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UNIDADE 1
Filosofia e pensamento crítico 
Tema 1: O que é filosofia?
Para que serve a filosofia? 
Definição de filosofia: Para Platão a filosofia nasce da nossa capacidade de admiração, a filosofia nasce quando nós olhamos algo nos surpreendemos (Pathos = uma curiosidade diante do mundo, de querer compreender as coisas). Mesmo que haja uma divergência sobre o conceito de filosofia para os filósofos, compreende-se que a filosofia é um discurso racional sobre o mundo, ou seja, filosofar é olhar o mundo, ou as coisas da vida, e querer explicar essas coisas utilizando a razão (logos). 
A filosofia se caracteriza por três coisas: 
1. Discurso radical (de raiz): Ir a raiz das questões, sair da superfície dos problemas e se aprofundar na busca da explicação de algo que se esteja investigando; 
2. Discurso rigoroso: Seguir o rigor da razão, os limites da lógica, ou seja, não se pode usar um discurso que não seja dentro de uma lógica racional;
3. Discurso de conjunto: Buscar uma explicação o mais ampla possível para as coisas, em vez de uma explicação parcial, na filosofia busca-se procurar uma explicação total para as coisas. 
Para que serve a filosofia? No livro “Pense”, Simon Blackburn explica que a filosofia server para que tenhamos prazer, para que possamos compreender o mundo (prazer do conhecimento). Filosofar é pensar sobre o que nós pensamos, ou seja, olhar as ideias (conjunto de crença) e refletir sobre elas usando a razão. Além disso, para Blackburn, a filosofia nos ajuda a desenvolver nosso senso crítico (capacidade de questionar, de duvidar, etc.) e isso nos ajuda a não sermos controlados e manipulados por outras pessoas. 
“O sono da razão produz monstros.” Goya (pintor espanhol)
As origens da filosofia
Em algum momento de nosso processo de evolução e desenvolvimento, nós, seres humanos, começamos a usar o pensamento e a razão para resolver problemas de sobrevivência simples como, por exemplo, qual a melhor forma de armazenar água, conseguir alimento ou mesmo construir nossas casas. Também passamos a usar nossa inteligência para tentar explicar o mundo que nos cerca e até mesmo nosso lugar nesse mundo. 
Na Grécia, essa forma de pensamento, recebeu o nome de filosofia
Filosofia pré-socrática: Os primeiros filósofos são conhecidos como filósofos da natureza (ou pré-socráticos) e eles costumavam se perguntar qual a origem das coisas e, além disso, eles não admitiam uma explicação que surgisse a partir do senso comum ou da mitologia, mas sim, uma explicação racional ou filosófica. Essa vertente da filosofia é também conhecida como filosofia arché (ou arqué). 
Características do período pré-socrático - Os filósofos da época em geral possuíam algumas características em comum que ajudaram no surgimento da filosofia, dentre elas: 
1. A origem da natureza/universo. Ex.: para Thales de Mileto a origem de tudo é a água; 
2. Questionamento da própria cultura através do contato com outras culturas pelas navegações; 
3. Desenvolvimento e utilização da sua própria escrita; 
4. Democracia (debate e argumentação). 
Sócrates que é considerado pai da filosofia, diferente dos filósofos da natureza, começará a se questionar sobre o antropos (o homem) e filosofar para Sócrates será buscar a verdade/conhecimento e o homem que utiliza da filosofia, faz uma passagem da opinião para o conhecimento. O método filosófico de Sócrates afirma que para dar o primeiro passo para nos conhecermos precisamos admitir nossa ignorância (só sei que nada sei, mas como sei que não sei, eu já sei algo). O método socrático tinha duas partes: 
1. Ironia: Quando ele fingia a ignorância diante do seu interlocutor para testar alguma certeza que essa pessoa tinha. Descontruir a falsa certeza; 
2. Maiêutica: Como filosofo, Sócrates acreditava que era o parteiro das ideias, ou seja, ele ajuda as pessoas a “parirem” o conhecimento e saírem da ignorância. 
Tema 2: Formas de discurso
O mito e o senso comum 
Desde quando tomou consciência de si, o ser humano deseja entender o mundo, e, para isso, criou várias formas de discurso. Podemos considerar o discurso, como dizer algo sobre alguma coisa. A palavra mito vem do grego e significa “narrativa contada”. Os povos antigos procuravam explicar os acontecimentos da vida por meio do sobrenatural, representando explicações sobre a origem do mundo e do homem, possuindo também símbolos com diversos significados. Já o senso comum pode ser entendido como o conhecimento popular, baseado na tradição que passa de pai para filho, por exemplo. Esse conhecimento possui desde coisas práticas e receitas que funcionam e solucionam problemas do dia a dia, até preconceitos e crenças sem justificativa ou base racional.
Mito: dentre as várias formas de discurso e explicação que criamos existe o mito. Mito significa narrativa, algo que se conta, e o mito é uma história criada para explicar o mundo, mas também pode significar mentira, ou alguém importante. Na filosofia, o mito tem significado de relato e foi criado por vários povos com a intenção de fornecer uma explicação para o mundo, a função do mito é explicar. Uma das características mais marcantes do mito é o uso da fantasia/imaginação para responder uma dúvida humana Ex.: Mito da Caixa de Pandora. 
Senso comum: senso comum é o conhecimento baseado na tradição, que passa de pai para filho, também conhecido como conhecimento popular. Não devemos desprezar o senso comum e as vezes muito útil, mas também traz muitos preconceitos, erros ou tentativas que não funcionam por ser um conhecimento ametódico (não seguem um sistema ou método). Uma característica do senso comum é que ele é resistente a críticas porque a base dele é a tradição. 
A filosofia e a ciência 
É uma necessidade de nossa vida explicarmos as coisas. Compreendermos o mundo ao nosso redor e nos situarmos nele de algum modo. É nesse sentido que toda forma de discurso tem sua utilidade e não pode ser simplesmente desprezada. Contudo, do ponto de vista filosófico, acreditamos que existem formas de explicação, como, por exemplo, a filosofia e a ciência, que geram um conhecimento mais confiável, menos ilusório e, portanto, mais útil para nossas vidas.
- Conhecimento cientifico: a ciência é um conhecimento que se baseia em um método. O método cientifico consiste em algumas etapas: observação; formulação de hipóteses; realizar testes e experimentos; generalização (ou teorização). O conhecimento cientifico aceita criticas e está disposto a mudanças e é muito importante para promover a regularidade do mundo, se reconstruindo e reinventando para melhorar o conhecimento. A principal característica do conhecimento cientifico é promover o teste e suas generalizações. 
- Filosofia vs. Ciência: mesmo que seja uma ciência de conhecimento, a filosofia não é uma ciência experimental (que faz teste) e ela busca o questionamento, a crítica e a principal diferença entre o conhecimento filosófico e o conhecimento cientifico são os temas tratados. Na ciência, é possível resolver problemas científicos utilizando do teste e a filosofia resolve e questiona problemas filosóficos usando a razão, mas sem testes. 
Tema 3: Comportamento dogmático e comportamento crítico
Cientificismo e pós-verdade
Usar o pensamento crítico, a razão e a ciência é algo que todo ser humano deveria fazer para resolver seus problemas cotidianos, sejam os problemas práticos ou mesmo filosóficos, existenciais. Contudo, isso não acontece sempre, muitas vezes nos voltamos para reflexões de pensamentos irracionais. Podemos adotar uma atitude exagerada diante de ciência, quase de adoração que chamamos cientificismo. O cientificismo acredita que a ciência, e só a ciência, pode resolver todos os problemas humanos. Outra atitude comum é a negação da ciência que chamamos de pós-verdade. Tanto o cientificismo quanto a pós-verdade são atitudes ruins.
- Cientificismo: o termo se refere ao exagero na crença da capacidade da ciência, é o culto cego a ciência, ou a ideia de que não existe nenhuma forma de conhecimento que nãoo cientifico. O conhecimento cientifico não é neutro e também pode ser recheado de interesses, não existe neutralidade cientifica. O cientificismo é um mito moderno, porque as pessoas passam a ter uma crença cega e irracional na ciência e do ponto de vista filosófico é importante fazer a crítica desse método. 
- Pós-verdade: a pós-verdade seria a despreocupação com a verdade dos fatos, ou quando as crenças subjetivas são mais importantes para alguém do que os fatos objetivos. Existe uma relação entre a pós-verdade e as fake News, já que as pessoas tendem a se alimentar de noticias falsas que alimentam seus interesses (políticos, econômicos, etc.). 
Dogmatismo e Pensamento crítico
- Dogmatismo: entendemos por dogmatismo todo tipo de crença a qual nos apegamos e não abrimos mão. A atitude filosófica combate o dogmatismo. Ser dogmático significa ser intransigente. Não aceitar as opiniões alheias e não rever seus próprios conceitos. O problema do dogmatismo é a não abertura ao novo, ao conhecimento. Filosofar significa ter uma atitude crítica e duvidar das próprias certezas. Lembremos Sócrates o que dizia “só sei que nada sei”. 
- Pensamento crítico: pensamento crítico envolve uma atitude de questionamento das certezas, das convicções. É próprio da filosofia o duvidar. Quando se apresentam bons argumentos é importante ter a humildade intelectual de rever nossas posições. As verdades não precisam ser eternas. 
UNIDADE 2
Filosofia e modernidade
Tema 1: O pensamento da modernidade
O que é modernidade? A palavra moderno significa nova e, em geral, quando ouvimos o termo modernidade, pensamos em algo atual, tecnologicamente avançado. Dizemos, por exemplo, que fulano comprou um celular moderno. Contudo, na filosofia e nas ciências humanas, o termo modernidade refere-se a um conjunto de características pessoais e sociais que foram forjadas no período da idade moderna e que estão presentes até hoje em nossa vida. Quando olhamos para trás e procuramos compreender esse período, estamos, na verdade, olhando para nós mesmos e entendo nosso modo de ser e de viver.
O que significa ser moderno? Ser moderno é ser novo e, de um ponto de vista histórico, ser moderno é tudo que vem após a era medieval. Além disso, algumas características são: mudanças; rapidez (ou fluidez); racionalidade; desencantamento do mundo; economia. 
Filosofia, ciência e as origens da modernidade
No processo da história os fatos significativos não acontecem de uma forma isolada. Em geral, existe um contexto histórico que determina e condiciona o momento. Isso também aconteceu com o pensamento moderno. Ele não surgiu do nada, no vácuo. Suas origens estão nas transformações do período medieval e, principalmente, no Renascimento. A nova visão da ciência e da razão e as transformações na religião e na economia foram os principais fatores que forjaram o pensamento da modernidade. 
Origens da modernidade: a modernidade surgiu entre os séculos XIV e XVI, no período do renascimento, que pode ser caracterizado como um movimento artístico filosófico e cultural que buscava inspiração nos gregos antigos, e também nos romanos, e que buscava um pensamento mais ligado ao ser humano contrariando as ideias medievais. Algumas características do renascimento que moldam o pensamento moderno são: antropocentrismo; individualismo (valorização do indivíduo); curiosidade científica; espírito crítico. 
Um movimento muito importante que surgiu no renascimento é a revolução científica, que foi fundamental para a evolução da ciência. Diferente da idade média, na revolução cientifica foi incorporado o “teste” como parte do processo cientifico e mudou radicalmente os métodos científicos. 
Tema 2: Modernidade e razão instrumental 
O ethos da modernidade e a sociedade contemporânea
A palavra ethos vem do grego e significa modo de vida, jeito de ser e vive no mundo. Na história da humanidade tivemos períodos que foram tão importantes e significativos que costumamos dizer que eles fundaram um novo ethos. Isso quer dizer que as transformações ocorridas foram tão profundas que mudaram a forma de vida das pessoas. Podemos dizer que a modernidade foi um desses períodos A partir das transformações iniciadas no período moderno tivemos a construção de um novo mundo. O modo como vivemos ele, pensamos hoje é uma consequência desse período. Portanto, quando estudamos a modernidade, estamos estudando a nós mesmos. 
- Algumas características importantes do ethos da modernidade são: a ideia de racionalidade; o cientificismo no seu aspecto negativo; mecanicismo (visão mecânica do mundo, o mundo passa a ser visto como uma grande máquina e traz uma visão de controle); o capitalismo (domínio do capital); o individualismo e o consumismo. 
A razão instrumental e as novas tecnologias em nossa vida
Os pensadores modernos e iluministas acreditavam que a razão e a ciência sempre produziriam coisas boas para o ser humano e levaria o mundo a um progresso contínuo. Em geral, para esses autores, a razão era algo que só melhoraria nossas vidas. Contudo, alguns filósofos mais críticos, principalmente os pensadores denominados da “Escola de Frankfurt”, teceram críticas profundas a esse projeto moderno. Para eles, a razão moderna se transformou em uma razão instrumental. Quando o pensamento racional, ao invés de melhorar a vida humana e levar a sociedade ao progresso, faz exatamente o contrário, ou seja, produz dominação, controle, morte e devastação, temos a razão instrumental. Vários são os exemplos disso na história: a razão produziu e melhorou a indústria da guerra, criando artefatos nucleares, por exemplo.
Tema 3: Linguagem e tecnologia nas sociedades contemporâneas
Linguagem, ideologia e a sociedade da informação
A linguagem é a principal ferramenta que nós, seres humanos, usamos. Pela linguagem nos comunicamos, criamos ideias e conceitos, exprimimos nossos sentimentos, criamos arte! Sem a linguagem simbólica, não construiríamos a cultura e a sociedade. Contudo, a mesma linguagem que nos liberta da natureza e faz pensarmos o mundo, muitas vezes pode ser um instrumento de dominação e controle. É pela linguagem, pela comunicação que somos convencidos e manipulados, controlados. Quando a linguagem se converte em instrumento de dominação, nós a chamamos de discurso ideológico. Embora a palavra ideologia tenha vários significados, trataremos aqui da ideologia como um discurso construído para controlar e dominar a sociedade. É muito importante identificarmos o que é ideologia e como ela atua, principalmente em nossa sociedade, onde a informação correta tornou-se tão valiosa e necessária.
O que é ideologia? No sentido geral ideologia significa a maneira de pensar, mas na filosofia/sociologia a ideologia significa um discurso criado com a intenção de controle e dominação. 
Características dos discursos ideológicos: lacuna (não dizer todas as coisas, apenas a parte que interessa); naturalização (tornar as coisas naturais e imutáveis); inversão (transforma a vítima em culpada da situação); simplificação pela generalização. 
Indústria cultural e divertimento nas sociedades contemporâneas
A racionalização da produção, a lógica da produção industrial, tão cara e importante para o mundo corporativo, foi, em alguma medida, aplicada ao mundo do lazer e do divertimento e criou aquilo que o filósofo alemão Theodor Adorno chamou de “Indústria Cultural”, que, em poucas palavras, poderíamos resumir como o conjunto de grupos empresariais que produzem e veiculam cultura e divertimento numa lógica parecida com a produção de bens materiais. Ideias como rapidez, escala, lucro são importantíssimos nessa lógica.
Origem e características da indústria cultural: a ideia de cultura industrial é de que existem grandes empresas produtoras de cultura e essa logica de produção cultural acaba assumindo a mesma lógica da produção indústria e esses produtos tem que ser produtos rápidos, de produção em série e simples. A arte passa a ser tratada como objeto de consumo. 
Divertimentoe alienação: a indústria cultural promove uma alienação cultural e o nosso gosto começa a ser montado pelas grandes empresas promotoras de cultura. Como escapar da indústria cultural? Ter uma postura crítica e filosófica de crítica estética do que se produz, adquirir outras formas de divertimento, experimentar novos sabores. 
 
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