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MINISTÉRIO DA SAÚDE 
CONSELHO NACIONAL DE SECRETARIAS MUNICIPAIS DE SAÚDE 
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL 
Brasília - DF 
2024
ÉTICA PROFISSIONAL
E RELAÇÕES INTERPESSOAIS
MINISTÉRIO DA SAÚDE 
CONSELHO NACIONAL DE SECRETARIAS MUNICIPAIS DE SAÚDE 
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL 
Brasília -DF 
2024
ÉTICA PROFISSIONAL
E RELAÇÕES INTERPESSOAIS
Tiragem: 2ª edição – 2024 – versão eletrônica
Elaboração, distribuição e informações:
2024 Ministério da Saúde. Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde. Universidade Federal do Rio 
Grande do Sul.
MINISTÉRIO DA SAÚDE
Secretaria de Gestão do Trabalho e da 
Educação na Saúde
Departamento de Gestão da Educação na 
Saúde
Coordenação-Geral de Ações 
Estratégicas de Educação na Saúde 
Esplanada dos Ministérios Bloco O, 9º 
andar
CEP: 70052-900 – Brasília/DF
Tel.: (61) 3315-2596
E-mail: sgtes@saude.gov.br
Secretaria de Atenção Primária à Saúde
Departamento de Saúde da Família
Esplanada dos Ministérios Bloco G, 7º 
andar
CEP: 70058-90 – Brasília/DF
Tel.: (61) 3315-9044/9096
E-mail: aps@saude.gov.br
Secretaria de Vigilância em Saúde e 
Ambiente (SVSA)
SRTVN 701, Via W5 Norte, lote D,
Edifício PO 700, 7º andar
CEP: 70719-040 – Brasília/DF
Tel.: (61) 3315.3874
E-mail: svsa@saude.gov.br
CONSELHO NACIONAL DE SECRETARIAS
MUNICIPAIS DE SAÚDE - CONASEMS
Esplanada dos Ministérios, Bloco G, Anexo 
B, Sala 144
Zona Cívico-Administrativo
CEP: 70058-900 – Brasília/DF
Tel.: (61) 3022-8900
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO 
SUL
Av. Paulo Gama, 110 - Bairro Farroupilha 
CEP: 90040-060 – Porto Alegre/RS
Tel.: (51) 3308-6000
Esta obra é disponibilizada nos termos da Licença Creative Commons – Atribuição – Não 
Comercial – Compartilhamento pela mesma licença 4.0 Internacional. É permitida a 
reprodução parcial ou total desta obra, desde que citada a fonte.
Designer educacional:
Alexandra da Silva Gusmão – CONASEMS
Jacqueline Cristina dos Santos – 
CONASEMS
Gustavo Henrique Faria Bara - CONASEMS
Colaboração:
Daniela Riva Knauth - UFRGS
Diego Gnatta – UFRGS
Lanusa Gomes Ferreira - SGTES/MS
Rejane Teles Bastos – SGTES/MS
Rosângela Treichel S. Surita – CONASEMS 
Assessoria executiva:
Conexões Consultoria em Saúde LTDA
Coordenação de desenvolvimento 
gráfico:
Cristina Perrone – CONASEMS
Diagramação e projeto gráfico:
Aidan Bruno - CONASEMS 
Alexandre Itabayana - CONASEMS 
Caroline Boaventura - CONASEMS 
Icaro Duarte - CONASEMS
Lorenna Martinelly Alves Vieira – 
CONASEMS
Lucas Mendonça - CONASEMS 
Ygor Baeta Lourenço – CONASEMS
Revisão Linguística:
Gehilde Reis Paula de Moura - CONASEMS
Fotografias e ilustrações:
Biblioteca do Banco de Imagens do 
Conasems
Imagens:
Freepik
Normalização:
Luciana Cerqueira Brito – Editora MS/CGDI
Valéria Gameleira da Mota – Editora
MS/CGDI
Coordenação-geral:
Cristiane Martins Pantaleão – 
CONASEMS
Hisham Mohamad Hamida – CONASEMS
Isabela Cardoso de Matos Pinto -SGTES/ 
MS
Leandro Raizer – UFRGS
Lívia Milena Barbosa de Deus e Méllo - 
SGTES/ MS
Luciana Barcellos Teixeira – UFRGS
Érika Rodrigues de Almeida - SGTES/MS
Organização:
Núcleo Pedagógico do Conasems
Coordenação técnica e pedagógica:
Andréa Fachel Leal - UFRGS
Carmen Lucia Mottin Duro - UFRGS
Diego Gnatta - UFRGS 
Diogo Pilger - UFRGS
Fabiana Schneider Pires - UFRGS
Kelly Cristina Santana - CONASEMS
Luis Carlos Nunes Vieira de Vieira - 
SGTES/MS
Marilise de Oliveira Mesquita - UFRGS
Marta de Sousa Lima - CONASEMS
Patricia da Silva Campos - CONASEMS
Valdívia França Marçal - CONASEMS
Elaboração de conteúdo - 1ª edição:
Cristina Crespo
Fabiana Schneider Pires
Valdivia Marçal
Revisão de conteúdo - 2ª edição:
Luis Carlos Nunes Vieira de Vieira
Fabiana Schneider Pires
Revisão técnica:
Andréa Fachel Leal – UFRGS
Diogo Pilger – UFRGS
Luis Carlos Nunes Vieira de Vieira - 
SGTES/MS
Michelle Leite da Silva – SAPS/MS
Patricia da Silva Campos – CONASEMS
Ranieri Flávio Viana de Sousa - SVSA/MS
A coleção institucional do Programa Mais Saúde com Agente pode ser acessada, na íntegra, na Biblioteca Virtual 
em Saúde do Ministério da Saúde: http://bvsms.saude.gov.br
Ficha Catalográfica
Brasil. Ministério da Saúde.
 Ética Profissional e Relações Interpessoais [recurso eletrônico] / Ministério da Saúde, Conselho Nacional de 
Secretarias Municipais de Saúde, Universidade Federal do Rio Grande do Sul. – Brasília: Ministério da Saúde, 2024.
 xxxx p. : il. – (Programa Mais Saúde com Agente; E-book 2).
Modo de acesso: World Wide Web: 
link aqui
ISBN xxxxxxxxxx
1. Atenção Básica em Saúde. 2. Prática Profissional. 3. Ética Profissional. I. Conselho Nacional de Secretarias 
Municipais de Saúde. II. Universidade Federal do Rio Grande do Sul. III. Título. 
Catalogação na fonte – Coordenação-Geral de Documentação e Informação – Editora MS –OS xxxxxxxx
Título para indexação: 
Healthcare agent workers' Fundamentals 
CDU xxx
4
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Este é o seu e-book da disciplina Ética Profissional e Relações 
Interpessoais.
Este material visa apoiá-lo(a) no seu processo de aprendizado sobre 
a importância da Ética Profissional e das Relações Interpessoais no 
contexto da sua vida pessoal e da sua prática profissional.
Você verá que o estudo desses dois temas são importantes e 
servirão de base para sua formação técnica e humanística, 
contribuindo na maneira de como se relacionar com os 
semelhantes, principalmente, nas várias situações encontradas no 
seu território de atuação.
Leia o material com atenção e consulte-o sempre que necessário! 
Lembre-se de acompanhar também as informações apresentadas 
na aula interativa e de realizar as atividades propostas para 
assimilação das informações apresentadas.
Bons estudos!
BEM-VINDA (0)!
LISTA DE SIGLAS E 
ABREVIATURAS
ACE | Agente de Combate às Endemias
ACS | Agente Comunitário de Saúde
DUDH | Declaração Universal dos Direitos Humanos
OMS | Organização Mundial de Saúde 
ONU | Organização das Nações Unidas 
SUS | Sistema Único de Saúde
SU
M
ÁR
IO
VALORES HUMANOS
01 07
MORAL
02 20
ÉTICA
03 35
ÉTICA E CIDADANIA
04 40
ELEMENTOS DA BIOÉTICA
05 43
BIOÉTICA E O TRABALHO DOS ACE E ACS
06 55
RETROSPECTIVA
07 60
REFERÊNCIAS
08 63
01
VALORES 
HUMANOS
8
A ética e a moral são conceitos filosóficos que buscam compreender 
os valores que permeiam e organizam as relações sociais dos 
grupos humanos. 
Qual a importância do estudo 
sobre moral e ética para o 
trabalho em saúde?
Vamos conversar um pouco mais sobre isso?
A filosofia é uma área do conhecimento que busca refletir sobre 
questões fundamentais da vida para as quais, muitas vezes, não 
existe uma resposta certa, mas diferentes compreensões a respeito 
do que está sendo pensado. Os exercícios filosóficos são 
normalmente precedidos por algumas perguntas como: “Qual o 
sentido da vida?”; “Como deve ser uma sociedade justa?” ou “Como 
devo agir frente a um dilema moral?” Formular tais perguntas assim 
como as reflexões e os debates que constroem nossas respostas a 
elas são atos de filosofar.
Isto nos remete a muitas reflexões, 
não é mesmo?
9
Esperamos que este conteúdo sirva como 
base para reflexões sobre sua realidade e 
que, ao refletir sobre os temas propostos 
aqui, a filosofia possa fazer valer seu nome, 
que significa “o amor à sabedoria”.
O que você entende por 
valores humanos?
Desse modo, para iniciar nossas reflexões 
sobre ética e moral, precisamos, antes, 
compreender o que são valores, elemento 
que funda os dois conceitos. 
Nesse início de curso, convidamos você, Agente 
Comunitário de Saúde(ACS) e Agente de Combate às 
Endemias (ACE), a filosofar, pensar e refletir sobre 
importantes elementos do mundo que estão presentes 
em sua realidade de trabalho e mesmo de vida. 
10
O estudo de conceitos, noções e ideias é sempre mobilizador e 
muitas vezes pode ser intimidador. Não tenha medo se você 
encontrar palavras que não sabe o que significam. Conhecer 
palavras e expressões novas e o que elas querem dizer é parte do 
estudo da filosofia. Se você não souber ou tiver dúvida sobre o 
significado de uma palavra ou expressão, busque dicionários na 
internet ou fora dela, pergunte para seu tutor, para um colega ou 
amigo. 
O filósofo Sócrates, mesmo sendo considerado um dos sujeitos mais 
sábios da Grécia no período em que viveu, ao ser perguntado sobre o 
que sabia respondeu “Só sei que nada sei”. 
Dica para o estudo da filosofia
Todas as nossas ações como seres humanos têm como fundamento 
algum valor que introjetamos como nosso. Mesmo sem percebermos, 
esses valores atuam nas maneiras como nos relacionamos com as 
coisas que produzimos, em nosso trabalho, nas formas como 
interagimos com as outras pessoas e até mesmo nas leis que existem 
em nossa sociedade. Todas essas criações humanas são reflexos de 
valores construídos e modificados ao longo da história, de formas 
diferentes por diferentes sociedades. 
11
De que forma o estudo sobre os 
valores pode ajudar a construir 
condutas éticas no trabalho e na 
vida pessoal?
Os valores que entendemos como nossos foram transmitidos pela 
sociedade em que vivemos, no período de tempo em que vivemos e, 
muitas vezes, nós não percebemos a força que eles possuem no 
direcionamento de nossas ações, pensamentos e julgamentos.
12
Em seu trabalho de Agente, 
você, já deve ter se deparado 
com famílias, pessoas e 
situações que são diferentes do 
seu modo de ver a vida. 
Compreender que existem 
valores diferentes em cada 
família, comunidade ou 
território, vai ajudar você a 
escutar os usuários do SUS e a 
traçar estratégias de 
comunicação mais efetivas 
para suas ações em saúde. 
Que tal um exemplo?
Durante uma visita domiciliar, você percebe o acúmulo de materiais 
no quintal daquela casa. Para promover a retirada, ou organização 
desses materiais, que para você, agente, pode ter um valor de se 
tornar um foco de doenças, é preciso entender qual o sentido daquele 
material acumulado para a família. Por que o material está lá? É uma 
fonte de renda? Possui um valor afetivo? Existe outra forma de 
organizar o material? Essas são algumas perguntas que podemos 
fazer para compreender o valor daquele material para as pessoas 
que o acumulam e assim realizar ações em saúde respeitando os 
valores dos outros. 
Diferentes grupos humanos que têm diferentes culturas e histórias, 
podem atribuir valores diferentes às mesmas coisas, o que leva as 
sociedades a agirem de formas diferentes frente a elementos 
naturais ou sociais semelhantes (Porto-Gonçalves, 2015).
13
Você já parou para pensar quais são os 
seus valores e como eles se modificaram 
no transcorrer de sua vida?
Podemos dizer que os valores são os significados 
que as pessoas atribuem tanto às coisas e ações 
que são humanas como aquelas que são da 
natureza. 
EXPLORANDO IDEIAS
O valor pode expressar qualidades positivas (que são desejáveis) ou 
negativas (que são indesejáveis).
14
Não devemos confundir valor com 
preço. Preço é o valor em dinheiro 
dado às coisas que são objetos de 
trocas comerciais.
Diferentes culturas atribuem valores distintos às coisas, pois os 
valores de uma sociedade foram construídos ao longo do tempo, pela 
experiência e vida de muitas gerações de pessoas (Porto-Gonçalves, 
2015). 
Partindo dos valores construídos por suas sociedades e comunidades, 
os grupos humanos criaram normas para convivência pacífica entre 
seus membros e com seu ambiente. Atribuindo sentido às ações 
humanas, fomos dando valor aos comportamentos humanos, e, 
assim, as diferentes comunidades de pessoas criaram regras 
baseadas nesses sistemas de valores, para dizer quais atitudes são 
aceitáveis e quais não são dentro dos grupos e das sociedades. Essas 
regras de convivência foram chamadas pelos filósofos ocidentais de 
moral e estão presentes em todas as culturas. Assim como os 
sistemas de valores foram modificados ao longo do tempo, os 
conjuntos de normas morais dos grupos humanos são também 
modificadas ao longo do tempo (histórico) e pelo espaço (ambiente) 
no qual acontecem (Dussel, 1986; Porto-Gonçalves, 2015). O que quer 
dizer que os sistemas morais são múltiplos, diversos e condicionados 
pela cultura da sociedade que os criou, sendo abertos a mudanças e 
transformações. 
Antes da criação do Sistema Único de Saúde, o acesso aos serviços 
públicos de saúde era seletivo e diferenciado entre os trabalhadores 
que possuíam vínculos de trabalho com carteira assinada e aqueles 
que não tinham. 
15
Antes da criação do Sistema Único 
de Saúde, o acesso aos serviços 
públicos de saúde era seletivo e 
diferenciado entre os trabalhadores 
que possuíam vínculos de trabalho 
com carteira assinada e aqueles 
que não tinham. 
Ao serem assumidos pelas pessoas de uma comunidade, os valores 
sociais são reproduzidos e, para modificá-los, é preciso que grande 
parte daquela sociedade compreenda que aqueles valores e as 
normas não servem mais aos seus objetivos, pois produzem injustiças, 
violências e até mesmo risco para suas populações. 
Sistemas de valores com diferentes normas 
morais podem coexistir dentro de um grupo 
humano. Isso acontece porque as 
instituições que transmitem esses valores, 
como a família, as religiões e o Estado, 
buscam sempre manter seus valores e suas 
regras de convivência.
16
Então é muito importante que você, 
Agente, conheça e aprenda os 
valores da população atendida. Esses 
valores são percebidos no cotidiano, 
nas conversas realizadas na rua, nas 
visitas domiciliares, nas ações 
educativas. Sempre há o que 
aprender nesses espaços. Somente 
reconhecendo que existem valores 
diferentes dos nossos, podemos fazer 
uma saúde realmente inclusiva, 
integral e orientada para a equidade. 
Mas também não paramos por aí!
O agente em seu trabalho precisa compreender os valores do outro e 
não deve emitir julgamentos. Sua atividade profissional deve ser 
baseada em leis vigentes e na discussão ética, não em seus valores 
individuais.
Em nossa história recente, tivemos alguns fatos que transformaram a 
compreensão global dos valores humanos. No século XX, o processo 
de globalização, as guerras, o aumento da velocidade da 
comunicação e o nascimento dos Estados modernos criaram as 
condições para o surgimento de valores comuns a todos os seres 
humanos. Você já deve ter ouvido falar na Declaração Universal dos 
Direitos Humanos (DUDH) como um marco civilizatório. 
Vamos conversar um pouco sobre essa história?
17
Mudando um pouco de assunto...
A criação de valores e direitos 
comuns para todos os seres 
humanos.
Após a Segunda Guerra 
Mundial, com o fim do 
holocausto provocado pelo 
regime nazista e com o início 
do processo de globalização, 
diversos líderes mundiais 
perceberam a necessidade de 
construir valores que fossem 
comuns a todos os seres 
humanos e entidades que 
pudessem garantir que as 
atrocidades cometidas naquele 
período não acontecessem 
novamente. 
Nesse período, surgiram a Organização das Nações Unidas (ONU), a 
Organização Mundial de Saúde (OMS) como organizações compostas 
por diversos países para promover os valores expressos pela 
Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH).
18
Segundo os direitos humanos, todas as pessoas nascem livres e 
iguais em dignidade e em direitos, sem nenhuma distinção de raça, 
de cor, de sexo, língua, religião, opinião política, de origem nacional ou 
social, de fortuna, de nascimento ou de qualquer outra situação. A 
Declaração Universal dos Direitos Humanos incluio direito à vida, à 
liberdade e à segurança pessoal, afirmando que ninguém deve ser 
mantido em escravatura ou em servidão. Ela afirma que todos são 
iguais perante a lei, que possuem liberdade de pensamento, de 
consciência, de religião, além de direito a um nível de vida que 
assegure a si e à sua família saúde e bem-estar estando estes 
ligados ao acesso à alimentação, ao vestuário, à moradia, à 
assistência à saúde e aos serviços sociais que dão segurança no 
desemprego, na doença, na invalidez, na viuvez, na velhice e em 
outros casos de perda de meios de subsistência por circunstâncias 
independentes da sua vontade (ONU, 1995).
Os direitos humanos foram construídos em comum acordo por 
diversos países que concordaram ainda em garantir para seus povos 
a implementação desses direitos em seus territórios nacionais. A 
DUDH foi traduzida para mais de 500 idiomas, servindo de inspiração 
para muitas constituições de países democráticos, incluindo o Brasil. 
19
02
MORAL
Como estudamos anteriormente, 
os valores que atribuímos às 
coisas e às relações humanas 
criam regras sobre o que 
devemos ou não fazer em nossas 
relações, sejam elas pessoais ou 
de trabalho. 
21
Que tal relembrar?
É a linguagem que comunica e transmite o 
que devemos ou não devemos fazer como 
conjuntos de normas morais. 
Essas normas nos dizem o que é certo e o que é errado tanto nas 
relações entre as pessoas, como nas relações com as coisas e com o 
ambiente. Os costumes, as tradições e os hábitos considerados certos 
ou bons transmitem às próximas gerações os valores de uma 
sociedade.
Silva (2014) afirma que somente o ser humano possui 
comportamento moral, pois é o único ser histórico, social e prático, 
que transforma conscientemente a natureza, ao mesmo tempo em 
que transforma sua própria natureza. Sendo a moral um conjunto de 
normas e regras que regulam as relações das pessoas em uma 
determinada sociedade, ela não pode ser, por sua vez, uma 
manifestação eterna e imutável, pois é uma parte do processo de 
transformação que constitui a história da humanidade e está sujeita 
a ele, variando nas diferentes sociedades.
22
As normas que regem as relações 
sociais também condicionam nossas 
ações e nossos julgamentos sobre o que 
é certo e o que é errado fazer, pensar e 
dizer. No centro da linguagem que 
transmite os valores morais estão as 
noções de “bem” e “mal”.
Positiva
Útil
Vantajoso
Certo
Buscar
Justo
Negativa
Inútil 
Desvantajoso
Errado
Evitar
Injusto
Para o pesquisador Yves de La Taille (2006), podemos utilizar a 
pergunta: “Como devo agir?” para nos ajudar a compreender a 
moral,, pois ela está diretamente relacionada aos deveres, ao 
sentimento de obrigatoriedade, mesmo quando não há leis que nos 
obriguem a agir. 
23
Moral e ética costumam causar 
algumas questões para os 
estudantes. 
A moral é então um certo conjunto de normas sobre 
o correto e justo a ser feito. Esse conjunto pode variar 
de acordo com a sociedade, com o período 
histórico, com as crenças e os costumes. 
A linguagem moral transmite as formas como devemos nos 
comportar e agir frente aos outros, assim como diz com quem 
devemos nos relacionar e de que maneiras devemos fazê-lo. Ela 
também nos diz o que não devemos fazer frente a certas situações, e 
quais atitudes devemos ter para não desviarmos do caminho que os 
valores da moral considera ser os caminhos justos.
O que é 
moral?
O que é 
ética?
Para dizer o que é certo ou 
errado fazer, ou o que é justo ou 
injusto, as normas morais 
precisam ser explicadas por 
algum valor que existe na 
sociedade (Zingano, 2013).
Um dos principais valores 
usados para justificar os atos 
morais é o altruísmo. Para 
Zingano (2013, p.15) “um ato ou 
juízo é altruísta, e por 
conseguinte moral, quando as 
minhas perspectivas e meus 
interesses levam em conta as 
perspectivas e os interesses do 
outro” .
O altruísmo pressupõe que a 
cena, a ação, o julgamento e a 
escolha sejam ocupados por 
algo além do “eu”.
24
Mas você deve estar se 
perguntando: o que é certo ou 
errado fazer, ou o que é justo 
ou injusto?
Para que um ato ou juízo seja 
considerado moral não pode ser 
guiado apenas por sentimentos e 
interesses egoístas.
Para estar de acordo com a 
moralidade, o ato ou julgamento 
deve levar em consideração os 
sentimentos e interesses das 
outras pessoas envolvidas. Deve 
reconhecer o Outro como 
elemento relevante para a 
decisão.
Mesmo sendo o fundamento da ação moral, o altruísmo é uma noção 
aberta à interpretação de quem é esse outro que deve ser levado em 
consideração em nossos atos morais. A pergunta colocada aqui é a 
seguinte: 
25
Quem pode ocupar esse lugar de Outro 
em nossas ações morais?
O trabalho de Agente de Saúde tem como princípio 
moral a Lei nº 8.080 de 1990 que diz que a saúde é 
direito de todos e dever do Estado. 
Partindo desse princípio, todas as pessoas que estão no Brasil podem 
ter acesso à saúde, às práticas de cuidado, à vigilância à saúde, a um 
ambiente saudável, aos serviços de saúde e à comunicação e 
educação em saúde. Para o SUS, todas as pessoas residentes no 
Brasil podem ter acesso às ações de saúde. É assim, dever de ACE, 
ACS e de todos os trabalhadores do SUS criarem estratégias, 
individuais e coletivas para realizar esse princípio chamado de 
universalidade, criando oportunidades para o acesso de todas as 
pessoas no território.
Os direitos humanos colocaram na nossa Constituição a noção 
moral de que os agentes públicos não podem restringir o acesso a 
serviços baseados em crenças, etnias, cor da pele, sexualidade, 
gênero, grau de instrução, religião ou qualquer valor ou 
característica das pessoas. Entretanto, essa é uma regra moral 
relativamente nova em nossa sociedade. 
Em outros tempos no nosso país, existiam outros valores e outras 
regras morais. Houve um grande período onde as pessoas eram 
escravizadas; as práticas espirituais e religiosas diferentes das 
praticadas na Europa eram consideradas menores; e os povos que as 
praticavam foram julgados como povos incivilizados, sem cultura e 
até mesmo sem alma. Esses valores, de um outro período na história 
do Brasil, não reconheciam os direitos de minorias como os povos 
indígenas e os povos africanos, nem os direitos das mulheres. O 
genocídio dos povos indígenas, a escravização dos povos africanos e 
a subalternização das mulheres aos homens eram condutas 
consideradas aceitáveis, valiosas, úteis e até mesmo justas, pelos 
grupos que determinavam qual era a moralidade aceita naquele 
período histórico. 
26
Por mais de 3 séculos esses valores e esse conjunto de regras morais 
criou e enraizou estruturas sociais que ainda hoje reproduzem valores 
racistas e machistas, que exigem de nós grande esforço para 
modificá-los. 
27
O resultado deste período para a nossa 
sociedade tem reflexos até hoje! 
O Ministério da Saúde criou o Programa Nacional de 
Equidade de Gênero, Raça, Etnia e Valorização das 
Trabalhadoras no Sistema Único de Saúde como parte 
desse esforço para reconhecer e modificar esses 
valores que ainda existem no trabalho em saúde. Você 
terá acesso a conteúdo sobre equidade de gênero, de 
raça e etnia com maior profundidade em módulos 
específicos ao longo do curso.
Os valores morais são introjetados por nós, por meio de hábitos 
cotidianos, costumes e tradições e isso acontece sem percebermos. 
Esse processo ocorre por meio da cultura, da escola, da família, dos 
meios de comunicação de massa, que nos dizem como devemos nos 
comportar, como devemos nos sentir e, com isso, comunicam os 
valores que são aceitos como o “bem” em nossa sociedade. A 
ampliação e disseminação dos mecanismos de comunicação em 
massa tornou os instrumentos de mídia influentes criadores de valor 
que passaram a fazer parte do nosso cotidiano. 
Programas de rádio, de televisão, as revistas, o cinema e, mais 
recentemente, as redessociais têm influenciado cada vez mais 
nossos desejos e ações na medida em que eles nos bombardeiam 
com determinados valores sociais que moldam nossos julgamentos, 
nossas decisões e os nossos atos. 
Na maioria das vezes, não precisamos ler as normas morais para 
saber o que elas dizem, pois os hábitos, os costumes, as tradições 
transmitidos pela linguagem as levaram para dentro de nós por 
meio da socialização.
O que é socialização?
Socialização é o processo de inclusão de novos membros em uma 
cultura. Para Savoia (1989, p. 54), “o processo de socialização consiste 
em uma aprendizagem social, através da qual aprendemos 
comportamentos sociais considerados adequados ou não e que 
motivam os membros da própria sociedade a nos elogiar ou a nos 
punir”.
Dando continuidade ao nosso diálogo... Você sabe qual a relação 
entre ética e comunicação?
A comunicação é a principal forma de transmitir valores morais. Ela 
também é uma das suas principais ferramentas de trabalho. 
28
Ao se comunicar, os 
profissionais de saúde 
exercem forte influência 
na construção de valores 
sociais e de regras morais. 
O campo da saúde difunde 
constantemente normas 
sobre o que é certo e que é 
errado fazer. 
A você, Agente, cabe a tarefa de traduzir e comunicar essas normas, 
além de informar sobre os protocolos e as melhores maneiras de 
construir a saúde. Entretanto a comunicação feita com os usuários do 
SUS é aberta a interpretações e julgamentos dos próprios usuários. 
Assim, é importante sempre refletir sobre como a comunicação é feita 
no cotidiano de trabalho, e quais valores estão sendo transmitidos por 
meio dela. É preciso conhecer os valores morais das pessoas que 
vivem nos territórios para achar as melhores estratégias de 
comunicação. 
Que tal alguns exemplos relacionados ao seu cotidiano?
29
Agora, imagine que, durante uma visita domiciliar, 
você exija que o morador(a) pare de beber, ou que 
deixe de comer açúcar ou sal, sem analisar e 
compreender qual é o contexto em que essas 
substâncias se encontram na vida daquela pessoa. 
Esse tipo de abordagem também pode fazer com 
que o vínculo entre o(a) Agente de Saúde e o(a) 
morador(a) seja quebrado, tornando seu cuidado 
ainda mais desafiador. 
Imagine que, durante uma visita domiciliar, você 
identifique muitos focos potenciais de vetores e 
comece culpabilizar o(a) morador(a) ou a família 
dele(a) pela dengue, impondo protocolos de 
higienização e segurança sem compreender qual o 
motivo e a história daquela família. Essa 
abordagem pode fazer com que você, Agente de 
Saúde, não seja mais recebido(a) naquela 
residência, ficando assim, impedido(a) de agir 
para orientar a família sobre como reduzir os focos 
do mosquito.
QUE TAL UM EXEMPLO NO COTIDIANO DE UM ACS?
Os Agentes de Saúde devem sempre seguir as atribuições da sua 
profissão obedecendo às normas, aos regulamentos e protocolos 
estabelecidos. Porém, a capacidade operativa dessa atuação precisa 
considerar as experiências dos sujeitos, assim como os determinantes 
histórico-sociais, os valores e a diversidade sociocultural da 
organização social e da saúde. 
30
Existem ferramentas que podem ajudar a promover 
comunicações mais efetivas no território. Mais adiante, 
você irá aprender sobre duas dessas ferramentas que 
podem ajudar em suas práticas comunicativas, de 
educação e a refletir sobre o cotidiano de trabalho: a 
educação popular e a educação permanente em 
saúde.
VOCÊ SABIA?
Com a comunicação, podemos reforçar que a saúde é apenas a 
ausência de doenças, ou podemos mostrar que ela é determinada 
pela forma como as relações socioambientais acontecem. É muito 
comum que profissionais da saúde culpem os pacientes por 
condições precárias de saúde sem conhecer a história das pessoas 
ou as condições socioeconômicas e culturais da comunidade em que 
elas vivem. 
A comunicação é muito importante na transmissão de valores 
sociais, tanto que grupos organizados da sociedade brasileira têm 
feito um esforço para identificar e excluir do nosso vocabulário 
palavras e expressões que perpetuam valores racistas. 
Pense sobre isto: na maioria das 
vezes, é mais efetivo comunicar o 
que precisa ser feito para promover 
saúde do que dizer que o que está 
sendo feito está errado. 
Saiba que tanto a comunicação em 
saúde como as práticas de saúde 
estão abertas a interpretações. Essas 
interpretações ocorrem por meio dos 
valores que existem na sociedade. 
Acesse a publicação do Tribunal Superior Eleitoral, 
“EXPRESSÕES RACISTAS: POR QUE EVITÁ-LAS” 
lançada em 2022, para entender melhor esse 
debate. Clique aqui ou aponte a câmera de seu 
celular e escaneie o código QR CODE.
31
https://www.youtube.com/watch?v=Wb3fEq_J1O0
https://www.tse.jus.br/++theme++justica_eleitoral/pdfjs/web/viewer.html?file=https://www.tse.jus.br/institucional/catalogo-de-publicacoes/arquivos/expressoes-racistas-por-que-evita-las/@@download/file/TSE-expressoes-racistas-por-que-evita-las.pdf
https://www.tse.jus.br/++theme++justica_eleitoral/pdfjs/web/viewer.html?file=https://www.tse.jus.br/institucional/catalogo-de-publicacoes/arquivos/expressoes-racistas-por-que-evita-las/@@download/file/TSE-expressoes-racistas-por-que-evita-las.pdf
Como explica Enrique Dussel: “É moralmente ‘bom’ um ato que esteja 
de acordo ou cumpra os fins do sistema vigente. Se pago impostos, o 
salário mínimo, etc., exigidos pela lei, sou um homem ‘justo’, ‘bom’. 
Talvez a lei seja injusta, os impostos insuficientes, o salário de fome, 
mas tudo isso fica fora da consideração moral” (DUSSEL, 1986 p.44, 
45).
Ao longo de nossa história, existe uma variedade de interpretações 
do mundo que são diferentes das nossas.
No trabalho em saúde e como agentes públicos, precisamos 
aprender a não julgar os outros através dos nossos valores pessoais e 
sim buscar compreender quais os valores determinam as ações de 
nossos usuários, sejam indivíduos ou famílias.
32
Você já se viu em alguma situação em que 
seu julgamento de certo e errado foi diferente 
de algum colega de trabalho? 
Você sabia que todas as profissões possuem 
regulamentos que definem as atribuições e os 
limites de atuação dos trabalhadores que as 
exercem?
33
O trabalho em saúde no Brasil é regido pelos valores e pelas regras 
expressos na Constituição de 1988, na Lei Orgânica da Saúde nº 8.080 
e na Lei Complementar nº 8.142. 
O trabalho de ACE e ACS também deve seguir as regras de conduta 
das leis e regulamentações das profissões que dizem quais são as 
responsabilidades e os limites de cada uma. É importante que você 
conheça as Leis nº 11.350, de 5 de outubro de 2006 e nº 13.595, de 5 de 
janeiro de 2018, pois são elas que regulamentam as profissões de ACE 
e ACS, sendo os parâmetros legais de sua atuação profissional. 
O trabalho dos Agentes Comunitário de Saúde ainda deve seguir as 
Resoluções nº 001/2014 e nº 017/2015 que criaram e atualizaram o 
Código de Ética dos Técnicos em Agentes Comunitários de Saúde. 
Pois, então conheça, a seguir, o conjunto de normas que 
regulamentam o seu trabalho.
Leis nº 11.350, de 5 de outubro de 2006 e nº 13.595, de 5 de janeiro de 2018
Constituição de 1988; Lei orgânica da Saúde nº 8.080/1990 e
 Lei Complementar nº 8.142/1990
Resoluções nº 001/2014 e nº 017/2015
Entender os valores morais que aparecem nos julgamentos 
automáticos que fazemos das situações no dia a dia é fundamental 
para respeitar e acolher pessoas com diferentes valores morais, 
culturas e identidades. Essa postura condiz com os valores e 
princípios do SUS que são o acesso de todas (universalidade) e todos, 
de forma justa (equidade), segundo suas necessidades 
(integralidade) e participando ativamente das decisões que 
importam para sua saúde (participação popular). Todavia esses 
princípios só serão alcançados com uma postura de reflexão crítica 
sobre os valores que guiam a sociedade.
34
Acesse o código de ética do profissional Técnico 
em Agente Comunitário de Saúde Código de 
ÉticaTACS/ACS. Clique aqui ou aponte a câmera 
de seu celular e escaneie o código QR CODE.
O que queremos mostrar com esta temática?
https://contacs.org.br/codigo-de-etica
https://contacs.org.br/codigo-de-etica
03
ÉTICA
36
Você sabe o que é ética? 
Estudar e compreender a ética é importante para que possamos 
refletir sobre os valores que orientam a sociedade, os valores que nos 
guiam e, assim, agir de modo a tornar nossos ambientes de trabalho 
e de vida mais harmônicos e protetores, mais cuidadores e 
acolhedores da ampla diversidade humana que habita o planeta.
Para Leonardo Boff (2012), nossa morada, existencial e material, esse 
lugar no qual devemos buscar a harmonia e a proteção, não é mais 
apenas a nossa casa. A globalização e a mundialização das relações 
que passaram a conectar os pontos mais distantes do planeta por 
meio das relações de produção, dos transportes e da informação, nos 
mostrou que nossa casa comum é o planeta, em toda sua 
diversidade biológica e cultural. 
A palavra Ética vem do grego ethos que significa morada 
humana, não apenas no sentido material (da casa, do lar) 
mas na forma como existimos no mundo. Como cuidamos 
das coisas e das pessoas, como organizamos e reservamos 
nosso habitat para torná-lo protetor e sem medo, fazendo 
com que os vizinhos e a natureza que nele habitam estejam 
em harmonia (BOFF, 2012).
Por que é importante estudar e compreender a ética? 
Para o autor, esse entendimento levanta as seguintes questões: “qual 
deve ser o ethos que nos permite conviver todos juntos, vindos das 
mais diferentes regiões da Terra, com suas culturas, tradições, 
religiões e valores éticos (BOFF, 2012)?”.
Ao dialogar com outros autores da filosofia, ele vai além no seu 
questionamento fazendo a seguinte pergunta: “Que opções assumir, 
que coalizão de princípios e valores favorecer para que a 
comunidade/sociedade humana, a vasta comunidade de vida e a 
inteira comunidade terrenal possam conviver com um mínimo de paz 
e de justiça (Boff, 2012)?”.
Ao tentar responder a essas questões nos colocamos em um 
exercício de fazer filosofia, que é fundamental para criarmos uma 
consciência ética. Essa consciência deve atuar como uma ferramenta 
de constante reflexão sobre os valores morais que nos guiam para 
que pensemos sobre os efeitos das nossas ações frente ao mundo e 
às pessoas. Essas reflexões éticas tornam-se ainda mais necessárias 
quando estamos em uma posição de cuidadoras e cuidadores, 
quando estamos entrando na casa de alguém, quando estamos 
tratando com as fragilidades das pessoas e quando temos acesso a 
informações sensíveis sobre o outro. 
37
O trabalho em saúde exige que nossa prática seja 
orientada por uma consciência ética. 
Para Enrique Dussel (1986), 
a consciência ética exige 
um “abrir-se” ao outro, 
levando-o a sério, ou seja, 
tendo responsabilidade 
pelo outro perante o 
sistema de normas 
dominante (a moral 
dominante). 
38
A consciência trata-se de um exercício de conhecer os valores e 
normas morais vigentes que nos levam a refletir sobre como nossas 
ações podem modificar a qualidade da existência do outro, mesmo 
que isso possa ir contra valores e normas que eu, indivíduo, 
reconheço como meus. 
Diferentemente da consciência moral que nos cobra conhecer e 
seguir as normas definidas pela moral, a consciência ética é criada 
pela análise crítica sobre os valores e as ações que são colocados 
pelas normas morais. 
Para criarmos uma consciência ética, é preciso 
reconhecer os valores predominantes da nossa 
sociedade, entendendo eles como produtos humanos, 
históricos e que podem ser modificados. A reflexão 
sobre as normas e os valores morais que guiam nossas 
ações e nossos julgamentos nos possibilita escolher 
com maior consciência a forma como nos 
relacionamos com o mundo, possibilitando um agir 
ético a partir de uma consciência ética.
39
Isso significa que o reconhecimento dos 
valores morais dominantes em nossa 
sociedade nos dá a possibilidade de refletir 
sobre eles e assim criar uma consciência ética. 
Essa consciência nos leva a agir em uma 
busca constante para tornar nossa morada 
existencial e material um lugar com mais 
harmonia, justiça e proteção.
Um lugar onde através do cuidado com as 
pessoas e com o ambiente, podemos construir 
um lugar sem medo e inclusivo.
Isso significa que o reconhecimento 
dos valores morais dominantes em 
nossa sociedade nos dá a 
possibilidade de refletir sobre eles e 
assim criar uma consciência ética. 
Essa consciência nos 
leva a agir em uma 
busca constante para 
tornar nossa morada 
existencial e material um 
lugar com mais 
harmonia, justiça e 
proteção.
Um lugar onde 
através do cuidado 
com as pessoas e 
com o ambiente, 
podemos construir 
um lugar sem medo 
e inclusivo.
Isso significa que o reconhecimento 
dos valores morais dominantes em 
nossa sociedade nos dá a 
possibilidade de refletir sobre eles e 
assim criar uma consciência ética. 
Essa consciência 
nos leva a agir em 
uma busca 
constante para 
tornar nossa 
morada existencial 
e material um 
lugar com mais 
harmonia, justiça e 
proteção.
Um lugar onde 
através do cuidado 
com as pessoas e 
com o ambiente, 
podemos construir 
um lugar sem medo 
e inclusivo.
Isso significa que o 
reconhecimento dos 
valores morais 
dominantes em 
nossa sociedade nos 
dá a possibilidade 
de refletir sobre eles 
e assim criar uma 
consciência ética. 
Essa consciência nos 
leva a agir em uma 
busca constante 
para tornar nossa 
morada existencial e 
material um lugar 
com mais harmonia, 
justiça e proteção.
Um lugar onde 
através do cuidado 
com as pessoas e 
com o ambiente, 
podemos construir 
um lugar sem 
medo e inclusivo.
39
04
ÉTICA E 
CIDADANIA
Segundo Pasa e Nogaro (2010), a ética e a humanidade são como 
princípios de cuidado, amor e responsabilidade em relação às outras 
pessoas e ao entorno que cerca cada um e a todos, considerando-se 
a dimensão global. O sentido de humanidade está inserido na ética 
em toda sua dimensão e ambas constituem-se em pilares-mestre 
para o agir cotidiano do ser humano, já que a existência de cada um 
aqui na Terra só se realiza na comunhão com a vida dos demais 
seres do planeta. 
Segundo Bastos (2017), não poderia haver cidadania se a ética 
deixasse de ser cumprida. O cidadão ético é aquele que sabe buscar 
os seus direitos e os seus benefícios sociais em conformidade da lei. 
A ética deve ser compreendida como crítica reflexiva e responsável 
pela conduta humana em todos os setores sociais. Ela é histórica e 
construída socialmente, tendo como base referencial as relações 
humanas coletivas. É perceptível que a ética procura equilibrar a 
conduta do cidadão, do profissional e de todos na sociedade.
41
A partir de agora você verá que 
a ética acompanha o 
desenvolvimento das 
sociedades humanas em todos 
os tempos.
O cidadão ético desenvolve uma relação humanizadora em seus 
diferentes contextos – econômico, político, social, educacional etc., e 
assume um caráter da cidadania coletiva e, desta forma, é possível, 
pela educação, combater preconceitos e discriminações, valorizando 
o diálogo na sociedade (Bastos, 2017).
42
Para que a dignidade seja imposta e a cidadania efetivada, 
faz-se necessário que a ética seja buscada, uma vez que 
ela exige o respeito mútuo, a justiça, a solidariedade e o 
diálogo. A dimensão da ética favorece a plena formação e 
construção do sujeito cidadão permitindo-lhe 
compreender a sua importância como membro social.
Em resumo, nesta temática, podemos 
compreender que a ética acompanha o 
desenvolvimento das sociedades humanas 
em todos os tempos e percebemos, 
nitidamente, que a ética humana e 
profissional se constrói ao longo da vida. É 
importante compreender que a ética está 
presente em todas as nossas atitudes e 
comportamentos, em todas as relações 
com familiares, amigos, colegas de 
trabalho, usuários do serviço de saúde!
05
ELEMENTOSDA 
BIOÉTICA
44
Agora que avançamos nos conceitos e usos dos conteúdos da moral, 
dos valores e da ética, vamos pensar juntos, a partir das reflexões da 
pesquisadora Magda Koerich e suas colaboradoras (2005). 
Como você, Agente, se prepara 
para uma situação de 
emergência?
Como você deve atuar, 
pensar e falar diante de 
usuários nos serviços de 
saúde ou nas visitas e no 
acompanhamento do 
território que estão 
descontrolados e agressivos, 
ou frente a uma pessoa 
visivelmente alcoolizada ou 
sob efeitos de drogas? Como 
conduzir a escuta e o 
acolhimento para as 
pessoas que vivem com HIV 
(PVHIV), ou frente à gestante 
adolescente? 
Veja alguns exemplos que podem acontecer no seu dia a dia de 
trabalho. 
Como resposta, as pesquisadoras nos auxiliam propondo uma visão 
ética ampliada de valorização da vida com postura consciente, 
solidária, responsável e virtuosa de todos os seres humanos e, 
principalmente, daqueles que se propõem a cuidar de outros seres 
humanos, em instituições de saúde ou em seus domicílios (Koerich et 
al, 2005, pág. 108).
45
Bioética é um importante campo de estudos para 
trabalhadores da saúde, pois ela busca compreender os 
propósitos e os limites das ações que a ciência e a 
tecnologia têm sobre vida, identificando os valores que 
devem ser propostos racionalmente como referências 
assim como denuncia os riscos que podem ser gerados 
pelas intervenções e pelo desenvolvimento de 
tecnologias (Leone; Privitera; Cunha, 2001).
Este campo do conhecimento pode nos auxiliar a encontrar caminhos 
para uma conduta profissional de respeito às diversidades e de 
compreensão das situações conflituosas nos serviços de saúde e na 
prática profissional dos Agentes de Saúde.
A BIOÉTICA.
Neste ponto, 
vamos estudar um 
novo tema.
Quando surgiu a bioética?
46
A bioética surgiu na década 1970 após Van Rensselaer Potter, 
bioquímico norte-americano da área da oncologia, perceber a 
proporção que os avanços da ciência, especialmente aquelas que 
ocorriam no âmbito da biotecnologia, estavam afetando a vida das 
pessoas. Van Potter inicia um novo ramo do conhecimento que se 
propõe a pensar as possíveis implicações positivas e/ou negativas que 
os avanços da ciência têm sobre a vida de todos os seres vivos, 
inclusive nas vidas humanas. Suas formulações foram guiadas por 
reflexões éticas que chegaram na seguinte afirmação: “Nem tudo que é 
cientificamente possível é eticamente aceitável (Junqueira, 2011)”. Potter 
apresenta a bioética como uma ponte entre a ciência biológica e a 
ética, pois acreditava que a sobrevivência da espécie humana, em uma 
civilização decente e sustentável, dependia do desenvolvimento e da 
manutenção de um sistema ético (Pessini, 2013).
Para isso, a Bioética parte de alguns princípios fundamentais que dão 
base a seu pensamento e nos ajudam a refletir e agir em nosso 
cotidiano nos serviços de saúde ao oferecer ferramentas teóricas para 
refletir e atuar na realidade do trabalho em saúde (Rego; Gomes; 
Siqueira-Batista, 2008).
Quais as questões fundamentais da bioética?
47
O fundamento da ação da Bioética é o da pessoa humana. Partindo 
de características que permeiam toda pessoa, a bioética criou suas 
reflexões.
As características da pessoa humana que devem estar sempre em 
mente são que cada pessoa humana é única, provida de dignidade e 
possui múltiplas dimensões. 
Vamos entender melhor cada uma dessas características?
Na sua prática de trabalho, a bioética pode se tornar 
ferramenta para atuações do ACE e ACS junto aos usuários 
dos serviços de saúde, aos membros das equipes de saúde 
da família e vigilância em saúde, com a gestão dos serviços e 
com o ambiente. Ela ainda pode servir como forma para 
refletir sobre as circunstâncias complexas que se apresentam 
no cotidiano de trabalho e na articulação da educação 
permanente em saúde, discutindo problemas, conflitos e 
dilemas éticos que necessitam da elaboração de argumentos 
que sustentem os posicionamentos e as decisões adotados 
(Vidal, Motta e Siqueira-Batista 2015).
Singularidade de cada pessoa 
48
A singularidade de cada pessoa deve ser levada em consideração, 
pois todos somos diferentes, e cada ser humano é único e singular, 
possui anseios, desejos, sonhos, necessidade e identidades únicas, 
que devem ser respeitadas. Ao não fazer isso, tiramos das pessoas o 
que torna cada um e cada uma especial. É preciso sempre ter 
cuidado para que a diferença não se torne julgamento, como nos 
alerta Junqueira (2011). “Reconhecer que “o outro é diferente de mim” 
não significa que uma pessoa é melhor que a outra. Uma pessoa não 
vale mais que a outra. Somos iguais a todos no que se refere à 
dignidade.” 
Dignidade da pessoa humana 
A dignidade da pessoa humana deve ser respeitada pelo simples 
fato de ela ser uma pessoa, e por isso, ser tratada com a dignidade 
como valor intrínseco da própria vida humana.
Diversas dimensões da pessoa humana 
As diversas dimensões da pessoa humana devem ser levadas em 
consideração quando pensamos em fazer alguma intervenção, 
procedimento, pesquisa e estudos. Cada pessoa humana possui uma 
dimensão biológica, uma dimensão psicológica, uma dimensão 
social ou moral e uma dimensão espiritual. Todas essas dimensões 
compõem o “todo” da pessoa humana que deve ser levado em 
consideração quando vamos intervir sobre a vida e a saúde de 
alguém de forma ética.
Vamos entender melhor o que são princípios da bioética?
49
Para isso, a Bioética desenvolveu alguns princípios básicos que 
podem guiar as reflexões, discussões e ações de todas as 
trabalhadoras e trabalhadores da saúde quando surgem questões 
que se instalam como dilemas éticos. 
São elementos que podem ser pensados para toda intervenção feita 
por algum profissional de saúde, sendo muito potentes para pensar 
sua prática diária de cuidado, de visitas domiciliares, no trânsito de 
informações dentro da comunidade e nas intervenções propostas 
para os usuários. Também podem ser utilizados para pensar em 
como agir com sua equipe de saúde, com outros serviços da rede e 
até mesmo no cotidiano de sua vida pessoal.
A singularidade, a dignidade e a 
multiplicidade de dimensões que 
fazem parte da pessoa humana 
tornam a vida humana um valor 
em si que deve ser resguardado, 
protegido e respeitado em toda 
sua complexidade.
50
Esse princípio indica que como valor da atuação em saúde, 
devemos levar benefícios às pessoas que estão sob nosso 
cuidado, fazer e querer o bem em favor dos interesses dos 
nossos usuários. 
1 Beneficência
Segundo Koerich et al. (2005, pág 107) “Neste princípio, o profissional 
se compromete em avaliar os riscos e os benefícios potenciais 
(individuais e coletivos) e a buscar o máximo de benefícios, reduzindo 
ao mínimo os danos e riscos. Isto significa que como profissionais da 
saúde, precisamos fazer o que é benéfico do ponto de vista da saúde 
e o que é benéfico para os seres humanos em geral. Para utilizarmos 
este princípio, é necessário o desenvolvimento de competências 
profissionais, pois só assim, poderemos decidir quais são os riscos e 
benefícios aos quais estaremos expondo nossos clientes, quando 
decidirmos por determinadas atitudes, práticas e procedimentos.” 
Quanto mais soubermos sobre os procedimentos e as intervenções 
que estamos propondo, melhor poderemos atuar dentro desse 
princípio. Por isso, é importante envolver a equipe, recorrendo aos 
diferentes saberes que existem nela, ao enfrentar situações que se 
colocam como dilemas éticos no nosso cotidiano de trabalho. As 
reflexões bioéticas feitas de forma interdisciplinar aumentam as 
chances de propormos intervenções que promovam o bem e 
reduzem o risco de fazer mal às pessoas.
51
É importante refletir se o cuidado que estamos propondo 
pode provocar algum mal a pessoa, à comunidade ou ao 
ambiente. É o dever de não causar danos ou colocar em 
risco as pessoas atendidaspor nós. 
2 Não maleficência
Koerich et al. (2005, pág. 108) nos diz que “Para atender a este 
princípio, não basta apenas que o profissional de saúde tenha boas 
intenções de não prejudicar o cliente. É preciso evitar qualquer 
situação que signifique riscos para ele e verificar se o modo de agir 
não está prejudicando o cliente individual ou coletivamente; se 
determinada técnica não oferece riscos e ainda, se existe outro modo 
de executar com menos riscos.”
3 Autonomia
Este princípio deve nos guiar a promover nos usuários o 
poder de decisão sobre eles mesmos, de decidir quais 
procedimentos são aceitáveis sobre si mesmo e quais não 
são. 
Ele diz respeito ao autogoverno ou autodeterminação de cada um 
sobre si mesmo. “Cabe aos profissionais da saúde oferecer as 
informações técnicas necessárias para orientar as decisões do 
cliente, sem utilização de formas de influência ou manipulação, para 
que possa participar das decisões sobre o cuidado/assistência à sua 
saúde, isto é, ter respeito pelo ser humano e seus direitos à dignidade, 
à privacidade e à liberdade. Deve-se levar em conta que vivemos em 
sociedade, portanto, possuímos responsabilidades sociais” (Koerich et 
al., 2005, pág 107).
52
Junqueira (2011, pág 10) nos alerta para a necessidade de 
“acrescentar outro conceito ao de justiça: o conceito de equidade que 
representa dar a cada pessoa o que lhe é devido segundo suas 
necessidades”. É preciso entender que as pessoas são diferentes, que 
essas diferenças criam necessidades que também são diferentes. O 
princípio da justiça nos obriga a respeitar de forma imparcial o direito 
de cada um. Para a autora (Junqueira, 2011, pág 10), “Não seria ética 
uma decisão que levasse um dos personagens envolvidos 
(profissional ou paciente) a se prejudicar”. 
A autodeterminação de cada pessoa deve 
ser limitada quando a autonomia exercida 
sobre seu próprio corpo e vida coloca em 
risco o bem, a saúde e a vida de outras 
pessoas. “A violação da autonomia só é 
eticamente aceitável, quando o bem 
público se sobrepõe ao bem individual.” 
(Koerich et al., 2005, pág 106).
4 Justiça
Este princípio deve nos guiar a promover nos usuários o 
poder de decisão sobre eles mesmos, de decidir quais 
procedimentos são aceitáveis sobre si mesmo e quais não 
são. 
53
Segundo esse princípio, é necessário agir para uma coerente e 
adequada distribuição dos benefícios e deveres sociais (Koerich et 
al., 2005) além de uma justa partilha dos recursos do Estado.
Junqueira (2011, pág. 10) nos alerta para a necessidade de 
“acrescentar outro conceito ao de justiça: o conceito de equidade que 
representa dar a cada pessoa o que lhe é devido segundo suas 
necessidades”. É preciso entender que as pessoas são diferentes que 
essas diferenças criam necessidades que também são diferentes. O 
princípio da justiça nos obriga a respeitar de forma imparcial o direito 
de cada um. Para a autora (Junqueira, 2011, pág. 10), “Não seria ética 
uma decisão que levasse um dos personagens envolvidos 
(profissional ou paciente) a se prejudicar”. 
Você viu que as ferramentas da 
Bioética podem ajudar a refletir sobre 
casos e situações que apresentam 
mais de uma resposta possível para 
sua resolução. 
Ao discutirmos com a equipe se a intervenção proposta para um 
determinado caso promove autonomia e justiça, somos levados a 
refletir mais profundamente sobre situações de difícil resolução para 
o trabalho em saúde. 
54
Levantar os questionamentos a respeito da 
beneficência, não maleficência, justiça/equidade e 
autonomia promovidas por nossas ações, tendo 
como pano de fundo a dignidade, a singularidade 
e as múltiplas dimensões que caracterizam a 
pessoa humana nos ajuda a pensar em caminhos 
de cuidado e atenção em saúde que promovam o 
valor da vida humana como fundamento ético de 
atuação profissional.
06
BIOÉTICA E O 
TRABALHO DOS 
ACE E ACS
Quais são os desafios que você 
poderá encontrar em sua prática 
de trabalho?
56
Na sua prática de trabalho, você irá 
encontrar diversas situações onde 
terá dúvidas sobre o que fazer, 
quais atitudes tomar e como 
fazê-las. Elas podem se apresentar 
como confidências sobre problemas 
sociais, ou de saúde que podem 
exigir sigilo profissional ou de justiça 
(como violência intradomiciliar); 
adversidades relacionadas à 
moradia, à segurança pública e à 
fome, a ameaças e a relação com o 
crime organizado e o tráfico, ao uso 
de substâncias lícitas e ilícitas, aos 
cuidados com populações 
vulneráveis como crianças, idosos, 
pessoas com deficiência, mulheres 
vítimas de violência, entre tantos 
outros.
Para Vidal, Motta, Siqueira-Batista 
(2015) essas situações levantam 
certas perguntas: “como agir frente 
a determinadas situações quando 
elas se apresentam no ambiente 
familiar e no território e ao mesmo 
tempo garantir a integridade dos 
ACS e ACE que vivenciam esses 
conflitos nos diferentes espaços do 
tecido social?” “Como reduzir os 
riscos e realizar os 
encaminhamentos necessários junto 
dos outros trabalhadores da equipe 
que atuam nos territórios?”.
57
Para tentar responder a essas perguntas, as reuniões de equipe e a 
educação permanente podem ser espaços de compartilhamento 
das situações de difícil resolução. Para uma boa discussão, é 
importante que a pessoa da equipe mais próxima do caso, aquela 
que melhor conhece a situação, a descreva da forma mais completa 
possível. Após compartilhar com a equipe, os membros que quiserem 
podem oferecer sua análise da situação, propondo intervenções no 
sentido de resolvê-la ou amenizá-la. Para cada intervenção proposta, 
pode ser perguntado: essa intervenção traz benefício? Essa 
intervenção promove algum malefício à pessoa, família ou 
comunidade? Essa intervenção promove autonomia? Ela gera justiça 
e equidade?
Os encaminhamentos acerca dos casos complexos devem 
ser registrados para que não se percam no debate. 
Também é importante atribuir tarefas e responsabilidades 
aos membros da equipe para que elas possam ser 
acompanhadas e avaliadas posteriormente.
# FICA A DICA
58
O debate acerca dessas questões com a equipe pode ajudar a 
pensar caminhos que não haviam sido pensados antes e ainda dá 
aos membros da equipe a segurança de construir conjuntamente as 
respostas para problemas complexos. 
Para, Vidal, Motta e Siqueira-Batista (2015) os problemas relacionais 
que podem ser abordados por meio das ferramentas da bioética são: 
“(1) as relações entre os profissionais e os usuários do sistema de 
saúde; (2) as relações entre os profissionais no domínio da equipe; e 
(3) as relações ético-políticas na esfera do SUS”.
É importante que você desenvolva 
essas habilidades, junto de sua equipe, 
para buscar estratégias de resolução 
desses conflitos no território. 
Ao discutir casos complexos e difíceis, estimulamos a criação de 
competências que tenham em vista o saber-fazer, o saber-conhecer 
e o saber-ser de forma que esses saberes promovam uma reflexão 
crítica e o “reconhecimento dos sujeitos como agentes ético-políticos, 
capazes de questionar as condutas e os valores” (Vidal, Motta, 
Siqueira-Batista, 2015).
A bioética reforça os elementos relacionais da prática de trabalho dos 
ACEs e ACS que são tão importantes quanto os elementos técnicos e, 
apenas por meio dos elementos relacionais, que podemos usar 
eticamente os elementos técnicos. 
59
“Há vários anos, estudos demonstram que existem diferenças nos 
estados de saúde das pessoas em razão de fatores 
sociodemográficos, socioeconômicos, étnicos, entre outros. Portanto, 
se a saúde incorpora a necessidade de respeito e proteção a diversos 
fatores, para haver justiça, é necessário considerar todos eles. Na 
Atenção Básica, diversos dilemas éticos poderão surgir na relação 
com o paciente, com a equipe de saúde, na obtenção do 
consentimento ou na preservação do sigilo das informações. Para 
enfrentá-los de forma adequada, propõe-se que se parta, comofundamento ético, do reconhecimento das pessoas como seres 
únicos e constituídos de uma totalidade de aspectos – biológicos, 
sociais, psíquicos e espirituais –, enfim, como pessoas dotadas de 
uma dignidade que torna cada uma delas merecedora de atenção”.
Para finalizar, vamos reforçar as 
ideias e propostas da pesquisadora 
Cilene Junqueira (2011,pág. 16).
07
RETROSPECTIVA
Até lá!
61
Nesta disciplina, abordamos um tema tão intrigante e necessário na 
nossa sociedade atual, a ética. Você pôde perceber que ela 
acompanha o desenvolvimento das sociedades humanas em todos 
os tempos. 
Além disso, você também refletiu sobre a nossa responsabilidade 
ética como pessoas e profissionais e também sobre os valores, por 
exemplo, de justiça, honestidade, verdade, respeito, dignidade e 
direitos humanos, como parte da nossa existência e prática 
profissional.
Após realizar os estudos deste e-book, da aula interativa e de 
participar das atividades propostas, exercite o seu protagonismo. 
Busque informações sobre essa temática para recordar, refletir, se 
preparar previamente e ampliar seus conhecimentos.
Fique atento(a): para aprovação na disciplina, você deve obter 60% 
dos pontos distribuídos. Portanto, participe das atividades avaliativas 
propostas e, em caso de dúvidas, acione seu tutor. 
No nosso próximo encontro, daremos início aos estudos da disciplina 
Políticas de Saúde, Política Nacional de Atenção Básica, Política 
Nacional de Vigilância em Saúde no Brasil – Redes de Atenção.
62
Amplie seus conhecimentos!
Saiba mais sobre o papel do Agente Comunitário de 
Saúde. Assista ao vídeo “Conheça a Estratégia 
Saúde da Família”. Clique aqui ou aponte a câmera 
de seu celular e escaneie o código QR CODE.
https://www.youtube.com/watch?v=EvAbGkvf3Yw
https://www.youtube.com/watch?v=EvAbGkvf3Yw
08
REFERÊNCIAS
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Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Edição 05. Ano 02, Vol. 01. 
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do Brasil. Brasília, DF: Senado Federal, 2016
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Brasília: Tribunal Superior Eleitoral, 2022. 55 p.
BRASIL. Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990. Dispõe sobre as 
condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a 
organização e o funcionamento dos serviços correspondentes e dá 
outras providências. Brasília, 1990. 
BRASIL. Lei nº 8.142, de 28 de dezembro de 1990. Dispõe sobre a 
participação da comunidade na gestão do Sistema Único de Saúde 
(SUS} e sobre as transferências intergovernamentais de recursos 
financeiros na área da saúde e dá outras providências. 
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RESOLUÇÃO 017/2015 Disponível em: 
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Vídeo
SAPS - SECRETARIA DE ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE. Conheça a 
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https://www.youtube.com/watch?v=EvAbGkvf3Yw. Acesso em: 31 out. 
2024.
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bvsms.saude.gov.br

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