Prévia do material em texto
1 FUNDAMENTOS E METODOLOGIA DA NATAÇÃO PROF. ESP. WANDERSON SILVA 2 SUMARIO 1. O QUE É A NATAÇÃO? .............................................................. 03 2. BREVE HISTÓRICO ................................................................... 03 2.1. NATAÇÃO NO BRASIL ............................................................... 04 3. PRINCÍPIOS FÍSICOS DO MEIO LÍQUIDO ................................ 04 4. INTRODUÇÃO DO CORPO NA ÁGUA ....................................... 06 4.1. TIPOS DE PISCINAS .................................................................. 06 4.1.1. PISCINA OLÍMPICA OU DE 50M ................................................ 06 4.1.2. PISCINA SEMIOLÍMPICA OU DE 25M ....................................... 07 4.2. ADAPTAÇÃO DO MEIO LÍQUIDO .............................................. 07 4.2.1. CONHECIMENTO DO AMBIENTE ............................................. 09 4.2.2. FAZES DE ADAPTAÇÃO EM DIFERENTES IDADES ................ 09 4.2.2.1. ADAPTAÇÃO PARA ALUNOS DE 2 A 7 ANOS DE IDADE ......... 09 4.2.2.2. ADAPTAÇÃO PARA ALUNOS DE 7 A 12 ANOS DE IDADE ....... 10 4.2.2.3. ADAPTAÇÃO PARA ALUNOS A PARTIR DE 12 ANOS DE IDADE ......................................................................................... 10 4.2.2.4. ADAPTAÇÃO PARA ALUNOS NA IDADE ADULTA ................... 10 5. ASPECTOS PEDAGÓGICOS DO ENSINO DA NATAÇÃO ........ 10 5.1. O PAPEL DO PROFESSOR ....................................................... 13 5.1.1. DOMINIO DO CONTEÚDO A SER TRABALHADO .................... 14 5.1.2. VOZ DE COMANDO ................................................................... 14 5.1.3. AFETIVIDADE ............................................................................ 14 5.2. ESTRUTURA DAS AULAS ......................................................... 15 6. PILARES BÁSICOS DA NATAÇÃO ............................................ 16 6.1. RESPIRAÇÃO ............................................................................ 16 6.2. IMERSÃO ................................................................................... 16 6.3. FLUTUAÇÃO .............................................................................. 16 6.4. PROPULSÃO ............................................................................. 17 7. TIPOS DE NADOS ...................................................................... 17 7.1. O NADO CRAWL ........................................................................ 18 7.2. O NADO COSTAS ...................................................................... 23 7.3. O NADO PEITO .......................................................................... 27 7.4. O NADO BORBOLETA ............................................................... 30 8. SLAVAMENTO EM AMBIENTES AQUÁTICOS .......................... 9. REFERÊNCIAS .......................................................................... 3 1. O QUE É A NATAÇÃO? Natação é um exercício, arte ou esporte de nadar. Segundo Bataglion (2017), a natação é considerada por muitos autores como um dos exercícios mais completos, quer pelos seus efeitos terapêuticos, quer pelos benefícios utilitários ou pela ludicidade que o meio aquático proporciona. Todos são unânimes em afirmar que a água é um excelente meio auxiliar para o desenvolvimento global do ser humano. Através da natação, o indivíduo poderá melhorar o desenvolvimento total do corpo, incluindo a coordenação motora, a força muscular, a resistência dos sistemas cardiovascular e respiratório, bem como o seu nível geral de atitude. Neste sentido, a natação, ou as atividades aquáticas, são objeto de estudo em muitas vertentes, por exemplo, a educativa, a terapêutica, a desportiva e a recreativa. Devido a este fato, existe uma diversidade muito ampla de definições e metodologias descritas sobre o assunto em questão. 2. BREVE HISTÓRICO Registros da literatura indicam que a natação e quase tão antiga quanto o homem. Acredita-se que, por necessidade, já que vivia as margens dos rios e mares, o homem teve que se sustentar na água. E, a partir de seus instintos e da observação dos animais, realizou suas primeiras movimentações aquáticas. Além disso, naquele momento, em muitas situações, o homem precisava nadar. Na fuga, no ataque de animais ou na busca de alimentos, era necessário se manter dentro da água e realizar movimentos de deslocamentos dentro deste meio. Outros dados e registros históricos apresentam que os gregos já conheciam a natação três mil anos a.C. Este povo usava a natação e a corrida para alcançar os ideais de forca e beleza física. Já na Idade Média, após a queda do Império Romano, com o medo da proliferação de epidemias, os homens não praticavam essa modalidade. Com o Renascimento, essa ideia perde força e, em muitos países, surgem as piscinas para banhos públicos. Durante a Segunda Guerra Mundial, os militares aprendiam a natação em seus treinamentos, como preparação, caso alguma embarcação afundasse ou algum avião caísse no mar. O fato de saberem ao menos flutuar ja lhes dava alguma chance de sobrevivência. Atualmente, entendemos a natação com outros significados, isto e, a partir da repetição dos movimentos, há a descoberta da possibilidade de nadar. Em resumo, são quatro os motivos principais que levam as pessoas a procurarem as práticas de natação: - A saúde, na busca por benefícios ao organismo. - Lazer, como uma oportunidade de satisfação emocional. - Necessidade, na busca de sobrevivência no meio líquido. - Esporte, com o objetivo de melhoria de desempenho e busca de resultados. 4 2.1. NATAÇÃO NO BRASIL De acordo com Krug e Magri (2012) apud Bataglion (2017), há indícios de que, há muitos anos, os índios que habitavam determinadas regiões do Brasil utilizavam a natação, apresentando-se como ótimos nadadores e canoeiros. Em 1557, quando Mem de Sá desembarcou no Brasil, foi atacado por índios da retaguarda e, ao tentar contra-atacá-los, os mesmos fugiram para o mar valendo- se do nado. Ocorreu, então, um combate sobre as águas. Os índios de Felipe Camarão caçavam os seus adversários a nado, o que favorecia as suas lutas no meio aquático. Em termos oficiais, há registros da inserção da natação no Brasil a partir de julho de 1897. Nesta data, os clubes Botafogo, Gragoatá, Icaraí e Flamengo fundaram a União de Regatas Fluminense, no Rio de Janeiro. Posteriormente, sua nomenclatura foi alterada para Conselho Superior de Regatas e Federação Brasileira das Sociedades do Remo. No ano seguinte ao da sua fundação, em 1898, o Clube de Natação e Regatas promoveu o primeiro campeonato brasileiro, na distância aproximada de 1.500 metros, entre a fortaleza de Villegaignon e a praia de Santa Luzia. Esta prova foi repetida até 1912. Em 1913, na Enseada de Botafogo, a Federação Brasileira de Sociedade de Remo promoveu a primeira competição; Abraão Saliture foi o campeão nos 1.500 metros de nado livre. Também foram realizadas as provas de 100 metros para estreantes, 600 metros para sêniores e 200 metros para juniores (KRUG; MAGRI, 2012 /apud BATAGLION, 2017). Hoje, a natação é um dos esportes mais praticados no Brasil, tendo, aproximadamente, 65 mil atletas federados. No país, a modalidade era controlada pela Confederação Brasileira de Desportos (CBD), porém, em 1977 a confederação foi desfeita. No dia 21 de outubro deste mesmo ano foi criada a Confederação Brasileira de Natação (CBN), que ficou até 1988, ano em que foi fundada a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) (MASSAUD, 2004 apud BATAGLION, 2017). 3. PRINCÍPIOS FÍSICOS DO MEIO LÍQUIDO Quando aprendemos ou ensinamos a natação ou qualquer outra modalidade aquática, inicialmente, temos que entender o meio em que esses esportes acontecem: a água. Estar e agirno meio líquido e diferente de estar e agir no meio aéreo ou terrestre. A água apresenta propriedades físicas que interferem, diretamente, nas ações ou nos movimentos dentro dela. Nesse contexto, conheceremos as principais propriedades da água, as quais são importantes para que possamos entender como nosso corpo reage a ela. Densidade A densidade e a grandeza que mede a quantidade de massa (m) de um corpo por unidade de volume (v). O fato de um objeto ser mais pesado ou ter mais massa nao indica necessariamente que sua densidade e maior que a de um objeto com menor quantidade de massa. 5 Centro de massa (CM) e centro de gravidade (CG) O CM e a região em torno da qual a massa esta distribuída em todas as direções e o CG e o ponto em torno do qual o peso está igualmente distribuído. Estas forças podem ser consideradas iguais, pois a forca da gravidade e a mesma para todos os pontos do nosso corpo. Empuxo O empuxo e uma forca que a água exerce sobre todo corpo que está imerso. Foi descoberto pelo matemático grego Arquimedes, que viveu de 287 a.C. a 212 a.C. A teoria ou o princípio de Arquimedes indica que quando um corpo e submerso na água ele experimenta uma força de empuxo igual ao peso do volume da água deslocado por este corpo. O sentido dessas forças será oposto, sendo o peso para baixo e o empuxo para cima. Podemos exemplificar este conceito com uma situação frequente, isto e, quando entramos dentro de uma piscina: conforme nos deslocamos para pontos da piscina em que a profundidade e maior, temos a sensação de que nosso peso diminui. O que acontece e que deslocamos um volume maior de água, devido a profundidade da piscina, por isso, o empuxo faz que nos sintamos mais leves. Pressão A Lei de Pascal estabelece que a pressão hidrostática e exatamente igual em qualquer corpo, na posição horizontal. Ex.: a pressão e igual a uma profundidade constante. A pressão aumenta com a profundidade e com a densidade da água, ou seja, ao mergulharmos em uma piscina, a água exercera uma pressão sobre nós. Quanto mais fundo mergulharmos, maior será essa pressão. Estima-se que a cada 10 metros de profundidade, aumenta-se 1 atmosfera, isto e, uma unidade de medida de pressão. Velocidade Para que os movimentos consigam ser realizados mais facilmente na água e apresentem maior velocidade nesse meio, e importante que o corpo esteja em posição horizontal. Quando este não está nesta posição, os movimentos enfrentam maior resistência e, com isso, perdem velocidade. Temperatura A temperatura da água nas aulas de natação influenciara o aluno de diferentes formas: no interesse de participação a nível motivacional, no trabalho da musculatura, no relaxamento e na flutuabilidade. Além disso, podemos considerar a preferência individual. Alguns alunos terão melhor desempenho em águas mais quentes, enquanto outros irão preferir a mais fria. Ainda, os bebês e as pessoas com deficiência são mais sensíveis as temperaturas da água e seu desempenho motor está diretamente relacionado a este fator. Tanto os bebês quanto as pessoas com deficiência precisam da água mais quente, visto que ela provocara um relaxamento da musculatura, que pode significar maior liberdade de movimentos para estes grupos de alunos. 6 4. INTRODUÇÃO DO CORPO NA ÁGUA Até agora, estudamos sobre os aspectos que regem a história e a consolidação da natação como um esporte e as propriedades do meio aquático, onde a prática se realiza. Estudaremos agora as implicações iniciais para o ensino e o aprendizado da natação, isto é, princípios de adaptabilidade que farão a prática de ensino evoluir e fomentar o aprendizado. Antes do ensino dos nados e o aprendizado pleno, é necessária a experiência da adaptação, fundamental para o desenvolvimento de habilidades e condicionamentos essenciais para a maturidade do aprendizado. Estudaremos inicialmente tipos de piscinas, de modo que você se inteire sobre o ambiente básico de ensino e de aprendizado, aspectos psicomotores, com uma explanação breve para você entender os processos que regem o aprendizado e, por fim, a realização da adaptação ao meio líquido. 4.1. TIPOS DE PISCINAS Conforme Massaud (2001) e Rocha (2005), verificamos que existem regularmente dois tipos de piscinas oficiais: a piscina de 50m, considerada olímpica, e a piscina de 25m, denominada semiolímpica. Vamos entender melhor cada tipo de piscina. 4.1.1. Olímpica ou 50m A piscina olímpica possui 50m de comprimento por 22,8m de largura, em média, com profundidade mínima de 1,98m. Via de regra, deve ser composta por oito raias de 2,5m de largura cada. Há ainda o delineamento de linhas de fundo, marcadas com cores contrastantes (normalmente a cor preta), com 46m de comprimento e espessura de 20 a 30cm, tendo ao final, o “T”. O “T” situa-se a 2m da borda da piscina. As plataformas de salto ficam a 75cm da superfície da água. Seu formato é quadricular com 50cm de lado, inclinando-se para a piscina em 10°. São ainda fabricadas em material antideslizante e equipadas com caixas que reproduzem o alarme de saída e também as cordas com as quais os nadadores se firmam no procedimento do nado de costas. Quanto às raias, estas devem apresentar uma largura mínima de 2,5 metros cada. As plataformas são numeradas de 1 a 8. Os oito melhores nadadores das eliminatórias em uma competição são distribuídos nas raias de acordo com os melhores tempos obtidos. O melhor tempo fica alocado na raia 4, o segundo melhor na raia 5, o terceiro melhor na 3, quarto melhor na raia 6, quinto na raia 2, sexto melhor na raia 7, sétimo na raia 1 e oitavo na raia 8. A temperatura oficial da água para competições é de 25 ºC, podendo oscilar em mais ou menos 1ºC. 7 4.1.2. Semiolímpica ou 25m Também chamada de piscina curta, a piscina semiolímpica tem 25m de comprimento e de 15 a 20m de largura, tendo linhas de fundo de 21m. Essas dimensões foram estabelecidas pela Federação Internacional de Natação (Fina). A piscina semiolímpica é metade do tamanho da piscina olímpica, que tem 50 metros de comprimento. Uso: As piscinas semiolímpicas são frequentemente usadas para treinamento de natação, competições locais e aulas de natação. Elas são uma ótima opção para clubes esportivos e escolas. Vantagens: - Por serem menores que as piscinas olímpicas (que têm 50 metros), elas são mais acessíveis e podem ser construídas em espaços menores. - Oferecem uma boa opção para nadadores que querem treinar em distâncias longas, mas sem a necessidade de uma piscina completa de 50 metros. 4.2. ADAPTAÇÃO AO MEIO LÍQUIDO O ser humano apresenta uma excelente capacidade de alterar a sua forma de vida em virtude das suas necessidades, podendo até viver em locais completamente adversos, como nos desertos e na Antártida. Dentro dessa visão, se insere a adaptação do ser humano à água, que se caracteriza por ser completamente diferente do seu meio ambiente natural. Durante a gestação, o feto fica envolvido pelo líquido amniótico, que lhe possibilita perceber o mundo ao seu redor, proporcionando- lhe calor e proteção, além de nutrientes extremamente necessários para o seu desenvolvimento. Esse representa, portanto, o primeiro contato do ser humano com a água, que, em realidade, é o seu primeiro contato com a própria vida. Esse fato pode ser considerado como um facilitador para a futura adaptação aquática relacionada à natação. Levando-se em consideração tais aspectos, acredita-se que as pessoas têm possibilidade de aprimorar, com facilidade, sua adaptação, visto que tiveram o seu primeiro contato com a água antes mesmo de nascer. Em virtude disso, é que os bebês devem ser estimulados à prática de atividades aquáticas, aproveitando ao máximo essa potencialidade natural. TU R M A D O C U R SO D E ED U C A Ç Ã O F ÍS IC A , C ES V A SF – C A M P U S FL O R ES TA, 2 0 23 .2 . 8 Gomes (1995) define que nadar significa deslocar-se no meio aquático de modo equilibrado. Entendemos, assim, que a natação é um processo de interação com a água em relações equilibradas e que se dá em fases evolutivas e crescentes de experiência. Nisso, implica-se que antes do domínio técnico dos nados, os indivíduos necessitam de desenvolver habilidades básicas e interativas com a água, adaptando-se e evoluindo. Rocha (2005) explica que a natação requer uma fase de adaptação, por inserir os sujeitos em um ambiente diferente do habitual. Gomes (1995) completa afirmando que a adaptação é uma das mais importantes fases da natação e que as pessoas que têm pouca orientação corporal no meio líquido provavelmente terão uma maior dificuldade para realizar atividades na prática. A fase de adaptação é o momento de integração e interação do aprendiz com a água. Para que o aprendizado avance, é preciso que o indivíduo experimente e solucione problemas do novo meio (GOMES, 1995). O professor é um elemento imprescindível nesse processo, pois, como bom estrategista, deve criar um ambiente favorável, tranquilo e estimulante para o aprendizado (FREUDENHEIM; GAMA, 2003; GOMES, 1995). É fundamental que o professor faça algumas perguntas ao aluno, para que possa situá-lo em alguma categoria de aprendizado, podendo, dessa forma, planejar quais ações deverão ser desenvolvidas para atingir os objetivos do seu aluno. Muitas são as perguntas que podem ser feitas. Existem, entretanto, algumas principais, que darão uma noção exata dos conhecimentos do aluno a respeito da natação, como por exemplo: • Por que você procurou a natação? Com essa pergunta, o professor confirmará se o aluno tem algum problema de saúde e se passou pela avaliação médica, se o aluno procura a natação para aprender a nadar e praticar uma atividade física, ou se ele, simplesmente, procura uma atividade recreativa e de lazer. Independentemente das respostas, o professor deverá orientar continuamente o trabalho do seu aluno, motivando-o e o desafiando para que alcance novos objetivos e pratique a natação sempre. • Você já praticou natação alguma vez? Através dessa pergunta, o professor saberá se o aluno já teve contato com uma piscina, se conhece o processo de uma aula de natação e se tem algum conhecimento sobre ela. • Você sabe nadar? Essa questão terá, obrigatoriamente, duas respostas. Caso seja não, o professor saberá, imediatamente, que o seu aluno realmente não sabe nadar. Desta derivará uma outra pergunta: • Você tem medo da água? Dessa forma, o professor saberá se deve iniciar o ensino desde o começo, ou seja, se deverá aplicar toda a sequência de exercícios de adaptação desde o início, ou se poderá passar o aluno para um estágio posterior. Supondo que o aluno tenha respondido sim, que ele sabe nadar, o professor confirmará isso fazendo outra pergunta: • O que você sabe nadar? As respostas poderão ser de dois tipos e definirão exatamente em que nível se encontra o aluno: a) Eu sei nadar crawl. Essa resposta praticamente confirmará que o aluno sabe nadar ou que, pelo menos, apresenta poucos problemas com relação a esse tipo de nado. Mas o importante é que ele, por conhecer qual é o nado e o seu nome, já teve contato com esse estilo e, portanto, tem algum tipo de experiência com ele. 9 b) Eu sei nadar aquele, assim de frente, ou qualquer outra resposta do gênero. Está praticamente comprovado que esse aluno não sabe nadar, ou, no mínimo, que sabe nadar cachorrinho ou outro estilo semelhante. 4.2.1. Conhecimento do ambiente No primeiro contato do aprendiz com a água, uma série de alterações e diversidades é experimentada. As propriedades físicas da água, geram alterações no corpo do indivíduo, deixando-o a princípio mais inseguro, o que com o tempo de aprendizado e o suporte do professor, será superado. Rocha (2005) descreve que é fundamental que o professor construa um relacionamento sólido e cativante com o aluno, de modo a eliminar os desconfortos e a insegurança nessa fase. O diálogo, abordando assuntos do cotidiano e a linguagem adaptada, é uma ferramenta essencial nesse processo. A conversação é um ponto de atenção. Com crianças, uma história pode ser contada enquanto se desloca pela piscina. Com adultos, temáticas atuais ajudam a fluir o procedimento. O suporte do professor é essencial para não permitir que o aluno se sinta inseguro e sozinho (GALDI, 2004). O gesto de segurar-lhes as mãos pode ser valioso. Tais pequenas ações auxiliam no entrosamento do alunado com o ambiente e o prepara para a fase de respiração. Rocha (2005) contribui pontuando que a fase de conhecimento do ambiente pode ser intercalada com as demais fases da adaptação ao meio líquido, dependendo do planejamento e da sensibilidade do professor para com seus alunos. Nessa fase, além de fomentar um ambiente afetivo e tranquilo para atenuar as inseguranças e desconfortos dos alunos ocasionadas pelo contato com o ambiente aquático, devem-se explanar os detalhes do aprendizado. Isto significa, como Rocha (2005) pontua, apresentar a piscina para o aluno, de modo que este a conheça como uma sala de aula. A temperatura, o comprimento, a largura e a profundidade da piscina devem ser apresentadas também, afinal, esse ambiente será dividido entre você – professor – e o aluno. 4.2.2. Fases de adaptação em diferentes idades 4.2.2.1. Adaptação para alunos de 2 a 7 anos de idade Para a fase de adaptação, nessa faixa etária, o uso de canções é um recurso pedagógico estimulante e essencial para a integração do aprendizado. Nessa idade, as crianças devem ser conduzidas didaticamente aos conceitos de desenvoltura dentro d’água. Iniciativas lúdicas de comunicação adaptada são importantes para sua maturação. Nessa etapa, os alunos apresentam movimentos e flexões de abertura exagerados, marcados pela imaturidade do aprendiz. Com o apoio e a segurança oferecida pelo professor, o aluno experimenta gradativamente desenvoltura e maturidade de movimentos. 10 4.2.2.2. Adaptação para alunos de 7 a 12 anos de idade Os alunos nessa faixa etária têm maior domínio e controle de suas ações, sendo ainda mais conscientes das atividades exercidas. Entretanto, demonstram dificuldade na realização de movimentos repetidos por longos períodos. Cumpre, assim, que o professor diversifique os métodos durante o aprendizado para que ele se dê com mais concentração (ROCHA, 2005). Nessa faixa etária não é necessário o uso de boias, salvo casos específicos observados pelo professor. A inserção do aluno no meio líquido é feita com o apoio do professor, sendo promovido o deslocamento de um lado para o outro da piscina. Quando o aluno se sentir seguro, o uso de materiais flutuantes é incorporado à aula e, então, o trabalho de respiração, flutuação e deslize frontal e dorsal tomam lugar. 4.2.2.3. Adaptação para alunos a partir de 12 anos de idade Com a maturidade e o pensamento lógico próprios dessa idade, a fase de adaptação deve ser introduzida na criança como uma etapa essencial para a aquisição de habilidades de nado (GALDI, 2004). A adaptação deve ser enriquecida de diversas atividades, visando o aprendizado de deslocamento, cuidando para que o aluno não se sinta incapaz da realização dos movimentos (ROCHA, 2005). A comunicação e o ensino para essa faixa etária são mais fluidos, logo, o professor pode lançar mão de recursos motivacionais e instrucionais para que o aprendiz adquira os conhecimentos e técnicas básicas. O uso de material flutuante deve ser feito, especialmente por desenvolver segurança para o aluno e para estimular o aprendizado da propulsão. Desenvolvida a propulsão, seguem a ênfase na respiração e na visão subaquática. 4.2.2.4. Adaptações para alunos na idade adulta As orientações para a fase de adaptação na fase adulta assemelham-se às da fase infantil a partir de 12 anos de idade.Deve-se cuidar para que os alunos não sejam demasiadamente cobrados e desenvolvam retraimento ou baixo rendimento, por exigências excessivas (ROCHA, 2005). O processo deve iniciar com a apresentação da piscina, a seguir com a realização de educativos na vertical com e sem o auxílio do professor, para, enfim, o trabalho horizontal. O material flutuante constitui um apoio essencial para a superação de dificuldades e a desenvoltura do aprendizado (ROCHA, 2005). 5. ASPECTOS PEDAGÓGICOS DO ENSINO DA NATAÇÃO A aprendizagem da natação não é um processo natural para os seres humanos, ao contrário, ela vem com as experiencias práticas. Por isso, e importante que você oriente estas experiencias para que seu aluno aprenda a natação. Peixes e anfíbios são espécies de animais que tem suas competências aquáticas inatas. Já para nós, seres humanos, essa afinidade com o meio líquido e diferente. Mesmo que o desenvolvimento uterino acontece em meio líquido, e 11 que os bebês tenham o reflexo natatório, e preciso um certo tempo para que se aprenda a nadar. Quando se pensa em comportamento aquático, entende-se que o sistema nervoso precisa organizar muitas fontes de informações sensoriais em um comportamento motor, ou em um movimento que será resultado destes estímulos integrados. Assim, quando seu aluno estiver dentro da água, ele recebera informações de seus olhos, seus ouvidos, sua pele, seus músculos, sua flutuação, sua propulsão, dentre outros estímulos organizados em termos de “tráfego” neurológico, e terá como resposta um movimento seguro e coordenado. Caso contrário, sua desorganização ou “engarrafamento” produzira repostas desajustadas (VELASCO, 1994 apud ALMEIDA, 2018). Alguns subsídios metodológicos para a aprendizagem da natação por crianças De acordo com as perspectivas da psicomotricidade, três fases podem ser diferenciadas no processo de aprendizagem da natação pelas crianças. Na primeira fase de aprendizagem da natação, e importante valorizar a segurança e a adaptação a um novo meio, reforçando o papel fundamental da mediatização nas primeiras experiencias aquáticas da criança. A segunda fase da aprendizagem da natação deve focar no enriquecimento adaptativo. Antes que ela desenvolva deslocamentos ativos e autônomos na criança nadadora, o corpo deve estar adaptado as sensações provenientes do ambiente líquido. A terceira fase da aprendizagem da natação deve visar a realização da integração sensorial que possibilite o desenvolvimento de deslocamentos aquáticos coordenados. Esta fase tornara a criança apta e independente para aprender os quatro nados da natação. Pensando na necessidade de se conhecer o perfil dos alunos que estão aprendendo a natação para que possamos adequar as propostas da aula as suas características, podemos dividir em grupos os alunos para os quais você ensinara a natação. Bebês Muitas vezes, as atividades psicomotoras no meio terrestre-aéreo do bebê não são plenamente conhecidas nem exploradas ao máximo. Sabendo que um desenvolvimento harmonioso do bebê depende da quantidade e qualidade dos estímulos proporcionados pelo seu meio ambiente, as experiencias aquáticas são atividades muito valiosas para o progresso no plano psicomotor. Além disso, vivenciar experiencias variadas pode tornar o corpo do bebê mais operacional. Situações que proporcionem diferentes posicionamentos e que utilizem diferentes partes do corpo na exploração das atividades motoras globais e finas 12 são experiencias importantes para consciência e noção corporal. As noções espaciais são vividas na exploração do meio aquático, utilizando o corpo do bebê estático ou em diferentes deslocamentos, em pequenas ou grandes quantidades de água, próximo ou longe de alguém. As noções temporais serão adquiridas conforme as ações em aulas realizadas. Estas se adaptarão ao ritmo e ao tempo próprio do bebê. Por exemplo: para compreender o significado de “antes”, o bebê devera vivenciar uma situação antes e depois de imergir, que pode ser uma situação qualquer. Essas experiencias estimularão áreas cognitivas e promoverão a aquisição da noção de tempo (VELASCO, 1997 apud ALMEIDA, 2018). Crianças A criança pode ser caracterizada e definida como “ação”. O aprendizado acontece pelas brincadeiras, imitações e fantasiando situações. Portanto, na natação, cabe ao professor respeitar as limitações de seu aluno e utilizar jogos e brincadeiras como estratégias de aprendizagem. A partir dos quatro anos de idade, todas as situações podem ser consideradas como estímulos para aprendizagem. Até os sete anos ainda e importante manter a variedade de experimentação corporal. A partir dessa idade, até os dez anos as crianças já entendem e respeitam regras e dão feedback positivo ou negativo das propostas oferecidas. Adolescentes Em nosso contexto histórico e social, a adolescência vem começando mais cedo e terminando mais tarde. No século passado, por exemplo, as mudanças físicas da puberdade se iniciavam por volta dos 13 anos. Hoje, a pré- adolescência, que marca o fim da infância e o início da adolescência, acontece por volta dos nove e dez anos de idade. Na pré-adolescência, há uma melhor receptividade ao diálogo, por isso, nessa fase e importante que o adulto busque conversar e compreender todas as mudanças psicofísicas que o adolescente está enfrentando. Durante a adolescência, toda aprendizagem adquirida poderá ser transformada em aperfeiçoamento, pois o jovem está em uma idade mental e cognitiva que lhe permite atitudes positivas e duradouras em relação as atividades esportivas regulares e seu nível de maturidade já está adequado pelas experiencias anteriores. Poderá ocorrer, além do aperfeiçoamento técnico, o nível competitivo. No entanto, devemos iniciar as competições com o espírito de lazer, participação das próprias capacidades, sem pressões e responsabilidades. Dessa forma, prepararemos nossos alunos para vitorias e derrotas, pois estarão mentalmente produtivos para melhores resultados e para a aceitação dos fracassos (VELASCO, 1997). Adultos Na maturidade, a fantasia e sobreposta pela realidade. E importante que estimulemos os adultos a manterem a admiração pelo belo, pelas novas ideias e pelos acontecimentos. 13 Praticar um esporte, como a natação, para o adulto deverá envolver as mesmas estratégias do professor em relação a criança. Lembrando apenas que o adulto quer e precisa saber “como” e o “porque” de cada desempenho no meio líquido. Assim, e necessário sempre o diálogo explicativo, com incentivo e estímulo para que ele continue acreditando em suas potencialidades. Idosos A terceira idade e a fase da vida na qual a autoestima e um ponto fundamental para um bom desempenho em todas as atividades. A sociedade atual privilegia a parcela mais produtiva da população, desvalorizando, algumas vezes, os idosos. Esta situação pode enfatizar o sentimento de impotência dessas pessoas. E importante que não só os jovens, mas também os idosos, saibam que estar nessa faixa etária não significa apenas o aumento de limitações. Mesmo que o vigor físico não seja o de jovem, as experiencias de vida e a maturidade tornam os idosos sábios. Portanto, cabe a nós, professores, a proposta de atividades nas quais eles possam se sentir capazes e valorizados. Ainda, os profissionais de Educação Física têm uma missão primordial com essas pessoas: reativar o corpo e fazer com que redescubram sua autoestima, podendo a prática de um esporte ser um bom meio para esse fim (VELASCO, 1997). 5.1. O papel do professor Netto (1995) explica que o trabalho do professor vai muito além do domínio de um conteúdo específico para transmissão a um alunado, garantindo seu aprendizado. O autor afirma que o conhecimento do perfil do aluno com que o professor trabalhará é imprescindível para o processo. As pessoas são influenciadas pelo ambiente em quevivem e por uma série de interações e experiências cotidianas, seu desenvolvimento é construído por meio das subculturas e outras forças externas. Mas o que isso quer dizer? Conhecer aspectos como a situação socioeconômica, aspectos culturais, raça, relações familiares e outras variáveis são determinantes em oferecer ao professor linhas claras de trabalho, para que seu contato com os alunos não seja generalista, mas se particularize às limitações e potencialidades de cada um (LIBRELON et al., 2013). Isso, assegura Netto (1995), contribui efetivamente com a conduta didático-pedagógica do professor e o adequando desenvolvimento do aluno. O professor deve acolher como objetivo um estudo do desenvolvimento afetivo da criança, isto é, conhecer o aluno e como este reage ao meio para que o aprendizado seja dirigido, claro, adequado e respeitoso (ROCHA, 2005; CANOSSA et al., 2007). Recomenda-se ao professor que este, antes de iniciar as aulas, tenha ideia do perfil do grupo com que trabalhará (NETTO, 1995). Atividades e dinâmicas em grupo podem ajudar nesse processo. Com um panorama sobre o aluno, o professor tem recursos e instrumentos fundamentais para construir sua prática de modo eficiente e eficaz. Há três aspectos fundamentais que devem reger a postura do professor no ensino, em especial, 14 para a natação como aqui tratamos: domínio do conteúdo a ser trabalhado, voz de comando e afetividade (ROCHA, 2005). 5.1.1. Domínio do conteúdo a ser trabalho Além de demonstrar insegurança e tornar a aula instável, a falta de domínio do conteúdo inviabiliza o trabalho do professor (ROCHA, 2005). Conhecer detalhadamente o conteúdo técnico do ensino de natação, bem como aspectos que regem métodos didático-pedagógicos para o ensino esportivo, temas próprios da educação, adaptações para diferentes públicos é preponderante para que as aulas atinjam bons níveis de execução (GOMES, 1995). O domínio demonstrado pelo professor desenvolve no alunado relações de confiabilidade, segurança e estabilidade, deixando-o mais disposto e consciente dos processos. Todavia, o conhecimento técnico deve ser inteligentemente trabalhado e adaptado à realidade e maturidade dos alunos com os quais lida. Habilidades interpessoais, de leitura dos fatos e atualização constante de métodos e técnicas auxiliam o professor a desenvolver o conteúdo eficazmente no contexto do aprendizado (ROCHA, 2005). Cabe ao professor um estado de atenção e estudo constante, seja do conteúdo programático e do planejamento de aula, seja da realidade de ensino com a qual se depara no ambiente e nas relações com o alunado. 5.1.2. Voz de comando A voz de comando diz do senso de autoridade, respeito e liderança que o professor desenvolve perante os alunos. Estes devem enxergar o professor com um referencial seguro e solícito no processo de aprendizagem, desenvolvendo laços de confiança, segurança e afeição. Netto (1995) destaca que a influência do professor é poderosa, devendo ser aproveitada e bem direcionada. Essa postura implica ainda em desenvolver corretamente a dinâmica das aulas, supondo organização, sistematização, controle, disciplina, gratificação, correção, diálogo com pais, familiares ou acompanhantes e habilidade de lidar e solucionar conflitos. Sendo adequadamente usada, a voz de comando pode ser o melhor instrumento de trabalho do professor (ROCHA, 2005). 5.1.3. Afetividade Laços, vínculos, diálogo e habilidade interpessoal devem fazer parte do currículo de qualquer pessoa que se propõe a trabalhar com educação (ROCHA, 2005). A afetividade é imprescindível no processo de ensino-aprendizagem. Netto (1995) explica que devemos entender que os alunos são pessoas reais, ou seja, têm emoções, limitações, dificuldades, talentos, disposições e uma bagagem pessoal e familiar. Logo, a articulação afetiva do professor deve ser sóbria para construir experiências efetivas. Desenvolver relacionamentos qualitativos e construir afetividade durante as aulas não significa relações de grande liberdade (ROCHA, 2005). A voz de comando e o senso de autoridade de vem prevalecer para o professor sempre seja um apoio referencial de ensino, ajuda e assistência. O desenvolvimento afetivo na conduta do professor zela para que a experiência seja completa e garanta bons resultados (LIBRELON et al, 2013). 15 5.2. A estrutura das aulas Conhecendo alguns dos elementos básicos que regem a postura do professor, você tem parâmetros para construir seu próprio roteiro de ação e atividades. Nesse sentido, planejar as aulas e ter olhar e sensibilidade aguçados para notar o ambiente, os alunos e o ritmo do aprendizado são imprescindíveis para bons resultados. Existem unidades didáticas básicas que podem compor suas aulas, sendo ainda possível que outros métodos e sequências sejam adotados, levando-se em conta eventuais adaptações e especificidades da turma com a qual você poderá lidar (ROCHA, 2005). Já aprendemos anteriormente sobre esta sequência, mas vamos relembrá-la: adaptação ao meio líquido, respiração aquática, equilíbrio na água (flutuação) e deslocamentos diversos (propulsão). Essa sequência básica é progressiva e prepara didaticamente o aprendiz ao domínio da técnica (NETTO, 1995). Um aspecto importante das aulas é a homogeneidade das turmas em relação à faixa etária. É importante que as turmas sejam organizadas com alunos de idades próximas e de ambos os sexos, permitindo uma comunicação uniforme e adaptada sem perdas (ROCHA, 2005). Entretanto, nem sempre será possível à existência de turmas homogêneas, podendo haver uma flexibilização, na qual o professor deve contornar no trâmite das aulas (NETTO, 1995). É preciso observar aspectos, como o número de alunos por turma e os horários de aulas. As turmas jamais devem ser lotadas, uma vez que a aula não teria ritmo e seria prejudicada pela presença numerosa na piscina. É recomendável que a turma possua cerca de 8 alunos, dependendo ainda da experiência do professor e das regras institucionais em que as aulas são ministradas (ROCHA, 2005). Os horários das aulas devem ser pensados considerando o clima, horários próprios da vida do aluno, como descanso e outras atividades de seu dia a dia, de modo que a aula seja uma experiência plena e rica para professor e aluno. Em turmas, deve estar atento a eventuais conflitos ou isolamento por parte de alguns alunos (GOMES, 1995). O professor deve ser sensível e observador de modo a garantir que nenhum indivíduo acumule experiências negativas ou traumáticas em relação às aulas (NETTO, 1995). A pedagogia de ação do professor deve contornar problemas didáticos e relacionais, acompanhando o aluno e levando-o a superar as dificuldades encontradas ao longo do percurso (ROCHA, 2005). Geralmente, as aulas de natação ministradas para crianças variam de 30 a 45 minutos. Eu, particularmente, faço a opção de trabalhar em um tempo de 30 minutos. A fase da natação em que crianças, adolescentes e adultos estão inseridos pode ser determinante nesse processo. Vamos exemplificar: 16 6. PILARES BÁSICOS DA NATAÇÃO Como pilares básicos da natação, há quatro competências essenciais que um aluno precisa dominar antes de ir para as próximas etapas da aula. Então, antes de aprender como nadar crawl ou costas, por exemplo, é necessário estar bem adaptado dentro desses aspectos: • Respiração. • Imersão. • Flutuação. • Propulsão. 6.1.1. RESPIRAÇÃO O primeiro ponto ao qual um aluno deve se atentar ao começar a fazer natação é o desenvolvimento da respiração geral. É um pilar básico para adaptação ao meio líquido. Afinal, a respiração na piscina, obviamente, é diferente daquela com a qual estamos acostumados fora dela. Como Reinaldo Arcaro Júnior, integrante do time de Marketing da Metodologia Gustavo Borges, formado em Educação Física e técnico de natação, fala neste conteúdo: “No meio terrestre, inspiramos pelonariz e expiramos pela boca. No caso da natação, a inspiração acontece pela boca (maior amplitude para absorção de oxigênio de forma rápida) e se expira pelo nariz. Além de realizarmos a troca dos gases, quando ‘soltamos’ ar pelo nariz dentro d’água também impedimos que a água entre nas vias aéreas, pelo bloqueio da ação”. 6.1.2. IMERSÃO Muitas pessoas acabam confundindo imersão com emersão. O primeiro é quando você vai em direção ao fundo da piscina, enquanto o segundo é o processo no sentido contrário, quando se volta para a superfície. Em sequência à respiração, essa é uma das habilidades mais importantes para que os alunos se adaptem ao meio aquático e, principalmente, percam o medo das piscinas. 6.1.3. FLUTUAÇÃO Com a flutuação, o aluno desenvolve a autonomia para realizar a sustentação ventral e dorsal. Esse é um dos primeiros pontos ensinados e, por isso, considerado um dos pilares da natação, pois corresponde a uma questão básica de segurança. A partir do momento em que você consegue flutuar e se manter em equilíbrio na água, sem o uso de instrumentos (como macarrão, prancha ou halter), vai se adaptando cada vez melhor ao meio. 17 6.1.4. PROPULSÃO Pode-se definir a propulsão na natação como a capacidade que um corpo tem de se locomover dentro d’água com os próprios recursos, pela ação conjunta dos braços e das pernas. Ela é essencial para a execução dos diferentes tipos de nados. Nesse sentido, também vale falar sobre a importância de braçadas e pernadas no auxílio da adaptação e aprendizagem dos diferentes estilos. De modo geral, o batimento de pernas atua em movimentos alternados (ascendente e descendente), no sentido vertical. No movimento descendente, o joelho se flexiona naturalmente devido à pressão exercida pela água na perna, sendo esta fase a ação propulsora com a extensão total dos membros inferiores. Já a ação dos braços também pode ser dividida em duas: Aérea: não possui ação direta na propulsão, uma vez que o movimento correto determina a posição satisfatória do corpo e a eficácia da puxada aquática. Aquática: é a fase propulsiva da braçada e se subdivide em apoio, puxada e empurrada. 7. TIPOS DE NADOS Normalmente, apenas quando os fundamentos da natação estão bem consolidados que os alunos passam para a fase de iniciação, ou seja, aprendem na prática as regras e características específicas de cada estilo. Os diferentes tipos de nado são definidos de acordo com o posicionamento do corpo na água, a movimentação dos membros superiores e inferiores, a respiração e a coordenação ou sincronização de cada estilo. São eles: Crawl: o nadador fica com o tórax para baixo e o movimento consiste na movimentação alternada entre direita e esquerda, rapidamente. Isso tanto para os braços quanto para as pernas. Costas: como o nome sugere, o nadador fica de costas para a piscina, com a barriga para cima. As características de movimentação das pernas e braços são semelhantes ao crawl, porém, com adaptações para mais efetividade no nado de costas. Diferente dos demais, a cabeça fica para fora da água, facilitando a respiração. Borboleta: é visto, por muitos, como um dos mais difíceis, pois a prática exige muito do corpo, principalmente dos braços. Já o movimento das pernas é feito em ondulações. 18 Peito: é considerado um dos estilos mais lentos, exigindo muita coordenação e técnica do nadador. O movimento das pernas e braços garante mais propulsão, mas isso pode, inclusive, provocar lesões quando não é feito com cuidado. 7.1. O NADO CRAWL Surgimento do nado crawl (nado livre) Inicialmente, no século XIX, quando foram realizadas as primeiras provas de natação, os nadadores realizavam um movimento parecido com a braçada de peito, só que na lateral de seu corpo. Com esse movimento, percebiam uma grande resistência a propulsão de seu nado. Assim, começaram a levar um dos braços a frente, na superfície da água, concedendo a este nado o nome de single overarm stroke (braçada única sobre a água). Na busca de melhorar ainda mais a propulsão a partir deste nado, modificaram os movimentos para que os dois braços fossem levados a frente, alternadamente, como fazemos atualmente, dando a este novo estilo o nome de double overarm stroke (braçada dupla sobre a água). Nesse contexto, em 1983, J. Arthur Trudgen, um nadador inglês, a partir de algumas experiencias com nativos da América do Sul, adicionou o movimento de pernadas de tesoura aos movimentos dos braços. Outro inglês, Frederick Cavill, quando foi para Austrália, percebeu que os indígenas movimentavam muito bem suas pernas na superfície da agua. Dessa forma, trouxe o movimento de pernadas de tesoura para a superfície e nomeou este novo estilo de crawl australiano. O crawl moderno surgiu com o havaiano Duke Kahanamoku, vencedor da prova dos 100 metros nado livre nas Olimpíadas de 1912 e 1920. Em 1924, um nadador chamado Johnny Weissmuller bateu o recorde de Duke, nadando o mesmo estilo crawl, consagrando-o como o mais veloz entre os quatro nados da natação (VELASCO, 1997). Posicionamento do corpo No posicionamento do corpo no nado crawl, e fundamental que o corpo mantenha um bom alinhamento horizontal durante o nado, para que seu deslocamento aconteça com mais facilidade. Desvios do quadril ou posicionamento das pernas muito profundas podem aumentar a resistência do corpo e diminuir a propulsão. Para se obter um bom alinhamento horizontal, e importante: manter a posição natural da cabeça, as costas relaxadas e a pernada sem grande amplitude, de preferência até aproximadamente a direção da parte mais profunda do tronco (ALMEIDA, 2016). 19 Respiração Durante o momento em que o nadador está com o rosto na água, ele fara a expiração pela boca, pelo nariz ou por ambos. É sempre bom reforçar a expiração pelo nariz, para que durante a realização das viradas não aconteça a entrada de água por pelo nariz. A inspiração deve ser feita pela boca logo após a expiração, durante o movimento de rolamento lateral do tronco e da cabeça. A respiração pode ser classificada de acordo com o número de braçadas realizadas para cada inspiração: • 2x1 (dois por um): uma respiração a cada duas braçadas, para o lado direito OU esquerdo – unilateral. • 3x1 (três por um): uma respiração a cada três braçadas, para o lado direito E esquerdo – bilateral. • 4x1 (quatro por um): uma respiração a cada quatro braçadas, para o lado direito OU esquerdo – unilateral (ALMEIDA, 2016). E assim sucessivamente. Alguns autores colocam que a respiração bilateral pode apresentar algumas vantagens em relação a respiração unilateral. Respirar para os dois lados facilita o rolamento do tronco, auxiliando, assim, na execução de uma braçada mais eficiente. Além disso, torna a braçada mais simétrica e facilita a visão e o controle dos nadadores das raias dos dois lados durante os momentos de competição (MASSAUD; CORREA, 2008; MAGLISCHO, 2010). Pernada A pernada de crawl e realizada em movimentos alternados das pernas, com uma trajetória ascendente e uma descendente. As pernas e os tornozelos devem estar relaxados e o movimento deve acontecer de forma ritmada. O joelho ficara levemente flexionado na fase descendente do batimento de pernas. A pressão da água, durante o movimento descendente, pressionara a parte de cima do pé para que os dedos permaneçam estendidos. O joelho afundara levemente na água e a perna, o tornozelo e o pé devem continuar a descer até formar uma linha reta com o joelho. No momento em que isso acontecer, inicia-se o movimento para cima (trajetória ascendente). À medida que a perna começa a se mover para cima, o tornozelo, ainda relaxado, flexiona com a pressão da água e empurra a sola de seu pe. A perna deve continuar o movimento ascendente até que o calcanhar esteja na superfície, quando termina o movimento einicia-se um novo ciclo de batimento de pernas. A outra perna segue exatamente o mesmo padrão, mas trabalha de maneira oposta (MAGLISCHO, 2010). 20 Existem duas teorias em relação a esse movimento: a primeira e a de que, durante a fase da pernada, haja uma recuperação do movimento, com o relaxamento do tornozelo e da musculatura da perna; a segunda e a de que, durante essa fase, adquira-se propulsão com a pressão da perna e da planta do pe. Não existe na literatura um consenso sobre qual das teorias realmente se aplica a técnica da pernada do nado crawl. Um fator que influenciara tanto na frequência quanto na intensidade da pernada e a distância que se está nadando. Em provas mais curtas, até 100 metros, os nadadores tendem a ter maior frequência de pernadas e também as realizam com maior intensidade. No entanto, a amplitude do movimento será a mesma. Já em provas mais longas, os atletas realizam menos movimentos de pernadas e com uma menor intensidade. Braçada O movimento de braçada do nado crawl será realizado em duas fases: uma fase propulsiva ou submersa, que acontece dentro da água, e uma fase de recuperação ou fase aérea, realizada com o braço fora da água. Um ciclo de braçadas consistira em um movimento de braçada (fase aérea mais fase propulsiva) com o braço direito e um com o braço esquerdo, e pode iniciar com qualquer um deles. Inicialmente, vamos entender a fase de recuperação, dividindo-a em etapas. 1– Inspire. Vire a palma da mão para cima do braço que está puxando. 2 – Eleve seu cotovelo, permitindo que sua mão se arraste. 3- Seu cotovelo devera se flexionar a 90o, enquanto sua mão passa pelo seu rosto. 21 4- Avance para frente por cima do “cilindro imaginário”. 5- Os dedos devem tocar a água antes do cotovelo. 6- Vire com o rosto para baixo, estendendo e deslizando seu braço para frente. 7- Repita da mesma forma com o outro braço. Ao final da fase de recuperação, quando termina o deslize do braço a frente, e iniciada a fase submersa ou propulsiva. E com este movimento que a braçada de crawl traz propulsão ao nado. Vamos entender a fase propulsiva também em etapas: De forma clara e objetiva, o braço traçará uma trajetória em forma de “S” dentro da água. O movimento da braçada iniciara com o braço estendido à frente da cabeça. Os dedos devem estar estendidos, mas relaxados. O punho deve estar firme, enquanto o braço inicia girando medialmente para dentro. 22 Conforme o braço gira, o cotovelo flexionara levemente. Mantenha o pulso, mão e cotovelo de forma rígida nesta posição e movimente o braço para fora. Essa e a primeira parte propulsora da braçada de crawl, conforme Figura (MAGLISCHO, 2010). Conforme a mão alcança o final desse curto movimento para fora, o antebraço gira suavemente para dentro, devendo o pulso ser estendido e o cotovelo flexionado de modo que as pontas dos dedos apontem para baixo. A mão escorrega para baixo, e levada para trás e dirige-se a linha central do corpo na altura do queixo. Essa e a segunda parte propulsora da braçada de crawl, conforme Figura (MAGLISCHO, 2010). O cotovelo continua a flexionar a 90º enquanto o braço todo começa a braçada a partir do ombro. Neste ponto, o braço deve estar no nível do ombro, mas levemente inclinado para fora, de modo que, com o cotovelo flexionado a 90º, a mão se encontre diretamente debaixo do seu queixo, na linha central do corpo. Puxe seu braço diretamente para trás com a mão um pouco afastada do seu corpo. Neste ponto, o puxar se transforma em empurrar, conforme Figura (MAGLISCHO, 2010). À medida que o empurrar progride, os pulsos começam a relaxar e inclinam-se para trás. O cotovelo deve voltar a ficar reto para continuar a empurrar e a mão move-se para fora para uma posição bem ao lado da coxa, como na Figura. 23 Durante o puxar e o empurrar, o tronco também deve girar, de modo que o ombro direito também gire na superfície. Este “giro” do corpo e importante para diminuição do atrito e resistência da água e melhorara, consideravelmente, a propulsão. Nessa posição, o dedo da mão deve estar levemente afastado da coxa, enquanto o cotovelo está estendido e a palma da mão virada para fora, conforme ilustrado na Figura. A partir deste momento, inicia-se a recuperação da braçada. 7.2. O NADO COSTAS O nado costas é diferente de todos os outros nados, pois é o único em que o nadador permanece com o rosto fora da água durante toda a sua execução. Você verá, agora, quais são as características de seus componentes. Surgimento do nado costas Quando surgiu, o nado costas era realizado com o movimento simultâneo dos braços para trás e com o abdômen voltado para cima. Os dois braços eram levados para trás da cabeça e, quando encostavam na água, realizava-se um movimento de semicírculo, em torno dos ombros, até as mãos chegarem próximo a coxa, sendo a pernada um forte golpe de tesoura. Com este nado, o norte- americano Harry Habner venceu a prova dos 100m costas das Olimpíadas de 1912. Adolph Kiefer foi o responsável pelas modificações do nado costas. A posição do corpo se manteve de barriga para cima, mas a braçada tornou-se alternada e com os braços estendidos. A pernada se assemelhou ao movimento das pernas de crawl, sendo realizadas na superfície da água. Em 1935, seu estilo ja era completo e Adolph foi consagrado como um dos grandes nadadores de nado costas. 24 Posicionamento do corpo O corpo permanece na horizontal, em decúbito dorsal, realizando movimentos laterais, em seu eixo longitudinal. Alguns alunos podem apresentar dificuldades em manter um bom alinhamento lateral, devido à execução das braçadas alternadas, geralmente, direcionando-as demais para os lados. Além disso, alguns nadadores podem manter a cabeça elevada durante o nado, fazendo com que o quadril abaixe, prejudicando o alinhamento horizontal. A cabeça deverá permanecer apoiada na água, com o nível da água passando junto à parte mediana das orelhas. Respiração A inspiração do nado de costas deverá ser feita pela boca, no momento em que um dos braços estiver iniciando a recuperação, e o outro, apoio. A expiração deverá ser feita pelo nariz, evitando o desconforto de possíveis entradas de água por ele. O ritmo respiratório mais confortável pode ser encontrado pelo nadador, visto que o rosto permanece o tempo todo fora da água. Técnica da pernada Os movimentos da pernada do nado costas são realizados alternadamente, com trajetórias descendente, ascendente e lateralmente, de acordo com o rolamento de tronco. Durante a trajetória descendente, a perna permanecerá estendida. Quando iniciar o movimento para cima do batimento de pernas, faça a partir do quadril. Permita que seu joelho se flexione levemente abaixo da superfície da água. Mantenha-o flexionado ao continuar o movimento de batida de pernas, empurrando com o quadril toda a perna e com o pé para cima até quase chegar à superfície da água. Então, estenda o joelho de modo que o pé jogue água para cima. 25 Durante o movimento de pernadas do nado costas, o joelho não pode ultrapassar a superfície da água, mantendo-se submerso durante todo o movimento, como ilustrado na Figura acima. Braçada do nado de costas A técnica da braçada do nado costas é diferente de todos os outros nados. Ela lembra a braçada do crawl, pois também tem uma fase propulsiva e uma fase de recuperação, mas é diferente nos outros aspectos. Fase propulsiva ou submersa Para realizar o movimento de braçadas, o aluno inicia deslizando de costas, com os dois braços por cima da cabeça e as palmas das mãos voltadas para cima. O corpo deve virar levemente para um dos lados até que um dos ombros fique um pouco mais imerso na água. O antebraço deve girar a partir do ombro, de modo que a palma da mão vire para baixo, como se estivesse tentando alcançaralguma coisa atrás dele na piscina (MAGLISCHO, 2010). Instrua ao aluno a flexionar o cotovelo para trazer o antebraço para trás, na mesma direção que os pés. Estenda novamente o pulso quando o antebraço estiver na posição de puxar perpendicularmente ao seu corpo. O cotovelo deve estar a 90 graus, e o braço deve estar um pouco afastado dos ombros. Nesta posição, o aluno poderá exercer o máximo de força para trás para gerar propulsão. Então, o cotovelo ficará flexionado enquanto o aluno puxa a água em direção aos pés com todo o braço. Quando o braço passar pelo ombro, o cotovelo começa a estender, e o pulso, a relaxar, conforme ilustrado na Figura (MAGLISCHO, 2010). 26 Quando o braço estiver quase estendido, deve girar a partir do ombro, e a mão vira para baixo ao se aproximar da coxa. Utilize essa pressão da mão para baixo para ajudar a virar o corpo para o outro lado e elevar o ombro acima da água para a fase de recuperação da braçada (Figura). Fase de recuperação O cotovelo deve se manter estendido, mas o pulso precisa ficar relaxado enquanto o braço levanta da água. Eleve o braço estendido para cima, na vertical (Figura). Quando o braço passar da altura do ombro na fase de recuperação, gire todo o braço de modo que os dedos apontem para fora. Esse é o famoso “sai dedão da água, entra dedinho na água”. Estenda o braço o máximo possível para fora enquanto você rola novamente de lado e coloca a mão na água, pronto para iniciar uma nova braçada (Figura) (MAGLISCHO, 2010). Os dois braços realizam o mesmo padrão de movimentos. Enquanto um braço realiza a recuperação, o outro está desempenhando a fase propulsiva da braçada, permanecendo sempre em direções opostas. 27 Coordenação do nado A coordenação dos braços e das pernas do nado de costas deve ser realizada de forma que o ponto máximo ascendente da pernada coincida com o empurrão final, da finalização da braçada do mesmo lado. Para cada ciclo da braçada, são realizados seis movimentos de pernas. 7.3. O NADO PEITO O nado de peito consiste em uma das técnicas mais complexas da natação. Os movimentos dos braços e das pernas são simultâneos entre os lados. Na inspiração, a cabeça fica para fora da água, enquanto a expiração ocorre com o rosto dentro da água. Surgimento do nado peito Registros literários do século XVI descrevem os primeiros relatos da natação. Nestes trabalhos, da Alemanha, Inglaterra e Suécia, o nado peito era citado como a forma em que os soldados atravessavam rios, carregando seus armamentos e suas roupas, e precisavam fazê-lo carregando na cabeça ou nas costas. Quando foi criado, o nado peito era realizado com um movimento de braçada de grande amplitude, o qual, em 1837, em um campeonato de natação na Inglaterra, foi chamado de “braçada inglesa”. Nos Jogos Olímpicos de Paris, em 1924, o alemão Erich Rademacher assumiu uma posição mais baixa dos joelhos, arredondando o movimento de pernada, e usando o mesmo processo para a braçada. Com as constantes mudanças no nado peito, surgiu a necessidade de regulamentação deste nado, inclusive no que se refere ao nome dele. Até o ano de 1957 esse nado era realizado submerso, ou seja, embaixo da água. A partir desta data e de uma mudança da regra que aconteceu neste momento, o nado passou a ser realizado na superfície da água, e apenas nas saídas e viradas era permitido um movimento completamente submerso, o qual foi chamado de “filipina”. Braçada O movimento de braçada do nado peito é mais curto e não é muito eficiente, contrariando a ideia de que movimentos de braços amplos e completos são melhores ou mais propulsivos. No entanto, é necessário que a braçada se mantenha curta para que seja possível coordená-la com o movimento da pernada. No nado peito, o movimento de braços é importante, porém, diferentemente dos outros estilos, nesse nado a pernada é mais propulsiva que a braçada. Então, neste caso, a braçada é importante para dar suporte à respiração e ao movimento de pernas. Para realizar a braçada do nado peito, inicie o movimento com uma flutuação de frente, com os braços estendidos acima da cabeça. Vire as mãos para fora, com seu dedo polegar apontado para baixo, e eleve o cotovelo. Continue com a palma da mão para fora, enquanto os dedos vão se direcionando 28 para o fundo da piscina. Eleve a cabeça para fora da água enquanto faz um movimento semicircular com vigor, para fora, para trás e, depois, para dentro, com os cotovelos flexionados a 90 graus e os dedos apontados para baixo, como ilustrado na Figura. Respire enquanto termina o movimento com os cotovelos para fora e palmas da mão para cima, embaixo do queixo (Figura). Para recuperar a braçada, volte o rosto para dentro da água, traga os cotovelos para as laterais do corpo, mas deixe suas mãos na altura do queixo ou pescoço (Figura). Vire as palmas das mãos para baixo e empurre-as para a frente, abaixo da superfície, até a completa extensão do braço (Figura). No nado completo, se realiza o movimento de perna e, depois, um deslize mais longo. Mas se você estiver aprendendo ou ensinando o movimento apenas da braçada, sem o movimento da pernada, somente faça um curto deslize e repita o movimento da braçada. O movimento de braços deve ser sentido como se você estivesse cavando a água com os seus dedos na sua frente. Use seus dedos para empurrar seu corpo por entre suas mãos. Os seus cotovelos devem permanecer o mais alto possível, até que sejam empurrados para os lados de dentro. A propulsão deve vir das suas mãos, primeiro no movimento para fora e para trás e, em seguida, para dentro até estender seu cotovelo completamente. A sua mão nunca deve ultrapassar a linha dos seus ombros durante a realização do semicírculo com as mãos. 29 Pernada de peito Para realizar o movimento de pernada do nado peito, inicie na posição de deslize de frente, com as pernas e os pés estendidos. Permita que seu quadril e suas pernas afundem o suficiente para que, ao flexionar seus joelhos, os calcanhares não passem a superfície da água, ou seja, não saiam da água. Flexione os tornozelos (dorsiflexão) e os joelhos elevando os pés o máximo possível para cima e para fora em direção às suas nádegas. Com os dois tornozelos flexionados e com os joelhos afastados, aproximadamente, na largura dos seus ombros (os joelhos devem “apontar” para baixo, e não para fora), vire os pés o máximo possível, como ilustrado na Figura 3.13. A partir dessa posição, leve os pés para fora pelas laterais e deixe os joelhos se separarem enquanto você leva as pernas para fora, em um movimento circular para trás, e as une novamente completamente estendidas. Procure sentir a pressão da água na parte interior dos tornozelos no início do movimento. Os calcanhares não devem atravessar a superfície da água, e os pés devem se mover para fora antes que os joelhos se separem no início da pernada. Quando voltar à posição inicial, evite trazer os joelhos sob o seu corpo, mantenha-os estendidos. 30 Coordenação do nado de peito O nado de peito coordena o movimento da braçada com a respiração e da pernada que vimos nesta seção. A coordenação desses movimentos pode ser dada em uma sequência de três etapas: 1 – braçada, 2 – respiração e 3 – pernada. 7.4. O NADO BORBOLETA O nado borboleta tem esse nome devido à recuperação simultânea dos braços por cima da água. O movimento do braço e a movimentação na água fazem com que o nadador pareça uma borboleta. Esse nado tem a fama de ser difícil, porque os atletas que não aprendem bem a técnica tentam erguer demais o corpo da água ou nadar muito rápido, trazendo maior esforço para eles. Surgimento do nado borboleta O nado borboleta surgiu em 1933, em Nova Iorque, tendo sido criado, com base em relatos históricos, a partir do nado peito. O nadador americano Henry Myersapresentava dificuldades em realizar a braçada do nado peito. Dessa forma, resolveu tirar seus braços por cima da água, a frente dos ombros, e manteve o movimento de pernadas. O movimento dos braços se tornou parecido com a figura de uma borboleta, passando a ser chamado assim este novo nado. Em 1934, o nadador americano Jack Silg realizava despretensiosamente algumas ondulações com seus quadris, sem movimento dos braços. Seu técnico, a partir destas ondulações, agrupou os movimentos de braços de Myers até encontrar a sincronia perfeita entre braçadas e pernadas. Apesar de nas regras da FINA (Federação Internacional de Natação) o nome deste nado ser borboleta, também e mundialmente conhecido como golfinho. Posicionamento do corpo O corpo, no nado borboleta, permanece na horizontal, em decúbito ventral. Segundo Maglischo (2010), três pontos sobre o posicionamento do corpo são importantes no nado borboleta: o corpo deverá estar o mais nivelado possível à superfície durante as partes propulsivas da braçada; o quadril deve deslocar-se para cima e para frente por meio da superfície durante a primeira pernada; e a força da segunda pernada não deve ser tão grande a ponto de empurrar o quadril sobre a superfície, para não interferir na recuperação dos braços. Então, durante o nado borboleta, o quadril irá sair e entrar dentro da água conforme os movimentos de braçada, pernada e respiração. Respiração Durante o momento em que o rosto permanece dentro da água, o nadador realizará a expiração pela boca, pelo nariz ou pelo nariz e pela boca. A inspiração deve ser feita logo após a expiração, por meio de uma ligeira elevação da cabeça, mantendo o queixo apoiado na água (respiração frontal). A respiração 31 pode ser classificada de acordo com o número de braçadas realizadas para cada inspiração: • Respiração na primeira braçada – 1x1 (um por um) – não recomendada para alunos iniciantes. • Respiração na segunda braçada – 2x1 (dois por um). • Respiração na terceira braçada – 3x1 (três por um). E assim por diante. Técnica da pernada O movimento de pernadas do nado borboleta acontece simultaneamente entre as duas pernas, com trajetórias ascendente e descendente. Essa pernada deve acontecer como uma ondulação do corpo todo, que termina em um movimento de batimento dos pés. Imagine uma onda se aproximando, flexione os punhos para guiar as mãos para cima, com a subida da onda, e para baixo, acompanhando os movimentos da água. Seus braços, ombros, peito, quadris e joelhos flexionam-se para acompanhar a passagem da onda por debaixo do seu corpo. Quando suas pernas estiverem passando pelo pico da onda, suas mãos já estarão se voltando para cima, para subir junto à próxima onda. Técnica de braçada A braçada do nado borboleta é tida por muitos nadadores como a mais difícil entre os nados, porque os dois braços se recuperam por fora da água simultaneamente. Se o atleta tiver alguma rigidez articular nos ombros, pode encontrar dificuldade em realizar os movimentos, mas a maioria dos nadadores aprende a braçada borboleta sem maiores dificuldades. O importante é não ter pressa e executar os movimentos longos e amplos, com a recuperação descontraída. A braçada dentro do nado borboleta é o movimento mais propulsivo, por isso seu aprendizado é importante para alcançar o domínio completo desse nado. Os componentes propulsores da braçada borboleta são semelhantes aos da braçada do nado crawl. Sendo assim, relembre, na unidade anterior, o movimento da braçada do crawl. Podemos dividir os movimentos da braçada do nado borboleta em duas fases, como no crawl: fase de recuperação e fase propulsiva. 32 Durante a fase propulsiva, acontecerão as seguintes etapas: 1. Posição de deslize com os braços estendidos à frente. 2. Flexione os pulsos e vire levemente as palmas das mãos para fora. 3. Varra para fora, para baixo, para dentro e para trás do peito. 4. Pressione para trás e flexione os pulsos para trás. 5. Eleve os braços com os cotovelos estendidos e as palmas da mão para cima. Coordenação A coordenação dos braços e das pernas no nado borboleta deve ser realizada de forma que, para cada ciclo de braçada (um movimento de braçadas simultâneas), realizem-se dois movimentos de pernas e o ponto máximo descendente dessas pernadas coincidam, sendo: • Uma pernada na entrada ou com o início do apoio ou puxada. • Outra pernada na finalização da braçada ou puxada para cima. 33 REFERÊNCIAS: 1. ALMEIDA, Eloise Werle de. Metodologia do ensino dos esportes aquáticos. Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2018. 2. ALMEIDA, Eloise Werle de. Metodologia do ensino da natação. Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2017. 3. BATAGLION, Giandra Anceski. Metodologia de ensino de atividades aquáticas. Indaial: UNIASSELVI, 2017. 4. MARCON, Daniel. Metodologia do ensino da natação. Caxias do Sul: EDUCS, 2002. 5. DARIDO, Suraya Cristina. Para ensinar educação física: Possibilidades de intervenção na escola. Campinas, SP: Papirus, 2007. 6. GOMES, Wagner Domingos Fernandes. Natação, uma Alternativa Metodológica - Rio de Janeiro - Editora Sprint - 1995. 7. ROCHA, Josiane Santos Brant. Aprendendo a ensinar natação. Montes Claros: Editora Unimontes, 2005.