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PROCESSOS 
PSICOLÓGICOS 
BÁSICOS II
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
 > Relacionar as perspectivas biológicas e cognitivas no processo da emoção. 
 > Descrever as principais teorias das emoções. 
 > Analisar as perspectivas contemporâneas sobre a neurociência das 
emoções.
Introdução
As emoções representam um tema de interesse da psicologia. Grande parte 
das vezes pensamos as emoções como produtos unicamente do psiquismo, 
reações que sentimos frente a situações importantes de nossa vida diária. 
Menos frequente é a associação das emoções com tantos outros processos 
biológicos e cognitivos que são desencadeados durante sua emergência. Mesmo 
escrevendo sobre eles, ficamos em dúvida sobre ordem dos fatores, ou como 
foi chamada uma das teorias, “o problema da galinha e do ovo”.
O debate entre as origens biológicas e/ou cognitivas das emoções tem 
ocupado cientistas da psicologia pelo menos desde o início do século XX, e até 
hoje existem controvérsias. Desde a proposição das três principais e tradicionais 
teorias da emoção aos desenvolvimentos da neurociência, um longo e profícuo 
caminho tem sido percorrido. A psicologia também mudou significativamente 
nesse percurso, desde a primeira teoria de James-Lange. Outras formas de 
explicação do comportamento humano foram propostas posteriormente, 
como a psicologia cognitiva, que também se ocupa do estudo das emoções. 
Neste capítulo, você conhecerá o debate entre as explicações do processo 
emotivo dos pontos de vista da biologia e da cognição. Em seguida, descobrirá 
outros estudos que tentam associar as duas abordagens e apresentar uma 
Teorias das emoções
Maria Beatriz Rodrigues
compreensão mais ampla das emoções. Por fim, depois de revisitar as teorias 
tradicionais para entender a evolução desse conceito, também refletirá sobre 
as inovações tecnológicas e seu papel no estudo das emoções, assim como o 
desenvolvimento e contribuição da neurociência. 
A emoção nas perspectivas biológica e 
cognitiva
No cotidiano, continuamente trazemos à baila as emoções ao nos referirmos 
a como nos sentimos, aos impactos que pessoas e eventos nos causam, a 
como percebemos os outros. Do ponto de vista das vivências, a emoção parece 
um conceito fácil de definir. Porém, a definição de emoção na psicologia tem 
sido debatida há muito tempo e com controvérsias. Desde as explicações 
que associavam as emoções a reações a estímulos, com as alterações físicas 
decorrentes, até aquelas dos dias atuais, a definição tem sido enriquecida 
e considerada multidimensional. Seja como for, o que sabemos até agora é 
que emoção é uma manifestação complexa, que acontece em determinado 
momento, como resultado de experiências de caráter afetivo que resultam 
em alterações fisiológicas e psicológicas, com vistas a preparar o indivíduo 
à ação. Por muito tempo, durante a prevalência das explicações behavioris-
tas na psicologia, os aspectos subjetivos e cognitivos das emoções foram 
desconsiderados (MIGUEL, 2015). Hoje a emoção tende a ser concebida como 
multifacetada, a partir das dimensões biológica, subjetiva, social e proposital 
(REEVE, 2019). 
Além da visão multifacetada, existem também as diferentes interpretações 
das vertentes teóricas da psicologia, como psicodinâmicas, psicoevoluti-
vas, cognitivas, sociais, culturais, sociológicas, etc. Porém, as perspectivas 
dominantes continuam sendo classificadas de forma ampla, em torno das 
polêmicas entre a prevalência biológica ou cognitiva, conforme ilustra a 
Figura 1. Pelo prisma biológico, as emoções apresentam um núcleo causal 
que explica o modo como o corpo reage aos eventos; pelo prisma cognitivo, 
deveriam resultar de eventos mentais causais, em avaliações subjetivas 
sobre as situações enfrentadas. Ambas perspectivas, de forma integrada, 
podem fornecer um entendimento mais abrangente do processo de emoção. 
Porém, o reconhecimento de que ambas interferem na emoção não resolve 
a questão do que é prevalente na base do fenômeno, o aspecto biológico ou 
o cognitivo (REEVE, 2019). 
Teorias das emoções2
Figura 1. Causas da experiência da emoção. 
Fonte: Adaptada de Reeve (2019). 
Evento 
situacional 
significativo
Processos
cognitivos
Processos
biológicos
Sentimentos
Senso de propósito
Ativação corporal
Social-expressivo
Os argumentos a favor da prevalência cognitiva defendem que as decisões 
sobre as respostas emotivas acontecem a partir de uma avaliação da situação, 
das vantagens e prejuízos e se traz bem-estar ou não, ou seja, de um cálculo 
racional das consequências do evento. Em outras palavras, a avaliação do 
significado do evento causa a emoção. Por sua vez, os que defendem a pre-
valência biológica não acreditam na avaliação cognitiva, e sim em reações 
fisiológicas, ou expressões faciais, que levam à emoção. Nesse caso, a emoção 
acontece a partir de um evento biológico, como a atividade neural subcortical. 
Segundo Reeve (2019), na perspectiva biológica três autores se destacam. 
O primeiro deles é Carroll Izard (1923–2017), que estudou bebês e suas rea-
ções ao ambiente, concluindo que, apesar das limitações cognitivas dessa 
fase de desenvolvimento, eles respondem emocionalmente a eventos, como 
sorrir ao ouvir uma voz, expressar raiva frente a uma dor, etc. Por não terem 
sofisticação cognitiva, os bebês demonstram a prevalência do biológico nas 
emoções. Sob essa perspectiva, mesmo quando adquirem a linguagem e 
outras capacidades cognitivas, as crianças ainda continuam tendo a maior 
parte do processamento emocional regido por estruturas subcorticais, de 
forma automática e não consciente. 
O segundo autor referido por Reeve é Paul Ekman (1934–), conhecido pelo 
estudo das expressões faciais inatas e universais. Como Izard, reconhece o 
papel da cognição, e vai mais longe, reconhecendo também as influências 
sociais e culturais na experiência emocional. Afirma que as emoções iniciam 
muito depressa, duram pouco e ocorrem automática e involuntariamente, e que 
agimos emocionalmente, antes mesmo de nos darmos conta da sensação. O 
autor defende ideias evolucionistas e acredita que as emoções são biológicas, 
principalmente porque evoluíram devido ao seu valor adaptativo, de proteção 
e de descobertas de modos para manter e melhorar a vida. 
Teorias das emoções 3
O terceiro autor, Jaak Panksepp (1943–2017), afirma que as emoções sur-
gem de circuitos neurais bioquímicos e neuro-hormonais geneticamente 
determinados, que regulam as funções cerebrais. Embora reconheça que é 
difícil estudar os circuitos internos cerebrais, o autor afirma que os circuitos 
fornecem a base para a experiência emocional, que é biológica, e que herdamos 
um circuito específico para cada emoção. A teoria se apoia em três grandes 
descobertas (REEVE, 2019):
 � Como os estados emocionais são muitas vezes difíceis de verbalizar, 
eles devem, portanto, ter origens não cognitivas (não baseadas na 
linguagem).
 � A experiência emocional pode ser induzida por procedimentos não cog-
nitivos, como estimulação elétrica do cérebro ou da musculatura facial.
 � As emoções ocorrem em bebês e em animais não humanos. 
A perspectiva cognitiva, que defende a atividade cognitiva como condição 
para que ocorra a emoção, também tem três representantes principais. Richard 
Lazarus (1922–2002) acredita que, sem a avaliação cognitiva do evento e sem a 
compreensão da importância de seu impacto na vida e no bem-estar, a emoção 
não é produzida. Se um risco, por exemplo, é avaliado como nulo ou pequeno, 
não existe motivo para ter medo. O fator gerador da emoção é a avaliação 
cognitiva de seu significado para a pessoa que está vivendo o evento. O se-
gundo autor de destaque na linha cognitiva, Klaus Scherer (1943–), concorda 
que determinadas situações produzem emoções e outras não, e identifica 
algumas avaliações cognitivas que geram experiências emocionais. Seriam 
questões que nos colocamos para avaliar as situações vividas (“É ético fazer 
isso?”, por exemplo), e as respostas que nos damos formam o processamento 
cognitivoque origina as emoções. 
Por sua vez, Bernard Weiner (1935–) elaborou a análise de atribuição da 
emoção, que parte das reflexões pessoais sobre êxitos e fracassos expe-
rimentados na vida. Depois que experimentamos um sucesso, pensar que 
ele derivou de nosso trabalho duro nos gera orgulho; já se pensarmos que 
dependeu de uma ajuda que recebemos, podemos experimentar gratidão. 
O resultado do sucesso é o mesmo, mas se a atribuição for diferente, a emoção 
também será. “Assim, as atribuições, e não o evento ou o resultado, dão vida 
à emoção” (REEVE, 2019, p. 194).
Teorias das emoções4
Essas teorias até aqui examinadas se desenvolvem em linhas separadas de 
raciocínio e defesa, as três primeiras defendendo a biologia das emoções e as 
três últimas, a cognição. Os psicólogos das emoções continuam trabalhando 
para construir pontes entre esses extremos e, até agora, chegaram a algumas 
respostas. A visão dos dois sistemas afirma que as emoções são causadas 
tanto pela biologia quanto pela cognição, ou seja, as emoções decorrem de 
um sistema inato espontâneo e biológico, sincronizado com outro sistema 
baseado na experiência e aprendizagem social. Existe o componente evolutivo, 
pois o sistema fisiológico da emoção surgiu antes — o sistema límbico —, 
enquanto o sistema cognitivo surgiu durante a transformação dos seres 
humanos em animais cada vez mais cerebrais e sociais, com o advento do 
neocórtex. Os dois sistemas são complementares para provocar e regular as 
emoções (REEVE, 2019).
Outra explicação mais recente que busca superar a dicotomia bioló-
gico versus cognitivo é a do circuito de retroalimentação na emoção, 
chamada também, por razões óbvias, de problema da galinha e do ovo. Segundo 
essa explicação, não existe prevalência de um ou de outro, pois a emoção é um 
processo, uma cadeia de eventos. O circuito de retroalimentação começa com 
um evento significativo e se conclui com uma emoção, passando por elementos 
como cognição, ativação, sentimentos, ação, expressão e comportamento. Para 
interferir na emoção produzida, basta intervir em qualquer uma das etapas do 
circuito. Assim, por exemplo, se na fase de avaliação cognitiva a interpretação 
mudar de benéfica para maléfica, a emoção resultante será diferente. 
O debate sobre as influências biológicas e cognitivas no processo de 
produção das emoções é seminal e está longe de ser concluído. Nesse âmbito, 
podemos perceber que mais do que escolher um elemento em detrimento do 
outro, fica evidente a orientação teórica das propostas, se mais evolucionistas 
ou mais cognitivistas. Nessa mesma linha, abordando em mais profundidade 
as teorias seminais, a próxima seção discute as três principais e consagradas 
teorias das emoções na psicologia. 
Teorias das emoções 5
Teorias das emoções
Três principais teorias desafiam a noção simplificada de que um evento externo 
gera cada emoção, que por sua vez gera a ação, ou seja, que frente a uma 
situação assustadora, por exemplo, o corpo reage com suor, palpitações, etc., 
e então temos medo e corremos para escapar e nos proteger. As três teorias 
que propõem novas visões sobre as emoções são: teoria de James-Lange, 
teoria de Cannon-Bard e teoria dos dois fatores de Schachter-Singer.
Segundo a teoria de William James (1842–1910) e Carl Lange (1834–1900), 
proposta na primeira metade do século XX, não é a situação em si que desen-
cadeia a emoção; é a interpretação que fazemos das mudanças que nos faz 
sentir uma emoção. As célebres frases “sentimos tristeza porque choramos” 
ou “ficamos com raiva porque brigamos”, exemplificam a lógica inversa, 
em comparação com as tradicionais, defendida pelos autores (GAZZANIGA; 
HEATHERTON; HALPERN, 2018). James afirmava que primeiro percebemos o 
estímulo, que provoca reações no organismo, e a percepção dessas reações do 
corpo seria o sentimento. A teoria é chamada James-Lange porque o primeiro 
citou e baseou-se nos trabalhos do segundo. A teoria causou impacto pelo 
período em que foi proposta, de ascensão do behaviorismo e sua defesa do 
comportamento observável, contida em seu manifesto behaviorista, contra 
os “mentalismos” na psicologia (MIGUEL, 2015). 
Estudos posteriores continuaram apoiando e atualizando a teoria de 
James-Lange, inclusive mais recentemente, com a utilização de exames de 
imagem para associar padrões de reações fisiológicas com emoções especí-
ficas. Porém, as conclusões nem sempre confirmaram os mesmos resultados. 
Uma implicação decorrente da teoria é que a imitação facial de um estado 
emocional pode provocar a emoção imitada, ou seja, a expressão facial é 
capaz de provocar as emoções, chamada hipótese do feedback facial, de 
Silvan Tomkins (1911–1991). A hipótese propõe que a movimentação facial 
teria efeito na experiência subjetiva das emoções. 
A partir da década de 1960, a hipótese foi testada por diferentes estudos, 
utilizando métodos para manter a face alterada, até mesmo com botox (MIGUEL, 
2015). Um dos experimentos, realizado por James Laird (1936–), solicitava às 
pessoas que segurassem um lápis com os dentes ou com a face, de maneira a 
forçar expressões sorridentes e de severidade, respectivamente. Quando as 
pessoas assistiam a desenho animados, foi verificado que as que seguravam 
o lápis forçando um sorriso tendiam a achar a atividade mais divertida do que 
as com expressões severas. A teoria de James-Lange e a hipótese do feedback 
facial estão representadas na Figura 2. A ilustração à esquerda está dividida, 
Teorias das emoções6
para demonstrar a diferença de concepção da teoria de James-Lange (II) da 
tradicional (I) (GAZZANIGA; HEATHERTON; HALPERN, 2018). 
Figura 2. Emoção como consequência: (a) teoria tradicional no alto (I) e a teoria proposta por 
James-Lange em baixo (II); (b) hipótese do feedback facial, de Tomkins.
Fonte: Adaptada de Gazzaniga, Heatherton e Halper (2018).
A
B
(I)
(II)
Mesmo tendo sugerido influências da postura no afeto, esses estudos 
receberam críticas e contrapontos, incluindo: 
 � emoções diferentes produzem reações fisiológicas semelhantes; 
 � pessoas com paralisia facial mesmo assim relatam experiências 
emocionais; 
 � emoções podem ser causadas somente pelo pensamento, independente 
de ação física; 
 � nem sempre os indivíduos sabem que estão vivendo emoções. 
Portanto, as teorias baseadas puramente em James-Lange não são mais 
aceitas como válidas para a explicação das emoções (MIGUEL, 2015). 
A teoria de Cannon-Bard trouxe objeções à teoria de James, pois indicava 
que o sistema nervoso autônomo é lento para explicar os sentimentos. A 
mente é mais rápida que o corpo, e isso significa que podemos nos sentir 
intimidados antes de manifestarmos rubor na face. Os proponentes dessa 
Teorias das emoções 7
teoria também afirmaram que emoções diferentes produziam reações físicas 
semelhantes, e que essas semelhanças muitas vezes interferiam no reconhe-
cimento e discriminação da emoção experimentada. A frequência cardíaca, 
por exemplo, pode ficar alterada na raiva, no medo, na excitação ou apenas 
como resultado do exercício físico, sem produzir emoção específica. Essa 
teoria propõe que informações sobre estímulos emocionais são recebidas e 
processadas por diferentes vias pela mente e pelo corpo. Portanto, corpo e 
mente experimentam as emoções de forma simultânea mas separada, pois são 
decorrentes de informações enviadas por estruturas subcorticais para o córtex 
e para o corpo (FELDMAN, 2015; GAZZANIGA; HEATHERTON; HALPERN, 2018).
Por sua vez, a teoria dos dois fatores de Schachter-Singer extraiu o que 
considerou plausível das duas teorias anteriores. Concordou com James sobre 
as sensações físicas serem percebidas como emoções e com Cannon-Bard 
quando afirmavam que existem muitas emoções diferentes para que haja um 
padrão específico de reações para cada uma delas. Sendo assim, Schachter 
e Singer propuseram a teoria dos dois fatores, que preconiza que a resposta 
fisiológica aos estímulos emocionais é basicamente a mesma, o que denomi-naram de alerta fisiológico indiferenciado. Quando a pessoa experimenta um 
alerta, tenta entender sua origem, o que se dá por uma explicação cognitiva, 
chamada também de rótulo. Reconhecemos os perigos e ficamos alertas a eles; 
porém, quando a situação é ambígua, vale o que a pessoa definiu como sendo 
a origem da emoção. A Figura 3a ilustra a teoria anterior, de Cannon-Bard, 
enquanto a Figura 3b ilustra a teoria dos dois fatores de Schachter-Singer 
(FELDMAN, 2015; GAZZANIGA; HEATHERTON; HALPERN, 2018). 
Figura 3. Teorias pós-James-Lange: (a) teoria de Cannon-Bard; (b) teoria dos dois fatores de 
Schachter-Singer.
Fonte: Gazzaniga, Heatherton e Halper (2018, p. 412).
A
B
Teorias das emoções8
Schachter e Singer realizaram experimentos com adrenalina em 
dois grupos diferentes, sendo um deles de controle, para estudar 
o alerta fisiológico. Ficou também comprovado que os estados físicos de uma 
situação podem ser atribuídos à emoção errada, o que os autores chamaram 
de atribuição errônea do alerta fisiológico, que seria um erro na identificação 
da fonte do aumento no alerta fisiológico. Submetidos a situações de perigo 
e medo na travessia de uma ponte, por exemplo, homens eram mais propícios 
a confundirem essa emoção com atração sexual pela assistente de pesquisa 
do que os outros que atravessavam uma ponte segura. Outros experimentos 
seguiram nessa linha para entender a confusão entre alerta fisiológico e afeto, 
chamada de transferência de excitação (FELDMAN, 2015; GAZZANIGA; HEATHER-
TON; HALPERN, 2018). 
Como já mencionado, as teorias que seguiram James-Lange foram criticadas 
e substituídas por outras explicações e teorias posteriores. Segundo Miguel 
(2015), hoje as teorias mais aceitas são as abordagens psicoevolucionistas, as 
cognitivistas (ou de apreciação (appraisal)) e as sociais. As psicoevolucionistas 
acreditam que as emoções são parte da evolução das espécies, que foram 
se adaptando a eventos e exigências do meio. Uma das constatações dessa 
afirmação é que existem expressões, entre elas as faciais, que são inatas nos 
seres humanos e nos primatas. Exemplos comprovadores incluiriam crianças 
cegas, que expressam tristeza ou alegria da mesma forma que outras, assim 
como pesquisas em diferentes culturas e sociedades remotas. O sorriso é 
comum a todas as culturas como expressão de alegria, assim como outras 
manifestações como franzir a testa, erguer ou abaixar os cantos da boca, 
expressões dos olhos sugerindo raiva, nojo, tristeza, etc. Essas constatações 
levaram à conclusão de que existem emoções básicas, ou primárias, próprias 
da espécie humana, que evoluíram como formas adaptativas individuais e 
grupais. 
As abordagens cognitivistas reconhecem a origem evolucionista e as 
reações fisiológicas, mas adicionam o elemento de avaliação da situação para 
o desenvolvimento da emoção. A avaliação é cognitiva, pode ser consciente 
ou não, e acontece de forma muito rápida para determinar a emoção a ser 
experimentada. Frente à notícia da morte de uma pessoa querida, pode-se 
entender como algo do destino ou esperado devido à idade de quem morreu, 
como um fator natural. Se a pessoa era próxima e muito estimada, a notícia 
pode ser vivida como injustiça e perda profunda (MIGUEL, 2015; GAZZANIGA; 
HEATHERTON; HALPERN, 2018). 
Teorias das emoções 9
As teorias de abordagem social descartam a influência dos aspectos bioló-
gicos, mas aceitam os cognitivos. A emoção fica sujeita ao valor social de sua 
expressão, pois é concebida como um papel social constituído pela cultura, e 
em constante mudança. As emoções são avaliadas e julgadas se adequadas 
ou não pelas interações sociais e, em última análise, pela cultura, que teria 
uma importância crucial na vivência emocional. Estudos demonstram que 
diferentes povos têm formas peculiares para demonstrar ou ocultar emoções, 
valorizam mais ou menos suas manifestações, assim como educam os filhos 
de forma a compreenderem desde cedo a importância da manifestação ou 
não das emoções (MIGUEL, 2015). 
Os brasileiros, por exemplo, são mais efusivos nas relações sociais 
e não se importam com toques e contatos mais próximos, inclusive 
beijos. Povos como o inglês ou japonês têm dificuldades em estabelecer contatos 
físicos com pessoas estranhas e apresentam formas mais comedidas para 
expressão das emoções. Essas generalizações são perigosas, mas fica evidente 
a importância das diferenças culturais na expressão emotiva. 
Talvez a resposta não esteja em nenhuma das teorias isoladamente. Nesse 
sentido, é importante integrar elementos defendidos por cada uma delas, 
como a hereditariedade, a universalidade e as peculiaridades, a influência do 
meio, a aprendizagem e transmissão das emoções. Enfim, a discussão sobre 
as emoções, como sugere Reeve (2019), é multidimensional, pois envolve sub-
jetividade, biologia, aspectos sociais e intenções. As emoções são respostas 
complexas a eventos importantes e que geram sentimentos, ativam o corpo 
e preparam-no para a ação. Além disso, vivemos contínua e cotidianamente 
as emoções, que fazem parte intrínseca de nossas vidas e de nossas formas 
de expressão.
Muitos autores consideram que as teorias desenvolvidas até hoje chegaram 
apenas à superfície do conhecimento sobre as emoções (FELDMAN, 2015). O 
desenvolvimento da neurociência nas últimas décadas tem propiciado ex-
plicações numa nova linha teórica. A próxima seção explora essas inovações 
na compreensão das emoções. 
Teorias das emoções10
Neurociência das emoções
As principais teorias da emoção desenvolvidas pela psicologia e relatadas na 
seção anterior são importantes pelo aspecto histórico e de desenvolvimento 
das compreensões a respeito das expressões emocionais. Porém, o desenvol-
vimento técnico e científico ainda não era suficientemente evoluído à época 
dessas teorias para amparar e ampliar suas conclusões. Não dispúnhamos 
de exames de imagem, técnicas laboratoriais, computadores sofisticados 
para leitura e interpretação e cruzamento de inúmeros dados, entre tantos 
outros recursos hoje disponíveis. 
Em função de inovações e possibilidades de testagem, avaliação e medição, 
por exemplo, há evidências de que emoções individuais levam a excitações 
fisiológicas específicas, algo que era controvertido no passado. Isso foi 
possível graças à utilização de exames de tomografia computadorizada, que 
demonstram ativação de certas regiões do cérebro associadas a emoções 
específicas. Enquanto submetidos ao exame, sujeitos são estimulados a 
lembrar de eventos que causaram determinadas emoções. Assim, é detectada 
diminuição na atividade de certas regiões do córtex cerebral relacionada à 
felicidade, assim como aumento de atividade durante sentimentos de tristeza 
(FELDMAN, 2015). 
A amígdala também foi descoberta como importante para a manifestação 
das emoções, pois estabelece relações entre percepção do estímulo e a lem-
brança da emoção, como pode acontecer frente ao medo de viajar de avião 
após uma experiência muito traumática de turbulência durante uma viagem 
aérea. A amígdala está ligada neuralmente a outras partes do cérebro, e essa 
rede propicia o reconhecimento muito rápido, quase instantâneo, do estímulo 
relacionado à emoção (FELDMAN, 2015). A amígdala tem inúmeras funções 
importantes no processamento das emoções. Ela processa o significado 
emocional dos estímulos e produz reações, emoções e comportamentos. A 
função da amígdala remonta ao processo evolutivo humano, ligada princi-
palmente à capacidade de defesa. 
A definição de sistema límbico nasceu com os trabalhos de James Papez 
no chamado circuito de Papez, que é um círculo ascendente que propicia a 
transformação das sensações em percepções, pensamentos e memórias. 
Experimentos posteriores revisaram esse conceito de circuito e atribuíram 
essas funções às estruturas do sistema límbico: hipotálamo, amígdala, núcleos 
da base, entre outras (DUTRA, 2021). 
Teorias das emoções 11
No sistema límbico, ou cérebro emocional, conforme ilustra a Figura4, 
temos a amígdala, estrutura fundamental para o processamento das emoções, 
que recebe as informações sensoriais do tálamo. Quando tais informações 
chegam ao tálamo, podem seguir por duas vias: a rápida, do tálamo para a 
amígdala, ou lenta, do tálamo ao córtex visual e à amígdala. Esse processo 
permite às pessoas avaliarem e responderem a estímulos que provocam 
diferentes emoções. 
Figura 4. O cérebro emocional. 
Fonte: Gazzaniga, Heatherton e Halpen (2018, p. 408).
O sistema límbico é formado por estruturas cerebrais limítrofes ao córtex 
cerebral, e hoje sabemos que não é o único envolvido nas emoções e também 
que nem todas suas estruturas o são. Mais do que funcional, essa classificação 
é uma forma de mapeamento da região. As estruturas mais importantes para 
as emoções são a amígdala e a ínsula, entre outras que também exercem seus 
respectivos papéis. A ínsula recebe sinais somatossensoriais de todo o corpo, 
assim como está envolvida na consciência dos estados corporais, como fome, 
pulsação, necessidades fisiológicas, etc. Ademais, a ínsula é ativada em várias 
emoções, mas particularmente com a experiência de nojo. 
Teorias das emoções12
Desde o século XIX, com autores como Darwin e Freud, há especulações e 
investigações quanto ao papel do encéfalo no processamento das emoções. 
A origem da palavra emoção em latim, movere, nos indica a relação com 
movimento, de dentro para fora do sujeito, bem como as relações com a 
motivação e a expressão de nossas necessidades e desejos. As emoções são 
a base afetiva e cognitiva e responsáveis pela possibilidade de comunicar 
nossas reações e necessidades verbais, motoras e simbólicas (DUTRA, 2021).
A perspectiva neurobiológica considera que as emoções envolvem três 
aspectos principais: sentimentos, comportamentos e reações fisiológicas. 
Os sentimentos podem ser positivos ou negativos, dependendo da situação 
experimentada; os comportamentos envolvem as reações motoras corres-
pondentes ao evento, características de cada emoção; as reações fisiológicas 
abrangem o processamento neural involuntário das emoções e suas mani-
festações físicas, como sudorese, palpitação, tremores, etc. (DUTRA, 2021). 
Nessa mesma perspectiva, as emoções podem ser classificadas em três 
tipos:
 � emoções inatas, ou primárias, que são universais, independentemente 
dos aspectos culturais, incluindo alegria, tristeza, medo, nojo, raiva e 
surpresa;
 � emoções secundárias, que dependem de aprendizagem e, portanto, 
de fatores socioculturais, e variam no tempo e no espaço, incluindo 
culpa e vergonha; 
 � emoções de fundo, decorrentes de estímulos internos e viscerais, 
expressas em mudanças musculares e esqueléticas, envolvendo pos-
tura e movimentos corporais, incluindo bem-estar e mal-estar, calma, 
tensão, etc. 
Para a neuropsicologia, a avaliação das emoções serviria preponderan-
temente para identificar distúrbios e desordens comportamentais que ex-
pressam emoções. Se um indivíduo apresentar lesões cerebrais ou patologias 
neurológicas, elas serão visíveis de alguma forma na manifestação emocio-
nal. Patologias específicas, como pode ser o caso da depressão, alteram 
formas de perceber situações sociais e expressões dos outros, revelando 
uma percepção emocional alterada. Os estados emocionais decorrentes 
dessas percepções alteradas podem influenciar o desempenho da pessoa no 
trabalho, nas relações sociais e familiares e na vida em geral. Dessa forma, 
a avaliação neuropsicológica é muito importante para detectar variações 
de humor, da personalidade e das capacidades cognitivas, como no caso 
Teorias das emoções 13
dos diversos tipos de demência senil e nos déficits cognitivos decorrentes. 
O papel da neuropsicologia, apesar de ficar muito relacionado a doenças, é 
de promoção e prevenção de patologias. A atenção aos primeiros sinais e o 
estudo dessas condições para o desenvolvimento de novos instrumentos de 
tratamento são importantes frentes de combate ao agravamento de situações 
neuropsicológicas (DUTRA, 2021). 
Em geral, pensamos ser possível entender a emoção para além de influên-
cias unicamente fisiológicas ou cognitivas. O ser humano é um ente integral 
e seria simplista pensar que as explicações dualistas das emoções possam 
ainda servir isoladamente para explicar seu processamento e suas manifes-
tações. Vários autores, mesmo alguns tradicionais, já haviam percebido isso. 
Qualquer que seja a corrente teórica que defendamos, a compreensão das 
emoções é fundamental, sempre consideradas fenômenos multidimensionais. 
Referências 
DUTRA, L. Neurociência das emoções. Liga Acadêmica de Neurociências, 2021. Dispo-
nível em: https://www.ufjf.br/lanc/2021/04/29/neurociencia-das-emocoes-2/. Acesso 
em: 23 mar. 2022.
FELDMAN, R. Introdução à psicologia. Porto Alegre: AMGH, 2015.
GAZZANIGA, M.; HEATHERTON, T.; HALPERN, D. Ciência psicológica. 5. ed. Porto Alegre: 
Artmed, 2018.
MIGUEL, F. Psicologia das emoções: uma proposta integrativa para compreender a 
expressão emocional. Psico USF, v. 20, n. 1, p. 153-162, 2015. Disponível em: https://www.
scielo.br/j/pusf/a/FKG4fvfsYGHwtn8C9QnDM4n/?lang=pt. Acesso em: 23 mar. 2022.
REEVE, J. Motivação e emoção. Rio de Janeiro: LTC, 2019. 
Os links para sites da web fornecidos neste capítulo foram todos 
testados, e seu funcionamento foi comprovado no momento da 
publicação do material. No entanto, a rede é extremamente dinâmica; suas 
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Teorias das emoções14