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Desenvolvimento das Práticas Integrativas e Complementares no Mundo 3

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DESENVOLVIMENTO
DAS PRÁTICAS
INTEGRATIVAS E
COMPLEMENTARES
NO MUNDO
Aula 1
PRÁTICAS INTEGRATIVAS E
COMPLEMENTARES NO
MUNDO
Práticas Integrativas e
Complementares no mundo
Olá, estudante! As PICS possuem uma forma diferenciada de olhar
para o processo saúde-doença, não se direcionando para a
disfunção, mas para o indivíduo que a possui. Complementando, o
indivíduo é visto de forma integral, sob todos os seus aspectos. E
essa maneira de cuidado, marca registrada das PICS, está presente
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em todo o mundo, porém, com peculiaridades conforme a região.
Vamos lá?!
Ponto de Partida
Olá, estudante boas-vindas à unidade sobre o desenvolvimento das
práticas integrativas e complementares em saúde no mundo! Neste
momento, conversaremos sobre o processo das práticas integrativas
e complementares ao redor do mundo, quais são seus conceitos,
sua visão e seus atributos gerais, e como a Organização Mundial da
Saúde (OMS) teve a intenção de inclusão e regularização dessas
práticas.
Baseadas no modelo de atenção humanizada e centrada na
integralidade do indivíduo, as PICS são práticas com diferentes
origens geográficas, culturais e históricas, e isso faz com que exista
uma ampla modalidade de práticas disponíveis atualmente. Dessa
forma, cada país possui uma variedade própria de PICS,
relacionadas à cultura local ou importadas de outras tradições,
reconhecidas com base nos aspectos socioculturais e nos diferentes
graus de integração com a medicina convencional de cada país.
Estas terapias encontram-se em crescente ascensão e visibilidade,
reflexo da busca por um modelo integral de cuidado.
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E vale destacar que a Política Nacional de Práticas Integrativas e
Complementares (PNPIC) é reconhecida internacionalmente como
referência em implantação das práticas integrativas e
complementares no sistema de saúde do nosso país. Dentro deste
contexto, se insere o ObservaPICS. Você, estudante, conhece o
ObservaPICS? Saberia dizer para que foi criado e seus objetivos?
Vamos Começar!
As Medicinas Tradicionais, Complementares e Integrativas (MTCI),
nomeação utilizada pela OMS, recebeu esta denominação para
incluir o termo Medicina Integrativa, para cobrir as abordagens
integrativas tanto da Medicina tradicional complementar (MTC)
quanto da medicina convencional em relação à política, ao
conhecimento e à prática. Estas práticas fazem referência a um
amplo grupo de terapias utilizadas na atenção à saúde baseada em
teorias, experimentações e experiências de diferentes e variadas
culturas, que são utilizadas para promoção da saúde, prevenção e
recuperação, levando em consideração o ser integral em todas as
suas dimensões. As MTCI promovem uma visão ampliada do
processo saúde/doença e da promoção global do cuidado humano,
incluindo o autocuidado, e atuam para o empoderamento dos
sujeitos.
Cada país possui sua própria variedade de práticas reconhecidas e
institucionalizadas ou consideram uma determinada prática de
maneira distinta em relação a outro país, levando em conta sua
inserção sociocultural e suas particularidades. As Medicinas
Tradicionais formam, de maneira importante, o modelo de cuidado à
saúde, sendo em muitos países a principal oferta de serviços à
população. Em outros países, sua inserção nos sistemas de saúde
acontece de forma complementar ao sistema convencional.
A OMS, buscando por maiores informações, idealizou e executou
um relatório com a finalidade de traçar a linha de evolução da
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instalação da Estratégia de Medicina Tradicional Chinesa e
Acupuntura ao longo dos continentes mundiais, coletando dados e
informações a partir de 2012 até o final de 2018. Esse relatório faz
menção a três articulações que tratam da Medicina Tradicional
Chinesa e Acupuntura no território brasileiro, sendo uma delas o
ObservaPICS, que tem por objetivo agregar conhecimentos em
torno das práticas integrativas e complementares em saúde,
alocando esses conhecimentos na Biblioteca Virtual em Saúde em
Medicinas Tradicionais, Complementares e Integrativas (BVS/MTCI)
e no Consórcio Acadêmico Brasileiro em Saúde Integrativa. A
intenção é o fortalecimento das atividades que objetivam agregar
saberes tradicionais, informações acerca de produção científica,
práticas exitosas e políticas em implantação nesse campo no Brasil
e nas Américas.
Em 2014, ocorreu a 67ª Assembleia Mundial da Saúde, na qual se
deram a votação e a aprovação da Resolução World Health
Assembly 67.18 – Assembleia Mundial em Saúde (WHA67.18), que
trata a respeito da medicina tradicional chinesa.
No ano de 2018, 124 países, que representam 64% dos Estados-
Membros da OMS, relataram ter em seus sistemas leis, regras,
normas ou regulamentos sobre a produção e utilização de
medicamentos fitoterápicos, e 78 países relataram ter políticas sobre
o fornecimento de medicamentos tradicionais e complementares. Já
no ano de 2019, foi feita a divulgação pela OMS, da informação de
que houve elevação de 79 para 109 países que realizaram a
implantação ou ampliaram o número inicial do marco legal e
regulatório em medicina tradicional chinesa e indiana. A
Organização avaliou que os Estados-Membros prestaram mais
atenção ao estabelecimento de políticas globais e de sistemas
relacionados a serviços de saúde tradicionais e complementares.
Segundo o relato e os dados constantes em relatório, os países
cada vez mais desejam e continuam se movimentando para integrar
a prática da Medicina Tradicional e Complementar aos mais
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variados níveis de prestação de atenção nos serviços de saúde, na
atenção primária, por meio de clínicas de bem-estar, voltadas ao
tratamento da dor e uso de medicamentos fitoterápicos.
A partir de 2014, o Secretariado da Convenção-Quadro da OMS
iniciou seus trabalhos no intuito de utilizar seus esforços para a
realização do desenvolvimento de documentos, normativas e
terminologias utilizadas no cunho internacional, além de ferramentas
para guiar os países. Já com relação aos acontecimentos advindos
no período estabelecido entre 2016 e 2018, a OMS realizou a
atualização e a efetivação de pesquisa global sobre medicina
tradicional, que culminou em outro relatório, o qual apresentou as
tendências constatadas nessa pesquisa.
Siga em Frente...
Em meados de 2017, ocorreu a unicidade relativa à prática de
Medicina Tradicional e Complementar da OMS, a qual somou à
denominação a terminologia Medicina Integrativa, com relação às
terapias que tivessem abordagem integrativa de Medicina
Tradicional e Complementar, em união com a medicina convencional
relacionada a políticas educativas, conhecimentos, saberes, terapias
e práticas. Ainda dando continuidade a essa ação, projetos em
andamento estabeleciam forma melhorada de compreensão dessa
integração, da mesma maneira que se deu com a medicina
integrativa, e proporcionar, de forma orientada aos Estados-
Membros da OMS, os critérios e elementos das melhores práticas
para integrar a Medicina Tradicional, Complementar e Integrativa
aos sistemas de saúde ao redor do mundo.
Contudo, em relação ao documento liberado em maio de 2019, a
OMS colocou como destaques a apresentação de oficinas
executadas para preparar representantes dos países que estavam
realizando a implantação ou expansão de suas políticas sobre as
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(19%), medicina ayurvédica (1-19%), quiropraxia (40-59%),
medicamentos fitoterápicos (80-99%), homeopatia (20-39%),
naturopatia (1-19%), osteopatia (60-79%) e Medicina Tradicional
Chinesa (1-19%). Todas as práticas estão disponíveis apenas em
clínicas privadas e alguns seguros de saúde realizam o reembolso.
É necessário licença ou certificado emitido por órgão nacional,
governo provincial, municipal ou comunitário para praticar. Já a
regulamentação de fitoterápicos é a mesma dos produtos
farmacêuticos convencionais.
Chile
Semelhante à Bolívia, no Chile existe regulamentação para a
Política de Saúde dos Povos Indígenas incluindo a medicina
tradicional. Também existe um Programa Especial de Saúde e
Povos Indígenas.
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Desde 2015 o Ministério da Saúde tem trabalhado no
desenvolvimento de regulamento que estabelece o direito de povos
indígenas para receber assistência à saúde com relevância cultural.
A intenção é regular os cuidados de saúde prestados no sector
público e não regular os sistemas de saúde dos povos indígenas ou
nativos, pois o regulamento, ainda em processo administrativo,
reconhece, protege e respeita os sistemas ancestrais de cura,
práticas religiosas e crenças culturais e espirituais desses povos.
Outras práticas utilizadas por cerca de 19% da população incluem
acupuntura, fitoterapia, homeopatia e naturopatia. Existem decretos
específicos que regulamentam estes atendimentos e são aplicados
a nível nacional.
Colômbia
A Colômbia não possui política ou documento legal específico para
MTC. Entretanto, o país tem um quadro regulamentar que abrange a
prática da MTC pelos profissionais de saúde; a inclusão dos
serviços no sistema de saúde; a prestação de serviços,
medicamentos homeopáticos e produtos fitoterápicos; e lojas de
alimentos naturais.
Existe uma regulamentação exclusiva para medicamentos
fitoterápicos, que são regulamentados como medicamentos não
sujeitos a receita médica.
Outras práticas utilizadas incluem a acupuntura, medicina
ayurvédica, quiropraxia, fitoterapia, homeopatia, naturopatia,
osteopatia, Medicina Tradicional Chinesa, Medicina Unani, equilíbrio
polar eletromagnético, terapia neural e sintergética.
Paraguai
O Paraguai também não possui política ou lei para a MTC. No país
existe o projeto de Política Nacional de Plantas Medicinais que é um
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documento estruturado e revisado por especialistas e discutido em
conferências temáticas.
Também existe uma regulamentação específica para medicamentos
fitoterápicos, que inclui produtos homeopáticos, em que os
medicamentos fitoterápicos são classificados como fitofármacos de
venda livre e são vendidos com reivindicações baseadas no uso
popular. Não existe regulamentação sobre a fabricação de
medicamentos fitoterápicos que garanta sua qualidade.
Com relação às práticas usadas, incluem-se a acupuntura, medicina
ayurvédica, quiropraxia, fitoterapia, homeopatia, naturopatia,
osteopatia, Medicina Tradicional Chinesa e Medicina Unani,
oferecidas apenas em clínicas privadas. Desde 2017 existe um
projeto de regulamentação para prestadores de MTC que está em
análise pela assessoria jurídica do Ministério da Saúde.
México
Subindo no mapa temos o México, em que a Política Nacional de
MTC está integrada no Programa Nacional de Saúde 2007-2012:
Medicina Tradicional e Sistemas Complementares de Saúde, “Por
um México Saudável”, construindo alianças para uma saúde melhor.
Comitês de especialistas foram criados em 2002 para a medicina
tradicional indígena e em 2007 para as práticas de medicina
complementar de fitoterapia, homeopatia e acupuntura.
Com relação à fitoterapia, o documento oficial do governo “Rumo a
uma política farmacêutica integral para o México”, de 2005, inclui
capítulo sobre medicamentos fitoterápicos. Os medicamentos
fitoterápicos são regulamentados como “produtos de saúde”,
juntamente com produtos farmacêuticos convencionais,
medicamentos alopáticos e medicamentos homeopáticos. A garantia
da qualidade se dá por meio de regulamentação semelhante, ao
abrigo do Regulamento de Produtos de Saúde.
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As práticas integrativas usadas no México são: medicina tradicional
indígena, fitoterapia, acupuntura, aromaterapia, terapia floral de
Bach, quiropraxia, homeopatia, naturopatia, osteopatia, Medicina
Tradicional Chinesa e Medicina Unani.
Vamos Exercitar?
No Canadá, assim como em outros países, as PICS possuem
caraterísticas e regulamentações específicas.
O Canadá possui o Gabinete e a Lei de Produtos Naturais para a
Saúde direcionado para a segurança e eficácia de medicamentos
fitoterápicos. Ainda, a Diretoria de Produtos de Saúde Naturais e
Sem Prescrição (NNHPD), subordinada à Health Canada, cuida da
regulamentação de produtos naturais para a saúde que incluem
medicamentos homeopáticos e medicamentos tradicionais. O país
também possui políticas rigorosas sobre pesquisas com seres
humanos incluindo aspectos éticos da investigação com populações
aborígenes.
Com relação às práticas integrativas mais utilizadas, a Pesquisa
Canadense de Saúde Comunitária, realizada em 2005, indicou o uso
de acupuntura, quiropraxia, fitoterápicos, homeopatia e naturopatia
por 1-19% da população. A medicina ayurvédica, a osteopatia, a
Medicina Tradicional Chinesa e a Medicina Unani também são
utilizadas, mas não estão disponíveis dados sobre a sua
percentagem de utilização. Outras práticas das MTC, como o
método Feldenkrais e a técnica de Alexander, biofeedback, rolfing,
reflexologia, cura religiosa e cura espiritual, também são usadas por
1-19% da população no Canadá, o que comparado a outros países
mostra uma adesão mais baixa de tais práticas nos cuidados com a
saúde.
Saiba Mais
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Sugestão de capítulo de livro
O capítulo de livro Medicinas Tradicionais nas Américas (Seção II,
Capítulo 10) do livro Medicina integrativa na prática clínica,
disponível em nossa Biblioteca Virtual, traz mais informações
relacionadas às PICS em alguns países da América Latina.
ROHDE, C. B. dos S.; MARIANI, M. M. de C.; GHELMAN,
R. Medicina integrativa na prática clínica. 1. ed. Santana de
Parnaíba: Manole, 2021.
Sugestão de artigo científico
Vamos aprender mais sobre as PICS nos países ocidentais com a
leitura do artigo Práticas integrativas e complementares no ocidente:
uma proposta EAD para qualificação de profissionais da área de
saúde. 
MILDER, L. M. C.; LIMA, C. P. Práticas integrativas e
complementares no ocidente: uma proposta EAD para qualificação
de profissionais da área de saúde. Cadernos da Escola de Saúde,
v. 17, n. 2, p. 4-19, 2018.
Outras sugestões
O relatório global da OMS sobre as práticas integrativas contém
informações sobre as abordagens e o uso de tais práticas em todas
as regiões do mundo: África, Américas, Mediterrâneo Oriental,
Europa, Sudeste Asiático e Pacífico Ocidental.
WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). WHO global report on
traditional and complementary medicine 2019. Geneva: World
Health Organization, 2019. 
Referências Bibliográficas
BIBLIOTECA VIRTUAL EN SALUD – MEDICINAS
TRADICIONALES, COMPLEMENTARIAS E INTEGRAFIVAS (BVS
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https://iris.who.int/bitstream/handle/10665/312342/9789241515436-eng.pdf?sequence=1&isAllowed=yhttps://iris.who.int/bitstream/handle/10665/312342/9789241515436-eng.pdf?sequence=1&isAllowed=y
MTCI). Medicinas Tradicionales de las Americas. Disponível em:
https://mtci.bvsalud.org/medicina-tradicional-en-las-americas/.
Acesso em: 15 dez. 2023.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde.
Secretaria de Atenção à Saúde. Política Nacional de Promoção da
Saúde. 3. ed. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2010.
SOUZA, I. C.; GUIMARÃES, M. B.; GALLEGO-PEREZ, D. F.
(Org.) Experiências e reflexões sobre medicinas tradicionais,
complementares e integrativas em sistemas de saúde nas
Américas. Recife: Fiocruz; ObservaPICS, 2021. 
WORLD HEALTH ORGANIZATION. WHO global report on
traditional and complementary medicine 2019. World Health
Organization. Disponível em:
https://iris.who.int/handle/10665/312342. Acesso em: 18 dez. 2023.
Encerramento da Unidade
DESENVOLVIMENTO DAS
PRÁTICAS INTEGRATIVAS E
COMPLEMENTARES NO
MUNDO
Videoaula de Encerramento
Olá, estudante! Nesta videoaula vamos compreender como se deu o
desenvolvimento das PICS nos diferentes continentes pelo mundo,
suas principais características, as práticas mais usadas, como se dá
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https://mtci.bvsalud.org/medicina-tradicional-en-las-americas/
https://iris.who.int/handle/10665/312342
seu controle e quais as expectativas futuras. Ainda, nesse momento
teremos conhecimento suficiente para integrá-los e diferenciar as
características do emprego das PICS comparado ao Brasil. E não
vale esquecer que somos referência! Vamos lá?
Ponto de Chegada
Olá, estudante! As MTCI abrangem um modelo de cuidado à saúde
que não consta e nem faz parte da tradição do cuidado ou da
medicina tida como convencional e usual, bem como não estão, em
sua totalidade, integradas ao sistema de saúde vigente. Os países,
cada vez mais, desejam e continuam se movimentando para integrar
a prática da Medicina Tradicional e Complementar aos mais
variados níveis de atenção dos serviços de saúde. Este aprendizado
vai de encontro com as competências para esta unidade: conhecer a
representatividade das PICS no mundo, assim como explorar as
regulamentações, os cuidados e as características destas práticas
nas diferentes regiões do planeta.
Podemos dizer então, que em alguns países, sua inserção nos
sistemas de saúde acontece de forma complementar ao sistema
convencional, já em outros, esses termos são usados,
alternadamente, para fazer referência à medicina tradicional.
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No ano de 2019, houve um aumento de 79 para 109 no número de
países que realizaram a implantação ou ampliaram o número inicial
do marco legal e regulatório em medicina tradicional chinesa e
indiana. Ainda, 64% dos Estados-Membros da OMS (124 países)
relataram ter em seus sistemas algum tipo de dispositivo
responsável sobre a produção e utilização de medicamentos
fitoterápicos, e 78 países relataram ter políticas sobre o
fornecimento de medicamentos tradicionais e complementares. E
vários outros progressos foram registrados em todas as regiões do
planeta: África, região da Américas, Mediterrâneo Oriental, Europa,
Ásia e Pacífico Ocidental.
A prática da medicina alternativa, nome ainda utilizado em algumas
regiões dos EUA, vem sendo substituída pela denominação Práticas
ou Terapias Integrativas e Complementares, reafirmando a
importância da relação terapeuta-paciente com foco no indivíduo
como um todo. Nos Estados Unidos, é o governo quem estimula a
pesquisa e a adesão às PICS. O National Center for Complementary
and Integrative Health, que é parte do Departamento Nacional de
Saúde, é o órgão responsável pela investigação científica voltada
para o uso e a segurança das intervenções de medicina
complementar e integrativa, bem como pela melhoria da saúde. As
evidências científicas permitirão que o público e os profissionais de
saúde utilizem essas técnicas para a tomada de decisões em saúde.
Já na Europa, a European Federation for Complementary and
Alternative Medicina (EFCAM) é a federação que possui a
responsabilidade de regulamentar as PICS em 23 países. A EFCA
tem, portanto, o objetivo de garantir as PICS política de saúde
europeia e assegurar a livre escolha de quais terapias
disponibilizarem, visando a melhora na disponibilização e no acesso
de tais práticas. Um ponto importante é que no continente europeu,
a abordagem das TIC e suas formas de aplicação podem mudar
radicalmente de um país para outro e, até mesmo, dentro de um
único país, entre diferentes grupos socioeconômicos. Existem
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mudanças significativas no tratamento, nas regras e nomenclaturas
das práticas que são diferentes, não havendo padronização de
procedimentos e terapias.
No continente asiático, a utilização de medicinas tradicionais é muito
forte, e não à toa que Estados-Membro da região têm demonstrado
compromisso contínuo para melhorias da estrutura para MTCI.
Nas Américas, existe o intercâmbio com as culturas locais e
ancestrais, dos povos indígenas ou originários e tradicionais, sendo
utilizadas práticas menos invasivas, oriundas de outros países, tais
como a acupuntura e a homeopatia. Cada país possui uma
variedade própria de práticas reconhecidas e institucionalizadas ou
consideram uma determinada prática de maneira distinta em relação
a outro país, levando em conta sua inserção sociocultural e suas
particularidades.
Brasil, Bolívia, Colômbia, Cuba, EUA, Haiti, México, Nicarágua,
Paraguai, Uruguai, Venezuela são exemplos de países que
implementaram as MTCI nos serviços de saúde como oferta
principal de tratamento ou como medicina complementar.
Vale ainda mencionar que as diferentes origens das MTCI nas
Américas são:
Medicina tradicional norte-americana.
Medicina tradicional andina.
Medicina tradicional mesoamericana.
Medicina tradicional amazônica.
Medicina tradicional afro-americana.
Medicina tradicional comunidades Rom.
É Hora de Praticar!
Imagine que você é um profissional de saúde com especialização
em PICS e que trabalha na Rede Regional em MTCI para as
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Américas. A rede é uma iniciativa inclusiva, de governança
horizontal, da qual participam, atualmente, diversas instituições de
15 países, incluindo Argentina, Brasil, Bolívia, Chile, Colômbia,
Cuba, Equador, EUA, Guatemala, México, Nicarágua, Paraguai,
Peru, Uruguai e Venezuela.
A rede de MTCI para as Américas articula as instituições que geram
políticas, regulam, formam profissionais, pesquisam, desenvolvem
programas e educam o público em geral no tocante aos diversos
sistemas médicos e terapêuticos das MTCI, e que, por meio da
colaboração e da gestão do conhecimento, apoiam a tomada de
decisões em diferentes âmbitos, a fim de aproveitar as contribuições
potenciais das MTCI à saúde com segurança, qualidade e
pertinência.
Você escolheu trabalhar lá pois a Rede Regional em MTCI para as
Américas é uma iniciativa colaborativa com diversos atores sociais
(organizações, instituições governamentais e não governamentais,
entre outros) criada para desenvolver uma agenda comum e
avançar rumo à integração das MTCI nos sistemas e serviços de
saúde dos países da América, de acordo com os contextos
nacionais. Então, você foi contratado para ser coordenador de uma
equipe responsável pela regulamentação, criação de políticas
públicas, formação de profissionais, pesquisa e desenvolvimento.
Você já contratoua sua equipe multiprofissional e, agora, precisa
criar políticas públicas, regulamentar as práticas existentes no
continente americano, formar e capacitar profissionais, validar
cientificamente as MTCI e desenvolver programas para informar o
público geral sobre as MTCI existentes e disponíveis. Como você
pode realizar estas atividades tão importantes?
Reflita
Agora que você já conhece a história e os principais conceitos das
práticas integrativas pelo mundo, bem como, de que forma estas
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práticas estão sendo introduzidas nos diferentes sistemas de saúde,
reflita:
Seria possível instituir uma forma padrão de inserção destas
práticas para a população mundial?
Tem algum país que te chamou mais a atenção (positivamente
ou negativamente) pela forma como lida com estas práticas?
Você consegue perceber pontos relevantes que fizeram do Brasil
referência na utilização das PICS?
Resolução do estudo de caso
De acordo com demandas passadas a você, é possível:
Estabelecer laços de cooperação entre os atores sociais dos
países da região das Américas e desenvolver diferentes
aspectos das MTCI: políticas públicas, regulação (de práticas,
produtos e profissionais), formação de recursos humanos,
pesquisa, educação em saúde e prestação de serviços de
saúde
Compilar e sistematizar informações técnicas, científicas,
regulatórias e de políticas públicas em MTCI nas Américas por
meio de uma base de dados e da BVS em MTCI a partir da
colaboração entre atores em nível regional.
Gerir a BVS em MTCI como um espaço de encontro entre os
diversos atores sociais que trabalham em MTCI na região das
Américas com o objetivo de desenvolver um panorama regional
sobre os diferentes aspectos das MTCI, facilitar a troca de
experiências, facilitar o acesso à informação científica, técnica
e de educação em saúde, apoiar o fortalecimento de
capacidades e a visibilidade de boas práticas.
Promover a pesquisa colaborativa em MTCI na região das
Américas.
Favorecer o resgate de conhecimentos ancestrais, incluindo a
medicina tradicional indígena e de outras diversidades étnica.
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Apoiar processos de tomada de decisões para a integração das
MTCI aos sistemas e serviços de saúde na região das
Américas, de acordo com os contextos nacionais, seguindo as
recomendações da Estratégia OMS de Medicina Tradicional.
Promover a visibilidade, em nível mundial, das políticas
públicas, modelos de integração, saberes e práticas das
medicinas tradicionais, dos desenvolvimentos conceituais e de
pesquisas em MTCI realizadas na região das Américas.
Estudante, esta situação-problema foi desenvolvida com o propósito
de lhe trazer mais conhecimento sobre a atuação da Rede Regional
em MTCI para as Américas. Dessa forma, fica claro que a Rede
possui grande complexidade na sua estrutura e no seu
planejamento e desenvolvimento das ações, porém, de um modo
mais simples de pensar suas atividades fica bem mais fácil reter o
conhecimento!
Dê o play!
Assimile
No decorrer desta unidade foi possível conhecer e integrar os
aprendizados referentes às PICS nos diferentes cantos do mundo!
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Com o mapa mental apresentado, ficará mais fácil estudar e
memorizar as características das PICS nos diferentes continentes!
Fonte: elaborada pela autora.
Referências
CHUNG, V. C. H. et al. Implementation science in traditional,
complementary and integrative medicine: An overview of
experiences from China and the United States. Phytomedicine, v.
109, 154591, 2023.
MACHADO, M. G. M.; et al. Práticas integrativas e
complementares em saúde. Porto Alegre: SAGAH, 2021.
ROHDE, C. B. dos S.; MARIANI, M. M. de C.; GHELMAN,
R. Medicina integrativa na prática clínica. 1. ed. Santana de
Parnaíba: Manole, 2021.
SOUZA, I. C.; GUIMARÃES, M. B.; GALLEGO-PEREZ, D. F.
(Org.) Experiências e reflexões sobre medicinas tradicionais,
complementares e integrativas em sistemas de saúde nas
Américas. Recife: Fiocruz; ObservaPICS, 2021.
World Health Organization - WHO. Report on financial and
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proposed for adoption by the Executive Board or Health
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Assembly. Sixty-Seventh World Health Assembly, 2014. Disponível
em: https://apps.who.int/gb/ebwha/pdf_files/WHA67/A67_18Add1-
en.pdf. Acesso em: 18 dez. 2023.
WORLD HEALTH ORGANIZATION. WHO global report on
traditional and complementary medicine 2019. World Health
Organization. Disponível em:
https://iris.who.int/handle/10665/312342. Acesso em: 18 dez. 2023.
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práticas integrativas e complementares, a produção de redes e de
acordos inter-regionais.
Além das políticas e regulamentações nacionais sobre medicinas
tradicionais e complementares (MTC) que foram desenvolvidas em
cada vez mais Estados-Membros, a infraestrutura de governação a
nível nacional também melhorou significativamente. Fato apontado
em que, até 2018, 107 Estados-Membros tinham um gabinete
nacional de medicina tradicional e 75 Estados-Membros tinham um
instituto nacional de investigação.
Os progressos registados em 2018 foram generalizados em todas
as seis regiões da OMS:
Na Região Africana da OMS, entre 2005 e 2018, foram
registrados progressos significativos no desenvolvimento de
políticas, leis e regulamentos nacionais e de programas
nacionais para MTC. A regulamentação e o registro de
medicamentos fitoterápicos continuam a ser um desafio para a
região.
Na Região das Américas da OMS, houve aumento no número
de Estados-Membros que desenvolvem políticas, programas,
leis e regulamentos nacionais. A região ficou ligeiramente atrás
do cenário global para todos os indicadores, mas prevê-se que
a MTC será constantemente reconhecida como um contributo
valioso nos cuidados com a saúde.
Na Região do Mediterrâneo Oriental da OMS, registaram-se
progressos assinaláveis na área da regulamentação e registro
de medicamentos fitoterápicos desde 2005, em que a região se
sai melhor do que o cenário global. Dos 21 países desta região,
nove relataram ter uma política nacional para MTC e 12 países
relataram leis e regulamentos que regem a MTC.
Na Região Europeia da OMS, houve um grande aumento do
número de Estados-Membros com sistema de registo e
regulamentação para medicamentos à base de plantas. No
entanto, indicadores como políticas, gabinetes, programas e
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institutos de investigação nacionais para MTC ficam
significativamente atrás das médias globais.
A Região do Sudeste Asiático da OMS, que tem vários
sistemas históricos de medicina tradicional na região e um forte
foco político, teve um desempenho melhor do que as médias
globais em todos os indicadores.
A Região do Pacífico Ocidental da OMS teve um forte enfoque
político, com 17 dos 27 Estados-Membros a reportarem uma
política nacional para MTC. A região está atrasada em relação
ao cenário global no registro e regulamentação de fitoterápicos,
mas é comparável em todos os outros indicadores.
Complementando, a fim de prestar apoio contínuo, a OMS solicitou
aos Estados-Membros que definissem as suas necessidades de
assistência. As respostas incluíram pedidos de apoio e orientação
técnica geral para pesquisa e avaliação da MTC, compartilhamento
de informações sobre questões regulamentares, workshops sobre
capacitação nacional e fornecimento de bases de dados de
investigação.
Vamos Exercitar?
Vimos que o ObservaPICS tem como objetivo principal unir
conhecimentos relacionados às práticas integrativas e
complementares. Dessa forma, o ObservaPICS é um canal de
comunicação do Observatório Nacional de Saberes e Práticas
Tradicionais, Integrativas e Complementares em Saúde
(ObservaPICS) para partilhar experiências e estudos e gerar
discussões acerca dessa modalidade de cuidado com
pesquisadores de diversas instituições, trabalhadores, gestores e
usuários do SUS.
A missão do Observatório é promover reflexões teóricas e práticas,
mapeamento e análise crítica das PICS, com ênfase no SUS.
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Portanto, seus objetivos são debater, articular a troca de
conhecimentos, estimular e produzir pesquisas, comparar e
responder diferentes dúvidas quanto à validação das práticas e a
integração com os procedimentos convencionais biomédicos.
O observatório tem apoio do Ministério da Saúde e parceria com a
Biblioteca Virtual em Saúde em Medicinas Tradicionais
Complementares e Integrativas em Saúde (BVS-MTCI-Bireme), do
Consórcio Acadêmico Brasileiro para a Saúde Integrativa e da Rede
PICS Brasil.
Saiba Mais
Sugestão de capítulo de livro
Para complementar os conhecimentos desta aula sugerimos a
leitura do capítulo Natureza, saúde e princípios socioecológicos
(Seção 3, Capítulo 24), do livro Bases da medicina integrativa
disponível em nossa Biblioteca Virtual.
LIMA, P. T. R. Bases da medicina integrativa. 3. ed. Santana de
Parnaíba: Manole, 2023. Biblioteca Virtual.
 Sugestão de artigo científico
Para agregar aos seus conhecimentos sobre as práticas
integrativas, o artigo Medicina Tradicional Complementar e
Integrativa: desafios para construir um modelo de avaliação do
cuidado discorre sobre a complexidade e a diversidade do que se
propõe sob a lógica da Medicina Tradicional, Complementar e
Integrativa (MTCI), que constitui um desafio para os interessados
em evidências de sua efetividade. O seu crescimento, a sua oferta e
o seu uso justificam a necessidade de construir referenciais
metodológicos mais complexos e mais adequados para explicitar a
singularidade do cuidado e a diversidade de suas técnicas. 
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https://www.scielo.br/j/csc/a/s7Wp8hbTLzkFPsMtSXKdCgp/?format=pdf&lang=pt
https://www.scielo.br/j/csc/a/s7Wp8hbTLzkFPsMtSXKdCgp/?format=pdf&lang=pt
https://www.scielo.br/j/csc/a/s7Wp8hbTLzkFPsMtSXKdCgp/?format=pdf&lang=pt
SOUSA, I. M. C. de; HORTALE, V. A.; BODSTEIN, R. C. de A.
Medicina Tradicional Complementar e Integrativa: desafios para
construir um modelo de avaliação do cuidado. Ciência & Saúde
Coletiva, v. 23, n. 10, p. 3403-3412, 2018. 
 Outras sugestões
A página sugerida faz parte do site da Organização Pan-America da
Saúde/Organização Mundial da Saúde e aborda as Medicinas
tradicionais, complementares e integrativas. Explore a página e seus
links para mais áreas de conhecimento, como, OMS: Estratégia de
medicina tradicional e Tópicos relacionados.
Fonte completa: Organização Pan-America da Saúde –
OPAS/Organização Mundial da Saúde – OMS. Medicinas
tradicionais, complementares e integrativas. 
Referências Bibliográficas
BRASIL. Ministério da Saúde. Glossário temático: práticas
integrativas e complementares em saúde. Secretaria-Executiva.
Secretaria de Atenção à Saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2018.
BRASIL. Ministério da Saúde. Política nacional de práticas
integrativas e complementares no SUS: atitude de ampliação de
acesso. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção
Básica. 2. ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2015.
BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria n. 2.761, de 19 de
novembro de 2013. Institui a Política Nacional de Educação
Popular em Saúde no âmbito do Sistema Único de Saúde (PNEPS -
SUS). Brasília: Ministério da Saúde, 2013.
BRASIL. Ministério da Saúde. Resolução nº 466, de 12 de
dezembro de 2012. Trata de pesquisas em seres humanos e
atualiza a Resolução nº 196. Conselho Nacional de Saúde. Brasília:
Ministério da Saúde, 2012.
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https://www.paho.org/pt/topicos/medicinas-tradicionais-complementares-e-integrativas
https://www.paho.org/pt/topicos/medicinas-tradicionais-complementares-e-integrativas
https://www.paho.org/pt/topicos/medicinas-tradicionais-complementares-e-integrativas
https://www.paho.org/pt/topicos/medicinas-tradicionais-complementares-e-integrativas
SOUSA, I. M. C. de; HORTALE, V. A.; BODSTEIN, R. C. de A.
Medicina TradicionalComplementar e Integrativa: desafios para
construir um modelo de avaliação do cuidado. Ciência & Saúde
Coletiva, v. 23, n. 10, p. 3403-3412, 2018. Disponível
em: https://www.scielo.br/j/csc/a/s7Wp8hbTLzkFPsMtSXKdCgp/?
format=pdf&lang=pt. Acesso em: 18 dez. 2023.
World Health Organization - WHO. Report on financial and
administrative implications for the Secretariat of resolutions
proposed for adoption by the Executive Board or Health
Assembly. Sixty-Seventh World Health Assembly, 2014. Disponível
em: https://apps.who.int/gb/ebwha/pdf_files/WHA67/A67_18Add1-
en.pdf. Acesso em: 18 dez. 2023.
WORLD HEALTH ORGANIZATION. WHO global report on
traditional and complementary medicine 2019. World Health
Organization. Disponível em:
https://iris.who.int/handle/10665/312342. Acesso em: 18 dez. 2023.
Aula 2
PRÁTICAS INTEGRATIVAS E
COMPLEMENTARES NOS
PAÍSES ORIENTAIS
Práticas Integrativas e
Complementares nos países
orientais
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https://www.scielo.br/j/csc/a/s7Wp8hbTLzkFPsMtSXKdCgp/?format=pdf&lang=pt
https://www.scielo.br/j/csc/a/s7Wp8hbTLzkFPsMtSXKdCgp/?format=pdf&lang=pt
https://apps.who.int/gb/ebwha/pdf_files/WHA67/A67_18Add1-en.pdf
https://apps.who.int/gb/ebwha/pdf_files/WHA67/A67_18Add1-en.pdf
https://iris.who.int/handle/10665/312342
Olá, estudante! As PICS possuem relação muito forte com a cultura
oriental. Mas se pensarmos que práticas integrativas possuem
raízes nas medicinas tradicionais já conseguimos ampliar nossos
horizontes para outros povos e culturas. E justamente esse é o tema
de nossa aula, mas com enfoque nos países orientais. Tenho
certeza de que irá gostar!
Ponto de Partida
Olá, estudante! Muitas pessoas pensam que as práticas integrativas
são orientais. Talvez pela grande difusão da Medicina Tradicional
Chinesa (MTC) e suas técnicas. E de fato, o sucesso da MTC e
suas técnicas têm sua parcela de responsabilidade para tal
suposição.
De fato, estas práticas são amplamente utilizadas e respeitadas,
com comprovação científica advinda de estudos científicos robustos.
Outro fator que contribuiu para a sua disseminação é que estas
práticas são milenares e possuem muita força na cultura oriental.
Podemos dizer ainda, que a MTC está entre as práticas mais
buscadas em todo o mundo.
Porém, sabemos que as práticas integrativas orientais são mais
abrangentes que as técnicas da medicina chinesa como acupuntura
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e moxabustão. Outras técnicas, advindas também de povos
orientais são reconhecidas.
Nesta aula, vamos explorar um pouco destas culturas e as
características do uso das práticas integrativas nos países orientais
mais conhecidos por nós.
Além disso, gostaria que você, estudante, refletisse no decorrer da
aula se quando falamos de países orientais, e sua relação com as
PICS, nos referimos à MTC e as mesmas práticas por toda
população asiática ou há características próprias em cada país?
Vamos Começar!
A implementação da Medicina Tradicional, Complementar e
Integrativa (MTCI) nos sistemas convencionais de prestação de
serviços de saúde tem sido defendida, já há um bom tempo, pela
OMS. No entanto, existem vários desafios para integrar a MTCI em
ambiente dominado pela medicina convencional. Mesmo quando as
MTCI estão formalmente incorporadas no sistema de saúde, ainda é
difícil transformar a prática com evidências clínicas para melhorar a
qualidade.
Reconhecendo estas barreiras, é importante utilizar o conhecimento
derivado da ciência da implementação para compreender e facilitar
a implementação de serviços de MTCI em ambientes de cuidados
de saúde convencionais e para promover a incorporação de
evidências na prática de MTCI. 
No continente asiático, considerando o período de 2005 a 2018, os
Estados-Membros têm demonstraram forte compromisso contínuo
com a política, lei, regulamentação e infraestrutura nacional para
MTCI, em que a grande maioria afirmou ter uma política, programa,
escritório e comitê de especialistas nacionais para MTCI.
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O uso de medicinas tradicionais pela população também é
fortemente reconhecido na região. O maior crescimento que foi
observado é referente à regulamentação de medicamentos
fitoterápicos.
Apesar deste enraizamento cultural da MTCI, a ciência da
implementação fornece uma perspectiva multifatorial sobre a
implementação, aplicando os chamados quadros determinantes
para identificar diferentes fatores que influenciam nesta
implementação. Os determinantes, que podem ser barreiras ou
facilitadores, são categorizados em cinco domínios
interdependentes:
1. Eficácia da estratégia utilizada para apoiar a implementação.
2. Atributos do serviço implementado, como a sua complexidade
percebida e compatibilidade com serviços anteriores.
3. Características dos adotantes (suas atitudes, suas crenças e
sua motivação em relação ao serviço implementado).
4. Características dos pacientes ou destinatários da prática
implementada (preferências e valores, por exemplo).
5. Influências contextuais, como a cultura e outras influências
coletivas sobre os adotantes. 
 A importância de cada um destes domínios deve ser avaliada caso
a caso, e as estratégias para apoiar a implementação devem ser
idealmente adaptadas às barreiras identificadas à implementação. 
No que diz respeito à MTC, é perceptível que se mantiveram como
as técnicas mais próximas do tradicional e com menor influência do
saber ocidental. Apesar de possuir origens muito antigas, de acordo
com os registros históricos, as técnicas sofreram pouca ou nenhuma
influência das práticas ocidentais até a metade do século XIX. São,
contudo, consideradas as técnicas naturais e não medicamentosas
que possuem maior divulgação e cada vez mais respeito.
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A história das técnicas relacionadas à MTC se mistura com a história
política da China, em que passaram por períodos de menor
expressão e até de proibição de seu uso. Os governos chineses são
conhecidos como dinastias, e cada uma delas trouxe uma forma
diferente de entender as práticas terapêuticas tradicionais e a
influência das práticas ocidentais sobre elas. Na década de 1920,
durante a Era Guomindang, o governo tentou acabar com as
terapias tradicionais, mas não houve sucesso. Quando foi instituída
a República Popular da China, em 1949, as técnicas tradicionais
chinesas foram reconhecidas e formalizadas. Os profissionais
tradicionais foram estimulados a intercambiar saberes com o
Ocidente, tornando as duas linhas de pensamento integradas e
complementares e expandindo os saberes orientais.
Esta integração entre as terapias tradicionais e as práticas
ocidentais culminou em maior rigor científico, cada vez mais
expressivo na documentação das antigas práticas chinesas. Os
avanços científicos relacionadas à MTC e suas técnicas também
contribuiu para maior aproximação ocidental gerando mais
visibilidade e maior aplicação das práticas fora do território chinês.
Dessa forma, observamos hoje que as práticas tradicionais orientais
convivem de forma harmoniosa com a medicina convencional, e os
profissionais de saúde têm a liberdade de utilizar as duas
abordagens de forma paralela.
Outra prática tradicional oriental conhecida é a Medicina Ayurvédica
(MA). Não se tem dados precisos com relação ao seu surgimento,
mas esta forma também milenar (acredita-se tratar de mais de 5000
anos atrás) de cuidados com a saúde podeter tido seus
ensinamentos passados inicialmente de forma oral. Assim, podemos
dizer que a civilização védica no sudeste da Ásia migrou para o sul
para criar a Medicina Ayurvédica, enquanto a civilização austral criou
a Medicina Tradicional Chinesa.
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As abordagens de tratamento da MA envolvem mudanças na dieta,
utilização de ervas, uso de massagens e práticas purificadoras,
todas elas com o objetivo de equilibrar a fisiologia do indivíduo.
Em 1947, após a independência da Índia, a ayurveda, antes proibida
pelos britânicos, pôde ser praticada. E, em 1971, a MA foi autorizada
a fazer parte do sistema de saúde oficial da Índia. A partir de então,
a ayurveda se disseminou por diversas regiões, incluindo Europa,
Japão, Austrália, Rússia, América do Norte e do Sul.
Índia
Na Índia, a política nacional sobre MTCI é a Política Nacional sobre
Sistemas Indianos de Medicina e Homeopatia, de 2002. A legislação
nacional sobre estas práticas inclui a Lei do Conselho Central de
Medicamentos Indianos (1970), a Lei do Conselho Central de
Homeopatia (1973) e a Lei de Medicamentos e Cosméticos (de
1940, alterado em 2009). O governo da Índia criou um departamento
separado conhecido como Departamento de Sistemas Indianos de
Medicina e Homeopatia em 1995, que mais tarde foi renomeado
como Departamento de Ayurveda, Yoga, Unani, Siddha e
Homeopatia (AYUSH), administrado pelo Ministério da Saúde. Mais
tarde, em 2014, foi formado o Ministério independente da AYUSH.
No país existem vários comitês de especialistas em MTCI, sendo os
mais importantes o comitê de farmacopeia, a Célula de Controle de
Medicamentos e o Conselho Consultivo Técnico ayurveda Siddha e
Unani. Existem, ainda, quatro conselhos separados para pesquisa
sob AYUSH: o Conselho Central para Pesquisa em Ayurveda e
Siddha, o Conselho Central para Pesquisa em Medicina Unani, o
Conselho Central para Pesquisa em Yoga e Naturopatia, e o
Conselho Central de Pesquisa em Homeopatia.
Também no ano de 2014, se iniciou um plano nacional para integrar
a MTCI na prestação nacional de saúde. As práticas de Medicina
ayurvédica, Unani e homeopatia possuem regulamentações
nacionais e para atuar nestas áreas é necessária licença emitida
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pelo governo, emitida após a formatura e estágio obrigatório. Os
serviços de MTCI são reembolsados por seguros de saúde públicos
e privados.
Quanto aos medicamentos fitoterápicos, estes são regulamentados
pela disposição de medicamentos ayurvédicos, Siddha e Unani na
Lei de Medicamentos e Cosméticos e possuem regulamentos
exclusivos, separados dos medicamentos convencionais, a fim de
garantir a sua qualidade.
Coreia do Norte e Coreia do Sul
Na Coreia do Norte, a política nacional sobre MTCI foi emitida em
1979. O Departamento de Medicina Tradicional Koryo serve como
escritório nacional de MTCI. O instituto nacional de pesquisa em
MTCI é a Academia de Medicina Tradicional Koryo, fundada em
1961; e o plano nacional para integrar a MTCI na prestação nacional
de serviços de saúde, começou em 1979.
A regulamentação para medicamentos fitoterápicos é a mesma que
para produtos farmacêuticos convencionais.
O Departamento de Medicina Tradicional Koryo estima que, em
2010, 40-59% da população utilizava práticas indígenas de medicina
tradicional, 20-39% usaram acupuntura, quiropraxia e naturopatia, e
40-59% usaram medicamentos fitoterápicos.
A medicina tradicional indígena é coberta pelo seguro de saúde do
governo, e a cobertura total do seguro governamental está
disponível para as práticas de acupuntura, quiropraxia, fitoterápicos
e naturopatia. Ainda, existe um programa de educação do
consumidor para cuidados de autocuidado usando MTCI que está
em vigor desde 1980.
Já na República da Coreia (Coreia do Sul), e, 1993 foi criado o
Departamento de Medicina Tradicional Coreana para facilitar o
planejamento estratégico e a implementação da política nacional
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sobre a medicina coreana. Mais tarde, em 2008, foi ampliado para
duas divisões: Divisão de Política de Medicina Tradicional Coreana e
Divisão da Indústria de Medicina Tradicional Coreana.
Na Coreia do Sul também existem instituições públicas importantes
na área da medicina tradicional coreana: o Instituto Coreano de
Medicina Oriental (1994), que é um instituto nacional de pesquisa
para a medicina coreana; e o Instituto Nacional de Desenvolvimento
da Medicina Coreana (2016), que funciona como uma agência
nacional responsável por promover a indústria médica coreana.
Além disso, o país desenvolve planos de ação a cada cinco anos
com a intenção de promover e desenvolver a medicina coreana.
Atualmente, o plano nacional tem a visão de promover a saúde
pública através da medicina coreana e fortalecer a medicina
nacional.
Para atuar com a Medicina Tradicional Coreana é necessário se
graduar na universidade e passar no Exame Nacional de
Licenciamento. E, para fortalecer a pesquisa em medicina coreana,
todas as universidades de medicina coreana oferecem mestrado e
doutorado na área.
Desde 1987, o seguro nacional de saúde cobre serviços
selecionados de medicina tradicional coreana, incluindo alguns
produtos de acupuntura, moxabustão e medicamentos fitoterápicos.
Siga em Frente...
Tailândia
Quando falamos da Tailândia, a política sobre MTCI está integrada
na Lei Nacional de Saúde desde 2007 e existe uma política nacional
exclusiva para a Medicina Tradicional Tailandesa (MTT), incluída no
10º Plano Nacional de Desenvolvimento da Saúde (2007-2011). A
legislação relacionada às medicinas tradicionais inclui leis e
regulamentos sobre a “prática da arte de curar”, produtos
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farmacêuticos e a proteção e promoção da MTT. A política e a
legislação nacional sobre MTCI foram atualizadas em 2016. Não
existe comitê único na Tailândia para a MTCI, mas vários comitês de
especialistas, subcomitês e grupos em diferentes áreas do TTM. O
plano nacional para a integração da MTCI na prestação nacional de
saúde está em vigor desde 1992.
Comparado a outros países, a Tailândia possui adesão mais baixa
às práticas integrativas. De acordo com o Instituto de Medicina
Tradicional Tailandesa, em 2010, 1-19% da população utilizava
práticas indígenas de medicina tradicional e medicamentos
fitoterápicos. Dados do Instituto de Medicina Tailandês-Chinesa do
Sudeste Asiático mostram que, também em 2010, menos de 1% da
população usava acupuntura e 1-19% usava a medicina tradicional
chinesa. A Divisão de Medicina Complementar e Alternativa informou
que, em 2010, a medicina ayurvédica, a quiropraxia, a homeopatia,
a naturopatia, a osteopatia e os medicamentos Unani eram
utilizados por menos de 1% da população.
 China
Na China, como já foi visto, a principal forma de MTCI é a MTC, em
que a prestação de serviços já foi adotada em todos os níveis de
cuidados de saúde. Com o elevado volume de investigação clínica
das últimas décadas, uma questão política é como traduzir em
prática as evidências clínicas relacionadas à MTC. O
desenvolvimento de diretrizes de prática clínica tem sido a principal
intervenção de implementação, porém, a adesão dos médicos da
MTC tem sido fraca, devido ao conflito entre a prática individualizada
clássica e a padronização da prática.
Assim, apesar dos diversos órgãos relacionados a MTCI e MTC, o
Conselho de Estado emitiu dois documentos, oRegulamento da
República Popular da China sobre a Medicina Tradicional Chinesa
(2003), e os Pareceres sobre o Apoio e Promoção do
Desenvolvimento da Medicina Tradicional Chinesa (2009), formando
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gradualmente um sistema político relativamente completo sobre a
Medicina Tradicional Chinesa. Em 2016, o Comité Central do Partido
Comunista da China e o Conselho de Estado emitiram o “Plano para
uma China Saudável 2030”, que, entre outras condutas, estabelece
uma série de tarefas e medidas para implementar um programa de
desenvolvimento da medicina tradicional chinesa. Também foi
emitido, pelo Conselho de Estado, o “Plano Estratégico para o
Desenvolvimento da Medicina Tradicional Chinesa” (2016-2030),
que tornou o desenvolvimento da MTC uma estratégia nacional.
A relevância da MTC é tão grande que 130 elementos desta foram
incorporados à Lista Representativa do Patrimônio Cultural Imaterial
Nacional, com as práticas da MTC de acupuntura e moxabustão
sendo incluídas na Lista Representativa do Patrimônio Cultural
Imaterial da Humanidade pela UNESCO. Ainda, o Cânon Interno do
Imperador Amarelo (Huang Di Nei Jing) e o Compêndio de Matéria
Médica (Ben Cao Gang Mu) estão listados no Registro da Memória
do Mundo.
Na China, existe uma rede urbana de cuidados médicos de MTC
que compreende hospitais, clínicas e departamentos clínicos e
centros de saúde comunitários de medicina tradicional. Também foi
estabelecida uma rede rural de cuidados médicos de MTC.
Os seguros governamentais e comerciais (incluindo companhias de
seguros estatais e privadas) cobrem a MTC e cobrem parcialmente
as práticas de MTCI de acupuntura, fitoterapia e osteopatia.
Os medicamentos tradicionais chineses e medicamentos naturais
(medicamentos fitoterápicos) são controlados pelo sistema regulador
nacional. Existem também regulamentos que determinam a forma
como a lei de administração de medicamentos é implementada, a
proteção dos medicamentos tradicionais chineses, a administração
de medicamentos tóxicos para uso médico e a proteção dos
“recursos medicinais silvestres”.
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 Japão
No Japão não existe lei ou regulamento nacional para a MTCI, da
mesma forma, não existe um escritório oficial responsável por tais
práticas, nem comitê de especialistas. As questões relativas
especificamente da MTCI são tratadas pelos escritórios e comitês
existentes. Alguns projetos de investigação sobre as medicinas
tradicionais são financiados pelo governo.
As práticas indígenas de medicina tradicional são consideradas
importantes no Japão. A medicina tradicional indígena e outras
práticas de MTCI são utilizadas pela população, mas as
percentagens de utilização não são conhecidas.
Os provedores de MTCI atuam em hospitais e clínicas dos setores
público e privado. O governo nacional emite a licença MTCI
necessária para a prática. Há cobertura parcial da medicina
tradicional indígena e das práticas de MTCI de acupuntura e
fitoterápicos pelo seguro saúde governamental.
A Lei de Assuntos Farmacêuticos emitida, de 1960, constitui a
regulamentação nacional sobre medicamentos fitoterápicos, que
incluem medicamentos tradicionais japoneses. Um guia sobre
padrões de aprovação para produtos tradicionais foi publicado em
2008 e posteriormente revisado. Os requisitos de segurança para
medicamentos fitoterápicos também são os mesmos dos produtos
farmacêuticos convencionais.
 Singapura
Singapura é uma nação reconhecida pelas políticas públicas para
melhorar a qualidade de vida da população, com diversos
programas para incentivo à alimentação saudável, à prática de
atividade física e aos cuidados com a população idosa.
Atualmente não existe um instituto nacional de pesquisa em
medicina tradicional. Porém, o Ministério da Saúde administra
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subsídios dedicados à investigação em MTC para incentivar a
investigação colaborativa entre praticantes e investigadores nas
suas instituições acadêmicas e de cuidados de saúde.
Existem regulamentações nacionais sobre medicamentos
fitoterápicos e estes medicamentos, incluindo os medicamentos
tradicionais chineses, indianos e malaios, são regulamentados pela
Lei de Medicamentos.
Entre as práticas de MTCI, apenas os praticantes da MTC são
regulamentados estatutariamente. A Lei dos Praticantes de Medicina
Tradicional Chinesa foi estabelecida em 2000, e os Regulamentos
dos Praticantes de Medicina Tradicional Chinesa (Registro de
Acupunturistas) e os Regulamentos dos Praticantes de Medicina
Tradicional Chinesa (Registro de Médicos de MTC) entraram em
vigor em 2001 e 2002, respectivamente. Os praticantes de outras
técnicas, como a medicina tradicional malaia, a medicina tradicional
indiana e a quiropraxia, são incentivados a praticar a autorregulação
por meio de associações profissionais. Não são conhecidas as
percentagens da população que utiliza as práticas de MTCI em
Singapura.
Para finalizar, entre as dificuldades enfrentadas por alguns países
asiáticos está a falta de apoio financeiro para pesquisas sobre as
MTC, falta de conhecimentos apropriados das autoridades nacionais
em saúde e agências de controle, falta de mecanismos apropriados
para o controle e a regulação de produtos fitoterápicos.
Vamos Exercitar?
Pudemos perceber no decorrer desta aula, que a MTC é muito forte
nos países asiáticos, especialmente na China. Mas, cada país utiliza
amplamente a sua medicina tradicional, decorrente dos costumes e
cultura. E não é porque é uma medicina tradicional que não possui
regulamentação, pelo contrário. Percebemos que além do incentivo
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da OMS, cada país tem órgãos responsáveis por tais práticas, de
modo a buscar a qualidade e segurança com seu uso.
Além disso, na Ásia especialmente, percebemos que não existe uma
relação bem formada entre o desenvolvimento do país e o uso da
MTCI. Alguns países inclusive, como é o caso da China, possuem
programas de atenção à saúde mediante a utilização das MTCI
tanto no meio urbano quanto em áreas rurais, para garantir o
atendimento de toda a população. 
Saiba Mais
Sugestão de capítulo de livro
Como sugestão para complementar seus conhecimentos deixamos
o capítulo A Medicina Tradicional Chinesa como Medicina Integrativa
(Seção II, Capítulo 7), do livro Medicina integrativa na prática clínica
disponível em nossa Biblioteca Virtual.
ROHDE, C. B. dos S.; MARIANI, M. M. de C.; GHELMAN,
R. Medicina integrativa na prática clínica. 1. ed. Santana de
Parnaíba: Manole, 2021.
Sugestão de artigo científico
O artigo Origens, influências e aplicações das medicinas asiáticas
no mundo globalizado traz, em uma leitura leve, alguns fatos
interessantes sobre as medicinas tradicionais orientais.
SIEGEL, P.; BARROS, N. F. Origens, influências e aplicações das
medicinas asiáticas no mundo globalizado. Physis Revista de
Saúde Coletiva, v. 19, n. 2, p. 551-557, 2009. 
Outras sugestões
O filme icônico Karatê Kid, tanto a primeira versão de 1984, quanto
a regravação de 2010, além da trama muito bem estruturada, mostra
muito das tradições do povo chinês e sua proximidade com a
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https://www.scielo.br/j/physis/a/ggCxdfJzv3RmCdBMYZzDxSC/?format=pdf&lang=pt
https://www.scielo.br/j/physis/a/ggCxdfJzv3RmCdBMYZzDxSC/?format=pdf&lang=ptmedicina tradicional, apresentando diversas práticas, que fazem
parte do dia a dia da população chinesa. Se você, estudante, não
conhece este filme, vale a pena! E se já conhece, que tal assisti-lo
novamente com um novo olhar e tentar identificar as práticas nele
utilizadas?
Referências Bibliográficas
CHUNG, V. C. H. et al. Implementation science in traditional,
complementary and integrative medicine: An overview of
experiences from China and the United States. Phytomedicine, v.
109, 2023.
MACHADO, M. G. M. et al. Práticas integrativas e
complementares em saúde. Porto Alegre: SAGAH, 2021.
ROHDE, C. B. dos S.; MARIANI, M. M. de C.; GHELMAN,
R. Medicina integrativa na prática clínica. 1. ed. Santana de
Parnaíba: Manole, 2021.
WORLD HEALTH ORGANIZATION. WHO global report on
traditional and complementary medicine 2019. World Health
Organization. Disponível em:
https://iris.who.int/handle/10665/312342. Acesso em: 18 dez. 2023.
Aula 3
PRÁTICAS INTEGRATIVAS E
COMPLEMENTARES NA
EUROPA E ESTADOS
UNIDOS
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https://iris.who.int/handle/10665/312342
Práticas Integrativas e
Complementares na Europa e
Estados Unidos da América
Olá, estudante! Apesar de as práticas integrativas serem iguais em
todo mundo, com o passar dos anos e de acordo com cada cultura
elas foram sofrendo modificações. Isso faz com que sejam
necessárias medidas para seu controle nos diferentes lugares do
mundo, a fim de manter sua qualidade e segurança para a
população. E é justamente isso que será discutido em nossa
videoaula de forma complementar ao material didático!
Ponto de Partida
Olá, estudante! A utilização das PICS tem crescido de maneira
global, mesmo em países já desenvolvidos em que a medicina
convencional ou alopática tem se estabelecido nos sistemas de
saúde, a exemplo os Estados Unidos e vários países europeus.
Nesta aula conversaremos sobre o processo das práticas
integrativas e complementares no continente europeu, abordando
como se deu seu desenvolvimento, quais são seus atributos gerais e
relações nos diferentes países da Europa. Também abordaremos
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sobre as práticas integrativas e complementares nos Estados
Unidos da América (EUA), sua visão e suas características
principais, e as abordagens acerca destas técnicas.
Mas antes de começar vamos pensar um pouco! Você já deve ter
notado com o que aprendemos até aqui, que as PICS têm uma
história muito antiga e está enraizada nos costumes e cultura de
diferentes povos. Ainda, aprendemos que esta forma de cuidado
com a saúde é muito popular em comunidades com menos
recursos, e podemos dizer inclusive que acaba sendo a principal
forma de cuidado. Mas, por que então que estas práticas estão
sendo vistas com tanto cuidado pela OMS e por populações mais
desenvolvidas, ou com melhores recursos para os cuidados com a
saúde, como a europeia e a norte-americana?
Vamos Começar!
O continente europeu é constituído por 50 nações ou países que,
unidos, totaliza uma população de 730 milhões de pessoas, o
equivalente a 11% da população mundial. Localizado no hemisfério
norte do globo terrestre, é o menor dos cinco continentes, tendo
uma área de 10 milhões de km2.
A Europa, com relação às PICS, tem uma abordagem voltada para a
incorporação de entendimentos que tenham sido comprovados
cientificamente e é denominada medicina mente-corpo, a qual conta
com a inclusão de várias áreas do conhecimento. Para tal
fomentação, tem-se utilizado inúmeros artigos científicos, os quais
fazem a indagação do porquê utilizar o termo integrativo, e não o
termo complementar. Tal indagação justifica a utilização da
denominação práticas integrativas e complementares, que faz a
união dos dois termos.
Ao olhar do National Center for Complementary and Integrative
Health (NCCIH), compreende-se como medicina integrativa a
somatória da utilização da dita medicina convencional com as
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terapêuticas da medicina complementar. É, portanto, a área do
conhecimento que complementa a Medicina Tradicional, que tem
seus objetivos na prevenção e no cuidar de doenças, agindo de
forma completa, observando as diferentes dimensões e o equilíbrio
entre as emoções, o corpo físico, a mente e o nosso redor, visando
à busca pelo bem-estar integral de cada indivíduo, e não somente
mantendo o olhar na patologia orgânica ou na doença instalada no
corpo.
A partir da década de 1960, intensificaram-se a busca e a procura
mundial por diferentes formas de terapias, tendo como propulsor
principal a grande e crescente prevalência de doenças crônicas e
degenerativas, assim como a insatisfação com o modelo de saúde e
as formas de tratamentos convencionais.
A European Federation for Complementary and Alternative Medicina
(EFCAM) é a federação responsável pela regulamentação das
práticas holísticas em 23 países da Europa Ocidental,
estabelecendo um objetivo para garantir que se tenha elevados
pontos na política de saúde europeia, a fim de assegurar a livre
escolha de quais terapias disponibilizarem. Para a população, a
EFCAM visa melhorar a disponibilidade e o acesso a serviços de
práticas integrativas e complementares, garantindo os direitos legais
da imagem de profissionais e regulamentos e treinamentos na
Europa, além da participação desses praticantes de TIC em
pesquisas e projetos da área. Dentre as pesquisas realizadas pela
EFCAM, ocorreu uma em 2015 na qual foi constatado que 80% de
indivíduos em diferentes países da União Europeia utilizaram uma
TIC, e estimou-se que 360 mil profissionais trabalham em diferentes
tipos de terapias.
Entretanto, na Europa, a abordagem das TIC e suas formas de
aplicação podem mudar radicalmente de um país para outro, e até
mesmo dentro de um único país, entre diferentes grupos
socioeconômicos. Desta forma, vemos diversas políticas
relacionadas a tais práticas e quando o paciente atravessa a
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fronteira de um país e procura por serviços de TIC, ele percebe
mudanças significativas no tratamento, o que pode se tornar um
risco para a segurança do paciente. O mesmo acontece com um
especialista, quando vai para outro país, porque as regras e
nomenclaturas são diferentes. Essa diferença também afeta os
pesquisadores, pois não há padronização de procedimentos e
terapias. As nomenclaturas e aplicações heterogêneas acabam
interferindo na qualidade e segurança no tratamento da saúde. Além
disso, a EFCAM fez esforços para estabelecer diretrizes gerais
sobre leis e regulamentos da TIC, incluindo requisitos de
treinamento para especialistas, autorizações e sistemas de
licenciamento de especialista/terapeuta.
No período entre 2010 e 2012, a EFCAM realizou uma investigação
chamada Complementary and Alternative Medicine Umbrella
(CAMbrella), para verificar as regras das práticas integrativas e
complementares dos países pan-europeus, a partir dos dados
fornecidos pelo Ministro da Saúde e sua agência. A pesquisa
envolveu 27 Estados-Membros e 12 países associados. Em 2015,
foram publicados os relatórios, permitindo a criação das diretrizes
para os próximos passos nas preferências das MTCI no mundo. Na
Europa, a proporção de indivíduos que usaram a MTCI representou
31% na Bélgica e 75% na França. No Reino Unido, um em cada dez
adultos visita um médico de medicina complementar a cada ano, e
90% desses atendimentos são feitos fora do sistema nacional de
saúde.Nos EUA, as medicinas tradicionais e complementares são
regulamentadas em nível estadual. Porém, o National Center for
Complementary and Integrative Health (NCCIH) identificou que a
saúde integrada tinha capacidade de fornecer uma combinação de
cuidados e suplementos comuns, de forma organizada. Parte da
premissa do enaltecimento vem de uma abordagem abrangente,
com foco em pacientes e saúde, sendo o aspecto da boa saúde, em
geral, incluindo os aspectos mentais, emocionais, funcionais,
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espirituais e outros, tratando o todo, em vez de um sistema ou uma
agência. O NCCIH, portanto, está procurando cuidados integrados
entre terapeutas e organizações.
Assim, nos EUA, essa temática é tratada pelo NCCIH, que é parte
do Departamento Nacional de Saúde e tem como missão
determinar, por meio de investigação científica rigorosa, o uso e a
segurança das intervenções de medicina complementar e
integrativa, bem como seu papel na melhoria da saúde. Sua visão é
que as evidências científicas permitirão que o público em geral, os
profissionais de saúde e os guias utilizem essas técnicas em
abordagens para a tomada de decisões em saúde.
O plano do NCCIH está dividido em cinco objetivos estratégicos, que
são:
Avançar na pesquisa em intervenções, práticas e disciplinas
mentais e físicas.
Buscar produtos naturais.
Integrar a atenção e a promoção da saúde.
Aumentar a capacidade de produção para pesquisas rigorosas
no campo.
Desenvolver e divulgar evidências sobre intervenções práticas
integrativas e complementares.
Siga em Frente...
Na área da investigação científica, o NCCIH estabeleceu seis
campos prioritários: gestão não medicamentosa da dor; mecanismos
e efeitos neurobiológicos; abordagem inovadora para estabelecer
critérios orgânicos para produtos naturais; prevenção e promoção da
saúde em cada fase e ao longo da vida; ensaios clínicos utilizando
métodos inovadores de avaliação da saúde; e estratégias e
ferramentas para melhorar a comunicação, educação e
compreensão científica da pesquisa clínica no campo. Então,
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através do NCCIH, o governo estimula a pesquisa e a adesão a
essas práticas, com orçamento superior a 120 milhões de dólares.
Centros de prestígio, como MD Anderson e Centro Memorial Sloan-
Kettering, e Universidades, como Harvard, que já têm programas
específicos para aplicações de pesquisa em acupuntura,
relaxamento e outras práticas. O número de pesquisas sobre o
assunto aumentou 33% em cinco anos, de acordo com o banco de
dados de publicações médicas do PubMed.
A prática da medicina alternativa, nome ainda utilizado em algumas
regiões dos EUA, mas que tem sido cada vez mais substituído pela
denominação Práticas ou Terapias Integrativas e Complementares,
reafirma a importância da relação terapeuta-paciente, com foco no
indivíduo como um todo, conforme aponta o Conselho Americano de
Medicina Integrativa. A prática é entregue por evidências e utiliza
todos os tratamentos e profissionais médicos e não médicos para
alcançar a cura e a saúde de forma eficaz.
Nos Estados Unidos algumas práticas integrativas possuem
cobertura pelos planos de saúde: acupuntura, quiropraxia,
massoterapia, medicina natural (condições preexistentes não são
cobertas pelos seguros), Ayurveda (a cobertura varia conforme o
estado). Temos também o feedback, tratamento não invasivo em
psicoterapia em que os pacientes aprendem a controlar processos
corporais involuntários, como a pressão sanguínea, a tensão
muscular e os batimentos do coração. Ele ajuda pessoas com dor
crônica, incontinência, enxaqueca, pressão alta e crianças
hiperativas. Planos de saúde e até o Medicaid (programa social de
saúde para pessoas de baixa renda), em 36 estados, oferecem
cobertura para esse tipo de tratamento.
Nos Estados Unidos, todos os centros combatem o câncer usando
drogas integradas no tratamento dessa doença, como a associação
de fitoterapias e aromaterapias. No Brasil, foi iniciada a utilização
das drogas integradas em 2018, com a colaboração da pesquisa
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realizada em Universidade dos Estados Unidos sobre a eficácia
desses complementos no tratamento de câncer. Para tal, fazia-se
necessária a realização de um treinamento, o qual tinha a duração
de dois anos. Esse treinamento trouxe outro ponto de vista: um olhar
holístico, em que mais pessoas cuidam e com menos danos. É
notório que, medidas a extensão, a especialização e o foco dessa
doença, há distância em relação ao "medicamento real".
O NCCAM, por meio do Instituto Nacional de Saúde, organização
que criou informações sobre o Reiki, considerando-o como uma
terapia adicional. Nesse local também foram reunidas informações
para o seu site, com pesquisas oficiais sobre o uso dessa técnica,
bem como as recomendações para que ela possa ser utilizada,
havendo muitos exemplos da integração de Reiki em cuidados de
saúde nos Estados Unidos. Estudos de diferentes terapias de
energia mostrou que o Reiki acarreta redução de ansiedade,
melhora em doença muscular, aceleração da cura de diversos males
e é benéfico em pré e pós-cirúrgicos, bem como para melhorar a
qualidade da saúde.
Um dos exemplos em que se tem a integração entre o Reiki e os
tratamentos convencionais é a escola de Medicina da Universidade
de Michigan, no qual o Reiki é aplicado pela equipe de enfermagem
em funcionários e de funcionários em funcionários. Em muitos
hospitais, os residentes aprendem Reiki como parte do seu internato
e conteúdo programático.
Os tratamentos integrativos também podem ser chamados de
holísticos. Alguns se tornaram muito populares, outros ainda estão
se desenvolvendo, mas cada vez mais pessoas estão se juntando a
essa nova onda de múltiplas opções. Porém, a Europa enfrenta
algumas dificuldades relacionadas às práticas integrativas: poucos
dados de investigação; falta de conhecimentos especializados das
autoridades nacionais de saúde, mecanismos de monitoramento da
segurança das práticas escassos e falta de apoio financeiro para
pesquisas.
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Vamos Exercitar?
E então estudante, vamos retomar o questionamento desta aula?!
Por que a OMS e os países desenvolvidos e com alta tecnologia nos
cuidados com a saúde têm tido um olhar especial para as PICS, ou
também chamadas de MTCI?
Quando falamos das práticas integrativas elas olham para o
indivíduo e não para a doença em si. Apesar de já estar enjoado de
ouvir esta definição vamos analisá-la de forma mais profunda.
Quando dizemos em olhar para o indivíduo, isso quer dizer que o
olhar é particular, pensando neste ser como único, junto com suas
experiências, suas memórias e seus sentimentos. Além disso,
quando tiramos nossa atenção da patologia em si e direcionamos o
cuidado para quem a carrega, mudamos a forma de enxergar as
doenças. Estas acometem um corpo físico, mental e espiritual
quando este se encontra enfraquecido/debilitado. Então, se
conseguirmos deixar este organismo, considerando todas as suas
dimensões, forte e em harmonia, a tendência é a cura.
Apesar da grande tecnologia envolvida nos cuidados com a saúde,
há questões que a ciência não teve êxito ainda para explicar. Nesse
sentido, as PICS se tornam grandes aliadas por ter seu olhar
ampliado em relação ao processo saúde-doença e por promover o
processo de autocura e de autocuidado.
Saiba Mais
Sugestão de capítulo de livro
O capítulode livro Medicinas tradicionais europeias (Seção II,
Capítulo 9) do livro Medicina integrativa na prática clínica, disponível
em nossa Biblioteca Virtual, aborda o contexto histórico destas
práticas no continente europeu e também traz informações
interessantes sobre a medicina grega e indígena. Vale a leitura!
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ROHDE, C. B. dos S.; MARIANI, M. M. de C.; GHELMAN,
R. Medicina integrativa na prática clínica. 1. ed. Santana de
Parnaíba: Manole, 2021.
Sugestão de artigo científico
O artigo proposto aborda as concepções, ou representações, de
profissionais de saúde que utilizam as PICS e sua forma de
enxergar o indivíduo doente. Um ótimo complemento para os
aprendizados de nossa aula! Boa leitura!
ZAPELINI, R. G.; JUNGES, J. R.; BORGES, R. F. Concepção de
saúde dos profissionais que usam práticas integrativas e
complementares no cuidado. Physis: Revista de Saúde Coletiva,
v. 33, p. 1-24, 2023.
Outras sugestões
Deixamos como sugestão para que você estudante explore e
adquira mais conhecimentos, o site da Biblioteca virtual em saúde
das MTCI – Américas. Esperamos que aproveite bastante não só
para complementar seus conhecimentos nesta disciplina, mas
durante sua vida acadêmica e profissional!
Biblioteca virtual em saúde das MTCI – Américas. 
Referências Bibliográficas
BENITES, D. F. Acessibilidade das Práticas Integrativas e
Complementares na Rede de Atenção Primária de Saúde, do
município de Porto Alegre, no âmbito da prática e do ensino.
2020. 145 p. Dissertação (Mestrado profissional pelo Programa de
Pós-graduação em Ensino na Saúde) – Universidade Federal de
Ciências da Saúde de Porto Alegre. Porto Alegre, 2020.
BRASIL. Ministério da Saúde. Práticas Integrativas e
Complementares (PICS). Brasília: Ministério da Saúde, 2020.
Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-
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https://mtci.bvsalud.org/
https://mtci.bvsalud.org/
https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/p/praticas-integrativas-e%20complementares-pics-1
a-z/p/praticas-integrativas-e complementares-pics-1. Acesso em: 17
dez. 2023.
LEMOS, C. S. et al. Práticas integrativas e complementares em
saúde no tratamento de feridas crônicas: revisão integrativa da
literatura. Aquichan, Bogotá, v. 18, n. 3, p. 327-342, 2018.
NACIONAL CENTER OF COMPLEMENTARY AND INTEGRATIVE
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em: https://www.nccih.nih.gov/health/complementary-alternative-or-
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NIGENDA, G. et al. Análisis de las alternativas de los migrantes
mexicanos en Estados Unidos de América para atender sus
problemas de salud. Salud pública Méx, Cuernavaca, v. 51, n. 5, p.
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PENA, A.; PACO, O. Alternative medicine: Intent of analysis. Anales
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MACHADO, L. C. B.; ALVES, C. A. D. Uso das práticas integrativas
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en.pdf . Acesso em: 18 dez. 2023.
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https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/p/praticas-integrativas-e%20complementares-pics-1
https://www.nccih.nih.gov/health/complementary-alternative-or-integrative-health-whats-in-a-name
https://www.nccih.nih.gov/health/complementary-alternative-or-integrative-health-whats-in-a-name
https://apps.who.int/gb/ebwha/pdf_files/WHA67/A67_18Add1-en.pdf%C2%A0.%20Acesso%20em:%2018%20dez.%202023
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Aula 4
PRÁTICAS INTEGRATIVAS E
COMPLEMENTARES NA
AMÉRICA LATINA
Práticas Integrativas e
Complementares na América Latina
Olá, estudante! Para completar nossa volta ao mundo com as PCIS
vamos abordá-las nas diferentes culturas que formam a América
Latina. Quando falamos desses territórios o intercâmbio cultura é tão
grande, incluindo as medicinas tradicionais e PICS, que redes de
apoio para desenvolvimento de tais práticas nas américas foram
desenvolvidas. Vamos conhecer um pouco mais sobre esse pedaço
do mundo, ou seria das PICS?
Ponto de Partida
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Olá, estudante! Como já vimos, as Medicinas Tradicionais
Complementares e Integrativas (MTCI) são a soma de
conhecimentos, capacidades e práticas baseadas em teorias,
crenças e experiências de diferentes culturas, utilizadas para manter
a saúde e prevenir, diagnosticar, melhorar ou tratar doenças físicas
e mentais. 
Na América Latina diversos países implementaram as MTCI nos
serviços de saúde como oferta principal de tratamento ou como
medicina alternativa. Porém, muitos países estão atrasados nos
cuidados com a saúde de sua população, incluindo o olhar mais
cuidadoso para as práticas integrativas, muitas vezes oferecidas
apenas pelo setor privado.
Nesta aula, você terá a oportunidade de aprender mais sobre as
MTCI na América Latina e alguns conceitos importantes sobre o
tema, incluindo uma visão geral das práticas e sua utilização.
Você notará as diferentes nomenclaturas para as mesmas práticas
dadas por cada população e perceberá que algumas terapias são
mais utilizadas que outras.
Iremos falar sobre a América Latina e também aprendemos sobre os
países orientais, a Europa e os Estados Unidos da América. Mas,
para completar nossos estudos, já parou para pensar em como
estas práticas são utilizadas no Canadá?
Vamos Começar!
Medicinas Tradicionais Complementares e Integrativas é a
denominação dada ao paradigma vitalista e ao modo de intervir nos
processos de adoecimento no qual o foco das intervenções são os
indivíduos e não as doenças, visando-se à prevenção e à promoção
da saúde, por meio da integração do corpo com a mente no
processo do adoecimento. As MTCI constituem um importante
modelo de cuidado à saúde, pois consideram o indivíduo em sua
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singularidade, integralidade e complexidade, levando em
consideração sua inserção sociocultural com ênfase na relação
profissional/paciente, o que contribui para a humanização da
atenção. Ainda, os cuidados de saúde integrativos englobam
abordagens complementares e convencionais de forma
coordenada. 
Nas Américas, existe o intercâmbio com as culturas locais,
ancestrais dos povos indígenas ou originários e tradicionais, fazendo
uso de práticas menos invasivas, oriundas de outros países, tais
como a acupuntura e a homeopatia. Cada país possui uma
variedade própria de práticas reconhecidas e institucionalizadas ou
consideram uma determinada prática de maneiradistinta em relação
a outro país, levando em conta sua inserção sociocultural e suas
particularidades. 
Nas Américas, as MTCI podem ser inseridas/integradas nos
sistemas nacionais de saúde a partir de iniciativas governamentais
ou por meio da atuação de diferentes instituições que trabalham na
regulação da oferta e na organização, pesquisa, formação e
prestação de serviços em MTCI. Países como Bolívia, Argentina,
Brasil, Peru e Equador possuem legislação, modelos e/ou normas
próprias para a regulamentação das MTCI.
O Brasil é referência mundial no campo das MTCI, no que diz
respeito à inserção das MTCI no sistema público de saúde. No país,
quase todos os municípios ofertam PICS, e, em 90% dos casos, as
PICS acontecem na atenção primária. 
Em muitos países, as MTCI são a principal oferta de serviço de
saúde à população e constituem um importante modelo de cuidado
à saúde. Nos países nos quais as MTCI não são a principal oferta
de serviços de saúde à população, elas são inseridas nos sistemas
de saúde de maneira complementar ao sistema tradicional. Porém,
de acordo com a OMS, em alguns países, esses termos são usados
alternadamente, para fazer referência à medicina tradicional.
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Existe a necessidade de esforços conjuntos por parte dos países do
continente americano para se vencer os desafios comuns e avançar
numa maior integração entre práticas integrativas, medicinas
tradicionais e políticas públicas de saúde. Como exemplo, podemos
citar: 
 Implantação de marcos legais interculturais com os povos
originários: as comunidades indígenas.
Criação conjunta de diretrizes que possibilitem acesso
universal a um modelo de saúde integrativa.
Levantamento de todas as políticas existentes nas Américas
para se poder construir interfaces com a economia e os direitos
humanos, possibilitando o estabelecimento de uma unidade
representativa no continente frente aos órgãos multilaterais e
nacionais.
Socializar cada vez mais as informações sobre práticas
integrativas para o público geral e divulgar as evidências
científicas, vencer a resistência do pensamento biomédico e os
interesses comerciais contra a saúde.
Ampliar o diálogo intercultural entre as MTCI e os profissionais
de saúde para se fortalecer a relação entre a medicina
convencional e os saberes tradicionais de povos onde as
práticas se originaram.
Segundo dados preliminares obtidos em pesquisa organizada pela
Organização Pan-Americana de Saúde (Opas/OMS) em parceria
com o Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em
Ciências da Saúde (Bireme/BVS), o ObservaPICS/Fiocruz e a Rede
MTCI Américas, as informações sobre medicinas tradicionais e
práticas integrativas e complementares em saúde (PICS) estão
presentes em sites institucionais de vários países do continente
americano. Entre os países, podemos citar: Brasil, Bolívia,
Colômbia, Cuba, Haiti, México, Nicarágua, Paraguai, Uruguai,
Venezuela. 
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Essa pesquisa, iniciada em 2021, estuda a implantação e integração
das PICS nos sistemas de saúde dos países do continente
americano. Inicialmente, foram levantadas informações sobre
práticas integrativas e medicinas tradicionais nos sites institucionais
de cada país. Além da busca desses dados, o projeto envolve
análise de entrevistas e documentos para traçar um panorama das
políticas vigentes, de como estão sendo aplicadas e das
características dos povos atendidos, incluindo a presença de
comunidades tradicionais, como povos indígenas.
A Rede Regional em MTCI para as Américas é uma iniciativa
colaborativa com diversos atores sociais (organizações, instituições
governamentais e não governamentais, entre outros) criada para
desenvolver uma agenda comum e avançar rumo à integração das
MTCI nos sistemas e serviços de saúde de acordo com os contextos
nacionais.
Esses atores estão envolvidos na geração de políticas, regulação,
formação, promoção, prática, uso e pesquisa desses sistemas e
métodos terapêuticos na região das Américas. A rede é uma
iniciativa inclusiva, de governança horizontal, da qual participam,
atualmente, diversas instituições de 15 países da região, estando
em contínuo crescimento. Esta rede de MTCI para as Américas é
uma “rede de redes” que articula as instituições que geram políticas,
regulam, formam profissionais, pesquisam, desenvolvem programas
e educam o público em geral no tocante aos diversos sistemas
médicos e terapêuticos das MTCI, bem como, por meio da
colaboração e da gestão do conhecimento, apoiam a tomada de
decisões em diferentes âmbitos, a fim de aproveitarem as
contribuições potenciais das MTCI à saúde com segurança,
qualidade e pertinência.
Entre os objetivos da rede de MTCI, estão:
Estabelecer laços de cooperação entre os atores sociais dos
países da região das Américas para desenvolver diferentes
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aspectos das MTCI: políticas públicas, regulação (de práticas,
produtos e profissionais), formação de recursos humanos,
pesquisa, educação em saúde e prestação de serviços de
saúde.
Compilar e sistematizar a informação técnica, científica,
regulatória e de política pública em MTCI nas Américas, por
meio de uma base de dados, e da BVS em MTCI, por meio da
colaboração entre atores em nível regional.
Gerir a BVS em MTCI como um espaço de encontro entre os
diversos atores sociais que trabalham em MTCI na Região das
Américas com o objetivo de desenvolver um panorama regional
sobre os diferentes aspectos das MTCI, facilitar a troca de
experiências, facilitar o acesso à informação científica, técnica
e de educação em saúde, bem como apoiar o fortalecimento de
capacidades e a visibilidade de boas práticas.
Promover a pesquisa colaborativa em MTCI na região das
Américas.
Favorecer, de maneira participativa, o resgate dos
conhecimentos ancestrais, incluindo a medicina tradicional
indígena e de outras diversidades étnicas.
Promover a visibilidade, em nível mundial, das políticas
públicas, dos modelos de integração, de saberes e práticas das
medicinas tradicionais, de desenvolvimentos conceituais e das
pesquisas em MTCI realizadas na região das Américas.
Apoiar os processos de tomada de decisões para a integração
das MTCI aos sistemas e serviços de saúde na região das
Américas, de acordo com os contextos nacionais, seguindo as
recomendações da Estratégia OMS de Medicina Tradicional
(2014-2023).
Quando falamos especificamente de cada país, existe uma grande
variedade de práticas utilizadas e regulamentações também
diversas em cada um, isto é, ainda não é realidade a ideia de
entendimento e unificação destas práticas, tão pouco da sua
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utilização em todos os países além daquelas ligadas aos seus
aspectos culturais. A seguir, trazemos alguns exemplos:
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Argentina
Na Argentina, existe legislação nacional exclusiva para os
fitoterápicos que incluem fabricação e prescrição. Com relação às
práticas utilizadas, somente a acupuntura é regulamentada por meio
de resoluções do Ministério da Saúde.
Bolívia
Na Bolívia, a política nacional para a Medicina Tradicional e
Complementar está ligada ao plano setorial de saúde. Em sua
legislação mais recente, de 2013, está compreendida a medicina
ancestral boliviana. Isso porque a prática da medicina tradicional
indígena é muito importante no país, com seu uso representado por
quase 80% da população. Outras práticas

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