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AMPLI
CAROLINA MARTELLI SOUZA VESTRI
PRÁTICA PEDAGÓGICAS
SÍNTESE
ARUJÁ - SP
2023
A Educação de Jovens e Adultos (EJA) é uma modalidade de ensino que possibilita o reingresso aos estudantes que não concluíram a educação básica na idade regular. Pesquisas mostram que, apesar de estarmos em plena globalização ainda existe no Brasil um alto índice de analfabetismo ou de semianalfabetos, ou seja, pessoas que não deram continuidade em seus estudos na idade apropriada.
A alfabetizar jovens e adultos continua sendo um grande desafio para as instituições de ensino e para os professores, além de percebermos que o analfabetismo continua sendo um grande problema no Brasil e somente com um olhar inovador será possível modificar esta realidade. A EJA é uma modalidade que promove o ensino contextualizado e direcionado para jovens e adultos que objetivam avançar e construir um conhecimento focado nas necessidades imergentes como ser alfabetizado; concluir os estudos, estar apto para o mercado de trabalho e realização pessoal recuperando a autoestima. Como o processo de alfabetização compreende a aquisição da escrita, o desenvolvimento da leitura e sua interpretação. Apenas sabendo interpretar o que lê e escreve é que o indivíduo pode tomar decisões coerentes no seu dia-a-dia. Garantir que todos os brasileiros estejam alfabetizados é garantir o crescimento do país. É possível observar que a docência exige mais do que conhecimentos teóricos, é preciso um olhar crítico sobre a realidade de cada aluno, e assim obter sucesso nos processos de aprendizagem. A necessidade de ser inserido no mercado de trabalho e o acesso à cidadania caracterizam e direcionam os jovens e adultos ao compromisso e responsabilidade com a sua qualificação. 
Assim, o processo de ensino desta modalidade precisa apresentar um currículo direcionado para a discussão e ampliação dos saberes relacionando com o cotidiano e perspectivas dos alunos, dando sentido para a aprendizagem. As diversas transformações ocorridas no cenário brasileiro fazem com que a população fique em constante busca por estratégias para a garantia de direitos sociais. Os jovens e adultos em situação de pobreza e marginalizados, estão cada vez mais retornando às escolas, e estas por sua vez precisam atender aos anseios da sociedade. No Brasil os níveis escolares são compostos pela educação básica - formada pelo ensino infantil, ensino fundamental e ensino médio e pela educação superior, pois apresenta a potencialidade que representa a formação de qualidade para os jovens e adultos em prol da cidadania e preparação para o mercado de trabalho, apontando também para a diminuição do alfabetismo o país. 
A educação de jovens e adultos será destinada aqueles que não tiveram acesso ou continuidade de estudos no ensino fundamental e médio na idade própria. Os sistemas de ensino assegurarão gratuitamente aos jovens e aos adultos, que não puderam efetuar os estudos na idade regular, oportunidades educacionais apropriadas, consideradas as características do alunado, seus interesses, condições de vida e de trabalho, mediante cursos e exames. Como a distribuição específica dos componentes curriculares, a fim de propiciar um patamar igualitário de formação e restabelecer a igualdade de direitos e de oportunidades diante do direito à educação; a identificação e o reconhecimento da alteridade, própria e inseparável, dos jovens e dos adultos em seu processo formativo, da valorização do mérito de cada qual e do desenvolvimento de seus conhecimentos e valores; a proporcionalidade, com disposição e alocação adequadas dos componentes curriculares às necessidades próprias da Educação de Jovens e Adultos, com espaços e tempos nos quais as práticas pedagógicas assegurem aos seus estudantes identidade formativa comum aos demais participantes da escolarização básica
A educação de jovens e adultos é uma atividade especializada e com caracteristicas próprias, são raros os cursos de formação de professores e as universidades que oferecem formação específica aos que queiram trabalhar ou já trabalham nesta modalidade de ensino. Igualmente, não são muitos os subsídios escritos destinados a responder às necessidades pedagógicas dos educadores que atuam nas salas de aula da educação de jovens e adultos. Umas das premissas para quem leciona na EJA é que seus alunos só aprenderão se quiserem aprender. Sobretudo porque aprender é um processo que está intrinsecamente ligado ao esforço e ninguém se disporá a fazer esforço a troco de nada. Trazer imposição e velhos costumes utilizados no ensino regular já não surtem grandes efeitos na EJA, isso porque, a maturidade e consciência do aprendizado, do que realmente estão sendo ensinados, sobre o quão interessante e relevante o assunto é sobre o seu cotidiano refletem diretamente na rotina da sala de aula. Desta forma, é de estrema importância que o docente tente descobrir estes assuntos e comecem por eles. Serão a partir desses assuntos que os alunos irão ser estimulados a participar e assim construindo e participando das relações entre os elementos e informações de que dispõem ou que você apresentar a eles. Resultando na reflexão e síntese do novo aprendizado com suas vivências e experiências. 
No entanto, é importante que o conhecimento escolar tenha sua base na construção do conhecimento e das experiências do cotidiano. Se bem aproveitados no ambiente escolar, poderiam revigorar os conteúdos das disciplinas escolares, dando vida ao currículo e fazendo a integração entre os conhecimentos para que realmente façam sentido aos alunos. Para que isso possa acontecer, os conhecimentos, práticas, atitudes, habilidades e experiências da comunidade devem ser explorados de forma didática nas salas de aula, afastando todo tipo de memorização que não tem nenhum parentesco com o conhecimento. A interdisciplinaridade está relacionada ao conceito de contextualização sócio histórico como princípio integrador do currículo. Indissociável da interdisciplinaridade, a transversalidade estrutura, complementa e insere a educação no contexto social e histórico. Isto porque ambas propõem uma articulação que vá além dos limites cognitivos próprios das disciplinas escolares, sem, no entanto recair no relativismo epistemológico. 
O processo de alfabetização e letramento é de suma importância na vida escolar dos alunos do Ensino Fundamental. A estudiosa em educação Telma Weisz enfatiza que: A tradição pedagógica, qualquer que seja seu enfoque ou discurso, reduziu sempre a alfabetização ao mero aprendizado do sistema alfabético. Já na década de trinta, há mais de meio século, portanto, Vygotsky questionava este empobrecimento ao dizer que “ensina-se as crianças a desenhar letras e a construir palavras com elas, mas não se ensina a linguagem escrita”. Vygotsky concebe a conexão entre o pensamento e a linguagem como originária do desenvolvimento do ser humano, evoluindo ao longo do tempo, num processo dinâmico, sendo que a educação é mediadora entre o cotidiano e o não cotidiano nesse processo. Defende a importância de a escola valorizar a interação do sujeito com seus pares, oferecendo oportunidade aos mesmos para exercitarem a sua linguagem. 
Na concepção de Piaget, o homem é um ser essencialmente social, impossível de ser pensado fora do contexto da sociedade em que nasce e vive. Em outras palavras, “o homem não social é considerado como molécula isolada do resto de seus semelhantes, é visto como independente das influências da tradição, este homem simplesmente não existe” (La Taille, 1992, p. 11). Por alfabetização, entende-se como sendo um processo específico e indispensável de apropriação do sistema de escrita, compreendendo a conquista da base alfabética e ortográfica, possibilitando ao aluno ler e escrever. Letramento, conforme Soares (2003), é condição para sobrevivência e a conquista da cidadania no contexto das transformações culturais, sociais, políticas, econômicas e tecnológicas. Amplia-se, assim o sentido do que tradicionalmente se conhecia poralfabetização. Letramento não é necessariamente o resultado de ensinar a ler e a escrever. Ler e escrever são dois processos diferentes. Entender e refletir sobre o processo de aprendizagem é fundamental para que os profissionais analisem sua própria ação didática, descobrindo os melhores conteúdos e procedimentos que permitam obter êxito na ação pedagógica e assim, não só acompanhar o desenvolvimento do estudante, mas perceber o próprio crescimento nos aspectos cognitivos, afetivos e profissionais. A compreensão sobre a realidade em que o aluno está inserido no processo de aprendizagem é umas das metas essenciais para progressão do conhecimento. A organização pedagógica, o planejamento, as estratégias de ensino e metodologias devem ser contempladas pelo professor, em todas as situações de sala de aula. 
A leitura não mais é vista como um mero processo perceptual e associativo linear de decodificação de grafemas em fonemas, mas passa a ser enfocada como uma ação cognitiva e social que pressupõe a compreensão de conhecimentos e práticas sociais que vão muito além do domínio de determinadas habilidades individuais A leitura é uma atividade ou um processo cognitivo de construção de sentidos realizado por sujeitos sociais inseridos num tempo histórico, numa dada cultura. Entender a leitura como processo de construção de sentidos significa dizer que quando alguém lê um texto não está apenas realizando uma tradução literal daquilo que o autor do texto quer significar, mas que está produzindo sentidos, em um contexto concreto de comunicação, a partir do material escrito que o autor fornece. 
Cabe acrescentar que, em nossas discussões, também trabalhamos o conceito de "significado" para compreender melhor o processo de apropriação da leitura. O significado é também uma formação dinâmica que se modifica e se desenvolve na cultura. Assim como o sentido, o significado é socialmente construído. Ou seja, durante as interações em sala de aula, quando professores e alunos leem textos, os sentidos e os significados são produzidos. Os dois conceitos estão articulados dialeticamente, porém é necessário estabelecer uma diferença entre eles. Buscamos em Vigotski essa diferenciação, pois, para esse autor, o sentido de uma palavra é a soma de todos os fatos psicológicos que ela desperta em nossa consciência. Assim, o sentido é sempre uma formação mais fluida e complexa que tem várias zonas de estabilidade variada. O significado pode ser entendido, então, como uma dessas zonas de sentido, produzido no contexto de algum discurso.
Nessa perspectiva, a leitura é vista como um processo construído nas interações e nas ações entre professores e alunos, tanto no plano individual quanto no plano coletivo, por meio da linguagem. É um processo discursivo que implica a elaboração conceitual da palavra, que, por sua vez, só pode acontecer quando as pessoas se encontram e fazem uso da linguagem em seus grupos culturais. Portanto, a palavra que se esvazia da dimensão concreta que deveria ter, ou seja, do contexto de produção, se transforma em palavra oca, sem sentido.
Portanto, identificar e compreender as práticas sociais de leitura de um determinado grupo e sua relação com a linguagem torna possível o entendimento de como e por que essas práticas são realizadas de determinada forma e não de outra e, ainda, quais oportunidades de aprendizado construídas podem ou não gerar desenvolvimento mental.
As experiências com eventos de leitura e escrita contam muito mesmo para a formação de todos nós. Geralmente trabalhamos com alunos que tiveram muito pouco ou quase nenhum contato com a leitura e escrita desde a infância. O aprendizado desse aluno com certeza será mais difícil do que aquele que desde pequeno, por influência dos pais, tem contato com esses materiais. Assim é importante que os pais trabalhem estes aspectos na vida da criança desde cedo, deixando materiais acessíveis, fazendo leituras de livros, gibis, enfim, todo material que faz com que a criança se integre no mundo da leitura e da escrita.
O adulto precisa compreender que a escrita e a leitura vão além da decifração e transcrição de letras e sons, são atividades orientadas pela busca do sentido e do significado. O sujeito está intimamente ligado ao objeto, procurando buscar coordenadas para a tomada de consciência deste processo. O letramento possibilita a inclusão no universo cultural. Por meio da cultura letrada, podemos nos comunicar e nos integrar com outras pessoas, podemos ter acesso a uma gama infinita de informações, temos a possibilidade de uma participação mais ativa no mundo do trabalho, da política.
Estar imerso em um ambiente letrado é fundamental, mas não parece ser suficiente, é preciso que o professor leve seus alunos a refletirem sobre a escrita, a estabelecerem relações entre diferentes tipos de textos e produzirem textos significativos, o mais próximos que for possível de seu uso social.
O professor de EJA pode utilizar-se de muitas situações como estas para contextualizar um ambiente de letramento nas atividades de alfabetização.
Por meio da leitura compartilhada o professor pode aproximar seus alunos do mundo letrado, mesmo aqueles que ainda não lêem convencionalmente. Pela leitura, todos os envolvidos – professores e alunos – podem: ser estimulados a desejar fazer outras leituras; a imaginar as situações lidas, exercitando o imaginário; a se confrontar com outros pontos de vista diferentes dos seus; a estabelecer relações entre o que está sendo lido e o que está escrito; a compreender o sentido de comunicação da escrita.
No entanto, é muito difícil para um não leitor formar leitores. Só podemos formar leitores se oportunizarmos situações de leitura significativas na sala de aula. O mesmo ocorre com a escrita. O professor preocupado em inserir seus alunos no mundo letrado precisa antes de tudo ter uma relação positiva com a leitura e a escrita. É preciso que ele tenha uma relação de prazer com os textos e reconheça sua importância e suas diferentes funções: informar, refletir, comunicar, divertir. O professor torna-se então um modelo de leitor para o aluno. Por meio da leitura realizada pelo professor, o aluno pode observar procedimentos de um leitor eficiente, pode perceber a relação que existe entre o texto e o leitor.
É fundamental planejar os seus agrupamentos produtivos, também é necessário conhecer bem os alunos e as suas características pessoais, entendendo como eles se relacionam com os colegas. Dessa forma, o relacionamento entre eles será positivo durante as atividades. O ponto principal dos agrupamentos produtivos é que todos os alunos devem ser beneficiados. Não adianta unir duas pessoas que tenham as mesmas dificuldades. Ou seja, o ideal é que os conhecimentos sejam complementares.
A quantidade de alunos em cada grupo depende do conteúdo que será abordado e, principalmente, do objetivo da atividade. Também é interessante que seja feita uma apresentação ao final para os grupos mostrarem seus resultados para toda a classe. Além de compartilhar conhecimento, é uma excelente oportunidade para melhorar a oralidade da turma. 
· Mais do que dividir conhecimento, os agrupamentos produtivos são uma importante metodologia para estimular a participação e engajamento dos alunos. Para eles, é mais interessante uma troca horizontal (aluno com aluno) do que vertical (professor com aluno).
· Os benefícios são ainda maiores para alunos com dificuldades de aprendizagem, já que terão estímulos dos seus colegas para entender os conteúdos que são mais difíceis para eles. Além disso, é uma ótima oportunidade para estimular o bom relacionamento com a turma. 
A escolha da abordagem deve-se ao fato de proporcionar a reflexão a respeito da necessidade da preparação do educador de jovens e adultos, de acordo com a realidade que ele se efetua socialmente, oferecendo ao aluno condições de entender o mundo da construção do conhecimento e contribuir para que esta modalidade de ensino tenha oportunidades mais igualitárias e mais justas na nossa sociedade.
AMPLICAROLINA MARTELLI SOUZA VESTRI
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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