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REVELIA
(ART. 344 DO CPC)
Conceito – Ocorre quando, regularmente citado, o réu deixa de oferecer contestação
tempestivamente.
Efeito – Presumir-se-ão verdadeiras as alegações de fato formuladas pelo autor – Trata-se de um
castigo para o Réu imposto pelo Legislador.
Obs: Trata-se de presunção relativa, pois a revelia não determina que o Juiz prolate a sentença de
procedência dos pedidos formulados pelo Autor, de forma automática.
Nesse sentido, eis o entendimento do STJ: “Os efeitos da revelia não abrangem as questões de
direito, tampouco implicam renúncia a direito ou a automática procedência do pedido da parte adversa.
Acarretam simplesmente a presunção relativa de veracidade dos fatos alegados pelo autor”. STJ, 4a T.,
AgRg no Agravo em REsp 204.908-RJ, rel. raul araúJo, v.u., DJe 3/12/2014:
(ART. 345 DO CPC)
Inciso I – Caso um dos litisconsortes passivos conteste a ação, não ocorrem os efeitos da revelia
quanto ao outro litisconsorte revel.
Obs: É evidente, por outro lado, que, se o litisconsorte apresentou defesa fundada apenas em
exceção pessoal, operam-se normalmente os efeitos da revelia para o réu que deixou de oferecer
contestação. Tem-se, como exemplo expresso desta situação, o disposto no art. 281 do Código Civil, que diz
respeito à solidariedade passiva: “O devedor demandado pode opor exceções que lhe forem pessoais e
comuns; não lhe aproveitando as exceções pessoais a outro codevedor”.
Inciso II – Mesmo que ocorra a revelia, se o direito posto em causa for indisponível (por exemplo,
anulação de casamento), não ocorrem os efeitos da revelia. Neste caso, ainda que o réu não tenha
oferecido a contestação, o autor terá que comprovar os fatos constitutivos do seu direito (CPC, art. 373, I,
do CPC).
Inciso III – Quanto a certos fatos, atos e negócios jurídicos a respeito de cuja demonstração o autor
obriga-se a exibir prova legal (certidões do registro civil para o estado da pessoa, escritura devidamente
registrada no cartório de RGI para a ação reivindicatória), indispensável à propositura da ação (art. 320 do
CPC), não ocorre a presunção de veracidade dos fatos afirmados pelo autor. Não se pode, por exemplo, ter
como verdadeiro o fato de que o autor, em ação reivindicatória, é proprietário do imóvel, se deixou de
juntar escritura pública devidamente registrada, que é da substância do ato e documento indispensável à
propositura da ação. Obs: O fato aliás, enseja a emenda da petição inicial (CPC, arts. 320 e 321) e, caso não
sanado o vício, é caso de indeferimento da petição inicial.
Inciso IV – “O mesmo poderá ocorrer na hipótese de o juiz detectar, à primeira vista, que a petição
inicial enseja perplexidade, isto é, narra fatos improváveis, inusitados, de credibilidade discutível, ou que,
pela vertente lógica, contrastam entre si ou afrontam a prova documental exibida com a própria petição
inicial.”
(ART. 346 DO CPC)
Com redação bem mais coerente e aperfeiçoada, o dispositivo ora examinado traça uma importante
distinção entre o revel que se mantém ausente e o revel que constitui advogado nos autos. De qualquer
modo, numa ou noutra situação, o revel deverá ser sempre intimado, pela imprensa oficial.
E deverá ser cientificado não apenas dos atos decisórios, mas de qualquer determinação judicial,
mesmo que de natureza ordinatória, desde que de seu interesse. Sobrepaira aqui, sem dúvida, a garantia
constitucional do devido processo legal. O revel, embora não esteja participando do processo, é parte em
todos os sentidos, supostamente citado de forma regular e válida.
PARÁGRAFO ÚNICO
Ademais, não se entrevê qualquer óbice a que o réu que deixou de apresentar contestação,
portanto, considerado revel passe a participar do processo intervindo, por meio de procurador constituído,
para atuar ativamente, em todos os sentidos, em particular na produção da prova, visando a infirmar os
fundamentos fáticos deduzidos pelo autor.
O parágrafo único do art. 346 do CPC, de fato, é muito claro ao resguardar o direito de o réu
ingressar em qualquer fase do processo de conhecimento, não podendo, no entanto, diante da inexorável
preclusão, pleitear o que os atos processuais praticados (já aperfeiçoados) sejam refeitos, embora possa
provocar o reexame de matéria cognoscível de ofício.
(ART. 347 DO CPC)
Tratando-se, por outro lado, de questão que reclama instrução probatória, além da observância da
regra do art. 352, as respectivas providências serão as seguintes:
a) se o réu não apresentar contestação e não incidirem os efeitos da revelia (art. 344), o autor deverá ser
intimado a especificar as provas que pretende produzir, no prazo de cinco dias (art. 218, § 3o), caso tenha se
omitido na petição inicial (art. 348);
b) o réu revel pode igualmente requerer a produção de provas, no prazo de cinco dias, desde que ingresse
no processo, por meio de procurador constituído, a tempo de pleiteá-la (art. 349);
c) se o réu arguir matéria preliminar, de natureza processual (art. 337), será aberta vista ao autor, para que
se manifeste, em réplica, no prazo de 15 dias, estando autorizado a produzir prova (art. 351); e, ainda,
d) caso o réu deduza, em sua defesa, fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor, este será
intimado para oferecer réplica, no prazo de 15 dias, podendo inclusive produzir prova (art. 350).
(ART. 348 DO CPC)
Se o réu deixar de contestar, não verificados os efeitos da revelia, o autor tem o ônus de provar os
fatos deduzidos na petição inicial (art. 373, I, do CPC). E, por esta razão, mesmo que da inicial conste
protesto genérico por provas, deverá o demandante ser intimado para especificar, ou seja, para justificar
qual é ou quais são os meios adequados de prova, à luz da natureza dos fatos probandos, que pretende ver
produzidos.
(ART. 349 DO CPC)
Trata-se de norma inspirada na garantia do devido processo legal, a permitir que se reestabeleça a
plenitude do contraditório. Intervindo nestas condições o réu, deixando de ser revel, passará a ter um
tratamento processual isonômico, como se jamais tivesse sido revel. Todavia, sob o ponto de vista material,
há uma inversão do ônus da prova, uma vez que – não se pode esquecer –, mesmo intervindo no processo,
tem o réu contra si a presunção de veracidade dos fatos deduzidos pelo autor. Deverá, pois, envidar todo o
esforço para provar que a versão fática deduzida na petição inicial não corresponde à verdade.
Nesse mesmo sentido, eis o entendimento do STJ: “Admite-se que o réu revel produza contraprovas
aos fatos narrados pelo autor, na tentativa de elidir a presunção relativa de veracidade, desde que
intervenha no processo antes de encerrada a fase instrutória”. (REsp. 677.720)
(ART. 350 DO CPC)
Fatos impeditivos são aqueles que paralisam o direito do demandante, como, por exemplo, a
exceção do contrato não cumprido, a exceção de usucapião. Modificativos são os que, de um modo geral,
reduzem a extensão da pretensão do autor, como, por exemplo, o pagamento parcial da dívida exigida, a
compensação parcial. E, por fim, como o próprio nome também indica, os fatos extintivos, aqueles que
fulminam o direito alegado pelo demandante, como, v.g., pagamento, transação, confusão.
Com a ampliação do objeto de cognição do juiz, decorrente da causa excipiendi formulada pelo réu,
por imposição da bilateralidade da audiência, torna-se imprescindível ouvir o autor. Esta manifestação do
demandante denomina-se RÉPLICA e pode ser apresentada no prazo de 15 dias. É importante esclarecer
que o autor deve cingir-se aos fatos expostos pelo réu, sendo-lhe vedado suscitar novos fundamentos
fáticos.
Obs: Se o autor não oferecer a réplica, incidirá a determinação prevista no art. 373, III, do CPC, no
sentido de que não dependem de prova os fatos admitidos no processo como incontroversos.
(ART. 351 DO CPC)
A garantia do contraditório assegura às partes o direito de participar do processo e de influenciar,
com todos os meios de prova disponíveis, a forma- ção do convencimentodo julgador. Assim, sempre que o
réu alegar, na contestação, matéria de de- fesa preliminar, dilatória ou peremptória (art. 337), o autor será
ouvido, em réplica, no prazo de 15 (quinze) dias, podendo ainda produzir provas.
(ART. 352 DO CPC)
Exemplos: art. 337, IX (defeito de representação ou falta de autorização – art. 73, caput, do CPC) e
XII (falta de caução ou de outra prestação que a lei exige como preliminar).
A fase das “providências preliminares”, que se segue à fase postulatória e antecede a fase
instrutória, é a adequada para a regularização dos vícios e irregularidades processuais que porventura te-
nham escapado à análise do juiz ao deferir a petição inicial (art. 321) ou sido revelados após a apresentação
da defesa. O prazo para correção do defeito não pode ser superior a 30 (trinta) dias. É dever do juiz
determinar o suprimento dos pressupostos processuais e o saneamento de outros ví- cios, velando sempre,
na direção do processo, em cooperação com as partes, pela sua razoável duração (arts. 6o e 139, II e IX).
(ART. 353 DO CPC)
As “providências preliminares” têm por finalidade completar o contraditório, sanear os vícios ou
irregularidades porventura existentes e preparar o julgamento conforme o estado do processo. In cumbe ao
juiz determinar a prática dos atos processuais previstos nessa fase de forma simultânea e não isoladamente,
fazendo com que o processo possa seguir, no menor tempo possível, rumo às fases seguintes
(ART. 354 DO CPC)
Cumpridas as “providências preliminares”, o Capítulo do “julgamento conforme o estado do
processo” tem início com as hipóteses de extinção previstas no art. 354.
Neste momento da marcha processual, o juiz deverá proferir sentença extintiva sempre que o
processo contiver vícios relacionados ao exercício do direito de ação ou aos pressupostos processuais que
impeçam a análise e o julgamento do mérito (art. 485).
Não havendo vícios processuais insanáveis, e tampouco a necessidade de seguir rumo à fase
instrutória, deverá o juiz decidir, também nesta oportunidade, sobre a ocorrência da decadência ou
prescrição e homologar, quando for o caso, a autocomposição alcançada pelas partes (art. 487, II e III),
proferindo desde logo sentença extintiva da etapa cognitiva do procedimento comum.
(PARÁGRAFO ÚNICO)
Exemplos: a) Exclusão de um dos litisconsortes (art. 1.015, VII c/c 202, §2º do CPC) por ilegitimidade
ad causam ou b) Reconhecimento da litispendência parcial.
(ART. 355 DO CPC)
A inutilidade da fase instrutória, porque desnecessária a produção de outras provas, constitui o
requisito comum às hipóteses de antecipação do julgamento do mérito. Além dele, como visto nos
comentá- rios anteriores, figura como exigência comum para a análise do mérito o prévio saneamento do
processo.
(ART. 356 DO CPC)
Inciso I – Fatos incontroversos – São aqueles a respeito dos quais não houve controvérsia, ou
porque, alegados por uma das partes, foram confessados pela outra, ou porque, alegados por uma das
partes, não foram contestados pela parte contrária.

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