A Soberania é uma faculdade or i g i n á ria, responsável pela liberdade de 
uma comunidade de reger-se poli ́ticamente, instituindo o seu poder e a sua def ini ção e estrutura 
jur i ́di ca, não podendo ser limitada por outro poder (CUNHA, 2012). 
 
- Se não há possibilidade de se limitar, internamente, a soberania, a que 
esta autoridade e s t á vinculada? Não se trata de abrir mão ou limitar a soberania de um Estado, 
mas de compartilhamento, a fim que seja construído um juízo de compatibilização ou convivência 
em nível globalizado. 
 
De pronto, é preciso enfrentar vá rios ‘tabus’ científicos. A soberania não pode 
ser encarada como elemento perigoso, cujo manuseio pode levar à desgraça 
de uma na ção. Afinal, a integração ec on ô mica é imprescindível, e para ela 
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há de convergir a soberana vontade de qualquer Estado. Na reali- dade, o 
fenô meno da integra ção comuni t á ria dos Estados só foi possível graças ao 
fato de os Estados concordarem em compartilhar suas soberanias 
(TAVARES, 2010, p. 1052) 
 
09 QUESTÕES DE SISTEMATIZAÇÃO DA APRENDIZAGEM 
 
 
Questão 1. Quanto aos Elementos do Estado, podemos afirmar, de forma correta, que 
a) População é uma reunião de indivíduos num determinado locai, submetidos a um poder 
descentralizado, sendo que o Estado vai controlar essas pessoas, visando, através do Direito, 
o bem comum. 
 
b) a População pode ser classificada como nação, quando os indivíduos que habitam o 
mesmo território possuem como elementos incomuns a cultura, língua e religião. Possuem 
nacionalidades, cultura, etnias e religiões diferentes. 
 
c) o Território é considerado um Espaço geográfico onde reside determinada população. O 
Território é o limite de atuação dos poderes do Estado. Nãopoderá haver dois Estados 
exercendo seu poder num único território, sendo que os indivíduos que habitam um 
Território estão submetidos a esse poder uno. 
 
d) a Soberania é o exercício do poder do Estado, exclusivamente interno. Dessa forma, o 
Estado deverá ter ampla liberdade para controlar seus recursos, decidir os rumos políticos, 
econômicos e sociais internamente e não depender de nenhum outro Estado ou órgão 
internacional. 
 
e) a População é uma reunião de indivíduos num determinado local, limitada pelo Território, 
através dos limites de atuação dos poderes do Estado. O Estado deverá ter ampla liberdade 
para controlar seus recursos, decidir os rumos políticos, econômicos e sociais, dependendo 
de forma externa de decisões de órgãos internacionais para exercer sua soberania. 
 
Julgue o item a respeito da organização do Estado 
 
Questão 02: Na confederação, somente o Estado é detentor de soberania. 
 
a) Certo 
b) Errado 
 
Questão 03: A autodeterminação é reflexo da relativa autonomia conferida aos membros da 
Federação. 
a) Certo 
b) Errado 
Questão 04: 
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O Contrato Social é inspirado pela paixão da unidade. Unidade de corpo social, subordinação 
dos interesses particulares à vontade geral, soberania absoluta e indissolúvel da vontade 
geral, reino da virtude numa nação de cidadãos. [...] Pelo pacto social, segundo Rousseau, 
cada indivíduo une-se a todos. O contrato é feito com a comunidade. [...] O soberano por nada 
está obrigado, mas, segundo a teoria de Rousseau, não pode ter interesse contrário aos 
particulares que o compõem. O soberano é portanto essa vontade geral que é a vontade da 
comunidade e não dos membros que constituem essa comunidade. [...] O soberano é [...] a 
vontade geral, de que a lei é a expressão: “A vontade do soberano é o próprio soberano. O 
soberano quer o interesse geral e, por definição, só pode querer o interesse geral”. 
(Adaptado de: TOUCHARD, Jean (dirigida por) – O “Contrato Social” e O Soberano. In: 
História das Ideias Políticas, quarto volume, Lisboa: Publicações Europa-América, 1970, pp. 
90-92) 
 
Além de absoluta e indissolúvel, a Soberania para Rousseau possui mais duas 
características: 
a) ser efêmera e ser impessoal. 
b) ser seletiva e ser pactuada. 
c) ser livre e ser a proteção da liberdade. 
d) ser um dom e ser um atributo. 
e) ser inalienável e ser infalível 
 
 
10 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
 
CUNHA, A. Sanches. Coleção saberes do direito ; v. 62 - Teoria geral do Estado, 1ª Edição. 
Editora Saraiva, 2012 
 
GAMBA, Gorini, João R. Teoria Geral do Estado e Ciência Política. Grupo GEN, 2019. 
MALUF, Sahid. Teoria Geral do Estado. Editora Saraiva, 2018. 
TAVARES, An d r é Ramos. Curso de direito constitucional. São Paulo: Saraiva, 2010 
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AULA 04 
 
 
1 UNIDADE CURRICULAR: 
 
- DIREITO CONSTITUCIONAL I; 
- HERMENÊUTICA CONSTITUCIONAL E DIREITOS FUNDAMENTAIS; 
- MARCOS TEÓRICOS E FILOSÓFICOS DO ESTADO E DA CONSTITUIÇÃO 
 
2 TEMA 
 
TEMA 3 - Poderes do Estado 3 
OBJETIVOS 
- Apresentar as teorias histórias do Poder Estado 
- Apresentar o exercício do Poder do Estado modernamente 
- Distinguir as funções do Estado 
 
4 PALAVRAS-CHAVE 
 
PODER. FUNÇÕES. ESTADO 
 
 
5 TEXTO-BASE 
 
A prévia definição de atribuições, competências e, por consequência, 
prerrogativas e privilégios, decorre de uma organização social estabelecida com 
instrumentos de legitimação. O grau de incidência é diretamente proporcional à 
complexidade social, o que ocasiona maior ou menor concentração dos já 
mencionados atributos. 
Apontar estes atributos à determinada pessoa ou ente, representar 
atribuir Poder. O seu exercício advém deste direcionamento, que, direta ou 
indiretamente, deverá ser utilizado em favor da organização social ora representada. 
Antes de se discutir acerca da concentração ou desconcentração de 
poder, necessário tratar da legitimação como elemento estruturante de uma 
organização social. 
De fato, o Poder decorre de uma legitimação, que ocasionará a 
delegação dos atributos já mencionados, de forma a possibilitar a prática de atos e a 
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tomada de decisões de forma primeva, podendo delegar ou não, segundo os 
instrumentos balizadores. 
A legitimação se efetiva de várias formas. Mesmo reconhecendo que em 
alguns modelos sociais não há prévia dependência de manifestação expressa da 
organização social legitimada, não há como deixar de constatar que, em algum 
momento, e de alguma forma, a organização social representada se manifestou em 
favor de determinada autoridade. 
As autoridades reconhecidas a partir de alguma designação advinda de 
crenças religiosas ou divindades, mesmo que suas autoridades sejam designadas por 
estas entidades, para que assim fosse, em algum momento do passado daquela 
organização social foi declarado não só a crença, mas o procedimento para 
designação daquele futuro detentor do Poder. Desta forma, mesmo em modelos 
teocráticos, não há como deixar de reconhecer que a legitimidade social continua 
sendo requisito imprescindível. 
Nas monarquias, mesmo antes do constitucionalismo pós-revolução, 
marcadas pela concentração de Poder, pela ausência de limites e responsabilidades 
frente à organização social, tendo na linhagem sanguínea o requisito de assunção e 
transmissibilidade de autoridade, mais uma vez, não há como abstrair o fato de que 
para o reconhecimento da hereditariedade antes teve que ser declarado de onde se 
originaria tal descendência, expressão advinda da organização social. 
Até mesmo nas ditaduras surgidas a partir da ruptura de modelos e 
estruturas sociais, levando à tomada do Poder em descumprimento das regras 
previamente estabelecidas, seja por lei, seja pelos costumes, também não haverá 
como prescindir de uma aquiescência social, explícita ou implícita, pré-existente. 
Por fim, a forma mais explícita de se expressar a legitimação, é por meio 
do modelo democrático, com regras objetivas estabelecidas de forma prévia, 
viabilizando a determinação direta ou indireta da vontade geral, a fim de direcionar e 
manter o Poder. 
 
 
5.1 Teorias Históricas do Poder do Estado 
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Para fundamentar a estrutura de Poder ao longo dos séculos, e 
implementada historicamente nos Estados, serão retratadas teorias construídas por 
teóricos, a partir de percepções variantes. 
Seguindo a lição sempre didática e atual de Paulo Ferreira da Cunha, 
em sua obra Teoria Geral do Estado e Ciência Política, serão retratadas as teorias de 
Jellinek e Duguit; Kelsen e Merkel; Marcello Caetano. 
 
5.1.1 Teorias de Jellinek e Duguit 
 
A comparação que se faz entre as teorias construídas por estes dois 
autores partem da seguinte premissa: a finalidade e as funções, em qual 
direcionamento se estrutura o Estado. 
Para Jelliek, a direção que se implementa inicia-se pelos fins, a partir do 
qual estrutura-se as funções. 
 
Como fins, contar-se-iam os culturais e os jurídicos; como meios, haveria a 
considerar dois tipos de normação, a abstrata e a concreta. No respeitante 
às funções, à normação abstrata de índole cultural ou jurídica corresponderia 
a função legislativa; a atividade concreta de âmbito cultural encontrar-se-ia a 
cargo de uma função administrativa; e idêntica concretização, agora no 
domínio do judicial, seria do foro de uma função judicial (CUNHA, 2018, p. 
182). 
 
Para outro autor, Duguit, a sequência seria justamente o contrário do 
que teorizou Jelliek, qual seja: parte-se das funções para se definir os fins: 
 
Haveria então atos-regra (legislativos), atos condição e atos subjetivos 
(administrativos). Ficando de fora o judicial (para a clássica perfeição da 
tríade), o autor

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