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UNIVERSIDADE PITÁGORAS UNOPAR ANHANGUERA 
 
SISTEMA DE ENSINO A DISTANCIA 
EDUCAÇÃO FÍSICA 
 
 
 
 
LUIS CARLOS DE OLIVEIRA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
PROJETO DE ENSINO 
 
A INFLUÊNCIA DO PENSAMENTO ESTRATÉGICO DO XADREZ NO 
PLANEJAMENTO TÁTICO EM ESPORTES COLETIVOS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
JAÚ – SP 
2024 
LUIS CARLOS DE OLIVEIRA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
PROJETO DE ENSINO 
 
A FELICIDADE SEGUNDO ARISTÓTELES: O PROPÓSITO DA VIDA 
HUMANA 
 
 
 
Projeto de Ensino apresentado à Universidade Norte do 
Paraná - UNOPAR como requisito parcial à conclusão do 
Curso de Educação Física. 
 
Docente supervisor: Prof. Jamile Ruthes Bernardes 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
JAÚ – SP 
2024 
SUMÁRIO 
INTRODUÇÃO ............................................................................................................ 3 
1 TEMA ................................................................................................................... 4 
2 JUSTIFICATIVA ................................................................................................... 5 
3 PARTICIPANTES ................................................................................................. 6 
4 OBJETIVOS ......................................................................................................... 7 
5 PROBLEMATIZAÇÃO .......................................................................................... 8 
6 REFERENCIAL TEÓRICO ................................................................................... 9 
7 METODOLOGIA................................................................................................. 15 
8 CRONOGRAMA ................................................................................................. 16 
9 RECURSOS ....................................................................................................... 17 
10 AVALIAÇÃO ....................................................................................................... 18 
CONSIDERAÇÕES FINAIS ...................................................................................... 19 
REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 20 
3 
 
INTRODUÇÃO 
 
 
Após o período de alta nos casos de COVID-19, observa-se a dificuldade que 
alguns alunos enfrentam para retomar suas rotinas normais, tanto no âmbito escolar 
quanto fora dele. No início do projeto, ficou evidente a dificuldade não apenas dos 
alunos em aprender de forma colaborativa, mas também de alguns docentes em 
gerenciar essa retomada das aulas no contexto pós-pandemia. 
Para alcançarmos bons resultados, utilizamos o ambiente da sala de aula de 
maneira produtiva, estimulando o engajamento dos alunos tanto com seus colegas 
quanto com os docentes. Além disso, adotamos uma ferramenta fundamental e de 
enorme eficácia filosófica: o debate. Esse espaço de troca de ideias nos possibilitou 
interações significativas com os estudantes, abrangendo diversos temas. Segundo 
relatos de alguns alunos, essas experiências transcenderam o ambiente escolar e se 
tornaram parte do cotidiano deles. 
O termo "telos", que significa fim ou finalidade em grego, foi extraído pelo 
autor do projeto de pesquisa da obra "Ética a Nicômaco", de Aristóteles. Essa obra 
serviu como referência fundamental para não apenas este trabalho, mas também 
para as diversas atividades realizadas com base em suas premissas, tornando-as 
proveitosas para os alunos. Após a implementação do projeto, observamos um 
aumento crescente no engajamento dos estudantes. Eles se mostraram 
participativos, respondendo a questionamentos levantados pelo professor e 
contribuindo ativamente em sala de aula com exemplos de suas próprias 
experiências durante as atividades de grupo. 
4 
 
1 TEMA 
 
 
O tema escolhido para o presente Projeto de Ensino, é A Felicidade Segundo 
Aristóteles: O Propósito da Vida Humana. O tema proposto para este trabalho fora 
desenvolvido e pensado de forma abrangente para a finalidade de contribuir para a 
educação. A felicidade, para Aristóteles, é um conceito central em sua filosofia e 
representa o propósito último da vida humana. Em sua obra mais influente, a "Ética a 
Nicômaco", ele desenvolve a ideia de que a felicidade, ou eudaimonia, não é uma 
mera sensação passageira ou um estado emocional momentâneo, mas sim uma 
forma de vida que se realiza por meio da virtude e da razão. 
Aristóteles argumenta que todos os seres humanos buscam a felicidade, 
embora muitas vezes confundam seu verdadeiro significado com prazeres efêmeros 
ou bens materiais. Para ele, a felicidade é o bem supremo, o que todos desejam em 
si mesmo, e não como meio para se alcançar outro fim. Essa busca pela felicidade 
implica a realização do potencial humano e a vida conforme a natureza racional do 
ser humano. 
A felicidade, segundo Aristóteles, está intrinsecamente ligada à virtude. Ele 
define a virtude como um hábito adquirido que nos leva a agir de acordo com a 
razão e a encontrar um meio-termo entre os excessos e as deficiências, o que ele 
chama de "justeza". Essa ideia do "justo meio" é fundamental para compreender 
como a virtude promove a eudaimonia. Para Aristóteles, é através da prática das 
virtudes que o ser humano se aproxima da verdadeira felicidade, pois age de acordo 
com sua natureza racional. 
Além disso, Aristóteles coloca a felicidade como um estado que se realiza ao 
longo de uma vida inteira. Ele enfatiza a importância da atividade e do engajamento 
com a vida social e política, uma vez que a felicidade individual está também 
conectada ao bem-estar da comunidade. Ao cultivar as virtudes, os indivíduos não 
apenas promovem sua própria felicidade, mas também contribuem para o bem 
comum. 
 
 
5 
 
2 JUSTIFICATIVA 
 
 
Este tema é relevante, pois é fundamentado em sua relevância filosófica e 
sua aplicabilidade nas questões contemporâneas sobre a vida e o bem-estar. 
Aristóteles, um dos pilares da filosofia ocidental, apresenta uma visão profunda 
sobre a felicidade, que ele considera o objetivo último da vida humana, não 
meramente um estado emocional, mas uma condição que resulta de uma vida vivida 
de acordo com a virtude e a razão. 
Explorar a felicidade sob a ótica aristotélica permite aos estudantes refletirem 
sobre suas próprias vidas e o que realmente valorizam. Aristóteles argumenta que a 
felicidade, ou eudaimonia, é alcançada através da prática das virtudes e do 
desenvolvimento de um caráter ético sólido. Ao envolvermos os alunos nesta 
discussão, não apenas os incentivamos a conhecer um dos pensadores mais 
influentes da história, mas também os levamos a considerar questões práticas sobre 
o que significa viver bem em um mundo onde a busca por satisfação imediata muitas 
vezes ofusca objetivos mais profundos e duradouros. 
Além disso, a filosofia aristotélica pode oferecer uma perspectiva crítica sobre 
a cultura contemporânea, frequentemente marcada por consumismo e 
superficialidade, contrastando a verdadeira realização pessoal e comunitária com a 
busca frenética por bens materiais e status. Este tema pode fomentar diálogos sobre 
ética, moralidade, e responsabilidade social, ao mesmo tempo em que irmos ligando 
a teoria à prática por meio de atividades que incentivem a reflexão crítica, o 
autoconhecimento e a aplicação dos conceitos aristotélicos em contextos atuais. 
Assim, ao adotar esse tema, promovemos não apenas a compreensão 
intelectual das ideais aristotélicas, mas também o uso desses ensinamentos como 
ferramentas para uma vida mais significativa e satisfatória, alinhando o aprendizado 
acadêmico com questões existenciais e práticas da vida cotidiana. Essa abordagem 
não só enriquece o repertório cultural dos alunos, mas também os prepara para 
serem indivíduos mais conscientes e engajados na busca genuína pela felicidadee 
pelo bem comum. 
 
 
 
 
 
6 
 
3 PARTICIPANTES 
 
 
A proposta do Projeto de Ensino destina-se a um público diversificado, como 
estudantes do Ensino Médio e Universitário, em especial aqueles que estão 
cursando disciplinas de Filosofia, Ética, Psicologia ou Ciências Sociais. O objetivo é 
proporcionar uma compreensão mais ampla sobre a concepção aristotélica de 
felicidade e como esta se relaciona com o propósito da vida humana. 
Além disso, o projeto pode ser relevante para educadores, pois oferece um 
recurso pedagógico que pode ser utilizado em sala de aula para fomentar 
discussões filosóficas e reflexões sobre a busca da felicidade na vida 
contemporânea. Também se destina ao público em geral, incluindo profissionais, 
interessados em filosofia e bem-estar, que desejam aprofundar seus conhecimentos 
sobre o tema e aplicá-lo em suas vidas cotidianas. 
7 
 
4 OBJETIVOS 
 
 
O Projeto de Ensino tem como objetivos centrais promover uma compreensão 
profunda dos conceitos de felicidade e bem viver conforme abordados por 
Aristóteles, integrando esses princípios à vida cotidiana dos alunos. Este projeto 
busca fomentar a reflexão crítica sobre o sentido e o propósito da vida, incentivando 
os participantes a explorarem suas próprias visões sobre a felicidade e a ética. 
Além disso, a proposta visa aplicar as ideias aristotélicas sobre a virtude e o 
papel da razão nas ações humanas, levando os alunos a analisarem suas próprias 
escolhas e valores. Com isso, espera-se que os participantes desenvolvam 
habilidades de pensamento reflexivo, análise crítica e diálogo colaborativo, 
fundamentais para a formação de cidadãos mais conscientes e ético. 
8 
 
5 PROBLEMATIZAÇÃO 
 
 
O problema diagnosticado e que se pretende solucionar com o 
desenvolvimento do Projeto de Ensino, surge em um contexto de profundas 
transformações sociais e emocionais desencadeadas pela pandemia de COVID-19. 
O retorno às aulas após um longo período de isolamento e interrupção das 
atividades presenciais trouxe à tona uma série de desafios que merecem ser 
discutidos e abordados. Vivemos tempos em que a saúde mental, o bem-estar e a 
busca por significado na vida se tornaram questões centrais para estudantes, 
educadores e famílias. 
O problema diagnosticado reside na dificuldade que muitos alunos enfrentam ao 
reingressar no ambiente escolar. A pandemia não apenas afetou a rotina e o aprendizado, 
mas também gerou um aumento nos níveis de ansiedade, solidão e incerteza sobre o 
futuro. Nesse contexto, a reflexão sobre a felicidade e o propósito da vida, na perspectiva 
aristotélica, pode servir como uma ferramenta poderosa para promover uma compreensão 
mais profunda de si mesmos e do mundo ao seu redor. Aristóteles, ao defender que a 
felicidade é o objetivo final da vida e que ela é alcançada por meio da virtude e da realização 
do potencial humano, fornece um referencial filosófico essencial para que os alunos possam 
reavaliar suas experiências, desejos e objetivos. 
Assim, o projeto propõe investigar como os ensinamentos de Aristóteles podem ser 
aplicados na retomada das aulas, de forma a estimular os estudantes a refletirem sobre 
suas expectativas, o que os faz verdadeiramente felizes e qual o papel da escola nesse 
processo de autoconhecimento e desenvolvimento pessoal. Além disso, ao abordar 
questões como a ética, as virtudes e a busca pelo bem-estar, o projeto não apenas contribui 
para o aprendizado acadêmico, mas também para a formação integral dos alunos, 
promovendo um ambiente escolar mais acolhedor e significativo. 
Nesse sentido, a problematização envolve a necessidade urgente de criar espaços 
de diálogo sobre a felicidade, ressignificando a experiência educacional em função das 
vivências atuais. A proposta de encarar a felicidade como um tema central na volta às aulas 
permite que educadores e estudantes construam juntos uma perspectiva mais esperançosa 
e humanizada para enfrentar os desafios que se apresentam. Assim, o projeto busca não 
apenas solucionar um déficit de aprendizado, mas ir além, abordando a formação de 
cidadãos conscientes, críticos e emocionalmente saudáveis, capazes de encontrar propósito 
e significado em suas vidas. 
9 
 
6 REFERENCIAL TEÓRICO 
 
 
A reflexão sobre o conceito de "felicidade" sob diferentes perspectivas e 
contribuições de diversos autores sempre gera debates e trocas de ideias. Isso se 
deve ao fato de que cada indivíduo possui uma visão única sobre o tema e tudo o 
que ele abrange. 
A finalidade natural de todos os seres humanos, segundo Aristóteles, é 
alcançar uma vida boa, justa e feliz. Com base nesse princípio, o filósofo se propõe 
a investigar qual é o objetivo ético que cada indivíduo almeja e quais caminhos 
devem ser percorridos para alcançar essa meta. Para Aristóteles, a Felicidade se 
distingue da honra, do prestígio e da inteligência, pois não depende de bens 
externos para ser alcançada; ela é autossuficiente. Os outros meios, em 
contrapartida, são buscados com o intuito de atingir outros bens. 
Segundo Chauí (2002), Aristóteles afirma aquilo que, à parte de todo o resto, 
torna a vida desejável e não carece de nenhum outro é um bem mais perfeito do que 
qualquer outro. E a felicidade é um bem desse gênero, pois ela não é buscada em 
vista de outra coisa e sim as outras coisas é que são buscadas como meios para 
ela. 
Como mencionado na citação acima, o bem é concebido como uma virtude e 
uma prática diária direcionada à busca da excelência através do uso da razão. É 
algo tão elevado que nos conecta ao divino. Na filosofia de Aristóteles, a felicidade é 
vista como um fim em si mesma, caracterizando-se como o bem supremo, um ideal 
absoluto que se manifesta na ação. 
Segundo Aristóteles, todas as coisas tendem a um fim. Diante das ações, por 
exemplo, toda escolha e atividade visam a um bem universal que seria a felicidade. 
É certo dizer que a felicidade é o “Bem Supremo” que todas as coisas tendem. Ora, 
esse bem de que o autor fala é a arte de viver bem na Cidade. 
O sumo bem (felicidade) é algo absoluto e autossuficiente; é ainda, a 
finalidade de toda e qualquer ação. Ora, para que uma ação seja boa, 
necessariamente, deve ser também virtuosa, visto que “a felicidade é a atividade 
da alma conforme a virtude”. (ARISTÓTELES, 2004, p.29). 
A felicidade efetiva-se, pois, a partir de uma ação virtuosa. Por isso, “as 
ações virtuosas, devem ser necessariamente aprazíveis em si mesmas” 
(ARISTÓTELES, 2004, p.30). De acordo com essa passagem, é possível uma 
aproximação da tese “vida boa” ou “felicidade” com a ideia de virtude. Mas, como 
10 
 
não é fácil ser virtuoso, faz-se necessário o tempo, como espaço de aprendizagem 
da virtude, e o hábito como processo dela. 
Para Aristóteles o homem para ser considerado um ser ético, precisa ter a 
capacidade de discernir entre as coisas boas e úteis para si e as não boas, sempre 
visando o bem viver. Desta forma a prudência tem um importante papel na vida ética 
do ser humano, sendo uma disposição prática que garante a autonomia e a 
autossuficiência, para que o homem possa direcionar sua própria vida, libertando-se 
da escravidão causada pelos excessos de negligências ou paixão. 
Aristóteles (384 a.C. – 322 a.C.), nasceu em Estagira, Macedônia em 384 a.C 
e, com 17 anos, partiu para Atenas, onde começou a frequentar academia de Platão; 
é considerado um dos mais importantes filósofos gregos e o principal representante 
da terceira fase da história da filosofia grega, “a fase sistêmica”. De origem 
aristocrática, causou admiração pelo seu comportamento requintado e pela sua 
inteligência. 
Com a morte de Platão, em 347 a.C., o brilhante e famoso aluno se 
considerava o substituto natural do mestre na direção da Academia. Porém, foi 
rejeitado e substituído por um ateniense nato. Escreveu uma série de obras que 
falavam sobre política,ética, moral e outros campos de conhecimento. 
Em 343 a.C., foi convidado por Felipe II, da Macedônia para preceptor de seu 
filho Alexandre. O rei queria que seu sucessor fosse um requintado filósofo. Assim, 
como preceptor na Macedônia, durante quatro anos, Aristóteles teve a oportunidade 
de prosseguir suas pesquisas e desenvolver muitas de suas teorias. 
Quando retornou a Atenas em 355 a.C., Aristóteles decidiu fundar sua própria 
escola chamada Liceu, por estar situada no prédio dedicado ao deus Apolo Licio. 
Além dos cursos técnicos para os discípulos, dava aula ao povo em geral. No Liceu, 
estudava-se geometria, física, química, botânica, Astronomia, Matemática, etc. 
De acordo com biógrafos que realizaram traduções do original grego, língua 
falada por Aristóteles, datadas de 350 a.C. na cidade-Estado de Atenas, vemos um 
mestre preocupado em defender suas ideias e em estimular seus alunos a pensar de 
maneira mais abrangente. Sua teoria, portanto, não segue a linha contínua da obra 
de Platão, como fez seu mestre com os escritos sobre Sócrates, que não deixou 
nenhum registro escrito. Esse fato pode ter sido um dos motivos pelos quais 
Aristóteles não foi aceito como sucessor de Platão, sendo substituído por um 
ateniense nativo na liderança da Academia. No entanto, essa situação não foi 
prejudicial para Aristóteles, que, com sua vasta experiência e metodologia brilhante, 
fundou sua própria escola, o Liceu, e nos deixou um legado notável, contribuindo 
11 
 
não apenas para a filosofia, mas também para diversos campos da educação, que 
perduram até os dias atuais. 
Aristóteles (384 a.C. – 322 a.C.), mesmo há mais de dois milênios, já via a 
educação como um direito individual, algo que edificava as pessoas. Para ele, 
somente por meio da educação o homem poderia deixar de ser apenas mais um na 
multidão e assumir sua postura ética e moral diante da sociedade, tornando-se, 
assim, um cidadão com direitos e deveres, além de um membro ativo da 
comunidade em que estivesse inserido. Esse período foi crucial para que a 
sociedade grega adotasse uma “nova” abordagem educacional, levando os cidadãos 
a desenvolver um pensamento individualista e a desvincular sua concepção ética do 
Estado. Antes, o pensamento era sempre derivado das premissas gerais do Estado; 
após as contribuições de Aristóteles, passou a ser mais abrangente, permitindo que 
os cidadãos discutissem suas descobertas e ideias de maneira mais livre e comum 
entre si. Assim, uniram-se as concepções antigas da educação, centradas no poder 
educativo da pólis, e a nova perspectiva, que enfatizava a educação privada. 
A proposta de educação eficaz, na concepção aristotélica, seria a de restaurar 
o poder educativo da pólis, ou seja, seu poder legislativo sobre a educação. Assim, 
ele se situa como partidário da antiga tradição que defendia o papel do legislador em 
matérias de educação. 
Analisando-se os deveres que Aristóteles determina ao político de criar as leis 
educacionais, pode-se concluir que a função do sistema aristotélico é a formação 
integral do ser humano e do cidadão. A educação tem seu papel pautado em ensinar 
as habilidades e virtudes necessárias para a guerra e para o trabalho, mas também 
para os tempos do ócio. 
Ora, assim como qualquer bem dever ser partilhado, a felicidade (o bem em si 
mesmo), deve ser dividida com o máximo de pessoas possíveis. A melhor forma de 
partilhá-la é através da ação virtuosa, da participação política, da consciência ética e 
da sabedoria ou contemplação. Tudo isso é possível no seioda Cidade. 
A palavra central utilizada para expressar a vivência da felicidade no mundo 
grego antigo é "eudaimonia", cuja etimologia grega significa “(eu) bem disposto; 
(daimon) que tem um poder divino”. Assim, é evidente que, para os gregos, a 
felicidade é vista como uma dádiva, e para que alguém seja verdadeiramente feliz, é 
necessário usufruir ou ser favorecido por esse poder divino. 
Esse poder divino também pode ser entendido como uma motivação ou um 
desejo por um supremo bem humano: a felicidade. O filósofo afirma: "Quanto ao 
nome desse bem, parece haver um consenso entre a maioria das pessoas. Tanto os 
12 
 
comuns quanto os mais sofisticados concordam que a felicidade é o que se busca, 
pois acreditam que ser feliz é sinônimo de viver bem e ter uma boa vida. No entanto, 
em relação ao que realmente é a felicidade, há desacordo, e a maioria não a 
compreende da mesma forma que os sábios." (ARISTÓTELES. Livro I, 1095a14, 15-
30, 2009). 
Assim, percebemos que o bem, ou a felicidade, é a finalidade de todas as 
coisas. Por exemplo, a medicina tem como objetivo o bem-estar dos corpos, a 
cadeira é projetada para nos proporcionar conforto ao sentar, os óculos servem para 
melhorar nossa visão, e as roupas são feitas para nos vestir adequadamente. 
Aristóteles relaciona o bem humano à felicidade, o que implica que cada tipo de 
pessoa verá a felicidade de uma maneira distinta. 
Para Ele a maioria dos homens e os considerados mais vulgares de todos 
veem a felicidade somente no prazer e é por esse motivo que acolhem de bom 
grado uma vida dedicada a fruição e prazeres. Porém os mais sofisticados irão 
enxergá-la, na honra, na sabedoria, como os grandes sábios. Desta maneira a 
felicidade deriva do tipo de vida que o indivíduo leva. 
Os cidadãos deverão ser educados de modo fundamentalmente igual, para 
que possam ser capazes, alternadamente, de obedecer e de comandar, dado que, 
alternadamente, deverão obedecer (quando são jovens), e depois comandar 
(uma vez que tornados homens maduros). Mas, em particular, dado que é 
idêntica a virtude do cidadão bom e do homem bom, a educação deverá, 
substancialmente, ter mira naformação de homens bons, ou seja, deverá fazer com 
que se realize oideal estabelecido na ética, isto é, que o corpo viva em função da 
alma e as partes inferiores da alma em função das superiores, e, em particular, que 
se realize o ideal da contemplação. (ARISTÓTELES, 1951, p. 332). 
Segundo Aristóteles, a educação é uma orientação para a prática do bem e 
uma atividade racional que atua como reguladora das paixões, preparando o 
indivíduo para desenvolver uma consciência ética e cidadã. Assim, para que a 
felicidade na Cidade seja alcançada, é fundamental uma organização social 
radicalmente estruturada em torno da educação. 
É importante ressaltar que, ao discutir as formas que nos conduzem à 
felicidade, Aristóteles atribui grande importância à aparência, ao companheirismo e à 
família. Ele argumenta que, sem esses elementos, as chances de um homem ser 
feliz seriam significativamente reduzidas. No contexto da cultura grega em que 
Aristóteles viveu, havia uma forte valorização do belo e da perfeição, o que 
influenciava sua visão sobre o que contribui para uma vida plena e feliz. Essa ênfase 
13 
 
na estética e nas relações interpessoais reflete a crença de que a felicidade está 
intrinsicamente ligada ao ambiente social e às conexões humanas. 
O estudo da ética aristotélica realmente destaca várias formas de ser feliz, 
entre elas a prática das virtudes, que são fundamentais para o aperfeiçoamento da 
vida do homem à luz da razão. A amizade é outro aspecto crucial, pois Aristóteles 
enfatiza que ninguém pode ser verdadeiramente feliz sem amigos. Ele afirma, em 
sua obra, que “[...] ninguém há de querer viver sem amigos, mesmo todos os 
restantes dos bens. [...] Assim, tanto na miséria quanto nas desgraças, pensa-se 
sempre que os amigos são o nosso único refúgio.” 
Isso mostra que a amizade é uma virtude essencial para uma vida plena. 
Mesmo que se possua riqueza, saúde ou poder, a falta de amizade impede a 
realização completa da felicidade. Assim, Aristóteles nos ensina que as relações 
interpessoais e o cultivo de amizades são indispensáveis para a verdadeira 
felicidade. 
Segundo Aristóteles a felicidade consiste na atividadeda alma segundo as 
virtudes. Para ele, as virtudes são os moldes que orientam as ações do homem 
segundo a atividade da alma intelectual. Porém para melhor entender o conceito de 
virtude, se faz necessário que antes haja um aprofundamento do significado de 
alma. Para Ele, a alma é a forma que organiza os seres animados. O estagirista a 
define como “a alma é aquela coisa devido à qual vivemos, sentimos e pensamos”. 
Para Aristóteles, a alma é composta por duas partes: uma parte irracional, 
que se divide em vegetativa e sensível, e uma parte racional. Cada uma dessas 
partes da alma corresponde a uma virtude específica. A alma vegetativa, que é 
comum a todos os seres vivos, possui uma virtude que não é exclusivamente 
humana, relacionada ao controle das funções biológicas, como a nutrição e a 
reprodução. 
Os impulsos vitais e instintivos estão associados à parte irracional da alma, 
pois envolvem atos biológicos. No entanto, Aristóteles argumenta que esses 
impulsos podem se tornar éticos quando são guiados pela razão. Assim, a prática da 
virtude implica não apenas em controlar os instintos, mas em direcioná-los de 
maneira que estejam em harmonia com a razão, permitindo que ações biológicas se 
transformem em ações éticas. Essa integração entre a razão e os impulsos naturais 
é fundamental para o desenvolvimento moral e a busca pela eudaimonia, ou 
felicidade plena. 
O homem, sendo um ser racional, possui as virtudes em potência, ou seja, ele 
tem a capacidade de desenvolvê-las, mas isso requer um processo de atualização. 
14 
 
Essa efetivação das virtudes ocorre por meio da prática e da repetição de ações, o 
que Aristóteles chama de hábito. 
Para que as virtudes sejam incorporadas na vida do indivíduo, é essencial 
que haja uma orientação adequada, e é aqui que a educação desempenha um papel 
fundamental. A educação deve guiar os indivíduos segundo a virtude, promovendo 
um aprendizado que considere tanto o corpo quanto a alma. 
Isso significa que a educação deve ser estruturada de maneira lógica, 
favorecendo não apenas o desenvolvimento intelectual, mas também a formação 
moral e ética. Por meio de práticas educativas que valorizem a virtude, os indivíduos 
podem cultivar hábitos virtuosos, que, com o tempo, se tornam parte de sua 
natureza. Assim, a educação se torna uma ferramenta indispensável para a 
realização do potencial humano e para a busca da eudaimonia. 
A felicidade, para Aristóteles, é uma manifestação da alma em conformidade 
com as virtudes. Ele a define como eudaimonia, que vai além de um mero estado de 
prazer ou satisfação momentânea. A verdadeira felicidade é um estado duradouro 
que se realiza por meio da prática constante das virtudes. 
Aristóteles argumenta que a felicidade não é uma quimera ou um ideal 
inalcançável, mas sim um fato que se concretiza a partir de uma consciência ética e 
da participação ativa na vida política. Isso significa que a realização plena do ser 
humano está intrinsecamente ligada à prática das virtudes morais e intelectuais, que 
são cultivadas em um contexto social. 
Além disso, a participação política é fundamental, pois um indivíduo não pode 
ser verdadeiramente feliz isolado da comunidade. A vida em sociedade e o 
engajamento cívico são essenciais para o desenvolvimento das virtudes e para a 
promoção do bem comum. Assim, a felicidade aristotélica é um estado que se 
alcança através da harmonia entre a vida pessoal, a ética e a vida em comunidade. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
15 
 
7 METODOLOGIA 
 
 
A metodologia adotada para a realização do Projeto de Ensino foi 
cuidadosamente planejada para proporcionar uma compreensão profunda e crítica 
dos conceitos filosóficos abordados por Aristóteles, especialmente em sua obra 
"Ética a Nicômaco". O primeiro passo consistiu na escolha das leituras e textos que 
serviriam de base, com a inclusão de traduções clássicas e análises 
contemporâneas que pudessem enriquecer a discussão. 
As aulas foram estruturadas em um formato dialético, incentivando o diálogo e 
a troca de ideias entre os participantes. A abordagem foi centrada na construção 
coletiva do conhecimento, permitindo que os alunos se envolvessem ativamente nas 
discussões sobre o que significa viver uma vida plena e feliz. Foram realizados 
debates e rodas de conversa onde os alunos puderam expressar suas próprias 
interpretações e relacionar os conceitos aristotélicos com suas experiências 
pessoais e o contexto atual. 
Além disso, a metodologia incluiu atividades práticas que visavam conectar a 
teoria à vida cotidiana. Os alunos foram convidados a refletir sobre suas próprias 
vidas e a identificar momentos e decisões que refletissem a busca pela eudaimonia, 
conceito central na filosofia de Aristóteles que traduz a ideia de uma vida bem vivida. 
Essas reflexões foram posteriormente compartilhadas em grupos, promovendo um 
ambiente de empatia e acolhimento. 
Por meio dessa metodologia, o projeto buscou não apenas transmitir 
conhecimento, mas também incentivar os alunos a se tornarem pensadores 
autônomos, capazes de aplicar os ensinamentos de Aristóteles em suas vidas e 
questionar o que significa ser verdadeiramente feliz na contemporaneidade. Essa 
abordagem holística promoveu um ambiente de aprendizado dinâmico e 
enriquecedor, alinhado com os objetivos de formação integral dos alunos.
16 
 
8 CRONOGRAMA 
 
 
ETAPAS JUNHO JULHO AGOSTO SETEMBRO OUTUBRO 
Levantamento 
do Tema e do 
Problema 
X 
Levantamento 
bibliográfico 
X X X 
Leitura e 
realização de 
fichamentos 
X X X X 
Apresentação 
e finalização 
do Projeto 
 X X 
17 
 
9 RECURSOS 
 
 
Recursos Humanos: 
 
 Professores: Educadores de diferentes áreas como filosofia, ética, 
psicologia e educação. Esses profissionais podem trazer uma perspectiva 
ampla sobre o tema da felicidade. 
 Alunos: Os próprios alunos são recursos humanos valiosos. A interação 
entre eles pode gerar debates e reflexões profundas sobre o tema. 
 Convidados: Palestrantes ou especialistas convidados, como filósofos 
contemporâneos ou professores universitários, que possam oferecer uma 
visão atualizada sobre o pensamento aristotélico. 
 
Recursos Materiais: 
 Literatura: Textos de Aristóteles, especialmente a "Ética a Nicômaco", e 
outras obras que discutam o conceito de felicidade e ética, além de textos 
contemporâneos que comentem suas ideias. 
 Materiais Audiovisuais: Documentários, vídeos e palestras que explorem a 
filosofia de Aristóteles e suas implicações sobre a felicidade. 
 Recursos Tecnológicos: Computadores e projetores. 
 Espaço Físico: Salas de aula, auditórios ou espaços ao ar livre onde as 
discussões e atividades em grupo pudessem ocorrer de forma confortável.
18 
 
10 AVALIAÇÃO 
 
 
A avaliação ao longo do Projeto de Ensino será um processo contínuo e 
multifacetado, permitindo que os educadores identifiquem e acompanhem o 
desenvolvimento dos alunos de maneira holística. Este projeto foi elaborado com o 
objetivo de avaliar alguns aspectos em sala de aula, como: de que maneira os 
alunos compreendem o telos proposto por Aristóteles em sua obra “Ética a 
Nicômaco” e como aplicam esse conceito em seu cotidiano. Além disso, buscamos 
entender como reagiram às atividades subsequentes, especialmente em relação às 
indagações feitas durante e ao final de cada tema apresentado. Isso estimularia 
discussões sobre os assuntos abordados e promoveria diversas trocas de 
experiências, uma vez que os alunos – mesmo que involuntariamente – trariam à 
tona situações de suas vidas fora do ambiente escolar, seja em casa, em momentos 
de lazer, entre outros. 
Assim, foi elaborado um portfólio que nos permitiu avaliar os alunos a cada 
aula, considerando sua participação individual ou em grupo e a forma como lidaram 
com as "situações-problemas" apresentadas. Também registramos as mudanças 
que cada aluno experimentou a partir do conhecimentoadquirido nas atividades. 
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CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
 
Ao final deste Projeto de Ensino pode-se concluir que, atualmente, a 
felicidade é buscada por muitas pessoas através da conquista de altos cargos e 
bens materiais, o que resulta em um consumismo exacerbado e alienante. Isso faz 
com que as pessoas se tornem escravas de uma mídia que ensina e propaga o 
individualismo e a competitividade como pilares fundamentais para alcançar essa 
falsa felicidade. 
Segundo o filósofo Aristóteles, a finalidade última da vida humana é alcançar 
a felicidade, ou "eudaimonia". Para que o ser humano atinja essa felicidade, é 
essencial que viva de maneira racional, o que significa viver segundo a virtude, ou 
"aretê". A virtude é entendida como a disposição de um indivíduo para praticar o 
bem, não se limitando a uma simples característica, mas representando uma 
verdadeira inclinação. As virtudes são, portanto, os hábitos constantes que orientam 
o homem no caminho do bem. 
A eudaimonia aristotélica estabelece as condições para que o ser humano 
alcance a felicidade, fundamentando-se nos princípios da racionalidade. Para 
Aristóteles, o justo meio é o principal caminho que leva o homem a esse bem 
supremo, pois ele deve buscar a mediania nas coisas, evitando os vícios que 
resultam da falta ou do excesso. 
Diante do exposto, é claro que, para Aristóteles, a felicidade é o bem supremo 
que todos os seres humanos almejam. Para alcançá-la, é fundamental seguir um 
caminho pautado pelas virtudes, que orientam o indivíduo na direção correta. No 
entanto, essas virtudes devem ser equilibradas. Assim, para o filósofo, a ética se 
configura como essa busca pela felicidade, que se realiza por meio de ações 
virtuosas, equilibradas e vividas em harmonia dentro da polis. 
Este Projeto de Ensino contribuiu significativamente para enriquecer meus 
conhecimentos, pois pude perceber que a dialética aristotélica, ensinada e aplicada 
séculos atrás, continua relevante. A felicidade pode ser mais do que um simples 
sentimento; ela pode surgir da satisfação em cumprir a finalidade do sujeito neste 
plano, considerando suas contribuições para a sociedade e a reciprocidade que ele 
experimenta a cada vez que pratica e vivencia seu telos. 
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REFERÊNCIAS 
 
ABBAGNANO, N. Dicionário de Filosofia. Tradução de Alfredo Bossi e Ivone 
Castilho Benedetti. 5ª. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2007. 
 
ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco/Aristóteles; Tradução do Grego de António de 
Castro Caeiro. São Paulo: Atlas, 2009. 
 
ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. Traduzido por Maria Stephania da Costa Flores. - 
Jandira, SP: Principis, 2021. 
 
BLACKBURN, Simon. Dicionário Oxford de Filosofia. Consultoria da edição brasileira, 
Danilo Marcondes. Tradução de Desidério Murcho ... et al. Rio de Janeiro: Zahar, 
1997. 
 
BITTAR, Eduardo. C.B. A justiça em Aristóteles. Riode Janeiro. Forense Universitária, 
2001 
 
CHAUÍ, Marilena. Convite a Filosofia. São Paulo: Ática, 2004. 
 
CHAUÍ, Marilena. Introdução à História da Filosofia/ Vol. 1. São Paulo: Companhia das 
Letras, 2002. 
 
LOPES, Hugo. As virtudes do homem bom: Um paralelismo entre Platão e Aristóteles. 
Universidade da Beira Interior, Covilhã - Portugal, 2014. 
 
PEGORARO, Olinto A. Ética dos maiores mestres através da história. Petrópolis: 
Vozes, 2011. 
 
REALE, Giovanni. História da Filosofia Antiga: II Platão e Aristóteles. Trad. Henrique 
Cláudio de Lima Vaz e Marcelo Perine. São Paulo: Loyola, 1994. pp. 405 a 431. 
 
 
 
 
 
	INTRODUÇÃO
	1 TEMA
	2 JUSTIFICATIVA
	3 PARTICIPANTES
	4 OBJETIVOS
	5 PROBLEMATIZAÇÃO
	6 REFERENCIAL TEÓRICO
	7 METODOLOGIA
	8 CRONOGRAMA
	9 RECURSOS
	10 AVALIAÇÃO
	CONSIDERAÇÕES FINAIS
	REFERÊNCIAS

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