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CENTRO UNIVERSITARIO JORGE AMANDO – UNIJORGE GRADUANDO EM ENGENHARIA QUÍMICA ANTÔNIO FIDÉLIS DE OLIVEIRA JÚNIOR Necropolítica, Violência Periférica e Poder Militar Salvador, Bahia 2023 CENTRO UNIVERSITARIO JORGE AMANDO – UNIJORGE GRADUANDO EM ENGENHARIA QUÍMICA ANTÔNIO FIDÉLIS DE OLIVEIRA JÚNIOR Necropolítica, Violência Periférica e Poder Militar Trabalho solicitado pelo docente Eduardo Reis Silva para a avaliação 2 (AV2) da disciplina de Direitos Humanos e Teorias Críticas. Salvador, Bahia 2023 1. Artigo A biopolítica é um conceito que foi desenvolvido pelo filósofo francês Michel Foucault para analisar as formas de poder que influenciam as vidas dos indivíduos e das populações. Segundo Foucault, a partir do século XVIII, o poder passou a se preocupar não apenas com a soberania sobre o território e a lei, mas também com a gestão da vida em todas as suas dimensões: saúde, natalidade, mortalidade, sexualidade, educação, trabalho, etc. O poder, então, se tornou biopolítico, isto é, capaz de fazer viver e deixar morrer, de regular e controlar os processos biológicos e sociais que afetam a existência humana. No entanto, como aponta o escritor Peter Pál Pelbart em seu ensaio Biopolítica, o poder biopolítico não é homogêneo, centralizado ou estático. Pelo contrário, ele é diverso, espalhado, flexível, ondulante, descentralizado, em rede, reticulado, molecular. O poder biopolítico se manifesta de diferentes formas e em diferentes níveis, desde as instituições estatais até as relações interpessoais, desde as normas jurídicas até as práticas cotidianas, desde as tecnologias médicas até as mídias digitais. O poder biopolítico, assim, incide diretamente sobre as nossas maneiras de perceber, de sentir, de amar, de pensar, e até mesmo de criar. Nesse contexto, podemos compreender a biopolítica na sociedade brasileira com uma possível resposta, sendo que a biopolítica no Brasil é marcada por uma profunda desigualdade, violência e exclusão. Não se trata apenas de um poder que faz viver e deixa morrer, mas de um poder que mata ou deixa morrer, que decide quem pode viver e quem deve morrer, que produz a morte como forma de gestão da vida. Esse é o conceito de necropolítica, proposto pelo cientista político camaronense Achille Mbembe em seu ensaio Necropolítica (2016). Para Mbembe, a necropolítica é a expressão máxima da soberania, que se baseia na autonomia de ditar quem pode viver e quem deve morrer. A necropolítica se manifesta de diversas formas na sociedade brasileira atual, mas podemos destacar três aspectos principais a violência periférica, o poder militar e a violação dos direitos humanos. A violência periférica é aquela que atinge principalmente as populações pobres, negras e marginalizadas que vivem nas favelas, periferias do país. Essas populações são constantemente expostas à violência policial, ao tráfico de drogas, às milícias, aos grupos de extermínio, à falta de serviços públicos básicos, à discriminação e ao racismo. A violência periférica é uma forma de necropolítica que produz a morte como resultado da exclusão social, econômica e política. O poder militar é outro aspecto da necropolítica na sociedade brasileira atual. O poder militar se refere à influência das Forças Armadas e das forças de segurança pública na política, na economia e na cultura do país. O poder militar se manifesta na presença de militares em cargos públicos, na intervenção militar em estados e municípios, na militarização das escolas, na repressão aos movimentos sociais, na defesa de uma ideologia autoritária, nacionalista e conservadora, na apologia à tortura e à ditadura, na censura e na perseguição aos opositores. O poder militar é uma forma de necropolítica que produz a morte como meio de controle e dominação. A violação dos direitos humanos é o terceiro aspecto da necropolítica na sociedade brasileira atual. A violação dos direitos humanos é a negação dos direitos fundamentais que garantem a dignidade, a liberdade e a igualdade de todas as pessoas. A violação dos direitos humanos se manifesta na violência contra as mulheres, os indígenas, os quilombolas, os LGBTs, os imigrantes, os refugiados, os presos, os trabalhadores, os estudantes, os artistas, os jornalistas, os ativistas, os defensores dos direitos humanos. A violação dos direitos humanos é uma forma de necropolítica que produz a morte como consequência da opressão e da injustiça. Diante desse cenário, é necessário questionar e resistir às formas de poder que produzem a morte como forma de gestão da vida. É preciso afirmar e defender os direitos humanos como forma de garantir a vida em sua plenitude e diversidade. É preciso criar e inventar novas formas de vida que escapem à lógica da necropolítica, tornado enfim a biopolítica uma potência de vida, e não de morte. 2. Referencias FOUCAULT, Michel. História da sexualidade I: a vontade de saber. Rio de Janeiro: Graal, 1988. PELBART, Peter Pál. Biopolítica. In: LINS, Daniel (Org.). Cultura e subjetividade: saberes nômades. Campinas: Papirus, 1997. p. 173-184. MBEMBE, Achille. Necropolítica. São Paulo: N-1 Edições, 2016. image1.jpeg