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m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Prof. Clarissa Cerqueira | HIVINFECTOLOGIA 2 PROF. CLARISSA CERQUEIRA @draclarissacerqueira INTRODUÇÃO: Olá, futuro(a) Residente, tudo bem? Vamos iniciar agora um assunto que DESPENCA nas provas de Residência: a infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV). Vamos discutir os tópicos mais importantes e mais recorrentes nos concursos. Quando você acabar de ler este livro digital, já estará muito bem preparado(a) para acertar todas as questões desse tema. Conte comigo para ajudá-lo durante todo o processo de aprendizagem. Estarei diariamente a sua disposição em nosso Fórum para tirar suas dúvidas de estudo e apoiá-lo para conquistar sua aprovação. Meu nome é Clarissa, sou médica infectologista e, ao contrário de muita gente, não tinha intenção de prestar vestibular para Medicina. Eu não me sentia capaz de enfrentar a concorrência. Escolhi prestar vestibular para nutrição e fiquei surpresa com minha conquista do segundo lugar entre os aprovados. Ao iniciar meus estudos na faculdade de nutrição, fui apresentada ao programa de microbiologia e fiquei encantada pelo assunto. Percebi naquele momento que queria aprender mais sobre o tema. Após um ano e meio de curso, senti-me suficientemente confiante e motivada a prestar novamente vestibular, dessa vez, para Medicina. Fui novamente surpreendida pelo resultado, aprovada na primeira tentativa (após ser aluna de nutrição). m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ https://www.instagram.com/draclarissacerqueira/?hl=pt-br https://www.instagram.com/draclarissacerqueira/?hl=pt-br m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Prof. Clarissa Cerqueira | HIVINFECTOLOGIA 3 @estrategiamed /estrategiamed Estratégia MED t.me/estrategiamed Durante a faculdade, sentia-me um pouco perdida entre as especialidades. Não tenho familiares médicos, que pudessem me orientar na escolha da carreira. Entretanto, tive a sorte de ter um professor de neurocirurgia que me apresentou aos campos da cirurgia e das ciências neurológicas e que me incentivou a buscar meus interesses e paixões. Após seis anos, o sonho realizou-se e o objetivo foi conquistado: formei-me médica. No momento de prestar prova de Residência Médica, minha primeira escolha de especialidade, após a faculdade, entretanto, não foi infectologia. Escolhi cirurgia geral. Mas, como essa especialidade se relaciona com a infectologia? Foi no meu primeiro dia como residente da cirurgia que reconheci meu desejo e paixão de longos tempos, germinados nas aulas de microbiologia da faculdade de nutrição, de ser infectologista. Abandonei a cirurgia e segui minha vocação. Minha história de especialista inicia-se com a Residência Médica em infectologia no Instituto de Infectologia Emílio Ribas. Um período de muito aprendizado e autoconhecimento, em que tive a oportunidade de aprender com grandes especialistas de reconhecimento nacional e internacional. Durante a Residência, busquei expandir meu aprendizado com estágios em Portugal (Hospital Curry Cabral) e nos Estados Unidos (Cleveland Clinic). Minha formação continuou com um ano extra (R4) de complementação na Universidade de São Paulo em Infecção em Imunodeprimidos e curso de pós-graduação do Hospital Albert Einstein em Controle de Infecção Hospitalar. Reconheço que sou suspeita para falar, mas o universo da infectologia é apaixonante. Atualmente, além de ser sua professora no Estratégia Med, trabalho em Salvador atuando nas áreas de infecção hospitalar, interconsultas da especialidade e consultório. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ https://www.instagram.com/estrategiamed/ https://www.facebook.com/estrategiamed1 https://www.youtube.com/channel/UCyNuIBnEwzsgA05XK1P6Dmw https://t.me/estrategiamed m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED Prof. Clarissa Cerqueira | HIVINFECTOLOGIA 4 Fique tranquilo. Discutiremos tudo que cai na prova sobre o HIV/AIDS. Já passei por isso algumas vezes, como você pôde perceber, e sei como é ter muito assunto pra estudar. Lembre- se sempre, temos um objetivo em comum: sua aprovação no concurso de Residência Médica! A equipe da infectologia do Estratégia MED resolveu um total de 3.274 questões de infectologia de provas do Brasil inteiro. Dessas, 357 foram sobre HIV. Isso corresponde a 10,9% das questões de infectologia. É um assunto muito importante! Cada questão foi analisada e subdividida de acordo com seu assunto. Confira neste gráfico a prevalência dos tópicos mais frequentes relacionados ao HIV: Já podemos perceber visualmente que infecções oportunistas (IO), transmissão vertical e HIV em crianças, tratamento e prevenção da infecção pelo HIV são temas que correspondem a quase 75% do que é cobrado em provas sobre o HIV. À medida que você for estudando, vou destacar tudo isso que é frequente. Neste outro gráfico, abaixo, fiz uma análise das infecções oportunistas que são mais cobradas. Perceba que dois tópicos, pneumocistose e neurotoxoplasmose, são responsáveis por mais da metade das questões. Tenha isso em mente para aprender tudo sobre essas doenças, certo? 15% 14% 7% Infecções oportunistas (IO) Transmissão vertical e HIV em crianças 38% 5% 5% 2%2% Tratamento Prevenção (PEP e Prep) História natural da doença HIV e TB Diagnóstico Transmissão Vacinação em PVHIV 7% 5% Epidemiologia Figura 1. Prevalência dos assuntos mais cobrados relacionados à infecção pelo HIV. 24% 11% PCP Neurotoxoplasmose NAS PROVAS DE RESIDÊNCIA 34% 5% 4% 1%3% Infecções oportunistas do trato gastrointestinal Neurocriptococose Profilaxias das infecções oportunistas MAC Pneumonia bacteriana Outras doenças neurológicas Manisfetações cutâneas 10% 8% Figura 2. Prevalência das infecções oportunistas (IO) nas provas de Residência. PCP: Pneumonia por Pneumocystis jirovecii (pneumocistose). Sei que pode parecer ser um tema difícil, inclusive, era o que eu achava antes de fazer Residência em infectologia. Mas, não se preocupe! Pode confiar que aqui você vai aprender tudo da maneira mais fácil possível e na profundidade adequada para acertar todas as questões de provas. Para escrever este livro, baseei-me no Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) para Manejo da Infecção pelo HIV em adultos, de 2018, do Ministério da Saúde (última edição). Preparado(a)? Vamos lá! m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED INFECTOLOGIA HIV Prof. Clarissa Cerqueira | Curso Extensivo | 2023 5 SUMÁRIO 1.0 ASPECTOS GERAIS 8 1.1 FISIOPATOLOGIA 8 1.2 AGENTE ETIOLÓGICO 9 1.3 TRANSMISSÃO 11 2.0 EPIDEMIOLOGIA 13 3.0 HISTÓRIA NATURAL DA DOENÇA E QUADRO CLÍNICO 16 3.1 INFECÇÃO AGUDA PELO HIV 16 3.2 FASE DE LATÊNCIA CLÍNICA 17 3.3 FASE SINTOMÁTICA E FASE AIDS 19 4.0 DIAGNÓSTICO LABORATORIAL 21 4.1 TESTES RÁPIDOS 22 4.2 IMUNOENSAIOS 22 4.3 WESTERN BLOT 23 4.4 TESTE MOLECULAR 24 4.5 DIAGNÓSTICO DA INFECÇÃO PELO HIV 25 5.0 TRATAMENTO 28 5.1 AGENTES ANTIVIRAIS PARA TRATAMENTO DO HIV 30 5.1.1 INIBIDORES DA TRANSCRIPTASE REVERSA ANÁLOGOS NUCLEOSÍDEOS E NUCLEOTÍDEOS (ITRN) 31 5.1.2 INIBIDORES DA TRANSCRIPTASE REVERSA NÃO-ANÁLOGOS NUCLEOSÍDEOS E NUCLEOTÍDEOS (ITRNN) 32 5.1.3 INIBIDORES DA PROTEASE (IP) 34 5.1.4 INIBIDORES DA INTEGRASE 35 5.1.5 INIBIDORES DE FUSÃO 36 5.1.6 ANTAGONISTAS DO CCR5 36 5.1.7 RESUMO DOS ANTIRRETROVIRAIS 36 5.2 ESQUEMA BÁSICO 37 m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED INFECTOLOGIA HIV Prof. Clarissa Cerqueira |DE CUIABÁ – SCMCMT 2020) Raltegravir (RAL) deve ser administrado duas vezes ao dia, o que representa uma potencial desvantagem em relação a esquemas de tomada única diária. Podemos apenas concordar com o item: A) RAL apresenta péssima tolerabilidade, alta potência, poucas interações medicamentosas, eventos adversos pouco frequentes e segurança para o uso em coinfecções como hepatites e tuberculose. B) RAL apresenta excelente tolerabilidade, baixa potência, poucas interações medicamentosas, eventos adversos pouco frequentes e segurança para o uso em coinfecções como hepatites e tuberculose. C) RAL apresenta excelente tolerabilidade, alta potência, poucas interações medicamentosas, eventos adversos pouco frequentes e segurança para o uso em coinfecções como hepatites e tuberculose. D) RAL apresenta excelente tolerabilidade, alta potência, poucas interações medicamentosas, eventos adversos muito frequentes e segurança para o uso em coinfecções como hepatites e tuberculose. COMENTÁRIOS O raltegravir é um antirretroviral da classe dos inibidores da integrase, assim como o dolutegravir. É uma medicação muito boa, com poucos eventos adversos e bem tolerada. Vamos às alternativas? Incorreta a alternativa A, porque o raltegravir apresenta excelente tolerabilidade. Incorreta a alternativa B, porque o raltegravir é uma medicação com alta potência. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED INFECTOLOGIA HIV Prof. Clarissa Cerqueira | Curso Extensivo | 2023 36 Correta a alternativa C. O raltegravir é uma medicação muito boa e possui como vantagens a excelente tolerabilidade, alta potência, poucas interações medicamentosas, poucos eventos adversos e segurança para ser usado em pacientes coinfectados com hepatites e tuberculose. Incorreta a alternativa D, porque o raltegravir não apresenta eventos adversos frequentes. 5.1.5 INIBIDORES DE FUSÃO Essa classe só tem um representante, que é a enfuvirtida (T-20). Ela liga-se à glicoproteína 41 (gp41), que fica no envelope do vírus, e evita sua fusão com a célula do hospedeiro. Essa medicação é injetável e só é usada em pacientes previamente experimentados com outros antirretrovirais. 5.1.6 ANTAGONISTAS DO CCR5 Essa classe também só tem um representante: o maraviroc. Ele liga-se ao CCR5, que é um correceptor que ajuda na entrada do HIV na célula do hospedeiro. Dessa forma, ele bloqueia a entrada do vírus nos linfócitos T CD4+. Assim como os inibidores de fusão, é também usado em casos de resistência viral. 5.1.7 RESUMO DOS ANTIRRETROVIRAIS Classificação dos antirretrovirais Principais representantes Observações Inibidores da transcriptase reversa análogos nucleosídeos e nucleotídeos (ITRN) - Tenofovir (TDF) - Droga do esquema básico inicial; - Também usado para tratamento de hepatite B; - Efeitos adversos: disfunção renal e perda óssea. - Abacavir (ABC) - Contraindicado em pacientes com HLA-B 5701, por risco de reação de hipersensibilidade; - Deve ser evitado em pacientes com cardiopatias e/ou doença coronariana. - Zidovudina (AZT) - Usada para profilaxia da transmissão vertical; - Efeitos adversos: supressão medular, anemia. - Lamivudina (3TC) - Droga do esquema básico inicial; - Bem tolerada, com raros efeitos adversos; - Também usada para tratamento de hepatite B. - Entricitabina (FTC) - “Irmã” da lamivudina; - Usada na profilaxia pré-exposição juntamente com o TDF. - Estavudina (D4T) - Já em desuso; - Diversos efeitos colaterais: lipodistrofia, neuropatia, toxicidade mitocondrial. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED INFECTOLOGIA HIV Prof. Clarissa Cerqueira | Curso Extensivo | 2023 37 Inibidores da transcriptase reversa não análogos nucleosídeos e nucleotídeos (ITRNN) - Efavirenz (EFV) - Efeitos adversos: terror noturno, sonhos vívidos, ansiedade, depressão. - Etravirina (ETR) - Usada como droga para pacientes em terapia de resgate. - Nevirapina (NVP) - Usada na profilaxia da transmissão vertical; - Efeitos adversos: síndrome de Stevens-Johnson, necrose hepática. Inibidores de protease - Atazanavir (ATV) - Efeitos adversos: nefrolitíase, disfunção renal, aumento de bilirrubina indireta. - Ritonavir (RTV) - Usado em associação com todos os outros IPs por causa do efeito booster. - Lopinavir (LPV) - Pouco utilizado, por causa dos efeitos adversos: hepatotoxicidade, lipodistrofia, diabetes, dislipidemia. - Darunavir (DRV) - Geralmente reservado para casos de resistência viral. Inibidores da integrase - Dolutegravir (DTG) - Droga do esquema básico inicial; - Bem tolerada, com poucos efeitos adversos. - Raltegravir (RAL) - Indicada somente quando o dolutegravir não pode ser usado. Inibidores de fusão - Enfuvirtida (T-20) - Droga de resgate para casos de multirresistência. Antagonistas do CCR5 - Maraviroc (MVC) - Droga de resgate para casos de multirresistência. Figura 15. Essa tabela é um resumo com as principais informações de cada antirretroviral. Perceba que o nome de cada classe já diz qual é seu mecanismo de ação. Em negrito, estão as drogas usadas no esquema básico. Classificação dos antirretrovirais Principais representantes Observações 5.2 ESQUEMA BÁSICO Após aprender um pouco sobre os antirretrovirais e sua classificação, vamos ver agora qual é o esquema inicial para tratamento do HIV preconizado pelo Ministério da Saúde. Vamos iniciar sempre com 3 drogas, sendo duas delas ITRNs e a terceira droga, um inibidor da integrase. Existem exceções a essa regra, mas que não são cobradas em provas de Residência. Alguns anos atrás, o efavirenz ocupava o lugar do dolutegravir. Essa substituição aconteceu por uma melhor potência e menos efeitos colaterais dessa nova droga. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED INFECTOLOGIA HIV Prof. Clarissa Cerqueira | Curso Extensivo | 2023 38 Tenofovir (TDF) Lamivudina (3TC) Dolutegravir (DTG) Inibidor da transcriptase reversa análogo nucleosídeo (ITRN) Inibidor da transcriptase reversa análogo nucleosídeo (ITRN) Inibidor de integrase Veja o quadro abaixo e memorize o esquema básico inicial para tratamento da infecção pelo HIV: Nesse esquema, o paciente toma 2 comprimidos por dia: o TDF e 3TC são coformulados em um comprimido único e o DTG é o outro comprimido. CAI NA PROVA (UFSCAR 2019) Quanto ao tratamento antirretroviral, qual alternativa está de acordo com as atuais recomendações do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Manejo da Infecção pelo HIV em Adultos - 2018: A) O esquema preferencial para início de tratamento antirretroviral em adultos se baseia em dose única diária de comprimido composto de tenofovir, lamivudina e efavirenz B) O esquema preferencial para início de tratamento antirretroviral em gestantes se baseia em dose única diária de comprimido composto de tenofovir e lamivudina associado a comprimido de dolutegravir C) O esquema preferencial para início de tratamento antirretroviral em adultos com coinfecção HIV e tuberculose não complicada é composto de dose única diária de comprimido de tenofovir, lamivudina e dolutegravir. D) O esquema preferencial para o início de tratamento antirretroviral em adultos se baseia em dose única diária de comprimido composto de tenofovir e lamivudina associada a comprimido de dolutegravir E) O início do tratamento antirretroviral em adultos com aids e internação hospitalar por doença grave deve ser adiado para evitar a síndrome inflamatória da resposta imune, devendo ser iniciado apenas após a alta hospitalar, em nível ambulatorial. COMENTÁRIOS Futuro Residente, vamos juntos analisar as alternativas dessa questão que aborda o que acabei de ensinar: Incorreta a alternativa A, porque o esquema preferencial atual é o tenofovir, lamivudinae dolutegravir, esquema feito com o uso de dois comprimidos ao dia. Incorreta a alternativa B, porque o dolutegravir só pode ser usado em gestantes com mais de 13 semanas de idade gestacional. Se usado no início da gestação, pode haver risco de defeitos do tubo neural. Logo mais, explicarei sobre esse assunto. Incorreta a alternativa C. Desde o final de 2019, o Ministério da Saúde liberou o uso do dolutegravir para pacientes coinfectados HIV/TB. A ressalva é que o dolutegravir deve ser feito duas vezes ao dia e não em tomada única diária. Ele é, habitualmente, feito somente uma vez ao dia, porém, pela interação com a rifampicina durante o tratamento da TB, que é um forte indutor do metabolismo do dolutegravir, sua dose deve ser dobrada. Você verá mais sobre isso na sequência. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED INFECTOLOGIA HIV Prof. Clarissa Cerqueira | Curso Extensivo | 2023 39 Correta a alternativa D. Como vimos, esse esquema é o preconizado para tratamento inicial dos pacientes com HIV. Ele é composto de 2 inibidores da transcriptase reversa nucleosídeos/nucleotídeos (tenofovir e lamivudina) associados a um inibidor de integrasse (dolutegravir). Incorreta a alternativa E. A terapia antirretroviral deve ser iniciada o quanto antes, sendo postergada por algumas semanas, principalmente nos casos de neurotuberculose e neurocriptococose, pelo risco de síndrome da reconstituição imune. Vou falar sobre isso no tópico da síndrome inflamatória da reconstituição imune. (FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DO TOCANTINS - UFT 2020) Paciente masculino, de 36 anos de idade, que compareceu no SAE do município de residência, onde realizou os testes rápidos para Hepatite B, Hepatite C, HIV e Sífilis. O teste de triagem para HIV resultou reagente, imediatamente, foi realizado um segundo teste confirmatório (Biomanguinhos) que, também, resultou reagente. Ele encontra-se assintomático. Como parte da abordagem inicial foram indicados exames laboratoriais e outros, como a Contagem de linfócitos T CD4+ e a Carga viral, segundo Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) para o manejo da infecção pelo HIV em adultos 2018, do Ministério da Saúde. A terapia antirretroviral lhe foi oferecida no mesmo dia do diagnóstico. Na semana seguinte, recebemos os resultados e a contagem de linfócitos T CD4+ foi de 682 células/mm³ e a carga viral foi de 2.524 cópias/mL. Assinale a alternativa CORRETA que apresente esquema antirretroviral inicial, indicado ao paciente. A) Combinação de três antirretrovirais, sendo dois inibidores de transcriptase reversa análogos de nucleotídeos/nucleosídeos, associados a um inibidor de transcriptase reversa não análogo de nucleotídeos/nucleosídeos. O esquema de primeira linha deve ser: comprimidos 2 em 1 de Tenofovir 300 mg + Lamivudina 300 mg, tomado 1 comprimido coformulado ao dia e associado a um comprimido de 200 mg de Nevirapina, de 12 em 12 horas, Via Oral B) Combinação de três antirretrovirais, sendo dois inibidores de transcriptase reversa análogos de nucleotídeos/nucleosídeos, associados a um inibidor de protease. O esquema de primeira linha deve ser monoterapia de Tenofovir 1 comprimido de 300 mg/dia, Lamivudina 2 comprimidos de 150 mg/dia, Lopinavir/Ritonavir (200 mg/50 mg) 4 comprimidos por dia (2 comprimidos de 12 em 12 horas), via oral. C) Combinação de três antirretrovirais, sendo dois inibidores de transcriptase reversa análogos de nucleotídeos/nucleosídeos, associados a um inibidor de protease. O esquema de primeira linha deve ser monoterapia de Zidovudina 1 comprimido de 300 mg de 12 em 12 horas, Lamivudina 2 comprimidos de 150 mg/dia, Lopinavir/Ritonavir (200 mg/50 mg), 4 comprimidos por dia (2 comprimidos de 12 em 12 horas), via oral. D) Combinação de três antirretrovirais, sendo dois inibidores de transcriptase reversa análogos de nucleotídeos/nucleosídeos, associados a um inibidor de integrase. O esquema de primeira linha deve ser comprimido 2 em 1 de Tenofovir 300 mg + Lamivudina 300 mg (1 comprimido ao dia), via oral, associado a Dolutegravir 50 mg (1 comprimido ao dia), via oral. E) A combinação de três antirretrovirais, sendo dois inibidores de transcriptase reversa análogos de nucleotídeos/nucleosídeos associados a um inibidor de transcriptase reversa não análogo de nucleotídeos/nucleosídeos. O esquema de primeira linha deve ser: comprimidos 2 em 1 de Tenofovir 300 mg + Lamivudina 300 mg (1 comprimido da combinação ao dia), associado a um comprimido de Efavirenz 600 mg/dia. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED INFECTOLOGIA HIV Prof. Clarissa Cerqueira | Curso Extensivo | 2023 40 COMENTÁRIOS O Ministério da Saúde recomenda como terapia inicial para pacientes com HIV o uso de três drogas: dois inibidores da transcriptase reversa nucleosídeo/nucleotídeo (ITRNN), o tenofovir e a lamivudina, associados a um inibidor de integrase (dolutegravir). Vamos analisar as alternativas: Incorreta a alternativa A, porque a nevirapina não é droga de primeira linha para pacientes com HIV. Seu uso é recomendado nos casos de resistência viral documentada com genotipagem. Incorreta a alternativa B, porque o uso de inibidores de protease (IP) não é considerado primeira linha no tratamento de infecções pelo HIV. O lopinavir/ritonavir são medicações mais antigas e com bastante efeitos adversos, principalmente relacionados ao trato gastrointestinal. O IP mais usado atualmente é o darunavir, que reservamos para casos de resistência ou contraindicação ao esquema inicial. Incorreta a alternativa C, porque a zidovudina não é o ITRNN recomendado de primeira escolha, nem o uso de inibidores de protease. Correta a alternativa D. Esse é o esquema inicial de primeira linha para tratamento de pacientes com HIV. Incorreta a alternativa E. O efavirenz já fez parte do esquema inicial para tratamento de pacientes com HIV, mas, desde 2017, o Ministério da Saúde recomenda que o dolutegravir seja feito no seu lugar. Agora, que falamos sobre o esquema básico inicial, vamos conversar sobre o tratamento da infecção pelo HIV em algumas situações especiais. 5.3 TRATAMENTO EM GESTANTES O tratamento da infecção pelo HIV em gestantes simplificou bastante. Desde 2022, o Ministério da Saúde recomenda o uso de TDF + 3TC + DTG, as mesmas drogas usadas no tratamento inicial de adultos, independentemente da idade gestacional. Há alguns anos, tinha-se dúvida em relação à segurança do dolutegravir no primeiro trimestre da gestação, porém novas evidências científicas não confirmaram a associação do DTG com defeitos do tubo neural. Resumindo, o tratamento da mulher que deseja engravidar e da gestante com HIV, independentemente da idade gestacional é: Tenofovir + Lamivudina + Dolutegravir m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED INFECTOLOGIA HIV Prof. Clarissa Cerqueira | Curso Extensivo | 2023 41 5.4 TRATAMENTO EM PACIENTES COINFECTADOS COM TUBERCULOSE Este tópico foi abordado no livro digital de tuberculose. Os pontos mais importantes para você saber são os seguintes: • O esquema básico (TDF+3TC+DTG) pode ser feito em associação com o tratamento da tuberculose, porém, como a rifampicina é um forte indutor do metabolismo do dolutegravir, sua dose deve ser dobrada. Ao invés de 50mg/dia, o paciente deve usar 50mg 12/12 horas. • A rifampicina não deve ser feita em associação com inibidores de protease. Caso o paciente já faça uso de algum, a recomendação é trocar essa classe por outra. Caso isso não seja possível e o IP não possa ser trocado, devemos trocar a rifampicina pela rifabutina. Pelo risco de desenvolvimento de uma síndrome inflamatória da reconstituição imune, pacientes virgens de tratamento do HIV e com diagnóstico de tuberculosedevem aguardar 2 a 8 semanas para começar TARV. Esse e mais detalhes estão descritos no livro de tuberculose. Confira esse tópico com calma. Não deixe de estudar, porque é cobrado com frequência em provas de Residência. 5.5 GENOTIPAGEM Como falei antes, existe um exame chamado genotipagem e é sobre ele que iremos falar agora. A genotipagem é um exame para pesquisar resistência viral às medicações. Com ele, conseguimos descobrir quais são os antirretrovirais ativos e eficazes para montarmos um novo esquema de tratamento. Em algumas situações, devemos realizar esse exame antes do início do tratamento, para investigar resistência transmitida: Indicações de genotipagem pré-tratamento Pessoas que tenham se infectado com algum parceiro (atual ou prévio) em uso de TARV Gestantes infectadas pelo HIV Crianças infectadas pelo HIV Pessoas coinfectadas com HIV e tuberculose m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED INFECTOLOGIA HIV Prof. Clarissa Cerqueira | Curso Extensivo | 2023 42 CAI NA PROVA (SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DE CUIABÁ – SCMCMT 2020) A genotipagem pré-tratamento para manejo da infecção pelo HIV em adultos está indicada nas seguintes situações listadas abaixo, indique o item com erro: A) Pessoas que tenham se infectado com parceiro (atual ou pregresso) em uso de TARV. B) Casais soro iguais. C) Gestantes infectadas pelo HIV. D) Coinfecção TB-HIV. COMENTÁRIOS A genotipagem pré-tratamento está indicada em todos os pacientes coinfectados com HIV e TB, a todas as gestantes, todas as crianças e pessoas que tenham se infectado com parceiro em uso de TARV (casais sorodiscordantes). Vamos agora às alternativas: Incorreta a alternativa A, porque a genotipagem pré-tratamento está indicada em pessoas que tenham se infectado com o parceiro (atual ou pregresso) em uso de TARV. Nesse caso, há um risco de o paciente estar infectado com vírus resistente, afinal, para ter adquirido o HIV pelo parceiro (a) é porque não estava usando a TARV adequadamente. Correta a alternativa B. Porque não há indicação e nem benefício em realizar genotipagem em casais que sejam soroiguais. Incorreta a alternativa C, porque a genotipagem pré-tratamento está indicada em gestantes. Incorreta a alternativa D, porque a genotipagem pré-tratamento está indicada em pacientes coinfectados HIV e TB. 5.6 FALHA VIROLÓGICA Com o uso regular da TARV, a carga viral do paciente ficará indetectável em até 6 meses. Caso isso não aconteça, dizemos que estamos diante de uma falha virológica. Além disso, se o paciente estava com uma carga viral indetectável e, em seguida, ela passou a ser detectável, também podemos caracterizar essa situação como falha virológica. A falha virológica pode ser caracterizada de duas formas: - Carga viral detectável após seis meses do início ou troca da TARV; - CV detectável em pacientes que fazem uso regular da TARV e mantinham uma CV indetectável. A causa mais comum de falha virológica é a má adesão ao tratamento, logo, a primeira conduta a ser feita é orientar essa adesão. Caso o paciente permaneça com o uso irregular da TARV, os níveis séricos desses remédios ficam baixos e são insuficientes para suprimir a replicação viral. Isso leva a uma pressão seletiva sobre a população viral, com consequente aparecimento de subpopulações resistentes, inclusive com resistência cruzada a drogas não utilizadas previamente. Chamamos isso de resistência viral adquirida. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED INFECTOLOGIA HIV Prof. Clarissa Cerqueira | Curso Extensivo | 2023 43 Causas de falha virológica: - Má adesão ao tratamento. - Resistência viral adquirida. - Resistência viral transmitida (nesse caso, a pessoa já teria se infectado com um vírus resistente). - Esquemas inadequados (por exemplo, esquemas com potências insuficientes, como terapia tripla com três ITRN, monoterapia com IP/r, etc.) Nos pacientes em que detectamos a falha virológica, devemos solicitar a realização da genotipagem para investigar a resistência viral às medicações. Com isso, podemos montar esquemas de resgate com maior chance de supressão viral. Para a realização da genotipagem o paciente deve preencher os seguintes critérios: Critérios para realização de genotipagem para investigação de falha virológica Falha virológica confirmada em dois testes consecutivos de carga viral do HIV com intervalo de 4 semanas entre eles. Carga viral superior a 500 cópias/mL (se for menos que isso, o exame não tem como ser realizado, já que é preciso uma quantidade mínima de vírus replicante). Uso regular de TARV por pelo menos 6 meses. CAI NA PROVA (Hospital de Olhos Aparecida – HOA – 2020 GO) Recomenda-se que os testes de genotipagem do HIV, sejam realizados o mais precocemente possível em relação ao diagnóstico da falha. Somente sendo incorreto que: A) nas situações de CV-HIV baixa, os testes de genotipagem podem ser menos eficazes, pois a amplificação das sequências pode ser frustrada. B) além disso, subpopulações minoritárias portadoras de mutações de resistência sempre serão detectadas. C) a CV persistente, mesmo baixa, leva a acúmulo de mutações e resistência cruzada nas classes dos medicamentos sem uso. D) cerca de 60% dos pacientes mantidos com supressão viral parcial desenvolvem novas mutações de resistência após 18 meses. COMENTÁRIOS Questão sobre o que acabamos de discutir. A falha virológica é definida como uma carga viral detectável após seis meses do início ou troca da terapia antirretroviral, ou a detecção de uma carga viral que antes se mantinha indetectável. Nesses casos, a genotipagem está indicada para avaliar a resistência aos antirretrovirais. Vamos às alternativas: m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED INFECTOLOGIA HIV Prof. Clarissa Cerqueira | Curso Extensivo | 2023 44 Correta a alternativa A. Quando a CV-HIV está muito baixa, pode ser difícil ampliar sequências genéticas dos vírus para avaliar mutações. Para exemplificar, um dos critérios para realizar genotipagem é ter uma CV-HIV superior a 500 cópias/mL. Incorreta a alternativa B. Porque subpopulações minoritárias podem não ser detectadas. Correta a alternativa C. Uma CV detectável por longos períodos pode levar a mutações e resistência a diversas drogas. Medicações que nunca foram usadas pelo paciente podem apresentar resistência de forma cruzada. Correta a alternativa D. Essa alternativa traz um dado real que mostra que pacientes com carga viral baixa, porém detectável (supressão viral parcial), desenvolvem resistência aos antirretrovirais. 5.7 FLUXOGRAMA DO MANEJO INICIAL DO PACIENTE COM HIV/AIDS Diagnóstico da infecção pelo HIV com pelo menos 2 testes Fazer genotipagem pré-tratamento Iniciar TDF+3TC+DTG Prescrever TARV de acordo resultado do exame Infecção através de algum parceiro em uso de TARV, ou paciente está gestante, ou é uma criança, ou está coinfectado (a) com tuberculose SimNão m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED INFECTOLOGIA HIV Prof. Clarissa Cerqueira | Curso Extensivo | 2023 45 CAPÍTULO 6.0 SEGUIMENTO DO PACIENTE COM HIV/AIDS Logo após o diagnóstico da infecção pelo HIV, devemos iniciar a cascata de cuidado contínuo do paciente. O que isso quer dizer? Que devemos vincular esse paciente a um serviço de saúde e fazer seu seguimento para garantir uma boa adesão ao tratamento com consequente supressão da carga viral. Essa cascata é composta dos seguintes passos: 1. Diagnóstico 2. Vinculação a um serviço de saúde. 3. Retenção no seguimento com realização de exames periódicos. 4. Grantir uma boa adesão à TARV. 5. Supressão da carga viral. De acordo com o PCDT para Manejoda Infecção pelo HIV em adultos, de 2018, do Ministério da Saúde, a vinculação é definida da seguinte forma: “é o processo que consiste no acolhimento, orientação, direcionamento e encaminhamento de uma pessoa recém- diagnosticada com HIV ao serviço de saúde para que ela realize as primeiras consultas e exames o mais brevemente possível e desenvolva autonomia para o cuidado contínuo. O desfecho principal para considerar uma PVHIV (pessoa vivendo com HIV/aids) vinculada é a realização da 1ª consulta no serviço de atenção para o qual foi encaminhada e, de preferência, seu início de tratamento o mais rápido possível”. A retenção ocorre após a vinculação, quando o paciente faz acompanhamento regular no serviço, realiza os exames ou retira a TARV e não falta às consultas.m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED INFECTOLOGIA HIV Prof. Clarissa Cerqueira | Curso Extensivo | 2023 46 Na primeira consulta médica de um paciente com HIV, algumas informações específicas devem ser abordadas, como: - Revisar a data do primeiro exame anti-HIV; - Documentação do teste; - Tempo provável de soropositividade; - Situações de risco para infecção; - Presença ou história de doenças oportunistas; - Contagem de CD4+ ou carga viral anterior; - Uso anterior de TARV e eventos adversos prévios; - Compreensão sobre a doença (explicar sobre transmissão, história natural, significado da contagem CD4+, carga viral e TARV). Para o paciente ter uma resposta adequada ao tratamento, precisa ter uma boa adesão a ele. Mas, como definimos essa adesão? Ela é definida como o uso mais próximo possível da medicação da forma que foi prescrita pela equipe de saúde. A adesão é suficiente se o paciente tomar os comprimidos com uma frequência de pelo menos 80% daquela prescrita. CAI NA PROVA (Hospital de Olhos Aparecida – HOA – 2020 GO) O cuidado contínuo em HIV pode ser entendido como o processo de atenção aos usuários que vivem com HIV, que são entendidos como momentos, sendo que a dita Vinculação seria adequadamente determinada pela seguinte alternativa. A) Processo que consiste no acolhimento, orientação, direcionamento e encaminhamento de uma pessoa recém-diagnosticada com HIV ao serviço de saúde, para que ela realize as primeiras consultas e exames o mais brevemente possível, mas não desenvolva autonomia para o cuidado contínuo. O desfecho principal para considerar uma PVHIV vinculada é a realização da primeira consulta no serviço de atenção para o qual foi encaminhada e, de preferência, seu início de tratamento o mais rápido possível. B) Processo que consiste no acolhimento, orientação, direcionamento e encaminhamento de uma pessoa recém-diagnosticada com HIV ao serviço de saúde, para que ela realize as primeiras consultas e exames o mais brevemente possível e desenvolva autonomia para o cuidado contínuo. O desfecho principal para considerar uma PVHIV vinculada é a realização da primeira consulta no serviço de atenção para o qual foi encaminhada e, de preferência, seu início de tratamento o mais rápido possível. C) Processo que consiste no acolhimento, orientação, direcionamento e encaminhamento de uma pessoa recém-diagnosticada com HIV ao serviço de saúde, para que ela realize as primeiras consultas e exames o mais brevemente possível e desenvolva autonomia para o cuidado contínuo. O desfecho principal para considerar uma PVHIV vinculada é a realização da primeira consulta no serviço de atenção para o qual foi encaminhada e, de preferência, seu início de tratamento sendo desnecessário rapidez. D) Processo que consiste direcionamento apenas para encaminhamento de uma pessoa recém-diagnosticada com HIV ao serviço de saúde, para que ela realize as primeiras consultas e exames o mais brevemente possível e desenvolva autonomia para o cuidado contínuo. O desfecho principal para considerar uma PVHIV vinculada é a realização da primeira consulta no serviço de atenção para o qual foi encaminhada e, de preferência, seu início de tratamento o mais rápido possível. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED INFECTOLOGIA HIV Prof. Clarissa Cerqueira | Curso Extensivo | 2023 47 COMENTÁRIOS Essa questão copiou a definição de vinculação do PCDT para Manejo da Infecção pelo HIV em adultos do Ministério da Saúde, de 2018. Agora que você já sabe, fica mais fácil, não é mesmo? Vamos analisar as alternativas e ver qual é a correta: Incorreta a alternativa A, porque o desenvolvimento da autonomia para o cuidado contínuo faz parte da vinculação. Correta a alternativa B. Essa alternativa descreve exatamente a definição da vinculação. Incorreta a alternativa C, porque o início mais rápido possível do tratamento faz parte do desfecho principal da vinculação. Incorreta a alternativa D, porque a vinculação não é somente o processo de direcionamento de uma PVHIV. É também o acolhimento, orientação e encaminhamento desses pacientes. (HOSPITAL DE OLHOS GROTTONE - HOG - SP 2018) Adesão ao tratamento consiste na utilização ideal dos medicamentos antirretroviral ARV, sendo NÃO compatível com o mesmo, apenas, o item abaixo indicado: A) adesão ao tratamento consiste na utilização ideal dos medicamentos antirretroviral ARV da forma mais próxima possível àquela prescrita pela equipe de saúde, respeitando as doses, horários e outras indicações. B) a adesão também é um processo colaborativo que facilita a aceitação e a integração de determinado esquema terapêutico no cotidiano das pessoas em tratamento. C) considera-se como adesão suficiente a tomada de medicamentos com uma frequência de, pelo menos, 95 % para alcançar a supressão viral e sua manutenção. D) ressalta-se que a má adesão é uma das principais causas de falha terapêutica. COMENTÁRIOS A adesão ao tratamento é fundamental para a supressão da carga viral do HIV. Vamos analisar as alternativas e procurar a incorreta. Correta a alternativa A. A adesão é definida como o uso mais próximo possível da medicação da forma que foi prescrita pela equipe de saúde. Correta a alternativa B. A adesão é um processo que colabora para facilitar a incorporação dessa nova rotina na vida das pessoas com HIV. Incorreta a alternativa C. A adesão suficiente é aquela em que o paciente toma pelo menos 80% da medicação conforme a prescrição. Correta a alternativa D. A má adesão ao tratamento é uma das principais causas de falha terapêutica e também leva ao risco de desenvolvimento de resistência viral. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED INFECTOLOGIA HIV Prof. Clarissa Cerqueira | Curso Extensivo | 2023 48 (HOSPITAL MEMORIAL ARTHUR RAMOS – HMAR – 2020 AL) As estratégias para testagem têm o objetivo de melhorar a qualidade do diagnóstico da infecção pelo HIV e, ao mesmo tempo, assegurar que o diagnóstico seja realizado o mais precocemente possível, de forma segura e com rápida conclusão. Somente se mostra errado o item: A) Fazer revisão e documentação do primeiro exame anti-HIV. B) Checar se há contagens de LT-CD4+ e exames de CV-HIV anteriores. C) Discutir uso de ARV e se houve eventos adversos prévio. D) Vedado discutir o tempo provável de soro positividade. COMENTÁRIOS A questão quer saber que afirmativa traz uma conduta que não deve ser feita na primeira consulta. Vamos analisar cada alternativa: Correta a alternativa A. A revisão e documentação do primeiro exame anti-HIV é importante para a notificação da data adequada. Correta a alternativa B. É de extrema importância checar resultados prévios de LT-CD4+ e carga viral. Isso é importante para avaliar o nível mais baixo de imunossupressão do paciente, a adesão ao tratamento ou se há suspeita de resistência viral. Correta a alternativa C. O uso de ARV deve ser discutido e oferecido ao paciente. Caso ele já tenhafeito uso prévio, é importante saber sobre efeitos adversos para montar o esquema de tratamento. Incorreta a alternativa D. Como você já leu acima, é recomendado que se discuta o tempo provável de soropositividade. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED INFECTOLOGIA HIV Prof. Clarissa Cerqueira | Curso Extensivo | 2023 49 CAPÍTULO 7.0 INFECÇÕES OPORTUNISTAS 7.1 INFECÇÕES PULMONARES As infecções pulmonares são frequentes em pacientes com aids que não usam a TARV. Dentre elas, você precisa saber bastante sobre a pneumocistose, doença oportunista mais cobrada nas provas de Residência, tuberculose e pneumonia bacteriana. 7.1.1 PNEUMOCISTOSE A pneumocistose é uma das principais infecções oportunistas que acometem o paciente portador de aids. Geralmente, ela manifesta- se quando a contagem de linfócitos T CD4+ está abaixo de 200 células/µL. Etiologia É causada pelo Pneumocystis jirovecii, um fungo que geralmente infecta o ser humano na infância e pode permanecer latente ao longo da vida e reativar em casos de deficiência da imunidade celular. A transmissão entre indivíduos também pode ocorrer por meio do contato com secreções respiratórias de pessoas que são colonizadas/infectadas pelo fungo. Quadro clínico Clinicamente, o paciente apresenta-se com uma tosse seca, febre, dispneia e hipoxemia (anote isso, porque é frequente a descrição de dessaturação no enunciado das questões sobre esse assunto). Nos exames laboratoriais, a elevação do lactato desidrogenase (LDH) é bem característica. HIV + dispneia subaguda + hipoxemia = pneumocistose. Muitas vezes a banca associa ao quadro pulmonar a presença de candidíase oral, para sugerir a você um diagnóstico de pneumocistose. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED INFECTOLOGIA HIV Prof. Clarissa Cerqueira | Curso Extensivo | 2023 50 É comum a associação de candidíase oral com pneumocistose! Diagnóstico O diagnóstico da pneumocistose é geralmente presuntivo. A associação da história clínica com exames de imagem e laboratório é a maneira mais usada para isso. A radiografia de tórax pode estar normal ou com um infiltrado intersticial bilateral. Um achado bem frequente nas provas é a presença de pneumotórax espontâneo, já que a pneumocistose pode levar à formação de cistos, que podem se romper espontaneamente (daí o nome da pneumocistose). Já na tomografia de tórax, é frequente o encontro de infiltrados intersticiais em vidro fosco. Uma alteração que fala contra o diagnóstico da pneumocistose é a presença de derrame pleural. Figura 16. Na imagem da esquerda, observe uma radiografia de tórax de paciente com pneumocistose. Preste atenção ao infiltrado intersticial bilateral. Na imagem à direta, você pode observar uma tomografia de um outro paciente com pneumocistose que evidencia um infiltrado em vidro fosco bilateral. Para um diagnóstico definitivo, é necessário encontrar o fungo. Como isso é feito? Com a pesquisa direta do agente em amostras respiratórias, como o escarro ou o lavado broncoalveolar, que são as amostras com maior sensibilidade. Devem sem usadas colorações que consigam corar leveduras, como o azul de toluidina, Grocott e Giemsa. Outras técnicas podem ser usadas para detectar o fungo no lavado broncoalveolar, como a imunofluorescência e a biologia molecular, como a PCR (polymerase chain reaction). m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED INFECTOLOGIA HIV Prof. Clarissa Cerqueira | Curso Extensivo | 2023 51 Tratamento Seu tratamento é feito com sulfametoxazol e trimetoprima por 21 dias e, após o uso do antibiótico em dose terapêutica, devemos mantê-lo em dose profilática três vezes por semana para evitar recorrência da doença. Sobre a profilaxia secundária: após 3 meses com uma contagem de linfócitos acima de 200 células/mm3, a profilaxia pode ser descontinuada. Pacientes com pneumocistose moderada a grave, ou seja, com PaO2 35mmHg, têm indicação do uso de corticoides, já que esses reduzem a mortalidade nesses casos. Caso o paciente seja alérgico à sulfa, o tratamento deve ser feito com clindamicina e primaquina pelos mesmos 21 dias. Caso o paciente seja diagnosticado com HIV no momento do quadro da pneumocistose, a TARV deve ser iniciada dentro de duas semanas do início do tratamento, podendo, inclusive ser durante a internação hospitalar. TRATAMENTO DA PNEUMOCISTOSE 1. Medicações: sulfametoxazol-trimetoprima ou clindamicina e primaquina (nos casos de alergia à sulfa) por 21 dias. 2. Indicações de uso de corticoide: PaO2 35mmHg. CAI NA PROVA (UNIRIO 2020) Paciente feminina de 58 anos portadora de AIDS em tratamento irregular deu entrada em serviço de emergência com dor pleurítica, dispneia e febre baixa. A radiografia revelou pneumotórax à direta. A provável causa do quadro clínico é A) Pneumonia por Pneumocystis jiroveci. B) Pneumonia por Staphylocccus aureus. C) Pneumonia por Streptococcus pneumoniae. D) Pneumonia por citomegalovírus. E) Aspergilose pulmonar. COMENTÁRIOS Um paciente com AIDS e uso irregular da medicação: devemos pensar logo que ele tem linfócitos T CD4+ baixos. Nesse caso, a paciente apresenta dispneia e pneumotórax espontâneo. Qual é a doença que justifica esse quadro? A pneumocistose! m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED INFECTOLOGIA HIV Prof. Clarissa Cerqueira | Curso Extensivo | 2023 52 Correta a alternativa A. A pneumocistose justifica todos os achados clínicos da paciente. Seu diagnóstico é compatível com a história de infecção pelo HIV, principalmente naqueles que não estão fazendo um tratamento adequado, que sugere uma imunossupressão mais grave. Incorreta a alternativa B. Essa bactéria não é uma causa frequente de pneumonia. Quando um quadro desses ocorre, é geralmente grave e de rápida evolução. Além disso, a presença de pneumotórax espontâneo não é característica das pneumonias por S. aureus. Incorreta a alternativa C. O pneumococo é a principal causa de pneumonia bacteriana comunitária na população. Seu quadro é agudo e inclui sintomas como tosse produtiva, febre, dispneia e dor pleurítica. A presença de pneumotórax espontâneo não é frequente nesses casos, mesmo em pacientes com AIDS. Incorreta a alternativa D. A reativação do CMV em pacientes com AIDS pode causar, com muito mais frequência, um quadro de retinite, esofagite com úlceras, colite e pancitopenia. A pneumonite por CMV não é comum nesses casos e, quando ela ocorre, é naqueles com linfócitos T CD4+ muito baixos (HIV, com carga viral superior a 10⁶ cópias/mL e contagem de CD4 de 77 células. É iniciado tratamento para pneumonia por Pneumocystis jiroveci com sulfametoxazol + trimetoprima (SMX-TMP). A melhor conduta, quanto ao início da terapia antirretroviral (TARV), é: A) Completar 21 dias de tratamento com SMX-TMP, mantendo o fármaco em profilaxia secundária por três meses, apenas iniciando a TARV em nível ambulatorial, caso fique comprovada aderência ao tratamento. B) Iniciar esquema com tenofovir, entricitabina e dolutegravir durante a internação, com reavaliação ambulatorial de uma a duas semanas após a alta hospitalar visando a manter monitorização do tratamento. C) Iniciar TARV durante a internação, como estratégia rápida de resgate imune, reavaliando sua manutenção no seguimento ambulatorial, conforme a evolução da carga viral e contagem de CD4 D) Completar 21 dias de tratamento com SMX-TMP, mantido em seguida como profilaxia secundária, iniciando a TARV com tenofovir, lamivudina e efavirenz na primeira consulta ambulatorial COMENTÁRIOS Preste atenção ao quadro clínico desse paciente, que é muito sugestivo de pneumocistose: evolução subaguda de tosse não produtiva, febre, dispneia progressiva e hipoxemia em paciente com aids. O DHL (ou LDH) elevado e infiltrado intersticial difuso são alterações características dessa doença. Embora a questão não esteja cobrando o diagnóstico, é importante saber reconhecer esse padrão clínico em questões de prova. Vamos às alternativas? m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED INFECTOLOGIA HIV Prof. Clarissa Cerqueira | Curso Extensivo | 2023 53 Incorreta a alternativa A, pois a TARV deve ser iniciada ainda na internação, dentro de duas semanas de tratamento para pneumocistose. Após o tratamento, a profilaxia secundária deve ser iniciada e mantida até o paciente ter uma carga viral indetectável e um CD4 maior do que 200/mm3 por pelo menos três meses. Correta a alternativa B. É indicado o início da TARV ainda durante a internação, dentro de duas semanas após o início do tratamento para pneumocistose. Há um pequeno deslize nessa questão: o esquema preferencial no Brasil é tenofovir, lamivudina (e não entricitabina) e dolutegravir; no entanto, essa ainda é a alternativa “mais correta” (entricitabina e lamivudina são medicações semelhantes). Incorreta a alternativa C. A TARV deve sim ser iniciada na internação, mas não imediatamente, justamente para evitar síndrome da reconstituição imune. A reavaliação ambulatorial não tem como objetivo definir a manutenção da TARV, pois ela deve continuar indefinidamente. Incorreta a alternativa D. O tratamento de escolha atual para pacientes com HIV é tenofovir, lamivudina e dolutegravir. Nessa alternativa, colocaram o efavirenz no lugar do dolutegravir. (UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE - UERN 2019) O antibiótico de escolha no tratamento da pneumonia causada pelo pneumocystis carinii é: A) Rifampicina. B) Trimetropin/sulfametoxazol. C) Meropenem. D) Anfotericina B. COMENTÁRIOS Questão bem direta, não é? O tratamento da pneumocistose é feito com o sulfametoxazol-trimetoprima. Incorreta a alternativa A. A rifampicina é um dos antibióticos que fazem parte do esquema básico para tratamento de tuberculose. Correta a alternativa B. O sulfametoxazol/trimetoprima é o tratamento de escolha para pacientes com pneumocistose. Lembrando que, após os 21 dias de tratamento, devemos deixar a dose profilática. Incorreta a alternativa C. O meropenem é um antibacteriano usado para tratamento de infecções por bactérias gram-negativas produtoras de beta-lactamase. Incorreta a alternativa D, porque o Pneumocystis não é suscetível à ação da anfotericina.m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED INFECTOLOGIA HIV Prof. Clarissa Cerqueira | Curso Extensivo | 2023 54 (PERNAMBUCO - SES - PE 2018) Um paciente de 30 anos queixa-se de tosse seca, febre baixa e dispneia progressiva há vinte dias, com piora recente. Confessa que há dois anos descobriu ser soropositivo para HIV, mas não quis realizar qualquer tratamento ou investigação e perdeu o acompanhamento. Qual dos itens abaixo NÃO sugere pneumonia por Pneumocystis jiroveci? A) Contagem de linfócitos CD4 menor que 200 células/mm³. B) Hipoxemia. C) Elevação do níveis de DHL (lactato desidrogenase). D) Derrame pleural volumoso. E) Radiografia de tórax normal. COMENTÁRIOS Essa questão quer saber o que não é esperado em um paciente com pneumocistose. Depois de estudar sobre o assunto, fica mais fácil saber que a resposta é a letra D. Como falei, o derrame pleural volumoso não sugere diagnóstico de pneumocistose. Incorreta a alternativa A, pois linfócitos CD4pulmonar. Qual é a primeira hipótese diagnóstica? Pneumonia bacteriana! Como ele tem linfócitos T CD4+ elevados, não devemos pensar inicialmente em infecções oportunistas. Vamos analisar as alternativas: Incorreta a alternativa A. A pneumocistose é mais frequente naqueles pacientes com linfócitos T CD4+ ≤200 células/mm3. Além disso, sua apresentação clínica é subaguda, e o paciente apresenta-se com dispneia e dessaturação. Incorreta a alternativa B. Não há relato de broncoaspiração e nem há fator de risco para isso, como rebaixamento do nível de consciência ou dificuldade de deglutição. Incorreta a alternativa C. Epidemiologicamente, a histoplasmose é muito mais rara do que a pneumonia bacteriana. Além disso, a questão não cita fator de risco para histoplasmose, como contato com galinheiro ou cavernas, o que nos ajudaria em uma eventual suspeita diagnóstica. Incorreta a alternativa D. A pneumonite por CMV não é comum nos pacientes com HIV e, quando ela ocorre, é naqueles pacientes com linfócitos T CD4+ muito baixos (B) Toxoplasmose cerebral; C) Linfoma; D) Co-infecção Trypanosoma cruzi/vírus da imunodeficiência adquirida (HIV); E) Criptococose. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED INFECTOLOGIA HIV Prof. Clarissa Cerqueira | Curso Extensivo | 2023 59 COMENTÁRIOS Temos aqui um paciente jovem, com AIDS e com um quadro neurológico. Vamos analisar as alternativas e discutir os diagnósticos. As outras doenças neurológicas serão abordadas ao longo do livro: Incorreta a alternativa A. A LEMP é causada pelo vírus JC e acomete aqueles pacientes bem imunodeprimidos, com linfócitos T CD4+ de abertura, que está elevada se estiver > 20 cmH 2 O (ou 200mmH 2 O). L TCD4 200 mmH₂O em decúbito lateral). D) Durante a fase de indução do tratamento está indicado uso de anfotericina B. COMENTÁRIOS Incorreta a alternativa A. O manejo da hipertensão intracraniana dos pacientes com neurocriptococose é feito com a punção lombar diária, até que ela se estabilize. Se houver necessidade de punções de repetição, em geral após o 7º dia, é necessária a implantação de uma derivação ventricular externa. Cada punção tem o objetivo de reduzir a pressão intracraniana em 50% ou a um valor normal (menor ou igual a 20 cmH2O). Correta a alternativa B. A neurocriptococose é uma doença que se apresenta ao longo de uma a duas semanas. É muito mais frequente um quadro subagudo do que agudo, mas ambos são possíveis. Clinicamente, o paciente apresenta sinais e sintomas de meningite e hipertensão intracraniana, como cefaleia, náuseas e vômitos, rigidez de nuca, edemade papila, paralisia do VI par craniano (por ter um trajeto longo) e confusão mental. Correta a alternativa C. A hipertensão intracraniana é muito comum e bem característica da neurocriptococose. Essa pressão é definida com um aparelho chamado raquimanômetro. Assim que a punção é realizada, encaixamos um tubo estéril na extremidade da agulha de punção e no aparelho. No visor conseguimos ver o valor da pressão de abertura, que está elevada se estiver > 20 cmH2O (ou 200mmH2O). Correta a alternativa D. O tratamento da neurocriptococose é dividido em 3 fases: 1. Indução: é a fase inicial, devemos fazer a associação de anfotericina com 5-flucitosina ou fluconazol. A duração é em torno de 2 semanas. Atualmente, não fazemos mais a monoterapia com anfotericina, pois a mortalidade desses pacientes é maior em comparação com os que são tratados com terapia dupla. 2. Consolidação: deve ser iniciada em seguida à indução, com fluconazol em doses altas por 8 semanas. 3. Manutenção: após a consolidação, reduzimos a dose do fluconazol, que deve ser mantido, pelo menos, até completar um ano do diagnóstico. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED INFECTOLOGIA HIV Prof. Clarissa Cerqueira | Curso Extensivo | 2023 65 7.2.3 LINFOMA PRIMÁRIO DE SNC (LPSNC) O linfoma primário de sistema nervoso central é uma doença que está associada ao vírus Epstein-Barr (EBV). Não é muito frequente nos pacientes com AIDS com um quadro neurológico. Ele é um dos principais diagnósticos diferenciais da neurotoxoplasmose, já que o quadro clínico é parecido e também, na tomografia de crânio, pode apresentar uma lesão bem semelhante (lesão com realce anelar). Devemos lembrar dessa doença sempre que um paciente não melhorar nas primeiras duas semanas de tratamento para NTX. Um PCR que detecta o EBV no líquor favorece seu diagnóstico. Em quadro sugestivo de neurotoxoplasmose que não melhora após 10 a 15 dias de tratamento, devemos nos lembrar do LPSNC. O PCR para EBV no líquor favorece esse diagnóstico. CAI NA PROVA (FACULDADE DE MEDICINA DO ABC ABC 2014) Homem, HIV positivo há três anos, sem aderência à terapia antirretroviral, apresenta quadro de cefaleia, vômitos e distúrbio do comportamento há três semanas. Em uso de sulfadiazina e pirimetamina há duas semanas sem resposta. A TC de crânio apresenta lesão única em região frontal, com edema perilesional importante e com halo após injeção de contraste endovenoso. O exame de liquor é normal quanto à celularidade e bioquímica, apresentando PCR positivo para Epstein-Barr. Sorologia para EBV positiva (IgG) e negativa para toxoplasmose (IgG e IgM). O diagnóstico mais provável é: A) Neurotoxoplasmose. B) Encefalite viral. C) Linfoma primário de SNC. D) Neurocriptococose. COMENTÁRIOS A principal causa de lesão com efeito de massa em sistema nervoso central em um paciente com HIV é a neurotoxoplasmose (NTX). Seguindo esse raciocínio, o paciente foi tratado para essa doença, porém não respondeu nos primeiros 15 dias. O que isso quer dizer? Que não é neurotoxoplasmose! Um dos principais diagnósticos diferenciais dessa doença é o linfoma primário de sistema nervoso central. Ele pode fazer uma lesão na tomografia de crânio igual à da neurotoxoplasmose. Essa doença deve ser lembrada sempre que um paciente não melhorar com duas semanas de tratamento para NTX. Ela está associada ao vírus Epstein-Barr (EBV), sendo que um PCR no líquor, positivo para esse vírus, favorece o diagnóstico dessa doença. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED INFECTOLOGIA HIV Prof. Clarissa Cerqueira | Curso Extensivo | 2023 66 Incorreta a alternativa A. Se o paciente não melhorou com 2 semanas de tratamento, é porque não tem neurotoxoplasmose. Incorreta a alternativa B. O paciente tem uma massa em SNC, que não é compatível com encefalite viral. Além disso, já temos outro diagnóstico muito mais provável. Correta a alternativa C. Os pacientes que não melhoram com o tratamento empírico para neurotoxoplasmose devem ser investigados para linfoma primário de SNC com exame de líquor. Foi o que aconteceu nesse caso e o resultado foi compatível com essa hipótese diagnóstica, já que identificou o material genético do EBV. Incorreta a alternativa D. Não há indícios de alterações liquóricas que sugiram uma meningite fúngica, como uma tinta da China positiva. A tomografia de crânio também não é compatível com esse diagnóstico. 7.2.4 LEUCOENCEFALOPATIA MULTIFOCAL PROGRESSIVA (LEMP) A LEMP é uma doença oportunista causada pelo vírus JC. Ela acomete os pacientes com aids e é mais frequente naqueles com uma imunossupressão grave, com contagem de linfócitos T CD4+Curso Extensivo | 2023 6 5.3 TRATAMENTO EM GESTANTES 40 5.4 TRATAMENTO EM PACIENTES COINFECTADOS COM TUBERCULOSE 41 5.5 GENOTIPAGEM 41 5.6 FALHA VIROLÓGICA 42 5.7 FLUXOGRAMA DO MANEJO INICIAL DO PACIENTE COM HIV/AIDS 44 6.0 SEGUIMENTO DO PACIENTE COM HIV/AIDS 45 7.0 INFECÇÕES OPORTUNISTAS 49 7.1 INFECÇÕES PULMONARES 49 7.1.1 PNEUMOCISTOSE 49 7.1.2 PNEUMONIA BACTERIANA 55 7.1.3 TUBERCULOSE 56 7.2 INFECÇÕES DE SISTEMA NERVOSO CENTRAL 56 7.2.1 NEUROTOXOPLASMOSE 57 7.2.2 NEUROCRIPTOCOCOSE 61 7.2.3 LINFOMA PRIMÁRIO DE SNC (LPSNC) 65 7.2.4 LEUCOENCEFALOPATIA MULTIFOCAL PROGRESSIVA (LEMP) 66 7.2.5 NEUROSSÍFILIS 68 7.2.6 RESUMO DAS NEUROINFECÇÕES 69 7.3 INFECÇÕES DO TRATO GASTROINTESTINAL 70 7.3.1 CANDIDÍASE ORAL E ESOFÁGICA 70 7.3.2 ÚLCERAS ESOFÁGICAS POR HERPESVÍRUS 72 7.3.3 DIARREIAS 74 7.3.4 HEPATITES VIRAIS 76 7.4 INFECÇÕES DISSEMINADAS 79 7.4.1 MAC 79 7.5 MANIFESTAÇÕES CUTÂNEAS 79 7.5.1 SARKOMA DE KAPOSI (SK) 79 7.5.2 ANGIOMATOSE BACILAR 80 7.6 PROFILAXIA DAS DOENÇAS OPORTUNISTAS 81 m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED INFECTOLOGIA HIV Prof. Clarissa Cerqueira | Curso Extensivo | 2023 7 8.0 SÍNDROME INFLAMATÓRIA DA RECONSTITUIÇÃO IMUNE (IRIS) 84 9.0 PREVENÇÃO 85 9.1 PREVENÇÃO COMBINADA 85 9.2 PROFILAXIA PÓS-EXPOSIÇÃO (PEP) 87 9.3 PROFILAXIA PRÉ-EXPOSIÇÃO (PREP) 90 9.4 PROFILAXIA DE TRANSMISSÃO VERTICAL 93 9.4.1 MANEJO DO RECÉM-NASCIDO 94 9.4.2 MANEJO DA GESTANTE 96 10.0 HIV EM CRIANÇAS 99 10.1 MANEJO DE CRIANÇAS EXPOSTAS 99 10.1.1 CUIDADOS NA SALA DE PARTO 99 10.1.2 PROFILAXIA PRIMÁRIA PARA PNEUMOCISTOSE 100 10.2 QUADRO CLÍNICO 103 10.3 DIAGNÓSTICO 104 10.3.1 DIAGNÓSTICO EM MENORES DE 18 MESES 104 10.3.2 DIAGNÓSTICO EM MAIORES DE 18 MESES 107 10.3 TRATAMENTO 108 11.0 VACINAÇÃO 109 11.1 VACINAS INATIVADAS 109 11.2 VACINAS DE AGENTES VIVOS ATENUADOS 110 11.3 VACINAS EM CRIANÇAS EXPOSTAS 112 12.0 MAPA MENTAL 113 13.0 LISTA DE QUESTÕES 114 14.0 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 115 15.0 CONSIDERAÇÕES FINAIS 115m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED INFECTOLOGIA HIV Prof. Clarissa Cerqueira | Curso Extensivo | 2023 8 1.0 ASPECTOS GERAIS CAPÍTULO A infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV) é a responsável por causar a síndrome da imunodeficiência adquirida (sida ou aids). É uma doença que leva a uma redução dos linfócitos T CD4+, também chamados de linfócitos T auxiliares ou T helper. Sei que imunologia é um assunto que não é muito fácil, mas vale muito a pena relembrar aqui alguns conceitos, já que, quando você entende um assunto, não precisa decorar. 1.1 FISIOPATOLOGIA Olhe aqui este esquema, que demonstra de maneira bem sucinta a divisão didática da nossa imunidade e a célula que o HIV infecta: Figura 3. Esquema com divisão dos tipos de imunidade e com funções dos linfócitos. APC: células apresentadoras de antígenos. Como mostrei aqui no esquema, os linfócitos T CD4+ reconhecem antígenos que ficam nas superfícies das células apresentadoras de antígenos, secretam citocinas que estimulam os próprios linfócitos T, os linfócitos B e também ativam os macrófagos. Perceba que esses linfócitos exercem um papel central na imunidade adaptativa. A infecção pelo HIV, com consequente redução dessas células, leva o paciente a uma imunossupressão com risco aumentado de diversas infecções. Imunidade Inata Adaptativa Célula que o HIV infecta Barreiras epiteliais Fagócitos Complemento Células dendríticas NK Celular Humoral Linfócitos T Linfócitos B Reconhecem antígenos solúveis e transformam-se em células secretoras de anticorpos. Auxiliares (CD4+) Citotóxicos (CD8+) Reconhecem antígenos nas superfícies das APC e secretam citocinas que podem levar à ativação de macrófagos, linfócitos T e B. Matam células que produzem antígenos estranhos, como aquelas infectadas por vírus. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED INFECTOLOGIA HIV Prof. Clarissa Cerqueira | Curso Extensivo | 2023 9 Vou falar bastante, ao longo deste livro, sobre os dois grandes marcadores que usamos para seguimento do paciente infectado pelo HIV. Um deles é a própria contagem dos linfócitos T CD4+ e o outro é a carga viral do vírus. O valor normal da contagem de linfócitos T CD4+ pode variar de 500 a 1.400 células/µL. Com o avançar da doença, esse número vai caindo e, quando chega abaixo de 200 células/µL, o paciente já é classificado como tendo aids. Não se preocupe, porque você vai aprender isso ao longo do livro. O outro marcador, a carga viral, é usado para quantificar o quanto de vírus está circulando no sangue do paciente. Logo, esperamos que no paciente sem tratamento esse valor esteja alto, como, por exemplo, acima de 100.000 cópias/mL, e nos pacientes em tratamento regular, que ele esteja indetectável. Além das consequências descritas acima, essa infecção pelo HIV leva a uma ativação imune persistente dos linfócitos TCD4+ e TCD8+. Como consequência disso, diversos fenômenos imunes podem ocorrer, resultando em um turnover acelerado dessas células, hiperativação dos monócitos, ampliação da apoptose celular, aumento da secreção de citocinas, como IL-6, entre outros. O paciente pode sofrer um envelhecimento precoce decorrente desse processo inflamatório crônico. Diversas doenças estão associadas a esse processo, como as doenças ateroscleróticas, osteopenia, alguns tipos de câncer, diabetes, doenças renais, hepáticas e neurológicas. 1.2 AGENTE ETIOLÓGICO Vamos aprender agora um pouquinho sobre como é o HIV. Ele é um vírus que possui uma única fita de RNA e possui uma enzima chamada de transcriptase reversa. Como seu nome já diz, ela faz uma “transcrição” ao contrário, ou seja, transforma seu RNA em DNA. Por isso, ele é chamado de retrovírus, fazendo parte da família Retroviridae e da subfamília lentivírus (vírus com período de incubação lento). Essas características fazem com que seja difícil curar a infecção, sendo o controle da replicação viral o tratamento ideal e recomendado até o momento. Esse DNA do vírus entra no núcleo da célula hospedeira e integra-se ao seu DNA. É isso mesmo que você leu: esse vírus vira parte do material genético da pessoa infectada. A partir daí, ele consegue replicar-se e infectar novas células. Estruturalmente, encontramos no seu núcleo a proteína p24, ela é importante para diagnosticar a infecção pelo HIV em alguns testes, como você verá adiante. Podemos ver essa e outras proteínas do vírus nesta próxima figura: VÍRUS DO HIV Figura 4. Estrutura do HIV. Essa ilustração é importante para você entender o ciclo do HIV e que ele tem algumas proteínas que são usadas para diagnóstico, como a p24. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED INFECTOLOGIA HIV Prof. Clarissa Cerqueira | Curso Extensivo | 2023 10 CAI NA PROVA (HOSPITAL NAVAL MARCÍLIO DIAS – RJ 2020) Podemos afirmar que na Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (SIDA): A) são doenças oportunistas definidoras: candidíase de esôfago e hanseníase. B) o agente etiológico é o HIV, que pertence à família dos retrovírus humanos e à subfamília dos lentivírus. C) atualmente há evidências de que o HIV seja transmitido por contato casual e até que o vírus seja propagado por insetos. D) nos pacientes não tratados ou nos quais o tratamento não conseguiu controlar de forma adequada a replicação viral, a contagem de células T CD4+ aumenta depois de um período variável abaixo de um limiar crítico. E) são doenças oportunistas definidoras: hanseníase e pneumonia. COMENTÁRIOS Olhe só uma questão que aborda o que acabamos de discutir! Vamos analisar cada alternativa: Incorreta a alternativapara HIV; positiva. Quantificação de linfócitos CD4+ = 92 células/mm³, quantificação da carga viral do HIV = 12.366 cópias/ml. Realizou ressonância nuclear magnética de encéfalo (figura abaixo). Qual é o diagnóstico mais provável? A) Hemorragia intraparenquimatosa. B) Encefalite pelo vírus herpes simples 1. C) Leucoencefalopatia multifocal progressiva. D) Distúrbio neurocognitivo associado ao HIV 1. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED INFECTOLOGIA HIV Prof. Clarissa Cerqueira | Curso Extensivo | 2023 68 COMENTÁRIOS Questão de LEMP na USP. Vamos aproveitar para revisar. Temos aqui uma paciente com aids e linfócitos bem baixos, que evoluiu com um quadro progressivo de síndrome demencial. Foi relatada essa queda da própria altura somente para confundir seu raciocínio, mas não foi a causa do quadro apresentado. Para completar o raciocínio, a questão mostra uma ressonância magnética com acometimento encefálico difuso da substância branca. Vamos às alternativas: Incorreta a alternativa A, porque a hemorragia intraparenquimatosa é uma doença que se apresenta como déficits focais de instalação súbita e progressão em minutos a horas. Ela não está relacionada ao HIV ou à imunossupressão celular. Incorreta a alternativa B, porque a encefalite por herpes simples é uma doença aguda, que cursa habitualmente com alterações liquóricas mais pronunciadas (aumento da celularidade com padrão linfomonocitário e de proteínas). A imagem radiológica poderia evidenciar alterações em lobo temporal, diferentemente do que foi apresentado na questão. Correta a alternativa C. Vamos aproveitar e revisar aqui sobre o assunto. A leucoencefalopatia multifocal progressiva (LEMP) tem como principal fator de risco a infecção pelo HIV, acometendo pacientes com linfócitos T CD4+ 1:128 e ser do sexo masculino. O diagnóstico é feito com exame do líquor. Evidencia-se uma pleocitose discreta com predomínio de linfócitos, proteínas elevadas ou normais e a presença de VDRL ou FTA-ABS reagente no líquor. O tratamento deve ser feito com penicilina cristalina ou ceftriaxone, em casos de alergia à penicilina, por 10 a 14 dias. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED INFECTOLOGIA HIV Prof. Clarissa Cerqueira | Curso Extensivo | 2023 69 7.2.6 RESUMO DAS NEUROINFECÇÕES Doença Agente etiológico Principais características Tratamento Neurotoxoplasmose Toxoplasma gondii • Acomete principalmente aqueles com L TCD4+e a dose: no quadro oral fazemos a terapia por 7 a 14 dias de 100 a 200mg/dia e no quadro esofágico por 14 a 21 dias de 200 a 400mg/dia. Casos orais e leves podem ser tratados com solução de nistatina. CAI NA PROVA (SECRETARIA MUNICIPAL DA SAÚDE - SMS - SP 2019) Você está passando a visita na enfermaria de um hospital referência em doenças infecciosas e examina uma jovem de 28 anos, com SIDA, internada por pneumonia, atualmente sob controle. Ao exame da cavidade oral, você nota na parte lateral direita da língua placa esbranquiçada linear, apresentando na sua superfície vilosidades semelhantes a pelos. Tal lesão não é removível ao toque da espátula. Qual o agente etiológico responsável por tal achado? A) Herpes vírus tipo 1 B) O próprio HIV C) Candida albicans D) Vírus Epstein-Barr E) Citomegalovirus COMENTÁRIOS Questão clássica sobre manifestações orais no HIV. Em paciente com AIDS e placas esbranquiçadas em cavidade oral, seja no cordão lateral, base da língua ou mucosa jugal, dois diagnósticos diferenciais têm que vir na sua mente: candidíase oral e leucoplasia pilosa. Como diferenciar? Muito fácil, só tentar retirar essa placa com uma espátula. Na candidíase, a placa consegue ser removida, ao contrário da leucoplasia pilosa, que é causada tipicamente pelo EBV (Vírus Epstein-Barr). Incorreta a alternativa A. O herpes vírus tipo 1 (HSV-1) pode causar lesões orais do tipo úlcera, o que não é o caso do paciente. Incorreta a alternativa B. Tal lesão não tem correlação com o HIV em si, mas com a imunodeficiência derivada da infecção que ele causa. Incorreta a alternativa C, porque a lesão do paciente não é removível ao toque da espátula. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED INFECTOLOGIA HIV Prof. Clarissa Cerqueira | Curso Extensivo | 2023 72 Correta a alternativa D. Esse tipo de lesão, como vimos, é característica do EBV. Incorreta a alternativa E. O CMV pode causar lesões orais do tipo úlcera, o que não é o caso do paciente. (UDI HOSPITAL - UDI 2016) Paciente feminino, 32 anos, HIV positivo em fase SIDA, relata disfagia e odinofagia há cerca de uma semana. Exame da cavidade oral não apresenta nada digno de nota. Endoscopia digestiva marcada pelo paciente só será realizada dentro de 2 meses. O tratamento inicial empírico de escolha neste momento é: A) Aciclovir. B) RIPE. C) Ganciclovir. D) Flucozanol. E) Anfotericina B. COMENTÁRIOS Nos pacientes com AIDS e disfagia temos que pensar principalmente em três doenças: candidíase esofágica, úlcera esofágica por citomegalovírus (CMV) e úlcera por herpes. Como a EDA da paciente vai demorar para ser realizada, podemos fazer um tratamento empírico para a causa mais comum, que é a candidíase. O tratamento é feito com fluconazol 200mg uma vez por dia, por cerca de 2 semanas. Incorreta a alternativa A. O aciclovir trata úlcera esofágica por herpes. Nos pacientes com HIV, ele é bem menos frequente que a cândida e CMV, correspondendo a cerca de 3% a 5% das esofagites. Você vai aprender mais sobre ele no próximo tópico. Incorreta a alternativa B. Esse esquema é para tratamento empírico da tuberculose, que não é nossa hipótese diagnóstica. Incorreta a alternativa C. O ganciclovir trata a úlcera esofágica por CMV, que não é nossa principal hipótese diagnóstica. Correta a alternativa D. A candidíase esofágica é a causa mais frequente de disfagia nos pacientes com AIDS, portanto, como sua EDA vai demorar, podemos fazer um curso empírico de fluconazol. Incorreta a alternativa E. A anfotericina é um antifúngico que também é eficaz no tratamento da esofagite por cândida, porém seu uso é limitado pela toxicidade. Sua indicação principal inclui esofagite por Candida glabrata ou C. krusei. 7.3.2 ÚLCERAS ESOFÁGICAS POR HERPESVÍRUS Você precisa saber diferenciar os dois tipos principais de úlceras esofágicas que podem acometer o paciente com AIDS. Elas são aquelas causadas pelo citomegalovírus e pelo vírus herpes simples (HSV-1 e HSV-2). Vamos conhecer um pouco mais sobre essas doenças a seguir. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED INFECTOLOGIA HIV Prof. Clarissa Cerqueira | Curso Extensivo | 2023 73 O agente viral mais associado a úlceras esofágicas em pacientes com HIV é o CMV. As úlceras são confluentes e lineares ou longitudinais. No anatomopatológico, há a identificação de células epiteliais com inclusões basófilas no citoplasma e eosinofílicas dentro do núcleo, formando uma imagem de “olho de coruja”. O tratamento de escolha nesses casos é feito com ganciclovir. O CMV é um vírus que pode causar outros tipos de acometimento no paciente com HIV, como a retinite e a colite. Quando ele acomete o trato gastrointestinal, seu diagnóstico deve ser sempre feito com biopsia. Figura 26. Anatomopatológico de úlcera esofágica pelo CMV. A seta aponta para célula que forma o “olho de coruja”. O CMV é um vírus que fica latente no corpo da pessoa infectada e pode reativar em casos de alguma imunossupressão mais grave. Além de reativar e levar a um quadro de esofagite, o paciente pode manifestar um quadro de retinite. Geralmente acomete aqueles com uma contagem de linfócitos T CD4+ abaixo de 50 células/mm3. No exame de fundo de olho, é bem característica a lesão descrita como "queijo com catchup". É uma doença grave que pode levar a um quadro de perda da visão. Seu tratamento é feito com ganciclovir por cerca de 2 a 3 semanas e, em seguida, o paciente deve fazer profilaxia com valganciclovir por no mínimo 3 a 6 meses. Além da renite, o CMV pode reativar no cólon, ocasionando uma colite. Vou abordar esse tópico mais adiante, juntamente com outras diarreias oportunistas. Sobre as úlceras herpéticas, elas são causadas principalmente pelo HSV-1. Decorrem do rompimento de vesículas, que coalescem e formam úlceras pequenas, geralmente menores do que 2 mm. São bem circunscritas e têm a aparência de um “vulcão”. O tratamento desses casos deve ser feito com aciclovir. Figura 27. Observe na primeira ilustração da esquerda uma úlcera longitudinal com base irregular, característica do CMV. Na ilustração da direita, olhe como as úlceras são múltiplas e bem demarcadas, características que pertencem ao HSV. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED INFECTOLOGIA HIV Prof. Clarissa Cerqueira | Curso Extensivo | 2023 74 CAI NA PROVA (SECRETARIA MUNICIPAL DA SAÚDE - SMS - SP 2014) Homem de 48 anos de idade há três semanas apresenta odinofagia, dor retroesternal e febre (38°C). Tem diagnóstico de infecção por HIV há 12 anos. Exame: temperatura axilar: 37,7°C e o restante do exame é normal. Exames recentes: endoscopia digestiva alta (múltiplas úlceras esofágicas distais). Biópsia: inflamação, necrose tecidual e presença de grandes células epiteliais com inclusões citoplasmáticas basófilas e inclusões intranucleares eosinofílicas. O tratamento deve ser: A) Anfotericina B. B) Ganciclovir. C) Omeprazol. D) Prednisona. E) Fluconazol. COMENTÁRIOS Um homem jovem, com diagnóstico de infecção por HIV há anos, sem dados sobre linfócitos T CD4+, tratamento ou controle viral, apresenta um quadro de odinofagia e múltiplas úlceras em esôfago distal, com inclusões basófilas em citoplasma e eosinofílicas dentro do núcleo. Vamos montar uma linha de raciocínio: os dois principais agentes de úlceras esofágicas em HIV são HSV e CMV, sendo que essas inclusões citoplasmáticas formando um “olho de coruja” fecham o diagnóstico histopatológico de úlcera esofágica por citomegalovírus, tornando o tratamento com Ganciclovir o único possível. Incorreta a alternativa A, porque a anfotericina é um antifúngico e não tem ação contra o CMV. Correta a alternativa B. O ganciclovir é o antiviral de escolha para tratamento de infecçõespelo CMV. Incorreta a alternativa C, porque o omeprazol não tem nenhuma ação antiviral. Ele é um inibidor da bomba de prótons e tem ação no pH gástrico. Incorreta a alternativa D. A prednisona é um corticoide e não está recomendada na esofagite por CMV. Incorreta a alternativa E. O fluconazol é um antifúngico e não tem ação contra o CMV. Ele seria o tratamento em casos de candidíase oral ou esofágica. 7.3.3 DIARREIAS As infecções do trato gastrointestinal podem ser causadas por diversos patógenos oportunistas, mas também por doenças infiltrativas, como o linfoma e sarcoma de Kaposi. Quanto menor a contagem de linfócitos T CD4+, maior o risco de o paciente apresentar diarreia por algum patógeno oportunista, que geralmente não causa doença nos imunocompetentes. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED INFECTOLOGIA HIV Prof. Clarissa Cerqueira | Curso Extensivo | 2023 75 Pacientes com AIDS e com uma contagem de linfócitos geralmenteo tenofovir) devem ser preferidas para compor a TARV dos pacientes coinfectados. Lembre-se de estudar o livro das hepatites virais para aprender sobre o tratamento dessas doenças. Pacientes coinfectados com HIV-HBV devem iniciar a TARV com esquema contendo tenofovir. CAI NA PROVA (Hospital de Olhos Aparecida – GO 2020) As indicações terapêuticas para as pessoas que apresentam coinfecção HCV-HIV são as mesmas preconizadas para pacientes não co-infectados HCV-HIV. Está correto apenas que: A) Para os pacientes cujo diagnóstico de ambas as infecções ocorre concomitantemente, é aconselhável iniciar, primeiramente, o tratamento para o HIV e atingir a supressão viral antes de iniciar o tratamento para o HCV – especialmente em pacientes com imunossupressão grave (contagem de LT-CD4+ou sangue, biópsia com estudo histopatológico e PCR (polymerase chain reaction) em amostras de sangue. O tratamento com antibioticoterapia está indicado em todos os casos dessa doença e geralmente é feito com doxiciclina por 3 meses.m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED INFECTOLOGIA HIV Prof. Clarissa Cerqueira | Curso Extensivo | 2023 81 CAI NA PROVA (ES-RJ 2016) As lesões cutâneas da angiomatose bacilar apresentam características que ajudam a diferenciá- las das lesões do sarcoma de Kaposi, tais como: A) ser dolorosas B) possuir relevo C) ter coloração vinhosa D) não empalidecer à digitopressão COMENTÁRIOS Opa, viu só como isso cai em prova? Vamos revisar! A angiomatose bacilar é a infecção causada por Bartonella quintana ou B. henselae, caracterizada por lesões vasculares que, mais frequentemente, envolvem a pele, mas podem afetar outros órgãos. Acomete pacientes com LT-CD4+ 350/mm3 se PPD ≥ 5mm Tuberculose Isoniazida Linfócitos T CD4 ≤200/mm3 Pneumocistose Sulfametoxazol-trimetoprim Linfócitos T CD4 ≤100/mm3 Toxoplasmose Sulfametoxazol-trimetoprim Linfócitos T CD4 ≤50/mm3 MAC (Mycobacterium avium complex) Azitromicina Desde 2018, o Ministério da Saúde recomenda que TODOS os pacientes HIV+ com linfócitos T CD4 ≤ 350 células/mm3 sejam tratados para tuberculose latente com isoniazida por 6 a 9 meses. CAI NA PROVA (Hospital Estadual do Acre – HEA 2017) Paciente portador de HIV, virgem de tratamento, assintomático com CD4 de 22 células/mm³ e PPDpode evoluir para o óbito. Para facilitar seu aprendizado, veja esta tabela abaixo com atenção e perceba essas diferenças em quando iniciar a TARV em pacientes virgens de tratamento: Doença Tempo recomendado após início do tratamento da doença para iniciar a TARV Pneumocistose Assim que o paciente estiver estável, de preferência dentro de 2 semanas. Tuberculose pulmonar Depende da contagem de linfócitos do paciente: • L TCD4+com risco de transmissão podem ser: percutânea, através de membranas mucosas e cutâneas com pele não íntegra. O acidente de trabalho com exposição a material biológico está previsto na Lista Nacional de Notificação Compulsória, com periodicidade de notificação semanal. Logo, lembre-se de notificar! Vamos agora resumir as indicações: Exposição de risco com material de risco HáCerqueira | Curso Extensivo | 2023 91 Tenofovir (TDF) Entricitabina (FTC) Medicações usadas na PrEP: No caso de casais sorodiscordantes, se o indivíduo infectado preencher os seguintes critérios, eles podem ter relação sexual sem preservativo e o parceiro não infectado não precisa de PrEP: • Uso regular da terapia antirretroviral (TARV) e boa adesão; • Carga viral indetectável há pelo menos seis meses; • Ausência de outras infecções sexualmente transmissíveis; • Sem realização de práticas sexuais com outras parcerias. Indetectável = Intransmissível CAI NA PROVA (SUS – SP 2020) Sobre as medidas específicas a serem adotadas para profilaxia pré e pós-exposição ao HIV (PrEP e PEP) é correto afirmar: A) A PrEP consiste na utilização de dose alta e mensal de antirretroviral para grupos específicos não infectados que tenham maior risco de infecção pelo HIV, como homens que fazem sexo com homens. B) O esquema antirretroviral de PEP é recomendado por categoria de exposição: acidente com material biológico, violência sexual e exposição sexual consentida. C) A PrEP se insere como uma estratégia adicional, segura e eficaz de prevenção, mas ainda indisponível no Sistema Único de Saúde. D) PEP é uma estratégia de prevenção para evitar novas infecções pelo HIV, por meio do uso temporário de medicamentos antirretrovirais após uma exposição de risco à infecção pelo HIV. E) A PrEP é a terapia antirretroviral para evitar transmissão vertical do HIV, oferecida a todas as gestantes infectadas pelo HIV e suspensa após o parto. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED INFECTOLOGIA HIV Prof. Clarissa Cerqueira | Curso Extensivo | 2023 92 COMENTÁRIOS Questão legal para revisarmos alguns conceitos. Incorreta a alternativa A. A PrEP consiste na utilização de dose habitual e diária de antirretrovirais (tenofovir + entricitabina) para grupos específicos não infectados que tenham maior risco de infecção pelo HIV. Não há necessidade de uso de dose elevada e sua frequência não é mensal. Incorreta a alternativa B, pois o esquema antirretroviral da PEP é sempre o mesmo, não importando a forma de exposição: tenofovir + lamivudina + dolutegravir. Lembre-se de que ele é o mesmo esquema usado para tratamento de pessoas com HIV/AIDS. Incorreta a alternativa C, pois a PrEP já está disponível no Sistema Único de Saúde. Correta a alternativa D. A PEP é uma estratégia de prevenção de transmissão do HIV para indivíduos que sofreram exposição de risco, baseada no uso de antirretrovirais por 28 dias. Ela deve ser iniciada dentro de 72 horas após a exposição, preferencialmente nas primeiras 2 horas. Incorreta a alternativa E, pois a PrEP é a terapia antirretroviral para evitar a transmissão sexual do HIV em indivíduos com maior risco de infecção por esse vírus. Ela não está indicada para prevenção da transmissão vertical. Nesses casos, devemos avaliar a carga viral da gestante no terceiro trimestre e indicar o uso do AZT EV no momento do parto, a depender do valor do exame. Além disso, o recém- nascido deve usar AZT e/ou nevirapina, conduta que também depende do resultado da carga viral da gestante. Vou discutir esse tópico mais profundamente a seguir. (UFRGS – 2020) Casal monogâmico, soro-diferente para infecção pelo HIV (ele é o positivo, realiza terapia antirretroviral com excelente adesão e sua carga viral está abaixo do limite de detecção há alguns anos), compareceu à consulta em busca de esclarecimentos sobre a possível transmissão sexual do vírus e sobre a possibilidade de não mais utilizar preservativos durante o ato sexual. Sobre esse quadro, assinale a assertiva correta. A) As relações sexuais devem continuar sendo realizadas com preservativo, por ainda haver a chance de transmissão do HIV. B) O uso de preservativo pode ser flexibilizado, para somente ser utilizado quando a mulher estiver menstruada. C) A transmissão sexual do HIV é improvável, e o casal não mais necessita manter relações sexuais com preservativo. D) A profilaxia pré-exposição com antirretrovirais contra o HIV é uma possibilidade e deve ser realizada sempre de forma contínua. E) A profilaxia após a exposição está indicada nessa situação. COMENTÁRIOS Vamos aproveitar para revisar. Os casais sorodiscordantes, com o indivíduo infectado preenchendo os seguintes critérios, podem ter relação sexual sem preservativo: • Uso regular da terapia antirretroviral (TARV) e boa adesão; • Carga viral indetectável há pelo menos seis meses; • Ausência de outras infecções sexualmente transmissíveis; • Sem realização de práticas sexuais com outras parcerias. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED INFECTOLOGIA HIV Prof. Clarissa Cerqueira | Curso Extensivo | 2023 93 Incorreta a alternativa A, porque paciente indetectável não transmite HIV. Como o casal é monogâmico, não há necessidade de uso de preservativo. Incorreta a alternativa B, porque não há necessidade de uso de preservativo. Correta a alternativa C. Porque o risco de transmissão do HIV em pacientes bem controlados é improvável e esse risco pode ser considerado insignificante. Por isso, o casal não precisa de preservativo. Incorreta a alternativa D. Não há indicação de profilaxia pré-exposição. Incorreta a alternativa E. Não há indicação de profilaxia pós-exposição, porque não há risco de transmissão do HIV. 9.4 PROFILAXIA DE TRANSMISSÃO VERTICAL Já falamos da prevenção da infecção pelo HIV pela via sexual. Agora, vou discutir um pouco com você sobre a prevenção da transmissão vertical. Olhe só este dado: se uma mãe estiver infectada pelo HIV e nenhuma medida de prevenção da transmissão for feita, o risco de transmissão perinatal do HIV pode variar de 15% a 45%. Um dos fatores de risco mais importantes para essa transmissão é o valor elevado da carga viral próximo ao parto. Por esse motivo, todas as mães infectadas com o HIV devem ter esse exame coletado no 3º trimestre. Mais de 90% das infecções por HIV em crianças ocorrem por transmissão perinatal, tanto por exposição a sangramentos intrauterinos, principalmente no 3º trimestre, como no momento do parto ou no pós-parto, através da amamentação. Caso todas as medidas de prevenção sejam feitas e a mãe tenha uma boa adesão à TARV, esse risco de transmissão, que era de 15% a 45%, cai para menos de 1%. Que coisa maravilhosa! CAI NA PROVA (Hospital Memorial Arthur Ramos – AL 2018) Quanto à transmissão do HIV em crianças, pode-se afirmar que: A) Atualmente predomina-se a transmissão pelo sangue e seus produtos contaminados com HIV. B) A maioria é infectada pela transmissão materno-infantil, durante a gestação e o parto e por meio do aleitamento. C) O convívio social com os pais infectados tem sido causa frequente de transmissão aos filhos. D) A transmissão materno-infantil de mãe soropositiva para o HIV ocorre em mais de 90% das gestações. COMENTÁRIOS Opa, olhe só o que ensinei agora sendo cobrado em prova! m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED INFECTOLOGIA HIV Prof. Clarissa Cerqueira | Curso Extensivo | 2023 94 Incorreta a alternativa A. Atualmente a transmissão do HIV pelo sangue é rara, já que a triagem para doenças infecciosas desses materiais biológicos é rigorosa. Correta a alternativa B. A maioria das infecções por HIV em crianças é adquirida via transmissão vertical durante a gestação, trabalho de parto ou pelo aleitamento materno. Portanto, a epidemiologia do HIV nas crianças está intimamente relacionada ao sucesso das medidas preventivas nos casos em gestantes com HIV. Incorreta a alternativa C, pois o convívio social com pessoas infectadas não transmite HIV. O paciente susceptível deve ser exposto a sangue contaminado, usar drogas injetáveis ou ter contato sexual desprotegido pararisco de adquirir a infecção. Incorreta a alternativa D. Estima-se que o risco de transmissão vertical do HIV seja de 15-30%, porém, com medidas de prevenção como o diagnóstico e o tratamento precoce da gestante, profilaxia com AZT no momento do parto, contraindicação da amamentação e uso do AZT pelo neonato, esse risco reduziu, bastante variando de 1% a 2%. Para você aprender as medidas de prevenção da transmissão vertical, vou dividi-las em duas partes para facilitar seu entendimento: manejo do recém-nascido e manejo da gestante. 9.4.1 MANEJO DO RECÉM-NASCIDO Aqueles nascidos de uma mãe que tenha HIV, mesmo com uso regular de antirretrovirais, devem receber profilaxia com AZT (zidovudina), com dose ajustada para o peso, a cada 12 horas. Para RN's de alto risco de exposição ao HIV, a profilaxia deve ser feita com zidovudina, lamivudina e raltegravir. Essas medicações devem ser administradas preferencialmente na sala de parto ou em até 4 horas do nascimento e devem ser mantidas por 4 semanas. Para classificar o RN, confira aqui a tabela abaixo: Risco Definição Profilaxia Alto risco Mães sem pré-natal, ou Mais de 37 semanas: AZT + 3TC + RAL por 28 dias 34 a 37 semanas: AZT + 3TC + NVP por 28 dias, exceto a NVP que só deve ser feita por 14 dias Menos que 34 semanas: AZT Mães sem TARV durante a gestação, ou Mães que tinham indicação de profilaxia no parto e não receberam, ou Mães com início de TARV após a 2ª metade da gestação, ou Mães com infecção aguda pelo HIV durante a gestação ou aleitamento, ou Mães com carga-viral (CV) detectável no 3º trimestre, usando ou não a TARV, ou Mães com CV desconhecida, ou Mães com teste rápido positivo no momento do parto, sem diagnóstico prévio de infecção pelo HIV. Baixo risco Uso de TARV na gestação e CV indetectável a partir da 28ª semana e sem falha na adesão à TARV. AZT por 28 dias m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED INFECTOLOGIA HIV Prof. Clarissa Cerqueira | Curso Extensivo | 2023 95 Reforçando o que falei em capítulos anteriores, esses recém-nascidos não devem ser amamentados, já que o leite materno pode transmitir a infecção. Um assunto que já foi cobrado em prova é a dose do AZT em recém-nascidos. A preferência é sempre pela administração oral, porém, excepcionalmente, se ela não puder ser feita dessa forma, indicamos a dose por via intravenosa (IV). Veja aqui uma tabela com esses dados: Idade gestacional ao nascimento Dose Duração 35 semanas ou mais VO: 4 mg/Kg/dose 12/12h. IV: 3mg/Kg IV 12/12h. 4 semanas 30 a 35 semanas VO: 2mg/Kg/dose 12/12h por 14 dias e depois 3mg/Kg/ dose 12/12h a partir do 15º dia. IV: 1,5mg/Kg IV 12/12h por 14 dias e depois 2,3mg/Kg IV 12/12h a partir do 15º dia. 4 semanas Menos de 30 semanas VO: 2mg/Kg/dose 12/12h. IV: 1,5mg/Kg 12/12h. 4 semanas Figura 33. Dose do AZT conforme idade gestacional ao nascimento. CAI NA PROVA (SES - DF 2019) Determinada paciente de 16 anos de idade iniciou atendimento pré-natal em posto de saúde da família e foi diagnosticada com HIV nas sorologias de primeiro trimestre, iniciando terapia antirretroviral adequada e com boa adesão imediatamente. Os demais exames de rotina de pré-natal mostraram-se normais. Com base nesse caso clínico e nos conhecimentos médicos correlatos, julgue o item a seguir. Crianças com peso de nascimento inferior a 1.500 g não devem fazer uso do AZT. A) CERTO B) ERRADO COMENTÁRIOS Todo recém-nascido de mãe portadora do HIV deve receber AZT solução oral, preferencialmente ainda na sala de parto, ou nas primeiras quatro horas após o nascimento, devendo ser mantido o tratamento durante as primeiras quatro semanas de vida. Sua dose é calculada com base no peso do paciente e pode ser feita em recém-nascidos com peso inferior a 1.500g. Por esse motivo, a afirmativa dessa questão está errada. Correta a alternativa B. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED INFECTOLOGIA HIV Prof. Clarissa Cerqueira | Curso Extensivo | 2023 96 9.4.2 MANEJO DA GESTANTE O manejo da gestante para prevenir a transmissão vertical depende do valor da carga viral (CV) na 34ª semana de gestação (no terceiro trimestre). Leia e analise esta tabela com calma para ficar mais fácil: Cenários da gestante na 34ª semana Manejo da gestante e via de parto CV indetectável. • A via de parto deve ser de acordo com a indicação obstétrica. • A TARV deve ser mantida. CV detectável, porém 1.000 cópias/mL. • A via de parto indicada é a cesárea. • AZT injetável EV*. Figura 34. Manejo da gestante infectada pelo HIV e do recém-nascido exposto. *Pelo menos 3 horas antes da cirurgia até o clampeamento do cordão umbilical. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED INFECTOLOGIA HIV Prof. Clarissa Cerqueira | Curso Extensivo | 2023 97 Para esclarecer o manejo da gestante, olhe aqui este esquema: Figura 35. Esquema de manejo da gestante infectada pelo HIV com base na CV-HIV na 34a semana da gestação. CAI NA PROVA (Hospital Universitário da UEL – PR 2019) Com a profilaxia antirretroviral, houve redução significativa das taxas de transmissão vertical do HIV. Em relação à conduta a ser tomada com o Recém-Nascido (RN), cuja mãe é infectada pelo HIV, segundo o último protocolo do Ministério da Saúde (2017), assinale a alternativa CORRETA. A) Se a gestante não tiver carga viral coletada no 3º trimestre, realizar 1ª dose de nevirapina nas primeiras 48 horas de vida e manter de 12 em 12 horas, por 30 dias. B) Se a gestante não tiver carga viral coletada, realizar 1ª dose de A ZT e nevirapina nas primeiras 8 horas de vida e mantê-los de 12 em 12 horas, por 30 dias. C) Para a gestante com carga viral indetectável no 3º trimestre, não é necessário realizar nevirapina para o RN, iniciar o AZT nas primeiras 8 horas de vida e manter de 6 em 6 horas, durante 6 semanas. D) Para a gestante com carga viral detectável no 3º trimestre, iniciar o AZT nas primeiras 8 horas de vida e sulfametoxazol-trimetoprima com 15 dias de vida para profilaxia de Pneumocystis jiroveci. E) Independentemente da carga viral materna, realizar o banho imediatamente após o nascimento, iniciar o AZT nas primeiras 4 horas de vida e manter de 12 em 12 horas, por 4 semanas. Valor da CV na 34ª semana em cópias/mL A via de parto é conforme indicação obstétrica (a vaginal é a mais indicada). Carga viral detectável menor que 1.000 cópias/mL: � Parto cesáreo ou vaginal. � Fazer AZT EV. Carga viral desconhecida ou maior que 1.000 cópias/mL: � Parto cesáreo. � Fazer AZT EV. Indetectável 1000 m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED INFECTOLOGIA HIV Prof. Clarissa Cerqueira | Curso Extensivo | 2023 98 COMENTÁRIOS Vamos relembrar a conduta da prevenção da transmissão vertical? Essa questão nos traz uma boa oportunidade de revisar. Temos que pensar na gestante e no RN: • Gestante: se a carga viral estiver negativa no último trimestre, “vida que segue” e não há nenhuma outra indicação de medicação além de manter o uso regular da TARV. Se sua carga viral estiver acima de 1.000 cópias/mL ou não soubermos seu valor, o parto deve ser cesáreo e está indicado o uso de AZT venoso, iniciado pelo menos 3 horas antes da cirurgia, até o clampeamento do cordão. Caso a gestante se encontre em uma situação intermediária às descritas acima, com uma carga viral detectável, porém com menos de 1.000 cópias/mL, devemos indicar o AZT venoso e o parto pode ser vaginal ou cesáreo. • RN: sempre vai receber AZT solução oral em todas as situações descritasacima. Ele deve ser iniciado em até 4 horas do nascimento e seu uso mantido a cada 12 horas por 4 semanas. Quando a gestante estiver com carga viral acima de 1.000 cópias/mL ou não soubermos seu valor, devemos associar a nevirapina ao AZT, que deve ser feita em 3 doses no total. Vamos agora analisar as alternativas: Incorreta a alternativa A. Se a gestante não tiver carga viral coletada no 3º trimestre, deve-se realizar 1ª dose de nevirapina nas primeiras 48 horas e repetir mais duas doses. Além disso, há indicação de zidovudina solução oral 4mg/kg de 12/12h por 4 semanas, com início em até 4 horas após o nascimento. Incorreta a alternativa B: se a gestante não tiver carga viral coletada, prescrever zidovudina 4mg/kg de 12/12h por 4 semanas, com início em até 4 horas após o nascimento. Além disso, está indicado realizar a 1ª dose de nevirapina nas primeiras 48 horas e repetir mais duas doses. Incorreta a alternativa C: para a gestante com carga viral indetectável no 3º trimestre, não é necessário realizar nevirapina para o RN. Devemos iniciar o AZT nas primeiras 4 horas de vida e mantê-lo de 12 em 12 horas, durante 4 semanas. Incorreta a alternativa D: para a gestante com carga viral detectável (e acima de 1.000 cópias/mL) no 3º trimestre, deve-se iniciar o AZT nas primeiras 4 horas de vida. A profilaxia de Pneumocystis jirovecii não é indicada em RNs. Correta a alternativa E. Todo recém-nascido de mãe portadora do HIV deverá receber banho imediatamente após o nascimento, além de iniciar zidovudina 4mg/kg de 12/12h por 4 semanas, com início em até 4 horas após o nascimento. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED INFECTOLOGIA HIV Prof. Clarissa Cerqueira | Curso Extensivo | 2023 99 10.0 HIV EM CRIANÇAS CAPÍTULO A infecção pelo HIV em crianças tem algumas particularidades que não foram abordadas até o momento e que são cobradas nas provas de Residência. Sempre que uma criança nascer de uma mãe com HIV, devemos considerá-la como exposta (mesmo se ela não se infectar com o vírus). Essas crianças expostas (infectadas ou não), tendem a apresentar mais infecções bacterianas e quadros mais graves em comparação com crianças não expostas. Essa diferença ocorre pela diminuição dos níveis de anticorpos maternos transferidos pela placenta e pela ausência do aleitamento por mães com HIV/aids. Neste tópico abordarei a conduta em crianças expostas e tudo mais que é cobrado em provas. Como referência, usei o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Manejo da Infecção pelo HIV em Crianças e Adolescentes do Ministério da Saúde, de 2018. 10.1 MANEJO DE CRIANÇAS EXPOSTAS 10.1.1 CUIDADOS NA SALA DE PARTO Assim que uma criança nasce de uma mãe com HIV, além da profilaxia com AZT e/ou nevirapina, alguns cuidados imediatos devem ser realizados ainda na sala de parto. Veja nesta tabela todos os cuidados: Cuidados na sala de parto e pós-parto imediato 1. Sempre que possível, realizar o parto empelicado, ou seja, retirar o neonato mantendo as membranas corioamnióticas íntegras. 2. Clampear o cordão imediatamente após o nascimento, sem qualquer ordenha. 3. Realizar o banho imediatamente após o nascimento (ainda na sala de parto, com água corrente e limpar com compressas macias). 4. Se necessário, aspirar de forma delicada as vias aéreas do RN (evitar traumatismos). 5. Se necessário, aspirar delicadamente, sem traumatizar, o conteúdo gástrico de líquido amniótico com sonda enteral. Se houver sangue, fazer lavagem gástrica com soro fisiológico. 6. Colocar o RN junto à mãe o mais rápido possível. 7. Iniciar os antirretrovirais até 4 horas após o parto (de preferência ainda na sala de parto). 8. Contraindicar a amamentação e inibir a lactação com cabergolina. A substituição do leite materno deve ser feita com fórmula láctea até os 6 meses de idade. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED INFECTOLOGIA HIV Prof. Clarissa Cerqueira | Curso Extensivo | 2023 100 Como demonstrado na tabela, RNs expostos não devem ser amamentados, já que o leite materno pode transmitir o HIV. A amamentação está contraindicada! A cabergolina em dose única deve ser prescrita para a puérpera antes da alta hospitalar. CAI NA PROVA (SES GO – 2020 ) Em relação aos cuidados imediatos com o recém-nascido (RN) exposto ao HIV, deve-se: A) realizar o parto empelicado, fazendo a retirada do neonato, mantendo-se as membranas amnióticas íntegras. B) clampear o cordão umbilical após um minuto da extração do concepto, ou até que a pulsação no cordão cesse, sem qualquer ordenha. C) evitar a realização do banho nas primeiras 24 horas subsequentes ao parto. Só limpar o RN com compressas macias e úmidas. D) cancelar a aspiração das vias aéreas do RN, a fim de se evitar traumatismos em mucosas. COMENTÁRIOS Está vendo que esse assunto é cobrado? Se tiver alguma dúvida, é só olhar a lista dos cuidados de que falei acima. Vamos lá analisar as alternativas: Correta a alternativa A. Quando é realizada a cesárea eletiva, o parto empelicado é recomendado, pois expõe menos o recém- nascido ao sangue materno. Incorreta a alternativa B. O cordão deve ser clampeado imediatamente após o nascimento, e não deve ser realizada sua ordenha. Incorreta a alternativa C. O recém-nascido deve receber banho com água corrente imediatamente após o nascimento. Incorreta a alternativa D. A aspiração de vias aéreas pode ser feita delicadamente, se for necessário. 10.1.2 PROFILAXIA PRIMÁRIA PARA PNEUMOCISTOSE A pneumonia pelo Pneumocystis jirovecii (PCP) é a doença oportunista que mais acomete crianças infectadas pelo HIV no seu primeiro ano de vida. Como não fazemos um diagnóstico da infecção pelo HIV de forma muito precoce, recomenda-se que TODAS as crianças expostas iniciem a profilaxia para a PCP com sulfametoxazol-trimetoprim, após 4 semanas de vida. Ela deve ser mantida até que a infecção pelo HIV seja descartada, ou seja, quando elas tiverem duas cargas virais negativas (vou ensinar isso no próximo tópico). Caso a infecção se confirme, a profilaxia deve continuar até um ano de idade, independentemente do valor dos linfócitos T CD4+ . m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED INFECTOLOGIA HIV Prof. Clarissa Cerqueira | Curso Extensivo | 2023 101 Após um ano de idade, a recomendação de fazer a profilaxia é de acordo com a contagem de linfócitos T CD4+. Se ela for menor do que 200 células/mm3 ou, em valor percentual, menor que 25%, a profilaxia está indicada. Revise nesta tabela as indicações da profilaxia para PCP: Indicações de profilaxia para PCP • Toda criança exposta a partir de 4 semanas de vida. Manter a profilaxia até 1 ano de idade se a infecção pelo HIV for confirmada. Suspender a profilaxia assim que descartada a infecção pelo HIV. • Após 12 meses de idade, se contagem de linfócitos T CD4+A. Candidíase esofágica é doença definidora de aids, mas hanseníase não. Logo mais, você verá isso. Correta a alternativa B. A síndrome da imunodeficiência adquirida é causada por infecção pelo HIV, vírus que pertence à família Retroviridae e ao gênero lentivírus. Incorreta a alternativa C. A transmissão do HIV pode ocorrer por via sexual (relação vaginal, anal ou oral), transfusional (com derivados de sangue contaminados), via contato percutâneo ou em mucosas com sangue ou outros fluidos corporais contaminados, ou por via vertical (da mãe ao filho) durante a gravidez, o momento do parto ou a amamentação. Não há risco de transmissão por picadas de insetos. No próximo tópico, você vai aprender mais sobre isso. Incorreta a alternativa D, pois o aumento da contagem de linfócitos T CD4+ só ocorre com o controle adequado da replicação viral. Incorreta a alternativa E. Hanseníase não é doença definidora de aids. Pneumonia bacteriana só é considerada doença definidora de aids em caso de infecção recorrente (dois ou mais episódios ao ano). Mais adiante, você verá sobre as doenças definidoras de aids. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED INFECTOLOGIA HIV Prof. Clarissa Cerqueira | Curso Extensivo | 2023 11 Esse vírus segue um ciclo de replicação que está demonstrado na ilustração a seguir. Leia todos os passos dessa replicação com calma. Facilitará seu entendimento do mecanismo de ação dos antirretrovirais, que abordarei mais adiante. Figura 5.Esse é o ciclo de replicação do HIV. Os números indicam os passos da replicação viral. Agora, que já sabemos como é o HIV, vamos aprender como ele é transmitido? 1.3 TRANSMISSÃO A transmissão do HIV ocorre, principalmente, através de uma relação sexual desprotegida. Outras formas de contágio seriam através de exposição com sangue contaminado ou transmissão perinatal. Alguns fatores de risco associados a uma maior transmissão do HIV são: • Carga viral elevada. • Comportamento sexual (o tipo de exposição sexual, quantidade de parceiros e uso ou não de preservativos). Como podemos ver na tabela abaixo, o sexo anal receptivo é o que mais tem risco de transmissão: Risco estimado de transmissão do HIV por ato sexual Sexo anal receptivo 1,38% Sexo anal insertivo 0,11% Sexo vaginal receptivo 0,08% Sexo vaginal insertivo 0,04% Sexo oral 0 a 0,04% m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED INFECTOLOGIA HIV Prof. Clarissa Cerqueira | Curso Extensivo | 2023 12 • Presença de outras infecções sexualmente transmissíveis (por exemplo, a presença de úlcera genital aumenta cerca de 4 vezes a chance de infecção). Isso já caiu em prova! Alguns materiais biológicos não transmitem o HIV, como suor, lágrimas, fezes, urina, vômitos e saliva. CAI NA PROVA (UNB 2018) A respeito de doenças infecciosas e transmissíveis, julgue o item seguinte. O risco de contaminação pelo HIV é maior entre os portadores de outras doenças infecciosas sexualmente transmissíveis. A) CERTO B) ERRADO COMENTÁRIOS Afirmativa verdadeira. Pacientes com outras infecções sexualmente transmissíveis (IST), como úlceras genitais por herpes e sífilis, têm sabidamente um risco maior de adquirir o HIV. Outras ISTs, como as que causam corrimentos vaginais e uretrais, também podem aumentar esse risco de contaminação. Correta a alternativa A. (SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DE VOTUPORANGA - SCMV 2016) Todas as alternativas abaixo contêm materiais biológicos com risco de transmissão do HIV, EXCETO: A) Vômitos. B) Sangue. C) Sêmen. D) Fluidos vaginais. COMENTÁRIOS Os materiais biológicos com risco de transmissão do HIV são: sangue, sêmen, secreções vaginais, líquidos de serosas, líquido amniótico, líquor, líquido articular e leite materno. O suor, lágrima, fezes, urina, vômitos e saliva não trazem risco de transmissão. Analisando as opções, a única que contém material biológico que não transmite HIV é a alternativa A. Incorretas as alternativas B, C e D. Correta a alternativa A. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED INFECTOLOGIA HIV Prof. Clarissa Cerqueira | Curso Extensivo | 2023 13 Olhe aqui nessa tabela os materiais biológicos que podem e que não podem transmitir o HIV: Pode transmitir HIV Não pode transmitir Sangue Suor Sêmen Lágrima Secreções vaginais Fezes Líquidos de serosas Urina Líquido amniótico Vômitos Líquor Saliva Líquido articular Leite materno Figura 6. Tabela comparando materiais biológicos com risco de transmissão do HIV com aqueles que não têm risco. CAPÍTULO 2.0 EPIDEMIOLOGIA Vamos aprender agora como está a situação epidemiológica no Brasil? Vou trazer aqui os dados epidemiológicos mais importantes que estão no último Boletim Epidemiológico de HIV/Aids de 2020 do Ministério da Saúde. No Brasil como um todo, a taxa de detecção de aids vem diminuindo em todas as faixas etárias desde 2013. Ao analisar as regiões separadamente, o Norte, Nordeste e Centro-Oeste apresentaram uma tendência de crescimento dos casos e as regiões Sul e Sudeste registraram uma diminuição. Apesar disso, a maioria dos casos ainda concentra-se principalmente nas regiões Sul e Sudeste. Em relação ao sexo, desde 2007 vem ocorrendo um aumento na detecção em homens e diminuição em mulheres (aumento da razão entre os sexos). Esse aumento entre os homens ocorre na faixa etária dos 20 aos 29 anos. Entre os homens, aqueles que são homo ou bissexuais são os que predominam dentre as categorias de exposição, superando os heterossexuais. Em gestantes, a taxa de detecção da infecção pelo HIV no Brasil vem aumentando nos últimos anos. Em toda a série histórica, as maiores taxas de detecção são aquelas dos estados do Sul (Rio Grande do Sul e Santa Catarina). Acredita-se que seja pela ampliação e incremento dos testes rápidos usados no período do pré-natal. Todas as outras regiões do Brasil (Norte, Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste) também têm essa tendência de aumento. A respeito da mortalidade por aids no Brasil, de 2009 a 2019 houve uma queda no coeficiente de mortalidade, porém, alguns estados da região Norte (Acre, Pará e Amapá) e da região Nordeste (Maranhão, Rio Grande do Norte e Paraíba) registraram um aumento desse coeficiente. As principais causas de morte nos pacientes infectados pelo HIV são, em primeiro lugar, as doenças definidoras de aids (tuberculose liderando a lista de causas) e, em seguida, as neoplasias, como o linfoma não-Hodgkin. Pode ficar tranquilo (a), comentarei sobre isso mais adiante. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED INFECTOLOGIA HIV Prof. Clarissa Cerqueira | Curso Extensivo | 2023 14 Tendência de aumento ↑ Tendência de queda ↓ Taxa de detecção em homens. Taxa de detecção em mulheres Razão entre os sexos. Taxa de mortalidade geral Número de casos novos em HSH (homens que fazem sexo com homens), superando a proporção de casos notificados entre heterossexuais Taxa de detecção em gestantes CAI NA PROVA (HOSPITAL UNIVERSITÁRIO REGIONAL DE MARINGÁ – UEM 2020) A infecção pelo vírus HIV e a AIDS constituem um problema de saúde pública e seu perfil epidemiológico sofreu mudanças ao longo do tempo. Sobre a epidemiologia da infecção pelo HIV e AIDS, assinale a alternativa correta: A) As maiores taxas de detecção de HIV em gestantes são nos estados da região nordeste. B) A razão entre os sexos expressa pela relação entre o número de casos de HIV/AIDS em homens e mulheres vem diminuindo nos últimos 10 anos. C) Embora a taxa de detecção de HIV/AIDS em mulheres na faixa etária de 20 a 25 anos tem decaído nos últimos 10 anos, entre os homens desta mesma faixa etária houve uma grande elevação.carga viral seja feita na segunda semana de vida do recém- nascido. C) deve-se iniciar a profilaxia para pneumonia por Pneumocystis jiroveci com o uso de sulfametoxazol + trimetoprim três vezes por semana se a contagem de linfócitos CD4 estiver abaixo de 15%. D) as não infectadas tendem a apresentar mais infecções bacterianas e quadros mais graves se comparadas a crianças não expostas ao HIV. E) para o diagnóstico de infecção pelo HIV, a recomendação é que o teste anti-HIV seja feito entre o 6º e o 12º mês de vida. COMENTÁRIOS Questão sobre crianças expostas ao HIV que aborda sobre a profilaxia para a pneumocistose. Vamos analisar as alternativas: Incorreta a alternativa A. Ainda vou abordar esse tópico mais adiante, mas já adianto que, no geral, as crianças expostas ao HIV devem seguir o mesmo calendário vacinal de crianças não expostas até os 18 meses de vida. Incorreta a alternativa B. A primeira amostra deve ser coletada duas semanas após o término da profilaxia com zidovudina, ou seja, seis semanas após o nascimento. Incorreta a alternativa C. É indicada a profilaxia para pneumocistose com sulfametoxazol-trimetoprim, três vezes por semana, a partir de quatro semanas de vida, para todas as crianças expostas ao HIV. Deverá ser suspensa assim que tenha sido afastada a hipótese de transmissão do HIV, com duas cargas virais da criança indetectáveis. A contagem de LT-CD4+ só influencia na decisão sobre a profilaxia após os 12 meses de vida e será indicada no caso de contagem de LT-CD4+ menor que 200 céls/mm3 ou LT-CD4da carga viral descrita acima deve ser feita. A única diferença é que o primeiro exame deve ser solicitado após 2 semanas do início da PEP. O diagnóstico de HIV em crianças com menos de 18 meses requer dois exames de carga viral com > 5.000 cópias/mL. Se as amostras forem discordantes, uma terceira coleta deve ser feita. Após completar 18 meses, uma sorologia deve ser feita para documentar a soroconversão. O esperado é encontrar um resultado não reagente. Caso seja reagente, deve-se solicitar a pesquisa do DNA proviral do HIV, se ele for positivo, a criança é considerada infectada. Se for negativo, a criança é considerada livre da infecção. É nessa época que devemos finalizar a notificação de criança exposta, afinal, é necessário o resultado da sorologia após os 18 meses. Crianças com duas cargas virais negativas e sorologia reagente aos 18 meses devem realizar o exame qualitativo para detecção do material genético do vírus, que é o DNA proviral, imediatamente. Realizar CV após 2 semanas do término da profilaxia 5.000 cópias/mL Realizar CV após 4 semanas da primeira coleta Repetir CV imediatamente 5.000 cópias/mL 5.000 cópias/mL Realizar uma terceira coletaCriança sem infecção Criança infectada pelo HIV 5.000 cópias/mL m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED INFECTOLOGIA HIV Prof. Clarissa Cerqueira | Curso Extensivo | 2023 106 Lembre-se de que toda criança exposta deve ser notificada e sua ficha deve ser finalizada após os 18 meses, com a solicitação da sorologia. CAI NA PROVA (SES-PE 2020) Recém-nascido termo nasceu de parto vaginal, com peso adequado para idade gestacional e sem intercorrências. Genitora não fez pré-natal, referindo que não sabia estar grávida. No momento do parto, foram realizados exames de rotina, tendo o teste rápido para sífilis sido não reagente, e o teste rápido para o HIV, reagente. Exame físico normal. NÃO faz parte da conduta inicial desse paciente: A) Banho em água corrente na sala de parto. B) Administração de zidovudina 4mg/kg/dose, via oral. C) Administração de nevirapina 1,2ml, via oral. D) Solicitar hemograma e dosagem de AST e ALT. E) Solicitar sorologia para HIV por método Elisa. COMENTÁRIOS Incorreta a alternativa A. O recém-nascido deve receber banho com água corrente imediatamente após o nascimento. Correta a alternativa B. Zidovudina deve ser prescrita logo após o parto, na dose de 4mg/kg 12/12h, para toda criança nascida de mãe portadora do HIV. Correta a alternativa C. Nesse caso deve ser associada nevirapina, já que a mãe não usou terapia antirretroviral durante a gestação. Correta a alternativa D. Aminotransferases fazem parte do protocolo de exames indicados ao nascer para crianças expostas ao HIV. Correta a alternativa E. Sorologia não deve ser solicitada antes dos 18 meses de vida, pois pode detectar a presença de anticorpos anti-HIV de origem materna transplacentária. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED INFECTOLOGIA HIV Prof. Clarissa Cerqueira | Curso Extensivo | 2023 107 (UFSC - SC 2019) Um lactente de um mês de idade é trazido à consulta de pediatria com história de exposição vertical ao HIV. A mãe utilizou tratamento antirretroviral durante toda a gestação, apresentando carga viral próxima ao parto de 2.000 cópias/ml. Ainda na maternidade a criança iniciou profilaxia da infecção pelo HIV. Quais exames confirmariam a infecção pelo HIV no lactente, segundo protocolo do Ministério da Saúde do Brasil? A) Dois testes de ELISA reagentes para o HIV. O primeiro, pelo menos duas semanas após a última dose da profilaxia com zidovudina e o segundo, imediatamente após o resultado do primeiro. B) Um teste de ELISA reagente para o HIV, mais um teste confirmatório que poderia ser Imunofluorescência Indireta ou Western-Blot, realizados em qualquer momento. C) Duas cargas virais acima de 5.000 cópias/ml. A primeira, pelo menos duas semanas após a última dose da profilaxia com zidovudina e a segunda, o mais breve possível após o resultado da primeira. D) Duas cargas virais acima de 10.000 cópias/ml. A primeira, pelo menos duas semanas após a última dose da profilaxia com zidovudina e a segunda, após o quarto mês de vida. E) Uma única carga viral acima de 5.000 cópias/ml realizada pelo menos duas semanas após a última dose da profilaxia com zidovudina já confirmaria o diagnóstico. COMENTÁRIOS Incorreta a alternativa A, pois a confirmação do diagnóstico de infecção pelo HIV em criança exposta depende de dois exames de carga viral com resultados acima de 5000 cópias/mL. O teste de ELISA deve ser realizado após 18 meses de vida para documentar a sororeversão, isto é, a presença do teste não reagente. Incorreta a alternativa B, pois a confirmação do diagnóstico de infecção pelo HIV em criança exposta depende de dois exames de carga viral com resultados acima de 5000 cópias/mL. A sequência de teste de ELISA e teste confirmatório não é apropriada para lactentes. Correta a alternativa C. Pois descreve corretamente o fluxo de testes para diagnóstico de infecção pelo HIV em lactentes expostos: duas cargas virais acima de 5.000 cópias/ml, sendo a primeira pelo menos duas semanas após a última dose da zidovudina profilática e a segunda logo após a primeira. Incorreta a alternativa D, pois o correto seriam duas cargas virais acima de 5000 cópias/mL (e não 10000 cópias/mL). A primeira coleta deve ser realizada 2 semanas após o término da profilaxia com zidovudina e a segunda logo após a primeira Incorreta a alternativa E, pois são necessários dois exames de carga viral acima de 5000 cópias/mL para confirmação do diagnóstico de infecção pelo HIV. 10.3.2 DIAGNÓSTICO EM MAIORES DE 18 MESES Em crianças com mais de 18 meses, o diagnóstico do HIV deve seguir as mesmas recomendações para adultos que expliquei em capítulos anteriores. Devemos solicitar dois testes com resultados reagentes para definir o diagnóstico. Relembre os testes no capítulo 4 deste livro. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED INFECTOLOGIA HIV Prof. Clarissa Cerqueira | Curso Extensivo | 2023 108 10.3 TRATAMENTO Como em adultos, o tratamento em crianças deve ser iniciado assim que o paciente for diagnosticado, independentemente da carga viral ou contagem de linfócitos T CD4+. Como falei no capítulo da genotipagem, lembre-se de que TODA criança deve ter esse exame solicitado antes de iniciar o tratamento, porém não é necessário aguardar seu resultado para prescrever a TARV. Se for necessário, o esquema pode ser mudado depois. São vários esquemas utilizados, que dependem da idade da criança, mas que você não precisa saber para a prova de Residência. Resumindo o que é recomendado, o esquema preferencial deve ser composto de dois ITRN: um deles é o abacavir (ABC), ou a zidovudina (AZT), ou o tenofovir (TDF) associado à lamivudina (3TC); e o outro, um inibidor de protease (IP), como o lopinavir/ritonavir, ou inibidor da integrase (INI), como o raltegravir ou dolutegravir. ABC ou AZT ou TDF Lamivudina (3TC) IP ou INI Após o início do tratamento, espera-se que a carga viral fique indetectável depois de 6 meses e que os linfócitos T CD4+ aumentem e normalizem dentro de 12 meses. Ao contrário dos adultos, crianças com menos de 6 anos devem ter seus valores de linfócitos T CD4+ avaliados em percentual. Isso traz uma segurança na interpretação, pois a contagem absoluta pode variar bastante. Há uma classificação imunológica para as crianças que é a seguinte: Classificação imunológica Idade na data de contagem de linfócitos T CD4+ ≥ 25 ≥ 500 ≥ 25 2- Moderada 750 - 1499 15-24 500 - 999 15-24 200 - 500 15-24 3- Grave 350 Indicar uso 200-350 Avaliar risco-benefício com base em parâmetros clínicos e epidemiológicos a varicela e a tríplice viral só devem ser feitas em crianças que possuem nos últimos 6 meses uma contagem de linfócitos T CD4+ > 15% (em menores de 6 anos) ou > 200 células/mm3 (naqueles com 6 a 13 anos). Importante: a vacina tetraviral (varicela, sarampo, caxumba e rubéola) não foi avaliada em crianças com HIV, logo, devemos preferir as vacinas em doses separadas. • A respeito da vacina contra a febre amarela, ela só deve ser feita em crianças com imunossupressão ausente (confira a classificação na tabela do tópico 10.3). Aquelas com imunossupressão grave não devem ser vacinadas e, para as com imunossupressão moderada, a vacinação deve ser oferecida, porém avaliando-se aspectos clínicos e risco epidemiológico. Confira essas informações na tabela abaixo: Alteração imunológica Recomendação para uso da vacina da febre amarela Ausente Indicar uso Moderada Avaliar risco-benefício com base em parâmetros clínicos e epidemiológicos Grave Não vacinar Assim como nos adultos, não há nenhuma restrição para uso de vacinas inativadas. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED INFECTOLOGIA HIV Prof. Clarissa Cerqueira | Curso Extensivo | 2023 113 CAPÍTULO 12.0 MAPA MENTAL HIV/AIDSTratamento Profilaxias Quadro clínico Diagnóstico PEP PrEP Prevenção da TV TDF+3TC+DTG por 28 dias TDF+FTC População geral e gestantes com mais de 13 semanas TDF+3TC+DTG Gestantes com menos de 13 semanas TDF+3TC+EFV (se genotipagem prévia com sensibilidade aos ITRNN) TDF+3TC+ATV/r (sem genotipagem prévia) Dois testes rápidos ou Um ELISA e WB ou Um ELISA e CV Fase Aguda Fase de latência clínica Fase aids Síndrome retroviral aguda Fase assintomática L TCD4D) Com o aumento da oferta de tratamento antirretroviral precoce, houve redução da mortalidade em todas as regiões do Brasil nos últimos 10 anos, embora esta redução não tenha se dado de maneira uniforme. E) A infecção pelo HIV/AIDS tem como principal via de transmissão a sexual, embora no início da epidemia tenha predominado em homens que fazem sexo com homens, nos últimos 10 anos, o número de casos novos nesta categoria tem decrescido. COMENTÁRIOS Olhe só essa questão sobre o que acabamos de falar! Vamos analisar as alternativas e reforçar o aprendizado: Incorreta a alternativa A, porque as maiores taxas de detecção de HIV em gestantes são nos estados do Sul (Rio Grande do Sul e Santa Catarina). Incorreta a alternativa B. Já expliquei isso: nos últimos anos, o número de casos em homens vem crescendo e o de mulheres, diminuindo. Por esse motivo, a razão entre os sexos vem aumentando. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED INFECTOLOGIA HIV Prof. Clarissa Cerqueira | Curso Extensivo | 2023 15 (UNIFESP 2019) No Brasil, na última década (2006-2016), a taxa de detecção de aids (por 100.000 habitantes): A) teve tendência ascendente em menores de cinco anos de idade. B) aumentou em homens e diminuiu em mulheres na faixa etária de 20 a 24 anos de idade. C) diminuiu em homens e aumentou em mulheres na faixa etária de 15 a 19 anos de idade. D) manteve-se relativamente estável em ambos os sexos na faixa etária de 30 a 59 anos de idade. COMENTÁRIOS: Olhe só outra questão sobre a epidemiologia do HIV! Vamos analisar as alternativas: Incorreta a alternativa A, porque a tendência nos últimos anos é de queda na taxa de detecção em TODAS as faixas etárias. Correta a alternativa B. Pois houve um aumento na taxa de detecção de aids em homens e redução nos casos em mulheres, levando a um aumento da razão entre os sexos. Incorreta a alternativa C, pois os casos reduziram em mulheres dessa faixa etária. Incorreta a alternativa D, pois, entre 30 e 50 anos de idade, houve uma redução na taxa de detecção dos casos. Correta a alternativa C. Como expliquei na alternativa anterior, a taxa de detecção de HIV vem caindo nas mulheres, porém vem aumentando nos homens. No ano de 2008, a taxa de detecção de aids nas mulheres de 20 a 24 anos era de 14,9/1.000 habitantes e caiu em 2018 para 9,7/1.000. Nos homens, essa taxa era de 18,4/1.000 habitantes e subiu para 35,8/1.000 habitantes. Incorreta a alternativa D, porque não houve uma redução da mortalidade em todas as regiões do Brasil nos últimos anos. No Norte e Nordeste, por exemplo, houve aumento do coeficiente de mortalidade de 2008 a 2018. Incorreta a alternativa E, porque o número de casos novos de HIV em homens que fazem sexo com homens vem aumentando nos últimos anos, superando a proporção de casos notificados entre heterossexuais. Por exemplo, em 2007, os homossexuais correspondiam a 27,2% dos casos. Em 2019, esse número aumentou para 46,8%. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED INFECTOLOGIA HIV Prof. Clarissa Cerqueira | Curso Extensivo | 2023 16 3.0 HISTÓRIA NATURAL DA DOENÇA E QUADRO CLÍNICO CAPÍTULO Quando uma pessoa se infecta com o HIV, caso o tratamento não seja iniciado, a doença segue seu curso. O paciente pode encontrar-se em uma dessas três fases: 1. Infecção aguda, ou fase sintomática inicial, ou síndrome retroviral aguda (SRA). 2. Fase de latência clínica. 3. Síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS). Neste gráfico, você consegue visualizar a evolução da carga viral e a contagem de linfócitos T CD4+ ao longo de cada uma das fases da infecção: Figura 7. Evolução da carga viral e contagem de linfócitos T CD4+ ao longo da evolução natural do HIV. Vamos discutir essas fases mais profundamente: 3.1 INFECÇÃO AGUDA PELO HIV Essa infecção ocorre nas primeiras semanas após a contágio e alguns pacientes podem apresentar o que chamamos de síndrome retroviral aguda (SRA). Seus principais achados são febre, cefaleia, astenia, linfadenopatia, faringite, exantema e mialgia, mas também podem estar presentes perda de peso, náuseas, vômitos e diarreia. O paciente com HIV pode apresentar artralgia, mas geralmente é autolimitada. A maioria desses sinais e sintomas desaparece ao longo de 3 a 4 semanas. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED INFECTOLOGIA HIV Prof. Clarissa Cerqueira | Curso Extensivo | 2023 17 A SRA é uma doença mono-like, ou seja, semelhante à mononucleose, e deve ser investigada em pacientes com suspeita de mononucleose (aqueles com febre, faringite, linfadenopatia e esplenomegalia). Diagnósticos diferenciais da síndrome retroviral aguda Mononucleose por citomegalovírus ou Epstein-Barr Toxoplasmose Rubéola Sífilis Hepatite viral Figura 8. Tabela com os diagnósticos diferenciais da síndrome retroviral aguda. Nessa fase inicial, a carga viral é elevada e os níveis de linfócitos decrescem. Perceba isso na figura acima. 3.2 FASE DE LATÊNCIA CLÍNICA Após a infecção aguda, o sistema imune do paciente consegue um “controle parcial” da infecção e a carga viral cai. Nessa fase, o paciente é geralmente assintomático, exceto pela linfadenopatia, que pode persistir após a infecção aguda. Esse período pode durar meses a anos e, com o passar do tempo e uma queda progressiva dos linfócitos, o paciente pode começar a apresentar alguns episódios de infecções bacterianas com mais frequência, como sinusites e pneumonia. A candidíase oral pode aparecer nessa fase e é um marcador precoce de imunossupressão. Ela está associada ao subsequente desenvolvimento da pneumocistose. A candidíase oral é um marcador precoce de imunossupressão, mas não é uma doença definidora de aids. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED INFECTOLOGIA HIV Prof. Clarissa Cerqueira | Curso Extensivo | 2023 18 CAI NA PROVA (UERN 2019) O portador do vírus HIV pode transmiti-lo desde o momento de aquisição da infecção, entretanto, os indivíduos com infecção muito recente ou imunossupressão avançada têm maior concentração do HIV no sangue (carga viral) e nas secreções sexuais, transmitindo com maior facilidade o vírus. Qual alternativa relaciona corretamente a fase de infecção e os sintomas? A) A fase assintomática, pode durar de alguns meses a alguns anos, e os sintomas clínicos são mínimos ou inexistentes. Os exames sorológicos para o HIV são reagentes e a contagem de linfócitos T CD4+ estão em ascensão. B) Na fase assintomática, alguns pacientes podem apresentar uma linfadenopatia generalizada persistente, “flutuante” e indolor. C) Na fase sintomática inicial, o portador da infecção pelo HIV pode apresentar sinais e sintomas inespecíficos de intensidade variável e não são ainda encontrados além de processos oportunistas como a candidíase oral. D) Na fase sintomática há uma redução da carga viral e a contagem de linfócitos. COMENTÁRIOS Essa questão é bem legal para revisarmos alguns conceitos que expliquei anteriormente. Vamos analisar as alternativas: Incorreta a alternativa A, porque, na fase assintomática ou de latência, a contagem de linfócitos T CD4+ está em queda. Correta a alternativa B. Após a infecção aguda, alguns pacientes podem persistir com linfadenopatia generalizada, persistente, flutuante e indolor. O diagnóstico diferencial desses casos inclui doenças linfoproliferativas e tuberculose ganglionar. Incorreta a alternativa C, porque infecções oportunistas não ocorrem na fase sintomática inicial. Elas começam a aparecer na fase AIDS. Incorreta a alternativa D, porque na fase sintomática há uma elevação da carga viral. (SES - DF 2015) Julgue o item a seguir, relativo às doençasde acometimento comum na população: a artralgia associada ao HIV-Aids raramente evolui para uma inflamação grave das articulações. A) CERTO. B) ERRADO. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED INFECTOLOGIA HIV Prof. Clarissa Cerqueira | Curso Extensivo | 2023 19 COMENTÁRIOS O paciente com HIV pode apresentar artralgia, mas que geralmente é autolimitada. Ela pode acontecer na infecção aguda pelo HIV naqueles pacientes que se apresentam com uma síndrome mono-like (semelhante à mononucleose). A artrite é infrequente, mas pode acontecer e geralmente dura menos que 6 semanas, sendo autolimitada e não destrutiva. Portanto, afirmativa certa. Correta a alternativa A. 3.3 FASE SINTOMÁTICA E FASE AIDS Com a evolução da doença em um paciente sem tratamento, chega um momento em que a carga viral volta a subir e seus linfócitos T CD4+ caem bastante. Algumas doenças oportunistas também começam a aparecer. Com isso, podemos dizer que o paciente está com aids. Definimos que o paciente está nessa fase da síndrome da imunodeficiência adquirida caso ele tenha linfócitos TCD4+ 1 mês) ou visceral em qualquer localização. Candidíase esofágica ou de traqueia, brônquios ou pulmões. Tuberculose pulmonar e extrapulmonar. Sarcoma de Kaposi. Doença por CMV (retinite ou outros órgãos, exceto fígado, baço ou linfonodos). Neurotoxoplasmose. Encefalopatia pelo HIV. Criptococose extrapulmonar. Infecção disseminada por micobactéria não Mycobacterium tuberculosis. Leucoencefalopatia multifocal progressiva (LEMP). Criptosporidiose intestinal crônica (duração >1 mês). Isosporíase intestinal crônica (duração >1 mês). Micoses disseminadas (histoplasmose, coccidioidomicose). Septicemia recorrente por Salmonella não typhi. Linfoma não Hodgkin de células B ou primário do sistema nervoso central. Carcinoma cervical invasivo. Reativação de doença de Chagas (meningoencefalite e/ou miocardite). Leishmaniose atípica disseminada. Nefropatia ou cardiomiopatia sintomática associada ao HIV. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED INFECTOLOGIA HIV Prof. Clarissa Cerqueira | Curso Extensivo | 2023 20 As doenças definidoras de aids mais cobradas em provas são aquelas que grifei em negrito na tabela acima, para facilitar seu aprendizado. CAI NA PROVA (FACULDADE DE MEDICINA DE PETRÓPOLIS - FMP 2019) Qual alternativa contém três doenças definidoras de Aids? A) Pneumocistose, candidíase oral, tuberculose pulmonar. B) Pneumonia pneumocócica, tuberculose atípica, sarcoma de Kaposi. C) Febre de origem obscura, candidíase oroesofageana, herpes-zóster. D) Sarcoma de Kaposi, carcinoma invasivo de colo uterino, pneumocistose. COMENTÁRIOS Olhe só o que temos aqui! Acabei de falar que isso cai em prova, não é mesmo? Vamos analisar as alternativas: Incorreta a alternativa A. A candidíase oral não define aids (decore isso!). Incorreta a alternativa B. A pneumonia bacteriana só entra na definição de aids se ela for recorrente, o que não está descrito nessa alternativa. Incorreta a alternativa C. Nem a febre de origem obscura, nem a herpes zoster definem aids. Correta a alternativa D. Essas 3 doenças fazem parte da tabela das doenças definidoras de aids que mostrei a você. Perceba uma coisa interessante: existem manifestações decorrentes da infecção pelo próprio vírus HIV, principalmente observadas na fase inicial da doença, como a SRA, e, à medida que a doença evolui, o quadro clínico da fase mais tardia da doença (fase aids) passa a ser característico das doenças oportunistas que o paciente apresentar. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED INFECTOLOGIA HIV Prof. Clarissa Cerqueira | Curso Extensivo | 2023 21 Como você percebeu, a maioria das doenças definidoras de aids é decorrente de infecções oportunistas, porém algumas podem ser decorrentes do próprio HIV, como a nefropatia, que será abordada no livro da nefrologia, e a encefalopatia associada ao HIV. A encefalopatia já foi cobrada em provas. Ela é uma doença demencial, que se caracteriza por um acometimento da memória e da psicomotricidade, sintomas depressivos e desordens motoras. No estudo do líquor, é comum o encontro de proteínas elevadas com uma carga viral do HIV também com níveis aumentados. É importante que você tenha essa noção das manifestações clínicas da infecção pelo HIV, afinal, sempre que estiver diante de um quadro de uma doença mono-like ou de uma doença oportunista, você deve iniciar a investigação. CAPÍTULO 4.0 DIAGNÓSTICO LABORATORIAL Agora, que já sabe a evolução natural da infecção pelo HIV e qual é a clínica que o paciente pode apresentar, vamos discutir como fazer esse diagnóstico. Já começo com uma pergunta: se a doença demora para demonstrar sinais de imunossupressão e nem todo paciente com a infecção aguda manifesta sintomas, como podemos, de forma precoce, diagnosticar a infecção pelo HIV? Simples, devemos oferecer (não podemos coagir!) a testagem para o HIV e outras infecções sexualmente transmissíveis (IST) a todas as pessoas com vida sexual ativa quando comparecerem em consultas de rotina, independentemente da presença de sintomas. Além disso, todo paciente com diagnóstico de tuberculose deve ser testado para HIV, afinal ela é a principal causa de óbito em pessoas vivendo com HIV/aids e o diagnóstico precoce tem um impacto positivo na evolução das duas doenças. Oferecer testagem para HIV para todas as pessoas com vida sexual ativa, independentemente de haver sintomas, e para todos com diagnóstico de tuberculose. Uma vez indicada a investigação da infecção pelo HIV, o diagnóstico é bem simples. Como essa doença traz um impacto grande na vida do paciente, devemos minimizar erros, afinal, resultados falso-positivos podem acontecer na presença de alguma doença autoimune ou na gestação. Como fazemos para reduzir o risco desses resultados falso-reagentes? Pedindo sempre dois testes consecutivos. Existem vários tipos de testes e vou explicar um pouco de cada um deles para que você entenda. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED INFECTOLOGIA HIV Prof. Clarissa Cerqueira | Curso Extensivo | 2023 22 4.1 TESTES RÁPIDOS Os testes rápidos (TR) são testes simples, que de forma visual demonstram a ligação do antígeno (que fica grudado na placa) com o anticorpo (que pode estar presente na amostra). Esses exames fornecem o resultado em até 30 minutos. Podem ser realizados fora do ambiente laboratorial, com amostra de sangue obtida por punção digital ou fluido oral. Esses testes ajudaram bastante a ampliar o diagnóstico da infecção pelo HIV, por causa da facilidade de obtenção da amostra. Eles possuem uma janela imunológica que pode variar de 1 a 3 meses, portanto, não são muito sensíveis para detecção de infecção aguda. Figura 9. Na primeira figura, você pode ver uma placa do teste rápido. Onde está escrita a letra A é o local em que se coloca a amostra. A letra T refere-se ao “teste”, isto é, nossa amostra. Caso ela seja positiva, aparecerá uma linha colorida nesse local. A letra C refere-se ao “controle” do teste, que sempre deverá ser positivo. Na figura à direita, visualizamos um exemplo deteste rápido positivo. Os testes rápidos não são sensíveis para detecção da infecção aguda. 4.2 IMUNOENSAIOS Os imunoensaios são testes que também detectam a formação da ligação antígeno-anticorpo. No caso do HIV, o teste pode fazer a busca tanto de anticorpos na amostra quanto de antígenos e, se houver ligação entre eles, dizemos que o teste é reagente. Um exemplo desse teste é o ELISA (do inglês “enzyme- linked immunosorbent assay”), que usa uma enzima que muda a cor da solução do teste, caso haja a ligação antígeno-anticorpo. Esses imunoensaios foram se aperfeiçoando ao longo do tempo e através de “gerações”. Atualmente usamos os imunoensaios de 3ª e 4ª geração, pois são mais sensíveis e específicos. Os testes de 1ª e 2ª geração somente detectavam anticorpos da classe IgG. O teste de 3ª geração passou a detectar o IgM e o teste de 4ª geração, além de detectar anticorpos, detecta simultaneamente o antígeno p24 (aquele que fica no núcleo do vírus, lembra?), reduzindo a janela imunológica para, em média, 15 dias. Esses testes demoram cerca de 4h para serem realizados. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED INFECTOLOGIA HIV Prof. Clarissa Cerqueira | Curso Extensivo | 2023 23 Ao contrário de outras doenças virais, no caso da infecção pelo HIV, a presença do IgM não permite diferenciar uma infecção aguda de uma crônica. Isso acontece porque o IgM pode reaparecer em outros momentos, de forma intermitente, ao longo da infecção. Logo, a presença de IgM reagente em um paciente infectado não significa, necessariamente, uma infecção aguda. 4.3 WESTERN BLOT Esse teste é bastante usado para confirmar o diagnóstico da infecção pelo HIV, já que é mais específico que os testes prévios. Ele detecta a presença de anticorpos produzidos contra diferentes partes (antígenos) do vírus. Ele funciona da seguinte forma: imagine uma membrana que está impregnada de proteínas do HIV que foram separadas por eletroforese. A amostra de soro ou plasma do paciente é incubada nessa membrana e, se lá houver algum anticorpo contra alguma das proteínas do HIV, ocorrerá a ligação antígeno-anticorpo. Essa ligação é detectada por anticorpos secundários, o que resulta na formação de “bandas” nos locais em que os antígenos estão. Dessa forma, conseguimos saber exatamente contra que antígenos os pacientes apresentam anticorpos. Figura 10. Exemplo de um teste de Western Blot. Observe as fitas com os controles positivos, controle negativo, pacientes com resultado positivo e indeterminado. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED INFECTOLOGIA HIV Prof. Clarissa Cerqueira | Curso Extensivo | 2023 24 4.4 TESTE MOLECULAR Também chamado de carga viral, esse exame é o que detecta a infecção pelo HIV de forma mais precoce. Ele identifica o RNA do vírus, que é o primeiro marcador a aparecer. É um teste útil para ser usado quando não é possível a detecção de anticorpos, como no caso do diagnóstico da infecção pelo HIV em crianças menores de 18 meses (os anticorpos da mãe são adquiridos pelas crianças e podem falsear o resultado). Compare, nesta tabela, o tempo aproximado de positivação de cada teste discutido aqui neste capítulo: Exame Tempo aproximado de positivação após a infecção Enzyme-linked immunoassay (ELISA) Primeira geração (IgG) 35 a 45 dias Segunda geração (IgG) 25 a 35 dias Terceira geração (IgM e IgG) 20 a 30 dias Quarta geração (IgM, IgG e antígeno p24) 15 a 20 dias Western blot IgM e IgG 45 a 60 dias Carga viral (teste molecular) Cutoff de 50 cópias/mL 10 a 15 dias Figura 11. Tabela demonstrando o tempo aproximado de positivação dos testes diagnósticos da infecção pelo HIV. Como você pode ter percebido, os testes possuem tempos de positivação diferentes, porque usam marcadores que aparecem em períodos diferentes ao longo da infecção. Nesta figura você consegue visualizar isso: Figura 12. Tempo de positivação dos marcadores usados nos testes diagnósticos da infecção pelo HIV. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED INFECTOLOGIA HIV Prof. Clarissa Cerqueira | Curso Extensivo | 2023 25 Por causa dos diferentes momentos em que esses testes são detectáveis, podemos dividir a infecção pelo HIV em alguns estágios. Logo após a infecção, o paciente entra no período de eclipse. Ele caracteriza-se pela ausência de marcadores virais em amostras de sangue e dura em média 10 dias. A detecção do RNA já marca o início do estágio I, que dura em torno de 7 dias e ele é o único marcador positivo. O estágio II ocorre quando há a detecção de RNA e antígeno p24 com anticorpos ausentes, e o estágio III é quando esses anticorpos são também detectados. Os estágios IV a VI são os que dependem do resultado de western-blot para classificar. Como nunca caíram em provas de Residência, não vale a pena diferenciá-los. 4.5 DIAGNÓSTICO DA INFECÇÃO PELO HIV Sabendo dos testes disponíveis e que devemos sempre fazer dois exames, podemos fazer as seguintes combinações para diagnosticar a infecção pelo HIV: Dois testes rápidos com amostra de sangue (de fabricantes diferentes). Um teste rápido usando fluido oral e outro teste rápido usando sangue. Um imunoensaio de 3ª ou 4ª geração e um teste molecular (carga viral). Um imunoensaio de 3ª ou 4ª geração e um western blot ou imunoblot rápido. Se ambos os testes forem positivos, temos um diagnóstico confirmado de infecção pelo HIV. Se os testes forem discordantes, temos que fazer um 3º teste diferente dos anteriores. CAI NA PROVA (FACULDADE DE MEDICINA DO ABC 2019) Para o diagnóstico da infecção do HIV, podemos afirmar: A) A identificação precoce da criança infectada verticalmente é essencial para o início da terapia antirretroviral e das profilaxias. Deve-se, porém, avaliar cuidadosamente, pois a toxicidade destes medicamentos é muito maior nas crianças abaixo dos 5 anos de idade. B) Os testes rápidos em sangue, plasma ou fluído oral devem ser realizados principalmente para o diagnóstico da infecção aguda pelo HIV, pois são testes altamente sensíveis nesta situação. C) A detecção da carga viral do HIV deve ser realizada em todos os pacientes HIV+. Valores muito altos, em geral acima de 100.000 cópias, estão fortemente relacionados a fases mais avançadas da infecção pelo HIV. D) Para o diagnóstico da infecção pelo HIV, devem ser realizados 2 testes consecutivos, podendo ser testes rápidos, imunoensaios ou a detecção do RNA do HIV. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED INFECTOLOGIA HIV Prof. Clarissa Cerqueira | Curso Extensivo | 2023 26 COMENTÁRIOS Olhe só que questão legal para ilustrar o que acabamos de discutir. Vamos ver as alternativas: Incorreta a alternativa A. As medicações são seguras nas crianças, independentemente, da idade. Veremos isso mais adiante, ao longo do livro. Incorreta a alternativa B, porque os testes rápidos possuem uma janela imunológica que pode variar de 1 a 3 meses, portanto não são bons para detecção de infecção aguda. Incorreta a alternativa C, porque os valores mais altos da carga viral são encontrados nas fases iniciais da doença. Correta a alternativa D. A detecção da infecção pelo HIV é um diagnóstico que muda a vida do paciente, portanto devemos fazer o possível para minimizar erros. Por isso, devemos pedir dois testes consecutivos, que podem ser por métodos imunológicos (imunoensaios) ou por biologia molecular (detecção do RNA do HIV) (SANTA CASA MISERICÓRDIA DE MARÍLIA - SCMMA 2017) Antes da 4ª semana de contaminação pelo vírus HIV, qual é o melhor exame para diagnóstico da infecção? A) Teste sorológico imunoenzimático (ELISA). B) Quantificação do RNA viral(carga viral por PCR). C) Reação sorológica de eletroimunotransferência (western blot). D) Contagem de linfócitos T auxiliadores (CD4+). E) Nenhum teste tem sensibilidade neste período. COMENTÁRIOS Outra questão bem direta sobre os testes diagnósticos. Entre os exames que discutimos, qual é o que consegue diagnosticar a infecção pelo HIV de forma mais precoce? Os gráficos que mostrei acima já trazem essa resposta. Confira aqui comigo: Incorreta a alternativa A. Existem diversas gerações do ELISA que podem demorar até 45 dias para positivar. Por esse motivo, esse exame não é o melhor teste para um paciente em fase aguda de infecção. Correta a alternativa B. A detecção do HIV por PCR é o melhor exame para diagnóstico da infecção em fase aguda. Ele positiva a partir da primeira semana após a infecção. Incorreta a alternativa C. O western blot tem uma janela imunológica que pode variar em torno de 45 a 60 dias. Por isso, ele não é um bom exame para detectar a infecção aguda pelo HIV. Incorreta a alternativa D. A contagem de linfócitos não tem utilidade para o diagnóstico da infecção pelo HIV, já que só se altera depois de alguns anos após a infecção. Ela serve para avaliar o grau de imunossupressão em pacientes infectados, principalmente naqueles que não aderem ao tratamento. Incorreta a alternativa E. Como já vimos, o teste da carga viral é o recomendado nesse período. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED INFECTOLOGIA HIV Prof. Clarissa Cerqueira | Curso Extensivo | 2023 27 (UFMT – 2020) Homem, 23 anos, homossexual, refere que, após relação sexual sem preservativo, o parceiro comunicou ser portador do vírus HIV e que não estava em uso correto das medicações. Após 4 semanas, o paciente realizou um teste rápido de fluido oral em uma campanha da secretaria de saúde do município, resultando positivo. Ele foi encaminhado a um serviço de referência para esclarecimentos. Para confirmação diagnóstica de infecção pelo HIV, quais os próximos exames a serem solicitados? A) Pelo tempo de exposição, só é possível diagnóstico através de realização da carga viral do HIV ou de exames que contenham antígeno p24. B) São necessários mais dois testes rápidos, de marcas diferentes, e, se ambos positivos, a amostra é reagente para o HIV. C) No caso de um segundo teste inconclusivo, solicitar carga viral, se esta vier positiva, em qualquer valor, pode confirmar o diagnóstico. D) Apenas mais um teste rápido positivo (realizado com amostra de sangue) já pode confirmar a infecção pelo HIV. COMENTÁRIOS Temos aqui um paciente que tem fator de risco para adquirir o HIV e fez um único teste para o diagnóstico. O que fazer agora? Pedir outro teste! Não se esqueça: sempre devemos ter duas amostras reagentes para confirmar o diagnóstico da infecção pelo HIV. Incorreta a alternativa A. Os testes baseados em presença de anticorpos, como os testes rápidos, têm janela imunológica de cerca de 20 a 30 dias. Incorreta a alternativa B. Para diagnóstico de infecção por HIV, são suficientes dois testes rápidos positivos, de fabricantes diferentes. Incorreta a alternativa C. Havendo discordância entre os testes, deve ser coletada amostra de sangue para realização de exame de imunoensaio de quarta geração. Correta a alternativa D. Pois dois testes rápidos reagentes (de fabricantes diferentes) confirmam o diagnóstico. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED INFECTOLOGIA HIV Prof. Clarissa Cerqueira | Curso Extensivo | 2023 28 CAPÍTULO 5.0 TRATAMENTO Até agora, já aprendemos como o HIV é transmitido, quais são suas manifestações clínicas e como fazer o diagnóstico. O próximo passo é iniciar o tratamento! Lembra-se de que eu falei que o HIV é um vírus RNA que tem uma enzima chamada de transcriptase reversa? Com ela, o vírus consegue transformar seu RNA em DNA e inserir-se no material genético do paciente. Esse é um dos motivos da dificuldade em curar a infecção, sendo o controle da replicação viral o tratamento recomendado. Atualmente o tratamento está indicado a todo paciente com diagnóstico da infecção pelo HIV, independentemente do valor dos linfócitos TCD4+ ou da carga viral. Ou seja, diagnosticou e o paciente aceitou tratar, já inicie a medicação. Não é necessário aguardar resultado de exames. O tratamento precoce reduz a morbimortalidade nos pacientes, além de reduzir a transmissão, já que o paciente em uso fica com a carga viral indetectável e quem está indetectável não transmite. Indicação de TARV: todos os pacientes diagnosticados com HIV, independentemente da contagem de linfócitos e da carga viral. CAI NA PROVA (UNICAMP 2016) Homem, 23 anos, encaminhado ao serviço de referência de AIDS, de um serviço de hemoterapia por sorologia positiva para vírus de imunodeficiência humana, sem queixas. Exame físico: sem alterações. A Terapia Antirretroviral (TARV) deverá ser prescrita: A) Independentemente da carga viral e da contagem de linfócitos T-CD4+. B) Quando apresentar uma doença oportunista. C) Quando apresentar carga viral detectável em qualquer nível. D) Quando houver contagem de linfócitos T-CD4+ menor que 500 céls/ml. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED INFECTOLOGIA HIV Prof. Clarissa Cerqueira | Curso Extensivo | 2023 29 COMENTÁRIOS Agora ficou mais fácil, não é mesmo? Como expliquei, atualmente a TARV está indicada para todos os pacientes com diagnóstico da infecção pelo HIV, independentemente da carga viral e do valor dos linfócitos T CD4+. As drogas de primeira linha recomendadas pelo Ministério da Saúde são tenofovir, lamivudina e dolutegravir. Já veremos isso adiante. Correta a alternativa A. Essa alternativa responde de forma adequada ao enunciado. Lembre-se: uma vez que o diagnóstico foi feito, a TARV está indicada e não é preciso esperar o resultado dos exames de linfócitos T CD4+ e carga viral. Incorreta a alternativa B. Se o paciente apresenta alguma doença oportunista, é porque sua contagem de linfócitos já está baixa e ele já está com AIDS. O tratamento deve ser iniciado precocemente para evitar que ele chegue nessa fase da doença. O início da TARV logo após o diagnóstico traz benefícios, como uma diminuição da carga viral, com consequente redução da transmissão do HIV. Resumindo: não devemos aguardar o paciente piorar clinicamente para iniciar o tratamento. Incorreta a alternativa C. Como expliquei na alternativa anterior, o valor da carga viral não interfere na indicação do tratamento. Uma vez diagnosticada a infecção pelo HIV, o tratamento está indicado. Incorreta a alternativa D. Há alguns anos, a terapia antirretroviral era indicada somente para pacientes com linfócitos T CD4+ ≤ 350 células/mm3. Atualmente, essa recomendação mudou e a TARV agora é indicada para todos os pacientes com HIV, independentemente do seu estágio clínico ou imunológico. O uso da TARV por todos os pacientes, além de reduzir a morbimortalidade, as infecções oportunistas, hospitalizações e aumentar a sobrevida, leva a uma redução no risco de transmissão do HIV, já que o paciente com carga viral indetectável não transmite. (UNICAMP 2018) Homem, 45a, vem ao ambulatório de infectologia assintomático, trazendo duas sorologias (sendo um deles imunoenzimático de 4ª geração e o outro de imunoblot) positivas para o vírus da imunodeficiência humana (HIV). A conduta é: A) Realizar sorologias confirmatórias (teste molecular seguido de western-blot) e considerar tratamento após confirmação do diagnóstico de infecção pelo HIV. B) Iniciar imediatamente terapia antirretroviral, com associação e tenofovir, lamivudina e dolutegravir, independente da carga viral e da contagem de linfócitos-T CD4+ em sangue periférico. C) Coletar Carga Viral (CV) e contagem delinfócitos-T CD4+ em sangue periférico e indicar terapia antirretroviral caso CV > 2 log ou contagem de linfócitos-T CD4+ 3 log ou contagem de linfócitos-T CD4+possui alguns efeitos colaterais bem indesejáveis, como terror noturno, confusão mental, sonhos vívidos, sensação constante de estar com “ressaca” e alterações psiquiátricas. Por isso, perdeu seu posto para o dolutegravir no esquema básico inicial. Não esqueça! O efavirenz é o antirretroviral que classicamente está relacionado a efeitos adversos, como confusão mental, sonhos vívidos, irritabilidade, ansiedade e ao terror noturno. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED INFECTOLOGIA HIV Prof. Clarissa Cerqueira | Curso Extensivo | 2023 33 CAI NA PROVA (Hospital Nacional do Câncer – INCA – 2018) Affonso tem 29 anos e se queixa de tosse há 10 dias, associada à dispneia de caráter progressivo e febre não aferida. Além disso, apresenta perda ponderal de 10 kg no período de três meses com mal-estar geral e astenia constantes. Refere, ainda, a presença de múltiplas manchas na pele que surgiram há 2 meses e vêm aumentando. Desconhece qualquer doença prévia, e refere apenas etilismo social de fermentados. Ao exame - MEG, hipocorado ++/4+, anictérico, cianótico +/4+, STO2: 91%, sarcopênico e emagrecido. Apresenta múltiplas lesões cutâneas vinhosas, nodulares e bem delimitadas. PA: 80 x40 mm/Hg e peso: 62kg. AR - Taquidispneico, uso de musculatura acessória FR: 38 irpm, MVUA com raros estertores no final da expiração. ACV - RCR, BNF, taquicárdico e sopro sistólico no foco aórtico. Abdome - Escavado, fígado palpável há dois centímetros da RCD e Traube livre. Laboratório - Hb: 10,3 g/dL, Ht: 33%, VCM: 89 fL, leucócitos: 2.200/mm³ (segmentados: 86%, linfócitos: 2%), plaquetas: 75.000/mm³, creatinina: 0,6 mg/dL, ureia: 23 mg/dL, PCR: 32 mg/L, DHL: 756 U/L (Valor normal até 250), teste rápido de HIV: positivo. Gasometria arterial: pH: 7,21, PCO2: 46 mm/Hg, HCO3: 16 mEq/L, PO2: 52 mm/ Hg, BE: -12,1 e STO2: 91%. O RX de tórax mostrou um infiltrado intersticial reticular fino no terço inferior, bilateralmente, sem derrame pleural. A terapia inicial para pacientes virgens de tratamento e sem contraindicação a nenhuma das drogas é uma combinação de três medicações: Efavirenz, Tenofovir e Lamivudina, medicação conhecida como o "3 em 1". Esta combinação tem impacto positivo no tratamento, principalmente no que diz respeito à aderência. Todavia, um efeito colateral conhecido como "terror noturno" pode atrapalhar a adesão e impactar na qualidade de vida do paciente. Este efeito está mais comumente associado ao (à) A) Tenofovir. B) Lamivudina. C) Interação medicamentosa entre o Tenofovir e a Lamivudina. D) Efavirenz. COMENTÁRIOS Essa questão é longa e conta um caso de um paciente com aids e pneumocistose, mas pergunta no final qual é o antirretroviral que está associado ao terror noturno. Eu sei que você já sabe a resposta. Vamos às alternativas: Incorreta a alternativa A. O tenofovir não está associado ao terror noturno. Seus efeitos adversos mais característicos são a nefropatia e a redução da densidade óssea. Incorreta a alternativa B. A lamivudina é uma droga bem tolerada e com pouca toxicidade. Incorreta a alternativa C. A interação do tenofovir com lamivudina não leva a efeitos colaterais relacionados ao sistema nervoso central. Correta a alternativa D. O efavirenz é o antirretroviral que classicamente está relacionado a efeitos adversos, como confusão mental, sonhos vívidos, irritabilidade, ansiedade e terror noturno.m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED INFECTOLOGIA HIV Prof. Clarissa Cerqueira | Curso Extensivo | 2023 34 5.1.3 INIBIDORES DA PROTEASE (IP) Como o nome já diz, eles inibem a protease, enzima que quebra proteínas do vírus, impedindo a produção de subunidades funcionais. Dessa forma, o vírus liberado pela célula é imaturo e não infectante. Todas as drogas dessa classe devem ser administradas juntamente com o ritonavir pelo seu efeito booster (que aumenta a meia-vida da droga). Isso leva a uma melhor potência da medicação e à possibilidade de administração das drogas em doses menores e com intervalos maiores. Os principais representantes dessa classe são o lopinavir/ritonavir, darunavir/ritonavir e atazanavir/ritonavir. Atualmente, são mais usados em casos de falha terapêutica em associação com outras drogas. São medicações potentes, mas que estão associadas a efeitos colaterais gastrointestinais e metabólicos, como resistência à insulina, hiperglicemia, diabetes, dislipidemia e hepatotoxicidade. Os inibidores de protease interagem com a rifampicina, droga que faz parte do tratamento da tuberculose. Por isso, devemos trocar uma das duas medicações caso nos encontremos em uma situação em que essas medicações possam ser prescritas em associação. Damos preferência para substituir a terapia antirretroviral do paciente, porém, em casos em que o esquema não possa ser modificado, devemos tirar a rifampicina e trocá-la pela rifabutina. Leia mais sobre o assunto no livro de Tuberculose! CAI NA PROVA (SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DE SÃO PAULO - SCMSP 2019) Um paciente com tuberculose pulmonar diagnosticada e Aids, em uso de tenofovir, lamivudina, atazanavir, ritonavir e dolutegravir, esquema antirretroviral que se baseia em genotipagem, não podendo ser modificado, deverá iniciar o tratamento da tuberculose. Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta, respectivamente, a droga do esquema de tratamento de tuberculose de primeira escolha, a qual, devido à possível interação com antirretrovirais em uso, deverá ser substituída pela rifabutina, e a droga antirretroviral do esquema do paciente que causa essa interação. A) rifampicina e lamivudina B) isoniazida e dolutegravir C) isoniazida e tenofovir D) pirazinamida e atazanavir E) rifampicina e atazanavir COMENTÁRIOS Eu avisei para você decorar, não é mesmo? Lembre-se: os inibidores de protease interagem com a rifampicina. Vamos analisar as alternativas: Incorreta a alternativa A: a rifampicina é a droga do esquema básico que deve ser substituída pela rifabutina, porém não é com a lamivudina que ela interage, mas sim com os inibidores de proteases (como o atazanavir, ritonavir, lopinavir, darunavir). m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Estratégia MED INFECTOLOGIA HIV Prof. Clarissa Cerqueira | Curso Extensivo | 2023 35 Incorreta a alternativa B, pois a isoniazida não tem interação com os antirretrovirais. Incorreta a alternativa C, pois, assim como explicado na alternativa anterior, a isoniazida não tem interação com os antirretrovirais. Incorreta a alternativa D, pois a pirazinamida também não interage com os antirretrovirais. Correta a alternativa E. A droga do esquema de tuberculose que interage com os antirretrovirais é a rifampicina e a droga que o paciente usa que causa essa interação é o IP, nesse caso o atazanavir. 5.1.4 INIBIDORES DA INTEGRASE Os grandes representantes dessa classe são o dolutegravir e o raltegravir. São drogas que atuam na integrase. Como o nome já diz, essa enzima tem a função de integrar o novo DNA do vírus ao genoma do hospedeiro. O resultado do seu uso leva a um bloqueio desse processo, que é essencial para a replicação viral. São medicações bem toleradas, com elevada potência e poucos eventos adversos. Podem estar associadas a ganho de peso, tontura e insônia. O DTG pode bloquear a secreção tubular de creatinina, sem reduzir a filtração glomerular. Muitas vezes, isso acarreta uma elevação da creatinina sérica, mas que não tem relação com uma disfunção renal. Como já falei antes, essa classe é atualmente a de escolha, juntamente com dois ITRNs, para fazer parte do esquema básico inicial de tratamento de pacientes com HIV/aids. Logo mais, vou falar desse esquema para você. CAI NA PROVA (SANTA CASA DE MISERICÓRDIA