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Insuficiência cardíaca 1 🫀 Insuficiência cardíaca Morgana R. Duarte- TXI Fisiopatologia Somatório de múltiplas alterações anatômicas, funcionais e biológicas que interagem entre si. Enfermidade progressiva (silenciosa e insidiosa) desencadeada a partir de um insulto inicial que acomete o músculo cardíaco com perda de massa muscular ou prejuízo da habilidade de gerar força e manter uma função contrátil adequada. Pode permanecer assintomática por períodos variáveis de tempo → pela ativação de mecanismos adaptativos neuro-hormonais SRAA e SNS à curto prazo e pelo remodelamento ventricular à longo prazo. Com a falência dos mecanismos adaptativos a ICFEVEr se torna sintomática. A- ativação neuro-hormonal Queda do volume arterial circulante efetivo → detecção pelos barorreceptores renais e extrarrenais → ativação de potentes vasoconstritores e retenção de sódio. Insuficiência cardíaca 2 SRAA Condições normais: o SRAA tem papel na manutenção da homeostase de sal e água → controle da PA e da perfusão tecidual. ICFEVEr: aumento da produção de renina (aparelho justaglomerular) por 2 mecanismos: � Estimulação dos receptores B1-adrenérgicos → aumento da atividade simpática. � Ativação dos barorreceptores renais → pela queda da pressão hidrostática no glomérulo e na arteríola aferente. 💡 Renina atua sobre o angiotensinogênio o transformando em angiotensina I que pela ECA (enzima conversora de angiotensina) se torna angiotensina II, que age nos receptores AT1 e AT2 (coração, vasos, rins e cérebro). Insuficiência cardíaca 3 Ação da angiotensina II: vasoconstrição que contribui para excessiva elevação da RVP aumento da liberação de noradrenalina pelo sistema simpático + estimulação da secreção de aldosterona (pela suprarrenal) que aumenta a reabsorção de sódio (túbulo contorcido distal). Angiotensina II é potente estimulador da fibrogênese → pode causar morte celular pela vasoconstrição intensa e proliferação de fibroblastos. Aldosterona também é indutora da fibrose. 💡 A ativação do SRAA na IC a princípio promove efeitos benéficos para manutenção do DC, mas em longo prazo acaba sendo deletéria → estimula o remodelamento ventricular (causa mais deterioração a um coração já debilitado). B- sistema nervoso autônomo ICFEVEr: ativação adrenérgica generalizada e retração do sistema parassimpático. Queda de pressão arterial ou do VS falta de estiramento dos mecanorreceptores → diminuição do influxo inibitório pro SNA vias eferentes Insuficiência cardíaca 4 simpáticas → vasoconstrição periférica + maior contratilidade cardíaca + taquicardia. O sistema adrenérgico integra a resposta vasoconstritora por ação direta na vasoconstrição periférica + redistribuição do fluxo para áreas nobres (cérebro e coração) + liberação de vasopressina e renina. 💡 Apesar da tentativa de preservar o fluxo sanguíneo para áreas nobres, suas consequências são prejudiciais → vasoconstrição generalizada promove aumento da RVS e aumento da pós-carga ao VE → sobrecarrega um ventrículo já insuficiente. Hipoperfusão da musculatura esquelética → metabolismo anaeróbio → acúmulo de ácido lático → fraqueza e fadiga. Hipoperfusão esplâncnica → retenção de nitrogênio e sódio → disfunção hepática e isquemia mesentérica. Hiperatividade simpática → diminuição do número e da sensibilidade dos receptores B1-adrenérgicos → dessensibilização miocárdica ao estímulo adrenérgico. Aumento de NE → hipertrofia dos miócitos pela estimulação de receptores A e B- adrenérgicos ou ativação do SRAA. A NE é diretamente tóxica para as células miocárdicas → sobrecarga de cálcio ou indução de apoptose. Vasopressina arginina AVP Endotelina Peptídeos natriuréticos Neprisilina Hormônio pituitário. Potente peptídeo vasoconstritor E 1, E2 e E3. ANP (atrial), BNP (cerebral) e peptídeo natriurético tipo-C Enzima responsável pela degradação dos peptídeos natriuréticos vasoativos. Insuficiência cardíaca 5 Vasopressina arginina AVP Endotelina Peptídeos natriuréticos Neprisilina Regula a água livre e a osmolaridade plasmática. Liberado pelas células endoteliais. Sintetizado nos ventrículos e secretados com sobrecarga pressórica ou volumétrica. Causa vasoconstrição periférica + hiponatremia dilucional . Angiotensina II, NE e AVP estimulam sua produção. Inibem a ação vasoconstritora do SNS, do SRAA, da AVP e da endotelina, mas é insuficiente. Citocinas pró inflamatórias na ICFEVEr TNF-a, IL1 e IL6 principalmente. C- remodelamento cardíaco Processo pela qual fatores mecânicos, neuro-hormonais e genéticos alteram o tamanho, a forma e a função ventricular. Processo que se inicia de maneira compensatória, a fim de manter a força contrátil e preservar o estresse da parede. Principais pontos do remodelamento: � Hipertrofia dos miócitos → aumento das miofibrilas e das mitocôndrias. � Dilatação cardíaca → remodelamento excêntrico. � Formação de matriz intersticial → alterações das funções sistólica e diastólica. Remodelamento concêntrico Remodelamento excêntrico Sobrecarga pressórica Sobrecarga volumétrica Sarcômeros em paralelo Sarcômeros em série Aumento da massa em relação ao volume (espessamento da parede) Aumento do volume em relação à massa (dilatação) Insuficiência cardíaca 6 Fibrose: provoca rigidez miocárdica e heterogeneidade mecânica e elétrica → gênese de arritmias e deterioração das funções contráteis. Morte celular: causa perda de massa contrátil, hipertrofia de miócitos e fibrose reparativa. Insuficiência cardíaca 7 Disfunção endotelial Alterações na função endotelial → redução da produção do NO ou até sua inativação → aumento de neuro-hormônios + expressão acentuada de citocinas pró inflamatórias + aumento da degradação do fator relaxante bradicinina + produção exagerada de radicais livres + lesão celular apoptótica. Consumo e aumento crônico de sódio → aumento da RVP alteração da produção de NO extravasamento de líquido pro interstício → ocasiona edema. Miopatia periférica Intolerância ao exercício físico → alterações da periferia (perfusão e metabolismo da musculatura esquelética). Exposição contínua de metabólitos do músculo hipoperfundido → dessensibilização dos quimiorreceptores → sensibilização dos mecanossensores pelo ATP. 💡 Ao invés de a acidose ser o estímulo para elevação da PA e reestabelecer o fluxo sanguíneo na musculatura, os mecanossensores são sensibilizados no início da atividade física e da contração muscular → limitação ainda maior do fluxo sanguíneo muscular. Diagnóstico Baseado em história clínica, EF e laboratorial e auxiliado pelos exames de imagem. Presença de sinais e sintomas sugestivos de IC. Insuficiência cardíaca 8 História e EF: história clínica detalhada, AP, antecedentes epidemiológicos, familiares, início e progressão dos sintomas (dispneia, edema, palpitações, taquicardia). Chagas: nascimento em zona endêmica, familiares com a doença + sintomas de IC. Critérios de Framingham Critérios para diagnóstico de IC 2 critérios maiores ou 1 maior e 2 menores. Insuficiência cardíaca 9 Exames complementares � Avaliação bioquímica → hemograma (anemia, eletrólitos, função renal, glicemia, hemoglobina glicada, perfil lipídico, função hepática e uroanálise, função tireoidiana, troponina, CPK, sorologias e ácido úrico). a� Função hepática pode estar alterada em casos de congestão e baixo débito. b� Hipocalemia por diuréticos pode causar arritmias. � Peptídeos natriuréticos → alto valor preditivo negativo (útil para descartar IC, aumentam conforme há distensão da parede ventricular; possuem valor prognóstico na mortalidade e na hospitalização. � ECG ECG normal tem alto VPN a fim de excluir disfunção ventricular sistólica; alterações como: zona inativa, onda Q e aumento atrial; distúrbios de condução e arritmias podem ser encontrados. � Rx de tórax → obrigatório; avalia-se se há cardiomegalia, dilatação das câmaras cardíacas, congestão pulmonare derrames pleurais. a� IC aumento da trama vasobrônquica, perda da nitidez dos vasos hilares, edemapulmonar pelas linhas de Kerley, etc. 2 critérios maiores ou 1 maior e 2 menores. Insuficiência cardíaca 10 � Ecocardiograma → exame MAIS utilizado para avaliar a anatomia e a função cardíaca. a� Avalia a função global e regional do VE, funções sistólica e diastólica, função valvar, avaliação de aorta, VC, pericárdio e trombos. b� O VE é o mais importante indicador prognóstico em pacientes. 💡 Teste de esforço: utilizado na avaliação funcional, estratificação prognóstica, avaliação da classe funcional e informa dados importantes sobre candidatos a transplante cardíaco. Classificação da IC Pode ser classificada de acordo com a fração de ejeção, quanto à gravidade dos sintomas e quanto ao tempo e progressão da doença. 1- Fração de ejeção 2- Gravidade dos sintomas Insuficiência cardíaca 11 3- Progressão da doença Insuficiência cardíaca 12 Classificação hemodinâmica Fatores que influenciam na sobrevida Insuficiência cardíaca 13 � Idade � Sexo � Raça � Etiologia da cardiomiopatia Comorbidades que pioram o prognóstico � Diabetes � Isquemia � Disfunção renal � Anemia � Frequência cardíaca � Hospitalização � Biomarcadores ICFEp Prevalência aumentando com o aumento da idade da população e as epidemias de obesidade, hipertensão e diabetes. Escore H2FPEF Baixa probabilidade 01 Média probabilidade: 25 Alta probabilidade 69 Insuficiência cardíaca 14 Escore HFA-PEFF Baixa probabilidade 01 Média probabilidade 24 Alta probabilidade 56 Insuficiência cardíaca 15 Diagnóstico Tratamento Não há tratamento específico para redução da mortalidade. Tratamento sintomático empírico DIU para congestão. Insuficiência cardíaca 16 Tratamento da insuficiência cardíaca aguda Base do manuseio ICA: progressão rápida de sintomas e sinais de IC necessita intervenção urgente e não planejada. Pode decorrer de uma disfunção cardíaca aguda (sem diagnóstico prévio de IC ou da exacerbação aguda de um quadro crônico. Objetivo do tratamento na ICA: melhora dos sintomas de IC, adequação volêmica e estabilização hemodinâmica. Análise do perfil hemodinâmico 1° passo → identificação do perfil hemodinâmico do paciente de acordo com sinais de congestão e a adequação da perfusão. Insuficiência cardíaca 17 Perfil hemodinâmico Conduta A (quente e seco) Compensados e estáveis. IECA/BRA BB. B (quente e úmido) Medidas gerais DIU vasodilatadores. C (frio e úmido) DIU inotrópicos + vasodilatadores. L (frio e seco) Prova de volume + inotrópico (se necessário). 3 situações que são causa de descompensação e alteram a conduta inicial: � Presença de infecção. � Presença de isquemia aguda. � Presença de arritmia aguda. Mnemônico: ABCDEFGH A: avaliação clínico-hemodinâmica. B boa oxigenação e ventilação. C: causa da descompensação. D: diuréticos. E ECG (arritmias e isquemia). F: frequência cardíaca. G: manutenção da mesma dose das drogas que influenciam no prognóstico IECA, BRA, INRA, AA, iSGLT2 e BB EXCETO se piora da função renal, Insuficiência cardíaca 18 hiperpotassemia, bradicardia intensa ou grave hipotensão. H: heparina (profilaxia de TEP e TVP. Tratamento baseado no perfil hemodinâmico Todos os pacientes: repouso, controle diário do peso, controle da diurese e dieta hipossódica. Se congestão importante: restrição hídrica e elevação do decúbito. Perfil Conduta inicial Conduta refratária Cuidados B (quente e úmido) Furosemida IV 0,51 mg/kg) + vasodilatadores orais ou IV (nitrato) → repetir ambos de 23x Aumentar a dose de furosemida + associar tiazídicos + vasodilatadores → se ainda não houver resposta → Discreta hipotensão: aumentar vasodilatadores PAS e DC vão aumentar com a redução da pós-carga). Insuficiência cardíaca 19 Perfil Conduta inicial Conduta refratária Cuidados inotrópico (dobutamina). C (frio e úmido) PAS 90: Furosemida IV 0,51 mg/kg em bólus) e ver se há reversão do baixo DC. PAS