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FISIOLOGIA APLICADA NA 
PRESCRIÇÃO DO TREINAMENTO 
(VO2 MAX, MET, FCMAX E GASTO 
CALÓRICO POR TREINO) 
 
 
APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA 4 
Ementa 4 
Objetivo geral 4 
Objetivos específicos 4 
Organização do Caderno de Estudos 5 
 
1. CONCEITOS, METABOLISMO E TRANSFERÊNCIA DE 
ENERGIA 8 
Conceitos da fisiologia da atividade física 8 
Metabolismo e transferência de energia. 12 
ATP - A molécula de energia 13 
Via anaeróbia alática 13 
Via anaeróbia lática 14 
Via aeróbia 15 
Metabolismo dos lipídeos – β oxidação. 16 
Metabolismo de proteínas 16 
Cadeia transportadora de elétrons 16 
Potencias bioenergéticas 17 
Limiar anaeróbio 18 
 
2. CONSUMO DE OXIGÊNIO E RESPOSTAS AGUDAS E 
CRÔNICAS DO SISTEMA CARDIOVASCULAR EM DIFERENTES 
INTENSIDADES 23 
Consumo de oxigênio 23 
Respostas agudas e crônicas do sistema cardiovascular, 
neuromuscular em diferentes intensidades 25 
Adaptações do sistema cardiovascular 26 
Adaptações do sistema neuromuscular 28 
Manifestações da força 28 
Adaptações agudas 28 
 
 
Adaptações crônicas 29 
 
3. EXERCÍCIO EM DIFERENTES AMBIENTES 32 
Exercício e Altitude 32 
Adaptações resultantes da exposição à hipóxia 34 
Adaptações no sistema respiratório 34 
Adaptações cardiovasculares 35 
Adaptações Hematológicas 35 
Composição corporal 35 
Hipóxia e desempenho 36 
Viver alto e treinar alto 36 
Viver alto e treinar baixo 36 
Treinamento Hipóxico Intermitente 37 
Termorregulação e Exercício 37 
Hipertermia e hidratação 40 
Exercício no frio 41 
 
4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 45 
 
 
 4 
FISIOLOGIA APLICADA NA PRESCRIÇÃO DO TREINAMENTO (VO2 MAX, MET, FCMAX E GASTO 
CALÓRICO POR TREINO) 
APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA 
Ementa 
Conceitos da fisiologia da atividade física. Metabolismo energético e 
transferência de energia no exercício. Consumo de energia durante o repouso 
e no exercício físico. Adaptações cardiorrespiratórias e neuromusculares no 
exercício físico. Respostas agudas e crônicas do sistema cardiorrespiratório e 
neuromuscular ao exercício físico em diferentes intensidades. Resposta ao 
exercício em ambientes diversos. 
 
Objetivo geral 
Esse material, se dispõe a gerar conhecimento sobre os conceitos básicos 
da disciplina de Fisiologia do Exercício, por exemplo, Consumo máximo de 
oxigênio, limiar anaeróbio, transferência de energia e exercício em ambientes 
hostis. 
 
Objetivos específicos 
 Compreender os conceitos básicos relacionados a fisiologia do exercício. 
 Compreender as maneiras que ocorrem as transferências de energia. 
 Compreender a importância do limiar anaeróbio. as recomendações de 
atividade física para gestantes. 
 Compreender as adaptações agudas e crônicas dos sistemas 
cardiovascular e neuromuscular. 
 Por último, mas não menos importante, quais são as respostas do 
organismo ao realizar exercício físico em diferentes ambientes. 
 
Habilidades e competências 
Estimular a autonomia, a pró-atividade e o gerenciamento do tempo em 
relação aos estudos e formação profissional. 
Aplicar os conceitos apresentados no material em sua prática profissional. 
 
 5 
FISIOLOGIA APLICADA NA PRESCRIÇÃO DO TREINAMENTO (VO2 MAX, MET, FCMAX E GASTO 
CALÓRICO POR TREINO) 
 Desenvolver a boa comunicação técnica e científica. 
 
Organização do Caderno de Estudos 
Para facilitar o seu estudo, o material foi organizado em unidades, 
subdivididas em capítulos, de forma didática e objetiva. Além disso, este 
conteúdo foi baseado levando em consideração a aula presencial. A temática 
foi abordada por meio de textos básicos, com a inserção de ícones para 
estimular a reflexão, organizar as ideias e deixar a sua leitura mais agradável. 
Ao final, serão indicadas, também, as referências bibliográficas utilizadas 
neste material. Fique à vontade para utilizá-las como fonte de consulta para 
aprofundar seus estudos. 
A seguir, apresentamos a breve descrição dos ícones utilizados na 
organização deste Cadernos de Estudos. 
 
Atenção 
Chamadas inseridas no texto para 
direcionar o seu pensamento a pontos 
importantes. 
 
Provocação 
Questões que buscam instigar o 
estudante a refletir (a ter a sua opinião) 
sobre determinado assunto. 
 
Saiba Mais 
Links ou informações complementares 
para complementar ou elucidar o assunto 
abordado. 
 
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FISIOLOGIA APLICADA NA PRESCRIÇÃO DO TREINAMENTO (VO2 MAX, MET, FCMAX E GASTO 
CALÓRICO POR TREINO) 
 
Leitura 
Complementar 
Sugestões de leituras adicionais (artigos 
científicos), vídeos e sites confiáveis para 
aprofundamento do estudo. 
 
Sintetizando 
Texto que resume o conteúdo, facilitando 
a compreensão pelo aluno sobre trechos 
mais complexos. 
 
 
 
 
 
 
 
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FISIOLOGIA APLICADA NA PRESCRIÇÃO DO TREINAMENTO (VO2 MAX, MET, FCMAX E GASTO 
CALÓRICO POR TREINO) 
1. CONCEITOS, METABOLISMO E TRANSFERÊNCIA DE 
ENERGIA 
 
Na unidade I, discorreremos 
sobre conceitos que são peças chave 
para os profissionais da saúde e 
outros que porventura terão contato 
com o ambiente da atividade física e 
exercício físico. Geralmente esses 
temas são utilizados com fins 
comuns, no entanto, veremos que 
cada um possui a sua diferença. 
Seguindo nesta unidade, 
abordaremos o metabolismo 
energético bem como as suas 
particularidades. Como por 
exemplo, a ativação de determinado 
metabolismo em função da 
intensidade do exercício. O que é 
uma molécula de adenosina 
trifosfato (ATP) seu papel na 
homeostase e finalmente, mas não 
menos importante a produção de 
lactato em função da intensidade do 
exercício, o lactato é o “mocinho” ou 
o “vilão” dentro da célula muscular. 
 
Conceitos da fisiologia da 
atividade física 
Comumente, os termos, 
atividade física e exercício físico são 
usados como expressões 
equivalentes, no entanto, esses 
termos não são sinônimos. 
 
 
9 
FISIOLOGIA APLICADA NA PRESCRIÇÃO DO TREINAMENTO (VO2 MAX, MET, FCMAX E GASTO 
CALÓRICO POR TREINO) 
Atividade física é definida como 
qualquer movimento corporal 
produzido pela contração dos 
músculos esqueléticos e que resulta 
em um aumento substancial em 
relação ao dispêndio de energia em 
repouso, podendo ser classificada 
com relação aos seus domínios 
(lazer, trabalho, transporte e 
atividades domésticas) e 
intensidade (leve, moderada e 
vigorosa) (AMERICAN COLLEGE 
OF SPORTS MEDICINE, 2010; 
CASPERSEN; POWELL; 
CHRISTENSON, 1985). 
Exercício físico, é um tipo de 
atividade física que consiste em um 
movimento corporal planejado, 
estruturado e repetitivo que é 
realizado para aprimorar ou 
prescrever um ou mais 
componentes da aptidão física. 
Aptidão física é tipicamente definida 
como um conjunto de atributos ou 
característica se relacionam com a 
capacidade de realizar uma 
atividade física. De maneira geral, 
essas características são separadas 
em componentes relacionados à 
saúde ou relacionados às 
habilidades(AMERICAN COLLEGE 
OF SPORTS MEDICINE, 2010; 
CASPERSEN; POWELL; 
CHRISTENSON, 1985). 
Além dos conceitos 
supracitados, é importante definir a 
enorme gama de fatores dentro de 
uma prescrição. Como por exemplo, 
intensidades associadas as âncoras 
fisiológicas (limiares metabólicos e 
carga máxima). A intensidade do 
exercício pode ser quantificada por 
meio percentual do consumo 
máximo de oxigênio (%VO2max), 
reserva do consumo de oxigênio 
(VO2R), reserva da frequência 
cardíaca (FC_R), frequência 
cardíaca máxima (FCmáx), 
equivalentes metabólicos (MET), 
percentual da carga máxima 
associada ao consumo máximo de 
oxigênio (iVO2max) e limiares 
metabólicos (limiar anaeróbio e 
limiar de compensação respiratória) 
(AMERICAN COLLEGE OF 
SPORTS MEDICINE, 2010; 
BINDER et al., 2008). 
Programas de exercício 
estruturados são mais eficazes dos 
que os não estruturados, tanto para 
indivíduos sem nenhum 
acometimento da saúde, como 
indivíduos portadores de doenças 
cardiovasculares. A prescrição 
correta é fundamental, seja elarealizada em qualquer uns dos 
parâmetros supracitados (BINDER 
et al., 2008). Para a determinação 
das intensidades, basicamente são 
utilizados dois tipos de métodos, os 
 
 
10 
FISIOLOGIA APLICADA NA PRESCRIÇÃO DO TREINAMENTO (VO2 MAX, MET, FCMAX E GASTO 
CALÓRICO POR TREINO) 
diretos (invasivos ou pouco 
invasivos) e os indiretos (não 
invasivos). 
Que por sua vez, são obtidos por 
meio de um teste incremental, ou 
teste ergométrico ou teste de esforço 
cardiopulmonar ou teste de esteira, 
todos significam que foi realizado 
um exercício físico (corrida, 
ciclismo, natação, musculação, tênis 
de mesa e etc) que em função do 
tempo a intensidade aumentou até 
que o participante interrompa a sua 
prática por não conseguir mais 
desenvolver a prática. Dessa forma 
as intensidades podem ser divididas 
em atividades de intensidade 
“LEVE”, intensidade “MODERADA” 
e intensidade “VIGOROSA”, essas 
classificações podem ser alteradas 
de acordo com diferentes autores 
(AMERICAN COLLEGE OF 
SPORTS MEDICINE, 2010; 
BENTLEY; NEWELL; BISHOP, 
2007; BINDER et al., 2008; 
SEILER; KJERLAND, 2006; 
SVEDAHL; MACINTOSH, 2003). 
Uma maneira mais fácil de 
quantificar e descrever o gasto 
energético da atividade física é por 
meio dos equivalentes metabólicos 
(MET), que é definido como 
múltiplo da taxa metabólica basal, 
equivale à energia suficiente para 
um indivíduo se manter em repouso, 
representado na literatura pelo 
consumo de oxigênio (VO2) de 
aproximadamente 3,5 ml/kg/min 
(AMERICAN COLLEGE OF 
SPORTS MEDICINE, 2010; 
COELHO-RAVAGNANI et al., 
2013). Outra aplicação muito 
interessante desse conceito é a sua 
relação com a intensidade, por 
exemplo, um trote leve a uma 
velocidade de 8km.h-1 corresponde a 
um gasto de 8 METs, uma corrida a 
11 km.h-1 corresponde a um gasto de 
11 METs (AMERICAN COLLEGE 
OF SPORTS MEDICINE, 2010). 
Conhecido como índice de 
potência aeróbia, o consumo 
máximo de oxigênio (VO2max) é 
definido como quantidade máxima 
de oxigênio que o organismo é capaz 
de captar (respiração), transportar 
(sistema cardiovascular) e 
metabolizar (sistema muscular) o 
oxigênio na biossíntese oxidativa de 
ATP (GOBBI; VILLAR; ZAGO, 
2005). O VO2max pode ser expresso 
de duas formas, em valores 
absolutos, litros x minuto (L.min-1) 
ou em valores relativos ao peso 
corporal do indivíduo, mililitros x 
quilo de peso corporal x minutos 
(ml.kg.min-1). 
O limiar anaeróbio (LAn) é 
caracterizado quando existe um 
equilíbrio dinâmico máximo entre 
 
 
11 
FISIOLOGIA APLICADA NA PRESCRIÇÃO DO TREINAMENTO (VO2 MAX, MET, FCMAX E GASTO 
CALÓRICO POR TREINO) 
produção e remoção do lactato, e é 
um índice fisiológico que representa 
excelente aplicação como meio de 
determinação da intensidade de 
treinamento. Também é conhecido 
como índice de capacidade aeróbia, 
é utilizado em indivíduos, atletas, 
não atletas, saudáveis e não 
saudáveis (AZEVEDO et al., 2009). 
Sua determinação pode ser realizada 
por inúmeras ferramentas, mas o 
padrão ouro é por meio da 
quantificação das concentrações de 
lactato no sangue (mais será 
abordado no capítulo seguinte). 
A frequência cardíaca é a 
quantidade de vezes que o coração 
bate por minuto, a FC é um dos 
componentes do consumo de 
oxigênio, logo, ela possui uma 
relação semelhante a do VO2 frente 
ao exercício físico, além de ser um 
índice com maior facilidade em sua 
aplicação no quadro 1 estão 
descritas as relações entre 
intensidades e os percentuais do 
consumo de oxigênio de reserva e 
frequência cardíaca máxima e de 
reserva (AMERICAN COLLEGE OF 
SPORTS MEDICINE, 2010). 
 
Quadro 1. Classificação da intensidade da atividade 
física. 
 Intensidade Relativa 
Intensidade VO2R (%) FCreserva(%) FCmáxima(%) 
Muito Leveadenina, ribose e três 
fosfatos. O ATP pode ser produzido 
a partir de adenosina difosfato 
(ADP), fosfato inorgânico (Pi) e um 
íon hidrogênio (H +). A energia 
necessária para ligar o ADP ao Pi 
pode ser obtida em com ou sem a 
presença de oxigênio (KRAEMER; 
FLECK; DESCHENES, 2012). 
 
Via anaeróbia alática 
A nomenclatura da via 
energética já fornece informações 
sobre como ela funciona. Dessa 
maneira, essa via não necessita de 
oxigênio (anaeróbia) em seus 
processos e não tem como produto a 
 
 
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FISIOLOGIA APLICADA NA PRESCRIÇÃO DO TREINAMENTO (VO2 MAX, MET, FCMAX E GASTO 
CALÓRICO POR TREINO) 
formação do lactato. O seu 
funcionamento depende das 
concentrações de creatina fosfato 
(PCR), que é finito na célula 
muscular. Sua ativação é imediata, 
em atividades que necessitam de 
altas quantidades de 
disponibilidade de energia, mas isso 
ocorre por poucos segundos. Em 
uma situação que o exercício deve 
continuar por mais tempo que (até 
30 segundos) outras vias energéticas 
serão ativadas (KRAEMER; FLECK; 
DESCHENES, 2012; MAUGHAN; 
GLEESON; GREENHAFF, 2000). 
O fornecimento de energia 
depende de uma única reação 
química. O ATP que foi hidrolisado 
na célula em ADP e pi, será 
ressintetizado a partir da hidrólise 
da CPR em creatina e pi, por meio da 
ação da enzima creatina quinase. O 
pi liberado dessa reação será ligado 
novamente na molécula de ADP 
para a formação de uma nova 
molécula de ATP. 
 
Via anaeróbia lática 
A via anaeróbia lática, também 
é conhecida como glicólise, tem 
como característica, ao final, a 
conversão da molécula de piruvato 
para lactato que por sua vez vai para 
a corrente sanguínea. Sem a 
utilização de oxigênio em seus 
processos químicos e a glicólise 
ocorre no citoplasma celular. É 
composta por mais reações, 
aproximadamente onze, que tem 
como objetivo clivar uma molécula 
de glicose em duas de piruvato para 
a formação de ATP. O piruvato por 
sua vez possui três possíveis 
destinos: a fermentação para a 
transformação em álcool, a 
conversão em lactato ou a conversão 
para Acetil Coenzima A (Acetil CoA), 
que segue no metabolismo aeróbio. 
Brevemente, no citoplasma são 
encontradas as moléculas de 
nicotinamida-adenina-
dinucleotídeo (NAD) e a flavina-
adenina-dinucleotídeo (FAD) que 
são extremamente importantes, pois 
tem a função de “aceitar” os íons de 
Hidrogênio (H+) esses íons são 
responsáveis por acidificar o meio 
celular. Ainda, durante a glicólise o 
saldo é de 2 moléculas de ATP 
(MAUGHAN; GLEESON; 
GREENHAFF, 2000). 
A glicólise pode ser 
didaticamente dividida em duas 
partes, a primeira é chamada de 
etapa de investimento, nessa etapa 
que é constituída de 4 reações, 
ocorre o gasto de duas moléculas de 
ATP, na conversão de glicose para 
glicose-6-fosfato e na conversão de 
 
 
15 
FISIOLOGIA APLICADA NA PRESCRIÇÃO DO TREINAMENTO (VO2 MAX, MET, FCMAX E GASTO 
CALÓRICO POR TREINO) 
frutose-6-fosfato para frutose-1,6-
difosfato. Após essa última reação 
citada, a molécula de glicose que 
vinha sendo clivada deixa de ser 
uma hexose (6 carbonos) para duas 
moléculas, cada uma com 3 
carbonos (triose) isso duplica a 
capacidade de funcionamento de 
todo o processo. Então se inicia a 
segunda etapa, a etapa de 
pagamento. 
Nessa etapa, as moléculas de 
NAD vão aceitar os H+ que foram 
produzidos até o final do processo, 
essa aceitação dos H+ formam o 
complexo NADH e é fundamental 
para a manutenção do pH celular. 
Ainda, são formadas mais 4 
moléculas de ATP, 2 de cada lado da 
cadeia de reações. Já na última 
reação, é formada a molécula de 
piruvato, que por meio da ação da 
enzima lactato desidrogenase (LDH) 
pode aceitar o H+ das moléculas de 
NADH e formar o LACTATO 
(AZEVEDO et al., 2009; 
MAUGHAN; GLEESON; 
GREENHAFF, 2000). Assim, 
voltamos a indagação no início da 
Unidade, essa é para vocês 
pensarem, o lactato é o vilão ou o 
mocinho dos mecanismos 
energéticos celulares? O lactato, é 
então eliminado para a corrente 
sanguínea onde será tamponado ate 
a formação de uma molécula de 
dióxido de carbono, essa molécula é 
chamada de CO2 metabólico. 
Via aeróbia 
A via aeróbia utiliza o oxigênio 
para a formação de energia, que 
pode ser produzida a partir da 
glicose, dos lipídeos (gorduras) e os 
aminoácidos (proteínas). Todos os 
substratos passam por uma etapa 
denominada de Ciclo de Krebs, ou 
ciclo do ácido tricarboxilico. 
Ao final da glicólise, a outra 
opção do piruvato é seguir na cadeia 
de reações, com a coenzima A (CoA) 
e a partir daí ser convertido em uma 
molécula de Acetil CoA. Nessa 
reação, ocorre a produção de 1 
molécula de NADH e uma de CO2 
que é denominado de CO2 
respiratório. Para que o processo 
continue, a molécula de Acetil CoA 
que agora é permeável a membrana 
mitocondrial, deve entrar na 
mitocôndria e reagir no ciclo de 
Krebs, que é um conjunto de reações 
que tem como objetivo degradar o 
substrato Acetil Coa em CO2 e 
átomos de H+ que serão então 
oxidados na cadeia transportadora 
de elétrons permitindo a 
fosforilação oxidativa com 
consequente ressíntese de ADP para 
ATP (MAUGHAN; GLEESON; 
GREENHAFF, 2000). 
 
 
 
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FISIOLOGIA APLICADA NA PRESCRIÇÃO DO TREINAMENTO (VO2 MAX, MET, FCMAX E GASTO 
CALÓRICO POR TREINO) 
 
 
Metabolismo dos lipídeos – β 
oxidação. 
Os lipídeos, que no sague estão 
presentes como ácidos graxos livres, 
tem a mesma constituição da 
molécula de carboidrato, mas com 
tamanhos diferentes. Para que 
ocorra o fornecimento de energia, 
também devem passar por alguns 
processos. 
O ácido graxo é então 
combinado com a CoA para formar o 
acil-CoA-graxo, a seguir, o carbono 
beta (segundo carbono a partir da 
direita) do acil-CoA-graxo se liga a 
uma molécula de oxigênio no 
processo chamado de β oxidação. A 
seguir, a porção de dois carbonos de 
molécula à direita é quebrada, para 
liberar acetil-CoA, ao mesmo tempo 
em que outra molécula de coenzima 
A liga-se à extremidade da porção 
remanescente da molécula de ácido 
graxo, formando nova molécula de 
acil-CoA-graxo. 
A cada vez que esse processo 
ocorre, a molécula de ácido graxo 
fica com dois carbonos a menos 
(MAUGHAN; GLEESON; 
GREENHAFF, 2000). 
 
 
Metabolismo de proteínas 
Os aminoácidos, sendo 20 tipos 
ao todo, possuem distintas vias de 
metabolização até chegarem ao 
Ciclo de Krebs e podem entrar como 
Acetil CoA ou, então, como um de 
seus produtos intermediários. Por 
essa razão, veremos que não é 
possível quantificar a quantidade de 
energia formada na sua degradação. 
 
Cadeia transportadora de 
elétrons 
A última etapa do metabolismo 
aeróbio é denominada de cadeia 
transportadora de elétrons (CTE), 
essa cadeia tem papel fundamental 
no controle dos íons H+, que são 
levados até a CTE acoplados nas 
moléculas NADH e FADH 
produzidas na etapa da glicólise e no 
ciclo de Krebs. 
O NADH formará 3 ATPs e o 
FADH formará 2 ATPs. A grande 
maioria das moléculas de ATP que 
são formadas no metabolismo 
aeróbio são provenientes desta 
próxima etapa. Então o oxigênio 
entra em ação, ele é necessário para 
impedir que os H+ se acumulem na 
mitocôndria, e a ligação entre eles 
formará moléculas de água. 
 
 
17 
FISIOLOGIA APLICADA NA PRESCRIÇÃO DO TREINAMENTO (VO2 MAX, MET, FCMAX E GASTO 
CALÓRICO POR TREINO) 
Para que ela ocorra, os H+ que 
vinham ligados ao NAD ou ao FAD 
deixam seus elétrons que passam 
por essa cadeia e são bombeados 
para o espaço entre as membranas, 
criando um gradiente de H+. Esse 
gradiente é que faz com que o 
complexo ATP sintase produza ATP 
a partir de ADP e Pi. O oxigênio de 
nossa respiração entra nessa reação 
para tamponar os íons H+ e formar 
moléculas de água, o que evita 
quedas no pH intracelular 
(MAUGHAN; GLEESON; 
GREENHAFF, 2000). 
Então, de maneira resumida, 
vimos que uma molécula de PCRconsegue ressintetizar uma 
molécula de ATP. A glicose 
metabolizada anaerobiamente 
consegue produzir um saldo de 2 
ATPs, enquanto metabolizada 2 
aerobiamente ela pode produzir um 
saldo de 36 ATPs. O metabolismo 
aeróbio é muito eficiente neste 
sentido, pois moléculas de ácidos 
graxos podem levar à produção de 
mais de 100 moléculas de ATP. 
 
Potencias bioenergéticas 
A partir de agora, não 
trataremos mais as vias metabólicas 
como vias energéticas, e, sim, como 
potências bioenergéticas, pois a 
implicação delas para o exercício 
está na velocidade com que 
fornecem energia para o exercício. 
Potência anaeróbia alática: 
É a mais rápida das três, pois 
depende, apenas, da quebra de PCR. 
É típica de exercícios de altíssima 
intensidade e curtíssima duração 
(10 a 15s). Em termos de atividades, 
poderíamos citar uma corrida de 
100m rasos. Seu estoque é finito, 
dependente das concentrações de 
PCR. 
Potência anaeróbia lática: 
em termos de intensidade e duração, 
é intermediária, pois a via glicolítica 
depende de 11 reações químicas até 
a formação do lactato. Pode-se dizer 
que é utilizada, com maior ênfase, 
em atividades de alta intensidade e 
curta duração (30-90s), como uma 
prova de 400m. A produção de 
lactato, é um importante marcador 
da intensidade do exercício. 
Potência aeróbia: esta é a 
mais lenta de todas, por depender, 
também, do Ciclo de Krebs e da 
cadeia transportadora de elétrons, e, 
por isso, a intensidade é baixa. 
Entretanto, como seus produtos são 
moléculas de água e CO2, a duração 
é elevada, podendo chegar a horas. 
Típica de provas de longa distância. 
 
 
18 
FISIOLOGIA APLICADA NA PRESCRIÇÃO DO TREINAMENTO (VO2 MAX, MET, FCMAX E GASTO 
CALÓRICO POR TREINO) 
 
A partir das análises das potencias bioenergéticas, será que existe 
um algum esforço físico puramente anaeróbio, ou seja, sem a 
participação aeróbia? 
 
Para aprofundar os estudos, sugiro fortemente a leitura do 
seguinte artigo científico? 
AZEVEDO, P. H. S. M. et al. Limiar Anaeróbio e Bioenergética: 
uma abordagem didática e integrada. Revista da Educação 
Física/UEM, v. 20, n. 3, p. 453–464, 2009. 
Além do artigo, também sugiro assistir os seguintes vídeos sobre 
metabolismo: 
https://www.youtube.com/playlist?list=PL8PSXQjPRXi0lfgV9J
EwS7JMmmtczP8DU 
Limiar anaeróbio 
O Limiar anaeróbio é uma das 
variáveis mais estudadas pelos 
pesquisadores das ciências do 
esporte. É um importante marcador 
de intensidade que é utilizado como 
âncora para a prescrição do 
treinamento físico, em corrida, 
ciclismo, natação, tênis de mesa, 
artes marciais e musculação em 
diversas faixas etárias e diversas 
populações. O aparecimento do 
lactato na corrente sanguínea se dá 
por meio do aceite de íons H+ pelo 
piruvato na tentativa de postergar a 
fadiga por uma possível acidificação 
do citoplasma celular. Esse acúmulo 
marca um aumento da ativação da 
via glicolítica por meio do aumento 
da demanda metabólica (AZEVEDO 
et al., 2009; SVEDAHL; 
MACINTOSH, 2003). Na figura 1, 
está descrita a resposta das 
concentrações de lactato em um 
teste incremental. 
 
 
 
 
 
 
https://www.youtube.com/playlist?list=PL8PSXQjPRXi0lfgV9JEwS7JMmmtczP8DU
https://www.youtube.com/playlist?list=PL8PSXQjPRXi0lfgV9JEwS7JMmmtczP8DU
 
 
19 
FISIOLOGIA APLICADA NA PRESCRIÇÃO DO TREINAMENTO (VO2 MAX, MET, FCMAX E GASTO 
CALÓRICO POR TREINO) 
 
Figura 1. Valores hipotéticos das concentrações de lactato frente a 
um teste incremental. [Lac], concentrações sanguíneas de lactato. 
O Limiar anaeróbio pode ser 
definido de várias formas; 
 É o momento, em relação à 
intensidade do esforço físico ou 
consumo de oxigênio, em que a 
produção de ATP é suplementada 
pela glicólise anaeróbia, com 
formação de ácido lático. 
 É a mais alta intensidade do 
esforço físico mantida plenamente 
pelas vias aeróbias. 
 É caracterizado quando 
existe um equilíbrio dinâmico 
máximo entre a produção e 
reconversão do ácido lático. 
Existem diversas formas e 
equipamento para a sua 
determinação. O padrão ouro é 
através das concentrações 
sanguíneas de lactato. Dentre os 
diversos testes, o conhecido como 
padrão ouro é a Máxima fase estável 
de lactato (MFEL). A MFEL, 
definida como a maior concentração 
de lactato que pode ser alcançada 
para a manutenção de um estado de 
equilíbrio em um exercício 
submáximo com carga de trabalho 
constante. Assim, a carga de 
trabalho correspondente à MFEL 
representa a maior intensidade 
submáxima que pode ser realizada 
sem a contribuição do metabolismo 
anaeróbio (AZEVEDO et al., 2009; 
SVEDAHL; MACINTOSH, 2003). 
Embora esse método seja o 
padrão ouro, apresenta grandes 
desvantagens, como a necessidade 
de vários dias para a realização do 
protocolo inteiro. Na figura 2, está 
 
 
20 
FISIOLOGIA APLICADA NA PRESCRIÇÃO DO TREINAMENTO (VO2 MAX, MET, FCMAX E GASTO 
CALÓRICO POR TREINO) 
representada um exemplo de teste 
de MFEL. 
O limiar anaeróbio ocorre 
aproximadamente entre 50% até 
60% do consumo máximo de 
oxigênio em indivíduos não 
treinados e em aproximadamente 
em 65% a 80% em indivíduos 
treinados aerobiamente, o que 
permite a esses indivíduos realizar 
esforços em intensidades mais altas 
sem o acúmulo de lactato. 
 
Figura 2. Valores hipotéticos de um teste de Máxima fase estável 
de Lactato. É definida como velocidade da MFEL, a máxima 
intensidade que as concentrações de lactato variem menos que 1 
mmol, em nosso caso, a MFEL foi em 11km.h. 
 
Como citado anteriormente, o limiar anaeróbio 
pode ser determinado por diversas maneiras, 
pesquise sobre elas e escolha uma direta (invasiva) e 
uma indireta (não invasiva) e discorra sobre 
vantagens e desvantagens. 
 
 
21 
FISIOLOGIA APLICADA NA PRESCRIÇÃO DO TREINAMENTO (VO2 MAX, MET, FCMAX E GASTO 
CALÓRICO POR TREINO) 
 
Para aprofundar os estudos, sugiro fortemente a 
leitura dos seguintes artigos científicos? 
AZEVEDO, P. H. S. M. et al. Limiar Anaeróbio e 
Bioenergética: uma abordagem didática e integrada. 
Revista da Educação Física/UEM, v. 20, n. 3, p. 
453–464, 2009. 
BENTLEY, D. J.; NEWELL, J.; BISHOP, D. 
Incremental Exercise Test Design and Analysis. 
Sports Medicine, v. 37, n. 7, p. 575–586, 2007. 
SVEDAHL, K.; MACINTOSH, B. R. Anaerobic 
threshold: the concept and methods of measurement. 
Canadian journal of applied physiology = Revue 
canadienne de physiologie appliquee, v. 28, n. 2, p. 
299–323, 2003. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 23 
FISIOLOGIA APLICADA NA PRESCRIÇÃO DO TREINAMENTO (VO2 MAX, MET, FCMAX E GASTO 
CALÓRICO POR TREINO) 
2. CONSUMO DE OXIGÊNIO E RESPOSTAS AGUDAS E 
CRÔNICAS DO SISTEMA CARDIOVASCULAR EM 
DIFERENTES INTENSIDADES 
Na unidade II, discorreremos 
sobre o significado do consumo 
máximo de oxigênio, a sua 
importância frente aos aspectos 
relacionados a saúde do ser 
humano. Além disso, discorreremos 
sobre as respostas agudas e crônicas 
que a prática de exercício físico pode 
causar no organismo. 
 
 
Consumo de oxigênio 
Como já citado na unidade 
anterior, o consumo de oxigênio 
(VO2) é a capacidade de captar, 
transportar e metabolizar o oxigênio 
para a biossíntese oxidativa de ATP. 
Quando o indivíduo se encontra em 
exercício máximo, o VO2 passa a ser 
máximo também, dessa forma é 
possível obter um índice de pleno 
funcionamento dos sistemas 
respiratório, cardiovascular e 
muscular frente a uma elevada 
 
 24 
FISIOLOGIA APLICADA NA PRESCRIÇÃO DO TREINAMENTO (VO2 MAX, MET, FCMAX E GASTO 
CALÓRICO POR TREINO) 
demanda energética. A relação do 
VO2 com o aumento da intensidade 
é praticamente linear, ou seja, 
aumentam na mesma proporção 
FIGURA 3. Essa análise é muito 
importante para a prescrição de 
programas de treinamento, 
principalmente para 
emagrecimento. 
Em repouso, na média 
populacional os valores de VO2 são 
de aproximadamente 0,3 litros porminutos, e atingindo valores 
máximos de até 6 litros por minuto 
(AMERICAN COLLEGE OF 
SPORTS MEDICINE, 2010; GOBBI; 
VILLAR; ZAGO, 2005; KRAEMER; 
FLECK; DESCHENES, 2012). 
Para a sua obtenção, são 
utilizadas métodos diretos e 
indiretos, os quais se considera 
direta, a utilização de um analisador 
de gases, o que permite avaliar a 
aptidão cardiorrespiratória com 
maior fidedignidade, no entanto, o 
custo elevado do equipamento e a 
necessidade de pessoal 
especializado fazem com que o 
método seja pouco utilizado na 
rotina prática. Já o método indireto 
faz o uso de equações preditivas e 
medem algum parâmetro 
relacionado ao desempenho 
cardiorrespiratório máximo 
(frequência cardíaca, intensidade da 
carga máxima suportada, entre 
outros). Dessa forma, ambos os 
métodos (equações preditivas e o 
método direto de análise de gases) 
podem apresentar vantagens e 
desvantagens (BERTUCCI et al., 
2016). 
A medida do VO2máx é 
fundamental, tanto para as ciências 
do esporte como para a saúde de 
forma geral, por englobar em um 
único índice, as respostas dos 
sistemas cardiorrespiratório e 
muscular. Assim, ele possui relação 
direta com a saúde do indivíduo, 
onde quanto mais elevado forem os 
valores de VO2max, teoricamente 
melhor é o nível de aptidão aeróbia, 
e o contrário é verdadeiro. Outro 
ponto fundamental, existem 
diferenças nos valores de VO2max 
quando comparados, homens e 
mulheres, jovens, adolescentes e 
idosos, treinados e não treinados e 
portadores de doenças crônicas não 
transmissíveis contra seus pares 
hígidos no quadro 3 estão descritos 
os valores normativos para homens 
(GOBBI; VILLAR; ZAGO, 2005). 
 
 
 25 
FISIOLOGIA APLICADA NA PRESCRIÇÃO DO TREINAMENTO (VO2 MAX, MET, FCMAX E GASTO 
CALÓRICO POR TREINO) 
Quadro 3. Valores para classificação cardiorrespiratória em 
homens, de acordo com o American College os Sports Medicine. 
Idade 
Classificação 
Muito 
Fraca 
Fraca Regular Boa Excelente 
20-29O sistema neuromuscular é 
constituído do tecido muscular 
esquelético e das suas conexões com 
o sistema nervoso, que são 
conhecidas como placas motoras. As 
adaptações no sistema 
neuromuscular também dependem 
da intensidade utilizada nos 
exercícios. A avaliação das 
adaptações do sistema 
neuromuscular em sua maioria, é 
realizada por meio dos exercícios de 
musculação, a partir da análise das 
diferentes formas de manifestação 
da capacidade física força. O 
aumento ou manutenção da força 
muscular é fundamental para o 
desempenho em diversas tarefas e 
atividades de vida diárias. 
 
Manifestações da força 
A capacidade física força, pode 
ser manifestada em função do 
percentual do teste de carga 
máxima, ou 1 repetição máxima 
(1RM), para o treinamento de força 
máxima é preconizado 1 a 3 
repetições entre 95 e 100% de 1RM 
(treinamento da via ATP-CP), para o 
treinamento preconizado como 
hipertrofia 8 – 12 repetições entre 
70 e 85% de 1RM (treinamento das 
vias ATP-CP e glicolítico), 
treinamento de potência, 12 – 15 
repetições entre 50 e 65% de 1RM e 
por fim, treinamento de resistência 
muscular localizada acima de 20 
repetições entre 30 e 45% de 1RM 
(treinamento da via aeróbia) 
(KRAEMER et al., 2002). 
 
Adaptações agudas 
Como adaptações agudas, em 
um teste incremental na musculação 
ocorre aumento discreto da FC, 
aumento discreto no DC, 
manutenção ou elevação da 
resistência vascular periférica, 
aumento acentuado da PAS, 
aumento discreto da PAD e aumento 
acentuado na PAM. 
 
 
 
 29 
FISIOLOGIA APLICADA NA PRESCRIÇÃO DO TREINAMENTO (VO2 MAX, MET, FCMAX E GASTO 
CALÓRICO POR TREINO) 
Adaptações crônicas 
O aumento da força muscular 
de maneira crônica, mas em um 
período mais curto de até oito 
semanas, é atribuído 
principalmente as adaptações 
neurais, as adaptações hipertróficas 
aumentam gradativamente à 
medida que o treinamento progride. 
Embora o mecanismo em indivíduos 
treinados e não treinados seja o 
mesmo para o aumento da força, a 
chance de aumento é muito maior 
nos não treinados em relação aos 
treinados. 
Nos atletas ou indivíduos já 
treinados em musculação, o 
aumento da força muscular é 
resultante de ambiente hormonal 
anabólico ao invés do aumento das 
adaptações neurais. Dentre as 
adaptações neurais, destacam-se um 
aumento na coordenação 
intramuscular (número de unidades 
motoras recrutadas, aumento do 
tamanho dessas unidades, 
frequência de impulsos para uma 
mesma carga e inibição do órgão 
tendinoso de golgi) e coordenação 
intermuscular. Já, mais a longo 
prazo se destacam as adaptações 
morfológicas ou ainda chamadas de 
fatores musculares, como a 
hipertrofia e hiperplasia (GOBBI; 
VILLAR; ZAGO, 2005; KENNEY; 
WILMORE; COSTILL, 1999; 
KRAEMER et al., 2002; KRAEMER; 
FLECK; DESCHENES, 2012). 
Importância do TR para a vida. 
A prática de musculação em 
idosos parece ser benéfica para o 
aumento do desenvolvimento 
muscular, potência, densidade 
mineral óssea além de benefícios 
cardiovasculares e função cognitiva. 
O aumento da força muscular como 
da hipertrofia pode atenuar o 
desenvolvimento da sarcopenia. 
 
Como que a prática em musculação pode auxiliar em 
aspectos cognitivos em idosos? 
Sobre as adaptações cardiovasculares, quais fatores 
que influenciam no consumo máximo de oxigênio? E 
por que podemos observar nos testes, valores 
considerados consumo PICO de oxigênio e consumo 
MÁXIMO de oxigênio? 
 
 30 
FISIOLOGIA APLICADA NA PRESCRIÇÃO DO TREINAMENTO (VO2 MAX, MET, FCMAX E GASTO 
CALÓRICO POR TREINO) 
 
Para aprofundar os estudos, sugiro fortemente a 
leitura dos seguintes artigos científicos? 
BENTLEY, D. J.; NEWELL, J.; BISHOP, D. 
Incremental Exercise Test Design and Analysis. 
Sports Medicine, v. 37, n. 7, p. 575–586, 2007. 
SMIRMAUL, B. P. C.; BERTUCCI, D. R.; TEIXEIRA, 
I. P. Is the VO2max that we measure maximal? 
Frontiers in Physiology, v. 4, p. 203, 5 ago. 2013. 
 
 
 
 
 
 32 
FISIOLOGIA APLICADA NA PRESCRIÇÃO DO TREINAMENTO (VO2 MAX, MET, FCMAX E GASTO 
CALÓRICO POR TREINO) 
3. EXERCÍCIO EM DIFERENTES AMBIENTES 
Na unidade III, discorreremos 
sobre como o organismo humano 
consegue se adaptar as mais 
adversas condições ambientais a que 
é exposto no planeta. Então, esta 
unidade discorrerá dos desafios 
enfrentados as baixas pressões de 
oxigênio encontradas na altitude, 
mas também abordaremos um 
possível efeito potencializador da 
exposição à hipóxia para o 
desempenho ao nível do mar. 
Abordaremos também, como é que 
ocorre a termorregulação em 
ambientes quentes e ambientes 
frios, pois, nesses casos, a 
termorregulação é fundamental 
para o correto funcionamento do 
organismo. 
Exercício e Altitude 
A fisiologia da altitude, tem 
como objeto de estudo descrever e 
interpretar as respostas fisiológicas, 
agudas e crônicas do organismo em 
exposição a ambientes de 
moderada (1400 a 3000 
metros) ou elevada altitude 
(3000 a 8850 metros).A 
primeira vez que a altitude chamou 
a atenção do mundo esportivo, foi na 
década de 1960, nos jogos Olímpicos 
na cidade do México, que fica em 
uma altitude de 2.300 metros. Nesse 
momento, diversos recordes foram 
quebrados enquanto outros não 
foram 
 
 33 
FISIOLOGIA APLICADA NA PRESCRIÇÃO DO TREINAMENTO (VO2 MAX, MET, FCMAX E GASTO 
CALÓRICO POR TREINO) 
alterados. De maneira 
intrigante para a época, as provas 
mais longas do atletismo 
apresentaram pioras significativas 
em relação aos jogos anteriores 
(KENNEY; WILMORE; COSTILL, 
1999; KRAEMER; FLECK; 
DESCHENES, 2012). 
O principal problema 
enfrentado pelo organismo na 
altitude, é a diminuição da pressão 
barométrica à medida que a altitude 
aumenta. O ar atmosférico é 
constituído da somatória de 
diversos gases (oxigênio, dióxido de 
carbono e nitrogênio), assim, com o 
aumento da altitude a pressão do 
oxigênio (denominada de pressão 
parcial de oxigênio) a pO2 diminui o 
que resulta no quadro de hipóxia 
(MAGALHÃES et al., 2002). 
A pO2 diminuída, vai interferir 
diretamente em todo o caminho que 
o oxigênio faz no organismo, 
principalmente nas trocas gasosas. 
Nesse contexto, um ponto deve ficar 
claro, não é falta de O2 que gera o 
problema, os percentuais de cada 
gás se mantêm a mesma oxigênio 
(20,93%), bem como outros gases 
(CO2, 0,03% e nitrogênio, 79,04%), 
o que muda é a quantidade de 
pressão exercida sobre as moléculas 
de cada gás (KRAEMER; FLECK; 
DESCHENES, 2012; MAGALHÃES 
et al., 2002). Além disso, em 
situações de hipóxia hipobárica 
(expedições a montanhas), o 
organismo enfrenta outros desafios 
em função das condições inóspitas. 
Pessoas que não são 
aclimatadas, devem tomar muito 
cuidado com subidas muito rápidas 
a altitudes superiores a 2500/3000 
metros, pois, isso pode gerar quadro 
patológico denominado de mal 
agudo da montanha (MAM), com 
sintomas como cefaleias, anorexia, 
tonturas, náuseas, fraqueza, 
vómitos, distúrbios no sono. O 
surgimento desses sintomas está 
associado a uma subida rápida, que 
pode se agravar nas primeiras 24 
horas, com regressão dos sintomas 
entre 2 e 4 dias. Caso, esses sintomas 
persistam após esse período, e o 
indivíduo não realizar a decida da 
altitude, poderá induzir 
complicações mais graves, 
nomeadamente edema pulmonar e 
cerebral de elevada altitude 
(MAGALHÃES et al., 2002). 
Embora, a exposição crônica 
possa gerar adaptações (aumento da 
quantidade de células vermelhas), 
em altitudes superiores a 
aproximadamente 5500 metros, a 
permanência e/ou o desempenho 
serão severamente afetados, além da 
ocorrência de deterioração tecidual 
 
 34 
FISIOLOGIA APLICADA NA PRESCRIÇÃO DO TREINAMENTO (VO2 MAX, MET, FCMAX E GASTO 
CALÓRICO POR TREINO) 
e orgânica à eficácia dos 
mecanismos de adaptação a longo 
prazo(KRAEMER; FLECK; 
DESCHENES, 2012). 
 
Adaptações resultantesda 
exposição à hipóxia 
As adaptações ocorrem 
justamente na tentativa de a 
minimizar o efeito deletério da 
diminuição pO2 ambiental e seus 
efeitos nos diferentes tecidos. 
Adaptações nos sistemas 
respiratório e circulatório, na 
regulação hormonal e hídrica, nos 
componentes hematológicos e na 
morfologia e metabolismo 
musculares, entre outras, parecem 
contrariar os efeitos fisiológicos da 
rarefação de moléculas de oxigénio 
para os tecidos (MAGALHÃES et al., 
2002). 
 
Adaptações no sistema 
respiratório 
De maneira aguda, a resposta 
mais observada, em uma exposição 
aguda e em situação de repouso é o 
aumento acentuado da ventilação 
minuto (quantidade de ar 
mobilizado por minuto), isso se dá 
por meio do aumento do volume 
corrente e da frequência 
respiratória. Estruturas chamadas 
de quimiorreceptores periféricos são 
capazes de detectar as alterações nas 
concentrações de oxigênio no 
sangue, dessa forma, esse aumento 
acontece na tentativa de corrigir o 
conteúdo de oxigênio nos alvéolos 
pulmonares (MAGALHÃES et al., 
2002). 
Ainda, pelo aumento da 
ventilação minuto, ocorre o 
desenvolvimento de uma alcalose 
respiratória (excesso de dióxido de 
carbono eliminado da expiração) e 
isso causa um aumento do pH 
sanguíneo e desvio da curva da 
oxihemoglobina para a esquerda. 
Contudo, se a alcalose respiratória 
se pode traduzir em benefício, na 
medida em que aumenta a fixação 
do oxigénio à hemoglobina a nível 
pulmonar uma alcalose acentuada e 
prolongada não é compatível com as 
funções biológicas normais, 
perturbando a funcionalidade e a 
estrutura de numerosas proteínas 
celulares vitais. Por isso, com o 
decorrer dos dias de permanência 
em altitude e de aclimatação, o 
incremento da excreção renal de 
bicarbonato e da concentração de 
2,3 difosfoglicerato nos glóbulos 
vermelhos tendem, ainda que não 
completamente, a restabelecer o pH 
para valores mais próximos dos 
observados em indivíduos ao nível 
 
 35 
FISIOLOGIA APLICADA NA PRESCRIÇÃO DO TREINAMENTO (VO2 MAX, MET, FCMAX E GASTO 
CALÓRICO POR TREINO) 
do mar e a deslocar, ainda que não 
completamente, a curva de 
dissociação para a direita 
novamente (KRAEMER; FLECK; 
DESCHENES, 2012; MAGALHÃES 
et al., 2002). 
 
Adaptações cardiovasculares 
Relativamente às adaptações 
cardiovasculares, a exposição aguda 
à hipóxia hipobárica, desencadeia 
um aumento da atividade do sistema 
nervoso autónomo simpático, que 
promove o incremento da 
frequência cardíaca e do débito 
cardíaco em repouso e em exercício 
submáximos e alterações do fluxo 
sanguíneo por vasoconstrição 
seletiva. 
A exposição prolongada a 
elevadas altitudes parece, no 
entanto, promover uma diminuição 
significativa do volume plasmático 
e, conjugadamente com a redução 
da frequência cardíaca máxima, 
implicar a diminuição do débito 
cardíaco máximo devido ao elevado 
índice de perda de água por sudação 
e pela ventilação, aumento da 
diurese, incremento da 
permeabilidade capilar e 
inadequada ingestão de fluidos. 
 
Adaptações Hematológicas 
A diminuição do conteúdo 
arterial de oxigénio, característica 
da exposição a ambientes de 
hipóxia, estimula a produção e 
secreção de um hormônio chamado 
eritropoietina (EPO), que é 
produzido em sua maioria nos rins. 
Que por sua vez vai agir diretamente 
na medula óssea e aumentar a 
produção de eritrócitos e 
consequentemente aumento nas 
concentrações de hemoglobina, 
valores de hematócrito e por fim, a 
massa total de hemoglobina, essa 
última utilizada pelas agências de 
controle anti-doping internacionais 
para rastrear os atletas durante o 
ano (LOBIGS et al., 2018; 
MAGALHÃES et al., 2002). 
 
Composição corporal 
Sobre a massa corporal, Em 
uma recente meta-análise, os 
mecanismos por trás da diminuição 
são atribuídos ao aumento do gasto 
energético de repouso, o que 
gera aumento na taxa metabólica 
basal, além disso nessas situações é 
corriqueiro observar a ingestão 
inadequada de nutrientes, perda de 
líquidos e má absorção 
gastrointestinal (DÜNNWALD et 
al., 2019). 
 
 36 
FISIOLOGIA APLICADA NA PRESCRIÇÃO DO TREINAMENTO (VO2 MAX, MET, FCMAX E GASTO 
CALÓRICO POR TREINO) 
Hipóxia e desempenho 
O principal objetivo do 
treinamento associado a hipóxia é 
induzir adaptações fisiológicas que 
promovam melhora do 
desempenho, as quais não seriam 
mais pronunciadas que no modelo 
de treinamento realizado ao nível do 
mar (MILLET et al., 2010). A 
situação de hipóxia melhora fatores 
periféricos e centrais, dentre os 
fatores centrais, parece aumentar as 
quantidades de eritropoietina 
(EPO), do hematócrito (Htc) e as 
concentrações de hemoglobina 
([Hb]) (VOGT et al., 2001), 
melhorando a capacidade do sangue 
transportar oxigênio. Além disso, 
ocorrem adaptações a níveis 
moleculares, por meio a 
estabilização do fator indutível de 
hipóxia (HIF-1α) são desencadeadas 
respostas para aumentar a 
densidade capilar no músculo e a 
quantidade de transportadores de 
glicose (GLUT-1 e GLUT-4) 
(HOPPELER; KLOSSNER; VOGT, 
2008; HOPPELER; VOGT, 2001). 
Estas adaptações centrais e 
periféricas observadas com o 
treinamento em hipóxia, têm sido 
relacionadas com o aumento do 
consumo pico de oxigênio 
(V̇O2pico)(VOGT et al., 2001). 
Existem diversas estratégias de 
exposição à hipóxia. 
Viver alto e treinar alto 
O treinamento clássico de 
hipóxia (i.e. treinar e descansar na 
altitude), as baixas concentrações de 
oxigênio promovem um estresse 
fisiológico superior em comparação 
a situação de normóxia 
(RICHALET; GORE, 2008), 
diminuindo a carga absoluta de 
exercício nesse modelo de 
treinamento. Em conjunto, estas 
limitações sugerem que os efeitos da 
hipóxia sobre os ajustes sanguíneos 
e celulares sejam dependentes do 
tempo e/ou do modo de exposição a 
as baixas frações de oxigênio. 
 
Viver alto e treinar baixo 
Na década dos anos 1990, 
Levine & Stray-Gundersen 
(LEVINE; STRAY-GUNDERSEN, 
1997) introduziram o modelo de 
treinamento conhecido como “viver 
alto e treinar baixo” (VATB). Neste 
modelo as sessões de treinamento 
são realizadas em baixas altitudes e 
os participantes são expostos a 
hipóxia durante os períodos de 
recuperação ou sono (LEVINE; 
STRAY-GUNDERSEN, 1997; 
RICHALET; GORE, 2008; SAUGY 
et al., 2014). Assim, a carga de 
treinamento é mantida e a exposição 
a hipóxia pode ser realizada por 
 
 37 
FISIOLOGIA APLICADA NA PRESCRIÇÃO DO TREINAMENTO (VO2 MAX, MET, FCMAX E GASTO 
CALÓRICO POR TREINO) 
meio de tendas que simulam esta 
condição, diminuindo os custos 
envolvidos com o deslocamento 
para grandes altitudes. 
 
Treinamento Hipóxico 
Intermitente 
Nesse método os atletas 
treinam ou são expostos a hipóxia 
situações normobárica simulada ou 
menos frequentemente em um 
ambiente de alta altitude natural sob 
condições hipobárica, enquanto 
vivem sob condições normóxia. 
Comparado a outros métodos 
conhecidos de treinamento em 
altitude, o EIH apresenta algumas 
vantagens essenciais que podem ser 
utilizadas como um componente 
integral do treinamento atlético 
moderno, visando o desempenho 
máximo (CZUBA et al., 2017; 
KATAYAMA et al., 2004). 
Entre eles, os mais evidentes 
são: 1) O EIH evita que os atletas 
sofram distúrbios do sono e 
desidratação, que são sintomas 
típicos observados durante uma 
estadia prolongada em altitude 
quando outros modelos de 
treinamento em altitude são 
aplicados; 2) recuperação após as 
sessões de treinamento em EIH sob 
condições de normóxia, que 
impedem os atletas de efeitos 
deletérios da hipóxia prolongada e 
diminuem o tempo de recuperação 
pós-treinamento, e 3) o tempo gasto 
além do treinamento em condições 
de hipóxia pode ser usado para a 
atividade normal de treinamento 
(CZUBA et al., 2017). 
 
Termorregulação e Exercício 
O controle da temperatura 
corporal central(Tc) é crítico, pois 
as estruturas celulares e as vias 
metabólicas são altamente 
influenciadas pela temperatura as 
quais alteram o desempenho físico e 
em condições extremas podem levar 
o indivíduo a morte. A esse controle 
é dado o nome de termorregulação. 
Os receptores que identificam as 
aumentos ou diminuições na 
temperatura estão localizados na 
periferia e no hipotálamo. Os 
receptores periféricos estão 
localizados na sob a pele e na 
cavidade abdominal, os receptores 
centrais, além do hipotálamo estão 
localizados no tronco cerebral e 
medula espinhal (KRAEMER; 
FLECK; DESCHENES, 2012). 
No exercício no calor, o desafio 
é manter a termorregulação 
funcionando para que ocorra a 
dissipação correta de calor. A 
 
 38 
FISIOLOGIA APLICADA NA PRESCRIÇÃO DO TREINAMENTO (VO2 MAX, MET, FCMAX E GASTO 
CALÓRICO POR TREINO) 
inabilidade de dissipar o excesso de 
calor pelos diversos mecanismo 
pode criar problemas para a 
manutenção da temperatura interna 
(37 =/- 0,2 °C). Em condições 
ambientais de elevada humidade e 
calor a temperatura interna pode 
aumentar rapidamente para 41°C o 
que resulta em graves lesões. Dessa 
maneira, é fundamental entender 
como a fisiologia se comporta em 
ambientes com essas características 
para prevenir essas lesões que 
podem ser fatais (GOBBI; VILLAR; 
ZAGO, 2005; KRAEMER; FLECK; 
DESCHENES, 2012; MAUGHAN; 
GLEESON; GREENHAFF, 2000). 
O controle da temperatura é 
realizado pelo hipotálamo que tem a 
função de integrar todos os sinais 
recebidos da periferia e do próprio 
sistema nervoso central e elaborar 
as repostas mais apropriadas, dessa 
maneira, ele funciona como um 
termostato corporal na figura 4. 
 
 
 39 
FISIOLOGIA APLICADA NA PRESCRIÇÃO DO TREINAMENTO (VO2 MAX, MET, FCMAX E GASTO 
CALÓRICO POR TREINO) 
 
Figura 4. Esquema da termorregulação em ambientes quentes e 
frios, TMB: taxa metabólica basal, ↓, diminuição e ↑, aumento. 
A dissipação de calor no corpo 
ocorre por meio de quatro 
mecanismos, que atuam na direção 
de resfriar o organismo mais 
rapidamente para manter a 
temperatura central em valores 
apropriados. São eles, 1-) convecção, 
2-) condução, 3-) radiação e 4-) 
evaporação (KENNEY; WILMORE; 
COSTILL, 1999). 
 Convecção; transferência 
de calor condutiva do corpo para as 
moléculas de ar ou água ao redor da 
superfície corporal (ex: permanecer 
em frente a um ventilador ligado; as 
moléculas aquecidas se afastam do 
corpo. No repouso esta perda é de 
cerca de 10%. 
 Condução; transferência de 
calor do corpo para objetos mais 
 
 40 
FISIOLOGIA APLICADA NA PRESCRIÇÃO DO TREINAMENTO (VO2 MAX, MET, FCMAX E GASTO 
CALÓRICO POR TREINO) 
frios em contato direto (ex: contato 
do corpo para a cadeira). Esta perda, 
no repouso, é muito baixa, cerca de 
5%. 
 Radiação; transferência de 
calor na forma de raios 
infravermelhos (sem a necessidade 
de contato entre as superfícies, ex: 
do sol para a terra ou do corpo para 
o ar atmosférico). Sempre vai da 
região mais quente para a mais fria. 
Esta transferência de calor do corpo 
para o ambiente, no repouso, é cerca 
de 60%. 
 Evaporação; Transferência 
de calor do corpo para a água sobre 
a superfície cutânea provocando a 
sua transformação em gás (vapor de 
água) - (ex: evaporação do suor). 
Cerca de 25% no repouso. A perda 
calórica pela evaporação do suor 
depende de 3 fatores: a) umidade 
relativa do ar; b) correntes 
convectivas; c) superfície cutânea 
exposta à evaporação. 
 
Hipertermia e hidratação 
O quadro de hipertermia ocorre 
quando o indivíduo não consegue 
mais manter os mecanismos de 
termorregulação. A hipertermia, 
está intimamente relacionada a 
desidratação, que vai causar uma 
sobrecarga cardiovascular, funções 
metabólicas e do sistema nervoso 
central alteradas e maior percepção 
de esforço. Dessa forma a hidratação 
em eventos esportivos realizados no 
calor é imprescindível. 
Antes da realização do exercício 
o indivíduo tem que assegurar que já 
está hidratado, de acordo com as 
recomendações, em dias muito 
quentes, deve ser ingerido 500mL 
de liquido antes do exercício, 
aproximadamente 150 – 200mL 
durante e também garantir a 
reposição do conteúdo que foi 
pedido no exercício, algo em torno 
de 150% do volume perdido em até 6 
horas (SAWKA et al., 2007). Por 
exemplo, um homem, 70kg, correu 
uma maratona e ao final da 
maratona está pesando 69kg, essa 
diferença é resultado da diminuição 
de água no corpo, então, em até 6 
horas ele deve repor 150% do 
volume perdido, ou seja, 1,5L. 
Existem estratégias que vão 
auxiliar em um melhor desempenho 
físico em ambientes quentes. A 
aclimatação, em que o indivíduo é 
exposto ao ambiente afim de ele se 
acostumar e deslocar para a direita o 
início dos processos de 
termorregulação. Dentre as 
principais adaptações que ocorrem 
com a aclimatação, podemos 
destacar, expansão do volume 
 
 41 
FISIOLOGIA APLICADA NA PRESCRIÇÃO DO TREINAMENTO (VO2 MAX, MET, FCMAX E GASTO 
CALÓRICO POR TREINO) 
plasmático, maior eficiência 
cardiovascular, eficiência das 
glândulas sudoríparas, aumento na 
reabsorção de sódio e cloreto no 
processo de suor e aumento na 
atividade das proteínas de choque ao 
calor que tem como função manter a 
estrutura celular nessas situações 
adversas. Essas adaptações ocorrem 
com maior efeito, com a aclimatação 
de 7 dias. 
Por meio da administração de 
medicamentos, principalmente os 
anti-piréticos na tentativa de gerar 
um retardo no aumento da 
temperatura central. O por último 
uma estratégia chamada de 
“precooling” ou pré-resfriamento. O 
pré-resfriamento é realizado pela 
imersão em banhos gelados ou pela 
administração de equipamentos 
(colares)também gelados que tem 
essa mesma função. Essa estratégia 
é eficiente em exercícios de longa 
duração e em testes incrementais de 
avaliação, mas não tem efeito em 
sprints (TYLER; SUNDERLAND, 
2011). 
 
Exercício no frio 
De maneira contrária, o desafio 
do exercício no frio é exatamente o 
oposto, ao invés da termorregulação 
atuar na dissipação de calor, agora, 
o organismo atua na tentativa de 
conseguir manter e até elevar a 
temperatura corporal e assim evitar 
a hipotermia. Outro ponto 
fundamental é que o corpo humano 
é muito mais eficiente em produzir 
calor do que dissipar calor. 
Então, o hipotálamo reconhece 
por meio dos sinais enviados a 
diminuição da temperatura. Como 
resposta efetora, na figura 4 ocorre a 
vasoconstrição dos vasos 
sanguíneos, os músculos são 
ativados, produzindo tremores, 
dessa forma aumentam a atividade 
metabólica e produzem mais calor. 
Isso tudo resulta no aumento da 
temperatura corporal. Como 
estratégias para a realização do 
exercício no frio, é preconizado o uso 
de roupas adequadas. No entanto, 
paradoxalmente, em função do calor 
metabólico produzido pelo exercício 
roupas com muitas camadas podem 
gerar quadros sintomáticos de calor 
excessivo (KENNEY; WILMORE; 
COSTILL, 1999; KRAEMER; 
FLECK; DESCHENES, 2012; 
TYLER; SUNDERLAND, 2011). 
A hipotermia pode ser dividida 
em três estágios durante os quais os 
sistemas fisiológicos do corpo são 
desafiados a manter a temperatura 
central normal. No primeiro estágio, 
ocorre a queda na temperatura 
 
 42 
FISIOLOGIA APLICADA NA PRESCRIÇÃO DO TREINAMENTO (VO2 MAX, MET, FCMAX E GASTO 
CALÓRICO POR TREINO) 
corporal entre 1 a 2 ° C abaixo a 
temperatura normal. Nesse 
momento, funções corporais já são 
afetadas, incluindo a perda da 
capacidade para executar tarefas 
motoras complexas e tornar a 
respiração rápido e raso. 
O estágio 2 é quando a 
temperatura corporal cai 2 a 4 ° C 
abaixo da temperatura normal, a 
função neuromuscular é afetada 
devido à desaceleração das 
velocidades de condução nervosa e 
restrições de fluxo sanguíneo. O 
estágio 3 é quando a temperatura do 
corpo cai abaixode 32 ° C e os 
sistemas fisiológicos começam a 
desligar, como função metabólica e 
do sistema nervoso, anomalias 
cardíacas ocorrem (por exemplo, 
taquicardia), órgãos falham e, 
eventualmente, o cérebro morre 
(KRAEMER; FLECK; DESCHENES, 
2012). Longas exposições ao frio, 
podem impactar na produção de 
força em ações musculares 
concêntricas, mas em função do 
aumento do enrijecimento 
muscular, a produção de força 
excêntrica aumenta em ambientes 
frios. A piora na atividade 
concêntrica, se deve principalmente 
condução do impulso nervoso no 
moto neurônio que é diminuída 
nessas condições e dessa forma 
diminuindo o processo de somação 
de impulsos nervosos. 
Ao contrário da função 
muscular, o consumo submáximo e 
máximo de oxigênio não são 
afetados pela exposição aguda ao 
frio, a menos que a temperatura do 
corpo diminua, indicando um sinal 
precoce de hipotermia. 
Curiosamente, não foram 
documentados efeitos nocivos no 
tecido pulmonar em exercício em 
temperaturas tão baixas quanto -
35°C (KRAEMER; FLECK; 
DESCHENES, 2012). Assim, é 
possível concluir que o perfeito 
controle da Tc, mesmo em condições 
térmicas adversas, permite o 
adequado funcionamento dos 
sistemas fisiológicos, o bem estar do 
indivíduo e a manutenção da 
capacidade da realização de 
exercícios físicos. 
 
Você é técnico de um time de futebol, e dentro do 
calendário de jogos, tem um jogo na cidade de La Paz na 
Bolívia, que fica em uma altitude de 3700 metros. Assim, 
qual a sua decisão? Chegar imediatamente antes do jogo, ou 
aclimatar os atletas? 
 
 43 
FISIOLOGIA APLICADA NA PRESCRIÇÃO DO TREINAMENTO (VO2 MAX, MET, FCMAX E GASTO 
CALÓRICO POR TREINO) 
 
Para aprofundar os estudos, sugiro fortemente a leitura 
dos seguintes artigos científicos? 
MAGALHÃES, J. et al. O desafio da altitude. Uma 
perspectiva fisiológica. Revista Portuguesa de Ciências 
do Desporto, v. 2002, n. 4, p. 81–91, 2002. 
 
 
 
 
 
 45 
FISIOLOGIA APLICADA NA PRESCRIÇÃO DO TREINAMENTO (VO2 MAX, MET, FCMAX E GASTO 
CALÓRICO POR TREINO) 
4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
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