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MINISTÉRIO DA SAÚDE CONSELHO NACIONAL DE SECRETARIAS MUNICIPAIS DE SAÚDE UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL Brasília - DF 2024 ÉTICA PROFISSIONAL E RELAÇÕES INTERPESSOAIS MINISTÉRIO DA SAÚDE CONSELHO NACIONAL DE SECRETARIAS MUNICIPAIS DE SAÚDE UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL Brasília -DF 2024 ÉTICA PROFISSIONAL E RELAÇÕES INTERPESSOAIS Tiragem: 2ª edição – 2024 – versão eletrônica Elaboração, distribuição e informações: 2024 Ministério da Saúde. Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde. Universidade Federal do Rio Grande do Sul. MINISTÉRIO DA SAÚDE Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde Departamento de Gestão da Educação na Saúde Coordenação-Geral de Ações Estratégicas de Educação na Saúde Esplanada dos Ministérios Bloco O, 9º andar CEP: 70052-900 – Brasília/DF Tel.: (61) 3315-2596 E-mail: sgtes@saude.gov.br Secretaria de Atenção Primária à Saúde Departamento de Saúde da Família Esplanada dos Ministérios Bloco G, 7º andar CEP: 70058-90 – Brasília/DF Tel.: (61) 3315-9044/9096 E-mail: aps@saude.gov.br Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente (SVSA) SRTVN 701, Via W5 Norte, lote D, Edifício PO 700, 7º andar CEP: 70719-040 – Brasília/DF Tel.: (61) 3315.3874 E-mail: svsa@saude.gov.br CONSELHO NACIONAL DE SECRETARIAS MUNICIPAIS DE SAÚDE - CONASEMS Esplanada dos Ministérios, Bloco G, Anexo B, Sala 144 Zona Cívico-Administrativo CEP: 70058-900 – Brasília/DF Tel.: (61) 3022-8900 UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL Av. Paulo Gama, 110 - Bairro Farroupilha CEP: 90040-060 – Porto Alegre/RS Tel.: (51) 3308-6000 Esta obra é disponibilizada nos termos da Licença Creative Commons – Atribuição – Não Comercial – Compartilhamento pela mesma licença 4.0 Internacional. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra, desde que citada a fonte. Designer educacional: Alexandra da Silva Gusmão – CONASEMS Jacqueline Cristina dos Santos – CONASEMS Gustavo Henrique Faria Bara - CONASEMS Colaboração: Daniela Riva Knauth - UFRGS Diego Gnatta – UFRGS Lanusa Gomes Ferreira - SGTES/MS Rejane Teles Bastos – SGTES/MS Rosângela Treichel S. Surita – CONASEMS Assessoria executiva: Conexões Consultoria em Saúde LTDA Coordenação de desenvolvimento gráfico: Cristina Perrone – CONASEMS Diagramação e projeto gráfico: Aidan Bruno - CONASEMS Alexandre Itabayana - CONASEMS Caroline Boaventura - CONASEMS Icaro Duarte - CONASEMS Lorenna Martinelly Alves Vieira – CONASEMS Lucas Mendonça - CONASEMS Ygor Baeta Lourenço – CONASEMS Revisão Linguística: Gehilde Reis Paula de Moura - CONASEMS Fotografias e ilustrações: Biblioteca do Banco de Imagens do Conasems Imagens: Freepik Normalização: Luciana Cerqueira Brito – Editora MS/CGDI Valéria Gameleira da Mota – Editora MS/CGDI Coordenação-geral: Cristiane Martins Pantaleão – CONASEMS Hisham Mohamad Hamida – CONASEMS Isabela Cardoso de Matos Pinto -SGTES/ MS Leandro Raizer – UFRGS Lívia Milena Barbosa de Deus e Méllo - SGTES/ MS Luciana Barcellos Teixeira – UFRGS Érika Rodrigues de Almeida - SGTES/MS Organização: Núcleo Pedagógico do Conasems Coordenação técnica e pedagógica: Andréa Fachel Leal - UFRGS Carmen Lucia Mottin Duro - UFRGS Diego Gnatta - UFRGS Diogo Pilger - UFRGS Fabiana Schneider Pires - UFRGS Kelly Cristina Santana - CONASEMS Luis Carlos Nunes Vieira de Vieira - SGTES/MS Marilise de Oliveira Mesquita - UFRGS Marta de Sousa Lima - CONASEMS Patricia da Silva Campos - CONASEMS Valdívia França Marçal - CONASEMS Elaboração de conteúdo - 1ª edição: Cristina Crespo Fabiana Schneider Pires Valdivia Marçal Revisão de conteúdo - 2ª edição: Luis Carlos Nunes Vieira de Vieira Fabiana Schneider Pires Revisão técnica: Andréa Fachel Leal – UFRGS Diogo Pilger – UFRGS Luis Carlos Nunes Vieira de Vieira - SGTES/MS Michelle Leite da Silva – SAPS/MS Patricia da Silva Campos – CONASEMS Ranieri Flávio Viana de Sousa - SVSA/MS A coleção institucional do Programa Mais Saúde com Agente pode ser acessada, na íntegra, na Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde: http://bvsms.saude.gov.br Ficha Catalográfica Brasil. Ministério da Saúde. Ética Profissional e Relações Interpessoais [recurso eletrônico] / Ministério da Saúde, Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde, Universidade Federal do Rio Grande do Sul. – Brasília: Ministério da Saúde, 2024. xxxx p. : il. – (Programa Mais Saúde com Agente; E-book 2). Modo de acesso: World Wide Web: link aqui ISBN xxxxxxxxxx 1. Atenção Básica em Saúde. 2. Prática Profissional. 3. Ética Profissional. I. Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde. II. Universidade Federal do Rio Grande do Sul. III. Título. Catalogação na fonte – Coordenação-Geral de Documentação e Informação – Editora MS –OS xxxxxxxx Título para indexação: Healthcare agent workers' Fundamentals CDU xxx 4 COMO NAVEGAR NESTE E-BOOK Antes de iniciar a leitura do material, veja aqui algumas dicas para aproveitar ao máximo os recursos disponíveis neste material. SUMÁRIO: uma forma rápida de acessar facilmente os capítulos. Quer retornar a lista do sumário? Basta clicar no ícone no canto superior da página. QR CODE Sempre que surgir o QR CODE, aponte a câmera do seu celular para acessar o conteúdo. Você também pode clicar sobre ele com o botão direito do mouse para abrir em uma nova aba ou navegador. Este é o seu e-book da disciplina Ética Profissional e Relações Interpessoais. Este material visa apoiá-lo(a) no seu processo de aprendizado sobre a importância da Ética Profissional e das Relações Interpessoais no contexto da sua vida pessoal e da sua prática profissional. Você verá que o estudo desses dois temas são importantes e servirão de base para sua formação técnica e humanística, contribuindo na maneira de como se relacionar com os semelhantes, principalmente, nas várias situações encontradas no seu território de atuação. Leia o material com atenção e consulte-o sempre que necessário! Lembre-se de acompanhar também as informações apresentadas na aula interativa e de realizar as atividades propostas para assimilação das informações apresentadas. Bons estudos! BEM-VINDA (0)! LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS ACE | Agente de Combate às Endemias ACS | Agente Comunitário de Saúde DUDH | Declaração Universal dos Direitos Humanos OMS | Organização Mundial de Saúde ONU | Organização das Nações Unidas SUS | Sistema Único de Saúde SU M ÁR IO VALORES HUMANOS 01 07 MORAL 02 20 ÉTICA 03 35 ÉTICA E CIDADANIA 04 40 ELEMENTOS DA BIOÉTICA 05 43 BIOÉTICA E O TRABALHO DOS ACE E ACS 06 55 RETROSPECTIVA 07 60 REFERÊNCIAS 08 63 01 VALORES HUMANOS 8 A ética e a moral são conceitos filosóficos que buscam compreender os valores que permeiam e organizam as relações sociais dos grupos humanos. Qual a importância do estudo sobre moral e ética para o trabalho em saúde? Vamos conversar um pouco mais sobre isso? A filosofia é uma área do conhecimento que busca refletir sobre questões fundamentais da vida para as quais, muitas vezes, não existe uma resposta certa, mas diferentes compreensões a respeito do que está sendo pensado. Os exercícios filosóficos são normalmente precedidos por algumas perguntas como: “Qual o sentido da vida?”; “Como deve ser uma sociedade justa?” ou “Como devo agir frente a um dilema moral?” Formular tais perguntas assim como as reflexões e os debates que constroem nossas respostas a elas são atos de filosofar. Isto nos remete a muitas reflexões, não é mesmo? 9 Esperamos que este conteúdo sirva como base para reflexões sobre sua realidade e que, ao refletir sobre os temas propostos aqui, a filosofia possa fazer valer seu nome, que significa “o amor à sabedoria”. O que você entende por valores humanos? Desse modo, para iniciar nossas reflexões sobre ética e moral, precisamos, antes, compreender o que são valores, elemento que funda os dois conceitos. Nesse início de curso, convidamos você, Agente Comunitário de Saúde(ACS) e Agente de Combate às Endemias (ACE), a filosofar, pensar e refletir sobre importantes elementos do mundo que estão presentes em sua realidade de trabalho e mesmo de vida. 10 O estudo de conceitos, noções e ideias é sempre mobilizador e muitas vezes pode ser intimidador. Não tenha medo se você encontrar palavras que não sabe o que significam. Conhecer palavras e expressões novas e o que elas querem dizer é parte do estudo da filosofia. Se você não souber ou tiver dúvida sobre o significado de uma palavra ou expressão, busque dicionários na internet ou fora dela, pergunte para seu tutor, para um colega ou amigo. O filósofo Sócrates, mesmo sendo considerado um dos sujeitos mais sábios da Grécia no período em que viveu, ao ser perguntado sobre o que sabia respondeu “Só sei que nada sei”. Dica para o estudo da filosofia Todas as nossas ações como seres humanos têm como fundamento algum valor que introjetamos como nosso. Mesmo sem percebermos, esses valores atuam nas maneiras como nos relacionamos com as coisas que produzimos, em nosso trabalho, nas formas como interagimos com as outras pessoas e até mesmo nas leis que existem em nossa sociedade. Todas essas criações humanas são reflexos de valores construídos e modificados ao longo da história, de formas diferentes por diferentes sociedades. 11 De que forma o estudo sobre os valores pode ajudar a construir condutas éticas no trabalho e na vida pessoal? Os valores que entendemos como nossos foram transmitidos pela sociedade em que vivemos, no período de tempo em que vivemos e, muitas vezes, nós não percebemos a força que eles possuem no direcionamento de nossas ações, pensamentos e julgamentos. 12 Em seu trabalho de Agente, você, já deve ter se deparado com famílias, pessoas e situações que são diferentes do seu modo de ver a vida. Compreender que existem valores diferentes em cada família, comunidade ou território, vai ajudar você a escutar os usuários do SUS e a traçar estratégias de comunicação mais efetivas para suas ações em saúde. Que tal um exemplo? Durante uma visita domiciliar, você percebe o acúmulo de materiais no quintal daquela casa. Para promover a retirada, ou organização desses materiais, que para você, agente, pode ter um valor de se tornar um foco de doenças, é preciso entender qual o sentido daquele material acumulado para a família. Por que o material está lá? É uma fonte de renda? Possui um valor afetivo? Existe outra forma de organizar o material? Essas são algumas perguntas que podemos fazer para compreender o valor daquele material para as pessoas que o acumulam e assim realizar ações em saúde respeitando os valores dos outros. Diferentes grupos humanos que têm diferentes culturas e histórias, podem atribuir valores diferentes às mesmas coisas, o que leva as sociedades a agirem de formas diferentes frente a elementos naturais ou sociais semelhantes (Porto-Gonçalves, 2015). 13 Você já parou para pensar quais são os seus valores e como eles se modificaram no transcorrer de sua vida? Podemos dizer que os valores são os significados que as pessoas atribuem tanto às coisas e ações que são humanas como aquelas que são da natureza. EXPLORANDO IDEIAS O valor pode expressar qualidades positivas (que são desejáveis) ou negativas (que são indesejáveis). 14 Não devemos confundir valor com preço. Preço é o valor em dinheiro dado às coisas que são objetos de trocas comerciais. Diferentes culturas atribuem valores distintos às coisas, pois os valores de uma sociedade foram construídos ao longo do tempo, pela experiência e vida de muitas gerações de pessoas (Porto-Gonçalves, 2015). Partindo dos valores construídos por suas sociedades e comunidades, os grupos humanos criaram normas para convivência pacífica entre seus membros e com seu ambiente. Atribuindo sentido às ações humanas, fomos dando valor aos comportamentos humanos, e, assim, as diferentes comunidades de pessoas criaram regras baseadas nesses sistemas de valores, para dizer quais atitudes são aceitáveis e quais não são dentro dos grupos e das sociedades. Essas regras de convivência foram chamadas pelos filósofos ocidentais de moral e estão presentes em todas as culturas. Assim como os sistemas de valores foram modificados ao longo do tempo, os conjuntos de normas morais dos grupos humanos são também modificadas ao longo do tempo (histórico) e pelo espaço (ambiente) no qual acontecem (Dussel, 1986; Porto-Gonçalves, 2015). O que quer dizer que os sistemas morais são múltiplos, diversos e condicionados pela cultura da sociedade que os criou, sendo abertos a mudanças e transformações. Antes da criação do Sistema Único de Saúde, o acesso aos serviços públicos de saúde era seletivo e diferenciado entre os trabalhadores que possuíam vínculos de trabalho com carteira assinada e aqueles que não tinham. 15 Antes da criação do Sistema Único de Saúde, o acesso aos serviços públicos de saúde era seletivo e diferenciado entre os trabalhadores que possuíam vínculos de trabalho com carteira assinada e aqueles que não tinham. Ao serem assumidos pelas pessoas de uma comunidade, os valores sociais são reproduzidos e, para modificá-los, é preciso que grande parte daquela sociedade compreenda que aqueles valores e as normas não servem mais aos seus objetivos, pois produzem injustiças, violências e até mesmo risco para suas populações. Sistemas de valores com diferentes normas morais podem coexistir dentro de um grupo humano. Isso acontece porque as instituições que transmitem esses valores, como a família, as religiões e o Estado, buscam sempre manter seus valores e suas regras de convivência. 16 Então é muito importante que você, Agente, conheça e aprenda os valores da população atendida. Esses valores são percebidos no cotidiano, nas conversas realizadas na rua, nas visitas domiciliares, nas ações educativas. Sempre há o que aprender nesses espaços. Somente reconhecendo que existem valores diferentes dos nossos, podemos fazer uma saúde realmente inclusiva, integral e orientada para a equidade. Mas também não paramos por aí! O agente em seu trabalho precisa compreender os valores do outro e não deve emitir julgamentos. Sua atividade profissional deve ser baseada em leis vigentes e na discussão ética, não em seus valores individuais. Em nossa história recente, tivemos alguns fatos que transformaram a compreensão global dos valores humanos. No século XX, o processo de globalização, as guerras, o aumento da velocidade da comunicação e o nascimento dos Estados modernos criaram as condições para o surgimento de valores comuns a todos os seres humanos. Você já deve ter ouvido falar na Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) como um marco civilizatório. Vamos conversar um pouco sobre essa história? 17 Mudando um pouco de assunto... A criação de valores e direitos comuns para todos os seres humanos. Após a Segunda Guerra Mundial, com o fim do holocausto provocado pelo regime nazista e com o início do processo de globalização, diversos líderes mundiais perceberam a necessidade de construir valores que fossem comuns a todos os seres humanos e entidades que pudessem garantir que as atrocidades cometidas naquele período não acontecessem novamente. Nesse período, surgiram a Organização das Nações Unidas (ONU), a Organização Mundial de Saúde (OMS) como organizações compostas por diversos países para promover os valores expressos pela Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH). 18 Segundo os direitos humanos, todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e em direitos, sem nenhuma distinção de raça, de cor, de sexo, língua, religião, opinião política, de origem nacional ou social, de fortuna, de nascimento ou de qualquer outra situação. A Declaração Universal dos Direitos Humanos incluio direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal, afirmando que ninguém deve ser mantido em escravatura ou em servidão. Ela afirma que todos são iguais perante a lei, que possuem liberdade de pensamento, de consciência, de religião, além de direito a um nível de vida que assegure a si e à sua família saúde e bem-estar estando estes ligados ao acesso à alimentação, ao vestuário, à moradia, à assistência à saúde e aos serviços sociais que dão segurança no desemprego, na doença, na invalidez, na viuvez, na velhice e em outros casos de perda de meios de subsistência por circunstâncias independentes da sua vontade (ONU, 1995). Os direitos humanos foram construídos em comum acordo por diversos países que concordaram ainda em garantir para seus povos a implementação desses direitos em seus territórios nacionais. A DUDH foi traduzida para mais de 500 idiomas, servindo de inspiração para muitas constituições de países democráticos, incluindo o Brasil. 19 02 MORAL Como estudamos anteriormente, os valores que atribuímos às coisas e às relações humanas criam regras sobre o que devemos ou não fazer em nossas relações, sejam elas pessoais ou de trabalho. 21 Que tal relembrar? É a linguagem que comunica e transmite o que devemos ou não devemos fazer como conjuntos de normas morais. Essas normas nos dizem o que é certo e o que é errado tanto nas relações entre as pessoas, como nas relações com as coisas e com o ambiente. Os costumes, as tradições e os hábitos considerados certos ou bons transmitem às próximas gerações os valores de uma sociedade. Silva (2014) afirma que somente o ser humano possui comportamento moral, pois é o único ser histórico, social e prático, que transforma conscientemente a natureza, ao mesmo tempo em que transforma sua própria natureza. Sendo a moral um conjunto de normas e regras que regulam as relações das pessoas em uma determinada sociedade, ela não pode ser, por sua vez, uma manifestação eterna e imutável, pois é uma parte do processo de transformação que constitui a história da humanidade e está sujeita a ele, variando nas diferentes sociedades. 22 As normas que regem as relações sociais também condicionam nossas ações e nossos julgamentos sobre o que é certo e o que é errado fazer, pensar e dizer. No centro da linguagem que transmite os valores morais estão as noções de “bem” e “mal”. Positiva Útil Vantajoso Certo Buscar Justo Negativa Inútil Desvantajoso Errado Evitar Injusto Para o pesquisador Yves de La Taille (2006), podemos utilizar a pergunta: “Como devo agir?” para nos ajudar a compreender a moral,, pois ela está diretamente relacionada aos deveres, ao sentimento de obrigatoriedade, mesmo quando não há leis que nos obriguem a agir. 23 Moral e ética costumam causar algumas questões para os estudantes. A moral é então um certo conjunto de normas sobre o correto e justo a ser feito. Esse conjunto pode variar de acordo com a sociedade, com o período histórico, com as crenças e os costumes. A linguagem moral transmite as formas como devemos nos comportar e agir frente aos outros, assim como diz com quem devemos nos relacionar e de que maneiras devemos fazê-lo. Ela também nos diz o que não devemos fazer frente a certas situações, e quais atitudes devemos ter para não desviarmos do caminho que os valores da moral considera ser os caminhos justos. O que é moral? O que é ética? Para dizer o que é certo ou errado fazer, ou o que é justo ou injusto, as normas morais precisam ser explicadas por algum valor que existe na sociedade (Zingano, 2013). Um dos principais valores usados para justificar os atos morais é o altruísmo. Para Zingano (2013, p.15) “um ato ou juízo é altruísta, e por conseguinte moral, quando as minhas perspectivas e meus interesses levam em conta as perspectivas e os interesses do outro” . O altruísmo pressupõe que a cena, a ação, o julgamento e a escolha sejam ocupados por algo além do “eu”. 24 Mas você deve estar se perguntando: o que é certo ou errado fazer, ou o que é justo ou injusto? Para que um ato ou juízo seja considerado moral não pode ser guiado apenas por sentimentos e interesses egoístas. Para estar de acordo com a moralidade, o ato ou julgamento deve levar em consideração os sentimentos e interesses das outras pessoas envolvidas. Deve reconhecer o Outro como elemento relevante para a decisão. Mesmo sendo o fundamento da ação moral, o altruísmo é uma noção aberta à interpretação de quem é esse outro que deve ser levado em consideração em nossos atos morais. A pergunta colocada aqui é a seguinte: 25 Quem pode ocupar esse lugar de Outro em nossas ações morais? O trabalho de Agente de Saúde tem como princípio moral a Lei nº 8.080 de 1990 que diz que a saúde é direito de todos e dever do Estado. Partindo desse princípio, todas as pessoas que estão no Brasil podem ter acesso à saúde, às práticas de cuidado, à vigilância à saúde, a um ambiente saudável, aos serviços de saúde e à comunicação e educação em saúde. Para o SUS, todas as pessoas residentes no Brasil podem ter acesso às ações de saúde. É assim, dever de ACE, ACS e de todos os trabalhadores do SUS criarem estratégias, individuais e coletivas para realizar esse princípio chamado de universalidade, criando oportunidades para o acesso de todas as pessoas no território. Os direitos humanos colocaram na nossa Constituição a noção moral de que os agentes públicos não podem restringir o acesso a serviços baseados em crenças, etnias, cor da pele, sexualidade, gênero, grau de instrução, religião ou qualquer valor ou característica das pessoas. Entretanto, essa é uma regra moral relativamente nova em nossa sociedade. Em outros tempos no nosso país, existiam outros valores e outras regras morais. Houve um grande período onde as pessoas eram escravizadas; as práticas espirituais e religiosas diferentes das praticadas na Europa eram consideradas menores; e os povos que as praticavam foram julgados como povos incivilizados, sem cultura e até mesmo sem alma. Esses valores, de um outro período na história do Brasil, não reconheciam os direitos de minorias como os povos indígenas e os povos africanos, nem os direitos das mulheres. O genocídio dos povos indígenas, a escravização dos povos africanos e a subalternização das mulheres aos homens eram condutas consideradas aceitáveis, valiosas, úteis e até mesmo justas, pelos grupos que determinavam qual era a moralidade aceita naquele período histórico. 26 Por mais de 3 séculos esses valores e esse conjunto de regras morais criou e enraizou estruturas sociais que ainda hoje reproduzem valores racistas e machistas, que exigem de nós grande esforço para modificá-los. 27 O resultado deste período para a nossa sociedade tem reflexos até hoje! O Ministério da Saúde criou o Programa Nacional de Equidade de Gênero, Raça, Etnia e Valorização das Trabalhadoras no Sistema Único de Saúde como parte desse esforço para reconhecer e modificar esses valores que ainda existem no trabalho em saúde. Você terá acesso a conteúdo sobre equidade de gênero, de raça e etnia com maior profundidade em módulos específicos ao longo do curso. Os valores morais são introjetados por nós, por meio de hábitos cotidianos, costumes e tradições e isso acontece sem percebermos. Esse processo ocorre por meio da cultura, da escola, da família, dos meios de comunicação de massa, que nos dizem como devemos nos comportar, como devemos nos sentir e, com isso, comunicam os valores que são aceitos como o “bem” em nossa sociedade. A ampliação e disseminação dos mecanismos de comunicação em massa tornou os instrumentos de mídia influentes criadores de valor que passaram a fazer parte do nosso cotidiano. Programas de rádio, de televisão, as revistas, o cinema e, mais recentemente, as redessociais têm influenciado cada vez mais nossos desejos e ações na medida em que eles nos bombardeiam com determinados valores sociais que moldam nossos julgamentos, nossas decisões e os nossos atos. Na maioria das vezes, não precisamos ler as normas morais para saber o que elas dizem, pois os hábitos, os costumes, as tradições transmitidos pela linguagem as levaram para dentro de nós por meio da socialização. O que é socialização? Socialização é o processo de inclusão de novos membros em uma cultura. Para Savoia (1989, p. 54), “o processo de socialização consiste em uma aprendizagem social, através da qual aprendemos comportamentos sociais considerados adequados ou não e que motivam os membros da própria sociedade a nos elogiar ou a nos punir”. Dando continuidade ao nosso diálogo... Você sabe qual a relação entre ética e comunicação? A comunicação é a principal forma de transmitir valores morais. Ela também é uma das suas principais ferramentas de trabalho. 28 Ao se comunicar, os profissionais de saúde exercem forte influência na construção de valores sociais e de regras morais. O campo da saúde difunde constantemente normas sobre o que é certo e que é errado fazer. A você, Agente, cabe a tarefa de traduzir e comunicar essas normas, além de informar sobre os protocolos e as melhores maneiras de construir a saúde. Entretanto a comunicação feita com os usuários do SUS é aberta a interpretações e julgamentos dos próprios usuários. Assim, é importante sempre refletir sobre como a comunicação é feita no cotidiano de trabalho, e quais valores estão sendo transmitidos por meio dela. É preciso conhecer os valores morais das pessoas que vivem nos territórios para achar as melhores estratégias de comunicação. Que tal alguns exemplos relacionados ao seu cotidiano? 29 Agora, imagine que, durante uma visita domiciliar, você exija que o morador(a) pare de beber, ou que deixe de comer açúcar ou sal, sem analisar e compreender qual é o contexto em que essas substâncias se encontram na vida daquela pessoa. Esse tipo de abordagem também pode fazer com que o vínculo entre o(a) Agente de Saúde e o(a) morador(a) seja quebrado, tornando seu cuidado ainda mais desafiador. Imagine que, durante uma visita domiciliar, você identifique muitos focos potenciais de vetores e comece culpabilizar o(a) morador(a) ou a família dele(a) pela dengue, impondo protocolos de higienização e segurança sem compreender qual o motivo e a história daquela família. Essa abordagem pode fazer com que você, Agente de Saúde, não seja mais recebido(a) naquela residência, ficando assim, impedido(a) de agir para orientar a família sobre como reduzir os focos do mosquito. QUE TAL UM EXEMPLO NO COTIDIANO DE UM ACS? Os Agentes de Saúde devem sempre seguir as atribuições da sua profissão obedecendo às normas, aos regulamentos e protocolos estabelecidos. Porém, a capacidade operativa dessa atuação precisa considerar as experiências dos sujeitos, assim como os determinantes histórico-sociais, os valores e a diversidade sociocultural da organização social e da saúde. 30 Existem ferramentas que podem ajudar a promover comunicações mais efetivas no território. Mais adiante, você irá aprender sobre duas dessas ferramentas que podem ajudar em suas práticas comunicativas, de educação e a refletir sobre o cotidiano de trabalho: a educação popular e a educação permanente em saúde. VOCÊ SABIA? Com a comunicação, podemos reforçar que a saúde é apenas a ausência de doenças, ou podemos mostrar que ela é determinada pela forma como as relações socioambientais acontecem. É muito comum que profissionais da saúde culpem os pacientes por condições precárias de saúde sem conhecer a história das pessoas ou as condições socioeconômicas e culturais da comunidade em que elas vivem. A comunicação é muito importante na transmissão de valores sociais, tanto que grupos organizados da sociedade brasileira têm feito um esforço para identificar e excluir do nosso vocabulário palavras e expressões que perpetuam valores racistas. Pense sobre isto: na maioria das vezes, é mais efetivo comunicar o que precisa ser feito para promover saúde do que dizer que o que está sendo feito está errado. Saiba que tanto a comunicação em saúde como as práticas de saúde estão abertas a interpretações. Essas interpretações ocorrem por meio dos valores que existem na sociedade. Acesse a publicação do Tribunal Superior Eleitoral, “EXPRESSÕES RACISTAS: POR QUE EVITÁ-LAS” lançada em 2022, para entender melhor esse debate. Clique aqui ou aponte a câmera de seu celular e escaneie o código QR CODE. 31 https://www.youtube.com/watch?v=Wb3fEq_J1O0 https://www.tse.jus.br/++theme++justica_eleitoral/pdfjs/web/viewer.html?file=https://www.tse.jus.br/institucional/catalogo-de-publicacoes/arquivos/expressoes-racistas-por-que-evita-las/@@download/file/TSE-expressoes-racistas-por-que-evita-las.pdf https://www.tse.jus.br/++theme++justica_eleitoral/pdfjs/web/viewer.html?file=https://www.tse.jus.br/institucional/catalogo-de-publicacoes/arquivos/expressoes-racistas-por-que-evita-las/@@download/file/TSE-expressoes-racistas-por-que-evita-las.pdf Como explica Enrique Dussel: “É moralmente ‘bom’ um ato que esteja de acordo ou cumpra os fins do sistema vigente. Se pago impostos, o salário mínimo, etc., exigidos pela lei, sou um homem ‘justo’, ‘bom’. Talvez a lei seja injusta, os impostos insuficientes, o salário de fome, mas tudo isso fica fora da consideração moral” (DUSSEL, 1986 p.44, 45). Ao longo de nossa história, existe uma variedade de interpretações do mundo que são diferentes das nossas. No trabalho em saúde e como agentes públicos, precisamos aprender a não julgar os outros através dos nossos valores pessoais e sim buscar compreender quais os valores determinam as ações de nossos usuários, sejam indivíduos ou famílias. 32 Você já se viu em alguma situação em que seu julgamento de certo e errado foi diferente de algum colega de trabalho? Você sabia que todas as profissões possuem regulamentos que definem as atribuições e os limites de atuação dos trabalhadores que as exercem? 33 O trabalho em saúde no Brasil é regido pelos valores e pelas regras expressos na Constituição de 1988, na Lei Orgânica da Saúde nº 8.080 e na Lei Complementar nº 8.142. O trabalho de ACE e ACS também deve seguir as regras de conduta das leis e regulamentações das profissões que dizem quais são as responsabilidades e os limites de cada uma. É importante que você conheça as Leis nº 11.350, de 5 de outubro de 2006 e nº 13.595, de 5 de janeiro de 2018, pois são elas que regulamentam as profissões de ACE e ACS, sendo os parâmetros legais de sua atuação profissional. O trabalho dos Agentes Comunitário de Saúde ainda deve seguir as Resoluções nº 001/2014 e nº 017/2015 que criaram e atualizaram o Código de Ética dos Técnicos em Agentes Comunitários de Saúde. Pois, então conheça, a seguir, o conjunto de normas que regulamentam o seu trabalho. Leis nº 11.350, de 5 de outubro de 2006 e nº 13.595, de 5 de janeiro de 2018 Constituição de 1988; Lei orgânica da Saúde nº 8.080/1990 e Lei Complementar nº 8.142/1990 Resoluções nº 001/2014 e nº 017/2015 Entender os valores morais que aparecem nos julgamentos automáticos que fazemos das situações no dia a dia é fundamental para respeitar e acolher pessoas com diferentes valores morais, culturas e identidades. Essa postura condiz com os valores e princípios do SUS que são o acesso de todas (universalidade) e todos, de forma justa (equidade), segundo suas necessidades (integralidade) e participando ativamente das decisões que importam para sua saúde (participação popular). Todavia esses princípios só serão alcançados com uma postura de reflexão crítica sobre os valores que guiam a sociedade. 34 Acesse o código de ética do profissional Técnico em Agente Comunitário de Saúde Código de ÉticaTACS/ACS. Clique aqui ou aponte a câmera de seu celular e escaneie o código QR CODE. O que queremos mostrar com esta temática? https://contacs.org.br/codigo-de-etica https://contacs.org.br/codigo-de-etica 03 ÉTICA 36 Você sabe o que é ética? Estudar e compreender a ética é importante para que possamos refletir sobre os valores que orientam a sociedade, os valores que nos guiam e, assim, agir de modo a tornar nossos ambientes de trabalho e de vida mais harmônicos e protetores, mais cuidadores e acolhedores da ampla diversidade humana que habita o planeta. Para Leonardo Boff (2012), nossa morada, existencial e material, esse lugar no qual devemos buscar a harmonia e a proteção, não é mais apenas a nossa casa. A globalização e a mundialização das relações que passaram a conectar os pontos mais distantes do planeta por meio das relações de produção, dos transportes e da informação, nos mostrou que nossa casa comum é o planeta, em toda sua diversidade biológica e cultural. A palavra Ética vem do grego ethos que significa morada humana, não apenas no sentido material (da casa, do lar) mas na forma como existimos no mundo. Como cuidamos das coisas e das pessoas, como organizamos e reservamos nosso habitat para torná-lo protetor e sem medo, fazendo com que os vizinhos e a natureza que nele habitam estejam em harmonia (BOFF, 2012). Por que é importante estudar e compreender a ética? Para o autor, esse entendimento levanta as seguintes questões: “qual deve ser o ethos que nos permite conviver todos juntos, vindos das mais diferentes regiões da Terra, com suas culturas, tradições, religiões e valores éticos (BOFF, 2012)?”. Ao dialogar com outros autores da filosofia, ele vai além no seu questionamento fazendo a seguinte pergunta: “Que opções assumir, que coalizão de princípios e valores favorecer para que a comunidade/sociedade humana, a vasta comunidade de vida e a inteira comunidade terrenal possam conviver com um mínimo de paz e de justiça (Boff, 2012)?”. Ao tentar responder a essas questões nos colocamos em um exercício de fazer filosofia, que é fundamental para criarmos uma consciência ética. Essa consciência deve atuar como uma ferramenta de constante reflexão sobre os valores morais que nos guiam para que pensemos sobre os efeitos das nossas ações frente ao mundo e às pessoas. Essas reflexões éticas tornam-se ainda mais necessárias quando estamos em uma posição de cuidadoras e cuidadores, quando estamos entrando na casa de alguém, quando estamos tratando com as fragilidades das pessoas e quando temos acesso a informações sensíveis sobre o outro. 37 O trabalho em saúde exige que nossa prática seja orientada por uma consciência ética. Para Enrique Dussel (1986), a consciência ética exige um “abrir-se” ao outro, levando-o a sério, ou seja, tendo responsabilidade pelo outro perante o sistema de normas dominante (a moral dominante). 38 A consciência trata-se de um exercício de conhecer os valores e normas morais vigentes que nos levam a refletir sobre como nossas ações podem modificar a qualidade da existência do outro, mesmo que isso possa ir contra valores e normas que eu, indivíduo, reconheço como meus. Diferentemente da consciência moral que nos cobra conhecer e seguir as normas definidas pela moral, a consciência ética é criada pela análise crítica sobre os valores e as ações que são colocados pelas normas morais. Para criarmos uma consciência ética, é preciso reconhecer os valores predominantes da nossa sociedade, entendendo eles como produtos humanos, históricos e que podem ser modificados. A reflexão sobre as normas e os valores morais que guiam nossas ações e nossos julgamentos nos possibilita escolher com maior consciência a forma como nos relacionamos com o mundo, possibilitando um agir ético a partir de uma consciência ética. 39 Isso significa que o reconhecimento dos valores morais dominantes em nossa sociedade nos dá a possibilidade de refletir sobre eles e assim criar uma consciência ética. Essa consciência nos leva a agir em uma busca constante para tornar nossa morada existencial e material um lugar com mais harmonia, justiça e proteção. Um lugar onde através do cuidado com as pessoas e com o ambiente, podemos construir um lugar sem medo e inclusivo. Isso significa que o reconhecimento dos valores morais dominantes em nossa sociedade nos dá a possibilidade de refletir sobre eles e assim criar uma consciência ética. Essa consciência nos leva a agir em uma busca constante para tornar nossa morada existencial e material um lugar com mais harmonia, justiça e proteção. Um lugar onde através do cuidado com as pessoas e com o ambiente, podemos construir um lugar sem medo e inclusivo. Isso significa que o reconhecimento dos valores morais dominantes em nossa sociedade nos dá a possibilidade de refletir sobre eles e assim criar uma consciência ética. Essa consciência nos leva a agir em uma busca constante para tornar nossa morada existencial e material um lugar com mais harmonia, justiça e proteção. Um lugar onde através do cuidado com as pessoas e com o ambiente, podemos construir um lugar sem medo e inclusivo. Isso significa que o reconhecimento dos valores morais dominantes em nossa sociedade nos dá a possibilidade de refletir sobre eles e assim criar uma consciência ética. Essa consciência nos leva a agir em uma busca constante para tornar nossa morada existencial e material um lugar com mais harmonia, justiça e proteção. Um lugar onde através do cuidado com as pessoas e com o ambiente, podemos construir um lugar sem medo e inclusivo. 39 04 ÉTICA E CIDADANIA Segundo Pasa e Nogaro (2010), a ética e a humanidade são como princípios de cuidado, amor e responsabilidade em relação às outras pessoas e ao entorno que cerca cada um e a todos, considerando-se a dimensão global. O sentido de humanidade está inserido na ética em toda sua dimensão e ambas constituem-se em pilares-mestre para o agir cotidiano do ser humano, já que a existência de cada um aqui na Terra só se realiza na comunhão com a vida dos demais seres do planeta. Segundo Bastos (2017), não poderia haver cidadania se a ética deixasse de ser cumprida. O cidadão ético é aquele que sabe buscar os seus direitos e os seus benefícios sociais em conformidade da lei. A ética deve ser compreendida como crítica reflexiva e responsável pela conduta humana em todos os setores sociais. Ela é histórica e construída socialmente, tendo como base referencial as relações humanas coletivas. É perceptível que a ética procura equilibrar a conduta do cidadão, do profissional e de todos na sociedade. 41 A partir de agora você verá que a ética acompanha o desenvolvimento das sociedades humanas em todos os tempos. O cidadão ético desenvolve uma relação humanizadora em seus diferentes contextos – econômico, político, social, educacional etc., e assume um caráter da cidadania coletiva e, desta forma, é possível, pela educação, combater preconceitos e discriminações, valorizando o diálogo na sociedade (Bastos, 2017). 42 Para que a dignidade seja imposta e a cidadania efetivada, faz-se necessário que a ética seja buscada, uma vez que ela exige o respeito mútuo, a justiça, a solidariedade e o diálogo. A dimensão da ética favorece a plena formação e construção do sujeito cidadão permitindo-lhe compreender a sua importância como membro social. Em resumo, nesta temática, podemos compreender que a ética acompanha o desenvolvimento das sociedades humanas em todos os tempos e percebemos, nitidamente, que a ética humana e profissional se constrói ao longo da vida. É importante compreender que a ética está presente em todas as nossas atitudes e comportamentos, em todas as relações com familiares, amigos, colegas de trabalho, usuários do serviço de saúde! 05 ELEMENTOSDA BIOÉTICA 44 Agora que avançamos nos conceitos e usos dos conteúdos da moral, dos valores e da ética, vamos pensar juntos, a partir das reflexões da pesquisadora Magda Koerich e suas colaboradoras (2005). Como você, Agente, se prepara para uma situação de emergência? Como você deve atuar, pensar e falar diante de usuários nos serviços de saúde ou nas visitas e no acompanhamento do território que estão descontrolados e agressivos, ou frente a uma pessoa visivelmente alcoolizada ou sob efeitos de drogas? Como conduzir a escuta e o acolhimento para as pessoas que vivem com HIV (PVHIV), ou frente à gestante adolescente? Veja alguns exemplos que podem acontecer no seu dia a dia de trabalho. Como resposta, as pesquisadoras nos auxiliam propondo uma visão ética ampliada de valorização da vida com postura consciente, solidária, responsável e virtuosa de todos os seres humanos e, principalmente, daqueles que se propõem a cuidar de outros seres humanos, em instituições de saúde ou em seus domicílios (Koerich et al, 2005, pág. 108). 45 Bioética é um importante campo de estudos para trabalhadores da saúde, pois ela busca compreender os propósitos e os limites das ações que a ciência e a tecnologia têm sobre vida, identificando os valores que devem ser propostos racionalmente como referências assim como denuncia os riscos que podem ser gerados pelas intervenções e pelo desenvolvimento de tecnologias (Leone; Privitera; Cunha, 2001). Este campo do conhecimento pode nos auxiliar a encontrar caminhos para uma conduta profissional de respeito às diversidades e de compreensão das situações conflituosas nos serviços de saúde e na prática profissional dos Agentes de Saúde. A BIOÉTICA. Neste ponto, vamos estudar um novo tema. Quando surgiu a bioética? 46 A bioética surgiu na década 1970 após Van Rensselaer Potter, bioquímico norte-americano da área da oncologia, perceber a proporção que os avanços da ciência, especialmente aquelas que ocorriam no âmbito da biotecnologia, estavam afetando a vida das pessoas. Van Potter inicia um novo ramo do conhecimento que se propõe a pensar as possíveis implicações positivas e/ou negativas que os avanços da ciência têm sobre a vida de todos os seres vivos, inclusive nas vidas humanas. Suas formulações foram guiadas por reflexões éticas que chegaram na seguinte afirmação: “Nem tudo que é cientificamente possível é eticamente aceitável (Junqueira, 2011)”. Potter apresenta a bioética como uma ponte entre a ciência biológica e a ética, pois acreditava que a sobrevivência da espécie humana, em uma civilização decente e sustentável, dependia do desenvolvimento e da manutenção de um sistema ético (Pessini, 2013). Para isso, a Bioética parte de alguns princípios fundamentais que dão base a seu pensamento e nos ajudam a refletir e agir em nosso cotidiano nos serviços de saúde ao oferecer ferramentas teóricas para refletir e atuar na realidade do trabalho em saúde (Rego; Gomes; Siqueira-Batista, 2008). Quais as questões fundamentais da bioética? 47 O fundamento da ação da Bioética é o da pessoa humana. Partindo de características que permeiam toda pessoa, a bioética criou suas reflexões. As características da pessoa humana que devem estar sempre em mente são que cada pessoa humana é única, provida de dignidade e possui múltiplas dimensões. Vamos entender melhor cada uma dessas características? Na sua prática de trabalho, a bioética pode se tornar ferramenta para atuações do ACE e ACS junto aos usuários dos serviços de saúde, aos membros das equipes de saúde da família e vigilância em saúde, com a gestão dos serviços e com o ambiente. Ela ainda pode servir como forma para refletir sobre as circunstâncias complexas que se apresentam no cotidiano de trabalho e na articulação da educação permanente em saúde, discutindo problemas, conflitos e dilemas éticos que necessitam da elaboração de argumentos que sustentem os posicionamentos e as decisões adotados (Vidal, Motta e Siqueira-Batista 2015). Singularidade de cada pessoa 48 A singularidade de cada pessoa deve ser levada em consideração, pois todos somos diferentes, e cada ser humano é único e singular, possui anseios, desejos, sonhos, necessidade e identidades únicas, que devem ser respeitadas. Ao não fazer isso, tiramos das pessoas o que torna cada um e cada uma especial. É preciso sempre ter cuidado para que a diferença não se torne julgamento, como nos alerta Junqueira (2011). “Reconhecer que “o outro é diferente de mim” não significa que uma pessoa é melhor que a outra. Uma pessoa não vale mais que a outra. Somos iguais a todos no que se refere à dignidade.” Dignidade da pessoa humana A dignidade da pessoa humana deve ser respeitada pelo simples fato de ela ser uma pessoa, e por isso, ser tratada com a dignidade como valor intrínseco da própria vida humana. Diversas dimensões da pessoa humana As diversas dimensões da pessoa humana devem ser levadas em consideração quando pensamos em fazer alguma intervenção, procedimento, pesquisa e estudos. Cada pessoa humana possui uma dimensão biológica, uma dimensão psicológica, uma dimensão social ou moral e uma dimensão espiritual. Todas essas dimensões compõem o “todo” da pessoa humana que deve ser levado em consideração quando vamos intervir sobre a vida e a saúde de alguém de forma ética. Vamos entender melhor o que são princípios da bioética? 49 Para isso, a Bioética desenvolveu alguns princípios básicos que podem guiar as reflexões, discussões e ações de todas as trabalhadoras e trabalhadores da saúde quando surgem questões que se instalam como dilemas éticos. São elementos que podem ser pensados para toda intervenção feita por algum profissional de saúde, sendo muito potentes para pensar sua prática diária de cuidado, de visitas domiciliares, no trânsito de informações dentro da comunidade e nas intervenções propostas para os usuários. Também podem ser utilizados para pensar em como agir com sua equipe de saúde, com outros serviços da rede e até mesmo no cotidiano de sua vida pessoal. A singularidade, a dignidade e a multiplicidade de dimensões que fazem parte da pessoa humana tornam a vida humana um valor em si que deve ser resguardado, protegido e respeitado em toda sua complexidade. 50 Esse princípio indica que como valor da atuação em saúde, devemos levar benefícios às pessoas que estão sob nosso cuidado, fazer e querer o bem em favor dos interesses dos nossos usuários. 1 Beneficência Segundo Koerich et al. (2005, pág 107) “Neste princípio, o profissional se compromete em avaliar os riscos e os benefícios potenciais (individuais e coletivos) e a buscar o máximo de benefícios, reduzindo ao mínimo os danos e riscos. Isto significa que como profissionais da saúde, precisamos fazer o que é benéfico do ponto de vista da saúde e o que é benéfico para os seres humanos em geral. Para utilizarmos este princípio, é necessário o desenvolvimento de competências profissionais, pois só assim, poderemos decidir quais são os riscos e benefícios aos quais estaremos expondo nossos clientes, quando decidirmos por determinadas atitudes, práticas e procedimentos.” Quanto mais soubermos sobre os procedimentos e as intervenções que estamos propondo, melhor poderemos atuar dentro desse princípio. Por isso, é importante envolver a equipe, recorrendo aos diferentes saberes que existem nela, ao enfrentar situações que se colocam como dilemas éticos no nosso cotidiano de trabalho. As reflexões bioéticas feitas de forma interdisciplinar aumentam as chances de propormos intervenções que promovam o bem e reduzem o risco de fazer mal às pessoas. 51 É importante refletir se o cuidado que estamos propondo pode provocar algum mal a pessoa, à comunidade ou ao ambiente. É o dever de não causar danos ou colocar em risco as pessoas atendidaspor nós. 2 Não maleficência Koerich et al. (2005, pág. 108) nos diz que “Para atender a este princípio, não basta apenas que o profissional de saúde tenha boas intenções de não prejudicar o cliente. É preciso evitar qualquer situação que signifique riscos para ele e verificar se o modo de agir não está prejudicando o cliente individual ou coletivamente; se determinada técnica não oferece riscos e ainda, se existe outro modo de executar com menos riscos.” 3 Autonomia Este princípio deve nos guiar a promover nos usuários o poder de decisão sobre eles mesmos, de decidir quais procedimentos são aceitáveis sobre si mesmo e quais não são. Ele diz respeito ao autogoverno ou autodeterminação de cada um sobre si mesmo. “Cabe aos profissionais da saúde oferecer as informações técnicas necessárias para orientar as decisões do cliente, sem utilização de formas de influência ou manipulação, para que possa participar das decisões sobre o cuidado/assistência à sua saúde, isto é, ter respeito pelo ser humano e seus direitos à dignidade, à privacidade e à liberdade. Deve-se levar em conta que vivemos em sociedade, portanto, possuímos responsabilidades sociais” (Koerich et al., 2005, pág 107). 52 Junqueira (2011, pág 10) nos alerta para a necessidade de “acrescentar outro conceito ao de justiça: o conceito de equidade que representa dar a cada pessoa o que lhe é devido segundo suas necessidades”. É preciso entender que as pessoas são diferentes, que essas diferenças criam necessidades que também são diferentes. O princípio da justiça nos obriga a respeitar de forma imparcial o direito de cada um. Para a autora (Junqueira, 2011, pág 10), “Não seria ética uma decisão que levasse um dos personagens envolvidos (profissional ou paciente) a se prejudicar”. A autodeterminação de cada pessoa deve ser limitada quando a autonomia exercida sobre seu próprio corpo e vida coloca em risco o bem, a saúde e a vida de outras pessoas. “A violação da autonomia só é eticamente aceitável, quando o bem público se sobrepõe ao bem individual.” (Koerich et al., 2005, pág 106). 4 Justiça Este princípio deve nos guiar a promover nos usuários o poder de decisão sobre eles mesmos, de decidir quais procedimentos são aceitáveis sobre si mesmo e quais não são. 53 Segundo esse princípio, é necessário agir para uma coerente e adequada distribuição dos benefícios e deveres sociais (Koerich et al., 2005) além de uma justa partilha dos recursos do Estado. Junqueira (2011, pág. 10) nos alerta para a necessidade de “acrescentar outro conceito ao de justiça: o conceito de equidade que representa dar a cada pessoa o que lhe é devido segundo suas necessidades”. É preciso entender que as pessoas são diferentes que essas diferenças criam necessidades que também são diferentes. O princípio da justiça nos obriga a respeitar de forma imparcial o direito de cada um. Para a autora (Junqueira, 2011, pág. 10), “Não seria ética uma decisão que levasse um dos personagens envolvidos (profissional ou paciente) a se prejudicar”. Você viu que as ferramentas da Bioética podem ajudar a refletir sobre casos e situações que apresentam mais de uma resposta possível para sua resolução. Ao discutirmos com a equipe se a intervenção proposta para um determinado caso promove autonomia e justiça, somos levados a refletir mais profundamente sobre situações de difícil resolução para o trabalho em saúde. 54 Levantar os questionamentos a respeito da beneficência, não maleficência, justiça/equidade e autonomia promovidas por nossas ações, tendo como pano de fundo a dignidade, a singularidade e as múltiplas dimensões que caracterizam a pessoa humana nos ajuda a pensar em caminhos de cuidado e atenção em saúde que promovam o valor da vida humana como fundamento ético de atuação profissional. 06 BIOÉTICA E O TRABALHO DOS ACE E ACS Quais são os desafios que você poderá encontrar em sua prática de trabalho? 56 Na sua prática de trabalho, você irá encontrar diversas situações onde terá dúvidas sobre o que fazer, quais atitudes tomar e como fazê-las. Elas podem se apresentar como confidências sobre problemas sociais, ou de saúde que podem exigir sigilo profissional ou de justiça (como violência intradomiciliar); adversidades relacionadas à moradia, à segurança pública e à fome, a ameaças e a relação com o crime organizado e o tráfico, ao uso de substâncias lícitas e ilícitas, aos cuidados com populações vulneráveis como crianças, idosos, pessoas com deficiência, mulheres vítimas de violência, entre tantos outros. Para Vidal, Motta, Siqueira-Batista (2015) essas situações levantam certas perguntas: “como agir frente a determinadas situações quando elas se apresentam no ambiente familiar e no território e ao mesmo tempo garantir a integridade dos ACS e ACE que vivenciam esses conflitos nos diferentes espaços do tecido social?” “Como reduzir os riscos e realizar os encaminhamentos necessários junto dos outros trabalhadores da equipe que atuam nos territórios?”. 57 Para tentar responder a essas perguntas, as reuniões de equipe e a educação permanente podem ser espaços de compartilhamento das situações de difícil resolução. Para uma boa discussão, é importante que a pessoa da equipe mais próxima do caso, aquela que melhor conhece a situação, a descreva da forma mais completa possível. Após compartilhar com a equipe, os membros que quiserem podem oferecer sua análise da situação, propondo intervenções no sentido de resolvê-la ou amenizá-la. Para cada intervenção proposta, pode ser perguntado: essa intervenção traz benefício? Essa intervenção promove algum malefício à pessoa, família ou comunidade? Essa intervenção promove autonomia? Ela gera justiça e equidade? Os encaminhamentos acerca dos casos complexos devem ser registrados para que não se percam no debate. Também é importante atribuir tarefas e responsabilidades aos membros da equipe para que elas possam ser acompanhadas e avaliadas posteriormente. # FICA A DICA 58 O debate acerca dessas questões com a equipe pode ajudar a pensar caminhos que não haviam sido pensados antes e ainda dá aos membros da equipe a segurança de construir conjuntamente as respostas para problemas complexos. Para, Vidal, Motta e Siqueira-Batista (2015) os problemas relacionais que podem ser abordados por meio das ferramentas da bioética são: “(1) as relações entre os profissionais e os usuários do sistema de saúde; (2) as relações entre os profissionais no domínio da equipe; e (3) as relações ético-políticas na esfera do SUS”. É importante que você desenvolva essas habilidades, junto de sua equipe, para buscar estratégias de resolução desses conflitos no território. Ao discutir casos complexos e difíceis, estimulamos a criação de competências que tenham em vista o saber-fazer, o saber-conhecer e o saber-ser de forma que esses saberes promovam uma reflexão crítica e o “reconhecimento dos sujeitos como agentes ético-políticos, capazes de questionar as condutas e os valores” (Vidal, Motta, Siqueira-Batista, 2015). A bioética reforça os elementos relacionais da prática de trabalho dos ACEs e ACS que são tão importantes quanto os elementos técnicos e, apenas por meio dos elementos relacionais, que podemos usar eticamente os elementos técnicos. 59 “Há vários anos, estudos demonstram que existem diferenças nos estados de saúde das pessoas em razão de fatores sociodemográficos, socioeconômicos, étnicos, entre outros. Portanto, se a saúde incorpora a necessidade de respeito e proteção a diversos fatores, para haver justiça, é necessário considerar todos eles. Na Atenção Básica, diversos dilemas éticos poderão surgir na relação com o paciente, com a equipe de saúde, na obtenção do consentimento ou na preservação do sigilo das informações. Para enfrentá-los de forma adequada, propõe-se que se parta, comofundamento ético, do reconhecimento das pessoas como seres únicos e constituídos de uma totalidade de aspectos – biológicos, sociais, psíquicos e espirituais –, enfim, como pessoas dotadas de uma dignidade que torna cada uma delas merecedora de atenção”. Para finalizar, vamos reforçar as ideias e propostas da pesquisadora Cilene Junqueira (2011,pág. 16). 07 RETROSPECTIVA Até lá! 61 Nesta disciplina, abordamos um tema tão intrigante e necessário na nossa sociedade atual, a ética. Você pôde perceber que ela acompanha o desenvolvimento das sociedades humanas em todos os tempos. Além disso, você também refletiu sobre a nossa responsabilidade ética como pessoas e profissionais e também sobre os valores, por exemplo, de justiça, honestidade, verdade, respeito, dignidade e direitos humanos, como parte da nossa existência e prática profissional. Após realizar os estudos deste e-book, da aula interativa e de participar das atividades propostas, exercite o seu protagonismo. Busque informações sobre essa temática para recordar, refletir, se preparar previamente e ampliar seus conhecimentos. Fique atento(a): para aprovação na disciplina, você deve obter 60% dos pontos distribuídos. Portanto, participe das atividades avaliativas propostas e, em caso de dúvidas, acione seu tutor. No nosso próximo encontro, daremos início aos estudos da disciplina Políticas de Saúde, Política Nacional de Atenção Básica, Política Nacional de Vigilância em Saúde no Brasil – Redes de Atenção. 62 Amplie seus conhecimentos! Saiba mais sobre o papel do Agente Comunitário de Saúde. Assista ao vídeo “Conheça a Estratégia Saúde da Família”. Clique aqui ou aponte a câmera de seu celular e escaneie o código QR CODE. https://www.youtube.com/watch?v=EvAbGkvf3Yw https://www.youtube.com/watch?v=EvAbGkvf3Yw 08 REFERÊNCIAS BASTOS, M. J. A Importância da Ética na Educação. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Edição 05. Ano 02, Vol. 01. pp 264-276, Julho de 2017. ISSN:2448-0959. Disponível em:: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/educacao/etica-na-edu cacao, DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/educacao/etica-na-educac ao. Acesso em: 21 ago 2024. BOFF, L. O cuidado necessário: na vida, na saúde, na educação, na ecologia, na ética e na espiritualidade. São Paulo: Vozes, 2012. BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Senado Federal, 2016 BRASIL. Tribunal Superior Eleitoral. Expressões racistas: como evitá-las. Brasília: Tribunal Superior Eleitoral, 2022. 55 p. BRASIL. Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990. Dispõe sobre as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes e dá outras providências. Brasília, 1990. BRASIL. Lei nº 8.142, de 28 de dezembro de 1990. Dispõe sobre a participação da comunidade na gestão do Sistema Único de Saúde (SUS} e sobre as transferências intergovernamentais de recursos financeiros na área da saúde e dá outras providências. CÓDIGO DE ÉTICA DO PROFISSIONAL TÉCNICO EM AGENTE COMUNITÁRIO DE SAÚDE. CRIADO PELA RESOLUÇÃO 001/2014 E ALTERADO PELA RESOLUÇÃO 017/2015 Disponível em: https://contacs.org.br/codigo-de-etica#:~:text=outros%20dispositivos %20legais.-,Art.,Art.. Acesso em: 21 ago. 2024. DUSSEL, E. Ética comunitária. Petrópolis, Editora Vozes, 1986. JUNQUEIRA, C. R. Bioética: conceito, fundamentação e princípios. Universidade Federal de São Paulo - Pró-Reitoria – São Paulo/SP. 2011 KOERICH, M. S; MACHADO, R. R.; COSTA, E. Ética e bioética: para dar início à reflexão. 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