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FARMACOLOGIA, 
FITOTERÁPICOS E 
NUTRACÊUTICOS
PROF.A MA. LORENA DOS SANTOS CASTRO
Reitor: 
Prof. Me. Ricardo Benedito de 
Oliveira
Pró-Reitoria Acadêmica: 
Maria Albertina Ferreira do 
Nascimento
Diretoria EAD: 
Prof.a Dra. Gisele Caroline 
Novakowski
PRODUÇÃO DE MATERIAIS
Diagramação:
Alan Michel Bariani
Thiago Bruno Peraro
Revisão Textual:
Fernando Sachetti Bomfim
Marta Yumi Ando
Simone Barbosa
Produção Audiovisual:
Adriano Vieira Marques
Márcio Alexandre Júnior Lara
Osmar da Conceição Calisto
Gestão de Produção: 
Aliana de Araujo Camolez
© Direitos reservados à UNINGÁ - Reprodução Proibida. - Rodovia PR 317 (Av. Morangueira), n° 6114
 Prezado (a) Acadêmico (a), bem-vindo 
(a) à UNINGÁ – Centro Universitário Ingá.
 Primeiramente, deixo uma frase de Só-
crates para reflexão: “a vida sem desafios não 
vale a pena ser vivida.”
 Cada um de nós tem uma grande res-
ponsabilidade sobre as escolhas que fazemos, 
e essas nos guiarão por toda a vida acadêmica 
e profissional, refletindo diretamente em nossa 
vida pessoal e em nossas relações com a socie-
dade. Hoje em dia, essa sociedade é exigente 
e busca por tecnologia, informação e conheci-
mento advindos de profissionais que possuam 
novas habilidades para liderança e sobrevivên-
cia no mercado de trabalho.
 De fato, a tecnologia e a comunicação 
têm nos aproximado cada vez mais de pessoas, 
diminuindo distâncias, rompendo fronteiras e 
nos proporcionando momentos inesquecíveis. 
Assim, a UNINGÁ se dispõe, através do Ensino 
a Distância, a proporcionar um ensino de quali-
dade, capaz de formar cidadãos integrantes de 
uma sociedade justa, preparados para o mer-
cado de trabalho, como planejadores e líderes 
atuantes.
 Que esta nova caminhada lhes traga 
muita experiência, conhecimento e sucesso. 
Prof. Me. Ricardo Benedito de Oliveira
REITOR
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UNIDADE
01
SUMÁRIO DA UNIDADE
INTRODUÇÃO ............................................................................................................................................................. 4
1. PRINCÍPIOS BÁSICOS DA FARMACOLOGIA ....................................................................................................... 5
2. VIAS DE ADMINISTRAÇÃO DOS FÁRMACOS .................................................................................................... 6
3. FARMACOCINÉTICA .............................................................................................................................................. 7
3.1 ABSORÇÃO E BIODISPONIBILIDADE ................................................................................................................. 9
3.2 DISTRIBUIÇÃO DOS FÁRMACOS ....................................................................................................................... 9
3.3 EXCREÇÃO DOS FÁRMACOS ............................................................................................................................. 10
4. FARMACODINÂMICA ............................................................................................................................................11
5. TOXICIDADE DOS FÁRMACOS ............................................................................................................................ 14
6. MEDICAMENTOS ................................................................................................................................................ 16
CONSIDERAÇÕES FINAIS ....................................................................................................................................... 18
FARMACOLOGIA
PROF.A MA. LORENA DOS SANTOS CASTRO
ENSINO A DISTÂNCIA
DISCIPLINA:
FARMACOLOGIA, FITOTERÁPICOS E 
NUTRACÊUTICOS
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EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
INTRODUÇÃO
Para de� nir qualquer ciência, é importante saber até que ponto os seus métodos e conceitos 
se distinguem dos que são peculiares às demais ciências. Os métodos e conceitos utilizados na 
farmacologia muito se distinguem, de maneira a de� ni-la como uma ciência autônoma, embora 
exista muita relação com diversas áreas, principalmente voltadas a ciências da saúde. 
Nos primórdios, a farmacologia teve relação com a terapêutica e o estudo da ação das 
drogas era uma ciência altamente empírica. Inicialmente, a farmacologia nada mais era do que 
um estudo toxicológico. Eram conhecidos os opiáceos e inúmeras plantas tóxicas ou medicinais. 
Em registros de séculos passados, foram mencionadas cerca de 700 drogas diferentes, incluindo 
extratos de plantas, metais pesados (chumbo e cobre) e venenos de diversos animais. Autoridades 
da época, temendo um envenenamento, tentavam se imunizar ou se proteger contra todos os 
venenos já encontrados, experimentando-os em seus escravos, com o � m de descobrir substâncias 
que fossem capazes de impedir os efeitos tóxicos observados. 
De acordo com a tradição da época, a saúde dependia do equilíbrio perfeito dos quatro 
humores do organismo: sanguíneo, colérico, melancólico e � egmático; e as qualidades a eles 
associadas: quente, seco, úmido e frio. Os medicamentos, para terem ação e� ciente, deveriam 
possuir algumas daquelas quatro qualidades de maneira a poder restabelecer o desequilíbrio 
causado pela doença. 
A farmacologia nos séculos seguintes ainda estava muito primitiva, até o início do século 
XX, salientando a contribuição do empirismo terapêutico para o desenvolvimento da farmacologia 
moderna. A maioria das plantas medicinais encontradas até então foi descoberta pelos nativos 
que as usavam em bebidas estimulantes, hipnóticas, alucinógenas ou então para o preparo de 
� echas, na caça e pesca. Com a terapêutica moderna, muitos produtos foram conhecidos, como 
hormônios, vitaminas, quimioterápicos, antibióticos, antiespasmódicos, anti-histamínicos, 
anestésicos locais, sedativos, hipnóticos, cicatrizantes, anti-in� amatórios, entre outros. 
A partir de então, considera-se a farmacologia como o estudo dos efeitos dos fármacos no 
funcionamento dos seres vivos, impulsionada com a necessidade de melhorar os resultados das 
intervenções terapêuticas pelos médicos. A farmacologia surgiu como ciência quando passou da 
descrição da ação dos fármacos para a explicação de como eles funcionam. A abordagem atual 
da farmacologia se apoia no rastreamento altamente focalizado de bibliotecas contendo centenas 
de milhares ou mesmo milhões de compostos capazes de interagir com um alvo ou molécula 
especí� ca ou de produzir uma determinada resposta biológica. 
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EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
1. PRINCÍPIOS BÁSICOS DA FARMACOLOGIA
Na farmacologia, muito se usam os termos droga, fármaco e medicamento. A droga é 
uma substância química de estrutura conhecida, não sendo um nutriente ou um ingrediente 
essencial da alimentação, mas quando administrada a um organismo vivo, produz um efeito 
biológico. As drogas podem ser substâncias químicas sintéticas, substâncias químicas obtidas 
a partir de plantas ou animais; ou produtos formulados pela engenharia genética. O fármaco 
é uma droga cuja estrutura química é de� nida e conhecida, tendo a � nalidade de prevenir, 
diagnosticar e tratar um organismo vivo. Entretanto, pode se tornar um tóxico ou vice-versa, 
já que a dose utilizada é um dos parâmetros que pode in� uenciar na ação das drogas nos seres 
vivos. O medicamento, por sua vez, é uma preparação química, que geralmente contém uma ou 
mais drogas, administrado com o objetivo de produzir um efeito terapêutico. Os medicamentos 
geralmente contêm outras substâncias ao lado da droga ativa, como os excipientes, conservantes, 
solventes etc., tornando seu uso mais conveniente. Atualmente, a medicina faz uso das drogas 
como a principal ferramenta de terapia, podendo elas ser “alternativas” ou “complementares”, um 
sistema terapêutico muito usado, mas com30WWW.UNINGA.BR
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A toxicidade de alguns fármacos pode causar hepatotoxicidade, nefrotoxicidade, 
toxicidade pulmonar, neurotoxicidade, ototoxicidade, pancreatites e até cardiotoxicidade. 
Determinados fármacos são responsáveis por desenvolver uma lesão hepática ocasionando 
hepatite, icterícia, hepatomegalia ou mesmo insu� ciência hepática. Recomenda-se monitorar a 
função hepática por meio da realização de exames periódicos. Adicionalmente, a nefrotoxicidade 
ocasionada pode alterar a excreção de nutrientes ou causar uma insu� ciência renal, que nem 
sempre é resolvida suspendendo a medicação. Recomenda-se uma adequada hidratação para 
ajudar a reduzir a toxicidade renal. 
Por � m, vários fármacos in� uenciam o metabolismo da glicose, causando hipoglicemia ou 
hiperglicemia por estimularem a produção de glicose ou prejudicarem a sua captação. Ademais, 
podem inibir a secreção de insulina, diminuir a sensibilidade à insulina ou aumentar sua excreção. 
As concentrações de glicose podem ser afetadas por uma hipocalemia induzida por diuréticos ou 
pelo ganho de peso acarretado pelas medicações. Os corticoides são diabetogênicos em virtude 
do aumento da gliconeogênese, podendo causar resistência à insulina e, consequentemente, 
inibir a captação de glicose. 
4. INTERAÇÕES ENTRE OS EXCIPIENTES E OS ALIMENTOS E/OU 
FÁRMACOS
Os fármacos raras vezes são administrados isoladamente, eles fazem parte de uma 
formulação combinada com um ou mais agentes não medicinais, os excipientes. Excipientes 
são ingredientes inativos adicionados à formulação dos fármacos por sua ação como tampão, 
ligante, preenchimento, diluente, desintegrante, � uidi� cante, aromatizante, corante, conservante, 
agente para suspensão ou revestimento. Seu uso precisa ser aprovado pelo FDA (Food and Drug 
Administration), porém vários deles possuem potencial para interação com reações adversas em 
indivíduos com alergias ou de� ciências enzimáticas, como por exemplo: 
• Amido: o amido de trigo, milho ou batata é adicionado à medicação como um substituto, 
ligante ou diluente. Pacientes com doença celíaca apresentam intolerância permanente ao 
glúten, proteína presente no trigo, cevada, centeio e um contaminante da aveia. Podem 
ocorrer danos no revestimento do intestino delgado. 
• Antioxidantes sul� tos: a presença de sul� tos foi encontrada nos medicamentos à base 
de dipirona (solução oral) e paracetamol (comprimido). O sintoma mais frequente é a 
di� culdade de respirar, diarreia, náuseas, vômitos, cólicas abdominais, tonturas, respiração 
com ruídos, urticária, edema local, cefaleia, desmaios e alterações na frequência cardíaca. 
Muitas pessoas sensíveis ao sul� to têm asma e outras condições alérgicas. 
• Aspartame: um adoçante composto pelos aminoácidos ácido aspártico e fenilalanina. 
Alguns pacientes podem sofrer de ausência da enzima fenilalanina hidroxilase, podendo 
causar toxicidade no tecido cerebral. 
• Corante amarelo de tartrazina (amarelo no 5): esse corante pode estar presente em 
medicamentos como dipirona (gotas) e paracetamol (gotas);
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• Edulcorante lactose: essa substância é utilizada como diluente nas formas farmacêuticas. 
É hidrolisada no intestino delgado pela enzima lactase em glicose e galactose. A intolerância 
à lactose resulta em estresse gastrointestinal, em que o paciente pode apresentar diarreia, 
� atulência e dores abdominais. 
• Edulcorante sorbitol: muito usado nas formulações farmacêuticas, principalmente nas 
destinadas à pediatria. Está presente nas formulações como o diclofenaco de potássio 
(suspensão), vitamina C (efervescente e pastilha) e paracetamol (gotas e suspensão), 
podendo gerar transtornos gastrointestinais, como diarreia e dores abdominais, pois é 
a grande quantidade de sorbitol contida nessas formulações a responsável por esse fato.
5. TRATAMENTO NUTRICIONAL 
O tratamento nutricional clínico se inicia quando o paciente começa o uso do fármaco, 
sendo necessário questionar seu histórico alimentar, uso de medicamentos sem prescrição, 
drogas, álcool, vitaminas e suplementos minerais e � toterápicos. Além disso, analisar alterações de 
peso, apetite, no paladar e problemas gastrointestinais. São necessárias informações básicas sobre 
o fármaco, como o nome, � nalidade e duração da prescrição. Os efeitos colaterais que podem 
vir a ocorrer podem ser evitados, lembrando de alertar os pacientes sobre possíveis problemas 
nutricionais, sobretudo quando a ingestão alimentar é inadequada. No Quadro 4, temos algumas 
medidas dietéticas que podem ser adotadas perante algumas interações fármaco-nutrientes. 
Fármaco Classe terapêutica Nutriente 
afetado
Efeito Medida dietética a 
ser tomada
Amoxicilina, 
ampicilina, 
benzilpenicilina, 
cefalotina, 
cefalexina, 
ceftriaxona,
ciprofl oxacina, 
cloranfenicol, 
eritromicina, 
gentamicina e 
oxacilina
Antibiótico Vitaminas K e 
B12
Diminuição 
da microbiota 
intestinal
Produtos lácteos 
fermentados e 
fi bras
Dexametasona, 
hidrocortisona e 
prednisona
Anti-infl amatório
esteroidal
Vitaminas A, 
C, B1, B6, B9, 
cálcio, potássio, 
fósforo, 
magnésio e 
zinco
Diminuição da 
absorção e/
ou aumento da 
excreção
Ingestão de frutas 
nos intervalos das 
refeições
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Metotrexato Antineoplásico Ácido fólico Inibição 
competitiva 
da enzima 
diidrofolato-
redutase,
com depleção 
de folato
Suplemento de 
ácido fólico e 
dietas ricas em 
verduras de cor 
verde escura
Isoniazida Tuberculostático Vitamina B6 Inibição 
competitiva da 
vitamina
B6 pela 
isoniazida,
com depleção 
de
vitamina B6
Suplemento de 
vitamina B6
Óleo mineral Laxante Vitaminas 
lipossolúveis (A, 
D, E, K)
Diminuição da 
absorção e/ou 
menor
tempo de 
trânsito 
intestinal
Intervalos 
adequados entre a 
administração do 
medicamento e as 
refeições
Omeprazol, 
ranitidina e 
cimetidina
Antiulceroso Vitamina B12 Diminuição da 
absorção
Suplemento de 
vitamina B12 
e dieta rica em 
alimentos de 
origem animal
Quadro 4 - Algumas medidas a serem tomadas perante algumas interações fármaco-alimento. Fonte: Lombardo e 
Eserian (2014).
Fármaco Classe terapêutica Nutriente 
afetado
Efeito Medida dietética a 
ser tomada
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EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
A utilização de medicamentos é a forma mais comum de terapia pela sociedade, 
mas muitos problemas de saúde estão relacionados ao seu uso indiscriminado. 
Dentre os fatores que estão envolvidos nessa questão, a carência de informa-
ções por parte da população, as pressões sociais às quais os prescritores estão 
submetidos, a estrutura do sistema de saúde e o marketing farmacêutico são as 
principais causas dessa problemática. Mas será que os profi ssionais da área da 
saúde, assim como os doentes que se automedicam estão cientes dos efeitos 
que podem ser causados devido às interações entre os fármacos e os nutrientes? 
A automedicação pode causar danos graves à saúde de um paciente, seu uso 
indiscriminado tornou-se uma das grandes difi culdades enfrentadas no âmbito 
mundial. A facilidade do acesso a medicamentos pode estar associada aos ele-
vados números de farmácias, seu uso sem orientação médica, desconhecimento 
dos malefícios da medicação à saúde; pode ser responsável por inúmeros casos 
de intoxicação no país. 
Para tanto, recomendam-se ações para difundir de maneira mais efi ciente o co-
nhecimento sobre o uso racional dos medicamentos, assim como uma melhor 
capacitação de seus prescritores e maior vigilância na sua venda, mesmo que 
sem receita médica.
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EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Inúmeras são as ocorrências de interação entre fármacos e alimentos; esses eventos 
muitas vezes são desconhecidos ou ignorados por muitos pro� ssionais e por parte dos pacientes. 
Algumas interações fármaco-alimento podem apresentar um caráter apenas teórico, mas podem 
ocorrer interações que resultam em efeitos relevantes para a prática clínica e, em alguns casos, 
levar à morte. Essas interações podem gerar diminuição da biodisponibilidade de fármacos e levar 
a falhas do tratamento, ou podem causar aumento da biodisponibilidade do fármaco, gerando 
efeitos tóxicos. As interações podem ser gerenciadas por meio de recomendações adequadas, 
quando elas são consideradas signi� cativas. Uma maior compreensão dos mecanismos das 
interações possibilita uma melhoria contínua do paciente. 
Sendo assim, devem ser tomadas maiores precauções no uso de determinados fármacos 
x consumo de alimentos em casos de longos tratamentos, em casos de polimedicações, dietas 
monótonas, pois a biodisponibilidade do fármaco e dos nutrientes é essencial para o processo 
de cura das doenças. Uma maior elucidação de interações fármaco- alimento permite aplicar 
adequados protocolos terapêuticos e uso correto de medicações. Lembrando que a ação dos 
fármacos pode ser acompanhada de efeitos colaterais, considerados indesejáveis, bem como 
alguns fármacos podem causar hepatotoxicidade, nefrotoxicidade, toxicidade pulmonar, 
neurotoxicidade, ototoxicidade, pancreatites e até cardiotoxicidade. 
A interação entre fármacos e alimentos é um tema cada vez mais relevante à equipe 
multidisciplinar de saúde, já que os alimentos são substâncias químicas diversi� cadas e 
constantemente disponíveis no organismo. Tem-se a necessidade de maiores investimentos em 
políticas públicas que visem a levar até a comunidade informações acessíveis, aumentando o 
seu conhecimento e prevenindo possíveis complicações. No que se refere às adversidades dessas 
interações, é muito importante que os pro� ssionais participem de programas educacionais 
e implementem procedimentos de prevenção e resolução de problemas. Uma maior atenção 
deve ser dada aos casos de tratamentos crônicos e dietas monótonas, pois a biodisponibilidade 
do fármaco, bem como a de nutrientes, é essencial para o processo de cura de doenças. Os 
pro� ssionais prescritores tanto dos fármacos quanto das dietas devem informar aos pacientes o 
melhor horário para a administração dos medicamentos, além de conhecer quais fármacos têm 
o seu efeito alterado pelos alimentos e quais medicamentos têm o potencial de causar dé� cits 
nutricionais, deixando essas informações claras para o consumidor.
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UNIDADE
03
SUMÁRIO DA UNIDADE
INTRODUÇÃO ............................................................................................................................................................ 37
1. CONSIDERAÇÕES GERAIS SOBRE OS FITOTERÁPICOS .................................................................................. 38
2. CONCEITOS E DEFINIÇÕES NA FITOTERAPIA ................................................................................................. 39
3. PREPARAÇÕES FARMACÊUTICAS DOS FITOMEDICAMENTOS ...................................................................... 41
4. LEGISLAÇÃO BRASILEIRA ATUAL SOBRE FITOTERÁPICOS............................................................................ 42
5. USO DOS FITOTERÁPICOS NOS SISTEMAS ORGÂNICOS .............................................................................. 45
5.1 SISTEMA NERVOSO CENTRAL .......................................................................................................................... 45
5.2 SISTEMA CARDIOVASCULAR ........................................................................................................................... 46
5.3 SISTEMA RESPIRATÓRIO ................................................................................................................................ 46
5.4 SISTEMA DIGESTÓRIO ...................................................................................................................................... 46
5.4.1 DISPEPSIA ....................................................................................................................................................... 46
FITOTERÁPICOS
PROF.A MA. LORENA DOS SANTOS CASTRO
ENSINO A DISTÂNCIA
DISCIPLINA:
FARMACOLOGIA, FITOTERÁPICOS E 
NUTRACÊUTICOS
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5.4.2 REMÉDIOS HEPÁTICOS ................................................................................................................................. 46
5.4.3 INCHAÇO E FLATULÊNCIA ............................................................................................................................ 47
5.4.4 GASTRITE E ÚLCERA ..................................................................................................................................... 47
5.4.5 DIARREIA AGUDA .......................................................................................................................................... 47
5.4.6 CONSTIPAÇÃO ............................................................................................................................................... 47
5.5 TRATO URINÁRIO .............................................................................................................................................48
5.6 OBESIDADE ........................................................................................................................................................48
6. INTERAÇÕES NO USO DOS MEDICAMENTOS FITOTERÁPICOS ................................................................... 49
CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................................................................................................ 51
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EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
INTRODUÇÃO
Historicamente, a produção de medicamentos e o tratamento farmacológico das doenças 
iniciaram-se com o uso das plantas medicinais. Médicos gregos do século I d.C. deixavam seus 
registros populares de cura em compêndios e xilogravuras, baseadas na patologia humoral, 
determinadas pelos 4 humores corporais: sangue, � euma, bílis negra e bílis amarela, procedentes, 
respectivamente, do coração, sistema respiratório, fígado e baço. 
Os humores estavam associados com os princípios elementares da Antiguidade: ar, água, 
terra e fogo. Os elementos podiam ser misturados em quantidades e proporções variadas para 
produzir as qualidades de frio, úmido, seco ou quente. Dessa forma, se uma doença em particular 
fosse classi� cada como úmida, quente ou seca, ela seria tratada pela administração de uma planta 
medicinal com propriedade oposta. De acordo com Hipócrates, os tratamentos eram baseados no 
balanço dos humores removendo o excesso e aumentando o de� ciente. Este foi um dos princípios 
básicos da medicina da época, “semelhante cura semelhante” ou o “contrário leva à cura”. Dessas 
duas leis nasceram dois sistemas terapêuticos: homeopatia e alopatia.
Assim, a homeopatia corresponde a um sistema de tratamento de doenças por meio de 
medicamentos capazes de produzir, em indivíduos sadios, sintomas semelhantes aos da doença 
que está sendo tratada; já a alopatia é um outro sistema da medicina que combate doenças por 
meios contrários a elas, procurando combater as causas. Sendo assim, pode-se de� nir a � toterapia 
como sendo um ramo da ciência médica alopata, que utiliza plantas, drogas vegetais e preparados 
delas obtidos, para o tratamento das enfermidades. 
Com base na origem histórica, as mais antigas obras sobre a medicina e plantas medicinais 
surgiram na China e no Egito. Mas também, no Brasil, vários vegetais tiveram importante papel, 
sendo utilizadospelos indígenas como remédios para suas doenças ou como veneno em suas 
guerras e caças. No Brasil e em todo mundo, a � toterapia foi peça essencial do arsenal terapêutico 
até meados do século XIX. Mas com o advento da “ciência médica”, a � toterapia entrou para o 
plano de uma modalidade alternativa, embora seja incorreto classi� car a � toterapia como um 
ramo especial ou alternativo da medicina. 
As plantas medicinais perderam importância na época e passaram a ser utilizadas como 
terapia alternativa. Além disso, com o avanço e crescimento do poder econômico das indústrias 
farmacêuticas e a ausência de pesquisas cientí� cas que comprovassem a e� cácia das substâncias 
� toterápicas, houve sua substituição por fármacos sintéticos. Também, a partir dos anos 1980, 
com o desenvolvimento de novas técnicas para identi� cação de substâncias ativas a partir de 
fontes naturais, ressurgiu o interesse por sua pesquisa e desenvolvimento de novos fármacos, 
embora as plantas medicinais tenham permanecido como forma alternativa no tratamento de 
doenças em várias parte do mundo. 
 Atualmente, o uso dos fi toterápicos vem crescendo, sendo uma alternativa para tratamentos 
e/ou prevenção de doenças diante dos altos custos dos fármacos sintéticos. O mercado mundial 
dos fi toterápicos fatura bilhões/ano. Estima-se que mais da metade dos fármacos com atividades 
antitumorais e antimicrobianas comercializadas ou em fase de pesquisas seja de origem natural. 
Diante da grande importância desses medicamentos, intensifi caram-se os estudos normativos 
para regularizar sua legislação, avaliando a efi cácia e segurança do uso desses medicamentos. 
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EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
1. CONSIDERAÇÕES GERAIS SOBRE OS FITOTERÁPICOS
Os � toterápicos são medicamentos obtidos de matérias-primas vegetais que possuem 
princípio ativo, com � nalidade pro� lática, curativa, paliativa ou para � ns de diagnóstico. Quanto 
à sua formulação, podem se apresentar como simples, no caso de sua formulação possuir uma 
única matéria-prima de origem vegetal, ou complexos (compostos), quando se encontra, na sua 
formulação, mais de uma matéria-prima de origem vegetal. 
A pesquisa cientí� ca com plantas medicinais leva ao conhecimento dos constituintes 
ativos que podem ser transformados em produtos medicinais seguros. O objetivo é conseguir um 
produto farmacêutico que contenha uma composição de� nida e uniforme. A transformação do 
princípio ativo isolado em pílulas, comprimidos ou cápsulas resulta em um produto diluído pelos 
excipientes farmacêuticos. Como exemplo, a concentração de digitoxina (medicamento indicado 
para o tratamento da insu� ciência cardíaca congestiva) em um comprimido é aproximadamente 
10 vezes menor do que na folha da dedaleira (planta medicinal indicada para a mesma doença). 
Sobre as plantas medicinais, pode-se considerar toda planta administrada sob qualquer forma 
ao homem ou animal que exerce algum tipo de ação farmacológica. 
A primeira vez em que métodos químicos e analíticos foram usados para extrair o 
princípio ativo de uma planta medicinal foi o isolamento da mor� na a partir do ópio (1803- 
1806). Substâncias isoladas do ópio, como a mor� na e codeína, possuem importante utilização 
terapêutica. Esforços são feitos para melhorar a substância natural aumentando as propriedades 
desejadas e minimizando seus efeitos colaterais. Uma parte signi� cativa de muitos medicamentos 
usados atualmente é derivada de princípios ativos isolados de plantas. 
Com relação a esses princípios ativos, muitos são originados do processo metabólico dos 
vegetais, divididos em metabolismo primário e secundário. O metabolismo primário consiste 
em um conjunto de processos metabólicos que desempenham funções primordiais, como a 
fotossíntese, respiração celular e está envolvido nos metabolismos dos carboidratos, das proteínas 
e dos lipídeos. A maioria das espécies botânicas apresenta meios de defesa desenvolvidos contra o 
ataque de bactérias, fungos, protozoários, insetos, pássaros e outros animais. As substâncias que 
constituem essa barreira de proteção são os produtos naturais. Esse produto pode ser considerado 
um metabólito secundário e, dentro dessa classi� cação, estão os terpenos, fenóis e alcaloides. Os 
terpenos correspondem ao maior grupo de compostos secundários que ocorre nos vegetais. Eles 
estão livres nos tecidos vegetais, outros se apresentam na forma de glicosídeos, ésteres e ácidos 
orgânicos. Possuem várias utilizações, sendo reguladores de crescimento, componentes do aroma 
e da pigmentação de � ores e repelentes de isentos. Os fenóis, por sua vez, são substâncias que 
possuem pelo menos um grupo hidroxila ou derivado ligado a um anel aromático. O número e 
variedade dos fenóis os tornam um importante grupo de substâncias secundárias das plantas. 
Apresentam importante função estrutural e de proteção contra microrganismos. Nas � ores, os 
fenóis contribuem para as cores laranja, vermelho e azul. Por � m, os alcaloides são substâncias 
que contêm nitrogênio. Funcionam como produtos de excreção, agem como reserva de nitrogênio, 
são reguladores de crescimento e importantíssimos na defesa vegetal. O Quadro 1 exempli� ca as 
principais classes de moléculas presentes no metabolismo vegetal secundário. 
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Compostos secundários
Ácidos orgânicos
Alcaloides
Compostos fenólicos 
Compostos inorgânicos 
Cumarinas
Flavonoides 
Glicosídeos cardiotônicos 
Antraquinonas 
Mucilagens
Óleos essenciais
Saponinas 
Taninos 
Substâncias amargas 
Compostos sulfurados
Ligninas
Gomas 
Quadro 1 - Exemplos das principais moléculas presentes no metabolismo vegetal secundário. Fonte: Carvalho 
(2008).
Na maioria dos casos, as plantas medicinais possuem apenas uma substância química 
responsável por sua atividade terapêutica. Mas em alguns casos, essa atividade terapêutica é 
resultante da combinação de vários compostos presentes. Sendo assim, ao passar por processos 
de isolamento e/ou puri� cação, pode levar à perda ou redução de sua efetividade. 
2. CONCEITOS E DEFINIÇÕES NA FITOTERAPIA 
• Droga vegetal: corresponde à planta medicinal ou suas partes que contenham substâncias 
ou classes de substâncias responsáveis pela ação terapêutica. A droga passa por processos 
de coleta, estabilização, secagem e deve estar na forma íntegra, rasgada ou triturada. 
Também pode ser usada in natura, na forma de cápsulas ou na preparação de derivados 
(tinturas, infusão, maceração etc.).
Estudos relatam situações em que os fi tocomplexos apresentam superioridade 
às substâncias isoladas, como, por exemplo, ingerir tomates frescos e/ou seus 
derivados, como molhos. Possuem maior potencial em reduzir o risco de câncer 
de próstata, comparado ao próprio licopeno isolado. Da mesma forma, ingerir ex-
tratos derivados da maconha (Cannabis sativa) possui ação superior à ingestão 
do canabidiol. 
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• Chá medicinal: droga vegetal preparada sob infusão, decocção ou maceração. 
• Cápsula: corresponde ao princípio ativo e aos excipientes contidos em uma forma 
farmacêutica sólida, com invólucro solúvel sólido ou mole, apresentando tamanho e 
formatos variados.
• Comprimido: dose única de um ou mais princípios ativos presentes em uma forma 
farmacêutica sólida, obtida pela compressão de volumes uniformes de partículas.
• Drágea: comprimido revestido com camadas compostas por misturas de substâncias, 
como gomas, gelatinas, resinas, açúcares, ceras, corantes, aromatizantes e princípios 
ativos.
• Glóbulo: possui forma farmacêutica sólida sob a forma de esferas constituídas de sacarose 
ou mistura de sacarose e lactose. 
• Infusão: trata-se da adição de água ferventesobre a droga vegetal, com abafamento do 
recipiente por tempo determinado. Faz-se uso das partes menos rígidas como as folhas, 
� ores, frutos ou com a substância ativa. 
• Decocção: popularmente conhecido como chá, corresponde à ebulição da droga vegetal 
em água por um tempo determinado. A decocção é indicada para partes da droga vegetal 
com consistência rígida, podendo ser raízes, cascas, sementes e caules. 
• Maceração: trata-se da droga vegetal em contato com a água em temperatura ambiente 
por um tempo determinado. Esse método pode ser usado em substâncias que degradam 
com o aquecimento. 
• Tintura: é a extração de drogas vegetais resultante de preparações alcoólicas ou 
hidroalcóolicas, normalmente a tintura é preparada a 10%. 
• Alcoolatura: semelhante à tintura, embora seja preparada a 20%.
• Extrato: pode possuir consistência líquida, sólida ou semissólida de uma matéria-prima 
animal ou vegetal. Em seu preparo, o extrato passa por inativação enzimática, moagem e/
ou desengorduramento. Mas é preparado por percolação, maceração ou outros métodos 
com uso de solventes.
• Solução: corresponde à forma farmacêutica líquida que contém os princípios ativos 
dissolvidos em solventes.
• Pó: é a forma farmacêutica sólida, podendo conter vários princípios ativos secos.
• Elixir: corresponde à preparação farmacêutica líquida, límpida, hidroalcóolica, 
apresentando teor alcoólico entre 20 e 50%.
• Creme: consiste em uma emulsão com um ou mais princípios ativos visando à aplicação 
externa na pele ou nas mucosas.
• Sabonete: apresenta forma farmacêutica sólida, à base de glicerina, contendo um ou mais 
princípios ativos, sendo utilizado na parte externa da pele.
• Pomada: apresenta forma farmacêutica semissólida, aplicada na pele ou nas mucosas, 
composta por uma solução ou dispersão de um ou mais princípios ativos.
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• Pasta: atende às especi� cações estabelecidas para pomadas, entretanto contém grande 
quantidade de sólidos em dispersão.
• Emulsão: forma farmacêutica líquida com um ou mais princípios ativos, que consiste 
em um sistema de duas fases que envolvem, pelo menos, dois líquidos imiscíveis e na 
qual um líquido é disperso na forma de pequenas gotas ou através de outro líquido; é 
estabilizada por agentes emulsi� cantes.
• Emplasto: é a forma farmacêutica semissólida para aplicação externa. Composta por 
uma base adesiva contendo um ou mais princípios ativos distribuídos em uma camada 
uniforme, destinada a manter o princípio ativo em contato com a pele.
• Gel: forma farmacêutica semissólida de um ou mais princípios ativos que contém um gel 
geli� cante para fornecer � rmeza a uma solução ou dispersão.
• Loção: corresponde a uma preparação líquida aquosa ou hidroalcóolica, com viscosidade 
variável, para aplicação sobre a pele. Pode ser solução, emulsão ou suspensão contendo 
um ou mais princípios ativos.
• Supositório: possui forma farmacêutica sólida de vários tamanhos e formatos para ser 
introduzido no orifício retal, vaginal ou uretral do corpo; contém um ou mais princípios 
ativos que se fundem ou dissolvem com a temperatura corporal.
• Xarope: preparações viscosas para o uso interno que contêm, pelo menos, 50% de 
sacarose. A adição desse açúcar é essencial para aumentar o prazo de validade do produto, 
acarretando, assim, um menor crescimento microbiano.
3. PREPARAÇÕES FARMACÊUTICAS DOS FITOMEDICAMENTOS
Os � tomedicamentos são produtos cujos componentes farmacológicos consistem 
exclusivamente em materiais vegetais. Além de seus principais ingredientes ativos, podem 
possuir componentes secundários, que podem modi� car sua estabilidade ou biodisponibilidade. 
As drogas vegetais também contêm impurezas destituídas de atividade farmacológica, podendo 
até produzir efeitos indesejados. Isso explica o motivo de os � tomedicamentos com diferentes 
tipos de ação serem produzidos a partir de uma mesma planta, dependendo da qualidade da 
droga vegetal, da parte da planta que é usada, do solvente utilizado e do processo de extração. 
Na composição dos � tomedicamentos, estão os extratos, que correspondem a preparações 
concentradas, podendo ter consistência líquida, viscosa ou na forma de pó, geralmente feitas 
a partir das partes secas da planta. Os óleos essenciais também são extratos concentrados dos 
princípios ativos das plantas. Dois fatores podem determinar a composição de um extrato: a 
qualidade da matéria-prima vegetal e o processo de produção. No processo de transformação de 
uma planta em um medicamento, ações para preservação da integridade química e farmacológica 
devem ser tomadas, garantindo a constância de sua ação biológica e segurança em sua utilização, 
além de valorizar seu potencial terapêutico. 
 Com relação à qualidade da matéria-prima, a natureza não fornece seus produtos com 
uma composição de� nida e padronizada. Os materiais obtidos das plantas medicinais podem 
apresentar variações em razão de fatores genéticos, clima, qualidade do solo e outros fatores 
externos. Por isso, existem tantas diferenças entre as safras de vinhos, qualidade de chás, cafés, 
entre outros. Os métodos de produção, por sua vez, podem variar pela natureza do solvente 
utilizado e dos processos de extração e secagem. 
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Os extratos disponíveis no comércio possuem variações quanto à sua qualidade. Geralmente 
não se aplica um padrão rígido de qualidade dos ingredientes fotoquímicos dos extratos 
comercializados; assim, não há garantia de que seu consumo produzirá um medicamento 
� toterápico bem de� nido e de qualidade. 
4. LEGISLAÇÃO BRASILEIRA ATUAL SOBRE FITOTERÁPICOS
Em 2014, foi publicada a RDC n° 26, de 13 de maio de 2014, regulamentando dois tipos 
de produtos com � nalidade medicinal derivados de plantas: o medicamento � toterápico e o 
produto tradicional � toterápico. Os medicamentos � toterápicos, perante a legislação brasileira, 
são medicamentos obtidos a partir de plantas medicinais; são compostos de derivados da droga 
vegetal. Sendo assim, sua matéria-prima necessita ser exclusivamente vegetal e apresentar estudos 
cientí� cos que comprovem sua segurança e e� cácia. Os produtos tradicionais � toterápicos, por 
sua vez, são obtidos a partir de matérias-primas vegetais e são utilizados sem vigilância médica, 
prescrição ou monitoramento. As principais diferenças entre ambos os produtos estão listadas 
no Quadro 2. 
Medicamento fi toterápico Produto tradicional fi toterápico
Segurança e efi cácia Estudos clínicos Tradicionalidade do uso
Informações ao consumidor Bula Folheto informativo
Controle de qualidade Sim Sim
Quadro 2 - Principais diferenças entre os medicamentos � toterápicos e os produtos tradicionais � toterápicos Fonte: 
Carvalho (2008).
Os chás medicinais são considerados um produto tradicional fi toterápico, não 
sendo necessário registro e não pode conter excipientes em suas formulações; 
seus constituintes devem ser apenas drogas vegetais. 
Conhecendo os inúmeros benefícios das plantas medicinais à saúde, a fi toterapia 
está sendo muito praticada tanto no âmbito da medicina tradicional quanto da 
alternativa. Em 2006, o Brasil recebeu a Política Nacional de Plantas Medicinais 
e Fitoterápicos (PNPF) e, em 2009, foi aprovado o Programa Nacional de Plantas 
Medicinais e Fitoterápicos e houve a introdução do uso das plantas medicinais e 
fi toterápicos no Sistema Único de Saúde (SUS). Entretanto, a utilização de plantas 
medicinais e fi toterápicos na prática no SUS ainda não foi consolidada. Para além 
dos desafi os relacionados ao desenvolvimento econômico, tecnológico e social 
que fazem parte das políticas relacionadas com as plantas medicinais e fi toterá-
picos, temos os desafi os para efetivação dessas políticas no SUS, principalmente 
na atenção básica. 
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No Brasil, a regulamentação de plantas medicinais e seus derivados está sob 
responsabilidade da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), administrada pelo 
Ministério da Saúde. Até o ano de 2008, a Anvisa havia registrado 512 medicamentos, sendo 
80 � toterápicos associados e 432 simples, ou seja, obtidos de derivados de apenas uma espécie 
vegetal. Entre as principais formas farmacêuticas usadas, 47% eram cápsulas e 20%, comprimidos. 
162 espécies vegetais possuem derivados registrados, sendo que as com maior número estão 
listadas no Quadro 3. O Quadro 4, por sua vez, lista todas as espécies vegetais com registro de 
� toterápicos simples, distribuídas de acordo com sua classi� cação terapêutica. 
Espécie vegetal Número de registro
Ginkgo biloba (Ginkgo) 33
Aesculus hippocastanum (Castanha da índia) 29
Cynara scolymus (Alcachofra) 21
Hypericum perforatum (Hipérico) 20
Glycine max (Soja) 20
Valeriana offi cinalis (Valeriana) 20
Panax ginseng (Ginseng) 17
Cassia angustifolia, Cassia senna e Senna 
alexandrina (Sene)
14
Cimicifuga racemosa (Cimicífuga) 14
Mikania glomerata (Guaco) 14
Maytenus ilicifolia (Espinheira-Santa) 13
Peumus boldus (Boldo) 13
Quadro 3 - Algumas espécies vegetais que possuem maior número de derivados registrados como � toterápicos 
simples. Fonte: Carvalho (2008).
Os medicamentos à base de plantas medicinais e os fi toterápicos são muito uti-
lizados pela população, porém a sua utilização se baseia na indicação leiga, tra-
dicional ou cultural, sem uma adequada orientação de um profi ssional da área 
da saúde. Além dos médicos, outros profi ssionais podem ser habilitados para 
realizar a prescrição/indicação de plantas e fi toterápicos, entretanto é possível 
verifi car uma falta de conhecimento evidenciada, que se deve à defi ciência nas 
grades curriculares da disciplina Fitoterapia e ainda o desconhecimento sobre as 
políticas que implantam e orientam os serviços de saúde do SUS. Dessa forma, 
uma das difi culdades para ampliação da fi toterapia nos serviços de saúde se dá 
pelo desconhecimento sobre a fi toterapia, o que demanda, além da inclusão da 
disciplina, ações de divulgação e capacitação dos profi ssionais da área da saúde. 
Sendo assim, é necessário reunir informações úteis para que os profi ssionais de 
saúde tenham mais informações sobre o assunto, sensibilizar, levantar discus-
sões e contribuir para a promoção da utilização segura e racional das plantas 
medicinais e fi toterápicos.
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Nomenclatura botânica Categoria terapêutica
Tanacetum parthenium Analgésicos contra enxaqueca
Salix alba Analgésicos
Tribulus terrestris Andrógeno
Valeriana offi cinalis, Piper methysticum, Passifl ora 
incarnata, Melissa offi cinalis, Matricaria recutita
Ansiolíticos simples
Ginkgo biloba Antiagregante plaquetário
Glycyrrhiza glabra, Petasites hybridus Antialérgicos
Crataegus oxyacantha Antiarrítmico
Hypericum perforatum Antidepressivos
Zingiber offi cinale Antieméticos e antinauseantes
Atropa belladonna, Fumaria offi cinalis, Matricaria 
recutita, Melissa
offi cinalis, Mentha piperita, Papaver somniferum, 
Peumus boldus
Antiespasmódico
Hamamelis virginiana Anti-hemorroidários (tópico)
Allium sativum, Oryza sativa Antilipêmicos
Borago offi cinalis, Boswellia serrata, Cassia 
occidentalis, Harpagophytum
procumbens, Oenothera biennis, Uncaria 
tomentosa
Anti-infl amatórios (oral)
Calendula offi cinalis, Capsicum annum, Cordia 
verbenacea, Matricaria recutita, Uncaria tomentosa
Anti-infl amatórios (tópico)
Mentha crispa Antiparasitários
Arctostaphylus uva-ursi Antissépticos urinários simples
Maytenus ilicifolia Antiulcerosos
Ginkgo biloba Antivertiginoso
Aloe vera, Calendula offi cinalis, Stryphnodendron 
barbatiman
Cicatrizante (tópico)
Cimicifuga racemosa, Glycine max, Trifolium 
pratense
Climatério (coadjuvante no alívio dos sintomas)
Equisetum arvense, Orthosiphon stamineus Diuréticos
Ananas comosus, Eucalyptus globulus, Hedera 
helix, Mentha piperita, Mikania glomerata, 
Sambucus nigra
Expectorantes
Echinacea purpurea Imunomodulador
Silybum marianum Hepatoprotetor
Fucus vesiculosus Iodoterapia
Senna alexandrina, Rhamnus purshiana, Operculina 
alata
Laxantes irritantes ou estimulantes
Plantago ovata, Plantago psyllium Laxantes incrementadores do bolo intestinal
Cineraria maritima Medicamentos com ação no aparelho visual
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Brosimum gaudichaudii Melanizante
Garcinia cambogia Moduladores do apetite e produtos para dietas 
especiais
Arnica montana Outros produtos com ação na pele e mucosas
Pygeum africanum, Serenoa repens Outros produtos com ação no trato urinário
Centella asiatica,Vaccinium myrtillus, Vitis vinifera Outros produtos com ação sobre o aparelho 
cardiovascular
Pelargonium sidoides, Sambucus nigra Outros produtos para o aparelho respiratório
Vitex agnus-castus Outros produtos para uso em ginecologia e 
obstetrícia
Schinus terebenthifolius, Triticum vulgare Produtos ginecológicos anti-infecciosos tópicos 
simples
Ginkgo biloba Vasodilatadores
Quadro 4 - Classi� cação de algumas das principais categorias terapêuticas. Fonte: Carvalho (2008). 
5. USO DOS FITOTERÁPICOS NOS SISTEMAS ORGÂNICOS 
Observa-se um aumento na utilização dos � toterápicos pela população brasileira. Isso 
pode ser explicado pelos avanços ocorridos na área cientí� ca, que permitiram o desenvolvimento 
de � toterápicos reconhecidamente seguros e e� cazes. O segundo é a crescente tendência de busca 
pela população por terapias alternativas. Logo, a � toterapia pode atuar como coadjuvante nos 
tratamentos alopáticos, levando em consideração suas possíveis complicações. Analisaremos, 
portanto, quais são os efeitos dos � toterápicos nos sistemas orgânicos. 
5.1 Sistema Nervoso Central
O reino vegetal está repleto de compostos e misturas de compostos que possuem efeito 
estimulante sobre o sistema nervoso central (SNC). Nos casos em que essa ação se deve a um único 
composto, como a mor� na, a cocaína ou a atropina, a planta e suas preparações são consideradas 
fora do domínio da � toterapia. A maior parte das outras plantas medicinais que afetam o SNC 
se encaixa entre as plantas sedativas. Estudos recentes têm dado ênfase a três principais drogas 
psicotrópicas: o extrato de Ginkgo biloba, Hypericum e a Piper methysticum Forst. F. Também 
podem ser citados a valeriana, lúpulo, melissa, maracujá e alfazema.
Nomenclatura botânica Categoria terapêutica
Para complementar os conhecimentos sobre as indicações dos 
fi toterápicos, sugiro assistir ao seguinte vídeo, intitulado Controle de 
qualidade de medicamentos fi toterápicos. Disponível em: .
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5.2 Sistema Cardiovascular
Os � tomedicamentos possuem papel relevante no tratamento de formas leves de falência 
cardíaca e insu� ciência coronária, na prevenção e no tratamento da aterosclerose e de suas 
consequências, e no tratamento sintomático da insu� ciência venosa crônica. Entretanto, existem 
poucas plantas medicinais cuja e� ciência e segurança foram comprovadas, as que chamam 
atenção são o Crataegus laevigata (falência cardíaca e insu� ciência coronária), Allium sativum 
(aterosclerose), extrato de ginko (doença arterial oclusiva) e extrato de Aesculus hippocastanum 
(insu� ciência venosa crônica).
5.3 Sistema Respiratório 
As doenças respiratórias são caracterizadas por afetarem o sistema respiratório, podendo 
ser causadas por vírus, fungos, bactérias e outras substâncias alergênicas. Um resfriado, por 
exemplo,é uma in� amação benigna com catarro do trato respiratório causada por uma infecção 
viral. Os medicamentos � toterápicos podem ter contribuição signi� cativa para o alívio dos 
sintomas do resfriado. Na medicina popular e cientí� ca, são muito usados os chás, como os feitos 
com � ores de Sambucus nigra, � ores da Tilia L. e � ores da Filipendula ulmaria. O uso de alguns 
óleos essenciais também mostra benefícios subjetivos, como o óleo de hortelã (Mentha spicata), 
de eucalipto (Eucalyptus), podendo desobstruir as vias aéreas após inalação. Pomadas de mentol 
e cânfora podem ter efeitos similares. 
5.4 Sistema Digestório
A maioria dos remédios vegetais para distúrbios gastrointestinais é usada para tratar de 
problemas funcionais. 
5.4.1 Dispepsia
A dispepsia se refere a uma síndrome caracterizada por náuseas, pressão epigástrica, 
inchaço, � atulência e dores abdominais espasmódicas, relacionada à de� ciência na secreção do 
suco gástrico, produção biliar de� ciente, enchimento e esvaziamento prejudicado da vesícula 
biliar ou de� ciência na secreção de suco gástrico. As plantas com ação bené� ca no tratamento 
e auxílio na melhora dos sintomas são: Cynara scolymus (alcachofra), Matricaria recutita 
(camomila), Maytenus ilicifolia (espinheira-santa), Peumus boldus (boldo), Pimpinella anisum 
(erva-doce) e Zingiber o� cinale (gengibre). 
5.4.2 Remédios hepáticos
Os cálculos biliares são a causa mais frequente de doença do trato biliar e de desconforto, 
gerando dor e in� amação. Um grande número de drogas vegetais demonstra propriedades nesse 
tipo de distúrbio. Como exemplos, tem-se: folhas de Cynara scolymus, folhas de Peumus boldus, 
extrato da Curcuma longa e extrato do Taraxacum o� cinale.
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5.4.3 Inchaço e flatulência 
Inchaço e � atulência estão entre os sintomas mais comuns encontrados, e suas causas 
variam desde doenças in� amatórias gastrointestinais e disfunções biliares/pancreáticas a lesões 
ateroscleróticas dos vasos sanguíneos mesentéricos. As preparações � toterápicas têm importante 
papel no tratamento da � atulência, como óleos essenciais, Cuminum cyminum, Aloe vera, Illicium 
verum, Mentha spicata, Matricaria chamomilla e Melissa o� cinalis.
5.4.4 Gastrite e úlcera 
In� amações da mucosa gástrica, que variam de formas relativamente leves de gastrite 
até úlcera péptica, são tratadas farmacologicamente com antiácidos e com medicamentos anti-
in� amatórios. Os principais medicamentos em uso são a Matricaria chamomilla, Maytenus 
ilicifolia e Glycyrrhiza glabra.
5.4.5 Diarreia aguda 
Diarreia é a passagem frequente (mais de três vezes ao dia) de fezes líquidas ou 
semilíquidas. Tem início rápido e geralmente dura 3-4 dias, pode ter uma causa infecciosa. Os 
� tomedicamentos possuem papel signi� cativo, tanto como medicamentos caseiros tradicionais 
quanto como preparações, como aquelas que apresentam taninos, como, por exemplo, a Paullinia 
cupana Kunth (guaraná), devido às altas taxas de taninos, que atuarão como adstringentes, que é 
uma atividade de moléculas polares, capazes de revestir o lúmen do intestino com uma película 
protetora, devido à sua reduzida absorção por ele; pectinas e leveduras. 
5.4.6 Constipação 
A constipação é caracterizada por descobertas e queixas amplamente baseadas na 
frequência dos movimentos intestinais e na di� culdade para a sua realização. Possui características 
subjetivas, como esforço excessivo ao defecar, defecação dolorosa e uma sensação incompleta de 
evacuação. O tratamento de uma constipação crônica deve sempre começar com uma reeducação 
alimentar, aumentando o consumo de � bras, líquidos e prática regular de exercícios físicos. Com 
relação à � toterapia auxiliar, indica-se a prescrição de agentes formadores de volume (� bras), os 
laxativos � cam como segunda opção. 
Os agentes formadores de volume fecal são componentes da dieta, compostos por 
carboidratos que podem sofrer quebra completa, como as pectinas, ou parcial, como os farelos, 
pela ação das bactérias do cólon. Essas substâncias estimulam a atividade intestinal por meio de 
sua ação formadora de volume e apressam o trânsito do material fecal. Outro fator importante 
é a modi� cação da � ora intestinal, visto que esses compostos que aumentam o volume fecal 
fornecem substratos para proliferação da � ora bacteriana, os chamados prebióticos. As bactérias 
presentes na � ora intestinal podem quebrar esses materiais e liberar ácidos graxos de cadeia 
curta, auxiliando na proteção da mucosa intestinal. Os agentes de volume tornam as fezes mais 
suaves e as tornam capazes de passar pelo intestino mais facilmente. Entre os agentes formadores 
fecais mais conhecidos, encontram-se: Psyllium, farelo de trigo, semente de linho e ágar. 
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Com relação aos � toterápicos laxativos, eles são estimulantes que induzem um movimento 
intestinal não � siológico com fezes líquidas e cólicas frequentes. Os re� exos produzidos pelo 
estímulo de receptores na mucosa e na submucosa levam ao aumento da mobilidade propulsora 
do cólon, encurtando o tempo de trânsito. O principal efeito adverso que pode ocorrer com o uso 
ocasional é dor abdominal ou cólica. Entre os mais utilizados, estão: Rheum rhabarbarum, Cassia 
angustifólia Rhamnus purshiana, Aloe arborescens e Ricinus communis. 
5.5 Trato Urinário 
Na urologia, as duas principais indicações de drogas vegetais são para doenças 
in� amatórias do trato urinário e hiperplasia prostática. Com relação à infecção urinária, ela 
pode ser de� nida pela presença e multiplicação de microrganismos patogênicos no trato 
urinário. Acomete principalmente mulheres, tendo destaque a Escherichia coli, o principal agente 
etiológico. Entre os � toterápicos recomendados para esse � m, estão: Vaccinium macrocarpon L. 
(Arando americano), Arctostaphylos uva-ursi L. (Uva ursina), Urtica dioica L. e Urtica urens L. 
(Urtiga), Solidago virgaurea L., Equisetum arvense L. (cavalinha), Orthosiphon aristatus L. (chá-
de-fava). 
A hiperplasia prostática, por sua vez, é a doença urológica mais importante que afeta o 
sexo masculino. A causa anatômica é uma dilatação da próstata devida a alterações hiperplásicas 
nas glândulas piriuretais, causando estreitamento da uretra e di� culdade de urinar. A � toterapia 
pode ter ação bené� ca no tratamento da hiperplasia prostática, são inúmeras as plantas com 
ação promissora. Os primeiros extratos prescritos foram derivados da Serenoa repens e Epilobium 
parvi� orum, óleo de Cucurbita pepo (sementes de abóbora), Pygeum africanum, Urtica dioica, 
Scale cereale, Hypoxis Rooperi, entre outros. 
5.6 Obesidade 
Atualmente, a obesidade está sendo um grande problema para a saúde pública no mundo, 
sua prevalência atinge proporções epidêmicas. É considerada uma doença multifatorial, atingindo 
pessoas de todas as faixas etárias, caracterizada pelo aumento de peso e o acúmulo excessivo 
ou anormal de gordura corporal acima dos padrões de normalidade. Em seu tratamento, são 
empregados vários métodos, dentre eles, o uso da � toterapia, uma importante alternativa 
terapêutica. Diferentes plantas medicinais estão sendo estudadas e utilizadas com o objetivo da 
diminuição de peso; principalmente, os � toterápicos com ação inibidora de lipases, termogênicos 
ou que atuam reduzindo o apetite. Muitas pesquisas evidenciam que componentes como os 
� avonoides, alcaloides, terpenoides auxiliam no tratamento da obesidade, visto que podem atuar 
no organismo como aceleradores do metabolismo ou moderadores de apetite, causando redução 
do consumo alimentar. Os principais � toterápicos que auxiliam a perda de peso são:
• Phaseolus vulgaris (feijão branco): seu potencial emagrecedor está relacionado à 
faseolamina, uma glicoproteína que possui ação de inibir a enzimaalfa-amilase, reduzindo 
a biodisponibilidade intestinal de carboidratos. Além disso, possui poder de saciedade, 
e a quantidade de ácido fítico do feijão pode auxiliar a inibição da digestão do amido, 
direta ou indiretamente. Isso porque o ácido fítico pode quelar minerais, proteínas e 
amido, comprometendo a biodisponibilidade desses nutrientes.
 
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• Cynara scolymus (alcachofra): planta rica em fruto-oligossacarídeos e inulina, � bras 
alimentares que não são digeridas pelas enzimas do intestino humano. Ela alcança o 
cólon, onde é utilizada pela � ora microbiana, alterando o trânsito intestinal, ocasionando 
uma rápida eliminação do bolo fecal, o que reduz o tempo de contato com o tecido 
intestinal, reduzindo a absorção dos lipídeos. A alcachofra pode atuar no tratamento das 
dislipidemias e obesidade, uma vez que inibe a atividade da lipase pancreática. Sua ação 
também está associada a uma ação hepatoprotetora, antioxidante, colagoga e colerética 
(aumentando a secreção e a produção da bile), antidispéptica, redutora de colesterol e 
estimulante do sistema hepatobiliar. 
• Camelia sinensis, conhecida como chá verde, possui alta concentração de � avonoides 
da família das catequinas, capazes de reduzir o peso corporal, gordura total e visceral, 
além de possuir ação anti-in� amatória, hipoglicemiante, hipolipidêmica, termogênica e 
lipolítica. Pesquisas identi� caram a relação do chá verde com a perda de peso, prevenção 
do câncer, obesidade e síndrome metabólica, predominando o aumento da termogênese 
e oxidação lipídica. 
6. INTERAÇÕES NO USO DOS MEDICAMENTOS FITOTERÁPICOS 
O uso popular das plantas medicinais está relacionado com sua utilização de forma 
indiscriminada, fato que demanda atenção. Isso porque as plantas medicinais são xenobióticos, 
seus produtos de transformação podem ser tóxicos, devendo considerar que essa toxicidade pode 
se apresentar a longo prazo e de forma assintomática. 
O consumo de plantas medicinais é capaz de aliviar ou curar enfermidades, mas deve- 
se ter o conhecimento a respeito de suas condições de cultivo, associada à correta identi� cação 
farmacobotânica, reações adversas, posologia e interações com outros medicamentos. 
Por vezes, um único fármaco não é su� ciente para a recuperação da saúde, havendo necessidade 
da prescrição de mais fármacos. Em alguns casos, as drogas podem interagir entre si, causando 
uma interação medicamentosa. Esta pode ocorrer também na preparação de chás, xaropes 
caseiros e medicamentos � toterápicos. Seguem as interações de algumas plantas: 
• Alcachofra: estudos demonstram que seu efeito diurético pode ser prejudicial quando 
utilizado em associação com diuréticos porque o volume sanguíneo pode diminuir 
drasticamente gerando quedas de pressão arterial devido a maiores excreções de potássio, 
podendo gerar hipocalemia. 
• Alho: pacientes que utilizam anticoagulantes orais como a varfarina poderão apresentar 
sangramento aumentado quando associarem seu uso a medicamentos que contenham 
alho na composição. Ele também pode intensi� car o efeito de drogas hipoglicemiantes, 
pequena redução nos níveis de colesterol no sangue e redução da pressão sanguínea.
• Boldo: pode ocorrer inibição da agregação plaquetária, pacientes que estão sob terapia de 
anticoagulantes não devem ingerir concomitantemente o boldo devido à sua ação aditiva, 
à função antiplaquetária dos anticoagulantes.
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• Camomila: pode interagir com os anticoagulantes, como a varfarina, e aumentar o risco 
de sangramento. Pode intensi� car a ação dos sedativos e reduzir a absorção do ferro. 
Também interfere no mecanismo por meio do qual o corpo processa determinadas drogas 
através de sistemas enzimáticos, como o P450. A camomila também pode apresentar 
efeito antiestrogênico.
• Cascara sagrada: seu uso, associado a diuréticos, pode gerar hipocalemia, além de 
intensi� car o trânsito intestinal afetando a absorção dos medicamentos administrados 
via oral.
• Castanha da índia: teoricamente pode aumentar o risco de sangramentos quando 
utilizada com ácido acetilsalicílico, varfarina, heparina e alguns anti-in� amatórios, como 
o ibuprofeno. Pode intensi� car o efeito hipoglicemiante de usuários que fazem uso da 
insulina. A e� ciência dos fármacos antiácidos pode ser afetada, visto que a castanha 
da índia é irritante ao trato gastrointestinal. Associada ao sene, potencializa seu efeito 
laxativo.
• Erva cidreira: essa erva pode interagir com outras plantas medicinais, como a kava- 
kava, visto que, de maneira geral, interage com depressores do sistema nervoso central e 
hormônios tireoidianos.
• Erva São João: com sua administração, pode ocorrer interação com a tiramina, inibir a 
absorção de ferro, interação com contraceptivos orais, resultando em sangramentos ou 
gravidez indesejada, assim como pode aumentar a pressão sanguínea. 
• Erva doce: possui ação sedativa discreta quando administrada na forma de chá. Porém, 
quando administrada com drogas hipnóticas, pode prolongar esse efeito.
• Eucalipto: o óleo essencial do eucalipto pode induzir enzimas hepáticas envolvidas 
no metabolismo dos fármacos, e a ação de outras drogas pode ser diminuída quando 
administrada simultaneamente.
• Gengibre: capaz de estimular a produção de ácido clorídrico estomacal, in� uenciando a 
ação de fármacos como a ranitidina e o omeprazol. Pode aumentar o risco de sangramentos 
quando administrado com ácido acetilsalicílico, varfarina, heparina, ibuprofeno e outros 
medicamentos que apresentem essa ação. Poderá interferir com medicamentos que 
alteram a contração cardíaca. Existe a possibilidade de diminuição dos níveis de açúcar 
no sangue, interferindo na medicação para diabetes, como a insulina. 
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CONSIDERAÇÕES FINAIS
O uso dos � toterápicos vem crescendo, sendo uma alternativa para tratamentos e/ou 
prevenção de doenças. O mercado mundial dos � toterápicos fatura bilhões/ano. Estima-se que 
mais da metade dos fármacos com atividades antitumorais e antimicrobianas comercializadas 
ou em fase de pesquisas seja de origem natural. Os � toterápicos são medicamentos obtidos 
de matérias-primas vegetais que possuem princípio ativo, com � nalidade pro� lática, curativa, 
paliativa ou para � ns de diagnóstico. Quanto à sua formulação, podem se apresentar como 
simples, no caso de sua formulação possuir uma única matéria-prima de origem vegetal, ou 
complexos (compostos), quando se encontram, na sua formulação, mais de uma matéria-prima 
de origem vegetal.
Os produtos tradicionais � toterápicos, por sua vez, são obtidos a partir de matérias-
primas vegetais e são utilizados sem vigilância médica, prescrição ou monitoramento. De acordo 
com a RDC n° 13/2013, os produtos tradicionais � toterápicos “[...] são aqueles obtidos com 
emprego exclusivo de matérias-primas vegetais ativas, cuja segurança seja baseada por meio 
da tradicionalidade do uso e que seja caracterizado pela reprodutibilidade e constância de sua 
qualidade”. Ainda são escassas as fontes de informações sobre a industrialização e/ou manipulação 
de plantas medicinais. São poucas as pesquisas agronômicas, farmacológicas, toxicológicas e de 
estudos clínicos para a fabricação de produtos � toterápicos. 
Esses compostos podem acarretar efeitos bené� cos no sistema nervoso central, 
cardiovascular, respiratório, digestório, urinário, em doenças como a obesidade, entre outros. 
Porém, o uso popular das plantas medicinais está relacionado com sua utilização de forma 
indiscriminada, fato que demanda atenção. Isso porque as plantas medicinais são xenobióticos, 
seus produtos de transformação podem ser tóxicos, devendoconsiderar que essa toxicidade 
pode se apresentar a longo prazo e de forma assintomática. Diante da grande importância desses 
medicamentos, intensi� caram-se os estudos normativos para regularizar sua legislação, avaliando 
a e� cácia e segurança do uso desses medicamentos. 
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UNIDADE
04
SUMÁRIO DA UNIDADE
INTRODUÇÃO ............................................................................................................................................................ 54
1. UTILIDADE DOS NUTRACÊUTICOS ..................................................................................................................... 56
2. NUTRACÊUTICOS COMUMENTE USADOS ........................................................................................................ 57
2.1 ÁCIDOS GRAXOS POLI-INSATURADOS (ÔMEGA-3 E ÔMEGA-6) ................................................................. 57
2.2 AMINOÁCIDOS E PEPTÍDEOS ........................................................................................................................... 58
2.3 BETACAROTENO................................................................................................................................................. 59
2.4 CÁLCIO ................................................................................................................................................................ 59
2.5 FITOESTERÓIS ................................................................................................................................................... 59
2.6 QUERATINA ........................................................................................................................................................60
2.7 QUITOSANA ........................................................................................................................................................60
2.8 ISOFLAVONAS ................................................................................................................................................... 61
NUTRACÊUTICOS
PROF.A MA. LORENA DOS SANTOS CASTRO
ENSINO A DISTÂNCIA
DISCIPLINA:
FARMACOLOGIA, FITOTERÁPICOS E 
NUTRACÊUTICOS
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2.9 PROBIÓTICOS .................................................................................................................................................... 61
2.10 SELÊNIO ............................................................................................................................................................ 62
2.11 ZINCO ................................................................................................................................................................ 62
2.12 VITAMINA E ...................................................................................................................................................... 62
2.13 VITAMINA C ..................................................................................................................................................... 63
2.14 FIBRAS DIETÉTICAS ......................................................................................................................................... 63
3. INTERAÇÕES, EFEITOS ADVERSOS E SEGURANÇA NO CONSUMO DOS NUTRACÊUTICOS ...................... 64
4. DIFERENÇAS ENTRE ALIMENTOS FUNCIONAIS E OS NUTRACÊUTICOS ..................................................... 65
CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................................................................................................68
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INTRODUÇÃO
Desde os primórdios, existe uma relação estreita entre o consumo de alimentos 
saudáveis e a saúde da população. A presença frequente de efeitos adversos associados às terapias 
farmacológicas convencionais e a falta de respostas terapêuticas e� cazes levaram à necessidade 
de novas pesquisas para determinar diferentes alternativas para prevenção e tratamento de 
doenças crônicas não transmissíveis, visto que encontrar alimentos que in� uenciam esse 
processo pode ser um caminho para reduzir a prevalência de doenças. Atualmente muitas 
pesquisas relacionadas a alimentos funcionais, suplementos dietéticos e nutracêuticos estão 
sendo desenvolvidas, a comunidade cientí� ca têm buscado cada vez mais informações sobre 
essas substâncias. Na última década, houve um aumento de 20% nesse setor; com esse cenário, os 
nutracêuticos representaram o segmento da indústria alimentícia que mais cresceu. Na Figura 1, 
podemos observar o crescimento do mercado de nutracêuticos de 1999 a 2010. 
Figura 1 - Crescimento do mercado de nutracêuticos de 1999 a 2010. Fonte: Fernandes (2016).
O termo “nutracêutico” de� ne uma variedade de alimentos e componentes alimentícios, 
compostos por minerais e vitaminas essenciais, podendo agir protegendo contra diversas doenças 
infecciosas. Englobam os nutrientes isolados, suplementos dietéticos, alimentos funcionais, 
produtos herbais e alimentos processados, como cereais, sopas e bebidas. São classi� cados como 
� bras dietéticas, ácidos graxos poli-insaturados, proteínas, peptídeos, aminoácidos, minerais, 
vitaminas, antioxidantes e outros antioxidantes. 
A prevenção e o tratamento com nutracêuticos pode ser considerado um poderoso 
instrumento para manutenção da saúde e contra doenças crônicas, por meio da promoção da 
longevidade e melhora da qualidade de vida. De fato, os nutracêuticos podem ser uma alternativa 
para o tratamento e gerenciamento da saúde. A Figura 2 representa o termo nutracêutico. 
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Figura 2 - O nutracêutico ocupa posição entre os alimentos e medicamentos. Fonte: Gulati e Berry Ottaway (2006).
Com relação à sua regulamentação, no Brasil, a Agência Nacional de Vigilância 
Sanitária (ANVISA) não reconhece o termo nutracêutico, embora a resolução RDC n° 2, de 
2002, regulamente as substâncias bioativas, as quais mais se aproximam dos nutracêuticos. Logo, 
apesar de existirem legislações e de� nições que se aplicam aos nutracêuticos, sua categoria não 
é reconhecida o� cialmente e não existem leis especí� cas que garantam a e� cácia, segurança 
e qualidade de seu uso. Por serem capazes de alterar as funções metabólicas e � siológicas do 
organismo, devem ser avaliados e submetidos aos testes de controle de qualidade, assim como os 
demais produtos farmacêuticos. 
A comunidade cientí� ca possui grande desa� o devido à imensa gama de variedades 
de produtos nutracêuticos disponíveis no mercado e poucas referências em relação a testes 
de controle de qualidade. Dessa forma, uma adequada regulamentação e consequente adoção 
desses ensaios analíticos poderá contribuir com a venda de produtos de qualidade, com garantia 
reconhecida, uma base cientí� ca sólida, sem adulteração ou substâncias tóxicas. 
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1. UTILIDADE DOS NUTRACÊUTICOS
Os atuais meios de comunicação desempenham importante papel para o consumo e a 
comercialização dos produtos nutracêuticos, e o fato de se tornarem populares teve origem com 
alegação de um consumo sem contraindicações, podendo atuar em patologias como o câncer, 
aterosclerose, osteoporose, doenças cardiovasculares, neurodegenerativas, entre outros. A gama 
de produtos e suas diversas formas de comercialização permitem que os nutracêuticos sejam 
cada vez mais visíveis pela comunidade. A manufatura e venda desses produtos possui pouca 
supervisão, com grande acessibilidade para sua aquisição, não necessitando de prescrição, 
acarretando inúmeros casos de automedicações. Várias são as razões pelas quais esses produtos 
são adquiridos,a principal razão está pautada na prevenção de doenças; segundos estudos 
publicados, as populações que mais consomem esses produtos são os jovens, atletas, adultos 
acima de 65 anos visando a melhorar seu estado de saúde, manter sua saúde, melhorar a dieta, 
prevenir doenças, melhorar o sistema imunológico e melhorar as articulações. Observa-se que 
boa parte da população está substituindo a terapêutica farmacológica pela terapia alternativa 
com os nutracêuticos. A seguir, são apresentados exemplos de algumas patologias que podem 
receber tratamento alternativo a partir desses compostos: 
• Câncer: vários produtos naturais com atividade antitumoral são descritos, como o 
resveratrol, produtos ricos em ferro, extrato de chá verde, cálcio associado à vitamina D, 
ômega-3, prebióticos e probióticos. 
• Doenças cardiovasculares: o papel dos nutracêuticos em diversas patologias 
cardiovasculares está sendo muito estudado. A dislipidemia é o termo que de� ne todas as 
anomalias dos lipídeos no sangue. As dislipidemias podem ser de vários tipos, podendo 
manifestar-se por um aumento dos triglicerídeos, aumento do colesterol, entre outros. 
Nos dias atuais, as dislipidemias são um dos fatores de risco para a aterosclerose e outras 
doenças cardiovasculares. Logo, os nutracêuticos podem desempenhar importante papel 
na prevenção de doenças cardiovasculares; entre eles, estão: os efeitos do licopeno, que 
atua impedindo a formação de placas ateroscleróticas, bem como os carotenoides e a 
vitamina E, que estão envolvidos na redução dos efeitos nocivos da isquemia. Por outro 
lado, existe a potencialização de muitos medicamentos, quando combinados com os 
nutracêuticos, como as estatinas e o ômega-3, que aumentam o HDL e diminuem os 
triglicerídeos.
Segue um artigo para complementar os conhecimentos acerca de como os nutra-
cêuticos podem benefi ciar pacientes com a patologia de câncer de mama. 
PADILHA, P. M.; PINHEIRO, R. S. O papel dos alimentos funcionais na prevenção e 
controle do câncer de mama. Revista Brasileira de Cancerologia, Rio de Janeiro, 
v. 50, p. 251-260, 2004.
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• Doenças dermatológicas: um exemplo de doenças in� amatórias da pele, a psoríase, 
se bene� cia das propriedades terapêuticas do uso da vitamina B9 e B12, assim como 
a dermatite com o uso de alguns probióticos. Da mesma forma, a suplementação com 
gorduras poli-insaturadas, vitamina D e E, selênio, chá verde, resveratrol e licopeno 
atuam impedindo o desenvolvimento ou a progressão do melanoma. Também a vitamina 
E atua como antioxidante e antitumoral.
• Doenças gastrointestinais: alguns probióticos mostraram e� cácia no tratamento 
da intolerância à lactose e na prevenção da saúde bucal. Prebióticos como a lactulose 
possuem efeito no tratamento de sintomas associados à constipação crônica por atuarem 
como laxantes osmóticos. Podem ser usados também ácidos graxos para o tratamento da 
doença in� amatória intestinal e redução do estresse oxidativo no intestino. Da mesma 
forma, o EPA e DHA auxiliam na modulação do sistema imunológico e digestivo.
• Outras doenças: o uso de vários nutracêuticos, como o ácido fólico e o ômega-3, podem 
ser adjuvantes no tratamento de doenças neurodegenerativas e alterações psíquicas. Além 
disso, o ômega-3, o sulfato de condroitina e glucosamina mostram e� cácia no tratamento 
de doenças reumatológicas. O sulfato de condroitina atua diminuindo a concentração de 
citocinas pró-in� amatórias, e a glucosamina inibe a ação de proteases, que degradam o 
colágeno articular. 
2. NUTRACÊUTICOS COMUMENTE USADOS
Os nutracêuticos correspondem a diversas classes de componentes, que podem ser 
representados por uma única substância, por uma complexa mistura de substâncias extraídas 
de vegetais ou por produtos obtidos de novas fontes ou processos de produção. Existem diversas 
opções de classi� cação, de acordo com sua natureza química, mecanismo de ação e/ou sua 
origem. Podem ser conhecidos como agentes antioxidantes, reguladores do metabolismo lipídico, 
anti-in� amatórios, imunorreguladores, osteogênicos e com atividade antitumoral. A maioria dos 
estudos menciona três categorias principais de nutracêuticos: os nutrientes que correspondem 
às substâncias com funções nutricionais estabelecidas, como vitaminas, minerais, aminoácidos e 
ácidos graxos e ervas; produtos à base de plantas processadas ou na forma de extratos; suplementos 
dietéticos. Dentre eles, estão os elencados a seguir.
2.1 Ácidos Graxos Poli-Insaturados (Ômega-3 e Ômega-6) 
O ácido linoleico (ômega-3) e alfa-linolênico (ômega-6) são necessários ao organismo 
por atuarem mantendo as membranas celulares sob condições normais, assim como as funções 
cerebrais e a transmissão de impulsos nervosos. O ácido linoleico pode ser encontrado no óleo 
de soja, girassol, milho; o ácido linolênico, por sua vez, nos óleos de linhaça, canola e peixes. Eles 
também atuam prevenindo e tratando doenças cardiovasculares, hipertensão, in� amação em geral, 
asma, artrite, psoríase e vários tipos de câncer; estudos relatam que suplementar ômega-3 no pré-
operatório pode auxiliar no processo de cicatrização. O EPA e DHA são os principais bioativos 
do ômega-3, podendo prevenir doenças periodontais, melhorando a síndrome metabólica. Um 
equilíbrio entre o ômega-3 e ômega-6 é determinante para reduzir riscos de problemas cardíacos 
e doenças coronarianas (Figura 3). 
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Figura 3 - Estrutura química do ômega-3 e do ômega-6, respectivamente. Fonte: Martins, Silva e Glória (2010).
2.2 Aminoácidos e Peptídeos
O triptofano é um nutracêutico clássico que vem sendo empregado em diversas patologias. 
Pode contribuir para o crescimento celular, síntese proteica e para síntese do neurotransmissor 
serotonina (Figura 4). A serotonina ou 5-hidroxitriptamina (5-HTP) participa de uma ampla 
variedade de funções no sistema nervoso central, além de atuar no controle da ingestão alimentar 
e contribuir para perda de peso. A arginina, por sua vez, está muito relacionada com melhorias 
em respostas imunológicas. Sua suplementação está associada a uma melhor resposta imune 
das células, retardo do crescimento de tumores e menor formação de metástases. Também pode 
ser imunomodulador em pacientes que sofreram lesões, traumas cirúrgicos, desnutrição ou 
sepse. Outro aminoácido em destaque, a glutamina, atua como precursor da síntese proteica, 
sendo intermediário de várias vias metabólicas. Suplementar glutamina pode exercer inúmeros 
efeitos bené� cos, como, por exemplo: melhora na utilização de glicose mediada pela insulina, 
atuação como cardioprotetor, modulação da ativação de proteínas de estresse e choque térmico, 
contribuindo para aumento da capacidade da célula em sobreviver a alterações na sua homeostase. 
Figura 4 - Estrutura química do triptofano. Fonte: Martins, Silva e Glória (2010).
A semente de linhaça possui componentes que apresentam importantes ações 
biológicas, como o ômega-3 e as fi bras solúveis. Diversos estudos relacionam o 
efeito terapêutico da semente de linhaça com câncer de mama, próstata e cólon, 
diabetes, lúpus, perda óssea, doenças hepáticas, renais e cardiovasculares. 
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2.3 Betacaroteno
Corresponde a um pigmento natural encontrado nas plantas e vegetais, principalmente 
os que possuem coloração alaranjada e folhosos de cor verde escura (Figura 5). O betacaroteno é 
precursor da vitamina A e sua principal atividade antioxidante está relacionada à sua capacidade 
de neutralizar as espécies reativas de oxigênio e neutralizar radicais peroxil; dessa forma, é capaz 
de reduzir a oxidação de DNA e de lipídeos que estão associados a doenças degenerativas,como o 
câncer e doenças cardíacas. A vitamina A também está relacionada com o processo de formação 
da pele, unhas, cabelo, queratinização e potencial antienvelhecimento.
Figura 5 - Estrutura química do betacaroteno. Fonte: Rodriguez-Amaia (2008).
2.4 Cálcio
O cálcio é um nutriente essencial para diversas funções biológicas. Estudos demonstram 
seu consumo associado à saúde óssea, prevenção de câncer do cólon, melhora na hipertensão 
arterial e no tratamento da obesidade. Grande parte da população brasileira apresenta consumo 
de cálcio abaixo do recomendado. Fatores endógenos, como idade e estado hormonal, e fatores 
exógenos, como � tatos, oxaloacetatos, sódio, compostos bioativos e vitamina D, in� uenciam 
em sua absorção e biodisponibilidade. As principais fontes alimentares de cálcio incluem leite e 
derivados, verduras verde escuras como brócolis e couve. 
2.5 Fitoesteróis
Os � toesteróis são agentes com ação comprovada na redução do colesterol. Os esteróis 
vegetais vão bloquear a absorção do colesterol em nível intestinal, o que leva a uma maior 
eliminação de quantidade de colesterol pelo organismo (Figura 6).
Figura 6 - Esquema representativo de como os � toesteróis bloqueiam a absorção do colesterol. Fonte: Fernandes 
(2016).
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Estudos atuais têm demonstrado que os � toesteróis estão envolvidos na redução dos 
níveis plasmáticos de colesterol e LDL, prevenção de doenças cardíacas, assim como agentes 
preventivos de alguns tipos de câncer. Estão presentes em alimentos ricos em lipídios, nozes, 
amendoins, sementes de gergelim, legumes, frutas, grãos em geral e óleos vegetais (Figura 7). 
Figura 7 - Estrutura geral dos � toesteróis. Fonte: Breda (2010).
2.6 Queratina
A queratina é o principal � avonoide presente na dieta humana, representando um dos 
grupos fenólicos mais importantes e diversi� cados entre os produtos de origem natural. Pode 
ser encontrado em cebolas, maçãs, vinho tinto, brócolis, chás, entre outros. Possui alto potencial 
antioxidante, anticarcinogênico, protetores do sistema renal, cardiovascular e hepático. Além 
disso, é protetor contra as espécies reativas de oxigênio, neutralizando os radicais livres e o ânion 
superóxido, inibindo enzimas pró-oxidantes, como a xantina, NADPH-oxidase e lipogenases e 
atua prevenindo a morte celular. Com relação às suas contraindicações, a quercetina deve ser 
evitada por pacientes hipotensos e com transtornos de coagulação. 
2.7 Quitosana
Polissacarídeo mais abundante na natureza depois da celulose. Dentre suas propriedades 
biológicas estão sua atividade antimicrobiana, efeito coagulante, efeito analgésico, propriedades 
imunomoduladoras, anti-in� amatórias, assim como pode promover a redução dos níveis de 
colesterol e triglicerídeos e atuar redução de peso (Figura 8). 
Figura 8 - Estrutura da quitosana. Fonte: Silva (2010).
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2.8 Isoflavonas 
São compostos pertencentes ao grupo dos � avonoides, atuando como antioxidantes, 
anti-in� amatórios, antimicrobianos; são encontrados principalmente em produtos à base de 
soja, ervilha, lentilha, feijão e derivados de leguminosas. Estudos correlacionam seu uso contra 
os efeitos da menopausa, depressão, sintomas da síndrome do ovário policístico, melhora na 
resistência à insulina, estado hormonal, níveis de triglicerídeos, biomarcadores do estresse 
oxidativo, redução de doenças cardiovasculares e até efeitos neuroprotetores. 
2.9 Probióticos
São microrganismos vivos que podem ser considerados como suplementos na dieta 
afetando o desenvolvimento da � ora intestinal. Em um intestino adulto saudável, a micro� ora 
predominante se compõe de microrganismos promotores da saúde, em sua maioria pertencente 
aos gêneros Lactobacillus e Bi� dobacterium. O Quadro 1 relaciona as causas e os mecanismos dos 
efeitos bené� cos atribuídos aos probióticos.
Efeito benéfi co Possíveis causas e mecanismos
Melhor digestibilidade Degradação parcial das proteínas, lipídios e 
carboidratos.
Melhor valor nutritivo Níveis elevados das vitaminas do complexo 
B e de alguns aminoácidos essenciais como 
metionina, lisina e triptofano.
Melhor utilização da lactose Níveis reduzidos de lactose no produto e maior 
disponibilidade de lactase.
Ação antagônica contra agentes 
patogênicos entéricos
Distúrbios tais como diarreia, colites mucosa 
e ulcerosa, diverticulite e colite antibiótica são 
controlados pela acidez.
Inibidores microbianos e inibição da adesão e 
ativação de patógenos.
Colonização do intestino Sobrevivência ao ácido gástrico, resistência 
a lisozima e à tensão superfi cial do intestino, 
adesão ao epitélio intestinal, multiplicação no 
trato gastrointestinal, modulação imunitária.
Ação anticarcinogênica Conversão de potenciais pré-carcinogênicos em 
compostos menos perniciosos. 
Estimulação do sistema imunitário.
Ação hipocolesterolêmica Produção de inibidores da síntese do colesterol.
Utilização do colesterol por assimilação e 
precipitação como sais biliares desconjugados.
Modulação imunitária Melhor produção de macrófagos, estimulação 
da produção de células supressoras.
Quadro 1 - Possíveis causas e mecanismos dos efeitos dos probióticos. Fonte: Moraes (2007).
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2.10 Selênio
É um oligoelemento considerado essencial para o corpo humano devido à sua participação 
em importantes funções metabólicas como no sistema imunológico, metabolismo hormonal da 
tireoide, infertilidade masculina, neoplasias, doenças cardiovasculares e possui propriedades 
antioxidantes. A principal fonte de selênio pode ser encontrada nas plantas, cereais, produtos 
lácteos, carnes, peixes e castanhas. 
2.11 Zinco 
Mineral encontrado em carnes bovinas, peixes, aves, leite, queijos, frutos do mar, cereais 
de grãos integrais, gérmen de trigo, feijões, nozes, amêndoas, castanhas e semente de abóbora. 
Está envolvido em fatores de crescimento, metabolismo da vitamina A, participa na conversão de 
hormônios tireoidianos, participa de alguns circuitos neurais, auxilia na proliferação e maturação 
das células de defesa, antioxidante e pode ter efeito bené� co no tratamento da diabetes. 
2.12 Vitamina E 
Uma das principais vitaminas antioxidantes, conhecida como tocoferol, atua contra a 
peroxidação lipídica, assim como na redução do risco de doenças cardiovasculares, potencializa 
o sistema imune e modula condições degenerativas associadas ao envelhecimento. A Figura 9 
apresenta sua estrutura química. 
Figura 9 - Estrutura química dos tocoferóis. Fonte: Moraes (2007).
Uma revisão interessante sobre a ação dos prebióticos e probióticos 
pode ser encontrada no vídeo intitulado Fitoterapia - prebióticos e 
probióticos - parte um, disponível em: .
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2.13 Vitamina C 
Conhecida como ácido ascórbico, é uma vitamina vital para o funcionamento das células, 
particularmente no tecido conjuntivo, durante a formação do colágeno. Possui efeito protetor 
contra danos causados por exposições à radiação e medicamentos e proteção para evitar o 
desenvolvimento de tumores (Figura 10). 
Figura 10 - Estrutura da vitamina C. Fonte: Moraes (2007).
2.14 Fibras Dietéticas
São substâncias que não são fonte de energia, pois não são hidrolisadas pelo intestino 
humano e sofrem fermentação pelas bactérias. Encontradas nos vegetais como arroz, soja, trigo, 
aveia, feijão, ervilha; verduras como alface, brócolis, couve, couve-� or, repolho; raízes como 
cenoura e rabanete; e hortaliças como chuchu, vagem e pepino. Podem ser classi� cadas em 
dois grupospouco domínio cientí� co. 
Entre as � nalidades do uso de um medicamento, podem ser mencionadas as seguintes: 
• Preventiva: quando o medicamento atua prevenindo doenças, como, por exemplo, as 
vacinas; 
• Curativa: possui � nalidade de cura, pois a doença já acometeu algum órgão ou tecido do 
organismo; 
• Paliativa: objetiva a redução da dor ou de outros sintomas, seu uso é feito quando a 
doença já está instalada; 
• Diagnóstica: são medicamentos que avaliam as alterações de órgãos que possam causar 
alguma patologia. 
O corpo humano tenta impedir o acesso de moléculas estranhas; por essa razão, para 
alcançar seu alvo no interior do organismo e produzir um efeito terapêutico, a molécula do 
fármaco necessita atravessar algumas barreiras em seu caminho até o local de ação. Após a 
administração, o fármaco precisa ser absorvido e então distribuído, geralmente através do sistema 
circulatório e linfático; além de atravessar as barreiras das membranas, o fármaco precisa resistir 
ao metabolismo e à sua eliminação. 
Absorção, distribuição, metabolismo e eliminação dos fármacos são processos da 
farmacocinética (Figura 1). A compreensão desses processos e de suas relações e aplicações dos 
princípios da farmacocinética aumenta as chances de sucesso do tratamento e reduz a ocorrência 
de reações adversas aos fármacos. Por outro ângulo, a farmacodinâmica ocupa-se do estudo 
dos efeitos bioquímicos e � siológicos dos fármacos e seus mecanismos de ação. Os efeitos da 
maioria dos fármacos são atribuídos à sua interação com os componentes macromoleculares do 
organismo. 
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Figura 1 - Resumo das fases da farmacocinética. Fonte: Moura e Reyes (2002).
2. VIAS DE ADMINISTRAÇÃO DOS FÁRMACOS 
As principais vias de administração são: oral, injeção parenteral, absorção pulmonar, 
aplicação tópica (Figura 2). 
A ingestão oral é o método mais comumente utilizado para administrar os fármacos. 
É seguro, conveniente e econômico. Mas possui desvantagens como a absorção limitada de 
alguns fármacos em função de suas características, vômitos causados pela irritação da mucosa 
gastrointestinal, destruição de alguns fármacos pelas enzimas digestivas ou pelo pH gástrico 
baixo, irregularidades na absorção e/ou propulsão na presença de alimentos ou outros fármacos 
e necessita da colaboração do paciente. A absorção pelo trato gastrointestinal é determinada por 
fatores como área disponível à absorção, � uxo sanguíneo na superfície absortiva, estado físico 
(solução, suspensão ou preparação sólida) e hidrossolubilidade do fármaco e sua concentração 
no local de absorção. Dentro dessa classi� cação, está a administração sublingual, visto que a 
absorção pela mucosa oral tem importância especial para alguns fármacos, apesar do fato de a 
superfície disponível para a absorção ser pequena. Um fármaco administrado por via sublingual 
� ca protegido do metabolismo rápido do intestino e na primeira passagem pelo fígado. 
Outra via de administração, a injeção parenteral (não passa pelo trato gastrointestinal), 
é essencial à liberação de um fármaco em sua forma ativa. A biodisponibilidade é mais rápida, 
ampla e previsível e a dose e� caz pode ser administrada com mais precisão. No tratamento de 
emergência e quando o paciente está inconsciente, o tratamento parenteral é vantajoso. Mas possui 
suas desvantagens, como necessitar de muito cuidado com assepsia, as injeções causam dor e, em 
alguns casos, os pacientes têm di� culdade para aplicar injeções em si próprio. As principais vias 
de administração parenteral são intravenosa (IV), subcutânea (SC) e intramuscular (IM). 
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A absorção pulmonar corresponde à absorção de fármacos gasosos e voláteis através 
do epitélio pulmonar e das mucosas do trato respiratório. Como vantagens, tem-se o acesso à 
circulação com mais rapidez, visto que a superfície pulmonar é grande. Além disso, a absorção 
praticamente instantânea de um fármaco para a corrente sanguínea evita a perda pela primeira 
passagem hepática. 
A aplicação tópica, por sua vez, está subdividida em mucosas, olhos e pele. Alguns 
fármacos são aplicados nas mucosas da conjuntiva, nasofaringe, orofaringe, vagina, colo, uretra 
e bexiga. Em geral, a absorção desses locais é excelente e vantajosa. Os fármacos o� álmicos de 
aplicação tópica são usados principalmente por seus efeitos locais. A absorção dos fármacos que 
conseguem penetrar na pele depende da área de superfície sobre a qual são aplicados e de sua 
lipossolubilidade. 
Por � m, a administração retal pode ser utilizada, visto que cerca de 50% do fármaco que 
são absorvidos pelo reto não passam pelo fígado e, assim, o metabolismo da primeira passagem 
é menor. Entretanto, a absorção retal pode ser irregular e incompleta e alguns fármacos podem 
causar irritação da mucosa retal. 
Figura 2 - Principais vias usadas na administração dos fármacos. Fonte: Clark (2013).
3. FARMACOCINÉTICA
A farmacocinética de um fármaco acontece por sua passagem através de várias membranas 
celulares. Os mecanismos pelos quais os fármacos atravessam as membranas e as propriedades 
físico-químicas das moléculas e das membranas que in� uenciam essa transferência são essenciais 
para compreender a metabolização dos fármacos no organismo humano. As características de 
um fármaco que in� uenciam seu transporte e sua disponibilidade são: o peso molecular e a 
conformação estrutural, o grau de ionização e a lipossolubilidade dos seus compostos ionizados, 
que se ligam às proteínas séricas e teciduais. Apesar de as barreiras físicas à passagem de um 
fármaco serem constituídas de uma camada única de células ou várias camadas de células e suas 
proteínas extracelulares associadas, a membrana plasmática é a barreira principal. 
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A membrana plasmática é composta por uma bicamada lipídica an� pática, com suas 
cadeias de ácidos graxos voltadas para o interior, de modo a formar uma fase hidrofóbica, enquanto 
sua região hidrofílica é orientada para o exterior. Ligadas a ela estão proteínas, que funcionam 
como âncoras estruturais, receptores, canais iônicos ou transportadores para a transdução dos 
sinais elétricos ou químicos, atuando como alvos seletivos para a ação dos fármacos. 
Dependendo das propriedades químicas, os fármacos podem ser absorvidos do trato 
gastrointestinal por difusão passiva, difusão facilitada, transporte ativo ou por endocitose. 
A difusão passiva é predominante no transporte da maioria dos fármacos, podendo ser 
dividida em transporte ativo e difusão facilitada. No transporte passivo, a molécula do fármaco 
geralmente penetra por difusão seguindo um gradiente de concentração devido à solubilidade 
na camada lipídica. Em um estado de equilíbrio, a concentração do fármaco livre é igual nos 
dois lados da membrana. Para os compostos iônicos, as concentrações no estado de equilíbrio 
dependem do gradiente eletroquímico dos íons e das diferenças de pH através da membrana. 
Alguns fármacos são ácidos ou bases fracas, visto que no estado de equilíbrio, um fármaco ácido 
se acumula no lado mais básico da membrana, enquanto um fármaco básico concentra-se no 
lado mais ácido da membrana. Esse fenômeno é chamado de retenção iônica, processo muito 
importante que pode produzir efeitos terapêuticos positivos. 
As proteínas da membrana plasmática � cam responsáveis pelo transporte transmembrana 
e pelo transporte dos fármacos em geral. Esse transporte pode ser classi� cado como difusão 
facilitada ou transporte ativo.
A difusão facilitada é um mecanismo de transporte mediado por carreador, no qual 
a força motriz é o gradiente eletroquímico do soluto transportado. Esses carreadoresde � bras. Um deles são os polissacarídeos estruturais, relacionados à estrutura da 
parede celular e que incluem a celulose, as hemiceluloses, pectinas, gomas e mucilagens. Outra 
classi� cação possível diferencia as � bras em solúveis e insolúveis. As � bras solúveis são as pectinas 
e hemiceluloses. Estas tendem a formar géis em contato com água, aumentando a viscosidade dos 
alimentos parcialmente digeridos no estômago. As � bras solúveis diminuem a absorção de ácidos 
biliares e têm atividades hipocolesterolêmicas. 
Quanto ao metabolismo lipídico, parecem diminuir os níveis de triglicerídeos, colesterol 
e reduzir a insulinemia. Uma característica fundamental da � bra solúvel é sua capacidade para 
ser metabolizada por bactérias, com a conseguinte produção de gases. Os prebióticos, por sua 
vez, são oligossacarídeos não digeríveis, cuja função é modular a � ora intestinal, promovendo 
a saúde do hospedeiro. As � bras dietéticas e os oligossacarídeos não digeríveis constituem seu 
substrato para crescimento. Para ser de� nido como um prebiótico, deve cumprir os seguintes 
requisitos: ser de origem vegetal, não ser digerido pelas enzimas digestivas, ser fermentado por 
uma colônia de bactérias e osmoticamente ativo. Entre seus efeitos bené� cos, estão: a modulação 
de funções � siológicas, como a absorção de cálcio, metabolismo lipídico, modulação da � ora 
intestinal e redução do risco de câncer do cólon. 
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3. INTERAÇÕES, EFEITOS ADVERSOS E SEGURANÇA NO CONSUMO 
DOS NUTRACÊUTICOS 
Os nutracêuticos possuem múltiplos componentes farmacológicos ativos, sendo possível 
ocorrer interações com vários outros compostos, inclusive com medicações prescritas para 
tratamentos farmacológicos. Os medicamentos frequentemente prescritos que podem ser alvo 
de possíveis interações com os nutracêuticos são os antitrombóticos, sedativos, antidepressivos, 
antidiabéticos e agentes quimioterápicos. 
O acesso a esses produtos está cada vez mais fácil, podendo ser adquiridos sem receita 
médica, e quando vendidos sob formas farmacêuticas, como xaropes, cápsulas ou comprimidos, 
geram grande con� ança por parte dos consumidores. Para ocorrer sua comercialização, basta 
declarar, no rótulo do produto, uma descrição simples dos principais componentes, sem 
necessidade de veri� car outras propriedades, riscos e componentes adicionais. A sociedade, 
atualmente, tem como base de con� ança a aprovação ou desaprovação de decretos oriundos da 
ANVISA ou da FDA (Food and Drug Administration). 
Apesar dos benefícios apontados, o uso dos nutracêuticos demanda cautela, em vista 
de possíveis efeitos adversos e toxicidade durante seu uso. Isso pode ter relação com a dose, 
característica do indivíduo e até mesmo qualidade do produto. No Quadro 2, encontramos alguns 
possíveis riscos relacionados ao uso de determinados nutracêuticos.
Nutracêutico Risco
Ômega-3 (EPA, DHA) Oxidação do ômega-3 pode causar intolerância e/ou 
toxicidade. Consumo de peixe ou óleo contaminados 
com agentes tóxicos ambientais (ex. metais pesados, 
bifenilos policlorados) pode causar toxicidade e 
danos à saúde.
Carotenoides
Licopeno
Em altas doses, pode ter efeito pró-oxidante podendo 
ocasionar danos ao DNA celular e mitocondrial.
Fitoesteróis Reabsorção elevada dos fi toesteróis pode causar 
toxicidade.
Quitosana Uso prolongado pode induzir a formação de cristais 
de oxalato de cálcio, podendo comprometer a função 
renal.
Psyllium (Plantago) Flatulência, pode reduzir a absorção de 
medicamentos, efeito sinérgico com 
hipoglicemiantes, não deve ser utilizado em 
pacientes com estenoses.
Prebióticos Uso excessivo pode causar diarreia, fl atulência, 
cólicas, inchaço e distensão abdominal.
Probióticos É necessária cautela na seleção das cepas 
bacterianas a serem utilizadas como probióticos, 
uma vez que estas podem conter plasmídeos de 
resistência a antibióticos.
Vitamina A (retinol) Pode apresentar toxicidade, em altas doses, 
má formação congênita e doenças ósseas em 
portadores de doença renal crônica.
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Vitamina B9 (ácido fólico) O uso concomitante com anticonvulsionantes pode 
reduzir o efeito do fármaco aumentando o risco de 
convulsões.
Vitamina B12 (cianocobalamina) Doses elevadas podem ser relacionadas a gota, 
prurido e diarreia.
Vitamina C (ácido ascórbico) Altas doses podem causar a formação de cálculos 
renais, podem provocar hemorragia durante 
a gestação e quando associadas a fármacos 
anticoagulantes.
Vitamina E (tocoferol) Doses elevadas durante a gestação podem aumentar 
o risco de problemas cardíacos congênitos no feto; 
suplementação não reduz riscos decorrentes da pré-
eclâmpsia.
Cálcio associado à vitamina D3 (colecalciferol) O consumo excessivo de cálcio
(acima das doses recomendadas) pode causar 
toxicidade com aumento no risco de calcifi cação 
vascular. A vitamina D3 pode provocar dores de 
cabeça, irritabilidade, gosto metálico, calcinose 
vascular, nefrocalcinose,
hipercalciúria, insufi ciência renal, pancreatite, 
desidratação, náuseas e vômitos.
Zinco Altas doses podem estar relacionadas à anemia e 
distúrbios no sistema nervoso.
Selênio Uso prolongado pode aumentar o risco de fadiga 
muscular, colapso vascular periférico, congestão 
vascular interna.
Quadro 2 - Risco do uso de diferentes nutracêuticos. Fonte: Adaptado de Gomes, Magnus e Souza (2017).
4. DIFERENÇAS ENTRE ALIMENTOS FUNCIONAIS E OS 
NUTRACÊUTICOS
O uso dos alimentos funcionais começou quando as indústrias passaram a enriquecer 
alimentos com ingredientes especí� cos, diferenciando-os com relação aos benefícios oferecidos à 
saúde, quando comparados aos alimentos tradicionais. O fato de não possuir uma legislação que 
o padronizasse mundialmente levou ao surgimento de várias denominações, como nutracêuticos 
e alimentos medicinais. 
Assim, os alimentos funcionais podem ser considerados como qualquer substância ou 
componente de um alimento que proporcione benefícios para a saúde, inclusive para a prevenção 
e tratamento de doenças. Dentre eles, estão: produtos de biotecnologia, suplementos dietéticos, 
alimentos geneticamente modi� cados, processados e derivados de plantas, assim como frutas, 
hortaliças, grãos, alimentos forti� cados e alguns suplementos alimentares. Os alimentos 
funcionais apresentam as seguintes características:
Nutracêutico Risco
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• São alimentos usualmente consumidos na dieta;
• São compostos por substâncias naturais;
• Possuem efeitos positivos, além do valor básico nutritivo, que pode trazer benefícios à 
saúde, reduzir o risco de ocorrência de doenças e aumentar a qualidade de vida;
• Suas propriedades funcionais são comprovadas cienti� camente.
As hortaliças e frutas, além de apresentarem substâncias que estão relacionadas aos efeitos 
metabólicos ou � siológicos do organismo humano, possuem atividade antioxidante protegendo 
o organismo contra o desenvolvimento de câncer, in� amações e outras doenças crônicas. Seus 
pigmentos naturais, gerados a partir do metabolismo secundário dos vegetais, apresentam 
importantes propriedades biológicas. Dentre os metabólitos secundários mais estudados, estão 
os � avonoides, que se destacam pela sua alta atividade antioxidante e anti-in� amatória. 
Os alimentos funcionais podem ser classi� cados de duas formas: quanto à fonte de 
origem vegetal ou animal e quanto aos benefícios que oferecem. Os nutracêuticos, por sua vez, 
são alimentos ou parte de alimentos que proporcionam benefícios à saúde, incluindo prevenção 
e/ou tratamento da doença. Portanto, os nutracêuticos são signi� cativamente diferentes dos 
funcionais pelas seguintes razões:
• Enquanto a prevenção e otratamento de doenças são relevantes aos nutracêuticos, apenas 
a redução do risco da doença, e não a prevenção e o tratamento da doença, está envolvida 
com os alimentos funcionais;
• Enquanto os nutracêuticos incluem suplementos dietéticos e outros tipos de alimentos, 
os alimentos funcionais devem estar na forma de um alimento comum. 
Logo, os conceitos de nutracêuticos, suplemento alimentar e alimento funcional 
estão separados por barreiras que, muitas vezes, são transponíveis. A Figura 11 representa a 
permeabilidade às fronteiras dos nutracêuticos. 
Figura 11 - Representação esquemática das fronteiras existentes no universo dos nutracêuticos. Fonte: Fernandes 
(2016).
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A de� nição de alimentos é, muitas vezes, sobreponível com a dos nutracêuticos ou dos 
suplementos alimentares. Não existe e provavelmente nunca existirá uma de� nição única e 
universal para alimentos funcionais. O termo “nutracêutico” abrange os suplementos alimentares 
e os alimentos funcionais, quando usados sob uma forma não alimentar, tornam-se nutracêuticos 
(Figura 12). 
Figura 12 - Representação esquemática da relação da fronteira do alimento funcional x nutracêutico. Fonte: Fer-
nandes (2016).
Questões sobre hábitos alimentares e sua relação com a prevenção e/ou trata-
mento de doenças vêm sendo pauta de muitas discussões, gerando cada vez 
mais autorrefl exões no sentido de corrigir possíveis erros alimentares. Para tanto, 
tem-se como aliado o uso dos alimentos funcionais e nutracêuticos, ambos em 
ascensão no mercado de alimentos. Estes, além de suas qualidades nutricionais, 
estão relacionados com a prevenção e/ou auxiliar no tratamento de doenças. 
Embora muito se fale a esse respeito, boa parte da população não possui conhe-
cimento do que seja um nutracêutico, por exemplo, relacionando-o com alimentos 
saudáveis. Os meios de comunicação são, muitas vezes, a porta de entrada para 
tais informações, permitindo a propagação de conteúdos que, muitas vezes, in-
fl uenciam a vida da população. Embora muito se estude sobre o tema, existe uma 
vasta gama de conteúdos que apenas a população envolvida no meio científi co 
acessa, enquanto boa parte da população é fascinada pelos conteúdos midiáticos 
para o consumo de muitos alimentos que, muitas vezes, nada somam em termos 
de qualidade nutricional. Sendo assim, torna-se necessário propagar, de maneira 
mais efi caz e acessível, as pesquisas científi cas realizadas, para que sejam expos-
tas para a população em geral, acarretando benefícios tanto para o uso efi caz de 
um composto quanto para o desenvolvimento do senso crítico dos consumidores. 
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CONSIDERAÇÕES FINAIS
A presença frequente de efeitos adversos associados às terapias farmacológicas 
convencionais e a falta de respostas terapêuticas e� cazes levaram à necessidade de novas pesquisas 
para determinar diferentes alternativas para a prevenção e o tratamento de doenças crônicas 
não transmissíveis, visto que encontrar alimentos que in� uenciam esse processo pode ser um 
caminho para reduzir a prevalência de doenças. Atualmente, muitas pesquisas relacionadas a 
alimentos funcionais, suplementos dietéticos e nutracêuticos estão sendo desenvolvidas, e a 
comunidade cientí� ca tem buscado cada vez mais informações sobre essas substâncias. O termo 
“nutracêutico” de� ne uma variedade de alimentos e componentes alimentícios, compostos por 
minerais e vitaminas essenciais, podendo agir protegendo contra diversas doenças infecciosas. 
Englobam os nutrientes isolados, suplementos dietéticos, alimentos funcionais, produtos herbais 
e alimentos processados, como cereais, sopas e bebidas. São classi� cados como � bras dietéticas, 
ácidos graxos poli-insaturados, proteínas, peptídeos, aminoácidos, minerais, vitaminas, 
antioxidantes, entre outros. 
Os alimentos funcionais, por sua vez, podem ser considerados como qualquer substância 
ou componente de um alimento que proporcione benefícios para a saúde, inclusive para a 
prevenção e o tratamento de doenças. Dentre eles, estão: produtos de biotecnologia, suplementos 
dietéticos, alimentos geneticamente modi� cados, processados e derivados de plantas, assim como 
frutas, hortaliças, grãos, alimentos forti� cados e alguns suplementos alimentares. A prevenção 
e o tratamento com nutracêuticos podem ser considerados um poderoso instrumento para 
manutenção da saúde e contra doenças crônicas, por meio da promoção da longevidade e melhora 
da qualidade de vida. De fato, os nutracêuticos podem ser uma alternativa para o tratamento 
e gerenciamento da saúde. A gama de produtos e suas diversas formas de comercialização 
permitem que os nutracêuticos sejam cada vez mais visíveis pela comunidade. A manufatura e 
venda desses produtos possuem pouca supervisão, com grande acessibilidade para sua aquisição, 
não necessitando de prescrição, acarretando inúmeros casos de automedicações. 
Observa-se que boa parte da população está substituindo a terapêutica farmacológica 
pela terapia alternativa com os nutracêuticos, aliados no tratamento de doenças cardiovasculares, 
dermatológicas, gastrointestinais, degenerativas, entre outras. Atuando como tais, estão: ômega-3, 
ômega-6, triptofano, arginina, glutamina, betacaroteno, cálcio, � toesteróis, queratina, quitosana, 
iso� avonas, prebióticos e probióticos, selênio, zinco, vitamina E, vitamina C, � bras e mais uma 
gama de compostos. 
Entretanto, os nutracêuticos possuem múltiplos componentes farmacológicos ativos, 
sendo possível ocorrer interações com vários outros compostos, inclusive com medicações 
prescritas para tratamentos farmacológicos. Os medicamentos frequentemente prescritos que 
podem ser alvo de possíveis interações com os nutracêuticos são os antitrombóticos, sedativos, 
antidepressivos, antidiabéticos e agentes quimioterápicos. É preciso que os pro� ssionais da saúde 
trabalhem de forma ativa na farmacovigilância desses produtos, visando a diminuir e/ou evitar 
potenciais danos à saúde. 
Portanto, o conhecimento atual dos efeitos bené� cos dos nutracêuticos, sem dúvida, terão 
um impacto sobre a terapia nutricional, sendo um grande aliado das ações de saúde pública para 
a prevenção e o tratamento, visando à manutenção da saúde, e contra doenças agudas e crônicas, 
promovendo ótima saúde, longevidade e qualidade de vida.
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ENSINO A DISTÂNCIA
REFERÊNCIAS
BRASIL. Lei nº 5772, de 21 de dezembro de 1971. Institui o Código da Propriedade Industrial 
e dá outras providências. Brasília, DF: Presidência da República, [1971]. Disponível em: http://
www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L5772.htm. Acesso em: 14 jul. 2020.
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SILVA, P. Farmacologia. 8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2010.podem 
facilitar o transporte do soluto para dentro ou para fora das células, dependendo da direção do 
gradiente eletroquímico.
O transporte ativo caracteriza-se pelos seguintes elementos: necessidade direta de 
energia, possibilidade de transportar solutos contra um gradiente eletroquímico, saturalidade, 
seletividade e inibição competitiva de compostos cotransportados.
Por � m, a endocitose ou exocitose são responsáveis por transportar grandes fármacos 
através da membrana celular. Na endocitose, as moléculas são englobadas pela membrana e 
transportadas para o interior da célula pela compressão da vesícula cheia de fármaco. A exocitose 
é o inverso da endocitose, e é usada pelas células para secretar várias substâncias por um processo 
similar ao da formação das vesículas. 
Figura 3 - Exemplos das formas por meio das quais os fármacos atravessam as membranas e barreiras celulares. 
Figura A corresponde aos transportes passivo e ativo e Figura B, à endocitose. Fonte: Clark (2013).
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Determinados fatores são importantes para a farmacocinética de um fármaco, alguns 
estão relacionados ao paciente e outros às suas propriedades químicas. Conhecer os princípios 
farmacológicos ajuda os pro� ssionais da saúde a ajustar a posologia com precisão. 
3.1 Absorção e Biodisponibilidade
A absorção pode ser de� nida como a passagem de um fármaco do seu local de 
administração para o sistema circulatório. No caso das preparações sólidas, a absorção depende 
inicialmente da dissolução do comprimido ou da cápsula, que então libera o fármaco. Alguns 
fatores in� uenciam a absorção, como o efeito do pH na absorção dos fármacos, � uxo de sangue 
no local de absorção, área de superfície disponível para absorção e tempo de contato com a 
superfície de absorção. 
A biodisponibilidade, por sua vez, descreve o percentual co m que a dose de um fármaco 
administrado alcança seu local de ação ou um � uido biológico. Ou seja, a biodisponibilidade 
indica a fração de uma dose oral que chega à circulação sistêmica na forma de fármaco intacto, 
considerando tanto a absorção como a degradação metabólica local. Para passar da luz do intestino 
delgado para a circulação sistêmica, um fármaco, além de penetrar na mucosa intestinal, precisa 
passar por várias enzimas que podem inativá-lo. A biodisponibilidade está ligada a fatores como: 
modi� cações na motilidade intestinal, na atividade enzimática da parede intestinal e do fígado e 
no pH gástrico. Se a capacidade metabólica ou excretora do fígado e do intestino for grande para 
o fármaco, a biodisponibilidade será reduzida signi� cativamente.
3.2 Distribuição dos Fármacos
Com a absorção ou administração sistêmica na corrente sanguínea, o fármaco é distribuído 
aos líquidos intersticial e intracelular dependentes de suas propriedades físico-químicas, da taxa 
de liberação do fármaco a cada um dos órgãos e compartimentos e das capacidades de interação 
diferentes de cada região com o fármaco. O fígado, os rins, o encéfalo e outros órgãos bem 
perfundidos recebem a maior parte do fármaco; a liberação aos músculos, à maioria dos órgãos 
internos, à pele e à gordura é mais lenta. A segunda fase envolve uma grande fração de massa 
corporal, como os músculos. Dessa forma, a distribuição tecidual é determinada pela partição do 
fármaco entre o sangue e os tecidos. 
Com relação às interações entre fármaco e receptor, pode ocorrer interação entre 
antimicrobianos e contraceptivos orais, a partir de mecanismos opostos. Quando 
o anticoncepcional é ingerido, o estrogênio e a progesterona são prontamente ab-
sorvidos pelo trato gastrointestinal para a corrente sanguínea, sendo conduzidos 
até o fígado onde são metabolizados. Esses metabólitos são excretados na bile, 
uma parte é hidrolisada pelas enzimas das bactérias intestinais, liberando estró-
geno ativo, que é reabsorvido, aumentando o nível plasmático de estrógeno circu-
lante. O uso de antibióticos destrói as bactérias da fl ora intestinal, responsáveis 
pela hidrólise dos conjugados estrogênicos; assim, ocorre diminuição dos níveis 
plasmáticos de estrógeno ativo. Estudos mostram a importância da recirculação 
enterro-hepática, demonstrando que diversos antimicrobianos causam uma que-
da signifi cativa nas concentrações plasmáticas estrogênicas. 
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3.3 Excreção dos Fármacos
A eliminação dos fármacos requer que a substância seja su� cientemente polar para que a 
excreção seja e� ciente. São eliminados do corpo em sua forma inalterada ou como metabólitos. 
Com exceção dos pulmões, os órgãos excretores eliminam com mais facilidade os compostos 
polares que as substâncias altamente lipossolúveis. Por isso, fármacos lipossolúveis não são 
facilmente eliminados até que sejam metabolizados em compostos mais polares. O rim é o órgão 
mais importante para a excreção dos fármacos e de seus metabólitos. 
A excreção dos fármacos na urina consiste em três processos: a � ltração glomerular, 
secreção tubular ativa e reabsorção tubular passiva. Por outro lado, outras vias de depuração 
de fármacos incluem o intestino, a bile, os pulmões e o leite materno. As fezes estão envolvidas 
com a eliminação dos fármacos ingeridos por via oral e não absorvidos, ou fármacos que foram 
secretados diretamente no intestino ou na bile no trato gastrointestinal; a maioria dos compostos 
não é reabsorvida e é eliminada com as fezes. Os pulmões estão envolvidos primariamente na 
eliminação dos gases anestésicos. A eliminação de fármacos no leite materno pode causar efeitos 
indesejados ao lactente.
A exposição das gestantes ao uso do álcool e de outras drogas é um grande pro-
blema de saúde pública. O uso de drogas ilícitas, como anfetaminas, cocaína e 
nicotina, pode ser transferido, a partir dos transportadores de nutrientes presentes 
na membrana plasmática, favorecendo uma competição pelo sítio de absorção, 
o que reduz a distribuição de nutrientes para o feto e contribui para o défi cit de 
crescimento. Também o uso de drogas na gestação provoca danos para à saúde 
do recém-nascido, tais como: má formação congênita, desconforto respiratório, 
infecção neonatal, baixo peso, icterícia, edema agudo de pulmão, sífi lis congênita 
e sofrimento fetal. 
Grande parte das medicações possui advertências quanto ao seu uso durante a 
gestação e/ou amamentação. Sendo assim, pensando no consumo de medica-
mentos pelas gestantes ou lactantes e a base teórica discutida sobre a excreção 
dos fármacos, sugere-se a leitura do seguinte artigo: 
RAMINELLI, M; HAHN, SR. Medicamentos na amamentação: quais as evidências? 
Ciências & Saúde Coletiva, São José dos Campos, v. 24, n. 2, p. 573- 587, 2019.
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4. FARMACODINÂMICA
A farmacodinâmica é responsável por estudar os efeitos � siológicos e bioquímicos dos 
fármacos e seus mecanismos de ação, relacionando a concentração do fármaco administrada e os 
efeitos correspondentes. Os fármacos atuam como sinais e seus receptores atuam como detectores 
de sinais. Os efeitos da maioria dos fármacos são atribuídos à sua interação com os componentes 
macromoleculares do organismo. Os receptores ou alvos de um fármaco são macromoléculas 
ou o complexo macromolecular da célula com o qual o fármaco interage desencadeando 
uma resposta celular ou sistêmica. Os receptores dos fármacos normalmente se localizam nas 
superfícies das células, mas também podem estar nos compartimentos intracelulares especí� cos 
ou no compartimento extracelular. Alguns fármacos também interagem com receptores, como, 
por exemplo, a albumina sérica, que são compostos que não causam diretamente qualquer reação 
bioquímica ou � siológica, mas podem alterar a farmacocinéticadas reações de um fármaco.
Figura 4 - A resposta biológica se inicia com o reconhecimento de um fármaco pelo receptor. Fonte: Clark (2013).
Os receptores são responsáveis pelos efeitos clínicos de alguns fármacos, visto que a 
a� nidade de um fármaco por um receptor e a sua atividade intrínseca são determinadas por sua 
estrutura química. Pequenas modi� cações da molécula do fármaco podem provocar alterações 
signi� cativas em suas propriedades farmacológicas em decorrência da alteração da a� nidade 
por um ou mais receptores. Os receptores das moléculas reguladoras � siológicas podem ser 
classi� cados em famílias funcionais, que têm em comum estruturas moleculares e mecanismos 
bioquímicos. 
• Receptores acoplados à proteína G: constituem uma grande família de receptores 
transmembrana. São reguladores da atividade neural do sistema nervoso central e em 
razão de sua quantidade e de sua importância � siológica, esses receptores são usados 
como alvos de muitos fármacos. 
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• Canais iônicos: alterações no � uxo de íons através da membrana plasmática são reações 
reguladoras fundamentais às células. Com o objetivo de estabelecer os gradientes 
eletroquímicos necessários à manutenção do potencial de membrana, todas as células 
expressam transportadores iônicos para Na+, K+, Ca2+ e Cl-. Os � uxos iônicos gerados 
pelos gradientes eletroquímicos das células são regulados por uma família numerosa de 
canais iônicos localizados na membrana.
• Receptores ligados a enzimas: são receptores de membrana plasmática com domínios 
intracelulares que estão associados com uma enzima. Em alguns casos, o domínio 
intracelular do receptor na verdade é uma enzima que catalisa a reação. Outros receptores 
ligados à enzima têm um domínio intracelular que interage com uma enzima. 
• Receptores hormonais nucleares: são proteínas solúveis localizadas no citoplasma ou 
no núcleo celular. O hormônio que passa através da membrana plasmática, normalmente 
por difusão passiva, alcança o receptor e inicia uma cascata de sinais. 
A teoria de ocupação dos receptores mostra que a resposta a um fármaco pode ser 
originada por receptor ocupado por ele. O agonista é de� nido como o fármaco que pode se 
ligar ao receptor e provocar um efeito biológico. Um agonista, em geral, simula a ação de um 
ligante endógeno original no seu receptor. A intensidade do efeito depende da concentração do 
fármaco no local do receptor que, por sua vez, é determinada pela dose do fármaco administrada 
e por fatores característicos, como velocidade de absorção, distribuição e biotransformação. Os 
antagonistas, por sua vez, são fármacos que diminuem ou se opõem à ação de outros fármacos ou 
ligante endógeno. Um antagonista não tem efeito na ausência de um agonista. 
De modo geral, a interação entre o fármaco e seus receptores caracteriza-se por uma 
ligação do fármaco ao receptor e a geração da resposta em um sistema biológico. A resposta 
à mesma concentração de um único fármaco pode variar individualmente e um determinado 
indivíduo pode apresentar respostas diferentes à mesma concentração do fármaco. Isso pode 
ocorrer em consequência de uma doença, envelhecimento ou administração anterior do fármaco. 
A correlação entre os níveis dos fármacos e sua e� cácia e toxicidade devem ser 
interpretadas no contexto da variabilidade farmacodinâmica populacional. A variabilidade da 
resposta farmacodinâmica da população pode ser analisada por uma curva de concentração- 
efeito. A relação dose-resposta mostra a in� uência da intensidade da dose na proporção da 
população que responde a essa dose. Essas respostas são conhecidas como respostas quantais, 
pois para cada indivíduo, o efeito pode se desenvolver ou não. A dose do fármaco necessária 
para produzir determinado efeito em 50% da população é a dose e� caz média (DE50 ou CE50), 
e a dose média letal (DL50 ou CL50) é determinada em pesquisas com animais de laboratório. A 
razão DL50/DE50 corresponde ao índice terapêutico, um termo que re� ete o grau de seletividade 
do fármaco para produzir seus efeitos desejados versus seus efeitos adversos/ tóxicos. Ou seja, é a 
mensuração da segurança do fármaco, pois um valor elevado indica uma grande margem entre as 
doses que são efetivas e as que são tóxicas. Na Figura 5, a DE50 dos fármacos A e B estão indicadas. 
O fármaco A é mais potente do que o B porque menor quantidade de fármaco A é necessária para 
obter 50% do efeito. 
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Figura 5 - No grá� co A, temos o efeito da dose na intensidade da resposta farmacológica. Fonte: Clark (2013).
A janela terapêutica, por sua vez, corresponde à faixa de concentrações do fármaco em um 
estado de equilíbrio que alcança e� cácia terapêutica com efeitos tóxicos mínimos. Logo, a dose de 
um fármaco necessária para produzir efeitos tóxicos pode ser comparada com a dose necessária 
para gerar efeitos terapêuticos na população, determinando o índice terapêutico clínico. A dose 
do fármaco necessária para produzir um efeito terapêutico na maioria da população geralmente 
se superpõe à concentração necessária para causar efeitos tóxicos em parte da população, mesmo 
que o índice terapêutico do fármaco em determinado indivíduo seja amplo. Sendo assim, a janela 
terapêutica expressa uma faixa de concentrações nas quais a probabilidade de e� cácia é alta e 
a probabilidade de efeitos adversos é baixa. Um exemplo prático de janela terapêutica está na 
Figura 6, mostrando as respostas à varfarina, um anticoagulante oral com índice terapêutico 
pequeno, e a penicilina, um fármaco antimicrobiano com amplo índice terapêutico. 
Figura 6 - Exemplo da janela terapêutica da varfarina e penicilina. Fonte: Clark (2013).
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5. TOXICIDADE DOS FÁRMACOS
A farmacologia se relaciona com a toxicologia quando a resposta � siológica ao fármaco é 
um efeito adverso. A toxicologia procura caracterizar os potenciais efeitos adversos e as relações 
dosagem - resposta das substâncias químicas estranhas. O termo “toxicidade” é de� nido como 
a capacidade inerente de uma substância em causar prejuízos. O fármaco original ou seus 
metabólitos podem interagir com as macromoléculas, causando efeito tóxico. 
As substâncias químicas podem entrar em contato com a pele e/ou serem absorvidas 
após ingestão ou inalação. Elas são distribuídas a vários órgãos, podendo ser biotransformadas a 
produtos que são mais ou menos tóxicos. A Figura 7 ilustra como isso pode acontecer. 
Figura 7 - Exemplo de como se dá a exposição, absorção, distribuição e o mecanismo de ação das toxinas. Fonte: 
Clark (2013).
Várias substâncias químicas produzem efeitos tóxicos interferindo com a função de vias 
e/ou macromoléculas bioquímicas especí� cas no interior do tecido. São exemplos de algumas 
toxinas:
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• Hidrocarbonetos halogenados: por suas características lipossolúveis, podem atravessar 
a barreira hematoencefálica, podendo causar danos ao SNC.
• Hidrocarbonetos aromáticos: grandes exposições podem causar depressão do SNC e 
arritmias cardíacas.
• Álcoois: o metanol e isopranolol podem causar sedação.
• Pesticidas: podem ser tóxicos por inibirem a acetilcolinesterase, causar perda de 
coordenação, tremores, convulsões e sensações de queimação e prurido.
• Metais pesados: o chumbo, mercúrio e cádmio exercem efeitos tóxicos ligando-se a 
certos tipos de grupos funcionais em macromoléculas no organismo, necessitando de 
tratamento com fármacos quelantes.
• Gases e partículas inaladas: algumas substâncias que usam a via aérea podem ser 
absorvidasrapidamente e distribuídas a outros tecidos. Podem � car alojados nos alvéolos 
e exercer toxicidade local grave sem serem absorvidos para corrente sanguínea. 
Em suma, algumas drogas podem causar alguns efeitos adversos, como tremores 
musculares, espasmos da musculatura estriada, efeito sobre os re� exos, sobre a respiração, 
movimentos cardíacos, pupila, entre outros, devem ser observados para a compreensão do 
mecanismo de ação de uma droga. É considerada tóxica qualquer substância, incluindo qualquer 
fármaco, que tem a capacidade de prejudicar um organismo vivo. Já a intoxicação implica 
geralmente aquele efeito � siológico prejudicial que resulta da exposição a medicamentos, drogas 
ilícitas ou substâncias químicas. 
Um fármaco geralmente produz vários efeitos, mas apenas um é almejado como objetivo 
do tratamento; a maioria dos outros efeitos é indesejável para tal indicação terapêutica. Os efeitos 
colaterais em geral são incômodos, mas não prejudiciais. Outros efeitos indesejados podem ser 
caracterizados como efeitos tóxicos.
A incidência de intoxicações e envenenamentos relacionados ao uso incorreto 
dos fármacos durante um tratamento tem sido um grande problema de saúde 
pública. Muitas vezes, é ocasionado por uma polimedicação ou até automedica-
ção por parte do paciente. Torna-se necessário investir em ações para levar até o 
paciente informações sobre os cuidados durante um tratamento farmacológico; 
para tanto, pode-se contar com maiores informativos por parte dos meios de co-
municação, melhor capacitação dos prescritores, e até uma base de dados fi de-
digna, visto que muitos casos não são relatados, acarretando poucas políticas 
públicas direcionadas para essa ação. Portanto, apesar de todo o apoio da tec-
nologia e do desenvolvimento de metodologias no sentido de gerar informações 
com qualidade e no tempo adequado, isso pouco adianta se os dados não forem 
gerados com o mesmo cuidado, pois é a partir deles que uma informação pode 
se tornar confi ável, ou não, sendo de suma importância que sejam acessíveis e 
possuam grande alcance. 
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6. MEDICAMENTOS 
Os medicamentos são produtos farmacêuticos cujas substâncias podem apresentar 
propriedades curativas ou preventivas de determinadas doenças ou são administradas com o 
objetivo de diagnosticar alguma delas. De acordo com a Lei n° 5991, de 17 de dezembro de 1973, 
medicamento pode ser de� nido como: “Art. 4º - Para efeitos desta Lei, são adotados os seguintes 
conceitos: [...] II - Medicamento - produto farmacêutico, tecnicamente obtido ou elaborado, com 
� nalidade pro� lática, curativa, paliativa ou para � ns de diagnóstico”. Os medicamentos podem 
ser de� nidos como sendo de referência, similares ou genéricos.
 
• Medicamento referência: é o medicamento original que possui marca registrada com 
e� cácia terapêutica e segurança comprovadas por pesquisas cientí� cas. Esse tipo de 
medicamento encontra-se há bastante tempo no mercado e tem sua comercialização 
exclusiva até o � m da sua patente.
• Medicamento similar: possui mesma concentração, forma farmacêutica, via de 
administração, posologia e indicação terapêutica do medicamento referência, entretanto 
ele só passa a ser produzido após o prazo da patente de fabricação do medicamento 
referência ter vencido. Possui um nome comercial e pode diferir do medicamento de 
referência em questão de tamanho e forma do produto, prazo de validade, embalagem, 
rotulagem, excipientes e veículo. 
• Medicamento genérico: possui o mesmo fármaco (princípio ativo), na mesma dose 
e forma farmacêutica e é administrado pela mesma via e com a mesma indicação 
terapêutica do medicamento de referência. Apresenta mesma e� cácia, segurança e 
qualidade que o medicamento de referência, sem, no entanto, ter um nome fantasia; 
como vantagem, apresenta baixo custo. Segundo a Anvisa, deve constar na embalagem a 
frase: “Medicamento Genérico Lei nº 9.787/99”. Como os genéricos não têm marca, o que 
você lê na embalagem é o princípio ativo do medicamento. 
No ano de 1971, foi instaurada no Brasil a Lei n° 5772 sobre o código de propriedade 
industrial, declarando que os medicamentos não eram passíveis de patenteamento. Sendo assim, 
qualquer substância descoberta poderia ser copiada por similaridade. A partir disso, houve grande 
inserção de medicamentos similares no Brasil, com preços mais acessíveis. Nos anos seguintes, 
foi promulgada a Lei n° 6360, que assegurava o registro de medicamentos similares desde que 
satis� zessem as exigências estabelecidas, ou seja, o medicamento deveria ter o mesmo princípio 
ativo, mesma indicação terapêutica, concentração, forma farmacêutica e via de administração do 
medicamento de referência. Já em 1999, a Lei n° 9787 inseriu o medicamento genérico com uma 
legislação mais exigente visando a garantir segurança, e� cácia e qualidade para essa classe de 
medicament os. A partir de 2003, houve uma revisão das regras de registro de similares, passando 
a serem cobrados os testes de equivalência farmacêutica e biodisponibilidade. Para garantir que 
os genéricos e similares tenham preços menores, foram criadas normas para sua preci� cação. O 
preço de fábrica dos similares não pode ser superior a 65% do preço de fábrica do medicamento 
referência correspondente. Esse baixo custo está relacionado ao fato de as empresas não gastarem 
recursos com pesquisas ou descobertas de novas formulações e com testes clínicos; além do fato 
do investimento com marketing ser menor, pois não é necessário fazer uma divulgação expressiva 
de cada formulação, a publicidade para os genéricos deve ser do tipo institucional, procurando-
se fazer uma associação entre características de qualidade e con� ança na indústria produtora. Há 
uma maior restrição legislativa para preci� car os genéricos, gerando maior lucro com a venda 
dos similares. 
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Um medicamento de referência pode ter dezenas de genéricos e similares, a inter-
cambialidade ou troca entre eles é um assunto de suma importância para que seja 
feita de forma segura e o tratamento apresente resultados terapêuticos desejados. 
Pensar nessa intercambialidade é importante, visto que ambos possuem índice 
terapêutico estreito e com essa gama de opções no mercado, os profi ssionais 
que prescrevem os medicamentos têm difi culdade em escolher qual é a melhor 
opção, muitos não estão preparados para diagnosticar a necessidade terapêuti-
ca do paciente para associarem os medicamentos de melhor custo/benefício. A 
equivalência farmacêutica entre os dois medicamentos relaciona-se à comprova-
ção de que ambos contêm o mesmo fármaco, na mesma dosagem e na mesma 
forma farmacêutica. Entretanto, quando correlaciona sua biodisponibilidade, para 
serem aceitos como bioequivalentes, necessita ter 90% de confi ança, porém para 
alguns medicamentos, pequenos ajustes de dosagem podem afetar a efi cácia ou 
toxicidade de um produto, o que leva a questionar se a margem estabelecida não 
deveria ser mais estreita. Dessa forma, essa troca/intercambialidade entre os ge-
néricos e similares durante o tratamento deve ser feito com cautela, assim como 
o uso de um mesmo laboratório, visando a manter a efi cácia do tratamento.
Para complementar os conhecimentos referentes às diferenças 
entre os medicamentos de referência, similares e genéricos, 
segue o vídeo, disponível em: . 
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CONSIDERAÇÕES FINAIS 
Considera-se a farmacologia como o estudo dos efeitos dos fármacos no funcionamento 
dos seres vivos, impulsionada pela necessidade de melhorar os resultados dos tratamentos. A 
farmacologia surgiu como ciênciaquando passou da descrição da ação dos fármacos para a 
explicação de como eles funcionam. Primeiramente, os fármacos possuem inúmeras � nalidades, 
entre elas, preventiva, curativa, paliativa e diagnóstica, realizando essas funções inicialmente com 
a ingestão do medicamento e � nalizando com sua excreção. Absorção, distribuição, metabolismo 
e eliminação dos fármacos são processos da farmacocinética. A compreensão desses processos 
e de suas relações e aplicações dos princípios da farmacocinética aumenta as chances de sucesso 
do tratamento e reduz a ocorrência de reações adversas aos fármacos. Por outro ângulo, a 
farmacodinâmica ocupa-se do estudo dos efeitos bioquímicos e � siológicos dos fármacos e seus 
mecanismos de ação. 
Os efeitos da maioria dos fármacos são atribuídos à sua interação com os componentes 
macromoleculares do organismo. Logo, para que as interações ocorram, necessitam ser 
absorvidos, sendo que tal é realizado de diversas formas. Dependendo das propriedades 
químicas, os fármacos podem ser absorvidos no trato gastrointestinal por difusão passiva, 
difusão facilitada, transporte ativo ou por endocitose. Os efeitos da maioria dos fármacos são 
atribuídos à sua interação com os componentes macromoleculares do organismo. Os receptores 
ou alvos de um fármaco são macromoléculas ou o complexo macromolecular da célula com a 
qual o fármaco interage desencadeando uma resposta celular ou sistêmica. Os receptores dos 
fármacos normalmente se localizam nas superfícies das células, mas também podem estar nos 
compartimentos intracelulares especí� cos ou no compartimento extracelular. De modo geral, a 
interação entre o fármaco e seus receptores caracteriza-se por uma ligação do fármaco ao receptor 
e a geração da resposta em um sistema biológico.
 A resposta à mesma concentração de um único fármaco pode variar individualmente 
e um determinado indivíduo pode apresentar respostas diferentes à mesma concentração do 
fármaco. Isso pode ocorrer em consequência de uma doença, envelhecimento ou administração 
anterior do fármaco. Lembrando que um fármaco geralmente produz vários efeitos, mas apenas 
um é almejado como objetivo do tratamento; a maioria dos outros efeitos é indesejável para a 
tal indicação terapêutica. Os efeitos colaterais em geral são incômodos, mas não prejudiciais. 
Outros efeitos indesejados podem ser caracterizados como efeitos tóxicos. Em suma, o estudo da 
farmacologia é essencial para o desenvolvimento de novos fármacos, assim como uma melhor 
prescrição por parte dos pro� ssionais, visto que muitos tratamentos podem ser otimizados se o 
fármaco for utilizado de maneira correta, segura e e� caz. 
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UNIDADE
02
SUMÁRIO DA UNIDADE
INTRODUÇÃO ............................................................................................................................................................ 20
1. METABOLIZAÇÃO E INTERAÇÃO DOS FÁRMACOS COM OS NUTRIENTES .................................................... 21
2. EFEITOS DOS FÁRMACOS NA ALIMENTAÇÃO .................................................................................................. 25
3. EFEITOS DOS FÁRMACOS SOBRE O ESTADO NUTRICIONAL ......................................................................... 28
4. INTERAÇÕES ENTRE OS EXCIPIENTES E OS ALIMENTOS E/OU FÁRMACOS ............................................. 30
5. TRATAMENTO NUTRICIONAL ............................................................................................................................ 31
CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................................................................................................ 34
INTERAÇÃO FÁRMACO X ALIMENTO
PROF.A MA. LORENA DOS SANTOS CASTRO
ENSINO A DISTÂNCIA
DISCIPLINA:
FARMACOLOGIA, FITOTERÁPICOS E 
NUTRACÊUTICOS
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INTRODUÇÃO
Os alimentos são indispensáveis à manutenção da saúde de um indivíduo. Isso está 
atrelado à sua capacidade de fornecer ao corpo humano nutrientes necessários ao seu sustento 
em quantidade e qualidade adequadas, visando à manutenção da integridade estrutural e 
funcional do organismo. Entretanto, isso pode ser alterado nos casos em que há falta de um ou 
mais nutrientes, causando de� ciência no estado nutricional e necessidade de suplementação. 
Em contrapartida, os nutrientes são capazes de interagir com os fármacos, pois os 
medicamentos, na sua maioria, são administrados por via oral. Assim, os nutrientes podem 
modi� car os efeitos dos fármacos por interferirem em processos farmacocinéticos, como absorção, 
distribuição, biotransformação e excreção, acarretando prejuízo terapêutico. Alguns nutrientes 
e fármacos são absorvidos por mecanismos semelhantes e frequentemente competitivos, 
apresentando como principal sítio de interação o trato gastrointestinal. Um maior conhecimento 
em relação a esse processo conduz a um controle mais efetivo da administração do medicamento 
e da ingestão de alimentos, favorecendo, assim, a adoção de terapias mais e� cazes.
São inúmeras as ocorrências de interação entre fármacos e alimentos; esses eventos muitas 
vezes são desconhecidos ou ignorados por muitos pro� ssionais e pacientes. Algumas interações 
fármaco-alimento podem apresentar um caráter apenas teórico, mas podem ocorrer interações 
que resultam em efeitos relevantes para a prática clínica. Com isso, podem ocasionar diminuição 
da biodisponibilidade de fármacos e levar a falhas do tratamento, ou podem causar aumento da 
biodisponibilidade do fármaco, gerando efeitos tóxicos. As interações podem ser gerenciadas 
por meio de recomendações adequadas, quando elas são consideradas signi� cativas. Uma maior 
compreensão dos mecanismos das interações possibilita uma melhoria contínua do paciente. 
Diante disso, devem ser tomadas maiores precauções no uso de determinados fármacos 
x consumo de alimentos em casos de longos tratamentos, em casos de polimedicações, dietas 
monótonas, pois a biodisponibilidade do fármaco e dos nutrientes é essencial para o processo 
de cura das doenças. Uma maior elucidação de interações fármaco- alimento permite aplicar 
adequados protocolos terapêuticos e uso correto de medicações. 
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1. METABOLIZAÇÃO E INTERAÇÃO DOS FÁRMACOS COM OS 
NUTRIENTES
Os fármacos administrados oralmente são absorvidos por difusão passiva, enquanto os 
nutrientes, por mecanismos de transporte ativo. Ao se administrar um fármaco por via oral, 
sua absorção pelo tubo gastrointestinal e, consequentemente, sua concentração sanguínea são 
dependentes de vários fatores:
• Solubilidade;
• Tamanho da partícula;
• Forma farmacêutica;
• Efeitos do � uido gastrointestinal;
• Metabolismo pré-sistêmico;
• pKa do fármaco;
• Natureza química;
• Liberação imediata ou lenta;
• Circulação entero-hepática.
Há ainda as variações individuais:
• Idade;
• Ingestão de � uidos;
• Ingestão de alimentos;
• Micro� ora intestinal;
• Metabolismo intestinal e hepático;
• Patologia gastrointestinal;
• pH gastrointestinal.
A indústria farmacêutica coloca à disposição dos consumidores diversas alternativas 
farmacêuticas para o tratamento das doenças. Muitos medicamentos produzidos visam a 
atender as necessidades básicas da população, mas em muitos casos, são administrados sem a 
devida orientação médica, acarretando riscos à saúde, como as interações medicamentosas. 
Essas interações estão presentes diariamente entre muitos pacientes. Grande parte não possui 
relevância clínica, porém pode trazer prejuízos ao seu estado nutricional ou alterar a ação dos 
fármacos, sobretudo nos idosos, crianças ou pacientes submetidos a tratamentos crônicos. 
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Dentre os riscos existentes, pode ocorrer uma polimedicação, levando a um grande 
número de interações medicamentosas e reações adversas a medicamentos. Essas interações 
podem gerar mudanças dos efeitos de um fármaco em presença de outro fármaco, � toterápicos, 
bebidas, álcool, alimentos ou agentes químicos. Algumas interações entre os alimentos e os 
fármacos podem alterar a disponibilidade, ação ou toxicidade de uma dessas substâncias, 
podendo ser interações físico-químicas, � siológicas ou � siopatológicas. 
• Interações físico-químicas: são caracterizadas por complexações entre componentes 
alimentares e os fármacos; 
• Interações � siológicas: são modi� cações induzidas por medicamentos no apetite, 
digestão, esvaziamento gástrico e biotransformação;
• Interações � siopatológicas: ocorrem quando os fármacos prejudicam a absorção e/ou 
inibição do processo metabólico do nutriente. 
Logo, efeitos terapêuticos ou colaterais dos medicamentos podem afetar o estado 
nutricional do indivíduo. Essas interações podem reduzir a e� cácia de um fármaco, assim como 
causar toxicidade e alterar o estado nutricional normal. Espera-se que, com a medicação, ocorra 
um efeito farmacológico no corpo ou no órgão alvo; para tanto, o fármaco deve se deslocar do 
local de administração para a corrente sanguínea e então para o local de ação. Caso ocorra uma 
interação entre o fármaco e o alimento, um componente da alimentação ou um nutriente pode 
alterar esse processo em qualquer ponto. 
O consumo de alimentos com medicamentos pode ter efeito sobre a velocidade e extensão 
de sua absorção, mas se faz necessário por algumas razões, entre elas, a possibilidade do aumento 
da absorção e redução do efeito irritante de alguns fármacos sobre a mucosa gastrointestinal. 
Entretanto, esses motivos são insu� cientes para justi� car esse procedimento de forma 
generalizada, pois a ingestão de alimentos poderá afetar a biodisponibilidade do fármaco através 
de interações físico-químicas ou químicas. Quando não há como prever o padrão de absorção de 
um medicamento na presença dos alimentos, recomenda-se administrá-lo com o estômago vazio, 
salvo naqueles fármacos que apresentam como efeitos colaterais problemas gastrointestinais, 
como náuseas, vômitos, diarreia, constipação e dor abdominal. Nessas condições, podem ser 
administrados junto a alimentos para evitar esses efeitos colaterais. Geralmente, os medicamentos 
que podem sofrer interações com alimentos devem ser administrados uma hora antes ou duas 
horas depois das refeições. Caso não seja possível, deve ser adotado um método que otimize o 
tratamento do paciente, sendo necessário ter conhecimento das interações de forma geral. 
As interações alimento-fármaco podem ser divididas em dois amplos tipos de interações: as 
farmacodinâmicas, que afetam a ação farmacológica do fármaco, e as interações farmacocinéticas, 
que afetam o movimento do fármaco para dentro, ao redor ou fora do organismo. 
Dentro da farmacodinâmica, é importante avaliar individualmente o paciente, 
relacionando o efeito dos alimentos sobre a ação dos fármacos e o que isso ocasionará em seu 
estado nutricional. As interações podem ter origem por:
• Polimedicação; 
• Estado nutricional;
• Genética;
• Dietas especiais;
• Suplementos nutricionais;
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• Alimentação por sonda;
• Produtos � toterápicos;
• Etilismo;
• Presença de não nutrientes nos alimentos;
• Excipientes em fármacos ou alimentos;
• Alergias ou intolerâncias. 
Logo, a ação de um fármaco pode ser afetada por alterações no trato gastrointestinal, 
como vômitos, hipocloridria (diminuição do ácido clorídrico no estômago), atro� a da mucosa 
e alterações de motilidade intestinal. Pacientes que possuem lesão intestinal por doenças 
como câncer, doença celíaca ou doença in� amatória intestinal geram um maior potencial para 
interações alimento-fármaco. 
A absorção de um fármaco pode ser reduzida pela presença de alimentos e nutrientes no 
estômago e no lúmen intestinal. Pensando nisso, tem-se a variação da sua biodisponibilidade. 
Esta descreve a fração de um fármaco administrado que alcança o sistema circulatório. Diversos 
mecanismos podem contribuir para a redução da velocidade e extensão da absorção de 
fármacos na presença de alimentos e nutrientes. O esvaziamento gástrico pode ser in� uenciado 
pela presença de alimentos, como o consumo de refeições ricas em � bras ou com alto teor de 
gorduras. Em geral, um retardo da absorção de um fármaco não é signi� cativo do ponto de vista 
clínico, desde que a extensão da absorção não seja alterada. Entretanto, o retardo da absorção de 
antibióticos ou analgésicos pode ter importância clínica signi� cativa. Podem ocorrer reações de 
quelação entre certos medicamentos e cátions divalentes ou trivalentes, como ferro, magnésio, 
cálcio, zinco ou alumínio, e a absorção de fármacos pode ser reduzida por quelação com um 
desses metais. No Quadro 1, podemos encontrar alguns dos principais tipos de interações entre 
alimentos e medicamentos. 
Alimentos Efeitos em conjunto com medicamentos
Com alto teor de lipídios Pode ocorrer o aumento da excreção da bílis e 
aumento da solubilidade (albendazol).
Com alto teor de proteínas Aumento ou aceleração da absorção 
gastrointestinal (metroprolol).
Alto teor de cálcio Interferência na absorção do ferro, pode promover 
a perda do efeito terapêutico pela inativação 
química (tetraciclina).
Ricos em fi bras Diminuem a viscosidade e a taxa de difusão de 
medicamento (furosemida).
Refrigerantes e sucos ácidos Promovem a decomposição prematura das dragas 
de drogas sensíveis à presença de pH ácido.
Leite e derivados, hortaliças, frutas e legumes Interagem promovendo o aumento do pH e 
diminuindo a solubilidade (alendronato).
Quadro 1 - Principais interações entre medicamentos e alimentos. Fonte: Santos e Locatelli (2018).
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A absorção dos fármacos também pode ser reduzida pela relação com a adsorção, ou 
adesão dos alimentos ou de componentes dos alimentos. Uma dieta rica em � bras pode reduzir 
a absorção de algumas medicações, como alguns antidepressivos, levando à perda de efeito 
terapêutico em razão da adsorção do fármaco à � bra. Além da adsorção, o pH gastrointestinal é 
outro fator importante para absorção de fármacos. Situações que resultem em alterações do pH 
ácido gástrico, como acloridria ou hipocloridria podem reduzir sua absorção.
Com relação à distribuição e ao metabolismo dos fármacos no organismo, eles são 
distribuídos no sangue; logo, ao chegarem à circulação sistêmica, podem se ligar a proteínas 
plasmáticas, formando um complexo fármaco-proteína. Este age como um reservatório 
temporário na corrente sanguínea retardando a chegada dos fármacos aos órgãos alvo e sítios de 
eliminação. A albumina é um exemplo de proteína ligante. Pacientes com alimentação inadequada, 
com baixo consumo de proteínas, ocasionam menos locais de ligação para os fármacos devido a 
menor albumina disponível. É recomendada uma dose mais baixa de fármacos para os pacientes 
com baixas concentrações de albumina sérica. 
O trato gastrointestinal e o fígado possuem sistemas enzimáticos responsáveis por grande 
parte da atividade de metabolização no organismo. Os alimentos podem tanto inibir como 
aumentar o metabolismo das medicações por meio de alterações da atividade desses sistemas 
enzimáticos. Os fármacos são absorvidos no trato gastrointestinal pela circulação portal e 
transportados para o fígado, antes de atingirem a circulação sistêmica. Quando o alimento e o 
fármaco competem pelas mesmas enzimas metabolizadas pelo fígado, há probabilidade de mais 
fármaco atingir a circulação sistêmica, podendo levar a efeito tóxico se a dose tiver sido calculadapara concentração ideal no estado de jejum. 
Pensando na excreção dos fármacos, alimentos e nutrientes podem alterar a reabsorção de 
fármacos pelos tubos renais. O sistema renal é uma das principais vias de excreção de fármacos. 
O pH urinário sofre variações conforme a natureza ácida ou alcalina dos alimentos ou de seus 
metabólitos. Assim, dietas ricas em vegetais, leite e derivados elevam o pH urinário, acarretando 
um aumento na reabsorção de fármacos básicos, como, por exemplo, as anfetaminas. No entanto, 
com fármacos de caráter ácido, como os barbitúricos, veri� ca-se elevação da excreção. Já ovos, 
carnes e pães acidi� cam a urina, tendo como consequência o aumento da excreção renal de 
anfetaminas e outros fármacos básicos.
Em suma, a natureza das diferentes interações pode apresentar os seguintes caminhos:
• Determinados nutrientes podem modi� car o processo de absorção de fármacos;
• Alguns alimentos podem desalinhar o processo de biotransformação de algumas 
substâncias;
• Podem ocorrer mudanças na excreção de fármacos por in� uência dos nutrientes;
• O estado nutricional pode atrapalhar o metabolismo de alguns fármacos, diminuindo ou 
anulando seu potencial ou aumentando seu efeito tóxico. 
A partir do embasamento teórico sobre as possíveis interações dos 
fármacos x nutrientes, segue um vídeo complementar, intitulado 
Farmacologia - Interações Medicamentosas. Disponível em: .
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2. EFEITOS DOS FÁRMACOS NA ALIMENTAÇÃO
Algumas medicações podem diminuir ou prevenir a absorção de nutrientes. Podem 
ocorrer reações de quelação entre os medicamentos e minerais, reduzindo a quantidade 
de minerais disponível para a absorção. Um exemplo é a tetraciclina e cipro� oxacina, esses 
medicamentos são capazes de quelar o cálcio encontrado em suplementos ou laticínios, tais como 
leite e iogurte. Isso também ocorre com cátions divalentes ou trivalentes, como ferro, magnésio 
e zinco, presentes em suplementos minerais. Orienta-se tomar minerais com, pelo menos, duas a 
seis horas de intervalo do fármaco. 
Os fármacos podem reduzir a absorção de nutrientes in� uenciando o tempo de trânsito 
dos alimentos e de nutrientes no intestino. Os laxantes, por exemplo, reduzem o tempo de trânsito 
e podem causar diarreia, levando à perda de cálcio e de potássio. Determinados fármacos podem 
alterar o ambiente gástrico, a ranitidina e os inibidores da bomba de prótons, como o omeprazol, 
atuam inibindo a secreção de ácido e elevam o pH gástrico, efeitos que podem prejudicar a 
absorção da vitamina B12. Mas os maiores efeitos sobre a absorção de nutrientes são os fármacos 
que lesionam a mucosa intestinal. As lesões nas estruturas das vilosidades e microvilosidades 
inibem enzimas da borda em escova e os sistemas de transporte intestinais envolvidos na absorção 
de nutrientes, podendo alterar a capacidade do trato gastrointestinal de absorver minerais, como 
o ferro e o cálcio. Entre os fármacos envolvidos nessa ação, estão os agentes quimioterápicos, 
fármacos anti-in� amatórios não esteroidais e o tratamento a longo prazo com antibióticos. 
Pensando em como um fármaco altera o metabolismo de nutrientes, ele pode causar sua 
passagem mais rápida pelo corpo, resultando em maiores necessidades; ou um fármaco pode 
causar antagonismo com vitaminas, por meio do bloqueio da conversão da vitamina para sua 
forma ativa. Alguns anticonvulsivantes, fenobarbital e fenitoína induzem as enzimas hepáticas 
e aumentam o metabolismo das vitaminas D, K e ácido fólico. Em adição, alguns fármacos 
antituberculosos bloqueiam a conversão da piridoxina (vitamina B6) à sua forma ativa, o 
piridoxal-5-fosfato. Em pacientes com baixa ingestão de piridoxina, essa interação pode causar 
neuropatia periférica. O metotrexano é um antagonista do ácido fólico usado no tratamento do 
câncer e da artrite reumatoide; sem o ácido fólico, a síntese do DNA é inibida, acarretando morte 
celular. 
Determinados fármacos podem aumentar ou diminuir a excreção urinária de nutrientes, 
interferindo na reabsorção deles pelos rins. Por exemplo, alguns diuréticos podem aumentar 
a excreção de magnésio, sódio, cloreto e cálcio. Os suplementos de potássio são prescritos ao 
receitar diuréticos, podendo haver necessidade de suplementar magnésio e cálcio quando o 
fármaco for utilizado por longos períodos com altas doses e/ou má ingestão alimentar. 
Complementando o conhecimento sobre o efeito de o omeprazol 
prejudicar a absorção da vitamina B12, recomenda-se a leitura do 
artigo:
SANTOS, J. M. S. R; LOCATELLI, C. Terapia prolongada com 
omeprazol e suas relações com neoplasias gástricas. Revista 
Extensão em foco, [s. l.], v. 6, n. 1, p. 18-23, 2018. Disponível em: 
.
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Também o uso prolongado de altas doses de diuréticos em pacientes idosos com dietas baixas 
em sódio pode causar hiponatremia. Já diuréticos poupadores de potássio aumentam a excreção 
de sódio, cloretos e cálcio. As concentrações sanguíneas de potássio podem se elevar a níveis 
perigosos se os pacientes também fazem uso de suplementos de potássio ou sofrem de insu� ciência 
renal. Anti-hipertensivos inibidores da enzima de conversão da angiotensina, como o enalapril 
ou fosinopril, diminuem a excreção de potássio, levando a um aumento de suas concentrações 
séricas. A associação de diuréticos poupadores de potássio e um inibidor da angiotensina 
aumenta o perigo de hipercalemia. Os corticoides, como a prednisona, diminuem a excreção de 
sódio, resultando em retenção de água e sódio. Esses fármacos causam aumento da excreção de 
cálcio e potássio, sendo recomendada uma dieta pobre em sódio e rica em potássio. Após uso 
dos corticoides, recomenda-se suplementar cálcio e vitamina D para prevenir a osteoporose, em 
razão não apenas da perda de cálcio na urina, mas também da ação dos corticoides prejudicando 
a absorção intestinal de cálcio. 
Pode ocorrer modi� cação da ação dos fármacos por alimentos e nutrientes. A cafeína, 
por exemplo, aumenta os efeitos adversos dos fármacos estimulantes, causando nervosismo, 
tremor e insônia. Em contrapartida, as propriedades estimulantes da cafeína no sistema nervoso 
central podem se opor ou contrapor aos efeitos antiansiolíticos dos tranquilizantes. Em adição, 
a varfarina, agente anticoagulante oral, reduz a produção hepática de fatores de coagulação 
dependentes de vitamina K. Por isso, a ingestão de vitamina K se opõe à ação da varfarina e 
permite a produção de mais fatores de coagulação. Cebola, alho, mamão papaia, manga ou 
suplementos de vitamina E em altas doses podem aumentar o efeito anticoagulante da varfarina, 
podendo causar sangramentos graves. 
O consumo de etanol associado a certas medicações produz toxicidade, afetando vários 
órgãos e sistemas do organismo. No sistema gastrointestinal, ele atua irritando a mucosa gástrica, 
tem efeito hepatotóxico e pode inibir a gliconeogênese, sobretudo quando consumido em jejum; 
isso pode prolongar episódios de hipoglicemia causados pela insulina, por exemplo. No Quadro 
2, temos algumas importantes interações fármaco-alimento resultantes de reações químicas; no 
Quadro 3, interações com mecanismos especí� cos.
Fármaco Classe terapêutica Alimento Efeito
Ácido acetilsalicílico Anti-infl amatório
Não esteroidal
Dietas à base de 
frutas, verduras e 
fi bras
Aumento da excreção 
devido
à alcalinidade da dieta.
Amitriptilina Antidepressivo Dietas à base de pães, 
biscoitos e carnes
Aumento da excreção 
devido
à acidez da dieta.
Clorpromazina e
fl ufenazina
Antipsicótico Café, chá mate, caqui 
e vinhos
Precipitação na 
presença de ácido 
tânico.
Morfi na Analgésico opioide Dietas à base de pães, 
biscoitose carnes
Aumento da excreção 
devido à acidez da 
dieta.
Penicilina Antibiótico Dietas à base de 
frutas, verduras e 
fi bras
Aumento da excreção 
devido à alcalinidade da 
dieta.
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Prometazina Anti-histamínico Café, chá mate, caqui 
e vinhos
Precipitação na 
presença de ácido 
tânico.
Teofi lina Broncodilatador Dietas à base de pães, 
biscoitos e carnes
Aumento da excreção
devido à acidez da 
dieta.
Tetraciclina e
ceftriaxona
Antibiótico Produtos lácteos Complexação do 
fármaco com íons 
divalentes.
Quadro 2 - Algumas interações fármaco-nutriente resultantes de reações químicas. Fonte: Lombardo e Eserian 
(2014).
Fármaco Classe terapêutica Alimento Efeito
Diazepam, 
carbamazepina e 
sertralina
Moduladores do
sistema nervoso
central (SNC)
Toranja (grapefruit) Inibição de enzimas de 
biotransformação de 
fármacos, com
elevação dos seus níveis 
tóxicos.
Inibidores da enzima 
monoamina oxidase 
(MAO)
Antidepressivo Queijos maturados, 
iogurte, vinhos tintos 
e produtos embutidos, 
ricos em tiramina
Inibição da enzima que 
degrada
a tiramina, com 
elevação de seus níveis 
plasmáticos. Efeitos 
simpaticomiméticos
e crise hipertensiva.
Isoniazida Tuberculostático Dieta à base de peixes
e frutos do mar, 
contendo aminas 
biogênicas (histamina, 
tiramina)
Inibição de enzimas 
detoxifi cantes
(MAO e diamina 
oxidase). Intoxicação
alimentar e intolerância.
Mercaptopurina Antineoplásico Leite de vaca Inativação pela enzima 
xantina oxidase.
Varfarina Anticoagulante Alimentos ricos 
em vitamina K (ex.: 
brócolis, couve, couve-
de-bruxelas, salsa e 
espinafre)
Promoção de 
coagulação sanguínea e
interferência na 
efetividade do fármaco.
Teofi lina Broncodilatador Alimentos ricos 
em vitamina K (ex.: 
brócolis, couve, couve-
de-bruxelas, salsa e 
espinafre)
Sobrecarga de xantinas, 
com risco de toxicidade: 
distúrbios eletrolíticos e
efeitos no SNC e 
cardiovascular.
Quadro 3 - Algumas interações fármaco-nutriente resultantes de reações químicas. Fonte: Lombardo e Eserian 
(2014).
Fármaco Classe terapêutica Alimento Efeito
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EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
3. EFEITOS DOS FÁRMACOS SOBRE O ESTADO NUTRICIONAL
A ação dos fármacos pode ser acompanhada de efeitos colaterais, considerados indesejáveis. 
Podem afetar os sentidos orais e o paladar, causar efeitos negativos no sistema gastrointestinal, 
alterar o apetite, causar toxicidade no organismo e modi� car negativamente as concentrações 
de glicose. Além disso, podem causar de� ciências nutricionais, sendo o metabolismo proteico 
o mais importante. Dietas com elevado teor de proteína e baixo em carboidrato aumentam a 
velocidade do metabolismo do fármaco, sendo que o inverso pode ocorrer, ou seja, dietas com 
baixo teor de proteínas e alta em carboidratos exercem efeito oposto. 
Além disso, vários fármacos afetam a capacidade de sentir o sabor e/ou aroma dos 
alimentos. Eles podem causar disgeusia (alteração do paladar), hipogeusia (redução da acuidade 
do paladar) ou gosto ruim após a ingestão alimentar. Os mecanismos para que isso ocorra podem 
estar relacionados com o fato de os fármacos alterarem a renovação das células gustativas ou 
interferirem nos mecanismos de transdução dessas células ou alterar os neurotransmissores que 
processam a informação química sensorial. Dentre os fármacos que podem causar essa disgeusia, 
estão: 
• O anti-hipertensivo captopril pode causar um sabor metálico ou salgado e perda do 
paladar; 
• O antibiótico claritromicina penetra na saliva gerando sabor amargo na boca; os fármacos 
antineoplásicos usados na quimioterapia afetam as células que se reproduzem com 
rapidez, como as da mucosa; 
• Os fármacos anticolinérgicos competem com o neurotransmissor acetilcolina por locais 
no receptor, inibindo a transmissão de alguns impulsos nervosos, diminuindo secreções, 
incluindo a secreção da saliva, causando xerostomia (boca seca). 
• Os antidepressivos tricíclicos, anti-histamínicos, agentes de controle de espasmos vesical 
podem causar boca seca, cáries dentais, doença gengival, estomatites e glossites, assim 
como desequilíbrio nutricional e perda de peso indesejada. 
Entretanto, ao relacionar o uso dos fármacos às alterações no paladar, é importante estar 
atento para alterações na absorção de zinco. Alguns medicamentos podem alterar sua absorção, 
visto que sua de� ciência pode afetar o paladar. 
Com relação aos efeitos gastrointestinais, vários fármacos podem causar irritações e 
ulcerações, por exemplo:
Para aumentar os conhecimentos sobre o fenômeno da interação 
fármaco-nutriente, sugiro a leitura do seguinte artigo de revisão: 
MOURA, M. R. L; REYES, F. G. R. Interação fármaco-nutriente: uma 
revisão. Revista de nutrição, Campinas, v. 15, p. 223-238, 2002. 
Disponível em: .
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• O medicamento indicado para osteoporose alendronato pode causar esofagite, caso o 
paciente não � que sentado após 30 minutos de sua ingestão;
• O ibuprofeno e/ou aspirina pode causar irritação gástrica, dispepsia, gastrites, ulcerações 
e até sangramento gástrico;
• A � uoxetina e outros inibidores seletivos de recaptura da serotonina também podem 
causar irritação gástrica, podendo levar a um quadro de hemorragia;
• Os fármacos antineoplásicos, utilizados no tratamento do câncer, causam náuseas graves 
e prolongadas, gerando desidratação e desequilíbrio de eletrólitos; 
• Os agentes narcóticos, como a mor� na e codeína, causam aumento do tônus da 
musculatura lisa da parede intestinal, alterando a peristalse e causando constipação;
• Os fármacos anticolinérgicos diminuem as secreções intestinais, lenti� cam a peristalse e 
causam constipação;
• Alguns antipsicóticos, antidepressivos e anti-histamínicos podem causar constipação, 
pacientes que fazem seu uso devem manter uma hidratação adequada;
• O orlistat é um inibidor da lipase, muito utilizado na perda de peso, atua reduzindo a 
absorção de gorduras pela ligação à lipase no intestino, inibindo, assim, a ação dessa 
enzima. Consequentemente, há um aumento da excreção pelas fezes de gordura, podendo 
causar incontinência fecal. Orienta-se uma dieta pobre em gorduras, dando atenção a 
baixa absorção de vitaminas lipossolúveis A, D, E e K e os carotenoides, que necessitam 
da presença de gorduras para uma adequada absorção; 
• O uso de antibióticos por longos períodos pode destruir todas as bactérias sensíveis da 
� ora intestinal. 
Além disso, alguns medicamentos podem afetar o apetite, levando a alterações de peso 
indesejáveis e desequilíbrios nutricionais. Como exemplos, podemos citar:
• A maioria dos estimulantes do SNC diminuem o apetite. A sibutramina pode causar 
esse efeito, sendo indicada em muitos casos onde os pacientes objetivam perda de peso 
rápida. Esses fármacos podem interferir na capacidade ou no desejo em se alimentar, 
além de causar sonolência, tontura, confusão mental, cefaleia, fraqueza, tremores e 
neuropatia periférica. Entretanto, um dos principais efeitos colaterais é a hipertensão, 
sendo contraindicado para pacientes hipertensos e para os que apresentam convulsões 
ou doenças cardíacas. 
• Outras medicações atuam estimulando o apetite e levando ao ganho de peso. Determinados 
fármacos antipsicóticos e antidepressivos tricíclicos costumam provocar ganho de peso. O 
uso de corticoides também está associado ao ganho de peso por causar retenção de sódio e 
água, assim como o estímulo ao apetite. Alguns fármacos indicados como estimulante de 
apetite ou agente anticaquexia podem ser o hormônio acetato de megestrol, o hormônio 
do crescimento humano somatotropina e esteroides anabolizantes.

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