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PRÁTICA PENAL – Profa. Leticia Sesquim Caso para elaboração da peça – Liberdade Provisória Mévio, empresário de Cacoal - Rondônia, brasileiro naturalizado, casado, com residência fixa na Av Porto Velho, 222, Centro, foi preso em flagrante pela suposta prática do delito tipificado no art. 3º da Lei n. 1.521/51: “destruir ou inutilizar, intencionalmente e sem autorização legal, com o fim de determinar alta de preços, em proveito próprio ou de terceiro, matérias-primas ou produtos necessários ao consumo do povo”. Diante desse fato, Maria, esposa de Mévio, procurou um advogado e lhe informou que Mévio era primário e possuía residência fixa. Informou que a empresa do seu esposo, ALIMENTOS S.A., já atuava no mercado havia mais de 10 anos. Disse que Mévio sempre fora pessoa honesta e voltada para o trabalho. Além disso, Maria narrou que Mévio era pai de uma criança de tenra idade, Lavínia, que necessitava urgentemente do retorno do pai às atividades laborais para manter-lhe o sustento. Por fim, informou que estava grávida e não trabalhava fora. Maria apresentou ao advogado os seguintes documentos: CPF e RG de Mévio, comprovante de residência, cartão da gestante expedido pela Secretaria de Saúde de Cacoal, certidão de nascimento da filha do casal, Lavinía, auto de prisão em flagrante, nota de culpa e folha de antecedentes penais do indiciado, sem qualquer incidência. Considerando a situação hipotética descrita, formule, na condição de advogado(a) contratado(a) por Mévio, a peça de liberdade provisória. • Rascunho da peça a) infração penal: art. 3º da Lei n. 1.521/51: “destruir ou inutilizar, intencionalmente e sem autorização legal, com o fim de determinar alta de preços, em proveito próprio ou de terceiro, matérias-primas ou produtos necessários ao consumo do povo”; b) ação penal: pública incondicionada; c) pena concreta: não tem; d) pena abstrata: detenção, de 2 (dois) anos a 10 (dez) anos, e multa e) rito processual: rito ordinário; f) momento processual: na fase investigatória e antes da propositura da ação penal; g) cliente: Mévio; h) situação prisional: preso; i) tese: comprovar os requisitos para concessão da liberdade provisória, pois, no caso em análise, não estão presentes os requisitos da prisão preventiva; o requerente é primário e possui residência fixa; não há nada indicando que, em liberdade, venha a ausentar-se do distrito da culpa, dificultando a aplicação da lei penal, nem que venha a causar perturbações durante a instrução criminal, dificultando a prova. Atacar requisitos da prisão preventiva – art. 312 do CPP j) peça: liberdade provisória; k) competência: juiz de direito da vara criminal; l) pedido: deve ser requerida a concessão de liberdade provisória mediante fiança, já que se trata de crime contra a economia popular, e, nos termos do art. 325, § 2º, nos casos de prisão em flagrante pela prática de crime contra a economia popular ou de crime de sonegação fiscal não se aplica o disposto no art. 310 e parágrafo único do Código de Processo Penal. Assim, a liberdade provisória somente poderá ser concedida mediante fiança, por decisão do juiz competente e após a lavratura do auto de prisão em flagrante. Ressalte- se que não incide na hipótese o art. 350 do CPP, pois não se trata de requerente comprovadamente pobre.