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1 GESTÃO DE MARCAS EM AMBIENTES DIGITAIS 1 Sumário NOSSA HISTÓRIA .................................................................................. 2 INTRODUÇÃO ........................................................................................ 3 MARCA- ORIGEM E EVOLUÇÃO ........................................................... 4 MARCA- CONCEITO ........................................................................... 7 GESTÃO DE MARCA: BRANDING ....................................................... 10 A INTERNET COMO FERRAMENTA ESTRATÉGICA ......................... 15 BRANDING DIGITAL: AS MARCAS E A WEB ...................................... 17 MÍDIAS DIGITAIS NO VAREJO ............................................................ 21 CONCLUSÃO ........................................................................................ 27 REFERÊNCIAS ..................................................................................... 28 2 NOSSA HISTÓRIA A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de empresários, em atender à crescente demanda de alunos para cursos de Graduação e Pós-Graduação. Com isso foi criado a nossa instituição, como entidade oferecendo serviços educacionais em nível superior. A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua. Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de publicação ou outras normas de comunicação. A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. 3 INTRODUÇÃO A globalização, o desenvolvimento tecnológico, as novas ferramentas e possibilidades de produção tornaram produtos muito semelhantes em relação aos atributos físicos, o que fez com que a forma de consumir da sociedade fosse alterada e o consumo passasse a acontecer pela busca de prazer, realização, entretenimento, enfim, por atributos que vão além do benefício físico do produto. Em um mercado cada vez mais competitivo, impulsionado pela tecnologia e disseminação das informações e com marcas cada vez expostas, principalmente por causa das mídias sociais, manter uma marca forte e intacta às críticas dos consumidores se torna um grande desafio. A gestão da marca é também conhecida como branding, que é definida por Guimarães como: “O branding é uma filosofia de gestão de marca, ou seja, uma maneira de agir e pensar sobre uma determinada marca”. (GUIMALHÃES, 2003, p. 87) 4 MARCA- ORIGEM E EVOLUÇÃO A palavra marca é uma tradução da expressão “brand”, cuja origem vem do arcaico norueguês “brandr” que significava queimar. Isto porque era a forma como os fazendeiros marcavam seus animais para identificá-los. Significa aplicar um sinal que identifica a propriedade. Foi assim que surgiu a essência de marca nas línguas modernas. A história das marcas perpassa pela história antiga, na qual havia evidência de mercadorias (tijolos) com o nome do fabricante, uma forma de identificar quem fabricou determinada mercadoria e, assim, conferir sua qualidade. Na Europa Medieval, as sociedades comerciais utilizavam marcas registradas coma intenção de assegurar um produto de boa qualidade ao consumidor e também para proteção legal do produtor. Já no início do século XVI, usava-se o nome do produtor (destilarias de uísque) gravado à fogo em barris de madeiras. A intenção dessa “marcação” era a de evitar a falsificação de um produto de boa qualidade substituído por outro de qualidade inferior e menor valor, gerando de certa forma uma concorrência desleal (AAKER, 1998). Com este breve contexto exposto, percebe-se que a marca tinha, na época, duas funções principais: 1) identificar os produtos, distinguindo os fabricantes; 2) proteger, principalmente, os produtores para assegurar um produto de qualidade a seus consumidores. Contudo, na contemporaneidade, as marcas desenvolveram ainda outras funções, se tornando muito mais complexas. Para entender um pouco mais dessa complexidade do universo das marcas, pode-se inferir sua evolução a partir de quatro tendências: 1) associação do nome do proprietário ao nome do estabelecimento ou da atividade econômica; 2) associação de algum topônimo ao estabelecimento; 5 3) envolvimento do nome do produto associado aos processos produtivos ou à forma de sociedade ou de associação e; 4) utilização do nome baseado em recursos mercadológicos em sua definição. São tendências que coexistem e se superpõem, ou seja, não há uma separação rígida entre elas. Todas de certa forma contribuíram ou ainda contribuem para agregar valor às marcas (TAVARES, 2003). Cada organização se utiliza de recursos criativos e estratégicos para diferenciar seus produtos dos demais, tendo a marca esta responsabilidade de mostrar os benefícios e vantagens do produto aos consumidores. Se a marca for retirada do produto, estes se tornarão genéricos e se tornam explícitas práticas de consumo, sem valores subjetivos agregados. No entanto, as marcas são mais do que identificadores visuais das mercadorias. Tudo o que lhe agregar valor pode ser considerado uma vantagem competitiva. Marca, portanto, é todo um conjunto de impressões e significados que trazem reconhecimento do seu público-alvo e de quem a consome, distinguindo-as da concorrência. Ela é considerada forte quando agrega valor, sendo também pré- requisito para a sobrevivência de uma empresa no mercado competitivo em que atua e também no mercado global. A marca é também mais do que um logotipo, pois demanda além do contexto visual do símbolo, história e ligações emocionais que distingue um símbolo de uma marca (HEALEY, 2009). Igualmente é ainda o resultado de processos econômicos, comunicacionais e da própria gestão empresarial, pensados e articulados por profissionais que escolhem suas estratégias. Em termos gerais, Aaker (1998) e o INPI (2015) enfatizam a relevância do nome e do símbolo em uma marca, assim como, sua função básica de identificadora de produtos. Porém, com o tempo novas atribuições vão sendo agregadas às marcas, como o cunho social e o ambiental. 6 É um jogo simbólico e representativo no qual se criam produtos com “alma”, utilizando-se de um arsenal simbólico de argumentos (sinal gráfico, nome exclusivo, discurso persuasivo, narrativas, design diferenciado, entre outros) que tem a intenção de conquistar o consumidor. Salienta-se ainda que uma marca já nasce impregnada de representações simbólicas, inventadas pelo marketing e traduzidas pela publicidade (VIEIRA, 2001) e, desta forma, não pode ser vista somente como um logotipo ou slogan. Na perspectiva de Healey (2009, p. 6), uma marca “[...] é um sinal, uma metáfora que age como um contrato não escrito entre um produtor e um consumidor, um vendedor e um comprador, um ator e um público, um ambiente e os que o habitam, um evento e os que o experimentam”. Em outras palavras, uma marca é também uma promessa feita ao consumidor, com objetivo de atender seus desejos e necessidades, não só de consumo, mas também as simbólicas e culturais. Administrar o relacionamento de uma marca com seus consumidores é uma das funções mais complexas. Gobé (2002) diz que a marca transcende o “eu posso”(condição de consumo), “eu quero” (desejo) e chega ao “eu vivo” (identificação com a marca). Expõem-se assim os aspectos simbólicos, representativos e emocionais permeados pelas marcas. Já Pinho (1996, p. 43) a descreve como “[...] a síntese dos elementos físicos, racionais, emocionais e estéticos nela presentes e desenvolvidos através dos tempos”. Neste encadeamento, é introduzido o argumento emocional no contexto das marcas, a partir de simbolismos construídos intencionalmente, criando e reforçando a identidade das marcas a longo prazo. Toda essa complexidade para construir e manter uma marca no mercado, fez com que as organizações investissem em um processo de gestão que compreendesse as necessidade e demandas do universo das marcas, utilizando de ações em diversos campos para atingir seu propósito, sendo este processo chamado de branding. 7 MARCA- CONCEITO Nome, símbolo gráfico, logotipo, ou combinação desses elementos, utilizado para identificar produtos ou serviços de um fornecedor / vendedor, e diferenciá- los dos demais concorrentes (ADG, 2004). Marca, segundo a lei brasileira, é todo sinal distintivo, visivelmente perceptível, que identifica e distingue produtos e serviços de outros análogos, de procedência diversa, bem como certifica a conformidade dos mesmos com determinadas normas ou especificações técnicas (INPI, 2006). Segundo Kotler (2000), uma marca é um nome, termo, símbolo, desenho ou uma combinação desses elementos que deve identificar os bens ou serviços de uma empresa ou um grupo de empresas e diferenciá-los dos da concorrência. Segundo David Ogilvy, citado por Strunk (2001), marca é a soma intangível dos atributos de um produto: seu nome, embalagem e preço, sua história, reputação e a maneira como é promovida. A marca é também definida pelas impressões dos consumidores sobre as pessoas que a usam, assim como pela sua própria experiência pessoal. Marca é a elementar ferramenta dos profissionais de marketing para criar a diferenciação entre produtos é a união de atributos tangíveis e intangíveis, simbolizados num logotipo/ logomarca, gerenciados de forma adequada e que criam influência e geram valor. Trata-se de um sistema integrado que promete e entrega soluções desejadas pelas pessoas. Ela constitui uma promessa de valor, estimula crenças, evoca emoções, inspira comportamentos. Tem personalidade e fala por seus usuários. Assim, pode aumentar ou diminuir o valor percebido de um produto. A construção da marca se inaugura no momento em que “nasce” uma empresa, um produto ou serviço. A marca sempre foi tratada como um assunto de publicidade ou marketing. Porém o mais correto seria ser analisado como gestão ou investimento econômico. Como uma força alavancadora, a marca passou a 8 representar para os investidores o conjunto de ativos tangíveis e intangíveis de uma empresa. Os consumidores esperam pagar menos por produtos sem marca ou baixo valor líquido da marca e, por outro lado, estão dispostos a pagar mais por marcas que eles e/ou a sociedade valorizam. Ele decide suas aquisições com base nas características técnicas dos produtos, nos benefícios que as marcas conseguem transmitir. As marcas possuem valores não só para clientes como para investidores, e são negociadas no mercado. Seu valor inclui várias dimensões como desempenho, imagem social, fidelidade e identificação. A boa marca atrai o consumidor para o seu produto ou serviço. Ela transmite eficazmente um determinado conjunto de informações. Ela leva os consumidores a experimentá-la, a gostar dela, repetirem, o ato de consumo e a recomendá-la. É a valorização que nos retém às marcas preferidas. É necessário o cuidado contínuo da marca, um processo integrado de gestão, cujo objetivo é a busca da melhoria, reconhecimento e fidelidade por parte dos consumidores. Os profissionais de marketing têm o grande desafio de criar, manter, proteger e enriquecer marcas. A percepção positiva daquilo que os consumidores recebem se materializa no sinal a marca identifica as virtudes ou os defeitos do fornecedor. A sustentação, qualidade e continuidade das relações que sejam estabelecidas acabam por consolidar o sinal a marca como melhor referência de identificação. Não são mais os atributos tangíveis do produto ou serviço, isoladamente, que definem o estabelecimento e a continuidade da relação. Todos passam a ser orientados pela marca daquele que promete e garante a entrega de um bem ou de um serviço. A gestão da marca está relacionada às diferenças que se têm sobre os concorrentes e a maneira como os consumidores percebem ou reconhecem essas diferenças. Entende-se, dessa forma, que o sucesso de uma marca não depende somente do conceito de criação de imagem, mas, principalmente, do de criação de Valor 9 de Marca, que deve ser elaborada diariamente, considerando todas as possibilidades de contato com a marca que o cliente possa ter (KOTLER, 1999). Se a Marca, com M maiúsculo, é uma rede significante, a marca com m minúsculo é sua principal representação: um signo “verbivocovisual” que identifica e distingue o produto ou o serviço, o programa, a empresa ou uma organização. Existem quatro tipos de marcas: Figura 1: Tipos e formatos de marca Fonte: https://felipereisconsultoria.com.br/tipos-de-marca 1) nominativa: nomes ou palavras simplesmente descritas. 2) figurativa: figuras, ícones, sinais ou símbolos sem elementos nominativos. 3) mista: logotipos ou logomarcas, figuras, sinais ou símbolos combinados com elementos nominativos. São ainda mistos os elementos nominativos descritos figurativamente (estilizados). 4) tridimensional: marcas figurativas em três dimensões (forma plástica de produto ou de embalagem, dissociada de efeito técnico, ou seja, somente o design da mesma). 10 GESTÃO DE MARCA: BRANDING Muitas organizações já compreenderam a complexidade e profundidade da gestão de suas marcas (branding). Muitas ainda estão ligadas no estético de suas marcas, um passo importante, mas insuficiente para transformar a história da marca e recolocá-la na linha de frente da competitividade. Branding é o conjunto de ações ligadas à administração das marcas. São ações que, tomadas com conhecimento e competência, levam as marcas além da sua natureza econômica, passando a fazer da cultura, e influenciar a vida das pessoas. Essas “ações” se relacionam a símbolos que tem a capacidade de simplificar e enriquecer as nossas vidas, num mundo cada vez mais confuso e complexo (MARTINS, 2006). É o conjunto de atividades que visa aprimorar a gestão das marcas de uma organização como diferencial competitivo. O branding pode ser dividido em duas partes: estratégia e operação. Faz parte das atividades estratégicas a definição de posicionamento e arquitetura das marcas. Já as atividades operacionais compreendem pesquisa de mercado, naming, comunicação, design, avaliação financeira e proteção legal, e apenas a gestão integrada de todas estas atividades pode ser entendida como branding. A incorporação da palavra branding a rotina do mercado brasileiro é muito positiva, porque contribui para aperfeiçoar nossa capacidade de construir marcas fortes, uma necessidade para a competitividade de nossas empresas. Isso desde que o termo seja corretamente entendido e praticado. O branding precisa de recursos e esforços forte do marketing e comunicação para ser adequadamente concretizado, não apenas em uma determinada ocasião da vida das marcas, mas durante toda sua existência. Tratar apenas design, comunicação ou qualquer das atividades operacionais isoladamente como sinônimo de branding é um erro que não pode ser permitido, sob pena de não serem atingidos os resultados objetivados. 11 A preservação das marcas é, antes de tudo, responsabilidade das empresas ede seus executivos que não podem permitir que o termo branding seja deturpado e mal utilizado. A gestão de uma marca pressupõe que tudo (ou quase tudo) seja pensado, programado e articulado de forma que estabeleça ligações simbólicas e experienciais com o consumidor, a partir de aspectos tangíveis e intangíveis de um produto. Para Guimarães (2003) o branding é uma filosofia de gestão de marca; já na visão da American Marketing Association – AMA (2015), branding é a percepção de um consumidor em potencial. Desta forma, não há um único conceito sobre branding, mas pode-se inferir que ele é um processo de articulação e percepção que gera uma sintonia que busca conquistar a simpatia (fidelidade) do consumidor, difundindo ainda um sistema de significados simbólicos e mercadológicos, que ordenam o pensamento das pessoas e da sociedade através dos produtos, assim como, do que as marcas representam. Essa linha de raciocínio se torna mais notório quando se resgata a história das marcas e do branding. Para Healey (2009), a arrancada do branding é desde a Revolução Industrial, entre os séculos XVIII e XIX, devido à abundância econômica da época, dando origem a uma produção de excedentes e à possibilidade de distribuição em nível global. Desta forma, as marcas aparecem como uma forma de venda fora da adjacência da fábrica/produção, ampliando sua abrangência geográfica, salientando ainda que algumas viticulturas da França já possuíam marca muito antes da Revolução. Contudo, a prática do branding, de acordo com Healey (2009, surge pela primeira vez entre na passagem entre os séculos XIX e XX, através das atividades do marketing, publicidade, relações públicas, design gráfico (antes chamado de artes gráficas) e identidade corporativa. Estas áreas interligadas convergem ao mesmo objeto a marca, com os mesmos objetivos: criar e promover a marca. Já para Holt (2003), o branding inicia ao longo do século XX juntamente com a cultura do consumo, criando relações contraditórias e tensas. Seria nesse período que as marcas se tornam mais 12 centrais à concorrência. Desta forma, “[...] o paradigma do branding é um conjunto de princípios que estrutura como as empresas buscam construir suas marcas [...] dentro [...] da cultura do consumo existente” (HOLT, 2003, p. 46). Apesar de que não se possa afirmar com certeza sua origem, pode-se dizer que o branding tem o intuito de agregar valor às marcas, vinculando-a a status e desejos que institucionalizam estratégica e subjetivamente as práticas de consumo, naturalizando-as. Anteriormente à indústria da propaganda se estabelecer institucionalmente, o branding foi direcionado na perspectiva de dois princípios orientadores: 1) o estabelecimento de um nome que representasse um negócio em andamento, legitimando o fabricante e, 2) influenciando as pessoas, considerando-as ingênuas, com o aumento do ego do produto. Entretanto, em 1920, com a autorregulamentação da propaganda, despontava o paradigma moderno do branding, construído sob dois pilares: abstração e engenharia cultural. O sentido era posicionar as marcas como expressões de ideais sociais e morais valorizados, focando nos benefícios do produto, por meio de símbolos, metáforas e alegorias encarnando aspectos psicológicos, sociais e pessoais. Nesse contexto, as empresas eram mais paternalistas e atuavam como autoridades culturais. Passam a existir também os princípios de gerenciamento influenciados pelo taylorismo e o comportamentalismo como ciências metódicas. Já na década posterior, Holt (2003) salienta que houve um foco maior em estímulos carregados de emoção que poderiam ser usados para gerenciar as ações dos consumidores. Falava-se em venda dura (hard sell) e venda gentil (soft sell). O primeiro referia-se à construção de desejos dos consumidores guiada por princípios científicos e, a segunda, no intuito de produzir anúncios que refletissem a pesquisa de motivação construídos com imagens arquétipas. Com a invenção da televisão, na década de 1950, o modelo mudou, ganhando importância uma comunicação mais persuasiva. Já com a chegada dos 13 imigrantes ao Brasil a mensagem das marcas centrou-se na busca de um estilo de vida comum de forma que fizesse com que as pessoas se sentissem pertencentes a uma comunidade. As técnicas do branding criaram o interesse de compra na busca de um bem-estar material além do necessário. Na revolução cultural dos anos 1960, o consumo passa a ser visto como um espaço autônomo, associado a um estilo de vida de drogas, rock e experimentação sexual (HOLT, 2003, p. 49-53). A contradição dessa época era a de que a hierarquia das necessidades dos consumidores não aceitava que as marcas ditassem padrões de consumo, mas a valorização social era permeada pelos produtos de marca e seu uso projetava uma identidade individual e coletiva. As marcas tornaram-se assim uma forma de segmentação de mercado, experimentação e expressão do mundo social. Na década seguinte, as marcas passaram de produtos culturais para recursos culturais, centrando-se na autenticidade e buscando não refletir explicitamente sua intenção econômica. No fim dos anos 1990, surgiram novas técnicas de branding que tentaram criar percepções de que as marcas proporcionariam recursos culturais originais aos consumidores, sem motivação mercadológica (HOLT, 2003). A partir dos anos 2000, as promessas das marcas precisaram estar em sintonia com as ações corporativas, gerando uma aproximação entre fabricante e marca, na qual as ações de uma refletiriam na outra (HOLT, 2003, p. 53- 58). A chegada da internet trouxe um novo espaço para as organizações impulsionar suas marcas, principalmente em se tratando de mídias e redes sociais e a forma como o branding as articula dentro de uma comunicação digital. Nessa perspectiva, as experiências digitais (Brand Experience) são focadas principalmente nas experiências vivenciadas pelos consumidores nos pontos de contato com uma marca (SCHMITT, 1999), através da tecnologia digital. De acordo com Recuero (2009, p. 30), “as conexões em uma rede social são constituídas dos laços sociais que, por sua vez, são formados através da interação social entre os atores”. 14 Nesse ponto de vista, as marcas teriam um espaço maior, no qual podem mensurar suas ações estratégicas por meio de uma tecnologia mais atual, para elaborar e desenvolver o branding voltado para as mídias sociais digitais. Na visão de Holt (2003, p. 62-63), Schmitt (1999) e Recuero (2009), o branding auxilia as organizações e suas marcas a criarem um mundo simbólico que inspira, provoca e estimula a imaginação dos consumidores, contribuindo para interpretar o mundo que os cerca, trazendo argumentos criativos que valorizam os produtos, por meio das marcas. A trajetória do branding serve e se mostra como produto das organizações, e não do consumidor. Percebe-se também que o ponto de partida foi a concorrência entre produtos similares, tendo um ápice significativo com as propagandas em massa (através, principalmente, da televisão), chegando ao estágio atual no qual a disputa é configurada pelas representações simbólicas das marcas. A contradição se encontra no fato de que ainda há forte relação entre produção e consumo, sendo de certa forma, uma continuidade da era da revolução industrial (pós-revolução industrial). Ao mesmo tempo, em que desmaterializa a economia (consequência do pós-fordismo), eleva-se o aspecto simbólico das marcas a um novo patamar. Tudo que diz respeito às marcas é usado pelo branding no intuito de agregar valor. Sua função, portanto, é a de servir de ferramenta para a construção da imagem/identidade da marca dos produtos das empresas, aumentando seu valor monetário (brand equity), assim como o da própria organização. Brand Equity é um conjunto de ativos e passivos ligadosa uma marca, seu nome e seu símbolo, que se somam ou se subtraem do valor proporcionado por um produto ou serviço para uma empresa e/ou para os consumidores dela (AAKER, 1998, p. 16). Esse valor econômico tem relação com seu patrimônio físico e simbólico e é um importante elemento no processo do branding para promover as marcas. Destarte, o branding é percebido como um conjunto amplo e complexo de ações multidisciplinares que trabalha com imagens, percepções e associações das marcas e, de certa forma, da própria sociedade, criando um relacionamento a longo prazo com seu consumidor. Branding, de maneira concisa, é a construção 15 e a gestão estratégica de marcas, utilizando-se de todos os pontos de contato emocionais experenciados pelos consumidores de determinada marca de produto. A INTERNET COMO FERRAMENTA ESTRATÉGICA De acordo com Churchill (2000), as estratégias de marketing constituem-se de uma série de etapas de comercialização, que tem como objetivo final o preço, embora abordem alguns componentes, como curva de demanda, objetivos, custos fixos e variáveis, ponto de equilíbrio da empresa e ainda a análise do preço das empresas concorrentes, buscando fazer com que o consumidor possa tomar a decisão de compra. Segundo Quinn (2001), a estratégia é um plano ou um padrão de ações de uma organização que integra as principais políticas, metas e segmentos. Como ajuda para alocar e ordenar recursos, uma estratégia apropriada auxilia uma organização a ter uma postura baseada em suas habilidades, deficiências e competências internas e alterações no ambiente. Seguindo essa linha de pensamento, utilizar a internet como ferramenta estratégica é uma boa opção, pois de acordo com Marques (2011): A internet constitui um bom recurso para a empresa, pois permite explorar novas formas de negócio, promover uma comunicação direcionada e possibilita a interatividade com clientes, colaboradores e fornecedores. Além disso, a internet é uma excelente ferramenta para recolher dados sobre os clientes. (MARQUES, 2011, p.29) De acordo com o gráfico 1, uma pesquisa elaborada pelo CETIC (2014) a partir de entrevistas com moradores de 19 mil domicílios em mais de 350 municípios de todo o Brasil, apresenta que 43% das casas brasileiras estavam conectadas em 2013 e em 2014 esse número passou para 50%. Essa porcentagem crescente nos mostra o quando a população brasileira faz uso da internet e por meio dela é possível estreitar a comunicação entre os consumidores e as empresas, levando em consideração a grande oportunidade de marketing que pode vir a ser fortalecido pela Internet. 16 Gráfico 1 - Lares conectados no Brasil Fonte: CETIC 2014 A internet, segundo Gosh (1998), apresenta quatro tipos de oportunidades: • A empresa tem condições de estabelecer uma linha direta com seus clientes para completar as transações ou para obter informações sobre a negociação; • A tecnologia permite que a empresa possa ignorar ou antecipar-se às outras na cadeia de valor; • A empresa pode utilizar a internet no desenvolvimento e na entrega de novos produtos e serviços aos clientes; • A empresa pode fazer uso da internet para manter o controle no canal eletrônico, permitindo ou não o acesso aos clientes e definindo novas regras de negócios. Segundo Kotler (1998), a internet está atuando como um canal de promoções de produtos e serviços, utilizando muitas aplicações, principalmente com relação ao marketing direto, em virtude dos recursos multimídia e às inúmeras ferramentas de análise de perfis e de hábitos de consumo, podendo gerenciar totalmente os clientes e agregar valor à marca das empresas. 17 BRANDING DIGITAL: AS MARCAS E A WEB Segundo Vaz (2010), o surgimento da internet não foi simplesmente uma inovação disruptiva, mas praticamente o cumprimento da promessa bíblica de todos sermos um só. A internet nos une à medida que delineia a cada bit a tessitura de nossa existência, cada vez mais baseada na era da informação. Após a revolução da “WWW”, a segunda maior revolução da internet é a chamada Web 2.0,4 na qual as possibilidades de atuação ampliaram-se. A evolução para a Web 2.0 muda a relação dos consumidores com as marcas e a comunicação das marcas com os consumidores. A comunicação deixa de ser de “um a um” e “um para muitos”, passa a um modelo de “muitos para muitos”. Os recursos dessa nova web simplificam a leitura, a produção e o compartilhamento de conteúdos nos mais diversos formatos. A web 2.0 não decreta o fim da internet estática, mas traz à tona a necessidade de uma nova prática, que permite a convivência dos dois tipos de aplicações. Segundo Lévy (1999, p. 63), neste cenário, [...] os novos dispositivos informacionais (mundos virtuais, informações e fluxos) e comunicacionais (comunicação todos-todos) são os maiores portadores de mutações culturais, e não o fato de que se misture o texto, a imagem, o som, como parece estar subentendido na noção vaga de multimídia. (LÉVY, 1999, p. 63). Assim sendo, a relação do homem com a internet é alterada, a internet passa a ser um espaço para exercermos nossas individualidades e vontades. A rede da internet é composta, além de por nós e hubs, pela externalização de nossos desejos e necessidades. A verdadeira importância da Web 2.0 não está nas suas características conceituais e técnicas, mas sim em seus projetos, que revelam uma mudança no relacionamento das marcas com os clientes: troca-se o monólogo (da empresa para o consumidor) pelo diálogo (entre empresa e consumidor). É este 18 diálogo entre a empresa e os seus clientes que cria fidelidade à marca, maior e mais significativa do que qualquer campanha publicitária (MCKENNA, 1998, p. 48). Pode-se analisar que, nessa era de transformações que a sociedade vive, sua relação com o consumo e, de fato, sua relação com as marcas têm na internet apenas sua interlocutora e tradutora, não foi ela que causou toda essa mudança. De acordo com Vaz (2010), o consumidor já cobiçava e movia-se para modificações em seu cotidiano, havia uma demanda de desejos e necessidades reprimidas que necessitava de um meio para acontecer, e esse meio é a internet. O que não se pode esquecer é que sem as pessoas a internet seria apenas uma cidade fantasma. Dado que a internet é feita de pessoas, é só a partir dessa compreensão que podemos transferir tal conhecimento para a prática do branding e das ações de marca, visando à construção de um posicionamento digital, que seja coerente com o que a marca pretende para si e para seus consumidores. Emergem neste cenário as mídias sociais, a importância da conectividade, da interatividade, e a convergência das mídias. Os consumidores estão atentos a todo tipo de informação, que pode espalhar-se rapidamente. As marcas, inseridas nesse contexto, deparam-se com grandes desafios. As velhas fórmulas já não valem mais nesse novo mundo. O consumidor mudou tanto seu comportamento que parece ter sido abduzido em alguma noite escura do início deste século e, sem que percebêssemos, voltou com um plug a mais e falando palavras estranhas como Twitter, Orkut, Flickr, YouTube, Google e muitas outras. (VAZ, 2010, p. 33). Nunca na história das marcas houve uma ferramenta que possibilitasse um conhecimento do mercado, uma aproximação e compreensão da relação dos consumidores com as marcas. O mundo das marcas não só se expandiu para dominar praticamente tudo o que pode ser feito, fornecido ou esperado, mas também reinventou as relações tradicionais. Produtos até então disponíveis apenas em alguns locais adquiriram renome nacional e internacional e a internet contribui para essa globalização, permitindo que empresas e marcas estejam visíveis para qualquer pessoa em qualquer parte do mundo, 7 dias por semana, 24 horas por dia. (LAS CASAS; OLIVEIRA, 2010, p.131). 19 Neste novo cenário, o que se pode pressupor é que o objetivo deva ser fazer o que o consumidor espera da empresa e integrá-lo aos processos. E o consumidor quer ser ouvido, quer participar dos processos da empresa. Afinal, os produtos são feitos para ele (BRETZKE, 2000). Assim, pode-se perceber que, como no ambiente offline, os consumidores não estão interessados na tecnologia por trás das páginas ou nas ferramentas utilizadas pelas marcas, mas apenas nos benefícios que estas trarão para suas vidas, complicadas e estressantes. De acordo com Limeira (2003), o mais importante para as pessoas são as experiências do aqui e agora. As ações diante da tela produzem aspirações e ideias, imediatamente. As ideias não mais precedem a sua realização, já que nesse mundo as ideias não são mais uma propriedade dos criativos: ao contrário, as ideias nascem do inter-relacionamento entre as pessoas, as máquinas e as sensações que experimentam, em cada navegação. Assim, o que de fato conta é a experiência sensorial das pessoas, a realização das suas viagens no ciberespaço, de preferência para lugares bem distantes do mundo rotineiro e convencional que elas estão acostumadas a ver em outras mídias. De fato, com o surgimento da internet, as marcas adquiriram uma nova dinâmica, não se altera apenas a gestão delas, mas também a forma como elas são interpretadas e construídas pelos consumidores. Com o crescimento e a evolução da internet, muitas empresas não compreendem processo de branding e posicionamento digital, acabam cometendo erros no processo de gestão da marca neste universo. Sabe-se que, por não haver barreiras geográficas e temporais, os consumidores estão expostos a um maior número de propagandas, promoções e diversidade de marcas. De acordo com Aaker e Joachimsthaler (2000), assim como no cenário offline, as marcas precisam criar experiências que as construam na internet, e isso 20 requer novas perspectivas, habilidades e compreensão das particularidades da web. Trabalhar o branding na internet é de fato desafiador, pois, a partir do momento em que a marca abre-se na rede, ela está abrindo-se para um ambiente onde a transparência é essencial, sendo quase impossível esconder aspectos que antes ficavam desconhecidos. Na web, a marca já não está segura atrás de cordões de isolamento, ela caminha entre as pessoas criando uma situação que envolve riscos e oportunidades (AAKER; JOACHIMSTHALER, 2000). Segundo SILVA, A mídia social é o lugar onde a voz do cliente é amplificada. As empresas não conseguem mais se esconder atrás daquele velho sistema burocrático. Mesmo as super-organizações agora não estão mais imunes ao novo consumidor, que deseja conversar com as marcas e esperam ser tratados mais do que como uma simples estatística, e hoje, são poucas as empresas que estão prontas para terem essa conversa. (SILVA, online, 2012). Neste sentido, a utilização do branding digital fará com que a relação das pessoas com suas marcas seja o conjunto de experiências, trocas, percepções, tentativa e erro, pensamento e experiência, tudo simultaneamente, no mesmo lugar. Assim sendo, o sucesso de uma marca na internet é condicionado pela capacidade dela de interagir com consumidores e usuários. “Na internet, o usuário é quem decide com qual mensagem deseja interagir. O controle é dele.” (LAS CASAS; OLIVEIRA, 2010, p. 136). Segundo Ciaco (2008), já é possível perceber o entendimento por parte de alguns gestores de marcas em relação ao papel do branding digital, no sentido de que, a partir de agora, não se trata apenas de construir marcas, mas sim de gerenciar a construção delas em ambientes interativos, com os consumidores como cocriadores do processo. Muito se tem ouvido falar sobre as questões das marcas na web, nas mídias sociais e nos ambientes virtuais, discussões em torno do assunto buscam respostas de como atuar da melhor forma; o que se verifica é que inúmeras 21 marcas vêm conseguindo isso a partir da sensibilidade, da observação e da utilização das estratégias de branding geradas offline. Há uma falsa impressão de que estar na web, com perfis em todas as mídias sociais, já é suficiente para que a marca se relacione com o consumidor. Entretanto estar presente na web é de fato conversar, partilhar informações, ouvir e ser ouvido, construir um relacionamento e, acima de tudo, gerar experiências sensoriais. De fato, é importante destacar que de nada adianta a marca partir para a plataforma web sem que os alicerces básicos de marketing e branding sejam trabalhados antes, pois assim a marca estará apenas migrando para uma nova plataforma, sem ao menos saber como se relacionar com seus consumidores fora do ambiente digital. Portanto, é importante para as empresas perceber que muitos são os desafios e as ferramentas para a construção de marcas na internet. E, apesar de sua linguagem, suas características e especificidades, esses desafios e ferramentas não estão muito distantes do que é necessário para construir marcas no cenário offline. MÍDIAS DIGITAIS NO VAREJO Os usos e apropriações das mídias digitais por parte de consumidores e empresas tem se intensificado nos últimos anos, sobretudo a partir dos anos 2015. Fator exógeno de extrema importância, o isolamento social necessário por conta da pandemia do coronavírus no início de 2020 antecipou resultados e revelou aumento no número de conexões. De fato, os dados indicam que 70% dos brasileiros estiveram conectados em janeiro de 2020 e com 66% da população com pelo menos um perfil ativo em redes sociais (We Are Social, 2020). O conceito de presença social, proposto por Short et al. (1976), destaca o grau de importância entre dois comunicadores usando um determinado meio de 22 comunicação, sendo certo que os meios de comunicação diferem em seu grau de presença social e essas diferenças exercem papel importante na forma como as pessoas interagem. No caso da presença social em ambientes digitais, Gunawardena e Zittle (1997) complementam que a interação on-line depende fortemente de cada um dos atores envolvidos no processo comunicacional. Nesse sentido, a comunicação difere dependendo da mídia social escolhida e da disposição dos comunicadores em interagirem. Ainda que utilizados por variados segmentos de negócios, as empresas varejistas encontram no ecossistema digital, oportunidades para estabelecer conexões e vínculos emocionais com seus usuários seguidores, cristalizando formatos que combinam pontos de venda (físicos e digitais) com mídias digitais de apoio comunicacional. Trata-se da presença digital, definida como a maneira como as marcas selecionam e se apropriam dos ambientes digitais, de forma integrada, orientadas para o usuário visitante, seguidor, consumidor, para alcançar quatro objetivos estratégicos: posicionamento da marca, relacionamento, vendas e pesquisas (Teixeira, 2019). Desafios se apresentam diretamente relacionados ao protagonismo do consumidor e as suas principais características e hábitos de consumo nos ambientes digitais. Nesse sentido, as marcas precisam interagir com seus visitantes, não somente por meio de publicação de postagens diversas, mas respondendo dúvidas, comentários, elogios e reclamações postados em seus perfis corporativos. Tais publicações precisam ser relevantes, aderentes ao posicionamento da marca, e em volume e frequência que não caracterizem publicidade invasiva na percepção do receptor. É fato que em um ambiente comunicacional altamente diverso, são inúmeros os impactos que os visitantes recebem, não somente de marcas que oferecem benefícios, mas sobre variados temas cotidianos. Caracteriza-se assim, um novo modelo concorrencial onde a atenção do consumidor é disputada por muitos atores. Na expectativa de combinar a sensação de compressãodo tempo e a variedade de opções de consumo, o consumidor busca por experiências que o motiva a direcionar o olhar para determinados conteúdos, buscando vantagens, praticidade e segurança. 23 Estratégias de integração entre os pontos de venda se tornam fundamentais para garantir consistência e unidade comunicacional junto aos públicos. Trata- se da “omnicanalidade”, que pode ser garantida por conta da mobilidade de algumas tecnologias, que permitem ao usuário interagir em tempo real de qualquer lugar e a todo momento. Ao interligar on-line e off-line em uma única proposta de pontos de contato para os consumidores, evidenciam a necessidade de interação de todos a canais selecionados pelas empresas para o estabelecimento da presença digital. A integração entre os pontos de venda físicos e digitais, garante a coerência e unidade do posicionamento da marca. O consumidor deve ter a segurança de estar em contato com a mesma marca, independente do ponto de contato escolhido, bem como experimentar o mesmo tipo de atendimento e sobretudo, as mesmas soluções. A experiência vivida nas interações que ocorrem nas mídias sociais, deve ser a mesma quando o consumidor visita a loja física, ou quando recorre aos canais de atendimento, por exemplo. No vasto menu de opções que se apresentam, as empresas podem estabelecer presença digital em sites de e-commerce, aplicativos, marketplaces e lojas físicas. Delega-se, dessa forma, ao usuário-consumidor a escolha de como pretende interagir quando busca produtos e serviços. Da simples pesquisa de produtos e preços à aquisição de bens, o consumidor define o ponto de contato com a marca. Realizando pesquisas na internet com compra nas lojas físicas (webrooming) ou pesquisando nas lojas físicas com compra nas lojas virtuais (showrooming), torna-se cada vez mais importante que as marcas estabeleçam novas formas de gestão e medição de resultados, tratando da operação integrada como um todo, sem segregar operações on-line das off-line. Os modelos mais utilizados de presença digital incorporam as redes sociais, importantes mídias de diálogo entre consumidores e empresas, bem como blogs e games (menos frequentes). As mídias sociais desempenham importantes papéis no escopo da estratégia digital das empresas, favorecendo o posicionamento, gerando tráfego para os pontos de venda, por conta de estratégias de visibilidade, e colaborando para a ativação dos consumidores e retenção dos mesmos. 24 O posicionamento da marca e sua sustentação ao longo da criação e desenvolvimento da presença digital, se dá por meio das estratégias de conteúdo, que englobam além das mensagens postadas, toda gama de interações, positivas, negativas e neutras, que se apresentam na forma de comentários que reconfiguram a comunicação original das marcas. Respostas a essas interações reorganizam o conteúdo original e devem ser especialmente contempladas para garantir a unidade comunicacional e o posicionamento da marca. O número de visitantes que chega aos pontos de venda deve ser a métrica mais importante para mensurar a força das mídias sociais no planejamento digital. Outras métricas disponíveis nas mídias sociais, como número de seguidores, curtidas em postagens, compartilhamento de conteúdo e comentários, servem para garantir que a presença digital é efetiva, validando as estratégias de produção de conteúdo. Porém, a presença digital das marcas nessas mídias sociais somente será efetiva se gerar tráfego para os pontos de venda, a menos que o objetivo estratégico da marca seja relacionado ao posicionamento, relacionamento ou pesquisa. As estratégias de visibilidade são, portanto, apoiadas no conteúdo criado e distribuído nas mídias sociais, podendo gerar resultados orgânicos, aqui compreendidos como os que independem de investimentos em publicidade paga, como por exemplo, o impulsionamento de postagens, uso de influenciadores, e anúncios em outros ambientes digitais. Além da visibilidade que leva o usuário visitante ao ponto de venda definido pela marca, a partir das interações nas mídias sociais, é possível a utilização de outras estratégias como o envio de mensagens promocionais, esporadicamente. Estratégias de ativação devem favorecer a geração de interações nos ambientes das próprias mídias sociais. Não faz sentido criar perfil em mídias sociais se não resultarem em interações dialógicas entre as marcas e seus públicos. Assim, visitantes ativados são aqueles que manifestam sentimento em relação ao posicionamento da marca, por meio de curtidas, compartilhamentos e comentários. Em adição, estratégias de retenção devem ser contempladas 25 objetivando que esses visitantes se tornem seguidores e marquem o perfil para receberem conteúdo futuro. Nesse sentido, o plano de marketing digital combina os dois pilares: pontos de venda e apoio de marketing por meio das mídias sociais, sendo possível, como apresentado, a possibilidade de realizar ações publicitárias em ambientes não proprietários. Ainda que não possua pontos de venda físicos, marcas e outros fornecedores de produtos e serviços podem construir sua presença digital exclusivamente nas mídias sociais. Dessa forma, esses ambientes podem ser utilizados na perspectiva dos quatro objetivos estratégicos do marketing digital. O Posicionamento e sustentação das marcas ocorrem a partir do momento em que o perfil é criado e na medida em que se mantém ativo através das publicações, atualizações e respostas aos comentários. A gestão da presença digital é, portanto, um fator de extrema importância para garantir a efetividade do posicionamento. Marcas podem optar em utilizar fornecedores e prestadores de serviço externos, mas usualmente criam suas próprias equipes de produção de conteúdo e gestão das interações. Se a marca estabelece como objetivo estratégico criar vínculos mais aprofundados com seus seguidores, pode fazer uso das mídias digitais para esclarecer aspectos operacionais do produto ou serviço oferecidos, responder questionamentos e adaptar o ambiente digital como ponto de atendimento de quaisquer demandas relacionadas à jornada de compra dos clientes. Kotler et al. (2017) consolidam o fator social como fundamental na tomada de decisão de muitos consumidores. Recomendações e experiências compartilhadas por amigos, familiares e seguidores das marcas, muitas vezes têm maior relevância do que o próprio conteúdo disponibilizado nos perfis empresariais. Novos conceitos de espaço e tempo trouxeram outras formas de vivenciar a identidade de pertencimento, decorrentes das maneiras diferente de estar junto (Baccega, 2008). 26 Objetivando a realização de vendas exclusivamente nas mídias sociais, as marcas deverão criar pontos de comércio virtuais para a concretização das compras ou utilizar recursos como mensageiros e aplicativos. Por fim, e de relevância destacada como vantagem competitiva, as marcas podem otimizar a presença digital estabelecida, por meio de pesquisas que utilizam os rastros digitais disponibilizados espontaneamente pelos usuários. Na perspectiva netnográfica, como aponta Kozinets (2010), as comunidades virtuais consolidadas nas redes sociais fornecem dados importantes sobre hábitos e comportamentos do consumidor. As mídias sociais se apresentam como importante complemento nas operações de varejo. Os objetivos devem ser precisos e medidos de forma eficiente, promovendo análises estratégicas que permitem o foco no consumidor. Engajamento, capacidade de ouvir os clientes, uso de linguagem adequada aos públicos em segmentações apoiadas em dados coletados, contatos humanizados com usuários mediados pelas interfaces digitais, entre outros, são alguns dos principais desafios que se apresentam e se modificam no ambiente comunicacional de alta conectividade e mobilidade. Nesse sentido,não há um formato único e cada marca deve organizar sua presença digital, de acordo com seus objetivos estratégicos, produtos e serviços oferecidos, abrangência territorial e, sobretudo perfil dos públicos que pretende atender. 27 CONCLUSÃO Vive-se, hoje, a era da informação, da comunicação sem barreiras. As marcas e a internet participam do cotidiano das pessoas, atuando no imaginário coletivo e transformando a sociedade, que passa a desenvolver-se, consumir e seguir tendências que aparecem nos ambientes digitais. As marcas, na sociedade contemporânea, exercem sua influência de maneira perceptível em nichos e grupos de pessoas que são capazes de formar em torno de sua imagem. Tais nichos potencializam-se na internet, pois, como podemos verificar de acordo com Lévy (1999), a internet está baseada numa estrutura de “todos para todos”, também por se tratar de um ambiente propício para conversação e troca de informações. O branding é essencial nesse contexto, pois é a partir dele que as marcas permitem que, através do consumo, se possa viver em um mundo de ficção, mágico, no qual o consumidor pode se transformar naquilo que quiser, o mundo da marca. Na internet, esse conceito se mantém. E, através das ações da marca na web, o consumidor deverá sentir-se parte daquele universo, experimentar, experienciar a marca e tudo o que ela pode proporcionar 28 REFERÊNCIAS AAKER, David A. Marcas: Brand equity: gerenciando o valor da marca. Tradução: André Andrade. São Paulo: Negócio, 1998. 314p. AAKER, David. A.; JOACHIMSTHALER, Erich. Como construir marcas líderes. São Paulo: Futura, 2000. ADG. Glossário de termos e verbetes utilizados em design gráfico. ADG: 2000. AMA. American Marketing Association. Definition of Brand. Disponível em: . Acesso em 14 de novembro de 2021. BACCEGA, M.A.(Org.). 2008. Comunicação e culturas do consumo. Atlas, São Paulo, SP, Brasil. BRETZKE, Miriam. Marketing de relacionamento e competição em tempo real com CRM. São Paulo: Atlas, 2000. CETIC. Apresentação dos principais resultados TIC Domicílios 2014. Disponível em: Acesso em 14 de novembro de 2021. CHURCHILL, G. A.; PETER, J.P. Marketing: criando valores para os clientes. São Paulo: Saraiva, 2000. 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