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UNIVERSIDADE ESTADUAL DO MARANHÃO- CAMPUS SÃO BENTO 
DIREITO BACHARELADO 
 
 
MOYSANNYELLEN AGUIAR CARVALHO 
 
 
 
 
 
ENTRE A LIBERDADE E A JUSTIÇA SOCIAL: O Papel da Constitucionalização no 
Direito Contratual 
 
 
 
 
 
 
São Bento 
2024 
 
MOYSANNYELLEN AGUIAR CARVALHO 
 
 
 
 
ENTRE A LIBERDADE E A JUSTIÇA SOCIAL: O Papel da Constitucionalização no 
Direito Contratual 
 
 
Artigo acadêmico à disciplina de Direito 
Civil- Contratos do curso de Direito da 
Universidade Estadual do Maranhão, 
como requisito para obtenção de nota 
referente à primeira avaliação da 
disciplina. 
Prof. Gilberlan Serra 
 
 
 
 
 
São Bento 
2024 
 
1. INTRODUÇÃO 
O Direito Contratual é uma área fundamental do Direito Civil, trazendo aspectos 
sobre os regulamentos necessários diante realização de acordos entre dois ou mais 
sujeitos, bem como estabelece condições e obrigações recíprocas. Ou seja, o Direito 
dos Contratos consiste em uma teoria que rege a execução e a realização de todos 
os contratos vigentes, com base nesta teoria a formulação de um contrato baseia-se, 
primordialmente, na expressão da vontade humana em firmar um negócio jurídico, o 
qual gera efeitos no campo jurídico e assim traz à tona as discussões necessárias 
geradas entre as partes do negócio. 
Os renomados doutrinadores Flávio Tartuce e Pablo Stolze Gagliano em suas 
obras, conceituam, respectivamente, o seguinte acerca o contrato: “O contrato é um 
ato jurídico bilateral, dependente de pelo menos duas declarações de vontade, cujo 
objetivo é a criação, a alteração ou até mesmo a extinção de direitos e deveres de 
conteúdo patrimonial (TARTUCE, 2023)” e “Contrato é um negócio jurídico por meio 
do qual as partes declarantes, limitadas pelos princípios da função social e da boa-
fé objetiva, autodisciplinam os efeitos patrimoniais que pretendem atingir, segundo a 
autonomia das suas próprias vontades (GAGLIANO; PAMPLONA FILHO, 2022).” 
A partir de suas definições sobre o que seria o contrato nota-se a presença 
seus elementos constitutivos, além de seus princípios e aspectos mitigatórios, afinal, 
ainda que ambos os conceitos pareçam semelhantes, os autores trazem elementos 
diferentes. 
Nesse sentido, vê-se que Tartuce traz uma abordagem tradicional acerca da 
formação dos contratos, baseando sua forma primeiramente na declaração de 
vontade de duas partes (princípio da liberdade das partes/ autonomia da vontade), o 
qual está vinculado a outro princípio, qual seja, a força obrigatória dos contratos (pacto 
sunt servanda), e por fim, o princípio da relatividade dos efeitos contratuais. 
Por outro lado, os juristas Pablo Stolze Gagliano e Rodolfo Pamplona Filho 
debatem sob a temática moderna, a qual visa integrar os princípios tradicionais 
 
mencionados. Tais princípios são: boa-fé objetiva, função social do contrato e o 
equilíbrio econômico. 
Dessa maneira, o atual trabalho tem como objetivo principal a explanação da 
visão de ambos os autores trazendo os aspectos mitigatórios ocasionados pela 
criação de novos princípios na teoria contratual, tendo como base o Código Civil como 
fonte primária e as abordagens dos doutrinadores como fonte secundária. 
2. PRINCÍPIOS DAS RELAÇÕES CONTRATUAIS SOB A ÓTICA 
TRADICIONAL 
Alegar que o contrato visa firmar um acordo entre duas partes ou mais, devendo 
ter objeto lícito, possível, determinado ou determinável, no qual há manifestação 
expressa das partes, é o conceito mais genérico e prático que pode ser utilizado no 
meio jurídico. Essencialmente essa é a finalidade deste objeto legal, no entanto, pode 
ser conceituado mais profundamente por meio da doutrina, uma vez que o Código 
Civil não traz um conceito na lei seca, propriamente falando. 
Como na lei somente há exemplos de relações contratuais, bem como as 
obrigações supervenientes deste, doutrinadores como Flávio Tartuce, Pablo Stolze, 
Fábio Ulhoa Coelho, Maria Helena Diniz, entre muitos outros, trazem a norma sob um 
aspecto epistemológico como forma de ampliar a ótica dos leitores sobre os contratos. 
Tradicionalmente, sua formação está ligada ao princípio da liberdade contratual, que 
permite às partes negociarem livremente os termos de seus contratos, desde que 
respeitem a ordem pública e os bons costumes. 
Sob a ótica de Pablo Stolze (2021, p. 612), o doutrinador define o seguinte 
acerca o contrato: 
Um negócio jurídico bilateral, por meio do qual as partes, visando a atingir 
determinados interesses patrimoniais, convergem as suas vontades, 
criando um dever jurídico principal (de dar, fazer ou não fazer), e, bem assim, 
deveres jurídicos anexos, decorrentes da boa-fé objetiva e do superior 
princípio da função social. (grifo meu). 
Nesse sentido, cabe conceituar os princípios oriundos desta era tradicional, 
iniciando assim com o princípio da autonomia das partes decorrente do Código 
 
Francês, o qual sofreu fortes influências da Revolução, propondo dessa maneira a 
inserção dos valores: liberdade, igualdade e fraternidade em seus contratos. Dessa 
forma, toda a base contratual foi concebida tendo como premissa a plena liberdade 
de contratar. Tal princípio visa a intervenção mínima do Estado, no contrato então é 
utilizada a liberdade contratual na qual os indivíduos (contratantes) tem o poder de 
regulamentar, mediante acordo, a regulamentação de seus interesses. Sob essa ótica 
o professor Stolze (2022, p. 618) afirma que “contrato sem vontade não é contrato. 
Pode ser tudo. Até tirania. Menos contrato.’’ 
Todavia, Tartuce alerta que tal autonomia não é absoluta, devendo obedecer a 
certos regramentos onde encontra “limitações em normas de ordem pública e nos 
princípios sociais.’’ (TARTUCE, 2023, p.1156). Dessa forma, tal liberdade contratual 
está relacionada ao direito de escolher o conteúdo do contrato, isto é, o direito de 
estipular as cláusulas e condições de acordo com seus interesses e suas 
conveniências, ressalvando-se as normas de ordem pública, podendo ser citado como 
exemplo contratos que tem como objeto algo ilícito e advindos de erro, dolo, coação 
ou outros vícios, podendo ser anulados como prevê o artigo 171, II do Código Civil, in 
verbis: 
Art. 171. Além dos casos expressamente declarados na lei, é anulável o 
negócio jurídico: 
(...) 
II - por vício resultante de erro, dolo, coação, estado de perigo, lesão ou 
fraude contra credores. 
Posteriormente, decorrente do primeiro, tem-se o princípio da força obrigatória 
dos contratos (pacta sunt servanda) pois, a partir da realização do negócio jurídico 
firmado entre os contratantes, há nele a obrigação do cumprimento deste por ambas 
as partes – pacta sunt servanda, ou, os pactos devem ser cumpridos. Afinal, “de nada 
valeria o negócio, se o acordo firmado entre os contraentes não tivesse força 
obrigatória. Seria mero protocolo de intenções, sem validade jurídica.” (STOLZE, 
2021, p. 623). Desse modo, tal princípio tem como finalidade o reconhecimento da 
obrigatoriedade dos contratos, uma vez que não fosse assim haveria prejuízo para as 
 
partes, principalmente para aquela mais fraca na relação contratual, pois não teria o 
negócio jurídico força vinculante de lei. 
Contudo, há nesse fundamento alguns aspectos que trazem problemas quanto 
ao caráter humanitário que atualmente a relação contratual busca, sob uma crítica a 
esse princípio Tartuce traz o seguinte em sua obra: 
Anote-se que o princípio da força obrigatória como regra máxima tinha 
previsão já no Direito Romano, segundo o qual deveria prevalecer o pacta 
sunt servanda, ou seja, a força obrigatória do estipulado no pacto. Não 
poderia, portanto, sem qualquer razão plausível, sero contrato revisto 
ou extinto, sob pena de acarretar insegurança jurídica ao sistema. 
Vê-se, dessa maneira, características que traziam inseguridade jurídica para 
os indivíduos, principalmente a opressão do forte sobre o fraco, acentuando ainda 
mais as desigualdades sociais existentes. O civilista segue afirmando que com a pós-
modernização do mundo globalização não há como prevalecer essa característica 
estática e dura dos contratos, tendo em vista avanços significativos no meio 
econômico e digital em que há abusos contratuais cometidos pelos grandes grupos 
econômicos. Dessa maneira, a mitigação desse fundamento enfraqueceu essa 
previsibilidade do contrato como forma de proteção jurídica e social: 
Certo é, portanto, que o princípio da força obrigatória não tem mais 
encontrado a predominância e a prevalência absoluta que exercia no 
passado, o que não pode ser alterado pela recente legislação. O princípio em 
questão está, portanto, mitigado ou relativizado, sobretudo pelos princípios 
sociais da função social do contrato e da boa-fé objetiva. (TARTUCE, 2023, 
p. 1190) 
Por fim, traz-se o princípio da relatividade dos efeitos contratuais o qual define 
que os efeitos oriundos do negócio jurídico só trarão efeitos para aqueles que fazem 
parte do contrato, não tendo efeito erga omnes, sendo somente para as partes – inter 
partes –, ou seja, relativo. Porém, tal princípio tem suas exceções podendo em alguns 
casos específicos atingir terceiros, Flávio Tartuce traz quatro exemplos, sendo o 
primeiro em benefício de terceiros como prevê os artigos 436 a 438 do Código Civil, 
in verbis: 
Art. 436. O que estipula em favor de terceiro pode exigir o cumprimento da 
obrigação. 
Parágrafo único. Ao terceiro, em favor de quem se estipulou a obrigação, 
também é permitido exigi-la, ficando, todavia, sujeito às condições e normas 
 
do contrato, se a ele anuir, e o estipulante não o inovar nos termos do art. 
438. 
Art. 437. Se ao terceiro, em favor de quem se fez o contrato, se deixar o 
direito de reclamar-lhe a execução, não poderá o estipulante exonerar o 
devedor. 
Art. 438. O estipulante pode reservar-se o direito de substituir o terceiro 
designado no contrato, independentemente da sua anuência e da do outro 
contratante. 
Parágrafo único. A substituição pode ser feita por ato entre vivos ou por 
disposição de última vontade. 
A segunda exceção dar-se-á como uma promessa de fato a terceiro (arts. 439 
e 440 do CC), podendo ser exemplificado como um indivíduo que firma um 
compromisso que deve ser realizado por outro sujeito, caso este não realize deverá o 
que prometeu ser responsabilizado. 
Art. 439. Aquele que tiver prometido fato de terceiro responderá por perdas e 
danos, quando este o não executar. 
Parágrafo único. Tal responsabilidade não existirá se o terceiro for o cônjuge 
do promitente, dependendo da sua anuência o ato a ser praticado, e desde 
que, pelo regime do casamento, a indenização, de algum modo, venha a 
recair sobre os seus bens. 
Art. 440. Nenhuma obrigação haverá para quem se comprometer por outrem, 
se este, depois de se ter obrigado, faltar à prestação. 
A terceira exceção configura-se quando o contrato com pessoa a declarar ou 
com cláusula pro amico eligendo (arts. 467 a 471 do CC), exemplifica Tartuce (p. 
1232): “no momento da conclusão do contrato, pode uma das partes reservar-se à 
faculdade de indicar a pessoa que deve adquirir os direitos e assumir as obrigações 
dele decorrentes (art. 467 do CC).” 
E a última e quarta exceção ocorre quando há tutela externa do crédito ou 
eficácia externa da função social do contrato (art. 421 do CC), esse caso representa 
uma evolução na interpretação dos contratos, priorizando valores sociais e o princípio 
da solidariedade. Tal fato é exemplificado por um julgado onde uma seguradora 
deveria reparar os danos causados pelo segurado a um terceiro, cuja liberdade 
contratual das partes não seria afrontadas e assim haveria uma maximização da 
eficácia social do contrato seguindo o princípio da solidariedade e garantindo a função 
social do contrato. 
 
Art. 421. A liberdade contratual será exercida nos limites da função social do 
contrato. (Redação dada pela Lei nº 13.874, de 2019) 
Parágrafo único. Nas relações contratuais privadas, prevalecerão o princípio 
da intervenção mínima e a excepcionalidade da revisão contratual. (Incluído 
pela Lei nº 13.874, de 2019) 
No entanto, tal entendimento do STJ foi revisto e a jurisprudência do Superior 
Tribunal de Justiça decidiu que não pode a vítima ingressar com ação apenas e 
diretamente contra a seguradora, mas somente contra ambos. Como jurista, Tartuce 
lamenta que a jurisprudência do STJ (Súmula 529), tenha sido editada, a qual permitia 
que terceiros sem relação contratual direta pudessem exigir indenizações diretamente 
a seguradora do causador do dano, vejamos o enunciado: 
No seguro de responsabilidade civil facultativo, não cabe o ajuizamento de 
ação pelo terceiro prejudicado direta e exclusivamente em face da 
seguradora do apontado causador do dano. (SÚMULA 529, SEGUNDA 
SEÇÃO, julgado em 13/05/2015, DJe 18/05/2015) 
3. PRINCÍPIOS DAS RELAÇÕES CONTRATUAIS SOB A ÓTICA MODERNA E 
SEUS ASPECTOS MITIGATÓRIOS 
Ainda que utilizados, tais princípios tradicionais não permitiam ao direito a 
implementação de valores sociais que transcendessem os interesses individuais das 
partes e permitissem a promoção da justiça e da solidariedade social. Por esse motivo 
houve a necessidade de um estudo que levasse em consideração tais prerrogativas 
para a mitigação desses princípios que traziam de forma rígida a relação contratual 
entre os indivíduos. 
Nessa toada, concebe-se o princípio da função social do contrato onde o 
Estado passa a adotar uma postura mais intervencionista, equilibrando-se com a sua 
intervenção mínima, afinal entendeu-se que o Estado não poderia ser mero 
espectador da ambiência econômica (STOLZE, p. 628). Ou seja, os efeitos do direito 
contratual devem ser considerados e interpretados para toda a coletividade, uma vez 
que sua finalidade jurídica é a distribuição de riquezas, viabilizando o desenvolvimento 
social e econômico do país. 
A função social do contrato é o princípio central para o Stolze, que afirma que 
os contratos devem respeitar o interesse coletivo, promovendo justiça e equilíbrio, 
 
sobretudo em um contexto cujas partes economicamente mais frágeis necessitam de 
proteção jurídica. O autor traz um estudo citado pelo professor Humberto Theodoro 
Jr. apud Paulo Nalin, o qual designa dois níveis para a manifestação da função social 
dos contratos, observemos: 
A) Intrínseco — o contrato visto como relação jurídica entre as partes 
negociais, impondo-se o respeito à lealdade negocial e à boa-fé objetiva, 
buscando-se uma equivalência material entre os contratantes; 
B) Extrínseco — o contrato em face da coletividade, ou seja, visto sob o 
aspecto de seu impacto eficacial na sociedade em que fora celebrado. 
(grifo meu) 
Assim, Stolze destaca que o contrato deve buscar uma relação equilibrada 
entre as partes e uma adequação aos interesses coletivos. A distinção proposta por 
Paulo Nalin, conforme citado por Humberto Theodoro Jr., mostra que a função social 
dos contratos deve operar em dois níveis: o intrínseco, onde prevalece a equidade e 
a boa-fé entre os contratantes, e o extrínseco, que considera a repercussão do 
contrato sobre a sociedade. Esses dois níveis buscam assegurar que o contrato, 
enquanto instrumento jurídico, seja um meio de justiça e promoção do bem comum. 
Dando continuidade nessa abordagem modernizada, Stolze conceitua o 
princípio da boa-fé objetiva introduzindo-se primeiramente na visão romana (bona 
fides) o qual semanticamente a “A fides seria antes um conceito éticodo que 
propriamente uma expressão jurídica da técnica. Sua ‘juridicização’ só iria ocorrer com 
o incremento do comércio e o desenvolvimento do jus gentium, complexo jurídico 
aplicável a romanos e a estrangeiros”. Ou seja, o autor explora tal princípio retomando 
as origens romanas no qual o conceito “bona fides” inicialmente gozava de um sentido 
ético, ligado ao campo da moral e das boas intenções do que ao campo técnico e 
jurídico. 
Em Roma, a boa-fé referia-se a confiança e a lealdade que um sujeito 
demonstrava em seus compromissos, tendo dessa maneira um valor social e não uma 
obrigação legal. O questionamento que se levanta é: como tal conceito mudou-se para 
aquele que conhecemos hodiernamente? A resposta encontra-se no aumento das 
relações comerciais existentes e formando o desenvolvimento do jus gentium (direito 
 
dos povos), assim a boa-fé começou a ganhar importância prática incorporando-lhe 
valor técnico, afinal como este facilitava o comércio houve a necessidade de 
estabelecimento de uma base de confiança e honestidade nas negociações e assim 
esse princípio jurídico transformou-se em essencial para a aplicação das normas 
contratuais e comerciais. 
Feito esse breve apanhado histórico, já podemos observar que a boa-fé é, 
antes de tudo, uma diretriz principiológica de fundo ético e espectro eficacial 
jurídico. Vale dizer, a boa-fé se traduz em um princípio de substrato moral, 
que ganhou contornos e matiz de natureza jurídica cogente.” (STOLZE, 2021, 
p. 643) 
(...) tendo o homem como centro necessário das atenções, oportuno de 
indagar da possibilidade de localização da boa-fé enquanto princípio geral do 
Direito, no sistema constitucional, assim como os demais princípios então 
ditos fundamentais inclusos na Carta, como o da dignidade do ser humano, a 
vida, a integridade física, a liberdade, a propriedade privada, a livre 
manifestação do pensamento, a intimidade e vida privada etc. (STOLZE apud 
NALIN, 2021, p. 643) 
Dessa forma, o princípio da boa-fé objetiva atua como uma cláusula de lealdade 
e transparência entre as partes, exigindo condutas de cooperação e vedando abusos, 
ainda que não estejam previstos explicitamente no contrato. Com essa mitigação, é 
possível que contratos sejam interpretados com base em padrões éticos e morais, 
buscando o equilíbrio nas relações e protegendo partes mais vulneráveis. 
Ainda há mais um princípio mencionado por Stolze, o qual não se encontra na 
obra do jurista Tartuce, mas, é de imensa valia introduzi-lo neste artigo. O Princípio da 
equivalência material desenvolvido por Paulo Luiz Netto Lôbo busca a preservação 
do equilíbrio real dos direitos e deveres do contrato, tanto para manter a 
proporcionalidade inicial dos direitos e obrigações, tanto para correção dos 
desequilíbrios supervenientes dos contratos (STOLZE, 2021, p. 641-642 apud NETTO 
LÔBO, 20XX). Nas palavras do jurista: 
O que interessa não é mais a exigência cega de cumprimento do contrato, da 
forma como foi assinado ou celebrado, mas se sua execução não acarreta 
 
vantagem excessiva para uma das partes e desvantagem excessiva para 
outra, aferível objetivamente, segundo as regras da experiência ordinária. 
Entretanto, no entendimento de Stolze e Gagliano, tal princípio é superveniente 
da função social do contrato, sendo um “subproduto normativo” deste princípio maior. 
Os doutrinadores alegam que o princípio da equivalência material seria um 
desdobramento da manifestação intrínseca da função social e da boa-fé objetiva do 
contrato. Os autores apontam que esses princípios são fundamentais para que o 
contrato contribua para um solidarismo social, ou seja, uma relação justa que 
respeite a dignidade de cada parte, limitando o poder econômico de uma das partes 
em contratos desequilibrados. A ideia é superar o princípio tradicional do pacta sunt 
servanda (de que o contrato deve ser cumprido a qualquer custo), substituindo-o por 
uma abordagem que busque o equilíbrio e a equidade, em sintonia com valores sociais 
e éticos modernos. 
Assim, com a Constitucionalização do Direito Contratual percebe-se uma 
suavização das relações contratuais, principalmente no que cerne à coletividade, uma 
vez que o interesse desta como um todo deve ser levado em consideração. Tais 
aspectos mitigatórios refletem os olhares de juristas que visaram a justiça social e a 
igualdade nas relações privadas, tendo em vista a vulnerabilidade social de pessoas 
naturais em relação a empresas. 
4. DA FORMAÇÃO DOS CONTRATOS 
Encerrada as definições dos princípios dos contratos, faz-se necessário o 
estudo sobre a formação destes uma vez que já observamos os fundamentos que 
norteiam a relação contratual. 
Em regra, o contrato é um negócio jurídico bilateral fruto da convergência da 
manifestação de vontade de partes contrárias (STOLZE, 2021, p. 668), onde, por 
exemplo, em um caso de vendas, apresentam proposta e oferta e caso haja aceitação, 
as manifestações fazem surgir o consentimento. Contudo, até que a formação do 
contrato seja pactuada há conflitos de interesses pelas partes e somente será 
formalizado quando as duas encontrem um caminho para que a proposta oferecida 
seja aceita e assim o negócio seja culminado. 
 
Como já explanado no tópico anterior, o contrato é dotado pela autonomia 
privada conferindo liberdade de contratação entre os sujeitos, todavia essa liberdade 
não é ilimitada ou absoluta sendo mitigada pela supremacia da ordem pública, 
dispondo que o negócio tenha que obedecer a solidariedade social (função social do 
contrato) e a boa-fé objetiva. 
De forma clara e objetiva, Tartuce, por sua vez, identifica quatro fases na 
formação do contrato, qual sejam: 1) Fase de negociações preliminares ou de 
puntuação; 2) Fase de proposta, policitação ou oblação; 3) Fase de contrato 
preliminar; 4) Fase de contrato definitivo ou de conclusão de contrato. 
A primeira fase se inicia com a discussão dos termos e condições que 
pretendem estabelecer no contrato, há somente uma pretensão e as propostas 
discutidas ainda não são formalizadas e como o título diz, é uma fase preliminar, não 
configurando em pré-contratual. Tal fase não está prevista no Código Civil de 2002, 
portanto não há do que se falar em vinculação das partes nem mesmo da existência 
da responsabilidade civil contratual do negócio. (TARTUCE, 2023, apud, DINIZ). 
Todavia, embora não exista uma obrigação formal que vincule as partes, estas 
devem agir com boa-fé evitando as práticas enganosas e/ou comportamentos que 
possam prejudicar a outra parte, instigando até mesmo ao aceite. Ainda nesse sentido, 
a obrigação de não contratar não significa que os danos decorrentes não devam ser 
indenizados, por exemplo, a parte que efetivou gastos com a certeza de que o negócio 
seria celebrado e não o foi, deve ser indenizado. Depende, pois, da circunstância do 
caso. 
Consequentemente, conclui-se que doutrinariamente a fase da puntuação gera 
deveres as partes, afinal em alguns casos a confiança depositada gera expectativa da 
celebração e a quebra desta pode sim gerar responsabilização civil. 
Em segundo lugar, o jurista destaca a chamada fase de proposta – ou 
policitação ou oblação –, esta fase tem caráter formal, pois constitui a manifestação 
da vontade de contratar por um dos sujeitos do negócio, o proponente, o qual 
apresentar a outra parte (oblato) os termos e as condições que deseja estabelecer. A 
 
referida etapa define-se apenas pela declaração unilateral de vontade apenas 
produzindo efeitos caso seja recebida pela outra parte, o Código Civil dispõe o 
seguinte acerca da fase de oblação, in verbis: 
Art. 427. A proposta de contrato obriga o proponente, se o contrário não 
resultardos termos dela, da natureza do negócio, ou das circunstâncias do 
caso. 
Art. 431. A aceitação fora do prazo, com adições, restrições, ou modificações, 
importará nova proposta. 
Nesse sentido, para que esta fase produza efeitos alguns requisitos são 
necessários, primeiramente a proposta deve ter a presença de todos os elementos 
essenciais do negócio proposto (ex: preço, quantidade, tempo de entrega, validade, 
entre outros), a proposta deve ser séria, clara, precisa e definitiva e a aceitação deve 
ser pura e simples. 
A fase de contrato preliminar, ocorre quando as partes formalizam o interesse 
de firmar o contrato definitivamente, o Código Civil traz regras em seus artigos 462 a 
466. Tartuce explica que esta etapa não é obrigatória entre as partes, sendo 
dispensável, mas há aqueles que preferem por introduzi-lo em suas relações 
contratuais. No entanto, há uma compreensão de Pablo Stolze que melhor desmitifica 
o que seria o contrato preliminar: 
(...) compreendemos o contrato preliminar como uma avença através da qual 
as partes criam em favor de uma ou mais delas a faculdade de exigir o 
cumprimento de um contrato apenas projetado. Trata-se, portanto, de um 
negócio jurídico que tem por objeto a obrigação de fazer um contrato 
definitivo. 
Ao compreendermos o que é o contrato preliminar, prossegue-se em conceituar 
as duas classificações dos tipos de compromissos contratuais previstos nesta etapa, 
são eles: 
a) Compromisso unilateral do contrato: esta hipótese, segundo o professor 
Tartuce, existe quando as duas partes assinam o contrato, mas somente 
uma delas assume um dever, uma obrigação de fazer o contrato definitivo. 
 
Sendo assim, deixa em aberto para o outro contratante a opção de celebrar 
o contrato definitivo. 
 
b) Compromisso bilateral do contrato: as duas partes assinam o contrato e 
assumem a obrigação de celebrar o contrato definitivo, havendo nele a 
possibilidade de retratabilidade. 
Esta fase serve para dar segurança e estabilidade Às partes durante as 
negociações de um contrato definitivo, pois está resguardada no princípio da boa-fé e 
da lealdade, afinal ambas as partes devem agir com transparência e colaboração para 
o fechamento do negócio, além disso a função social também é aplicada uma vez que 
os indivíduos devem observar o equilíbrio e evitar abusos. Sendo assim, o contrato 
preliminar protege as partes de desistências arbitrárias e fornece uma base sólida 
para a conclusão do contrato definitivo. 
Por fim, a fase de contrato definitivo (conclusão) ocorre quando o contrato se 
torna formal e definitivo, nele as partes oficializam o acordo e começam a ter 
obrigações e direitos vinculantes conforme decididos no contrato final, esta etapa 
marca o compromisso completo dos contratantes. Adverte, Tartuce, “não se pode 
esquecer que a boa-fé objetiva, com todos os seus deveres anexos ou laterais, deve 
ser aplicada a essa fase, bem como à fase pós-contratual.” 
5. CONCLUSÃO 
Concluindo, o estudo do Direito Contratual revela uma transição gradual do 
tradicional, moderno e o pós-moderno. Inicialmente destaca-se o Direito dos Contratos 
sob uma perspectiva tradicional, centrada por princípios como o pacta sunt servanda, 
rígidos e que não garantiam a proteção social e segurança jurídica dos agentes. 
Embora ainda exista esses princípios nas relações contratuais vimos que a 
constitucionalização do direito trouxe uma nova perspectiva acerca destes, havendo 
dessa maneira uma mitigação que colaborou para a implementação dos valores 
sociais, da solidariedade e da dignidade humana. 
 
Nesse sentido, os princípios da autonomia da vontade, da força obrigatória e 
da relatividade das partes foram limitados por princípios da função social, da boa-fé 
objetiva e da equivalência material que asseguram uma aplicação mais justa das 
normas contratuais, protegendo partes vulneráveis e promovendo um ambiente 
jurídico que respeite o interesse coletivo. 
Assim, o Direito Contratual se molda aos desafios atuais, oferecendo um 
caminho de equilíbrio entre a liberdade individual e a proteção contra abusos, em 
sintonia com a promoção de uma sociedade mais equitativa e solidária. 
6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. 
Brasília, DF: Senado Federal, 1988. 
BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Súmula nº 529. No seguro de responsabilidade 
civil facultativo, não cabe o ajuizamento de ação pelo terceiro prejudicado direta e 
exclusivamente em face da seguradora do apontado causador do dano. Diário 
Judicial Eletrônico: seção 2, Brasília, DF, 13 maio 2015. 
GAGLIANO, Pablo Stolze; PAMPLONA FILHO, Rodolfo. Manual de direito civil: 
volume único. São Paulo: Saraiva, 2021. 
TARTUCE, Flávio. Manual de direito civil: volume único. 13. ed. Rio de Janeiro: 
Método, 2023.

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