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Marcela Bastos, 71C AVC Agudo ❖ Isquêmico: 80% dos casos. ❖ Hemorrágico: 20% dos casos. ❖ Quando um vaso é ocluído, existe uma perda de função imediata (área de penumbra), mas é uma área que ainda não morreu, por isso é possível recanalizar o vaso sem perder essa área do parênquima cerebral. ❖ Essa recanalização é realizada com a trombólise com alteplase em até 4 horas e meia. ❖ Quanto mais tempo demoro para tratar, pior é o prognóstico. ❖ Em 2018, um estudo revolucionou o tratamento do AVEi. Ele usou um software de tomografia para mostrar a perfusão cerebral, com um conceito chamado de mismatch ❖ Á área azul mostra uma perda de fluxo cerebral > zona de penumbra. ❖ O volume sanguíneo cerebral demonstra a área de necrose cerebral, que é bem menor do que a área de penumbra. ❖ Esse trabalho permitiu individualizar cada indivíduo > permite avaliar a área de penumbra de cada um para tomar a decisão entre trombólise venosa ou trombectomia mecânica, sem olhar apenas o tempo de início dos sintomas. ❖ Em 2021, um estudo avaliou a realização de trombólise entre 4,5h até 9h, principalmente nos pacientes que tiveram um AVC ao acordar (não é possível saber o tempo de início do AVC). Ao chegar no hospital, esses pacientes podem fazer uma tomografia de perfusão (mismatch) para saber a área de penumbra. ❖ A perfusão tomográfica infelizmente é pouco acessível. São poucos os lugares que fazem isso em Belo Horizonte, mas a perspectiva é que no futuro possamos passar a tratar o AVC não só olhando para o tempo fixo de início de sintomas, mas sim, individualizando cada área de penumbra de cada paciente utilizando a perfusão tomográfica. Opções de Tratamento que Modificam a História Natural da Doença: Nível I-A de evidência: ❖ Trombólise venosa com alteplase em até 4,5h. ❖ Trombólise venosa com alteplase em até 9 horas ou ‘wake up stroke’ > podemos fazer a trombólise em até 9 horas apenas se for possível realizar uma perfusão tomográfica para avaliar o mismatch do paciente (o mismatch perfusional deve ser favorável para a trombólise). Marcela Bastos, 71C ❖ Trombectomia mecânica em oclusões proximais em até 24h se mismatch perfusional favorável. Se percebermos com uma angiotomografia que o paciente tem uma oclusão em um vaso grande (carótida terminal ou primeiro segmento da artéria cerebral média) já podemos chamar a hemodinâmica para fazer a trombectomia. ❖ Suporte em Unidade de AVC > desfechos melhores. Temos profissionais treinados para tratar AVC. Triagem: ❖ BEFAST: balance (equilíbrio), eyes, face, Arms, speech, time. ❖ SAMU: sorria, abrace, mensagem (fala), urgência. Suspeita Clínica: ❖ Qualquer sintoma neurológico agudo súbito é um sinal de alerta para AVC. ❖ Confusão mental, cefaleia, dificuldade para enxergar, dificuldade de equilíbrio, dificuldade de caminhar, tontura, perda de coordenação, fraqueza, dormência etc. Atendimento na Emergência: ❖ Iniciar protocolo de atendimento, que envolve condutas da enfermagem e condutas médicas. ❖ Cabeceira a 0ºC para melhorar perfusão, se não tiver náuseas ou vômitos. ❖ Dados vitais. ❖ Glicemia capilar. ❖ 2 acessos venosos calibrosos com jelco pelo menos 18. ❖ Oxigênio com cateter nasal APENAS se a saturação estiver baixa. O2 em excesso causa vasoconstrição. ❖ Exames laboratoriais: são úteis, mas não devem atrasar o atendimento. Eles apenas atrasariam a conduta em caso de paciente em uso de Varfarina: RNI > 1,7 contraindica a trombólise. No caso dos NOACS, não podemos anticoagular o paciente, a não ser que tenhamos a segurança de que o paciente não usou a medicação nas últimas 48h. ❖ Agilização do exame de imagem. ❖ Intubação se Glasgow ou igual a 180. ❖ Verificar e corrigir hipoglicemia ( 37,5°C. ❖ Realizar o exame de imagem. TC de Crânio: ❖ É um divisor de águas. ❖ É importante olhar todos os cortes. ❖ Procurar por assimetrias. ❖ O sintoma mais precoce de um AVC isquêmico é a perda de diferenciação entre substância branca e substância cinzenta. ❖ Imagem hiperdensa: sangue > AVC hemorrágico. Marcela Bastos, 71C AngioTC: ❖ Mostra a localização da oclusão. ❖ Imagem: grande oclusão de cerebral média > nesse caso, a chance de a trombólise venosa recanalizar o vaso é baixa, então se for um local com hemodinâmica, começamos a trombólise venosa até 4,5h e devemos enviar para a trombectomia. Se tiver entre 4,5h e 9h de início dos sintomas, só fazemos a trombólise venosa se tiver o software de penumbra com perfusão favorável. Se não tiver o software, ainda podemos indicar a trombectomia mecânica (até 24h). Ictus 4,5h: ❖ Oclusão proximal (carótida distal e primeiro segmento da artéria cerebral média) E penumbra viável: fazer trombectomia mecânica primária. ❖ Com penumbra viável, podemos fazer trombólise venosa em até 9h, se não for uma oclusão proximal. Se for oclusão proximal, a trombectomia mecânica primária ainda tem maior vantagem. ❖ Se não tiver penumbra viável ou se já tiver área de isquemia, não fazemos a trombectomia e entramos com AAS 300mg de ataque. Ele não muda a história do AVC que já aconteceu, mas diminui o risco de um novo AVC no curto prazo. ❖ Iniciar Atorvastatina 80mg se não houver contra-indicação. ❖ Se PA > 180 x 110mmHg, abaixamos cerca de 15% nas primeiras 24h. ❖ Manter cabeceira 0ºC nas primeiras 6h. ❖ Profilaxia para TVP: as duas complicações mais frequentes em quem sobrevive de um AVC são TVP e pneumonia aspirativa. Marcela Bastos, 71C Trombólise Venosa: Critérios de Exclusão ❖ Uso de Varfarina com tempo de protombina com RNI > 1,7. ❖ Uso de heparina nas últimas 48h se TTPA elevado. ❖ TC de crânio com hipodensidade precoce > 1/3 da artéria cerebral média. Se a área já comprometida for >1/3, o risco dessa área sangrar é muito grande. ❖ PA sistólica > ou igual a 185mmHg ou PA diastólica > ou igual a 110 (em 3 ocasiões com intervalo de 10 minutos) refratária ao tratamento anti-hipertensivo. Sinais de Alerta: ❖ Alteração do nível de consciência > Glasgow rebaixou ou NIH subiu > devemos nos questionar se o paciente sangrou durante a trombólise > parar a infusão da trombólise e levar o paciente para uma nova tomografia. Normalmente, a tomografia está normal > chamamos esse rebaixamento de Síndrome do Hiperfluxo ou Síndrome da Recanalização. Quando o vaso é recanalizado, ocorre um hiperfluxo naquela região e o paciente rebaixa. ❖ PA sistólica > 185 ou 110 ou 140 ou 37,5°C. Meningites Diagnóstico: ❖ Cefaleia com febre NÃO é sinônimo de sinusite. ❖ Cuidado com raio X de seios da face. ❖ Tríade clássica: rigidez de nuca, febre e alteração do sensório. ❖ Os sintomasjuntos estão presentes em apenas 46% dos casos. ❖ Se nenhum dos 3 sintomas estiverem presentes, NÃO é meningite. ❖ Sinal de Kerning e Brudzinski são de baixa sensibilidade. ❖ Avaliar rigidez de nuca em TODAS as cefaleias agudas! Suspeita de Meningite: ❖ Revisão laboratorial: leucocitose, hemocultura. ❖ TC de crânio sem contraste: ajuda no diagnóstico diferencial. Paciente com pansinusite aumenta a possibilidade de ser uma meningite por Streptococo de vias aéreas. ❖ Punção lombar. Auxílio na suspeita etiológica: ❖ Petéquias: meningococcemia. ❖ Hemograma: leucocitose x leucopenia. ❖ Hemocultura: positiva em 50 a 90% dos adultos. ❖ TC: abcesso associado? Sinusite associada? Hemorragia sub-aracnoidea? Líquor: ❖ Aumento de células brancas (polimorfo ou linfomono?). ❖ Consumo de glicose? O normal da glicose no liquor é 2/3 da glicose no sangue. Glicose consumida nos faz pensar em causa bacteriana. ❖ Valor de proteína. Normalmente tem aumento de proteínas. ❖ Gram e cultura. ❖ Látex: pesquisa direta de antígenos. Muito sensível, logo pode ter falso-positivos. ❖ Aumento de linfomononucleares com consumo de glicose no faz pensar em tuberculose e carcinomatose meníngea. ❖ Aumento de linfomononucleares sem consumo de glicose nos faz pensar em causa viral. Marcela Bastos, 71C ❖ Aumento de polimorfonucleares com consumo de glicose nos faz pensar em meningite bacteriana. ❖ NUNCA atrasar o início do tratamento. ❖ O atraso de mais de 3 horas no diagnóstico e início de tratamento de uma meningite bacteriana é um fator de risco independente de mortalidade, sendo maior do que a infecção por um microorganismo resistente à penicilina. ❖ Iniciar ATB logo após realizar a punção lombar e a coleta de culturas. Se não houver como realizar punção lombar imediata, devemos iniciar ATB empiricamente. ❖ Na suspeita de meningite bacteriana, começamos corticoide (Dexametasona) junto com a primeira dose de ATB. Se for Pneumococo no gram, mantemos o corticoide. Se não for Pneumococo, suspendemos o corticoide. ❖ Não usamos corticoide se: • Se já tiver iniciado antibiótico. • Em pacientes imunodeprimidos ou desnutridos. ❖ Interromper o corticoide se a infecção não for por pneumococo. ❖ Ao se usar corticoide em pacientes usando vancomicina no esquema, devemos associar rifampicina. ❖ Até 3 meses: bactérias que colonizam o períneo materno. Usar ampicilina + Cefataxima. ❖ 3m a 5 anos: bactérias transmissíveis por via oral > Haemophilus influenzae, Neisseria meningitidis e Streptococus penumoniae > cefalosporina de 3ª geração. No SNC, a dose sempre é dobrada. ❖ Maiores de 5 anos: Streptococus pneumoniae é mais comum > usar cefalosporina de 3ª geração. ❖ Acima de 60 anos: aumenta a incidência de Neisseria. Cefalosporina de 3ª geração + Ampicilina se população de risco (para cobrir Neisseria). Meningoencefalite Viral: ❖ Toda meningite bacteriana vira meningoencefalite se não for tratada. No caso dos vírus, isso não ocorre. O prognóstico é bom. ❖ Porém, quando é causada por herpes tipo 1 e herpes zoster, temos um processo encefalítico desde o início, com prognóstico ruim. ❖ Herpes simples tipo 1 é o mais comum. Marcela Bastos, 71C ❖ Prognóstico ruim se atraso no tratamento. ❖ Iniciar tratamento empírico com Aciclovir 10mg/kg de 8 em 8 horas > em caso suspeito de meningite, se fizermos punção do líquor e vier um líquido transparente, podemos começar a tratar empiricamente para herpes viral. ❖ PCR para herpes: altamente sensível e específico no diagnóstico de HSV1. ❖ Encefalite herpética: lesão de lobo temporal. Estado de Mal Epilético ❖ Crise convulsiva com duração de mais de 5-10 minutos OU crises convulsivas reentrantes sem recuperação da consciência entre elas. ❖ O estado de mal epilético é quando temos uma crise epiléptica tônico-clônica bilateral generalizada que passa sozinha ou que pode não passar sozinha. ❖ Mortalidade geral de 20% (69 a 85% nos casos pós-anóxia). A mortalidade é baixa quando é causada pela suspensão abrupta do anticonvulsivante, desde que tratemos o paciente adequadamente. ❖ Fatores prognósticos: etiologia do status e duração do quadro. ❖ Complicadores estão diretamente relacionados ao tempo de crise, rabdomiólise, acidose lática, pneumonite aspirativa, edema pulmonar neurogênico, insuficiência respiratória e morte neuronal. Protocolo de Atendimento no Brasil: ❖ Benzodiazepínico venoso é o que temos com tempo de ação mais rápido > no Brasil, temos disponível o Diazepam venoso. Age rápido, tem menos efeito de depressão respiratória, mas tem tempo de ação curto. Podemos fazer 4 ampolas. ❖ Fazemos 1 ampola inicial de Diazepam e se o paciente sair da crise, temos que fazer a hidantonização com Fenitoína 20mg/kg. Se o Diazepam venoso não tirar da crise, repetimos a dose de Diazepam. ❖ Se durante a hidantonização o paciente recorrer com a crise, podemos repetir o Diazepam, até uma dose máxima de 4 ampolas. Marcela Bastos, 71C ❖ Se após a hidantonização, o paciente voltar a recorrer, temos que usar Fenobarbital venoso (pode causar depressão respiratória, então temos que nos preparar para intubar o paciente) ou fazemos Midazolam contínuo (paciente sempre deve estar intubado nesse caso). ❖ Se mesmo com o Midazolam o paciente continuar tendo crises, partimos para anestesia geral: com o próprio Midazolam ou com Propofol > casos muito graves, que devem ser conduzidos em terapia intensiva. Cefaleia Aguda ❖ Dor de cabeça sem precedentes > sempre temos que investigar. ❖ Alteração do exame neurológico: fundo de olho, rigidez de nuca, qualquer déficit focal. ❖ Sinal sistêmico ou história de imunossupressão. Marcela Bastos, 71C Enxaqueca: ❖ Não consideramos enxaqueca se for um primeiro episódio. ❖ Dimenidrato > anti-emético. ❖ Dipirona: dor leve. ❖ Cetoprofeno (Profenid) IV: dor mediana. ❖ Sumatriptana subcutâneo. ❖ Se não tiver sumatriptana, fazemos Dexametasona. ❖ NÃO prescrevemos opioide para crise de enxaqueca. ❖ Se não melhorar com a Dexametasona, usamos Clorpromazina IM (Amplictil). A maioria dos casos melhora com Clorpromazina. ❖ Se não melhorar, devemos encaminhar o paciente para internação em hospital. ❖ Pacientes com enxaqueca com aura não podem usar anticoncepcionais que contenham estrogênio. Regime Ambulatorial: ❖ Melhor estratégia: combinação de triptano com AINEs (Naproxeno ou Ibuprofeno dose máxima). Marcela Bastos, 71C Possíveis Complicações: ❖ Estado migranoso: a cefaleia não melhora. • Duração maior que 72h com intervalos lives inferiores a 12h. ❖ Infarto migranoso: ataque idêntico aos outros episódios, mas os sintomas de aura persistem por mais de 60min e são associados a um infarto demonstrado no exame de neuroimagem. ❖ Migrânea crônica: aumento da frequência das crises até tornarem-se diárias ou quase diárias (maior que 15 dias por mês por mais de 3 meses). • Fatores de risco para cronificação: fatores emocionais, estresse, doenças psiquiátricas e abuso de analgésicos. Cefaleia do Tipo Tensional: ❖ Muito mais comum. ❖ Analgesia oral mais leve: paracetamol, dipirona, ibupofreno, diclofenaco, cetoprofeno, naproxeno sódico. ❖ Obs: associação com cafeína aumenta a eficácia analgésica > porém pode ter efeito rebote. Cefaleia em Salvas: ❖ Situação mais rara. ❖ Quadro desautonômico extremamente intenso > dor em região periorbitária, unilateral, supraorbitária e/ou temporal, sempre com alterações desautonômicas ipsilaterais (edema palpebral, lacrimejamento conjuntival, congestão nasal, miose ou ptose). ❖ Dor extremamente forte, desesperadora. ❖ Duração de 15 a 180 minutos, podendo ter vários episódios durante o dia. Tratamento: oxigenioterapia a 100% em máscara sem recirculação com paciente sentado, levemente debruçado para a frente. 10 a 12L/min por 20min. Porém, o efeito é muito rápido. ❖ Se houver sumatriptana subcutâneo,ajuda no prolongamento do tempo de tratamento. ❖ Analgésicos comuns e opioides são ineficazes e não devem ser utilizados. ❖ Profilaxia: Verapamil é a 1ª linha. Marcela Bastos, 71C Como Investigar Cefaleia? Marcela Bastos, 71C Exames Complementares: