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Laura Botelho – 2024.1 1 Clínica Médica II Professor(a): Priscilla Damião Artrite Reumatóide “Doença sistêmica crônica, que afeta principalmente a sinóvia, resultando em inflamação e proliferação sinoviais, destruição da cartilagem articular e erosão do osso justa articular cujas alterações predominantes ocorrem ao nível das estruturas articulares, periarticulares e tendinosas.” Basicamente, a doença tem um acometimento articular no qual você tem uma destruição daquela articulação. A doença tem uma prevalência em mulheres de meia idade – 40/50, mas quanto maior a idade, maior a chance de desenvolver. A AR tem uma composição genética sim, mas isso não é a predominância. “A doença autoimune não é pra quem quer, é pra quem pode”. Isso porque necessita de várias alterações associadas para o seu desenvolvimento. Suas causas não são completamente esclarecidas. A baixa de estrogênio é um fator. O cigarro, além de gatilho, é um fator ambiental de piora do prognóstico do paciente. Quadros infecciosos gengivais também são gatilhos. HLA-DR4 característico de doença mais agressiva. Tem que haver o estímulo/gatilho para que haja a doença. O paciente por si só já tem a alteração genética, só que não necessariamente terá a doença. É necessária a presença do gatilho para o seu desenvolvimento e a clínica. A- Sem autoimunidade B- 1. Autoimunidade sorológica B- 2. Doença clínica Em A, as pessoas podem ter vários gatilhos ao decorrer da vida, que não necessariamente vão ter doenças autoimune. Em B1, eles já tem a sorologia, já tem, produção do autoanticorpo, Laura Botelho – 2024.1 2 mas não tem sintomas. (Lembrar que o anti-ccp pode estar presente de 5 a 10 anos antes das manifestações clínicas dos pacientes). Tem os autoanticorpos, mas tem muito poucos gatilhos e não produzem a clínica da doença. Diferente dos pacientes B2, que tem produção imunológica, tem gatilhos ao decorrer da vida (lembrar do cigarro, vírus EB, periodontites, etc) e começam a manifestar a clínica da doença. Epítopo é uma sequência de aminoácidos e, decorrente a presença de gatilhos, vai ocorrer a ativação dessas enzimas PADI 2 e 4, no qual a arginina vira a citrulina, isso é chamado de citrulinação. Com isso, a célula que era normal, por ação dessas enzimas PADI 2 e 4 com gatilhos associados, que fazem com que a arginina vire a citrulina, fazem com que haja a formação de neoantígenos – isso porque a sequência de aminoácidos diferente forma com que se fosse uma célula nova. Fase pré-clínica/pré-artrítica: antes das manifestações clínicas da doença. Cigarro, periodontites, disbiose intestinal, alteração epigenética (alteração no alelo) e a suscetibilidade genética associadas fazem com que haja uma alteração na transcrição, formando uma proteína citrulinada. Com a produção dessa nova célula, dessa nova proteína, há uma perda da tolerância. Os nossos marcadores de doenças nas células dendríticas, linfócitos B, linfócitos T passam a não reconhecer mais aquela célula como dela. Com o processo de inflamatório e ativação de citocinas inflamatórias, há a liberação dos linfócitos Thelper, responsáveis por desacelerar a inflamação e inicia o processo de cicatrização. Mas, esses linfócitos não conseguem mais desacelerar a inflamação, perdendo a tolerância imunológica e levando a uma produção cada vez maior de anticorpos. A perda da tolerância leva a uma inflamação cada vez maior nessa articulação, não necessariamente só da articulação, pode ter inflamação em outros órgão como pulmão, olho. Isso leva a um dano, um prejuízo estrutural daquela articulação. O paciente quando chega com deformidade no ambulatório não consegue mais reverter aquela erosão, porque é uma lesão estrutural daquele osso, uma lesão óssea importante. Além disso, existem condições coexistentes associadas a essa inflamação, que é a doença vascular (a inflamação não é só da articulação, você tem o endotélio vascular associado, portando um risco cardiovascular muito maior, tanto ou igual a um paciente diabético), osteoporose e histórias de Laura Botelho – 2024.1 3 fraturas, síndromes metabólicas, alterações no estado socioeconômico (lembrar que os pacientes têm dores diárias, costumam demorar 4horas para levantarem da cama, não conseguem segurar xícaras, nem trabalhar). Esquematização de uma articulação normal // Articulação com artrite reumatóide Conseguimos ver uma hiperplasia sinovial por causa do processo inflamatório que estimula cada vez mais a inflamação. Há células inflamatórias, aumenta angiogênese, linfócitos B e T, células dendríticas (imunidade inata). Ativação de osteoclastos, fibroblastos, mostrando- nos que há um desajuste arquitetural e funcional da articulação. Manifestações Clínicas Principais sinais e sintomas sistêmicos: Febre; Perda de peso; Fadiga; Mal-estar; Mialgia; Perda de apetite. Dedos fusiformes – aumento de partes moles associadas, podemos ver a interfalagiana proximal bastante aumentada de volume. Já na fase avançada, você tem alterações estruturais, alteração na cartilagem, erosão importante, alteração no alinhamento. Insidiosa – devagar; Poliarticular – mais de 4 articulações; Simétrica – ambos os lados Cumulativo – cada dia uma articulação acometida Rigidez Matinal – mais de 30min Acometimento maior de pequenas articulações *acometimento interfalagiana proximal, a distal se dá quando a proximal está bem acometida. O paciente com artrite reumatóide não tem acometimento de coluna torácica nem lombar, o acometimento é cervical. O que acontece é que se pode ter doenças associadas. Laura Botelho – 2024.1 4 Dedo em pescoço de cisne – hiperextensão da proximal e hiperflexão da distal Dedo em botoeira– hiperflexão da proximal e uma hiperextensão da distal O desvio ulnar não foi mencionado no slide, mas também é característico. Todo mundo que tem artrite reumatóide vai ficar deformado? Não. Temos 3 tipos de história possíveis. Auto-limitada – tem um pico de crise e, após esse período, não tem mais nada; Minimamente progressiva – paciente tem pico durante a vida, não consegue mais voltar a linha de base, ou seja, não consegue fazer tudo o que fazia antigamente, mas ainda conserva uma qualidade de vida; Progressiva – picos durante a vida, com crises de dor, não consegue voltar a linha de base cotidiana, o paciente tem erosões, deformidades ao decorrer da vida. Dedos edemaciados evidenciados na seta branca. Na seta amarela, vemos uma erosão importante. Dizemos que a articulação está preservada quando se é possível passar a caneta no espaço articular, com a erosão não é mais possível delimitar aonde começa e termina uma articulação. Os ossos do carpo também perderam a delimitação. Processo estilóide destruído, marcante de erosão/destruição óssea. Com isso, o paciente não consegue realizar a extensão nem a flexão do punho. Imagem clássica de paciente com AR. No entanto, hoje em dia, é incomum vermos pacientes nesse estado, exceto pacientes muito antigos ou que não aderem ao tratamento. >> Subluxação do metacarpo, nódulos reumatóides, atrofia de inter. O paciente não consegue estender, ficando sempre fletido. Cisto de Baker não é patognomônico, mas é comum. O problema dos cistos é que, com o seu rompimento, há a síndrome pseudotromboflebite, em que o paciente sente dor na panturrilha, parecendo que está tendo trombose. Laura Botelho – 2024.1 5 Cisto de Baker rompido. A panturrilha fica com volume aumentado. Destruição óssea, com desalinhamentoda articulação, com luxações. É obrigatório o exame nos pés. Hiperflexões de proximal. Esse processo é irreversível, por isso é importante o diagnóstico cada vez mais precoce e o tratamento para frear a evolução da doença. O acometimento de articulações é a predominância, mas temos manifestações extra-articulares e, muitas vezes, os pacientes chegam no consultório com quadro de tosse, falta de ar, uveítes, derrame pleural, vasculites. A presença de nódulos reumatóides, principalmente em regiões de extensão da articulação, está associado a um prognóstico ruim. Mas esses nódulos podem aparecer em qualquer local do corpo, serem subcutâneos, aparecerem no coração, no olho, podendo desencadear arritmias. Síndrome de Sjogren – paciente descreve olho seco ou areia no olho; esclerite, episclerites- quadros severos de vermelhidão e podem levar a perda visual. Existem algumas drogas utilizadas na AR que podem levar a lesão do pulmão, como o Metotrexato. Infecções – esses pacientes são imunossuprimidos, tendo um risco de infecção secundária muito grande. Laura Botelho – 2024.1 6 Distúrbios de condução levando a arritimias, Lesão valvar por deposição dos nódulos valvares; Doença arterial coronariana por serem pacientes altamente inflamados. O paciente com AR morre mais de doença cardiovascular (IAM, AVC) e infecção. Moneurite múltipla – associada a deposição de imunocomplexo Síndrome de Felty- quadro mais grave, pacientes que tem a doença há muito tempo; O acometimento renal não é tão agressivo quanto o do lúpus. A amiloidose secundária é mais comum pela inflamação crônica. A UIP é a doença intersticial pulmonar mais comum na AR. Ela tem uma resposta ruim a corticóide, acometimento de região de base/periferia. É um quadro mais grave. Trabalhadores de carvão de minério, podem ter essa associação. Laura Botelho – 2024.1 7 Ceratoconjutivite seca – síndrome de sjogren; manifestação ocular mais comum. Quadro de vermelhidão, o paciente sente dor, mas tem resposta ao tratamento (?). Quando você tem uma doença com uma resposta boa ao tratamento, tem-se uma segurança maior. Quadro mais arroxeado, evidenciando que o paciente pode ficar até cego por inflamação Manifestações Hematológicas: Ocorre quando a doença já é de longa duração. Síndrome agressiva, com prognóstico ruim. >> Paciente com vasculite, levando a uma úlcera. >> Necrose de polpa digital. Muito raro. Leucocitose leve devido ao processo inflaatório; VHS/PCR – servem para acompanhar atividade de doença; FR – AC dirigido contra IgM/IgA (sensibilidade alta, especificade baixa) Laura Botelho – 2024.1 8 Quando o anti-ccp vem positivo, a chance do paciente realmente ter a doença é maior. >> Necessita do gatilho para, então, desenvolver a doença. >> Esse espaço tem que ser, normalmente, menor que 3- 4mm. Quadro muito grave. Quadro mais grave, com redução importante do espaço articular. Laura Botelho – 2024.1 9 Nem todo paciente com quadro reumatológico é AR. A maioria das artrites psoriáticas aparecem lesão de pele antes da manifestação articular, mas em alguns casos é ao contrário. Acomentimento maior de interfalangianas distais. Hep C – grande mimetizador de AR Não é mais usado >>>>>> Quando o paciente tem alteração radiográfica quer dizer que tem, pelo menos, 2 anos de doença. Então, o médico já perdeu a janela correta de tratamento, porque já se tem erosão. Não se entra com raio-X para diagnóstico. Se o paciente tiver 6 pontos de 10, classifica-se como AR. Laura Botelho – 2024.1 10 Laboratorial – anticorpos O paciente, no entanto, não deve ficar muito tempo parado. Orientação psicológica pois é uma doença que não tem cura, mas tem tratamento. A fisioterapia é para evitar a perda da amplitude do movimento. A principal droga é o metatrexato. Além do corticóide, que também entra como primeira linha para diminuir a inflamação. Mas, o corticóide tem um período, não sendo usado por toda a vida (efeitos colaterais: infecção, aumento de glicemia, osteoporose, HAS, catarata). Quando o paciente não tem resposta adequada ao DMARDs, você pode associar outra droga OU iniciar os biológicos (agem inibindo IL, TNF, etc). Hoje em dia, há drogas que agem intracelularmente, inibindo os receptores da Jak, diminuindo a cascata de ativação celular. Antes, o arsenal agia só nos marcadores, interleucinas inflamatórias, agora estamos agindo antes de produzi-los.