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Avaliação formativa na prática | Módulo 3
Rotinas e estruturas
Uma sala (e qualquer grupo) organiza-se em torno de combinados, de regras, implícitas
ou explícitas. A organização do grupo, a maneira como ele está estruturado e como
coletivamente as pessoas dividem e aproveitam os espaços e o tempo, determina o que
será feito coletivamente, que hábitos e regularidades se tornam comuns e esperados. 
Alguns desses hábitos se tornam rotina e passam a fazer parte da cultura. Só são percebidos 
quando alguém não os segue. A existência das salas de aula, o espaço para o intervalo 
e as refeições, a estruturação do currículo em disciplinas, o conjunto de professores 
responsáveis por diferentes disciplinas e diferentes turmas em diferentes anos... todos são 
exemplos de estruturas e estruturações que fazemos para nos organizar coletivamente. 
Essas estruturas viabilizam que nos organizemos coletivamente e permitem que sobre 
tempo para o desenvolvimento na parte que não pode e não deve ser estruturada. 
As relações, interações, associações e colaborações precisam de fluidez, variedade e 
experimentação que acontecem porque existem estruturas e hábitos que as tornam 
possíveis, não porque elas mesmas seguem uma rigidez militar.
Mudar hábitos não é fácil. Conforme o desenvolvimento da turma, novos hábitos são 
possíveis e desejáveis. Alguns hábitos que podem parecer protocolos ou estruturas são 
na verdade viabilizadores de interações e desenvolvimento mais profundos. As “rotinas 
de pensamento” (referência a Juliana, Ritchhart, site do Projeto Zero), como já vimos neste 
curso, são pequenas estruturas que contribuem para tornar visível o pensamento de 
muitas pessoas, de tal forma que os resultados das provocações, as respostas às perguntas 
ou as ideias tornadas visíveis possam ser tratadas coletivamente; para que possa haver 
construção e avanços a partir da diversidade de ideias colocadas.
Na avaliação formativa de forma plena, como proposto neste curso, alguns hábitos e 
estruturas viabilizadoras são criadas: as atividades têm uma característica muito peculiar: 
representam desafios abertos que podem ser realizados de diferentes maneiras, mas que 
exigem que estudantes apliquem e usem aquilo que estão aprendendo. A organização da 
participação de estudantes e do professor em uma alternância de participação individual, 
em pequenos grupos dando e recebendo apoio, em grande grupo com uma centralização 
no papel do professor ou com estudantes apresentando e sendo o centro das atenções.
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A coleta de evidências e uso das rubricas para autoavaliação intermediária e final apoiando 
o processo de avanço enquanto a atividade acontece. Todas essas pequenas etapas e 
estruturas viram hábitos e viabilizam o trabalho extremamente complexo e não estruturado 
de conseguir que cada estudante se desenvolva dentro das suas possibilidades. Isso 
contribui para que o coletivo aprenda a ser coletivo, solidário, altruísta. As estruturas e os 
hábitos podem ser identificados, contados e avaliados quantitativamente.
O resultado complexo do avanço possível para cada estudante a partir do estágio em que se 
encontrava e considerando as múltiplas dimensões e competências envolvidas, a coesão e 
solidariedade do grupo, a flexibilidade para reagir coletivamente e aproveitar oportunidades 
são características qualitativas que podem ser prejudicadas se reduzidas a apenas alguns 
indicadores e medidas quantitativamente.

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