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GABRIEL FREITAS- HABILIDADES E ATITUDES MÉDICAS IV- PEDIATRIA 
INTRODUÇÃO 
- É um período de transição entre a infância e a vida 
adulta caracterizado pelo rápido crescimento e 
desenvolvimento, relevantes transformações 
anatômicas, fisiológicas, mentais e psicossociais; 
- Denominamos adolescente a faixa etária 
compreendida entre: 10 a 19 anos e significa os anos 
subsequentes a infância; 
- Essa fase dependendo da cultura, pois há várias 
maneiras de introduzirmos a criança na 
adolescência; 
- Submetida à influência de fatores ambientais, 
sociais e culturais, que frequentemente podem 
afetar de diversas maneiras a saúde desse grupo 
populacional; 
- O adolescente tem uma tendência de experimentar 
o novo, sua impulsividade e ilusão de 
indestrutibilidade, em um contexto social e familiar 
de riscos ou desfavorável, pode comprometer seu 
presente e futuro; 
- A partir de 2003 a AMB, CFM e CNRM reconheceram 
a adolescência como área de atuação da Pediatria 
(HEBIATRIA). 
ATENÇÃO INTEGRAL À SAÚDE DO 
ADOLESCENTE E DESENVOLVIMENO 
PSICOSSOCIAL NESSA FASE 
- Atenção à questões de saúde que envolvem 
distúrbios alimentares, gravidez não planejada e uso 
de drogas lícitas/ilícitas, que também são 
frequentes; 
- A atenção integral à saúde do adolescente deve 
compreender aspectos biológicos, psicológicos e 
sociais em contexto social, cultural e familiar, que 
por sua vez, interagem continuamente. 
- As Diretrizes Nacionais para Atenção Integral à 
Saúde de Adolescentes e Jovens na Promoção, 
Proteção e Recuperação da Saúde, do Ministério da 
Saúde, apresentam três eixos prioritários de 
atuação: 
(1) Acompanhamento do crescimento e 
desenvolvimento; 
(2) Atenção integral à saúde sexual e reprodutiva; 
(3) Avaliação integral ao uso abusivo de álcool e 
outras drogas lícitas/ilícitas por pessoas jovens; 
- Devido à sua fase de transição e ao momento de 
rupturas e intensas transformações, essa fase é 
marcada por muitas contradições, mostrando 
atitudes ora infantis, ora maduras. 
- Nesse processo de transformação temos a 
vivência de três perdas marcantes para elaboração 
da identidade adulta: 
(1) Perda do corpo infantil e seu luto que pode gerar 
anseios, ansiedades e desconfortos; 
(2) Luto pela perda da identidade infantil e a 
apresentação de novas responsabilidades e deveres; 
(3) Luta pela perda dos pais da infância e a mudança 
em seu olhar para algo mais crítico. 
CARACTERÍSTICAS DA SÍNDROME DA 
ADOLESCÊNCIA NORMAL 
Busca de si mesmo e da identidade adulta; 
Tendência grupal; 
Crises Religiosas; 
Contradições sucessivas nas manifestações de 
conduta; 
Constantes flutuações de humor e do estado de 
ânimo; 
Separação progressiva dos pais; 
Necessidade de intelectualizar-se e fantasiar; 
Deslocação Temporal; 
Atitude social reivindicatória; 
Evolução sexual; 
- O refúgio em seu mundo interior, a busca de um 
grupo de semelhantes, a intelectualização e o 
ascetismo são alguns dos recursos empregados 
pelo adolescente para superar suas ansiedades; 
- Aumento da agressividade e manifestações de 
rebeldia; 
- Meios desfavoráveis que emergem em conflitos; 
GABRIEL FREITAS- HABILIDADES E ATITUDES MÉDICAS IV- PEDIATRIA 
CONSULTA MÉDICA DO ADOLESCENTE 
- A sua abordagem deve considerar a complexidade 
do período de grandes transformações que ele 
vivencia nas diversas dimensões, tais como 
questões biológicas, como crescimento, 
desenvolvimento, avaliação nutricional, observação 
de fatores de risco de doenças, além das 
morbidades. Deve-se avaliar também as condições 
sociais do paciente, os aspectos emocionais, a 
dinâmica familiar, a vida escolar, os 
relacionamentos, aspirações profissionais e os 
ideais de vida; 
- Investigar também se há exposição à situações de 
violência e comportamentos de risco que resultem 
em doenças sexualmente transmissíveis, gravidez 
indesejada, uso abusivo de drogas lícitas/ilícitas e 
transgressões da lei, estabelecendo estratégias 
para afastar o adolescente das condições de 
vulnerabilidade e identificar fatores protetores para 
a promoção da saúde integral; 
- O médico deve reconhecer o adolescente como 
indivíduo progressivamente capaz e atende-lo de 
maneira diferenciada, respeitando sua 
individualidade e mantendo uma postura de 
acolhimento, centrada em valores de saúde e bem-
estar do jovem; 
- O adolescente tem o direito de ser atendido sem a 
presença dos pais ou responsáveis no ambiente da 
consulta, garantindo-se a privacidade, 
confidencialidade e o direito de escolha sobre 
procedimentos diagnósticos, terapêuticos ou 
profiláticos, para que ele assuma integralmente seu 
tratamento; 
- A confidencialidade é um direito do paciente 
adolescente e gera a obrigação do sigilo médico 
regulamentada pelo artigo 74 do código de ética 
médica proposto pelo CFM; 
- A quebra do sigilo e a participação e o 
consentimento dos pais ou responsáveis são 
necessários em situações consideradas de risco 
(gravidez, aborto, uso de drogas, não adesão ao 
tratamento, doenças graves, risco à sua vida ou à de 
terceiros) e em face da realização de procedimentos 
de maior complexidade (biópsias e intervenções 
cirúrgicas); 
- No caso de risco de vida para si ou para terceiros, 
o sigilo pode ser quebrado sem consentimento; 
- O adolescente deve ser incentivado a envolver a 
família no acompanhamento de seus problemas; 
- Consulta dividida em momentos: Um em que a 
família está presente, outro no qual o médico atende 
apenas o adolescente e um último quando a família 
está presente mais uma vez para a conclusão da 
consulta e o estabelecimento dos planos de 
tratamento. Porém a família pode solicitar um tempo 
para si e ela solicita ao médico; 
- É IMPORTANTE DEIXAR CLARO PARA A FAMÍLIA E 
PARA O ADOLESCENTE QUE NADA DO QUE FOR 
TRATADO NO CONSULTÓRIO SERÁ REVELADO AOS 
FAMILIARES A NÃO SER QUE SEJA FUNDAMENTAL AO 
TRATAMENTO E MESMO NESSE CASO É NECESSÁRIO 
OBTER O CONSENTIMENTO DO ADOLESCENTE; 
- O médico deve assumir uma atitude acolhedora e 
compreensiva, que inspire confiança e respeito, sem 
autoritarismos e preconceitos ou julgamentos, 
dando oportunidade para que o paciente fale sobre 
seus problema, sua relação com a família, com a 
escola e com os amigos, e sobre sua sexualidade; 
- Fazer uso de uma linguagem clara, simples e 
objetiva facilita a comunicação, pois muitas vezes 
estados de ansiedade são diminuídos após a 
consulta com um médico que nada fez de 
excepcional, a não ser ouvir e dialogar; 
- O conflito entre pais e filhos é muito comum 
durante a adolescência e é preciso que o profissional 
esteja atento e evite fazer alianças. Seu papel deve 
restringir-se a compreender os conflitos e facilitar 
sua compreensão pelas duas partes, colaborando 
para a solução; 
- É recomendável o atendimento multidisciplinar, 
envolvendo agentes de diferentes áreas, como 
psicólogos e assistentes sociais, além de áreas 
específicas quando necessário; 
DIREITOS DO ADOLESCENTE 
- CONSITUIÇÃO: ARTIGO 227 que concede direito e 
assegura o adolescente; 
CÓDIGO DE ÉTICA MÉDICA ARTIGO 74 
GABRIEL FREITAS- HABILIDADES E ATITUDES MÉDICAS IV- PEDIATRIA 
“Revelar sigilo profissional relacionado a paciente 
menor de idade, inclusive a seus pais ou 
representantes legais, desde que o menor tenha 
capacidade de discernimento, salvo quando a não 
revelação possa acarretar dano ao paciente”. 
ANAMNESE 
- Atenção direcionada para ele; Deve conter dois 
momentos: com a família e individual; 
- Deve abranger aspectos orgânicos, psicológicos e 
sociais; 
- Fazer com que o adolescente perceba que ELE é o 
centro da consulta. EX: Cumprimentá-lo antes do 
adulto; 
- O ambiente do consultório não deve ser muito 
infantil, como exemplo de bichinhos nas paredes, 
bonecos ao solo, etc; 
- No início da consulta, quando o acompanhante e o 
adolescente estão juntos, o segundo é interrogado 
sobre o motivo da consulta (QP) e HDA.Esse 
momento pode ser aproveitado para averiguar 
antecedentes familiares, pessoais e fisiológicos 
como gestação, parto, condições de nascimento, 
período neonatal e intercorrências, crescimento, 
desenvolvimento neuropsicomotor, alterações 
emocionais e distúrbios de conduta, amamentação, 
morbidades pregressas pessoais e familiares, 
doenças da infância, cirurgias, convulsões, 
internações, alergias, uso de medicamentos, 
imunização e alimentação; 
- No segundo momento, apenas com o adolescente, 
é importante analisar a QP sob sua perspectiva. As 
vezes os adolescentes podem estar disfarçando 
problemas comportamentais, e em outros, queixas 
emocionais, manifestadas somaticamente. Nesse 
momento o médico precisa ter perspicácia e saber 
captar o estimulo iatrotrópico; 
- Em seguida aplica-se o interrogatório 
sintomatológico de acordo com sistemas, sendo 
importante pesquisar: apetite, atividade, ganho ou 
perda de peso recente, características dos ciclos 
menstruais, DUM, sono, estado emocional, mal-
estar; 
- Investigam-se também condições 
socioeconômicas, como moradia, saneamento, renda 
e os hábitos de vida, como tempo de tela no dia, 
prática de exercícios físicos, uso e experimentação 
de tabaco, álcool e drogas lícitas/ilícitas, além da 
vida escolar, como série, dificuldades de 
aprendizagem, relações familiares, conflitos, 
violência, posição e papel que a família ocupa, 
relações sociais, como religião, amigos, namoro, 
sexualidade, trabalho, lazer e saúde sexual e 
reprodutiva, se o adolescente recebeu informação a 
esse respeito e quais são as suas dúvidas; 
- Perguntas devem ser feitas com cautela 
respeitando a idade, desenvolvimento puberal e 
interesse manifestado; Abordar assuntos como 
importância do autocuidado e do cuidado com o 
outro, medidas de proteção, atividade sexual, 
masturbação, afetividade, prazer e questões 
relativas à orientação sexual quando necessário ou 
demandadas; 
- Iniciar conversa com temas de interesse do jovem 
facilita a dinâmica da consulta ou com um 
interrogatório sintomatológico para chegar ao 
problema principal; 
- Atentar para o esquema de vacinas com ênfase na 
investigação para HPV; 
- Comparecimento a consultas médicas de rotina a 
cada 3 ou 6 meses, quando estiver no estirão 
puberal, e anualmente, após completado o estirão; 
- Diálogo sobre hábitos alimentais, controle de peso 
saudável, distúrbios alimentares, autoimagem, 
legislação trabalhista e grupos escolares; 
VACINAS 
 Tríplice Viral (Sarampo, Rubéola e Caxumba); 
 Hepatite A e B; 
 HPV; 
 Tríp1lice Bacteriana acelular (Difteria, Tétano e 
Coqueluche) ou dT do adulto (Difteria e Tétano); 
 Varicela (Catapora); 
 Influenza (Gripe); 
 Febre Amarela; 
 Meningite (Meningocóccicas conjugadas e 
Meningo B); 
MODIFICAÇÕES BIOLÓGICAS 
- A puberdade se caracteriza por transformações 
biológicas determinadas pela ação do eixo 
GABRIEL FREITAS- HABILIDADES E ATITUDES MÉDICAS IV- PEDIATRIA 
hipotálamo-hipófise-suprarrenais-gonadal, que 
culmina com o aumento de velocidade de 
crescimento e surgimento de características 
secundárias e consequentes mudanças na esfera 
psicossocial do indivíduo; 
- Há amplas variações individuais especialmente por 
fatores genéticos, tanto em relação à idade do início 
da puberdade quanto à magnitude e à duração dos 
eventos; 
 Tende a ser mais precoce e se completa em 
um período de 2 a 5 anos; 
 Início entre os 8 e 13 anos com aparecimento 
do broto mamário; 
 Menarca é o fator marcante da puberdade 
feminina e ocorre entre os 9 e 16 anos, sendo 
a média 12,2. 
 TELARCA: aparecimento do broto mamário 
 MENARCA: primeira menstruação 
 PUBARCA: aparecimento dos pelos pubianos 
 ANDRENARCA: aumento da produção de 
hormônios sexuais; Primeiro evento a 
acontecer; 
 Adrenarca, Telarca, Pubarca e Menarca é 
normalmente a ordem de aparecimento; 
 O estirão ocorre em uma sequência distal-
proximal e seu aparecimento inicia no estágio 
2 de Tanner e o pico da velocidade de 
crescimento costuma ocorrer no estágio 3 de 
Tanner, quase sempre precedendo a menarca 
que ocorre no estágio 4 de Tanner; 
 
 Quando atinge M5, a adolescente está 
praticamente parando de crescer; 
 O tempo de passagem entre um estágio e 
outro varia entre as adolescentes, com as 
mamas e os pelos podendo levar até́ 4 anos 
para evoluir do estágio 2 para o 5; 
 No sexo masculino o primeiro indício de 
maturação sexual é o aumento dos testículos 
(>4cm^3) que se dá em média aos 10,9 anos 
podendo ocorrer entre os 9 e os 14 anos de 
idade; 
 Esse evento é seguido pelo aparecimento 
dos pelos pubianos em média aos 11,9 anos e 
pelo aumento do tamanho do pênis; 
 O aparecimento de pelos axilares e faciais 
ocorrem mais tardiamente, na maioria dos 
caos aos 12,9 e aos 14,5 anos, 
respectivamente; 
 O estirão ocorre em uma sequência distal-
proximal e por isso, o primeiro segmento a 
crescer é o pé, sendo que este ocorre mais 
tardiamente no sexo masculino, 
normalmente no estágio 3 de Tanner, com 
pico de velocidade do crescimento no estágio 
4 de Tanner; 
 Associado ao crescimento do esqueleto, a 
massa e a força muscular aumentam no 
sexo masculino, enquanto no sexo feminino 
há deposição de gordura subcutânea; 
 Ocorre uma desaceleração da velocidade de 
crescimento em G5; 
 Pelos axilares, faciais e do restante do corpo 
surgem em torno de 2 anos após o início dos 
pelos púbicos; 
 A ejaculação e a espermatogênese ocorrem 
nas fases mais adiantadas do 
desenvolvimento dos genitais, 
habitualmente G4. 
 A mudança vocal, ocorre por ação da 
testosterona e é um evento mais tardio, 
durando no máximo 6 meses. 
 Na puberdade masculina, há maior evidência 
do ganho de tecido muscular, há o 
desenvolvimento da cartilagem da laringe e 
dos pelos faciais e torácicos. 
GABRIEL FREITAS- HABILIDADES E ATITUDES MÉDICAS IV- PEDIATRIA 
 
EXAME FÍSICO 
- Respeitar o pudor e esclarecer sobre os 
procedimentos a serem realizados e a importância 
do exame; 
- Garantir a privacidade do adolescente, de modo 
que ele perceba que a porta do recinto onde está 
sendo realizado o exame está trancada e que não 
será invadido por ninguém; 
- Manter se possível outro profissional da saúde no 
recinto durante o exame físico; 
- Explicar de modo claro, compreensivo e cuidadoso 
sobre qualquer problema de saúde que tenha sido 
encontrado; 
- Semiotécnica igualmente a do adulto; 
- Observar a pele, se há presença excessiva de 
acnes; Examinar a tireóide e seu aumento fisiológico; 
- Examinar os genitais que deve ser precedido de um 
esclarecimento sobre sua necessidade, sendo 
respeitada a possível recusa do paciente; 
- Pesquisar a presença de ginecomastia no sexo 
masculino; Verificar fimose e palpar os testículos; 
- Na menina, examinar a vulva e verificar se há 
secreção vaginal. O exame ginecológico completo 
feito pelo ginecologista é indicado a adolescentes 
com atividade sexual, vulvovaginites não 
responsivas ao tratamento de rotina, amenorreia 
primária ou secundária, suspeita de abuso sexual ou 
de gravidez, dismenorreia não responsiva aos 
tratamentos de rotina, dentre outras situações; 
- Deve-se avaliar a coluna vertebral e eventuais 
alterações osteomusculares dos MMII. Também é 
imprescindível examinar a postura, a marcha e 
principais reflexos; 
ANTROPOMETRIA 
 Peso; 
 Estatura: não é uniforme; 
 PC: Aumento 2mm/ano; 
 Avaliar as curvas de crescimento; 
 Aumento globo ocular – sagital; 
 Proporções corporais: estirão no sentido 
distal-proximal; 
 Primeiro crescem os pés e as mãos, depois as 
pernas e os antebrac ̧os e, por último, as coxas 
e os brac ̧os, que também param de crescer 
nessa ordem; 
 Envergadura: atentar-se para escolioses e 
cifoses; 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
REFERÊNCIA 
PORTO, C.C. Semiologia Médica. 8a ed. Rio 
de janeiro. Guanabara,2019;

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