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15. O REALISMO EM PORTUGAL – EÇA DE QUEIROZ Jiro Takahashi jirotakahashi@uol.com.br Estátua na Póvoa de Varzim. https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Eca_de_Queiros.jpg • José Maria de Eça de Queiroz nasce no dia 25 de novembro de 1845 em Póvoa do Varzim, situada no norte de Portugal. • Filho do brasileiro José Maria Teixeira de Queiroz e da portuguesa Carolina Augusta Pereira de Eça, que não eram casados, Eça teve de ser batizado em uma igreja menor e mais discreta. • Passa sua infância em Aveiro com sua avó. Mais tarde, vai morar no Porto onde estuda no Colégio Interno da Lapa. • Segue os passos de seu pai (Magistrado) e vai estudar Direito na Universidade de Coimbra, graduando-se em 1866. Chega a exercer a profissão de advogado e, mais tarde, de jornalista na cidade de Lisboa. • Além disso, entra para a carreira diplomática, sendo Cônsul de Portugal em Havana (1872); Cônsul de Newcastle e Bristol na Inglaterra (1874); e Cônsul em Paris (1888). • Em Paris, em 1886, casa-se com Emília de Castro Resende com quem teve quatro filhos. • Falece dia 16 de agosto de 1900 em Paris, aos 59 anos de idade. PRINCIPAIS OBRAS • O Mistério da Estada de Sintra (1870) • O Crime de Padre Amaro (1875) • O Primo Basílio (1878) • Os Maias (1888) • A Ilustre Casa de Ramires (1900) • A Cidade e as Serras (1901, póstumo) • De maneira geral, suas obras abordam temas simples e do cotidiano, as quais estão permeadas de ironia, humor e, de vez em quando, de pessimismo e crítica social. • É muito influenciado pelo escritor francês Gustave Flaubert (1821-1880), autor do conhecido livro Madame Bovary, inspiração para o seu romance O Primo Basílio. • No seu livro anterior, O crime do Padre Amaro, afasta-se das características do romantismo e faz uma dura crítica aos valores da burguesia e da corrupção da igreja. • Em suas obras, Eça enfatiza a questão da hipocrisia da burguesia, acompanhada de análise psicológica dos personagens. Um exemplo notório está na sua obra mais conhecida: O Primo Basílio. O PRIMO BASÍLIO • A história se passa em Lisboa, no século 19, com o casal Jorge e Luísa, A obra retrata a história de Jorge e Luísa, um típico casal burguês na sociedade portuguesa. • Jorge vai viajar a trabalho por um certo tempo. Enquanto isso, Luísa recebe a visita de seu primo Basílio, que mora em Paris. • A relação entre Jorge e Luísa segue o padrão burguês da época, feito mais de aparência social, certo luxo em meio a futilidades e vaidades. Embora pareça uma relação respeitosa, não se percebe uma expressão mais eloquente de amor entre eles. • Jorge era o típico marido, preocupado em agradar sua bela mulher com presentes e uma vida confortável. • Luísa era uma ávida leitora de romances de folhetim e fantasiava amores imaginários inspirados em suas leituras. • A chegada de seu primo Basílio, de Paris, vai abrir essa possibilidade da fantasia virar realidade. Basílio impressiona a prima com a descrição da Paris sofisticada de cafés, teatros e outros lugares refinados. • Naturalmente, Luísa começa a vislumbrar uma maravilhosa história de amor com o seu sofisticado primo. • Juliana, a empregada da casa de Luísa, vai notando a queda que Luísa tem pelo primo, com o marido ausente. Observa as saídas suspeitas de Luísa e consegue encontrar cartas que os dois trocavam, principalmente, para agendar os encontros. Um trecho do romance: “A carruagem parou ao pé de uma casa amarelada, com uma portinha pequena. Logo à entrada, um cheiro mole e salobro enojou-a. A escada, de degraus gastos, subia ingrememente, apertada entre paredes onde a cal caía, e a umidade fizera nódoas. No patamar da sobreloja, uma janela com um gradeadozinho de arame, parda do pó acumulado, coberta de teias de aranha, coava a luz suja do saguão. E por trás de uma portinha, ao lado, sentia-se o ranger de um berço, o chorar doloroso de uma criança.” (Eça de Queirós, O PRIMO BASÍLIO • Com receio da reação da sociedade, os amantes se encontram em uma casa, que o casal chama de “paraíso”. • Às tardes, principalmente, os dois vão se encontrando no local, com a Luísa encantada com o poder de sedução do primo, contando sobre os costumes e as lojas de Paris. Sem notar as desconfianças de Juliana, Luísa se sentia em seu paraíso. • Com o passar do tempo, Luísa começa a sentir que a paixão de Basílio começa a diminuir. Mesmo assim, tenta sempre convencê-lo a ficar com ela. Um dia, ele, já se entediando de Luísa, resolve voltar para Paris. • Juliana passa a chantagear a patroa, ameaçando mostrar as cartas para o Jorge. • Com o retorno de seu marido, Juliana passa a aumentar os valores de suas chantagens com a Luísa. Luísa não sabe como lidar com as chantagens de sua criada. Com as cartas na mão, ela exigia altas quantias para que o segredo não fosse revelado. • Juliana passa a ter uma vida tranquila, com os presentes que a Luísa lhe comprava para ter seu silêncio. • Além disso, pela troca de papéis, Juliana passa a exigir que Luísa faça os trabalhos domésticos enquanto ela fica descansando. Naturalmente, isso acontecia sem que o marido percebesse. • Vamos ver outro trecho, agora, com a chantagem de Juliana: “Juliana entrou, com o vestido de seda novo, movendo-se cuidadosamente: — Quer alguma coisa, minha senhora? — O Sr. Jorge volta amanhã... — disse Luísa. E suspendeu-se; o coração batia-lhe fortemente. — Ah! — fez Juliana. — Bem, minha senhora. E ia a sair. — Juliana! — fez Luísa, com a voz alterada. A outra voltou-se, surpreendida. E Luísa batendo com as mãos, num movimento suplicante: — Mas você ao menos nestes primeiros dias... Eu hei de arranjar, esteja certa!... Juliana acudiu logo: — Oh minha senhora! Eu não quero dar desgostos a ninguém. O que eu quero é um bocadinho de pão para a velhice. Da minha boca não há de vir mal a ninguém. O que peço à senhora é que se for da sua vontade e me quiser ir ajudando... — Lá isso, sim... O que você quiser...” • Luísa, não acostumada a trabalhos pesados, começa a enfraquecer e a adoecer, preocupando o marido Jorge. • Com o tempo, Jorge acaba por notar uma diferença no trabalho que pensava estar sendo realizado por Juliana. Um dia, insatisfeito com os serviços, resolve mandar a criada embora. • Luísa fica mais atemorizada com a nova situação. • Isso deixaria Juliana mais vingativa. Mas a preocupação de Juliana é enriquecer e continua a chantagear Luísa mais ainda com seu segredo. • Mas a preocupação de Juliana é enriquecer e continua a chantagear Luísa mais ainda com seu segredo. Sentindo-se coagida e, não sabendo o que fazer, ela resolve procurar o melhor amigo de Jorge. • Este amigo, Sebastião, fica muito chocado com o adultério de que seu amigo estava sendo vítima. • Mesmo muito chocado com a história, ele resolve ajudá-la. • Vai à casa de Luísa enquanto Juliana estava sozinha e a ameaça. Temendo pelo pior, ela resolve devolver as cartas ao amigo. • Mas logo depois de um tempo, Juliana fica muito desgostosa e deprimida pelo fato de seu sonho de enriquecimento ter acabado ao devolver as cartas e acaba morrendo. • Luísa piora seu estado de saúde e está definhando. • Um dia, Jorge encontra uma carta esquecida de Basílio, que revela momentos fogosos dos amantes. • Ao mostrar a carta para Luísa, ela ainda fica muito pior. Dias depois, ela acaba morrendo. • Assim, O PRIMO BASÍLIO, como um típico romance realista, expõe suas críticas sociais à sociedade portuguesa, expondo principalmente a burguesia em sua hipocrisia, decadência de valores morais. • Para isso, usa a análise psicológica de seus personagens, quase sempre estereotipados em seus comportamentos. *** Slide 1: 15. O REALISMO EM PORTUGAL – EÇA DE QUEIROZ Slide 2 Slide 3 Slide 4 Slide 5 Slide 6 Slide 7 Slide 8 Slide 9 Slide10 Slide 11 Slide 12 Slide 13 Slide 14 Slide 15 Slide 16 Slide 17 Slide 18 Slide 19 Slide 20 Slide 21 Slide 22 Slide 23