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PSICOLOGIA Daiane Duarte Lopes Revisão técnica: Caroline Bastos Capaverde Graduada em Psicologia Especialista em Psicoterapia Psicanalítica Alexsander Canaparro da Silva Mestre em Administração Pós-Graduado em Marketing e em Comércio Exterior e Negócios Internacionais Catalogação na publicação: Karin Lorien Menoncin CRB-10/2147 P974 Psicologia / Luciana Rydz Pires... [et al.] ; [revisão técnica: Caroline Capaverde, Alexsander Canaparro da Silva.] – Porto Alegre : SAGAH, 2018. 188 p. : il. ; 22,5 cm. ISBN 978-85-9502-373-4 1. Psicologia. 2. Consumidores - comportamento. I. Pires, Luciana Rydz. CDU 159.9.019.4 Psicologia_Book.indb 2 15/03/2018 15:44:46 Personalidade e comportamento Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Relacionar as noções de personalidade e consumo. Defi nir as bases para o comportamento relacionado ao consumo. Descrever a relação entre personalidade e comportamento sob a perspectiva da psicologia do consumo. Introdução O conhecimento dos aspectos da personalidade e do comportamento é um componente básico para o entendimento dos processos de consumo. Para tanto, a psicologia do consumo auxilia a compreensão, de maneira ampliada, do comportamento de consumo humano individualmente e coletivamente. Assim, neste capítulo, estudaremos as noções de personalidade rela- cionadas ao consumo, as bases para o comportamento relacionado ao consumo e, por fim, a relação entre personalidade e comportamento sob a perspectiva da psicologia do consumo. Personalidade e consumo O conceito de personalidade tem despertado o interesse de diversos estudiosos desde os tempos mais distantes, com registros em escritos antigos dos povos chineses, egípcios e gregos. A fi losofi a inaugurou a noção de personalidade como precursora e inerente ao desenvolvimento em todos os seres humanos, cedendo inspirações à psicologia, que visualizou a personalidade como um processo singular a cada sujeito. A personalidade pode ser caracterizada como a soma dos modos de perceber, sentir, pensar e agir únicos aos sujeitos conforme suas particularidades. Dessa Psicologia_Book.indb 109 15/03/2018 15:45:13 maneira, muitas foram as correntes que, conforme seu contexto histórico e científico, buscaram explicar a formação da personalidade, dando origem a diversas teorias da personalidade (SCHULTZ; SCHULTZ, 2005). A teoria psicanalítica, inaugurada por Sigmund Freud no final do século XIX, foi a pioneira em estudos sobre a personalidade, vislumbrando a per- sonalidade conforme os processos inconscientes constitutivos de todos os seres humanos e segundo seus estágios de amadurecimento. Nessa visão, a personalidade se apresenta como um conjunto em constante movimento de formação, constituído por composições de forças em conflito em terrenos de consciência. Esses conflitos são mediados pela sexualidade desde a mais tenra idade e em todo o percurso de vida dos sujeitos. As teorias biopsicossociais, por outro lado, atribuem à personalidade a característica de um processo em ininterrupta formação, de acordo com as vivências percebidas pelos sujeitos e o contexto no qual se inserem (SCHULTZ; SCHULTZ, 2005). Assim, segunda essas teorias, a personalidade se constitui em meio a elementos motivacionais regulados por aspectos como empatia e visão positiva de mundo. Dessa maneira, a personalidade se estrutura conforme o desenvolvimento de competências, valores e autorregulação. As teorias comportamentais associam a formação da personalidade com o comportamento elaborado como resposta a estímulos determinados pelo ambiente. Essa teoria, com foco em aspectos empíricos dos sujeitos, visualiza a formação da personalidade com base em uma abordagem mecanicista. Mais recentemente, a ciência biológica discorreu sobre algumas perspectivas em torno das influências dos genes, das estruturas cerebrais e das interações bioquímicas sobre a formação da personalidade, relacionando fatores neuro- lógicos e comportamentais para o desenvolvimento da personalidade. As somas das diferentes perspectivas contribuem, sobretudo, para uma compre- ensão sobre a personalidade enquanto composição em permanente estruturação, na qual, de maneira gradual, expressa-se por meio dos comportamentos. Algumas condutas adotadas em detrimento de outras constituem uma base para a formação da personalidade. As preferências e afinidades com alguns modos de ser e agir são componentes mensuráveis para o conhecimento da personalidade de cada sujeito. Portanto, é possível observar uma linha de pensamento que inspira as diversas teorias da personalidade, e que representa a inclusão de conceitos analisadores da coerência no comportamento. Dentre as tantas correntes teóricas em torno da personalidade, é possível destacar a teoria dos traços como a que expõe a personalidade como uma composição de dimensões influenciadas e influenciáveis pelo comportamento, sendo possível, a partir disso, compreender a suscetibilidade de cada sujeito para algumas predileções. Personalidade e comportamento110 Psicologia_Book.indb 110 15/03/2018 15:45:13 Segundo a teoria dos traços, é possível identificar algumas referências habituais de percepção, ação e reação, pensamento e sentimento. A perspectiva da teoria dos traços admite que os traços sejam mutáveis, sendo definidos como tendências de comportamentos que buscam se equalizar de acordo com as demandas, sempre atuais e inéditas, dos sujeitos. A teoria dos traços descreve dimensões básicas da personalidade que são interdependentes, com variabilidades sutis e replicáveis. Assim, são conferidos alguns fatores que são constitutivos dos traços de personalidade, tais como: ex- troversão e introversão, sobre a caracterização das atividades sociais dos sujeitos; nível de socialização, indicando a tendência de ser socialmente agradável ou hostil, de acordo com a modulação empática; vontade, sobre a responsabilidade para consigo e com os outros; estabilidade emocional, envolvendo características relacionadas à afetividade; abertura para experiência, envolvendo aspectos refe- rentes à flexibilidade de pensamento e interesses culturais, referindo-se, também, à percepção do sujeito sobre sua capacidade e intelecto (ALLPORT, 1973). Os traços tendem a se manter estáveis dentro do decorrer de um período de tempo, o que proporciona certa previsibilidade de preferências e inclinações a determinadas escolhas (SCHULTZ; SCHULTZ, 2005). Por exemplo, você já reparou como os itens em seu carrinho de compras se assemelham ao longo do tempo (Figura 1)? Semana após semana, você tende a consumir os mesmos produtos em função de suas preferências, e essas escolhas vão delineando um modo de ser único e característico de sua personalidade. Figura 1. A previsibilidade, em especial no consumo, é ocasionada devido a certos traços que tendem a se manter estáveis ao longo do tempo. Fonte: Rudmer Zwerver/Shutterstock.com. 111Personalidade e comportamento Psicologia_Book.indb 111 15/03/2018 15:45:14 A personalidade e o consumo compreendem uma amplitude de representa- tividades, previsibilidade de respostas e parâmetros estéticos. A personalidade recebe influências de certo padrão de consumo, assim como o consumo é determinado pela personalidade. O consumo é reflexo das escolhas do sujeito conforme sua personalidade. A personalidade, integrada por valores e predileções de acordo com o estágio do ciclo da vida dos sujeitos, determina os padrões de consumo dos sujeitos. Inerente ao viver, o consumo está presente em todos os momentos da vida dos sujeitos; consome-se alimentos, objetos, momentos, vivências, afetos, expectativas, ideias e tudo mais que seja possível. Tudo é consumível e a demanda para o consumo é determinada pelo sujeito. O consumo pode se dispor, também, como ferramenta de identificação do sujeito, possibilitando o desenvolvimento da visão de mundo e visão de si. Em meioa esse processo, constituem-se panoramas diferenciados também sobre o sujeito, com uma visão sobre como os outros o veem, uma visão sobre como ele gostaria de ser e uma visão sobre como ele gostaria que os outros o vissem. Diante dessa perspectiva, o consumo se constitui como campo de produção de significados. Sendo assim, o consumo é instituído pela personalidade enquanto processo integrativo inclusive na mediação das relações sociais, com base na interação em meio a comportamentos adaptativos. O consumo, embora carregado pela subjetividade de cada sujeito, define-se, tam- bém, por sua significação com os processos sociais. O consumo ecoa mediando a personalidade do sujeito ao contexto cultural, promovendo a interação do sujeito com sua cultura. Assim, o consumo é, ao mesmo tempo, espaço para a fabricação de subjetividades e para a estruturação de identidades em meio à flexibilidade da constituição permanente da personalidade. Comportamento Comportamento é a expressão das ações dos sujeitos como resposta a estímulos internos ou externos, com os demais sujeitos e instituições. O comportamento pode ser mediado pela razão ou racionalização, com base em uma representação lógica, por exemplo, quando existe um planejamento sobre as ações na execução Personalidade e comportamento112 Psicologia_Book.indb 112 15/03/2018 15:45:14 de uma tarefa. Pode ser mediado por processos inconscientes, expressando-se de maneira automática, sem que haja uma racionalização sobre o ato. Os comportamentos também podem ser regulados pelo contexto; a ma- neira como o sujeito se comporta em seu lar, com a presença de sua família e amigos, tende a ser distinta do seu comportamento em ambientes de trabalho e estudo. Os estudos do psicólogo americano John B. Watson (1878-1958) contribuíram consideravelmente para o entendimento do comportamento a partir da ótica do consumo. Watson utilizou o referencial teórico do behaviorismo, crendo na intera- ção dos sujeitos com o meio em um processo constante, a partir de estímulos que geram respostas, e focou seus estudos na tentativa de prever os comportamentos com base no controle dos estímulos (SCHULTZ; SCHULTZ, 2005). O behaviorismo foi a primeira escola a relacionar comportamento e con- sumo. Para o behaviorismo, o sujeito nasce como um quadro “em branco” que vai sendo “pintado” conforme as demandas do ambiente, responsável por oferecer subsídios para a composição dos sujeitos. Ou seja, o ambiente oferece estímulos que despertam reações nos sujeitos, e essas reações podem ser reforçadas ou punidas, intencionando replicar ou extinguir comportamentos. A teoria behaviorista responsabiliza o ambiente, com seus recursos ba- seados em estímulos, reforços com recompensas e punições à organização dos comportamentos. A partir de suas pesquisas, Watson insere a noção de previsibilidade ao consumo atribuindo componentes motivacionais ao com- portamento, sendo possível, assim, encontrar uma lógica comportamental nas práticas de consumo. A teoria cognitivista parte desses apontamentos e complementa que os sujeitos não se reduzem a meros reprodutores de respostas a estímulos, compre- endendo que, em todo comportamento, entre o estímulo e sua resposta, existem significações e pressupostos específicos de cada sujeito que oportunizam uma orientação de resposta para um determinado estímulo. Dessa maneira, a reação não se apresenta de modo meramente mecânico. Sob a perspectiva cognitivista, o percurso entre o estímulo e o compor- tamento gera o processamento de aprendizados; assim, mesmo diante do mesmo estímulo, os sujeitos tendem a responder com comportamentos, mas de maneira ampliada e não padronizada. Constroem, assim, novos aprendizados, com atitudes e orientações provenientes do resultado entre elementos internos existentes previamente e aspectos consequentes da transferência. Visto que o comportamento é motivado pelo alcance da saciedade dos desejos, o consumo se insere como mediador para a satisfação do idealizado (MOWEN; MINOR, 2003). Por exemplo, o sujeito que idealiza para si um 113Personalidade e comportamento Psicologia_Book.indb 113 15/03/2018 15:45:14 corpo torneado por músculos, ao ver insistentemente propagandas de um determinado produto oferecido por sujeitos com esse corpo idealizado, tende a iniciar o consumo desse produto. Desse modo, é possível compreender o comportamento como um conjunto de ações, físicas, emocionais e sociais, que perspectivam a satisfação de desejos e necessidades. Tais ações resultam da associação de percepções, memória, processamento de informações e comunicação (COHEN, 1987). A maneira como o sujeito percebe o meio, bem como suas próprias rea- ções, atribui memória ao ocorrido; a memória apreende os acontecimentos externos e internos e movimenta o sujeito para o aprendizado e raciocínio sobre sua interação e percepção. O processamento das informações promove análises sobre os acontecimentos, mas também oportuniza que o sujeito identifique, em si, padrões de comportamento. A comunicação, por sua vez, elabora e expressa o que foi captado de acordo com as possibilidades de cada sujeito. Assim, é possível compreender o comportamento a partir de bases comuns a todos os sujeitos, com base em comportamentos que se manifestam em determinada forma, frequência e intensidade, conforme as características individuais e subjetivas de cada sujeito. Dessa maneira, o comportamento representa, também, uma expressão do funcionamento psíquico dos sujeitos. O comportamento carrega em si, além disso, uma caracterização de aspectos culturais e sociais. Os fatores culturais, com a bagagem histórica e concei- tual da região onde o sujeito está contextualizado, dispõe ao sujeito hábitos e atitudes ilustrativas de um conjunto de preferências, crenças e valores de gerações anteriores. Em meio a esses hábitos, nos quais os valores culturais são atravessados pela transgeracionalidade, os comportamentos se constituem com riqueza singular ao consumo. Por exemplo, você já reparou como existem produtos ou lugares que sua família utiliza e frequenta que se tornaram preferência característica do seu modo de ser? Nosso comportamento é regulado por nossa personalidade, assim como o que consumimos. Existem meios de conceber a si como sujeito singularizado por um modo único de ser e ainda estar exposto às forças culturais e sociais do contexto. Essa demanda constitutiva da personalidade e do comportamento dos sujeitos é concebida pelo que se consome; tudo o que o sujeito é se expressa pelo que ele consome. Consumir atribui valor e diferenciação ao sujeito na sociedade atual, mas, sobretudo, atribui ao sujeito conhecimento sobre si. Suas escolhas e preferências, assim como suas atitudes, oportunizam o desenvolvimento do sujeito por ele mesmo em interação com o meio. Personalidade e comportamento114 Psicologia_Book.indb 114 15/03/2018 15:45:14 Com recorrente enfoque de diversos estudos para a compreensão dos comporta- mentos relacionados a atitudes de consumo, em busca de definições dos perfis de interesse dos consumidores, as pesquisas atuais demonstram uma especial atenção ao modo singular de ser e estar no mundo como potentes para a escolha de consumo. Acompanhe mais sobre esses aspectos no artigo “A dominância paradigmática na pesquisa em comportamento do consumidor e a busca por uma perspectiva pluralista” (NICOLAO; LARÁN, 2002). Relação entre comportamento e personalidade Os sujeitos são, por essência, seres sociais. As práticas sociais constituem os sujeitos como uma sociedade e a sociedade interage com os sujeitos de maneira individual e coletivamente a partir do consumo. O consumo está para além de um objeto material, referindo-se a experiências, momentos, vivências e signos, interagindo com o social em uma relação de causa e efeito por infl uência mútua. O comportamento é produzido interativamente conforme a personalidade do sujeito constituída em meio à experiênciade consumo. O consumo captura desejos e está associado à felicidade e à plenitude. O consumo é um conjunto de práticas que constitui a existência dos sujeitos, para além de uma dimensão funcional, com base na atribuição de usos singulares ao material. Por exemplo, um livro pode ser objeto de leitura para um sujeito enquanto, para outro, pode ser um objeto decorativo ou, ainda, pode ser um conjunto de memórias sobre outro sujeito que lhe presenteou. A personalidade de cada sujeito pode atribuir uso ou função para o consumo e utilizar o comportamento como motivador para esses usos; o comportamento pode ser predisposto por uma motivação elaborada coletivamente em meio ao processo cultural (LAGNEAU, 1981). Mowen e Minor (2003) referem que a personalidade dos sujeitos atribui comportamentos ao consumo. O sujeito identifica no consumo uma imagem sobre si, assim o consumo atribui significado ao sujeito. Ou seja, conforme o consumo do sujeito, é expresso aos demais e a si próprio um conceito de Eu. Segundo os autores, o consumo também é via de comunicação para o mundo sobre o modo de ser do sujeito e se disponibiliza dessa maneira por meio de três características distintas: o consumo deve ser visível aos outros; o consumo de um objeto material ou de uma experiência específica deve mostrar versatilidade ao mesmo tempo em que, preferivelmente, o consumo 115Personalidade e comportamento Psicologia_Book.indb 115 15/03/2018 15:45:15 deve possibilitar a personalização, permitindo-se, dessa forma, que o consumo possa adquirir características do sujeito. A partir desses conceitos, podemos conferir ao consumo uma via para a satisfação, como decorrente do enfrentamento entre referências próprias do sujeito e vantagens ou prejuízos decorrentes de determinadas transações. Ou seja, o consumo viabiliza um possível contentamento ou insatisfação no sujeito, produzindo significado para comportamentos futuros. Por exemplo, quando compramos um produto ou vamos para um determinado estabelecimento ou viagem e nossas expectativas não são atendidas, produzindo frustração, tendemos a não repetir o comportamento e o consumo. O consumo se apresenta, também, como meio para a significação, repre- sentação e constituição de si enquanto agente de transformação no mundo. A partir do consumo, a personalidade pode desenvolver seus valores e condutas. Quando o consumo está relacionado à aquisição de conhecimento e experi- ências, é possível visualizar o consumo para além das fronteiras materiais. Assim, em meio à constituição dinâmica própria e inerente do desen- volvimento da personalidade e do comportamento, o consumo se constitui enquanto composição para a soma de elementos que possibilitem a expan- são das competências e dos saberes. Tais aspectos são influenciados por tendências cognitivas, com a potencialização de pensamentos que podem gerar novas interpretações, julgamentos, escolhas e, consequentemente, novos conhecimentos. Acompanhe um trecho do documentário “Human”, no qual José Mujica, ex-presidente do Uruguai, fala sobre uma filosofia de vida em torno da sobriedade, na qual as escolhas sobre o consumo e o aprender a viver com o que é necessário e o que é justo são individuais a cada sujeito, ainda que urgentes para a coletividade. https://goo.gl/u3uE4Y A psicologia do consumo é um campo de conhecimento que tem como objeto de estudo os processos do consumo, bem como as implicações sociais, culturais e políticas do consumo enquanto campo interdisciplinar e fenômeno Personalidade e comportamento116 Psicologia_Book.indb 116 15/03/2018 15:45:15 multidimensional. Ernest Dichter, psicólogo austríaco exilado nos Estados Unidos em meio à Segunda Guerra Mundial, inaugurou a relação entre os conceitos da psicanálise e o estudo dos comportamentos reativos ao con- sumo. As pesquisas de Dichter utilizaram técnicas projetivas e entrevistas em profundidade e concluíram que os sujeitos tendem a projetar seus valores e crenças no consumo (FONTENELLE, 2008). As teorias psicanalíticas contribuíram com consideráveis influências para a formação de uma psicologia do consumo. Os conhecimentos em torno de aspectos de motivação impulsionados pelo inconsciente dos sujeitos oferece- ram subsídios para compreender a relação entre as necessidades e os desejos relacionados ao contexto em meio às relações sociais. A psicologia social ofereceu ferramentas para o entendimento dos movi- mentos das massas e sua relação com o consumo. Na atualidade, o consumo passou a ser determinante para os modos de viver, com uma centralidade ampla e diretamente associada à constituição das relações sociais (GUERRA, 2011). O consumo se manifesta conforme componentes determinantes da sin- cronicidade entre personalidade e comportamento; quando o sujeito está em conformidade consigo e em equilíbrio, o consumo carrega em si uma consciência sobre os impactos gerados. As relações sociais influenciam os modos de ser, agir e estar no viver de cada sujeito, conduzindo e sendo conduzidas por características singulares do comportamento e da personalidade dos sujeitos, promovendo influências, também, nos modos de consumo. O consumo pode expressar os modos de ser dos sujeitos, tanto individual quanto coletivamente, podendo indicar variáveis saudáveis ou patológicas no funcionamento. Você já observou que quando está em companhia de algumas pessoas ou quando está se sentindo triste, cansado ou feliz e motivado adota escolhas de consumo diferentes? Por exemplo, quando você está mais tranquilo, fica mais fácil ou mais difícil resistir ao consumo de alguma guloseima ou à compra por impulso? E quando você está preocupado ou cansado, é possível aproveitar com plenitude um passeio ou um momento em família? Como você observa suas escolhas de consumo, conforme sua personalidade e comportamento? 117Personalidade e comportamento Psicologia_Book.indb 117 15/03/2018 15:45:15 ALLPORT, G. W. Personalidade: padrões e desenvolvimento. 2. ed. São Paulo: EPU, 1973. COHEN, J. B. Attitude, affect and consumer behavior. In: ISEN, A. M.; MOORE, B. S. (Ed.). Affect and social behavior. Cambridge: Cambridge University Press, 1987. FONTENELLE, I. A. Psicologia e marketing: da parceria à crítica. Arquivos Brasileiros de Psicologia, Rio de Janeiro, v. 60, n. 2, p. 143-157, jun. 2008. GUERRA, R. S. Dimensões do consumo na vida social. [S.l.: s.n.], 2011. Manuscrito. LAGNEAU, G. A sociologia da publicidade. São Paulo: Cultrix, 1981. MOWEN, J. C.; MINOR, M. S. Comportamento do consumidor. São Paulo: Prentice Hall, 2003. NICOLAO, L.; LARÁN, J. A. A dominância paradigmática na pesquisa em compor- tamento do consumidor e a busca por uma perspectiva pluralista. RIMAR: Revista Interdisciplinar de Marketing, Maringá, v. 1, n. 2, p. 46-61, maio/ago. 2002. Disponível em: . Acesso em: 18 dez. 2017. SCHULTZ, D. P.; SCHULTZ, S. E. História da psicologia moderna. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2005. Leituras recomendadas MOWEN, J. C. The 3M model of motivation and personality: theory and empirical ap- plications to consumer behavior. Boston: Kluer Academic, 2000. SANTOS, D. E. Sobre as possibilidades de ação política na esfera do consumo. Psicologia & Sociedade, 26 (n.spe.), 201-211, 2014. 118Personalidade e comportamento Psicologia_Book.indb 119 15/03/2018 15:45:17 Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual da Instituição, você encontra a obra na íntegra.