Prévia do material em texto
Práticas Integrativas e Complementares em Saúde: Principais Abordagens e Legislação Material Teórico Responsável pelo Conteúdo: Prof.ª Esp. Nidi Maria Camasmie Revisão Textual: Prof.ª Dr.ª Selma Aparecida Cesarin Panorama Internacional das Práticas Integrativas e Complementares em Saúde • Introdução; • Considerações da Organização Mundial da Saúde sobre as Práticas Integrativas e Complementares; • Utilização das Práticas Integrativas e Complementares no Mundo; • O Uso das Práticas Integrativas e Complementares; • Práticas Integrativas e Complementar no Brasil. • Conhecer o contexto e o histórico internacional que deram origem às políticas de inserção e à disseminação das Práticas Integrativas e Complementares em Saúde; • Identificar o papel da Organização Mundial da Saúde na disseminação das Práticas de Medicina Tradicional e Complementar; • Identificar os riscos associados a essas práticas; • Conhecer algumas das iniciativas no Brasil que contribuíram para a Política Nacional das Práti- cas Integrativas e Complementares OBJETIVOS DE APRENDIZADO Panorama Internacional das Práticas Integrativas e Complementares em Saúde Orientações de estudo Para que o conteúdo desta Disciplina seja bem aproveitado e haja maior aplicabilidade na sua formação acadêmica e atuação profissional, siga algumas recomendações básicas: Assim: Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte da sua rotina. Por exemplo, você poderá determinar um dia e horário fixos como seu “momento do estudo”; Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma alimentação saudável pode proporcionar melhor aproveitamento do estudo; No material de cada Unidade, há leituras indicadas e, entre elas, artigos científicos, livros, vídeos e sites para aprofundar os conhecimentos adquiridos ao longo da Unidade. Além disso, você tam- bém encontrará sugestões de conteúdo extra no item Material Complementar, que ampliarão sua interpretação e auxiliarão no pleno entendimento dos temas abordados; Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de discus- são, pois irão auxiliar a verificar o quanto você absorveu de conhecimento, além de propiciar o contato com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de troca de ideias e de aprendizagem. Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte Mantenha o foco! Evite se distrair com as redes sociais. Mantenha o foco! Evite se distrair com as redes sociais. Determine um horário fixo para estudar. Aproveite as indicações de Material Complementar. Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma Não se esqueça de se alimentar e de se manter hidratado. Aproveite as Conserve seu material e local de estudos sempre organizados. Procure manter contato com seus colegas e tutores para trocar ideias! Isso amplia a aprendizagem. Seja original! Nunca plagie trabalhos. UNIDADE Panorama Internacional das Práticas Integrativas e Complementares em Saúde Contextualização Segundo a Organização Mundial da Saúde, a chamada “Medicina Tradicional” abrange uma grande variedade de terapias e práticas que variam entre países e entre regiões. Em alguns países, é chamada de Medicina “Alternativa” ou “Complementar”. A Medicina Tradicional difere da Medicina Convencional alopática e tem sido usada há milhares de anos. Seus profissionais contribuíram enormemente para a saúde humana, particularmente como provedores de cuidados de saúde primários no nível da comunidade (WHO, 2013). Segundo um estudo feito no Brasil, em oito anos, o número de atendimentos em terapias alternativas e Complementares no Sistema Único de Saúde (SUS) cresceu 670%, passando de 271 mil, em 2008, para 2,1 milhões em 2016, segundo o Mi- nistério da Saúde. São tratamentos com base em saberes populares e tradicionais e que visam a ajudar a prevenção de doenças ou na melhoria das condições de saúde de alguns pacientes. No SUS, esses tratamentos são definidos como “Práticas Integrativas” ou “Com- plementares” (à Medicina Convencional). Entram na lista práticas como Homeopa- tia, Acupuntura, Fitoterapia, Termalismo, Arteterapia, Ayurveda, Biodança, Dança Circular, Naturopatia, Meditação, Musicoterapia, Osteopatia, Quiropraxia, Reflexo- terapia, Reiki, Shantala, Terapia Comunitária Integrativa e Yoga. O aumento nos atendimentos acompanha a extensão dos serviços. Antes oferta- das em 967 estabelecimentos, as terapias já estão presentes em pelo menos 5.514, segundo dados de 2008 a 2016. CANCIAN, N. Cresce busca por terapia alternativa no SUS, mas oferta ainda é pequena. 2017. Disponível em: https://goo.gl/wPLGRi.Ex pl or 8 9 Introdução No decorrer da história da Medicina, diversos modelos de “como cuidar” já fo- ram propostos, desenvolvidos de acordo com a base histórica, cultural e regional de cada época. O modelo adotado no Ocidente, atualmente, é o modelo chamado de “biomédi- co”, que mostrou diversos avanços para melhorar o cuidado com a saúde. No entanto, essa forma de Medicina também foi alvo crescente de insatisfação da população, pela relação cada vez mais distante entre médico e paciente e devido à superespecialização nas diversas Áreas Médicas (OTANI et al., 2011). Na década de 1960, no Brasil, houve intensificação da procura por práticas al- ternativas, pela população, motivada por diversos outros fatores, tais como, (OTANI et al., 2011): • A mudança no perfil de doenças e óbitos no país, como, por exemplo, a maior incidência de doenças crônico-degenerativas e a diminuição das doenças con- sideradas infectocontagiosas; • Aumento da expectativa de vida e desejo de melhorar a qualidade de vida; • Percepção de que a Medicina Convencional, ou biomédica, possui certas defi- ciências na solução de determinadas doenças; • Insatisfação da população com o funcionamento do Sistema de Saúde Público e Privado; • Crescente informação sobre os danos e os efeitos colaterais dos medicamentos e das intervenções cirúrgicas. Esses fatores contribuíram para o desenvolvimento do modelo considerado “al- ternativo” para a nossa Sociedade. Figura 1 Fonte: Getty Images As Práticas Integrativas e Complementares se enquadram no que a Organiza- ção Mundial de Saúde (OMS) denomina Medicina Tradicional e Medicina Com- plementar e Alternativa. 9 UNIDADE Panorama Internacional das Práticas Integrativas e Complementares em Saúde Não confunda Medicina Tradicional com Medicina Convencional Biomédica. Os termos Medicina Complementar/Alternativa/Não Convencional são utiliza- dos de forma semelhante com a Medicina Tradicional em alguns países (WHO, 2000), ou seja, o que a Literatura Científica biomédica denomina Medicinas Al- ternativas e Complementares, a OMS designa como Medicina Tradicional e Com- plementar (SOUSA; TESSER, 2017). No Brasil, esse tipo de Medicina é chamada de Práticas Integrativas e Comple- mentares. Segundo a OMS, as definições de Medicina Tradicional são: • Medicina tradicional: A Medicina Tradicional tem uma longa história. É a soma total do conhecimento, habilidade e práticas baseadas nas teorias, crenças e experiências indí- genas de diferentes culturas, explicáveis ou não, usadas na manutenção da saúde, bem como na prevenção, diagnóstico, melhoria ou tratamento de doença física e mental; • Medicina complementar: Os termos “Medicina Complementar” ou “Medicina Alter- nativa” referem-se a um amplo conjunto de práticas relacionadas ao cuidado em saúde, e que não fazem parte da própria tradição ou Medicina Convencional do país (Medicina biomédica, no caso do Brasil) e não estão totalmente integrados ao Sistema de Saúde dominante. Esses termos são usados indistintamente como Medicina Tradicional, em alguns países; • Medicina Tradicional e complementar: Combina os termos da Medicina Tradicional e da Medicina Complementar, abrangendo produtos, práticas e profissionais (Fonte: World Health Organization(WHO) Ex pl or Disponível em: https://goo.gl/inpkmP Considerações da Organização Mundial da Saúde sobre as Práticas Integrativas e Complementares A Medicina Complementar é uma parte importante e muitas vezes subesti- mada dos cuidados de saúde. É praticada em quase todos os países do mundo e a demanda está aumentando. Muitos países agora reconhecem a necessidade de desenvolver uma aborda- gem coerente e abrangente para os cuidados de saúde, que fornece aos governos, profissionais de saúde e, especialmente, usuários de serviços de saúde, acesso a serviços de Medicina Complementar e Alternativa com segurança, respeito, aces- sibilidade e eficácia (WHO, 2013). 10 11 A Medicina Complementar e Alternativa, cada vez mais, tem se tornado alvo de Políticas Públicas Nacionais e Internacionais. Essas políticas são incentivadas pela OMS, principalmente, a partir de 1970, depois da criação do chamado “Pro- grama de Medicina Tradicional”. Um dos mais importantes documentos oriundos desse programa foi a “Estraté- gia da OMS para a Medicina Tradicional para 2002-2005” e, após alguns anos, houve sua atualização, no documento intitulado “Estratégia da OMS para a Medici- na Tradicional para 2014-2023”. Esses documentos contemplam o diagnóstico, os desafios e as potencialidades da Medicina Complementar e Alternativa. Figura 2 Fonte: Getty Images A OMS possui pontos a serem aperfeiçoados, relativos às chamadas Medicinas Complementares e Alternativas (WHO, 2013; BRASIL, 2009a): • Expandir seu reconhecimento em todo o mundo; • Integrá-la aos Sistemas Nacionais e Convencionais de Saúde, desenvolvendo e implementando políticas e programas dentro dos países; • Prover cooperação técnica e informação para difundir o seu uso; • Preservar e proteger os conhecimentos, práticas e recursos respectivos, visan- do à sustentabilidade de seu uso. Os direcionamentos da OMS para o futuro, além dos campos oficiais já cita- dos, são: • A promoção de seu uso na atenção primária à saúde; • O aumento na formação e na qualificação de recursos humanos; • A segurança dos pacientes; • Fomentar o uso racional da Medicina Tradicional e Complementar, tanto pelos profissionais, quanto pelos pacientes. 11 UNIDADE Panorama Internacional das Práticas Integrativas e Complementares em Saúde Por que as pessoas se voltam para a Medicina Tradicional e Complementar? Ex pl or Segundo a OMS, os padrões de uso da Medicina Tradicional e Complementar variam entre os países e dentro deles. Seu uso depende de vários fatores, como cultura, importância histórica e regulação. Embora não exista um método uniforme para examinar esses padrões de uso, pode ser apropriado considerar como as pessoas procuram e utilizam a Medicina Tradicional e Complementar, a saber: 1. Uso em países em que a Medicina Tradicional (Medicina Complementar e Alternativa) já é uma das principais práticas de cuidados de saúde. Nesses países, a disponibilidade de serviços de saúde com base em Medicina Convencional e/ ou acesso a esses serviços, geralmente, é limitada; 2. Uso da Medicina Tradicional devido a influências culturais e históricas; 3. Uso de Medicina Tradicional e Complementar como terapia complementar na Medicina Convencional ocidental. Embora existam elementos comuns nas razões pelas quais as pessoas estão in- clinadas a usar Terapias Complementares, também existem numerosas diferenças entre países e regiões. Estudos revelam que as pessoas recorrem à Medicina Tradicional e Comple- mentar por várias razões, como o aumento da demanda por serviços de saúde, a vontade de obter mais informações sobre as opções disponíveis, uma crescente in- satisfação com os serviços de saúde existente e um interesse no “cuidado integral da pessoa” e prevenção de doenças, aspectos frequentemente associados à Medicina Tradicional e Complementar. Além disso, a Medicina Tradicional e Complementar reconhece a necessidade de enfatizar a qualidade de vida quando não é possível a cura da doença (ROBERTI DI SARSINA, 2007). Foi apontado, por exemplo, que os pacientes se voltam para o Royal London Hospital for Integrated Medicine porque outros tratamentos não foram efetivos, ou por preferência pessoal ou cultural, ou por terem sofrido efeitos adversos com outros tratamentos (SHARPLES et al. 2003). Na Austrália, a partir de entrevistas com usuários da Medicina Tradicional e Complementar, constatou-se que a ineficiência dos tratamentos médicos conven- cionais e o desejo de liderar um estilo de vida mais saudável foram os principais motivos para o uso das terapias tradicionais e Complementares (WILLIAMSON et al., 2008; WHO, 2013). Na última década, em todos os tipos de padrões de uso, os indivíduos preferem cuidar mais ativamente de sua própria saúde. No entanto, é importante salientar que, muitas vezes, alguns usuários assumem que “o natural é seguro”, algo que não é necessariamente verdadeiro (WHO, 2013). 12 13 Utilização das Práticas Integrativas e Complementares no Mundo Muitos países têm suas próprias formas tradicionais ou indígenas de cura, que estão firmemente enraizados em sua cultura e história. Algumas formas de Medicina Tradicional, tais como Ayurveda e Medicina Tradicional Chinesa, são populares em seus países de origem e também em todo o mundo. Figura 3 – Retrato de jovem Sherpa na região do Everest Fonte: Getty Images Ao mesmo tempo, algumas formas de Medicina Tradicional, como Medicina Antroposófica, Quiropraxia, Homeopatia, Naturopatia e Osteopatia também estão em uso extensivo. Os Sistemas de Saúde, em todo o mundo, estão passando por experiências de altos níveis de complexidade das enfermidades, o que causa o aumento dos custos em saúde. Nesse sentido, tanto os pacientes como os Profissionais de Saúde desejam que os ser- viços sejam revitalizados, com maior ênfase em cuidados individualizados e centrados na integralidade do indivíduo (WHO, 2013). Dessa forma, além da procura pelas práticas Complementares devido à neces- sidade dos pacientes, também surgiu a necessidade de revisar a atenção à saúde coletiva baseada na Medicina Convencional, pelos altos custos de financiamento, insustentabilidade do Sistema, Manutenção e Resultados limitados (WHO, 2013). Existe uma demanda significativa por práticas e profissionais de Medicina Com- plementar e Alternativa em todo o mundo. Na Austrália, as visitas a Profissionais de Saúde complementares, como acupunturistas, quiropráticos e naturopatas, têm crescido rapidamente, com aumento de mais de 30% entre 1995 e 2005. 13 UNIDADE Panorama Internacional das Práticas Integrativas e Complementares em Saúde De acordo com uma pesquisa nacional na China, o número de visitas à Medicina Tradicional chinesa foi de 907 milhões em 2009, representando 18% de todas as visitas médicas às instituições pesquisadas (WHO, 2013). Importante! A Suíça tornou-se o primeiro país da Europa a integrar a Medicina Tradicional e Complementar no seu Sistema de Saúde Na Suíça, a prevalência média de uso de Medicina Tradicional ou Complementar foi de 49%, após 1990. Em 1998, o Departamento Federal de Assuntos Internos suíço decidiu que, de 1999 a 2005, cinco terapias complementares – medicina Antroposófica, Home- opatia, Terapia Neural, Fitoterapia e a Terapia de ervas tradicionais chinesas – seriam cobertas pelo programa de seguro de saúde obrigatório. Além isso, o governo suíço tam- bém criou um programa abrangente para avaliar essas medicinas complementares, que desempenhavam um papel cada vez maior no sistema médico suíço. Em 2009, mais de 67% dos cidadãos optaram por um novo artigo constitucional sobre as terapias alterna- tivas, com o resultado de que certas terapias fossem reinstaladas no regime básico de seguro de saúde disponível para todos os cidadãos suíços. O artigo constitucional tam- bém permitiu o ensino das terapias complementares para estudantes de medicina, com padronização de treinamento e certificação em terapias complementares para médicose outros profissionais de saúde (WHO, 2013). Você Sabia? A Medicina Tradicional e Complementar é denominada, atualmente, no Brasil, Prática Integrativa e Complementar em Saúde. Em uma revisão sistemática recen- te, os autores do estudo propuseram a inserção das Práticas Integrativas e Comple- mentares no Ensino Médico, com a montagem de disciplinas clínicas, respeitando- -se diferentes aspectos filosóficos e paradigmáticos. Isso seria importante, pois, para cada nível de complexidade, existiriam diversas maneiras de atuar na manu- tenção e na restauração da saúde. Dessa forma, o uso dos dois Sistemas Médicos, o “alternativo”, aliado ao bio- médico, ajudaria a aliar dois paradigmas: o cartesiano e o holístico, com o intuito de viabilizar um cuidado à saúde com elevado conhecimento técnico e filosófico, o que colaboraria para diminuir o preconceito e aumentar a capacidade de aceitar diferenças (CHRISTENSEN; BARROS, 2011). Entretanto, os pesquisadores comentam que juntar e oferecer tratamentos, baseados em dois tipos de Medicina, pode ser uma atitude complexa, dentro dos entendimentos da Ciência Biomédica, ou seja, levar em consideração di- ferentes racionalidades médicas e a prática em saúde não é algo simples de se conseguir. Outro desafio é o debate entre as pesquisas na Área. Isso ocorre porque os mé- todos utilizados pela Medicina Convencional (e aceitos pela comunidade científica convencional) não são totalmente adequados para conseguir mensurar os resulta- dos obtidos pela Medicina Complementar e Alternativa, dificultando a aceitação dessas práticas por alguns cientistas. 14 15 Assim, não é possível considerar uma análise de pesquisa simplesmente na con- cepção científica ocidental, em que tudo deve ser testado e repetido, com os mes- mo resultados, independente do conhecimento do sujeito sobre o tratamento (um dos princípio dos estudos clínicos randomizados). Essas premissas podem estar em desacordo com os princípios holísticos nos quais as práticas complementares se estruturam. Para alguns pesquisadores, o principal ponto de discussão seria a adaptação ou a criação de métodos eficientes de pesquisa para essa nova visão holística da saúde, ou seja, o problema se refere mais à análise da transição entre duas visões de mundo, com um enorme desafio de integração desses conhecimentos. Esse seria um problema superior à falta de evidência e efetividade clínica dessas práticas (SCHVEITZER et al., 2012). Em outro estudo, conduzido na Espanha (região de Andaluzia), os pesquisadores VAS e MÉNDEZ (2004) entrevistaram 563 pacientes com osteoartrite crônica no joelho e que realizavam acompanhamento complementar com Medicina Tradicio- nal Chinesa (uso da Acupuntura, Moxibustão, Auriculoterapia). Dos entrevistados, cerca de 75% dos pacientes disseram ter tido uma melhora de 45% em relação ao início do tratamento, e concomitantemente, relataram a di- minuição do uso intensivo de remédios analgésicos e anti-inflamatórios. Na Escócia, segundo ROSS et al. (2006), foi descrito que os médicos generalis- tas chegaram a prescrever Homeopatia e Fitoterapia, em 60% e 30% dos atendi- mentos, respectivamente. Figura 4 Fonte: Getty Images Em Cuba, as Práticas Integrativas e Complementares são consideradas uma for- ma de tratamento ancestral empregada pelas suas comunidades. Na história cubana, as plantas medicinais e outros produtos similares sempre estiveram presentes. Em um estudo, conduzido por Dresang et al. (2005), os autores reportam o Sistema de SAÚDE de Cuba, que incorporou a Acupun- tura, a Fitoterapia e a Homeopatia, entre outras práticas (como a injeção em 15 UNIDADE Panorama Internacional das Práticas Integrativas e Complementares em Saúde pontos-gatilho, massagens, terapia quente, yoga, meditação etc.) à Atenção Bási- ca à Saúde da população. De acordo com Jorge Lavaut, Chefe de Pesquisas do Centro Nacional de Me- dicina Natural e Tradicional do Ministério de Saúde Pública de Cuba, a Medicina Integrativa lá faz parte dos Serviços de Saúde como uma especialidade integrada à Medicina tradicional. Segundo ele, as Práticas Integrativas e Complementares oferecidas em Cuba são compostas por Fitoterapia, Apiterapia, Homeopatia, Terapia Floral, Hidrotera- pia, águas minerais medicinais, Ozonoterapia, azeites essenciais, Magnetoterapia, Fisioterapia, dietas, hipnose e Técnicas de relaxamento, Acupuntura e variantes, massagens terapêuticas tradicionais e exercícios tradicionais chineses, entre outros (BRASIL, 2009a). No México, segundo Hernán Ramirez, Subdiretor de Sistemas Complementares de Atenção do Ministério da Saúde do México, havia, até pouco tempo, diversos modelos de Práticas Complementares sendo utilizados pela população, sem que, no entanto, fossem reconhecidos, validados e adequadamente utilizados pelos Ór- gãos Governamentais de Saúde. Entretanto, a partir de 2002, Ramirez conta que foram realizadas diversas ações para modificar esse quadro; uma delas foi a criação, pelo Ministério da Saúde mexicano, da chamada Direção de Medicina Tradicional e Desenvolvimento Inter- cultural, que estabeleceu as Diretrizes Nacionais de Medicina Tradicional e Desen- volvimento Intercultural no México (BRASIL, 2009a). Nos Estados Unidos, uma pesquisa conduzida pelo National Center for Complementary and Integrative Health, filiado ao National Institutes of Health (NIH), entrevistou mais de 23 mil adultos, nos anos de 2002 e 2007. Os dados mostraram que, em 2002, 36% dos adultos entrevistados assumiram a utilização de algum tipo de prática integrativa. Em 2007, esse número subiu para 38%, ou seja, 4 em cada 10 pessoas fazem uso dessas práticas. A pesquisa tam- bém identificou que pessoas de todas as origens utilizam as práticas; no entanto, o uso foi maior entre mulheres e pessoas com maiores níveis educacionais e de renda (BARNES, BLOOM e NAHIM, 2008). As Práticas Integrativas incluídas, em 2007, pelo Instituto Nacional de Saúde americano – NIH são: Acupuntura, Ayurveda, Biofeedback, Quiropraxia, exercícios respiratórios, Dietoterapia, Reiki, Homeopatia, Hipnose, massagens, Meditação, Pilates, produtos naturais como plantas medicinais, Naturopatia, Relaxamento, Qigong, Tai Chi Chuan e Yoga, entre outras práticas. Também foi resultado dessa pesquisa nacional, conduzida em 2007, a estima- tiva econômica dos gastos com as Práticas Integrativas e a compra de produtos. Segundo a pesquisa, os adultos, nos Estados Unidos, gastaram US$ 33,9 bilhões entre visitas a profissionais de Práticas Integrativas e Complementares e compras de produtos, aulas e materiais (BARNES et al., 2009). 16 17 Visite o site da Colaboração “Bravewell Network”, que publicou documentos de “Boas Práticas em Medicina Integrativa”. The Bravewell Collaborative. Best Practices in Integrative Medicine: A Report from the Bravewell Clinical Network. Disponível em: https://goo.gl/jGvUfT Ex pl or Figura 5 Fonte: Getty Images Quando as pessoas usam as Práticas Integrativas e Complementares? Ex pl or O Uso das Práticas Integrativas e Complementares As necessidades individuais, geralmente, determinam quando as pessoas usam as Práticas Integrativas e Complementares. Uma série de estudos mostra que pacientes com condições crônicas específicas usam serviços de Práticas Integrativas e Complementares mais frequentemente. Por exemplo, um estudo nos Estados Unidos mostrou que pacientes com queixas músculoesqueléticas que visitaram médicos osteopáticos em ambientes de prática familiar representaram 23% de todas as visitas durante um período de um ano (CHAO et al., 2004). Na França, a maioria dos pacientes com transtorno musculoesquelético crônico procurou consultas com médicos que ofereciam alternativas à Medicina Convencio- nal (ROSSIGNOL et al., 2011). Uma grande quantidade de pacientes com esclerose múltipla recorre a trata- mentos de Medicina Complementar e Alternativa. Estima-se que a prevalência de 17 UNIDADE Panorama Internacional das PráticasIntegrativas e Complementares em Saúde uso chega a variar de 41% na Espanha até 70% no Canadá e 82% na Austrália (SKOVGAARD et al., 2012). Na China, com base em dados do monitoramento nacional dos serviços ofere- cidos em Práticas Integrativas e Complementares, as cinco principais doenças que utilizam essas práticas para complementar a prática médica, em 2008, foram: aci- dente vascular cerebral, deslocamento de disco intervertebral, hemorroidas, doença cardíaca isquêmica e hipertensão essencial (ZHANG et al., 2011). De acordo com o Ministério da Saúde coreano, a República da Coreia informou que as principais doenças com grande aporte de pacientes que procuraram a Medi- cina Alternativa, em 2011, foram: distúrbios do sistema ósseo, articular e muscular, dispepsia, osteoartrite do joelho e distúrbios do nervo facial (WHO, 2013). Em muitos países em desenvolvimento, as Práticas Integrativas e Complementa- res desempenham papel importante no atendimento das necessidades primárias de cuidados de saúde da população, e práticas específicas têm sido utilizadas há muito tempo (WHO 2013). Sistema educacional para praticantes de Medicina Tradicional na Índia Na Índia, todos os seis sistemas tradicionais de Medicina com reconhecimento oficial (Ayurveda, Yoga, Naturopatia, Unani Medicine, Siddha e Homeopatia) têm Sistemas de Edu- cação institucionalizados. A Índia tem 508 faculdades com capacidade de admissão anual de 25.586 estudantes de graduação. Além disso, 117 dessas faculdades também admitem mais de 2.000 estudantes de pós-graduação. As faculdades só podem ser estabelecidas com a permissão do governo central e da prévia aprovação de sua infraestrutura, programas e grades curriculares. Ex pl or Figura 6 Fonte: Getty Images 18 19 Riscos Associados São riscos descritos associados às Práticas Integrativas e Complementares, seus produtos, profissionais e autocuidado (WHO 2013; BRASIL, 2009a): • Uso de produtos de má qualidade, adulterados ou falsificados; • Profissionais não qualificados; • Diagnóstico errôneo, diagnóstico tardio ou falha na utilização de tratamentos convencionais efetivos; • Exposição a informações enganosas ou não confiáveis; • Eventos adversos diretos, efeitos colaterais ou interações de tratamento indesejáveis; • Relativa insuficiência de dados baseados em pesquisas; • No campo da regulação, destaca-se o problema da falta de controle de quali- dade; por exemplo, a identificação incorreta dos produtos utilizados, as bulas inadequadas e não-padronizadas, a contaminação por outras substâncias etc.; • Crença equivocada de que “o que é natural não pode fazer mal”. Figura 7 Fonte: Getty Images Práticas Integrativas e Complementar no Brasil Aspectos Gerais O Brasil define as Medicinas Tradicionais e Complementares como Práticas In- tegrativas e Complementares em Saúde (PICS) (BRASIL, 2017) No país, há registro das Práticas Integrativas e Complementar no Sistema Único de Saúde (SUS), desde a década de 1980. No entanto, sua inserção no SUS foi intensificada após a Política Nacional de Práticas Integrativas e Com- plementares (PNPIC). 19 UNIDADE Panorama Internacional das Práticas Integrativas e Complementares em Saúde Essa política legitimou expressamente a oferta pública de Fitoterapia, Homeopa- tia, Medicina Tradicional chinesa/acupuntura e Medicina Antroposófica (BRASIL, 2006), mas impulsionou, também, o crescimento de outras Práticas Integrativas. A construção de uma Política específica foi importante para estabelecer diretrizes que legislassem sobre um tema tão importante e controverso. Vale ressaltar que, independentemente de posicionamentos favoráveis ou contrá- rios, é importante que exista um mecanismo regulador/legislativo que, ao mesmo tempo, controle e fomente as pesquisas nesse campo da Medicina (LUZ et al., 2006). As chamadas “Práticas Integrativas” enfatizam e auxiliam o cuidar, encorajando expectativas positivas e solidariedade nos pacientes. Sob essa ótica, a mentalidade integrativa está longe de ser uma prática que instigue sectarismo ou confronto com o que a Medicina Convencional representa. A Medicina Integrativa defende o resga- te do sujeito, independentemente da linha terapêutica que cada Médico ou Agente da Saúde adota (LUZ et al., 2006). No Brasil, em consonância com as recomendações da OMS, o Ministério da Saúde apresentou a PNPIC, que foi aprovada, por unanimidade, em 2006. A PNPIC foi publicada na forma das Portarias Ministeriais no 971, em 3 de maio de 2006, e no 1600, de 17 de julho de 2006 (BRASIL, 2011) e sua implementação envolveu justificativas de natureza política, técnica, econômica, social e cultural (BRASIL, 2006). A PNPIC contempla diretrizes e responsabilidades institucionais para a implanta- ção ou a adequação de ações e serviços de Medicina Tradicional chinesa/Acupun- tura, Homeopatia, plantas medicinais e Fitoterapia. Adicionalmente, essa política também versa sobre a instauração de observató- rios em Saúde para o Termalismo Social/Crenoterapia e para a Medicina Antro- posófica no SUS. A aprovação da PNPIC foi responsável pela discussão, pelo desenvolvimento de políticas nacionais, pelos programas e projetos em todas as instâncias governa- mentais, com o objetivo de institucionalização dessas práticas no SUS (BRASIL, MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2012). Figura 8 Fonte: Getty Images 20 21 Com a implantação do SUS, tornou-se possível legitimar e utilizar as formas terapêu- ticas conhecidas pela OMS como “Medicina Tradicional” e “Medicina Complementar/ Alternativa”. No Brasil, elas são também conhecidas como Terapêuticas Não Conven- cionais, Medicinas Naturais e Medicina Alternativa, além de outras denominações (HEBERLÊ, 2013). É importante salientar que algumas pessoas podem confundir e acabar por utilizar a Medicina alternativa, no lugar do Tratamento Convencional. No entanto, o Trata- mento Alternativo não deve ser o foco único de intervenção e não se deve excluir o Tratamento Convencional biomédico. Por isso, atualmente, no Brasil, é enfatizado o aspecto de uma Prática Integrativa e Complementar ao Sistema de Saúde domi- nante, ou seja, essas práticas caminham juntas com o Sistema de Saúde biomédico Convencional, sendo complementar ao Sistema de Saúde brasileiro. As Práticas Integrativas e Complementares são compostas por diversas moda- lidades de terapias e diagnóstico, estão elencadas em categorias como Sistemas Médicos completos, quais sejam: a Homeopatia, a Naturopatia e as Medicinas Tra- dicionais, como a chinesa e a ayuverdica; as que incluem Meditação e Oração; as Terapias Ortomoleculares e Fitoterapêuticas; as que incluem métodos de manipula- ção corporal como a Quiroraxia, a Osteopatia, as massagens e as terapias energé- ticas, como o Reiki (O’BRIEN, 2004; FRANÇA, 2017). A PNPIC possui diversos desdobramentos e uma interessante evolução histórica; por isso, seu aprofundamento será abordado em outra Unidade, assim como os principais marcos regulatórios das Práticas Integrativas e Complementares. Importante! O passo dado pela OMS e pelo Ministério da Saúde, no sentido de oficializar e regula- mentar as Práticas Integrativas em saúde, foi um grande passo na contribuição para o cuidado integral do ser humano. No entanto, deve-se ficar atento para que não se repita na Atenção Básica a mesma dinâ- mica dos ambientes hospitalares, tampouco se fragmentem as práticas. Segundo alguns autores, é importante a recuperação da saúde, baseada em uma prática de cuidado organizada em uma lógica usuário-centrada, que permita construir vínculos entre profissionais e a comunidade (SCHVEITZER et al., 2012). Além disso, é necessário, ainda, muito esforço para se regulamentar, fiscalizar, capacitar profissionais, analisar a demanda e como as práticas serão oferecidas, além da necessi- dade de se aprofundar as pesquisas nas Áreas Complementares. Nesse sentido, ainda há muito trabalho a ser desenvolvido e aprimorado, mas é inegável que as Práticas Integrativas terão participaçãoessencial no sistema de saúde brasileiro, no cuidado individual e no bem estar coletivo. Em Síntese 21 UNIDADE Panorama Internacional das Práticas Integrativas e Complementares em Saúde Material Complementar Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade: Vídeos O histórico das Práticas Integrativas e Complementares no Mundo BARROS, N. F. de. O histórico das Práticas Integrativas e Complementares no Mundo. https://youtu.be/BE69q8J8fv8 Leitura World Health Organization (WHO) World Health Organization (WHO). Estratégia de la OMS sobre Medicina Tradicional 2014-2023. https://goo.gl/jmifYZ Costs of Complementary and Alternative Medicine (CAM) and frequency of visits to CAM practitioners BARNES, P. M.; BLOOM, B., NAHIN, R. L.; STUSSMAN, B. J. (2009). Costs of Complementary and Alternative Medicine (CAM) and frequency of visits to CAM practitioners. United States, 2007. https://goo.gl/n3dXF2 Complementary and alternative medicine use among adults and children BARNES, P. M.; BLOOM, B.; NAHIN, R. L. Complementary and alternative medi- cine use among adults and children. United States, 2007-2008. https://goo.gl/z2wB1u A Medicina Integrativa e a construção de um novo modelo na saúde OTANI, M. A. P.; BARROS, N. F. de. A Medicina Integrativa e a construção de um novo modelo na saúde, Ciênc. saúde coletiva, Rio de Janeiro, v. 16, n. 3, p. 1801-1811, mar. 2011. https://goo.gl/4UU6dc 22 23 Referências BARNES P. M.; BLOOM, B.; NAHIN. R. L. CDC National Health Statistics Report #12. Complementary and Alternative Medicine Use Among Adults and Children: United States, 2007. NIH – National Institutes of Health. U.S. Department of Health & Human Services. 2008. Disponível em: . Acesso em: 7 fev. 2018. ________; STUSSMAN, B. J. Costs of complementary and alternative medicine (CAM) and frequency of visits to CAM practitioners, United States, 2007. 2009. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares no SUS – PNPIC-SUS / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. Brasília: Ministério da Saúde, 2006. 92p. Série B – Textos Básicos de Saúde. _______. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Re- latório do 1º Seminário Internacional de Práticas Integrativas e Complemen- tares em Saúde – PNPIC / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. Brasília: Ministério da Saúde, 2009a. 196p. Série C. Projetos, Programas e Relatórios. _______. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Práti- cas Integrativas e Complementares: plantas Medicinais e Fitoterapia na Atenção Básica/Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Brasília: Ministério da Saúde, 2012. 156p. Il. Série A. Normas e Manuais Técnicos. Cadernos de Atenção Básica; n. 31. _______. Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos. Departamento de Assistência Farmacêutica. Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápi- cos. Ministério da Saúde, Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos, Departamento de Assistência Farmacêutica. Brasília: Ministério da Saúde, 2006. 60p. Série B. Textos Básicos de Saúde. BRASIL. PNPIC é ampliada. Portal da Saúde, Ministério da Saúde. Publica- do em 25/03/2017. Disponível em: . Acesso em: 19 jan. 2018. BRASIL. Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares no SUS (org.: Leika Aparecida Ishiyama Geniole, Vera Lúcia Kodjaoglanian, Cristiano Costa Argemon Vieira. Campo Grande: UFMS/Fiocruz Unidade Cerrado Panta- nal, 2011. Módulo optativo 4. CHAO, S. et al. Musculoskeletal disorders: Does the osteopathic medical profession demonstrate its unique and distinctive characteristics? Journal of the American Osteopathic Association, 2004, 104(4):149-155. 23 UNIDADE Panorama Internacional das Práticas Integrativas e Complementares em Saúde CHRISTENSEN M. C.; BARROS N. F. Práticas Integrativas e Complementares no ensino médico: revisão sistemática da literatura. In: Barros NF, Siegel P, Otani MAP (org.0 O ensino das Práticas Integrativas e Complementares: experiências e percepções. São Paulo: Hucitec, 2011. Cap. 1, p. 29-44. DRESANG L. T.; BREBRICK, L.; MURRAY D.; SHALLUE, A.; SULLIVAN-VEDDER L. Family medicine in Cuba: community-oriented primary care and comple- mentary and alternative medicine. J Am Board Fam Pract. 2005;18:297-303. FRANÇA, L. R. Práticas Integrativas e Complementares no contexto da UFES: uma situação possível? Uma pesquisa de opinião com os servidores. Dissertação de Mestrado. 2017. HEBERLÊ, M. O. Um estudo da concepção dos profissionais de saúde sobre as práticas integrativas e Complementares em saúde. 2013. 95 f.Dissertação (Mestrado em Ciências Sociais) – Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais, Universidade Federal de Santa Maria, Rio Grande do Sul, 2013. LUZ, M. T.; ROSENBAUM P.; BARROS N. F. Medicina Integrativa, política pública de saúde conveniente. Jornal da Unicamp 2006; 27 ago. p. 2. Disponível em: http://www.unicamp.br/unicamp/unicamp_hoje/jornalPDF/ju334/pag02.pdf. Acesso em: 16 jan. 2018. O’BRIEN, K. Complementary and alternative medicine: the move into mainstream health care. Clinical and Experimental Optometry. 2004; 87 (2): 110-120. Disponível em: . Acesso em: 18 abr. 2016. OTANI, M. A. P.; BARROS, N. F. de. A Medicina Integrativa e a construção de um novo modelo na saúde. Ciênc. saúde coletiva, Rio de Janeiro , v. 16, n. 3, p. 1801-1811, Mar. 2011. Disponível em: . Acesso em: 15 jan. 2018. http://dx.doi.org/10.1590/S1413-81232011000300016. ROBERTI DI SARSINA, P. The social demand for a medicine focused on the person: the contribution of CAM to healthcare and health genesis. En: WHO. WHO traditional medicine strategy: 2014-2023. 2013. Printed in Hong Kong SAR, China. ISBN 978 92 4 150609 0. ROSS, S.; SIMPSON, C. R.; MCLAY, J. Homoeopathic and herbal prescribing in general practice in Scotland. Br J Clin Pharmacol. 2006; 62(2): 647-52. ROSSIGNOL, M. et al. Who seeks primary care for musculoskeletal disorders with physicians prescribing homeopathic and other complementary medicine? Resultados de la encuesta EPI3-LASER en Francia. Bio Med Central (BMC) Musculos keletal Disorder, 2011, 12: 21-26. SCHVEITZER, M. C.; ESPER, M. V.; SILVA, M. J. P. da. Práticas Integrativas e Complementares na Atenção Primária em Saúde: em busca da humanização do cuidado. Mundo saúde, (1995), p. 442-451, 2012. 24 25 SHARPLES, F. M. C. et al. NHS patients’ perspective on complementary medicine: a survey. Complementary Therapies in Medicine, 2003, 11(4): 243–248. SKOVGAARD, L. et al. Use of Complementary and Alternative Medicine among People with Multiple Sclerosis in the Nordic Countries. Autoimmune Diseases, 2012: 841085, 2012. doi: 10.1155/2012/841085 SOUSA, I. M. C. de; TESSER, C. D. Medicina Tradicional e Complementar no Brasil: inserção no Sistema Único de Saúde e integração com a atenção primária. Cadernos de Saúde Pública, v. 33, n. 1, 2017. VAS, J.; PEREA-MILLA, E.; MÉNDEZ, C. Acupuncture and moxibustion as an adjunctive treatment for osteoarthritis of the knee – a large case series. Acupuncture Med. 2004; 221(1):23-8. WILLIAMSON, M. et al. Information use and needs of complementary medicine users. Sydney, National Prescribing Service, 2008 (http://www.nps.org.au/data/ assets/pdf_ le/0010/66619/Complementary_Medicines_Report_-_Consumers. pdf) En: WHO. WHO traditional medicine strategy: 2014-2023. 2013. Printed in Hong Kong SAR, China .ISBN 978 92 4 150609 0.WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). General guidelines for methodologies on research and evaluation of traditional medicine. 2000. Disponível em: . Acesso em: 13 jan. 2018. _______. WHO traditional medicine strategy: 2014-2023. 2013. Printed in Hong Kong SAR, China .ISBN 978 92 4 150609 0 Disponível em: Acesso em: 13 jan. 2018. ZHANG, Q. et al. The importance of traditional Chinese medicine services in health care provision in China. Universitas Forum, 2011, 2(2): 1-8. 25