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BeNS PÚBLICOS Matheus Rocha Faganello I – CONCEITO O que são bens públicos? Resposta Comum: São os bens pertencentes à Administração Pública I – CONCEITO Administração Pública: Administração Direta: Entes Políticos União Estados Distrito Federal Municípios Administração Indireta Autarquias Fundações Consórcios Públicos Empresas Públicas Sociedades de Economias Mistas I – CONCEITO Administração Pública: Administração Direta: Entes Políticos – Pessoas Jurídicas de Direito Público (Art. 41 do CC) União Estados Distrito Federal Municípios Administração Indireta Autarquias – Pessoa Jurídica de Direito Público (Art. 41 do CC) Fundações – Pessoa Jurídica de Direito Público ou de Direito Privado Consórcios Públicos – Pessoa Jurídica de Direito Público / Direito Privado Empresas Públicas – Pessoa Jurídica de Direito Privado Sociedades de Economias Mistas – Pessoa Jurídica de Direito Privado I – CONCEITO Hely Lopes Meireles - Bens Públicos mesmo quando pertencentes à PJ de Direito Privado - Quando pertencentes a empresas governamentais (PJ Dir. Privado) são bens com Destinação Especial e Administração Particular - Apesar de destinado à finalidade da empresa mantém seu caráter de bem público, tanto assim que com a extinção daquela volta ao ente que a criou I – CONCEITO Código Civil Art. 98. São públicos os bens do domínio nacional pertencentes às pessoas jurídicas de direito público interno; todos os outros são particulares, seja qual for a pessoa a que pertencerem. A definição do Código Civil exclui os bens das Pessoas Jurídicas de Direito Privado. Ex: Empresas Públicas e Sociedades de Economia Mista Importante destacar que a titularidade dos bens é da pessoa jurídica e não dos órgãos dos quais é composta I – CONCEITO Domínio Público Sem conteúdo preciso Pode referir-se (i) a bens que sejam de livre acesso ao público (ii) a todos os bens que encontram-se sob dominação do Estado Nessa segunda acepção pode-se usar o termo Domínio Eminente (aspecto político). - não traz caráter patrimonial - abrange bens privados - dele decorre a possibilidade de restringir bens particulares II – CLASSIFICAÇÃO - Todos os bens públicos são iguais? - Exemplos de bens públicos - Praça - Um prédio de uma Universidade Pública - Um veículo que era de uso da Polícia Militar - Um prédio pertencente ao Estado, mas que se encontra abandonado II – CLASSIFICAÇÃO Código Civil Art. 99. São bens públicos: I - os de uso comum do povo, tais como rios, mares, estradas, ruas e praças; II - os de uso especial, tais como edifícios ou terrenos destinados a serviço ou estabelecimento da administração federal, estadual, territorial ou municipal, inclusive os de suas autarquias; III - os dominicais, que constituem o patrimônio das pessoas jurídicas de direito público, como objeto de direito pessoal, ou real, de cada uma dessas entidades. II – CLASSIFICAÇÃO Uso comum do povo - Bens de uso de todos os indivíduos - Destituído do conceito técnico de propriedade - Destinação Pública (uso público) - Regulamentação do uso (ou não uso) pela Administração Pública - Inalienáveis (a maior parte por característica outros enquanto mantiverem essa condição) II – CLASSIFICAÇÃO Uso Especial - Bens de uso para serviços administrativos ou serviços públicos em geral - Aparelhamento material da administração - Não estão necessariamente disponíveis para o uso individual - Podem ser móveis ou imóveis II – CLASSIFICAÇÃO Dominicais - Caráter residual - Bens sem destinação específica - Simples caráter patrimonial - Parágrafo único do art. 99 do CC: Não dispondo a lei em contrário, consideram-se dominicais os bens pertencentes às pessoas jurídicas de direito público a que se tenha dado estrutura de direito privado. II – CLASSIFICAÇÃO Afetação e Desafetação - Significa a existência de uma destinação (utilização com finalidade) específica de um bem - São considerados afetados os bens que possuem uma destinação específica (Bens de uso comum e especial) - São considerados desafetados os bens que não possuem destinação específica (Bens dominicais) II – CLASSIFICAÇÃO Afetação e Desafetação - Exemplo: Prédio de uma secretaria de Estado Enquanto está sendo utilizado Deixa de ser utilizado pela secretaria Passa a ser utilizado por um hospital - Divergência sobre a necessidade de ato administrativo específico para desafetação - Gasparini, Di Pietro e Carvalho Filho – Fato Administrativo - Lei n. 13.465 – dispensa a “desafetação” para a alienação de bem público (regularização fundiária) III – REGIME JURÍDICO Inalienabilidade - “Bens públicos não podem ser alienados” - Bens de uso especial e de uso comum não podem ser alienados (enquanto mantiverem essa condição) - havendo desafetação é possível a alienação - Bens Dominicais são passíveis de alienação, desde que sigam as prescrições legais III – REGIME JURÍDICO Inalienabilidade Código Civil - Art. 100. Os bens públicos de uso comum do povo e os de uso especial são inalienáveis, enquanto conservarem a sua qualificação, na forma que a lei determinar. - Art. 101. Os bens públicos dominicais podem ser alienados, observadas as exigências da lei. - Alienabilidade Condicionada – Carvalho Filho (art. 17 a 19 da Lei n. 8.666) - CF determina indisponibilidade de determinados bens: art. 225, § 5º - terras necessária à proteção de ecossistemas naturais art. 231, §4º - terras indígenas III – REGIME JURÍDICO Impenhorabilidade - Penhor é constrição do bem do devedor para propiciar a satisfação do credor em razão de descumprimento de obrigação pelo devedor. - O bem penhorado pode ser alienado para com o valor obtido a partir da alienação seja satisfeito o credor. - Dívidas judiciais da Administração Pública se submetem a regime próprio Precatórios - Reflexo em relação à classificação dos bens de PJ Dir. Privado. - Atenção: prestadoras de serviços públicos! III – REGIME JURÍDICO Não onerabilidade Impossibilidade de dar o bem em garantia - (i) Precatório - (ii) Vedação legal CC, Art. 1.420. Só aquele que pode alienar poderá empenhar, hipotecar ou dar em anticrese; só os bens que se podem alienar poderão ser dados em penhor, anticrese ou hipoteca. - Alguns autores entendem possível a garantia sobre bens dominicais (Seabra Fagundes, Thiago Marrara) III – REGIME JURÍDICO Imprescritibilidade Inocorrência de prescrição aquisitiva em relação a bens públicos - CF, Art. 183. (...)§ 3º - Os imóveis públicos não serão adquiridos por usucapião. - Código Civil - Art. 102. Os bens públicos não estão sujeitos a usucapião. - Súmula 340 do STF: Desde a vigência do Código Civil (1916), os bens dominicais, como os demais bens públicos, não podem ser adquiridos por usucapião. III – REGIME JURÍDICO Imprescritibilidade USUCAPIÃO DE BENS ANTES DO CÓDIGO CIVIL. ADMISSIBILIDADE, TERRENOS URBANOS EM SALVADOR-BAHIA. I. A Jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal admitiu o usucapião de bens públicos dominiais se o prazo respectivo se completara antes da vigência do Código Civil. (...) 4. A prescriptio longissimi temporis dos bens públicos dominiais no Brasil era de 40 anos, que os Tribunais reconheciam se integralizados antes do Código Civil.(RE 61508 EDv, Relator(a): Min. ALIOMAR BALEEIRO, Tribunal Pleno, julgado em 31/05/1973) III – REGIME JURÍDICO Imprescritibilidade Nunca? - Ponderação de princípios também constitucionais. - Processo nº 194.10.011238-3 – MG e TJ/MG APELAÇÃO CÍVEL Nº 1.0194.10.011238-3 - Cristiana Fortini “Função Social dos Bens Públicos” IV – USO DE BENS PÚBLICOS Formas de uso – Uso Comum - Uso pelos membros da comunidade (i) sem discriminação (com regulamentação) e (ii) sem autorização específica - Utilização do bem para a finalidade a que se propõe: usar a rua para andar, a praça para passear, etc. - Típica dos bens de uso comum: praças, praias, ruas - Pode ocorrer em relação aos bens de uso especial: ingressar em repartições públicasIV – USO DE BENS PÚBLICOS Formas de uso – Uso Especial - O indivíduo para utilizar o bem sujeita-se à autorização específica ou, ainda, ao pagamento pelo uso. - Tanto bens do tipo “uso comum” como os bens do tipo “uso especial” podem estar sujeitos a uso especial. Exemplos: Autorização para uso de rua para fazer uma festa. Pagamento de pedágio em uma rodovia. Pagamento de entrada em museu público. - Também há uso especial quando o uso de um bem passa a ser privativo de um particular – exemplo a concessão de uso. IV – USO DE BENS PÚBLICOS Uso Privativo de Bem Público - Uso de bem público por particular mediante instrumento específico da Administração Pública para esse fim. - Pode abranger qualquer categoria de bem público Mesas em calçada (bem de uso comum) Boxe em mercado público Municipal (bem de uso especial) Prédio público desativado locado para um particular (bem dominical IV – USO DE BENS PÚBLICOS Uso Privativo de Bem Público - Características: Uso privativo: afasta o direito de outros utilizarem o mesmo espaço Instrumentalidade formal: necessidade de título formal que outorgue o direito de uso Precariedade do uso: possibilidade de retomada em razão de interesse público – via de regra sem indenização, mas comportando exceção Regime de direito público: aplicação de normas de direito público – imunidade (STF RE 451.152 e RE 253.472) IV – USO DE BENS PÚBLICOS Uso Privativo de Bem Público - Autorização de uso Autorização dada a particular para que utilize bem público atendendo interesse próprio primordialmente - Unilateral - Discricionário - Precário: não costuma ter prazo podendo ser revogado a qualquer tempo sem direito à indenização Exemplos Fechamento de rua para festa IV – USO DE BENS PÚBLICOS Uso Privativo de Bem Público - Permissão de uso Permissão dada a particular para que utilize privativamente bem público atendendo ao mesmo tempo interesse público e privado Unilateral Discricionário Precário: não costuma ter prazo podendo ser revogado a qualquer tempo sem direito à indenização Exemplo: Permissão de uso para feiras comunitárias Crítica ao conceito por ser desnecessária a distinção de autorização Necessidade de licitação? IV – USO DE BENS PÚBLICOS Uso Privativo de Bem Público - Concessão de uso Contrato administrativo por meio do qual o Poder Público confere à pessoa determinada uso privativo de bem público. Contrato Bilateral Discricionário: a Administração analisa a conveniência e oportunidade de conceder o uso Não é precário: há prazo certo e costuma implicar maiores investimentos Incidência da Lei nº 8.666/93: licitação e eventuais dispensas e inexigibilidades IV – USO DE BENS PÚBLICOS Uso Privativo de Bem Público - Concessão de uso Concessão gratuita: o concessionário não remunera a Administração pelo uso do bem Ex.: concessão de uso de uma peça na escola para residência do vigia Concessão onerosa: o concessionário remunera a Administração pelo uso do bem Ex.: uso de espaço público para instalação de restaurante mediante pagamento de determinado valor IV – USO DE BENS PÚBLICOS Uso Privativo de Bem Público - Concessão de direito real de uso Decreto Lei nº 271/67: concessão de terrenos como direito real resolúvel, para fins de regularização fundiária, urbanização, industrialização. Exemplo: Concessão de áreas para criação de distritos industriais Não há transferência de propriedade, mas há direitos reais sobre o bem, desde que dentro de determinadas condicionantes. CC Art. 1473, IX – passível de hipoteca IV – USO DE BENS PÚBLICOS Uso Privativo de Bem Público - Concessão especial para fins de moradia Constituição estabeleceu o usucapião especial, mas vedou em relação a bens públicos – Art. 183, §3º Estatuto da Cidade e MP n. 2.220 instituíram a Concessão Especial para fins de moradia em relação à áreas públicas Efetivação do direito à moradia sob certas condicionantes. Oponível à Administração – ato vinculado IV – USO DE BENS PÚBLICOS Uso Privativo de Bem Público - Concessão especial para fins de moradia MP 2.220: Posse por 5 anos até 30 de junho de 2001 (originalmente) Posse ininterrupta e pacífica Imóvel urbano e público de até 250m² Uso do bem para fins de moradia do possuidor/família Não possuir outro imóvel IV – USO DE BENS PÚBLICOS Uso Privativo de Bem Público - Concessão especial para fins de moradia Direito real Alienação fiduciária Hipoteca Pode ser passado aos herdeiros, desde que residentes Perda do direito: Desvio de finalidade pelo concessionário – dar destinação diversa do que moradia própria ou dá família Aquisição de outra propriedade imóvel IV – USO DE BENS PÚBLICOS Uso Privativo de Bem Público - Concessão especial para fins de moradia MP n. 759/16, convertida na Lei n. 13.465/17 Extensão do prazo para exercício do direito: - 5 anos de posse até 22 de dezembro de 2016 Regularização Fundiária IV – Alienação de Bens Públicos Condições para alienação Desafetação Autorização legislativa, quando imóveis Interesse público justificado Avaliação prévia Licitação, salvo previsão legal em sentido contrário image1.png