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AULA 3 
ACREDITAÇÃO DE 
SERVIÇOS DE SAÚDE 
Prof. Célio Luiz Banaszeski 
 
 
2 
INTRODUÇÃO 
Nesta etapa conheceremos sobre o processo de acreditação da Organização 
Nacional de Acreditação (ONA), e iremos entender fundamentos básicos desse 
processo de Acreditação para os Serviços de Saúde. 
De todo modo, vamos considerar o processo de certificação de qualidade no 
modelo Acreditação como ferramentas externas de qualidade para auxiliar os 
serviços de saúde a adotar e implantar padrões de qualidade estabelecidos se 
desejarem optar pelo processo de Acreditação. 
Os manuais de Acreditação relacionam vários padrões e requisitos, 
incentivando as organizações a melhorar a gestão e qualidade na assistência, 
diminuindo por exemplo custos e incidentes para o paciente/cliente. 
TEMA 1 – GENERALIDADES DA ACREDITAÇÃO ONA (ORGANIZAÇÃO 
NACIONAL DE ACREDITAÇÃO) 
A Organização Nacional de Acreditação (ONA) é a organização responsável 
pela metodologia de Acreditação no Brasil, validada pelo Ministério da Saúde, pela 
Portaria n. 1.970, de 25 de outubro de 2001. 
Segundo o Manual Brasileiro de Acreditação (MBA, 2021, p. 14) a ONA: 
Foi constituída em 1999 como uma instituição privada, de interesse coletivo 
e sem fins lucrativos. Sua função é coordenar e gerir o Sistema Brasileiro 
de Acreditação (SBA) e incentivar o setor de saúde a aprimorar seus 
processos de gestão e qualidade da assistência. 
A metodologia de acreditação tem a finalidade de incentivar os serviços de 
saúde com interesse na gestão da qualidade a se submeter a um processo de 
adesão ao estudo da gestão da qualidade, tendo como referência inúmeros padrões 
e requisitos obrigatórios a serem implantados para que a organização se submeta 
voluntariamente às etapas de auditoria para obtenção do reconhecimento mediante 
a certificação. 
Basicamente, o modelo da ONA e seus manuais procura contribuir com 
padrões mínimos de qualidade para a gestão e assistência nas organizações 
prestadoras de serviço de saúde (OPSS), aprimorando os processos administrativos 
e técnicos. 
Cabe destacar que a Acreditação é um processo em que as organizações 
de saúde adquirem reconhecimento público e proporcionam, com base em 
determinados padrões, a qualidade dos serviços prestados. Trata-se, 
 
 
3 
portanto, de mérito que une a constatação da competência técnico 
assistencial com estímulo à continua melhoria dos serviços prestados. O 
Manual Brasileiro de Acreditação é um instrumento consistente e objetivo, 
colocando à disposição de todos aqueles que prestam assistência de 
qualidade aos pacientes. (MBA, 2018, p. 11) 
Dentre as várias atribuições da ONA, podemos citar (MBA, 2021, p. 14): 
• Regulamentar o Sistema Brasileiro de Acreditação (SBA). 
• Coordenar a implantação, implementação e desenvolvimento de um 
processo permanente de melhoria da qualidade da assistência, por meio de 
certificações periódicas. 
• Promover o desenvolvimento e a disseminação de instrumentos para 
atender ao processo de avaliação e ao aprimoramento contínuo da 
assistência à saúde. 
• Estabelecer padrões a serem utilizados. 
• Acompanhar e validar o processo de acreditação. 
• Emitir os certificados relacionados aos processos de avaliação. 
Com esses propósitos, consideramos que a Organização Nacional de 
Acreditação tem por objetivo principal propor padrões e requisitos mínimos de 
qualidade, definindo métodos de auditoria/avaliação, treinamento e capacitação de 
avaliadores/auditores, estabelecendo critérios objetivos de implantação e auditoria 
da qualidade nos serviços de saúde, definidas por sua missão: “Aprimorar a gestão, 
a qualidade e a segurança da assistência no Setor de Saúde, por meio do Sistema 
Brasileiro de Acreditação” (MBA, 2021, p 14). 
Além dos manuais de qualidade, a ONA também possui Normas Orientadoras 
(NO) que regulamentam o processo de acreditação, tais como (MBA, 2018, p. 12). 
• Diretrizes do Sistema Nacional de Acreditação; 
• Inscrição na Organização Nacional de Acreditação; 
• Avaliação para o Diagnóstico Organizacional; 
• Avaliação para Acreditação; 
• Avaliação para o Selo de Qualificação ONA; 
• Relatório de Avaliação; 
• Divulgação da Certificação; 
• Acompanhamento da Certificação; 
• Avaliação de Recertificação; 
• Avaliação de UPGRADE; 
• Gerenciamento de notificações relacionadas ao Sistema Brasileiro de 
Acreditação – ONA; 
• Código de ética; 
• Instituições Acreditadoras; 
• Avaliação do Sistema Brasileiro de Acreditação – ONA; 
• Comitê de Certificação; 
• Cooperação Técnica; 
• Uso das Marcas; 
 
 
4 
• Notificação de incidentes e eventos adversos. 
A metodologia de Acreditação pelo sistema ONA é fundamentado nas 
seguintes características elementares: 
• Voluntário. 
• Confidencial. 
• Não fiscalizatório. 
• Não prescritivo. 
• Periódico. 
• Educativo. 
• Independe do porte ou complexidade. 
Normalmente, o processo de adesão ao modelo de Acreditação se inicia com 
a aquisição e implantação dos padrões de qualidade exigidos pelo manual e 
posteriormente se submetendo ao processo de auditoria realizado por uma 
Instituição Acreditadora (IAC) — instituições de direito privado credenciadas pela 
ONA e responsáveis pela realização das avaliações nas organizações prestadoras 
de serviço na saúde (MBA, 2021) — que irá recomendar ou não a certificação. 
TEMA 2 – FUNDAMENTOS DO MANUAL ONA 
A metodologia utilizada pelo Sistema Brasileiro de Acreditação (SBA/ONA) 
tem uma abordagem sistêmica de toda a organização de saúde, verificando 
principalmente a segurança e a gestão por processos, para evidenciar se todos os 
requisitos dos padrões foram implantados de maneira conforme. 
O manual da ONA (2021), possui os seguintes fundamentos de gestão: 
• Visão sistêmica 
Analisar a organização de serviço de saúde como um imenso sistema 
integrado, interligado e interdependente. A organização deve ser avaliada/auditada 
como um todo e não por setores. É fundamental a visão geral para que se obtenha 
uma visão de como os processos se relacionam para atender o paciente ou o cliente, 
quer seja interno ou externo. 
• Liderança 
Analisar o desempenho e estratégia das lideranças (direção, gestores, 
coordenação etc.) juntamente como seu planejamento estratégico e seu 
desdobramento. 
 
 
5 
Mecanismos de liderança, estratégia e controle colocados em prática para 
avaliar, direcionar e monitorar a gestão, com atuação de forma aberta, 
participativa, inovadora e motivadora. Orientação de esforços, interesses e 
recurso organizacionais, compreendendo os fatores que afetam a 
organização no curto e longo prazos, visando à sua sustentabilidade. (TCU, 
2014, citado por MBA, 2021, p. 19) 
• Gestão por processos 
Verificação de como as atividades e processos críticos são implementados 
com o alinhamento da visão, missão e estratégia da organização. É um conjunto de 
atividade e processos inter-relacionados para atender aos requisitos do cliente 
interno e externo. Por exemplo: monitoramento de processo com suas metas, 
indicadores e planos de ação. 
• Desenvolvimento de pessoas 
Desenvolver as competências e habilidades dentro de um processo de 
educação permanente. A organização de saúde deve promover o crescimento 
técnico-profissional e as relações humanas. 
• Governança clínica 
Melhorar continuamente a qualidade da assistência com altos padrões de 
atendimento, quer seja pela auditoria clínica, gerenciamento de riscos e 
contingências, comunicação efetiva e desenvolvimento profissional. 
• Integralidade e continuidade dos cuidados 
Integração de todas as ações, quer sejam de ordem preventiva, curativa nos 
cuidados com a saúde, promovendo esforços para um ambiente e processos 
seguros. 
• Responsabilidade socioambiental 
Ações que promovam menor impacto possível no ambiente com uso racional 
dos recursos, contribuindo na preservação da natureza em todas as suas variáveis. 
• Cultura da inovação 
Promover continuamente melhorias na estrutura,equipamentos, softwares 
e pessoal com o objetivo de obter resultados mais eficiente no processo de 
promoção de saúde e na gestão: 
Promoção de um ambiente favorável à melhoria de seu desempenho e de 
sua vantagem competitiva, com a implementação de novas ideais que 
possam gerar melhores resultados, a partir de um embasamento 
 
 
6 
referenciado na ética, em boas práticas e em evidências científicas. (MBA, 
2021, p. 20) 
• Melhoria contínua 
Compromisso sistemático na identificação, promoção e aprimoramento de 
todos os processos, equipamentos e pessoas envolvidas com objetivo de se manter 
em constante evolução. 
• Ética e transparência 
São características ligadas a “honestidade, decência e respeito a todos os 
públicos interessados” (MBA, 2018, p. 21). 
• Natureza não prescritiva 
Ausência de recomendação sobre quais metodologias a organização irá 
adotar para atender aos padrões e requisitos do processo de avaliação da 
acreditação. 
• Alta confiabilidade 
Manutenção e aprimoramento constante da gestão de riscos e contingências, 
valorizando a cultura da segurança do paciente em todos os processos. 
TEMA 3 – NÍVEL DE CERTIFICAÇÃO ONA 
A metodologia de certificação da Organização Nacional de Acreditação é 
materializada mediante uma avaliação in loco e sistêmica que pode resultar na 
certificação em três níveis: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
7 
Figura 1 – Foco da Certificação ONA 
 
Créditos: tete_escape; yurolaitsalbert; amedeoemaja/Adobestock. 
Como resultado a ONA pode certificar os níveis em: 
• Nível 1: Acreditado 
• Nível 2: Acreditado Pleno 
• Nível 3: Acreditado com Excelência 
Figura 2 – Níveis de Certificação ONA 
Fonte: MBA, 2018, p. 19. 
Esses níveis de certificação são o resultado da avaliação e atendimento dos 
respectivos níveis do Manual ONA e resultam do processo de avaliação/auditoria por 
ocasião da visita de certificação. 
Nível 1 : Segurança
Nível 2: Gestão 
Integrada
Nível 3: Excelência 
em Gestão
 
 
8 
Para a se chegar a este resultado e respectivos níveis, a organização 
prestadora de serviço de saúde (OPSS) deve atingir o seguinte resultado: 
Tabela 1 – Escore mínimo para Acreditação 
 
 
Para se chegar a esses resultados, a avaliação irá considerar a porcentagem 
de requisitos do padrão atendidas obtidas por uma regra de três simples: 
Pontuação da Subseção = (Somatória da quantidade de requisitos atendidos / 
quantidade de requisitos aplicáveis) x 100 
Além disso, em cada Subseção do Manual existe requisitos que são 
considerados “CORE” ou fundamentais (de alta prioridade), que seguem a mesma 
lógica de obtenção da porcentagem: 
Tabela 2 – Escore mínimo para Acreditação (CORE) 
 
 
Além disso, durante a avaliação os auditores/avaliadores devem utilizar na 
interpretação e julgamento dos requisitos do padrão os seguintes critérios: 
 
Nível dos Requisitos dos Padrões 
Nível I Nível II Nível III 
80% 
85% 
85% 80% 
Nível dos Requisitos dos Padrões 
Nível I Nível II Nível III 
90% 
90% 
90% 90% 
 
 
9 
Quadro 1 – Siglas do manual 
S = Supera Evidências superam o esperado para o requisito do padrão 
C = Conforme Evidências atendem integralmente o requisito do padrão 
PC = Parcial Conforme Evidências de atendimento parcial do requisito do padrão 
NC = Não Conforme Evidências de não atendimento do o requisito do padrão 
NA = Não se aplica Requisito do padrão não se aplica 
N = Nível Níveis de certificação 
TEMA 4 – MANUAL ONA - ESTRUTURA 
O Manual ONA pode ser considerado um grande roteiro de implantação do 
processo de acreditação, onde estão descritos e detalhados os fundamentos, 
metodologias, orientações e principalmente os padrões e requisitos necessários a 
certificação. Ele é dividido em duas partes: uma introdução com noções gerais sobre 
a acreditação, e uma relação dos padrões e requisitos, observados os níveis de 
certificação. 
Apresenta sua estrutura em seções, subseções, padrões, requisitos do 
padrão, orientações e sugestões de evidência: 
• Seções: nas seções estão agrupados os processos (subseções) com 
características e fundamentos semelhantes e que possuem afinidades 
entre si. 
• Subseções: tratam especificamente de cada processo. A lógica é que todas 
possuem o mesmo grau de importância na avaliação. 
• Padrão: elaborados com base na existência de três níveis, do mais simples 
ao mais complexo, tendo presente o princípio do “tudo ou nada”, ou seja, o 
padrão deve ser integralmente cumprido. 
• Requisito do padrão: possuem a finalidade de esclarecer o padrão. 
• Orientações: comentários que possuem o objetivo de facilitar o entendimento 
dos requisitos. 
• Sugestões de evidência: modelos ou orientações gerais que, embora não 
sejam obrigatórios, sugerem caminhos ou metodologias que podem ser 
adotadas para evidenciar o atendimento aos requisitos. 
 
 
 
10 
Figura 3 – Serviços de saúde 
 
Crédito: Everett Collection/Shutterstock. 
O manual recomenda, portanto, uma relação de padrões e requisitos que 
devem ser implantados a fim de atender o padrão e o nível de acreditação desejado. 
Com base nas informações do manual, a organização de serviço de saúde vai 
implantar seus processos, utilizando-se de suas técnicas e ferramentas de qualidade 
escolhidas para atender o manual e se submeter ao processo de acreditação que 
pode se iniciar com um diagnóstico ou pela avaliação de certificação. 
Segundo o Manual da ONA, na versão 2022, a organização de serviço de 
saúde que desejar se submeter ao processo de Acreditação deverá seguir os 
seguintes passos, que envolvem desde a escolha da IAC – Instituição Acreditadora, 
que realizará a auditora/avaliação propriamente dita, inscrição na ONA para o 
pagamento de taxas e verificação de elegibilidade, até as fases de autodiagnóstico, 
avaliação, manutenção, recertificação ou upgrade (subir de nível): 
 
 
11 
Figura 5 – Roteiro ONA 
O diagnóstico é nada mais que uma auditoria, porém, sem opinar pela 
certificação ou não. A IAC (Instituição Acreditadora) verifica os padrões e seus 
requisitos e emite um diagnóstico da situação atual. Com base nesse relatório, a 
organização pode adequar eventuais oportunidades de melhoria. A autoavaliação é 
realizada pela própria organização para verificar oportunidades de melhoria e 
implantação de eventuais planos de ação para atender os requisitos do manual. 
Já a visita de certificação pode resultar em duas situações: 
• Não acreditado 
Nesse caso, a organização auditada não atendeu a porcentagem mínima 
necessária para a recomendação de certificação. Ela será submetida a nova 
auditoria dentro de 90 dias para ser objeto de verificação das não conformidades 
apontadas no relatório inicial. Caso ainda permaneça com índice inferior ao previsto 
para o nível desejado, a organização fica impossibilitada de solicitar nova auditoria 
por um ano. 
 
Realizar a inscrição na ONA
Escolha da Instituição Acreditadora
Avaliação de elegibilidade
Diagnóstico Organizacional (1)
Auto Avaliação
Acreditação
Auto Avaliação (2)
Avaliação de Manutenção
Auto Avaliação
Recertificação ou Up Grade
 
 
12 
• Acreditado 
Como consequência da recomendação, a organização poderá receber a 
recomendação de certificação nível 1 ou 2 (Acreditado ou Acreditado Pleno), com 
certificado válido para 2 anos e auditorias/avaliações a cada 8 meses. Depois de 
consolidado os níveis 1 e 2, a organização pode solicitar avaliação de upgrade para 
Nível 3 – Acreditado com Excelência, com certificado válido para 3 anos e 
manutenção anual. 
TEMA 5 – NORMAS DA ONA 
O manual ONA estabelece assim as normas específicas a determinados 
serviços, também chamadas de NAs, que são aplicáveis a determinadas subseções: 
• NA de Serviços Hospitalares; 
• NA de Serviços de Hemoterapia; 
• NA de Serviços Laboratoriais; 
• NA de Serviços de Nefrologia e Terapia Renal Substitutiva; 
• NA de Serviços de Diagnóstico por imagem, Radioterapia e MedicinaNuclear; 
• NA de Serviços Ambulatoriais; 
• NA de Serviços de Pronto Atendimento; 
• NA de Serviços de Atenção Domiciliar; 
• NA de Serviços Oncológicos; 
• NA de Serviços de Medicina Hiperbárica. 
• NA de Anatomia Patológica; 
• NA de Serviços de Atenção Primária à Saúde; 
• NA de Serviços de Atendimento Pré-hospitalar e Transporte Inter-hospitalar; 
• NA de Serviços Odontológicos. 
Além dessas normas, a ONA disponibiliza também Normas Orientadoras 
(NO), que auxiliam as organizações prestadoras de serviços nas questões de 
orientação para processos de elegibilidade, padrões de avaliação, número de 
avaliadores para auditorias, uso do selo da ONA, dentre outras normatizações. 
Importante ressaltar que qualquer serviço de saúde que objetive atender os 
padrões do manual ONA deverá formalizar seus processos, atendendo os 
 
 
13 
fundamentos da qualidade: padronização, treinamento, fiscalização e controle e 
melhoria contínua. 
Figura 6 – Fundamentos da gestão da qualidade 
Esses fundamentos serão necessários para evidenciar que a organização 
atendeu os padrões e busca com isso além do certificado a melhoria contínua dos 
serviços assistências e de gestão de saúde. 
 
Padronização
TreinamentoFiscalização 
e controle
Melhoria 
contínua
 
 
14 
REFERÊNCIAS 
MBA. Manual das organizações prestadoras de serviço de saúde. São Paulo: 
ONA, 2018. 
_____. Manual das organizações prestadoras de serviço de saúde. São Paulo: 
ONA, 2021.

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