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LARA FREGONASSE DOS SANTOS – XLV – TBL – 6ª FASE TBL – 3.1 Síndrome do idoso frágil A população brasileira está envelhecendo, e cada vez mais se fazem necessários cuidados e políticas públicas para manter a qualidade de vida dessas pessoas. Dados do IBGE, divulgados em julho de 2022, mostram que pessoas com mais de 60 anos, representam agora 14,7% – 31,2 milhões de pessoas. Todo profissional de saúde deve (re)conhecer a síndrome de fragilidade e suas consequências, para que seja possível agir precocemente, prevenindo-a antes que se instale ou intervindo antes que se agrave. “Prevalência e fatores associados à síndrome da fragilidade no idoso do Distrito Federal”, 2020, publicado por Pinheiro e col., cujo estudo foi direcionado à população assistida por uma unidade ambulatorial de atenção secundária em centro especializado de atendimento em geriatria e gerontologia do Distrito Federal. No presente estudo, 24% da amostra total foi considerada frágil, 32,9% pré frágil e 42,1% não frágil. Um exemplo bem interessante da importância do reconhecimento e intervenção precoces é o de um idoso frágil caminhando na calçada. Ele pode até caminhar bem, mas se pisar em um buraco, tem menos recursos para manter o equilíbrio – o reflexo estará mais lento, a força muscular da outra perna não é suficiente para mantê-lo em pé, a visão pode estar diminuída para desviar e assim por diante, o que aumenta muito a sua chance de cair. O idoso frágil tem maior frequência de quedas, internações, perdas funcionais, institucionalização e morte. Quando há infecções, por exemplo, a resposta imunológica é inadequada e a chance de desfecho fatal é maior. Para cirurgias e internações, o quadro segue parecido, com perda de reservas (imobilidade, doenças crônicas, solidão física e emocional, etc.) e, assim, uma elevada probabilidade de ocorrência de reações desfavoráveis. Em diferentes partes do mundo, a longevidade humana passou a alcançar médias elevadas (superiores a 75 anos) e o convívio com pessoas idosas em velhice avançada (≥ 85 anos) tornou-se mais frequente. Há muito tempo a medicina geriátrica preocupa-se em identificar, avaliar e tratar idosos em risco de envelhecer sem independência e com desfechos de saúde desfavoráveis (internação de longa permanência, dependência importante, óbito, etc.). Em gerontologia, o termo fragilidade é geralmente relacionado a fraqueza muscular, fragilidade óssea, índice de massa corporal muito baixo, vulnerabilidade ao trauma, ao risco de infecção, ao delirium (confusão mental aguda que acontece em função de problemas clínicos), instabilidade e/ou capacidade física significativamente diminuída. Embora importantes avanços tenham sido obtidos, o termo “fragilidade” ainda carece de um consenso fazendo com que seja frequentemente trocado como sinônimo de multimorbidade e incapacidade. HISTÓRICO Em 1990, Fretwell descreveu fragilidade como “uma vulnerabilidade inata aos desafios do ambiente”. A partir de estudos, foi possível observar que muitos idosos alcançavam a velhice avançada em boas condições de saúde e funcionalidade o que fez com que na década de noventa, o conceito “ser frágil” fosse gradativamente sendo substituído por “tornar- se frágil”, acreditando-se ser essa uma condição que, embora relacionada, é independente da presença de multimorbidade, incapacidade e vulnerabilidade física e social. Em 1992, uma conferência realizada para discutir a fisiologia da fragilidade concordou que controvérsias na definição de idoso frágil bem como a compreensão limitada de sua etiologia retardariam a adoção de estratégias preventivas além de apontar que a maior ameaça a uma expectativa de vida ativa seria o desenvolvimento de fragilidade. Um estudo publicado na J Adv Nurs 2003, compilou 42 artigos e classificou definições de idoso frágil em 18 grupos distintos. Em 1999, Rockwood descreveu uma ferramenta de rastreio: • Fadiga. • Resistência: (impossibilidade de subir um lance de escada). • Ambulation: (mobilidade) incapacidade de andar curtas distâncias. • Ilness: (doença) presença de cinco ou mais comorbidades. • Loss: (perda) mais de 5% do peso corporal em 1 ano, sem mev. Em 2000, Linda Fried e col. definiram o Fenótipo da Fragilidade, utilizado até o momento. Indica a diferença entre envelhecer mal (doente, dependente, etc.) e envelhecer bem (mais saudável, independente, etc). LARA FREGONASSE DOS SANTOS – XLV – TBL – 6ª FASE Fenótipo da Fragilidade é uma síndrome de declínio espiral de energia e está embasado em um tripé de alterações relacionadas com o envelhecimento. O Ciclo da Fragilidade (Fried e col) é um complexo ciclo vicioso em que a redução da massa e força muscular se associam à redução da atividade física e da ingesta alimentar que, por sua vez, precipitam a piora da massa e força muscular. Os idosos portadores desta tríade estariam propensos à redução acentuada da massa muscular e a um estado inflamatório crônico que, se associados a fatores extrínsecos como a incidência de doenças agudas ou crônicas, a imobilidade, a redução da ingestão alimentar e outros, levariam a um ciclo vicioso de redução de energia e aumento da dependência e susceptibilidade a agressores (disfunção imunológica). MANIFESTAÇÕES DO CICLO DA FRAGILIDADE Sarcopenia: redução da massa muscular (atrofia) relacionada ao envelhecimento, associada à redução da força e/ou função. Ocorre a substituição muscular por tecido adiposo e fibrótico. Disfunção neuroendócrina: redução de testosterona, estrogênio, hormônio luteinizante, DHEA, GHRH, GH e IGF1. Ativação do sistema nervoso simpático com aumento de glicocorticoides. Disfunção do sistema imunológico: elevação de fator de necrose tumoral, induzindo catabolismo. Redução de IL6 e IL10. CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS FENOTÍPICOS Perda de peso:≥ 5% em relação ao peso do ano anterior ou 4,5 kg referido pelo paciente. Necessita não estar em programa de perda de peso intencional. Sensação de exaustão (fadiga): autorreferido. “Eu sinto que faço minhas tarefas com muito esforço”. “Não consigo terminar minhas tarefas”. Baixa atividade física: para nossa realidade, perguntar para o paciente ou familiar o que fazia antes de atividades diárias, que não consegue agora. Redução da velocidade da marcha: de forma geral,** Quando comparadas às intervenções em unidades de clínica médica geral. ABORDAGEM TERAPÊUTICA Exercício físico resistido: tipo de exercício que aumenta a força dos músculos com o levantamento de pesos ou o uso de faixas elásticas e suplementação alimentar, são as melhores intervenções. LARA FREGONASSE DOS SANTOS – XLV – TBL – 6ª FASE Suplementação com GH, DHEA, progestágenos e outros tratamentos hormonais não se mostraram benéficos pois os riscos superam os benefícios. A exceção é a suplementação de testosterona em casos selecionados. Prevenção primária: avaliar os pacientes que possuem 1 ou 2 critérios: Mudança de estilo de vida (alimentação balanceada: redução na ingesta de carboidrato e aumento da ingesta de proteína e atividade física), suspensão do tabagismo, ingesta excessiva de álcool e substâncias psicoativas. Tratamento rigoroso de doenças crônicas. Prevenção secundária: além das orientações anteriores, prevenção de quedas, correção de perda de movimento com órteses (muleta, andador, bengala, etc.), suplementação alimentar, se indicado. Conclusão: identificar a população de idosos frágeis e auxiliar na escolha de procedimentos e tratamentos que serão ofertados aos pacientes, pesando sempre os riscos e benefícios.