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Universidade Pitágoras Unopar Anhanguera
Sistema de Ensino A DISTÂNCIA
PEDAGOGIA - LICENCIATURA
maria eduarda costa de almeida
PRÁTICAS PEDAGÓGICAS: IDENTIDADE DOCENTE
Cidade
2020
Cidade
2020
Cidade
BREVES/PA
2024
2 DESENVOLVIMENTO 
Em tempos de intensas transformações sociais e educacionais, a compreensão crítica da crise de identidade profissional entre docentes da educação básica se apresenta como uma necessidade urgente para fortalecer a prática pedagógica e aprofundar a relevância desses profissionais na sociedade contemporânea. O processo de conscientização vai além de reconhecer as dificuldades enfrentadas, abrindo espaço para uma reflexão mais ampla sobre o papel do professor, suas práticas e o valor de sua contribuição para a formação das novas gerações.
Nesse sentido, Da Silva e Chakur (2009, p. 4) discutem a crise de identidade profissional entre docentes no ensino fundamental, revelando que:
A identidade profissional docente é um processo contínuo, subjetivo, que obedece às trajetórias individuais e sociais, que tem como possibilidade a construção/desconstrução/reconstrução, atribuindo sentido ao trabalho e centrado na imagem e autoimagem social que se tem da profissão e também legitimado a partir da relação de pertencimento a uma determinada profissão, no caso, o Magistério.
Os autores posicionam a identidade profissional docente como um processo dinâmico, envolvendo aspectos individuais e influências sociais que moldam continuamente o entendimento que o educador tem de seu papel. Essa dinâmica permite que o docente ressignifique seu trabalho à medida que evolui, adaptando-se às novas exigências educacionais, mas também preservando um senso de pertencimento e legitimidade na profissão.
O estudo de Da Silva e Chakur (2009) revela as pressões e demandas que esses profissionais enfrentam para equilibrar as expectativas da sociedade com a realidade das escolas e suas práticas pedagógicas. Nesse contexto, a conscientização sobre a crise de identidade é um passo inicial para reavaliar o valor do papel do docente, incluindo os desafios impostos por políticas educacionais que muitas vezes desconsideram o cotidiano escolar.
Lomba e Faria Filho (2022), em uma entrevista com António Nóvoa, destacam que a coletividade docente frequentemente se vê em conflito ao lidar com metas de desempenho e currículos rígidos, enquanto busca atender às necessidades individuais de seus alunos. Essa análise aponta causas como a falta de valorização, o excesso de responsabilidades e a carência de recursos adequados, fatores que minam a motivação docente.
A análise cuidadosa dos pressupostos que condicionam a crise de identidade, segundo Da Silva e Chakur (2009), não apenas contribui para a construção de uma identidade profissional mais sólida, mas também promove a valorização do papel do professor como agente essencial na formação cidadã e social. A formação continuada, discutida por Lomba e Faria Filho (2022), é vista como crucial para manter a essência do educador, respeitando sua missão de orientar e inspirar, ao mesmo tempo em que se adapta às constantes mudanças no cenário educacional.
Preservar essa essência é desafiador, pois, conforme afirmam Da Silva e Chakur (2009), o sistema educacional moderno exige do docente não apenas competências pedagógicas, mas também habilidades de adaptação às tecnologias e metodologias emergentes. Essa relação entre autoimagem e imagem social da profissão influencia fortemente a percepção que o professor tem de si mesmo, reforçando a necessidade de um processo constante de reconstrução da identidade docente.
Reconhece-se que a construção da identidade docente contemporânea requer uma base sólida, centrada nos valores essenciais do educador, enquanto ele se adapta ao novo. A flexibilidade e a capacidade de adaptação são, de fato, qualidades indispensáveis para o docente moderno. A identidade docente deve ser entendida como uma resposta ativa e criativa aos desafios do presente, fundamentada no compromisso com a educação e a evolução pessoal e profissional. Como frisa Da Silva e Chakur (2009), para um professor proativo, é vital estar em constante aperfeiçoamento.
A tomada de consciência sobre a crise de identidade profissional é um processo significativo para construção da Identidade de ser educador, indo além do simples reconhecimento de dificuldades; representa um momento de crítica que pode impulsionar mudanças na prática educacional e na forma como os professores se veem e são vistos. Um vez que, essa conscientização permite ao docente refletir sobre as discrepâncias entre as expectativas sociais e as realidades enfrentadas no cotidiano escolar, abrindo espaço para questionar os sentidos e valores que orientam sua profissão.
Por outro lado, a consciência da crise de identidade pode ser vista como uma oportunidade de transformação, considerando que essa tensão convida o docente a construir e reconstruir sua identidade profissional, adaptando-se aos novos desafios da educação e resgatando o propósito de sua vocação. Nesse processo, o educador pode se posicionar como agente de mudança, não apenas na prática pedagógica, mas também na luta por melhores condições e pela valorização de seu trabalho. Assim, a crise, ao ser conscientemente enfrentada, pode deixar de ser uma fonte de angústia para se tornar uma força motriz de renovação e fortalecimento da identidade docente.
Em acordo, a tomada de consciência sobre a crise de identidade docente representa um ponto de inflexão na carreira do educador. Ela desafia o professor a buscar um equilíbrio entre preservar a essência de sua missão e adaptar-se às transformações do cenário educacional. Mais do que uma crise paralisante, essa conscientização pode se tornar o alicerce para uma identidade profissional mais sólida.
Lomba e Faria Filho (2022) criticam a urgência de uma educação que transcenda interesses individuais e consumistas, promovendo uma visão pública que molde o futuro da sociedade e da humanidade. Essa crítica ressalta a importância de a educação não se limitar a um meio de preparação para o mercado, mas assumir um papel mais amplo e transformador, favorecendo a democratização do conhecimento e a construção de uma cidadania ativa.
Ao desconsiderar o caráter social e ético da educação, a sociedade alimenta desigualdades e um afastamento crescente entre as classes, restringindo o acesso ao conhecimento e à cultura para determinados grupos, o que, em última análise, fragiliza a própria democracia. A importância de uma educação voltada para a democratização e a construção de uma cidadania coletiva está intrinsecamente relacionada à construção da identidade docente na contemporaneidade.
Hoje, o professor enfrenta o desafio de se posicionar como um agente formador de valores e mediador das dinâmicas sociais dentro da escola, um papel essencial em uma sociedade marcada pelo avanço de perspectivas individualistas e consumistas. Portanto, a construção da identidade docente contemporânea exige que o educador tenha consciência de seu papel na criação de um ambiente que valorize o bem comum, a inclusão e a igualdade, desafiando as tendências que reduzem a educação a um serviço técnico.
Com tal característica, a identidade docente se constrói e se fortalece na medida em que o educador se compromete com a missão de preparar cidadãos críticos e conscientes, capazes de tomar decisões coletivas em prol do interesse comum. Além disso, essa identidade deve ser flexível e adaptável, acolhendo novas exigências educacionais e sociais sem abrir mão de valores fundamentais. A escola, como "espaço de liberdade", é o cenário em que o professor se reafirma como um agente transformador, cujo papel é essencial na formação de uma sociedade mais justa e colaborativa.
2 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Retomando a reflexão presente na charge, conclui-se que essa análise carrega um profundo significado, no qual o papel do professor transcende a mera transmissão de conhecimento; ele é fundamental na formaçãode cidadãos críticos, reflexivos e capazes de enfrentar os desafios do mundo contemporâneo. Essa responsabilidade exige que os educadores se empenhem em desenvolver uma prática pedagógica que valorize a diversidade e promova a inclusão.
Além disso, a análise dos textos revela que a construção da identidade docente é uma tarefa complexa, que requer uma constante adaptação às diversidades culturais e às inovações tecnológicas. Em um cenário educacional em transformação, os professores devem se posicionar como facilitadores de um aprendizado que respeite as particularidades de cada aluno, criando um ambiente dinâmico e inclusivo.
Por fim, é essencial que os educadores reconheçam seu papel vital na promoção de mudanças significativas na vida de seus alunos, cultivando uma educação que não apenas respeite os valores tradicionais, mas que também esteja alinhada às exigências contemporâneas. A formação da identidade docente, portanto, é uma construção contínua, na qual a crise de identidade profissional é uma questão imprescindível para o desenvolvimento pessoal e profissional do educador, contribuindo para a formação de uma sociedade mais crítica e comprometida.
REFERÊNCIAS
DA SILVA, E. P.; CHAKUR, C. R. de S. L. A Tomada de Consciência da Crise de Identidade Profissional em Professores do Ensino Fundamental 1. Schème: Revista Eletrônica de Psicologia e Epistemologia Genéticas, 2009. Disponível em:https://www.marilia.unesp.br/Home/RevistasEletronicas/Scheme/Vol02Num03Art05.pdf. Acesso em: 27 out. 2024.
LOMBA, Maria Lúcia Resende; FILHO, Luciano Mendes Faria. Os professores e sua formação profissional: entrevista com António Nóvoa. Educar em Revista, [S.l.], dez. 2022. Disponível em: https://revistas.ufpr.br/educar/article/view/88222/48158>. Acesso em: 27 out. 2024.

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