Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

APOSTILA
AUXILIAR DEAUXILIAR DE
CRECHECRECHE
https://www.unovacursos.com.br/admin/cursos/curso/133
AUXILIAR DE CRECHE 
INTRODUÇÃO...................................................................................................02 
Capítulo 1 – O Surgimento da Creche no Brasil.............................................03 
Capítulo 2 – A Creche na Atualidade...............................................................07 
Capítulo 3 – As Rotinas na Creche..................................................................10 
Capítulo 4 – Sugestões de Atividades para as Rotinas na Creche..............13 
Capítulo 5 – A Adaptação do Berçário à Creche............................................17 
Capítulo 6 – Sugestões para Atividades no Berçário....................................20 
Capítulo 7 – O que fazer na Hora do Choro....................................................24 
Capítulo 8 – A Arte de Contar Histórias..........................................................27 
CONCLUSÕES..................................................................................................31 
BIBLIOGRAFIA.................................................................................................32 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2 
 
INTRODUÇÃO 
Nas últimas décadas, a educação de crianças pequenas no Brasil tem crescido 
significativamente. A Educação Infantil, que antes era uma etapa pouco 
procurada para a educação, sendo voltada mais a cuidados, atualmente recebe 
a mesma atenção legal, pedagógica e social das outras etapas da educação 
básica. As crianças entram na escola cada vez mais cedo, primeiro por se tratar 
de um lugar seguro para os filhos dos pais que trabalham, segundo porque 
oferece uma formação indispensável para essa fase da vida criança. 
Esse primeiro contato das crianças com as instituições educacionais, se iniciou 
no Brasil como forma assistencialista, para crianças sem família ou vindas de 
lares sem estrutura para cuidar delas em tempo integral. Com o crescimento da 
urbanização e da industrialização, a mulher se insere no mercado de trabalho de 
forma mais intensa e necessita de local que ofereça cuidados e segurança a 
seus filhos: a creche. 
Atualmente, a creche é parte da Educação Infantil, ou seja, obedece a uma 
legislação específica sobre educação, referenciais, paradigmas e parâmetros 
pedagógicos. Sendo assim, os profissionais que trabalham na creche precisam 
de formação específica também. Em nossos estudos, iremos descrever com 
detalhes a formação de um profissional indispensável: o auxiliar de creche. 
Iremos explicar como e para que se forma este profissional e como é seu 
trabalho na Educação Infantil. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3 
 
CAPÍTULO 1 – O SURGIMENTO DA CRECHE NO BRASIL 
O conceito que temos de infância e criança na atualidade é bem recente na 
história ocidental. Hoje, enxergamos a criança como um sujeito com 
necessidades e características próprias, como alguém que precisa de uma 
educação que englobe seu universo e seus aspectos de desenvolvimento. 
Pensando nisso, neste capítulo, iremos apresentar a evolução do conceito de 
infância e como a mudança nesse conceito contribuiu para o aparecimento das 
creches. 
Nossa ideia de criança atualmente é de um indivíduo diferente do adulto, não só 
em idade, mas em maturidade física, psíquica, emocional e cognitiva. Porém, 
nem sempre foi assim, o modo como enxergamos e tratamos a criança depende 
do contexto histórico e cultural. A cultura ocidental atual pensa em criança como 
algo frágil, que precisa de cuidado e proteção. A educação é focada na parte 
cognitiva e intelectual, mas também muito preocupada com o fator psicológico e, 
principalmente após a pandemia de Covid-19, com o emocional. 
Existem algumas diferenças dentro de uma mesma sociedade e comunidade 
sobre o tratamento que se dá para a infância, pois temos que levar em 
consideração valores familiares, renda, nível cultural e educacional dos pais, 
religiosidade e outros detalhes que irão influenciar na criação, nos cuidados e na 
educação das crianças. Porém, ainda assim a forma como enxergamos a 
infância no ocidente é praticamente hegemônica. 
Nem sempre a criança foi vista como tal. Na Idade Média, a diferença de 
tratamento entre crianças e adultos era mínima. Através de documentos, 
literatura, pinturas, diários de família e outras fontes históricas, notamos que 
nesse período o conceito de infância, tal qual o temos atualmente, não existia. 
Era comum crianças usarem roupas de adultos, trabalharem e participarem do 
lazer como os mesmos e dormirem todos juntos com os pais, pois o conceito de 
privacidade e individualidade também é recente. 
A Idade Média era uma sociedade feudal. Nos feudos, o senhor das terras tinha 
poder quase que ilimitado sobre seus servos. Cada feudo tinha regras e leis 
próprias. A Igreja Católica dominava a intelectualidade e a cultura e corroborava 
o feudalismo. As famílias tinham muitos filhos e ansiavam para que estes 
crescessem depressa para poderem realizar mais tarefas, porém, devido à falta 
de cuidados, de atenção e às péssimas condições de higiene da época, muitas 
crianças morriam ainda bebês (AMADO, 2007). 
As crianças servas que chegavam aos sete anos, eram colocadas em outra 
família para aprender ofícios. Assim, a criança perdia muito cedo o contato com 
os pais e irmãos, e os laços familiares não se fortaleciam. Na verdade, o próprio 
conceito de família que temos hoje em nossa sociedade não era válido naquele 
tempo. Não havia também a escola como a temos atualmente, para todos e laica. 
Os poucos colégios eram católicos, destinados a formar religiosos, de 
preferência padres. 
4 
 
Mesmo sem uma educação formal para crianças servas, sem escolas populares 
e laicas, alguns educadores acabaram se destacando com teorias muito à frente 
do seu tempo. Um destes foi o escritor que é considerado o pai da didática 
moderna: João Amós Comênio (1592-1657). 
Comênio era um educador e bispo da igreja protestante. Ele afirmava que a 
criança precisava ter respeitados seus estágios de desenvolvimento, que eram 
seres diferentes dos adultos e que a educação deveria ser fundamentada no 
diálogo. Comênio também defendia pedagogias ativas, baseadas na 
experimentação e um ambiente adaptado à educação infantil. A base da didática 
de Comênio era o contato com o mundo através de experiências sensoriais e 
cognitivas (AMADO, 2007). 
Apesar desse importante teórico, a educação na Idade Média não sofreu grandes 
transformações, pois não havia muita comunicação entre os feudos e o resto do 
mundo. Essa situação só começa a mudar com as grandes navegações, por 
volta do século XV, que fizeram ressurgir o comércio e as cidades. 
Com o enfraquecimento do modelo feudal e o crescimento do mercantilismo, a 
burguesia ganha influência e o comércio se torna o principal objetivo econômico 
da Europa Ocidental. Temos o fortalecimento do trabalho assalariado, da moeda 
e do estilo de vida urbano. Com isso, as escolas e as universidades se tornam 
mais populares, que ajudam a desenvolver estudos científicos e promovem 
debates filosóficos fora do teocentrismo. 
Algumas concepções de infância começam a se difundir, como as que afirmam 
ser a mesma um ser frágil, incapaz, inocente, o que gera uma atitude 
exageradamente paternalista por parte dos adultos. Assim, se forma a família 
burguesa. Nesse período, podemos destacar alguns autores importantes que 
ajudam a formar o conceito de infância que temos atualmente: 
 Jean Jacques Rousseau: O filósofo francês baseava seus conceitos em 
uma educação natural, na qual o homem se desenvolveria, em todo o seu 
potencial, em contato com natureza, que ajudaria a ativar toda a sua 
completude; 
 
 Johann Henrich Pestalozzi: se inspirava em Rousseau ao acreditar que 
a bondade humana era inata e que o meio corrompia o homem, defendeu 
uma educação popular, que ajudaria a reduzir as desigualdadessociais. 
Religioso protestante, pregava a caridade e ajudou a criar creches para 
filhos de operários; 
 
 Friedrich Froebel: foi o primeiro educador a salientar a importância do 
brincar e das atividades lúdicas infantis. Sua teoria educacional envolvia 
a educação familiar e atividades que estimulassem tanto a parte física e 
motora, como a imaginação infantil, usando o jogo simbólico e a literatura 
para trabalhar com crianças menores (AMADO, 2007). 
5 
 
Essas novas teorias e conceitos sobre a infância se fortaleceram muito durante 
o Iluminismo, período filosófico que defendia ideais de igualdade, de democracia 
e de progresso, representando a fortalecida burguesia. Como essas mudanças, 
muitas monarquias se enfraqueceram, levando a nobreza de alguns países ao 
colapso, como foi o caso da França. A revolução francesa depôs a monarquia e 
estabeleceu um governo burguês. 
Com o crescimento do comércio e dos centros urbanos, aparece a necessidade 
de produtos e serviços para atender a população e assim temos a primeira 
Revolução Industrial. Muitas famílias migram para as cidades para trabalharem 
na indústria e surge a necessidade de se construir locais para que os filhos dos 
trabalhadores fossem cuidados e educados. Temos assim, o rudimentar 
surgimento da Educação Infantil, com creches e escolar populares. 
A educação para crianças na época era do tipo compensatória, que visava suprir 
as carências emocionais e materiais das famílias no cuidado infantil. Esse 
cenário só começou a mudar após a Segunda Guerra Mundial com os trabalhos 
da Unicef, novas teorias educacionais e constituições que pregavam uma 
educação mais científica e focada nas necessidades da criança. 
• O Nascimento da Creche no Brasil 
A história da creche no Brasil nos mostra que desde as primeiras instituições 
destinadas às crianças de 0 a 6 anos, o objetivo era o cuidado e a proteção, 
oferecendo alimentação, higiene e segurança enquanto pais e mães 
trabalhavam. Hoje, porém, os pais estão cada vez mais conscientes da função 
formadora da educação infantil e as creches, cada vez mais populares, se 
preocupam também com o desenvolvimento integral da criança. 
As primeiras creches atendiam mães que trabalhavam principalmente em 
serviços domésticos e se destinavam à alimentação, higiene e proteção física. 
Em 1919, o governo brasileiro criou o Departamento da Criança, que acabou se 
tornando uma obra assistencialista mantida pela iniciativa privada. Esse 
departamento tinha como objetivo diminuir a mortalidade infantil, protegendo a 
gestante e a saúde das crianças pequenas (BELLO, 2001). 
Podemos dizer que somente na década de 1930, principalmente com o governo 
de Getúlio Vargas, tivemos a organização de um sistema educacional público, 
gratuito e popular. Em 1930, esse presidente criou o MEC – Ministério da 
Educação, para criar, expandir e gerir escolas públicas e educação superior em 
todo o Brasil. O país vivia uma industrialização e urbanização tardia em relação 
à Europa, muitas mães tinham necessidade de um ambiente seguro para deixar 
seus filhos, enquanto trabalhavam (BELLO, 2001). 
Apesar do movimento pela Escola Nova, que defendia uma educação pública, 
gratuita e laica para crianças de todas as idades e de todas as classes, que se 
fortaleceu na década de 1930, a creche e a pré-escola não tiveram grandes 
atualizações. As mudanças de fato, só começam a ocorrer com a nova Lei de 
Diretrizes e Bases da Educação, de 1996, que traça novos ideais de educação. 
6 
 
O novo paradigma educacional no Brasil promove a formação e atualização de 
professores, a inclusão escolar, e, no caso de crianças pequenas, um ambiente 
próprio para o desenvolvimento infantil. O ensino começa a ser descentralizado, 
ficando a educação infantil como responsabilidade do município da criança. 
Assim, vai se construindo a educação infantil tal qual a temos atualmente: 
oferecida desde o nascimento, dividida entre creche e pré-escola, gratuita, 
pública e obrigatória a partir dos 4 anos de idade. 
A creche então, faz parte da Educação Infantil e o currículo dessa etapa é 
apoiado em leis que objetivam uma formação integral da criança, abrangendo 
aspectos cognitivos, mentais, emocionais, físicos, neurológicos e sociais. Sem a 
escola, a criança não receberá estímulos suficientes, nem cognitivos, nem 
sociais, tão importantes para seu desenvolvimento, como veremos no capítulo 
sobre aprendizagem. 
A formação dos profissionais que trabalham com essa etapa da educação 
precisa ser adequada para ensinar, cuidar e mediar o conhecimento, 
proporcionando aos seus alunos atividades e estratégias didáticas eficientes e 
corretas para cada faixa etária. Assim, o auxiliar da creche precisará conhecer o 
desenvolvimento integral da criança e ser atuante nesse desenvolvimento. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
7 
 
CAPÍTULO 2 – A CRECHE NA ATUALIDADE 
Como descrevemos no capítulo anterior, as grandes mudanças na educação 
infantil, que resultaram nos paradigmas atuais e consequentemente, na creche 
tal qual a temos hoje, foram desencadeadas pela promulgação da LDB de 1996. 
Essa lei estimulou a reformulação, atualização e publicação de outros 
documentos importantes para o cenário atual. 
Em 1998, o Governo Federal publicou o Referencial Curricular Nacional para 
a Educação Infantil, seguindo as orientações da nova LDB. Era um momento 
de renovação na Educação Básica e a Educação Infantil passava a ser uma 
etapa da mesma. Os princípios trazidos pelo RCNEI são (BRASIL, 1998): 
 Respeito à dignidade e aos direitos das crianças, considerando suas 
diferenças individuais, sociais, econômicas, culturais, étnicas, religiosas, 
etc.; 
 
 O direito das crianças a brincar, como forma particular de expressão, 
pensamento, interação e comunicação infantil; 
 
 O acesso das crianças aos bens socioculturais disponíveis, ampliando o 
desenvolvimento das capacidades relativas à expressão, à comunicação, 
à interação social, ao pensamento, à ética e à estética; 
 
 A socialização das crianças por meio da participação e inserção nas mais 
diversificadas práticas sociais, sem discriminação de espécie alguma; 
 
 O atendimento aos cuidados essenciais associados à sobrevivência e ao 
desenvolvimento de sua identidade. 
Em 2001, o Referencial foi reeditado, nele encontramos orientações mais 
detalhadas de como planejar as estratégias pedagógicas adequadas para que a 
criança brinque, aproveite sua infância e ao mesmo tempo se desenvolva 
integralmente, aprenda e expanda seu universo. 
• Diretrizes Curriculares da Educação Infantil (DCEI) 
As Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais da Educação Básica trazem em seu 
conteúdo o currículo adequado para cada etapa desse nível, incluindo a 
educação infantil. Como sabemos, a educação infantil atualmente é dividida em 
creche e pré-escola, atende crianças de 0 a 5 anos, sendo obrigatória a matrícula 
de crianças a partir dos 4 anos de idade. Sendo assim, as diretrizes curriculares 
foram estruturadas pensando no desenvolvimento global da criança dessa faixa 
etária. 
Embora, como parte integrante da educação básica, seja necessário a essa 
etapa o desenvolvimento acadêmico da criança, a educação infantil tem 
diretrizes que a tornam mais flexível e diversificada no currículo, criando um 
ambiente acolhedor e educativo, e atraindo cada vez mais o público infantil. 
8 
 
Como função sociopolítica e também pedagógica, as escolas de educação 
infantil devem cumprir o seguinte (BRASIL, 2010): 
 Oferecer recursos para as crianças usufruírem seus direitos; 
 
 Complementar a educação da criança junto à família; 
 
 Promover a socialização e a sociabilidade infantil ampliando os saberes e 
conhecimentos da criança; 
 
 Promover igualdade de oportunidades a todas as crianças garantindo 
acesso aos bens culturais e intelectuais da nossa sociedade, sem 
discriminação; 
 
 Propiciar desenvolvimento adequado de modo a garantir continuidade nos 
estudos. 
Paraque esses princípios sejam cumpridos, a escola deve valorizar a criança, 
seu ritmo de aprendizagem, sua cultura e suas produções dentro do ambiente 
escolar. Deve-se buscar o desenvolvimento da autonomia, respeitar as 
preferências infantis para brincadeiras e manifestações artísticas, pelas escolhas 
pessoais da criança (OLIVEIRA, 2010). 
O ambiente escolar deve ser saudável, não só na parte material e física, mas na 
parte social, as crianças devem ser incentivadas a trabalhar as relações 
pessoais, desenvolvendo a solidariedade, o respeito à diversidade, a outros 
grupos culturais e étnicos. Desde muito cedo é preciso entender o significado de 
liberdade, de igualdade e de equidade (OLIVEIRA, 2010). 
Através desses princípios percebemos um discurso afiado entre o RCNEI e as 
diretrizes curriculares nacionais para a Educação Infantil (DCNEI). Ambos irão 
salientar a importância de se preservar a infância, resguardando os direitos da 
criança, oferecendo oportunidades de acesso ao conhecimento e à cultura, e 
proporcionando atividades que eduquem e divirtam. 
• Base Nacional Comum Curricular (BNCC): Educação Infantil 
Sendo a educação infantil a primeira etapa da educação básica, é nela que 
começam a se cumprir os objetivos da educação nacional. A nova BNCC vai 
orientar então, a construção de um currículo que atente para esse primeiro 
contato da criança com escola e também para uma proposta de parceria com os 
pais para que não haja uma ruptura na educação da criança. Por isso, a escola 
de educação infantil vai educar e cuidar. 
Além da família, a escola deve manter um vínculo com a comunidade e com a 
sociedade. Toda a formação da criança vai abranger aspectos sociais e culturais, 
por isso, o contexto será sempre valorizado. A própria concepção de criança da 
nova BNCC envolve um sujeito histórico e social. 
9 
 
O educador tem a responsabilidade de observar e orientar as crianças nesse 
processo, selecionando as experiências, as atividades, as brincadeiras, 
auxiliando nos cuidados no aprendizado da autonomia, refletindo sobre o 
desenvolvimento de cada aluno e traçando uma avaliação formativa e individual. 
Portanto, a avaliação de uma criança de educação infantil não pode ser 
padronizada, engessada. 
O currículo vai favorecer essa flexibilidade à escola, pois é dividido não em 
matérias, disciplinas, mas campos de experiências, nos quais a escola vai inserir 
a criança e lhe fornecer o que for adequado a cada campo. Esses campos são 
os seguintes (BNCC, 2017, p. 41): 
 O eu, o outro e o nós: esse campo de aprendizagem é focado nas 
interações da criança com outras da mesma idade e no próprio 
reconhecimento e construção do eu. Em conjunto com a família e a 
comunidade, a escola vai propiciar à criança experiências com seu 
contexto histórico, cultural e social. Também nesse campo, a criança vai 
aprender a ser mais independente e autônoma, iniciando a formação de 
sua personalidade e individualidade; 
 
 Corpo, gestos e movimentos: esse campo vai desenvolver a parte 
física, motora e consequentemente a cognitiva e neurológica. O ambiente 
escolar vai ser adaptado para fornecer experiências e atividades que 
envolvam a exploração do mundo material, sensorial, espacial. A criança 
vai descobrir seus próprios gestos e movimentos, assim como de seus 
pares, correndo, pulando, saltando, dançando, cantando, etc.; 
 
 Traços, sons, cores e formas: o professor pode usar esse campo para 
expor para a criança a diversidade de manifestações artísticas e culturais. 
Os cinco sentidos são usados para conhecer a parte estética do mundo 
exterior e a interpretar toda a diversidade de cores e formas do ambiente 
e das produções humanas. A criança vê a arte e aprende a produzir arte; 
 
 Escuta, fala, pensamento e imaginação: a criança vai desenvolver a 
comunicação, conhecendo as múltiplas linguagens e desenvolvendo a 
inteligência linguística. Nesse campo, temos o contato com a escrita, com 
a literatura. Veremos em um capítulo próximo como esse campo de 
experiência funciona na educação infantil; 
 
 Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações: a criança 
vai explorar atividades que envolvam as primeiras noções de tempo e 
espaço, as primeiras operações lógicas e os fenômenos físicos. Vai 
começar a entender o mundo material em que vive. 
Todos esses campos de experiências explorados na educação infantil objetivam 
desenvolver na criança as mais variadas habilidades e as competências 
necessárias não só para prosseguir em seus estudos, no futuro, mas também 
para prepará-las para o ambiente físico e social no qual viverão. 
10 
 
CAPÍTULO 3 – AS ROTINAS NA CRECHE 
O currículo da Educação Infantil tem como objetivo articular experiências e 
saberes da criança com a bagagem intelectual e cultural da humanidade. Sendo 
assim, o currículo da educação infantil não é engessado e fixo, vai acompanhar 
o crescimento, o desenvolvimento, o ritmo e a individualidade infantil. Assim, as 
escolas e as creches dessa etapa recheiam seu cotidiano com atividades 
práticas, lúdicas, didáticas, culturais, esportivas, dentre outras, objetivando a 
construção de vivências significativas para as crianças. 
A estrutura física da escola, o material didático, o ambiente, as tecnologias, as 
atividades, tudo vai girar em torno dessas experiências. Os princípios 
norteadores do currículo da escola de educação infantil são (OLIVEIRA, 2010): 
 Princípios éticos: valorização das relações humanas, da autonomia 
moral, do respeito ao outro e ao planeta em que vivemos; 
 
 Princípios políticos: garantia e respeito a todos os direitos da criança, à 
democracia e coletividade; 
 
 Princípios estéticos: valorização das artes, da sensibilidade, da 
ludicidade, da cultura e da criatividade. 
O currículo então, segundo terceiro volume do RCNEI, se desenvolve em seis 
eixos de trabalho. São eles (BRASIL, 1998): 
 Movimento: já colocamos aqui a importância do desenvolvimento 
psicomotor, de a criança exercitar a parte motora, conhecer o corpo e 
seus movimentos. Esse eixo de trabalho vai orientar os professores a 
desenvolver atividades que contemplem esse aspecto; 
 
 Música: desde antes do nascimento os sons devem fazer parte do 
universo infantil. Por isso, a escola vai apresentar uma variedade de sons, 
de notas musicais, de instrumentos. A criança vai entrar em contato com 
os mais diversos ritmos, canções, letras e expressões musicais, 
relacionando-os com seus sentimentos, seus movimentos, seus 
pensamentos e sua individualidade; 
 
 Linguagem Oral e Escrita: a principal função desse eixo de trabalho é a 
comunicação. Através da linguagem e suas múltiplas manifestações, a 
criança vai usar a comunicação para se socializar e ter acesso aos bens 
culturais e acadêmicos de sua sociedade. Para isso, o professor vai usar 
todos os recursos escritos e orais disponíveis para que a criança se 
familiarize com as palavras, despertando assim, o interesse pela leitura e 
a escrita; 
 
 Artes Visuais: são manifestações que envolvem os sentidos das 
crianças, mexendo com seus sentimentos, pensamentos e apontando as 
11 
 
formas da realidade que a cerca. Nesse eixo devem ser trabalhados todos 
os espaços, luz, pintura, desenho, escultura, modelagem, volumes, etc.; 
 
 Natureza e Sociedade: esse eixo orienta para o desenvolvimento de 
atividades que conscientizem as crianças sobre a importância dos 
cuidados com o meio ambiente, que lhe ofereçam conhecimento sobre a 
natureza e sobre a sociedade em que vivem, ensinando modos de se 
relacionar com as pessoas, com a fauna e a flora; 
 
 Matemática: a criança deve, desde cedo, ter contato com as noções de 
número, de lógica, de tempo, de espaço, de lateralidade, entre outras 
questões relacionadas aos problemas do cotidiano, que envolvam essas 
noções. 
Através desses seis eixos, a escola vai planejar seu currículo e suas atividades 
pedagógicas para as crianças de dois grupos: de 0 a 3 anos (creche, berçário ou 
maternal) e de 4 e5 anos (pré-escola). O auxiliar de creche, que irá trabalhar 
diretamente com as crianças, tem algumas responsabilidades específicas em 
sua rotina, tais como (SALGE et al, 2011): 
 Orientar a crianças em suas necessidades pessoais, como higiene e 
postura; 
 
 Estar em diálogo constante com os outros profissionais da escola para 
sempre resolver os problemas de modo rápido e eficiente; 
 
 Planejar as atividades pedagógicas adequadas; 
 
 Trazer situações que envolvam reflexão e participação das crianças; 
 
 Seguir as orientações curriculares; 
 
 Manter a organização e a disciplina durante as atividades; 
 
 Estar em formação e atualização constantes. 
Planejar e organizar a rotina da educação infantil é uma tarefa prazerosa, mas 
que envolve bastante responsabilidade. Quando se trata de crianças, rotina, 
disciplina e organização são parceiras constantes. Uma criança precisa desses 
3 aspectos para construir sua personalidade, desenvolver a base cognitiva, física 
e emocional, aliás, todos precisamos disso. 
Sendo assim, a rotina de atividades deve ser cuidadosamente planejada. Com 
horários e datas preestabelecidos, mas que podem ser alterados facilmente, pois 
quando se trata de crianças, nada pode ser engessado, a rotina deve ser flexível. 
Toda a organização deve levar em conta, em primeiro lugar a criança e as 
necessidades da idade, e em segundo, o espaço e material disponíveis. Tendo 
isso em mente, as atividades devem ser as mais diversificadas e variadas, para 
12 
 
estimular ao máximo o desenvolvimento da criança. Não podem faltar atividades 
ao ar-livre, música, dança, teatro, artes, esportes (próprios para a idade), jogos 
de exercitação, atividades lúdicas e muitas brincadeiras. Os seis eixos de 
trabalhos citados pelos RCNEI devem permear toda a rotina. Vejamos um 
exemplo de plano de atividades: 
ROTINA DA EDUCAÇÃO INFANTIL – SEGUNDA, 18 de abril de 
2022 
ATIVIDADE ESPAÇO DURAÇÃO 
Organizar a sala de aula: 
tema do dia 
Sala de aula 30 minutos 
Recepção das crianças: 
música e dança 
Sala de aula 15 minutos 
Leitura de poema e 
conversa sobre o mesmo 
Cantinho da leitura 
dentro da sala 
30 minutos 
Desenho sobre o poema Mesinhas na sala de 
aula 
30 minutos 
Colar desenhos no mural Sala de aula 30 minutos 
Intervalo 1 
Brincadeiras ao ar livre no 
parquinho 
Parquinho da escola 30 minutos 
Atividade com blocos 
lógicos 
Sala de aula 30 minutos 
Momento de relaxar: 
cantiga 
Sala de aula 10 minutos 
Intervalo 2 
Leiturinha: folhear livros Brinquedoteca 15 minutos 
Montando uma historinha 
sobre livro escolhido 
Pátio ou brinquedoteca 30 minutos 
Escolhendo bonecos ou 
fantoches 
Brinquedoteca 15 minutos 
Apresentação do teatrinho Brinquedoteca 30 minutos 
Cantigas Sala de aula 10 minutos 
Almoço 
Soneca e higiene pessoal Sala da soneca e 
banheiros 
50 minutos 
Hora do meio ambiente: 
cuidar da horta 
Área verde 45 minutos 
Intervalo 
Esportes e brincadeiras 
em grupos 
Quadra 50 minutos 
Hora da limpeza e higiene Sala de aula 30 minutos 
Encerramento do dia com 
música e dança 
Sala de aula 15 minutos 
13 
 
CAPÍTULO 4 – SUGESTÕES DE ATIVIDADES PARA AS ROTINAS NA 
CRECHE 
A creche tem a função de cuidar e educar as crianças, mas não pode esquecer 
a importância da diversão, do entretenimento e do brincar no desenvolvimento 
delas. Neste capítulo, iremos descrever tipos de atividades que podem ser 
desenvolvidas com crianças de 0 a 3 anos, que é o público-alvo da creche. Antes 
disso, porém, é interessante explicarmos as características cognitivas e 
emocionais dessa faixa etária. 
Quando pensamos no desenvolvimento da criança, precisamos entendê-lo de 
forma integral, com aspectos físico-neurológicos, cognitivos, sociais e afetivos. 
Na parte neurológica, segundo a revista Nova Pediatria (2017), o 
desenvolvimento da criança é contínuo e se inicia antes do nascimento. Quando 
nasce, a criança tem pouco contato com o meio, a visão é limitada e as ações 
são, em sua maioria, reflexas. 
Até os 3 meses de vida ela começa a fixar o olhar, busca por cores e sons. Entre 
3 e 6 meses melhora a visão, a audição, o tato, inicia contatos sociais como 
buscar as pessoas e esboçar sorrisos. Entre 6 e 9 meses o bebê já tem uma 
interação maior com o meio, com as pessoas e os objetos, é curioso e exercita 
atividades motoras. Manifesta uma diversidade maior de emoções e reconhece 
sons, objetos e pessoas. 
Ao completar 1 ano, a criança começará a se apoiar e andar. Também começa 
a desenvolver a linguagem. Entre 1 ano, e 1 ano e meio, a criança fará grande 
avanço neurológico. Explora o ambiente, interage com ele, começa a exercitar a 
linguagem. Após os três anos, a criança tem maior autonomia motora, se veste 
sozinha, se limpa, se alimenta. Também aprende regras com mais facilidade. 
Para entender o que é necessário para a criança se desenvolver, neurológica e 
cognitivamente, vamos conhecer a teoria de desenvolvimento cognitivo do 
biólogo suíço Jean Piaget. Ele dividiu esse desenvolvimento em quatro fases das 
quais apresentamos as duas primeiras (PIAGET, 1964): 
 Período Sensório-Motor (0-2 anos): fase de exercício dos reflexos, das 
atividades sensoriais, primeiros contatos com o meio, seus indivíduos e 
seus objetos. A criança desenvolve a linguagem, é egocêntrica, ou seja, 
centrada no próprio “eu”; 
 
 Período Pré-Operacional (2-6 anos): a criança inicia o processo de 
socialização, procura os pares para poder interagir e se comunicar. No 
jogo, a criança dessa idade faz as próprias regras e exercita o lúdico, o 
faz-de-conta. É muito curiosa e quer explicações para tudo. 
Além das fases de desenvolvimento cognitivo, Piaget nomeou as fases de 
desenvolvimento moral, nas quais a criança se relaciona com o conceito de 
regras e respeito pelo cumprimento das mesmas, vejamos (PIAGET, 1994). 
14 
 
• Anomia: ocorre até os 2 anos de idade e a criança não consegue 
entender ainda o conceito de regra; 
 
• Heteronomia: a criança começa a entender verbalizações de regras, mas 
não compreende o sentido delas, então, ela obedece às mesmas por 
medo de sanções ou por respeito/medo dos pais ou outra pessoa que 
considere uma autoridade, é uma fase de imitação de comportamentos. 
Além dessas duas, temos a autonomia, que é alcançada, teoricamente, por volta 
dos 12 anos. Relacionado ao aspecto social, temos o afetivo, no qual se destaca 
a teoria de Henri Wallon. Para Wallon, os aspectos cognitivo, motor e emocional 
são igualmente importantes no desenvolvimento humanos e somente esses 
aspectos em equilíbrio resultam em aprendizado real. A teoria de Wallon divide 
o desenvolvimento humano em cinco etapas, das quais citamos as primeiras 
(Galvão, 1995): 
 Impulsiva-emocional: surge no primeiro ano de vida da criança e é 
caracterizada pelas interações afetivas; 
 
 Sensória-motora e projetiva: vai até os 3 anos, é caracterizada pela 
exploração dos espaços e dos objetos. Também surge o jogo simbólico e 
a linguagem. 
Um dos fatores mais importantes do desenvolvimento infantil é o psicomotor. A 
psicomotricidade envolve aquisições cognitivas, afetivas e orgânicas, 
sustentadas pelo movimento, intelecto e afeto, assim, a criança precisa ter 
estímulos nesses três aspectos para se desenvolver de forma saudável. As 
atividades escolares que envolvem a psicomotricidade vão proporcionar à 
criança a expansão dos movimentos espontâneos, a construção da 
personalidade e uma noção realista do próprio corpo (VELASCO, 2020). 
Muitos problemas comportamentais, que surgem na primeira infância, podem ser 
contornados e sanados com o auxílio dos movimentos psicomotores dirigidos 
pelos professores. Crianças com instabilidade emocional, baixa autoestima, 
problemas de comunicação oral, introspecção excessiva e isolamento social, 
encontram no movimento corporal uma nova forma de ver e de interagir com o 
mundo, podendo acessar suas inseguranças e trabalhar nelas (VELASCO, 
2020). 
A escola também deve ter ambiente estruturadopara a criança se movimentar 
de forma segura. Toda a área destinada à educação infantil deve ser um espaço 
lúdico, colorido, cheio de formas, de materiais educativos e que estimulem a 
curiosidade infantil. Deve haver uma área externa, que além de segura, deve 
oferecer objetos e brinquedos para as crianças explorarem, aprenderem e se 
divertirem (VELASCO, 2020). 
Aqui, cabe uma pausa para algumas definições de jogo. Segundo Dinello (2007), 
a criança participa de três tipos de jogos: os de exercitação, o simbólico e o de 
regras. Os jogos de exercitação envolvem repetição e hábito, e são comuns 
15 
 
desde os primeiros meses de vida, quando a criança costuma repetir gestos e 
movimentos. O jogo simbólico vem em seguida, é a brincadeira de faz-de-conta 
e exercita a imaginação. O jogo de regras acontece quando a criança já 
consegue entender essas regras e já tem maturação cognitiva e/ou motora para 
praticá-lo. Por exemplo: damas, jogos de tabuleiro, esportes individuais ou 
coletivos, bolinhas de gude, esconde-esconde, etc. 
Compreender as regras e interagir com os outros participantes é fundamental 
para se praticar o jogo de regras, por isso, as crianças muito pequenas têm 
dificuldades em participar e geralmente são chamadas pelos colegas maiores de 
“café-com-leite”, ou seja, apenas participam, sem competir. 
Existem muitas brincadeiras e atividades lúdicas que o auxiliar na creche de 
educação infantil pode fazer com suas crianças. De acordo com o site Brasil 
Escola (2020), existem brincadeiras que além de exercitar o lúdico, irão 
desenvolver também a parte psicomotora, atingindo assim, mais objetivos de 
aprendizagem, vejamos algumas: 
 Brincando com as texturas: o professor vai selecionar diferentes 
materiais como veludo, gel, algodão, lixa, cortiça, etc. Esses materiais 
devem ter texturas e tamanhos diferentes. O professor coloca uma venda 
na criança e pede para ela tocar o material e descrever; 
 
 Gato mia: as outras crianças irão se esconder e uma delas sai para 
procurá-las. A criança que procura pode dizer por três vezes: gato mia! 
As crianças escondidas, então, têm que miar; 
 
 Caminho colorido: o professor espalha papel pardo no chão e distribui 
tintas para as crianças passarem nos pés, assim, elas irão andar no papel 
traçando um caminho. O professor pode propor desafios para as crianças 
treinarem sua coordenação motora; 
 
 Toca do coelho: o professor espalha bambolês no pátio e coloca as 
crianças em cada um, uma fica deve ficar fora. Ao sinal do professor, 
todas saem do seu bambolê e procuram outro, sempre uma sobrará. 
Outros jogos interessantes com as crianças envolvem as histórias infantis. Ao 
contar uma história, o professor pode usar fantoches, dedoches, bonecos e as 
próprias crianças podem participar se vestindo de personagens. O professor 
pode investir no cenário e no ambiente, transportando a criança para dentro da 
narrativa, produzindo sons, cheiros e interpretando os contos. A criança também 
pode criar sua própria história, isso daria a chance de montarem seus 
personagens fazendo roupas, acessórios, maquiagem, penteados, treinando 
assim várias habilidades. 
Para que a criança desenvolva a imaginação e também o movimento psicomotor, 
a escola deve oferecer brinquedos adequados a cada faixa etária, seguros e 
criativos. Abaixo, listamos alguns brinquedos interessantes para crianças de 0 a 
6 anos que as escolas podem oferecer e que são seguros para cada idade: 
16 
 
 
 Para bebês: brinquedos que trabalhem os cinco sentidos, com muita cor, 
sons variados, tamanhos diferentes. Destacam-se os brinquedos de 
encaixe e que reproduzem sons do ambiente, chocalhos, móbiles. 
Sempre em tamanho grande, com peças maiores, para o bebê não 
engolir; 
 
 Crianças entre 1 e 3 anos: pode-se inserir livros em alto relevo, figuras, 
imagens, bonecos e bonecas grandes, ursos e outras pelúcias 
(antialérgicos); veículos de transportes (os de brincar e os de andar, como 
trenzinhos e triciclos); brinquedos ao ar livre como bolas, caixas de areia, 
balanços pequenos; brinquedos de montar com blocos maiores, quebra-
cabeças de peças maiores; instrumentos musicais adaptados para a 
idade, entre outros. Lembremos que os brinquedos vêm com classificação 
indicativa, então é importante atentar a ela; 
 
 Crianças entre 3 e 4 anos: brinquedos que estimulem a imaginação, o 
lúdico, fantasias, acessórios de super-heróis e personagens infantis; 
brinquedos que simulem situações do cotidiano como mercado, banco, a 
própria escola, trânsito, cozinhas, postos de gasolina, casinhas, etc.; 
também pode-se usar jogos de memória, de cálculos simples, de formar 
palavras, entre outros que sejam didáticos e divertidos. 
Portanto, enquanto a psicomotricidade vai ajudar a criança a atingir a maturação 
física, motora e cognitiva com seus exercícios e práticas, a atividade lúdica vai 
ajudar a criança a desenvolver o aspecto intelectual, o social e afetivo, e as duas 
unidas farão ainda mais pelo desenvolvimento infantil. Por esse motivo, o ato de 
brincar é uma prioridade na infância, principalmente na educação infantil. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
17 
 
CAPÍTULO 5 – A ADAPTAÇÃO DO BERÇÁRIO À CRECHE 
O ensino de crianças no Brasil é composto primeiramente pelo Maternal, que 
vai de 0 a 3 anos, sendo que o Berçário vai de 0 a 1 ano e os maternais 1, 2 e 
3 um para cada ano de vida. Em seguida, temos a Educação Infantil de 4 e 5 
anos, sendo obrigatória a matrícula da criança. O período que a criança 
permanece no berçário pode variar de escola para escola, mas geralmente, após 
12 meses completos ela costuma ir para o maternal ou creche. Antigamente, 
somente o maternal era composto por atividades educativas, mas pelas leis 
atuais a creche também precisa promover desenvolvimento integral da criança. 
Preparar o bebê para a creche é algo que preocupa tanto os pais, como os 
educadores e cuidadores. Qualquer mudança de ambiente para crianças muito 
pequenas requer uma série de cuidados e preparos, sendo assim, deixar o 
berçário também necessita de atenção. É isso que descreveremos a seguir. 
• A Transição para a Creche 
Em primeiro lugar, o preparo deve começar com antecedência e exige paciência 
e planejamento. Esse momento requer adaptações e habilidades para contornar 
eventuais imprevistos e fazer ajustes necessários. O bebê que já ficava em um 
berçário pode estar mais acostumado a pessoas e ambientes diferentes, mas 
isso não significa que não precise ser preparado previamente. 
As mudanças na rotina devem ser vivenciadas e experimentadas 
antecipadamente, para que a criança se sinta segura na transição. A família deve 
ter participação ativa nesse processo, sendo informada e treinada também com 
antecedência. Nas primeiras semanas de adaptação na creche, é comum que a 
criança esteja mais sensível. Acalentar, conversar pacientemente, acolher e 
explicar o que está acontecendo é essencial nesse momento, mesmo a criança 
não dominando a linguagem verbal totalmente. 
Os pais precisam iniciar o processo de integração em casa. Conversando com a 
criança, explicando que a creche é um ambiente seguro e divertido, mantendo 
uma postura calma e segura, para não causar ansiedade no bebê. A creche é 
uma oportunidade de conviver com os pares, o que é fundamental para o 
desenvolvimento social e cognitivo. A creche, por sua vez, precisa promover a 
socialização das famílias com o ambiente antes da rotina se iniciar. 
Nas primeiras semanas, uma pessoa do convívio da criança precisa estar 
presente todos os dias para ajudar na adaptação, se desvinculando aos poucos, 
cada dia ficando menos tempo, para a transição não ser brusca. O mesmo vale 
para crianças que passam do berçário para a creche e terão que conviver com 
profissionais diferentes, os antigos devem participar da adaptação. Acompanhar 
a criança de perto, alguns dias da semana, facilita a adaptação na creche 
Na despedida, os pais precisam adotar uma postura firme, mas compreensiva.Se houver choro, os pais devem ser orientados a ficar calmos, manterem uma 
expressão serena e conversarem com a criança, explicando que estão indo, mas 
voltam. Nos primeiros dias, provavelmente, será mais difícil, por isso a ruptura 
com a família ou o antigo ambiente não pode ser brusca, mas gradual. 
18 
 
Por isso, o ideal é haver um diálogo aberto entre a escola e a família, antes dessa 
passagem. A família precisa ser orientada a evitar atrasos e faltas nas primeiras 
semanas, para não prejudicar o processo de adaptação e causar ansiedade na 
criança. É preciso que os educadores informem detalhes sobre a rotina e o 
comportamento da criança na creche. Esse processo de adaptação é gradual e 
exige paciência. Se possível, a creche deve permitir que a criança leve 
brinquedos ou objetos de afeto. 
Se os pais tiverem muita dificuldade de controlar as emoções na hora da 
despedida, é bom aconselhá-los a deixar que um outro responsável leve o bebê 
para a creche, pelo menos nos primeiros dias. Embora a memória de longo prazo 
da criança ainda esteja em formação, experiências ruins na creche ou escolinha 
podem ser traumáticas e criar uma imagem ruim do processo educativo. 
• As Funções do Auxiliar de Creche na Transição 
Embora todos na creche devam participar da transição do berçário para a rotina 
regular, o auxiliar de creche tem tarefas e responsabilidades especiais nesse 
processo, pois é um profissional que está em contato com todos: família, criança, 
educadores e gestão escolar. Vejamos mais algumas dicas: 
 Planejamento: a gestão escolar possivelmente preparará o ambiente e a 
equipe para a recepção dos novos bebês vindos do berçário e planejará 
um cronograma, onde cada um irá desempenhar tarefas de acolhimento. 
Nesse ponto, é importante que o auxiliar fique atento às essas 
orientações, tire as possíveis dúvidas, dê sugestões e se mostre 
disponível para o trabalho com as novas crianças; 
 
 Preparo Profissional: caso seja ainda inexperiente nesse processo de 
transição das crianças do berçário para a creche, é importante que o 
auxiliar converse com funcionários mais antigos, se informando sobre 
detalhes do processo, sobre as crianças e sobre os procedimentos. Se 
possível, seria interessante se informar sobre os bebês com funcionários 
do berçário, para estar preparado para lidar com eles; 
 
 Organizar o Ambiente: o auxiliar deve estar atento à higiene e segurança 
do ambiente que irá receber os bebês, monitorando também se está 
arejado, iluminado e com brinquedos adequados. Fazer uma decoração 
especial para receber as crianças também é interessante; 
 
 Recepção da Família: se separar dos filhos é difícil, ainda mais quando 
são bebês, por isso, é preciso que mães, pais ou responsáveis que 
deixam as crianças na creche sejam recebidos com alegria, calma e com 
todas as informações sobre o funcionamento da creche. Se houver 
comoção, é preciso acalmar os familiares e explicar que o ambiente é 
seguro e divertido, e que haverá outros bebês, o que é bom para a 
criança; 
 
19 
 
 Acolhimento dos bebês: as crianças podem chorar e se assustar muito 
nas primeiras semanas, então o auxiliar precisa estar sempre presente, 
oferecendo afeto e tudo mais que for necessário para acalmá-las; 
 
 Acompanhamento: o auxiliar deve estar sempre monitorando os bebês 
para ver se a adaptação deles está indo bem. Qualquer sinal contrário 
deve ser informado à gestão ou direção, e também aos pais; 
 
 Diálogo: todas as informações sobre o processo de adaptação dos bebês 
à creche que o auxiliar julgar importante devem ser passadas à equipe, 
para que não haja negligência de nenhuma parte; 
 
 Paciência e Empatia: lembre-se que são bebezinhos, portanto, é muito 
importante ter empatia, ser paciente e ser afetuoso com eles. 
Com essas informações, a transição das crianças do berçário para a creche se 
dará de forma mais tranquila e segura, tanto para elas, como para a escola e a 
família. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
20 
 
CAPÍTULO 6 – SUGESTÕES DE ATIVIDADES PARA O BERÇÁRIO 
O berçário geralmente acolhe bebês de 0 a 12 meses, mas a idade pode variar 
de uma instituição para outra. Apesar disso, é um momento de extrema 
importância para os pequenos, pois ali eles desenvolverão seus aspectos 
emocionais, cognitivos e sociais na maior parte do tempo. Atualmente, os 
berçários e creches têm a função tanto de cuidar como de educar. Assim, esses 
locais prezam pelo desenvolvimento de forma integral, como: 
 Formação da identidade de si mesmo 
 Socialização com os pares 
 Desenvolvimento da comunicação e expressão 
 Desenvolvimento psicomotor 
 Reconhecimento das emoções, pensamentos, sensações e 
sentimentos. 
A parte do dia que a criança passa no berçário precisa desenvolver todos esses 
aspectos, por isso, sua rotina precisa contar com atividades que envolvam a 
exploração do ambiente, de forma segura, e dos cinco sentidos da criança: 
olfato, paladar, audição, visão e tato. Durante o dia no local, os pequenos 
precisam ter suas primeiras experiências com texturas, cores, formas, sons, 
tamanhos, dentre inúmeros outros elementos da realidade. Assim, as atividades 
devem envolver: 
 Adaptação ao ambiente e exploração do mesmo; 
 Estímulo da curiosidade; 
 Desenvolvimento dos 5 sentidos; 
 Capacidade de lidar com os sentimentos e emoções. 
Nesse sentido, as brincadeiras precisam envolver brinquedos coloridos e que 
emitem sons, pois eles contribuem com o desenvolvimento das crianças. Além 
desses, há também os brinquedos de empilhar e encaixar, que são ótimos para 
desenvolver a coordenação e o raciocínio lógico dos bebês. Brinquedos devem 
ser seguros, com peças grandes, que não oferecem riscos à saúde. Veja 
algumas dicas de materiais para usar com as crianças: 
 Objetos coloridos 
 Aplicativos que produzem sons de animais e natureza 
 Revistas para fazer colagens 
 Luzes coloridas 
 Tecidos com texturas diferentes 
O espaço físico do berçário deve ser primeiramente seguro. Não deve haver 
nenhum material ou objeto que ofereça risco à saúde da criança. Em segundo 
lugar, precisa ser confortável, arejado e limpo, para que a criança possa explorar 
o ambiente de forma salubre. Por fim e não menos importante, deve conter 
materiais e objetos educativos e divertidos, para estimular o desenvolvimento e 
a curiosidade. O local deve garantir o seu desenvolvimento cognitivo, social, 
afetivo e motor. Pensando assim, um berçário deve ter: 
 Sala para dormir e repousar: confortável, segura, arejada, limpa e 
silenciosa; 
21 
 
 Fraldário e sanitários: com local limpo para troca de fraldas, 
higienização, banho e cuidados em geral; 
 
 Sala de brincar: com os brinquedos e atividades de lazer. Pode haver 
uma brinquedoteca também, mas depende da condição financeira da 
creche; 
 
 Local externo: um espaço ao ar livre para as crianças é fundamental, 
com jardim e hortas, parquinho, gramado. Esse ambiente não precisa ser 
grande, mas precisa oferecer essas oportunidades de interação com a 
natureza. 
Muitas vezes o espaço precisa de recursos para oferecer o máximo para seus 
bebês, mas nem sempre isso é necessário. Pequenos espaços, com criatividade 
e colaboração de todos podem se tornar divertidos e eficientes para o 
desenvolvimento da criança. 
 Atividades com os Bebês 
Ao pensarmos nas atividades que podemos oferecer para crianças do berçário, 
precisamos entender que elas precisam ser seguras, educativas e que 
estimulem o desenvolvimento e a diversão. A seguir, apresentamos algumas 
dicas: 
• Esconde – Esconde do cobertor 
Bebês adoram a brincadeira de esconder. Você pode usar um cobertor, edredom 
ou qualquer outro tecido para tampar seu rosto e em seguida mostrar à criança. 
• Caretas 
Bebês adoram observar rostos e expressões, pois ainda não desenvolveram a 
comunicação verbal. Por isso, faça caras e bocas para eles enquanto emita sons 
engraçados. Mesmo que eles não demonstrem grandes reações, como darrisadas, ficará entretido observando. 
• Rodar, pular e dançar 
Segurando o bebê no colo, você pode rodar, dançar, pular e balançar. Associe 
essa experiência à música, cantando ou ouvindo canções divertidas. Não se 
esqueça de segurar sempre os bebês na postura correta. 
• Brincadeira com os dedoches 
Outra atividade que as crianças de uma forma geral amam é com dedoches. 
Esses dedoches são encaixados nos dedos das mãos e podem ser feitos em 
casa, com retalhos, cartolina, luvas, etc. Observe a imagem abaixo, do blog 
Moda Infantil: 
22 
 
 
• Pisca-pisca e Mímica 
Piscar os olhos e fazer gestos de mímica para os bebês estimula o aspecto 
cognitivo e a curiosidade, fazendo com que ele também tente imitar o adulto e 
promovendo a interação. 
• Teatro de fantoches 
Use fantoches, bonecos ou até os dedoches para criar histórias para os bebês. 
Os brinquedos também podem virar personagens. 
• Encontre o brinquedo 
Essa é uma brincadeira que estimula o aspecto psicomotor, exercitando os 
músculos, incentivando o bebê a engatinhar e usar as mãos. Além de ser 
divertida, também promove a interação com os outros bebês e desenvolve a 
concentração. Esconda um brinquedo (na frente deles) e deixe a criança 
procurar. 
• Circuito 
Coloque almofadas e travesseiros em cima de um edredom, assim como os 
objetos preferidos dos bebês. O objetivo é estimulá-los a pegar esses objetos 
passando por desafios, como desviar de almofadas. Deixe que os bebês se 
movimentem livremente, sem controlar muito, para que usem todos os grupos 
musculares. 
• Bolhas de sabão 
Essa atividade é bem prática e fácil, mas precisa de cuidados. Selecione sabão 
neutro, produza as bolas de sabão longe dos bebês, principalmente dos olhos. 
Se eles quiserem tocar as bolhas, segure-os no colo para apenas as mãozinhas 
terem contato com o sabão. 
• Cantigas e Músicas 
A música e os sons são importantes para o desenvolvimento do bebê, portanto, 
coloque sempre alguma canção de ninar, músicas próprias para a idade, mostre 
vídeos divertidos, como os do canal Quintal da Cultura, que tem conteúdo 
adequado para crianças pequenas. Se você tiver habilidade para cantar ou tocar 
23 
 
algum instrumento, apresente-se para as crianças, mas lembre-se de duas 
coisas: o som não pode ser alto e o conteúdo deve ser apropriado para crianças. 
• Pintar e Desenhar 
Deixar que os bebês já entrem em contato com tinta, pincéis, canetinhas, giz de 
cera e outros materiais de desenho é importante para desenvolver o movimento 
de pinça com os dedos (veja a imagem abaixo) e assim estimular a coordenação 
motora fina; 
 
 
Aproveitando as tintas, que obviamente devem ser apropriadas (não-tóxicas, 
antialérgicas), os bebês podem brincar com os pés e mãos, marcando papel 
pardo, tecidos, cartolinas, etc. 
 
• Natureza 
Ao ar livre, mostre aos bebês as cores, as formas e os cheiros dos jardins, das 
plantas. Mostre os pássaros e imite os sons para eles. Uma atividade divertida é 
imitar os sons dos bichos, mostrando imagens, bonecos ou pelúcias, associando 
o som ao animal que o produz. Deixe os bebês tocarem os bichinhos e bonecos, 
para sentirem as texturas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
24 
 
CAPÍTULO 7 – O QUE FAZER NA HORA DO CHORO 
A creche ou a escolinha são locais onde a criança passa boa parte de seu tempo. 
Por isso, o choro aparece em diversas situações: na fase de adaptação, na 
chegada, na saída, em situações de conflito, etc. Crianças de 0 a 6 anos 
costumam chorar por diversos motivos e neste capítulo, iremos descrever as 
principais causas do choro infantil e como agir em relação a essas causas. 
Na rotina de quem cuida ou auxilia, o choro imediato, muitas vezes acontece 
quando os pais deixam a criança. Essa ansiedade pela separação ocorre com 
todos por quem a criança tem afeto e até com objetos. Por isso, os momentos 
de chegada são, na maioria das creches, os mais estressantes. A saída também 
acaba tendo choro, porque a criança vê o familiar e se emociona, mas é um 
momento mais tranquilo. Ao longo da rotina cotidiana, no entanto, alguns choros 
se tornam comuns, como os de birra, tristeza, raiva, fome, sono, enfim, veremos 
todos esses tipos. 
Primeiramente, precisamos compreender que quanto menor a criança, menor 
sua comunicação verbal e por isso, o choro é a principal forma de mostrar dor, 
desconforto e descontentamento. É um comportamento inato no ser humano, o 
que significa que já nascemos com a capacidade de chorar. Portanto, é um 
comportamento natural que se manifesta muito facilmente nos primeiros anos de 
vida. Aliás, é nossa primeira reação ao nascer. 
Para quem convive com a criança o choro pode ser desesperador. Quando se 
conhece bem a criança podemos até identificar o motivo do choro, mas isso não 
é uma ciência exata e na maioria das vezes o cuidador ou educador fica sem 
reação, sem saber como intervir na situação. A primeira dica é o acolhimento. 
Nunca se deixar levar pela raiva e a frustração. É preciso estar aberto a essas 
emoções da criança e dar o máximo de carinho e atenção que conseguir. Em 
caso de birra, a atitude é diferente, mas falaremos disso mais à frente. 
Todos que trabalham com o público infantil precisam estabelecer um vínculo 
afetivo com as crianças, principalmente as menores. Assim, o acolhimento se 
torna mais importante nos primeiros momentos do auxiliar com a criança, quando 
ainda não há um vínculo de confiança estabelecido. Crianças pequenas leem a 
expressão facial e os movimentos do corpo mais do que prestam atenção em 
palavras. Isso porque o vocabulário delas e a comunicação oral ainda são muitos 
reduzidos, portanto, mantenha sempre uma expressão serena e gestos 
moderados. 
Nos primeiros dias de trabalho com a criança, pode haver muito choro 
acompanhado de perguntas. É importante sempre mostrar para a criança que 
ela não foi abandonada e que os pais irão voltar. Nesse momento use o máximo 
de distrações que conseguir: histórias, desenhos animados, música, 
brincadeiras, teatrinho de fantoches, bonecos ou dedoches, etc. Pode acostumar 
no colo os bebês menores e mais assustados, para não causar traumas, mas 
aos poucos vá dando espaço e autonomia a eles. Carinho e afeto não estragam 
25 
 
ninguém, o oposto sim. Ninguém vai pedir colo para sempre, porque vai chegar 
uma idade na qual a própria criança fica mais independente, é algo natural. 
Até os 3 anos, a criança costuma chorar sempre que não entende determinada 
situação, quando perde o controle sobre algo, ou se sente ferida. Nesse 
momento, é preciso mostrar, seja com palavras ou de forma lúdica, que tudo está 
bem. Na maioria dos momentos de choro, acalmar a criança é a principal atitude 
a se tomar. Ela precisa se sentir segura novamente, por isso um abraço, uma 
historinha, uma demonstração de que tudo está normal é fundamental. 
No caso de bebês até 1 ano, é importante que se identifique a razão do choro, 
pois o choro é a principal forma do bebê comunicar seu desconforto, como estar 
com a fralda suja, sentir frio, calor, fome, dor ou cólica. Além disso, o choro 
frequente do bebê também pode indicar que está irritado ou com medo. 
Conversar com os pais é muito importante até conhecer melhor a criança. Não 
existe fórmula nesse caso, os pais é quem podem explicar a rotina e as 
características de seu bebê. 
De uma forma geral, é ficar atento às fraldas, horário de mamadas, temperatura 
do ambiente, barulhos, escuridão, qualquer coisa que possa incomodar ou 
assustar. Caso o choro seja frequente e não se identifique o motivo, o pediatra 
deve ser consultado, não se pode descuidar da saúde da criança. De acordo 
com o site Tua Saúde (https://www.tuasaude.com/causas-do-choro-do-bebe/), 
as principais causas do choro em bebês são: 
 Fome ou sede: normalmente chora com a mão na boca ou abre e fecha 
a mão constantemente; 
 
 Frio ou calor: suor ou brotoejas em caso de calor. Extremidades (mãos, 
pés) frias ou geladas em caso de frio; 
 
 Dor: o bebê normalmente tentacolocar a mão no lugar da dor enquanto 
chora; 
 
 Fralda suja: além do choro a pele pode ficar vermelha; 
 
 Cólica: o choro do bebê é mais agudo e prolongado e pode-se perceber 
o abdômen mais distendido; 
 
 Nascimento dos dentes: o bebê coloca a mão ou objetos na boca de 
forma constante, além de poder haver perda do apetite e gengiva inchada; 
 
 Sono: o bebê coloca as mãos nos olhos enquanto chora, além do choro 
ser bastante alto. 
Além de ficar atentos a esses sinais, auxiliares de creche, em situações de choro, 
devem tentar acalmar o bebê, oferecendo colo, alimento, conversando. Caso 
não esteja muito calor, pode-se enrolar o bebê em uma manta ou pano, não 
muito apertado, pois assim ele se sentirá protegido e aconchegado como quando 
https://www.tuasaude.com/causas-do-choro-do-bebe/
26 
 
estava no útero. Também é interessante massagear costas, pés e mãos 
(somente em bebês com mais de 30 dias), usando óleos apropriados para essa 
idade (com autorização de pais e pediatra). Embalar o bebê, no colo, carrinho ou 
bebê-conforto também ajuda a acalmar. 
Outra dica é usar o ruído branco, um som constante e suave, como um ventilador 
ou um secador de cabelo, algo que abafe os sons externos. Nunca coloque, 
porém, direto no bebê ou muito perto dele. Deitar a criança de lado, no colo ou 
na cama, deixando em posição fetal, que é semelhante à posição que o bebê 
tinha no útero da mãe também ajuda a acalmar. Lembrando que se o choro 
persistir, é preciso procurar o pediatra para mais orientações. 
Muitas crianças choram por birra. Quando se veem contrariadas, elas começam 
a gritar e chorar, exigindo que se cumpra o que desejam. Nesses casos existem 
dois procedimentos que variam conforme a idade e a situação: 
 Retirar a criança do ambiente: leve-a para um lugar afastado, um 
quarto, uma área externa, um banheiro, qualquer lugar neutro; 
 
 Afaste outras pessoas: converse somente com a criança, agache na 
altura dela e explique porque não pode atendê-la. Seja firme, porém fale 
baixo e pausadamente. Explique tudo de forma clara e objetiva, sem se 
estender muito; 
 
 Reflita sobre a situação: antes de negarmos algo para uma criança é 
preciso refletir bem se é isso mesmo que queremos, pois, uma vez dito o 
NÃO, ele deve ser mantido até o fim. As crianças testam nossa autoridade 
e segurança. Uma vez que você cede a ela, perde seu respeito. 
Claro que esses procedimentos funcionam mais com crianças que já entendem 
a linguagem verbal, mas com menores, o primeiro procedimento já ajuda 
bastante. Retirar a criança do ambiente que causa a birra e distraí-la com algum 
objeto acaba acalmando, porque bebês têm mais memória de curto prazo. Neste 
caso, diga calmamente que não e retire do ambiente. Já crianças maiores 
precisam ser orientadas, para entenderem o motivo de não serem atendidas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
27 
 
CAPÍTULO 8 – A ARTE DE CONTAR HISTÓRIAS 
Contadores de histórias fazem sucesso em grupos sociais em todas as épocas, 
em todos os lugares e com as mais variadas faixas etárias. Contar uma história 
de forma a encantar e enlevar as pessoas é uma arte. Essa prática exige do 
narrador a habilidade de comunicação, a de expressão e a de entretenimento. 
Neste capítulo, iremos descrever características da boa contação de histórias e 
como podemos usar essa arte para entreter, educar e encantar as crianças. 
Contar histórias para crianças, além de um prazer, uma diversão, é ensinar, é 
transmitir não só conhecimentos, mas emoções, acolhimento e carinho. Ao 
contar histórias, seja através de livros ou da tradição oral, o adulto estimula a 
criança a se interessar pelos livros, pela cultura, pela arte e desperta a 
curiosidade dela para novos universos. Como a criança da creche ainda não é 
alfabetizada, o adulto se torna a ferramenta de acesso dessa criança ao mundo 
fantástico das histórias. 
• Como aprendemos a contar histórias 
Contar histórias é uma prática antiga. O ser humano vê a contação de histórias 
de forma lúdica, como prática recreativa. Não só crianças, mas adultos gostam 
de ouvir uma boa história e saber contá-la é uma habilidade importante. Tão 
importante, que atualmente é uma profissão. Essa profissão envolve habilidades 
linguísticas, sociais e artísticas. Contar histórias não se trata somente de ler para 
crianças, mas interpretar a leitura, dar vida aos personagens e levar o ouvinte ao 
ambiente em que se passa a narrativa. 
Fazer roda de histórias é uma tradição antiga, em vários países, as pessoas se 
reúnem nas horas de lazer, em volta de fogueiras, ou em volta da mesa, ou uma 
sala de estar, varanda, e até no momento de dormir, para contar e ouvir histórias. 
São contos de terror, de suspense, de amor, de humor. Quem conta a história 
precisa conhecer seu público e saber entretê-lo. Assim, muitas narrativas e 
relatos orais foram passados de geração a geração, de lugar para lugar, de 
tempos em tempos. 
A prática de contar histórias envolve uma série de habilidades lúdicas, que fazem 
do contador uma pessoa especial, que tem o poder de encantar, de transmitir 
uma riqueza de detalhes e aspectos históricos, culturais, regionais. As histórias 
não só permitem acesso a mundos diferentes, mágicos, encantados, como 
transmitem costumes, crenças, hábitos de tempos e povos. 
Atualmente, o contador de histórias está presente na rotina infantil não só na 
escola, mas em festas, eventos, nas ludotecas, na internet, entre outros locais. 
Por isso, a profissão está se tornando cada vez mais elaborada, mais qualificada 
e diversificada. O contador irá servir de ponte entre a literatura infantil e toda sua 
diversidade, e as crianças, que ainda não adquiriram a leitura, e essa é uma 
tarefa que envolve responsabilidade, competência e qualidades. 
É importante que o contador conheça não só uma boa variedade de histórias, 
mas também investigue seu público, escolha bem seus instrumentos, prepare o 
28 
 
ambiente, prepare a si mesmo e sua caracterização. A principal qualidade de um 
contador de histórias deve ser o envolvimento com o que está narrando. Ele 
precisa viver aquele momento de forma intensa, mergulhar na narrativa e todos 
seus elementos: no tempo, no espaço, nos personagens, nas ações. Além disso, 
outras características devem fazer parte um bom contador, vamos ver algumas 
delas: 
 Criatividade: ele precisa ser versátil para poder incorporar várias 
histórias diferentes, personalizando a contação de cada uma delas; 
 
 Improvisação: é preciso estar preparado para eventuais obstáculos 
internos e externos; 
 
 Interação com o público: se não se estabelecer um vínculo entre quem 
conta a história e quem a ouve, não haverá entretenimento, nem 
aprendizado; 
 
 Interpretação e Representação: ler não é somente ler, é interpretar e 
representar a história para a criança, usando expressividade, entonações 
diferentes, gestos, a história precisa ser vivida; 
 
 Clareza, coesão e coerência: o narrador precisa usar uma linguagem 
que seja entendida, conectando bem os fatos e ações, descrevendo com 
habilidade o cenário e os personagens da narrativa, sem se contradizer 
ou omitir aspectos importantes; 
 
 Variedade temática: conhecer histórias de diversos gêneros, assuntos e 
temas, ter um repertório vasto e para todas as faixas etárias; 
 
 Ser artista: é preciso ter conhecimento sobre alguns elementos de 
atuação e de caracterização, para valorizar a história. Contar história tem 
um aspecto teatral então é preciso conhecer essa arte; 
 
 Naturalidade: toda a narrativa deve ser feita em tom natural, sem parecer 
automatizada ou artificial; 
 
 Respeito pela história: contar a história preservando sua essência e 
conseguindo transmitir essa essência para quem ouve. 
Outro aspecto importante é que o contador deixe as crianças participarem da 
contação. É muito difícil para crianças, ainda mais para as menores, ficarem 
quietas por muito tempo, então, elas precisam e desejam participar da narração. 
Enquanto conta ahistória, o contador pode criar interações com as crianças, 
para estimular a participação delas. 
O auxiliar de creche que for contar histórias precisa ter algumas habilidades 
próprias para conseguir a atenção e o interesse da criança. Essas habilidades 
podem ser desenvolvidas no próprio convívio com essas crianças, mas algumas 
delas podem ser estimuladas previamente através de treinamentos, qualificação 
29 
 
técnica, cursos de extensão e capacitação. Algumas dicas são importantes para 
a leitura de histórias para crianças, vejamos: 
 Ajudar a formar imagens mentais: descrever a história com detalhes e 
com profundidade, usando uma linguagem entendida pela criança; 
 
 Usar as imagens do livro, explicando-as; 
 
 Manter a atenção da criança interpretando o texto, assumindo vozes de 
personagens, imitando sons, gesticulando; 
 
 Usar outros materiais como bonecos, fantasias, maquiagem, máscaras, 
acessórios, dedoches, sons, cenário, fantoches, etc.; 
 
 Incentivar a participação das crianças na história. 
Podemos dizer que contar histórias é uma arte. Existem muitos gêneros 
narrativos que são comercializados e explorados atualmente, seja por meio de 
livros ou quadrinhos, seja através de adaptações em séries ou filmes. 
Independentemente do tema preferido da criança, a narrativa infantil tem a 
função de: 
 Encantar a criança; 
 
 Mostrar a beleza de vários aspectos do universo; 
 
 Promover o jogo simbólico, ou seja, estimular a imaginação e o faz-de-
conta; 
 
 Desenvolver a atenção e a concentração; 
 
 Estimular o raciocínio e a reflexão; 
 
 Apresentar o mundo das letras à criança; 
 
 Debater aspectos cotidianos da vida infantil, como medos, desafios, 
sociabilidade; 
 
 Estimular a comunicação entre os alunos, entre alunos e pais, alunos e 
professores; 
 
 Auxiliar o desenvolvimento da linguagem, verbal e não-verbal. 
Ouvir uma história é importante para a criança, mas o trabalho não deve parar 
por aí. O professor precisa estimular a compreensão dessa história, a sua 
interpretação e discutir todos os aspectos da mesma, para que haja um amplo 
entendimento por parte da criança. Para isso, ele deve promover outras 
atividades que ajudem nessa exploração da narrativa, tais como: desenhar, 
30 
 
colorir, representar, escolher personagens preferidos, escolher partes preferidas 
da história, responder perguntas, debater questões, etc. 
Outra forma importante de se contar histórias é associá-las à música. Se o 
professor souber tocar algum instrumento, que permita musicalizar narrativas, 
pode usar esse recurso, ou convidar o professor de música para essa tarefa. 
Porém, se não houver essa possibilidade, o professor pode pegar conteúdos 
prontos na internet e colocar para tocar para as crianças, cantando e dançando 
com elas. 
A produção de material pelas próprias crianças também é muito importante. 
Juntos com o professor, os alunos podem criar suas próprias canções, suas 
próprias histórias e até representar, organizando teatro e apresentações orais. 
Muitos professores leem para seus alunos clássicos da literatura, porém, de 
forma adaptada para a idade, ou trabalham contos infantis sob um aspecto mais 
local, mais adaptado à cultura das crianças. 
O mais importante no ato de contar histórias, seja através da leitura, seja através 
da oralidade, é entreter. Se o contador não tiver a atenção e o interesse do 
público, os outros aspectos não se desenvolvem. Ler para crianças promove a 
diversão, a socialização e a comunicação. Mais que isso, estimula o 
desenvolvimento cognitivo, cultural e emocional, daí sua grande importância. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
31 
 
CONCLUSÕES 
Chegamos ao fim de nossos estudos sobre a formação do Auxiliar de Creche. 
Atualmente, como vimos, a escola tem assumido grandes responsabilidades. A 
creche, antes voltada para a segurança e os cuidados básicos, hoje é parte da 
Educação Infantil, o que significa que os profissionais que nela trabalham 
precisam tanto cuidar, quanto educar. 
Muitos pais, confiam seus filhos à creche desde muito cedo e é importante que 
participem da educação e da formação dessas crianças, mesmo elas passando 
uma boa parte do tempo na creche ou escolinha. Por mais que a legislação 
oriente a escola a dar uma formação integral para a criança, a família jamais vai 
deixar de ter certas responsabilidades. Cabe aos pais tomarem as rédeas da 
educação de seus filhos e serem parceiros da escola e dos professores nessa 
caminhada. 
O conceito de infância mudou muito nos últimos séculos e hoje entendemos as 
necessidades infantis e seu desenvolvimento físico e intelectual. Embora nos 
tempos atuais a criança seja protegida por leis específicas, a sociedade tem sido 
bastante relapsa nos cuidados emocionais e psicológicos com o público infantil. 
Temos muitas informações para nos orientar, mas apesar disso, ainda 
precisamos nos atentar mais ao que é exposto às crianças, principalmente na 
internet e outras mídias. Assim, o auxiliar de creche deve ser parte dessa 
formação infantil, orientando, divertindo e cuidando. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
32 
 
BIBLIOGRAFIA 
AMADO, C. História da Pedagogia e da Educação – Guião para 
acompanhamento das aulas. Évora: Universidade de Évora, 2007. 
BELLO, J. L. P. Educação no Brasil: a História das rupturas. Pedagogia em 
Foco, Rio de Janeiro, 2001. Disponível em: 
. Acesso em: 31 de maio de 
2020. 
BNCC/MEC. Base nacional comum curricular. Ministério da Educação. 
Brasília – DF, 2017. Consulta em 21 de maio de 2020. Disponível em: 
http://basenacionalcomum.mec.gov.br/ 
BRASIL. Lei n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Lei de diretrizes e bases 
da educação. Disponível em: 
. Acesso em 18 de maio de 
2020. 
________ Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação 
Fundamental. Referencial curricular nacional para a educação infantil. 
Brasília: MEC/SEF, 1998. 
_______ Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Diretrizes 
curriculares nacionais para a educação infantil. Secretaria de Educação 
Básica. – Brasília : MEC, SEB, 2010. 
DINELLO, R. Expressão ludocriativa. Tradução de Luciana Faleiros C. 
Salomão. Uberaba: Universidade de Uberaba, 2007. 
GALVÃO, I. Henri Wallon: uma concepção dialética do desenvolvimento 
infantil. Petrópolis: Editora Vozes, 1995. 
OLIVEIRA, Z.M.R. O currículo na educação infantil: o que propõem as novas 
diretrizes nacionais? FFCLRP-USP e ISE Vera Cruz. ANAIS DO I SEMINÁRIO 
NACIONAL: CURRÍCULO EM MOVIMENTO – Perspectivas Atuais Belo 
Horizonte, novembro de 2010. 
PIAGET,J. O juízo moral na criança. São Paulo: Summus Editorial Ltda., 3ª 
ed.,1994. 
________. Seis estudos de psicologia. Rio de Janeiro: Editora Forense 
Universitária, 1964. 
Revista Nova Pediatria. Desenvolvimento neurológico e psíquico da criança 
e adolescente. Edição de 24 de outubro de 2017. Consulta em 04 jun 2020. 
Disponível em: https://novapediatria.com.br/desenvolvimento-neurologico-e-psiquico-
da-crianca-e-adolescente/ 
 
SALGE, E.H.C.N. et al. Procedimentos metodológicos da educação infantil: 
volume 1. Uberaba: Universidade de Uberaba, 2011. 
http://basenacionalcomum.mec.gov.br/
https://novapediatria.com.br/desenvolvimento-neurologico-e-psiquico-da-crianca-e-adolescente/
https://novapediatria.com.br/desenvolvimento-neurologico-e-psiquico-da-crianca-e-adolescente/
33 
 
VELASCO, A.R.M. A importância do brincar na educação infantil. Portal da 
Educação. Consulta em 08 jun 2020. Disponível em: 
https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/estetica/a-importancia-do-brincar-na-
educacao-infantil/30065 
 
https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/estetica/a-importancia-do-brincar-na-educacao-infantil/30065
https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/estetica/a-importancia-do-brincar-na-educacao-infantil/30065

Mais conteúdos dessa disciplina