Prévia do material em texto
Unidade 3 Competência, Eficiência e Eficácia Liderança e Desenvolvimento de Equipes Diretor Executivo DAVID LIRA STEPHEN BARROS Gerente Editorial ALESSANDRA VANESSA FERREIRA DOS SANTOS- Projeto Gráfico TIAGO DA ROCHA Autoria DAYANNA DOS SANTOS COSTA MACIEL AUTORIA Dayanna dos Santos Costa Maciel Olá! Sou formada em Administração pela Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), com Mestrado acadêmico nessa mesma área de conhecimento, ênfase em Estratégia e Inovação (pela Universidade Federal da Paraíba, em 2019). Também possuo mestrado acadêmico em Gestão de Recursos Naturais (UFCG, 2014), com ênfase de pesquisa em Estratégia Ambiental focada em modelos e ferramentas de gestão nas empresas. Tenho experiência técnico-profissional no ensino da Administração, ministrando disciplinas como Marketing, Planejamento Estratégico, Cultura organizacional e liderança, Administração de Recursos Materiais e Patrimoniais, entre outras, em nível de graduação e de pós-graduação. Sou apaixonada por Gestão de Atendimento ao Cliente, e lecionar esse conteúdo, para mim, consiste em emergir junto com os discentes em um universo de possibilidades de gestão, técnicas e práticas dentro do contexto de atuação dos futuros profissionais em formação. Adoro transmitir meus conhecimentos e minha experiência de vida àqueles que estão iniciando em suas profissões. Por isso, fui convidada pela Editora Telesapiens a integrar seu elenco de autores independentes. Estou muito feliz em poder ajudá-lo nesta fase de muito estudo e trabalho. Conte comigo! ICONOGRÁFICOS Olá. Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem toda vez que: OBJETIVO: para o início do desenvolvimento de uma nova competência; DEFINIÇÃO: houver necessidade de apresentar um novo conceito; NOTA: quando necessárias observações ou complementações para o seu conhecimento; IMPORTANTE: as observações escritas tiveram que ser priorizadas para você; EXPLICANDO MELHOR: algo precisa ser melhor explicado ou detalhado; VOCÊ SABIA? curiosidades e indagações lúdicas sobre o tema em estudo, se forem necessárias; SAIBA MAIS: textos, referências bibliográficas e links para aprofundamento do seu conhecimento; REFLITA: se houver a necessidade de chamar a atenção sobre algo a ser refletido ou discutido; ACESSE: se for preciso acessar um ou mais sites para fazer download, assistir vídeos, ler textos, ouvir podcast; RESUMINDO: quando for preciso fazer um resumo acumulativo das últimas abordagens; ATIVIDADES: quando alguma atividade de autoaprendizagem for aplicada; TESTANDO: quando uma competência for concluída e questões forem explicadas; SUMÁRIO Habilidades e atitudes necessárias ao exercício da liderança 10 Competência: definição e competência do indivíduo .......................................... 10 O CHA da competência: conhecimento, habilidades e atitudes ................. 15 Perfil do líder de sucesso ......................................................................... 25 O perfil de competência do líder do século XXI.......................................................25 Liderança no novo local de trabalho ................................................................................35 Eficiência e eficácia na condução de um negócio ........................39 Eficiência e eficácia na condução de um negócio ................................................ 39 O líder eficaz .......................................................................................................................................45 Visão sistêmica imprescindível à gestão dos recursos empresariais .................................................................................................. 52 Visão sistêmica das organizações e da liderança ..................................................52 A tomada de decisão e a gestão de equipes............................................................60 7 UNIDADE 03 Liderança e Desenvolvimento de Equipes 8 INTRODUÇÃO Você sabia que existe um perfil do líder de sucesso? Pois bem, os líderes que se destacam apresentam um perfil pessoal e comportamental comum. Isso porque, para se exercer a liderança, é necessário que o indivíduo possua conhecimento, habilidades e atitudes específicas e que se aplicam ao dado contexto. Assim, nesta unidade você irá aprender qual o perfil esperado de um líder no século XXI, entender o que determina uma liderança eficiente e eficaz, bem como conhecer a visão sistêmica da gestão de recursos empresariais. Esse conhecimento é fundamental para que, na função de líder, você possa se autoavaliar e adquirir conhecimentos, habilidades e atitudes que ainda não possui no contexto do exercício da liderança ou até mesmo criar e desenvolver líderes com esse perfil no âmbito das organizações. Pois um líder eficiente e eficaz conquista a confiança de sua equipe pelo seu caráter, torna todos os membros de sua equipe em seguidores fiéis e envolve todos os interessados, criando um grande vínculo interativo entre empresários-gestores-colaboradores. Então, ficou curioso(a)? Prepare-se, pois ao longo desta unidade letiva você vai mergulhar no universo dos líderes de sucesso, desvendando suas interações dentro do contexto organizacional! Liderança e Desenvolvimento de Equipes 9 OBJETIVOS Olá. Seja muito bem-vinda (o). Nosso propósito é auxiliar você no desenvolvimento das seguintes objetivos de aprendizagem até o término desta etapa de estudos: 1. Definir o conceito de competência, discernindo sobre as caracte- rísticas e as peculiaridades e as diferenças do CHA (conhecimen- to, habilidade e atitude) da competência técnica (conhecimento e habilidade), e da competência comportamental (atitude), identifi- cando aquelas que mais se adequam ao perfil de liderança. 2. Identificar o perfil de competência do líder do século XXI, exercen- do suas principais características em função da dinâmica da nova economia e do novo mundo do trabalho. 3. Diferenciar eficiência de eficácia, entendendo suas características para uma liderança eficaz. 4. Liderar equipes com visão sistêmica para a tomada de decisão, gestão da equipe, analisar situações de risco, administrar crises e definir metas. Então? Preparado para uma viagem sem volta rumo ao conhecimento? Ao trabalho! Liderança e Desenvolvimento de Equipes 10 Habilidades e atitudes necessárias ao exercício da liderança OBJETIVO: Ao término deste capítulo, você será capaz de definir o conceito de competência, discernindo sobre as características e as peculiaridades e as diferenças do CHA (conhecimento, habilidade e atitude) da competência técnica (conhecimento e habilidade), e da competência comportamental (atitude), identificando aquelas mais adequadas ao perfil de liderança. Deter esse conhecimento será fundamental para o exercício de sua profissão, uma vez que, em alguns momentos, você deverá desenvolver pessoas nas organizações quando atuar como líder. Nesse contexto, você deverá identificar o CHA (conhecimento, habilidade e atitude) dos colaboradores da organização em que você atua e promover conhecimento, habilidade e atitudes necessárias para que essa organização atinja seus objetivos. E então? Motivado(a) para desenvolver essa competência? Vamos lá. Avante! Competência: definição e competência do indivíduo Você já parou para pensar o que define um líder competente? Para responder a essa questão, vamos compreender, inicialmente, qual o significado da palavra competência. Com uma breve busca, encontramos os seguintes significados dispostos no Dicio (2009-2020, p. 1): [Substantivo feminino] Capacidade decorrente de profundo conhecimento que alguém tem sobre um assunto: recorrer à competência de um especialista. [Jurídico] Atribuição, jurídica ou consuetudinária, de desempenhar certos encargos ou de apreciar ou julgar determinados assuntos.tem seu foco voltado para o atingimento de objetivos tanto dos liderados como da organização, pensando em si mesmo, liderando pelo exemplo, inserindo o trabalho dos seguidores em um contexto, desenvolvendo e apoiando seguidores. Liderança e Desenvolvimento de Equipes 52 Visão sistêmica imprescindível à gestão dos recursos empresariais OBJETIVO: Ao término deste capítulo, você será capaz de liderar equipes com visão sistêmica para a tomada de decisão, fazer a gestão da equipe, analisar situações de risco, administrar crises e definir metas. Sabendo que o campo de atuação do líder está nas organizações, nesta unidade você vai entendê-las como sistemas, de modo a ter uma visão da organização como um todo no exercício da liderança. Ainda neste capítulo, vai aprender a relacionar a visão sistêmica para a liderança ante os seguintes aspectos inerentes à gestão/administração das organizações: tomada de decisão e gestão de equipes. A seguir, portanto, você saberá definir cada um desses aspectos. Deter esse conhecimento será fundamental para o exercício de sua profissão, uma vez que um líder deve entender o reflexo de sua liderança na organização como um sistema de interação, um todo sinérgico no qual sua atuação contribui para o alcance dos objetivos organizacionais. E então? Motivado(a) para desenvolver essa competência? Vamos lá. Avante! Visão sistêmica das organizações e da liderança Ao longo do desenvolvimento das organizações, muitas teorias administrativas buscaram compreender o comportamento delas, os elementos que dela fazem parte e como eles se relacionam entre si. Nesse sentido, temos as seguintes abordagens teóricas sobre as organizações e sua gestão: abordagem clássica da administração, abordagem das relações humanas, estruturalismo, abordagem comportamental, teoria geral de sistemas, abordagem contingencial, entre outras. Aqui nosso foco de estudo é voltado para o entendimento da visão sistêmica da Liderança e Desenvolvimento de Equipes 53 liderança, e para tanto, a priori, precisamos conhecer no que consiste a teoria de sistemas e como ela descreve a organização e seus processos. A primeira coisa que precisamos saber é o que é um sistema. Nesse sentido, o definimos conforme dispõe Maximiano (2017, p. 289): Sistema é um todo complexo ou organizado; é um conjunto de partes ou elementos que formam um todo unitário ou complexo. Um conjunto de partes que interagem e funcionam como um todo é um sistema. Qualquer entendimento da ideia de sistemas compreende: Um conjunto de entidades chamadas partes, elementos ou componentes. Alguma espécie de relação ou interação das partes. Propriedades do conjunto que são superiores às dos componentes individuais. Assim, podemos definir sistema como um todo complexo, composto por partes que interagem entre si de modo interdependente. Devemos entender que, do termo complexo aplicado à definição de sistemas, remete ao fato de ele ser composto por muitas partes, sendo difícil de gerir e entender. Um sistema é complexo por envolver muitas variáveis em seu funcionamento, ser formado por diferentes elementos. A partir dessa definição de sistemas surge então a teoria geral de sistemas que foi usada como lente de entendimento das organizações e nos fornece a visão das organizações como sistemas. Assim, a organização é um sistema aberto (que interage com o ambiente externo), composto por muitas partes/elementos interdependentes. De forma objetiva, a Figura 9 apresenta as bases da teoria de sistemas e seu entendimento sobre as organizações. DEFINIÇÃO: Organização é um sistema aberto (que interage com o ambiente externo), composto por muitas partes/elementos interdependentes (SOBRAL; PECI, 2008). Liderança e Desenvolvimento de Equipes 54 Figura 9: Teoria de sistemas Fonte: Adaptado de Sobral e Peci (2008, p. 6). Agora que você já conhece a base da teoria de sistemas, vamos partir para o entendimento de como a liderança deve ser exercida nas organizações como sistemas. Nesse sentido, Gil (1994) orienta que, na administração, o sistema com foco no campo da gestão de pessoas tem o profissional de liderança com seu comportamento norteado pelos seguintes aspectos: interdependência das partes, ênfase no processo, probabilismo, multidisciplinaridade, concepção multicausal, caráter descritivo, caráter multimotivacional, entre outros. Esses aspectos, para fins de melhor entendimento, encontram-se definidos no Quadro 13. Liderança e Desenvolvimento de Equipes 55 Quadro 13: Aspectos norteadores do comportamento dos líderes em uma organização sistêmica Aspecto Definição Interdependência das partes Quando se concebe uma administração como sistema, torna-se possível identificar suas partes como subsistemas interdependentes, os quais, embora distintos, apresentam-se intimamente relacionados. O adequado funcionamento de um requer o feedback fornecido pelo outro. Ênfase no processo A administração sistêmica é dinâmica. A organização não é vista como uma estrutura estática, mas como um processo em contínua mudança. Probabilismo O discurso de uma organização sistêmica não é caracterizado pela certeza absoluta, mas pela probabilidade, guardando, de resto, coerência com o enfoque adotado nas ciências humanas. Multidisciplinaridade Organização sistêmica, até mesmo pela variância de seus componentes, deve valer-se das contribuições advindas de vários campos do conhecimento. Concepção multicausal Quando se adota a visão sistêmica, os fenômenos observados em relação aos indivíduos e grupos tendem a ser analisados a partir da consideração dos múltiplos fatores que podem determinar ou interferir em sua ocorrência. Tal postura contrasta com as tradicionais, que pressupõem a causalidade a partir de um fator único. Caráter descritivo Enquanto as organizações tradicionais estão mais preocupadas com o que deve ser feito, as organizações sistêmicas procuram antes compreender os fenômenos e deixar a escolha dos objetivos e procedimentos aos indivíduos que a compõem. Liderança e Desenvolvimento de Equipes 56 Caráter multimotivacional De acordo com as teorias psicológicas de caráter sistêmico, os atos humanos podem ser determinados por múltiplos motivos. As organizações, por sua vez, são constituídas para a satisfação desses objetivos. Uma empresa pode ter como objetivo principal o lucro; entretanto, deve também proporcionar os meios para a satisfação de outros objetivos. Da mesma forma, a título de exemplo, o empregado pode não se motivar apenas com o salário (é o que vem acontecendo...), mas também com a realização profissional ou mesmo a busca de status. Participação Processo de tomada de decisões em âmbito sistêmico requer a participação daqueles que atuam nas diferentes unidades, pois serão também destinatários das mesmas decisões, e por elas responsáveis de alguma forma. Abertura Adequado funcionamento de uma organização sistêmica requer permanente abertura em relação ao ambiente (interno ou externo), bem como disposição para ajustar-se às alterações que aí se processam. Ênfase nos papéis As organizações sistêmicas lidam com expectativas de papéis. Assim, seus membros precisam estar permanentemente informados acerca do que deles se espera em relação à organização, a seus colegas de trabalho e ao público externo. Fonte: Meinen (2007, p. 40-41). Uma vez que conheceu os aspectos que devem nortear a ação de um líder, você deve ter em mente que ele, dentro dessa perspectiva, deve usar seus conhecimentos, suas habilidades e suas atitudes para colaborar com as diversas partes da organização a partir de seus liderados. Para isso, ele deve ter conhecimentos de gestão e do funcionamento da organização como um todo. Isso porque, hoje, as organizações Liderança e Desenvolvimento de Equipes 57 modernas são vistas como sistemas, de modo que mudou também o enfoquedo comportamento do líder. Assim, ele passa a devolver uma liderança sistêmica, dedicando-se a sintetizar, conectar, aprender, influenciar e estimular a auto-organização e o autocontrole nas organizações. O Quadro 14 apresenta, de forma comparativa, a dedicação dos líderes na visão organizacional tradicional e na visão sistêmica. IMPORTANTE: Líderes sistêmicos dedicam-se a sintetizar, conectar, aprender, influenciar e estimular a auto-organização e o autocontrole nas organizações. Quadro 14: Liderança nas organizações NA ORGANIZAÇÃO TRADICIONAL NA ORGANIZAÇÃO SISTÊMICA Gestores-Líderes dedicam-se a... Gestores-Líderes passam a... Analisar, detalhar, ensinar, dirigir e controlar; Sintetizar, conectar, aprender, influenciar e estimular a auto- organização e o autocontrole; Controlar os objetos; Ser catalisadores de relacionamentos, projetistas de estruturas facilitadoras e estimuladores da dinâmica criativa; Impedir que algo aconteça. Permitir a conexão por meio de projetos organizacionais que propiciam interligações criativas. Os gestores-líderes... Os gestores-líderes... Têm o poder de impedir e de cercear; Têm o poder de permitir; Liderança e Desenvolvimento de Equipes 58 Pensam e criam hierarquias centralizadas e burocráticas; Pensam e criam redes flexíveis auto-organização; Percebem linhas de relações de causa e efeito; Percebem um espectro mais amplo de circularidades, estendendo a compreensão e a intervenção a pontos mais criativos e alavancadores; Analisam; Contemplam, deixam de confinar-se nas linhas internas para considerar ciclos mais amplos que, invariavelmente, incluem o ambiente; Comandam e controlam; Permitem a auto-organização; Controlam a organização (organização como uma máquina); Influenciam um sistema vivo complexo (organização como sistema aberto); Especificam a função; Promovem a realização plena; Buscam a realidade concreta; Passam a estar abertos a fluxos mais amplos de conhecimento, vindos de diversas fontes, técnico- científicas ou não; Buscam a concretude; Aceitam a perspectiva interpretativa inerente ao mundo humano; Liderança e Desenvolvimento de Equipes 59 Enxergam as descrições linguísticas como expressões objetivas; Reconhecem a própria linguagem como aspecto generativo de uma realidade social amplamente baseada na interpretação, passam a ser observadores reflexivos, refletindo sobre seus próprios paradigmas e bases interpretativas, reconhecendo a influência criativa deles sobre a realidade; São os donos da verdade; Colocam-se a serviço do terceiro de uma ampla rede de conhecimentos válidos aproximados, ajudam a construir relacionamentos que melhoram a teia, projetam as infraestruturas para suportar a teia de conhecimentos válidos; Preocupam-se com os eventos, detalhes e quantidades; Preocupam-se com padrões qualitativos, fluxos e processos de mudança, gerenciam com base nisso e usam o método analítico somente quando pertinente; Controlam, punem e excluem; Incluem, estimulam a cooperação, influenciam e agem colaborativamente na rede; Ensinam. Proporcionam oportunidades de aprendizagem. Fonte: Adaptado de Andrade et al. (2006, p. 386-388). Então, considerando o Quadro 14, um líder eficaz é aquele que se colocam a serviço do terceiro de uma ampla rede de conhecimentos válidos aproximados, ajuda a construir relacionamentos dentro de uma Liderança e Desenvolvimento de Equipes 60 organização em que o todo é maior do que a soma das partes. Um líder eficaz não perde a visão da organização integrada. A visão sistêmica de liderança, disposta no Quadro 15, requer, portanto, conhecimento do líder sobre os seguintes aspectos inerentes à gestão de uma organização, são eles: tomada de decisão e gestão de equipes. No tópico a seguir, vamos muni-lo com conhecimento a respeito desses aspectos para que possa, na prática profissional de líder, pensar sistemicamente. A tomada de decisão e a gestão de equipes O comportamento de uma equipe pode ser analisado pela forma como as decisões são tomadas por seus membros. Nesse sentido, precisamos compreender como as decisões são tomadas nas organizações, mantendo a visão de que a organização é um sistema complexo. Assim como as organizações, o processo de tomada de decisão também é complexo, por envolver muitas informações, risco, incerteza e ambiguidade. A Figura 10 apresenta esse contexto da tomada de decisão administrativa. Figura 10: O contexto das decisões administrativas Fonte: Adaptado de Daft (2005, p. 197-198). Liderança e Desenvolvimento de Equipes 61 No contexto da tomada de decisão, o líder deve auxiliar no processo coletando informações junto aos seus liderados, as quais permitam reduzir a incerteza do processo, bem como envolvê-los na tomada de decisão quando necessário. Mas, enfim, o que é uma decisão? O que é uma tomada de decisão? Daft (2005, p. 196) assim define esses conceitos: Uma decisão é uma escolha feita das alternativas disponíveis. [...] Muitas pessoas presumem que fazer uma escolha seja o principal da tomada de decisões, mas ela é só uma parte. A tomada de decisão é o processo de identificar os problemas e as oportunidades e em seguida solucioná-los. No contexto das organizações, as decisões podem ser programadas ou não, mas, de um modo geral, o processo de tomada de decisão pode seguir as etapas descritas no Quadro 15. Quadro 15: Seis etapas Etapa Descrição Reconhecimento da necessidade de decisão Estar ciente de um problema ou oportunidade é a primeira etapa na sequência de decisões e requer vigilância dos ambientes interno e externo da organização. Os tomadores de decisão examinam o mundo ao seu redor para determinar se a organização está progredindo satisfatoriamente em direção às suas metas. Diagnóstico e análise das causas É a etapa de tomada de decisão na qual os gerentes analisam fatores causais fundamentais associados com a situação de decisão. Desenvolvimento de alternativas É a etapa em que o tomador de decisões começa a considerar soluções cabíveis para o problema diagnosticado. Nessa etapa são geradas soluções possíveis que responderão às necessidades da situação e corrigirão as causas fundamentais. Liderança e Desenvolvimento de Equipes 62 Seleção da alternativa desejada A escolha da decisão é a seleção das alternativas mais promissoras dos vários cursos de ações possíveis. O tomador tenta selecionar a escolha com menor quantidade de risco e incerteza. Implementação da alternativa É a etapa do processo de decisão que envolve o uso de habilidades gerenciais, administrativas e persuasivas para traduzir a alternativa escolhida em ação. Avaliação e feedback Nesse estágio os tomadores de decisão reúnem informações que lhe dizem quão bem a decisão foi implementada e se ela foi eficaz no alcance das metas. Fonte: Adaptado de Daft (2005, p. 203-207). Então, vamos supor que você precisa tomar decisões importantes envolvendo sua equipe, o que você precisa priorizar? Note no Quadro 15 que a segunda fase do processo de decisão é o diagnóstico das causas. Pois bem, essa é a fase mais importante, visto que, se as causas forem identificadas de forma errada, os passos seguintes serão comprometidos. Se a causa identificada não foi a que gerou o problema, as alternativas não o resolverão e o processo será comprometido. Então, é muito importante dar bastante atenção a essa etapa. No que tange às equipes, o processo de tomada de decisão influi no comportamento delas. Equipes podem ir de encontro às mudanças organizacionais caso não participem das decisões a esse respeito. Pode- se ainda verificar o perfil de responsabilidade de unidade de grupo, quando se observa se seus membros se responsabilizam por igual a respeito dos resultados das decisões. Mas como as decisões são tomadas no contexto das equipes eficazes? Nesse caso, a tomadade decisão em equipe se dá por meio da aplicação de técnicas de tomada de decisão em grupo. São algumas das técnicas de tomada de decisão em grupo aplicadas em equipes eficazes: grupos de interação, brainstorming, técnica de grupo nominal. O Quadro 16 define cada uma dessas técnicas Liderança e Desenvolvimento de Equipes 63 e a Figura 15 mostra a eficácia de cada uma delas com base em alguns critérios. Quadro 16: Técnicas de tomada de decisão em grupo TÉCNICA DEFINIÇÃO Grupos de interação Grupos típicos nos quais os membros interagem entre si, face a face. Brainstorming Processo de geração de ideias que estimula as pessoas a expressarem toda e qualquer alternativa ao mesmo tempo em que impede críticas a elas. Técnica de grupo nominal Método de tomada de decisões em grupo no qual os membros se reúnem para escolher uma solução de maneira sistemática, porém independente. Reunião eletrônica Reunião na qual os participantes interagem por meio de computadores, permitindo o anonimato dos comentários e da votação de cada um. Fonte: Adaptado Robbins, Judge e Sobral (2010, p. 285). É importante que você saiba que as técnicas dispostas no Quadro 16 podem ser utilizadas em conjunto. Por exemplo, é possível aplicar o brainstorming em uma reunião eletrônica. Ou, ainda, a técnica de grupo nominal em um grupo de interação. Cabe ao líder do grupo fazer uso das técnicas ante aos seus objetivos e necessidades. Por isso, é importante você observar no Quadro 17 como essas técnicas são avaliadas. Liderança e Desenvolvimento de Equipes 64 Quadro 17: Avaliação de eficácia das técnicas no grupo Tipos de Técnica Critério de eficácia Grupos de interação Brainstorming Técnica de grupo nominal Reunião eletrônica Número e qualidade das ideias Baixo Moderado Alto Alto Pressão social Alto Baixo Moderado Baixo Custo Baixo Baixo Baixo Alto Velocidade Moderado Moderado Moderado Moderado Orientação para a tarefa Baixo Alto Alto Alto Potencial de conflitos interpessoais Alto Baixo Moderado Baixo Comprometi- mento com a solução Alto Não se aplica Moderado Moderado Desenvolvimen- to da coesão do grupo Alto Alto Moderado Baixo Fonte: Robbins, Judge e Sobral (2010, p. 285). A respeito das técnicas de tomada de decisão em grupo, podemos concluir que cada uma possui pontos positivos e negativos, cabendo aos gestores das organizações definirem qual técnica é mais adequada para cada contexto, fazendo uso combinado entre as técnicas. Por fim, se você chegou até aqui já é capaz de liderar equipes com visão sistêmica para a tomada de decisão, fazer a gestão da equipe, analisar situações de risco e Liderança e Desenvolvimento de Equipes 65 administrar crises, uma vez que já sabe os princípios que norteiam a ação de um líder dentro de uma organização sistêmica. RESUMINDO: Chegamos ao fim da Unidade 3. Neste capítulo final, você adquiriu a habilidade de liderar equipes com visão sistêmica para a tomada de decisão, fazer gestão da equipe, analisar situações de risco, administrar crises e definir metas. Isso porque você aprendeu aqui a visão sistêmica da liderança. A organização é um sistema aberto (que interage com o ambiente externo), composto por muitas partes/elementos interdependentes, e nesse sentido líder sistêmicos se dedicam a sintetizar, conectar, aprender, influenciar e estimular a auto-organização e o autocontrole nas organizações. Cabe ao líder contribuir ao processo de decisão, gerenciando equipes, analisando riscos e definindo metas. A tomada de decisão é o processo de identificar os problemas e as oportunidades e em seguida solucioná-los; quando em equipe, ela necessita que o líder envolva seus membros visto que o processo de tomada de decisão influi no comportamento deles. Equipes podem ir de encontro às mudanças organizacionais caso não participem das decisões a esse respeito. Pode-se ainda verificar o perfil relativo à responsabilidade de unidade de grupo, quando se observa se seus membros se responsabilizam por igual a respeito dos resultados das decisões. Liderança e Desenvolvimento de Equipes 66 REFERÊNCIAS ANDRADE, A. L. et al. Pensamento sistêmico – Caderno de campo: o desafio da mudança sustentada nas organizações e na sociedade. Porto Alegre: Bookman, 2006. BERGAMINI, C. W. O líder eficaz. São Paulo: Atlas, 2009. BERGAMINI, C.W. A importância da credibilidade na liderança eficaz. Revista de Economia e Administração, v. 1, n. 2, 2002. CHIAVENATO, I. Gestão de pessoas: o novo papel dos recursos humanos nas organizações. São Paulo: Manole, 2016. COVEY, S. Liderança baseada em princípios. São Paulo: Cultrix, 1998. DAFT, R. L. Organizações: teoria e projetos. São Paulo: Pioneira Thomson Leraning, 2005. DAVENPORT, T. H; PRUSAK, L. Conhecimento empresarial: como as organizações gerenciam o seu capital intelectual. 11. ed. Rio de Janeiro: Campus, 1998. DICIO. Dicionário Online de Português. 2009-2020. Disponível em: https:// www.dicio.com.br/competencia/. Acesso em: 22 dez. 2020. EALES-WHITE, R. O líder eficaz. [S.l.]: Clio Editora, 2010. FERRAZ, M. Liderança: um desafio para gestores do século XXI?. In: XI Congresso Nacional De Excelência Em Gestão, Rio de Janeiro, 2015. p. 1-20. FLEURY, M. T. L. A gestão de competência e a estratégia organizacional. As pessoas na organização. São Paulo: Gente, 2002. GIL, A. C. Administração de recursos humanos: um enfoque profissional. São Paulo: Atlas, 1994. HERNANDEZ, J. M.; CALDAS, M. P. Resistência à mudança: uma revisão crítica. RAE - Revista de Administração de Empresas, v. 41, n. 2, p. 31-45 abr./jun., 2001. Liderança e Desenvolvimento de Equipes 67 LE BOTERF, G. De La Competece-essaí sur um attracteur étrange. Les éditions d! organisations. Paris, 1995. MAXIMIANO, A. C. Teoria geral da administração: da revolução urbana à revolução digital. São Paulo: Editora Atlas S.A., 2017. MEINEN, Ê. Gestão sistêmica: o desafio de liderar no SICREDI. Trabalho de conclusão de curso (Especialização em Gestão de Pessoas). Programa de Pós-Graduação em Administração, Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Rio Grande do Sul, 2007. 85p. NONAKA I.; TAKEUCHI H. Criação de conhecimento na empresa: como as empresas japonesas geram a dinâmica da inovação. Rio de Janeiro: Campus, 1997. PINTO, M. C. S.; LYRA, C. C. Mudança organizacional em uma empresa familiar brasileira. Revista de Administração Pública (Impresso), v. 43. p. 609-634, 2009. PORTER, M. Estratégia Competitiva. Rio de Janeiro: Elsevier Brasil, 2004. RABAGLIO, M. O. Seleção por Competências. 2. ed. São Paulo: Editora Educator, 2001. ROBBINS, S. P. Fundamentos do Comportamento Organizacional. São Paulo: Pearson, 2006. ROBBINS, S.; JUDGE, T.; SOBRAL, F. Comportamento organizacional: teoria e prática no contexto brasileiro. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2010. SOBRAL, F.; PECI, A. Administração: teoria e prática no contexto brasileiro. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2008. SOUZA NETO, S. P.; CALVOSA, M. V. D. As competências de liderança: atributos e práticas do líder do século XXI, uma pesquisa quantitativa. Revista de Administração da UNIMEP, v. 4, n. 1, p. 68-94, 2006. ZARIFIAN, P. Objetivo Competência: por uma nova lógica. São Paulo: Atlas, 2001. Liderança e Desenvolvimento de Equipes Habilidades e atitudes necessárias ao exercício da liderança Competência: definição e competência do indivíduo O CHA da competência: conhecimento, habilidades e atitudes Perfil do líder de sucesso O perfil de competência do líder do século XXI Liderança no novo local de trabalho Eficiência e eficácia na condução de um negócio Eficiência e eficácia na condução de um negócio O líder eficaz Visão sistêmica imprescindível à gestão dos recursos empresariais Visão sistêmica das organizações e da liderança A tomada de decisão e a gestão de equipesCapacidade de fazer alguma coisa; aptidão. Dever ligado a um ofício, cargo, trabalho; atribuição, alçada. Conjunto de habilidades, saberes, conhecimentos: entrou na faculdade por competência própria. Liderança e Desenvolvimento de Equipes 11 No contexto da liderança e da gestão de pessoas nas organizações, o termo competência é utilizado como um substantivo vinculado ao conhecimento, às habilidades e às atitudes das pessoas. Para definirmos melhor, nesse sentido, o que é competência, vejamos no Quadro 1 algumas definições de competência identificadas na literatura sobre gestão de pessoas e liderança nas organizações. Quadro 1: Definições de competência AUTOR (ANO) DEFINIÇÃO Le Boterf (1995) Competência é o conjunto de aprendizagens sociais e computacionais nutridas a montante pela aprendizagem e pela formação e a jusante pelo sistema de avaliações. Zarifian (1999) Competência é a inteligência prática de situações que se apoia nos conhecimentos adquiridos e os transforma com tanto mais força quanto maior for a complexidade das situações. Fleury (2002) Conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes (isto é, o conjunto de capacidades humanas) que justificam uma alta performance, acreditando-se que as melhores performances estão fundamentadas na inteligência e na personalidade das pessoas. Em outras palavras, a competência é percebida como um estoque de recursos que o indivíduo detém. Fonte: Elaborado pela autora, 2021. Com base no exposto anteriormente, podemos observar que a definição de competência remete aos seguintes termos e expressões: saber agir, mobilização de recursos, interação entre saberes múltiplos e complexos, aprendizado, engajamento, assumir responsabilidades e visão estratégica. Portanto, no contexto das organizações, as competências dos indivíduos (incluindo os líderes) são fontes de valor para a organização, ou seja, direcionadas aos objetivos da organização, permitem alcançá- Liderança e Desenvolvimento de Equipes 12 los com sucesso. A esse respeito, assevera Fleury (2002, p. 55): “Do lado da organização, as competências devem agregar valor econômico para a organização e valor social para o indivíduo [...]”. Portanto, para fins de nossos estudos, assumimos a definição de competência disposta por Fleury (2002), de modo que ela é o conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes, isto é, o conjunto de capacidades humanas que justificam uma alta performance. Portanto, líderes competentes são líderes de alta performance que geram valor econômico para as organizações e social para as pessoas que dela fazem parte, conforme ilustra a Figura 1. DEFINIÇÃO: Competência é o conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes, isto é, o conjunto de capacidades humanas que justificam uma alta performance (FLEURY, 2002). Analisando a Figura 1, note que o comportamento competente de um líder permite desenvolver habilidades, conhecimentos e atitudes nos seus liderados, assim como o seu comportamento é resultado de seus conhecimentos, habilidades e atitudes como indivíduo, do mesmo modo que o comportamento competente de líder contribui para o alcance de resultados e atingimento dos objetivos organizacionais. Diante disso, não se esqueça: um líder agrega tanto valor social (desenvolvendo pessoas) como econômico (desenvolvendo a organização) para a empresa em que ele desempenha seu papel. Liderança e Desenvolvimento de Equipes 13 Figura 1: Competências, como fonte de valor para o indivíduo e para a organização saber agir saber mobilizar saber transferir saber aprender saber se engajar ter visão estratégica assumir responsabilidades Indivíduo Organização Social Econômico Agregar Valor Conhecimentos Habilidades Atitudes Líder com Competência Fonte: Adaptado de Fleury (2002, p. 55). Com base na figura anterior, temos que o líder dentro da organização é um indivíduo que detém um “saber agir. Para ficar claro em nossa mente, vejamos no Quadro 2 o significado dos verbos empregados nessa definição de líder. Liderança e Desenvolvimento de Equipes 14 Quadro 2: Competências para um profissional de liderança Saber agir Saber o que e por que faz. Saber julgar, escolher, decidir. Saber mobilizar recursos Criar sinergia, saber organizar e direcionar os recursos organizacionais em prol do atingimento de objetivos. Saber comunicar Compreender, trabalhar, transmitir informações e conhecimentos. Saber aprender Trabalhar o conhecimento e a experiência, rever modelos mentais, saber desenvolver. Saber se engajar e se comprometer Saber empreender, assumir riscos. Comprometer-se com os resultados. Saber assumir responsabilidades Ser responsável, assumindo os riscos e as consequências de suas ações e sendo por isso reconhecido. Ter visão estratégica Conhecer e entender o negócio da organização, seu ambiente, identificando oportunidades e alternativas. Fonte: Adaptado de Fleury (2002, p. 56). Com base no disposto no quadro acima, faça a seguinte reflexão: eu possuo quais dessas competências? Independentemente de sua resposta, saiba que cada uma delas pode ser desenvolvida. Como isso é possível? Por meio de treinamentos. Por exemplo, as competências de comunicação podem ser desenvolvidas ou melhoradas por meio da sua participação em um curso de oratória ou em dinâmicas de interação com pessoas. Ficou curioso(a) para saber como desenvolver as demais competências? Pesquise um pouco sobre o assunto e irá descobrir como adquiri-las ou aprimorá-las. Em suma, o foco do nosso aprendizado nesta unidade é a competência do ser individual. Como pudemos ver na Figura 1, a competência de liderar remete a agregar valor social aos indivíduos por meio de conhecimento (C), habilidades (H) e atitudes (A), o que é denominado na literatura como CHA da competência. A seguir, vamos estudar detalhadamente cada um desses componentes. Liderança e Desenvolvimento de Equipes 15 O CHA da competência: conhecimento, habilidades e atitudes Com base no que estudamos até aqui, temos que a competência, no contexto dos indivíduos dentro das organizações, remete ao desenvolvimento de três dimensões, a saber: conhecimento, habilidade e atitude. Essas dimensões abordam, portanto, competências de cunho técnico (conhecimento e habilidades) e de natureza comportamental (atitude) necessárias para o desenvolvimento do trabalho dentro das organizações. Das iniciais dessas três dimensões denomina-se o conhecido CHA da competência, cujos significados estão dispostos objetivamente no Quadro 3. Quadro 3: Dimensões da “competência” e seus significados C H A Competências técnicas Competências comportamentais CONHECIMENTOS HABILIDADES ATITUDES Escolaridade, conhecimentos técnicos, cursos gerais e especializações. Experiência e prática do saber. Ter ações compatíveis para atingir os objetivos, aplicando os conhecimentos e habilidades adquiridas e/ou a serem adquiridas. C = saber (conhecimentos adquiridos no decorrer da vida, nas escolas, universidades, cursos etc. Ex.: conhecimento da concorrência e técnicas de negociação). H = saber fazer (capacidade de realizar determinada tarefa, seja física ou mental. Ex.: análise da concorrência e negociação). A = querer fazer (comportamentos que temos diante de situações do nosso cotidiano e das tarefas que desenvolvemos no nosso dia a dia. Ex.: participar da concorrência e fazer negociações). Fonte: Adaptado de Rabaglio (2001). Liderança e Desenvolvimento de Equipes 16 No Quadro 3, você conseguiu visualizar a diferença entre conhecimento, habilidade e atitudes, certo? Para garantir uma resposta positiva a esse questionamento, vejamos um exemplo. Supomos que Pedro é um líder do setor produtivo de uma fábrica. Esse setor adquiriu um novo equipamento e Pedro precisa treinar seus funcionários para que o operem devidamente. Pedro nunca havia operado tal equipamentoantes, mas estudou com muita atenção e assimilou todo o conteúdo presente no manual de instruções de montagem e de uso dele. Nesse contexto, podemos afirmar que Pedro possui conhecimentos e habilidades requeridas para sua tarefa de treinar os funcionários? Vou responder: conhecimento sim, porque ele teve a atitude de ler o manual de instruções, conhecendo, assim, como o equipamento é montado e como ele opera. Contudo, Pedro não possui conhecimento técnico, pois nunca operou o equipamento antes. Neste tópico, vamos estudar o conhecimento e, no seguinte, serão abordadas as habilidades e as atitudes. No que tange ao conhecimento, ele é definido por Devenport e Prusak (1998, p. 6) do seguinte modo: Conhecimento é uma mistura fluida de experiência condensada, valores, informação contextual e insight experimentado, o qual proporciona uma estrutura para a avaliação e incorporação de novas experiências e informações. Nas organizações, ele costuma estar embutido não só em documentos ou repositórios, mas também em rotinas, processos, práticas e normas organizacionais. Outra definição de conhecimento nos é fornecida por Chiavenato (2016, p. 338): O conhecimento é uma mistura de experiências condensada, valores, informações contextuais e insights (discernimento) de uma pessoa e que proporciona uma estrutura para a avaliação e a incorporação de novas experiências e informações. O conhecimento está na mente das pessoas. As pessoas transformam a informação em conhecimento, fazendo comparações, analisando as consequências, buscando as conexões e conversando com outras pessoas sobre as informações recebidas. Liderança e Desenvolvimento de Equipes 17 Com base nas definições acima, temos que o conhecimento está relacionado à experiência das pessoas e ao processamento de informações. Nesse sentido, devemos entender por informação a reunião ou o conjunto de dados e conhecimentos organizados, que permite constituir referências sobre um determinado acontecimento, fato ou fenômeno. Já é experiência remete aos sentimentos, procedimentos, rotinas vivenciadas pelos indivíduos. Assim, objetivamente podemos entender por conhecimento o atributo de possuir entendimento e compreensão sobre algo por intermédio da experiência e do raciocínio acerca das informações. Dentro dessa perspectiva, comumente o conhecimento encontra-se classificado, basicamente, em explícito e em tácito. IMPORTANTE: Segundo Nonaka e Takeuchi (1997), na perspectiva da criação do conhecimento organizacional, o conhecimento explícito é algo sistematizado e formal, enquanto o tácito é algo dificilmente visível e exprimível. Como consequência, o conhecimento explícito é codificado em palavras, números, expressões lógicas e é facilmente transmitido e compartilhado, enquanto o tácito é altamente pessoal e de difícil formalização, sendo assim de difícil transmissão e compartilhamento. Agora que distinguimos os tipos de conhecimento, uma questão interessante que devemos pensar é: o conhecimento explícito pode se tornar tácito e vice-versa? Precisamos entender aqui que o conhecimento explícito é o conhecimento tácito codificado e disseminado. Nesse sentido, temos que o conhecimento tácito pode ser então transformado em explícito. Liderança e Desenvolvimento de Equipes 18 EXPLICANDO MELHOR: São exemplos de conhecimento tácito insights e palpites dos indivíduos que fazem parte da organização. Esses exemplos de conhecimento têm pouco valor para a organização se o indivíduo não puder convertê-los em conhecimento explícito para que seja compartilhado com os demais membros da organização. Agora que você sabe o que é o conhecimento e seus tipos, já se perguntou como ele é gerado nas organizações? Vamos então, objetivamente, descrever como o conhecimento é gerado a partir da teoria da criação do conhecimento organizacional. Essa teoria assume que o conhecimento na organização surge da interação entre conhecimento tácito e explícito e entidades criadoras de conhecimento. Nesse sentido, a teoria se embasa em duas dimensões, a ontológica e a epistemológica, conforme podemos observar na Figura 2. Figura 2: Duas dimensões da criação do conhecimento Fonte: Nonaka e Takeuchi (1997, p. 62). Na figura anterior, o que seriam, então, as dimensões epistemológica e antológica? Vou explicar: entenda que a dimensão epistemológica da criação do conhecimento trata da distinção entre conhecimento tácito e explícito, bem como da conversão do primeiro no segundo. Já a ontológica Liderança e Desenvolvimento de Equipes 19 foca nos níveis de entidades criadoras do conhecimento - individual, grupal, organizacional e Inter organizacional (NONAKA; TAKEUCHI, 1997). Segundo os criadores da teoria em questão, o núcleo dela é o entendimento de uma espiral que surge da interação entre as dimensões em todos os seus níveis. Dessa interação surgem quatro modos de convenção do conhecimento tácito e explícito, bem como quatro tipos de conhecimento, conforme representa a Figura 3 e define o Quadro 4. Figura 3: Espiral do conhecimento e conteúdo do conhecimento criado pelos quatro modos Fonte: Adaptado Nonaka e Takeuchi (1997, p. 80-81). Vamos agora analisar a Figura 3, que ilustra como o conhecimento é criado. Para isso, imagine uma situação em que você, como líder, precisa desenvolver em um novo liderado conhecimentos sobre a organização e sobre os procedimentos de trabalho. Ele acabou de ser contratado e é seu primeiro emprego; por outro lado, você como líder detém todos com conhecimentos que ele precisa aprender. Nesse sentido, olhando Liderança e Desenvolvimento de Equipes 20 para figura, você está posicionado no quadrante de internalização, e o seu novo liderado no de socialização. O caminho a percorrer de seu liderado até chegar ao mesmo nível de conhecimento que você é representado pela espiral na figura. Assim sendo, ele passará da socialização para a externalização e da internalização para combinação. Esse processo repete-se cada vez que você ensina algo novo a ele. Desse modo, vejamos no Quadro 4 no que consiste cada quadrante da Figura 3, que são denominados de modos de conversão do conhecimento. Quadro 4: Modos de conversão do conhecimento MODO OU TIPO DE CONHECIMENTO DEFINIÇÃO Socialização (de conhecimento tácito em conhecimento tácito) É um processo de compartilhamento de experiências dando origem à criação de conhecimento tácito, como modelos mentais ou habilidades técnicas compartilhadas. Externalização (de conhecimento tácito em conhecimento explícito) É um processo de articulação do conhecimento tácito em conceitos explícitos. É um processo de criação do conhecimento expresso na forma de metáforas, analogias, conceitos, hipóteses e modelos. Combinação (de conhecimento explícito em conhecimento explícito) É um processo de sistematização de conceitos em um sistema de conhecimento, a partir do envolvimento e da combinação de conjuntos diferentes de conhecimento explícito. Esse processo pode se dar por meio de documentos, reuniões, conversas etc. Internalização (de conhecimento explícito para tácito) É o processo de incorporação do conhecimento explícito no conhecimento tácito, o “aprender fazendo”. Fonte: Adaptado de Nonaka e Takeuchi (1997, p. 68-79). Liderança e Desenvolvimento de Equipes 21 Veja bem: no Quadro 4, você se apropriou de um conhecimento importante para sua prática profissional. Isso mesmo! Esse conhecimento permite que você entenda como o conhecimento é gerado na organização e é convertido de um tipo a outro. Portanto, está apto, por exemplo, a desenvolver novos conhecimentos em seus liderados, compartilhando desde experiências até o aprender a fazer. Aqui então você já entendeu o C do CHA da competência. No que se refere às habilidades no contexto do CHA, podemos defini-las como capacidade individual de desempenhar asdiversas tarefas de uma função. Essas habilidades podem ser tanto intelectuais como físicas, conforme asseveram Robbins, Judge e Sobral (2010, p. 49): As habilidades totais de uma pessoa normalmente são formadas por dois grupos de fatores: as habilidades intelectuais e as físicas. [...] Habilidades intelectuais - capacidade para desempenhar atividades mentais, tais como refletir, raciocinar e resolver problemas. [...] Habilidades físicas - capacidade de desempenhar atividades que demandam resistência, destreza, força e características similares. Diante do exposto, quando voltamos o nosso foco para a liderança, temos que um líder competente é aquele que consegue, dentro das organizações, colaborar na geração do conhecimento e desenvolver, aprimorar e direcionar as habilidades dos seus liderados rumo ao atingimento dos objetivos organizacionais, gerando valor tanto para a empresa como para seus liderados. Ainda, cabe ao líder influenciar e gerenciar atitudes dos indivíduos, aqui temos, então, o “A” do CHA da competência. Segundo Robbins, Judge e Sobral (2010), a atitude é uma ação que remete a uma avaliação de algo por parte do indivíduo. Assim, destacam que: Atitudes são afirmações avaliatórias — favoráveis ou desfavoráveis — com relação a objetos, pessoas ou eventos. Refletem uma predisposição individual com relação a alguma situação ou fenômeno. Quando digo “gosto do meu trabalho”, estou expressando a minha atitude com relação ao trabalho. (Robbins; Judge; Sobral, 2010, p. 66) Liderança e Desenvolvimento de Equipes 22 Dessa forma, as atitudes dos indivíduos dentro das organizações refletem a combinação dos componentes cognitivos, afetivos e comportamentais deles. O Quadro 5 ilustra e define cada um desses componentes. Perceba nele que uma atitude resulta da combinação entre avaliação, sentimento e comportamento. Então, com base no quadro a seguir, se você quiser promover, no contexto da liderança, uma atitude positiva em seus liderados, o que você deve fazer? Analise o conteúdo do quadro que vou lhe responder logo a seguir. Quadro 5: Componentes da atitude dos indivíduos Componente cognitivo: componente da atitude que se refere à crença ou à opinião acerca de um objeto, pessoa ou situação. Componente afetivo: componente da atitude que se refere ao afeto e às emoções com relação a um objeto, pessoa ou situação. Componente comportamental: componente da atitude que se refere à intenção de comportar-se de determinada maneira com relação a alguém ou alguma coisa. Fonte: Adaptado de Robbins, Judge e Sobral (2010, p. 67). Liderança e Desenvolvimento de Equipes 23 Agora que você analisou o conteúdo do quadro anterior, vou responder ao questionamento feito antes. Para promover, no contexto da liderança, uma atitude positiva em seus liderados, você deve exibir um comportamento que seja avaliado como positivo, gerando um sentimento e uma ação positivos no seu liderado. Por exemplo: se você quer que seus liderados confiem em você, deve agir com transparência e dizer a verdade, pois isso irá gerar um sentimento de que você é uma pessoa honesta e confiável; consequentemente, seus liderados irão procurá-lo quando precisarem de um conselho ou emitirem opiniões práticas. Diante de tudo que aprendemos aqui, podemos concluir que o perfil de liderança eficaz requer do líder, assim como ele requer de seus liderados, conhecimentos, habilidades e atitudes que permitam identificar esses aspectos e gerenciá-los em seus liderados. O perfil de competência de um líder, nesse sentido e ante a nova economia e mundo do trabalho, será nosso objeto de estudo no capítulo seguinte. Liderança e Desenvolvimento de Equipes 24 RESUMINDO: E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que a competência é o conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes, isto é, o conjunto de capacidades humanas que justificam uma alta performance. Dessa definição deriva o CHA da competência: conhecimento, habilidades e atitudes. O conhecimento é, nesse sentido, o atributo de possuir entendimento e compreensão sobre algo por intermédio da experiência e do raciocínio acerca das informações. Esse conhecimento pode ser tácito ou explícito e, no contexto das organizações, ele costuma estar embutido não só em documentos ou repositórios, mas também em rotinas, processos, práticas e normas organizacionais. Quanto às habilidades, remetem à capacidade individual de desempenhar as diversas tarefas de uma função. As habilidades individuais totais são a soma de habilidades intelectuais e físicas. Já as atitudes individuais são definidas como afirmações avaliatórias — favoráveis ou desfavoráveis — com relação a objetos, pessoas ou eventos. Refletem uma predisposição individual com relação a alguma situação ou fenômeno. As atitudes resultam de componentes cognitivos, afetivos e comportamentais. Diante do exposto, ao término desse capítulo conclui-se que um líder competente é aquele que consegue, dentro das organizações, colaborar para a geração do conhecimento, desenvolver, aprimorar e direcionar as habilidades, influenciar e gerenciar atitudes dos seus liderados rumo ao atingimento dos objetivos organizacionais, gerando valor tanto para a empresa como para eles. Liderança e Desenvolvimento de Equipes 25 Perfil do líder de sucesso OBJETIVO: Ao término deste capítulo, você será capaz de identificar o perfil de competência do líder do século XXI, que exerce suas principais características em função da dinâmica da nova economia e do novo mundo do trabalho. Isso porque, neste capítulo, você irá conhecer os desafios enfrentados pelas organizações e pelos líderes no contexto do século XXI (competitividade, avanços tecnológicos etc.), as características pessoais e comportamentais que traçam o perfil do líder do século XXI e as formas de liderança que se aplicam ao novo local de trabalho (liderança nível 5, liderança feminina, virtual e servidora). Esse conhecimento irá nortear você em sua prática profissional dentro das organizações, uma vez que essas formas estão em constante mudança para adaptarem-se e responderem às demandas do século XXI. Nesse sentido, você terá que encontrar líderes capazes de auxiliar nesse processo de adaptação e mudança, ou até mesmo ser você esse líder. E então? Motivado(a) para desenvolver essa competência? Vamos lá. Avante! O perfil de competência do líder do século XXI Se você avançou nos estudos de liderança já é capaz de responder a este questionamento: o que é um líder de sucesso? Bem, como vimos no capítulo anterior, o líder competente possui características que lhe permitem se destacar no contexto de liderança, e nesse sentido podemos entender que líderes competentes são líderes de sucesso, certo? Não. Na verdade, para que isso ocorra, é necessário que o perfil de competência do líder (conhecimento, habilidades e atitudes) esteja alinhado com o contexto em que a liderança é exercida. Assim, assumamos que um líder de sucesso é um líder competente em seu contexto de atuação. Então, no século XXI, qual é o perfil desse Liderança e Desenvolvimento de Equipes 26 líder? Para responder a esse questionamento, temos primeiramente que entender os desafios das organizações deste século, e, a posteriori, identificar esse perfil. A esse respeito destaca Ferraz (2015, p. 13): Mudanças abruptas, vantagens fugazes, inovações tecnológicas, concorrentes indisciplinados, mercados fragmentados, clientes poderosos, acionistas rebeldes - esses desafios do século XXI estão pondo à prova os limites da estrutura das organizações em todo o mundo, e expondo as limitações do modelo de gestão que não conseguiu acompanhar os tempos. Fim da era da liderança autoritária e o iníciode um ciclo competitivo centrado no capital humano. Os líderes do século XXI vêm se defrontando com um mundo que se modifica rapidamente. A revolução do consumo de tecnologia, informação e conhecimento atingiu grande velocidade. As pessoas estão cada vez mais esclarecidas, conscientes e nem exércitos inteiros podem conter ou mesmo diminuir o fluxo acelerado de informações através das fronteiras. Padrões de qualidade cada vez mais elevados exigem transformação das organizações em mercados globais. Com base no exposto, podemos resumir identificando, portanto, algumas variáveis presentes no ambiente das organizações no século XXI que irão requerer dos líderes conhecimento, habilidades e atitudes para liderar nesse contexto. Que variáveis são essas? Para responder a esse questionamento, atente-se para o conteúdo do Quadro 6. Quadro 6: Variáveis presentes no ambiente das organizações no século XXI VARIÁVEL FONTE/DEFINIÇÃO Mudança organizacional Robbins, Judge e Sobral (2010) Processo de adaptação das empresas a forças para mudanças por meio da alteração no modo com que realiza e desenvolve suas atividades organizacionais. Liderança e Desenvolvimento de Equipes 27 Vantagem competitiva Porter (2004) É um conjunto de características que permite a uma empresa ser diferente por entregar mais valor sob o ponto de vista dos clientes, diferenciando-se da concorrência e, por isso, obtendo vantagens no mercado. Forças competitivas Porter (2004) São um framework de análise setorial que permite entender o nível de competitividade de um mercado. O modelo desenvolvido por Porter (2004) apresenta os atores envolvidos (concorrentes, fornecedores, compradores, novos entrantes e substitutos), como eles se relacionam e como influenciam o sucesso dos negócios. Inovação tecnológica Fuck e Vilha (2012) As inovações tecnológicas podem ser incrementais ou radicais. As incrementais podem ser entendidas como aperfeiçoamentos contínuos e graduais de produtos, serviços ou processos já existentes e correspondem à maior parte das inovações geradas. Já as radicais correspondem à introdução de produtos, serviços ou processos totalmente novos no mercado e estão fortemente relacionadas com as atividades de P&D. Fonte: Elaborado pela autora, 2021. Então diante do que você leu e do que deve ter entendido a respeito do conteúdo do Quadro 6, as variáveis presentes no ambiente das organizações no século XXI, que irão requerer dos líderes conhecimento, habilidades e atitudes para liderar nesse contexto, são: mudança organizacional, vantagem competitiva, forças competitivas, inovação tecnológica e segmentação de mercado. Liderança e Desenvolvimento de Equipes 28 O Quadro 6 apresenta objetivamente a definição de cada uma dessas variáveis. Dentre elas, destacamos a mudança organizacional, uma vez que as demais, quando incorporadas nas organizações, geram mudanças. Por exemplo, a compra de uma inovação incorporada no processo de produção de uma empresa irá gerar mudança nas rotinas do trabalho e nas atividades desenvolvidas pelos funcionários. Isso irá requerer, em muitos casos, novos conhecimentos, habilidades e atitudes das pessoas que irão lidar com a inovação, de modo que exigirá dos líderes um comportamento de orientação a esse respeito. Assim, temos que o papel principal do líder do século XXI é gerenciar a mudança, conforme enfatizam Souza Neto e Calvosa (2006, p. 86): [...] o papel do líder no século XXI não é “gerenciar a mudança”, mas sim criar o próprio futuro dentro do panorama que se está modificando em um conceito que ele determina como “liderar a mudança”. A outra característica desta época que estamos vivendo é o que podemos denominar de “universalização da mudança», o que significa que praticamente ninguém escapará de seus impactos. Os líderes em todos os níveis hierárquicos precisam estar à frente da mudança e fazê-la acontecer. Espera-se de um líder a capacidade de atuar em cenários nos quais a convivência da ordem e do caos se faz sentir. Que possuam múltiplas habilidades, tanto de natureza comportamental quanto técnica que, ancoradas em valores e atitudes, lhes permita lidar adequadamente com ambiguidades [...]. Ainda a respeito do papel do líder no século XXI, Bass (apud COUVEY, 1994, p. 137) define que a liderança para o novo século encabece a: [...] interação entre dois ou mais membros de um grupo que frequentemente envolve uma estruturação ou uma reestruturação de situações, percepções e expectativas destes membros. Líderes são agentes de mudança – pes- soas cujos atos afetam outras pessoas mais do que os atos de outras pessoas os afetam. Agora que você já sabe que a liderança no século XXI é desenvolvida em um contexto de mudança, precisa entender no que consiste a mudança nas organizações. Isso porque, ao entender esse processo de mudança, será possível identificar quais as habilidades do líder, atributos Liderança e Desenvolvimento de Equipes 29 e práticas são requeridos nesse contexto. Então, antes de traçarmos um perfil do líder do século XXI, vamos estudar objetivamente em que consiste a mudança organizacional, uma vez que os líderes são agentes de mudança. Nas organizações, a mudança pode ocorrer de forma planejada ou espontânea, dependendo das necessidades e do contexto em que a organização se encontra. Quando ela ocorre de maneira planejada, são os seus gestores que programam, implementam e controlam sua execução e desempenho. No entanto, quando ela ocorre espontaneamente, são as ações do dia a dia da empresa que fazem surgir as mudanças para se adequarem às necessidades encontradas, sendo geralmente aplicada por pessoas que não possuem posição de autoridade (PINTO; LYRA, 2003). As mudanças organizacionais são instigadas, principalmente, por demandas do mercado, avanços na tecnologia e/ou uma estratégia organizacional que vise a algum objetivo em especial. De acordo com Robbins, Judge e Sobral (2010), existem seis principais fatores que influenciam a mudança, são eles: natureza da força de trabalho, tecnologia, choques econômicos, competição, tendências sociais e política internacional. A principal barreira encontrada para a implementação de uma mudança organizacional é a resistência à mudança, que pode ser caracterizada como qualquer comportamento de um indivíduo ou grupo de indivíduos que busca manter o status quo quando surge uma pressão para a mudança (HERNANDEZ; CALDAS, 2001), seja ela de hábitos, de atividades, de processos etc. A resistência à mudança pode advir de fontes individuais e organizacionais. Destacam-se, nesse contexto, as seguintes fontes individuais, apontadas por Robbins, Judge e Sobral (2010): hábitos, segurança, fatores econômicos, medo do desconhecido, processo seletivo de informação. O Quadro 7 elucida cada uma dessas possíveis fontes de resistência a mudanças. Liderança e Desenvolvimento de Equipes 30 Quadro 7: Fontes individuais de resistência a mudanças nas organizações FONTE DESCRIÇÃO E IMPLICAÇÕES PARA RESISTÊNCIA Hábitos Hábitos ou respostas programadas para enfrentar a complexidade da vida. Quando nos defrontamos com a mudança, essa tendência de reagir conforme de costume transforma-se em fonte de resistência. Segurança As pessoas com elevada necessidade de segurança costumam resistir à mudança por se sentirem ameaçadas. Fatores econômicos As mudanças nas tarefas ou rotinas estabelecidas podem suscitar temor com relação às finanças quando uma pessoa acha que não será capaz de apresentar o mesmo desempenho de antes, especialmente quando a remuneração é vinculada à produtividade. Medo do desconhecido A mudança faz o conhecido ser trocado pela ambiguidade e pela incerteza. Processamento seletivo de informações As pessoas processam seletivamente as informações para manter suas percepções intactas. Elas sóouvem o que querem ouvir. Ignoram informações que possam desafiar o mundo que construíram. Fonte: Adaptado de Robbins, Judge e Sobral (2010). Vamos visualizar na prática as fontes de resistência a mudanças. Para isso, você vai se colocar agora no lugar de um funcionário que foi transferido de departamento para desenvolver uma nova função, uma vez que sua função antiga será desenvolvida por um novo equipamento que a empresa pensa adquirir. Quais são as perguntas que vêm a sua mente? Quais os sentimentos que você imagina que sentiria nessa situação se você não quer mudar de função? Ao responder a essas perguntas, você Liderança e Desenvolvimento de Equipes 31 poderia tomar duas decisões. A primeira é resistir à mudança, buscando justificativas para a empresa não comprar a nova máquina ou aceitar o que virá. Diante da possibilidade de resistência à mudança, é necessário que a organização busque adotar medidas que visem superar resistências ou até mesmo evitar que elas surjam diante de um cenário de mudança. Nesse sentido, a organização pode fazer uso de vários mecanismos/ táticas, os quais são destacadas no Quadro 7. Salienta-se que a escolha pela adoção desses mecanismos deve considerar as percepções dos indivíduos em relação À mudança, fazendo a escolha da tática ou das táticas que melhor contribuirão para a redução da resistência. Quadro 8: Mecanismos e táticas para lidar com a resistência à mudança MECANISMO/ TÁTICA REFLEXOS PARA RESISTÊNCIA Educação e comunicação Comunicar a lógica da mudança pode reduzir a resistência dos funcionários em dois níveis. No primeiro, ela combate os efeitos da falta de informação e da comunicação deficiente: se os funcionários ficam sabendo de tudo o que se refere aos fatos e esclarecem qualquer mal- entendido, a resistência pode retroceder. No segundo, a comunicação pode ser útil para “vender” a necessidade de mudança ao apresentá-la de maneira apropriada. Participação Quando os participantes tiverem competência para dar uma contribuição significativa, seu envolvimento poderá reduzir a resistência, gerar comprometimento e melhorar a qualidade da decisão final. Apoio Quando o funcionário demonstra muito medo e ansiedade, o aconselhamento e a terapia, o treinamento em novas habilidades ou uma pequena licença remunerada podem facilitar o ajuste. Quando os gestores ou funcionários têm baixo comprometimento emocional com a mudança, eles são mais resistentes a ela. Liderança e Desenvolvimento de Equipes 32 Desenvolvimento de relações positivas As pessoas se dispõem mais a aceitar as mudanças se confiam nos gerentes que as implementam. Implementação de mudanças de forma justa Procedimentos justos tornam-se particularmente relevantes quando os funcionários percebem os resultados como negativos. Portanto, é de suma importância que os funcionários vejam a razão para a mudança e percebam sua implementação como coerente e justa. Manipulação A manipulação se refere a tentativas de influência disfarçada. A distorção de fatos para torná-los mais atraentes, a sonegação de informações e a criação de falsos rumores para induzir os funcionários a aceitar as mudanças são alguns exemplos de manipulação. Cooptação É uma tentativa de “subornar” os líderes dos grupos de resistência, oferecendo-lhes papéis-chave nas decisões sobre as mudanças, buscando a opinião desses líderes não porque isso vá resultar em uma decisão melhor, mas apenas para obter seu apoio. Seleção de pessoas Selecionar pessoas abertas a experiências, com atitudes positivas, dispostas a assumir riscos e com comportamento flexível e apto a aceitar mudanças. Coerção Uso de ameaças diretas ou de força sobre os resistentes. Fonte: Adaptado de Robbins, Judge e Sobral (2010, p. 270-271). Liderança e Desenvolvimento de Equipes 33 Prontinho! No Quadro 8, você compreendeu como usar artifícios para superar a resistência à mudança. Então, que tal imaginar como isso se aplica na prática? Vamos lá! Lembra da situação exposta anteriormente, em que você se colocou na situação de um funcionário que resiste a sua mudança de função devido à aquisição de uma máquina? Agora se imagine no lugar de um líder que terá que convencer esse funcionário a aceitar a mudança. Nesse sentido, como líder, o que você faria? Algumas respostas possíveis seriam: comunicar e envolver o funcionário sobre a escolha da máquina, para ele entender a importância dela para a organização, bem como informar como ele será importante na nova função. Mostrar apoio aos sentimentos de medo e dúvida, fazendo com que ele se sinta seguro e que possa contar com você quando tiver dificuldade na nova função. Ou, ainda, ameaçar despedi-lo se não aceitar a nova função. Então, diante do exposto, podemos concluir que no contexto de mudança a liderança é fundamental para promover a superação da resistência a mudanças. Nesse sentido, cabe ao líder identificar as fontes individuais de resistência a mudanças na organização e selecionar mecanismos e táticas adequados para superar essa resistência. Essa tarefa não é simples, requerendo, portanto, do líder habilidades, atributos e práticas que caracterizam o perfil de competência do líder do século XXI. Desse modo, qual o perfil de competência do líder do século XXI? Respondendo a esse questionamento, a Figura 6 apresenta essas habilidades. Liderança e Desenvolvimento de Equipes 34 Figura 4: Habilidades requeridas dos líderes do século XXI Fonte: Adaptado de Souza Neto e Calvosa (2006, p. 86-87). Além das habilidades destacadas na Figura 4, soma-se ao perfil do líder a capacidade de formar outros líderes, ao apresentar o seguinte comportamento destacado por Souza Neto e Calvosa (2006, p. 87): [...] monitorar o ambiente externo, contribuir na prestação de valores e crenças dignificantes, ter habilidade na busca de clarificação de problemas, ser criativo, fazer da informação sua ferramenta de trabalho, ter iniciativa, comprometimento atitude sinérgica, ousadia, visualizar o sucesso, construir formas de autoaprendizado, conhecer seus pontos fortes e os fracos, ser ouvido, reconhecer que todos de alguma forma têm alguma coisa com que podem contribuir, visualizar a comunicação, pensar globalmente e agir localmente, reconhecer o trabalho das pessoas, ter energia radiante e ser ético. Liderança e Desenvolvimento de Equipes 35 IMPORTANTE: Um líder de sucesso no século XXI é um líder orientado para a mudança organizacional, apresentando habilidades de direcionar seus liderados a lidarem com os desafios do século e contribuindo assim para o bom desempenho das organizações. Conforme estudamos até aqui, o líder atua em um contexto que podemos denominar como um novo local de trabalho, e nesse lugar ele pode assumir formas de liderança. Essas formas de liderança são apresentadas a seguir. Liderança no novo local de trabalho A forma de liderar vem mudando conforme surgem mudanças no ambiente das organizações, porque, conforme vimos anteriormente, essas mudanças refletem na forma como os membros da organização desempenharão suas atividades. Diante disso, sugerem-se quatro áreas de interesse especial para a liderança no novo local de trabalho, a saber: liderança nível 5, o jeito de liderar das mulheres, liderança virtual e liderança servidora. Essas áreas são apresentadas objetivamente no Quadro 9. DEFINIÇÃO: O novo local de trabalho nas organizações é um local caracterizado pelas mudanças drásticas no ambiente das organizações. São exemplos dessas mudanças: globalização, comércio eletrônico, organizações virtuais, aumento da diversidade no perfil demográfico e pessoal dos funcionários etc. (DAFT, 2005). Liderança e Desenvolvimento de Equipes 36 Quadro 9: Quatro áreas de interesse especial para a liderança no novo local de trabalho. LIDERANÇA NÍVEL 5 A liderança nível 5 refere-se ao nível mais alto na hierarquiadas capacidades dos gerentes que atuam nas organizações, conforme apresenta a Figura A. Uma das características dos líderes do nível 5 é a falta quase que total de ego. Esses líderes são despretensiosos, aceitam as responsabilidades pelos seus erros e dão crédito pelos bons resultados para as outras pessoas. São ainda outras características marcantes desse tipo de líder: feroz determinação para fazer o que for necessário para produzir resultados ótimos e duradouros para suas organizações; são extremamente ambiciosos para suas empresas em vez de a si próprios; e desenvolvem outros líderes por toda organização, para, em caso de sua saída da empresa, ela poder continuar com o alto desempenho. Figura A: Hierarquia da liderança nível 5. Em cada nível, o indivíduo apresenta um perfil. No nível 1, ele é contribuinte produtivo; oferece talento, conhecimento, habilidades e bons hábitos de trabalho como funcionário individual. No nível 2, ele contribui para a realização das metas das equipes; trabalha eficazmente com os outros em um grupo. No nível 3, ele estabelece planos e organiza as pessoas para a busca eficiente e efetiva dos objetivos. No nível 4, ele constrói o compromisso amplo para uma visão clara e compulsiva; Liderança e Desenvolvimento de Equipes 37 estimula as pessoas para o alto desempenho. Por fim, no nível 5, ele constrói uma grande organização duradoura por meio da combinação de humildade pessoal e resolução profissional. O jeito de liderar das mulheres Pesquisas demonstram que as mulheres, na função de líderes, possuem foco na minimização da ambição pessoal e no desenvolvimento das pessoas. Nesse sentido, a liderança exercida por mulheres se destaca por elas apresentarem maior habilidade em motivar, promover comunicações e ouvir as pessoas. O estilo de liderança das mulheres é denominado de liderança interativa, que é um estilo de liderança caracterizado por valores de inclusão, colaboração, construção de relacionamentos e carinho. Liderança servidora: Os líderes servidores são aqueles que têm como principal característica o trabalho para satisfazer as necessidades e as metas dos subordinados, assim como para cumprir a missão da organização. Fonte: Adaptado Daft (2005, p. 390-391). Com base no Quadro 9, você seria capaz de identificar como essas áreas de interesse especial para a liderança no novo local de trabalho contribuem para a construção do perfil de competência do líder do século XIX? Vou responder. Com base em tudo que você estudou até aqui, podemos concluir que o líder do século XIX deve ter um perfil orientado para a mudança. Portanto, ele deve compreender as fontes de resistência a mudanças se colocando no lugar de seus liderados. Nesse sentido, ele precisa ser humilde e bem resolvido como profissional, conforme prevê a liderança do nível 5. Ainda, deve ter habilidades de motivar, promover comunicações e ouvir as pessoas. Isso é o que se observa no estilo de liderança das mulheres. E, por fim, precisa buscar satisfazer as necessidades de seus liderados ao mesmo tempo em que atende aos objetivos organizacionais, sendo esse o foco da liderança servidora. Desse modo, ao final deste capítulo, você deve concluir que um líder do século XIX tem um perfil comportamental orientado pelas lideranças nível 5, feminina e servidora. Liderança e Desenvolvimento de Equipes 38 RESUMINDO: E agora? Você se sente capaz de identificar o perfil de competência do líder do século XXI, exercendo suas principais características em função da dinâmica da nova economia e do novo mundo do trabalho? Para garantirmos uma resposta positiva a esse questionamento, vamos rever o que você aprendeu até agora. Inicialmente, você viu que o contexto em que a liderança é exercida nas organizações do século XXI é marcado por mudanças resultantes de variáveis como competitividade e inovação tecnológica. Nesse sentido, o líder deste século estabelece a interação entre dois ou mais membros de um grupo que, frequentemente, envolvem uma estruturação ou uma reestruturação de situações, percepções e expectativas deles. Líderes são agentes de mudança – pessoas cujos atos afetam outras pessoas mais do que os atos de outras pessoas os afetam. Assim, desempenhar esse papel requer do líder um perfil que incorpore habilidades como estar próximo ao cliente (foco no cliente e não no produto), deixar agir com autonomia (empowerment), produzir por meio de pessoas (estimular o crescimento dos orientados), compartilhar valores (conhecimento, redes de relacionamentos e compaixão), ter equipe enxuta e ágil (downsizing), trabalhar com qualidade total, aceitar as contribuições dos outros etc. Ainda destacamos que um traço marcante e necessário no perfil do líder é a capacidade de desenvolver outros líderes. Portanto, ao final deste capitulo, você pôde concluir que os líderes no novo ambiente de trabalho tendem a ser líderes de nível 5, interativos e ou servidores. Liderança e Desenvolvimento de Equipes 39 Eficiência e eficácia na condução de um negócio OBJETIVO: Ao término deste capítulo, você será capaz de diferenciar eficiência de eficácia, entendendo suas características para uma liderança eficaz. Isso porque você irá entender a definição de eficiência e de eficácia no contexto das organizações e suas implicações para a liderança. Ainda neste capítulo você irá entender como os seguidores definem um líder eficaz, além de conhecer a importância de esses líderes terem credibilidade em seu ambiente de atuação. Esse conhecimento é importante em sua prática quando houver necessidade de identificar se um líder colabora efetivamente para o atingimento dos objetivos da organização, sendo assim possível potencializar essa contribuição ou ainda promover treinamentos de liderança para aumentar o nível de eficácia dos líderes. E então? Motivado(a) para desenvolver essa competência? Vamos lá. Avante! Eficiência e eficácia na condução de um negócio A liderança tem por finalidade dirigir pessoas, ela consiste, portanto, em uma das funções da administração, a saber: planejamento, organização, direção e controle. Assim, um administrador-líder tem o papel de administrar a organização pela qual é responsável, desenvolvendo o processo ilustrado na Figura 5. Salienta-se que o líder pode ser um outro indivíduo da organização, de modo que ele deve ser envolvido pelo administrador no processo de administrar. Liderança e Desenvolvimento de Equipes 40 Figura 5: O processo de administração Fonte: Sobral e Peci (2008, p. 8). Entenda que a figura anterior remete ao processo cíclico conforme a imagem demonstra. Esse processo inicia pelo planejamento, que consiste na definição de objetivos e desenvolvimento de estratégias e ações para alcançá-los. Após o planejamento é determinado o que deve ser feito, como deve ser feito e quem deve fazer o que fora planejado. Esse segundo passo do processo é a organização. Quanto à direção, ela consiste no ato de liderar e de motivar os membros da organização para desenvolverem o que foi planejado e organizado. E, por fim, o controle remete ao monitoramento do desempenho para garantir que os objetivos sejam alcançados. Então, o líder dirige os membros de uma organização. A respeito da liderança como a função de dirigir pessoas no processo administrativo, explicam Sobral e Peci (2008, p. 8): Dirigir significa liderar, motivar e coordenar os trabalhadores no desenvolvimento de suas atividades. [...]. O responsável por uma equipe ou grupo, o líder, tem a responsabilidade de proporcionar um ambiente propício à execução de um trabalho de qualidade e no qual os trabalhadores se sintam satisfeitos. Liderança e Desenvolvimento de Equipes 41 Diante do exposto, o líder tem um papel fundamental na administração das organizações, por isso ele deve entender o que é administrar a fim de desempenhar seu papel de forma a contribuircom todo o processo ilustrado anteriormente. Mas o que é administrar? Ou seja, o que envolve a administração? Para que possamos avançar em nossos estudos neste capítulo, precisamos ter em mente, clara ou objetivamente, uma definição mais completa possível desse conceito, conforme apresentam Sobral e Peci (2008, p. 5): Uma definição mais complexa de administração é dada a seguir: “Administração é um processo que consiste na coordenação do trabalho dos membros da organização e na alocação dos recursos organizacionais para alcançar os objetivos estabelecidos de uma forma eficiente e eficaz”. Vejamos que, na definição de administração acima, administrar remete à realização de tarefas e ter eficiência e eficácia nos objetivos organizacionais. Portanto, um líder deve saber diferenciar esses conceitos. Pare agora e reflita um pouco: para você, o que é eficiência? O que é eficácia? Qual imagem vem a sua mente quando nos referimos a uma pessoa eficiente e eficaz? Calma, vamos elucidar esses conceitos por meio da definição teórica e de um exemplo prático. Em termos teóricos, o Quadro 10 dispõe de algumas das definições atribuídas a esses conceitos, identificadas na literatura sobre administração. Já o Quadro 11 traz um exemplo da aplicação desses conceitos de forma a mostrar na prática suas diferenças. Liderança e Desenvolvimento de Equipes 42 Quadro 10: Definindo eficiência e eficácia EFICIÊNCIA EFICÁCIA Definição Fonte Definição Fonte “É a capacidade de realizar as atividades da organização, minimizando a utilização dos seus recursos, ou seja, é a capacidade de desempenhar corretamente as tarefas. É uma medida da relação entre os resultados e os recursos consumidos”. Sobral e Peci (2008, p. 5) “É a capacidade de realizar as atividades da organização de modo a alcançar os objetivos estabelecidos. Eficácia implica escolher os objetivos certos e conseguir atingi-los, e a sua principal preocupação é com os fins.” Sobral e Peci (2008, p. 5) “É a palavra usada para indicar que a organização utiliza produtivamente, ou de maneira econômica, seus recursos. Quanto mais alto o grau de produtividade ou economia na utilização dos recursos, mais eficiente de recursos é a organização”. Maximiano (2017) “É a palavra usada para indicar que a organização realiza seus objetivos. Quanto mais alto o grau de realização dos objetivos, mais a organização é eficaz”. Maximiano (2017) Fonte: Elaborado pela autora, 2021. No Quadro 10 você deve ter percebido que há uma distinção conceitual a respeito do que é eficiência e eficácia. Essa diferenciação se dá quanto à orientação do termo para o alcance dos objetivos (eficácia) e à utilização dos recursos (eficiência). Mas como essa distinção se aplica Liderança e Desenvolvimento de Equipes 43 na prática? Você pode responder a esse questionamento ao assimilar o exemplo disposto no Quadro 11. Note que no referido exemplo, a troca de pneus é um objetivo, mas a eficiência remete ao contexto em que a troca está sendo realizada e os usos adequados dos recursos de forma produtiva ante a esse contexto. Nesse sentido, usar equipamentos de Fórmula-1 para trocar o pneu de um carro comum pode ser eficaz, mas não eficiente, pelo desperdício de recursos, ou seja, pelo alto custo dos equipamentos. Quadro 11: Diferenciando na prática eficiência e eficácia As organizações podem ser eficientes e eficazes, ou ineficientes e ineficazes, e criar problemas em vez de resolver. Tudo depende da forma como as organizações são administradas. O papel da administração é assegurar a eficiência e a eficácia das organizações. Eficiência e eficácia são avaliadas dentro de contextos. Se você precisa trocar o pneu do carro, talvez precise de mais de 30 minutos. A eficácia (pneu trocado) ocorre no contexto em que a eficiência (30 minutos) não é muito relevante para você. Mas, se você é piloto de Fórmula-1, precisa trocar quatro pneus em menos de 3 segundos. Custa caríssimo: os mecânicos, as ferramentas, as instalações. Altamente ineficiente sob a perspectiva do consumidor comum (desperdício de recursos), mas altamente eficaz do ponto de vista de minimizar o tempo de parada (no contexto da Fórmula-1). Figura A: A síntese da eficiência e da eficácia. Fonte: Maximiano (2017, p. 8). Liderança e Desenvolvimento de Equipes 44 Em suma, temos que a eficiência remete à utilização dos recursos, enquanto a eficácia remete à realização dos objetivos. A Figura 6 ilustra de forma comparativa a diferença em termos práticos. Diante disso, embora sejam definições distintas no contexto prático das organizações, são relacionadas, conforme elucidam Sobral e Peci (2008, p. 5): Apesar das diferenças entre os conceitos de eficiência e eficácia, eles estão correlacionados. Sem eficácia, a eficiência é inútil, pois a organização não consegue realizar o seu propósito. Por outro lado, é fácil ser eficaz quando se é ineficiente, visto que muitos recursos são desperdiçados. Nesse caso, as organizações alcançam os seus objetivos, mas fazem-no a um custo muito alto. Uma administração de sucesso consiste em obter simultaneamente eficácia e eficiência na utilização dos recursos organizacionais. Então, que tal visualizar objetivamente as diferenças entre eficiência e eficácia e relação entre elas? Vejamos a Figura 6. Note que, quando algo é determinado como eficiente e eficaz, deve ser bem feito e de forma certa, e assim por diante. A eficiência e a baixa utilização dos recursos ao mesmo tempo mostram que há um alto atingimento dos objetivos. Figura 6: Eficiência e eficácia Fonte: Adaptado de Sobral e Peci (2008, p. 6). Liderança e Desenvolvimento de Equipes 45 Agora que você conhece o que define eficiência e eficácia na Figura 6, seria capaz de definir o que é um líder eficiente e um líder eficaz? Bem, tomando como base o que estudamos até aqui, podemos entender por líder eficiente aquele que utiliza seus recursos (conhecimentos, habilidades e atitudes) com foco em desempenhar bem seu papel de líder sem maiores preocupações com a forma que seu papel contribui para o atingimento dos objetivos organizacionais. Já um líder eficaz tem seu foco voltado para o atingimento de objetivos tanto dos liderados como da organização. No tópico a seguir, vamos entender melhor quais são as características de um líder eficaz. O líder eficaz Primeiramente, vamos recordar o conceito de liderança para então entender mais a fundo o que é um líder eficaz. Bergamini (2009, p. 14) apresenta a seguinte definição: “a liderança não pode ser concedida por poder ou segundo uma estrutura; só se é um líder, se as pessoas seguirem sua liderança, tendo a liberdade de não o fazerem”. Diante disso, temos que a liderança é um poder ou uma estrutura que só existe quando o líder é reconhecido e seguido por seus liderados. Portanto, um líder eficaz, obrigatoriamente, é reconhecido e seguido por seus liderados. Para Bergamini (2002, p. 33): “A eficácia do líder repousa na percepção positiva que o seguidor tem dele. É essa percepção que conferirá ao líder credibilidade e culminará com o envolvimento espontâneo do seguidor”. Mas isso não é uma característica que define um líder eficaz de um ineficaz, então precisamos melhor definir o que vem a ser esse líder. Para encontrar essa definição, precisamos identificar as características de um líder eficaz na percepção dos liderados. Vamos começar refletindo. Para e pense um pouco: quais características pessoais e comportamentais você consegue listar de um líder que você considera eficaz? Faça uma pequena lista. Com ela em mãos, vamos verificar se você reconheceu parte das características listadas por liderados. Segundo Eales-White (2010), os líderes eficazes apresentam os seguintes comportamentos apontados por liderados: demostram que pensam sobre a função de liderança; desenvolvema Liderança e Desenvolvimento de Equipes 46 percepção e a autoconfiança; pensam nos outros; exibem integridade na tomada de decisão e tomam decisões; compartilham informações; são confiantes o bastante para cometerem erros, admiti-los e apreender com eles; dirigem com treinamento e delegam autoridade e responsabilidade. De forma objetiva, o Quadro 12 apresenta cada um desses comportamentos apontados pelos liderados como características de um líder eficaz. Quadro 12: Características do comportamento de líderes eficazes LÍDERES EFICAZES Demostram que pensam sobre a função de liderança Pensam sobre a sua função e planejam sua estratégia de liderança praticamente da mesma maneira que tratam todos os outros assuntos importantes dentro de uma organização. Desenvolvem a percepção e autoconfiança Desenvolvem uma consciência de si mesmos. Identificam, reconhecem e compreendem seus pontos fortes e fracos, acreditam em si mesmos e em sua competência e capacidade. Pensam positivamente sobre si mesmos antes de pensar positivamente sobre os seus liderados. Quanto mais tem o controle de si mesmo, menos necessita controlar os outros. Pensam nos outros Preocupam-se com seus seguidores. São bons ouvintes. Proporcionam apoio tanto a nível material quanto emocional, dando retorno para encorajar seus seguidores e permitir o crescimento deles. São bons treinadores: fazem perguntas que demostram empatia e que capacitam os seguidores a descobrir e a aprender por si mesmos em vez de lhes dizer o que fazer. Liderança e Desenvolvimento de Equipes 47 Exibem integridade na tomada de decisão e tomam decisões Tomam decisões corretas, imparciais e justas. Diferentemente dos líderes ineficazes, que em alguns casos tomam decisões erradas ou incoerentes para acomodar as mudanças de alternância de poder aos interesses políticos do grupo ou a mudanças de opinião daqueles que se encontram na posição de comando na estrutura organizacional. Compartilham informações Reconhecem que seus seguidores querem responsabilidade e, assim, compartilham informações. Adotam uma política de “precisam saber” favorável aos seguidores e não na perspectiva da organização. São confiantes o bastante para cometerem erros, admiti-los e apreender com eles São humildes. Reconhecem a necessidade de mudança e de aprendizado contínuo. Dirigem com treinamento Orientam e dirigem as ações dos liderados, exigindo um controle necessário nos casos em que liderados se encontram em uma função ou em tarefas que não dominam bem. Delegam autoridade e responsabilidade Compartilham autoridade e responsabilidade, assumindo as rédeas. Fonte: Adaptado de Eales-White (2010). Com base no conteúdo do Quadro 12, você seria capaz de avaliar o comportamento de um líder em relação a sua eficácia? Por exemplo, sabendo que Ana é uma líder que permite que seus liderados assumam Liderança e Desenvolvimento de Equipes 48 responsabilidades, enquanto Pedro é um líder que centraliza as decisões, qual dos dois é, possivelmente, um líder mais eficaz? Resposta: Ana, porque delegar autoridade e responsabilidade permite que os liderados tenham autonomia. Ainda a respeito das características dos líderes eficazes, Eales-White (2010) destaca alguns atributos deles, os quais estão dispostos na Figura 7. Figura 7: Atributos dos líderes eficazes Fonte: Eales-White (2010, p. 23). Perceba que ser um líder eficaz é resultado de um conjunto de ações. Dentre essas, devemos destacar algumas que são imprescindíveis para o exercício da liderança no século XIX, como dinamismo, inovação e elevados padrões éticos. O dinamismo remete ao fato de saber lidar com as mudanças no ambiente das organizações, ou seja, um líder eficaz é dinâmico quando é orientado para a mudança. Quanto à inovação, remete à capacidade de criar e implementar algo novo ou melhorar determinado contexto. E a ética remete ao comportamento que segue regras e normas socialmente aceitas. Líderes não dinâmicos, não inovadores e não éticos, consequentemente, não conseguem ser eficazes para contribuir com o atingimento dos objetivos de seus liderados e das organizações. Temos, agora, conhecimento suficiente para definirmos o que é um líder eficaz. Assim, podemos dizer que um líder eficaz é aquele que tem seu foco voltado para o atingimento de objetivos, tanto dos liderados como da organização; pensa em si mesmo, liderando pelo exemplo, Liderança e Desenvolvimento de Equipes 49 inserindo o trabalho dos seguidores em um contexto, desenvolvendo e apoiando eles. DEFINIÇÃO: Líder eficaz é o líder que tem seu foco voltado para o atingimento de objetivos tanto dos liderados como da organização; pensa em si mesmo, liderando pelo exemplo, inserindo o trabalho dos seguidores em um contexto, desenvolvendo e apoiando eles (EALES-WHITE, 2010). Diante da definição de líder eficaz, você deve estar se perguntando como ele faz tudo que a definição aponta. Pois bem, ele desenvolve essas atribuições por meio de suas características pessoais e comportamentais, conforme ilustra a Figura 8. Figura 8: O líder eficaz Fonte: Eales-White (2010, p. 24). Liderança e Desenvolvimento de Equipes 50 Por fim, para que um líder eficaz possa desenvolver as atribuições conforme as destacadas na Figura 8, é necessário que ele tenha credibilidade junto aos seus liderados. Para Bergamini (2002), a eficácia de um líder é relacionada à habilidade dele de conseguir, junto aos seguidores, aquilo que se conhece como credibilidade. Nesse sentido, o que podemos entender por credibilidade? Credibilidade é, nesse contexto, a característica de quem é confiável, ou seja, que expressa crença na probidade moral, na sinceridade, lealdade, competência, discrição e sentimento de segurança. Segundo Bergamini (2002, p. 46), temos que: Ser eficaz como líder não significa projetar a própria imagem como alguém apenas responsável e competente, conhecedor das técnicas de trabalho ou uma figura forte que se preocupa, sobretudo, com que o trabalho seja feito. Os líderes que têm conseguido usufruir os mais altos níveis de credibilidade não gastam seu tempo demonstrando poder e competência superiores. Aqueles que reconhecidamente dispõem de maior poder usam melhor o seu tempo aproveitando pontos de vista que possam emergir, experimentando novas formas de comportamento e trabalhando a favor da busca do desenvolvimento individual, grupal e organizacional. Por fim, para ser um líder eficaz deve-se, além de ser um líder competente, possuir poder sobre seus liderados que advém da credibilidade. Esse poder permite que o líder eficaz use seu tempo Liderança e Desenvolvimento de Equipes 51 aplicando ações em prol do desenvolvimento dos indivíduos e dos grupos na organização. RESUMINDO: E agora? Você se sente capaz de diferenciar eficiência de eficácia, entendendo suas características para uma liderança eficaz? Se você chegou até aqui, sua resposta é sim. Isso porque, neste capítulo, você aprendeu que, por definição, nas organizações a eficiência é a capacidade de realizar as atividades, minimizando a utilização de recursos, ou seja, é a capacidade de desempenhar corretamente as tarefas. É uma medida da relação entre os resultados e os recursos consumidos. Já a eficácia é a capacidade de realizar as atividades da organização de modo a alcançar os objetivos estabelecidos. Eficácia implica escolher os objetivos certos e conseguir atingi-los, e a sua principal preocupação é com os fins. A partir desse entendimento, podemos concluir que um líder eficiente é aquele que utiliza seus recursos (conhecimentos, habilidades e atitudes) com o foco em desempenhar bem seu papel de líder sem maiores preocupações com a forma que seu papel contribui para o atingimento dos objetivos organizacionais. Já um líder diante das características apontadas por liderados é aquele que