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UNIVERSIDADE ESTADUAL DO OESTE DO PARANÁ - UNIOESTE CENTRO DE EDUCAÇÃO, COMUNICAÇÃO E ARTES - CECA NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA - NEaDUNI CURSO LETRAS - LÍNGUA PORTUGUESA E LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS - LIBRAS - TRADUÇÃO E INTERPRETAÇÃO - BACHARELADO IONE CORDEIRO FERNANDES THIAGO RAFAEL MAZZAROLLO AVALIAÇÃO DE COMPETÊNCIAS LINGUÍSTICAS EM BANCAS AVALIATIVAS DE TILSP NO ESTADO DO PARANÁ: SISTEMATIZAÇÃO DE EQUIVALÊNCIA CASCAVEL (PR) 2023 IONE CORDEIRO FERNANDES THIAGO RAFAEL MAZZAROLLO AVALIAÇÃO DE COMPETÊNCIAS LINGUÍSTICAS EM BANCAS AVALIATIVAS DE TILSP NO ESTADO DO PARANÁ: SISTEMATIZAÇÃO DE EQUIVALÊNCIA Trabalho de Conclusão do Curso no formato de artigo científico apresentado ao Curso de Letras - Língua Portuguesa e Língua Brasileira de Sinais - Libras - Tradução e Interpretação - Bacharelado, como requisito parcial para aprovação na componente curricular de TCC II. Professor(a) orientador(a): Me. Jaqueline Angelo dos Santos Denardin CASCAVEL (PR) 2023 Ione Cordeiro Fernandes Thiago Rafael Mazzarollo AVALIAÇÃO DE COMPETÊNCIAS LINGUÍSTICAS EM BANCAS AVALIATIVAS DE TILSP NO ESTADO DO PARANÁ: SISTEMATIZAÇÃO DE EQUIVALÊNCIA Trabalho de Conclusão do Curso de Letras - Língua Portuguesa e Língua Brasileira de Sinais - Libras - Tradução e Interpretação, Bacharelado, do Centro de Educação, Comunicação e Artes (CECA), do Núcleo de Educação a Distância da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (NEaDUNI/Unioeste), campus de Cascavel, apresentado como requisito parcial de aprovação na componente curricular de TCC II, aprovado na data de 10 de fevereiro de 2023 com a nota 100 atribuída pela Banca Examinadora composta por: ______________________________________ Prof. Jaqueline Angelo dos Santos Denardin Universidade Estadual do Oeste do Paraná - UNIOESTE (Orientadora) ________________________________________ Prof. Tânia Aparecida Martins Universidade Estadual do Oeste do Paraná - UNIOESTE _______________________________________ Prof. Valdenir de Souza Pinheiro Universidade Estadual do Oeste do Paraná - UNIOESTE AVALIAÇÃO DE COMPETÊNCIAS LINGUÍSTICAS EM BANCAS AVALIATIVAS DE TILSP NO ESTADO DO PARANÁ: SISTEMATIZAÇÃO DE EQUIVALÊNCIA Ione Cordeiro Fernandes - ionecordeirofernandes@gmail.com Thiago Rafael Mazzarollo - thiago.mazzarollo@ufpr.br Orientadora: Jaqueline Angelo dos Santos Denardin - jaquelineasdenardin@gmail.com RESUMO: O presente trabalho visa identificar as competências e habilidades exigidas pelas Bancas Avaliadoras para Tradutores Intérprete de Libras (TILSP), bem como, apresentar uma sistematização de um quadro de competências linguística tendo como parâmetro o Quadro Europeu de referências das línguas, utilizado para verificação de proficiência em determinadas línguas orais pelo mundo. Para este estudo, foram consideradas as bancas de avaliação realizadas por duas instituições do Estado do Paraná, sendo, Centro de Apoio ao Surdo e aos Profissionais da Educação de Surdos (CAS - PR) e Federação Nacional e Integração dos Surdos (FENEIS- PR). A metodologia considerou a pesquisa bibliográfica em base de dados e material bibliográfico produzido sobre a temática, análise documental a partir de fichas avaliativas e editais de bancas das instituições selecionadas. Pode-se concluir que tal pesquisa é de extrema relevância para os profissionais que atuam como TILSP, bem como, auxiliar as instituições que realizam tal avaliação no que tange o processo e critérios que devem ser observados na avaliação. PALAVRAS-CHAVE: Banca de Avaliação; Tradutor Intérprete de Libras; Quadro de referência de Competências Linguísticas da Libras. 1 INTRODUÇÃO No Brasil a profissão do Tradutor Intérprete de Libras - Língua Portuguesa (TILSP)1 é historicamente recente, a Lei que regulamenta o exercício desta profissão é de 2010. Neste sentido, faz-se necessário discutir como esse profissional é avaliado pelas suas competências no uso da língua. De acordo com a Lei nº 12.319/2010, O exame de proficiência em Tradução e Interpretação de Libras - Língua Portuguesa deve ser realizado por banca examinadora de amplo conhecimento dessa função, constituída por docentes surdos, linguistas e tradutores e intérpretes de Libras de instituições de educação superior (BRASIL, 2010) Até o ano de 2015, no Brasil, os candidatos que pretendiam trabalhar como Professor de Libras ou Tradutor Intérprete de Libras (TILS), eram submetidas a uma avaliação que certificava o candidato para a atuar no ensino ou na tradução e interpretação da Libras. Este exame acontecia nas capitais e em grandes centros urbanos. No estado do Paraná, as duas 1 Neste trabalho, usaremos a sigla TILSP para referir-se ao profissional Tradutor Intérprete de Libras - Língua Portuguesa, uma vez que toda pesquisa e estudo está voltado ao profissional que atua diretamente com a Língua Portuguesa/Brasileira. mailto:ionecordeirofernandes@gmail.com mailto:thiago.mazzarollo@ufpr.br mailto:jaquelineasdenardin@gmail.com cidades que sediaram essa certificação foram: Maringá, localizada na região noroeste do Paraná e em Curitiba, a capital do referido estado. Este certame era organizado em parceria entre a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e o Ministério da Educação (MEC). A certificação de proficiência na Tradução e Interpretação da Libras-Português-Libras (Prolibras) era um Exame de nível Nacional, que certificava pessoas surdas ou ouvintes fluentes, com ensino superior ou ensino médio completo. Os certificados obtidos pelo Prolibras asseguravam a competência no uso e no ensino de Libras ou na tradução e interpretação da língua, sendo aceitos por instituições de educação superior ou básica. O exame era dividido em duas etapas: prova objetiva e prova prática. Para TILSP, a primeira é composta por 20 questões de múltipla escolha sobre a compreensão da Libras, a segunda etapa prática, onde eram avaliados o processo de tradução e interpretação dos candidatos na modalidade simultânea. Para este certame, no edital era possível identificar os critérios avaliados e, por ser um exame nacional, havia equidade na avaliação pelo comitê responsável. Com o fim do Prolibras, instituições estaduais e entidades de reconhecida nacionalmente passaram a avaliar e certificar estes profissionais. No Estado do Paraná, atualmente, há duas instituições que realizam periodicamente e por vezes itinerante, bancas de proficiência, são essas: os Centros de Apoio ao Surdo e aos Profissionais da Educação de Surdos - CAS/PR com sede nas seguintes cidades: Apucarana, Cascavel, Guarapuava, Umuarama, Francisco Beltrão e Curitiba, mantidos pela Secretaria do Estado da Educação do Paraná e Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos - FENEIS - PR, entidade filantrópica sem fins lucrativos com sede em Curitiba - PR. As certificações de proficiência emitida por estas instituições habilitam os TILSP a atuarem em escolas e instituições de educação básica pública e privada de todos os níveis, como também possibilita a atuação em outros setores públicos e privados, nos quais requerem a oferta de atendimento e acesso aos surdos. O que denota uma maior necessidade de exigência e competência linguística desses profissionais. Vale destacar que em ambas as instituições o profissional pode ser aprovado em categorias distintas, sendo apto sem necessidade de realização de nova banca, apto com necessidade de avaliação futura (até dois anos) e inapto, quando não há condições básicas de aprovação. Para este trabalho, buscou-se por meio das análises de fichasavaliativas, editais e informações públicas disponíveis nas redes sociais, verificar o que as instituições tomam como referência para avaliar os candidatos a TILSP. Neste sentido, o que motivou a pesquisa é a proposição de uma ferramenta que auxilie as instituições que realizam avaliações que atendam padrões de excelência e são internacionalmente reconhecidas, fator que exige maior profissionalização e habilidades linguísticas dos Tradutores Intérpretes de Libras. 2 METODOLOGIA Para que essa pesquisa de cunho bibliográfico documental fosse possível, algumas etapas metodológicas foram definidas, a saber: I) Levantamento bibliográfico a respeito da temática. Para esta etapa, busca em plataformas digitais: Scientific Electronic Library Online, Portal da CAPES, ScienceResearch.com e Minha Biblioteca. As chaves de buscas foram: Profissão Tradutor Intérprete de Libras; Bancas de avaliação de Intérprete de Libras; Competência Linguística de Intérprete de Libras e Nivelamento linguístico. Além destas plataformas digitais, livros em formato digital e impresso que apresentam capítulos correlatos ao assunto. II) Análise dos dados. Para esta etapa, foi solicitado à coordenação do curso de Letras Libras Bacharelado uma carta de apresentação contendo os nomes dos pesquisadores responsáveis para que fosse enviado às instituições que realizam as bancas de Proficiência os itens que são avaliados em cada nível de enquadramento. Com os dados, uma tabela foi organizada para análise e discussão dos dados, verificando o que as instituições têm em comum nos seus vários níveis. III) Proposição de adequação do Quadro Europeu Comum de Referência de Línguas considerando a Língua Brasileira de Sinais - Libras e sua especificidade. 3 TRADUÇÃO E INTERPRETAÇÃO: FORMAÇÃO E PROFISSIONALIZAÇÃO A tradução e a interpretação acompanham a sociedade desde os primórdios das pequenas civilizações. A interpretação de figuras e de registros trouxeram muitas informações sobre nossos antepassados, por isso, não é possível afirmar que a função dos tradutores intérpretes é recente historicamente. Nesta pesquisa, será evidenciada a figura do Tradutor Intérprete de Libras - Língua Portuguesa. A história dos tradutores intérpretes de línguas de sinais em vários países, apresentam muita semelhança, assim como afirma Quadros: Em vários países há tradutores e intérpretes de língua de sinais. A história da constituição deste profissional se deu a partir de atividades voluntárias que foram sendo valorizadas enquanto atividade laborais na medida em que os surdos foram conquistando o seu exercício de cidadania (QUADROS, 2004, p. 13). No Brasil, a resistência destes profissionais se deu principalmente nas instituições religiosas. Muitos profissionais que atuam ainda hoje vêm destes locais. Algumas religiões inclusive investem muito na formação em tradução e interpretação. É de extrema importância deixar claro alguns termos que são mencionados nesta pesquisa: Quadro 01 - Terminologias Termo Significado Intérprete Pessoa que interpreta de uma língua (língua fonte) para outra (língua alvo) o que foi dito. Tradutor-Intérprete Pessoa que traduz e interpreta o que foi dito e/ou escrito. Tradutor Intérprete É o profissional que traduz e interpreta o que foi dito ou até mesmo escrito, Intérprete de Libras É o profissional que interpreta de uma dada língua de sinais para outra língua,ou desta para outra determinada língua de sinais; Tradutor Intérprete de Língua de Sinais Realiza a tradução e a interpretação de línguas de sinais para a língua falada e vice e versa e essa pode ser em em duas modalidades a simultânea que é realizada ao mesmo tempo os discursos e a consecutiva realiza posterior o discurso onde o intérprete pode buscar referências para a tradução. Tradutor Pessoa que traduz de uma língua para outra. Tecnicamente, a tradução refere-se ao processo envolvendo pelo menos uma língua escrita. Assim, tradutor é aquele que traduz um texto escrito de uma língua para a outra. Fonte: QUADROS, 2004. Adaptação: Fernandes, Souza, Mazzarollo, 2022. Para Alves e Pagura (2002), tanto na tradução quanto na interpretação pode-se perceber que as pressuposições contextuais existentes formam a base dos processos inferenciais nos dois processos. “Tanto a interpretação quanto a tradução podem ser vistas como processos que fazem parte do espectro de processos inferenciais humanos e podem ser explicadas como parte de uma visão mais ampla da comunicação humana” (ALVES e PAGURA, 2002, p. 76). Logo, o TILS precisa ter domínio igualmente dos idiomas de trabalho e do assunto por parte do profissional que realiza o ato interpretativo, pois assim os sujeitos surdos conseguirão entender a mensagem que está sendo transmitida. O intérprete, no entanto, tem de ter pleno domínio das formas de expressão oral de ambos os idiomas sempre com o máximo de fidelidade e maior domínio das línguas, do assunto, da cultura-fonte e da cultura-alvo, sendo imparcial. De acordo com Quadros (2004), é possível identificar seis categorias para analisar o processo de interpretação, que são as competências de um profissional tradutor/intérprete; 1 Competência linguística, 2 Competência para transferência, 3 Competência metodológica, 4 Competência na área, 5 Competência bicultural, 6 Competência técnica. Assim, para que o Profissional Intérprete de Libras adquira as competências necessárias a FENEIS indica que os interessados devem frequentar cursos de língua de sinais e conviver com pessoas surdas nas associações, para desenvolverem um uso efetivo da língua em situações de comunicação concretas. Visto que apenas conhecer a Libras (sinais e seus equivalentes) não é suficiente, sendo necessário ter boa fluência para poder interpretar, versando os sentidos do Português para a Libras e vice-versa. Defende-se que o profissional intérprete deva ter domínio da Libras e as técnicas de interpretação, mantendo sua postura ética profissional, atento ao vestuário, “aparência pessoal, iluminação, local, fundo visual, barulhos laterais, acomodações, posição natural para sinalizar, tempo de interpretação, expressões faciais, uso do alfabeto manual, tautologia, expressões idiomáticas, possíveis distrações e outros” (FENEIS, 2009). Segundo LACERDA (2010, p.148), a formação específica como TILS qualifica o profissional para o trabalho e deve envolver aspectos mais gerais como o conhecimento aprofundado das línguas envolvidas nos processos tradutórios para além de seus aspectos linguísticos e/ou gramaticais, domínio de diversas formas de dizer em cada uma das línguas considerando a pluralidade de contextos e de sentidos possíveis, fidelidade aos sentidos e aos modos de enunciá-los em cada uma das línguas. Considerando toda a especificidade que envolve a atuação do profissional Tradutor Intérprete de Libras, é necessário e exigido que este, apresente sempre que concorrer a uma vaga de trabalho ou participe de seleções, documentos que comprovem a sua fluência e qualificação profissional. 4 BANCAS DE AVALIAÇÕES NO ESTADO DO PARANÁ E COMPETÊNCIAS EXIGIDAS No Estado do Paraná, os Centros de Apoio ao Surdo e aos Profissionais da Educação de Surdos - CAS e a Federação Nacional de Educação e Integração de Surdos - FENEIS/PR, ofertam regularmente cursos e bancas para profissionais para atuarem no Ensino de Libras ou na Tradução e Interpretação. Essas bancas são compostas por profissionais vinculados a instituições ou convidados com formação e experiência na área. Para essas avaliações são observadas algumas competências das quais foram evidenciadas por meio de documentos disponibilizados pelas próprias instituições e em sua maioria, documentos de acesso livre, disponibilizados em sites próprios. A FENEIS, fundada em 1987, é uma entidade de caráter filantrópico, sem fins lucrativos, cujoobjetivo é de representar e defender os interesses sociais, educacionais e políticos da Comunidade Surda. Atualmente a FENEIS conta com sede em 06 estados, tendo no Paraná uma sede na Capital Curitiba. As bancas organizadas pela instituição ocorrem na própria sede, como também de maneira itinerante e muitas vezes há oferta de curso preparatório. Para participação nas bancas é voluntário e o candidato ao se inscrever faz o pagamento da taxa de inscrição. Os Centros de Apoio ao Surdo e aos Profissionais da Educação de Surdos - CAS2, são mantidos pela Secretaria de Educação do Estado do Paraná - SEED/PR, e estão localizados nas seguintes cidades: CAS - Norte Apucarana, CAS - Oeste Cascavel, CAS - Centro Oeste Guarapuava, Umuarama, CAS - Sudoeste Francisco Beltrão e CAS- Leste Curitiba, atendendo todas as regiões e os 399 municípios do estado. A proposta do CAS é, além de garantir atendimento especializado e suporte educacional às escolas e colégios do Paraná, a oferta de cursos e realização regular de bancas de avaliação para Professores Bilíngues e para Tradutor Intérprete de Libras. As bancas são de participação voluntária, mediante inscrição gratuita do candidato. Para esta pesquisa, foram analisados os editais, materiais de divulgação e fichas de avaliação de ambas as instituições. Todo material foi solicitado mediante apresentação de carta de apresentação dos pesquisadores, assinada pela orientadora do trabalho. Porém, não foi possível analisar as fichas avaliativas da FENEIS, uma vez que a mesma não disponibilizou tais materiais, mesmo mediante comprovação de interesses para pesquisas. Neste sentido, as pesquisas tomaram como base apenas os editais e documentos disponibilizados em sites e redes sociais oficiais. Após as análises e avaliações dos documentos, foi possível identificar alguns pontos semelhantes e divergentes que são avaliados pelos membros das bancas das duas instituições. Elementos estes que subsidiam a discussão e a necessidade da proposição da tabela comparativa. I) Pontos semelhantes: O formato das bancas é em etapa única, dividida em momentos para a) apresentação pessoal; b) conhecimentos teóricos; c) atuação na tradução e interpretação simultânea; d) tradução e interpretação consecutiva. É possível identificar que o foco maior nas bancas está na atuação do profissional para a área da Educação. Em ambas as bancas foi observado a necessidade de conhecimentos extralinguísticos, ou seja, conhecimento a respeito da educação de surdos, identidade surda e entre outros conhecimentos que envolvem a 2 Criado sob o Resolução nº 5844/2017 GS/SEED comunidade, educação, história do povo surdo. As avaliações têm duração média entre 20-30 minutos. Pontos divergentes: Percebe-se que as duas Bancas possuem alguns pontos divergentes no que se refere ao pagamento de Inscrição para participar da Avaliação na FENEIS - PR, da qual cobra-se uma taxa de R$170,00, enquanto no CAS- PR, a inscrição é gratuita. As Bancas CAS- PR possuem como foco principal o contexto educacional com as interpretações específicas em conteúdo das disciplinas escolares, enquanto as Bancas FENEIS - PR podem abranger diferentes contextos como (temas da atualidade, profissional, do cotidiano e atuação nos mais diversos âmbitos da sociedade). O CAS - PR, atribui notas isoladas para cada item de contexto avaliado. no final é feito a somatória dos pontos e dependendo do percentual, o candidato pode enquadrar-se em três níveis, a saber: TILS - Nível I (80% - 100%), TILS - Nível II (60% - 79%) e TILS Inapto (0% - 59%). o candidato aprovado em nível I, não é necessário realizar novos exames, já o aprovado em nível II, faz-se necessário nova candidatura a avaliação até dois anos após a última banca realizada. Vale destacar que em ambos os níveis, a instrução é que os candidatos aprovados ou não, permaneçam sempre buscando cada vez mais aprofundar seus conhecimentos. Portanto, é evidenciado que muitas vezes os critérios utilizados ficam focados ou apenas analisados pela atuação do profissional em uma determinada área de atuação. Após as análises e discussões do grupo, ficou evidente que não há um padrão, ou um documento que regulamenta ou instrui a avaliação efetiva do conhecimento linguístico. Neste sentido, a proposta da pesquisa pretende apresentar uma sistematização de elementos a serem considerados, assim como os avaliados pelas línguas orais. Cabe destacar que o objetivo da pesquisa, não é de criticar ou desconstruir o trabalho realizado pelas instituições, mas sim, discutir outras maneiras e possibilidades de avaliação dos profissionais que atuam com TILSP. 5 SISTEMATIZAÇÃO: COMPETÊNCIAS LINGUÍSTICAS DO TRADUTOR INTÉRPRETE DE LIBRAS O Quadro Europeu Comum de Referência de Línguas, conhecido como Common European Framework of Reference for Languages (CEFR), é considerado um padrão internacionalmente reconhecido que é utilizado para descrever a proficiência em uma determinada língua (BRITISH COUNCIL, 2020). Este quadro, considera a língua na modalidade escrita e falada. A proposta da pesquisa é adaptar levando em conta as duas modalidades que a língua se apresenta, ou seja, competência quanto a tradução e interpretação da Libras-Língua Portuguesa-Libras. As Categorias estão divididas em três e cada uma é subdividida em outras duas categorias. Neste quadro, encontra- se já a proposta, considerando as adequações para a Libras. Quadro 02 - Quadro de referência de Língua de Sinais - modalidade de Tradução e Interpretação3 Categoria Nível Competência Língua Falada Competência Libras A Básico A1 Iniciante É capaz de compreender e usar expressões familiares e cotidianas, assim como enunciados muito simples, que visam satisfazer necessidades concretas. Pode apresentar-se e apresentar outros e é capaz de fazer perguntas e dar respostas sobre aspectos pessoais como, por exemplo, o local onde vive, as pessoas que conhece e as coisas que tem. Pode comunicar de modo simples, se o interlocutor falar lenta e distintamente e se mostrar cooperante. Deverá ser capaz de: I) Realizar corretamente os parâmetros, sendo: a) CM - Forma da mão b) PA - Ponto correspondente c) M - Adequado d) Or - Posição da mão e) ENM - Quando necessário II) Uso adequado do espaço; III) Datilologia na produção e na percepção de maneira fluida; IV) compreender e usar sinais familiares e de uso cotidiano para manter uma fluidez na comunicação; V) Apresentar-se a apresentar os outros; VI) Elaborar e responder perguntas sobre assuntos pessoais e de ambientação; VII) Comunicar-se de modo simples se o interlocutor sinalizar de maneira lenta e cooperante, respeitando o nível de avaliação. A2 Básico É capaz de compreender frases isoladas e expressões frequentes relacionadas com áreas de prioridade imediata (p. ex.: informações pessoais e familiares simples, compras, meio circundante). É capaz de comunicar em tarefas simples e em rotinas que exigem apenas uma troca de informação simples e direta sobre assuntos que lhe são familiares e habituais. Pode descrever de modo simples a sua formação, o meio circundante e, ainda, referir assuntos relacionados com necessidades imediatas. Deverá ser capaz de: I) Reconhecer a diferença de números cardinais, ordinais e de quantidade; II) Se expressar e relatar situações cotidianas com maior número de detalhes; III) Emitir informações e avisos de ações operacionais; IV)Compreender frases isoladas e expressões frequentes relacionadas com áreas de prioridade imediata (p. ex informações pessoais e familiares simples, compras, meio circundante). B Independen- te B1 Intermediário É capaz de compreender as questões principais, quando é usada uma linguagem clara e estandardizada e os assuntoslhe são familiares (temas abordados no trabalho, na escola e nos momentos de lazer, etc.). É capaz de lidar com a maioria das situações encontradas na região onde se fala a língua-alvo. É capaz de produzir um discurso simples e coerente sobre assuntos que lhe são familiares ou de interesse pessoal. Pode descrever experiências e eventos, sonhos, esperanças e ambições, bem como expor Deverá ser capaz de: I) Compreender com clareza assuntos que são familiares e utilizados cotidianamente; II) Habilidade, fluência e fluidez no uso e percepção da datilologia; III) Produção e tradução de pequenos discursos e narrativas; IV) descrever experiências, eventos, sonhos, esperanças e ambições, bem como expor brevemente razões e justificativas para uma opinião ou um projeto particular ou em grupo; 3 No quadro, foram considerados os elementos que constituem a língua em uso para a tradução e interpretação. As questões éticas do profissional são elementos extralinguísticos não evidenciados. brevemente razões e justificações para uma opinião ou um projeto. V) Capaz de expor ideias sobre assuntos do cotidiano, atribuindo valores e opiniões. VI) lidar com situações encontradas na região/comunidade usuária da língua; VII) utilizar figuras de linguagem e identificar o uso coloquial e de gírias. B2 Usuário Independente É capaz de compreender as ideias principais em textos complexos sobre assuntos concretos e abstratos, incluindo discussões técnicas na sua área de especialidade. É capaz de comunicar com certo grau de espontaneidade com falantes nativos, sem que haja tensão de parte a parte. É capaz de exprimir-se de modo claro e pormenorizado sobre uma grande variedade de temas e explicar um ponto de vista sobre um tema da atualidade, expondo as vantagens e os inconvenientes de várias possibilidades. Deverá ser capaz de: I) Compreender ideias principais de discursos sinalizados complexos sobre assuntos específicos, concretos e abstratos, incluindo discussões técnicas de diferentes áreas; II) Comunicar com certo grau de espontaneidade como sinalizantes nativos, sem que haja desconforto ou tensão entre os envolvidos e dificuldade de ambas as partes no ato comunicacional; III) Exprimir ponto de vista sobre temas da atualidade, expondo vantagens e os inconvenientes de várias possibilidades; IV) Compreender e executar quando necessário o uso de classificadores como estratégia no ato comunicacional; V) Identificar e compreender o uso de metáforas e expressões idiomáticas da língua em uso. C Proficiente C1 Proficiência operativa eficaz É capaz de compreender um vasto número de textos longos e exigentes, reconhecendo os seus significados implícitos. É capaz de se exprimir de forma fluente e espontânea sem precisar procurar muito as palavras. É capaz de usar a língua de modo flexível e eficaz para fins sociais, acadêmicos e profissionais. Pode exprimir-se sobre temas complexos, de forma clara e bem estruturada, manifestando o domínio de mecanismos de organização, de articulação e de coesão do discurso. Deverá ser capaz de: I) Compreender longos discursos sinalizados reconhecendo os seus significados implícitos; II) Exprimir de maneira fluente e espontânea sem precisar procurar muitos sinais ou palavras; III) Utilizar a língua de modo flexível e eficaz considerando os diferentes públicos ou locais ou áreas de atuação; IV) Exprimir sobre temas complexos, de forma clara e bem estruturada, manifestando o domínio de mecanismos de organização, de articulação, coesão do discurso e possibilidades tradutórias específicas. C2 Domínio Pleno É capaz de compreender, sem esforço, praticamente tudo o que ouve ou lê. É capaz de resumir as informações recolhidas em diversas fontes orais e escritas, reconstruindo argumentos e fatos de um modo coerente. É capaz de se exprimir espontaneamente, de modo fluente e com exatidão, sendo capaz de distinguir finas variações de significado em situações complexas. Capaz de: I) Compreender sem esforço, praticamente tudo o que é sinalizado (vê em Libras); II) Sinaliza sem dificuldade e se expressa de maneira clara sem dificuldades nas escolhas lexicais; III)Compreende, sem esforços, praticamente tudo que lê ou ouve em português com finalidade de tradução ou interpretação para Libras; IV) Resumir sem perder a qualidade de informações recolhidas em diversas fontes em Libras, oral e escrita, reconstruindo argumentos e fatos de um modo coerente e compreensível em ambas as línguas; V) Exprimir espontaneamente em Libras, de modo fluente e com exatidão, sendo capaz de distinguir finas variações de significado em situações complexas. fonte:https://www.britishcouncil.org.br/quadro-comum-europeu-de-referencia-para-linguas-cefr Adaptação: Fernandes, Mazzarollo e Martins 2022. Neste ensaio de sistematizar uma proposta de organização e adaptação do Quadro Europeu Comum de Referência de Línguas, é possível identificar os elementos e critérios que devem ser observados durante a avaliação pelos membros da banca. Na coluna que compete a Língua Brasileira de Sinais, a proposta foi de trazer os elementos tanto da tradução quanto da interpretação em ambas as modalidades, ou seja, da Língua Portuguesa-Libras-Língua Portuguesa. A proposta do quadro, pode ainda ser empregada não apenas aos conhecimentos dos profissionais que atuam como TILSP, mas podem também subsidiar uma avaliação dos conhecimentos que um surdo usuário da Libras tem sobre a sua língua, não no sentido apenas da língua em uso, mas no reconhecimento das mais diferentes formas de uso e de expressão da mesma. Tal proposta, pretende-se validar em uma banca de avaliação do Centro de Línguas da Universidade Estadual do Oeste do Paraná - Campus de Toledo, para alunos matriculados nos Cursos de Libras oferecidos por este programa. 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS Considera-se no final desta etapa de pesquisa a necessidade de aprofundar ainda mais discussões como esta. É de extrema relevância e observa uma escassez de estudos referente a esta etapa da formação e profissionalização dos Tradutores Intérpretes de Libras. Apesar da expansão dos estudos da Tradução e Interpretação de Libras, no Brasil e a regulamentação da Profissão do Tradutor e Intérprete desde o ano de 2010, ainda temos muito que avançar no quesito formação de TILSP , então a participações em cursos de Libras e formações continuadas precisam fazer parte dos estudos dos profissionais Tradutores Intérpretes, pois a Libras é uma língua que está em constante mudanças e desenvolvimento, surgindo sempre novos sinais e possíveis estratégias de interpretações, assim o profissional sente apto para exercer seu papel na sociedade que é o de atuar no processo de interação, garantindo a comunicação e possibilitando o acessos dos surdos nos mais diversos espaços. A área da surdez demanda cada vez mais de profissionais especializados e capacitados, faz-se necessário a importância dos cursos profissionalizantes com ênfase na tradução e https://www.britishcouncil.org.br/quadro-comum-europeu-de-referencia-para-linguas-cefr interpretação de Libras para o Português e vice e versa, e avaliação do seu desempenho por instituições que representam com legalidade essa categoria e não apenas no contexto educacional. Portanto, a ideia de trazer a discussão da avaliação das bancas dos Profissionais Tradutores Intérprete de Libras se faz muito necessário no atual cenário que estamos vivendo, principalmente no que tange a atuação e os quesitos necessários para avaliar a língua em uso. O processo de construção e adequação do quadro, considerou a especificidade da Libras, uma vez que o quadro organizado “originalmente”, consideraas línguas na modalidade escrita e falada. Ainda é possível aprofundar as pesquisas sobre esta temática, o que viabiliza horizontes para outros trabalhos que podem vir. Durante todo processo, foi possível identificar poucas pesquisas sobre tal temática, mostrando a importância da continuidade deste estudo. REFERÊNCIAS ALVES, F. e R. PAGURA. 2002. The Interfaces between Written Translationand Simultaneous Interpretation: Instances of Cognitive Management with a Special Focus on the Memory Issue.In: Proceedings of the XVI FIT World Congress. Vancouver, Canadá.Disponível em: .https://www.scielo.br/j/delta/a/46vXjxRxNSgjjK73DyHjbHD/?lang=pt Acessado em: 28/06/2022 BRASIL, Lei 12.319. Regulamenta a profissão de Tradutor e Intérprete da Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS, Diário Oficial da União, Brasília, 01 de setembro de 2010. BRITISH COUNCIL, 2020 Quadro Europeu Comum de Referência de Línguas Disponível em: https://www.britishcouncil.org.br/quadro-comum-europeu-de-referencia-para-linguas-cefr Acessado em: 30/06/2022. FENEIS. Federação Nacional de Educação e Instrução de Surdos. Disponível em http://www.feneis.com.br/pages/interpretes.asp acesso em 30/06/2009.Disponível em: https://educacao.sme.prefeitura.sp.gov.br/wp-content/uploads/Portals/1/Files/20025.pdf Acessado em: 28/06/2022 LACERDA, Cristina Broglia Feitosa. Tradutores e intérpretes de Língua Brasileira de Sinais: formação e atuação nos espaços educacionais inclusivos. Cadernos de Educação, v.36, p.133-153, 2010.Disponível em: .http://projetoredes.org/wp/wp-content/uploads/Lacerda.pdf Acessado em: 28/06/2022 QUADROS, Ronice Muller de. O tradutor e intérprete de língua brasileira de sinais e língua portuguesa. Brasília: MEC; SEESP; Programa Nacional de Apoio a Educação de Surdos, 2003. Disponível em: https://www.scielo.br/j/delta/a/46vXjxRxNSgjjK73DyHjbHD/?lang=pt https://www.britishcouncil.org.br/quadro-comum-europeu-de-referencia-para-linguas-cefr https://educacao.sme.prefeitura.sp.gov.br/wp-content/uploads/Portals/1/Files/20025.pdf http://projetoredes.org/wp/wp-content/uploads/Lacerda.pdf http://www.revel.inf.br/files/644681b81f2cb7f90f93b613729ef637.pdf Acessado em: 28/06/2022. http://www.revel.inf.br/files/644681b81f2cb7f90f93b613729ef637.pdf