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AUTO CORREÇÃO AO JUÍZO DA VARA FEDERAL DO JUIZADO ESPECIAL DA SEÇÃO JUDICIÁRIA DO RIO DE JANEIRO. JOANA FORBES, brasileira, casada, secretária, portadora da identidade nº xxxxx, inscrita no CPF sob o nº xxxxx, residente e domiciliada na Rua xxx, nº xxxx, Bairro xxxx, Cep: xxxxx, endereço eletrônico xxxx, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, por sua advogada, com fulcro no art. 300 e seguintes do Código de Processo Civil, propor a presente AÇÃO DE REVISÃO DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO Contra o INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL – INSS, autarquia federal, inscrito no CNPJ nº xxxxx, na pessoa do seu representante legal, com sede na Rua xxxx, bairro xxxx, Cep: xxxxx, pelas razões de fato e de direito a seguir. I. DA GRATUIDADE DE JUSTIÇA A autora não possui condições financeiras para arcar com as custas processuais sem prejuízo do seu sustento e de sua família, conforme declaração de hipossuficiência em anexo. Por tais razões, com fulcro no artigo 5º, LXXIV da Constituição Federal e no artigo 98 do CPC, deve ser deferida a gratuidade da Justiça ao autor, com relação a todos os atos processuais. II. DOS FATOS A autora requereu em 20 de janeiro de 2023, o benefício de aposentadoria programada, contava com 29 anos de tempo de contribuição e é filiada ao Regime Geral de Previdência Social desde 1990. Contudo, a autarquia negou o benefício sob o argumento que ela não havia cumprido todos os requisitos exigidos em lei. No caso da autora, a aplicação da Regra de Transição prevista no artigo 3º da Lei 9.876/99, é desvantajosa, vejamos: Art. 3º Para o segurado filiado à Previdência Social até o dia anterior à data de publicação desta Lei, que vier cumprir as condições exigidas para a concessão dos benefícios do Regime Geral de Previdência Social, no cálculo do salário-de-benefício será considerada a média aritmética simples dos maiores salários-de-contribuição, correspondentes a, no mínimo, oitenta, por cento de todo o período contributivo decorrido desde a competência de julho de 1994, observado o disposto nos incisos I e II do caput do art. 29 da Lei 8.213, de 1991, com a redação dada por esta Lei. Afinal quando for possível a aplicação de duas normas deve ser aplicada a mais vantajosa no cálculo do benefício para o segurado. Por esse motivo a Autora, vem postular seu benefício. III. DO DIREITO A Lei 8.213/91 previa, em sua redação original que o salário-de-beneficio deveria ser calculado através da média aritmética dos salários-de-contribuição imediatamente anteriores a concessão do benefício até o máximo de 39 salários-de-contribuição encontrados nos 48 meses anteriores. Veja-se o texto original do art. 29 da Lei 8.213/91: Art. 29. O salário-de-benefício consiste na média aritmética simples de todos os últimos salários-de-contribuição dos meses imediatamente anteriores ao do afastamento da atividade ou da data da entrada do requerimento, até o máximo de 36 (trinta e seis), apurados em período não superior a 48(quarenta e oito) meses. Assim, o segurado poderia verter contribuições sobre valor inferior durante toda vida laboral, e elevar o valor destas nos últimos 36 meses anteriores à aposentadoria, garantindo um benefício de valor elevado. Buscando maior equilíbrio financeiro e atuarial, foi editada a Lei 9.876/99, que alterou drasticamente a forma de cálculo do benefício determinando que o salário-de-benefício fosse calculado através da média aritmética simples dos oitenta por centro maiores salários-de-contribuição existentes durante toda a vida laboral do segurado. Essa regra de transição foi introduzida pela Lei 9.876/99, em seu art. 3º, como já observamos anteriormente. Frisa-se que esta norma possui caráter transitório como forma de resguardar o direito dos segurados que já estavam inscritos na previdência social até 29/11/1999. O caráter de norma transitória fica evidente quando se considerar que o limite temporal prevista no art. 3º da Lei 9.876/99 deixará de ser aplicada a partir do momento em que deixarem de existir segurados filiados ao RGPS antes da edição da referida lei. Portanto, deve ser facultada ao segurado a escolha pela aplicação da norma que lhe mais vantajosa, no caso, a regra permanente. O tratamento justo da questão depende da forma de interpretação que o magistrado dará a norma, sendo que a interpretação teleológica da norma em apreço concederá um benefício de acordo com as contribuições do segurado. Todavia, imperioso que seja garantido ao segurado o direito de optar pela aplicação da norma permanente, eis que esta sim atende aos objetivos do legislador de garantir o equilíbrio entre o financiamento e do valor do benefício. IV- DOS PEDIDOS Ante o exposto, requer: a) O julgamento da demanda com total procedência, condenando ao INSS a revisar o benefício para que o cálculo do salário de benefício seja efetuado na forma da regra permanente do art. 29, I, da Lei 8.213/91, com redação dada pela Lei 9.876/99, considerando todo o período contributivo da segurada; b) Pagar ao autor as parcelas vincendas e as diferenças vencidas, devidamente atualizadas até a data do efetivo pagamento; c) A citação do INSS, na forma dos arts. 238 e seguintes do CPC, na pessoa de seu representante legal para, querendo, apresentar defesa e acompanhar a presente ação, sob pena dos efeitos da revelia; d) O deferimento da gratuidade de justiça; e) Não há interesse em audiência de conciliação, nos termos dos art. 334 do CPC; f) A autora protesta provar o alegado por todos os meios de provas em Direito admitidos; Dá-se à causa do valor de R$ xxxxxx. Cidade xxxx, 10 de abril de 2024. Advogado xxxx, OAB XXXX.