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RESUMO PSICOLOGIA DO TRABALHO I CAP 15: CAMPO PROFISSIONAL DO PSICÓLOGO EM ORGANIZAÇÕES E NO TRABALHO ○ Produtos e serviços essenciais para nossa vida dependem também de empresas privadas ou mistas, como organizações agrícolas; supermercados; empresas fornecedoras de energia elétrica, água, telefone etc. ○ Organizações estas reguladas pelo Ministério do Trabalho, Saúde, Educação, Transporte etc. ○ Algumas das organizações são atravessadas por grupos sociais, como por exemplo: religião. ○ As organizações são o modo como as pessoas e os grupos se estruturam para atender às suas próprias necessidades. ○ O funcionamento das organizações depende do trabalho humano, bem como o humano tem sido cada vez mais dependentes de organizações. ○ É a partir do trabalho e da forma como o organizamos que conseguimos atender às nossas necessidades e às demandas sociais. O trabalho possibilita, também, que cada indivíduo assuma um papel e uma identidade dentro de um grupo maior. ○ Tarefa do psicólogo: explorar, analisar, compreender como interagem as múltiplas dimensões que caracterizam a vida das pessoas, dos grupos e das organizações, intervir sobre esses fenômenos e processos relativos ao mundo do trabalho e das organizações. (bem-estar do trabalhador). POT: Psicologia Organizacional e do Trabalho ○ Subárea da Psicologia. ○ As origens da POT podem ser ligada à criação do laboratório para o estudo da fadiga, em 1899, por Luigi Patrizi. E também a Mosso, na Itália, nos anos de 1990. ○ No entanto, seu marco mais reconhecido está no trabalho que Münsterberg publicou em 1913, intitulado Psychology and Industrial E iciency. A este nome estão relacionadas as preocupações centrais de Münsterberg: o melhor homem possível para o trabalho (tratando da seleção de trabalhadores); o melhor trabalho possível (discutindo os fatores que afetam a eficiência do trabalhador); e o melhor efeito possível (analisando as técnicas de venda, publicidade e marketing). ○ Também relaciona-se a necessidade de que os trabalhadores atuem em cargos que se ajustem às suas habilidades emocionais e mentais, para que haja eficiência no trabalho, produtividade da empresa e satisfação do trabalhador. ○ Outro nome de destaque na POT é Frederick Winslow Taylor que desenvolveu a administração científica, com o objetivo de estabelecer princípios para orientar as práticas organizacionais e aumentar a produtividade. ○ Quatro princípios de gestão norteiam a proposta taylorista: cada trabalho deve ser analisado e descrito detalhadamente, para que o modo otimizado de executar as tarefas possa ser especificado; os trabalhadores devem ser contratados de acordo com as características relacionadas ao desempenho do trabalho, e cabe aos gerentes avaliar os funcionários para identificar quais características pessoais são importantes; os trabalhadores devem ser treinados para executar suas tarefas; os trabalhadores devem ser recompensados por sua produtividade, para incentivar melhor desempenho. ○ Estudo de tempos e movimentos: Estudo realizado por Taylor para maximizar a eficiência do desempenho no trabalho. ○ Segunda Revolução Industrial: desenvolvimento da indústria petroquímica, das máquinas de automação, novos meios de transporte, novas técnicas e meios de comunicação. ○ Contribuindo também para o período inicial da POT está Elton Mayo: Conhecido pelo estudo em Hawthorne que revelou a importância de considerar os fatores sociais implicados em uma situação de trabalho. Período inicial da construção da POT (Até 1945) ○ Características importantes: Processo de industrialização, avanço das ciências naturais e biológicas, que reestruturaram crenças sobre a natureza humana, pressão por reformas sociais e a luta contra a exploração do trabalho, Primeira Grande Guerra, que incrementa a indústria bélica, demandando solução de problemas decorrentes da sobrecarga de trabalho; a grande depressão na década de 1930; e a eclosão da Segunda Grande Guerra. Segundo período da POT: Expansão e consolidação pós-guerra (1945-1960) ○ Características importantes: ações de treina mento, especialmente voltadas para os gestores e trabalho de mudança organizacional, os modelos de grupos de trabalhos semiautônomos e o conceito de sistema sociotécnico. ○ Acontecimentos do período: Reconstrução da economia, das cidades e da vida social. Emerge um mundo bipolar, dividido entre duas superpotências. Nos Estados Unidos e na Europa, a POT consolida-se com o aparecimento de entidades específicas. Os problemas tratados pelos psicólogos se ampliam: A Psicologia industrial é substituída pela psicologia organizacional. (1950) Destaque da pirâmide de Maslow. Terceiro período da POT: Novas direções e reorientação (A partir de 1970) ○ Acontecimentos do período: Guerra fria faz explodir conflitos em várias partes do mundo, sinais de transição para uma sociedade pós- industrial, com o crescimento do setor de serviços e o aparecimento de organizações sem fins lucrativos, crise de energia, competição com os avanços tecnológicos e a busca de lucros ○ No campo da psicologia, cresceram as críticas ao modelo psicométrico de avaliação psicológica. A POT se amplia, buscando entender e lidar com questões que extrapolam o nível individual de análise. Os modelos de gestão passaram a incorporar, a noção de envolvimento e compromisso; Quarto período da POT: mudanças contemporâneas. (1990-2010) ○ Características importantes: Processo de globalização, mudanças na demografia da força de trabalho, crescendo a dependência de empregos temporários e de tempo parcial. Avanços da tecnologia impacta os processos de trabalho que tornaram-se mais acelerados, implicando novos formatos organizacionais e novos modelos de gestão. ○ Acontecimentos do período: Domínio do neoliberalismo e desmonte do Estado de Bem- estar social, extinção da URSS, reunificação da Alemanha e queda dos governos comunistas nos países da Europa Oriental, crise nos países capitalistas centrais, incluindo os Estados Unidos. ○ A Psicologia Organizacional e do Trabalho (POT) tem ampliado seu escopo de atuação, aprofundando fenômenos já presentes em contextos anteriores, como estresse, assédio moral e a busca por equilíbrio entre vida profissional e familiar. Essas questões estão sendo correlacionadas a mudanças no contexto internacional, levando à demanda por ambientes de trabalho mais éticos e justos, com foco no desenvolvimento dos trabalhadores. ○ Além dos temas tradicionais, como estilos de liderança e hierarquias organizacionais, a POT agora abrange novos conceitos, como gestão do conhecimento, capital intelectual e ética empresarial. Isso reflete uma mudança qualitativa no papel do psicólogo organizacional, que passou a lidar com desafios mais complexos, como o estresse ocupacional. ○ O desenvolvimento histórico da POT mostra que ela evoluiu em resposta a fatores sociais, econômicos, políticos e tecnológicos do século XX. No século XXI, os desafios são ainda maiores, e a área continua a adaptar-se, criando novas técnicas e conceitos para enfrentar essas demandas emergentes. A POT NO BRASIL ○ A história da Psicologia Organizacional e do Trabalho (POT) no Brasil está ligada à transformação da economia no final do século XIX, quando o país começou a transitar de uma economia baseada na escravidão para um modelo de trabalho livre. ○ O desenvolvimento da POT no Brasil é dividido em três fases. Na primeira fase, a psicotécnica foi introduzida por Léon Walther, alinhada ao taylorismo. Henri Piéron também contribuiu, promovendo o uso de testes psicológicos. Em 1925, Ulysses Pernambuco fundou o Instituto de Psicologia de Pernambuco, precursor de várias pesquisas aplicadas. ○ O segundo período da Psicologia Organizacional no Brasil surge com a intensificação da industrialização, especialmente na Era Vargas,e acompanha a criação da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), que resultou da luta operária por melhores condições de trabalho. Nesse período, a gestão de recursos humanos expandiu suas funções, indo além de recrutamento e seleção, para incluir treinamento, desenvolvimento e avaliação de desempenho. ○ O psicólogo organizacional, ainda com forte influência da psicologia industrial, enfrentou críticas por ser visto como pouco comprometido com questões sociais. Esse cenário gerou um movimento crítico, levando ao terceiro estágio de desenvolvimento da área, em que a organização do trabalho passou a ser analisada não só em termos de desempenho, mas também pelos impactos na saúde dos trabalhadores. CAMPO CIENTÍFICO ○ A Psicologia Organizacional e do Trabalho (POT) se caracteriza como um campo disciplinar específico por vários fatores. ○ A POT é definida por um conjunto de atividades profissionais historicamente delimitadas, e a formação para atuação nessa área exige o desenvolvimento de competências específicas. A identidade da POT vem sendo continuamente redefinida, considerando as mudanças contemporâneas em suas práticas e conhecimentos. PSICOLOGIA ORGANIZACIONAL E DO TRABALHO E SEUS CAMPOS INTRADISCIPLINARES A Psicologia Organizacional e do Trabalho (POT) se estrutura em três vertentes interdependentes. ○ A primeira, Psicologia do Trabalho, foca nas relações entre comportamento humano e trabalho, analisando os impactos psicossociais da organização do trabalho, qualidade de vida e saúde dos trabalhadores, além de temas como desemprego e preparação para o mercado de trabalho. ○ A segunda vertente, Psicologia Organizacional, explora as interações entre comportamento no trabalho e organização, visando compreender e gerir processos psicossociais que coordenam as ações para alcançar metas organizacionais. Essas vertentes são essenciais para estudar os fenômenos relacionados ao trabalho e suas implicações. ○ O terceiro campo da Psicologia Organizacional e do Trabalho (POT) enfoca a relação entre a ação humana e a organização, analisando as políticas e práticas de gestão de pessoas. Esse campo estuda como as organizações captam, integram, avaliam, desenvolvem e retêm seus membros de maneira alinhada aos seus objetivos e missão. CAMPOS DE INTERVENÇÃO ○ Historicamente, a psicologia se concentrou nos âmbitos individual e grupal, mas evoluiu para incluir níveis mais amplos e complexos. Isso demonstra a necessidade de uma compreensão mais abrangente dos processos comportamentais, considerando não apenas fatores individuais. ○ A Psicologia Organizacional e do Trabalho (POT) requer uma estreita interface com outros campos científicos e profissionais para cumprir seu papel de maneira eficaz. Como nenhuma área científica tem monopólio sobre o estudo de fenômenos, é comum que diferentes disciplinas analisem o mesmo objeto. Para que psicólogos atuem de forma competente, é necessário integrar conhecimentos de diversas áreas. ○ Cada campo, dentro e fora da POT, em função de diálogos mais frequentes com outros campos disciplinares. ATIVIDADES PROFISSIONAIS ○ Pesquisas recentes têm explorado o papel do psicólogo organizacional e do trabalho, destacando a necessidade de novas formas de atuação que acompanhem as mudanças nas organizações e no mundo do trabalho. A literatura científica sugere diversas atividades para esses profissionais, mas muitas dessas funções ainda não são devidamente reconhecidas nas estruturas organizacionais nem claramente definidas em seus papéis profissionais. ○ O trabalho em Psicologia Organizacional e do Trabalho (POT) é de natureza multiprofissional, onde, além da avaliação psicológica, nenhuma prática é exclusiva de uma categoria profissional. O psicólogo atua em quatro níveis: técnico, tático, estratégico e de formulação de políticas organizacionais. ○ A atuação do psicólogo expandiu-se além do setor industrial para serviços, setor público e ONGs. O núcleo tradicional da POT, centrado em seleção de pessoal e avaliação psicológica, evoluiu para incluir formação, treinamento contínuo e inovação no processo de recrutamento, como a análise de habilidades interpessoais. ○ Nos anos 1990, a diversificação de técnicas e o trabalho em equipes multidisciplinares ampliaram a atuação dos psicólogos para áreas como planejamento de cargos e desenvolvimento de carreiras. A Psicologia Positiva também emergiu, com foco no bem-estar dos trabalhadores. COMPETÊNCIAS ESPERADAS ○ O campo de atuação em Psicologia Organizacional e do Trabalho (POT) exige uma complexidade de competências que vão além do mero conhecimento acumulado. ○ Competência, segundo Phillipe Zarifian (2001), envolve a mobilização de conhecimentos e habilidades em contextos específicos, incluindo a capacidade de tomar iniciativas, assumir responsabilidades e trabalhar de forma autônoma. ○ As competências transversais são essenciais para o psicólogo organizacional, que precisa compreender o trabalho em sua totalidade, as atribuições individuais e alinhar visão e objetivos organizacionais. Isso permite que o psicólogo realize ações estratégicas, promova mudanças e fortaleça equipes de alto desempenho. ○ É crucial entender o contexto social e os conflitos de interesse, organizando ações de treinamento e recompensas justas para que a disposição para mudanças se torne parte da cultura organizacional. ○ Estabelecimento da POT: A Psicologia Organizacional e do Trabalho (POT) se consolidou como uma disciplina científica, contribuindo para a compreensão do comportamento humano no ambiente de trabalho. ○ Evolução de Temas e Técnicas: A POT tem evoluído, com um foco maior em fenômenos grupais e organizacionais em detrimento de variáveis individuais. Há um uso crescente de conceitos cognitivos e comportamentais, além de uma atenção ampliada a aspectos afetivos, motivacionais e à complexidade das atitudes no trabalho. ○ Desafios na Atuação: Os psicólogos organizacionais enfrentam desafios, como técnicas de validade incerta, formação técnica insuficiente e foco em questões triviais. ○ Percepção do Papel do Psicólogo: Apesar das boas remunerações, a percepção do psicólogo organizacional é limitada, sendo muitas vezes visto apenas como recrutador. Há uma necessidade de esclarecer suas contribuições como agentes de mudança estratégica. ○ Responsabilidade Social e Ambiental: A responsabilidade social e ambiental tornou-se um tema constante nas organizações. No entanto, ações calamitosas contra o meio ambiente e a decadência moral de líderes continuam a ser reportadas pela mídia, representando um desafio central na contemporaneidade. CAP 16: PSICOLOGIA E PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO EM ORGANIZAÇÕES E TRABALHO 꼠POR QUE A PESQUISA EM PSICOLOGIA ORGANIZACIONAL E DO TRABALHO É NECESSÁRIA? ▹Ajuda a entender o comportamento humano no ambiente de trabalho, o que contribui para o desenvolvimento de políticas de recursos humanos e públicas. Além disso, a pesquisa nessa área pode ajudar a: Melhorar a gestão de recursos humanos, produtividade, relações interpessoais e a saúde dos colaboradores. 꼠QUAIS SÃO OS ELEMENTOS FUNDAMENTAIS DA PESQUISA EM PSICOLOGIA ORGANIZACIONAL E DO TRABALHO? Geralmente, hipóteses são derivadas de teorias e formuladas para tentar resolver problemas ou partes deles. Na POT, predominam as “microteorias” para explicar um conjunto limitado de fenômenos que ocorrem no trabalho, e não teorias amplas para explicar todos os fenômenos que ocorrem no trabalho. 꼠QUEM PRECISA DA PESQUISA EM PSICOLOGIA ORGANIZACIONAL E DO TRABALHO? Organizações que buscam sustentabilidade e sobrevivência, estão tratando de promover o uso do método científico como forma de investigar as causas de seus problemas e, tentar resolvê-los. 꼠A PSICOLOGIA ORGANIZACIONAL E DO TRABALHO COMO CAMPO DE INVESTIGAÇÃO E PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO○ A Psicologia Organizacional e do Trabalho (POT) estuda fenômenos como comportamentos, relações interpessoais, motivações, percepções, crenças, atitudes, valores e sentimentos, concentrando-se especificamente no contexto laboral e organizacional. ○ Ela investiga aspectos como os valores atribuídos ao trabalho, a cidadania organizacional, percepções de suporte e satisfação no trabalho. ○ Além de mensurar e descrever esses fenômenos, a POT busca entender seus antecedentes, considerando fatores individuais (como diferenças de gênero no comprometimento), de equipe (como interdependências afetam a produtividade), organizacionais (como estruturas podem aumentar o estresse) e sociais (como a cultura influencia a criatividade). ○ A área também analisa como esses fenômenos geram mudanças em diferentes níveis: no indivíduo (como o estresse impacta a motivação), na equipe (como a produtividade influencia a interação social), na organização (como a criatividade altera a cultura organizacional) e na sociedade (como o comprometimento profissional afeta a competitividade social). ○ Os dois primeiros desafios da Psicologia Organizacional e do Trabalho (POT) são a definição e a identificação de indicadores para seus fenômenos, acrescidos por três desafios metodológicos: 1. Medir Variáveis: É necessário medir e descrever variáveis antecedentes e consequentes, assim como foi feito com os fenômenos relacionados. 2. Demonstrar Associações: É fundamental encontrar situações que demonstrem que as variações nas variáveis antecedentes ou consequentes estão associadas às variações nos fenômenos em estudo. 3. Causalidade Ambígua: Mesmo com associações identificadas, pode haver incertezas sobre a direção da causalidade—se o desempenho do indivíduo altera o contexto do trabalho ou vice-versa. Essa dinâmica sugere que o desempenho e o ambiente interagem mutuamente, criando um sistema complexo onde a transformação de um pode afetar o outro. ○ Além disso, essa interação produz significados para os indivíduos, que podem influenciar ainda mais o desempenho e os níveis do ambiente organizacional. Assim, cada parte do sistema organizacional está em constante relação de multideterminação com outras partes. 꼠APLICAÇÃO DA POT ○ A aplicação da Psicologia Organizacional e do Trabalho (POT) envolve a formulação de estratégias e o desenvolvimento de instrumentos para análise do trabalho, seleção de pessoal, levantamento de necessidades de treinamento e diagnósticos de bem-estar e saúde. ○ A investigação na POT exige conceitos de processos psicológicos básicos (motivação, percepção, emoção e aprendizagem) e o uso de ferramentas metodológicas, como a psicometria. Isso possibilita a interpretação psicológica dos dados para entender a percepção, atitudes e desempenho dos trabalhadores em um ambiente social e organizado. ○ A complexidade dos problemas organizacionais requer interfaces com diversas disciplinas, como sociologia, antropologia, ciências políticas e econômicas, para compreender a relação entre desempenho humano e variáveis sociais, culturais e políticas. 꼠A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO EM PSICOLOGIA ORGANIZACIONAL E DO TRABALHO PENSAMENTO CIENTÍFICO EM PSICOLOGIA ORGANIZACIONAL E DO TRABALHO As crenças do pesquisador sobre fenômenos humanos no trabalho, como o comprometimento organizacional, ressaltam que esses fenômenos existem independentemente da visão do cientista, ou seja, não são criações do pesquisador. O comprometimento organizacional é frequentemente definido na pesquisa brasileira como uma atitude afetiva que envolve a aceitação dos objetivos e valores da organização, além da disposição para contribuir para seu bem-estar. ○ Esse comprometimento não é um comportamento isolado, mas sim um conceito construído a partir de diversas ações e reações dos indivíduos em diferentes contextos. 꼠NORMAS DE PESQUISA ○ É fundamental que os dados sejam obtidos de maneira que permitam a objetivação, ou seja, possibilitem trocas intersubjetivas e a construção do conhecimento. ○ A objetivação está relacionada ao controle do pesquisador sobre as circunstâncias do fenômeno estudado e à busca de objetividade na coleta e análise dos dados, permitindo que eventos sejam registrados de forma que diferentes observadores possam compreender de maneira similar. ○ Além disso, o pensamento científico requer abertura para inovações, permitindo que novos métodos, abordagens e teorias. 꼠PROCESSO DE PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO EM PSICOLOGIA ORGANIZACIONAL E DO TRABALHO 1. Identificação dos Problemas de Pesquisa: Os problemas em POT podem surgir de teorias existentes, onde o foco é testar hipóteses, ou da observação de contextos e demandas práticas, onde se busca gerar novas hipóteses. 2. Formulação dos Objetivos de Pesquisa: Após identificar um problema, os objetivos podem ser de quatro tipos: o Descritivo: Identificação e organização das características do problema. o Instrumental: Construção ou validação de instrumentos para diagnósticos e pesquisas futuras. o Explicativo: Estabelecimento de relações entre variáveis e desenvolvimento de teorias. o Formal: Criação de modelos heurísticos ou ontológicos, sem a coleta de dados. 3. Escolha das Abordagens Metodológicas: A pesquisa pode ser quantitativa, focando na mensuração de fenômenos e confiabilidade dos dados, ou qualitativa, buscando compreender contextos. Ambas podem originar problemas teóricos ou práticos e usar desenhos de pesquisa longitudinal ou transversal. 4. Locais de Realização da Pesquisa: Pode ser realizada em laboratório ou em campo, estudando as interações em contextos organizacionais. 5. Definição de Coleta e Análise de Dados: A coleta pode ser estruturada (questionários, testes) ou não estruturada (entrevistas abertas, observações), dependendo do fenômeno em estudo. 6. Controle da Pesquisa: O controle sobre variáveis e sujeitos varia em diferentes tipos de pesquisa: o Não Experimental: Controle maior sobre o método de coleta, mas não sobre as variáveis ou sujeitos. o Quase-Experimental: Controle das variáveis, mas não dos sujeitos. o Experimental: Controle de variáveis e sujeitos, permitindo maior rigor nos resultados. 7. Pesquisa-Ação: Utilizada em POT, busca descrever fenômenos de forma exploratória e promover mudanças, geralmente sem controle experimental. Este processo é fundamental para gerar conhecimento aplicável e relevante dentro da área da Psicologia Organizacional e do Trabalho. 꼠O ESPAÇO DA PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO EM PSICOLOGIA ORGANIZACIONAL E DO TRABALHO NO BRASIL E SUA DIVULGAÇÃO Aspectos Constituintes da POT: A POT investiga fenômenos humanos, seus antecedentes e consequências, utilizando ferramentas de psicologia e outras ciências para compreendê-los. O aprendizado em pesquisa ocorre na prática, preferencialmente sob a orientação de pesquisadores experientes e através de cursos de pós-graduação. Instituições de Pós-Graduação e Redes de Pesquisa: No final do século XX, não havia programas de pós-graduação focados em POT no Brasil. Atualmente, pesquisadores se associam a outras instituições para formar redes de conhecimento. Publicação Científica em POT: As publicações científicas dos pesquisadores brasileiros ainda são escassas, especialmente no exterior. A fragmentação de temas, como psicometria e psicologia cognitiva, dificulta o desenvolvimento de um quadro teórico robusto na gestão de pessoas. A falta de investimento em pós-graduação contribui para um número reduzido de publicações sobre seleção de pessoal. Avanços Potenciais: Melhorias na POT nacional poderiam ocorrer com a criação de interfaces entre a graduação e a pós-graduação, a psicologia e outras áreas, e a colaboração entre pesquisadores e profissionais fora do ambiente acadêmico. CÓDIGO DE ÉTICA PROFISSIONAL A relação entre o Código de Ética do Psicólogoe a atuação do Psicólogo do Trabalho é fundamental para garantir práticas profissionais responsáveis e éticas. Abaixo estão alguns dos principais pontos de interseção: 1. Competência Profissional Código de Ética: O psicólogo deve atuar dentro de sua área de competência, buscando formação contínua e aperfeiçoamento. Psicólogo do Trabalho: Necessita de formação específica para aplicar técnicas e conhecimentos em contextos organizacionais, como seleção de pessoal e avaliação de desempenho. 2. Respeito ao Sigilo Código de Ética: O sigilo é um princípio fundamental que deve ser respeitado em todas as relações profissionais. Psicólogo do Trabalho: Deve proteger a confidencialidade das informações obtidas em processos de avaliação e intervenção, como entrevistas e diagnósticos organizacionais. 3. Responsabilidade Social Código de Ética: O psicólogo deve considerar o impacto social de sua atuação e trabalhar em benefício da sociedade. Psicólogo do Trabalho: Deve promover um ambiente de trabalho saudável, ajudando a desenvolver práticas que valorizem o bem- estar dos colaboradores e a cultura organizacional. 4. Valorização da Dignidade Humana Código de Ética: O psicólogo deve respeitar a dignidade e os direitos das pessoas com quem trabalha. Psicólogo do Trabalho: Deve assegurar que práticas de gestão de pessoas, como recrutamento e seleção, não sejam discriminatórias e respeitem a diversidade. 5. Integridade Código de Ética: É fundamental que o psicólogo mantenha a integridade em suas práticas e evite conflitos de interesse. Psicólogo do Trabalho: Deve agir de forma transparente em suas avaliações e intervenções, evitando influenciar indevidamente os processos organizacionais em favor de interesses pessoais. 6. Pesquisa e Intervenção Ética Código de Ética: As pesquisas devem ser conduzidas de maneira ética, garantindo que os participantes sejam tratados com respeito e dignidade. Psicólogo do Trabalho: Ao realizar pesquisas e avaliações no ambiente organizacional, deve garantir que todos os procedimentos sejam éticos e que os resultados sejam utilizados para o benefício dos colaboradores. 7. Relacionamento Profissional Código de Ética: O psicólogo deve manter relações profissionais baseadas na ética e no respeito mútuo. Psicólogo do Trabalho: Deve colaborar de maneira ética com outros profissionais da organização, promovendo um clima de respeito e cooperação. Conclusão A atuação do Psicólogo do Trabalho deve estar sempre alinhada com os princípios éticos estabelecidos pelo Código de Ética do Psicólogo, promovendo práticas que valorizem tanto os indivíduos quanto as organizações. Essa sinergia é crucial para o desenvolvimento de um ambiente de trabalho saudável, ético e produtivo.