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3.1 Sindrome idoso fragil

Apostila sobre síndrome do idoso frágil: define o conceito, apresenta prevalência (estudo no DF: 24% frágil, 32,9% pré‑frágil), consequências clínicas (quedas, internações, morte), histórico conceitual, critérios de rastreio (Rockwood) e o Fenótipo da Fragilidade de Fried.

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LARA FREGONASSE DOS SANTOS – XLV – TBL – 6ª FASE 
 
TBL – 3.1 
Síndrome do idoso frágil 
A população brasileira está envelhecendo, e cada 
vez mais se fazem necessários cuidados e políticas 
públicas para manter a qualidade de vida dessas 
pessoas. Dados do IBGE, divulgados em julho de 
2022, mostram que pessoas com mais de 60 anos, 
representam agora 14,7% – 31,2 milhões de pessoas. 
Todo profissional de saúde deve (re)conhecer a 
síndrome de fragilidade e suas consequências, para 
que seja possível agir precocemente, prevenindo-a 
antes que se instale ou intervindo antes que se 
agrave. 
“Prevalência e fatores associados à síndrome da 
fragilidade no idoso do Distrito Federal”, 2020, 
publicado por Pinheiro e col., cujo estudo foi 
direcionado à população assistida por uma unidade 
ambulatorial de atenção secundária em centro 
especializado de atendimento 
em geriatria e gerontologia do Distrito Federal. No 
presente estudo, 24% da amostra total foi 
considerada frágil, 32,9% pré frágil e 42,1% não 
frágil. 
Um exemplo bem interessante da importância do 
reconhecimento e intervenção precoces é o de 
um idoso frágil caminhando na calçada. Ele pode 
até caminhar bem, mas se pisar em um buraco, tem 
menos recursos para manter o equilíbrio – o reflexo 
estará mais lento, a força muscular da outra perna 
não é suficiente para mantê-lo em pé, a visão pode 
estar diminuída para desviar e assim por diante, o 
que aumenta muito a sua chance de cair. 
O idoso frágil tem maior frequência de quedas, 
internações, perdas funcionais, institucionalização e 
morte. Quando há infecções, por exemplo, a 
resposta imunológica é inadequada e a chance de 
desfecho fatal é maior. Para cirurgias e internações, o 
quadro segue parecido, com perda de reservas 
(imobilidade, doenças crônicas, solidão física e 
emocional, etc.) e, assim, uma elevada probabilidade 
de ocorrência de reações desfavoráveis. 
Em diferentes partes do mundo, a longevidade 
humana passou a alcançar médias elevadas 
(superiores a 75 anos) e o convívio com pessoas 
idosas em velhice avançada (≥ 85 anos) tornou-se 
mais frequente. 
Há muito tempo a medicina geriátrica preocupa-se 
em identificar, avaliar e tratar idosos em risco de 
envelhecer sem independência e com desfechos de 
saúde desfavoráveis (internação de longa 
permanência, dependência importante, óbito, etc.). 
Em gerontologia, o termo fragilidade é geralmente 
relacionado a fraqueza muscular, fragilidade óssea, 
índice de massa corporal muito baixo, 
vulnerabilidade ao trauma, ao risco de infecção, ao 
delirium (confusão mental aguda que acontece em 
função de problemas clínicos), instabilidade e/ou 
capacidade física significativamente diminuída. 
Embora importantes avanços tenham sido obtidos, o 
termo “fragilidade” ainda carece de um consenso 
fazendo com que seja frequentemente trocado como 
sinônimo de multimorbidade e incapacidade. 
HISTÓRICO 
Em 1990, Fretwell descreveu fragilidade como “uma 
vulnerabilidade inata aos desafios do ambiente”. A 
partir de estudos, foi possível observar que muitos 
idosos alcançavam a velhice avançada em boas 
condições de saúde e funcionalidade o que fez com 
que na década de noventa, o conceito “ser frágil” 
fosse gradativamente sendo substituído por “tornar-
se frágil”, acreditando-se ser essa uma condição que, 
embora relacionada, é independente da presença de 
multimorbidade, incapacidade e vulnerabilidade 
física e social. 
Em 1992, uma conferência realizada para discutir a 
fisiologia da fragilidade concordou que controvérsias 
na definição de idoso frágil bem como a 
compreensão limitada de sua etiologia retardariam a 
adoção de estratégias preventivas além de apontar 
que a maior ameaça a uma expectativa de vida ativa 
seria o desenvolvimento de fragilidade. Um estudo 
publicado na J Adv Nurs 2003, compilou 42 artigos e 
classificou definições de idoso frágil em 18 grupos 
distintos. 
Em 1999, Rockwood descreveu uma ferramenta de 
rastreio: 
• Fadiga. 
• Resistência: (impossibilidade de subir um lance 
de escada). 
• Ambulation: (mobilidade) incapacidade de andar 
curtas distâncias. 
• Ilness: (doença) presença de cinco ou mais 
comorbidades. 
• Loss: (perda) mais de 5% do peso corporal em 1 
ano, sem mev. 
Em 2000, Linda Fried e col. definiram o Fenótipo da 
Fragilidade, utilizado até o momento. Indica a 
diferença entre envelhecer mal (doente, 
dependente, etc.) e envelhecer bem (mais saudável, 
independente, etc). 
LARA FREGONASSE DOS SANTOS – XLV – TBL – 6ª FASE 
 
Fenótipo da Fragilidade é uma síndrome de declínio 
espiral de energia e está embasado em um tripé de 
alterações relacionadas com o envelhecimento. 
O Ciclo da Fragilidade (Fried e col) é um complexo 
ciclo vicioso em que a redução da massa e força 
muscular se associam à redução da atividade física e 
da ingesta alimentar que, por sua vez, precipitam a 
piora da massa e força muscular. 
Os idosos portadores desta tríade estariam 
propensos à redução acentuada da massa muscular 
e a um estado inflamatório crônico que, se 
associados a fatores extrínsecos como a incidência 
de doenças agudas ou crônicas, a imobilidade, a 
redução da ingestão alimentar e outros, levariam a 
um ciclo vicioso de redução de energia e aumento 
da dependência e susceptibilidade a agressores 
(disfunção imunológica). 
MANIFESTAÇÕES DO CICLO DA FRAGILIDADE 
Sarcopenia: redução da massa muscular (atrofia) 
relacionada ao envelhecimento, associada à redução 
da força e/ou função. Ocorre a substituição muscular 
por tecido adiposo e fibrótico. 
Disfunção neuroendócrina: redução de testosterona, 
estrogênio, hormônio luteinizante, DHEA, GHRH, GH 
e IGF1. Ativação do sistema nervoso simpático com 
aumento de glicocorticoides. 
Disfunção do sistema imunológico: elevação de fator 
de necrose tumoral, induzindo catabolismo. Redução 
de IL6 e IL10. 
CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS FENOTÍPICOS 
Perda de peso:≥ 5% em relação ao peso do ano 
anterior ou 4,5 kg referido pelo paciente. Necessita 
não estar em programa de perda de peso 
intencional. 
Sensação de exaustão (fadiga): autorreferido. “Eu 
sinto que faço minhas tarefas com muito esforço”. 
“Não consigo terminar minhas tarefas”. 
Baixa atividade física: para nossa realidade, 
perguntar para o paciente ou familiar o que fazia 
antes de atividades diárias, que não consegue agora. 
Redução da velocidade da marcha: de forma geral,** Quando comparadas às intervenções em unidades 
de clínica médica geral. 
ABORDAGEM TERAPÊUTICA 
Exercício físico resistido: tipo de exercício que 
aumenta a força dos músculos com o levantamento 
de pesos ou o uso de faixas elásticas e 
suplementação alimentar, são as melhores 
intervenções. 
LARA FREGONASSE DOS SANTOS – XLV – TBL – 6ª FASE 
 
Suplementação com GH, DHEA, progestágenos e 
outros tratamentos hormonais não se mostraram 
benéficos pois os riscos superam os benefícios. A 
exceção é a suplementação de testosterona em 
casos selecionados. 
Prevenção primária: avaliar os pacientes que 
possuem 1 ou 2 critérios: 
Mudança de estilo de vida (alimentação balanceada: 
redução na ingesta de carboidrato e aumento da 
ingesta de proteína e atividade física), suspensão do 
tabagismo, ingesta excessiva de álcool e substâncias 
psicoativas. Tratamento rigoroso de doenças 
crônicas. 
Prevenção secundária: além das orientações 
anteriores, prevenção de quedas, correção de perda 
de movimento com órteses (muleta, andador, 
bengala, etc.), suplementação alimentar, se indicado. 
Conclusão: identificar a população de idosos frágeis 
e auxiliar na escolha de procedimentos e 
tratamentos que serão ofertados aos pacientes, 
pesando sempre os riscos e benefícios.

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