Prévia do material em texto
FARMACOLOGIA, FITOTERÁPICOS E NUTRACÊUTICOS PROF.A MA. LORENA DOS SANTOS CASTRO Reitor: Prof. Me. Ricardo Benedito de Oliveira Pró-Reitoria Acadêmica: Maria Albertina Ferreira do Nascimento Diretoria EAD: Prof.a Dra. Gisele Caroline Novakowski PRODUÇÃO DE MATERIAIS Diagramação: Alan Michel Bariani Thiago Bruno Peraro Revisão Textual: Fernando Sachetti Bomfim Marta Yumi Ando Simone Barbosa Produção Audiovisual: Adriano Vieira Marques Márcio Alexandre Júnior Lara Osmar da Conceição Calisto Gestão de Produção: Aliana de Araujo Camolez © Direitos reservados à UNINGÁ - Reprodução Proibida. - Rodovia PR 317 (Av. Morangueira), n° 6114 Prezado (a) Acadêmico (a), bem-vindo (a) à UNINGÁ – Centro Universitário Ingá. Primeiramente, deixo uma frase de Só- crates para reflexão: “a vida sem desafios não vale a pena ser vivida.” Cada um de nós tem uma grande res- ponsabilidade sobre as escolhas que fazemos, e essas nos guiarão por toda a vida acadêmica e profissional, refletindo diretamente em nossa vida pessoal e em nossas relações com a socie- dade. Hoje em dia, essa sociedade é exigente e busca por tecnologia, informação e conheci- mento advindos de profissionais que possuam novas habilidades para liderança e sobrevivên- cia no mercado de trabalho. De fato, a tecnologia e a comunicação têm nos aproximado cada vez mais de pessoas, diminuindo distâncias, rompendo fronteiras e nos proporcionando momentos inesquecíveis. Assim, a UNINGÁ se dispõe, através do Ensino a Distância, a proporcionar um ensino de quali- dade, capaz de formar cidadãos integrantes de uma sociedade justa, preparados para o mer- cado de trabalho, como planejadores e líderes atuantes. Que esta nova caminhada lhes traga muita experiência, conhecimento e sucesso. Prof. Me. Ricardo Benedito de Oliveira REITOR 33WWW.UNINGA.BR UNIDADE 01 SUMÁRIO DA UNIDADE INTRODUÇÃO ............................................................................................................................................................. 4 1. PRINCÍPIOS BÁSICOS DA FARMACOLOGIA ....................................................................................................... 5 2. VIAS DE ADMINISTRAÇÃO DOS FÁRMACOS .................................................................................................... 6 3. FARMACOCINÉTICA .............................................................................................................................................. 7 3.1 ABSORÇÃO E BIODISPONIBILIDADE ................................................................................................................. 9 3.2 DISTRIBUIÇÃO DOS FÁRMACOS ....................................................................................................................... 9 3.3 EXCREÇÃO DOS FÁRMACOS ............................................................................................................................. 10 4. FARMACODINÂMICA ............................................................................................................................................11 5. TOXICIDADE DOS FÁRMACOS ............................................................................................................................ 14 6. MEDICAMENTOS ................................................................................................................................................ 16 CONSIDERAÇÕES FINAIS ....................................................................................................................................... 18 FARMACOLOGIA PROF.A MA. LORENA DOS SANTOS CASTRO ENSINO A DISTÂNCIA DISCIPLINA: FARMACOLOGIA, FITOTERÁPICOS E NUTRACÊUTICOS 4WWW.UNINGA.BR FA RM AC OL OG IA , F IT OT ER ÁP IC OS E N UT RA CÊ UT IC OS | U NI DA DE 1 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA INTRODUÇÃO Para de� nir qualquer ciência, é importante saber até que ponto os seus métodos e conceitos se distinguem dos que são peculiares às demais ciências. Os métodos e conceitos utilizados na farmacologia muito se distinguem, de maneira a de� ni-la como uma ciência autônoma, embora exista muita relação com diversas áreas, principalmente voltadas a ciências da saúde. Nos primórdios, a farmacologia teve relação com a terapêutica e o estudo da ação das drogas era uma ciência altamente empírica. Inicialmente, a farmacologia nada mais era do que um estudo toxicológico. Eram conhecidos os opiáceos e inúmeras plantas tóxicas ou medicinais. Em registros de séculos passados, foram mencionadas cerca de 700 drogas diferentes, incluindo extratos de plantas, metais pesados (chumbo e cobre) e venenos de diversos animais. Autoridades da época, temendo um envenenamento, tentavam se imunizar ou se proteger contra todos os venenos já encontrados, experimentando-os em seus escravos, com o � m de descobrir substâncias que fossem capazes de impedir os efeitos tóxicos observados. De acordo com a tradição da época, a saúde dependia do equilíbrio perfeito dos quatro humores do organismo: sanguíneo, colérico, melancólico e � egmático; e as qualidades a eles associadas: quente, seco, úmido e frio. Os medicamentos, para terem ação e� ciente, deveriam possuir algumas daquelas quatro qualidades de maneira a poder restabelecer o desequilíbrio causado pela doença. A farmacologia nos séculos seguintes ainda estava muito primitiva, até o início do século XX, salientando a contribuição do empirismo terapêutico para o desenvolvimento da farmacologia moderna. A maioria das plantas medicinais encontradas até então foi descoberta pelos nativos que as usavam em bebidas estimulantes, hipnóticas, alucinógenas ou então para o preparo de � echas, na caça e pesca. Com a terapêutica moderna, muitos produtos foram conhecidos, como hormônios, vitaminas, quimioterápicos, antibióticos, antiespasmódicos, anti-histamínicos, anestésicos locais, sedativos, hipnóticos, cicatrizantes, anti-in� amatórios, entre outros. A partir de então, considera-se a farmacologia como o estudo dos efeitos dos fármacos no funcionamento dos seres vivos, impulsionada com a necessidade de melhorar os resultados das intervenções terapêuticas pelos médicos. A farmacologia surgiu como ciência quando passou da descrição da ação dos fármacos para a explicação de como eles funcionam. A abordagem atual da farmacologia se apoia no rastreamento altamente focalizado de bibliotecas contendo centenas de milhares ou mesmo milhões de compostos capazes de interagir com um alvo ou molécula especí� ca ou de produzir uma determinada resposta biológica. 5WWW.UNINGA.BR FA RM AC OL OG IA , F IT OT ER ÁP IC OS E N UT RA CÊ UT IC OS | U NI DA DE 1 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA 1. PRINCÍPIOS BÁSICOS DA FARMACOLOGIA Na farmacologia, muito se usam os termos droga, fármaco e medicamento. A droga é uma substância química de estrutura conhecida, não sendo um nutriente ou um ingrediente essencial da alimentação, mas quando administrada a um organismo vivo, produz um efeito biológico. As drogas podem ser substâncias químicas sintéticas, substâncias químicas obtidas a partir de plantas ou animais; ou produtos formulados pela engenharia genética. O fármaco é uma droga cuja estrutura química é de� nida e conhecida, tendo a � nalidade de prevenir, diagnosticar e tratar um organismo vivo. Entretanto, pode se tornar um tóxico ou vice-versa, já que a dose utilizada é um dos parâmetros que pode in� uenciar na ação das drogas nos seres vivos. O medicamento, por sua vez, é uma preparação química, que geralmente contém uma ou mais drogas, administrado com o objetivo de produzir um efeito terapêutico. Os medicamentos geralmente contêm outras substâncias ao lado da droga ativa, como os excipientes, conservantes, solventes etc., tornando seu uso mais conveniente. Atualmente, a medicina faz uso das drogas como a principal ferramenta de terapia, podendo elas ser “alternativas” ou “complementares”, um sistema terapêutico muito usado, mas com30WWW.UNINGA.BR FA RM AC OL OG IA , F IT OT ER ÁP IC OS E N UT RA CÊ UT IC OS | U NI DA DE 2 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA A toxicidade de alguns fármacos pode causar hepatotoxicidade, nefrotoxicidade, toxicidade pulmonar, neurotoxicidade, ototoxicidade, pancreatites e até cardiotoxicidade. Determinados fármacos são responsáveis por desenvolver uma lesão hepática ocasionando hepatite, icterícia, hepatomegalia ou mesmo insu� ciência hepática. Recomenda-se monitorar a função hepática por meio da realização de exames periódicos. Adicionalmente, a nefrotoxicidade ocasionada pode alterar a excreção de nutrientes ou causar uma insu� ciência renal, que nem sempre é resolvida suspendendo a medicação. Recomenda-se uma adequada hidratação para ajudar a reduzir a toxicidade renal. Por � m, vários fármacos in� uenciam o metabolismo da glicose, causando hipoglicemia ou hiperglicemia por estimularem a produção de glicose ou prejudicarem a sua captação. Ademais, podem inibir a secreção de insulina, diminuir a sensibilidade à insulina ou aumentar sua excreção. As concentrações de glicose podem ser afetadas por uma hipocalemia induzida por diuréticos ou pelo ganho de peso acarretado pelas medicações. Os corticoides são diabetogênicos em virtude do aumento da gliconeogênese, podendo causar resistência à insulina e, consequentemente, inibir a captação de glicose. 4. INTERAÇÕES ENTRE OS EXCIPIENTES E OS ALIMENTOS E/OU FÁRMACOS Os fármacos raras vezes são administrados isoladamente, eles fazem parte de uma formulação combinada com um ou mais agentes não medicinais, os excipientes. Excipientes são ingredientes inativos adicionados à formulação dos fármacos por sua ação como tampão, ligante, preenchimento, diluente, desintegrante, � uidi� cante, aromatizante, corante, conservante, agente para suspensão ou revestimento. Seu uso precisa ser aprovado pelo FDA (Food and Drug Administration), porém vários deles possuem potencial para interação com reações adversas em indivíduos com alergias ou de� ciências enzimáticas, como por exemplo: • Amido: o amido de trigo, milho ou batata é adicionado à medicação como um substituto, ligante ou diluente. Pacientes com doença celíaca apresentam intolerância permanente ao glúten, proteína presente no trigo, cevada, centeio e um contaminante da aveia. Podem ocorrer danos no revestimento do intestino delgado. • Antioxidantes sul� tos: a presença de sul� tos foi encontrada nos medicamentos à base de dipirona (solução oral) e paracetamol (comprimido). O sintoma mais frequente é a di� culdade de respirar, diarreia, náuseas, vômitos, cólicas abdominais, tonturas, respiração com ruídos, urticária, edema local, cefaleia, desmaios e alterações na frequência cardíaca. Muitas pessoas sensíveis ao sul� to têm asma e outras condições alérgicas. • Aspartame: um adoçante composto pelos aminoácidos ácido aspártico e fenilalanina. Alguns pacientes podem sofrer de ausência da enzima fenilalanina hidroxilase, podendo causar toxicidade no tecido cerebral. • Corante amarelo de tartrazina (amarelo no 5): esse corante pode estar presente em medicamentos como dipirona (gotas) e paracetamol (gotas); 31WWW.UNINGA.BR FA RM AC OL OG IA , F IT OT ER ÁP IC OS E N UT RA CÊ UT IC OS | U NI DA DE 2 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA • Edulcorante lactose: essa substância é utilizada como diluente nas formas farmacêuticas. É hidrolisada no intestino delgado pela enzima lactase em glicose e galactose. A intolerância à lactose resulta em estresse gastrointestinal, em que o paciente pode apresentar diarreia, � atulência e dores abdominais. • Edulcorante sorbitol: muito usado nas formulações farmacêuticas, principalmente nas destinadas à pediatria. Está presente nas formulações como o diclofenaco de potássio (suspensão), vitamina C (efervescente e pastilha) e paracetamol (gotas e suspensão), podendo gerar transtornos gastrointestinais, como diarreia e dores abdominais, pois é a grande quantidade de sorbitol contida nessas formulações a responsável por esse fato. 5. TRATAMENTO NUTRICIONAL O tratamento nutricional clínico se inicia quando o paciente começa o uso do fármaco, sendo necessário questionar seu histórico alimentar, uso de medicamentos sem prescrição, drogas, álcool, vitaminas e suplementos minerais e � toterápicos. Além disso, analisar alterações de peso, apetite, no paladar e problemas gastrointestinais. São necessárias informações básicas sobre o fármaco, como o nome, � nalidade e duração da prescrição. Os efeitos colaterais que podem vir a ocorrer podem ser evitados, lembrando de alertar os pacientes sobre possíveis problemas nutricionais, sobretudo quando a ingestão alimentar é inadequada. No Quadro 4, temos algumas medidas dietéticas que podem ser adotadas perante algumas interações fármaco-nutrientes. Fármaco Classe terapêutica Nutriente afetado Efeito Medida dietética a ser tomada Amoxicilina, ampicilina, benzilpenicilina, cefalotina, cefalexina, ceftriaxona, ciprofl oxacina, cloranfenicol, eritromicina, gentamicina e oxacilina Antibiótico Vitaminas K e B12 Diminuição da microbiota intestinal Produtos lácteos fermentados e fi bras Dexametasona, hidrocortisona e prednisona Anti-infl amatório esteroidal Vitaminas A, C, B1, B6, B9, cálcio, potássio, fósforo, magnésio e zinco Diminuição da absorção e/ ou aumento da excreção Ingestão de frutas nos intervalos das refeições 32WWW.UNINGA.BR FA RM AC OL OG IA , F IT OT ER ÁP IC OS E N UT RA CÊ UT IC OS | U NI DA DE 2 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Metotrexato Antineoplásico Ácido fólico Inibição competitiva da enzima diidrofolato- redutase, com depleção de folato Suplemento de ácido fólico e dietas ricas em verduras de cor verde escura Isoniazida Tuberculostático Vitamina B6 Inibição competitiva da vitamina B6 pela isoniazida, com depleção de vitamina B6 Suplemento de vitamina B6 Óleo mineral Laxante Vitaminas lipossolúveis (A, D, E, K) Diminuição da absorção e/ou menor tempo de trânsito intestinal Intervalos adequados entre a administração do medicamento e as refeições Omeprazol, ranitidina e cimetidina Antiulceroso Vitamina B12 Diminuição da absorção Suplemento de vitamina B12 e dieta rica em alimentos de origem animal Quadro 4 - Algumas medidas a serem tomadas perante algumas interações fármaco-alimento. Fonte: Lombardo e Eserian (2014). Fármaco Classe terapêutica Nutriente afetado Efeito Medida dietética a ser tomada 33WWW.UNINGA.BR FA RM AC OL OG IA , F IT OT ER ÁP IC OS E N UT RA CÊ UT IC OS | U NI DA DE 2 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA A utilização de medicamentos é a forma mais comum de terapia pela sociedade, mas muitos problemas de saúde estão relacionados ao seu uso indiscriminado. Dentre os fatores que estão envolvidos nessa questão, a carência de informa- ções por parte da população, as pressões sociais às quais os prescritores estão submetidos, a estrutura do sistema de saúde e o marketing farmacêutico são as principais causas dessa problemática. Mas será que os profi ssionais da área da saúde, assim como os doentes que se automedicam estão cientes dos efeitos que podem ser causados devido às interações entre os fármacos e os nutrientes? A automedicação pode causar danos graves à saúde de um paciente, seu uso indiscriminado tornou-se uma das grandes difi culdades enfrentadas no âmbito mundial. A facilidade do acesso a medicamentos pode estar associada aos ele- vados números de farmácias, seu uso sem orientação médica, desconhecimento dos malefícios da medicação à saúde; pode ser responsável por inúmeros casos de intoxicação no país. Para tanto, recomendam-se ações para difundir de maneira mais efi ciente o co- nhecimento sobre o uso racional dos medicamentos, assim como uma melhor capacitação de seus prescritores e maior vigilância na sua venda, mesmo que sem receita médica. 34WWW.UNINGA.BR FA RM AC OL OG IA , F IT OT ER ÁP IC OS E N UTRA CÊ UT IC OS | U NI DA DE 2 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA CONSIDERAÇÕES FINAIS Inúmeras são as ocorrências de interação entre fármacos e alimentos; esses eventos muitas vezes são desconhecidos ou ignorados por muitos pro� ssionais e por parte dos pacientes. Algumas interações fármaco-alimento podem apresentar um caráter apenas teórico, mas podem ocorrer interações que resultam em efeitos relevantes para a prática clínica e, em alguns casos, levar à morte. Essas interações podem gerar diminuição da biodisponibilidade de fármacos e levar a falhas do tratamento, ou podem causar aumento da biodisponibilidade do fármaco, gerando efeitos tóxicos. As interações podem ser gerenciadas por meio de recomendações adequadas, quando elas são consideradas signi� cativas. Uma maior compreensão dos mecanismos das interações possibilita uma melhoria contínua do paciente. Sendo assim, devem ser tomadas maiores precauções no uso de determinados fármacos x consumo de alimentos em casos de longos tratamentos, em casos de polimedicações, dietas monótonas, pois a biodisponibilidade do fármaco e dos nutrientes é essencial para o processo de cura das doenças. Uma maior elucidação de interações fármaco- alimento permite aplicar adequados protocolos terapêuticos e uso correto de medicações. Lembrando que a ação dos fármacos pode ser acompanhada de efeitos colaterais, considerados indesejáveis, bem como alguns fármacos podem causar hepatotoxicidade, nefrotoxicidade, toxicidade pulmonar, neurotoxicidade, ototoxicidade, pancreatites e até cardiotoxicidade. A interação entre fármacos e alimentos é um tema cada vez mais relevante à equipe multidisciplinar de saúde, já que os alimentos são substâncias químicas diversi� cadas e constantemente disponíveis no organismo. Tem-se a necessidade de maiores investimentos em políticas públicas que visem a levar até a comunidade informações acessíveis, aumentando o seu conhecimento e prevenindo possíveis complicações. No que se refere às adversidades dessas interações, é muito importante que os pro� ssionais participem de programas educacionais e implementem procedimentos de prevenção e resolução de problemas. Uma maior atenção deve ser dada aos casos de tratamentos crônicos e dietas monótonas, pois a biodisponibilidade do fármaco, bem como a de nutrientes, é essencial para o processo de cura de doenças. Os pro� ssionais prescritores tanto dos fármacos quanto das dietas devem informar aos pacientes o melhor horário para a administração dos medicamentos, além de conhecer quais fármacos têm o seu efeito alterado pelos alimentos e quais medicamentos têm o potencial de causar dé� cits nutricionais, deixando essas informações claras para o consumidor. 3535WWW.UNINGA.BR UNIDADE 03 SUMÁRIO DA UNIDADE INTRODUÇÃO ............................................................................................................................................................ 37 1. CONSIDERAÇÕES GERAIS SOBRE OS FITOTERÁPICOS .................................................................................. 38 2. CONCEITOS E DEFINIÇÕES NA FITOTERAPIA ................................................................................................. 39 3. PREPARAÇÕES FARMACÊUTICAS DOS FITOMEDICAMENTOS ...................................................................... 41 4. LEGISLAÇÃO BRASILEIRA ATUAL SOBRE FITOTERÁPICOS............................................................................ 42 5. USO DOS FITOTERÁPICOS NOS SISTEMAS ORGÂNICOS .............................................................................. 45 5.1 SISTEMA NERVOSO CENTRAL .......................................................................................................................... 45 5.2 SISTEMA CARDIOVASCULAR ........................................................................................................................... 46 5.3 SISTEMA RESPIRATÓRIO ................................................................................................................................ 46 5.4 SISTEMA DIGESTÓRIO ...................................................................................................................................... 46 5.4.1 DISPEPSIA ....................................................................................................................................................... 46 FITOTERÁPICOS PROF.A MA. LORENA DOS SANTOS CASTRO ENSINO A DISTÂNCIA DISCIPLINA: FARMACOLOGIA, FITOTERÁPICOS E NUTRACÊUTICOS 36WWW.UNINGA.BR 5.4.2 REMÉDIOS HEPÁTICOS ................................................................................................................................. 46 5.4.3 INCHAÇO E FLATULÊNCIA ............................................................................................................................ 47 5.4.4 GASTRITE E ÚLCERA ..................................................................................................................................... 47 5.4.5 DIARREIA AGUDA .......................................................................................................................................... 47 5.4.6 CONSTIPAÇÃO ............................................................................................................................................... 47 5.5 TRATO URINÁRIO .............................................................................................................................................48 5.6 OBESIDADE ........................................................................................................................................................48 6. INTERAÇÕES NO USO DOS MEDICAMENTOS FITOTERÁPICOS ................................................................... 49 CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................................................................................................ 51 37WWW.UNINGA.BR FA RM AC OL OG IA , F IT OT ER ÁP IC OS E N UT RA CÊ UT IC OS | U NI DA DE 3 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA INTRODUÇÃO Historicamente, a produção de medicamentos e o tratamento farmacológico das doenças iniciaram-se com o uso das plantas medicinais. Médicos gregos do século I d.C. deixavam seus registros populares de cura em compêndios e xilogravuras, baseadas na patologia humoral, determinadas pelos 4 humores corporais: sangue, � euma, bílis negra e bílis amarela, procedentes, respectivamente, do coração, sistema respiratório, fígado e baço. Os humores estavam associados com os princípios elementares da Antiguidade: ar, água, terra e fogo. Os elementos podiam ser misturados em quantidades e proporções variadas para produzir as qualidades de frio, úmido, seco ou quente. Dessa forma, se uma doença em particular fosse classi� cada como úmida, quente ou seca, ela seria tratada pela administração de uma planta medicinal com propriedade oposta. De acordo com Hipócrates, os tratamentos eram baseados no balanço dos humores removendo o excesso e aumentando o de� ciente. Este foi um dos princípios básicos da medicina da época, “semelhante cura semelhante” ou o “contrário leva à cura”. Dessas duas leis nasceram dois sistemas terapêuticos: homeopatia e alopatia. Assim, a homeopatia corresponde a um sistema de tratamento de doenças por meio de medicamentos capazes de produzir, em indivíduos sadios, sintomas semelhantes aos da doença que está sendo tratada; já a alopatia é um outro sistema da medicina que combate doenças por meios contrários a elas, procurando combater as causas. Sendo assim, pode-se de� nir a � toterapia como sendo um ramo da ciência médica alopata, que utiliza plantas, drogas vegetais e preparados delas obtidos, para o tratamento das enfermidades. Com base na origem histórica, as mais antigas obras sobre a medicina e plantas medicinais surgiram na China e no Egito. Mas também, no Brasil, vários vegetais tiveram importante papel, sendo utilizadospelos indígenas como remédios para suas doenças ou como veneno em suas guerras e caças. No Brasil e em todo mundo, a � toterapia foi peça essencial do arsenal terapêutico até meados do século XIX. Mas com o advento da “ciência médica”, a � toterapia entrou para o plano de uma modalidade alternativa, embora seja incorreto classi� car a � toterapia como um ramo especial ou alternativo da medicina. As plantas medicinais perderam importância na época e passaram a ser utilizadas como terapia alternativa. Além disso, com o avanço e crescimento do poder econômico das indústrias farmacêuticas e a ausência de pesquisas cientí� cas que comprovassem a e� cácia das substâncias � toterápicas, houve sua substituição por fármacos sintéticos. Também, a partir dos anos 1980, com o desenvolvimento de novas técnicas para identi� cação de substâncias ativas a partir de fontes naturais, ressurgiu o interesse por sua pesquisa e desenvolvimento de novos fármacos, embora as plantas medicinais tenham permanecido como forma alternativa no tratamento de doenças em várias parte do mundo. Atualmente, o uso dos fi toterápicos vem crescendo, sendo uma alternativa para tratamentos e/ou prevenção de doenças diante dos altos custos dos fármacos sintéticos. O mercado mundial dos fi toterápicos fatura bilhões/ano. Estima-se que mais da metade dos fármacos com atividades antitumorais e antimicrobianas comercializadas ou em fase de pesquisas seja de origem natural. Diante da grande importância desses medicamentos, intensifi caram-se os estudos normativos para regularizar sua legislação, avaliando a efi cácia e segurança do uso desses medicamentos. 38WWW.UNINGA.BR FA RM AC OL OG IA , F IT OT ER ÁP IC OS E N UT RA CÊ UT IC OS | U NI DA DE 3 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA 1. CONSIDERAÇÕES GERAIS SOBRE OS FITOTERÁPICOS Os � toterápicos são medicamentos obtidos de matérias-primas vegetais que possuem princípio ativo, com � nalidade pro� lática, curativa, paliativa ou para � ns de diagnóstico. Quanto à sua formulação, podem se apresentar como simples, no caso de sua formulação possuir uma única matéria-prima de origem vegetal, ou complexos (compostos), quando se encontra, na sua formulação, mais de uma matéria-prima de origem vegetal. A pesquisa cientí� ca com plantas medicinais leva ao conhecimento dos constituintes ativos que podem ser transformados em produtos medicinais seguros. O objetivo é conseguir um produto farmacêutico que contenha uma composição de� nida e uniforme. A transformação do princípio ativo isolado em pílulas, comprimidos ou cápsulas resulta em um produto diluído pelos excipientes farmacêuticos. Como exemplo, a concentração de digitoxina (medicamento indicado para o tratamento da insu� ciência cardíaca congestiva) em um comprimido é aproximadamente 10 vezes menor do que na folha da dedaleira (planta medicinal indicada para a mesma doença). Sobre as plantas medicinais, pode-se considerar toda planta administrada sob qualquer forma ao homem ou animal que exerce algum tipo de ação farmacológica. A primeira vez em que métodos químicos e analíticos foram usados para extrair o princípio ativo de uma planta medicinal foi o isolamento da mor� na a partir do ópio (1803- 1806). Substâncias isoladas do ópio, como a mor� na e codeína, possuem importante utilização terapêutica. Esforços são feitos para melhorar a substância natural aumentando as propriedades desejadas e minimizando seus efeitos colaterais. Uma parte signi� cativa de muitos medicamentos usados atualmente é derivada de princípios ativos isolados de plantas. Com relação a esses princípios ativos, muitos são originados do processo metabólico dos vegetais, divididos em metabolismo primário e secundário. O metabolismo primário consiste em um conjunto de processos metabólicos que desempenham funções primordiais, como a fotossíntese, respiração celular e está envolvido nos metabolismos dos carboidratos, das proteínas e dos lipídeos. A maioria das espécies botânicas apresenta meios de defesa desenvolvidos contra o ataque de bactérias, fungos, protozoários, insetos, pássaros e outros animais. As substâncias que constituem essa barreira de proteção são os produtos naturais. Esse produto pode ser considerado um metabólito secundário e, dentro dessa classi� cação, estão os terpenos, fenóis e alcaloides. Os terpenos correspondem ao maior grupo de compostos secundários que ocorre nos vegetais. Eles estão livres nos tecidos vegetais, outros se apresentam na forma de glicosídeos, ésteres e ácidos orgânicos. Possuem várias utilizações, sendo reguladores de crescimento, componentes do aroma e da pigmentação de � ores e repelentes de isentos. Os fenóis, por sua vez, são substâncias que possuem pelo menos um grupo hidroxila ou derivado ligado a um anel aromático. O número e variedade dos fenóis os tornam um importante grupo de substâncias secundárias das plantas. Apresentam importante função estrutural e de proteção contra microrganismos. Nas � ores, os fenóis contribuem para as cores laranja, vermelho e azul. Por � m, os alcaloides são substâncias que contêm nitrogênio. Funcionam como produtos de excreção, agem como reserva de nitrogênio, são reguladores de crescimento e importantíssimos na defesa vegetal. O Quadro 1 exempli� ca as principais classes de moléculas presentes no metabolismo vegetal secundário. 39WWW.UNINGA.BR FA RM AC OL OG IA , F IT OT ER ÁP IC OS E N UT RA CÊ UT IC OS | U NI DA DE 3 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Compostos secundários Ácidos orgânicos Alcaloides Compostos fenólicos Compostos inorgânicos Cumarinas Flavonoides Glicosídeos cardiotônicos Antraquinonas Mucilagens Óleos essenciais Saponinas Taninos Substâncias amargas Compostos sulfurados Ligninas Gomas Quadro 1 - Exemplos das principais moléculas presentes no metabolismo vegetal secundário. Fonte: Carvalho (2008). Na maioria dos casos, as plantas medicinais possuem apenas uma substância química responsável por sua atividade terapêutica. Mas em alguns casos, essa atividade terapêutica é resultante da combinação de vários compostos presentes. Sendo assim, ao passar por processos de isolamento e/ou puri� cação, pode levar à perda ou redução de sua efetividade. 2. CONCEITOS E DEFINIÇÕES NA FITOTERAPIA • Droga vegetal: corresponde à planta medicinal ou suas partes que contenham substâncias ou classes de substâncias responsáveis pela ação terapêutica. A droga passa por processos de coleta, estabilização, secagem e deve estar na forma íntegra, rasgada ou triturada. Também pode ser usada in natura, na forma de cápsulas ou na preparação de derivados (tinturas, infusão, maceração etc.). Estudos relatam situações em que os fi tocomplexos apresentam superioridade às substâncias isoladas, como, por exemplo, ingerir tomates frescos e/ou seus derivados, como molhos. Possuem maior potencial em reduzir o risco de câncer de próstata, comparado ao próprio licopeno isolado. Da mesma forma, ingerir ex- tratos derivados da maconha (Cannabis sativa) possui ação superior à ingestão do canabidiol. 40WWW.UNINGA.BR FA RM AC OL OG IA , F IT OT ER ÁP IC OS E N UT RA CÊ UT IC OS | U NI DA DE 3 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA • Chá medicinal: droga vegetal preparada sob infusão, decocção ou maceração. • Cápsula: corresponde ao princípio ativo e aos excipientes contidos em uma forma farmacêutica sólida, com invólucro solúvel sólido ou mole, apresentando tamanho e formatos variados. • Comprimido: dose única de um ou mais princípios ativos presentes em uma forma farmacêutica sólida, obtida pela compressão de volumes uniformes de partículas. • Drágea: comprimido revestido com camadas compostas por misturas de substâncias, como gomas, gelatinas, resinas, açúcares, ceras, corantes, aromatizantes e princípios ativos. • Glóbulo: possui forma farmacêutica sólida sob a forma de esferas constituídas de sacarose ou mistura de sacarose e lactose. • Infusão: trata-se da adição de água ferventesobre a droga vegetal, com abafamento do recipiente por tempo determinado. Faz-se uso das partes menos rígidas como as folhas, � ores, frutos ou com a substância ativa. • Decocção: popularmente conhecido como chá, corresponde à ebulição da droga vegetal em água por um tempo determinado. A decocção é indicada para partes da droga vegetal com consistência rígida, podendo ser raízes, cascas, sementes e caules. • Maceração: trata-se da droga vegetal em contato com a água em temperatura ambiente por um tempo determinado. Esse método pode ser usado em substâncias que degradam com o aquecimento. • Tintura: é a extração de drogas vegetais resultante de preparações alcoólicas ou hidroalcóolicas, normalmente a tintura é preparada a 10%. • Alcoolatura: semelhante à tintura, embora seja preparada a 20%. • Extrato: pode possuir consistência líquida, sólida ou semissólida de uma matéria-prima animal ou vegetal. Em seu preparo, o extrato passa por inativação enzimática, moagem e/ ou desengorduramento. Mas é preparado por percolação, maceração ou outros métodos com uso de solventes. • Solução: corresponde à forma farmacêutica líquida que contém os princípios ativos dissolvidos em solventes. • Pó: é a forma farmacêutica sólida, podendo conter vários princípios ativos secos. • Elixir: corresponde à preparação farmacêutica líquida, límpida, hidroalcóolica, apresentando teor alcoólico entre 20 e 50%. • Creme: consiste em uma emulsão com um ou mais princípios ativos visando à aplicação externa na pele ou nas mucosas. • Sabonete: apresenta forma farmacêutica sólida, à base de glicerina, contendo um ou mais princípios ativos, sendo utilizado na parte externa da pele. • Pomada: apresenta forma farmacêutica semissólida, aplicada na pele ou nas mucosas, composta por uma solução ou dispersão de um ou mais princípios ativos. 41WWW.UNINGA.BR FA RM AC OL OG IA , F IT OT ER ÁP IC OS E N UT RA CÊ UT IC OS | U NI DA DE 3 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA • Pasta: atende às especi� cações estabelecidas para pomadas, entretanto contém grande quantidade de sólidos em dispersão. • Emulsão: forma farmacêutica líquida com um ou mais princípios ativos, que consiste em um sistema de duas fases que envolvem, pelo menos, dois líquidos imiscíveis e na qual um líquido é disperso na forma de pequenas gotas ou através de outro líquido; é estabilizada por agentes emulsi� cantes. • Emplasto: é a forma farmacêutica semissólida para aplicação externa. Composta por uma base adesiva contendo um ou mais princípios ativos distribuídos em uma camada uniforme, destinada a manter o princípio ativo em contato com a pele. • Gel: forma farmacêutica semissólida de um ou mais princípios ativos que contém um gel geli� cante para fornecer � rmeza a uma solução ou dispersão. • Loção: corresponde a uma preparação líquida aquosa ou hidroalcóolica, com viscosidade variável, para aplicação sobre a pele. Pode ser solução, emulsão ou suspensão contendo um ou mais princípios ativos. • Supositório: possui forma farmacêutica sólida de vários tamanhos e formatos para ser introduzido no orifício retal, vaginal ou uretral do corpo; contém um ou mais princípios ativos que se fundem ou dissolvem com a temperatura corporal. • Xarope: preparações viscosas para o uso interno que contêm, pelo menos, 50% de sacarose. A adição desse açúcar é essencial para aumentar o prazo de validade do produto, acarretando, assim, um menor crescimento microbiano. 3. PREPARAÇÕES FARMACÊUTICAS DOS FITOMEDICAMENTOS Os � tomedicamentos são produtos cujos componentes farmacológicos consistem exclusivamente em materiais vegetais. Além de seus principais ingredientes ativos, podem possuir componentes secundários, que podem modi� car sua estabilidade ou biodisponibilidade. As drogas vegetais também contêm impurezas destituídas de atividade farmacológica, podendo até produzir efeitos indesejados. Isso explica o motivo de os � tomedicamentos com diferentes tipos de ação serem produzidos a partir de uma mesma planta, dependendo da qualidade da droga vegetal, da parte da planta que é usada, do solvente utilizado e do processo de extração. Na composição dos � tomedicamentos, estão os extratos, que correspondem a preparações concentradas, podendo ter consistência líquida, viscosa ou na forma de pó, geralmente feitas a partir das partes secas da planta. Os óleos essenciais também são extratos concentrados dos princípios ativos das plantas. Dois fatores podem determinar a composição de um extrato: a qualidade da matéria-prima vegetal e o processo de produção. No processo de transformação de uma planta em um medicamento, ações para preservação da integridade química e farmacológica devem ser tomadas, garantindo a constância de sua ação biológica e segurança em sua utilização, além de valorizar seu potencial terapêutico. Com relação à qualidade da matéria-prima, a natureza não fornece seus produtos com uma composição de� nida e padronizada. Os materiais obtidos das plantas medicinais podem apresentar variações em razão de fatores genéticos, clima, qualidade do solo e outros fatores externos. Por isso, existem tantas diferenças entre as safras de vinhos, qualidade de chás, cafés, entre outros. Os métodos de produção, por sua vez, podem variar pela natureza do solvente utilizado e dos processos de extração e secagem. 42WWW.UNINGA.BR FA RM AC OL OG IA , F IT OT ER ÁP IC OS E N UT RA CÊ UT IC OS | U NI DA DE 3 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Os extratos disponíveis no comércio possuem variações quanto à sua qualidade. Geralmente não se aplica um padrão rígido de qualidade dos ingredientes fotoquímicos dos extratos comercializados; assim, não há garantia de que seu consumo produzirá um medicamento � toterápico bem de� nido e de qualidade. 4. LEGISLAÇÃO BRASILEIRA ATUAL SOBRE FITOTERÁPICOS Em 2014, foi publicada a RDC n° 26, de 13 de maio de 2014, regulamentando dois tipos de produtos com � nalidade medicinal derivados de plantas: o medicamento � toterápico e o produto tradicional � toterápico. Os medicamentos � toterápicos, perante a legislação brasileira, são medicamentos obtidos a partir de plantas medicinais; são compostos de derivados da droga vegetal. Sendo assim, sua matéria-prima necessita ser exclusivamente vegetal e apresentar estudos cientí� cos que comprovem sua segurança e e� cácia. Os produtos tradicionais � toterápicos, por sua vez, são obtidos a partir de matérias-primas vegetais e são utilizados sem vigilância médica, prescrição ou monitoramento. As principais diferenças entre ambos os produtos estão listadas no Quadro 2. Medicamento fi toterápico Produto tradicional fi toterápico Segurança e efi cácia Estudos clínicos Tradicionalidade do uso Informações ao consumidor Bula Folheto informativo Controle de qualidade Sim Sim Quadro 2 - Principais diferenças entre os medicamentos � toterápicos e os produtos tradicionais � toterápicos Fonte: Carvalho (2008). Os chás medicinais são considerados um produto tradicional fi toterápico, não sendo necessário registro e não pode conter excipientes em suas formulações; seus constituintes devem ser apenas drogas vegetais. Conhecendo os inúmeros benefícios das plantas medicinais à saúde, a fi toterapia está sendo muito praticada tanto no âmbito da medicina tradicional quanto da alternativa. Em 2006, o Brasil recebeu a Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos (PNPF) e, em 2009, foi aprovado o Programa Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos e houve a introdução do uso das plantas medicinais e fi toterápicos no Sistema Único de Saúde (SUS). Entretanto, a utilização de plantas medicinais e fi toterápicos na prática no SUS ainda não foi consolidada. Para além dos desafi os relacionados ao desenvolvimento econômico, tecnológico e social que fazem parte das políticas relacionadas com as plantas medicinais e fi toterá- picos, temos os desafi os para efetivação dessas políticas no SUS, principalmente na atenção básica. 43WWW.UNINGA.BRFA RM AC OL OG IA , F IT OT ER ÁP IC OS E N UT RA CÊ UT IC OS | U NI DA DE 3 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA No Brasil, a regulamentação de plantas medicinais e seus derivados está sob responsabilidade da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), administrada pelo Ministério da Saúde. Até o ano de 2008, a Anvisa havia registrado 512 medicamentos, sendo 80 � toterápicos associados e 432 simples, ou seja, obtidos de derivados de apenas uma espécie vegetal. Entre as principais formas farmacêuticas usadas, 47% eram cápsulas e 20%, comprimidos. 162 espécies vegetais possuem derivados registrados, sendo que as com maior número estão listadas no Quadro 3. O Quadro 4, por sua vez, lista todas as espécies vegetais com registro de � toterápicos simples, distribuídas de acordo com sua classi� cação terapêutica. Espécie vegetal Número de registro Ginkgo biloba (Ginkgo) 33 Aesculus hippocastanum (Castanha da índia) 29 Cynara scolymus (Alcachofra) 21 Hypericum perforatum (Hipérico) 20 Glycine max (Soja) 20 Valeriana offi cinalis (Valeriana) 20 Panax ginseng (Ginseng) 17 Cassia angustifolia, Cassia senna e Senna alexandrina (Sene) 14 Cimicifuga racemosa (Cimicífuga) 14 Mikania glomerata (Guaco) 14 Maytenus ilicifolia (Espinheira-Santa) 13 Peumus boldus (Boldo) 13 Quadro 3 - Algumas espécies vegetais que possuem maior número de derivados registrados como � toterápicos simples. Fonte: Carvalho (2008). Os medicamentos à base de plantas medicinais e os fi toterápicos são muito uti- lizados pela população, porém a sua utilização se baseia na indicação leiga, tra- dicional ou cultural, sem uma adequada orientação de um profi ssional da área da saúde. Além dos médicos, outros profi ssionais podem ser habilitados para realizar a prescrição/indicação de plantas e fi toterápicos, entretanto é possível verifi car uma falta de conhecimento evidenciada, que se deve à defi ciência nas grades curriculares da disciplina Fitoterapia e ainda o desconhecimento sobre as políticas que implantam e orientam os serviços de saúde do SUS. Dessa forma, uma das difi culdades para ampliação da fi toterapia nos serviços de saúde se dá pelo desconhecimento sobre a fi toterapia, o que demanda, além da inclusão da disciplina, ações de divulgação e capacitação dos profi ssionais da área da saúde. Sendo assim, é necessário reunir informações úteis para que os profi ssionais de saúde tenham mais informações sobre o assunto, sensibilizar, levantar discus- sões e contribuir para a promoção da utilização segura e racional das plantas medicinais e fi toterápicos. 44WWW.UNINGA.BR FA RM AC OL OG IA , F IT OT ER ÁP IC OS E N UT RA CÊ UT IC OS | U NI DA DE 3 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Nomenclatura botânica Categoria terapêutica Tanacetum parthenium Analgésicos contra enxaqueca Salix alba Analgésicos Tribulus terrestris Andrógeno Valeriana offi cinalis, Piper methysticum, Passifl ora incarnata, Melissa offi cinalis, Matricaria recutita Ansiolíticos simples Ginkgo biloba Antiagregante plaquetário Glycyrrhiza glabra, Petasites hybridus Antialérgicos Crataegus oxyacantha Antiarrítmico Hypericum perforatum Antidepressivos Zingiber offi cinale Antieméticos e antinauseantes Atropa belladonna, Fumaria offi cinalis, Matricaria recutita, Melissa offi cinalis, Mentha piperita, Papaver somniferum, Peumus boldus Antiespasmódico Hamamelis virginiana Anti-hemorroidários (tópico) Allium sativum, Oryza sativa Antilipêmicos Borago offi cinalis, Boswellia serrata, Cassia occidentalis, Harpagophytum procumbens, Oenothera biennis, Uncaria tomentosa Anti-infl amatórios (oral) Calendula offi cinalis, Capsicum annum, Cordia verbenacea, Matricaria recutita, Uncaria tomentosa Anti-infl amatórios (tópico) Mentha crispa Antiparasitários Arctostaphylus uva-ursi Antissépticos urinários simples Maytenus ilicifolia Antiulcerosos Ginkgo biloba Antivertiginoso Aloe vera, Calendula offi cinalis, Stryphnodendron barbatiman Cicatrizante (tópico) Cimicifuga racemosa, Glycine max, Trifolium pratense Climatério (coadjuvante no alívio dos sintomas) Equisetum arvense, Orthosiphon stamineus Diuréticos Ananas comosus, Eucalyptus globulus, Hedera helix, Mentha piperita, Mikania glomerata, Sambucus nigra Expectorantes Echinacea purpurea Imunomodulador Silybum marianum Hepatoprotetor Fucus vesiculosus Iodoterapia Senna alexandrina, Rhamnus purshiana, Operculina alata Laxantes irritantes ou estimulantes Plantago ovata, Plantago psyllium Laxantes incrementadores do bolo intestinal Cineraria maritima Medicamentos com ação no aparelho visual 45WWW.UNINGA.BR FA RM AC OL OG IA , F IT OT ER ÁP IC OS E N UT RA CÊ UT IC OS | U NI DA DE 3 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Brosimum gaudichaudii Melanizante Garcinia cambogia Moduladores do apetite e produtos para dietas especiais Arnica montana Outros produtos com ação na pele e mucosas Pygeum africanum, Serenoa repens Outros produtos com ação no trato urinário Centella asiatica,Vaccinium myrtillus, Vitis vinifera Outros produtos com ação sobre o aparelho cardiovascular Pelargonium sidoides, Sambucus nigra Outros produtos para o aparelho respiratório Vitex agnus-castus Outros produtos para uso em ginecologia e obstetrícia Schinus terebenthifolius, Triticum vulgare Produtos ginecológicos anti-infecciosos tópicos simples Ginkgo biloba Vasodilatadores Quadro 4 - Classi� cação de algumas das principais categorias terapêuticas. Fonte: Carvalho (2008). 5. USO DOS FITOTERÁPICOS NOS SISTEMAS ORGÂNICOS Observa-se um aumento na utilização dos � toterápicos pela população brasileira. Isso pode ser explicado pelos avanços ocorridos na área cientí� ca, que permitiram o desenvolvimento de � toterápicos reconhecidamente seguros e e� cazes. O segundo é a crescente tendência de busca pela população por terapias alternativas. Logo, a � toterapia pode atuar como coadjuvante nos tratamentos alopáticos, levando em consideração suas possíveis complicações. Analisaremos, portanto, quais são os efeitos dos � toterápicos nos sistemas orgânicos. 5.1 Sistema Nervoso Central O reino vegetal está repleto de compostos e misturas de compostos que possuem efeito estimulante sobre o sistema nervoso central (SNC). Nos casos em que essa ação se deve a um único composto, como a mor� na, a cocaína ou a atropina, a planta e suas preparações são consideradas fora do domínio da � toterapia. A maior parte das outras plantas medicinais que afetam o SNC se encaixa entre as plantas sedativas. Estudos recentes têm dado ênfase a três principais drogas psicotrópicas: o extrato de Ginkgo biloba, Hypericum e a Piper methysticum Forst. F. Também podem ser citados a valeriana, lúpulo, melissa, maracujá e alfazema. Nomenclatura botânica Categoria terapêutica Para complementar os conhecimentos sobre as indicações dos fi toterápicos, sugiro assistir ao seguinte vídeo, intitulado Controle de qualidade de medicamentos fi toterápicos. Disponível em: . 46WWW.UNINGA.BR FA RM AC OL OG IA , F IT OT ER ÁP IC OS E N UT RA CÊ UT IC OS | U NI DA DE 3 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA 5.2 Sistema Cardiovascular Os � tomedicamentos possuem papel relevante no tratamento de formas leves de falência cardíaca e insu� ciência coronária, na prevenção e no tratamento da aterosclerose e de suas consequências, e no tratamento sintomático da insu� ciência venosa crônica. Entretanto, existem poucas plantas medicinais cuja e� ciência e segurança foram comprovadas, as que chamam atenção são o Crataegus laevigata (falência cardíaca e insu� ciência coronária), Allium sativum (aterosclerose), extrato de ginko (doença arterial oclusiva) e extrato de Aesculus hippocastanum (insu� ciência venosa crônica). 5.3 Sistema Respiratório As doenças respiratórias são caracterizadas por afetarem o sistema respiratório, podendo ser causadas por vírus, fungos, bactérias e outras substâncias alergênicas. Um resfriado, por exemplo,é uma in� amação benigna com catarro do trato respiratório causada por uma infecção viral. Os medicamentos � toterápicos podem ter contribuição signi� cativa para o alívio dos sintomas do resfriado. Na medicina popular e cientí� ca, são muito usados os chás, como os feitos com � ores de Sambucus nigra, � ores da Tilia L. e � ores da Filipendula ulmaria. O uso de alguns óleos essenciais também mostra benefícios subjetivos, como o óleo de hortelã (Mentha spicata), de eucalipto (Eucalyptus), podendo desobstruir as vias aéreas após inalação. Pomadas de mentol e cânfora podem ter efeitos similares. 5.4 Sistema Digestório A maioria dos remédios vegetais para distúrbios gastrointestinais é usada para tratar de problemas funcionais. 5.4.1 Dispepsia A dispepsia se refere a uma síndrome caracterizada por náuseas, pressão epigástrica, inchaço, � atulência e dores abdominais espasmódicas, relacionada à de� ciência na secreção do suco gástrico, produção biliar de� ciente, enchimento e esvaziamento prejudicado da vesícula biliar ou de� ciência na secreção de suco gástrico. As plantas com ação bené� ca no tratamento e auxílio na melhora dos sintomas são: Cynara scolymus (alcachofra), Matricaria recutita (camomila), Maytenus ilicifolia (espinheira-santa), Peumus boldus (boldo), Pimpinella anisum (erva-doce) e Zingiber o� cinale (gengibre). 5.4.2 Remédios hepáticos Os cálculos biliares são a causa mais frequente de doença do trato biliar e de desconforto, gerando dor e in� amação. Um grande número de drogas vegetais demonstra propriedades nesse tipo de distúrbio. Como exemplos, tem-se: folhas de Cynara scolymus, folhas de Peumus boldus, extrato da Curcuma longa e extrato do Taraxacum o� cinale. 47WWW.UNINGA.BR FA RM AC OL OG IA , F IT OT ER ÁP IC OS E N UT RA CÊ UT IC OS | U NI DA DE 3 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA 5.4.3 Inchaço e flatulência Inchaço e � atulência estão entre os sintomas mais comuns encontrados, e suas causas variam desde doenças in� amatórias gastrointestinais e disfunções biliares/pancreáticas a lesões ateroscleróticas dos vasos sanguíneos mesentéricos. As preparações � toterápicas têm importante papel no tratamento da � atulência, como óleos essenciais, Cuminum cyminum, Aloe vera, Illicium verum, Mentha spicata, Matricaria chamomilla e Melissa o� cinalis. 5.4.4 Gastrite e úlcera In� amações da mucosa gástrica, que variam de formas relativamente leves de gastrite até úlcera péptica, são tratadas farmacologicamente com antiácidos e com medicamentos anti- in� amatórios. Os principais medicamentos em uso são a Matricaria chamomilla, Maytenus ilicifolia e Glycyrrhiza glabra. 5.4.5 Diarreia aguda Diarreia é a passagem frequente (mais de três vezes ao dia) de fezes líquidas ou semilíquidas. Tem início rápido e geralmente dura 3-4 dias, pode ter uma causa infecciosa. Os � tomedicamentos possuem papel signi� cativo, tanto como medicamentos caseiros tradicionais quanto como preparações, como aquelas que apresentam taninos, como, por exemplo, a Paullinia cupana Kunth (guaraná), devido às altas taxas de taninos, que atuarão como adstringentes, que é uma atividade de moléculas polares, capazes de revestir o lúmen do intestino com uma película protetora, devido à sua reduzida absorção por ele; pectinas e leveduras. 5.4.6 Constipação A constipação é caracterizada por descobertas e queixas amplamente baseadas na frequência dos movimentos intestinais e na di� culdade para a sua realização. Possui características subjetivas, como esforço excessivo ao defecar, defecação dolorosa e uma sensação incompleta de evacuação. O tratamento de uma constipação crônica deve sempre começar com uma reeducação alimentar, aumentando o consumo de � bras, líquidos e prática regular de exercícios físicos. Com relação à � toterapia auxiliar, indica-se a prescrição de agentes formadores de volume (� bras), os laxativos � cam como segunda opção. Os agentes formadores de volume fecal são componentes da dieta, compostos por carboidratos que podem sofrer quebra completa, como as pectinas, ou parcial, como os farelos, pela ação das bactérias do cólon. Essas substâncias estimulam a atividade intestinal por meio de sua ação formadora de volume e apressam o trânsito do material fecal. Outro fator importante é a modi� cação da � ora intestinal, visto que esses compostos que aumentam o volume fecal fornecem substratos para proliferação da � ora bacteriana, os chamados prebióticos. As bactérias presentes na � ora intestinal podem quebrar esses materiais e liberar ácidos graxos de cadeia curta, auxiliando na proteção da mucosa intestinal. Os agentes de volume tornam as fezes mais suaves e as tornam capazes de passar pelo intestino mais facilmente. Entre os agentes formadores fecais mais conhecidos, encontram-se: Psyllium, farelo de trigo, semente de linho e ágar. 48WWW.UNINGA.BR FA RM AC OL OG IA , F IT OT ER ÁP IC OS E N UT RA CÊ UT IC OS | U NI DA DE 3 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Com relação aos � toterápicos laxativos, eles são estimulantes que induzem um movimento intestinal não � siológico com fezes líquidas e cólicas frequentes. Os re� exos produzidos pelo estímulo de receptores na mucosa e na submucosa levam ao aumento da mobilidade propulsora do cólon, encurtando o tempo de trânsito. O principal efeito adverso que pode ocorrer com o uso ocasional é dor abdominal ou cólica. Entre os mais utilizados, estão: Rheum rhabarbarum, Cassia angustifólia Rhamnus purshiana, Aloe arborescens e Ricinus communis. 5.5 Trato Urinário Na urologia, as duas principais indicações de drogas vegetais são para doenças in� amatórias do trato urinário e hiperplasia prostática. Com relação à infecção urinária, ela pode ser de� nida pela presença e multiplicação de microrganismos patogênicos no trato urinário. Acomete principalmente mulheres, tendo destaque a Escherichia coli, o principal agente etiológico. Entre os � toterápicos recomendados para esse � m, estão: Vaccinium macrocarpon L. (Arando americano), Arctostaphylos uva-ursi L. (Uva ursina), Urtica dioica L. e Urtica urens L. (Urtiga), Solidago virgaurea L., Equisetum arvense L. (cavalinha), Orthosiphon aristatus L. (chá- de-fava). A hiperplasia prostática, por sua vez, é a doença urológica mais importante que afeta o sexo masculino. A causa anatômica é uma dilatação da próstata devida a alterações hiperplásicas nas glândulas piriuretais, causando estreitamento da uretra e di� culdade de urinar. A � toterapia pode ter ação bené� ca no tratamento da hiperplasia prostática, são inúmeras as plantas com ação promissora. Os primeiros extratos prescritos foram derivados da Serenoa repens e Epilobium parvi� orum, óleo de Cucurbita pepo (sementes de abóbora), Pygeum africanum, Urtica dioica, Scale cereale, Hypoxis Rooperi, entre outros. 5.6 Obesidade Atualmente, a obesidade está sendo um grande problema para a saúde pública no mundo, sua prevalência atinge proporções epidêmicas. É considerada uma doença multifatorial, atingindo pessoas de todas as faixas etárias, caracterizada pelo aumento de peso e o acúmulo excessivo ou anormal de gordura corporal acima dos padrões de normalidade. Em seu tratamento, são empregados vários métodos, dentre eles, o uso da � toterapia, uma importante alternativa terapêutica. Diferentes plantas medicinais estão sendo estudadas e utilizadas com o objetivo da diminuição de peso; principalmente, os � toterápicos com ação inibidora de lipases, termogênicos ou que atuam reduzindo o apetite. Muitas pesquisas evidenciam que componentes como os � avonoides, alcaloides, terpenoides auxiliam no tratamento da obesidade, visto que podem atuar no organismo como aceleradores do metabolismo ou moderadores de apetite, causando redução do consumo alimentar. Os principais � toterápicos que auxiliam a perda de peso são: • Phaseolus vulgaris (feijão branco): seu potencial emagrecedor está relacionado à faseolamina, uma glicoproteína que possui ação de inibir a enzimaalfa-amilase, reduzindo a biodisponibilidade intestinal de carboidratos. Além disso, possui poder de saciedade, e a quantidade de ácido fítico do feijão pode auxiliar a inibição da digestão do amido, direta ou indiretamente. Isso porque o ácido fítico pode quelar minerais, proteínas e amido, comprometendo a biodisponibilidade desses nutrientes. 49WWW.UNINGA.BR FA RM AC OL OG IA , F IT OT ER ÁP IC OS E N UT RA CÊ UT IC OS | U NI DA DE 3 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA • Cynara scolymus (alcachofra): planta rica em fruto-oligossacarídeos e inulina, � bras alimentares que não são digeridas pelas enzimas do intestino humano. Ela alcança o cólon, onde é utilizada pela � ora microbiana, alterando o trânsito intestinal, ocasionando uma rápida eliminação do bolo fecal, o que reduz o tempo de contato com o tecido intestinal, reduzindo a absorção dos lipídeos. A alcachofra pode atuar no tratamento das dislipidemias e obesidade, uma vez que inibe a atividade da lipase pancreática. Sua ação também está associada a uma ação hepatoprotetora, antioxidante, colagoga e colerética (aumentando a secreção e a produção da bile), antidispéptica, redutora de colesterol e estimulante do sistema hepatobiliar. • Camelia sinensis, conhecida como chá verde, possui alta concentração de � avonoides da família das catequinas, capazes de reduzir o peso corporal, gordura total e visceral, além de possuir ação anti-in� amatória, hipoglicemiante, hipolipidêmica, termogênica e lipolítica. Pesquisas identi� caram a relação do chá verde com a perda de peso, prevenção do câncer, obesidade e síndrome metabólica, predominando o aumento da termogênese e oxidação lipídica. 6. INTERAÇÕES NO USO DOS MEDICAMENTOS FITOTERÁPICOS O uso popular das plantas medicinais está relacionado com sua utilização de forma indiscriminada, fato que demanda atenção. Isso porque as plantas medicinais são xenobióticos, seus produtos de transformação podem ser tóxicos, devendo considerar que essa toxicidade pode se apresentar a longo prazo e de forma assintomática. O consumo de plantas medicinais é capaz de aliviar ou curar enfermidades, mas deve- se ter o conhecimento a respeito de suas condições de cultivo, associada à correta identi� cação farmacobotânica, reações adversas, posologia e interações com outros medicamentos. Por vezes, um único fármaco não é su� ciente para a recuperação da saúde, havendo necessidade da prescrição de mais fármacos. Em alguns casos, as drogas podem interagir entre si, causando uma interação medicamentosa. Esta pode ocorrer também na preparação de chás, xaropes caseiros e medicamentos � toterápicos. Seguem as interações de algumas plantas: • Alcachofra: estudos demonstram que seu efeito diurético pode ser prejudicial quando utilizado em associação com diuréticos porque o volume sanguíneo pode diminuir drasticamente gerando quedas de pressão arterial devido a maiores excreções de potássio, podendo gerar hipocalemia. • Alho: pacientes que utilizam anticoagulantes orais como a varfarina poderão apresentar sangramento aumentado quando associarem seu uso a medicamentos que contenham alho na composição. Ele também pode intensi� car o efeito de drogas hipoglicemiantes, pequena redução nos níveis de colesterol no sangue e redução da pressão sanguínea. • Boldo: pode ocorrer inibição da agregação plaquetária, pacientes que estão sob terapia de anticoagulantes não devem ingerir concomitantemente o boldo devido à sua ação aditiva, à função antiplaquetária dos anticoagulantes. 50WWW.UNINGA.BR FA RM AC OL OG IA , F IT OT ER ÁP IC OS E N UT RA CÊ UT IC OS | U NI DA DE 3 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA • Camomila: pode interagir com os anticoagulantes, como a varfarina, e aumentar o risco de sangramento. Pode intensi� car a ação dos sedativos e reduzir a absorção do ferro. Também interfere no mecanismo por meio do qual o corpo processa determinadas drogas através de sistemas enzimáticos, como o P450. A camomila também pode apresentar efeito antiestrogênico. • Cascara sagrada: seu uso, associado a diuréticos, pode gerar hipocalemia, além de intensi� car o trânsito intestinal afetando a absorção dos medicamentos administrados via oral. • Castanha da índia: teoricamente pode aumentar o risco de sangramentos quando utilizada com ácido acetilsalicílico, varfarina, heparina e alguns anti-in� amatórios, como o ibuprofeno. Pode intensi� car o efeito hipoglicemiante de usuários que fazem uso da insulina. A e� ciência dos fármacos antiácidos pode ser afetada, visto que a castanha da índia é irritante ao trato gastrointestinal. Associada ao sene, potencializa seu efeito laxativo. • Erva cidreira: essa erva pode interagir com outras plantas medicinais, como a kava- kava, visto que, de maneira geral, interage com depressores do sistema nervoso central e hormônios tireoidianos. • Erva São João: com sua administração, pode ocorrer interação com a tiramina, inibir a absorção de ferro, interação com contraceptivos orais, resultando em sangramentos ou gravidez indesejada, assim como pode aumentar a pressão sanguínea. • Erva doce: possui ação sedativa discreta quando administrada na forma de chá. Porém, quando administrada com drogas hipnóticas, pode prolongar esse efeito. • Eucalipto: o óleo essencial do eucalipto pode induzir enzimas hepáticas envolvidas no metabolismo dos fármacos, e a ação de outras drogas pode ser diminuída quando administrada simultaneamente. • Gengibre: capaz de estimular a produção de ácido clorídrico estomacal, in� uenciando a ação de fármacos como a ranitidina e o omeprazol. Pode aumentar o risco de sangramentos quando administrado com ácido acetilsalicílico, varfarina, heparina, ibuprofeno e outros medicamentos que apresentem essa ação. Poderá interferir com medicamentos que alteram a contração cardíaca. Existe a possibilidade de diminuição dos níveis de açúcar no sangue, interferindo na medicação para diabetes, como a insulina. 51WWW.UNINGA.BR FA RM AC OL OG IA , F IT OT ER ÁP IC OS E N UT RA CÊ UT IC OS | U NI DA DE 3 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA CONSIDERAÇÕES FINAIS O uso dos � toterápicos vem crescendo, sendo uma alternativa para tratamentos e/ou prevenção de doenças. O mercado mundial dos � toterápicos fatura bilhões/ano. Estima-se que mais da metade dos fármacos com atividades antitumorais e antimicrobianas comercializadas ou em fase de pesquisas seja de origem natural. Os � toterápicos são medicamentos obtidos de matérias-primas vegetais que possuem princípio ativo, com � nalidade pro� lática, curativa, paliativa ou para � ns de diagnóstico. Quanto à sua formulação, podem se apresentar como simples, no caso de sua formulação possuir uma única matéria-prima de origem vegetal, ou complexos (compostos), quando se encontram, na sua formulação, mais de uma matéria-prima de origem vegetal. Os produtos tradicionais � toterápicos, por sua vez, são obtidos a partir de matérias- primas vegetais e são utilizados sem vigilância médica, prescrição ou monitoramento. De acordo com a RDC n° 13/2013, os produtos tradicionais � toterápicos “[...] são aqueles obtidos com emprego exclusivo de matérias-primas vegetais ativas, cuja segurança seja baseada por meio da tradicionalidade do uso e que seja caracterizado pela reprodutibilidade e constância de sua qualidade”. Ainda são escassas as fontes de informações sobre a industrialização e/ou manipulação de plantas medicinais. São poucas as pesquisas agronômicas, farmacológicas, toxicológicas e de estudos clínicos para a fabricação de produtos � toterápicos. Esses compostos podem acarretar efeitos bené� cos no sistema nervoso central, cardiovascular, respiratório, digestório, urinário, em doenças como a obesidade, entre outros. Porém, o uso popular das plantas medicinais está relacionado com sua utilização de forma indiscriminada, fato que demanda atenção. Isso porque as plantas medicinais são xenobióticos, seus produtos de transformação podem ser tóxicos, devendoconsiderar que essa toxicidade pode se apresentar a longo prazo e de forma assintomática. Diante da grande importância desses medicamentos, intensi� caram-se os estudos normativos para regularizar sua legislação, avaliando a e� cácia e segurança do uso desses medicamentos. 5252WWW.UNINGA.BR UNIDADE 04 SUMÁRIO DA UNIDADE INTRODUÇÃO ............................................................................................................................................................ 54 1. UTILIDADE DOS NUTRACÊUTICOS ..................................................................................................................... 56 2. NUTRACÊUTICOS COMUMENTE USADOS ........................................................................................................ 57 2.1 ÁCIDOS GRAXOS POLI-INSATURADOS (ÔMEGA-3 E ÔMEGA-6) ................................................................. 57 2.2 AMINOÁCIDOS E PEPTÍDEOS ........................................................................................................................... 58 2.3 BETACAROTENO................................................................................................................................................. 59 2.4 CÁLCIO ................................................................................................................................................................ 59 2.5 FITOESTERÓIS ................................................................................................................................................... 59 2.6 QUERATINA ........................................................................................................................................................60 2.7 QUITOSANA ........................................................................................................................................................60 2.8 ISOFLAVONAS ................................................................................................................................................... 61 NUTRACÊUTICOS PROF.A MA. LORENA DOS SANTOS CASTRO ENSINO A DISTÂNCIA DISCIPLINA: FARMACOLOGIA, FITOTERÁPICOS E NUTRACÊUTICOS 53WWW.UNINGA.BR 2.9 PROBIÓTICOS .................................................................................................................................................... 61 2.10 SELÊNIO ............................................................................................................................................................ 62 2.11 ZINCO ................................................................................................................................................................ 62 2.12 VITAMINA E ...................................................................................................................................................... 62 2.13 VITAMINA C ..................................................................................................................................................... 63 2.14 FIBRAS DIETÉTICAS ......................................................................................................................................... 63 3. INTERAÇÕES, EFEITOS ADVERSOS E SEGURANÇA NO CONSUMO DOS NUTRACÊUTICOS ...................... 64 4. DIFERENÇAS ENTRE ALIMENTOS FUNCIONAIS E OS NUTRACÊUTICOS ..................................................... 65 CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................................................................................................68 54WWW.UNINGA.BR FA RM AC OL OG IA , F IT OT ER ÁP IC OS E N UT RA CÊ UT IC OS | U NI DA DE 4 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA INTRODUÇÃO Desde os primórdios, existe uma relação estreita entre o consumo de alimentos saudáveis e a saúde da população. A presença frequente de efeitos adversos associados às terapias farmacológicas convencionais e a falta de respostas terapêuticas e� cazes levaram à necessidade de novas pesquisas para determinar diferentes alternativas para prevenção e tratamento de doenças crônicas não transmissíveis, visto que encontrar alimentos que in� uenciam esse processo pode ser um caminho para reduzir a prevalência de doenças. Atualmente muitas pesquisas relacionadas a alimentos funcionais, suplementos dietéticos e nutracêuticos estão sendo desenvolvidas, a comunidade cientí� ca têm buscado cada vez mais informações sobre essas substâncias. Na última década, houve um aumento de 20% nesse setor; com esse cenário, os nutracêuticos representaram o segmento da indústria alimentícia que mais cresceu. Na Figura 1, podemos observar o crescimento do mercado de nutracêuticos de 1999 a 2010. Figura 1 - Crescimento do mercado de nutracêuticos de 1999 a 2010. Fonte: Fernandes (2016). O termo “nutracêutico” de� ne uma variedade de alimentos e componentes alimentícios, compostos por minerais e vitaminas essenciais, podendo agir protegendo contra diversas doenças infecciosas. Englobam os nutrientes isolados, suplementos dietéticos, alimentos funcionais, produtos herbais e alimentos processados, como cereais, sopas e bebidas. São classi� cados como � bras dietéticas, ácidos graxos poli-insaturados, proteínas, peptídeos, aminoácidos, minerais, vitaminas, antioxidantes e outros antioxidantes. A prevenção e o tratamento com nutracêuticos pode ser considerado um poderoso instrumento para manutenção da saúde e contra doenças crônicas, por meio da promoção da longevidade e melhora da qualidade de vida. De fato, os nutracêuticos podem ser uma alternativa para o tratamento e gerenciamento da saúde. A Figura 2 representa o termo nutracêutico. 55WWW.UNINGA.BR FA RM AC OL OG IA , F IT OT ER ÁP IC OS E N UT RA CÊ UT IC OS | U NI DA DE 4 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Figura 2 - O nutracêutico ocupa posição entre os alimentos e medicamentos. Fonte: Gulati e Berry Ottaway (2006). Com relação à sua regulamentação, no Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) não reconhece o termo nutracêutico, embora a resolução RDC n° 2, de 2002, regulamente as substâncias bioativas, as quais mais se aproximam dos nutracêuticos. Logo, apesar de existirem legislações e de� nições que se aplicam aos nutracêuticos, sua categoria não é reconhecida o� cialmente e não existem leis especí� cas que garantam a e� cácia, segurança e qualidade de seu uso. Por serem capazes de alterar as funções metabólicas e � siológicas do organismo, devem ser avaliados e submetidos aos testes de controle de qualidade, assim como os demais produtos farmacêuticos. A comunidade cientí� ca possui grande desa� o devido à imensa gama de variedades de produtos nutracêuticos disponíveis no mercado e poucas referências em relação a testes de controle de qualidade. Dessa forma, uma adequada regulamentação e consequente adoção desses ensaios analíticos poderá contribuir com a venda de produtos de qualidade, com garantia reconhecida, uma base cientí� ca sólida, sem adulteração ou substâncias tóxicas. 56WWW.UNINGA.BR FA RM AC OL OG IA , F IT OT ER ÁP IC OS E N UT RA CÊ UT IC OS | U NI DA DE 4 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA 1. UTILIDADE DOS NUTRACÊUTICOS Os atuais meios de comunicação desempenham importante papel para o consumo e a comercialização dos produtos nutracêuticos, e o fato de se tornarem populares teve origem com alegação de um consumo sem contraindicações, podendo atuar em patologias como o câncer, aterosclerose, osteoporose, doenças cardiovasculares, neurodegenerativas, entre outros. A gama de produtos e suas diversas formas de comercialização permitem que os nutracêuticos sejam cada vez mais visíveis pela comunidade. A manufatura e venda desses produtos possui pouca supervisão, com grande acessibilidade para sua aquisição, não necessitando de prescrição, acarretando inúmeros casos de automedicações. Várias são as razões pelas quais esses produtos são adquiridos,a principal razão está pautada na prevenção de doenças; segundos estudos publicados, as populações que mais consomem esses produtos são os jovens, atletas, adultos acima de 65 anos visando a melhorar seu estado de saúde, manter sua saúde, melhorar a dieta, prevenir doenças, melhorar o sistema imunológico e melhorar as articulações. Observa-se que boa parte da população está substituindo a terapêutica farmacológica pela terapia alternativa com os nutracêuticos. A seguir, são apresentados exemplos de algumas patologias que podem receber tratamento alternativo a partir desses compostos: • Câncer: vários produtos naturais com atividade antitumoral são descritos, como o resveratrol, produtos ricos em ferro, extrato de chá verde, cálcio associado à vitamina D, ômega-3, prebióticos e probióticos. • Doenças cardiovasculares: o papel dos nutracêuticos em diversas patologias cardiovasculares está sendo muito estudado. A dislipidemia é o termo que de� ne todas as anomalias dos lipídeos no sangue. As dislipidemias podem ser de vários tipos, podendo manifestar-se por um aumento dos triglicerídeos, aumento do colesterol, entre outros. Nos dias atuais, as dislipidemias são um dos fatores de risco para a aterosclerose e outras doenças cardiovasculares. Logo, os nutracêuticos podem desempenhar importante papel na prevenção de doenças cardiovasculares; entre eles, estão: os efeitos do licopeno, que atua impedindo a formação de placas ateroscleróticas, bem como os carotenoides e a vitamina E, que estão envolvidos na redução dos efeitos nocivos da isquemia. Por outro lado, existe a potencialização de muitos medicamentos, quando combinados com os nutracêuticos, como as estatinas e o ômega-3, que aumentam o HDL e diminuem os triglicerídeos. Segue um artigo para complementar os conhecimentos acerca de como os nutra- cêuticos podem benefi ciar pacientes com a patologia de câncer de mama. PADILHA, P. M.; PINHEIRO, R. S. O papel dos alimentos funcionais na prevenção e controle do câncer de mama. Revista Brasileira de Cancerologia, Rio de Janeiro, v. 50, p. 251-260, 2004. 57WWW.UNINGA.BR FA RM AC OL OG IA , F IT OT ER ÁP IC OS E N UT RA CÊ UT IC OS | U NI DA DE 4 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA • Doenças dermatológicas: um exemplo de doenças in� amatórias da pele, a psoríase, se bene� cia das propriedades terapêuticas do uso da vitamina B9 e B12, assim como a dermatite com o uso de alguns probióticos. Da mesma forma, a suplementação com gorduras poli-insaturadas, vitamina D e E, selênio, chá verde, resveratrol e licopeno atuam impedindo o desenvolvimento ou a progressão do melanoma. Também a vitamina E atua como antioxidante e antitumoral. • Doenças gastrointestinais: alguns probióticos mostraram e� cácia no tratamento da intolerância à lactose e na prevenção da saúde bucal. Prebióticos como a lactulose possuem efeito no tratamento de sintomas associados à constipação crônica por atuarem como laxantes osmóticos. Podem ser usados também ácidos graxos para o tratamento da doença in� amatória intestinal e redução do estresse oxidativo no intestino. Da mesma forma, o EPA e DHA auxiliam na modulação do sistema imunológico e digestivo. • Outras doenças: o uso de vários nutracêuticos, como o ácido fólico e o ômega-3, podem ser adjuvantes no tratamento de doenças neurodegenerativas e alterações psíquicas. Além disso, o ômega-3, o sulfato de condroitina e glucosamina mostram e� cácia no tratamento de doenças reumatológicas. O sulfato de condroitina atua diminuindo a concentração de citocinas pró-in� amatórias, e a glucosamina inibe a ação de proteases, que degradam o colágeno articular. 2. NUTRACÊUTICOS COMUMENTE USADOS Os nutracêuticos correspondem a diversas classes de componentes, que podem ser representados por uma única substância, por uma complexa mistura de substâncias extraídas de vegetais ou por produtos obtidos de novas fontes ou processos de produção. Existem diversas opções de classi� cação, de acordo com sua natureza química, mecanismo de ação e/ou sua origem. Podem ser conhecidos como agentes antioxidantes, reguladores do metabolismo lipídico, anti-in� amatórios, imunorreguladores, osteogênicos e com atividade antitumoral. A maioria dos estudos menciona três categorias principais de nutracêuticos: os nutrientes que correspondem às substâncias com funções nutricionais estabelecidas, como vitaminas, minerais, aminoácidos e ácidos graxos e ervas; produtos à base de plantas processadas ou na forma de extratos; suplementos dietéticos. Dentre eles, estão os elencados a seguir. 2.1 Ácidos Graxos Poli-Insaturados (Ômega-3 e Ômega-6) O ácido linoleico (ômega-3) e alfa-linolênico (ômega-6) são necessários ao organismo por atuarem mantendo as membranas celulares sob condições normais, assim como as funções cerebrais e a transmissão de impulsos nervosos. O ácido linoleico pode ser encontrado no óleo de soja, girassol, milho; o ácido linolênico, por sua vez, nos óleos de linhaça, canola e peixes. Eles também atuam prevenindo e tratando doenças cardiovasculares, hipertensão, in� amação em geral, asma, artrite, psoríase e vários tipos de câncer; estudos relatam que suplementar ômega-3 no pré- operatório pode auxiliar no processo de cicatrização. O EPA e DHA são os principais bioativos do ômega-3, podendo prevenir doenças periodontais, melhorando a síndrome metabólica. Um equilíbrio entre o ômega-3 e ômega-6 é determinante para reduzir riscos de problemas cardíacos e doenças coronarianas (Figura 3). 58WWW.UNINGA.BR FA RM AC OL OG IA , F IT OT ER ÁP IC OS E N UT RA CÊ UT IC OS | U NI DA DE 4 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Figura 3 - Estrutura química do ômega-3 e do ômega-6, respectivamente. Fonte: Martins, Silva e Glória (2010). 2.2 Aminoácidos e Peptídeos O triptofano é um nutracêutico clássico que vem sendo empregado em diversas patologias. Pode contribuir para o crescimento celular, síntese proteica e para síntese do neurotransmissor serotonina (Figura 4). A serotonina ou 5-hidroxitriptamina (5-HTP) participa de uma ampla variedade de funções no sistema nervoso central, além de atuar no controle da ingestão alimentar e contribuir para perda de peso. A arginina, por sua vez, está muito relacionada com melhorias em respostas imunológicas. Sua suplementação está associada a uma melhor resposta imune das células, retardo do crescimento de tumores e menor formação de metástases. Também pode ser imunomodulador em pacientes que sofreram lesões, traumas cirúrgicos, desnutrição ou sepse. Outro aminoácido em destaque, a glutamina, atua como precursor da síntese proteica, sendo intermediário de várias vias metabólicas. Suplementar glutamina pode exercer inúmeros efeitos bené� cos, como, por exemplo: melhora na utilização de glicose mediada pela insulina, atuação como cardioprotetor, modulação da ativação de proteínas de estresse e choque térmico, contribuindo para aumento da capacidade da célula em sobreviver a alterações na sua homeostase. Figura 4 - Estrutura química do triptofano. Fonte: Martins, Silva e Glória (2010). A semente de linhaça possui componentes que apresentam importantes ações biológicas, como o ômega-3 e as fi bras solúveis. Diversos estudos relacionam o efeito terapêutico da semente de linhaça com câncer de mama, próstata e cólon, diabetes, lúpus, perda óssea, doenças hepáticas, renais e cardiovasculares. 59WWW.UNINGA.BR FA RM AC OL OG IA , F IT OT ER ÁP IC OS E N UT RA CÊ UT IC OS | U NI DA DE 4 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA 2.3 Betacaroteno Corresponde a um pigmento natural encontrado nas plantas e vegetais, principalmente os que possuem coloração alaranjada e folhosos de cor verde escura (Figura 5). O betacaroteno é precursor da vitamina A e sua principal atividade antioxidante está relacionada à sua capacidade de neutralizar as espécies reativas de oxigênio e neutralizar radicais peroxil; dessa forma, é capaz de reduzir a oxidação de DNA e de lipídeos que estão associados a doenças degenerativas,como o câncer e doenças cardíacas. A vitamina A também está relacionada com o processo de formação da pele, unhas, cabelo, queratinização e potencial antienvelhecimento. Figura 5 - Estrutura química do betacaroteno. Fonte: Rodriguez-Amaia (2008). 2.4 Cálcio O cálcio é um nutriente essencial para diversas funções biológicas. Estudos demonstram seu consumo associado à saúde óssea, prevenção de câncer do cólon, melhora na hipertensão arterial e no tratamento da obesidade. Grande parte da população brasileira apresenta consumo de cálcio abaixo do recomendado. Fatores endógenos, como idade e estado hormonal, e fatores exógenos, como � tatos, oxaloacetatos, sódio, compostos bioativos e vitamina D, in� uenciam em sua absorção e biodisponibilidade. As principais fontes alimentares de cálcio incluem leite e derivados, verduras verde escuras como brócolis e couve. 2.5 Fitoesteróis Os � toesteróis são agentes com ação comprovada na redução do colesterol. Os esteróis vegetais vão bloquear a absorção do colesterol em nível intestinal, o que leva a uma maior eliminação de quantidade de colesterol pelo organismo (Figura 6). Figura 6 - Esquema representativo de como os � toesteróis bloqueiam a absorção do colesterol. Fonte: Fernandes (2016). 60WWW.UNINGA.BR FA RM AC OL OG IA , F IT OT ER ÁP IC OS E N UT RA CÊ UT IC OS | U NI DA DE 4 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Estudos atuais têm demonstrado que os � toesteróis estão envolvidos na redução dos níveis plasmáticos de colesterol e LDL, prevenção de doenças cardíacas, assim como agentes preventivos de alguns tipos de câncer. Estão presentes em alimentos ricos em lipídios, nozes, amendoins, sementes de gergelim, legumes, frutas, grãos em geral e óleos vegetais (Figura 7). Figura 7 - Estrutura geral dos � toesteróis. Fonte: Breda (2010). 2.6 Queratina A queratina é o principal � avonoide presente na dieta humana, representando um dos grupos fenólicos mais importantes e diversi� cados entre os produtos de origem natural. Pode ser encontrado em cebolas, maçãs, vinho tinto, brócolis, chás, entre outros. Possui alto potencial antioxidante, anticarcinogênico, protetores do sistema renal, cardiovascular e hepático. Além disso, é protetor contra as espécies reativas de oxigênio, neutralizando os radicais livres e o ânion superóxido, inibindo enzimas pró-oxidantes, como a xantina, NADPH-oxidase e lipogenases e atua prevenindo a morte celular. Com relação às suas contraindicações, a quercetina deve ser evitada por pacientes hipotensos e com transtornos de coagulação. 2.7 Quitosana Polissacarídeo mais abundante na natureza depois da celulose. Dentre suas propriedades biológicas estão sua atividade antimicrobiana, efeito coagulante, efeito analgésico, propriedades imunomoduladoras, anti-in� amatórias, assim como pode promover a redução dos níveis de colesterol e triglicerídeos e atuar redução de peso (Figura 8). Figura 8 - Estrutura da quitosana. Fonte: Silva (2010). 61WWW.UNINGA.BR FA RM AC OL OG IA , F IT OT ER ÁP IC OS E N UT RA CÊ UT IC OS | U NI DA DE 4 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA 2.8 Isoflavonas São compostos pertencentes ao grupo dos � avonoides, atuando como antioxidantes, anti-in� amatórios, antimicrobianos; são encontrados principalmente em produtos à base de soja, ervilha, lentilha, feijão e derivados de leguminosas. Estudos correlacionam seu uso contra os efeitos da menopausa, depressão, sintomas da síndrome do ovário policístico, melhora na resistência à insulina, estado hormonal, níveis de triglicerídeos, biomarcadores do estresse oxidativo, redução de doenças cardiovasculares e até efeitos neuroprotetores. 2.9 Probióticos São microrganismos vivos que podem ser considerados como suplementos na dieta afetando o desenvolvimento da � ora intestinal. Em um intestino adulto saudável, a micro� ora predominante se compõe de microrganismos promotores da saúde, em sua maioria pertencente aos gêneros Lactobacillus e Bi� dobacterium. O Quadro 1 relaciona as causas e os mecanismos dos efeitos bené� cos atribuídos aos probióticos. Efeito benéfi co Possíveis causas e mecanismos Melhor digestibilidade Degradação parcial das proteínas, lipídios e carboidratos. Melhor valor nutritivo Níveis elevados das vitaminas do complexo B e de alguns aminoácidos essenciais como metionina, lisina e triptofano. Melhor utilização da lactose Níveis reduzidos de lactose no produto e maior disponibilidade de lactase. Ação antagônica contra agentes patogênicos entéricos Distúrbios tais como diarreia, colites mucosa e ulcerosa, diverticulite e colite antibiótica são controlados pela acidez. Inibidores microbianos e inibição da adesão e ativação de patógenos. Colonização do intestino Sobrevivência ao ácido gástrico, resistência a lisozima e à tensão superfi cial do intestino, adesão ao epitélio intestinal, multiplicação no trato gastrointestinal, modulação imunitária. Ação anticarcinogênica Conversão de potenciais pré-carcinogênicos em compostos menos perniciosos. Estimulação do sistema imunitário. Ação hipocolesterolêmica Produção de inibidores da síntese do colesterol. Utilização do colesterol por assimilação e precipitação como sais biliares desconjugados. Modulação imunitária Melhor produção de macrófagos, estimulação da produção de células supressoras. Quadro 1 - Possíveis causas e mecanismos dos efeitos dos probióticos. Fonte: Moraes (2007). 62WWW.UNINGA.BR FA RM AC OL OG IA , F IT OT ER ÁP IC OS E N UT RA CÊ UT IC OS | U NI DA DE 4 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA 2.10 Selênio É um oligoelemento considerado essencial para o corpo humano devido à sua participação em importantes funções metabólicas como no sistema imunológico, metabolismo hormonal da tireoide, infertilidade masculina, neoplasias, doenças cardiovasculares e possui propriedades antioxidantes. A principal fonte de selênio pode ser encontrada nas plantas, cereais, produtos lácteos, carnes, peixes e castanhas. 2.11 Zinco Mineral encontrado em carnes bovinas, peixes, aves, leite, queijos, frutos do mar, cereais de grãos integrais, gérmen de trigo, feijões, nozes, amêndoas, castanhas e semente de abóbora. Está envolvido em fatores de crescimento, metabolismo da vitamina A, participa na conversão de hormônios tireoidianos, participa de alguns circuitos neurais, auxilia na proliferação e maturação das células de defesa, antioxidante e pode ter efeito bené� co no tratamento da diabetes. 2.12 Vitamina E Uma das principais vitaminas antioxidantes, conhecida como tocoferol, atua contra a peroxidação lipídica, assim como na redução do risco de doenças cardiovasculares, potencializa o sistema imune e modula condições degenerativas associadas ao envelhecimento. A Figura 9 apresenta sua estrutura química. Figura 9 - Estrutura química dos tocoferóis. Fonte: Moraes (2007). Uma revisão interessante sobre a ação dos prebióticos e probióticos pode ser encontrada no vídeo intitulado Fitoterapia - prebióticos e probióticos - parte um, disponível em: . 63WWW.UNINGA.BR FA RM AC OL OG IA , F IT OT ER ÁP IC OS E N UT RA CÊ UT IC OS | U NI DA DE 4 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA 2.13 Vitamina C Conhecida como ácido ascórbico, é uma vitamina vital para o funcionamento das células, particularmente no tecido conjuntivo, durante a formação do colágeno. Possui efeito protetor contra danos causados por exposições à radiação e medicamentos e proteção para evitar o desenvolvimento de tumores (Figura 10). Figura 10 - Estrutura da vitamina C. Fonte: Moraes (2007). 2.14 Fibras Dietéticas São substâncias que não são fonte de energia, pois não são hidrolisadas pelo intestino humano e sofrem fermentação pelas bactérias. Encontradas nos vegetais como arroz, soja, trigo, aveia, feijão, ervilha; verduras como alface, brócolis, couve, couve-� or, repolho; raízes como cenoura e rabanete; e hortaliças como chuchu, vagem e pepino. Podem ser classi� cadas em dois grupospouco domínio cientí� co. Entre as � nalidades do uso de um medicamento, podem ser mencionadas as seguintes: • Preventiva: quando o medicamento atua prevenindo doenças, como, por exemplo, as vacinas; • Curativa: possui � nalidade de cura, pois a doença já acometeu algum órgão ou tecido do organismo; • Paliativa: objetiva a redução da dor ou de outros sintomas, seu uso é feito quando a doença já está instalada; • Diagnóstica: são medicamentos que avaliam as alterações de órgãos que possam causar alguma patologia. O corpo humano tenta impedir o acesso de moléculas estranhas; por essa razão, para alcançar seu alvo no interior do organismo e produzir um efeito terapêutico, a molécula do fármaco necessita atravessar algumas barreiras em seu caminho até o local de ação. Após a administração, o fármaco precisa ser absorvido e então distribuído, geralmente através do sistema circulatório e linfático; além de atravessar as barreiras das membranas, o fármaco precisa resistir ao metabolismo e à sua eliminação. Absorção, distribuição, metabolismo e eliminação dos fármacos são processos da farmacocinética (Figura 1). A compreensão desses processos e de suas relações e aplicações dos princípios da farmacocinética aumenta as chances de sucesso do tratamento e reduz a ocorrência de reações adversas aos fármacos. Por outro ângulo, a farmacodinâmica ocupa-se do estudo dos efeitos bioquímicos e � siológicos dos fármacos e seus mecanismos de ação. Os efeitos da maioria dos fármacos são atribuídos à sua interação com os componentes macromoleculares do organismo. 6WWW.UNINGA.BR FA RM AC OL OG IA , F IT OT ER ÁP IC OS E N UT RA CÊ UT IC OS | U NI DA DE 1 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Figura 1 - Resumo das fases da farmacocinética. Fonte: Moura e Reyes (2002). 2. VIAS DE ADMINISTRAÇÃO DOS FÁRMACOS As principais vias de administração são: oral, injeção parenteral, absorção pulmonar, aplicação tópica (Figura 2). A ingestão oral é o método mais comumente utilizado para administrar os fármacos. É seguro, conveniente e econômico. Mas possui desvantagens como a absorção limitada de alguns fármacos em função de suas características, vômitos causados pela irritação da mucosa gastrointestinal, destruição de alguns fármacos pelas enzimas digestivas ou pelo pH gástrico baixo, irregularidades na absorção e/ou propulsão na presença de alimentos ou outros fármacos e necessita da colaboração do paciente. A absorção pelo trato gastrointestinal é determinada por fatores como área disponível à absorção, � uxo sanguíneo na superfície absortiva, estado físico (solução, suspensão ou preparação sólida) e hidrossolubilidade do fármaco e sua concentração no local de absorção. Dentro dessa classi� cação, está a administração sublingual, visto que a absorção pela mucosa oral tem importância especial para alguns fármacos, apesar do fato de a superfície disponível para a absorção ser pequena. Um fármaco administrado por via sublingual � ca protegido do metabolismo rápido do intestino e na primeira passagem pelo fígado. Outra via de administração, a injeção parenteral (não passa pelo trato gastrointestinal), é essencial à liberação de um fármaco em sua forma ativa. A biodisponibilidade é mais rápida, ampla e previsível e a dose e� caz pode ser administrada com mais precisão. No tratamento de emergência e quando o paciente está inconsciente, o tratamento parenteral é vantajoso. Mas possui suas desvantagens, como necessitar de muito cuidado com assepsia, as injeções causam dor e, em alguns casos, os pacientes têm di� culdade para aplicar injeções em si próprio. As principais vias de administração parenteral são intravenosa (IV), subcutânea (SC) e intramuscular (IM). 7WWW.UNINGA.BR FA RM AC OL OG IA , F IT OT ER ÁP IC OS E N UT RA CÊ UT IC OS | U NI DA DE 1 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA A absorção pulmonar corresponde à absorção de fármacos gasosos e voláteis através do epitélio pulmonar e das mucosas do trato respiratório. Como vantagens, tem-se o acesso à circulação com mais rapidez, visto que a superfície pulmonar é grande. Além disso, a absorção praticamente instantânea de um fármaco para a corrente sanguínea evita a perda pela primeira passagem hepática. A aplicação tópica, por sua vez, está subdividida em mucosas, olhos e pele. Alguns fármacos são aplicados nas mucosas da conjuntiva, nasofaringe, orofaringe, vagina, colo, uretra e bexiga. Em geral, a absorção desses locais é excelente e vantajosa. Os fármacos o� álmicos de aplicação tópica são usados principalmente por seus efeitos locais. A absorção dos fármacos que conseguem penetrar na pele depende da área de superfície sobre a qual são aplicados e de sua lipossolubilidade. Por � m, a administração retal pode ser utilizada, visto que cerca de 50% do fármaco que são absorvidos pelo reto não passam pelo fígado e, assim, o metabolismo da primeira passagem é menor. Entretanto, a absorção retal pode ser irregular e incompleta e alguns fármacos podem causar irritação da mucosa retal. Figura 2 - Principais vias usadas na administração dos fármacos. Fonte: Clark (2013). 3. FARMACOCINÉTICA A farmacocinética de um fármaco acontece por sua passagem através de várias membranas celulares. Os mecanismos pelos quais os fármacos atravessam as membranas e as propriedades físico-químicas das moléculas e das membranas que in� uenciam essa transferência são essenciais para compreender a metabolização dos fármacos no organismo humano. As características de um fármaco que in� uenciam seu transporte e sua disponibilidade são: o peso molecular e a conformação estrutural, o grau de ionização e a lipossolubilidade dos seus compostos ionizados, que se ligam às proteínas séricas e teciduais. Apesar de as barreiras físicas à passagem de um fármaco serem constituídas de uma camada única de células ou várias camadas de células e suas proteínas extracelulares associadas, a membrana plasmática é a barreira principal. 8WWW.UNINGA.BR FA RM AC OL OG IA , F IT OT ER ÁP IC OS E N UT RA CÊ UT IC OS | U NI DA DE 1 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA A membrana plasmática é composta por uma bicamada lipídica an� pática, com suas cadeias de ácidos graxos voltadas para o interior, de modo a formar uma fase hidrofóbica, enquanto sua região hidrofílica é orientada para o exterior. Ligadas a ela estão proteínas, que funcionam como âncoras estruturais, receptores, canais iônicos ou transportadores para a transdução dos sinais elétricos ou químicos, atuando como alvos seletivos para a ação dos fármacos. Dependendo das propriedades químicas, os fármacos podem ser absorvidos do trato gastrointestinal por difusão passiva, difusão facilitada, transporte ativo ou por endocitose. A difusão passiva é predominante no transporte da maioria dos fármacos, podendo ser dividida em transporte ativo e difusão facilitada. No transporte passivo, a molécula do fármaco geralmente penetra por difusão seguindo um gradiente de concentração devido à solubilidade na camada lipídica. Em um estado de equilíbrio, a concentração do fármaco livre é igual nos dois lados da membrana. Para os compostos iônicos, as concentrações no estado de equilíbrio dependem do gradiente eletroquímico dos íons e das diferenças de pH através da membrana. Alguns fármacos são ácidos ou bases fracas, visto que no estado de equilíbrio, um fármaco ácido se acumula no lado mais básico da membrana, enquanto um fármaco básico concentra-se no lado mais ácido da membrana. Esse fenômeno é chamado de retenção iônica, processo muito importante que pode produzir efeitos terapêuticos positivos. As proteínas da membrana plasmática � cam responsáveis pelo transporte transmembrana e pelo transporte dos fármacos em geral. Esse transporte pode ser classi� cado como difusão facilitada ou transporte ativo. A difusão facilitada é um mecanismo de transporte mediado por carreador, no qual a força motriz é o gradiente eletroquímico do soluto transportado. Esses carreadoresde � bras. Um deles são os polissacarídeos estruturais, relacionados à estrutura da parede celular e que incluem a celulose, as hemiceluloses, pectinas, gomas e mucilagens. Outra classi� cação possível diferencia as � bras em solúveis e insolúveis. As � bras solúveis são as pectinas e hemiceluloses. Estas tendem a formar géis em contato com água, aumentando a viscosidade dos alimentos parcialmente digeridos no estômago. As � bras solúveis diminuem a absorção de ácidos biliares e têm atividades hipocolesterolêmicas. Quanto ao metabolismo lipídico, parecem diminuir os níveis de triglicerídeos, colesterol e reduzir a insulinemia. Uma característica fundamental da � bra solúvel é sua capacidade para ser metabolizada por bactérias, com a conseguinte produção de gases. Os prebióticos, por sua vez, são oligossacarídeos não digeríveis, cuja função é modular a � ora intestinal, promovendo a saúde do hospedeiro. As � bras dietéticas e os oligossacarídeos não digeríveis constituem seu substrato para crescimento. Para ser de� nido como um prebiótico, deve cumprir os seguintes requisitos: ser de origem vegetal, não ser digerido pelas enzimas digestivas, ser fermentado por uma colônia de bactérias e osmoticamente ativo. Entre seus efeitos bené� cos, estão: a modulação de funções � siológicas, como a absorção de cálcio, metabolismo lipídico, modulação da � ora intestinal e redução do risco de câncer do cólon. 64WWW.UNINGA.BR FA RM AC OL OG IA , F IT OT ER ÁP IC OS E N UT RA CÊ UT IC OS | U NI DA DE 4 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA 3. INTERAÇÕES, EFEITOS ADVERSOS E SEGURANÇA NO CONSUMO DOS NUTRACÊUTICOS Os nutracêuticos possuem múltiplos componentes farmacológicos ativos, sendo possível ocorrer interações com vários outros compostos, inclusive com medicações prescritas para tratamentos farmacológicos. Os medicamentos frequentemente prescritos que podem ser alvo de possíveis interações com os nutracêuticos são os antitrombóticos, sedativos, antidepressivos, antidiabéticos e agentes quimioterápicos. O acesso a esses produtos está cada vez mais fácil, podendo ser adquiridos sem receita médica, e quando vendidos sob formas farmacêuticas, como xaropes, cápsulas ou comprimidos, geram grande con� ança por parte dos consumidores. Para ocorrer sua comercialização, basta declarar, no rótulo do produto, uma descrição simples dos principais componentes, sem necessidade de veri� car outras propriedades, riscos e componentes adicionais. A sociedade, atualmente, tem como base de con� ança a aprovação ou desaprovação de decretos oriundos da ANVISA ou da FDA (Food and Drug Administration). Apesar dos benefícios apontados, o uso dos nutracêuticos demanda cautela, em vista de possíveis efeitos adversos e toxicidade durante seu uso. Isso pode ter relação com a dose, característica do indivíduo e até mesmo qualidade do produto. No Quadro 2, encontramos alguns possíveis riscos relacionados ao uso de determinados nutracêuticos. Nutracêutico Risco Ômega-3 (EPA, DHA) Oxidação do ômega-3 pode causar intolerância e/ou toxicidade. Consumo de peixe ou óleo contaminados com agentes tóxicos ambientais (ex. metais pesados, bifenilos policlorados) pode causar toxicidade e danos à saúde. Carotenoides Licopeno Em altas doses, pode ter efeito pró-oxidante podendo ocasionar danos ao DNA celular e mitocondrial. Fitoesteróis Reabsorção elevada dos fi toesteróis pode causar toxicidade. Quitosana Uso prolongado pode induzir a formação de cristais de oxalato de cálcio, podendo comprometer a função renal. Psyllium (Plantago) Flatulência, pode reduzir a absorção de medicamentos, efeito sinérgico com hipoglicemiantes, não deve ser utilizado em pacientes com estenoses. Prebióticos Uso excessivo pode causar diarreia, fl atulência, cólicas, inchaço e distensão abdominal. Probióticos É necessária cautela na seleção das cepas bacterianas a serem utilizadas como probióticos, uma vez que estas podem conter plasmídeos de resistência a antibióticos. Vitamina A (retinol) Pode apresentar toxicidade, em altas doses, má formação congênita e doenças ósseas em portadores de doença renal crônica. 65WWW.UNINGA.BR FA RM AC OL OG IA , F IT OT ER ÁP IC OS E N UT RA CÊ UT IC OS | U NI DA DE 4 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Vitamina B9 (ácido fólico) O uso concomitante com anticonvulsionantes pode reduzir o efeito do fármaco aumentando o risco de convulsões. Vitamina B12 (cianocobalamina) Doses elevadas podem ser relacionadas a gota, prurido e diarreia. Vitamina C (ácido ascórbico) Altas doses podem causar a formação de cálculos renais, podem provocar hemorragia durante a gestação e quando associadas a fármacos anticoagulantes. Vitamina E (tocoferol) Doses elevadas durante a gestação podem aumentar o risco de problemas cardíacos congênitos no feto; suplementação não reduz riscos decorrentes da pré- eclâmpsia. Cálcio associado à vitamina D3 (colecalciferol) O consumo excessivo de cálcio (acima das doses recomendadas) pode causar toxicidade com aumento no risco de calcifi cação vascular. A vitamina D3 pode provocar dores de cabeça, irritabilidade, gosto metálico, calcinose vascular, nefrocalcinose, hipercalciúria, insufi ciência renal, pancreatite, desidratação, náuseas e vômitos. Zinco Altas doses podem estar relacionadas à anemia e distúrbios no sistema nervoso. Selênio Uso prolongado pode aumentar o risco de fadiga muscular, colapso vascular periférico, congestão vascular interna. Quadro 2 - Risco do uso de diferentes nutracêuticos. Fonte: Adaptado de Gomes, Magnus e Souza (2017). 4. DIFERENÇAS ENTRE ALIMENTOS FUNCIONAIS E OS NUTRACÊUTICOS O uso dos alimentos funcionais começou quando as indústrias passaram a enriquecer alimentos com ingredientes especí� cos, diferenciando-os com relação aos benefícios oferecidos à saúde, quando comparados aos alimentos tradicionais. O fato de não possuir uma legislação que o padronizasse mundialmente levou ao surgimento de várias denominações, como nutracêuticos e alimentos medicinais. Assim, os alimentos funcionais podem ser considerados como qualquer substância ou componente de um alimento que proporcione benefícios para a saúde, inclusive para a prevenção e tratamento de doenças. Dentre eles, estão: produtos de biotecnologia, suplementos dietéticos, alimentos geneticamente modi� cados, processados e derivados de plantas, assim como frutas, hortaliças, grãos, alimentos forti� cados e alguns suplementos alimentares. Os alimentos funcionais apresentam as seguintes características: Nutracêutico Risco 66WWW.UNINGA.BR FA RM AC OL OG IA , F IT OT ER ÁP IC OS E N UT RA CÊ UT IC OS | U NI DA DE 4 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA • São alimentos usualmente consumidos na dieta; • São compostos por substâncias naturais; • Possuem efeitos positivos, além do valor básico nutritivo, que pode trazer benefícios à saúde, reduzir o risco de ocorrência de doenças e aumentar a qualidade de vida; • Suas propriedades funcionais são comprovadas cienti� camente. As hortaliças e frutas, além de apresentarem substâncias que estão relacionadas aos efeitos metabólicos ou � siológicos do organismo humano, possuem atividade antioxidante protegendo o organismo contra o desenvolvimento de câncer, in� amações e outras doenças crônicas. Seus pigmentos naturais, gerados a partir do metabolismo secundário dos vegetais, apresentam importantes propriedades biológicas. Dentre os metabólitos secundários mais estudados, estão os � avonoides, que se destacam pela sua alta atividade antioxidante e anti-in� amatória. Os alimentos funcionais podem ser classi� cados de duas formas: quanto à fonte de origem vegetal ou animal e quanto aos benefícios que oferecem. Os nutracêuticos, por sua vez, são alimentos ou parte de alimentos que proporcionam benefícios à saúde, incluindo prevenção e/ou tratamento da doença. Portanto, os nutracêuticos são signi� cativamente diferentes dos funcionais pelas seguintes razões: • Enquanto a prevenção e otratamento de doenças são relevantes aos nutracêuticos, apenas a redução do risco da doença, e não a prevenção e o tratamento da doença, está envolvida com os alimentos funcionais; • Enquanto os nutracêuticos incluem suplementos dietéticos e outros tipos de alimentos, os alimentos funcionais devem estar na forma de um alimento comum. Logo, os conceitos de nutracêuticos, suplemento alimentar e alimento funcional estão separados por barreiras que, muitas vezes, são transponíveis. A Figura 11 representa a permeabilidade às fronteiras dos nutracêuticos. Figura 11 - Representação esquemática das fronteiras existentes no universo dos nutracêuticos. Fonte: Fernandes (2016). 67WWW.UNINGA.BR FA RM AC OL OG IA , F IT OT ER ÁP IC OS E N UT RA CÊ UT IC OS | U NI DA DE 4 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA A de� nição de alimentos é, muitas vezes, sobreponível com a dos nutracêuticos ou dos suplementos alimentares. Não existe e provavelmente nunca existirá uma de� nição única e universal para alimentos funcionais. O termo “nutracêutico” abrange os suplementos alimentares e os alimentos funcionais, quando usados sob uma forma não alimentar, tornam-se nutracêuticos (Figura 12). Figura 12 - Representação esquemática da relação da fronteira do alimento funcional x nutracêutico. Fonte: Fer- nandes (2016). Questões sobre hábitos alimentares e sua relação com a prevenção e/ou trata- mento de doenças vêm sendo pauta de muitas discussões, gerando cada vez mais autorrefl exões no sentido de corrigir possíveis erros alimentares. Para tanto, tem-se como aliado o uso dos alimentos funcionais e nutracêuticos, ambos em ascensão no mercado de alimentos. Estes, além de suas qualidades nutricionais, estão relacionados com a prevenção e/ou auxiliar no tratamento de doenças. Embora muito se fale a esse respeito, boa parte da população não possui conhe- cimento do que seja um nutracêutico, por exemplo, relacionando-o com alimentos saudáveis. Os meios de comunicação são, muitas vezes, a porta de entrada para tais informações, permitindo a propagação de conteúdos que, muitas vezes, in- fl uenciam a vida da população. Embora muito se estude sobre o tema, existe uma vasta gama de conteúdos que apenas a população envolvida no meio científi co acessa, enquanto boa parte da população é fascinada pelos conteúdos midiáticos para o consumo de muitos alimentos que, muitas vezes, nada somam em termos de qualidade nutricional. Sendo assim, torna-se necessário propagar, de maneira mais efi caz e acessível, as pesquisas científi cas realizadas, para que sejam expos- tas para a população em geral, acarretando benefícios tanto para o uso efi caz de um composto quanto para o desenvolvimento do senso crítico dos consumidores. 68WWW.UNINGA.BR FA RM AC OL OG IA , F IT OT ER ÁP IC OS E N UT RA CÊ UT IC OS | U NI DA DE 4 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA CONSIDERAÇÕES FINAIS A presença frequente de efeitos adversos associados às terapias farmacológicas convencionais e a falta de respostas terapêuticas e� cazes levaram à necessidade de novas pesquisas para determinar diferentes alternativas para a prevenção e o tratamento de doenças crônicas não transmissíveis, visto que encontrar alimentos que in� uenciam esse processo pode ser um caminho para reduzir a prevalência de doenças. Atualmente, muitas pesquisas relacionadas a alimentos funcionais, suplementos dietéticos e nutracêuticos estão sendo desenvolvidas, e a comunidade cientí� ca tem buscado cada vez mais informações sobre essas substâncias. O termo “nutracêutico” de� ne uma variedade de alimentos e componentes alimentícios, compostos por minerais e vitaminas essenciais, podendo agir protegendo contra diversas doenças infecciosas. Englobam os nutrientes isolados, suplementos dietéticos, alimentos funcionais, produtos herbais e alimentos processados, como cereais, sopas e bebidas. São classi� cados como � bras dietéticas, ácidos graxos poli-insaturados, proteínas, peptídeos, aminoácidos, minerais, vitaminas, antioxidantes, entre outros. Os alimentos funcionais, por sua vez, podem ser considerados como qualquer substância ou componente de um alimento que proporcione benefícios para a saúde, inclusive para a prevenção e o tratamento de doenças. Dentre eles, estão: produtos de biotecnologia, suplementos dietéticos, alimentos geneticamente modi� cados, processados e derivados de plantas, assim como frutas, hortaliças, grãos, alimentos forti� cados e alguns suplementos alimentares. A prevenção e o tratamento com nutracêuticos podem ser considerados um poderoso instrumento para manutenção da saúde e contra doenças crônicas, por meio da promoção da longevidade e melhora da qualidade de vida. De fato, os nutracêuticos podem ser uma alternativa para o tratamento e gerenciamento da saúde. A gama de produtos e suas diversas formas de comercialização permitem que os nutracêuticos sejam cada vez mais visíveis pela comunidade. A manufatura e venda desses produtos possuem pouca supervisão, com grande acessibilidade para sua aquisição, não necessitando de prescrição, acarretando inúmeros casos de automedicações. Observa-se que boa parte da população está substituindo a terapêutica farmacológica pela terapia alternativa com os nutracêuticos, aliados no tratamento de doenças cardiovasculares, dermatológicas, gastrointestinais, degenerativas, entre outras. Atuando como tais, estão: ômega-3, ômega-6, triptofano, arginina, glutamina, betacaroteno, cálcio, � toesteróis, queratina, quitosana, iso� avonas, prebióticos e probióticos, selênio, zinco, vitamina E, vitamina C, � bras e mais uma gama de compostos. Entretanto, os nutracêuticos possuem múltiplos componentes farmacológicos ativos, sendo possível ocorrer interações com vários outros compostos, inclusive com medicações prescritas para tratamentos farmacológicos. Os medicamentos frequentemente prescritos que podem ser alvo de possíveis interações com os nutracêuticos são os antitrombóticos, sedativos, antidepressivos, antidiabéticos e agentes quimioterápicos. É preciso que os pro� ssionais da saúde trabalhem de forma ativa na farmacovigilância desses produtos, visando a diminuir e/ou evitar potenciais danos à saúde. Portanto, o conhecimento atual dos efeitos bené� cos dos nutracêuticos, sem dúvida, terão um impacto sobre a terapia nutricional, sendo um grande aliado das ações de saúde pública para a prevenção e o tratamento, visando à manutenção da saúde, e contra doenças agudas e crônicas, promovendo ótima saúde, longevidade e qualidade de vida. 69WWW.UNINGA.BR ENSINO A DISTÂNCIA REFERÊNCIAS BRASIL. Lei nº 5772, de 21 de dezembro de 1971. Institui o Código da Propriedade Industrial e dá outras providências. Brasília, DF: Presidência da República, [1971]. Disponível em: http:// www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L5772.htm. Acesso em: 14 jul. 2020. BRASIL. Lei nº 599 1, de 17 de deze mbro de 1973. Dispõe sobre o controle sanitário do comércio de drogas, medicamentos, insumos farmacêuticos e correlatos, e dá outras providências. Brasília, DF: Presidência da República, [1973]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/ l5991.htm. Acesso em: 14 jul. 2020. BRASIL. Lei nº 6360, de 23 de setembro de 1976. Dispõe sobre a Vigilância Sanitária a que � cam sujeitos os Medicamentos, as Drogas, os Insumos Farmacêuticos e Correlatos, Cosméticos, Saneantes e Outros Produtos, e dá outras Providências. Brasília, DF: Presidência da República, [1976]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l6360.htm. Acesso em: 14 jul. 2020. BRASIL. Lei nº 9787, de 10 de fevereiro de 1999. Altera a Lei no 6.360, de 23 de setembro de 1976, que dispõe sobre a vigilância sanitária, estabelece o medicamento genérico, dispõe sobre a utilização de nomes genéricos em produtos farmacêuticos e dá outras providências. Brasília, DF: Presidência da República, [1999]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/ L9787.htm. Acesso em: 14 jul. 2020. BRASIL. Ministérioda Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução RDC no 26, de 13 de maio de 2014. Dispõe sobre o registro de medicamentos � toterápicos e o registro e a noti� cação de produtos tradicionais � toterápicos, junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Brasília, DF: Anvisa, [2014]. Disponível em: http://portal.anvisa.gov.br/ documents/33836/2501251/Consolidado_� toterapicos_2018.pdf/a2f53581-43e5-47bb-8731- 99d739114e10. Acesso em: 14 jul. 2020. BREDA, M. C. Fitoesteróis e os benefícios na prevenção de doenças: uma revisão. 2010. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Farmácia) – Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2010. CARVALHO, A.C. B. et al. Situação do registro de medicamentos � toterápicos no Brasil. Brazilian Journal of Pharmacognosy, [s. l.], v. 18, n. 2, p. 314-319, 2008. FERNANDES, A. M. J. Investigação clínica com nutracêuticos. 2016. Dissertação (Mestrado em Farmacologia Aplicada) – Universidade de Coimbra, Coimbra, 2016. GOMES, A. S.; MAGNUS, K.; SOUZA, A. H. Riscos e benefícios do uso de nutracêuticos para a promoção da saúde. Revista Saúde e Desenvolvimento, [s. l.], v. 11, n. 9, 2017. GULATI, O. P.; BERRY OTTAWAY, P. Legislation relating to nutraceuticals in the European Union with a particular focus on botanical-sourced products. Toxicology, [s. l.], v. 221, n. 1, p. 75-87, 2006. 70WWW.UNINGA.BR ENSINO A DISTÂNCIA REFERÊNCIAS LOMBARDO, M.; ESERIAN, J. K. Fármacos e alimentos: interações e in� uências na terapêutica. Infarma - Ciências Farmacêuticas, [s. l.], v. 26, n. 3, p. 188, 2014. DOI: 10.14450/2318-9312.v26. e3.a2014.pp188-192. MARTINS, A. C. C. L.; SILVA, T. M.; GLORIA, M. B. Determinação simultânea de precursores de serotonina - triptofano e 5-hidroxitriptofano-em ca� ee. Química Nova, [s. l.], v. 33, n. 2, p. 316-320, 2010. MORAES, F. P. Alimentos funcionais e nutracêuticos: de� nições, legislação e benefícios à saúde. Revista Eletrônica de Farmácia, [s. l.], v. 3, n. 2, p. 109-122, 2007. DOI: 10.5216/ref.v3i2.2082. MOURA, M. R. L.; REYES, F. G. Interação fármaco-nutriente: uma revisão. Revista de Nutrição, [s. l.], v. 15, n. 2, p. 223-238, 2002. RAMINELLI, M; HAHN, SR. Medicamentos na amamentação: quais as evidências? Ciências & Saúde Coletiva, São José dos Campos, v. 24, n. 2, p. 573- 587, 2019. RODRIGUES-AMAYA, D. B. Fontes brasileiras de carotenoides. Tabela Brasileira de Composição de Carotenoides em Alimentos. [S. l.: s. n.], 2008. v. 52. SANTOS, J. M. S. R; LOCATELLI, C. Terapia prolongada com omeprazol e suas relações com neoplasias gástricas. Revista Extensão em Foco, [s. l.], v. 6, n. 1, p. 18-23, 2018. Disponível em: https://periodicos.uniarp.edu.br/index.php/extensao/article/view/1970. Acesso em: 14 jul. 2020. SILVA, P. Farmacologia. 8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2010.podem facilitar o transporte do soluto para dentro ou para fora das células, dependendo da direção do gradiente eletroquímico. O transporte ativo caracteriza-se pelos seguintes elementos: necessidade direta de energia, possibilidade de transportar solutos contra um gradiente eletroquímico, saturalidade, seletividade e inibição competitiva de compostos cotransportados. Por � m, a endocitose ou exocitose são responsáveis por transportar grandes fármacos através da membrana celular. Na endocitose, as moléculas são englobadas pela membrana e transportadas para o interior da célula pela compressão da vesícula cheia de fármaco. A exocitose é o inverso da endocitose, e é usada pelas células para secretar várias substâncias por um processo similar ao da formação das vesículas. Figura 3 - Exemplos das formas por meio das quais os fármacos atravessam as membranas e barreiras celulares. Figura A corresponde aos transportes passivo e ativo e Figura B, à endocitose. Fonte: Clark (2013). 9WWW.UNINGA.BR FA RM AC OL OG IA , F IT OT ER ÁP IC OS E N UT RA CÊ UT IC OS | U NI DA DE 1 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Determinados fatores são importantes para a farmacocinética de um fármaco, alguns estão relacionados ao paciente e outros às suas propriedades químicas. Conhecer os princípios farmacológicos ajuda os pro� ssionais da saúde a ajustar a posologia com precisão. 3.1 Absorção e Biodisponibilidade A absorção pode ser de� nida como a passagem de um fármaco do seu local de administração para o sistema circulatório. No caso das preparações sólidas, a absorção depende inicialmente da dissolução do comprimido ou da cápsula, que então libera o fármaco. Alguns fatores in� uenciam a absorção, como o efeito do pH na absorção dos fármacos, � uxo de sangue no local de absorção, área de superfície disponível para absorção e tempo de contato com a superfície de absorção. A biodisponibilidade, por sua vez, descreve o percentual co m que a dose de um fármaco administrado alcança seu local de ação ou um � uido biológico. Ou seja, a biodisponibilidade indica a fração de uma dose oral que chega à circulação sistêmica na forma de fármaco intacto, considerando tanto a absorção como a degradação metabólica local. Para passar da luz do intestino delgado para a circulação sistêmica, um fármaco, além de penetrar na mucosa intestinal, precisa passar por várias enzimas que podem inativá-lo. A biodisponibilidade está ligada a fatores como: modi� cações na motilidade intestinal, na atividade enzimática da parede intestinal e do fígado e no pH gástrico. Se a capacidade metabólica ou excretora do fígado e do intestino for grande para o fármaco, a biodisponibilidade será reduzida signi� cativamente. 3.2 Distribuição dos Fármacos Com a absorção ou administração sistêmica na corrente sanguínea, o fármaco é distribuído aos líquidos intersticial e intracelular dependentes de suas propriedades físico-químicas, da taxa de liberação do fármaco a cada um dos órgãos e compartimentos e das capacidades de interação diferentes de cada região com o fármaco. O fígado, os rins, o encéfalo e outros órgãos bem perfundidos recebem a maior parte do fármaco; a liberação aos músculos, à maioria dos órgãos internos, à pele e à gordura é mais lenta. A segunda fase envolve uma grande fração de massa corporal, como os músculos. Dessa forma, a distribuição tecidual é determinada pela partição do fármaco entre o sangue e os tecidos. Com relação às interações entre fármaco e receptor, pode ocorrer interação entre antimicrobianos e contraceptivos orais, a partir de mecanismos opostos. Quando o anticoncepcional é ingerido, o estrogênio e a progesterona são prontamente ab- sorvidos pelo trato gastrointestinal para a corrente sanguínea, sendo conduzidos até o fígado onde são metabolizados. Esses metabólitos são excretados na bile, uma parte é hidrolisada pelas enzimas das bactérias intestinais, liberando estró- geno ativo, que é reabsorvido, aumentando o nível plasmático de estrógeno circu- lante. O uso de antibióticos destrói as bactérias da fl ora intestinal, responsáveis pela hidrólise dos conjugados estrogênicos; assim, ocorre diminuição dos níveis plasmáticos de estrógeno ativo. Estudos mostram a importância da recirculação enterro-hepática, demonstrando que diversos antimicrobianos causam uma que- da signifi cativa nas concentrações plasmáticas estrogênicas. 10WWW.UNINGA.BR FA RM AC OL OG IA , F IT OT ER ÁP IC OS E N UT RA CÊ UT IC OS | U NI DA DE 1 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA 3.3 Excreção dos Fármacos A eliminação dos fármacos requer que a substância seja su� cientemente polar para que a excreção seja e� ciente. São eliminados do corpo em sua forma inalterada ou como metabólitos. Com exceção dos pulmões, os órgãos excretores eliminam com mais facilidade os compostos polares que as substâncias altamente lipossolúveis. Por isso, fármacos lipossolúveis não são facilmente eliminados até que sejam metabolizados em compostos mais polares. O rim é o órgão mais importante para a excreção dos fármacos e de seus metabólitos. A excreção dos fármacos na urina consiste em três processos: a � ltração glomerular, secreção tubular ativa e reabsorção tubular passiva. Por outro lado, outras vias de depuração de fármacos incluem o intestino, a bile, os pulmões e o leite materno. As fezes estão envolvidas com a eliminação dos fármacos ingeridos por via oral e não absorvidos, ou fármacos que foram secretados diretamente no intestino ou na bile no trato gastrointestinal; a maioria dos compostos não é reabsorvida e é eliminada com as fezes. Os pulmões estão envolvidos primariamente na eliminação dos gases anestésicos. A eliminação de fármacos no leite materno pode causar efeitos indesejados ao lactente. A exposição das gestantes ao uso do álcool e de outras drogas é um grande pro- blema de saúde pública. O uso de drogas ilícitas, como anfetaminas, cocaína e nicotina, pode ser transferido, a partir dos transportadores de nutrientes presentes na membrana plasmática, favorecendo uma competição pelo sítio de absorção, o que reduz a distribuição de nutrientes para o feto e contribui para o défi cit de crescimento. Também o uso de drogas na gestação provoca danos para à saúde do recém-nascido, tais como: má formação congênita, desconforto respiratório, infecção neonatal, baixo peso, icterícia, edema agudo de pulmão, sífi lis congênita e sofrimento fetal. Grande parte das medicações possui advertências quanto ao seu uso durante a gestação e/ou amamentação. Sendo assim, pensando no consumo de medica- mentos pelas gestantes ou lactantes e a base teórica discutida sobre a excreção dos fármacos, sugere-se a leitura do seguinte artigo: RAMINELLI, M; HAHN, SR. Medicamentos na amamentação: quais as evidências? Ciências & Saúde Coletiva, São José dos Campos, v. 24, n. 2, p. 573- 587, 2019. 11WWW.UNINGA.BR FA RM AC OL OG IA , F IT OT ER ÁP IC OS E N UT RA CÊ UT IC OS | U NI DA DE 1 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA 4. FARMACODINÂMICA A farmacodinâmica é responsável por estudar os efeitos � siológicos e bioquímicos dos fármacos e seus mecanismos de ação, relacionando a concentração do fármaco administrada e os efeitos correspondentes. Os fármacos atuam como sinais e seus receptores atuam como detectores de sinais. Os efeitos da maioria dos fármacos são atribuídos à sua interação com os componentes macromoleculares do organismo. Os receptores ou alvos de um fármaco são macromoléculas ou o complexo macromolecular da célula com o qual o fármaco interage desencadeando uma resposta celular ou sistêmica. Os receptores dos fármacos normalmente se localizam nas superfícies das células, mas também podem estar nos compartimentos intracelulares especí� cos ou no compartimento extracelular. Alguns fármacos também interagem com receptores, como, por exemplo, a albumina sérica, que são compostos que não causam diretamente qualquer reação bioquímica ou � siológica, mas podem alterar a farmacocinéticadas reações de um fármaco. Figura 4 - A resposta biológica se inicia com o reconhecimento de um fármaco pelo receptor. Fonte: Clark (2013). Os receptores são responsáveis pelos efeitos clínicos de alguns fármacos, visto que a a� nidade de um fármaco por um receptor e a sua atividade intrínseca são determinadas por sua estrutura química. Pequenas modi� cações da molécula do fármaco podem provocar alterações signi� cativas em suas propriedades farmacológicas em decorrência da alteração da a� nidade por um ou mais receptores. Os receptores das moléculas reguladoras � siológicas podem ser classi� cados em famílias funcionais, que têm em comum estruturas moleculares e mecanismos bioquímicos. • Receptores acoplados à proteína G: constituem uma grande família de receptores transmembrana. São reguladores da atividade neural do sistema nervoso central e em razão de sua quantidade e de sua importância � siológica, esses receptores são usados como alvos de muitos fármacos. 12WWW.UNINGA.BR FA RM AC OL OG IA , F IT OT ER ÁP IC OS E N UT RA CÊ UT IC OS | U NI DA DE 1 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA • Canais iônicos: alterações no � uxo de íons através da membrana plasmática são reações reguladoras fundamentais às células. Com o objetivo de estabelecer os gradientes eletroquímicos necessários à manutenção do potencial de membrana, todas as células expressam transportadores iônicos para Na+, K+, Ca2+ e Cl-. Os � uxos iônicos gerados pelos gradientes eletroquímicos das células são regulados por uma família numerosa de canais iônicos localizados na membrana. • Receptores ligados a enzimas: são receptores de membrana plasmática com domínios intracelulares que estão associados com uma enzima. Em alguns casos, o domínio intracelular do receptor na verdade é uma enzima que catalisa a reação. Outros receptores ligados à enzima têm um domínio intracelular que interage com uma enzima. • Receptores hormonais nucleares: são proteínas solúveis localizadas no citoplasma ou no núcleo celular. O hormônio que passa através da membrana plasmática, normalmente por difusão passiva, alcança o receptor e inicia uma cascata de sinais. A teoria de ocupação dos receptores mostra que a resposta a um fármaco pode ser originada por receptor ocupado por ele. O agonista é de� nido como o fármaco que pode se ligar ao receptor e provocar um efeito biológico. Um agonista, em geral, simula a ação de um ligante endógeno original no seu receptor. A intensidade do efeito depende da concentração do fármaco no local do receptor que, por sua vez, é determinada pela dose do fármaco administrada e por fatores característicos, como velocidade de absorção, distribuição e biotransformação. Os antagonistas, por sua vez, são fármacos que diminuem ou se opõem à ação de outros fármacos ou ligante endógeno. Um antagonista não tem efeito na ausência de um agonista. De modo geral, a interação entre o fármaco e seus receptores caracteriza-se por uma ligação do fármaco ao receptor e a geração da resposta em um sistema biológico. A resposta à mesma concentração de um único fármaco pode variar individualmente e um determinado indivíduo pode apresentar respostas diferentes à mesma concentração do fármaco. Isso pode ocorrer em consequência de uma doença, envelhecimento ou administração anterior do fármaco. A correlação entre os níveis dos fármacos e sua e� cácia e toxicidade devem ser interpretadas no contexto da variabilidade farmacodinâmica populacional. A variabilidade da resposta farmacodinâmica da população pode ser analisada por uma curva de concentração- efeito. A relação dose-resposta mostra a in� uência da intensidade da dose na proporção da população que responde a essa dose. Essas respostas são conhecidas como respostas quantais, pois para cada indivíduo, o efeito pode se desenvolver ou não. A dose do fármaco necessária para produzir determinado efeito em 50% da população é a dose e� caz média (DE50 ou CE50), e a dose média letal (DL50 ou CL50) é determinada em pesquisas com animais de laboratório. A razão DL50/DE50 corresponde ao índice terapêutico, um termo que re� ete o grau de seletividade do fármaco para produzir seus efeitos desejados versus seus efeitos adversos/ tóxicos. Ou seja, é a mensuração da segurança do fármaco, pois um valor elevado indica uma grande margem entre as doses que são efetivas e as que são tóxicas. Na Figura 5, a DE50 dos fármacos A e B estão indicadas. O fármaco A é mais potente do que o B porque menor quantidade de fármaco A é necessária para obter 50% do efeito. 13WWW.UNINGA.BR FA RM AC OL OG IA , F IT OT ER ÁP IC OS E N UT RA CÊ UT IC OS | U NI DA DE 1 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Figura 5 - No grá� co A, temos o efeito da dose na intensidade da resposta farmacológica. Fonte: Clark (2013). A janela terapêutica, por sua vez, corresponde à faixa de concentrações do fármaco em um estado de equilíbrio que alcança e� cácia terapêutica com efeitos tóxicos mínimos. Logo, a dose de um fármaco necessária para produzir efeitos tóxicos pode ser comparada com a dose necessária para gerar efeitos terapêuticos na população, determinando o índice terapêutico clínico. A dose do fármaco necessária para produzir um efeito terapêutico na maioria da população geralmente se superpõe à concentração necessária para causar efeitos tóxicos em parte da população, mesmo que o índice terapêutico do fármaco em determinado indivíduo seja amplo. Sendo assim, a janela terapêutica expressa uma faixa de concentrações nas quais a probabilidade de e� cácia é alta e a probabilidade de efeitos adversos é baixa. Um exemplo prático de janela terapêutica está na Figura 6, mostrando as respostas à varfarina, um anticoagulante oral com índice terapêutico pequeno, e a penicilina, um fármaco antimicrobiano com amplo índice terapêutico. Figura 6 - Exemplo da janela terapêutica da varfarina e penicilina. Fonte: Clark (2013). 14WWW.UNINGA.BR FA RM AC OL OG IA , F IT OT ER ÁP IC OS E N UT RA CÊ UT IC OS | U NI DA DE 1 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA 5. TOXICIDADE DOS FÁRMACOS A farmacologia se relaciona com a toxicologia quando a resposta � siológica ao fármaco é um efeito adverso. A toxicologia procura caracterizar os potenciais efeitos adversos e as relações dosagem - resposta das substâncias químicas estranhas. O termo “toxicidade” é de� nido como a capacidade inerente de uma substância em causar prejuízos. O fármaco original ou seus metabólitos podem interagir com as macromoléculas, causando efeito tóxico. As substâncias químicas podem entrar em contato com a pele e/ou serem absorvidas após ingestão ou inalação. Elas são distribuídas a vários órgãos, podendo ser biotransformadas a produtos que são mais ou menos tóxicos. A Figura 7 ilustra como isso pode acontecer. Figura 7 - Exemplo de como se dá a exposição, absorção, distribuição e o mecanismo de ação das toxinas. Fonte: Clark (2013). Várias substâncias químicas produzem efeitos tóxicos interferindo com a função de vias e/ou macromoléculas bioquímicas especí� cas no interior do tecido. São exemplos de algumas toxinas: 15WWW.UNINGA.BR FA RM AC OL OG IA , F IT OT ER ÁP IC OS E N UT RA CÊ UT IC OS | U NI DA DE 1 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA • Hidrocarbonetos halogenados: por suas características lipossolúveis, podem atravessar a barreira hematoencefálica, podendo causar danos ao SNC. • Hidrocarbonetos aromáticos: grandes exposições podem causar depressão do SNC e arritmias cardíacas. • Álcoois: o metanol e isopranolol podem causar sedação. • Pesticidas: podem ser tóxicos por inibirem a acetilcolinesterase, causar perda de coordenação, tremores, convulsões e sensações de queimação e prurido. • Metais pesados: o chumbo, mercúrio e cádmio exercem efeitos tóxicos ligando-se a certos tipos de grupos funcionais em macromoléculas no organismo, necessitando de tratamento com fármacos quelantes. • Gases e partículas inaladas: algumas substâncias que usam a via aérea podem ser absorvidasrapidamente e distribuídas a outros tecidos. Podem � car alojados nos alvéolos e exercer toxicidade local grave sem serem absorvidos para corrente sanguínea. Em suma, algumas drogas podem causar alguns efeitos adversos, como tremores musculares, espasmos da musculatura estriada, efeito sobre os re� exos, sobre a respiração, movimentos cardíacos, pupila, entre outros, devem ser observados para a compreensão do mecanismo de ação de uma droga. É considerada tóxica qualquer substância, incluindo qualquer fármaco, que tem a capacidade de prejudicar um organismo vivo. Já a intoxicação implica geralmente aquele efeito � siológico prejudicial que resulta da exposição a medicamentos, drogas ilícitas ou substâncias químicas. Um fármaco geralmente produz vários efeitos, mas apenas um é almejado como objetivo do tratamento; a maioria dos outros efeitos é indesejável para tal indicação terapêutica. Os efeitos colaterais em geral são incômodos, mas não prejudiciais. Outros efeitos indesejados podem ser caracterizados como efeitos tóxicos. A incidência de intoxicações e envenenamentos relacionados ao uso incorreto dos fármacos durante um tratamento tem sido um grande problema de saúde pública. Muitas vezes, é ocasionado por uma polimedicação ou até automedica- ção por parte do paciente. Torna-se necessário investir em ações para levar até o paciente informações sobre os cuidados durante um tratamento farmacológico; para tanto, pode-se contar com maiores informativos por parte dos meios de co- municação, melhor capacitação dos prescritores, e até uma base de dados fi de- digna, visto que muitos casos não são relatados, acarretando poucas políticas públicas direcionadas para essa ação. Portanto, apesar de todo o apoio da tec- nologia e do desenvolvimento de metodologias no sentido de gerar informações com qualidade e no tempo adequado, isso pouco adianta se os dados não forem gerados com o mesmo cuidado, pois é a partir deles que uma informação pode se tornar confi ável, ou não, sendo de suma importância que sejam acessíveis e possuam grande alcance. 16WWW.UNINGA.BR FA RM AC OL OG IA , F IT OT ER ÁP IC OS E N UT RA CÊ UT IC OS | U NI DA DE 1 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA 6. MEDICAMENTOS Os medicamentos são produtos farmacêuticos cujas substâncias podem apresentar propriedades curativas ou preventivas de determinadas doenças ou são administradas com o objetivo de diagnosticar alguma delas. De acordo com a Lei n° 5991, de 17 de dezembro de 1973, medicamento pode ser de� nido como: “Art. 4º - Para efeitos desta Lei, são adotados os seguintes conceitos: [...] II - Medicamento - produto farmacêutico, tecnicamente obtido ou elaborado, com � nalidade pro� lática, curativa, paliativa ou para � ns de diagnóstico”. Os medicamentos podem ser de� nidos como sendo de referência, similares ou genéricos. • Medicamento referência: é o medicamento original que possui marca registrada com e� cácia terapêutica e segurança comprovadas por pesquisas cientí� cas. Esse tipo de medicamento encontra-se há bastante tempo no mercado e tem sua comercialização exclusiva até o � m da sua patente. • Medicamento similar: possui mesma concentração, forma farmacêutica, via de administração, posologia e indicação terapêutica do medicamento referência, entretanto ele só passa a ser produzido após o prazo da patente de fabricação do medicamento referência ter vencido. Possui um nome comercial e pode diferir do medicamento de referência em questão de tamanho e forma do produto, prazo de validade, embalagem, rotulagem, excipientes e veículo. • Medicamento genérico: possui o mesmo fármaco (princípio ativo), na mesma dose e forma farmacêutica e é administrado pela mesma via e com a mesma indicação terapêutica do medicamento de referência. Apresenta mesma e� cácia, segurança e qualidade que o medicamento de referência, sem, no entanto, ter um nome fantasia; como vantagem, apresenta baixo custo. Segundo a Anvisa, deve constar na embalagem a frase: “Medicamento Genérico Lei nº 9.787/99”. Como os genéricos não têm marca, o que você lê na embalagem é o princípio ativo do medicamento. No ano de 1971, foi instaurada no Brasil a Lei n° 5772 sobre o código de propriedade industrial, declarando que os medicamentos não eram passíveis de patenteamento. Sendo assim, qualquer substância descoberta poderia ser copiada por similaridade. A partir disso, houve grande inserção de medicamentos similares no Brasil, com preços mais acessíveis. Nos anos seguintes, foi promulgada a Lei n° 6360, que assegurava o registro de medicamentos similares desde que satis� zessem as exigências estabelecidas, ou seja, o medicamento deveria ter o mesmo princípio ativo, mesma indicação terapêutica, concentração, forma farmacêutica e via de administração do medicamento de referência. Já em 1999, a Lei n° 9787 inseriu o medicamento genérico com uma legislação mais exigente visando a garantir segurança, e� cácia e qualidade para essa classe de medicament os. A partir de 2003, houve uma revisão das regras de registro de similares, passando a serem cobrados os testes de equivalência farmacêutica e biodisponibilidade. Para garantir que os genéricos e similares tenham preços menores, foram criadas normas para sua preci� cação. O preço de fábrica dos similares não pode ser superior a 65% do preço de fábrica do medicamento referência correspondente. Esse baixo custo está relacionado ao fato de as empresas não gastarem recursos com pesquisas ou descobertas de novas formulações e com testes clínicos; além do fato do investimento com marketing ser menor, pois não é necessário fazer uma divulgação expressiva de cada formulação, a publicidade para os genéricos deve ser do tipo institucional, procurando- se fazer uma associação entre características de qualidade e con� ança na indústria produtora. Há uma maior restrição legislativa para preci� car os genéricos, gerando maior lucro com a venda dos similares. 17WWW.UNINGA.BR FA RM AC OL OG IA , F IT OT ER ÁP IC OS E N UT RA CÊ UT IC OS | U NI DA DE 1 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Um medicamento de referência pode ter dezenas de genéricos e similares, a inter- cambialidade ou troca entre eles é um assunto de suma importância para que seja feita de forma segura e o tratamento apresente resultados terapêuticos desejados. Pensar nessa intercambialidade é importante, visto que ambos possuem índice terapêutico estreito e com essa gama de opções no mercado, os profi ssionais que prescrevem os medicamentos têm difi culdade em escolher qual é a melhor opção, muitos não estão preparados para diagnosticar a necessidade terapêuti- ca do paciente para associarem os medicamentos de melhor custo/benefício. A equivalência farmacêutica entre os dois medicamentos relaciona-se à comprova- ção de que ambos contêm o mesmo fármaco, na mesma dosagem e na mesma forma farmacêutica. Entretanto, quando correlaciona sua biodisponibilidade, para serem aceitos como bioequivalentes, necessita ter 90% de confi ança, porém para alguns medicamentos, pequenos ajustes de dosagem podem afetar a efi cácia ou toxicidade de um produto, o que leva a questionar se a margem estabelecida não deveria ser mais estreita. Dessa forma, essa troca/intercambialidade entre os ge- néricos e similares durante o tratamento deve ser feito com cautela, assim como o uso de um mesmo laboratório, visando a manter a efi cácia do tratamento. Para complementar os conhecimentos referentes às diferenças entre os medicamentos de referência, similares e genéricos, segue o vídeo, disponível em: . 18WWW.UNINGA.BR FA RM AC OL OG IA , F IT OT ER ÁP IC OS E N UT RA CÊ UT IC OS | U NI DA DE 1 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA CONSIDERAÇÕES FINAIS Considera-se a farmacologia como o estudo dos efeitos dos fármacos no funcionamento dos seres vivos, impulsionada pela necessidade de melhorar os resultados dos tratamentos. A farmacologia surgiu como ciênciaquando passou da descrição da ação dos fármacos para a explicação de como eles funcionam. Primeiramente, os fármacos possuem inúmeras � nalidades, entre elas, preventiva, curativa, paliativa e diagnóstica, realizando essas funções inicialmente com a ingestão do medicamento e � nalizando com sua excreção. Absorção, distribuição, metabolismo e eliminação dos fármacos são processos da farmacocinética. A compreensão desses processos e de suas relações e aplicações dos princípios da farmacocinética aumenta as chances de sucesso do tratamento e reduz a ocorrência de reações adversas aos fármacos. Por outro ângulo, a farmacodinâmica ocupa-se do estudo dos efeitos bioquímicos e � siológicos dos fármacos e seus mecanismos de ação. Os efeitos da maioria dos fármacos são atribuídos à sua interação com os componentes macromoleculares do organismo. Logo, para que as interações ocorram, necessitam ser absorvidos, sendo que tal é realizado de diversas formas. Dependendo das propriedades químicas, os fármacos podem ser absorvidos no trato gastrointestinal por difusão passiva, difusão facilitada, transporte ativo ou por endocitose. Os efeitos da maioria dos fármacos são atribuídos à sua interação com os componentes macromoleculares do organismo. Os receptores ou alvos de um fármaco são macromoléculas ou o complexo macromolecular da célula com a qual o fármaco interage desencadeando uma resposta celular ou sistêmica. Os receptores dos fármacos normalmente se localizam nas superfícies das células, mas também podem estar nos compartimentos intracelulares especí� cos ou no compartimento extracelular. De modo geral, a interação entre o fármaco e seus receptores caracteriza-se por uma ligação do fármaco ao receptor e a geração da resposta em um sistema biológico. A resposta à mesma concentração de um único fármaco pode variar individualmente e um determinado indivíduo pode apresentar respostas diferentes à mesma concentração do fármaco. Isso pode ocorrer em consequência de uma doença, envelhecimento ou administração anterior do fármaco. Lembrando que um fármaco geralmente produz vários efeitos, mas apenas um é almejado como objetivo do tratamento; a maioria dos outros efeitos é indesejável para a tal indicação terapêutica. Os efeitos colaterais em geral são incômodos, mas não prejudiciais. Outros efeitos indesejados podem ser caracterizados como efeitos tóxicos. Em suma, o estudo da farmacologia é essencial para o desenvolvimento de novos fármacos, assim como uma melhor prescrição por parte dos pro� ssionais, visto que muitos tratamentos podem ser otimizados se o fármaco for utilizado de maneira correta, segura e e� caz. 1919WWW.UNINGA.BR UNIDADE 02 SUMÁRIO DA UNIDADE INTRODUÇÃO ............................................................................................................................................................ 20 1. METABOLIZAÇÃO E INTERAÇÃO DOS FÁRMACOS COM OS NUTRIENTES .................................................... 21 2. EFEITOS DOS FÁRMACOS NA ALIMENTAÇÃO .................................................................................................. 25 3. EFEITOS DOS FÁRMACOS SOBRE O ESTADO NUTRICIONAL ......................................................................... 28 4. INTERAÇÕES ENTRE OS EXCIPIENTES E OS ALIMENTOS E/OU FÁRMACOS ............................................. 30 5. TRATAMENTO NUTRICIONAL ............................................................................................................................ 31 CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................................................................................................ 34 INTERAÇÃO FÁRMACO X ALIMENTO PROF.A MA. LORENA DOS SANTOS CASTRO ENSINO A DISTÂNCIA DISCIPLINA: FARMACOLOGIA, FITOTERÁPICOS E NUTRACÊUTICOS 20WWW.UNINGA.BR FA RM AC OL OG IA , F IT OT ER ÁP IC OS E N UT RA CÊ UT IC OS | U NI DA DE 2 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA INTRODUÇÃO Os alimentos são indispensáveis à manutenção da saúde de um indivíduo. Isso está atrelado à sua capacidade de fornecer ao corpo humano nutrientes necessários ao seu sustento em quantidade e qualidade adequadas, visando à manutenção da integridade estrutural e funcional do organismo. Entretanto, isso pode ser alterado nos casos em que há falta de um ou mais nutrientes, causando de� ciência no estado nutricional e necessidade de suplementação. Em contrapartida, os nutrientes são capazes de interagir com os fármacos, pois os medicamentos, na sua maioria, são administrados por via oral. Assim, os nutrientes podem modi� car os efeitos dos fármacos por interferirem em processos farmacocinéticos, como absorção, distribuição, biotransformação e excreção, acarretando prejuízo terapêutico. Alguns nutrientes e fármacos são absorvidos por mecanismos semelhantes e frequentemente competitivos, apresentando como principal sítio de interação o trato gastrointestinal. Um maior conhecimento em relação a esse processo conduz a um controle mais efetivo da administração do medicamento e da ingestão de alimentos, favorecendo, assim, a adoção de terapias mais e� cazes. São inúmeras as ocorrências de interação entre fármacos e alimentos; esses eventos muitas vezes são desconhecidos ou ignorados por muitos pro� ssionais e pacientes. Algumas interações fármaco-alimento podem apresentar um caráter apenas teórico, mas podem ocorrer interações que resultam em efeitos relevantes para a prática clínica. Com isso, podem ocasionar diminuição da biodisponibilidade de fármacos e levar a falhas do tratamento, ou podem causar aumento da biodisponibilidade do fármaco, gerando efeitos tóxicos. As interações podem ser gerenciadas por meio de recomendações adequadas, quando elas são consideradas signi� cativas. Uma maior compreensão dos mecanismos das interações possibilita uma melhoria contínua do paciente. Diante disso, devem ser tomadas maiores precauções no uso de determinados fármacos x consumo de alimentos em casos de longos tratamentos, em casos de polimedicações, dietas monótonas, pois a biodisponibilidade do fármaco e dos nutrientes é essencial para o processo de cura das doenças. Uma maior elucidação de interações fármaco- alimento permite aplicar adequados protocolos terapêuticos e uso correto de medicações. 21WWW.UNINGA.BR FA RM AC OL OG IA , F IT OT ER ÁP IC OS E N UT RA CÊ UT IC OS | U NI DA DE 2 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA 1. METABOLIZAÇÃO E INTERAÇÃO DOS FÁRMACOS COM OS NUTRIENTES Os fármacos administrados oralmente são absorvidos por difusão passiva, enquanto os nutrientes, por mecanismos de transporte ativo. Ao se administrar um fármaco por via oral, sua absorção pelo tubo gastrointestinal e, consequentemente, sua concentração sanguínea são dependentes de vários fatores: • Solubilidade; • Tamanho da partícula; • Forma farmacêutica; • Efeitos do � uido gastrointestinal; • Metabolismo pré-sistêmico; • pKa do fármaco; • Natureza química; • Liberação imediata ou lenta; • Circulação entero-hepática. Há ainda as variações individuais: • Idade; • Ingestão de � uidos; • Ingestão de alimentos; • Micro� ora intestinal; • Metabolismo intestinal e hepático; • Patologia gastrointestinal; • pH gastrointestinal. A indústria farmacêutica coloca à disposição dos consumidores diversas alternativas farmacêuticas para o tratamento das doenças. Muitos medicamentos produzidos visam a atender as necessidades básicas da população, mas em muitos casos, são administrados sem a devida orientação médica, acarretando riscos à saúde, como as interações medicamentosas. Essas interações estão presentes diariamente entre muitos pacientes. Grande parte não possui relevância clínica, porém pode trazer prejuízos ao seu estado nutricional ou alterar a ação dos fármacos, sobretudo nos idosos, crianças ou pacientes submetidos a tratamentos crônicos. 22WWW.UNINGA.BR FA RM AC OL OG IA , F IT OT ER ÁP IC OS E N UT RA CÊ UT IC OS |U NI DA DE 2 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Dentre os riscos existentes, pode ocorrer uma polimedicação, levando a um grande número de interações medicamentosas e reações adversas a medicamentos. Essas interações podem gerar mudanças dos efeitos de um fármaco em presença de outro fármaco, � toterápicos, bebidas, álcool, alimentos ou agentes químicos. Algumas interações entre os alimentos e os fármacos podem alterar a disponibilidade, ação ou toxicidade de uma dessas substâncias, podendo ser interações físico-químicas, � siológicas ou � siopatológicas. • Interações físico-químicas: são caracterizadas por complexações entre componentes alimentares e os fármacos; • Interações � siológicas: são modi� cações induzidas por medicamentos no apetite, digestão, esvaziamento gástrico e biotransformação; • Interações � siopatológicas: ocorrem quando os fármacos prejudicam a absorção e/ou inibição do processo metabólico do nutriente. Logo, efeitos terapêuticos ou colaterais dos medicamentos podem afetar o estado nutricional do indivíduo. Essas interações podem reduzir a e� cácia de um fármaco, assim como causar toxicidade e alterar o estado nutricional normal. Espera-se que, com a medicação, ocorra um efeito farmacológico no corpo ou no órgão alvo; para tanto, o fármaco deve se deslocar do local de administração para a corrente sanguínea e então para o local de ação. Caso ocorra uma interação entre o fármaco e o alimento, um componente da alimentação ou um nutriente pode alterar esse processo em qualquer ponto. O consumo de alimentos com medicamentos pode ter efeito sobre a velocidade e extensão de sua absorção, mas se faz necessário por algumas razões, entre elas, a possibilidade do aumento da absorção e redução do efeito irritante de alguns fármacos sobre a mucosa gastrointestinal. Entretanto, esses motivos são insu� cientes para justi� car esse procedimento de forma generalizada, pois a ingestão de alimentos poderá afetar a biodisponibilidade do fármaco através de interações físico-químicas ou químicas. Quando não há como prever o padrão de absorção de um medicamento na presença dos alimentos, recomenda-se administrá-lo com o estômago vazio, salvo naqueles fármacos que apresentam como efeitos colaterais problemas gastrointestinais, como náuseas, vômitos, diarreia, constipação e dor abdominal. Nessas condições, podem ser administrados junto a alimentos para evitar esses efeitos colaterais. Geralmente, os medicamentos que podem sofrer interações com alimentos devem ser administrados uma hora antes ou duas horas depois das refeições. Caso não seja possível, deve ser adotado um método que otimize o tratamento do paciente, sendo necessário ter conhecimento das interações de forma geral. As interações alimento-fármaco podem ser divididas em dois amplos tipos de interações: as farmacodinâmicas, que afetam a ação farmacológica do fármaco, e as interações farmacocinéticas, que afetam o movimento do fármaco para dentro, ao redor ou fora do organismo. Dentro da farmacodinâmica, é importante avaliar individualmente o paciente, relacionando o efeito dos alimentos sobre a ação dos fármacos e o que isso ocasionará em seu estado nutricional. As interações podem ter origem por: • Polimedicação; • Estado nutricional; • Genética; • Dietas especiais; • Suplementos nutricionais; 23WWW.UNINGA.BR FA RM AC OL OG IA , F IT OT ER ÁP IC OS E N UT RA CÊ UT IC OS | U NI DA DE 2 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA • Alimentação por sonda; • Produtos � toterápicos; • Etilismo; • Presença de não nutrientes nos alimentos; • Excipientes em fármacos ou alimentos; • Alergias ou intolerâncias. Logo, a ação de um fármaco pode ser afetada por alterações no trato gastrointestinal, como vômitos, hipocloridria (diminuição do ácido clorídrico no estômago), atro� a da mucosa e alterações de motilidade intestinal. Pacientes que possuem lesão intestinal por doenças como câncer, doença celíaca ou doença in� amatória intestinal geram um maior potencial para interações alimento-fármaco. A absorção de um fármaco pode ser reduzida pela presença de alimentos e nutrientes no estômago e no lúmen intestinal. Pensando nisso, tem-se a variação da sua biodisponibilidade. Esta descreve a fração de um fármaco administrado que alcança o sistema circulatório. Diversos mecanismos podem contribuir para a redução da velocidade e extensão da absorção de fármacos na presença de alimentos e nutrientes. O esvaziamento gástrico pode ser in� uenciado pela presença de alimentos, como o consumo de refeições ricas em � bras ou com alto teor de gorduras. Em geral, um retardo da absorção de um fármaco não é signi� cativo do ponto de vista clínico, desde que a extensão da absorção não seja alterada. Entretanto, o retardo da absorção de antibióticos ou analgésicos pode ter importância clínica signi� cativa. Podem ocorrer reações de quelação entre certos medicamentos e cátions divalentes ou trivalentes, como ferro, magnésio, cálcio, zinco ou alumínio, e a absorção de fármacos pode ser reduzida por quelação com um desses metais. No Quadro 1, podemos encontrar alguns dos principais tipos de interações entre alimentos e medicamentos. Alimentos Efeitos em conjunto com medicamentos Com alto teor de lipídios Pode ocorrer o aumento da excreção da bílis e aumento da solubilidade (albendazol). Com alto teor de proteínas Aumento ou aceleração da absorção gastrointestinal (metroprolol). Alto teor de cálcio Interferência na absorção do ferro, pode promover a perda do efeito terapêutico pela inativação química (tetraciclina). Ricos em fi bras Diminuem a viscosidade e a taxa de difusão de medicamento (furosemida). Refrigerantes e sucos ácidos Promovem a decomposição prematura das dragas de drogas sensíveis à presença de pH ácido. Leite e derivados, hortaliças, frutas e legumes Interagem promovendo o aumento do pH e diminuindo a solubilidade (alendronato). Quadro 1 - Principais interações entre medicamentos e alimentos. Fonte: Santos e Locatelli (2018). 24WWW.UNINGA.BR FA RM AC OL OG IA , F IT OT ER ÁP IC OS E N UT RA CÊ UT IC OS | U NI DA DE 2 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA A absorção dos fármacos também pode ser reduzida pela relação com a adsorção, ou adesão dos alimentos ou de componentes dos alimentos. Uma dieta rica em � bras pode reduzir a absorção de algumas medicações, como alguns antidepressivos, levando à perda de efeito terapêutico em razão da adsorção do fármaco à � bra. Além da adsorção, o pH gastrointestinal é outro fator importante para absorção de fármacos. Situações que resultem em alterações do pH ácido gástrico, como acloridria ou hipocloridria podem reduzir sua absorção. Com relação à distribuição e ao metabolismo dos fármacos no organismo, eles são distribuídos no sangue; logo, ao chegarem à circulação sistêmica, podem se ligar a proteínas plasmáticas, formando um complexo fármaco-proteína. Este age como um reservatório temporário na corrente sanguínea retardando a chegada dos fármacos aos órgãos alvo e sítios de eliminação. A albumina é um exemplo de proteína ligante. Pacientes com alimentação inadequada, com baixo consumo de proteínas, ocasionam menos locais de ligação para os fármacos devido a menor albumina disponível. É recomendada uma dose mais baixa de fármacos para os pacientes com baixas concentrações de albumina sérica. O trato gastrointestinal e o fígado possuem sistemas enzimáticos responsáveis por grande parte da atividade de metabolização no organismo. Os alimentos podem tanto inibir como aumentar o metabolismo das medicações por meio de alterações da atividade desses sistemas enzimáticos. Os fármacos são absorvidos no trato gastrointestinal pela circulação portal e transportados para o fígado, antes de atingirem a circulação sistêmica. Quando o alimento e o fármaco competem pelas mesmas enzimas metabolizadas pelo fígado, há probabilidade de mais fármaco atingir a circulação sistêmica, podendo levar a efeito tóxico se a dose tiver sido calculadapara concentração ideal no estado de jejum. Pensando na excreção dos fármacos, alimentos e nutrientes podem alterar a reabsorção de fármacos pelos tubos renais. O sistema renal é uma das principais vias de excreção de fármacos. O pH urinário sofre variações conforme a natureza ácida ou alcalina dos alimentos ou de seus metabólitos. Assim, dietas ricas em vegetais, leite e derivados elevam o pH urinário, acarretando um aumento na reabsorção de fármacos básicos, como, por exemplo, as anfetaminas. No entanto, com fármacos de caráter ácido, como os barbitúricos, veri� ca-se elevação da excreção. Já ovos, carnes e pães acidi� cam a urina, tendo como consequência o aumento da excreção renal de anfetaminas e outros fármacos básicos. Em suma, a natureza das diferentes interações pode apresentar os seguintes caminhos: • Determinados nutrientes podem modi� car o processo de absorção de fármacos; • Alguns alimentos podem desalinhar o processo de biotransformação de algumas substâncias; • Podem ocorrer mudanças na excreção de fármacos por in� uência dos nutrientes; • O estado nutricional pode atrapalhar o metabolismo de alguns fármacos, diminuindo ou anulando seu potencial ou aumentando seu efeito tóxico. A partir do embasamento teórico sobre as possíveis interações dos fármacos x nutrientes, segue um vídeo complementar, intitulado Farmacologia - Interações Medicamentosas. Disponível em: . 25WWW.UNINGA.BR FA RM AC OL OG IA , F IT OT ER ÁP IC OS E N UT RA CÊ UT IC OS | U NI DA DE 2 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA 2. EFEITOS DOS FÁRMACOS NA ALIMENTAÇÃO Algumas medicações podem diminuir ou prevenir a absorção de nutrientes. Podem ocorrer reações de quelação entre os medicamentos e minerais, reduzindo a quantidade de minerais disponível para a absorção. Um exemplo é a tetraciclina e cipro� oxacina, esses medicamentos são capazes de quelar o cálcio encontrado em suplementos ou laticínios, tais como leite e iogurte. Isso também ocorre com cátions divalentes ou trivalentes, como ferro, magnésio e zinco, presentes em suplementos minerais. Orienta-se tomar minerais com, pelo menos, duas a seis horas de intervalo do fármaco. Os fármacos podem reduzir a absorção de nutrientes in� uenciando o tempo de trânsito dos alimentos e de nutrientes no intestino. Os laxantes, por exemplo, reduzem o tempo de trânsito e podem causar diarreia, levando à perda de cálcio e de potássio. Determinados fármacos podem alterar o ambiente gástrico, a ranitidina e os inibidores da bomba de prótons, como o omeprazol, atuam inibindo a secreção de ácido e elevam o pH gástrico, efeitos que podem prejudicar a absorção da vitamina B12. Mas os maiores efeitos sobre a absorção de nutrientes são os fármacos que lesionam a mucosa intestinal. As lesões nas estruturas das vilosidades e microvilosidades inibem enzimas da borda em escova e os sistemas de transporte intestinais envolvidos na absorção de nutrientes, podendo alterar a capacidade do trato gastrointestinal de absorver minerais, como o ferro e o cálcio. Entre os fármacos envolvidos nessa ação, estão os agentes quimioterápicos, fármacos anti-in� amatórios não esteroidais e o tratamento a longo prazo com antibióticos. Pensando em como um fármaco altera o metabolismo de nutrientes, ele pode causar sua passagem mais rápida pelo corpo, resultando em maiores necessidades; ou um fármaco pode causar antagonismo com vitaminas, por meio do bloqueio da conversão da vitamina para sua forma ativa. Alguns anticonvulsivantes, fenobarbital e fenitoína induzem as enzimas hepáticas e aumentam o metabolismo das vitaminas D, K e ácido fólico. Em adição, alguns fármacos antituberculosos bloqueiam a conversão da piridoxina (vitamina B6) à sua forma ativa, o piridoxal-5-fosfato. Em pacientes com baixa ingestão de piridoxina, essa interação pode causar neuropatia periférica. O metotrexano é um antagonista do ácido fólico usado no tratamento do câncer e da artrite reumatoide; sem o ácido fólico, a síntese do DNA é inibida, acarretando morte celular. Determinados fármacos podem aumentar ou diminuir a excreção urinária de nutrientes, interferindo na reabsorção deles pelos rins. Por exemplo, alguns diuréticos podem aumentar a excreção de magnésio, sódio, cloreto e cálcio. Os suplementos de potássio são prescritos ao receitar diuréticos, podendo haver necessidade de suplementar magnésio e cálcio quando o fármaco for utilizado por longos períodos com altas doses e/ou má ingestão alimentar. Complementando o conhecimento sobre o efeito de o omeprazol prejudicar a absorção da vitamina B12, recomenda-se a leitura do artigo: SANTOS, J. M. S. R; LOCATELLI, C. Terapia prolongada com omeprazol e suas relações com neoplasias gástricas. Revista Extensão em foco, [s. l.], v. 6, n. 1, p. 18-23, 2018. Disponível em: . 26WWW.UNINGA.BR FA RM AC OL OG IA , F IT OT ER ÁP IC OS E N UT RA CÊ UT IC OS | U NI DA DE 2 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Também o uso prolongado de altas doses de diuréticos em pacientes idosos com dietas baixas em sódio pode causar hiponatremia. Já diuréticos poupadores de potássio aumentam a excreção de sódio, cloretos e cálcio. As concentrações sanguíneas de potássio podem se elevar a níveis perigosos se os pacientes também fazem uso de suplementos de potássio ou sofrem de insu� ciência renal. Anti-hipertensivos inibidores da enzima de conversão da angiotensina, como o enalapril ou fosinopril, diminuem a excreção de potássio, levando a um aumento de suas concentrações séricas. A associação de diuréticos poupadores de potássio e um inibidor da angiotensina aumenta o perigo de hipercalemia. Os corticoides, como a prednisona, diminuem a excreção de sódio, resultando em retenção de água e sódio. Esses fármacos causam aumento da excreção de cálcio e potássio, sendo recomendada uma dieta pobre em sódio e rica em potássio. Após uso dos corticoides, recomenda-se suplementar cálcio e vitamina D para prevenir a osteoporose, em razão não apenas da perda de cálcio na urina, mas também da ação dos corticoides prejudicando a absorção intestinal de cálcio. Pode ocorrer modi� cação da ação dos fármacos por alimentos e nutrientes. A cafeína, por exemplo, aumenta os efeitos adversos dos fármacos estimulantes, causando nervosismo, tremor e insônia. Em contrapartida, as propriedades estimulantes da cafeína no sistema nervoso central podem se opor ou contrapor aos efeitos antiansiolíticos dos tranquilizantes. Em adição, a varfarina, agente anticoagulante oral, reduz a produção hepática de fatores de coagulação dependentes de vitamina K. Por isso, a ingestão de vitamina K se opõe à ação da varfarina e permite a produção de mais fatores de coagulação. Cebola, alho, mamão papaia, manga ou suplementos de vitamina E em altas doses podem aumentar o efeito anticoagulante da varfarina, podendo causar sangramentos graves. O consumo de etanol associado a certas medicações produz toxicidade, afetando vários órgãos e sistemas do organismo. No sistema gastrointestinal, ele atua irritando a mucosa gástrica, tem efeito hepatotóxico e pode inibir a gliconeogênese, sobretudo quando consumido em jejum; isso pode prolongar episódios de hipoglicemia causados pela insulina, por exemplo. No Quadro 2, temos algumas importantes interações fármaco-alimento resultantes de reações químicas; no Quadro 3, interações com mecanismos especí� cos. Fármaco Classe terapêutica Alimento Efeito Ácido acetilsalicílico Anti-infl amatório Não esteroidal Dietas à base de frutas, verduras e fi bras Aumento da excreção devido à alcalinidade da dieta. Amitriptilina Antidepressivo Dietas à base de pães, biscoitos e carnes Aumento da excreção devido à acidez da dieta. Clorpromazina e fl ufenazina Antipsicótico Café, chá mate, caqui e vinhos Precipitação na presença de ácido tânico. Morfi na Analgésico opioide Dietas à base de pães, biscoitose carnes Aumento da excreção devido à acidez da dieta. Penicilina Antibiótico Dietas à base de frutas, verduras e fi bras Aumento da excreção devido à alcalinidade da dieta. 27WWW.UNINGA.BR FA RM AC OL OG IA , F IT OT ER ÁP IC OS E N UT RA CÊ UT IC OS | U NI DA DE 2 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Prometazina Anti-histamínico Café, chá mate, caqui e vinhos Precipitação na presença de ácido tânico. Teofi lina Broncodilatador Dietas à base de pães, biscoitos e carnes Aumento da excreção devido à acidez da dieta. Tetraciclina e ceftriaxona Antibiótico Produtos lácteos Complexação do fármaco com íons divalentes. Quadro 2 - Algumas interações fármaco-nutriente resultantes de reações químicas. Fonte: Lombardo e Eserian (2014). Fármaco Classe terapêutica Alimento Efeito Diazepam, carbamazepina e sertralina Moduladores do sistema nervoso central (SNC) Toranja (grapefruit) Inibição de enzimas de biotransformação de fármacos, com elevação dos seus níveis tóxicos. Inibidores da enzima monoamina oxidase (MAO) Antidepressivo Queijos maturados, iogurte, vinhos tintos e produtos embutidos, ricos em tiramina Inibição da enzima que degrada a tiramina, com elevação de seus níveis plasmáticos. Efeitos simpaticomiméticos e crise hipertensiva. Isoniazida Tuberculostático Dieta à base de peixes e frutos do mar, contendo aminas biogênicas (histamina, tiramina) Inibição de enzimas detoxifi cantes (MAO e diamina oxidase). Intoxicação alimentar e intolerância. Mercaptopurina Antineoplásico Leite de vaca Inativação pela enzima xantina oxidase. Varfarina Anticoagulante Alimentos ricos em vitamina K (ex.: brócolis, couve, couve- de-bruxelas, salsa e espinafre) Promoção de coagulação sanguínea e interferência na efetividade do fármaco. Teofi lina Broncodilatador Alimentos ricos em vitamina K (ex.: brócolis, couve, couve- de-bruxelas, salsa e espinafre) Sobrecarga de xantinas, com risco de toxicidade: distúrbios eletrolíticos e efeitos no SNC e cardiovascular. Quadro 3 - Algumas interações fármaco-nutriente resultantes de reações químicas. Fonte: Lombardo e Eserian (2014). Fármaco Classe terapêutica Alimento Efeito 28WWW.UNINGA.BR FA RM AC OL OG IA , F IT OT ER ÁP IC OS E N UT RA CÊ UT IC OS | U NI DA DE 2 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA 3. EFEITOS DOS FÁRMACOS SOBRE O ESTADO NUTRICIONAL A ação dos fármacos pode ser acompanhada de efeitos colaterais, considerados indesejáveis. Podem afetar os sentidos orais e o paladar, causar efeitos negativos no sistema gastrointestinal, alterar o apetite, causar toxicidade no organismo e modi� car negativamente as concentrações de glicose. Além disso, podem causar de� ciências nutricionais, sendo o metabolismo proteico o mais importante. Dietas com elevado teor de proteína e baixo em carboidrato aumentam a velocidade do metabolismo do fármaco, sendo que o inverso pode ocorrer, ou seja, dietas com baixo teor de proteínas e alta em carboidratos exercem efeito oposto. Além disso, vários fármacos afetam a capacidade de sentir o sabor e/ou aroma dos alimentos. Eles podem causar disgeusia (alteração do paladar), hipogeusia (redução da acuidade do paladar) ou gosto ruim após a ingestão alimentar. Os mecanismos para que isso ocorra podem estar relacionados com o fato de os fármacos alterarem a renovação das células gustativas ou interferirem nos mecanismos de transdução dessas células ou alterar os neurotransmissores que processam a informação química sensorial. Dentre os fármacos que podem causar essa disgeusia, estão: • O anti-hipertensivo captopril pode causar um sabor metálico ou salgado e perda do paladar; • O antibiótico claritromicina penetra na saliva gerando sabor amargo na boca; os fármacos antineoplásicos usados na quimioterapia afetam as células que se reproduzem com rapidez, como as da mucosa; • Os fármacos anticolinérgicos competem com o neurotransmissor acetilcolina por locais no receptor, inibindo a transmissão de alguns impulsos nervosos, diminuindo secreções, incluindo a secreção da saliva, causando xerostomia (boca seca). • Os antidepressivos tricíclicos, anti-histamínicos, agentes de controle de espasmos vesical podem causar boca seca, cáries dentais, doença gengival, estomatites e glossites, assim como desequilíbrio nutricional e perda de peso indesejada. Entretanto, ao relacionar o uso dos fármacos às alterações no paladar, é importante estar atento para alterações na absorção de zinco. Alguns medicamentos podem alterar sua absorção, visto que sua de� ciência pode afetar o paladar. Com relação aos efeitos gastrointestinais, vários fármacos podem causar irritações e ulcerações, por exemplo: Para aumentar os conhecimentos sobre o fenômeno da interação fármaco-nutriente, sugiro a leitura do seguinte artigo de revisão: MOURA, M. R. L; REYES, F. G. R. Interação fármaco-nutriente: uma revisão. Revista de nutrição, Campinas, v. 15, p. 223-238, 2002. Disponível em: . 29WWW.UNINGA.BR FA RM AC OL OG IA , F IT OT ER ÁP IC OS E N UT RA CÊ UT IC OS | U NI DA DE 2 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA • O medicamento indicado para osteoporose alendronato pode causar esofagite, caso o paciente não � que sentado após 30 minutos de sua ingestão; • O ibuprofeno e/ou aspirina pode causar irritação gástrica, dispepsia, gastrites, ulcerações e até sangramento gástrico; • A � uoxetina e outros inibidores seletivos de recaptura da serotonina também podem causar irritação gástrica, podendo levar a um quadro de hemorragia; • Os fármacos antineoplásicos, utilizados no tratamento do câncer, causam náuseas graves e prolongadas, gerando desidratação e desequilíbrio de eletrólitos; • Os agentes narcóticos, como a mor� na e codeína, causam aumento do tônus da musculatura lisa da parede intestinal, alterando a peristalse e causando constipação; • Os fármacos anticolinérgicos diminuem as secreções intestinais, lenti� cam a peristalse e causam constipação; • Alguns antipsicóticos, antidepressivos e anti-histamínicos podem causar constipação, pacientes que fazem seu uso devem manter uma hidratação adequada; • O orlistat é um inibidor da lipase, muito utilizado na perda de peso, atua reduzindo a absorção de gorduras pela ligação à lipase no intestino, inibindo, assim, a ação dessa enzima. Consequentemente, há um aumento da excreção pelas fezes de gordura, podendo causar incontinência fecal. Orienta-se uma dieta pobre em gorduras, dando atenção a baixa absorção de vitaminas lipossolúveis A, D, E e K e os carotenoides, que necessitam da presença de gorduras para uma adequada absorção; • O uso de antibióticos por longos períodos pode destruir todas as bactérias sensíveis da � ora intestinal. Além disso, alguns medicamentos podem afetar o apetite, levando a alterações de peso indesejáveis e desequilíbrios nutricionais. Como exemplos, podemos citar: • A maioria dos estimulantes do SNC diminuem o apetite. A sibutramina pode causar esse efeito, sendo indicada em muitos casos onde os pacientes objetivam perda de peso rápida. Esses fármacos podem interferir na capacidade ou no desejo em se alimentar, além de causar sonolência, tontura, confusão mental, cefaleia, fraqueza, tremores e neuropatia periférica. Entretanto, um dos principais efeitos colaterais é a hipertensão, sendo contraindicado para pacientes hipertensos e para os que apresentam convulsões ou doenças cardíacas. • Outras medicações atuam estimulando o apetite e levando ao ganho de peso. Determinados fármacos antipsicóticos e antidepressivos tricíclicos costumam provocar ganho de peso. O uso de corticoides também está associado ao ganho de peso por causar retenção de sódio e água, assim como o estímulo ao apetite. Alguns fármacos indicados como estimulante de apetite ou agente anticaquexia podem ser o hormônio acetato de megestrol, o hormônio do crescimento humano somatotropina e esteroides anabolizantes.