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<p>Adolescência</p><p>SUMÁRIO</p><p>1. Introdução ..........................................................................................................3</p><p>2. Principais agravos à saúde .................................................................................5</p><p>3. Consulta do adolescente ....................................................................................7</p><p>Anamnese ..................................................................................................................... 7</p><p>Exame físico ............................................................................................................... 11</p><p>Acompanhamento ...................................................................................................... 13</p><p>4. Aspectos éticos ................................................................................................15</p><p>5. Promoção à saúde ............................................................................................17</p><p>Referências ........................................................................................................................20</p><p>Adolescência   3</p><p>1. INTRODUÇÃO</p><p>Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), adolescência compreende o</p><p>período de vida entre 10 e 20 anos incompletos, caracterizado por importantes trans-</p><p>formações físicas – crescimento como um todo e surgimento da puberdade, eviden-</p><p>ciada pelos caracteres sexuais secundários – reorganização psíquica, peculiaridades</p><p>afetivo-sexuais, comportamentais, socioculturais, espirituais, com busca de projetos</p><p>de vida e outra percepção do mundo. Já de acordo com o Estatuto da Criança e do</p><p>Adolescente (ECA), a adolescência engloba jovens entre 12 e 18 anos.</p><p>Mesmo reconhecendo que na adolescência o critério cronológico perde importân-</p><p>cia, para que se possa compreender a evolução do processo, é interessante analisar</p><p>o desenvolvimento dividido por idade: adolescência inicial – dos 10 aos 13 anos;</p><p>adolescência média – dos 14 aos 16 anos; adolescência final – dos 17 aos 20 anos.</p><p>A adolescência inicial é um período marcado pelo rápido crescimento e pela en-</p><p>trada na puberdade; a adolescência média caracteriza-se pelo desenvolvimento in-</p><p>telectual e pela maior valorização do grupo, e na adolescência tardia consolidam-se</p><p>as etapas anteriores e o adolescente se prepara para assumir o mundo adulto. Na</p><p>última fase, se todas as transformações tiverem ocorrido conforme previsto nas fa-</p><p>ses inicial e média, incluindo a presença de suporte familiar e do grupo de iguais, o</p><p>adolescente estará pronto para as responsabilidades da idade adulta.</p><p>Adolescência   4</p><p>Desenvolvimento psicossocial do adolescente</p><p>Tarefa Adolescência inicial Adolescência média Adolescência tardia</p><p>Independência</p><p>Diminui o interesse pelas</p><p>atividades com os pais</p><p>Conflito com os pais</p><p>Reaceitação dos valores</p><p>parentais</p><p>Imagem</p><p>corporal</p><p>Preocupação com as</p><p>mudanças puberais;</p><p>Insegurança com a</p><p>aparência</p><p>Aceitação do corpo;</p><p>Preocupação em torná-lo</p><p>mais atraente</p><p>Aceitação das mudanças</p><p>puberais</p><p>Grupo</p><p>Relação intensa com</p><p>amigos do mesmo sexo</p><p>Comportamento confor-</p><p>me valores do grupo;</p><p>Atividade sexual/</p><p>Experimentação</p><p>Importância menor aos</p><p>valores dos pares;</p><p>Mais tempo em relações</p><p>íntimas</p><p>Identidade</p><p>Desenvolvimento da</p><p>inteligência;</p><p>Aumento do mundo da</p><p>fantasia;</p><p>Vocação idealizada;</p><p>Privacidade;</p><p>Impulsividade</p><p>Desenvolvimento da</p><p>habilidade intelectual;</p><p>Onipotência;</p><p>Comportamentos de</p><p>risco</p><p>Vocação realística e</p><p>prática;</p><p>Refinamento dos valores</p><p>sexuais, religiosos e</p><p>morais;</p><p>Habilidade para assumir</p><p>compromissos e para</p><p>aceitar limites</p><p>Fonte: Tratado de Pediatria: Sociedade Brasileira de Pediatria, 2017</p><p>MAPA MENTAL: INTRODUÇÃO</p><p>• 10 – 13 anos</p><p>• Crescimento rápido</p><p>• Entrada na puberdade</p><p>Adolescência inicial</p><p>Adolescência média</p><p>Adolescência tardia• 14 – 16 anos</p><p>• Desenvolvimento</p><p>intelectual</p><p>• Maior valorização</p><p>de grupo</p><p>• 17 – 20 anos</p><p>• Consolidação das</p><p>etapas anteriores</p><p>• Preparação para</p><p>assumir mundo adulto</p><p>Adolescência   5</p><p>2. PRINCIPAIS AGRAVOS À SAÚDE</p><p>Para atender adolescentes, é preciso também conhecer as causas prevalentes de</p><p>morbidade e mortalidade entre jovens, para que o profissional de saúde esteja preparado</p><p>para lidar com situações e agravos evitáveis, com uma perspectiva de curso de vida.</p><p>Figura 1: As dez principais causas de morte entre adolescentes.</p><p>Fonte: Autoria Própria</p><p>Mobile User</p><p>Adolescência   6</p><p>Figura 2: As dez principais causas de anos de vida perdidos ajustados para deficiência entre</p><p>adolescentes.</p><p>Fonte: Autoria Própria</p><p>As queixas de adolescentes atendidos em ambulatório abrangem enorme es-</p><p>pectro. Relacionam-se principalmente ao crescimento e desenvolvimento normal e</p><p>variantes – baixa estatura, puberdade precoce ou antecipada, ginecomastia – ex-</p><p>cesso de peso, obesidade, Síndrome Metabólica, transtornos alimentares (anorexia,</p><p>bulimia, vigorexia), cefaleia, dores recorrentes, distúrbios menstruais, acnes, desvios</p><p>de coluna, dificuldades escolares e nos relacionamentos familiares, entre outros. As</p><p>questões de saúde mental estão cada vez mais frequentes – quadro depressivo, fo-</p><p>bias, ansiedade, autoagressão, ideação suicida.</p><p>Mobile User</p><p>Adolescência   7</p><p>3. CONSULTA DO ADOLESCENTE</p><p>A consulta é um momento privilegiado de comunicação com o adolescente e deve</p><p>acontecer em um clima que inspire confiança, respeito e sigilo. O adolescente tam-</p><p>bém precisa ser receptivo ao processo. É essencial deixar bem claro desde o início</p><p>que o paciente é a figura central, dirigindo-se sempre a ele.</p><p>Anamnese</p><p>Esse momento da consulta consiste na coleta de informações sobre o paciente,</p><p>familiares e o ambiente onde vive. É importante que seja ampla e aborde os aspec-</p><p>tos físicos, psíquicos, sociais, culturais, sexuais e espirituais do adolescente. Do</p><p>ponto de vista didático, pode-se dividir a anamnese em três ou mais momentos: en-</p><p>trevista com paciente e familiares juntos, entrevista com o paciente a sós e retorno</p><p>para paciente e pais/responsáveis.</p><p>Primeiro momento da anamnese: adolescente e familiares</p><p>juntos</p><p>Tópicos a serem abordados:</p><p>• Motivo da consulta – nem sempre é uma patologia, mas uma situação ou agra-</p><p>vo, (ex: queda no rendimento escolar, “timidez excessiva”);</p><p>MAPA MENTAL: PRINCIPAIS QUEIXAS NA CONSULTA DO ADOLESCENTE</p><p>Queixas Cefaleia e outras dores</p><p>Alterações metabólicas</p><p>e alimentares</p><p>Distúrbios menstruais</p><p>Dificuldades de</p><p>relacionamento</p><p>Saúde mental</p><p>Dificuldades escolares</p><p>Desvios de coluna Acnes</p><p>Crescimento e</p><p>desenvolvimento</p><p>Mobile User</p><p>Adolescência   8</p><p>• Histórico da situação atual e pregressa do paciente, incluindo agravos e</p><p>doenças;</p><p>• Estado vacinal (verificar o cartão de imunizações);</p><p>• Dados da gestação, parto e condições de nascimento, e peso ao nascer;</p><p>• Hábitos alimentares (horário das refeições, quantidade e qualidade dos nutrien-</p><p>tes, hábitos de guloseimas);</p><p>• Condições de habitação, ambiente e rendimento escolar, exposição a ambien-</p><p>tes violentos, uso de tecnologia da informática (tempo em celular, games,</p><p>computador);</p><p>• História familiar – refere-se à configuração, dinâmica e funcionalidade: com</p><p>quem o(a) adolescente mora, situação conjugal dos pais e consanguinida-</p><p>de, outros agregados na residência, harmonia ou situações conflituosas no</p><p>ambiente.</p><p>• Não se esquecer de obter dados sobre o sono, lazer, atividades culturais, exercí-</p><p>cios físicos e religião.</p><p>Segundo momento da anamnese: a sós com o adolescente</p><p>Constitui o tempo mais importante da consulta, uma vez que é a oportunidade de</p><p>o paciente se expressar de forma mais livre e aberta. A conversa deve ocorrer em</p><p>ambiente sigiloso, abordando novamente o motivo que o traz à consulta, pois pode</p><p>diferir do relato da família. Convém relembrar a abordagem de acordo com a ética</p><p>profissional, sem julgar a sua versão dos fatos. Nesta etapa, devem ser coletadas</p><p>informações sobre:</p><p>• A percepção corporal e autoestima;</p><p>• Relacionamento com a família (pais, irmãos, parentes), ocorrência de conflitos;</p><p>• A utilização</p><p>das horas de lazer, as relações sociais, grupo de iguais, desenvolvi-</p><p>mento afetivo, emocional e sexual;</p><p>• Conhecer outros espaços por onde o adolescente transita e mantém relacio-</p><p>namentos interpessoais – escola, comunidade, grupos de jovens, e trabalho</p><p>(normas adequadas do tipo e local, salubridade, não interferência na escola e</p><p>remuneração);</p><p>• Crenças e atividades religiosas;</p><p>• Investigar situações de risco e vulnerabilidade a que os adolescentes se ex-</p><p>põem: contato com drogas lícitas (álcool, tabaco, cigarro eletrônico, narguilés)</p><p>e ilícitas;</p><p>• Aspectos relacionados aos comportamentos sexuais, gênero e orientação</p><p>sexual saúde reprodutiva, gestações não planejadas, infecções sexualmente</p><p>transmissíveis (ISTs);</p><p>• Ocorrência de acidentes, submissão a violências;</p><p>Mobile User</p><p>Adolescência   9</p><p>• Tempo de exposição às telas digitais – celulares, notebooks, televisão e</p><p>videogames.</p><p>Se liga! Cabe lembrar que existem exceções para o não atendimen-</p><p>to a sós com o cliente: déficit intelectual do paciente que o incapacite de res-</p><p>ponder, distúrbios psiquiátricos graves ou mesmo o próprio desejo do paciente</p><p>em não ficar sozinho com o profissional.</p><p>Terceiro momento da anamnese: com os pais/responsáveis</p><p>Na existência de conflitos evidentes, ou de violência familiar, torna-se necessário</p><p>mais uma etapa, desta vez para uma conversa a sós com os responsáveis. Assim</p><p>como, para orientá-los sobre as hipóteses diagnósticas percebidas e as explicações</p><p>sobre as condutas terapêuticas a serem tomadas.</p><p>Abordagem HEEADSSS na anamnese</p><p>Com o intuito de conhecer a história psicossocial do modo mais completo pos-</p><p>sível, Berman HS em 1971 elaborou um método de questões maximizando a co-</p><p>municação e diminuindo o estresse, durante a consulta médica. Tal método foi</p><p>posteriormente refinado e atualizado por outros autores, passando a ser reconhecido</p><p>pela sigla HEEADSSS.</p><p>A utilização desse instrumento não pretende substituir a anamnese e os guide-</p><p>lines desenvolvidos para atenção preventiva de jovens. É considerado um método</p><p>indireto excelente para avaliar comportamentos e complementar a anamnese do</p><p>adolescente, podendo ser incorporada na prática cotidiana. Nesse sentido, pode ser</p><p>modificada e utilizada como guia de orientação dos atendimentos, principalmente</p><p>quando se dispõe de tempo curto e múltiplas tarefas. Para cada área são sugeridas</p><p>perguntas que podem ser modificadas e também acrescentadas.</p><p>Essa entrevista é feita pelo menos uma vez por ano ou sempre que houver indí-</p><p>cios de algum fato estressante recente ou precipitante da consulta. Algumas dessas</p><p>perguntas podem ser refeitas na presença de familiares para melhor entendimento</p><p>da vida do adolescente. Existem outros métodos que também podem ser utilizados</p><p>na avaliação psicossocial, como o AADDOLESSE e o CRAFFT.</p><p>Mobile User</p><p>Adolescência   10</p><p>Exemplo de abordagem pelo protocolo HEEADSSS conforme a sigla,</p><p>significado e indagações sugeridas</p><p>Sigla e significado Indagações sugeridas</p><p>H (Home): Casa</p><p>Onde você mora?</p><p>Quem reside na casa com você?</p><p>O ambiente é calmo ou “agitado”?</p><p>Quem briga mais na sua casa?</p><p>E (Education</p><p>/ Employment): Educação /</p><p>emprego</p><p>Sabe ler e escrever?</p><p>Atualmente estuda? Em que ano?</p><p>Você trabalha? Em quê? horário – carteira assinada – interfere nos</p><p>estudos?</p><p>E (Eating Disorders): Distúrbios</p><p>alimentares</p><p>Já fez dieta?</p><p>Gosta de seu corpo?</p><p>Está contente com seu peso e altura?</p><p>A (Activities): Atividades</p><p>O que você faz além da escola?</p><p>Pratica esporte? Qual? Quantas vezes por semana?</p><p>Utiliza celular?</p><p>Você joga videogame?</p><p>Quanto tempo passa entre celular, games, TV, computador, telas em</p><p>geral?</p><p>D (Drugs): Drogas lícitas / ilícitas</p><p>Você bebe? Com que frequência?</p><p>Onde costuma beber: em casa/bar/festas?</p><p>Já experimentou kit (vodka + energético)?</p><p>Já ficou de porre? Quando foi a última vez?</p><p>Fuma tabaco? Início, quantidade de cigarros/maços fuma?</p><p>Usou/usa outra droga? Qual, início, frequência, intoxicações / “overdose”?</p><p>S (Sexuality): Sexualidade</p><p>Já “ficou”?</p><p>Está apaixonado/a?</p><p>Divide sua intimidade corporal com alguém?</p><p>Já teve relações sexuais? Com pessoas de sexo oposto, mesmo sexo, ou</p><p>tanto faz?</p><p>S (Security): Segurança</p><p>Já sofreu algum tipo de violência? Onde? Por quem?</p><p>Assalto?</p><p>Bullying?</p><p>Já causou violência em alguém? Consequências?</p><p>S (Suicide): Suicídio</p><p>O que você faz quando se sente triste: fica quieto? Chora?</p><p>Já pensou em desaparecer / se machucar? Já tentou?</p><p>Fonte: Consulta do adolescente: abordagem clínica, orientações éticas e legais como instrumentos ao</p><p>pediatra, 2019</p><p>Mobile User</p><p>Adolescência   11</p><p>Exame físico</p><p>O exame clínico completo é um dos pilares do processo de diagnóstico e trata-</p><p>mento, e uma forma de avaliar objetivamente as queixas do adolescente. Exige abso-</p><p>luta privacidade, local adequado, se possível em sala próxima à da anamnese. Deve</p><p>ser realizado preferencialmente no sentido craniocaudal, de forma segmentada, sem-</p><p>pre cobrindo a região que não está sendo examinada. Torna-se prudente, e recomen-</p><p>dável, a presença de uma terceira pessoa, que pode ser alguém da área da saúde ou,</p><p>se o adolescente preferir, alguém de sua estrita confiança.</p><p>O exame deve ser realizado com a máxima discrição e a sua explicação prévia do</p><p>passo a passo é importante para tranquilizar e diminuir temores. Além da ansieda-</p><p>de frente ao manuseio do corpo, não raro o adolescente encontra-se ansioso ante a</p><p>perspectiva de achados anormais. Assim, é desejável que o profissional responda a</p><p>essa expectativa, revelando o que está normal durante a avaliação.</p><p>O exame físico também funciona como boa oportunidade de o profissional</p><p>abordar temas educativos com o paciente, como por exemplo, a orientação do au-</p><p>toexame das mamas, avaliação do genitais e pilificação. No caso de adolescentes</p><p>masculinos, orientar quanto à importância de avaliar a consistência e tamanho de</p><p>seus testículos, como também a eventual presença de ginecomastia.</p><p>Roteiro do exame físico:</p><p>• Aspectos gerais (aparência física, pele hidratada, eupneico, normocorado etc.);</p><p>• Peso, altura, índice de massa corporal (IMC)/idade e altura/idade – utilizar gráfi-</p><p>cos e critérios da OMS; Pregas cutâneas;</p><p>• Pressão arterial (deve ser mensurada pelo menos uma vez/ano e compará-las</p><p>às curvas de pressão arterial para idade);</p><p>• Acuidade visual com escala de Snellen;</p><p>• Estado nutricional;</p><p>• Tireoide, cavidade oral, otoscopia;</p><p>• Coluna vertebral e postura;</p><p>• Exame neurológico e mental (sumários);</p><p>• A genitália deve ser avaliada ao final do exame físico, no próximo momento</p><p>oportuno se paciente não permitiu, especialmente se houver queixa específica.</p><p>• Maturação sexual - utilizar critérios de Tanner (masculino e feminino), orquidô-</p><p>metro para avaliar o volume testicular.</p><p>Mobile User</p><p>Adolescência   12</p><p>Estadiamento puberal</p><p>Estadiamento puberal</p><p>Desenvolvimento mamário – sexo feminino</p><p>M1 – Mama infantil, com elevação somente da papila.</p><p>M2 – Broto mamário. Forma-se uma saliência pela elevação da aréola e da papila. O diâmetro da aréola au-</p><p>menta e há modificação na sua textura. Há pequeno desenvolvimento glandular subareolar.</p><p>M3 – Maior aumento da mama e da aréola, sem separação dos seus contornos. O tecido mamário extrapola</p><p>os limites da aréola.</p><p>M4 – Maior crescimento da mama e da aréola, está formando uma segunda saliência acima do contorno da</p><p>mama (duplo contorno).</p><p>M5 – Mama de aspecto adulto, em que o contorno areolar novamente é incorporado ao contorno da mama.</p><p>Desenvolvimento genital – sexo masculino</p><p>G1 – Testículos, escroto e pênis de tamanho e proporções infantis.</p><p>G2 – Aumento inicial do volume testicular (3 a 4 mL). Pele do escroto muda de textura e torna-se avermelha-</p><p>da. Aumento do pênis pequeno ou ausente.</p><p>G3 – Crescimento do pênis em comprimento. Maior aumento dos testículos e do escroto.</p><p>G4 – Aumento do pênis, principalmente em diâmetro, e desenvolvimento da glande. Maior crescimento de</p><p>testículos e escroto, cuja pele se torna mais enrugada e pigmentada.</p><p>G5 – Desenvolvimento completo</p><p>da genitália, que assume características adultas.</p><p>Pilosidade púbica – sexos feminino e masculino</p><p>P1 – Ausência de pelos púbicos. Pode haver uma leve penugem, semelhante à observada na parede</p><p>abdominal.</p><p>P2 – Aparecimento de pelos longos e finos, levemente pigmentados, lisos ou pouco encaracolados, ao longo</p><p>dos grandes lábios e na base do pênis.</p><p>P3 – Maior quantidade de pelos, agora mais grossos, escuros e encaracolados, espalhando-se esparsamente</p><p>na região púbica.</p><p>P4 – Pelos do tipo adulto, cobrindo mais densamente a região púbica, mas sem atingir a face interna das</p><p>coxas.</p><p>P5 – Pilosidade púbica igual à do adulto, em quantidade e distribuição, invadindo a face interna da coxa.</p><p>Fonte: Tratado de Pediatria: Sociedade Brasileira de Pediatria, 2017</p><p>Mobile User</p><p>Adolescência   13</p><p>Figura 3: Estadiamento sexual masculino: genitais (G) e pelos (P) e</p><p>estadiamento sexual feminino: mamas (M) e pelos (P).</p><p>Fonte: Autoria Própria.</p><p>Adolescência   14</p><p>Acompanhamento</p><p>Quanto ao acompanhamento do crescimento e desenvolvimento puberal, sugere-</p><p>-se realizar consultas em intervalos de acordo com a fase em que se encontra o/a</p><p>paciente, como descritos na tabela a seguir. No caso de alterações (estatura baixa</p><p>ou elevada, maturação tardia ou antecipada), os intervalos de retorno serão definidos</p><p>pelo profissional, conforme a necessidade do caso.</p><p>Intervalos das consultas para acompanhamento do crescimento desen-</p><p>volvimento puberal, conforme a fase em que paciente se encontra</p><p>Fase do crescimento Intervalo da consulta</p><p>No início da puberdade De 3 em 3 meses</p><p>Aceleração De 4 em 4 meses</p><p>Desaceleração Uma vez ao ano até finalizar o crescimento</p><p>Fonte: Consulta do adolescente: abordagem clínica, orientações éticas e legais</p><p>como instrumentos ao pediatra, 2019</p><p>Se liga! Para fins de recomendações de procedimentos de pueri-</p><p>cultura, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) enquadra na adolescência 9</p><p>consultas anuais dos 11 aos 19 anos, e a American Academy of Pediatrics, 11</p><p>consultas dos 11 aos 21 anos.</p><p>MAPA MENTAL: CONSULTA DO ADOLESCENTE</p><p>Anamnese</p><p>Exame físico</p><p>• Entrevista com paciente e</p><p>familiares juntos</p><p>• Entrevista com o paciente</p><p>a sós</p><p>• Retorno para paciente e</p><p>familiares</p><p>• Exame completo</p><p>• Presença de terceira pessoa</p><p>• Abordagem de temas</p><p>educativos</p><p>Mobile User</p><p>Adolescência   15</p><p>4. ASPECTOS ÉTICOS</p><p>A consulta do adolescente deve ocorrer em clima de confiança, respeito, sigilo</p><p>e autonomia. Com a evolução dos tempos, a nova ética reconhece que o jovem rei-</p><p>vindique sua posição de indivíduo autônomo responsável e capaz de avaliar seus</p><p>problemas e optar sobre procedimentos médicos – diagnósticos terapêuticos e pro-</p><p>filáticos – assumindo sua responsabilidade sobre o tratamento proposto.</p><p>O princípio da autonomia sugere que, em determinadas circunstâncias, a única</p><p>pessoa que tem direito de escolher o que for mais conveniente para si mesma é o</p><p>próprio adolescente. Foi assim que surgiu, após muitos conflitos, o conceito do me-</p><p>nor maduro, isto é, o indivíduo que tem desenvolvimento cognitivo, intelectual e emo-</p><p>cional suficiente para compreender os benefícios e os riscos do tratamento proposto</p><p>e as condutas a serem tomadas e discutidas durante a consulta. É evidente que esse</p><p>conceito é critério subjetivo.</p><p>O médico deve, portanto, decidir se seu paciente é ou não menor maduro; se ele</p><p>for julgado como tal, o adolescente terá autonomia para dar seu assentimento à as-</p><p>sistência ou recusá-la, mesmo à revelia dos pais, devendo constar no prontuário. A</p><p>decisão do médico sempre prevalecerá; assim, sua preocupação será maior ainda.</p><p>O termo de assentimento é dado por adolescentes ainda não totalmente capazes</p><p>para tomar decisões sobre sua vida futura. O termo de consentimento é fornecido</p><p>por pessoas adultas já totalmente capazes para tomar decisões.</p><p>A participação da família no processo de atendimento do adolescente é desejável,</p><p>mas os limites desse envolvimento precisam ficar claros para a família e para o jo-</p><p>vem. O adolescente deve ser incentivado a envolver sua família na solução de seus</p><p>problemas, entretanto, a ausência dos pais ou responsáveis não deve impedir seu</p><p>atendimento médico em consulta inicial ou nos retornos.</p><p>O adolescente mais jovem, de 10 a 14 anos, frequentemente ainda não tem ca-</p><p>pacidade de assumir todas as responsabilidades, de modo que não poderá ser visto</p><p>sozinho durante toda a consulta. Deve-se perguntar-lhe se a mãe ou outro responsá-</p><p>vel poderia entrar, e geralmente a resposta é positiva. Ele pode, se desejar, entrar no</p><p>início da consulta com o responsável e, depois, ficar sozinho.</p><p>É preciso que fique claro ao jovem que nada será tratado com seus pais/respon-</p><p>sáveis sem que ele seja informado previamente, mesmo quando é preciso romper</p><p>o sigilo, conscientizando-o da importância de informar determinadas situações.</p><p>Segredos íntimos próprios da adolescência não requerem quebra de sigilo, havendo</p><p>necessidade de informar se houver riscos à saúde ou integridade de vida do cliente</p><p>ou de terceiros.</p><p>Situações consideradas de risco, como gravidez, abuso de drogas, não adesão</p><p>a tratamentos recomendados, doenças graves, risco à vida ou à saúde de tercei-</p><p>ros, e na realização de procedimentos de alguma complexidade ou risco, como</p><p>Mobile User</p><p>Adolescência   16</p><p>intervenções cirúrgicas e uso de anestésicos, tornam-se necessários a participação</p><p>e o consentimento dos pais ou responsáveis.</p><p>Em todos esses casos que caracterizam a necessidade de quebra de sigilo médi-</p><p>co, o adolescente deve ser informado anteriormente, justificando-se os motivos para</p><p>essa atitude.</p><p>Saiba mais! O Código de Ética Médica, art. 74, reforça o art. 103</p><p>dos códigos de ética anteriores, e diz que é vedado ao médico:</p><p>“Revelar sigilo profissional relacionado a paciente menor de idade, inclusive a</p><p>seus pais ou representantes legais, desde que o menor tenha capacidade de</p><p>discernimento, salvo quando a não revelação possa acarretar dano ao pacien-</p><p>te.”</p><p>Fonte: Conselho Federal de Medicina. Código de Ética Médica: Resolução CFM</p><p>nº 2.217, de 27 de setembro de 2018, modificada pelas Resoluções CFM nº</p><p>2.222/2018 e 2.226/2019. Brasília: 2019.</p><p>Situações em que o sigilo deve ser interrompido ou mantido na consulta</p><p>de adolescentes</p><p>Quebra do sigilo Manutenção do sigilo</p><p>Presença de qualquer tipo de violência:</p><p>emocional, maus tratos, sexual, bullying,</p><p>interpessoal no namoro etc.</p><p>Ficar, namoro; iniciação sexual (excluída</p><p>violência por sedução ou imposição explíci-</p><p>ta)</p><p>Uso escalonado (cada vez maior) de álcool e</p><p>outras drogas; sinais de dependência quími-</p><p>ca</p><p>Experimentação de psicoativos (sem sinais</p><p>de dependência)</p><p>Autoagressão, ideações suicidas ou de fuga</p><p>de casa; tendência homicida</p><p>Orientação sexual, conflitos com identidade</p><p>de gênero</p><p>Sorologia positiva de HIV (comunicar aos</p><p>familiares e à parceria sexual)</p><p>IST (afastada violência sexual e desde que</p><p>adolescente tenha maturidade para adesão</p><p>ao tratamento)</p><p>Não adesão a tratamentos, deixando o</p><p>adolescente ou terceiros em risco</p><p>Diagnóstico de doenças graves, quadros</p><p>depressivos e outros transtornos do campo</p><p>mental</p><p>Fonte: Consulta do adolescente: abordagem clínica, orientações éticas e legais</p><p>como instrumentos ao pediatra, 2019</p><p>Mobile User</p><p>Adolescência   17</p><p>5. PROMOÇÃO À SAÚDE</p><p>Saiba mais! De acordo com a Associação Médica Americana</p><p>(1997), as visitas de rotina de adolescentes e jovens e suas famílias aos servi-</p><p>ços de saúde configuram-se como oportunidades para:</p><p>Reforçar mensagens de promoção de saúde.</p><p>Identificar adolescentes que estejam sujeitos a comportamentos de risco.</p><p>Promover imunização adequada.</p><p>Desenvolver vínculos que favoreçam um diálogo aberto sobre questões de saúde.</p><p>Sensibilizar adolescentes homens para o autocuidado e na corresponsabiliza-</p><p>ção pela saúde sexual e saúde reprodutiva sua e de sua parceria.</p><p>Fonte: Associação médica americana. Guidelines for Adolescent Preventive</p><p>Services. Archives of Pediatrics and Adolescent Medicine, [S.l.], Feb. 1997.</p><p>Todos os adolescentes deverão receber</p><p>esclarecimentos a respeito de seu cres-</p><p>cimento físico e desenvolvimento psicossocial e sexual. Deve ser enfatizada a im-</p><p>portância de se tornarem ativamente participantes nas decisões pertinentes aos</p><p>cuidados de sua saúde.</p><p>As vantagens da realização de atividade física regular deverão ser reforça-</p><p>das, incluindo seu papel na promoção da saúde física e mental e como fator de</p><p>MAPA MENTAL: ASPECTOS ÉTICOS</p><p>Menor maduro: indivíduo que tem</p><p>desenvolvimento cognitivo, intelectual e</p><p>emocional suficiente para compreender os</p><p>benefícios e os riscos do tratamento proposto</p><p>e as condutas a serem tomadas e discutidas</p><p>durante a consulta.</p><p>Termo de assentimento x</p><p>Termo de consentimento</p><p>Sigilo médico</p><p>!</p><p>!</p><p>!</p><p>Adolescência   18</p><p>socialização. No entanto, deve-se alertar quanto à necessidade do adequado condi-</p><p>cionamento físico antes de exercícios ou práticas esportivas, bem como do uso de</p><p>equipamentos de proteção no caso da prática de esportes radicais.</p><p>Os adolescentes deverão receber esclarecimentos sobre cuidados com a saúde</p><p>oral e sobre hábitos nutricionais adequados, incluindo os benefícios de uma alimen-</p><p>tação saudável e da manutenção do peso ideal.</p><p>As consultas são momentos privilegiados para o aconselhamento de práticas se-</p><p>xuais responsáveis e seguras. O uso de preservativo deve ser enfatizado como práti-</p><p>ca indispensável na prevenção de doenças sexualmente transmissíveis e de infecção</p><p>pelo HIV. Essa é também uma oportunidade de esclarecimento de dúvidas, de con-</p><p>versar sobre a importância do afeto e do prazer nas relações amorosas e para alertar</p><p>sobre situações de risco para violência e/ou exploração sexual.</p><p>Outros assuntos importantes são as dificuldades escolares e no trabalho. Essa</p><p>abordagem deverá ser desenvolvida de forma criativa, não se revestindo de um cará-</p><p>ter inquisitivo.</p><p>A utilização de materiais educativos é de grande ajuda no desenvolvimento de</p><p>ações preventivas. Cabe ressaltar, entretanto, a importância da prévia adequação</p><p>destes às realidades locais para que se alcancem os objetivos propostos.</p><p>A Caderneta de Saúde de Adolescentes, nas versões masculina e feminina, foi de-</p><p>senvolvida pelo Ministério da Saúde para ser um instrumento de apoio aos profissio-</p><p>nais, adolescentes e famílias, objetivando a promoção da saúde e do autocuidado,</p><p>devendo ser utilizada desde o início da adolescência, a partir dos 10 anos.</p><p>Contém gráficos das curvas de crescimento, espaço para registro das medidas an-</p><p>tropométricas e dos estágios de maturação sexual, das intervenções odontológicas,</p><p>calendário vacinal, períodos menstruais. Possui ainda informações em linguagem</p><p>prática sobre questões comuns: acne, amizades e afeto, alimentação, colocação do</p><p>preservativo masculino, calendário para registro dos ciclos menstruais, ente outros.</p><p>MAPA MENTAL: PROMOÇÃO À SAÚDE</p><p>Imunização</p><p>Atividade física regular</p><p>Saúde oral</p><p>Hábitos nutricionais</p><p>Práticas sexuais responsáveis e seguras</p><p>Dificuldades escolares e no trabalho</p><p>Adolescência   19</p><p>MAPA MENTAL – ADOLESCÊNCIA</p><p>Inicial: 10-13 anos</p><p>Média: 14-16 anos</p><p>Final: 17-20 anos</p><p>DEFINIÇÃO</p><p>Saúde oral</p><p>Anamnese</p><p>PROMOÇÃO À SAÚDE</p><p>CONSULTAÉTICA</p><p>OMS: 10-20 anos</p><p>incompletos</p><p>ECA: 12-18 anos</p><p>Período de</p><p>transformações</p><p>Exame físico</p><p>Paciente</p><p>Retorno: Paciente +</p><p>familiares</p><p>Paciente + familiares</p><p>Atividade física e</p><p>alimentação</p><p>Saúde sexual e</p><p>reprodutiva</p><p>Dificuldades escolares</p><p>e no trabalhoImunização</p><p>Sigilo médico</p><p>Menor maduro</p><p>Adolescência   20</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>Sociedade Brasileira de Pediatria. Tratado de pediatria. 4. ed. Barueri: Manole, 2017.</p><p>Sociedade Brasileira de Pediatria. Departamento Científico de Adolescência.</p><p>Consulta do adolescente: abordagem clínica, orientações éticas e legais como ins-</p><p>trumentos ao pe diatra. N. 10, jan. 2019.</p><p>Ministério da Saúde (BR). Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações</p><p>Progra máticas e Estratégicas. Proteger e cuidar da saúde de adolescentes na aten-</p><p>ção básica. Brasília: Ministério da Saúde, 2017.</p><p>sanarflix.com.br</p><p>Copyright © SanarFlix. Todos os direitos reservados.</p><p>Sanar</p><p>Rua Alceu Amoroso Lima, 172, 3º andar, Salvador-BA, 41820-770</p>

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